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Revista Combustíveis & Conveniência Ed.243

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ÍNDICE

28 REPORTAGEM DE CAPA

Gestão de colaboradores ainda é um desafio para postos de combustíveis ENTREVISTA

n MERCADO

Álvaro Faria, Presidente do SindTRR

16 • Aplicativo dá nota aos postos do país 22 • ExpoPostos & Conveniência 2026 amplia espaço e oportunidades para a revenda

08

n CONVENIÊNCIA

40 • Conveniência amplia

relevância na ExpoPostos

n REVENDA EM AÇÃO

44 • Rio Branco recebe a revenda n OPINIÃO

TABELAS

06 • James Thorp Neto 50 • Evolução dos Preços do Etanol 51 • Formação de Preços 52 • Formação de Custos do S10 53 • Ajustes nos preços da Petrobras 54 • Preços de Revenda e Distribuição Combustíveis & Conveniência 3


CARTA AO LEITOR

As dores da contratação A Fecombustíveis representa nacionalmente 23 sindicatos, defendendo os interesses legítimos de mais de 45 mil postos de serviços, 687 TRRs e cerca de 58 mil revendedores de GLP, além da revenda de lubrificantes. Nossa missão é acompanhar o mercado de revenda de combustíveis, com a meta de fomentar o desenvolvimento econômico e social do setor, contribuindo assim para melhorar a qualidade de vida da nação. Presidente: James Thorp Neto 1º Vice-Presidente: Márcio Martins de Castro Andrade 2º Vice-Presidente: Alfredo Pinheiro Ramos 3º Vice-Presidente: Júlio César Zimmermann 4º Vice-Presidente: Arildo Persegono Filho 5º Vice-Presidente: Emílio Roberto Chierighini Martins 6º Vice-Presidente: Mário César Neves 1º Secretário: Mário Luiz Pinheiro Melo 2º Secretário: José Carlos da Silva 3º Secretário: Maxwel Nunes Paula 1º Tesoureiro: Antônio Cardoso Sales 2º Tesoureiro: Wilber Silvano de Souza Filho 3º Tesoureiro: Maxwell Flor de Oliveira Conselheiro Fiscal Efetivo: Adriano Costa Nogueira Conselheiro Fiscal Efetivo: Manuel Fonseca da Costa Conselheiro Fiscal Efetivo: José de Faro Rollemberg Nascimento Diretoria: Adriano Luiz de Castro Silva, Alexandre Aurélio Pereira Félix, Aline de Souza Andrade Soares, Antônio Barbosa Ferreira,Eduardo Augusto de Viveiros Pinheiro Borges,Delano Lima e Silva, Elson Justiniano Alves, Eraldo de Souza Teles Filho, Francielli Locatelli, Jarlan Marques Cavalcante, Magnolia Gomes Rolim,Marcelo Ambar Naya,Marcelo Batistela,Murilo de Paula Melquiades Oliveira,Rafael Alexandre de Figueiredo Gomes e Regina Amélia Fonseca Lins Lima. Conselho Editorial: Marciano Francisco Franco, José Alberto Miranda Cravo Roxo, Mario Melo e Ricardo Hashimoto Edição: Mônica Serrano (monicaserrano@fecombustiveis.org.br) Redação: Rosemeire Guidoni (roseguidoni@uol.com.br), Isabela Palmeira e Paulo José de Carvalho Capa: Alexandre Bersot, com Imagem da iStock Publicidade: Fernando Polastro comercial.revista@fecombustiveis.org.br Telefone: (11) 5081-6681 | 99525-6665 Programação visual: Girasoli Fecombustíveis Av. Rio Branco 103/13° andar - Centro-RJ Cep.: 20.040-004 Telefone: (21) 2221-6695 Site: https://www.fecombustiveis.org.br/edicoes-revista E-mail: revista@fecombustiveis.org.br

4 Combustíveis & Conveniência

Um tema recorrente e já bastante conhecido pela revenda voltou à pauta: a dificuldade de contratação de mão de obra. De acordo com os levantamentos da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o turnover de atendentes e frentistas pode chegar a 50% ao ano. Essa alta rotatividade, juntamente com a dificuldade de contratação, tem sido um problema para os revendedores em diversas regiões do país. Nem sempre a causa está relacionada apenas ao salário. A jornada ininterrupta dos postos, inclusive aos finais de semana e feriados, aliada à falta de reconhecimento, de oportunidades de desenvolvimento e de engajamento com a empresa, pode ajudar a explicar esse fenômeno. Confira, na Reportagem de Capa, a avaliação de especialistas, que apresentam algumas alternativas para melhorar esse cenário. Trazemos duas reportagens importantes com as principais atrações da ExpoPostos & Conveniência 2026, que promete ser a maior edição da sua história, com ampliação de espaço físico para receber os principais fornecedores de produtos e serviços do setor. Na seção Mercado, trazemos um panorama geral do evento, com entrevista dos realizadores e da organizadora. E na seção Conveniência, vamos mostrar os temas de destaque de palestras e as inovações tecnológicas que estarão presentes na feira de negócios. O aplicativo “ANP com VC” é outro assunto de destaque da seção Mercado, que apresenta alguns dos questionamentos da revenda sobre os critérios adotados para a pontuação dos postos. A iniciativa da ANP tem como objetivo orientar o consumidor na busca por locais seguros para abastecer. No entanto, na avaliação da revenda, alguns parâmetros precisam ser revistos e aperfeiçoados. Confira também, em Revenda em Ação, a cobertura do 21º Encontro de Revendedores de Derivados de Petróleo e Lojas de Conveniência (Ercom) do Norte do Brasil, realizado em Rio Branco (AC), que reuniu revendedores de diversas regiões do país. Boa leitura! Mônica Serrano Editora


SINDICATOS

ACRE Sindepac Delano Lima e Silva Rua Pernambuco nº 599 - Sala 4 Bairro: Bosque Rio Branco-AC Fone: (68) 3226-1500 sindepac@hotmail.com www.sindepac.com.br ALAGOAS Sindicombustíveis - AL James Thorp Neto Av. Jucá Sampaio, 2247, Barro Duro Salas 93/94 Shopping Miramar Maceió-AL Fone: (82) 3320-2902/1761 scvdpea@uol.com.br www.sindicombustiveis-al.com.br AMAZONAS Sindicombustíveis - AM Eraldo de Souza Teles Filho Rua Rio Içá, 26 - quadra 35 Conj. Vieiralves Manaus-AM Fone: (92) 35843707/3728/99446-2261 sindicombustiveisam@gmail.com

MARANHÃO Sindicombustíveis - MA Luciana Nobre Av. dos Holandeses - Ed. Tech Office - sala 226 - 2o andar Ponta D’Areia - São Luís-MA Fone: (98) 98740-1700 / 98453-7975 gerencia@sindcombustiveis-ma. com.br PARÁ Sindicombustíveis - PA José Carlos da Silva Av. Duque de Caxias, 1337 Bairro Marco Perímetro: Trav. Mariz e Barros/Trav. Timbó Belém-PA Fone: (91) 3224-5742/ 3241-4473 secretaria@sindicombustiveis-pa. com.br www.sindicombustiveis-pa.combr

CEARÁ Sindipostos - CE Manuel Novais Neto Av. Engenheiro Santana Junior, 3000/sala 605 Parque do Cocó - Fortaleza/CE Fone: (85) 3244.1147

PARAÍBA Sindipetro - PB Omar Aristides Hamad Filho Av. Minas Gerais, 104 Bairro dos Estados João Pessoa-PB Fone: (83) 3221-0762 contato@sindipetropb.com.br www.sindipetropb.com.br

ESPÍRITO SANTO Sindipostos - ES Maxwel Nunes Paula Av. Nossa Senhora dos Navegantes, 955 / 21º - salas 2101 e 2102 Ed. Global Tower - Enseada do Suá Vitória - ES Fone: (27) 3322-0104 sindipostos@sindipostos-es. com.br www.sindipostos-es.com.br

PERNAMBUCO Sindicombustíveis - PE Alfredo Pinheiro Ramos Rua Desembargador Adolfo Ciriaco,15 Prado Recife-PE Fone: (81) 3227-1035 recepcao@sindicombustiveis-pe. org.br www.sindicombustiveis-pe.org.br

GOIÁS Sindiposto Marcio Martins de Castro Andrade 12ª Avenida, 302 Setor Leste Universitário Goiânia-GO Fone: (62) 3218-1100 sindiposto@sindiposto.com.br www.sindiposto.com.br

PIAUÍ Sindipostos - PI Guilherme Araújo Parente Av. Tancredo Neves 8570, Lourival Parente Teresina-PI Fone: (86) 3227-4996 sindipostospi@gmail.com

