A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
O Instituto Avisa Lá – Formação Continuada de Educadores É uma organização da Sociedade Civil (OSCs), sem fins lucrativos, com finalidade pública, que atua desde 1986. Tem como objetivos contribuir para a qualificação e o de senvolvimento de competências dos profissionais que atuam em instituições educacio nais e atendem crianças de baixa renda; oferecer suporte técnico para ONGs, agências governamentais, escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental; atuar como cen tro de produção de conhecimento em Educação por meio de seu site na internet, com produção de vídeos de formação e publicações; e contribuir para a formulação e imple mentação de políticas públicas que resultem em educação de maior qualidade.
O Impaes — Instituto Minidi Pedroso de Arte e Educação Social O Instituto propõe beneficiar iniciativas que tenham como meta a capacitação de educadores na área da arte, visando ao efeito multiplicador em todas as suas ações, sempre voltadas à formação de crianças, jovens e adultos, em territórios de alta vulne rabilidade social.
O Cenpec – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária Trinta anos em defesa da educação. É uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, criada em 1987. Tem como objetivos o desenvolvimento de projetos, pesquisas e metodologias volta das à melhoria da qualidade da educação pública e a sua incidência no debate público. O Cenpec atua em parceria com a escola pública, espaços educativos de caráter pú blico e iniciativas destinadas ao enfrentamento das desigualdades.
Notas sobre a autoria Os textos desta publicação decorrem do trabalho de documentação realizado em conjunto com cator ze1 unidades de Educação Infantil. Foram elabora dos pelos professores, coordenadores e gestores que participaram do projeto, desde seus primórdios, em 2013, até a consolidação da parceria com IMPAES e CENPEC, entre 2014 e 2015. Os referenciais das ações formativas estão embasados na metodologia desen volvida pelo Instituto Avisa Lá, em uma construção coletiva com as consultoras.2 Este material é dedicado a todos que, intensamen te comprometidos com o trabalho, produziram refle xões, práticas e registros preciosos, os quais podem instigar novas propostas formativas. Sistematização do material e organização dos textos Cinthia Manzano, Denise Nalini e Mariana Americano Criança interagindo com obra exposta no III Encontro de Arte Contemporânea e a criança pequena, no Sesc Santo Amaro, em 2014
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CEI Parque Dorotéia, CEI Shangri – Lá, CEI N. Sra. Aparecida, CEI Irmã Agostina, CEI Guadalupe, CEI Clipper, CEI Nicarágua, CEI N. Sra. das Graças (CCJA), CEI Bom Conselho, CEI Paulino Eva, CEI N. Sra. das Graças (CSP), CEI Sagrada Família, CEI São Norberto e CEI Santa Terezinha. 2 Denise Nalini, Cinthia Manzano, Mariana Americano, Cisele Ortiz e Beatriz Bianco. 1
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SUMÁRIO
1 3
Início da história: dos primeiros ensaios à rede de conexões
A Arte Contemporânea como uma possibilidade de reconhecer as muitas expressões das crianças
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Os caminhos da formação
2.1 Ampliação cultural
Encontros e conexões: sequências didáticas e práticas de referências
Referências bibliográficas
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INÍCIO DA HISTÓRIA: DOS PRIMEIROS ENSAIOS À REDE DE CONEXÕES
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1 INÍCIO DA HISTÓRIA: DOS PRIMEIROS ENSAIOS À REDE DE CONEXÕES
Em 2013, dois projetos de formação de educadores aconteciam simultanea mente em Centros de Educação Infantil (CEIs) conveniados, na Zona Sul da ci dade de São Paulo: Projeto Aprendizagens Significativas e As artes visuais e o brincar na educação da criança de 0 a 3 anos, ambos coordenados pelo Ins tituto Avisa Lá. O interesse em apro fundar as relações entre Arte Contem porânea e crianças de 0 a 3 anos foi comum nos dois projetos. Com isso, iniciamos um grupo de estudos para aprofundar a discussão sobre Arte Con temporânea e Educação das crianças pequenas. Esse espaço criou a oportu nidade de unir a produção do Projeto Aprendizagens Significativas ao proje Encontro com grupos de professores, coordenadores, gestores e consultores envolvidos no Projeto Conexões, no IV Encontro de Arte Contemporânea e a criança pequena, realizado no Sesc Santo Amaro em 2015
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to As artes visuais e o brincar na educação da criança de 0 a 3 anos, gerando uma exposição que procurou revelar os processos de aproximação da infân
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1 INÍCIO DA HISTÓRIA: DOS PRIMEIROS ENSAIOS À REDE DE CONEXÕES cia com os modos de fazer próprios da Arte Contemporânea. Essa exposição realizada no CEU Pa relheiros, no final do ano de 2013, foi um marco que intensificou o desejo de con tinuidade dessa parceria e fortaleceu uma rede entre essas instituições, in teressadas em qualificar a educação de crianças pequenas, articulando educa
Obras interativas propostas na Exposição no CEU Parelheiros em 2013, que reuniu pela primeira vez o conjunto de unidades que formaria o grupo do Projeto Conexões
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Instalações elaboradas pelos participantes da formação inspiradas em artistas contemporâneos na exposição no CEU Parelheiros em 2013
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1 INÍCIO DA HISTÓRIA: DOS PRIMEIROS ENSAIOS À REDE DE CONEXÕES ção e cultura. Foi esse encontro, portanto, que deu origem ao Projeto Conexões. Em 2013, por meio do Edital lançado pelo Instituto Minidi Pedroso de Arte e Educação Social (IMPAES), o projeto foi selecionado para participar do Programa Desafios IMPAES, contando, por sua vez, com a coordenação técnica do Cen tro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC). Essa parceria viabilizou e oportu nizou uma proposta metodológica de formação continuada que potencializou o trabalho dos CEIs conveniados com a Prefeitura para o atendimento das crianças de 0 a 3 anos na Região Extremo Sul da cidade de São Paulo (Interlagos, Cidade Dutra, Parelheiros e Grajaú). É importante salientar que grande parte dessas unidades está situada em áreas de proteção ambiental, áreas de nascentes e mananciais. Por isso uma importante preocupação das ações formativas es teve relacionada à sustentabilidade ambiental, integradas às ações artísticas e à educação, criando um contexto propí cio para as intervenções em Arte Contemporânea. Dessa maneira, a intenção de criar uma rede cultural lo cal foi aos poucos tomando forma, mas ainda é necessário muito trabalho e investimento de diferentes setores, para que possamos fomentar esse grupo como um polo de refe rência em Arte e Educação com crianças bem pequenas.
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OS CAMINHOS DA FORMAÇÃO
2 OS CAMINHOS DA FORMAÇÃO Não estando mais num universo meramente físico, o homem vive em um universo simbólico. A linguagem, o mito, a arte e a religião são parte desse universo. São os variados fios que tecem a rede simbólica, o emaranhado da experiência humana. Todo o progresso humano é refinado por essa rede e o fortalece. [...] Isso porque, lado a lado com a linguagem conceitual, existe uma linguagem emocional; lado a lado com a linguagem científica ou lógica, existe uma linguagem da imaginação poética.[...] Logo, em vez de definir o homem como animal rationa le, deveríamos defini-lo como animal symbolicum. Ao fazê-lo, podemos designar sua diferença específica, e entender o novo caminho aberto para o homem – o caminho para a civilização. Ernst Cassirer, em Ensaio sobre o Homem.
Acreditamos que os profissionais implicados e mobilizados em um processo de mudança de práticas precisam estar mergulhados em um contínuo movimento de reflexão sobre as melhores maneiras de aperfeiçoar as proposições que enriquecem o universo simbólico das crianças. Nesse contexto, a Arte Contemporânea, por algumas de suas peculiaridades, oferece caminhos profícuos ao estreitar as rela ções entre cultura e educação e sugerir aberturas para novas ações das crianças que, por sua vez, geram experiências significativas. Experiência significativa pode ser considerada aquela que, partindo do conhecimento prévio das crianças, traz a possibilidade de reflexão em Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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2 OS CAMINHOS DA FORMAÇÃO diferentes níveis, gerando dessa maneira aproximações sucessi vas às múltiplas linguagens, ressignificando o sentido das novas aprendizagens. Quando optamos por trabalhar com Arte Contemporânea, referimo-nos à primazia dos processos; o que significa que nosso foco com as crianças pequenas não está nos produtos do fazer artístico, mas sim nos percursos de exploração e des dobramentos revelados por meio da investigação ativa. Outro aspecto importante da Arte Contemporânea diz respeito à abertura ao uso de materiais não convencionais nas produ ções, ou seja, não é preciso que o trabalho esteja centrado em meios e suportes convencionais das Artes Plásticas, tais como papel, lápis, tinta, pincel, etc. Qualquer material pode ser utili zado, de acordo com o projeto a ser desenvolvido por aqueles que se envolvem em uma investigação poética. Com isso, as diferentes linguagens das artes se misturam e assumem papel importante no lugar das técnicas, que passam a estar a serviço de uma proposição estética. No âmbito desse projeto, o professor aparece como um pro positor que cria condições para a existência de experiências estéticas, em um movimento de conquista de profissionalis mo e autonomia, que exige pesquisa, estudo e implica em um intenso percurso de aprendizagens com relação não só aos aspectos didáticos do trabalho, mas também ao universo da Arte. Nesse sentido, buscamos caminhos que viabilizassem o fortalecimento de uma concepção de autoformação, a ser Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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2 OS CAMINHOS DA FORMAÇÃO
apropriada pelos educadores. Para tanto, os nossos objetivos ao longo da formação foram: Formar continuadamente professores de crianças de 0 a 3 anos em 14 unidades da rede conveniada (privada/pública) à Prefeitura, localizadas na Zona Sul do Município de São Paulo; Potencializar e integrar as ações de cuidado, educação e artes nas rotinas; Contribuir para o fortalecimento e a autonomia dos profis sionais, no sentido da criação de campos de experiências sig nificativas para as crianças no cotidiano das unidades; Consolidar a concepção de educação que promove experiên cias significativas para crianças, compreendidas aqui como sujeitos ativos e curiosos na descoberta de mundo; Operar mudanças reais na organização intencional de tem pos, espaços e materiais no ambiente da Educação Infantil. Para o desenvolvimento dos objetivos apontados acima, trabalhamos com uma estrutura formativa que abre para diferentes frentes de reflexão, de modo a alcançar os vários profissionais envolvidos. A partir de ações planejadas em rede, promovemos encontros que mobilizaram reflexões e propuseram vivências que fortaleceram o movimento de au toria dos profissionais, subsidiando teórica e metodologica
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2 OS CAMINHOS DA FORMAÇÃO mente suas práticas e sensibilizando esses professores, coor denadores e gestores para as relações estabelecidas no dia a dia de suas unidades.
Criação de campos de experiências Ação desenvolvida quinzenalmente durante um semestre e diretamente com um grupo de crianças e seus professores. A for
Tivemos, no projeto, encontros entrelaçados e desenvolvidos
madora atuou com uma professora mais experiente, que produ
por diferentes profissionais, que, articulados, geraram um de
zia uma sequência didática refletida continuamente, com os pro
terminado dispositivo de formação. Trata-se de um conjunto de
fessores do grupo. As ações geradas e registradas eram passíveis
ações planejadas e coordenadas, visando ao fortalecimento dos
de serem tematizadas na formação com todos os professores.
processos de autoformação, tal como apontado anteriormente. Essa forma de organização foi pautada na metodologia construí da pelo Instituto Avisa Lá e pode ser caracterizada neste projeto específico pelas ações descritas a seguir:
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Poética da criança de 0 a 3 anos Ação de estudo, realizada mensalmente com todos os pro fessores participantes do projeto, pautada na construção de
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2 OS CAMINHOS DA FORMAÇÃO sequências didáticas comprometidas com a concepção de
alimentaram e sensibilizaram os professores, colocando-os
criança capaz e protagonista e com um olhar ativo que apre
como propositores de ações poéticas.
ende o modo de ser das crianças nas interações cotidianas com propostas inspiradas na Arte Contemporânea. Foram te
Formação de gestores e coordenadores pedagógicos
matizadas práticas a partir de ações realizadas com crianças
Ação de acompanhamento do desenvolvimento do projeto,
em contextos reais, estudo de abordagens teóricas interacio
voltada à criação de estruturas e rotinas formativas no inte
nistas, além de trocas de experiências entre pares. Também
rior de cada unidade, para consolidação dessa prática. Nos en
buscamos o aperfeiçoamento do trabalho com os instrumen
contros com diretores e coordenadores, público central dessa
tos metodológicos do professor: planejamento, observação,
ação, mensalmente, demos ênfase à articulação e à continui
registro e avaliação.
