SOCIALISMO DEMOCRÁTICO

Carlos Siqueira 35 anos de PSB

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Carlos Siqueira 35 anos de PSB

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Gabriel Garcia Márquez !
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ão de conteúdo - Paulo Bracarense
ão Pedro de Freitas Santos
ão - Eva Célia Barbosa



Partido Socialista Brasileiro – PSB
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<$;-2%&%-"0-1"0)3$&8$01)4" 8$;-2%&%-"'()"5)%-"0-29"
João Mangabeira
ão exclusiva ao PSB: ólido
ência autorreformista ão do PSB aos dias que ainda estão por vir
sala do presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Carlos Siqueira revela, nos objetivos que guarda, um pouco de seu usuário. Do quadro de tintas fortes contornando Brasília, afetivamente pendurado nas costas de sua mesa, ao trio de fotos emolduradas com detalhes de ipês à sua frente, são expostos fragmentos de uma trajetória. Ali são reveladas suas preferências, as quais ele gosta de falar. Os livros, muitos lidos, tantos outros relidos. A música clássica, alternada do jazz, quando não da nossa popular brasileira, forma uma trilha que sonoriza o ambiente em uma sequência tão frequente que quando silenciada, por qualquer motivo que seja, parece continuar criando uma relação imediata entre o homem e a harmonia do som. As imagens de pessoas que lhe signifcam ganham relevância na parede cinza. Entre elas, Albert Einstein, para quem o tempo sempre foi um mistério a ser desvendado.
Esse livro é sobre o tempo que passou. Não esse tempo que se imagina linear, com começo, meio e fm. Mas esse estudado por Einstein, que o defendia em sua relação com o espaço, para além das dimensões compreendidas.
Para registrar um período, outros precisaram ser abordados, porque a vida acumula experiências que sustentam as decisões que são tomadas. Assim como não há presente sem passado, não há história para aquele que não viveu. Escrito a partir de entrevistas realizadas em dias e lugares diferentes, esta obra é um relato de seu próprio relator, mas, outra vez, não absolutamente linear. O que se pode observar é que o tempo vem e volta, trazendo para o hoje, constantemente, vivências pretéritas. Somente quando se sabe o que passou, é que, claramente se pode entender as teses que se defende.
A linha do tempo é sim marcada pelo calendário que nunca fexibiliza a rotina dos dias, dos meses, dos anos, mas nenhuma experiência da atualidade se sustenta sem a trajetória que se percorreu. Depois de vivido, esse tempo, a partir das narrativas selecionadas, até pode ser recortado, fracionado, como se verá neste livro, que exibe fatos da vida do presidente do PSB, destacando o que insiste habitar sua memória.

As perguntas nortearam a narrativa, mas um fato lembrava outro. Uma história pedia complemento. Um complemento abria-se avançando em direções diversas. O começo da história do presidente do PSB, militante há 35 anos neste Partido, volta aos dias de menino, passa pela universidade que o moldou e foi por ele moldada. Esbarra nas referências lidas e, fortemente nas in f uências sentidas nos relacionamentos que viveu. Carlos Siqueira não fala dele sem falar daqueles com quem dividiu cenários. Sua bagagem carrega as admirações que teve e ainda tem de pessoas com quem conviveu.
Esta organização de fatos não é completa porque sofre a limitação do tempo, das páginas, das lembranças, e nunca desejou ser. Surge para cumprir a função de um registro que, mesmo pessoal, é verdadeiramente histórico para



o PSB. Conta, ainda que em fragmentos, a partir de seu personagem principal 35 anos de convivência. Marca a trajetória do militante que alçou a dirigente e chegou à presidência cumprindo três mandatos. Dos dias no Congresso Nacional, acompanhando a liderança do Partido à realização da Autorreforma do PSB, foram muitos encontros, reuniões, debates, discursos, viagens, congressos, plenárias, conversas, articulações, decisões, deliberações, assinaturas, entrevistas e, sobretudo, muitas vitórias, não sem derrotas.
Este livro tem foco: narrar os 35 anos de fliação de Carlos Siqueira ao PSB, que transitou da militância à presidência, mas, ao percorrer esse trajeto, deixa visível o Brasil, sua política, a rotina de Brasília, joga luz em outras trajetórias que nessa dança do tempo cruzam as histórias quebrando, defnitivamente, a linearidade do tempo.
Adriana Silva Jornalista

A infância na zona rural
Os primeiros anos escolares
O gosto pela música desde sempre
Recife como novo lar













à direita com o irmão Jairo, 1958.

Foto: Acervo da família.