RIO DE JANEIRO RJ Postos Marcelo Ambar Aya Av. Presidente Franklin Roosevelt, 296 São Francisco Niterói–RJ Fone: (21) 2704-9400 sindestado@sindestado.com.br www.sindestado.com.br

SÃO PAULO – CAMPINAS Recap Emílio Roberto Chierighini Martins Rua José Augusto César, 233 Jardim Chapadão Campinas-SP Fone: (19) 3284-2450 recap@financeiro.com.br www.recap.com.br

RIO DE JANEIRO - MUNICÍPIO Sindcomb Manuel Fonseca da Costa Rua Alfredo Pinto, 76 - Tijuca Rio de Janeiro-RJ Fone: (21) 3544-6444 secretaria@sindcomb.org.br www.sindcomb.org.br

SERGIPE Sindpese Jose de Faro Rollemberg Nascimento Rua Dep. Euclides Paes Mendonça, 871 Bairro Salgado Filho Aracaju-SE Fone: (79) 3214-4708 secretaria@sindpese.com.br www.sindpese.com.br

RIO GRANDE DO NORTE Sindipostos - RN Maxwell Flor de Oliveira Rua Monte Sinai, 1920 - Galeria Brito Sl 102 Bairro Capim Macio Natal/RN Fone/whatsapp: (84) 3217-6076 sindipostosrn@sindipostosrn. com.br www.sindipostosrn.com.br RONDÔNIA Sindipetro - RO Arildo Persegono Filho Travessa Guaporé, Ed. Rio Madeira, 3º andar, salas 307/308 Porto Velho-RO Fone: (69) 3229-6987 sindipetrorondonia@gmail.com www.sindipetro-ro.com.br RORAIMA Sindipostos - RR Av. Major Williams, 436 - sala 01- São Pedro Boa Vista-RR Fone: (95) 3623-9368/ 991322776 sindipostosrr@hotmail.com SANTA CATARINA - BLUMENAU Sinpeb Julio César Zimmermann Rua Quinze de Novembro, 550/4º andar Blumenau-SC Fone: (47) 3326-4249 sinpeb@gmail.com www.sinpeb.com.br

SINDILUB Adriano Silva Rua Trípoli, 92, conj. 82 Vila Leopoldina São Paulo-SP Fone: (11) 3644-3439/ 3645-2640 sindilub@sindilub.org.br www.sindilub.org.br TOCANTINS Sindiposto - TO Wilber Silvano de Sousa Filho Quadra 303 Sul Av. LO 09 lote 21 salas 4 e 5 Palmas-Tocantins Fone: (63) 3215-5737 sindiposto-to@sindiposto-to. com.br www.sindiposto-to.com.br TRR Álvaro Rodrigues Antunes de Faria Rua LordCockrane, 616 8º andar, salas 801/804 e 810 Ipiranga-SP Fone: (11) 2914-2441 info@sindtrr.com.br www.sindtrr.com.br Entidade associada ABRAGÁS (GLP) José Luiz Rocha Fone: (41) 98897-9797 abragas.presidente@gmail.com

Combustíveis & Conveniência 5


OPINIÃO

James Thorp Neto | Presidente da Fecombustíveis

Aplicativo da ANP gera questionamento A proteção do consumidor é uma das atribuições centrais da ANP. A Agência deve proteger os interesses dos consumidores quanto a preço, qualidade e oferta dos produtos, e contribuir para a garantia do abastecimento nacional. No mercado de combustíveis, essa responsabilidade é especialmente relevante porque o consumidor não dispõe de meios para verificar, no momento do abastecimento, se o produto recebido atende integralmente às especificações de qualidade, se há algum chip na bomba ou fraudes tributárias. Para oferecer informações ao consumidor sobre os postos, na intenção de proporcionar um abastecimento seguro, a ANP lançou o aplicativo “ANP com VC”. O app traz diversas informações e atribui uma nota para cada revenda. Temos ciência da boa intenção da Agência, no entanto, os critérios para estabelecer a pontuação, em muitos aspectos, são questionáveis. Essa nota considera os resultados das ações de fiscalização da ANP e do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC). É justamente nesse ponto que a revenda nacional questiona o critério adotado. O programa serve como parâmetro para orientar as ações de fiscalização da ANP e, por isso, os resultados não deveriam ser utilizados como critério para a pontuação dos estabelecimentos. Além disso, uma não conformidade identificada pelo programa não determina, necessariamente, qual elo da cadeia foi responsável pelo problema, tampouco caracteriza, por si só, a existência de fraude ou adulteração intencional. Consideramos que apontar o dedo somente para os postos não é coerente. Há diversos componentes de qualidade que só são verificados em testes de laboratório. Muitas das não conformidades identificadas nos postos podem ser decorrentes de algum desajuste nas bases das distribuidoras. Por que as distribuidoras também não recebem uma nota? 6 Combustíveis & Conveniência

Outro aspecto questionável é a divulgação, pela ANP, da origem dos combustíveis comercializados em cada estabelecimento. Essa informação gera dúvidas diante da própria regulamentação da Agência, uma vez que postos bandeirados podem operar com a chamada bomba branca, que pode comercializar combustíveis fornecidos por outras distribuidoras, desde que a origem do produto seja informada de forma clara ao consumidor. O aplicativo também permite que o consumidor denuncie postos por suposta prática de preços abusivos. Nesse ponto, cabe uma reflexão: o consumidor teria condições de identificar o que caracteriza um preço abusivo? Por outro lado, embora o consumidor naturalmente busque preços mais baixos, o menor preço nem sempre representa, por si só, garantia de confiabilidade ou de maior segurança no abastecimento. Esses e outros fatores do app foram destacados em um ofício que enviamos para a ANP avaliar a possibilidade de mudanças. Esperamos que a Agência considere as nossas ponderações e sugestões. Chamo a atenção para um assunto bastante controverso. No segundo trimestre do ano, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, alta de 96,8% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. No mesmo período, a Vibra teve um salto de 365% no seu lucro líquido, para R$ 2,3 bilhões. O Grupo Ultra, dono da Ipiranga, também teve aumento de lucro líquido de 46%. Esses bons resultados foram atribuídos, entre vários fatores, à volatilidade dos custos do petróleo no período da guerra, que turbinaram os resultados. Enquanto isso, no mesmo período, os postos de combustíveis foram acusados de praticar preços e margens abusivas, em uma verdadeira “caça às bruxas”, sendo responsabilizados pelo aumento dos preços. É justo?


ÁLVARO FARIA | PRESIDENTE DO SINDTRR

Divulgação SindTRR

ENTREVISTA

TRRs cobram regras claras diante das mudanças no mercado de combustíveis 8 Combustíveis & Conveniência


POR ROSEMEIRE GUIDONI

C

om mais de 17 mil caminhões-

Combustíveis & Conveniência: Qual a

tanque, capacidade de armaze-

importância da atividade TRR no cenário

namento de 68 milhões de litros

brasileiro atualmente?

e atendimento a cerca de 447 mil clientes,

Álvaro Faria: A atividade de TRR é regula-

os Transportadores-Revendedores-Retalhistas

da pela ANP e reconhecida como de utilidade

(TRRs) têm papel estratégico no abastecimen-

pública. A categoria, que hoje engloba 652

to de combustíveis no Brasil.

empresas no país, desempenha um papel es-

Em 2025, a categoria comercializou mais de 11,2 bilhões de litros. Além do forneci-

tratégico e indispensável na matriz logística e produtiva do Brasil.

mento de diesel para setores como agrone-

A relevância do TRR decorre de sua capila-

gócio, transporte, indústria, mineração, cons-

ridade, que viabiliza entregas em todo o país,

trução civil e geração de energia, os TRRs

mesmo em regiões distantes de grandes cen-

passaram a comercializar gasolina C a con-

tros, e também da agilidade no fornecimento

sumidores finais e etanol hidratado a postos

de combustíveis líquidos (principalmente óleo

revendedores após a edição das resoluções

diesel S10 e S500, além de gasolina C e eta-

ANP 858/2021 e 938/2023.

nol hidratado), lubrificantes e graxas. Essas

Ao mesmo tempo, a categoria acompanha

entregas ocorrem exclusivamente em domi-

mudanças que podem afetar a dinâmica do

cílio, ao consumidor final, gerando economia

mercado, como a entrada de grandes distribui-

pela redução de desperdício na movimenta-

doras na atividade, além dos chamados Smart

ção do produto e também por não necessitar

Centers e as iniciativas de delivery de combustí-

do deslocamento de veículos até o posto re-

veis. Nesta entrevista, Álvaro Antunes de Faria,

vendedor (atividade diversa do TRR, uma vez

presidente do SindTRR, fala sobre esses temas,

que o posto somente pode abastecer os veí-

aborda os impactos do aumento da mistura de

culos em suas instalações).