dade do projeto, de modo a envolver toda unidade escolar. Nessa dimensão da formação, partimos do levantamento das
Ateliê de Arte
demandas estruturais trazidas pelas equipes gestoras para a
Ação mensal realizada com todos os professores, com foco
organização de uma rotina de formação dos coordenadores
na criação poética, caracterizado por vivências e momentos
pedagógicos. Nesse foco, apontamos caminhos para a cons
criativos destinados aos professores. As proposições são vol
trução de princípios, estratégias e sistemáticas de formação
tadas aos professores e não se traduzem em um uso direto
pela equipe local.
com as crianças. Essa formação incidiu sobretudo na possibi
Esse cenário possibilita a imersão formativa desses atores,
lidade de fruição da Arte Contemporânea e do empoderamen
alimentados pela observação atenta das crianças e ao mesmo
to de seu olhar e análise, por meio de visitas às exposições
tempo sensibilizados como pessoas que têm direito ao acesso
e mostras de trabalhos de Arte Contemporânea. A obser
a bens culturais e como profissionais que promovem a apren
vação de espaços e a construção de ateliês voltados para a
dizagem das crianças.
ampliação do campo de experiência dos professores foram
O professor atua como um investigador, que vivencia um
elementos dessa ação, pois propiciaram acesso aos processos
processo de pesquisa e propõe novas intervenções envolven
de criação e contribuíram para o aumento significativo do re
do a criança ao reconhecer a natureza de suas diferentes lin
pertório dos professores por meio do sentir e do fazer. Essas
guagens expressivas. A partir da elaboração de sequências
ações proporcionaram também experiências estéticas que
de atividades construídas com base em seus conhecimentos
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2 OS CAMINHOS DA FORMAÇÃO sobre Arte Contemporânea e hipóteses iniciais sobre as ações das crianças, o professor cria campos de expe riência diferenciados para os pequenos. Na construção desse processo, o professor assume o lugar de quem reflete, ao planejar com intencionalidade, no decorrer da ação, durante a realização das sequências e após a realização deste trabalho, construindo uma sistemáti ca de observação e acompanhamento, documentada e constantemente retomada. A inserção cultural dos professores nos espaços da cidade, as visitas aos museus e a ênfase em experiên cias estéticas alargaram as percepções e ampliaram cul turalmente as atividades oferecidas. Trata-se de uma mobilização intensa, com vistas a promover a maior circulação de professores que, em sua maioria, vivem e transitam em bairros periféricos, distantes dos cen tros culturais da cidade. Investir na formação cultural do grupo, portanto, implica em uma ação política, no sentido de garantir a todos o acesso a bens culturais públicos, constituindo uma relação de interesse e pra zer estético que o contato com a cultura proporciona. Dessa maneira, as situações formativas propiciaram que o conhecimento criasse sentido para os professores e para as crianças, pois ele esteve inserido na dimensão das percepções, dos sentimentos em contextos históri co-sociais, nos quais educação, cultura e sociedade inte Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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2 OS CAMINHOS DA FORMAÇÃO ragem, criando novas relações e saberes. Foi muito significativo em todo o processo de formação observar o encantamento dos adultos e seus esforços para compreender e gerar sentidos e sabe res a partir das ações de sensibilização estética. Apresentamos a seguir um depoimento para ilustrar esse progressivo encantamento dos edu cadores com relação às artes:
CEI Vila Nicarágua Relatório referente à visita da nossa equipe à Bienal em 07/10/2016. Para a nossa equipe, a visita à Bienal já faz parte dos eventuais estudos, pois nossas professoras gostam muito de visitar locais que nos levam a novas descobertas. Há interesse e curiosidade para ver os trabalhos expostos, assim como imaginar o que as crianças po dem aprender com eles; e as professoras se sentem atraídas e motivadas por trabalhos e obras expostas. Algumas obras marcaram nossa equipe, artistas como: Carolina Caycedo, que retrata a catástrofe de Mariana- MG, Rita Ponce de Leon, Jordan Belson e Pia Lidman. A questão mais importante da experiência de visita à Bienal é a liberdade que cada pes soa tem de fazer sua própria leitura, de interpretá-la do seu jeito, o que somos convidados a pensar, e ir além como questão de aprendizagem. Ir à Bienal nos ajuda a não ter medo de ousar, a ampliar o conhecimento, ter novos olha res, sentir a necessidade de ir além, diversas possibilidades, nas cores, traços e formas, pois não existe certo ou errado; tudo é arte. Recebemos uma energia que depois é colocada no papel quando planejamos e organizamos as atividades para nossas crianças.
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2 OS CAMINHOS DA FORMAÇÃO Ampliação Cultural O homem construindo e lendo/atribuindo significados tornou-se um ser simbólico. [...] Fazer e compreender Arte são processos de humanização.
aprendizes. Conhecer e poder optar, por sua vez, é a base da
Maria Terezinha Telles Guerra, Ensinar e Aprender Arte
Quando as produções culturais entram na instituição
construção da cidadania, tão desejada nos contextos educati vos contemporâneos. educativa, tudo passa a fazer sentido, pois há uma perspec tiva histórica, cultural e social em jogo. Os profissionais, ao
Conhecer o mundo e as manifestações culturais é funda
perceberem a importância de unir educação e cultura, bus
mental para o educador. Desse modo, é importante que um pro
cam conhecer cada vez mais, estabelecem conexões, intera
cesso de formação envolva também atividades culturais que
gem melhor com as crianças, que têm, assim, a oportunida
alimentem a prática educativa. No Projeto Conexões, sempre
de de vislumbrar inúmeras relações entre objetos, culturas,
incentivamos a visita a museus e espaços de exposição como
pessoas e natureza. Dessa maneira, eles proporcionam às
uma atividade de ampliação cultural para os educadores.
crianças novos conhecimentos e diferentes visões da reali
O ensino da arte e da cultura para educadores pode con
dade, para que elas possam encontrar um sentido pessoal
tribuir com a transformação da realidade socioeducacional
naquilo que aprendem, constituindo uma desejável e fecun
de crianças de 0 a 3 anos ao atrelar a cultura às práticas so
da situação educativa.
ciais reais. Ao considerar a criança como inventiva e curiosa,
No Projeto Conexões, os CEIs tornam-se um mundo onde
promovemos a ampliação do universo cultural, bem como os
cabem muitos outros. Instigados pela formação, educadores
processos de construção de conhecimento e, principalmen
selecionaram e trouxeram para as crianças a oportunidade de
te, a autoria de seus participantes, sejam eles educadores ou
dialogar e conhecer mais sobre a arte e seus modos de fazer.
crianças. Ao propiciar novas formas de olhar, experimentar,
É essa educação que queremos: uma educação integrada com
conhecer, apropriar-se e fruir a produção humana – mate
a forma de conhecer das crianças e da Arte produzida hoje e
rial e simbólica, ampliam-se as possibilidades de escolha dos
com as questões do nosso tempo.
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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2 OS CAMINHOS DA FORMAÇÃO
Professoras dos CEIs em visita ao Instituto Tomie Ohtake
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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A ARTE CONTEMPORÂNEA COMO UMA POSSIBILIDADE DE RECONHECER AS MUITAS EXPRESSÕES DAS CRIANÇAS
3 A ARTE CONTEMPORÂNEA COMO UMA POSSIBILIDADE DE RECONHECER AS MUITAS EXPRESSÕES DAS CRIANÇAS Tudo se passa como se Leonardo nunca tivesse amadurecido completamente, como se todos os lugares de seu coração estivessem de antemão ocupados, como se o espírito de investigação tivesse sido para ele um meio de escapar à vida, como se ele tivesse investido em seus primeiros anos todo o seu poder de assentimento, e como se tivesse até o final permanecido fiel à sua infância. Ele brincava como uma criança [...]. Sobre Leonardo da Vinci, de Maurice Merleau-Ponty em O olho e o espírito – Editora Cosac Naify.
As crianças de 0 a 3 anos são movidas pela sua percepção multissensorial, no engajamento com todo o seu corpo nas aprendizagens, pesquisas e investigações cotidianas. Sua forma espontânea de expressar-se, envolverem-se nas mais diferentes propostas e criar soluções inusitadas para os desafios resulta em criações singulares e poéticas. Muitas vezes existe, entre a poé tica da criança pequena e os modos de fazer da Arte Contempo rânea, uma similaridade de temáticas e procedimentos. Muitos artistas contemporâneos trazem em seus trabalhos processos de produção que inovam sensações e percepções, buscando signifi cados, e abrem campos de experimentação. Tratamos aqui de um diálogo possível entre a produção realizada na atualidade e os saberes e fazeres das crianças. Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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3 A ARTE CONTEMPORÂNEA COMO UMA POSSIBILIDADE DE RECONHECER AS MUITAS EXPRESSÕES DAS CRIANÇAS Para explicitar essa conexão entre a Arte Contemporânea e a poética das crianças de 0 a 3 anos, podemos citar a Enciclopédia Itaú Cultural: “as novas orientações artísticas, apesar de distin tas, partilham um espírito comum: são, cada qual a seu modo, tentativas de dirigir a arte às coisas do mundo, à natureza, à re alidade urbana e ao mundo da tecnologia. As obras articulam diferentes linguagens – dança, música, pintura, teatro, escultura, literatura etc., desafiando as classificações habituais, colocando em questão o caráter das representações artísticas e a própria definição de arte”. Podemos dizer que algumas das características da Arte Con temporânea possibilitam um diálogo produtivo com as crianças pequenas e seus saberes, como,por exemplo, a seleção dos mate riais a partir do percurso poético daquele que cria. Ou seja, o fa zer artístico das crianças não está mais restrito aos materiais e suportes convencionais, nem à realização passo a passo de uma determinada técnica ou linguagem específica. Esse olhar para a li berdade de uso dos materiais e para o percurso do artista permite uma ressignificação dos fazeres das crianças em relação às artes. Nas Artes Visuais, antes considerávamos o papel, o carvão, o pin cel, a tinta óleo, a tela preparada, bem como outros instrumentos típicos para uma produção em pintura; no entanto, hoje, folhas secas, gravetos, tijolos e tintas naturais podem ser utilizados em uma produção plástica. Assim, conhecer artistas, processos e trabalhos de Land Art contribuem para que o professor compre enda a importância das pesquisas das crianças com água, terra, Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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3 A ARTE CONTEMPORÂNEA COMO UMA POSSIBILIDADE DE RECONHECER AS MUITAS EXPRESSÕES DAS CRIANÇAS gravetos, folhas e toda uma série de materiais naturais e também reflita sobre a necessidade de desconfinamento das crianças e da utilização dos espaços externos integrando saúde, educação, cuidado e cidadania. Na linguagem teatral, percebemos também muitas transfor mações. Os espetáculos saíram do palco convencional, ganha ram as ruas, a interatividade com o público aumentou. Hoje podemos participar de um espetáculo com caráter cênico cami nhando em um cemitério da cidade! Essa disponibilidade para explorar lugares e tempos dilatados são próximos dos modos de agir da criança. É, portanto, essa concepção de arte mutante e múltipla que enfatiza o processo, que se pauta nas experiências sensoriais e nas intervenções do espaço, que entende o corpo como lugar de vivências significativas e que é movida pelo olhar e pela partici pação do outro, que possibilita novos olhares sobre as crianças e as práticas dos CEIs. O fazer contemporâneo coloca em evidência, mais, os pro cessos artísticos do que seus produtos. Muitas vezes, para com preendermos o sentido de uma obra, é fundamental conhecer sua história e contextualizá-la. Isso nos permite acompanhar o pensamento criativo do artista em seu percurso. Muitas vezes o resultado não corresponde aos padrões estéticos mais comuns do século XIX, nem mesmo às ousadias das vanguardas moder nistas. Trata-se de produtos que marcam provocações, oferecem perguntas, convidam à brincadeira. Assim também valorizamos Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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3 A ARTE CONTEMPORÂNEA COMO UMA POSSIBILIDADE DE RECONHECER AS MUITAS EXPRESSÕES DAS CRIANÇAS as descobertas das crianças em seus percursos de aprendiza gens. As produções infantis muitas vezes são peças que contam de um processo elaborado de investigação. Essa maneira de compreender o fazer artístico implica em valorizar a importância do coletivo e de processos cooperativos. Não está em jogo a maestria técnica do artista, mas sua capaci dade de apresentar um pensamento criativo que possa expres sar diferentes maneiras de ver e criar novos mundos. Assim tam bém entendemos os processos de criação nos quais as crianças participam como coautoras, quando imersas em um coletivo que implica em outras crianças e adultos educadores. Outra característica importante da produção contemporânea que nos ajuda a pensar nos fazeres infantis diz respeito ao de senvolvimento das técnicas a serviço do projeto do artista. Não temos mais artistas restritos a aprimorar uma ou outra deter minada técnica. O que observamos são ampliações de repertório de acordo com o projeto que será desenvolvido. Também com as crianças, não pretendemos a reprodução de técnicas, mas sim que elas ampliem suas competências expressivas e desenvolvam uma linguagem poética ao conhecer o mundo. Nesse sentido, a aproximação dos educadores com a Arte Contemporânea, no contexto formativo, ajuda a dar visibilidade às construções particulares das crianças, proporcionando aber tura para a escuta das formas de pensar próprias da infância, uma vez que ajuda a reconhecer o protagonismo infantil em toda sua complexidade. Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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3 A ARTE CONTEMPORÂNEA COMO UMA POSSIBILIDADE DE RECONHECER AS MUITAS EXPRESSÕES DAS CRIANÇAS O uso de todos os sentidos na interação com a obra de arte é outra característica marcante para se pensar as formas de inves
Hélio Oiticica
tigação das crianças. Com as crianças pequenas, o corpo é o ins
“Hélio Oiticica é um artista cuja produção se destaca pelo cará
trumento que torna possível toda vivência e pesquisa. Suas sen
ter experimental e inovador. Seus experimentos, que pressupõem
sações, percepções e movimentos têm um compromisso com a
uma ativa participação do público, são, em grande parte, acompa
investigação, que é a tônica e seu modo de estar no mundo. Esse
nhados de elaborações teóricas, comumente com a presença de
mesmo compromisso com o corpo pensante levou artistas con
textos, comentários e poemas. Pode-se, de acordo com o crítico Cel
temporâneos, tais como Hélio Oiticica, Lygia Clark, Olafur Elias
so Favareto, 1identificar duas fases na obra de Oiticica: uma mais
son, Antony Gormley e Amélia Toledo, entre outros3, a usarem
visual, que tem início em 1954 na arte concreta e vai até a formu
o corpo como suporte e meio para provocar diálogos inusitados
lação dos Bólides, em 1963, e outra sensorial, que segue até 1980.”
