Nesta obra, Domingos Vellasco documenta três viagens à China entre 1956 e 1959, no auge do Grande Salto para Frente. O autor transita da crônica de costumes (a cozinha cantonesa, a abolição do riquixá) à análise de dados agrícolas e industriais, confrontando a fome do passado com as estatísticas de produção do presente. Vellasco não esconde a admiração pelo regime, mas esta é ancorada por visitas a cooperativas, a comunas populares e por conversas com bispos católicos e líderes muçulmanos que atestavam liberdade religiosa. Ao narrar a transformação da terra em propriedade coletiva e a emancipação feminina pelas leis do casamento, o autor provoca o leitor a suspender a lente ocidental e a encarar a Revolução Chinesa como experiência histórica concreta, não como caricatura ideológica.
Prof. Einstein Paniago