GNARUS - 94
Coluna
O OLHAR OPOSITOR EM COURO DE GATO Por Rafael Eiras
Introdução
E
m nosso trabalho final do semestre do curso Metodologia e Análise Fílmica (PPGCine, 2022/1), propomos analisar o
curta metragem Couro de gato (PEDRO,1960) através de uma perspectiva contemporânea percebida por bel Hooks em sua obra Olhares negros: raça e representação (2019). Quando o olhar do indivíduo negro se apresenta como
momento em que o filme foi produzido, pode ser percebido como o começo de uma desalienação do indivíduo, tendo o corpo negro a imagem conceitual do excluído. Mas que reinterpretado atualmente, com novas perspectivas teóricas, pode ser pensado como o olhar que percebe a própria exclusão e impotência. O que era uma questão de classe para a intelectualidade dos anos 1960, hoje pode ser percebido também como uma questão de raça.
resistência, tanto do espectador ao se reconhecer
Vejamos como a sequência é interpretada por
no enredo, como o olhar registrado na própria
Luciana Corrêa de Araújo, em “Joaquim Pedro:
imagem - o que Hooks vai conceituar como um
primeiros tempos”: Em Couro de gato, apesar da aparente via de mão dupla que se estabelece entre o morro e as ruas, com os garotos transitando entre os dois espaços, a tensão entre esses dois universos é sempre reiterada. (...) Quando a perseguição aos garotos termina
olhar opositor. No filme de Joaquim Pedro o personagem do ator recém falecido Milton Gonçalves parece trazer para o filme um incômodo. Entendendo o
Gnarus Revista de História - VOLUME XIII - Nº 13 - DEZEMBRO - 2022