nas exposições. São instalações, performances que convocam ao uso dos diferentes sentidos pelos participantes, com resultados
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa48/helio-oiticica
inesperados. Assim sendo, a inspiração destes artistas contribui para que os professores possam pensar e planejar novas propos
http://www.heliooiticica.org.br/projeto/projeto.htm
tas para as crianças. Propostas que também ofereçam a possibi lidade de os pequenos experimentarem as atividades como algo multissensorial. A aproximação com os artistas criou, no Projeto Conexões, um contexto fértil para a formação dos professores, que, partin do de um olhar informado culturalmente, buscou compreender como esses artistas poderiam ampliar ludicamente as experiên cias das crianças, na ação, na busca de novas soluções e na for mação de novos olhares.
Pequenas descrições dos trabalhos destes e de outros artistas podem ser encontradas no capítulo onde são apresentadas as sequências didáticas elaboradas pelos professores.
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Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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3 A ARTE CONTEMPORÂNEA COMO UMA POSSIBILIDADE DE RECONHECER AS MUITAS EXPRESSÕES DAS CRIANÇAS Eixos que atravessaram a prática dos professores em uma interlocução híbrida
Amélia Toledo “Amélia Toledo apresenta, desde a década de 1970, uma
Considerando as formas de pensar e agir da criança peque
produção baseada nas formas da natureza. Recolhe e co
na, buscamos encontrar eixos que aglutinassem propostas que
leciona materiais como conchas e pedras, sobre as quais
reconhecessem o potencial da atividade infantil em seu próprio
age minimamente. A paisagem também é uma constan
desenvolvimento. Trata-se de conceitos em construção, muito
te, exemplificada em obras como Fatias de Horizonte
próprios do contexto do Projeto Conexões, e, portanto, sempre
(1996), na qual anteparos com chapas de aço recriam a
abertos a novas possibilidades de transformação. No âmbito do
ilusão visual da linha do horizonte, envolvendo questões
projeto, esses eixos contribuíram para o estudo dos educadores
como continuidade e descontinuidade. O caráter experi
com relação às diferentes produções artísticas; além de contri
mental, a utilização de uma extensa gama de materiais
buir para que os professores pudessem reconhecer que as crian
– da natureza e industriais – e o interesse em recriar a
ças têm recursos próprios para interagir e aprender, tomam de
paisagem são, portanto, recorrentes na obra da artista,
cisões sobre o que fazer e como agir e usam a interação como
que se dedica também à pintura a óleo e aquarela, em
motor da aprendizagem e do próprio desenvolvimento.
obras geralmente monocromáticas, com sutis vibrações
Em suas atividades, as crianças concentram-se verdadeiramente
luminosas.”
ao tentar descobrir soluções para os problemas que encontram em seu percurso, ou para situações criadas por elas próprias ao
h ttp://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa9129/
manipular objetos e interagir com outras pessoas, o que demons
amelia-toledo
tra que elas constantemente buscam sentido para suas ações e en contram desafios que podem ser tanto de ordem concreta e senso
http://www2.uol.com.br/ameliatoledo/home.htm
rial como de ordem simbólica, quando mais crescidos. São diversas possibilidades de atividades que, agrupadas a par tir das produções realizadas no âmbito da formação, permitiram a abertura de campos de experiências, que geraram aprendizagens significativas para crianças pequenas em uma perspectiva de um Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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3 A ARTE CONTEMPORÂNEA COMO UMA POSSIBILIDADE DE RECONHECER AS MUITAS EXPRESSÕES DAS CRIANÇAS Antony Gormley
mologada pelo MEC em 2010. As experiências organizadas no Projeto Conexões podem ser compreendidas como um novelo
“Antony Gormley es ampliamente reconocido por sus escul
que desvela fios que, tramados, se relacionam e se misturam,
turas, instalaciones y obras de arte públicas que investigan la
mostrando a multiplicidade das aprendizagens das crianças,
relación del ser humano con el espacio. Su trabajo ha desar
possibilitando que brinquem e se expressem por meio de di
rollado las posibilidades abiertas por la escultura desde los
ferentes linguagens. Sabemos que muitas vezes é difícil para
años 60 a través de un compromiso crítico con su propio cuer
o professor organizar um trabalho que integre seus objetivos
po y se enfrenta a cuestiones fundamentales donde el ser hu
às necessidades de aprendizagem das crianças. Para isso, orga
mano se encuentra en relación con la naturaleza y el cosmos.”
nizamos eixos para estruturar as nossas propostas e pensar nos melhores caminhos para a aprendizagem dos professores.
http://vacioesformaformaesvacio.blogspot.com.br/2013/05/
Essa é a característica de um trabalho com caráter didático.
antony-gormley-escultura.html
Nesse percurso, a observação das crianças relacionada aos sa beres sobre desenvolvimento infantil e Arte Contemporânea
Sua obra é aberta, pois não se preocupa com uma única inter pretação. Investiga a relação do corpo humano no espaço e para
possibilitaram a criação de eixos, entendidos como pontos para ancoragem da formação dos professores.
isto se utiliza de diferentes materiais. Suas intervenções estão
Um importante fio condutor que articulou os diferentes ei
além do circuito da arte, propondo um encontro entre vida e arte.
xos de trabalho diz respeito à relação entre ludicidade e a Arte Contemporânea. Muitas vezes, nas instalações e performances
http://www.antonygormley.com/
atuais, há um caráter lúdico, um caráter de jogo, diversão, que instiga que o visitante participe, envolva-se e estabeleça rela ções com seu próprio mundo de diferentes formas. No brincar
espaço relacional alimentado pela Arte Contemporânea. Partimos
infantil isso também está presente. Não há compromisso com
de uma concepção de experiência como situações que potencializam
um produto final, sendo a interação, o processo de criar perso
interações das crianças, tal como aparece nas Diretrizes Curricula
nagens, enredos e cenários o que importa. Esse olhar contribui
res Nacionais para a Educação Infantil, de 17/12/98, redigidas pela Câ
para o planejamento e desenvolvimento das ações didáticas que
mara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação e ho
ajudam os educadores na elaboração de sequências didáticas.
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
26
3 A ARTE CONTEMPORÂNEA COMO UMA POSSIBILIDADE DE RECONHECER AS MUITAS EXPRESSÕES DAS CRIANÇAS Desta maneira, elencamos cinco eixos para a formação dos educadores, eixos que estão inter-relacionados e nomeados di
Educação Infantil é imprescindível considerar que o ambien te também educa.
daticamente abaixo, de acordo com o processo formativo: 4. Narrativas infantis 1. Elementos Naturais
Narrar é muito mais do que contar histórias. A narrativa se
A interação com elementos da natureza possibilita conexões sin
apoia na linguagem oral, mas também no corpo como um
gulares na relação da criança com o ambiente que a envolve. As
todo, pois o corpo fala. Criar narrativas é inventar mundos
construções lúdicas com materiais naturais, em geral, são bas
possíveis; um movimento que contribui para a construção da
tante inusitadas e sensíveis e possibilitam que as crianças ocu
atividade mental e organização do pensamento. Dessa forma,
pem cada vez mais as áreas externas dos CEIs.
temos um dos principais motores do desenvolvimento na pri meira infância, pois, ao construir narrativas de forma imagi
2. Corpo e movimento
nativa, a criança brinca com a realidade e encontra um jeito
As crianças de 0 a 3 anos têm, nessa primeira infância, suas princi
próprio de lidar com ela.
pais conquistas motoras. Aprendem a se deslocar, sentar, rolar, andar, pular, correr, dançar – movimentos que necessitam da ob
5. Sentidos e sons
servação atenta e de intervenções adequadas de seus professores.
A criança conhece o mundo através dos sentidos (olfato, visão,
Neste eixo, a experimentação das diversas formas de se movimen
audição, tato e paladar) e é nas interações – quando toca e é
tar e se relacionar com o seu próprio corpo e com outros corpos
tocado, ouve e é ouvido – que suas experiências vão ganhan
são o foco da aprendizagem das crianças e de seus professores.
do contornos. Assim ela percebe as diferenças e semelhanças entre os objetos e constrói seu próprio repertório. Desta mes
3. Intervenção no espaço
ma forma, a voz humana, os acalantos, os silêncios, os sons
Espaço, tempo e lugar geram o conceito de ambiente. O am
do ambiente, as músicas fazem parte da cultura brasileira e
biente não é dado; ele é constituído pela forma como crianças
devem permear o dia a dia das nossas crianças, pois acolhem e
e adultos interagem, deslocam-se e se relacionam com ele. Na
contribuem para a construção da identidade.
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4
ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS
Conectamos a linguagem da Arte Contem porânea e a maneira lúdica tal como as crianças se relacionam com os materiais, os objetos e o mundo que as cerca, buscando criar ambientes que possibilitem a criação de campos de expe riências em processos de coautoria envolvendo adultos e crianças. Os professores, compreen didos aqui como propositores e investigadores, estudaram, participaram de vários encontros de formação, visitaram museus, alimentaram-se e elaboraram sequências didáticas visando à cria ção de campos de experiências transformadores de aprendizagens. A observação e escuta atentas por parte dos adultos permitiram o desdobrar de contextos materializados em sequências didáti cas que buscavam dar oportunidades de elabo ração de sentidos por parte das crianças, ao vi
CEI Despertar, 2014
venciarem situações semelhantes, encadeadas em desafios progressivos. É importante destacar que os contextos cria
A criança que brinca e o poeta que faz um poema – Estão ambos na mesma idade mágica!
dos com as sequências didáticas podem ser pen
Mario Quintana em Velório sem defunto. Editora Alfaguara
mais de uma sequência pode ser realizada ao
sados de forma simultânea e não linear. Isto é: mesmo tempo e a ordem que apresentamos nes
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS se documento não é necessariamente algo a ser seguido à ris
Que tipo de experiências as atividades propostas nesse eixo
ca. Consideramos que as sequências escolhidas reconhecem
propiciam para as crianças?
as singularidades das crianças, partem da observação de um
Como essas experiências vividas modificam as relações en
grupo específico e podem contribuir para seus processos de
tre as crianças?
diferenciação e construção da identidade. Na leitura das sequên
As sequências de atividades possibilitam um retorno ao já
cias, sugerimos alguns pontos de observação que podem se
vivido e a consolidação dos avanços no desenvolvimento
constituir em questões formativas no que se referem às prá
das linguagens trabalhadas? As crianças têm a oportunida
ticas educativas.
de de retomar as brincadeiras geradas nessas sequências? Por exemplo, em um momento de parque, as crianças reto
Quem são as crianças em questão?
mam e organizam situações usando o aprendido ou o vivido
Quais são os objetivos com essa sequência de atividades?
nas sequências?
Quais são os conhecimentos prévios das crianças em rela
Nessas sequências existem possibilidades de movimenta
ção a esses conteúdos?