biodiesel no diesel, o combate a fraudes e a tra-

Com uma frota de mais de 17 mil cami-

jetória de uma atividade que tem mais de um

nhões-tanques próprios e tancagem de arma-

século de história no país. Acompanhe os prin-

zenamento de 68 milhões de litros em todo

cipais trechos da entrevista exclusiva.

território nacional, a categoria garante supriCombustíveis & Conveniência 9


ENTREVISTA

ÁLVARO FARIA | PRESIDENTE DO SINDTRR

A atividade TRR surgiu no Brasil em 1917, introduzida pelas companhias de petróleo que

TRRs comercializar também gasolina C a consumidores e etanol hidratado a postos revendedores, expandindo sua atuação. C&C: Quais os mercados mais atendidos por estas empresas? AF: As empresas atendem diferentes segmentos, entre eles o agronegócio, o

operavam no país

transporte de cargas e de passageiros, in-

na época, entre elas

pos, o setor de construção civil e de in-

a Esso, Shell, Gulf,

fraestrutura, as atividades de mineração,

Atlantic e Texaco

blicos, prestadores de serviços em aero-

cluindo trens e embarcações de vários ti-

além de indústrias e serviços, órgãos púportos, infraestrutura nos eventos culturais e artísticos e prédios residenciais e comerciais que possuem geradores.

mento a cerca de 447 mil clientes. Com essa estrutura, os TRRs garantem o fornecimento

C&C: Atualmente, qual é a avaliação

a seus clientes e se adaptam rapidamente pa-

do SindTRR sobre a atuação das distribui-

ra o atendimento a consumidores em situa-

doras no segmento? A verticalização não

ções de emergência, como ocorreu durante

iria contra a Lei do Petróleo?

o apagão no chamado “bug do milênio”, na

AF: No início, houve muita preocupação

greve dos caminhoneiros, durante a epidemia

por parte dos empresários que atuavam na

de Covid-19 e os períodos de lockdown, nos

região em que a Vibra e a Ipiranga adquiri-

apagões em São Paulo e nas tempestades no

ram empresas TRR. Após reunião no Con-

Paraná. Na greve dos caminhoneiros, a cate-

selho Administrativo de Defesa Econômica

goria forneceu produtos aos postos revende-

(Cade), ficou esclarecido que, embora a apro-

dores, mediante autorização da ANP.

vação tenha ocorrido, a qualquer momento,

Além disso, mais recentemente, as atua-

mediante alguma denúncia de favorecimento

lizações regulatórias da ANP permitiram aos

ou vantagens praticadas pelas distribuidoras

10 Combustíveis & Conveniência


aos seus TRR, a fiscalização poderia reverter o processo de aprovação. Por outro lado, foi importante perceber o

C&C: Quais são as principais fraudes que impactam os TRRs e como a categoria tem combatido o problema?

interesse das grandes distribuidoras no setor

AF: Em 2025, a principal fraude identifi-

TRR, que até então era formado por empre-

cada foi a comercialização do diesel sem a

sas familiares.

mistura obrigatória de biodiesel. Foram re-

As distribuidoras, ao entrarem no mercado

gistrados vários casos de revendas oferecen-

de TRR, em prejuízo da concorrência, têm o

do o produto sem a mistura obrigatória. O

objetivo de obter lucro e, assim, passam a ser

SindTRR, junto com outras entidades do se-

um concorrente sério e honesto. Até o mo-

tor, atuou de forma objetiva com denúncias

mento o convívio dos TRR de distribuidoras

e orientação aos associados, para combater

com os TRR familiares tem sido pacífico.

o problema. Além disso, sempre existem ca-

Inclusive, a ANP e o Cade, questionados pela Fecombustíveis, entenderam que não

sos de sonegação, que vêm sendo combatidos pelo governo de forma efetiva.

existe desrespeito à legislação. C&C: O SindTRR foi uma das primeiC&C: Como o SindTRR avalia o aumen-

ras entidades a solicitar a atuação da

to do biodiesel no diesel, que deverá che-

ANP em relação aos smarts centers. O

gar a 16%, após os resultados dos testes

senhor poderia fazer uma atualização

de viabilidade técnica?

deste assunto?

AF: O SindTRR apoia as iniciativas de

AF: O assunto smart center vem sendo

diesel mais limpo, mediante testes. Ocorre

questionado por vários sindicatos que re-

que, no segmento TRR, o produto fica mui-

presentam os postos revendedores e tam-

to tempo parado em geradores e máquinas

bém pelo SindTRR. Entende-se que o for-

agrícolas. O que o sindicato pleiteia é a rea-

mato está equivocado, pois a formação de

lização de testes apropriados ao nosso mer-

consórcio, perante a legislação brasileira,

cado, pois quando o produto fica rodando

deve ter um objetivo, prazo de duração e

30 horas em uma máquina, realmente ele

ser baseada na regulamentação da ANP.

não apresenta problemas. O nosso gargalo

Os advogados entendem que a comerciali-

está justamente no tempo em que o produ-

zação deveria ser feita para o consórcio, e

to fica parado no equipamento.

este fornecer o produto às empresas conCombustíveis & Conveniência 11


ENTREVISTA

ÁLVARO FARIA | PRESIDENTE DO SINDTRR

sorciadas sem lucro, mas não é isso que está acontecendo.

O delivery foi uma inovação implementada no Rio de Janeiro, que atualmente es-

Mas no caso da Vibra, o consórcio, que

tá operando somente em São Paulo. Te-

existe desde 2009 e não tem prazo de va-

mos que ficar atentos para que a opera-

lidade, fornece diretamente às empresas,

ção não seja desvirtuada e esteja de acor-

compartilhando tancagem do Ponto de

do com a ação da ANP — o que, no enten-

Abastecimento (PA), que é proibido pela

der dos técnicos do setor da revenda, não

Legislação da ANP.

vem ocorrendo.

A Fecombustíveis, atendendo ao pleito de seus filiados, vem insistindo para que a

C&C: Voltando ao desenvolvimento

ANP adote uma posição definitiva sobre es-

da atividade no Brasil, como o merca-

sa operação. O assunto está atualmente na

do TRR evoluiu ao longo dos 100 anos

procuradoria da ANP, que deverá se mani-

de história?

festar a respeito.

AF: A atividade TRR surgiu no Brasil em 1917, introduzida pelas companhias de pe-

C&C: Qual é a posição do SindTRR so-

tróleo que operavam no país na época, entre

bre a recente iniciativa de algumas distri-

elas a Esso, Shell, Gulf, Atlantic e Texaco. Os

buidoras de fomentar a venda de com-

TRRs faziam a entrega fracionada de produ-

bustíveis por delivery, pelos postos re-

tos, inspiradas no modelo norte-americano,

vendedores, abastecendo o veículo do

denominando-as como peddler (termo usa-

consumidor em domicílio com veículos

do para designar vendedores ambulantes, ou

especialmente adaptados para isso?

que comercializavam seus produtos fora do

AF: Com base na legislação da ANP e de acordo com o que vem sendo realizado, fo-

estabelecimento comercial, diretamente para o consumidor).

ram identificados alguns procedimentos equi-

A atividade, inicialmente, fazia a entrega

vocados e que ferem a legislação. Mais uma

de querosene importado, em padarias e para

vez, os filiados à Fecombustíveis vêm questio-

iluminação. Nas padarias, o combustível era

nando essa operação. O assunto foi levado

comercializado juntamente com a lenha, pa-

à ANP, apontando os itens que em princípio

ra facilitar o acendimento dos fornos. A re-

contrariam a legislação, e estamos aguardan-

muneração aos peddlers, na época, era feita

do a posição da agência reguladora.

pelas companhias de petróleo.

