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Intervenções com jogos melhoram habilidades emocionais de crianças na educação infantil

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AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM PRIMEIRA INFÂNCIA

Intervenções com jogos melhoram habilidades emocionais de crianças na educação infantil

Chrissie Ferreira de Carvalho Florianópolis, Santa Catarina

• Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

1

Introdução

44%

Controle de comportamentos agressivos

A pobreza é uma das muitas

Capacidade de planejar

adversidades vividas na primeira infância que podem ter influências significativas e duradouras em diferentes aspectos do desenvolvimento

das crianças até 6 anos vivem em situação de pobreza no Brasil1

infantil, como: 2,3,4,5

Controle dos impulsos

Segundo James Heckman, professor da Universidade de Chicago e Prêmio Nobel de Economia, os resultados do investimento na primeira infância podem ser percebidos na melhoria da educação, maior realização pessoal e também em produtividade social, o que produz retorno não apenas para a criança na vida adulta, mas para a sociedade como um todo6

Adesão a regras de convivência

Dificuldades nas interações sociais

Controle da atenção

Intervenções que promovem o

Jogos estimulam a

desenvolvimento de habilidades

aprendizagem das crianças

socioemocionais na primeira

sobre estados mentais e a

infância contribuem para que a

compreensão de emoções

criança tenha uma vida com: 7,8,9 • Melhores condições de aprendizagem

no ensino fundamental • Melhor desempenho acadêmico

O objetivo deste estudo

• Melhores oportunidades de emprego

foi investigar o impacto de

• Redução do envolvimento

jogos no desenvolvimento

com crimes

de habilidades

• Melhor saúde mental e bem-estar

socioemocionais em crianças brasileiras em situação de pobreza urbana

2

Método da pesquisa

Ensaio randomizado

O estudo foi aprovado pelo

controlado duplo cego com

Comitê de Ética em

107 crianças com idades

pesquisa da Universidade Católica do Salvador (CAEE:

83,3% das crianças participantes vêm de famílias na linha de pobreza ou abaixo dela

10498919.9.0000.5628)

entre 5 e 6 anos matriculadas em centros municipais de educação infantil situados em bairros de alta vulnerabilidade social de Salvador (BA)

Ao longo de 10 semanas, pesquisadores propuseram jogos às crianças, que foram

INTERVENÇÃO

distribuídas de forma aleatória em três grupos

35

34 participaram de

38

jogos promotores

jogos promotores

não participaram de

de habilidades

de habilidades de

nenhum jogo

socioemocionais

matemática

As crianças participaram

Foram aplicados 2

de 2 jogos. Em um deles,

jogos. Em um deles, as

continuaram

de tabuleiro,

crianças identificavam

realizando as

precisavam descobrir

quantidades e

atividades curriculares

qual emoção era

relacionavam o

regulares da escola,

provocada pela situação

número à soma.

sem intervenções

social apresentada.

No outro, exercitavam

No outro, de cartas, eram

conhecimento quanto

instigadas a

a propriedades

As habilidades avaliadas um mês antes do início das atividades e um mês após o fim, por meio de testes individuais sobre reconhecimento das emoções mentais aplicados pela

CONTROLE PASSIVO

participaram de

socioemocionais delas foram

e interpretação de estados

CONTROLE ATIVO

equipe de pesquisa

intuir os desejos dos

geométricas, como

personagens após

formas, quantidades

analisar quadrinhos nos

de lados e ângulos

As crianças

Este grupo foi incluído para garantir que o efeito da intervenção focada em habilidades socioemocionais não fosse “placebo”, ou seja, uma melhora provocada apenas por uma intervenção nova no ambiente

quais eles expressavam gostos e preferências

+3

O objetivo era analisar o conhecimento emocional e a interpretação sobre estados mentais de todos os participantes e comparar o resultado entre as crianças de cada grupo

As intervenções com jogos promotores de habilidades socioemocionais melhoraram a compreensão e o reconhecimento das emoções das crianças do grupo