ólica de Pernambuco
-0.450
que me perguntavam, inclusive meus pais, parentes ou amigos, o que eu queria ser, eu dizia que seria advogado. Escolhi, ainda muito jovem, o Direito como profssão e nunca me arrependi. Direito é um curso importantíssimo e não apenas pelo lado jurídico, mas pela compreensão que dá da estrutura política que está por trás do Estado, ou seja, trata-se de uma formação que amplia a dimensão de mundo e oferece um leque de escolhas de carreiras jurídicas.
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jovem, eu trabalhava e estudava. Minhas aulas do curso de direito eram pela manhã. À tarde, eu trabalhava no escritório de advocacia. Isso foi muito bom para mim, deu-me uma sólida vivência profssional, ao mesmo tempo em que eu via as coisas do ponto de vista teórico, eu aprendia a prática da advocacia no escritório. À noite, eu voltava para a universidade, porque era a hora da militância política. Durante a minha gestão no DAFESC, foi defagrada a primeira greve na universidade pernambucana, depois do regime de 64. Essa greve teve ampla repercussão na imprensa e me ensinou muito, porque nós somos formados nos embates políticos. Ao mesmo tempo, embora muito jovem, eu considerava aquela greve uma radicalização excessiva. Mas me continha, já que estava sintonizado com o movimento. Mantinha certas cautelas, queria mesmo era encontrar uma solução. A greve protestava contra um aumento de 5% na mensalidade, ou seja, na realidade, era um movimento político radicalizado.
Os estudantes ocuparam a universidade e a polícia cercou o prédio. Quando vi que a coisa podia chegar a um radicalismo ainda maior, resolvi procurar a pessoa que foi sempre a minha referência, desde criança e depois na adolescência, e que me acompanha até hoje, que foi Dom Helder Câmara. Decidi, sem comunicar a ninguém, ir ao Palácio dos Manguinhos e conversar com Dom Helder, contar apenas o que estava acontecendo na universidade, já que o reitor era um padre.
O padre Amaral era um homem de direita e, claro, conservador. Recusava-se a conversar com os líderes da greve. Eu considerava aquilo uma atitude muito negativa. Ele se recusava a receber os líderes, por isso fui até o Dom Helder, sem pretensão nenhuma. Quando cheguei lá, ele me recebeu muito bem. Contei o que estava acontecendo e ele não disse nada, apenas pegou uma cadernetinha com números de telefones e ligou para o reitor. Fiquei numa alegria tremenda, quando ele agendou uma reunião para o dia seguinte,
às 10 horas, com o reitor e os líderes da greve, lá no Palácio dos Manguinhos.
Aquilo me deu uma alegria enorme; não pedi nada, e ele tomou a iniciativa. Voltei para a universidade e dei a notícia para os demais líderes da greve. Todos perguntavam como aquilo tinha acontecido. Eu dizia: “Fui lá, falei com ele e ele convocou essa reunião”. No outro dia, o encontro aconteceu. Não foi conclusivo, por isso, depois daquela reunião, aconteceu outra em Brasília, com o então ministro da Educação, Eduardo Portella. Quando voltamos da capital federal, a greve terminou em poucos dias.

fato é que eu era o presidente do diretório do curso que tinha mais alunos. A greve teve resistência, não pouca, porque, na universidade, muitos estudantes eram conservadores, principalmente no meu curso. O curso de direito era praticamente contra a greve. Lembro-me que, no dia da assembleia da greve, eu estava doente – uma gripe muito forte –, e não fui para a universidade, mas mandaram me buscar à noite para participar da assembleia. Eu 9
estava tão fraco que me sustentaram para eu subir em uma mesa e, lá de cima, eu falei para todos os presentes e minhas palavras convenceram grande parte dos estudantes do meu curso a aderir à greve.

, porque estávamos na universidade, tratávamos de assuntos específcos dos estudantes. Tínhamos claramente uma visão política. Já havíamos participado da luta pela Anistia Ampla Geral e Irrestrita. Era um período de ebulição política muito forte. :+&52
, eu não queria ser orador. Não era um bom orador, mas, no fnal, só se inscreveram pessoas de direita, para representar a turma. Faltando dois dias para o fnal do período de inscrição, muitas pessoas do meu grupo me procuraram e diziam perplexos: “Você não pode fazer isso. Você tem que se inscrever para ser orador da turma, porque só tem gente de direita que vai -#.

Carlos Siqueira no dia da formatura do curso de direito. No púlpito para a leitura de seu discurso como orador da sua turma.


falar em nosso nome lá”. Eu argumentei que só faltavam dois dias, que não havia tempo para fazer campanha, mas eles queriam tanto que se dispuseram a fazer por mim. Lancei a candidatura na véspera da eleição e a coordenadora da comissão de festa, que era muito infuente, apoiava, claro, o esposo dela como candidato. Ela usou toda a estrutura da organização da festa para fazer a campanha do marido contra mim. Entrei e ganhei por um só voto. Só fui orador da turma porque tive um voto a mais. Foi muito interessante. No episódio seguinte, depois de eleito, o pró-reitor – que era um alemão, padre Hansen, mais reacionário do que o reitor ainda –, me chamou na pró-reitoria na antevéspera da solenidade e disse: “Olhe” – com todo o cuidado –,“ não pense que é controle, mas eu queria ler o seu discurso”. Aí falei: “Padre, se o senhor quiser ouvir o meu discurso, o senhor terá que ir na solenidade. Não vou lhe dar, me desculpe”.
, lembro-me, meu discurso era todo voltado para a questão da redemocratização do país. Felizmente, fui um jovem de uma geração que sonhava em mudar o mundo. Não queríamos mudar apenas a nossa vida, nós queríamos mudar o mundo. Havia revoluções em várias partes do mundo que nos inspiravam. Entre todas, as que mais nos motivavam eram as revoluções de esquerda e, portanto, nós achávamos que o mundo ia mudar, não tinha outro jeito, e o nosso objetivo era ajudar a mudar o planeta, a melhorar a vida das pessoas, a acabar com as injustiças sociais. E acreditávamos muito nisso. Era muito bonito. Era um sonho, qualquer sacrifício valia a pena, porque sabíamos de todos os riscos que corríamos. Mas queríamos aquilo. Não havia quem nos detivesse. Era muito bonito e nos causava muita alegria. Se tivesse que voltar, eu faria tudo de novo e do mesmo jeito. Não mudaria nada. Na juventude, a gente faz o que vem à cabeça, o que sente; a gente não mede as consequências. Isso é bom também para a juventude. -#.
repercussão do discurso foi boa. Fui muito aplaudido. Até me surpreendeu, porque tinha muita gente, que eu sabia, que era bem conservadora. E, como eu disse, só ganhei por um voto. Fiquei até com medo de não ser aplaudido. Mas fz um truque também, eu escolhi uma música clássica e pedi para que colocassem três minutos antes de terminar o discurso – cronometrado. A música começava bem baixinho e ia subindo. Eu pensei, se não aplaudirem o discurso, vão aplaudir a música, que é muito bonita. E aplaudiram.
Pastoral Symphony
Sinfonia Nº 6, Beethoven.