12 Combustíveis & Conveniência


Com uma frota de mais de 17 mil caminhões-tanques próprios e tancagem de armazenamento de 68 milhões de litros em todo

peddler como agente autorizado para atuar na distribuição de combustíveis e autorizou o acréscimo, no preço de compra, da margem de Cr$ 0,10 (Cruzeiro, moeda da época), passando a emitir títulos de autorização. C&C: Poderia contar como foi a organização da categoria e a formação do sindicato? AF: A primeira Associação dos Peddlers

território nacional,

surgiu em 24 de maio de 1955, no Rio de Ja-

a categoria garante

e pleitear uma regulamentação específica pa-

suprimento a cerca

ra a atividade. A Associação encerrou sua ati-

de 447 mil clientes

ção 3/1971 do CNP, que regulamentou a ati-

neiro, para defender os direitos das empresas

vidade antes de ter sido publicada a Resoluvidade dos peddlers e passou a denominá-los como TRR. Em 1976, diante de uma ameaça da fiscalização do CNP de interditar as instalações

Em 1954, o extinto Conselho Nacio-

dos TRR — uma vez que a Resolução 3/71

nal do Petróleo (CNP) reduziu a margem

proibia os TRR de possuírem tancagem —,

de lucro das distribuidoras, as quais redu-

foi criada uma Associação no estado de São

ziram drasticamente a comissão paga aos

Paulo (em 17 de março daquele ano). O prin-

peddlers. Isso levou a categoria a orga-

cipal objetivo da formalização deste grupo foi

nizar um movimento junto ao CNP plei-

evitar a interdição das instalações, pois não

teando a permissão para acrescentar a sua

havia condições de operar sem tancagem,

margem ao preço de compra.

uma vez que as distribuidoras tinham horá-

Em 6 de outubro de 1954, o plenário do CNP reconheceu a figura do

rios restritos de atendimento e não operavam aos feriados, sábados e domingos. Combustíveis & Conveniência 13


ENTREVISTA

ÁLVARO FARIA | PRESIDENTE DO SINDTRR

O assunto

possuírem tancagem no máximo de 1/10 (um décimo) do volume comercializado mensal, li-

smart center vem

mitada a três vezes a capacidade da frota que

sendo questionado

Posteriormente, foi criada a Associação

por vários sindicatos que representam os postos revendedores e também pelo SindTRR

a empresa tinha. Profissional, que era obrigatória para se obter o reconhecimento como Sindicato — que ocorreu em 22 de novembro de 1984, pelo Ministério do Trabalho. C&C: O SindTRR lançou recentemente um livro contando a história do segmento. Como surgiu a ideia? AF: A ideia já existia há algum tempo. O intuito era deixar a história do setor registrada para futuras gerações, mostrar como surgiu a atividade TRR no Brasil, bem

A Associação estadual, após demons-

como as lutas e desafios que a Associação

trar e justificar a impossibilidade dos TRRs

e o Sindicato enfrentaram para obter o re-

operarem sem tancagem, conseguiu que o

conhecimento oficial do órgão regulador.

CNP suspendesse a ação de fiscalização e

Outro ponto também foi mostrar o respei-

iniciasse os estudos para elaborar uma no-

to das distribuidoras e o bom relaciona-

va regulamentação.

mento com as demais atividades.

Assim, a entidade estadual passou a ter

O desafio de contar essa história foi aceito

abrangência nacional em 11 de março de

por Marilda Canelas que, depois de um ano

1977, com o objetivo de ter maior repre-

de trabalho, viabilizou o lançamento do li-

sentatividade na defesa dos interesses dos

vro, no aniversário de 50 anos da fundação

TRRs no processo dos estudos da nova re-

da Associação Paulista, que, mais tarde, se

gulamentação.

transformou em sindicato. Quem tiver inte-

Após longos debates e estudos, foi publi-

resse em adquirir um exemplar, pode entrar

cada a Resolução 12/77, permitindo aos TRRs

em contato diretamente com o SindTRR. n

14 Combustíveis & Conveniência


Pixabay

MERCADO

Aplicativo dá nota aos postos do país Com apelo de inovação e segurança para o consumidor, o app pode induzir a erro ao não diferenciar com clareza não conformidades de fraudes, além de penalizar a revenda ao considerar os resultados do programa de monitoramento POR MÔNICA SERRANO

E

postos de combustíveis que ofereçam maior segurança no abastecimento.

m julho, a ANP lançou o aplicativo

O aplicativo estabelece uma pontua-

“ANP com VC – Postos”, para aju-

ção de 0 a 5 para os estabelecimentos,

dar o consumidor a identificar os

de acordo com os resultados das ações de

16 Combustíveis & Conveniência


fiscalização e das análises de amostras de

bustível, que resultam em produto fo-

combustíveis testadas pelo Programa de

ra das especificações da ANP. O posto,

Monitoramento de Qualidade dos Com-

quando recebe o combustível, faz al-

bustíveis (PMQC).

guns testes na hora, mas ele não con-

Ele também possibilita ao usuário con-

segue identificar todos os componen-

sultar informações sobre o posto, como

tes dos produtos, que devem passar por

as ações de fiscalizações, resultados do

análises laboratoriais.

PMQC, produtos comercializados, dados

É nesse contexto que há crítica da re-

da empresa, como CNPJ e endereço. En-

venda pelos sindicatos filiados à Fecom-

tre as informações disponíveis, o consu-

bustíveis. “Recebemos muitas reclamações

midor poderá conferir qual a origem do

no Recap e 90% delas eram sobre o teor

combustível comercializado, ou seja, a

de biodiesel no diesel, algo que não con-

distribuidora que fornece produto para

seguimos verificar no posto. Também tive-

o posto.

mos revendedores que esperavam a nota

Além disso, o consumidor tem acesso a

máxima e, por questões de qualidade de

dois botões de denúncia:1) se houver suspei-

2021, não atingiram. Nossa revenda recla-

ta de infração e 2) supostos preços abusivos.

mou do período muito antigo”, disse Eduardo Valdívia, presidente em exercício do

VISÃO DA REVENDA No senso comum, o sistema de pon-

Recap, sindicato da revenda de combustíveis de Campinas e região.

tuação dos postos pode levar à percep-

Proprietário de oito postos, o próprio

ção do consumidor de que um estabe-

Valdívia ficou surpreso por ter nota quatro

lecimento autuado por não conformida-

em três de seus estabelecimentos, quando

de, relacionada à qualidade do combus-

acessou o app, e o problema foi o teor de

tível, tenha cometido alguma fraude ou

biodiesel no diesel. “É bem complicado pa-

irregularidade. Porém, não é incomum

ra o revendedor honesto. O consumidor co-

que a não conformidade tenha sido ori-

mum só vai me ver como quatro estrelas

ginada na hora de transportar o produ-

e terá suspeita sobre a qualidade do meu

to ou no elo anterior da cadeia, na dis-

produto”, disse. Em um dos postos, houve

tribuidora, em razão de falhas na dosa-

coleta de diesel para análise 40 dias depois

gem de um dos componentes do com-

da mudança da regra da mistura do biodieCombustíveis & Conveniência 17


MERCADO

Mônica Serrano

Julio Cesar Nishida, superintendente de Fiscalização do Abastecimento, faz apresentação do app, ao lado de representantes do setor

sel no diesel, para 15%. “Quando mudou

Para ser mais coerente com a realidade

a norma, eu estava com o tanque cheio de

do setor, Alfredo Pinheiro Ramos, presi-

produto. Esse posto vende pouco diesel e

dente do Sindicombustíveis – PE, obser-

em função do biodiesel já estava formando

va que o app teria que mostrar a nota da

água. Se eu comprasse mais diesel para ter

distribuidora, não apenas do revendedor.

estoque, iria estragar o produto que está

Ramos contou que um de seus pos-

do tanque. O revendedor fica numa encru-

tos teve uma nota baixa, em função de

zilhada”, comentou.

uma análise de amostra do PMQC. Como

Ainda segundo Valdívia, mesmo com o

o resultado apresentou desconformida-

app, o consumidor busca preço mais barato.

de, o posto foi fiscalizado e, nessa eta-

Há 33 postos suspeitos com nota zero na re-

pa, a ANP não constatou nenhum pro-

gião de Campinas. “Se eu passar em fren-

blema. “Essa análise do PMQC foi con-

te desses postos vai ter fila. Nesse sentido, o

siderada na nota do posto. Nesse caso,

aplicativo falhou se o objetivo é oferecer lo-

estou sendo penalizado por um produ-

cais seguros”, avaliou.

to que não estava fora de especificação.

