Programa de Parentalidade ajuda mães adolescentes ou jovens que engravidaram na adolescência O problema da gravidez na a adolescência
Riscos à parentalidade de mães adolescentes
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, adolescência é considerada de 10 a 19 anos1.
Mães adolescentes apresentam dificuldades na interação mãe-criança em comparação com mães adultas: maior intrusividade e menor sensibilidade7, responsividade, encorajamento da expressão de emoções das crianças8 e monitoramento positivo em relação às necessidades da criança9.
1 em cada 6 meninas engravidou antes dos 18 anos, com as maiores taxas de gravidez na adolescência encontradas na América Latina, Caribe e África Subsaariana entre 2015 e 20212. Apesar de ser observada mundialmente uma redução ao longo dos anos (2014-2019), esses números ainda são muito preocupantes3.
Mães que apresentam dificuldades em lidar com suas emoções e comportamentos podem apresentar práticas de maus-tratos contra crianças10.
68 a cada 1.000 é a taxa de nascimentos de bebês de mães adolescentes no Brasil, um índice que supera a média Latino-americana da ordem de 65 por 1.000 nascimentos2.
Existem evidências de que maus-tratos podem afetar o desenvolvimento e comportamento de crianças11, 12, 13.
Fatores de risco para a ocorrência de gravidez na adolescência: perfil socioeconômico de vulnerabilidade social4, baixa escolaridade materna, desemprego, trabalho doméstico, casamento precoce, experiência familiar de gravidez na adolescência5.
Consequentemente as crianças de mães adolescentes e jovens têm mais riscos de: • Comportamentos externalizantes14 (agressividade, impulsividade e problema de atenção)
A gravidez na adolescência apresenta consequências negativas à saúde física materno infantil (eclampsia; endometrite puerperal; risco à vida; risco de repetição da gravidez; nascimento pré-termo e baixo peso)6, saúde mental (sintomas de depressão, ansiedade e estresse)7 e adaptação social (evasão escolar; desemprego)2.
• Comportamentos internalizantes15 (sintomas de ansiedade e depressão) • Atrasos no desenvolvimento16, 17, 18, 19.
1 Programas de
4
parentalidade visam: • fortalecimento da interação e das práticas parentais • promoção do desenvolvimento da criança e seus cuidados • aumento do bem-estar e competência parental • redução dos maus tratos e violência contra crianças • redução do estresse e burnout parental
O Programa de Parentalidade ACT Para Educar Crianças em Ambientes Seguros, um programa da American Psychological Association
Evidências do Programa ACT - mães adultas de nível socioeconômico baixo e médio que participaram do Programa ACT apresentaram: melhora nos estilos parentais, monitoramento das mídias eletrônicas e comportamentos parentais, além da redução dos sintomas emocionais e problemas de comportamento das crianças independentemente do nível socioeconômico22.
Temas das 8 sessões: Compreenda os comportamentos do seu filho A violência na vida das crianças Como os pais podem entender e controlar a raiva Como entender e ajudar quando as crianças sentem raiva
3 O ACT tem por
2 Esses programas podem
objetivo fortalecer a parentalidade positiva e prevenir a violência contra crianças, para cuidadores de crianças de 0-8 anos, por meio de um currículo estruturado organizado em 8 sessões em grupo altamente interativas e reflexivas21.
ser de prevenção universal (oferecidos para qualquer população) prevenção seletiva (indicados ou direcionados para grupos de riscos específicos) e intervenção. Podem ser oferecidos por meio de visita domiciliar, individuais ou em grupo20.
As crianças e os meios eletrônicos de comunicação Disciplina e Estilos parentais Disciplina para comportamentos positivos Leve o ACT para sua casa e comunidade
O estudo: Programa ACT aplicado com mães adolescentes e jovens que engravidaram na adolescência
PARTICIPANTES
OBJETIVO
125 mães de 14 a 25 anos (25 adolescentes e 100 jovens), de baixa renda e condição vulnerabilidade social e beneficiárias de serviços do sistema público de Proteção Social.
Examinar os efeitos do Programa ACT nas práticas parentais, no senso de competência parental e na estimulação parental, assim como nos comportamentos de crianças, em grupos de mães adolescentes e mães jovens que engravidaram na adolescência
109 crianças de 2 a 6 anos avaliadas (14 crianças de mães adolescentes e 95 crianças de mães jovens).
Camocim Granja Chaval
Acaraú Trairi
Viçosa do Ceará Sobral
Tianguá
CONTEXTO
São Gonçalo do Amarante Fortaleza
Irauçuba
O estudo integra uma pesquisa mais ampla implementada em larga escala integrada às políticas públicas no Estado do Ceará25, 26. O Programa ACT foi aplicado por profissionais treinados dos Serviços de Proteção Social do Estado do Ceará em
Aquiraz
Jaguaruana Crateús
16 municípios
no contexto do Programa Mais Infância Ceará.