ção, de construção de autonomia e de aprendizagem em re
Quais linguagens artísticas estão em foco na sequência?
lação aos materiais?
Como elas são tratadas ao longo das etapas propostas? Como as atividades estão encadeadas? É possível observar
A seguir, apresentamos vários materiais que foram gerados
um movimento de desafios crescentes?
durante esse processo de formação, um artigo de revista, sínteses
Como os objetivos se articulam com as etapas previstas na
e relatos destas experiências, e também algumas sequências que
sequência?
podem se tornar boas referências. Ressaltamos que a forma
O que os conteúdos indicam?
como essas sequências estão redigidas remete ao trabalho de
Como criar indicadores de aprendizagem estreitamente li
professores em momentos e contextos distintos. Por isso em
gados aos objetivos previstos?
alguns casos o texto aparece em um tom de registro de prática.
Como o trabalho pode ser documentado? Como evidenciar o
Importante também destacar que a última sequência apre
percurso de aprendizagem das crianças?
sentada – “a dança do desenho e o desenho da dança” – foi cria
Como essas sequências criam um campo de experiências
da pela formadora de apoio, em parceria com as professoras
para as crianças? Por quê?
das três creches polos.
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS FOTO: ACERVO CEI JARDIM SHANGRI-LÁ
A criança e a Arte: busca e encontro Denise Nalini e Mariana Americano4 Pensar em um trabalho que se apóie em elementos da Arte Contemporânea com crianças de 0 a 3 anos requer conhecimento sobre o desenvolvimento infantil
Esta é uma ação5 que vai além do foco em um artista ou em uma obra. Nesse processo, procura-se um educador sensível que consiga estabelecer um diálogo entre a criança e a arte produzida hoje. Os conceitos em jogo são busca e encontro. É uma busca, pois significa observar as crianças, sua forma de se relacionar em grupo e com o mundo e, a partir desse olhar cuidadoso, de finir obras e artistas que conseguem conversar, dialogar com
As professoras pretendiam dar continuidade ao trabalho
essas crianças. É encontro porque é preciso aprender a obser
realizado na área de Artes Visuais, no segundo semestre de
var para poder encontrar a Arte e as crianças.
2012, e começaram a pesquisar artistas contemporâneos que
Foi com esse mapa nas mãos, feito de observações cotidia nas, de estudos sobre Arte e sobre desenvolvimento e aprendi
trabalhassem com instalações, que dialogassem com o que elas estavam trabalhando com os bebês.
zagem infantil, que começamos o trabalho com as obras do ar
Nessa pesquisa, encontraram vários artistas, entre eles:
tista dinamarquês Olafur Eliasson (1967-) junto às crianças do
Carlos Cruz-Diez (1923-); Yayoi Kusama (1929-) e Olafur Elias
Berçário 1 do Centro de Educação Infantil (CEI) Jardim Shan
son. Depois disso, as professoras começaram a olhar de forma
gri-lá, na cidade de São Paulo.
mais apurada para aquilo que as crianças sabiam. Observa
Formadoras do Instituto Avisa Lá e coordenadoras da formação de educadores no Centro de Educação Infantil Jardim Shangri-lá em 2012. Foram autoras deste projeto junto às crianças as professoras do Berçário: Amanda Sequeira, Kátia Girlene Silva Leite e Antonia Maria de Farias Leite.
4 5
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS ram o grupo, suas condições e possibilidades de desenvolvi
Arte contemporânea para crianças pequenas
mento, necessidades de aprendizagens, saberes e desejos.
As crianças percebem o mundo com o corpo e com todos
Assim nasceu o projeto A cor luz, os reflexos e a luminosi
os sentidos. Elas veem o mundo não apenas com os olhos. São
dade, buscando referências na obra de Olafur Eliasson, elabo
vivências inaugurais, que contribuem para a formação da sua
rado pelas professoras do grupo de crianças de 1 ano:
própria estrutura física e mental: o primeiro contato com a
Olafur trabalha com espelhos, reflexos, cor, luz e luminosida
luz, com o toque, com os diferentes tipos de materiais. Os pe
de, usando o meio ambiente e a natureza para transformar seu entorno através dos reflexos, da luminosidade e da ocupação
Sobre Olafur Eliasson
do espaço. Por este motivo, seguiremos este caminho em bus ca dos objetivos almejados por nós: explorar e experimentar a percepção das cores, a orientação espacial, os diferentes planos e outras formas de envolvimento com a realidade. Assim as ativi dades que realizaremos junto aos bebês ajudarão a ampliar sua experiência de corpo e espaço como um todo. Esse artista tem uma preocupação com a ocupação do espaço, além de gostar de explorar os ambientes. Isso conversa bastante com a fase que os bebês estão, a de se descobrir e descobrir o outro. (Justificativa
FOTOS: ACERVO CEI JARDIM SHANGRI-LÁ
do projeto elaborado pelas professoras do Berçário.)
Olafur Eliasson nasceu em 1967 na cidade de Copenhague, Dinamarca. Viveu a infância entre Islândia e Dinamarca. Formou-se na Academia Real de Belas-Artes, em Copenhague, e iniciou seu trabalho na década de 1990. Para ele, o processo de percepção da realidade está no centro de sua pesquisa artística, que parte da investigação de questões das ciências e en volve a recriação de fenômenos naturais. É conhecido por suas esculturas e instalações de grandes dimensões feitas de luz, água, espelhos que brin cam com a luminosidade e até com sensações térmicas para proporcionar uma experiência espetacular ao público. Alguns de seus trabalhos são: The weather project (2003), Take your time (2008), Prismas (2008), Your atmospheric colour atlas (2009), Your chance encounter (2010), Slow light sphere (2011), Seu planeta compartilhado [Your shared planet] (2011). Em 1995, Eliasson mudou-se para Berlim, Alemanha, e deu início ao Studio Olafur Eliasson. O estúdio conta com uma equipe de 45 pessoas aproximadamente, entre artesãos, técnicos especializados, arquitetos, ar tistas, arquivistas, historiadores de arte, cozinheiros e administradores. Eles trabalham com Eliasson e, juntos, experimentam, desenvolvem, pro duzem e instalam obras, projetos e exposições. Eles também cuidam do arquivamento, da comunicação e contextualização do seu trabalho. Fonte: Olafur Eliasson. Disponível em: www.olafureliasson.net/.
Experiência com transparência em espaços abertos
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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quenos têm na experimentação uma forma privilegiada de se
vimento. As crianças se in
desenvolver, conhecer e compreender o mundo. É nesse lugar,
teressaram pela nova desco
da possibilidade da experiência, da integração entre Arte e
berta. Gabriela e Heloisa logo
vida e de um olhar sobre os sentidos do espectador que a Arte
perceberam aquele reflexo
Contemporânea nos convida a refletir. Não se trata apenas da
que estava direcionado à pa
produção do artista, e sim do encontro entre o espectador e
rede e correram para pegá-lo.
suas sensações . É uma arte que convida a ver além do olho, e,
Gabriela veio a mim e mos
portanto, muito adequada para as crianças pequenas.
trou-me aquela luz; Heloisa
6
O uso da luz, das cores e dos espelhos desperta a curiosi
tentou pegar a luz do reflexo,
dade das crianças, além de estimular o conhecimento sobre o
mas logo viu sua sombra e
próprio corpo e do espaço, como confirma Antonia, professora
mudou de direção para ten
do berçário, em um de seus relatos:
tar pegá-la. Coloquei o refle
FOTO: ACERVO CEI JARDIM SHANGRI-LÁ
4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS
Experiência com transparência em espaços fechados
xo em direção ao Christopher e ao Luiz Antônio, e depois co Em uma tarde, brincando com o nosso grupo de bebês, de
loquei o reflexo na mão deles; eles fechavam a mão tentando
pois do lanche na sala, com a janela aberta ao sol, observei a
pegar a luz! Subi o reflexo até o teto e Marina, que estava com
luz se expandindo no espaço. Como neste momento estáva
um brinquedo nas mãos, direcionou-o para cima e, assim, ria e
mos explorando a “luz”, inspiradas nas obras de Olafur Elias
se divertia com aquele reflexo que parecia um arco-íris.
son, eu já tinha preparado um espelho para fazer um móbile. Então, peguei aquele espelho e propus uma brincadeira com
Bryan e Luiz Alexandre corriam de um lado para o outro
as crianças, aproveitando esse sol e a sua luminosidade natu
tentando pegar o reflexo de luz que passeava naquele espaço,
ral. Coloquei o espelho ao encontro da luz solar e as crianças
e Laura observava aquele movimento, sentada onde brincava.
logo começaram a interagir, brincando naquele canto. Em se
Foi muito interessante e fiquei feliz, pois pude aproveitar essa
guida, fui direcionando aquele reflexo na parede e no teto, e
oportunidade, oferecendo aos bebês a possibilidade de cada
os bebês que se encontravam comigo perceberam aquele mo
um explorar do seu jeito o reflexo e a luz. As crianças partici
Os trabalhos de Lygia Clark e Hélio Oiticica, nos anos 1960-70, são exemplos de produções que enfatizam essa ideia.
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Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS FOTO: ACERVO CEI JARDIM SHANGRI-LÁ
Logo, o trabalho do educador é delicado. Cabe a ele pensar: O que eu escolho para oferecer às minhas crianças? Quais as referências que eu quero que elas construam? Que experiên cias podemos compartilhar? Essa é uma questão polêmica, pois toda escolha deve par tir de um critério: aquilo que me toca, que dialoga com o meu repertório e com minha sensibilidade. Portanto, é preciso que o educador frequente espaços culturais e tenha contato com produções artísticas para poder rever suas experiências. Um exemplo interessante é o da 29a Bienal de São Paulo (2010), que teve como tema “Viver junto e as reflexões sobre a convivência”. Como é que se convive? Num espaço de educa param e se divertiram muito naquele momento, fazendo des
ção infantil, este é um conteúdo importante para o trabalho
cobertas e interagindo com algo extremamente atraente.
com as crianças pequenas, por possibilitar diferentes aborda
Com essa experiência, as crianças fizeram descobertas, explo
gens, por privilegiar diferentes obras. Essa é a hora que o edu
rando a luz, o espaço e o corpo. Compartilhei a alegria e o prazer
cador, inspirado pela observação do grupo, seleciona imagens,
deles durante a realização da atividade e percebi como é impor
esculturas, instalações, pinturas que trazem a possibilidade
tante a mediação e um olhar diferenciado para possibilitar a eles
de sentir e de experienciar. O educador deve colocar a criança
a oportunidade de se descobrir, descobrir o outro e o espaço.
em contato com todos os elementos possíveis, criando um am biente propício para sua aprendizagem. Tem de se comprome
O que está sendo produzido hoje em termos de Arte ainda não tem uma marca de permanência, nem sabemos o que será
ter a disponibilizar materiais organizados e adequados para o uso das crianças nos processos de criação e interação.
história; só sabemos do passado e é nele que buscamos refe rências para tecer comentários, ler críticas de Arte. Somente o tempo e a experiência vivida é que vão mostrar o caminho do que será trilhado e valorizado no campo das artes. Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
A importância das escolhas A escolha dos artistas deve passar pela construção de refe rências significativas para as crianças. Elas estão construin
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS do, neste percurso, marcas muito profundas em sua vida.
É preciso observar também as referências dos professores.
Como diz Fayga Ostrower (1920-2001) em seu livro Criativida
O que guia o seu trabalho e a escolha de um artista são as re
de e processos de criação :
ferências que ele teve em seu percurso formativo, além da me
7
As imagens referenciais não são herdadas. Não são este
mória de sua aprendizagem na infância e o que ele tem como
reótipos de percepção, não são conceitos. Formam-se, basica
experiência pessoal. Outro ponto a ser avaliado na hora de
mente, de modo intuitivo. Configurando-se em cada pessoa a
uma escolha é a extensão da obra de um artista. Por exemplo,
partir de sua própria experiência e como “disposição caracte
não podemos falar que estamos trabalhando com Pablo Picas
rística” dos fenômenos, isto é, como imagem qualificada pela
so (1881-1973), visto que a obra dele é extensa, complexa, com
cultura, sua visão é ao mesmo tempo pessoal e cultural.
diferentes fases e modos de perceber. É preciso eleger alguns aspectos deste artista ou vários artistas que conversem entre
FOTO: ACERVO CEI JARDIM SHANGRI-LÁ
si, uma determinada fase, algumas obras que inspirem o pro fessor a oferecer experiências significativas para as crianças. É necessário formular hipóteses sobre as questões que tocam aquele artista, considerar o que ele fala a fim de estimular as crianças a pensarem um modo novo de fazer, de ver e de viver experiências significativas. Na pesquisa que realizamos sobre o trabalho de Olafur Eliasson, percebi que ele tem muito a contribuir no desenvol vimento das crianças de 1 a 2 anos, principalmente no traba lho que realiza com os espelhos e com a luminosidade. Este artista não trabalha com o concreto, ele usa a natureza e o meio ambiente para transformar seu entorno por meio do re flexo, da luminosidade e da ocupação do espaço e, por isso, é Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1977.
