10-Augusto César Malta de Campos

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Coluna:

Fotografias da História

AUGUSTO CÉSAR MALTA DE CAMPOS: UM FOTÓGRAFO. Por Fernando Gralha

A

ugusto César Malta de Campos nasceu em Paulo Afonso, na província de Alagoas em 14 de maio de 1864. De família tradicional na política alagoana, chegou ao Rio de Janeiro por volta de 1889, e segundo suas netas,1 veio para escapar de uma carreira religiosa que o pai lhe impunha, pois já estava apaixonado pela prima Laura, com quem se casou e fugiu. Tiveram cinco filhos, quatro meninas: Luttgardes, Arethusa, Callestenis, Aristocléa e um menino, Aristógiton, que mais tarde seguiria a carreira do pai. Desde sua chegada ao Rio até 1902 exerceu várias atividades (guarda municipal, vendedor ambulante, guarda-livros, entre outros) antes de descobrir a fotografia. Sua clientela na venda ambulante de tecidos era a elite carioca, 2 quando tomou a decisão que 1

http://www.atelierimaginarte.com.br. Site mantido pelas irmãs Lucca e Anna Gabriela Malta, netas de Augusto Malta. 2 No decorrer de nosso trabalho, em vários momentos, utilizamos o termo “carioca” para denominar o habitante da cidade do Rio de Janeiro com base em definição dada pela academia brasileira de letras: “No séc. XIX e início do XX, o etnônimo a um tempo da

província ou estado e da cidade; mas os habitantes desta, por contraste, devem ter sido chamados, informalmente, cariocas, a partir de 1736, a princípio pejorativamente, pejoração que se esbateu lentamente, como se depreende da resistência de fluminense na linguagem formal. Com a curta existência do Estado

mudaria sua vida: resolveu trocar sua bicicleta (seu meio de transporte e que na época era uma inovação geralmente importada) por uma máquina fotográfica. A partir daí passou a registrar não só amigos e parentes, mas também aspectos daquela que seria seu principal alvo: a cidade do Rio de Janeiro. Tornou-se um dos grandes mestres da fotografia do início do século XX. Fotografava de tudo: amigos, paisagens, pessoas. Rompeu com tradições estéticas e ideológicas, pois além de mostrar personagens e paisagens das elites locais, apresentava aos apreciadores de suas obras o “populacho”, seus lazeres, ofícios e o dia-a-dia. Produziu imagens capturadas nas ruas, invadindo a da Guanabara, carioca retomou seu valor etnonímico cabal; extinto o estado, os habitantes da cidade continuam a dizer-se cariocas, e fluminenses, quando relacionados com a unidade da federação. Etimologia: Do tupi kari'oca, prov. do tupi kara'ïwa "homem branco" oka "casa": a palavra tem emprego inicial como topônimo , a Carioca, mais tarde, Largo da Carioca, local em que havia uma fonte para provisão de água pública e de embarcações na cidade do RJ; esta acepção perdura no Centro-Oeste do país; observa-se que na top. brasileira há lago da Carioca (Pará), rio e serra da Carioca (RJ), serra da Carioca (MG); quer contemporâneos, quer posteriores à Carioca da cidade do RJ (documentado em 1560). Esses top. permitem supor que o étimo, em vez de estar ligado ao significado proposto: casa de homem branco seja conexo com água, fonte, córrego, rio. Nascentes registra 'casa de branco', ressalvando que a identidade desse homem branco e o local exato da casa ainda são problemas”.


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