, já gostava muito. Eu gosto de música clássica desde criança. Sempre adorei. Quando era jovem, não tinha televisão. Fui morar sozinho no Recife e não tinha aparelho de TV. Durante mais de 8 anos, a televisão não entrou em minha casa. Eu só ouvia música, não somente a clássica, gosto de jazz, música popular brasileira, Bossa Nova, que sempre me encantaram e continuam encantando ainda hoje. A música é um mundo à parte. Não sei o que seria do mundo sem música.
'0180jovem, mesmo no secundário, eu já participava da vida estudantil e eventos políticos, tanto que fui orador de turma, também, na conclu-
são do curso secundário. O movimento estudantil estava se reorganizando nacionalmente, na minha época de universidade. A União Nacional dos Estudantes ganhava força com os encontros em vários pontos do país. Em 1977, participei do primeiro Encontro Nacional de Estudantes de Direito, em Belo Horizonte. No ano seguinte, coordenei o segundo Encontro Nacional de Estudantes de Direito, que aconteceu no Teatro do Parque, no Recife. Participei ativamente.
Logo na sequência, nos preparamos para participar do Congresso Nacional de Reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Salvador, na Bahia. Fui eleito o delegado mais votado, na minha universidade, para representar os estudantes. A viagem foi muito interessante. Fomos do Recife a Salvador por terra, eu e mais dois colegas. Lembro-me que, na estrada, muitos policiais federais paravam a gente para verifcar o carro. Eles olhavam para ver se tinha publicação subversiva. O ambiente era de distensão. O presidente Geisel já tinha anunciado a abertura política, mas, lenta, gradual e segura, como ele dizia. A Polícia Federal estava atenta e acompanhava tudo o que acontecia. Foi um trajeto com muitas paradas, mas chegamos a Salvador.
A cidade estava bem-preparada para receber os estudantes. Fiquei hospedado na casa de um intelectual, não me lembro o nome, mas era uma casa cheia de livros, muito bonita, na Praia Vermelha. Foram dias de muita programação. Inclusive, nessa ocasião, conheci a hoje deputada e ex-prefeita de Salvador pelo PSB, Lídice da Mata, que, na época, era uma jovem como eu, um pouquinho mais nova.
Aconteceram discussões interessantes. A juventude brasileira estava entusiasmada. Não se tratava de uma demanda pontual de reconstrução da entidade, acreditávamos, naquele momento, que estávamos participando da reconstrução da democracia brasileira, que tinha sido interrompida em 1964. Tínhamos absoluta convicção de que íamos conseguir, como conseguimos, de fato. Quer dizer, toda a sociedade brasileira, a sociedade organizada, o mundo político, setor partidário, todos juntos, conseguimos reconstruir a democracia.
Era uma verdadeira festa de congraçamento, discussão, ideias, de disputa no campo da esquerda; das diferentes tendências políticas existentes. Foi um grande prazer ter participado dessa festa democrática, que foi a reconstrução do Congresso Nacional da UNE. Foi muito bonito. Uma experiência muito positiva e a primeira vez que eu fui a Salvador e me encantei com a cidade. Salvador é uma cidade muito simbólica para o Brasil. É histórica, alegre, de muita brasilidade e muita cultura própria. Desde então, sempre que posso, volto a Salvador.
Há um fato interessante para registrar. Antônio Carlos Magalhães, que era o governador da Bahia, nessa época, cedeu o Centro de Convenções da Bahia para o encontro. Os militares não gostaram muito, mas ele, embora fosse ligado ao regime militar, cedeu o espaço onde realizamos o congresso. Tudo sempre acompanhado pela polícia. Ele percebeu que estávamos entrando em outra era, que estávamos entrando na era da liberdade, da democracia e fez uma concessão ao movimento estudantil, às forças de esquerda.
Carlos Siqueira delegado da Universidade
Católica de Pernambuco no Congresso de reconstrução da UNE.

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em apoio à comunidade de Ilha de Santana, Olinda, ladeado à esquerda por Joãozinho e à direita pelo senhor Heleno, presidente e ex-presidente, respectivamente, da Associação de Moradores.

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da primeira eleição direta de prefeito para capitais, após o regime militar, que foi em 1985, quando Jarbas Vasconcelos foi eleito.
Ajudamos na formulação de propostas públicas, na campanha eleitoral para o governo da prefeitura do Recife. Jarbas foi bastante receptivo ao debate sobre a especulação imobiliária que acontecia naquele momento. Quando uma favela ocupava áreas mais valorizadas, investidores procuravam os moradores para comprar os imóveis e remover as pessoas das comunidades. Depois, eles investiam no local. Ao longo do mandato do prefeito Jarbas, foi elaborada uma lei e aprovada na Câmara do Recife para regular essa situação. :