18 Combustíveis & Conveniência


A fiscalização da ANP constatou que o

disse, durante evento promovido pela Or-

produto estava conforme, eu não pode-

dem dos Advogados do Brasil do Rio de Ja-

ria ser penalizado com a redução da no-

neiro (OAB-RJ). Em relação ao critério da pontuação,

Ramos destacou que a amostra-teste-

quanto mais recente for a infração, pior é

munha do carregamento desse produto

a nota e, conforme vai passando o tempo,

deveria ter sido avaliada pelo laboratório,

para além de cinco anos, a nota vai sendo

fato que não ocorreu. “Se há uma descon-

zerada, exceto se o posto fizer algo grave

formidade numa amostragem, por que a

que cause uma revogação, por exemplo.

distribuidora de origem e o transportador

Como a pontuação considera as ações de

Divulgação Raízen

ta”, destacou.

não são sinalizados também? Por que a conta sempre sobra só para o revendedor na ponta?”, questionou. Para Ramos, o aplicativo deveria apontar quem realmente cometeu crimes e fraudes comprovadas, como postos lacrados por adulteração de combustíveis, bomba fraudada e sonegação fiscal. “Isso, sim, protegeria o consumidor”. APP EM EVOLUÇÃO Julio Cesar Nishida, superintendente de Fiscalização do Abastecimento da ANP, explicou que os dados dos postos inseridos para consulta no aplicativo foram compiencontravam disponíveis na base de dados abertos da Agência. “A parte da inovação está no georreferenciamento dos dados,

Cris Vicente Fotografia

lados pela ANP, mas as informações já se

já que o app também permite ao consumidor localizar os postos mais próximos”, Combustíveis & Conveniência 19


MERCADO

fiscalização e o PMQC, vale destacar que o

de de considerar os aspectos positivos do

monitoramento dos combustíveis tem me-

PMQC para aumentar a nota do posto. É

tade do peso da fiscalização.

importante que a Fecombustíveis e as en-

“É importante destacar que o aplicativo

tidades representativas do setor tragam a

está em evolução. Esta foi a primeira ver-

sua visão para que ele possa ser aperfeiço-

são do app. Temos avaliado a possibilida-

ado sem perder a sua essência”, disse. n

Federação questiona app A Fecombustíveis enviou um ofício para a ANP, em 4 de agosto, com alguns questionamentos a respeito do aplicativo. Entre os principais itens, a Federação destaca que o PMQC não possui caráter fiscalizatório e não gera autuações, conforme destaca a Resolução ANP nº 790/ 2019, sendo que o PMQC não constituirá atividade de fiscalização com base na Lei nº 9.847/1999, e os resultados obtidos não poderão ser utilizados para fins de aplicação das sanções administrativas. A preocupação da Fecombustíveis é com a falta de conhecimento da população, que poderá considerar os resultados do PMQC e das ações de fiscalização, sem diferenciação entre as atividades, podendo induzir o consumidor a interpretar uma não conformidade laboratorial como infração administrativa comprovada, especialmente quando a própria comunicação institucional do aplicativo se refere à data da ocorrência ao explicar a composição da nota.

20 Combustíveis & Conveniência

No mesmo documento, a Fecombustíveis ressalta que a Resolução ANP nº 790/2019, que disciplina o denominado Novo PMQC, prevê, em seu art. 23, que “[a] ANP divulgará, em sua página na internet, os resultados das análises conformes, individualizados por agente econômico e, em boletim próprio, os resultados consolidados do PMQC.” “Deixamos claro que a Fecombustíveis não se opõe ao aplicativo, mas defende que as informações sejam apresentadas de forma clara para não induzir o consumidor a erro, considerando que ele desconhece o funcionamento do setor. A ferramenta tem uma boa finalidade, porém pode gerar confusão ao não diferenciar uma fraude de uma não conformidade sem a intenção de lesar o consumidor. Além disso, as distribuidoras também deveriam receber uma pontuação, e não só os postos. Outro ponto de preocupação é a redução da pontuação do revendedor com base em registros do PMQC, programa que tem a finalidade de direcionar a fiscalização e não de autuar”, disse James Thorp Neto, presidente da Fecombustíveis.


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MERCADO

Divulgação Expopostos

Organização do evento tem como expectativa reunir 25 mil visitantes

ExpoPostos & Conveniência 2026 amplia espaço e oportunidades para a revenda Evento terá a mais completa edição, com os principais fornecedores do setor, que apresentarão as inovações em produtos e serviços, além de palestras com especialistas de renome no Fórum Internacional POR PAULO JOSÉ DE CARVALHO

A

companhar as inovações do

sões cada vez mais precisas sobre opera-

mercado deixou de ser uma

ção, atendimento e investimentos. É nes-

opção para o revendedor. Mu-

se cenário que a ExpoPostos & Conve-

danças na legislação, transformação digi-

niência 2026 prepara sua 22ª edição. O

tal e tendências de consumo exigem deci-

evento será realizado entre os dias 8 e 10

22 Combustíveis & Conveniência


de setembro, no São Paulo Expo, na capital paulista.

“Estamos preparando um evento que reúne negócios, inovação, conteúdo e networking

Com área de exposição de 30 mil m², que

em um único ambiente, conectando toda a ca-

representa expansão de 25% do espaço físi-

deia do mercado de combustíveis, conveniên-

co em comparação com a edição anterior, em

cia, food service e serviços. Será uma edição

2024, esta edição da feira demonstra a am-

marcada pela alta qualidade dos expositores,

plitude que o evento atingiu dentro da cadeia

pelo fortalecimento do conteúdo técnico e por

de combustíveis para as empresas apresenta-

uma experiência ainda mais dinâmica para visi-

rem produtos, serviços e soluções.

tantes e parceiros”, disse Tatiana.

De acordo com Tatiana Zaccaro, direto-

A feira de exposições contempla, além de

ra de negócios da GL Events, empresa orga-

equipamentos para postos de combustíveis, pro-

nizadora da ExpoPostos & Conveniência

dutos e serviços para lojas de conveniência e o se-

2026, esta edição será a maior de todas e re-

tor de lubrificantes. No total, o evento terá mais

presenta muito mais do que uma vitrine de

de 2 mil m² dedicados às lojas de conveniência,

fornecedores. A feira chega como um ponto

reunindo produtos, equipamentos, modelos de

de encontro para o empresário entender pa-

operação e experiências voltadas ao segmento.

ra onde o setor está caminhando e, princi-

“O visitante encontrará uma vitrine comple-

palmente, identificar o que pode ser aplica-

ta das principais soluções para o setor. Na feira

do ao próprio negócio.

estarão reunidas empresas de automação, tec-

“A ExpoPostos & Conveniência 2026

nologia, equipamentos, infraestrutura, com-

será a maior e mais completa edição da nos-

bustíveis, lubrificantes, conveniência, food ser-

sa história. Nossa expectativa é reunir 25 mil

vice e serviços especializados”, afirmou Tatiana.

visitantes, consolidando a ExpoPostos como

Para James Thorp Neto, presidente da Fe-

o maior encontro do setor na América Lati-

combustíveis, a expansão do espaço físico é re-

na”, destacou.

sultado do aperfeiçoamento contínuo da Ex-

O evento deverá atrair empresários, reven-

poPostos, que deverá se consolidar em mais

dedores, distribuidores, fornecedores, investi-

uma edição bem-sucedida. “Estamos aprimo-

dores e especialistas de todo o Brasil e do ex-

rando o evento cada vez mais, para atender

terior, criando ambiente propício para a gera-

à demanda do revendedor. Estamos com ex-

ção de negócios, atualização de conhecimen-

pectativa de grande sucesso para essa edição.

to e networking.

A Expopostos continua crescendo, com foco Combustíveis & Conveniência 23


MERCADO

Divulgação Expopostos

Fórum Internacional apresentará palestras, com temas diversificados, para ampliar o conhecimento e apresentar as tendências de mercado

em trazer palestrantes de renome no mercado

Combustíveis e de Conveniência (Abieps), a

nacional, inclusive internacional”.

inovação tecnológica se consolidará na edição de 2026 com a ampliação de negócios.

TECNOLOGIA COMO ALIADA NA REVENDA

“A expectativa é de forte concentração de

A inovação tecnológica será um dos princi-

lançamentos em quatro frentes, como au-

pais pilares na feira de negócios da ExpoPos-

tomação operacional, meios de pagamento,

tos & Conveniência 2026. Sistemas de ges-

conveniência/food service e gestão fiscal. Ha-

tão, automação, ferramentas digitais e solu-

verá ampliação da presença de soluções para

ções voltadas à eficiência operacional estão

automação, personalização do varejo e ino-

cada vez mais presentes na rotina dos estabe-

vação em food service, refletindo as princi-

lecimentos e devem ocupar espaço importan-

pais demandas dos revendedores”, disse ele.

te entre as novidades apresentadas.

Segundo Bazaga, a feira não se resumirá

Para Cristian Bazaga, diretor-presidente da

apenas à adoção de novas ferramentas, mas

Associação Brasileira das Empresas de Equi-

sim em mostrar ao revendedor como enten-

pamentos e de Serviços para o Mercado de

der onde a tecnologia pode reduzir custos,

24 Combustíveis & Conveniência


tão inteligente de estoques, precificação dinâ-

de e oferecer uma experiência melhor ao con-

mica, atendimento ao cliente por assistentes

sumidor. Em sua avaliação, pequenas diferen-

virtuais, personalização de promoções e auto-

ças de eficiência podem ter impacto significa-

mação de campanhas de marketing”, disse.

tivo no resultado.