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Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS que seguimos esse caminho em busca dos objetivos almejados
imagem corporal, se olhar por inteiro em diferentes posições
para nossos bebês. Eles irão experimentar a percepção de cor,
e formas cria novas referências sobre quem se é e como ocupa
a orientação espacial e outras formas de envolvimento com a
o espaço.
realidade. (Kátia, professora do Berçário, ao justificar a esco lha do artista para o projeto.)
Construindo uma poética
Dentre outras questões, a ocupação do espaço é um dos
construindo uma poética com as crianças, inspirado em um
temas que interessam a Olafur Eliasson. Seu corpo da obra ,
artista. Isto está muito distante de tentar que as crianças “co
primeira exposição individual do artista dinamarquês no Bra
piem” as obras do artista. O que, inclusive para a faixa etária,
sil, decorre de uma pesquisa referente ao lugar que os corpos
se configuraria em um despropósito.
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ocupam no espaço: onde estamos e como esse ambiente nos
Uma ação consistente passa pela escolha de espaço, tem
recebe. Para as crianças do Berçário 1, que estão construindo
pos e materiais, seleção de obras e criação de ambientes. Uma
sua identidade corporal e de localização, os reflexos, a lumino
poética que retrata esse encontro, o do interesse e das neces
sidade, os espelhos são uma fonte muito rica para a constru ção dessa identidade corporal. Descobrir formas de ocupar o espaço e ver o corpo ocupando esse lugar de vários ângulos e possibilidades podem enriquecer esse processo. As crianças pequenas ainda têm uma visão do seu corpo fragmentada (“as partes que eu vejo”). O espelho nos possibili
FOTO: ACERVO CEI JARDIM SHANGRI-LÁ
A marca de um bom trabalho é quando o educador está
ta ter uma visão mais integral de nós mesmos e do outro. Por isso as crianças se surpreendem ao perceber a imagem dela e a dos outros. Essa interação é bastante prazerosa e alegre: as crianças batem coisas, beijam e abraçam o espelho, escon dem-se dele e depois reaparecem. Essa forma de construir sua ELIASSON, Olafur. Seu corpo na obra. Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1o/10/2011 a 8/1/2012.
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Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS sidades das crianças, com o que este artista tem a dizer, a mos trar, e, por que não, experienciar. O trecho do relato da professora Kátia revela a construção dessa poética: Na proposta que realizei com os bebês, eles teriam que usar o celofane para ver através dele, ocupando-se tanto do papel
– Tati (Kátia) e balbuciava alguma coisa. Querendo me falar algo. Então firmei uma conversa com ela. – Você está vendo tudo verde, Geovanna? Eu estou vendo tudo azul. Ela me olhou, sorriu e balbuciou algo, como quem queria dizer que também estava vendo. E voltou a colocar o celofane nos olhos novamente.
quanto do espaço externo e da luz natural do sol. Recortei vá
Heloisa sorria. Ela é uma criança muito alegre e gosta de
rios pedaços em cores e tamanhos variados. Ofereci a eles e,
experimentar tudo. Então colocava o celofane no rosto e sor
de imediato, vi a reação nos olhos de cada um. Olhar de inter
ria, querendo dizer: “Eu também estou vendo”. (...) O mais in
rogação, mas ao mesmo tempo, de curiosidade em experimen
teressante nessa proposta é que eles estavam bem tranquilos
tar aquele material de todas as maneiras possíveis. A primeira
e à vontade. Observavam atentamente como tinha que fazer
reação foi amassar, já que isto emite um barulho que chama
e quando entendiam o sentido passeavam pelo gramado com
bastante a atenção, e como eles são ligados a qualquer tipo de
o celofane nos olhos. Foi excelente a aceitação e participação
som, isso fez com que se envolvessem mais na proposta. De
deles. Durante o passeio, eu ia indagando-os sobre o que esta
pois desse momento inicial de exploração do papel-celofane,
vam vendo e quais cores viam.
apalpando-o, amassando-o, experimentado sua textura, come
– Olhem! Daqui vejo tudo azul quando olho para o sol. (Eu falava).
cei a olhar para cima, para o céu, e falar:
E Gabriela questionava com seus balbucios e olhar de
– Nossa! Que bonito! Está tudo vermelho!
curiosidade. Logo quis trocar o seu celofane com o meu. Teve
Luiz Antônio me olhou e sorriu. Em seguida, colocou o ce
a curiosidade de ver também da mesma cor que eu havia fala
lofane nos olhos e passou algum tempo olhando através dele.
do. Então continuei:
Passados alguns minutos, ele tirou e me olhou novamente e
– Quando olho para a grama ela fica um pouco vermelha.
abriu mais um sorriso. Dessa vez era um sorriso de afirmação,
E logo todos olhavam para o chão.
de que era mesmo bonito.
Percebi, a partir das reações deles, o quão é importante a me
Quando Geovanna percebeu o que estava acontecendo, ela
diação, a intervenção e as perguntas do professor para ampliar o
também colocou seu pedaço no rosto e ficou olhando através
olhar dos bebês sobre o que está à sua volta e a forma como isso
dele. Ela falou:
os favorece.
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS FOTO: ACERVO CEI JARDIM SHANGRI-LÁ
diversas situações, experimentar, tocar, sentir, transformando esses momentos de mediação em novas descobertas e apren dizagens para as crianças e para mim. A Arte e a criança Ao propiciar as experiências inspiradas na obra de Elias son aconteceram as conversas entre o artista e as necessida des das crianças. Aí Arte e educação se encontram. E as crian ças nos dão todos os exemplos de que isto está acontecendo. Realizamos uma atividade em sala e, para isso, preparamos o ambiente com papel laminado colorido nas paredes e no chão, Atividade com globo de espelhos e seus reflexos
colocamos objetos como a “colmeia”9 virada para baixo que dá a sensação de uma mesa grande e baixa. Em cima colocamos
Contudo, o que mais me cativou foi a reação deles, poste
garrafas pet com água e glitter, para emitir reflexos, e papel
rior à proposta. Em outro momento da nossa rotina, espalhei
laminado, para o manuseio das crianças. Encapamos algumas
pela sala, em cantos estratégicos, pedaços de celofane, no in
caixas pequenas para que elas pudessem se olhar, latas de leite,
tuito de observar qual seria a atitude dos bebês, e enquanto
CDs e espelhos pequenos e médios de diversos formatos.
brincavam nos cantos alguns encontravam o material, coloca
A nossa intenção era oferecer novas descobertas com os re
vam nos olhos e passeavam pela sala, observando o entorno
flexos emitidos. Organizamos o espaço colocando uma insta
naturalmente, como se aquilo fosse algo normal para eles. Isso
lação baseada na obra retirada da mostra “Seu corpo na obra”
me mostrou que a proposta teve e fez um sentido para eles.
do Olafur. Adaptamos uma divisória, usando papel-celofane
O que parecia uma simples brincadeira se tornou algo muito
colorido, e organizamos cantos nos quais as crianças pudes
significativo, afirmando a ideia de que é necessário vivenciar
sem explorar esses materiais.
Conjunto de 6 caixas de papelão, coladas lado a lado, que as crianças brincam de entrar nelas e delas sair.
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Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS FOTO: ACERVO CEI JARDIM SHANGRI-LÁ
Ele passou um bom tempo se observando. Achei interessante a reação dele; parecia que estava se reconhecendo. Geovanna brincou com a educadora Kátia no celofane: ela, de um lado; a educadora, de outro. Ela via a sala conforme a cor daquele celofane. Antônia apresentou os espelhos para Wesley, e ele ficou bastante interessado. A professora Nelian apresentou os CDs para algumas crianças, como Victória e Yago. Eu fui interagir com Caio na apresentação dos espelhos. Todas as educadoras interagiram conforme a necessidade e a procura de cada criança. Pudemos perceber o quanto essa mudança na sala trouxe novas descobertas para as crianças. Um exem plo bacana é o da Marina, que se apoiou no pufe revestido de papel laminado, ficou olhando e apreciando o movimento que fazia com a cabeça. Ela também subiu na colmeia e ficou brincando, tentando diferentes movimentos. Luis Fernan do ficou em um canto olhando o papel laminado fixado no Após tudo preparado, pedimos que as crianças entrassem
chão, com espelhos e CDs nas mãos. Heloisa também explo
na sala, mas antes conversamos com os pequenos e pergunta
rou bastante o ambiente. Ela corria e subia na colmeia. Yago
mos a eles: “O que será que temos naquela sala?” E vimos as
brincou de se olhar no espelho, e mostrava o espelho para
carinhas de alegria da turma.
mim. Victoria brincou de esconde-esconde com os celofanes.
Ao entrarem na sala, as crianças logo começaram a brincar
Eu ficava de um lado, ela do outro. Ela dava gargalhadas pela
nos cantos e a explorar os objetos ali propostos. Gabriela cor
possibilidade de me achar colorida. Assim, todas as crianças
ria pela sala, explorando todo o espaço. Assim que pegou um
puderam ampliar o olhar tanto sobre o espaço quanto sobre
espelho, ela se olhou e mostrou para a educadora Kátia. Ga
si mesmas em relação aos outros. Essa interação foi repleta
briela mostrava que, no espelho, tinha a imagem dela. Acha
de felicidade e alegria em estar naquele momento”. (Amanda,
mos isso bem legal. Caio brincou bastante com os espelhos.
professora do Berçário.)
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS Após essa experimentação, as educadoras mediaram a construção de objetos com as crianças. As professoras pe garam o material – fita adesiva, barbante, entre outros – e
As crianças e a relação com as Artes Visuais Segundo o livro Children, Art, Artist:
começaram a criar. Elas colocaram um guarda-chuva pendu rado na sala e fixaram os objetos entregues pelas crianças, formando um grande móbile.
O trabalho dos artistas oferece alimento para o pensamento e para a imaginação, mas ao trabalhar com as crian-
Luís Antônio e Yago ajudaram a pendurar os espelhos. Ob
ças o foco primeiro é, desde sempre, as próprias crianças,
servando a brincadeira de olhar o próprio rosto, coloquei um
com suas estratégias próprias para pensar, seus processos
espelho pequeno junto ao espelho fixo na parede. Temos no
de construir conhecimentos e de estabelecer relações.
espelho da sala as fotos do rosto das crianças, e assim elas
Assim, o que precisamos perseguir e aplicar quando tra-
podem olhar as fotos e, ao mesmo tempo, cada uma pode
balhamos com as crianças são alguns dos processos que en-
olhar a si própria. Luís ficou empolgado ao se ver e começou
volvem o ato criativo, tais como sínteses, tensão exploratória,
a sorrir.
a intensa relação com as coisas, a invenção simbólica, metá-
Esse foi um dia de novas descobertas para os pequenos e de muita satisfação para a equipe.
fora, evocação e analogia, coragem cultural e expressividade. O papel do professor é tornar-se um observador compe-
Percebemos o interesse e a participação de cada criança
tente da linguagem visual e das estratégias individuais ou
na realização das atividades. Com isso elas trabalharam a
em grupo das crianças para que possa apoiar afinadamente
descoberta de seu corpo e do outro, tendo contato com diver
a expressão autônoma infantil.
sos materiais e podendo, cada vez mais, explorar o espaço. (Amanda, professora do Berçário.) Olhar para o aluno e para a Arte, mas antes de tudo VI VER, experimentar, experienciar! Uma reflexão constante
Children, Art, Artist. the expressive languages of children the artistic language of Alberto Burri Reggio Children – Reggio Emilia – Itália – www.reggiochildren.it
que busca, nesse encontro, o que realmente faz sentido. Foi o Eliasson? Não! Mas esse artista nos propiciou ver isso de outra maneira e, por meio dessa realimentação, nos fez reformular nosso trabalho. Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS Lygia Clark
Sequência: brincadeiras com água
A trajetória de Lygia Clark faz dela uma artista atemporal
CEI Parque Dorotéia
e sem um lugar muito bem definido dentro da História da
Faixa etária: 1 ano
Arte. Tanto ela quanto sua obra fogem de categorias ou situ ações em que podemos facilmente embalar; Lygia estabelece
As crianças do berçário têm, nas explorações através dos
um vínculo com a vida, e podemos observar este novo estado
sentidos (tato, visão, audição, paladar e olfato), uma possibili
nos seus “Objetos Sensoriais, 1966-1968”: a proposta de utilizar
dade de conhecer e aprender a respeito dos objetos e elementos
objetos do nosso cotidiano (água, conchas, borracha, semen
naturais por meio da manipulação e exploração. Nesse grupo,
tes), já aponta no trabalho de Lygia, por exemplo, para uma
grande parte das crianças demonstra muita alegria e tranqui
intenção de desvincular o lugar do espectador dentro da ins
lidade nos horários de troca e banho. Portanto, seria oportuno
tituição de Arte, e aproximá-lo de um estado, onde o mundo
aumentar o contato com a água em outras situações. Para isso,
se molda, passa a ser constante transformação. Ideia de que a
fomos buscar nos modos de fazer de Lygia Clark uma possi
participação do outro esta além do espectador. O outro ativa
bilidade para que as crianças tivessem essa oportunidade de
a obra, tornando-a possível por meio da sua interação.
interagir com outras crianças, observando o que o outro está fazendo, e as reações de cada criança diante dessa exploração
http://www.lygiaclark.org.br/
de diferentes formas. Objetivos: Criar oportunidades de conhecer, explorar e brincar com a água. A mpliar as descobertas sobre a água, suas temperaturas e características.