Cristiano Cordeiro (ao centro), fundador do PCB / 1922; escritor Paulo Cavalcanti;CarlosSiqueira e outros membro da Direção do PCB-PE. 1986.
lendo a literatura marxista. O “Manifesto Comunista” e vários outros livros da produção de Marx e Lenin. Depois, um pouquinho mais à frente, eu li Antônio Gramsci e Palmiro Togliatti, que são italianos e me impressionaram bastante, em especial, pela possibilidade de se construir algo que não fosse meramente a reprodução do chamado socialismo real. Gramsci infuenciou-me porque eu tinha uma visão positiva do Partido Comunista Italiano, que era um partido que tinha padres e freiras na sua militância. Era um
partido de massa, que quase ganhou as eleições da Democracia Cristã. Faltou meio ponto para que o partido ganhasse uma das eleições, ou seja, era um grande partido e não mantinha vinculação direta com a União Soviética. O PCI era um partido independente.
"&5C faz uma crítica profunda do capitalismo, no que tem muita razão. Foi quase profético em algumas coisas. Por exemplo, ele dizia: “A lógica do capital leva-o a destruir as duas pilastras sobre as quais ele se constrói, que é a força de trabalho, dispensando-a pela automação e a natureza, com seus recursos se exaurindo”. Estamos desafados a encontrar uma nova economia, com capacidade de salvar o planeta, ou, se mantivermos esse estado de obtenção do lucro de qualquer maneira, o lucro em detrimento da destruição da natureza, e não encontrarmos soluções para a mão de obra que é dispensada pelo desenvolvimento tecnológico, o caos só será acentuado. Marx nunca defendeu implantar um regime socialista antes do desenvolvimento das forças produtivas. As forças produtivas precisam ser desenvolvidas. Criar riqueza. Ele dizia: “Não se pode distribuir riqueza que
A lógica do capital leva-o a destruir as duas pilastras sobre as quais ele se constrói, que é a força de trabalho, dispensando-a pela automação e a natureza, com
seus recursos se
exaurindo. ", !
não foi criada”. E isso me parece extremamente óbvio. Penso que ele continua sendo uma forte referência. Foi um reconhecido pensador e continuará infuenciando, porque o pensamento dele continua contemporâneo.
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divulgação.




Presidente Itamar Franco e o ministro da Saúde Jamil Haddad observam movimentos expansivos de Dom Helder em cerimônia de lançamento da campanha contra a fome.








", As democracias morrem assim, perdendo densidade.",

ão exclusiva ao PSB: ólido
Capítulo – Primeiros tempos no PSB
O adeus ao PCB e a fliação ao Partido Socialista Brasileiro (PSB)
Dr. Arraes deixa o MDB
De Recife a Brasília
Racionalidade versus emoção
O mineiro Itamar Franco
O grande homem Jamil Haddad e o Ministério da Saúde

Distrito Federal Brasília


ácio Campo das Princesas, 1990.
!"
# Os ideais do PSB, de liberdade, democracia, justiça social; de pluralidade política, ideológica, social, religiosa; liberdade de imprensa; são ideais pelos quais vale a pena lutar.
Renato Casagrande, Dr. Miguel Arraes, Serafm Corrêa e Carlos Siqueira, durante Congresso Nacional do PSB.

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23*




Carlos Siqueira com Dr. Jamil Haddad. Primeira à esquerda com Beto Albuquerque. À direita com Tarso Genro, então prefeito de Porto Alegre. Abaixo com o governador do Rio Grande do Sul, Alceu Colares, no Palácio Piratini, 1993.



À esquerda acima, com Dr. Arraes, visita à CNBB. Abaixo, Congresso Extraordinário do PSB. À direita, . Carlos Siqueira,


íticos de esquerda,









Era necessário que esse novo conceito refetisse uma ideia de socialismo democrático, pautado em conquistas sociais, econômicas, desenvolvimentistas, realizadas progressivamente.
#
que, na vida, o equilíbrio é o ideal. Nem um extremo nem outro. Mas, ao mesmo tempo, não pode ser neutro, porque, na política, não há neutralidade. O equilíbrio não pode ser apolítico. Somos políticos, fazemos política, temos ideias; temos uma concepção de vida, uma concepção de mundo; cada opção que se faz, é a partir de uma concepção de mundo. Se você é liberal, tem a concepção de que quem resolve seu problema é você, é o individualismo, o lucro, a ausência quase absoluta do Estado, na interferência da vida social. Se é socialista ou social-democrata, você acha o contrário, que as decisões e as soluções essenciais de uma sociedade se dão no âmbito do coletivo. Se é no âmbito da liberdade, da democracia, a visão de vida é mais libertária, mais democrática, livre, de menos competição e mais cooperação entre as pessoas e entre os segmentos sociais. Então, são claras as opções, ou seja, não há neutralidade. Você pode ser um pouco mais radical, um pouco mais moderado ou extremista, mas cada opção dessas revela um modelo de vida, uma opção de mundo, uma visão de como a vida e o mundo devem se desenvolver no planeta. Isso ninguém pode negar. A neutralidade é uma mentira e, felizmente, a neutralidade não funciona. Quem for neutro, não deve entrar na política. A vida política requer opções, determinação, coragem para


assumir as suas ideias, sejam elas quais forem. Na verdade, é uma refexão sobre o desafo da marca socialista. Quando se organiza, a esquerda democrática se organiza exatamente nesse sentindo, propondo a saída desse epicentro de duas forças antagônicas, mas mantendo-se socialista.
Brasil tem um campo extraordinário para expandir essa ideia de socialismo democrático/criativo, com uma prática política mais equilibrada.
Por um lado, é necessário desenvolver economicamente o país, a partir de suas grandes potencialidades, que são imensas, em todas as áreas, construindo uma indústria moderna, uma indústria competitiva. Nosso país é uma potência sustentável e pode gerar imensa riqueza, com a criação de milhões de empregos, não apenas na Amazônia, mas no país inteiro. É preciso entender que o Brasil pode prosperar e, para isso, necessita sustentar políticas sociais já existentes e outras que possam melhorar ainda mais a vida da população. Não vejo o termo socialismo como um impeditivo, absolutamente, mas alguns têm medo desse conceito e o aplicam com timidez desnecessária, a meu ver.




étimo dia
Dr. Miguel Arraes em um dos congressos nacionais do PSB.




ão sobre entrega de cargos

à presidente
Dilma íntegra, está como anexo no fnal do livro, na página 281.


Os líderes se formam nos embates políticos.


Reunião dos presidentes estaduais da PSB, na sede da Fundação.

Da esquerda para direita: Acilino Ribeiro, Dora Pires, Carlos Siqueira, Fábio Maia, Valneide Nascimento, Joílson Cardoso, Tathiane Araújo e Tony Sechi.





Carlos Siqueira na presidência da FJM.








ão como presidente nacional do PSB.

íntegra nos anexos deste livro, na página 290.