De acordo com Bazaga, a evolução de fer-

“Devem ganhar destaque novos siste-

ramentas criadas com a tecnologia disruptiva

mas de gestão integrada para postos e lojas

permitirá também uma reestruturação dos ca-

de conveniência, equipamentos conectados

nais de atendimento e venda, possibilitando a

para monitoramento remoto, plataformas

interligação de atividades, como o atendimen-

de gestão de estoque em tempo real e fer-

to omnichannel. Durante a feira, serão apre-

ramentas voltadas à análise de dados ope-

sentadas soluções tecnológicas que podem

Divulgação Raízen

melhorar processos, aumentar a produtivida-

racionais e comerciais”, afirmou. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL Assim como em outros mercados, as ferramentas de inteligência artificial (IA) proporcionam uma nova fase para o setor, por meio da personalização e eficiência. Bazaga destacou que a inovação deixou de ser entendida como tendência, sendo incorporada no dia a dia, aumentando a praticidade. Atualmente, as ferramentas de IA fazem parte do gerenciamento inteligente de dados na revenda, como estoque, preço, além de analisar informações para o setor de marketing, impulsionando a produtividade. “A inteligência artificial já deixou de ser uma tendência futura para se tornar uma ferramenta prática de aumento de produtividade no varejo. Na ExpoPostos, devem se destacar soluções de IA para previsão de demanda, gesCombustíveis & Conveniência 25


MERCADO

aprimorar atividades, como o treinamento de

diversificadas, que são imprescindíveis para a

pessoal e a avaliação de hábitos de consumo.

revenda. “A ExpoPostos & Conveniência re-

“Outra frente relevante será o uso da IA ge-

presenta uma grande oportunidade para o re-

nerativa para atendimento omnichannel, trei-

vendedor trocar experiências e absorver con-

namento de equipes, geração automática de

teúdos. Teremos a participação de palestrantes

conteúdos promocionais e análise preditiva do

renomados em várias áreas de conhecimento,

comportamento do consumidor”, apontou o

como gestão, recursos humanos e operacio-

diretor-presidente da Abieps.

nal”, apontou Thorp, da Fecombustíveis. Além do Fórum Internacional, a Expo-

MAIS DE 40 PALESTRAS Além da feira de negócios, a ExpoPostos & Conveniência vai atrair público para

Postos conta com outro espaço de palestras dentro da feira de exposições, a Arena do Conhecimento. n

o Fórum Internacional, que terá mais de 40 palestrantes, os quais apresentarão as ten-

EXPOPOSTOS & CONVENIÊNCIA 2026

dências e os desafios que devem influenciar o mercado nos próximos anos. “O Fórum trará uma programação de al-

Data: 08, 09 e 10 de setembro de 2026 Horário da Feira:

13h até 21h

to nível, com debates sobre tendências de

Horário do Fórum Internacional:

mercado, economia, inovação, gestão, lide-

8h30 até 13h30

rança, transformação digital, novas oportu-

Local:

nidades de negócios e os desafios que im-

Endereço:

pactam diretamente o futuro da revenda de

1,5 Km - Vila Água Funda, São Paulo.

São Paulo Expo Rodovia dos Imigrantes,

combustíveis”, enfatizou Tatiana. Entre os principais nomes confirmados es-

Credenciamento antecipado para a

tão o economista Alexandre Schwartsman,

feira: Gratuito até 06/09/2026

o navegador Amyr Klink, Brian Gray, diretor-

Credenciamento somente para a

executivo de varejo de mobilidade global da

feira após 06/09: R$ 50,00

Accenture, o especialista em Inovação e Transformação Digital, Walter Longo, entre outros. O evento representa oportunidade para o revendedor ampliar o conhecimento, em áreas 26 Combustíveis & Conveniência

Confira a programação: https://expopostos.com.br/forum


AGENDA

Setembro ExpoPostos & Conveniência

Data: 8 a 10 Local: São Paulo (SP) Realização: Fecombustíveis e Abieps Informações: (21) 2221-6695

Conexão Sindi Pará Data: 24

Local: Marabá (PA) Realização: Sindicombustíveis - PA Informações: (91) 3224-5742/ 3241-4473

Outubro NACS Show

Data: 6 a 9 Local: Las Vegas - EUA Realização: NACS Informações: www.nacsshow.com

Revenda Conectada

Data: 21 e 22 Local: Petrolina (PE) Realização: Sindicombustíveis - PE Fone: (81) 3227-1035

Encontro dos Revendedores de Combustíveis do Nordeste Data: 29 e 30 Local: Natal (RN) Realização: Sindipostos – RN e demais sindicatos da região Nordeste Fone: (84) 3217-6076

Novembro Conexão Sindi Pará Data: 12

Local: Santarém (PA) Realização: Sindicombustíveis - PA Informações: (91) 3224-5742/ 3241-4473

Comemoração 50 anos Data: 28

Local: Santarém (PA) Realização: Sindicombustíveis - PA Informações: (91) 3224-5742/ 3241-4473 Combustíveis & Conveniência 27


REPORTAGEM DE CAPA

Gestão de colaboradores ainda é um desafio para postos de combustíveis O processo de contratação e retenção de funcionários é um dos principais desafios dos postos revendedores de combustíveis. Além da alta rotatividade e dos custos decorrentes de treinamento e desligamentos, novas obrigações (como a NR-1 e a possível mudança na jornada de trabalho) tendem a aumentar a complexidade da gestão de pessoas POR ROSEMEIRE GUIDONI

Marcelo Camarco/ Aagência Brasil

Turnover de atendentes e frentistas pode chegar a 50% ao ano em diversos estados

28 Combustíveis & Conveniência


E

mbora dados oficiais sejam escassos, o

meçou a aparecer já antes da pandemia da Co-

setor de postos revendedores de com-

vid-19, em 2020.

bustíveis no Brasil tem um dos maiores

“Aqui na região, a ‘bola da vez’, que aumen-

índices de turnover do comércio varejista. Segun-

tou a escassez de mão de obra, há alguns anos,

do Klaiston Soares D’ Miranda, advogado traba-

foi o Porto de Suape. Muitos trabalhadores da

lhista e sindical e consultor jurídico da Fecombus-

região metropolitana de Recife migraram para

tíveis, a rotatividade média entre frentistas e ope-

lá, em função de melhores salários. Depois dos

radores é de 45% a 65% ao ano (ante a média

escândalos (decorrentes da Operação Lava Jato),

nacional de cerca de 35% em outros segmentos).

grande parte destes profissionais (embora te-

“As principais causas são os baixos salários, jor-

nham sido dispensados), não quis voltar a tra-

nadas exaustivas, exposição a riscos físicos e quí-

balhar em posições no varejo, como frentistas”,

micos e estresse elevado”, pontuou, mencionan-

contou. “Com a pandemia e o crescimento dos

do que o tempo médio de permanência de um

serviços de delivery, a falta de mão de obra se

colaborador no posto varia entre seis e 12 meses.

tornou ainda maior para o segmento, pois mui-

“Em estudos focados no varejo de conve-

tas pessoas acabaram optando por esse tipo de

niência e pista, como os levantamentos da

trabalho, em função de flexibilidade de horário e

Associação Brasileira de Franchising (ABF), o

possibilidade de maiores ganhos”, relatou.

turnover de atendentes e frentistas pode che-

Segundo Diogo Locatelli, especialista em ges-

gar a 50% ao ano em diversos estados”, com-

tão e treinamento e criador do método Frentista

plementou Márcia Godoy Lavelle, coordenado-

4.0, quando o frentista enxerga apenas um em-

ra jurídica da Golden Medic, assessoria e con-

prego, qualquer pequena diferença financeira

sultoria em medicina do trabalho, empresa par-

de salário pode levá-lo para outro lugar. Quando

ceira do sindicato de postos de combustíveis do

ele percebe a possibilidade de desenvolvimento,

município do Rio de Janeiro (Sindcomb).

reconhecimento, pertencimento e crescimento,

Essa alta rotatividade, aliada à dificuldade de

sua relação com a empresa muda. “É justamen-

contratação, vem sendo um problema recorren-

te por isso que tenho defendido, há anos, a pro-

te do setor, em diferentes regiões do país. Em

fissionalização da função”, disse.