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS Desenvolvimento: “Sabendo que a necessidade de experimentação dos bebês é com o corpo todo, elaboramos propostas que eles pudessem sentir não somente com as mãos, mas com todo o corpo. As atividades foram realizadas com água em diferentes temperaturas e formas de apresentação: morna, gelada, temperatura ambiente, em gelo, saquinhos de água transparente, de água com tinta guache e saquinhos com gelo. A cada proposta as crianças reagiam surpresas e encantadas ao experimentar os materiais disponibilizados, com a água, primeiro o espanto, em talvez pensar: Pode mexer? Surpresa misturada com a alegria em mergulhar na água e perceber suas diferentes temperaturas. Quando colocamos o gelo nos saquinhos a surpresa foi ainda maior! As crianças reagiram muito bem com o material. Por já conhecerem a temperatura, algumas crianças tocavam no saquinho e falavam: Gelado! O Miguel, ao perceber que aquilo tinha uma temperatura diferente, colocava as duas mãozinhas no saco de gelo e tirava, dando uma risadinha manifestando muita alegria no que via e sentia; ele repetiu essa mesma ação um bom tempo, contagiando as outras crianças do grupo.” Depoimento da professora Maria Nilza de J. S. Gurgel. Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS I - Atividade de conhecimentos prévios: brincadeira de bacias com água Observe: Como cada criança reage ao conta to com a água? Coloca as mãos dentro da bacia? Ela vira a bacia em cima dela? Ela entra na ba cia? Fica só observando? Convida um amigo para brincar junto? Importante nesse momento oferecer também alternativas para aqueles que não querem entrar em contato com a água. II - A água é sempre igual? Para a criança apropriar-se de fato de uma nova experiência, é necessário que ela viven cie aquilo muitas vezes. A constância consoli da as novas aprendizagens. A cada repetição será acionada uma nova experiência, colocan do novas perguntas, na busca de novas res postas que vão dando sentido e ressignifican do o mundo. Uma simples brincadeira com água nos mos tra quantas aprendizagens estão ali envolvi das. Desta forma, proporcionamos diversas ve zes esse tipo de experiência, na qual as crianças puderam perceber as diferentes temperaturas da água. Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS III – Quebrar o gelo e brincar com ele O poder da transformação! Colocar água no freezer e depois descobrir que virou uma pedra dura e muito gelada. Ampliamos as nossas descobertas para uma gostosa brinca deira com gelo: quebrá-lo com pequenos martelinhos e interagir com ele, podendo colocar na boca, espalhar pelo corpo ou sim plesmente escorregar e sentir sua textura. IV – Saquinhos com gelo (cubos transparentes) “Fernanda e Lorrany brincavam passando o saquinho uma para a outra e riam sem parar, ora fazendo algumas caretas, ora balbuciando.”
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS V – Dá para desenhar na água? Em nossas brincadeiras com a água, tivemos a experiência de
Referências bibliográficas:
produzir marcas no chão e perceber que formavam desenhos.
Enciclopédia de Educação Infantil. (1997). Recursos
Mas como fazer para desenhar na água?
para o desenvolvimento do currículo escolar. Nova
Inspiramo-nos no trabalho “Desenhe com o dedo”, da Lygia
Presença.
Clark, e produzimos nossos próprios saquinhos com água den
Referencial Curricular Nacional para Educação Infan-
tro: um pouquinho de água e uma cor escolhida de tinta guache.
til. Volume: três.
Desenhos se formavam e desapareciam, mas experiências iam
Revista Avisa Lá no58 - A água desenha
sendo incorporadas para mais um aprendizado.
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS Sequência: a arte de transformar e modificar o espaço CEI Irmã Agostina Faixa etária: 3 e 4 anos
Descobrir o espaço e descobrir-se nele representa para cada indivíduo uma experiência a cada um só tempo pessoal e universal. A partir dos primeiros movimentos físicos do corpo, a criança começa a ensaiar o espaço, a discerni-lo e a conhecê-lo, a vivenciá-lo, vivenciando a si mesma, consciente e inconscientemente. São processos que se interligam ao próprio curso de estruturação da percepção consciente, às possibilidades de a pessoa sentir e pensar-se dentro do meio ambiente em que vive. Fayga Ostrower, em Universos da arte. Editora Unicamp.
Mônica Nador Mônica Nador, desde 1999, praticamente abandona a produção de trabalhos de arte tradicionais e se vol ta para a produção de grandes pinturas murais, em co munidades carentes, onde passa a residir. Desenvolve pinturas em fachadas de residências, em trabalho con junto com seus moradores, partindo de motivos deco rativos. A artista obtém grande motivação da popula ção, partindo da transformação da realidade do lugar, e explorando o potencial transformador da arte, como no projeto Paredes Pinturas, realizado em São José dos Campos, São Paulo. h ttp : / /e n c i c l o p e d i a . i tau c u l tu ra l .o r g . b r/p e s s o a8539/m%C3%B4nica-nador
Na Arte Contemporânea, há uma busca por ampliar os espaços nos quais as obras podem se apresentar, como, por
https://jamacarteclube.wordpress.com/
exemplo, um rio, um cenário urbano, paredes, prédios, etc. Há também jeitos diferentes de intervir nos ambientes. Buscamos na Arte Contemporânea as produções de Mô nica Nador, Alexandre Cruz Sesper e Os Gêmeos para pen sar em novas formas de propor ações de pintura pensando na arte urbana e na sua capacidade de transformar e revi talizar o ambiente.
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS “Durante o desenvolvimento de uma proposta de artes de pintura com o minigrupo II C, caiu o barbante na tinta e uma criança pegou e o passou na parede, encantando-se com a marca que deixava... Daí surgiu a ideia de modificar o espaço. Então organizei essa sequência de artes focando a intervenção no espaço no intuito de inserir o grupo no mundo da Arte Contemporânea. Com tudo isso, consegui oportunizar situações onde as crianças vivenciaram, criaram, apreciaram, construíram, desconstruíram, pintaram, desenharam, recortaram, colaram, modelaram e modificaram o nosso espaço.” Prof. Ivani Silva dos Santos
Ao experienciar essas ações, as crianças descobrem grada
Sesper Alexandre Cruz Sesper (Santos - SP, Brasil, 1973). Sua obra origina-se de uma mistura de várias linguagens, como a cola gem, a pintura, o desenho, as estampas e os recortes de madei ra, encaixando formas e composições altamente intrincadas. Baseado em experimentos feitos em manipulações digitais de papel e gráficos, seu trabalho ocorre principalmente em painéis de madeira, incorporando uma ampla gama de obje tos sobre o suporte, fazendo referência direta ao conceito de montagem. Sesper encontra suas fontes em materiais descar tados, como cartazes, revistas, jornais, fotografias, documentos e equipamentos obsoletos, muitas vezes dados por amigos ou pertencentes a seus próprios arquivos. Seu processo envolve a adição de camadas de significado a elementos que já traziam significado sentimental anterior.
tivamente o que são capazes de produzir, surpreendem-se e nos surpreendem com o resultado do seu trabalho, mostran
http://www.sesper.com/
do-se capazes de refletir sobre essa prática, essa experiência de produção, que somada ao imprevisto e à intencionalidade, vai conquistando autonomia de criação, o que é indispensá
O encantamento das crianças
vel nesse processo de desenvolvimento do percurso criador.
Durante o desenvolvimento de uma proposta de pintura com
A relação com o espaço por meio de intervenções permite às
o minigrupo II C, caiu um pequeno pedaço de barbante na tinta
crianças ampliar esse processo de criação e de apreciação,
e uma criança o passou na parede, encantando-se com a marca
construindo novas narrativas ao deslocar o corpo no espaço
que deixava. Essa observação nos levou a pensar em como poderí
e descobrir novos caminhos a serem percorridos, de forma a
amos modificar o espaço para ampliar e explorar o fazer artístico
revitalizar o ambiente.
das crianças, construindo novas narrativas e formas de expressão.
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS Um espaço que tivesse a marca deles, que contasse um pouco des sa identidade. Acreditamos que ao experienciar essas ações as crianças des cobrem gradativamente sua capacidade de produzir, surpreen dendo-se e nos surpreendendo com o resultado do seu trabalho. Objetivos: Que as crianças possam perceber as diferentes possibilidades de criação, de construção, intervenção e revitalização do espaço. Criar novas narrativas através da apreciação de imagens de obras de artistas consagrados e do fazer arte na creche. Observar a transformação dos materiais utilizados.
Os Gêmeos OSGEMEOS (1974, São Paulo, Brasil), Gustavo e Otávio Pandolfo, sempre trabalharam juntos. Quando crianças, nas ruas do tradicional bairro do Cambuci (SP), desen volveram um modo distinto de brincar e se comunicar através da arte. Com o apoio da família, e a chegada da cultura Hip Hop no Brasil nos anos 80, OSGEMEOS en contraram uma conexão direta com seu universo má gico e dinâmico e um modo de se comunicar com o pú blico. Exploravam com dedicação e cuidado as diversas técnicas de pintura, desenho e escultura, e tinham as ruas como seu lugar de estudo. Nunca deixaram de fazer graffiti, mas, com o passar dos anos, esse universo criado pela dupla, com o qual sonham e se inspiram, ultrapassou as ruas, se trans formando numa linguagem própria e em constante evolução, com outras referências e influenciado por novas culturas. Acreditam nos encontros e experiências que a vida proporciona, em seu ritmo natural e delicado. Os artis tas, hoje reconhecidos e admirados nacional e interna cionalmente, usam linguagens visuais combinadas, o improviso e seu mundo lúdico para criar intuitivamen te uma variedade de projetos pelo mundo. http://www.osgemeos.com.br/pt
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS Desenvolvimento: I – Como as crianças dialogam com a obra do artista? Iniciamos uma conversa sobre “ser artista”, “o que fazem os artis tas?”, “como eles trabalham?”. Para exemplificar, apresentamos o tra balho de três artistas que tem como foco as intervenções no espaço: Mônica Nador, Alexandre Cruz Sesper e os Gêmeos. Após a conversa, disponibilizamos as caixas de imagens com alguns trabalhos desses artistas para que as crianças pudessem manipular e se inspirar a seu modo. II – Intervenções na parede da entrada do CEI Depois de conhecer o trabalho desses artistas, pensamos que seria uma boa ideia também modificar as paredes do nosso CEI e resolvemos começar pela parede da entrada. Nosso trabalho começou com várias visitas ao local e conversas so bre quais materiais deixariam a nossa parede mais bonita, que tipo de intervenções poderíamos fazer ali. A escolha foi por colocar pequenos espelhos nessa parede para refletir o próprio ambiente e as pessoas que por ali passarem. Dis cutimos qual seria a melhor forma para fixar esses espelhos e, para isso, fizemos um atelier com pedaços de madeiras, tinta guache, cola e pequenos espelhinhos. Cada um produziu o seu pedaço da intervenção e com todo o mate rial já preparado fizemos a fixação na parede da entrada do CEI.
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS III – Colagem dos azulejos no jardim
IV – Como modificar a parede do pátio?
Ainda olhando para esse espaço da entrada do CEI, algu
Agora, com a entrada do CEI já modificada, subimos as es
mas crianças nos chamaram a atenção para o jardim. Já que
cadas e passamos a observar os espaços comuns que utiliza
a parede ganhou as nossas marcas, por que não ampliar essa
mos para brincar.
experiência e também fazer uma intervenção no jardim?
E dessa vez a escolha foi por materiais circulares, inusitados até
Novamente conversamos sobre as possibilidades de ma
então, como CDs e rolinhos de durex já utilizados, e também redi
teriais e optamos por fazer uma intervenção utilizando pe
nhas coloridas. A ideia era colocar materiais que pudessem ser ma
daços de azulejo, como em um mosaico. Um trabalho de com
nipulados pelas crianças que ali fossem brincar. Materiais resis
posição do grupo.
tentes e interessantes, de texturas, formas e tamanhos variados.