Reunião com o ministro Joaquim Barbosa e a cúpula do PSB na sede Nacional do Partido, 2018.


Carlos Siqueira em manifestação política no período da pandemia, contra o governo de Bolsonaro, em São Paulo, 2021.

ão do PSB aos dias que ainda estão por vir
Capítulo – O processo da Autorreforma
Os segmentos e os congressos do PSB
30 anos de democracia
A recondução ao terceiro mandato na presidência do PSB
Autorreforma: um movimento de dentro para fora
Reforma política
A potência da Amazônia e suas fragilidades
Industrialização, educação e o Brasil competitivo
Socialismo Criativo
O próximo passo da Autorreforma
áticos?
Momentos







Momentos dos muitos congressos do PSB





Carlos Siqueira e Eduardo Campos ao lado de Ariano Suassuna, eleito presidente de honra do PSB no XII Congresso Nacional.


Abaixo, Carlos Siqueira com o pianista Arthur Moreira Lima, no ato político de celebração dos 70 anos do PSB.





Encontros e atividades com a participação dos segmentos do PSB.










Manifesto pela Democracia Soberania Nacional e Direitos do Povo Brasileiro no Congresso Nacional.



ões para os problemas sob a lógica e égide de um Projeto Nacional de Desenvolvimento.
O novo programa partidário do PSB oferece ferramentas para identifcarmos os problemas, encontrar soluções sem que se percam a identidade nacional e sem que ninguém fque para trás, ou seja, sob a lógica da inclusão para o desenvolvimento.
Conferência Nacional da Autorreforma, no Rio de Janeiro, 2019.























ão guiar os socialistas nas próximas décadas.
!"


Filiação de Geraldo Alckmin reuniu lideranças políticas, correligionários e imprensa.




Carlos Siqueira em encontros políticos na pré-campanha de Lula e Alckmin.


Convenção Nacional do PSB que escolheu Alckmin como candidato à vice-presidente da República. Abaixo, em encontro político com a participação de vários partidos. Fotos: Ricardo Stuckert.


!"
Espero que
o
PSB só chegue ao poder quando tiver força política sufciente para fazer mudanças altamente signifcativas, que promovam o desenvolvimento em âmbitos econômico, político, social e tecnológico científco do nosso país.
Flávio Dino, na sede do PSB, para comunicar ao presidente Carlos Siqueira sobre sua desfliação do partido em razão de sua indicação ao Supremo Tribunal Federal, 2023.


Reunião da Comissão Executiva Nacional.


Carlos Siqueira ao centro durante reunião da Comissão Executiva Nacional, em outubro de 2024.

Um encontro entre as lideranças do Cidadania e do PSB.



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Carlos Siqueira em encontro com ministros da Saúde do ConeSul, e o presidente do Chile, Patrício Alwim, no Palácio de la Moneda, 1993.

Carlos Siqueira foi recebido pelo presidente do Chile, Patrício Alwim, no Palácio de la Moneda, 1993.


Beto Albuquerque e Carlos Siqueira ladeiam a senadora e presidente do Partido Socialista do Chile, Isabel Allende, flha do ex-presidente Salvador Allende.

Beto Albuquerque e Carlos Siqueira em frente à sede do Partido Socialista do Chile.

Carlos Siqueira e o ex-deputado Alessandro Molon em nova viagem ao Chile, recebidos pelo presidente do Partido Socialista, o senador Álvaro Antonio Elizaldo Soto e outras lideranças políticas do país.



Encontro Internacional Socialista, organizado pela Fundação João Mangueira, durante a primeira presidência de Carlos Siqueira, Rio de Janeiro, 2001.

Para ter avanço social, é preciso ter prosperidade, é preciso criar riqueza.



Acima, Carlos Siqueira e Alessandro Molon em visita a Portugal. Eles foram recebidos pelo presidente da Assembleia da República, Eduardo Rodrigues Ferro. Abaixo, a comitiva do PSB na Espanha, com o secretário de Relações Internacionais do PSOE; deputado Héctor Gomez Hernández.

Não se pode implantar
socialismo antes do desenvolvimento das forças produtivas.# #
Registros da visita a Cuba.



Comitiva do PSB visita a China em 2009. Da esquerda para a


Registros da visita à China.





Carlos Siqueira e Alessandro Molon em visita à casa do ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, 2019.
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Carlos Siqueira falou no Congresso Ordinário de Santa Fé, realizado em Rosário, na Argentina, 2016.
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A democracia é um sistema de mudança sem fm. Tem que ser permanentemente aperfeiçoada.
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O socialismo é o futuro, não o passado.
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Precisamos de novos horizontes, com revolução democrática.
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Carlos Siqueira com Chico Paiva, do PSB de São Paulo.

Laura Costa - secretária estadual de Mulheres do PSB de Minas Gerais e Carlos Siqueira.

Carlos Siqueira, Amanda Sobreira, presidente do PSB de Palmas e Geraldo Alckmin.

Wesley Teixeira do PSB do Rio de Janeiro, Carlos Siqueira e Mayara Torres do PSB de São Paulo.
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Carlos Siqueira mantem uma rotina de reuniões que acontecem na sede do Partido. À esquerda com o prefeito de Cavalcante/GO, Vilmar Kalunga. Á direita com o ex-deputado Alessandro Molon.

Carlos Siqueira recebeu o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, no Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

Em anos eleitorais, o presidente do PSB circula pelo Brasil em apoio às candidaturas do Partido. Nestas fotos, durante campanha de Tabata Amaral, à prefeitura de São Paulo.



Acima, Carlos Siqueira falando na Convenção que confrmou Dr. Daniel como candidato à reeleição em Ananindeua, no Pará. Abaixo, em campanha pela eleição da Professora Nislene, do PSB de Alto Paraíso de Goiás/GO.