Pernambuco, por exemplo, Luiz Ricardo Guerra, coordenador jurídico do sindicato que represen-

SELF-SERVICE SERIA UMA ALTERNATIVA?

ta a revenda no estado, destaca que o proble-

Atualmente, o dilema da revenda persiste

ma vem se acentuando há alguns anos, mas co-

em diversas regiões do país. Contratar, treinar e Combustíveis & Conveniência 29


REPORTAGEM DE CAPA

depois arcar com as despesas de desligamento

Essa visão é compartilhada por Fernando Silva,

e nova contratação representa um custo impor-

gerente de Recursos Humanos (RH) do Grupo

tante para as empresas do setor. A reportagem

Rodocamp, que tem cinco postos revendedores

da Combustíveis & Conveniência consultou

no interior paulista, com cerca de 200 colabora-

alguns revendedores, das cidades de São Pau-

dores, e criador da Escola do Frentista, um ca-

lo e Rio de Janeiro, que confirmaram a existên-

nal virtual voltado à capacitação de profissionais

cia dessa dificuldade. “Temos grande dificulda-

para o segmento de revenda. “O mercado mu-

de em contratar funcionários e, muitas vezes,

dou e acredito que, em algum momento, o au-

pouco após o treinamento, eles se desligam da

toatendimento será permitido, mas penso que

empresa. Com exigências cada vez maiores, fi-

o caminho para os postos será a adoção de um

ca cada vez mais difícil para o empregador. Fa-

modelo híbrido. O papel do frentista no atendi-

lamos em riscos psicossociais dos trabalhado-

mento é um diferencial importante”, destacou.

res, mas essa situação também causa ansieda-

O cenário é semelhante para as lojas de con-

de, estresse e preocupação por parte das em-

veniência, segmento no qual já existe automação

presas, além de custos”, disse uma revendedo-

(seja para o cliente fazer pedidos e pagamentos,

ra que preferiu não se identificar.

seja para controles de estoque ou até mesmo pa-

Mas os relatos são semelhantes, tanto é que

ra a compra sem a necessidade de um atendente).

o debate sobre a autorização do self-service pa-

Na prática, porém, essas ferramentas só reduzem

ra postos de combustíveis no Brasil, sistema

a necessidade de um número maior de funcioná-

proibido por lei desde 2000, voltou à tona.

rios, mas não eliminam a presença humana. Afi-

No entanto, as opiniões são divergentes sobre

nal, quem vai fazer a reposição dos estoques, sepa-

sua efetividade como solução para questões de

rar as mercadorias conforme o tipo e características

mão de obra. “Primeiro, consideramos que o con-

distintas de armazenamento (por exemplo, no ca-

sumidor brasileiro ainda não está pronto para isso.

so de itens que precisam de refrigeração ou free-

Segundo, mesmo que o self-service seja permitido,

zer), avaliar se existem produtos vencidos ou próxi-

quem fará as vendas na pista? O posto ainda preci-

mos ao prazo de validade, entre outras atividades?

sará de colaboradores para diversas funções, como

Importante lembrar que as lojas de conve-

para a coleta de amostra-testemunha, para acom-

niência são anexas ao posto e, jurídica e opera-

panhamento da descarga de produtos, para rece-

cionalmente, fazem parte do mesmo estabeleci-

ber a fiscalização ou mesmo para resolver even-

mento para fins trabalhistas e de Saúde e Segu-

tuais problemas de clientes”, disse Guerra.

rança do Trabalho (SST).

30 Combustíveis & Conveniência


Tania Rego / Agência Brasil Frentistas também ajudam a divulgar campanhas promocionais e são vendedores de pista, sendo responsáveis pela cultura e imagem da empresa

Como em diversos outros segmentos da eco-

formar o posto em um ambiente de conveniência,

nomia, a automação contribui para a gestão, ajuda

relacionamento, serviços e experiência, o profissio-

na consolidação de dados e nas mais diversas análi-

nal continua tendo enorme importância. Um bom

ses (como comportamento de consumo do cliente,

profissional de pista não vende apenas combustí-

controle de informações dos colaboradores, como

vel, ele identifica oportunidades”, observou.

escala de horários, férias, folgas e licenças, entre outros), mas não substitui o olhar humano, que é

DIFICULDADE COM NOVAS REGRAS E

capaz de interpretar os registros e tomar decisões.

MUDANÇA DE JORNADA

“O setor sempre vai demandar mão de obra

A Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que foi

qualificada, mesmo com automação e outras fer-

atualizada em 2025, com prazo de um ano pa-

ramentas que melhorem a produtividade. Uma im-

ra adaptação, e passou a ser fiscalizada em maio

portante fatia do faturamento dos postos vem dos

deste ano, tende a ser mais uma questão com a

consultores de pista”, disse Silva.

qual o setor precisa lidar.

Também favorável à inovação e à tecnologia,

A norma estabelece (para todas as empresas,

Locatelli pondera os riscos quando se enxerga o

não apenas para postos, e de qualquer porte) a

self-service como uma maneira de substituir pes-

necessidade de cuidados com a saúde mental do

soas da operação. “Precisamos fazer uma pergun-

trabalhador. Isso implica diversas obrigações e

ta anterior: qual é o papel que queremos para o

responsabilidades por parte do empregador (ve-

posto de combustíveis do futuro? Se o posto quiser

ja Box). O objetivo é evitar que os profissionais

ser apenas um lugar onde o consumidor para, co-

desenvolvam quadros de burnout, cansaço crô-

loca combustível e vai embora, a automação natu-

nico, ansiedade, dentre outras doenças que po-

ralmente ganha espaço. Mas, se queremos trans-

dem ser relacionadas ao ambiente de trabalho. Combustíveis & Conveniência 31


REPORTAGEM DE CAPA

Olhando por este viés, a perspectiva do fim

vem identificar os riscos psicossociais no ambiente

da jornada 6x1 e substituição por outros mode-

de trabalho e implementar medidas de prevenção.

los, cujo objetivo divulgado pelo governo seria

Quando um funcionário trabalha 12 horas em um

preservar o tempo de descanso do trabalhador,

posto e, nas horas de ‘descanso’, exerce outra ati-

caminha ao mesmo lado da NR-1. No entanto,

vidade, o período de recuperação fisiológica e psi-

na prática, a possível mudança pode se tornar

cológica simplesmente não existe”, alertou.

mais um dificultador.

O advogado destacou que existem conse-

“Como alternativa para atender à mudança

quências diretas disso, como fadiga crônica

de jornada, muitos postos (nas localidades onde

e privação de sono (fator comprovado de ris-

existe convenção coletiva que permita isso) estão

co para acidentes), síndrome de burnout, an-

adotando a jornada 12x36, ou seja, o colabora-

siedade e depressão (doenças ocupacionais re-

dor trabalha 12 horas seguidas e folga nas 36 se-

conhecidas) e risco de aumento de erros ope-

guintes. Embora isso seja uma boa solução para

racionais, potencializados pelo fato de ser um

os postos, na prática o que ocorre é que, nas 36

ambiente com inflamáveis e equipamentos pe-

horas que deveriam ser reservadas para descanso,

rigosos. “Se a responsabilidade civil do empre-

os profissionais passam a exercer outros trabalhos

gador for confirmada, todas essas questões po-

sem vínculo, como motorista de aplicativo ou en-

dem ser potencializadas”, observou.

tregador”, explicou Jéssica Cristina Lima, advoga-

De toda forma, D’Miranda explicou que o

da coordenadora da área trabalhista do escritório

empregador não pode exigir exclusividade, mas

GHBP, que presta consultoria ao Recap (sindicato

deve considerar que o acúmulo de atividades

que representa a revenda de Campinas e região).

torna o funcionário mais vulnerável. “A NR-1

“Ou seja, esses profissionais trabalham 12

diz, no item 1.5.7.3, que a empresa empregado-

horas no posto e no intervalo em que deveriam

ra deve avaliar os riscos psicossociais no contex-

descansar assumem um segundo trabalho, para

to do trabalho, mas se souber que o empregado

compor a renda. Então existe, sim, um risco de fa-

tem outra atividade extenuante e não age pa-

diga, causada pelo excesso de trabalho, que pode

ra mitigar riscos, pode haver concausa”, alertou.

se relacionar às exigências da NR-1”, completou. De acordo com D’Miranda, da Fecombustíveis,

RESPONSABILIDADE LEGAL DO EMPREGADOR

realmente a questão esbarra diretamente na NR-1

Para os especialistas no tema, a sobreposição

e nos princípios de saúde ocupacional. “A NR-1

de jornadas exaustivas realmente esbarra dire-

(no item 1.5) determina que as organizações de-

tamente na discussão sobre riscos psicossociais.