Crato
Juazeiro do Norte
CARACTERÍSTICAS DAS MÃES E CRIANÇAS Cor da pele materna Parda Preta
6%
Branca
6%
Indígena
2%
Amarela
2%
Preferiu não declarar
Cor da pele da criança
78%
70%
6%
Escolaridade Ensino médio ou técnico Ensino fundamental
30%
Funcionária contratada ou autônoma
Estudante
9% 6%
4%
Preferiu não declarar
85%
2%
Indígena
Do lar ou desempregada
Branca
Ocupação
Preta
5%
2% Parda
Ensino superior
19%
68%
Nível socioeconômico (renda mensal familiar)
Participação em programas de transferência de renda
92% <R$1.000,00
95% das mães
participavam de programas de transferência de renda
1% >R$5.000,00
5% não participavam
7% R$1.000,00R$3.000,00
Antes
PROGRAMA ACT
do Programa ACT, as mães adolescentes apresentaram:
Após o Programa
Menos
ACT, tanto as mães adolescentes quanto as mães jovens que engravidaram na adolescência apresentaram:
Disciplina positiva Senso de competência parental .... em comparação com as mães jovens que engravidaram na adolescência.
Após o programa, as crianças também apresentaram:
Redução
Redução
Melhora
Práticas coercitivas (gritar, bater)
Regulação emocional e comportamental (controlar as emoções, como a raiva, e os comportamentos decorrentes dessas emoções)
Inconsistência parental (comportamentos imprevisíveis)
Disciplina positiva (demonstrar afeto, amor, segurança emocional e incentivo a independência)
• Dos problemas emocionais e de comportamento clínicos, do tipo internalizantes e externalizantes
POR QUE INVESTIR NO PROGRAMA ACT Para mães adolescentes e jovens que engravidaram na adolescência?
3
• Um programa de parentalidade de prevenção, de curta duração e baixo custo que reduziu 17% dos problemas de comportamento das crianças
1
Fortalecer a parentalidade positiva e diminuir práticas coercitivas e de inconsistência parental. Como uma forma de apoiar às mães oferecendo estratégias no cuidado de atenção às crianças.
Estimulação parental (conversar, cantar e brincar com a criança)
2
Diminuir problemas de
comportamentos das crianças promovendo a saúde mental infantil.
Por ser um programa de parentalidade que: a. Tem evidências científicas de eficácia
(pelo menos 2 estudos randomizados controlados, implementado em diferentes contextos e com diferentes amostras)27.
b. Tem evidências científicas de
efetividade (aplicabilidade no “mundo real”) implementado em políticas públicas27.
c. Consiste em boa prática quando
associado a programas de transferência de renda (Bolsa Família e Programa Mais Infância Ceará).
d. É uma estratégia Two Generation, que impacta simultaneamente nas 2 gerações dos pais e das crianças28.
e. É uma estratégia que está alinhada ao
Nurturing Care Framework (Dimensões: Cuidado Responsivo e Segurança e proteção)29 e ao INSPIRE30 com 7 estratégias para o fim da violência contra crianças.
f. Contribui para cumprir metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 5 que visa a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas e o ODS 16.2 com foco em “extinguir todas as formas de violência e tortura contra crianças”.
NOTAS 1. World Health Organization-WHO. (2017). Global Accelerated Action for the Health of Adolescents (AA-HA!): Guidance to Support Country Implementation – Summary. Geneva: World Health Organization. 2. Pan American Health Organization (PAHO), United Nations Population Fund (UNFPA), & United Nations Children’s Fund (UNICEF). (2017). Accelerating progress toward the reduction of adolescent pregnancy in Latin America and the Caribbean. Washington, DC: Author. 3. Monteiro, D. L. M., Monteiro, I. P., Machado, M. S. C., Bruno, Z. V., Silveira, F. A. D., Rehme, M. F. B., ... & Rodrigues, N. C. P. (2021). Trends in teenage pregnancy in Brazil in the last 20 years (2000-2019). Revista da Associação Médica Brasileira, 67(5), 759-765. https://doi.org/10.1590/1806-9282.20210265 4. Vilar, C. M. L. N., Santos, A. P., Santos, I. N., Laureano, F. G. B. B., Colares, V., Menezes, V. A., & Santos, C. F. B. F. (2022). 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REALIZAÇÃO:
Santos, L. M. (2024). Efetividade de um programa de parentalidade e prevenção de violência contra crianças com mães adolescentes. (Tese de Doutorado). Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP. 174 p.
AGRADECIMENTOS:
APOIO FINANCEIRO:
O presente estudo integra a Tese de Doutorado de Luiza Machado dos Santos, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Saúde Mental e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. A pesquisa foi orientada pela Profa. Dra. Maria Beatriz Martins Linhares, co-orientada pela Profa. Dra. Elisa Rachel Pisani Altafim e contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), sob o processo 2020/16709-2 e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), sob o processo 001.
American Psychological Association; Secretarias de Proteção Social do Estado do Ceará e dos municípios; Programa Mais Infância Ceará.