Ao lado, no Ceará, Carlos Siqueira com o presidente Estadual do Partido, Eldoro Santana. Abaixo com o senador Cid Gomes.


Acima, na Paraíba, em evento político conduzido pelo governador João Azevedo. Abaixo, em encontro realizado em Tocantins.



Carlos Siqueira participou de encontro no Rio de Janeiro, organizado pelo deputado Alessandro

Em visita a Belo Horizonte, Carlos Siqueira acompanhou lideranças do partido a conglomerados urbanos. Abaixo, o presidente do PSB falou em encontro realizado na Bahia ao lado da deputada federal Lídice da Mata e de Domingos Leonelli.


No Espírito Santo, Carlos Siqueira falou a uma plateia atenta, na Câmara Municipal e depois se encontrou com correligionários.



Acima com a bancada de deputados federais do partido, abaixo com a bancada de senadores: Cid Gomes, Chico Rodrigues, Kajuru e Flávio Arns.


Ao lado, Carlos Siqueira em debate sobre a reforma política, no Senado.
Abaixo, participa de reunião com a bancada de deputados federais, no Congresso.


Acima, Carlos Siqueira presta homenagem ao Dr. Miguel Arraes em evento comemorativo ao seu centenário. Abaixo, em celebração aos 60 anos de Eduardo Campos, em 2024.