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS V - Pintura texturizada Paredes já modificadas e um desejo de continuar fazendo intervenções! Assim nasceu a ideia de fazermos um quadro com pintura dos dois lados, um quadro dupla face, para ser pendurado em um dos espaços internos do CEI. Um trabalho que precisou ser bem planejado, envolven do várias etapas. A partir do desejo de fazer uma pintura texturizada, que tivesse algum tipo de relevo, aprendemos a fazer uma massa de papel machê para revestir o quadro. Pintamos o fundo do quadro, aplicamos a massa de pa pel machê e só depois fizemos as pinturas. Algumas crianças pintaram de um lado e outras do outro lado.
Por que o papel está no balde? O papel sumiu! O papel derreteu! Está mudando de cor!
Referências bibliográficas: Orientações Curriculares: expectativas de aprendizagens e orientações didáticas para Educação Infantil / Secretaria Mu nicipal de Educação – São Paulo: SME / DOT, 2007. 152p. Parâmetros Curriculares Nacionais: Arte/ Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997.130p. Portfólio de artes 2012 – CEI Shangri-lá. Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil, Vol. 3. Revista Avisa lá, no 56 – Gestos de Artistas invadem espaços. Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
... e após tanta espera chegou o grande dia para finalizarmos com a pintura.
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS Sequência: as narrativas de um olhar que constrói, imagina e inventa CEI Santa Terezinha Faixa etária: 3 e 4 anos É visível o prazer que as crianças têm, desde muito cedo, em ouvir histórias e narrativas. Estas possibilitam uma aproximação significativa ao conhecimento e o fortalecimento dos vín culos afetivos, além de trazer avanços para o desenvolvimento infantil na oralidade. Foi através de histórias contadas e lidas que observamos o envolvimento, a inquietação, a curiosidade, o prazer e a participação do grupo. Refletindo sobre como esse é um momento único, encantador e repleto de vivências marcantes e muito particulares, que integram a fala, o corpo, o movimento e as brincadeiras, trouxemos o livro: A colcha de retalhos para enriquecer as possibilidades de contar e de brincar a partir de suas histórias e de seus familiares. Uma colcha de retalhos possibilita a criação de novas narrativas, conta um pouco da história de cada um e desse grupo, que constrói junto uma história própria.
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
Podemos entender narrativas em dois sentidos: narrar como contar, tal qual as histórias contadas ou lidas pelos adultos, e a narração como uma escuta, modo pelo qual as crianças falam, brincam e se movem, contando suas próprias experiências. Nessa sequência integramos esses dois sentidos, trazendo do mundo da literatura uma história (A colcha de retalhos) que permite conectar infâncias das avós às experiências das crianças.
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS Objetivos: Integrar memória, artes e brincadeiras. Fomentar a participação da família nas experiências das crianças. Resgatar histórias, músicas e brincadeiras antigas. Desenvolvimento: I - O começo da colcha de retalhos, das brincadeiras e das histórias das avós Leitura do livro A colcha de retalhos10 e roda de conversa sobre as avós (nome, onde mora, quantas avós tem, o que gosta de fazer com a avó). A partir dessa conversa, surgiu o interesse das crianças pelas coisas gostosas que as avós sa bem fazer. Então resolvemos elaborar uma lista com todas essas coisas: bolo, suco, brincar de boneca, assistir TV, sopa, passear, etc. II - Desenhos para compor a colcha A leitura despertou nas crianças a vontade de também fazer uma colcha de retalhos. Começamos a pensar em como ela poderia ser feita. Por que não fazermos com vá rios desenhos? A colcha de retalhos – Conceil Corrêa da Silva, Nye Ribeiro Silva, Editora do Brasil S/A
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Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS Ivan Cruz III - Apresentação, leitura e conversa sobre algumas obras do artista Ivan Cruz Para alimentar a pesquisa que estávamos também fazendo sobre as brincadeiras das avós, apresentamos às crianças o artista Ivan Cruz.
Ivan Cruz pintou cerca de 600 quadros, de 1990 até hoje, retratan do mais de 100 brincadeiras distin tas, e chamou essa série de “Brin
IV - Colcha de retalhos de papel
cadeiras de Criança”, que passou a
Conforme as crianças faziam os desenhos, eles eram guardados em uma caixa. Quan
reunir em suas exposições não só
do a caixa já estava repleta, partimos para a confecção da nossa colcha de retalhos de pa
os quadros, mas os brinquedos re
pel (como suporte). Desenho individuais viraram uma composição do grupo: uma crian
tratados, oficinas de brincadeiras
ça escolheu onde colocar o seu desenho e as outras foram dando sequência.
e confecção de brinquedos, conta
No final, fizemos uma roda para apresentação e apreciação dos desenhos.
dores de história, além de uma am bientação com músicas da época,
V - No tempo da vovó
como cantigas de roda. Tudo nasci
O interesse pelo tempo das avós foi ganhando corpo através de histórias e objetos que
do do sonho, da saudade e da von
as crianças passaram a trazer de casa. Músicas, brincadeiras e histórias daquele tempo
tade de fazer com que todos voltas
foram sendo incorporadas na nossa história de hoje. Além de brincar e cantar, também
sem a brincar e as crianças de hoje
combinamos alguns momentos de faz-de-conta com objetos trazidos pelas avós.
aprendam o verdadeiro espírito des sa arte que está sendo deixada de
VI - Tapete de retalhos Nossa colcha de papel foi um sucesso, e a participação das avós também. Agora che
lado hoje em dia.
gou a hora de juntar tudo! Já tínhamos feito uma colcha; então surgiu a ideia de fazermos
h ttp://projetobrincadeirasde
um tapete para a nossa sala com retalhos de tecidos. Cada criança escolheu um retalho,
crianca.blogspot.com.br/
desenhou nele e levou para casa, onde a avó, junto com a criança, poderia completar esse trabalho. A criança deveria trazer junto um relato da avó.
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS
Depois de escolher onde estará o seu retalho e costurar, ficou pronto o tapete para cada criança levar junto com o livro para contar a história em casa com a família e devolver com um relato nos contando como foi esse momento.
Convidamos as avós para nos ajudarem na conclusão do tapete de retalhos. Preparamos um lanche bem gostoso e compartilhamos esse trabalho.
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS Relato das avós no dia do chá da tarde Vó Marota – Esse chá da tarde que você ofereceu pra nós, avós, eu nunca vou esquecer porque eu nunca vi e nem participei de algo assim. Alguém se lem brou da importância que as avós têm na vida dos netos. Parabéns professora. Vó Elizabeth – Eu fiquei tão feliz com o convite que até falei no meu serviço pras minhas colegas. Pra mim é uma honra, professora, estar aqui e ver a ale gria do meu neto. Muito bom mesmo. Vó Lionete – Eu não sou muito de falar, mas esse convite mexeu muito com a minha emoção. Eu não esperava mesmo. Meus netos hoje são tudo pra mim e esse dia eu nunca vou esquecer. Obrigada, professora, por lembrar de nós. Bisavó Rosinete – Eu já sou bisavó e é a primeira vez que recebo um con vite de uma escola (no caso, aqui é uma creche), a emoção que fala por mim (lágrimas). E me abraçou (professora), agradecendo. Vó Cida – Meu filho e minha nora me pediram muito pra eu vir. Agora ven do a alegria do meu neto e a satisfação dele quando me viu, sem palavras, obrigada professora. Referências bibliográficas: Referencial curricular nacional para a educação infantil /Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação – Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1998. Revista Avisa Lá – edição 27 – Julho de 2006. Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS Sequência: a dança do desenho e o desenho da dança CEI Jardim Shangri-lá, CEI Parque Dorotéia e CEI São Norberto Faixa etária: 2 e 3 anos
Um corpo que dança – dele geralmente se fala como se seus movimentos desenhassem algo no ar. A perna risca, o braço vai cortando o espaço. Parecem surgir linhas que vão formando um desenho. Desenho de que mesmo? O que este desenho pode representar? Helena Katz11
11
Helena Katz é crítica de dança, professora universitária e coordena o Centro de Estudos do Corpo (CEC).
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS
A criança de 0 a 3 anos está conhecendo o mundo e faz isso
de acordo com o contexto proposto. Muitas vezes o movimento é
usando todo o seu corpo e sentidos. Elas veem o mundo não ape
encarado pelos adultos como algo indesejado, desordem ou indisci
nas com os olhos, mas com as mãos que necessitam tocar e com
plina, porém ele é uma linguagem tão importante quanto qualquer
o movimento do corpo todo que gera uma relação entre elas e o
outra, pois, além de ser chave para o desenvolvimento físico e mo
mundo. São vivências inaugurais, que contribuem para a forma
tor e para a manutenção da saúde, favorece a interação das crianças
ção de sua própria estrutura física e mental. Os pequenos tem
com os meios físico e social, promove novas descobertas e a cons
na experimentação uma forma privilegiada de se desenvolver,
trução de conhecimentos. Segundo Wallon12, a primeira função do
conhecer e compreender o mundo.
movimento no desenvolvimento infantil é afetiva, inclusive está as
Movimentar-se e comunicar-se através dos movimentos com
sociada a qualquer ação da criança. Para sentir o cheiro de uma flor,
mais ou menos competência depende da qualidade e da quantida
ela precisa contrair e/ou contorcer sua face; para lembrar de uma
de de oportunidades que temos para isso, que podem ser ampliadas
palavra que quer falar, precisa movimentar seu corpo.
12
Henri Wallon foi filósofo, médico, psicólogo e político francês.
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS O processo de aprendizagem pressupõe repetições e am pliação de repertório, de oportunidades. Dentro desse pen
Segni Mossi
samento, a linguagem do corpo pode ser ampliada com as
Segni Mossi é o nome de um projeto de pesquisa que
experiências da dança, que podem permitir à criança a des
nasceu do encontro do artista Alessandro Lumare e da co
coberta de suas potencialidades de movimento, permitindo
reografa Simona Lobefaro. Trata-se de uma oportunidade
que ela se torne, também, protagonista de sua história.
para redescobrir em grupo uma unidade entre duas lin
Compreendendo que o desenho pode ir além do lápis e do papel e considerando a necessidade de movimento das crian ças destas três creches, nasceu a proposta de integrar dança e desenho.
guagens: movimento e desenho, que são geralmente consi deradas separadas. Nas oficinas com as crianças, na formação artísti ca, nas performances interativas Segni Mossi inves
Permitir à criança vivenciar, entrar em contato com processos
tiga a relação entre a dança e os desenhos gráficos.
contemporâneos, com os modos de fazer contemporâneos e,
Dança como matéria diferente, projeção no espaço,
assim, aprender com as experiências. Nesta linha, fomos
emersão das emoções; desenho como extensão do
buscar algumas referências atuais e nos deparamos com o
corpo, ação, traço de experiência vivida. A dimensão
trabalho realizado em uma oficina italiana chamada “Seg
é aquela da exploração, da experimentação, da desco
niMossi”, vídeos que nos alimentaram e ampliaram as nossas
berta e do espanto.
experiências. Esta sequência tem como objetivo que as crianças explorem suas possibilidades corporais e descubram novas formas de se
http://www.segnimossi.net/en/ https://www.facebook.com/segnimossi
movimentar, de dançar e de se expressar através do corpo e das marcas que são capazes de produzir. Desenhar é uma dança da criança e dançar é um desenho no espaço.
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS Objetivos: Que as crianças aprendam diferentes possibilidades de
Que as crianças ampliem sua concepção de desenho e de possibilida
movimentar-se.
des criativas dessa linguagem.
Que as crianças explorem movimento e gestos através
Que as crianças comecem a perceber a relação entre movimento e
do desenho.
produção de marcas.
Desenvolvimento: I – Esticar, encolher, deitar, virar... Como faço para desenhar?
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS “Durante este momento, o professor deve observar as crian ças, suas reações e descobertas e intervir delicadamente (fa lando baixo, mostrando algumas possibilidades, se necessário), apenas auxiliando nesta provocação. Lembrar que as crianças não precisam experimentar todos os suportes, mas o profes sor pode sugerir que experimentem algum suporte que ainda não foi descoberto pelas crianças.” II - Novas possibilidades do desenho amplo: diversidade de planos espaciais Organizar os suportes em diferentes planos, de forma que o corpo da criança seja provocado a se movimentar para que possa produzir suas marcas. Colocar, por exemplo, no alto ou bem embaixo, de maneira que a criança precise se esticar ou se encolher para desenhar.
III - A dança como linguagem do corpo Mostrar algumas imagens e perguntar, por exemplo, quem gosta de dançar e o que é preciso para dançar.