3

intervenção, em especial quando

Resultados da pesquisa

comparadas às participantes dos

Evolução de desempenho das habilidades socioemocionais entre as crianças participantes grupo intervenção

grupo controle ativo

grupos de jogos matemáticos e sem nenhuma intervenção10

grupo controle passivo

Crianças capazes de

Desempenho geral das

nomear as emoções (%)

habilidades socioemocionais (%)

100%

As crianças do

100%

grupo intervenção 80,7

tiveram um aumento de aproximadamente

64,9

56% na habilidade 49,7 47

de nomear as emoções

56,7 55,4

48,9 47,3 43,2

37,5 33,5

As crianças do grupo intervenção tiveram um aumento de aproximadamente

24,6

21% no seu desempenho geral de habilidades

0

0

ANTES

DEPOIS

ANTES

DEPOIS

socioemocionais

Pesquisadores e professoras atuantes no estudo identificaram nas crianças do grupo intervenção desempenho melhor em habilidades cognitivas e socioemocionais, tais como:

Convivência

Gerenciamento

Autorregulação das

e interação

de conflitos

emoções, como

social

birra, raiva e tristeza

4

Recomendações para a gestão pública

GESTÃO MUNICIPAL

PRÉ-ESCOLAS

Implementar políticas públicas que promovam a aprendizagem socioemocional nos currículos escolares

Recomendações baseadas em evidências:

Promover colaborações intersetoriais de modo a garantir intervenções eficazes

Ações sugeridas para a promoção do desenvolvimento socioemocional no contexto da educação infantil

Promover formação continuada de professores e gestores escolares no campo do neurodesenvolvimento humano, habilidades da leitura e da escrita e educação socioemocional

GESTÃO FEDERAL Formular e implementar políticas públicas que compreendam o valor da brincadeira para o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças, estimulando abordagens baseadas em jogos Avaliar e monitorar de forma sistemática as políticas públicas e os programas de intervenção

Fomentar e fortalecer entre as famílias e a comunidade a compreensão da brincadeira como elemento fundamental para o desenvolvimento e aprendizagem das crianças Assegurar currículos adequados do ponto de vista neurodesenvolvimental, ancorados na aprendizagem e nas experiências centradas na criança

Implementar processos de avaliação de currículos e programas, mensurando impacto e resultados para a melhoria contínua e a sustentabilidade de intervenções efetivas

Possibilitar que professores tenham acesso a guias de implementação e outros recursos e materiais para o aprendizado e as explorações das crianças pequenas

Proporcionar às escolas acesso a jogos e demais materiais para uso em sala

Inserir na rotina escolar jogos voltados ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais

5

Créditos SOBRE A PESQUISADORA

SOBRE A PESQUISA

Chrissie Ferreira de Carvalho

Intervenções com jogos melhoram habilidades emocionais de crianças na educação infantil

Professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Co-autores Nara Côrtes Andrade (Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF) Elizabeth Spelke (Universidade de Harvard)

Financiadores O presente trabalho foi realizado com financiamento do edital Harvard University Lemann Brazil Research Fund para o projeto intitulado “A Preschool Intervention to Enhance Poor Children's School Readiness in Brazil”. O projeto é uma colaboração entre o Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa em Neurodesenvolvimento Humano (LINHA), o Laboratório de Neuropsicologia Cognitiva e Escolar (LANCE) e o Laboratório para Estudos do Desenvolvimento da Universidade de Harvard dos Estados Unidos. Agradecemos às escolas e às crianças participantes.

6

Referências 1. Salata, A., Mattos, Ely, J., & Bagolin, I. P. (2022) Pobreza infantil no Brasil:

6. Heckman: A economia do potencial Humano. A equação de Heckman. Disponível

2012-2021. Laboratório de Desigualdades, Pobreza e Mercado de Trabalho – PUCRS

em www.heckmanequation.org Acesso em: 28 mar 2023.

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CuriousMind: a game-based intervention to enhance social cognition in early

mar 2023.

childhood. Budapest CEU Conference on Cognitive Development, 181–181. https://bcccd.org/previous-conferences.htm Acesso em: 28 mar 2023.

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O conteúdo deste estudo é de responsabilidade dos autores, não refletindo, necessariamente, as opiniões das organizações que são membros do Núcleo Ciência Pela Infância.


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