Discurso de Carlos Siqueira por ocasião da sua eleição à presidência do PSB Brasília-DF, 13 de outubro de 2014
Caros companheiros(as) diretorianos(as), preciso iniciar agradecendo a todos pela confança depositada em mim. Ainda que eu não tenha almejado a posição com que vocês me distinguiram, ela não pode deixar de ser motivo de satisfação especialmente intensa, para alguém que tem servido ao PSB como operário de suas causas, ao longo dos últimos 25 anos. Agradeço a todos, portanto, não tanto pela condição a que serei levado, mas pela possibilidade de ampliar o horizonte do trabalho que tenho feito, ainda que dentro do mesmo espírito de servir a nossa causa comum.
Como não poderia deixar de ser, essa nova condição se vê acompanhada de enorme responsabilidade, que tem como primeiro elemento o fato de que muitos outros poderiam exercer as atividades que irão me caber com mais propriedade do que eu poderei fazê-lo. Tal situação requer, portanto, uma ampla capacidade de ouvir e de somar perspectivas, exigência à qual não me furtarei, em nome do bem de nosso Partido.
O sentimento de gratidão próprio a momentos como esse não deve, contudo, se restringir ao nosso presente imediato. O PSB tem uma história singular e de vanguarda no sistema par- tidário brasileiro e, quando ainda eram pouco evidentes os excessos totalitários que também ocorriam no âmbito do socialismo real, soube se posicionar claramente no espectro das forças que elegeram a democracia como princípio fundamental da atuação política.
Superando a pecha que se impunha ao socialismo, tanto à esquerda como à direita, o PSB se posicionou claramente pelo binômio igualdade e liberdade, o que pareceu a todos inicialmente uma verdadeira aberração política. Essa qualida- de diagnóstica não é apenas política ou intelectual; ela nos faz lembrar de homens exemplares, que podem e devem ser seguidos, como luzes nas muitas veredas escuras que a história nos apresenta. João Mangabeira, Antônio Houaiss, Jamil Haddad, Sérgio Buarque de Hollanda, Antonio Candido e tantos outros mantiveram-se no contexto de um humanismo radical, quanto o pragmatismo político, a real politik, levou a sérios descaminhos.
Poderia declinar uma infnidade de nomes de qualidades ética e intelectual insuspeitas, mas nosso Partido tem um patrimônio tão vasto que o tempo que me cabe aqui não seria sufciente para citar a todos. Faço a devida justiça a cada qual, portanto, na pessoa de líderes que me an- tecederam na presi-
dência do Partido, dentro os quais destaco Miguel Arraes, Roberto Amaral e a personalidade emblemática do Governador Eduardo Campos, que tão cedo nos deixou e que, ainda assim, nos faz ricos a todos.
Ricos em generosidade, em amor pelo povo, na capacidade de ouvir e de sermos membros de um Partido simpático à vida. Ricos porque esta generosidade se prolonga em nosso presente, por meio da coragem militante de Renata Cam- pos e de seus flhos, que em meio ao sofrimento por uma perda imensa, não deixaram de vislum- brar carências de nosso povo. Não pode passar despercebido a ninguém que há em João Cam- pos não apenas a habilidade para a política pró- pria a seu pai, mas especialmente uma certa qua- lidade de benignidade, que distingue os homens que amam e respeitam o povo. Lembro que essa empatia singela pela vida, pela condição de fra- gilidade em que se desenvolve a existência de todos nós, é o maior antídoto a toda e qualquer forma de opressão e isso não faltou jamais ao PSB como sujeito político.
Essa característica – se vocês me permitem di- zer – afetiva do sujeito coletivo que é o Partido Socialista Brasileiro, é essencial à conjuntura po- lítica que temos pela frente. Existe uma perspec- tiva real de mudança na vida política e social dos brasileiros, mas ela não pode se resumir a uma mudança dos condutores das diferentes agências estatais. Ainda que isso por si só seja bom para o País, não atende às urgências daqueles que cor- respondem às escolhas programáticas do PSB, em sua atuação como sujeito político.
Adentramos o atual certame eleitoral propon- do uma alternativa real, autêntica de alternância democrática de poder; alternativa esta que uma tragédia interrompeu. O fez, contudo, manten- do acesa a chama reluzente de sua irrealização. É instigadora e em algum grau “profética” a divisa que nos conduziu até aqui: Não vamos desistir do Brasil. Se em sua presença Eduardo Cam- pos nos liderava e animava para frente, agora, sua memória transformou-se em uma espécie de índice, que nos rememora de forma incisiva as urgências dos de baixo. É esse sentimento, os compromissos que implica, que distinguem o PSB e, como regra, os partidos de esquerda. Não podemos nos conformar com a naturaliza- ção da subserviência, com a miserabilidade, com o desperdício das faculdades criativas humanas.
Se nesse momento nos unimos a um partido de conformação social democrata, não é para aderir a sua perspectiva de mundo. Tampouco queremos ou poderíamos tomá-la por acessó- ria no contexto de uma aliança. O PSB precisa emprestar ao novo governo as perspectivas de um projeto que aprofunde as conquistas sociais das últimas décadas e uma proposta de desenvolvimento político e social que corresponda às potencialidades de nosso País, o que pode ser conferido à aliança exatamente do mesmo modo que o pouco de sal que se acrescenta ao prato lhe confere o sabor, em sua inteireza.
Para fns da construção de uma nova hegemo- nia, importa menos o tamanho que cada qual no contexto da aliança e muito mais a intensidade com que sua visão de mundo se faz presente. A um partido organizado por uma perspectiva po- pular, como é o PSB, cabe ser dentre as forças de oposição que se alinham no presente momento, o porta voz e o articulador das reivindicações de um projeto de desenvolvimento que acolha os de baixo e que atue a favor de sua emancipação.
Notem que não advogamos as causas das popu- lações empobrecidas enquanto tal, não temos o condão de substituir os movimentos populares, que devem falar por si mesmos, em uma demo- cracia verdadeiramente vibrante. Um partido político de esquerda deve fazer valer as expecta- tivas de justiça e de emancipação cidadã desses segmentos, na construção de um determinado campo hegemônico. Essa condição nos obriga a desenvolver uma concepção dialética do Bra- sil, cuja pedra de toque no presente momento consiste em conceber e implantar um projeto nacional de desenvolvimento econômico e social, que se faça acompanhar de uma demo- cracia ampliada pela participação popular.
É interessante, nesse contexto, que a oportu- nidade histórica que nos é oferecida se faça acompanhar de um fortalecimento do Partido. Elegemos 34 deputados federais, 3 senadores e o Governador Paulo Câmara de Pernambuco, que obteve a maior votação no primeiro turno desta eleição (aproximadamente 70%) e dispu- taremos mais 4 governos estaduais em segundo turno. Esses números e as propostas progra- máticas já oferecidas ao candidato da coligação que passamos a integrar são nossas credenciais. Não representamos, portanto, uma expectativa, uma promessa: estamos verdadeiramente em meio ao povo e somos reconhecidos como uma agremiação que tomou seu partido e lhe tem sido fel.
A construção que levamos para fora, o modo como nos apresentamos às demais agremiações partidárias e à população deve ter correspon- dentes internos. Um partido como o nosso não é um fm em si mesmo e só se justifca ao se organizar e se consolidar como um veículo para a transformação social. Se do ponto de vista tá- tico, portanto, impõem-se as alianças, a partici- pação mesmo que minoritária em determinados contextos hegemônicos, do ponto de vista es- tratégico não pode haver dúvidas: fazemos sentido à medida que nos dediquemos a uma luta sem tréguas à injustiça social.
O tema da organização partidária, por outro lado, tem suas próprias pautas. Em primeiro lugar precisamos reforçar todas as linhas de ação que nos qualifquem como um sujeito co- letivo, como Partido que tem programa e visão de mundo. Ora, isso requer participação, uma concepção horizontal de nossa estrutura, de tal forma que os dirigentes nas diversas instâncias partidá-
rias possam contribuir de modo efetivo para os rumos que haveremos de tomar. O mes- mo se dá com os segmentos organizados – jovens, negritude, mulheres, LGBT, sindicalismo e movimentos populares.
Para que a tese da ampliação da participação não fque apenas na retórica, é preciso dar lhe a devida institucionalidade, o que se inicia pela defnição de um calendário anual de reuniões da Executiva e Diretório Nacional. Devemos esti- mular a adoção dessa mesma prática no âmbito estadual, contemplando inclusive a criação de um Colégio de Presidentes dos Diretórios Esta- duais, ao qual caberia entre outras missões fazer a análise conjuntural, avaliar o desempenho par- tidário e assistir a direção nacional na defnição de nossos rumos estratégicos.
Em um contexto mais geral e amplo o PSB deve atuar para que a participação alcance o militan- te, de tal forma a que todos possamos cultivar um genuíno sentimento de pertencimento. Ao falar de nossa militância, devemos pensar além da fgura em que muitos partidos a tem, ou seja, a de que ela atuaria como uma espécie de in- fantaria, sob orientação da direção partidária. O PSB pode seguramente fazer diferente e encon- trar em seus militantes artífces da construção do Partido.
Ainda no tema da organização interna, precisa- mos lembrar que o vertiginoso crescimento do PSB nos últimos anos não decorreu do impro- viso, ou como consequência de uma vinculação carismática com a população. Foi fruto de plane- jamento estratégico, no sentido clássico do ter- mo e as realizações que logramos, eram apenas metas há alguns anos atrás. Por uma fatalidade não chegamos à Presidência da República, mas toda as demais metas de nosso Planejamento Estratégico foram alcançadas. Importa, portan- to, retomar esse processo e pensar em planejar nosso horizonte ao menos até 2018. Nessa opor- tunidade é preciso que nos enderecemos como tarefa fundamental eleger as grandes bandeiras que irão nos orientar, visto que nossa atuação partidária deve ser sempre meio para fns que interessam às causas populares.
Observo, ainda, que não poderemos nos furtar a fortalecer a área de política internacional do Partido, intensifcando iniciativas em que desponte a articulação com agremiações partidá- rias, de diferentes países, sejam elas socialistas em sentido próprio, ou alinhadas às perspectivas de nosso campo. Não iremos nos acanhar dian- te deste desafo, pois uma perspectiva adequada em termos da política internacional, quanto aos modos de inserção do Brasil no contexto de um mundo globalizado, deve ser elemento especialmente relevante no projeto de nosso Partido.
A necessidade de planejar, própria a um Partido que trabalha com metas de longo prazo, que não tem por foco apenas a eleição, mas primordial-
mente a emancipação popular, faz com que a Fundação João Mangabeira tenha uma impor- tância estratégica e um lugar singular em nos- so projeto político. Precisamos em primeiro
lugar, cuidar bem de nossos quadros; inseri-los em todos os debates relevantes da contempora- neidade, levá-los a experimentar no presente as possibilidades de uma sociedade pós-capitalista. Falamos aqui não apenas de economia, de política ou de governos. É preciso que nossos jo- vens cresçam em meio a uma cultura política que compreenda as potencialidades das diferenças, a relevância da paz, os elementos propriamen- te sociais da palavra fraternidade. Para construir uma perspectiva verdadeiramente socialista precisamos difundir em nosso meio a capacidade de identifcação com aqueles a quem o progresso não tem feito qualquer justiça.
Cabe, ainda, às fundações partidárias uma mis- são muito específca e para a qual precisamos contar com o apoio dos parlamentares do PSB. Para qualifcar a atividade política e a gestão pú- blica é fundamental que as fundações alcem a condição de verdadeiras universidades de go- verno, que se habilitem a qualifcar quadros para a atuação partidária, dentro das perspectivas da moderna administração pública. Temos que estimular e efciência, a economicidade e a responsabilidade, sem esquecer que tudo isso obriga a intensifcar a cooperação interfedera- tiva, a transversalidade e intersetorialidade na implantação das diferentes políticas públicas.
Caros amigos, creio a este ponto já ter abusado o sufciente da generosidade de todos. O tem- po que tomei, contudo, não refete um proto- colo. Trago à luz convicções que se enraizaram em mim, em uma vida de operário das causas protagonizadas pelo PSB e por seu socialismo democrático, que continua sui generis, porquan- to não realizado. Encontro nessa condição um contentamento genuíno e de todo contrário ao senso comum; aos ditames da grande mídia e aos prognósticos niilistas que muitos, de suas cátedras, gostam de veicular. O socialismo con- tinua sendo uma verdadeira ousadia, ainda é motivo de certo escândalo e, não raro, tenho a sensação de que em minha maturidade não en- velheci, porque o frescor de minhas convicções ainda me anima, da mesma forma que o faz rei- teradamente o nascer do dia.
Olho com confança serena o futuro do PSB, pois sua determinação política em construir um mundo mais justo vai de ombro com a joviali- dade que o caracteriza. Encontram-se entre nós lideranças que ainda têm a sua frente décadas de atuação em prol do Brasil. Lembro dessa con- dição particular de nosso partido por meio de lideranças que se formaram juntamente com Eduardo Campos, no seio de uma genuína ex- pectativa de mudança do País,
de que são exemplos Beto Albuquerque, Marcio França, Ricardo Coutinho, Rodrigo Rollemberg, Renato Casa- Grande, Geraldo Julio, Paulo Câmara e Camilo Capiberibe.
Sabemos todos, contudo, que não se trata exata- mente de indivíduos. O arejamento político que esses nomes encarnam e representam é aquele dos que vislumbram um momento do tempo, em que o presente fará justiça ao passado de so- frimento de toda uma gente. Esse sentimento de que um outro mundo é possível, tenhamos cer- teza, é um SER, que habita corações e memória, que povoa a esperança dos de baixo. Eu tenho felicidade de encontrá-lo quase que diariamen- te entre aqueles que me cercam. Se eu tivesse, contudo, apresentar este SER aos que que ain- da não o conhecem, não hesitaria em dizer que para vê-lo basta direcionar o olhar aos olhos de homens como João Mangabeira, Jamil Hadadd, Miguel Arraes e Eduardo Campos.
As centelhas que emanam de seus olhares são fagulhas de um futuro que não se baseia na in- diferença generalizada pelo outro; de um tempo em que o socialismo democrático será não uma promessa, mas a realização plena da reconcilia- ção entre igualdade e liberdade.
Muito obrigado.
ANEXO - Documento entregue ao presidente Michel Temer