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS
Após a alimentação estética chegou a nossa hora de dançar
Durante essa atividade o professor deve estar atento para a pesquisa corporal de cada criança, podendo, sempre que possível, sugerir novas possibilidades, como uso dos diferentes planos (alto, médio e baixo) e possibilidades de novos movimentos.
Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS
IV. Dança-desenho: dá para fazer junto? Nutrição através do vídeo: “Desenho-dança” – SegniMossi:
Corpos dançando, mãos riscando, crianças descobrindo seus movimentos e as sensações produzidas por eles. Movimentar-se e comunicar-se através dos movimentos com mais ou menos competência depende da qualidade e da quantidade de oportunidades que temos para isso.
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4 ENCONTROS E CONEXÕES: SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS E PRÁTICAS DE REFERÊNCIAS V. Dança-desenho: descobrindo novas possibilidades
Cada criança deverá vestir a sua “roupa de papelão”. Depois de vestidos, iremos para a sala utilizada para dançar, já com a música escolhida colocada. As professoras poderão mostrar uma das possibilidades dessa brincadeira, desenhando no papelão que está na barriga da outra, depois no das costas.
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Mural-processo: as crianças participando da documentação
Relato de uma professora no final de 2014 “Iniciei esta trajetória cheia de expectativas, a cada proposta um turbilhão de pensamentos, ideias, dúvidas, alegrias, um misto de sensações. No CEI em que tive a oportunidade de ingressar este ano, a equipe já vivia esta realidade artística, o que me ajudou muito, conviver com pessoas que acreditam que suas ideias são possíveis e ainda poder contar com experiências anteriores foi riquíssimo para o meu desenvolvimento, aquisição de novas aprendizagens e a alegria de partilhar as vivências com meu grupo de convivência diária, com educadoras de outros CEI’s e formadoras do Projeto. Um dos grandes desafios e considero isto um ponto a ser repensado para 2015, foi o curto es paço de tempo entre uma sequência e outra, apesar de se complementar (ponto muito positivo), o tempo entre pensar a sequência, ter o retorno da coordenação, repensar conforme o feedback recebido, colocar em prática e escrever o relatório de vivência para o Encontro de Formação foi difícil. Apesar disso, todas as proposições realizadas foram de extrema importância para o desen volvimento dos pequenos, embarcar com eles em cada proposição sugerida nas formações nos fez vivenciar grandes experiências. As visitas culturais/artísticas sugeridas pelas formadoras alimentaram nosso trabalho, e mais que isso, nos alimentou como pessoas. Os textos, documentários, imagens, a visão de teo ria e prática trazidas por Cínthia me fazia pensar e passar horas pesquisando nas proposições a serem realizadas com as crianças. O jeito artístico de Beatriz por vezes me deixava confusa, pois viver a arte, pensar num portfólio com pessoas que eu havia acabado de conhecer me pa recia muito mais complicado, mas, as ideias foram se complementando e o que foi proposto foi se materializando, e mesmo que ainda em andamento ficou lindo. De modo geral, este foi um ano de realizações, o Projeto foi um divisor de águas para mim, chegar neste final de ano e avaliar tudo o que realizamos faz com que eu crie expectativas po sitivas para 2015 e me faz querer crescer.” Aline Pereira Vieira, CEI Núcleo III Jardim Shangri-lá - CCJA Síntese de um dos encontros de formação
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Creche São Norberto Formadora: Beatriz Bianco Coordenadora Pedagógica: Bianca R. R. França Professora: Daiane Inácio Pereira
Síntese do 4o Encontro Eu estava me sentindo bem ansiosa para que esse dia chegasse, pois me encheu de expectativa o último encon tro e minha ansiedade era por não saber o que poderia acontecer e quais novidades teriam. Percebo que de todos os encontros, esse foi mais tran quilo para mim, as informações foram assimiladas com facilidade e isso me trouxe um sentimento de que estou no caminho certo, que estou interiorizando esse conheci mento de uma maneira significativa. A Beatriz me fez pensar muito na minha prática peda gógica, desde o momento em que ela relembrou nossos momentos com os foros, quando nos apresentou os parâ metros musicais, onde podemos trabalhar com as crian ças a ALTURA e a INTENSIDADE do som, a DURAÇÃO e o
mas mesmo assim elas não desistiam e para todos nós foi um momen
TIMBRE, apenas brincando e isso é o mais prazeroso.
to bem gostoso e alegre.
Cheguei a fazer o primeiro jogo com minhas crianças,
Outra coisa que me fez refletir, foi como trabalhar com tinta, que
foi bem divertido e interessante porque elas não conse
experiências eu posso proporcionar para eles, me levando a ter mui
guiam bater as mãos e os pés o mesmo tempo e no ritmo,
tas ideias para minhas aulas no ateliê e falando de arte num todo.
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O mais importante é ter a conscientização que como educador eu tenho que ter o espírito de um pesquisador e deixar que a criatividade flua, para proporcionar vivencias significati vas para eles. O reencontro com o grupo do portfólio também foi muito importante porque conse guimos reorganizar as ideias do que faremos e como faremos o nosso caderno artístico. Dessa vez o grupo se uniu mais e chegamos a um consenso e vamos nos preparar para o próximo encontro e dar continuidade a esse processo de criação. A Beatriz traduziu realmente o que é o pro cesso de criação, ela disse que ele é um parto e de fato é, porque é muito trabalhoso, nos leva a muitos conflitos e tomadas de decisão e escolhas importantes o que se torna prazeroso no final. Gostei muito do exemplo que ela deu, onde disse que para crescermos temos que nos es forçar e irmos contra a gravidade, por que existe uma força muito grande para nos pôr para baixo. E isso é a pura verdade, não posso desistir do que acredito, do que faço com tanto amor, só porque existe uma gravidade contra. Conexões | A poética das crianças de 0 a 3 anos e a Arte Contemporânea
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
DERDYK, E. Disegno. Desenho. Desígnio. São Paulo: Editora Senac, 2007. RASIL. Ministério da Educação e do desporto. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil: B Movimento. Brasília: MEC, 1998. GALVÃO, I. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis/RJ: Vozes, 1995. MARQUES, I. A. Interações: crianças, dança e escola. São Paulo: Editora Edgard Blucher Ltda., 2012. UGUSTO, S. Ver depois de olhar: a formação do olhar dos professores para os desenhos das crianças. Salto A para o futuro: Novas diretrizes para a Educação Infantil. TV Escola: Boletim 9, junho/2013. SME/ DOT. Orientações curriculares: expectativas de aprendizagens e orientações didáticas para Educação Infantil / Secretaria Municipal de Educação – São Paulo, 2007. SME/ DOT. Percursos de aprendizagem: O corpo e o movimento criativo – A rede em rede: a formação conti nuada na educação infantil. Secretaria Municipal de Educação – São Paulo: 2007. SME/ DOT. Percursos de aprendizagem: um olhar para o desenho – A Rede em Rede: a formação continuada na Educação Infantil. Secretaria Municipal de Educação – São Paulo: 2007. dith Derdyk – é artista plástica, ilustradora e educadora. Grande estudiosa do desenho infantil, escreveu E diversos livros inclusive o Disegno. Desenho. Desígnio, onde relaciona diferentes linguagens com o desenho. élio Oiticica – precursor da Arte Contemporânea no Brasil e no mundo. Criou um trabalho emblemático H chamado Parangolés, no qual convidava o público a interagir com pedaços de tecidos, muitas vezes dançan do ao som de músicas ou do próprio ambiente em que a obra era atividade. Tatiana Blass – artista brasileira que tem um grande trabalho usando linhas. omie Ohtake – É uma das principais representantes do Abstracionismo Informal. Algumas de suas obras T nos remetem à ideia do movimento e do desenho, sugerindo uma dança entre eles.
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FICHA TÉCNICA INSTITUTO MINIDI PEDROSO DE ARTE E EDUCAÇÃO SOCIAL - IMPAES Presidente: Minidi Pedroso Diretora Geral: Maria Cristina Pedroso Pittelli
CEI NOSSA SENHORA DE GUADALUPE Diretor: José Aparecido de Farias Leite Coordenadora: Vera Lúcia dos Santos Silva
CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO, CULTURA E AÇÃO COMUNITÁRIA - CENPEC Presidente: Maria Alice Setúbal Superintendente: Anna Helena Altenfelder Coordenadora Técnica: Maria Amábile Mansutti Coordenadora do Programa Desafios Impaes: Fernanda Kivitz
CEI JARDIM CLIPPER Diretora: Eliane Coelho dos Santos Coordenadora: Aparecida Scapolan Vigo
INSTITUTO AVISA LÁ FORMAÇÃO CONTINUADA DE EDUCADORES Coordenadora Executiva: Silva Pereira de Carvalho Coordenadora Adjunta: Cisele Ortiz Coordenação do Projeto Conexões a poética da criança de 0 a 3 anos e a arte contemporânea: Denise Nalini Formadoras: Beatriz Bianco, Cinthia Manzano, Mariana Americano, Ynaia Barros CENTRO COMUNITÁRIO JARDIM AUTÓDROMO – CCJA Presidente: Nair Botoleti CEI NÚCLEO III JARDIM SHANGRI-LÁ Diretora: Benedita Machado de Mello Coordenadora: Katia Girlene Silva Leite Farias
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CEI NOSSA SENHORA DE APARECIDA Diretora: Maria do Patrocínio Alves Bizarria Coordenadora: Sheila Alves de Oliveira/ Fabiana Aparecida Martins Pinheiro CEI IRMÃ AGOSTINA Diretora: Elaine Lucas de Barros Coordenadora: Esilaine Silveira Silva / Thamires Rainha CEI NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS Diretora: Bruna Carolina de Oliveira/ Cleonice Ventura Coordenadora: Sandra Barbosa da Silva CEI NOSSA SENHORA MÃE DO BOM CONSELHO Diretora: Arlene Marques da Cunha Coordenadora: Alessandra Cardoso CEI VILA NICARAGUA Diretora: Maria Ferreira dos Santos Silva Coordenadora: Ana Paula de Almeida Zanardo
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FICHA TÉCNICA CASA DOS CURUMINS Presidente: Adriana Eisenhard CEI PARQUE DOROTÉIA Diretora: Maria Cristina Haspene Santaella Coordenadora: Eliane Brito CENTRO SOCIAL PARELHEIROS - CSP Presidente: Teresinha de Souza Lima CEI SÃO NORBERTO Diretora: Sandra Aparecida de Freitas Santos/ Izabel Landim Almeida Coordenadora: Daiane Inacio Pereira/ Jacqueline Oliveira Belo CEI NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS Diretora: Izabel Landim Almeida Coordenadora: Jacqueline Oliveira Belo CEI SAGRADA FAMÍLIA Diretora: Janaína Ilda Sousa Marques Coordenadora: Lilia Grazielly Vieira de Sousa CEI PAULINO EVA Diretora: Kely Cristina de Oliveira Braga Coordenador: Wanderson Mariano/ Amanda Nascimento Reinberg
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CEI SANTA TEREZINHA Diretora:Daniela Cristina da Cunha Coordenadora: Vanessa Cristina Reis Ferreira Bispo de Sá/ Nayara Ferreira da Silva ASSOCIAÇÃO CULTURAL E EDUCACIONAL MARIA DE NAZARÉ - ACE Presidente: Rosemary Gregio de Oliveira CEI CORA CORALINA (ANTIGO CEI SAGRADA FAMÍLIA) Diretora: Janaina Ilda Marques Borges Coordenadora: Lilia Graziely Vieira de Sousa CEI VINÍCIUS DE MORAES (ANTIGO CEI NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS) Diretora: Sandra Aparecida de Freitas Santos Coordenadora: Daiane Inacio Pereira
PUBLICAÇÃO : Coordenação: Denise Nalini Edição: Silvia Carvalho
Autoria Cisele Ortiz Cinthia Manzano Denise Nalini Mariana Americano
Revisão: Marcela Mitie Magari
Diagramação: Azul Publicidade
Fotografia: Mariana Americano e arquivo formadores
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DECLARAÇÃO Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (eDOC BRASIL, Belo Horizonte/MG) N171c Nalini, Denise, coord. Conexões: a poética das crianças de 0 a 3 anos e a arte contemporânea / Denise Nalini... [et al.]. – São Paulo (SP): Instituto Avisa Lá – Formação Continuada de Educadores, 2015. 75 p. Formato: PDF Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader Modo de acesso: World Wide Web ISBN 978-85-69384-05-2 1. Crianças - Arte. 2. Crianças - Desenvolvimento. 3. Poesia e crianças. I. Ortiz, Cisele. II. Manzano, Cinthia. III. Americano, Mariana. IV. Título. CDD-305.231
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