ANEXO - Nota de repúdio às violações dos direitos humanos na Venezuela



ANEXO - Nota de repúdio à ditadura na Nicarágua

Brasília-DF, 09 de março de 2023
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O Partido Socialista Brasileiro – PSB, que sempre advogou a causa do socialismo democrático, não pode ficar indiferente às flagrantes violações dos direitos humanos, detençõesarbitrárias, julgamentos e execuções sumárias, assassinatos e tortura contra dissidentes políticos, dentre outras práticas típicas de regimes ditatoriais, que ocorrem na Nicarágua.
Desta forma, o PSBmanifesta seu mais amplo e total repúdio às práticas ditatoriais do senhor Daniel Ortega e se solidariza com o povo nicaraguense, que precisa de um futuro que não reproduza o passado de violência política e social a que vem sendo submetido desde há muito.
Salientamos, por fim, que a democracia é um valor universal, razão pela qual não cabe transigir em qualquer grau com aqueles que a desafiam, em especial quando isso se dáde modo violento e até mesmo sanguinário.


Presidente Nacional do Partido Socialista Brasileiro - PSB



Editora QCP
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CEP: 05616-130 – São Paulo/SP + 55 11 4186-7222
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Este livro registra o encontro das trajetórias de Carlos Siqueira e do Partido Socialista Brasileiro. Filiado ao PSB desde 1990, são 35 anos de dedicação.
De militante a secretário nacional do Partido, por muitos anos, depois como presidente do PSB, por três mandatos seguidos, as relações estabelecidas entre ele e a instituição política seguem historicamente intrínsecas, em um movimento constante e cíclico em que ambos se fortalecem.
Partido Socialista Brasileiro - PSB
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