32 Combustíveis & Conveniência


“A falta de descanso real nas 36 horas livres, ou

der de fiscalização sobre o que o funcionário faz

qualquer outro período intrajornada, impede

em suas horas de descanso legal”, explicou.

a recuperação física e mental, aumentando as

Em sua avaliação, é evidente que o acúmu-

chances de estresse crônico, que podem causar

lo de atividades eleva o risco de esgotamento e

ansiedade e burnout, mas a responsabilidade le-

doenças ocupacionais, embora a responsabili-

gal da empresa principal possui limites práticos e

dade legal divida-se entre os limites da empresa

jurídicos”, disse Márcia, da Golden Medic.

formal e a autonomia do trabalhador. “A em-

Segundo ela, a atualização da NR-1 obriga as

presa que contrata na escala 12x36, por exem-

organizações a gerenciarem fatores de risco psi-

plo, cumpre a lei ao garantir as 36 horas de des-

cossociais, como sobrecarga e estresse ocupacio-

canso previstas. Ela responde pelo clima e exi-

nal, mas existe também a questão da limitação do

gências do próprio posto de trabalho, mas não

empregador. “A empresa é legalmente responsá-

possui poder de polícia sobre o tempo livre do

vel pelas condições do ambiente de trabalho que

trabalhador”, ponderou, lembrando que a le-

ela própria oferece, não tendo governança ou po-

gislação brasileira permite mais de um emprego

Central de vendas (19) 2101-7833 Combustíveis & Conveniência 33


REPORTAGEM DE CAPA

ou atividade, desde que os horários oficiais não

a recomendação é de que o gestor faça ajustes

coincidam, transferindo para a esfera pessoal o

para reduzir riscos de acidentes, que muitas ve-

desafio do limite físico/mental de cada um.

zes são causados por privação de sono e cansa-

Diante da perspectiva de riscos, Márcia alerta

ço”, ressaltou.

que a postura do posto revendedor deve ser pre-

Além disso, é importante que o gestor perce-

ventiva, focada nos fatores internos. “O empre-

ba que o recebimento constante de reclamações

gador não pode controlar a vida pessoal do traba-

sem suporte e a prática de descontos salariais in-

lhador, mas deve blindar juridicamente o seu ne-

devidos são gatilhos que agravam a saúde men-

gócio, garantindo que o ambiente do posto não

tal, sendo classificados pela NR-1 como fatores de

atue como um agravante”, orientou (veja Box).

risco psicossocial.

“Como o posto não pode proibir legalmente o

No aspecto de gestão, Locatelli alerta que é

funcionário de ter outra atividade nas horas livres,

necessário ter cuidado para não transformar qual-

o foco deve ser o controle do ambiente interno e

quer cobrança ou meta em risco psicossocial. To-

a detecção precoce do esgotamento”, observou.

da empresa precisa de resultado, e trabalhar com

Conforme sua orientação, a solução para mi-

metas faz parte de uma operação saudável.

nimizar o risco de acidentes e problemas de saú-

“Existe uma diferença enorme entre meta e

de mental envolve uma atuação conjunta entre a

ameaça; cobrança e humilhação; acompanha-

empresa, a medicina do trabalho, ações educati-

mento e perseguição; liderança e autoritarismo”

vas, a Comissão Interna de Prevenção de Aciden-

disse, ressaltando a necessidade de preparação

tes e de Assédio (CIPA), a promoção de uma cul-

da liderança.

tura de segurança e uma gestão jurídica de risco.

Locatelli destaca situações que merecem

“A orientação é de que o posto mantenha

atenção para evitar desgastes, que podem levar

em dia o controle da saúde dos colaboradores

a fatores de risco psicossociais: conflitos constan-

por meio da Medicina do Trabalho (PCMSO),

tes entre liderança e equipe, exposição pública

invista em ações educativas e de conscientiza-

de erros, comunicação agressiva, falta de clareza

ção, e promova uma cultura de segurança, in-

nas funções, escalas mal organizadas, sobrecar-

centivando o frentista a comunicar a gerência

ga provocada por equipes incompletas, ausência

caso se sinta incapaz de operar a pista com se-

de pausas adequadas, sensação permanente de

gurança em determinado dia — aliás, não é in-

insegurança, dificuldade para lidar com clientes

comum que o profissional tenha receio de pu-

agressivos e cobrança por resultados sem treina-

nição ao comunicar esse tipo de problema, mas

mento ou ferramentas para alcançá-los.

34 Combustíveis & Conveniência


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REPORTAGEM DE CAPA

DISCUSSÃO SOBRE MUDANÇA

pacto para as empresas pode ser de elevação

DE JORNADA CONTINUA

de custos em até 18%, índice que será difícil de

O fim da chamada escala 6x1, com seis dias de

atender sem redução da quantidade de colabo-

trabalho e um de folga por semana, segue em dis-

radores ou mudanças nas estratégias comerciais.

cussão no Senado. No final de julho, a expectativa

Além do custo aumentado, para os postos que

de alguns senadores, de acordo com informações

operam 24 horas, a mudança também represen-

da Agência Senado, era de que a PEC 221/2019

ta mais um desafio de gestão: encaixar a jorna-

fosse votada após o fim do recesso no período.

da de todos os trabalhadores dentro da escala do

Além de acabar com a escala 6x1, a proposta

posto, obedecendo regras específicas, como dia

reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas

de descanso. Atualmente, a depender da conven-

semanais, sem redução de salários.

ção coletiva local, os colaboradores devem ter um

O tema é polêmico e afeta, principalmente,

dia de descanso semanal, sendo que ao longo do

estabelecimentos que funcionam 24 horas ou

mês, pelo menos um deles deve ser aos domin-

em horário estendido, incluindo finais de sema-

gos. Em algumas localidades, para as mulheres,

na e feriados. No Senado, o líder da oposição,

existe obrigatoriedade de conceder o descanso

senador Rogério Marinho (PL-RN), defendeu o

pelo menos dois domingos por mês.

amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral.

Vale lembrar que, para os postos revendedores, o horário mínimo obrigatório de funciona-

Já para o senador Paulo Paim (PT-RS), um

mento, segundo a Resolução nº 41/2013 da ANP,

dos principais defensores da proposta, o deba-

é das 6h às 20h, de segunda a sábado. Ou se-

te sobre a redução da jornada não “pertence”

ja, com a possível mudança de jornada, mesmo

ao governo, à oposição e nem aos partidos po-

sem o funcionamento 24 horas, praticamente to-

líticos, e sim ao povo. “Tenho muita esperança

dos os estabelecimentos precisarão fazer ajustes

de que a PEC seja votada no mês de agosto,

na escala de funcionários. Hoje, sem a mudança

porque, com certeza, o trabalhador brasileiro

da regra, essa já é uma tarefa bastante complexa,

sabe que não vai nadar, nadar e morrer na bei-

pois exige a organização de um verdadeiro “que-

ra da praia. Espero que esta Casa compreenda

bra-cabeças” para que existam funcionários dis-

a dimensão histórica dessa decisão”, defendeu.

poníveis em turnos de maior procura por consu-

Caso a mudança seja aprovada, de acordo

midores, sem sobrecarregar ninguém, mas sem-

com estudos da Confederação Nacional do Co-

pre garantindo o atendimento, mesmo em horá-

mércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o im-

rios de menor demanda.

36 Combustíveis & Conveniência


REPORTAGEM DE CAPA

Na visão dos consultores jurídicos do setor, as

Sobre planos de incentivo, Silva não se refe-

possíveis alternativas para evitar elevação de custos

re somente a premiações por cumprimento de

com mão de obra seriam a redução da operação

metas (que podem ser concedidas em situações

para o mínimo obrigatório (no caso de estabeleci-

específicas, desde que estejam dentro do plane-

mentos que funcionam 24 horas), a contratação

jamento financeiro da empresa). “Por exemplo,

de profissionais folguistas ou a mudança para a jor-

já fizemos uma parceria com uma universidade

nada 12x36 — que esbarra nos problemas relacio-

da região que concedeu desconto de 70% nas

nados a como o colaborador usa o seu tempo livre,

mensalidades para nossos colaboradores. Tam-

que não necessariamente pode ser para descanso.

bém oferecemos Gympass, que é um plano cor-

A terceirização de colaboradores (folguistas) é

porativo que permite que os usuários tenham

considerada uma alternativa, mas é importante

acesso a academias associadas e a alguns servi-

lembrar que esse tipo de contratação não exime os

ços de bem-estar”, ilustrou Silva.

postos de responsabilidades.

Na avaliação do especialista, esse tipo de estratégia faz muita diferença no comprometimen-

MUDANÇA DE POSTURA DO GESTOR

to dos funcionários, que passam a enxergar que a

PODE SER INVESTIMENTO

empresa valoriza seus colaboradores.

Apesar das dificuldades com contratação e

Juntamente com a gestão, existe uma mudan-

gestão de funcionários, o olhar diferenciado do

ça de comportamento do próprio trabalhador e

gestor em relação aos colaboradores pode ser

da sua relação com o trabalho. “Hoje, o profissio-

não apenas um diferencial, mas também uma es-

nal não busca somente remuneração. Ele obser-

tratégia para minimizar ou eliminar o problema. A

va ambiente, liderança, escala, reconhecimento,

opinião é de Silva, da Escola do Frentista e gerente

possibilidade de crescimento, clareza sobre o que

de RH do Grupo Rodocamp (que, com essa visão,

a empresa espera dele e, principalmente, a for-

conseguiu reduzir a rotatividade de mão de obra

ma como é tratado. Nas minhas visitas aos pos-

de 27% no ano passado para 25% neste ano).

tos, percebo uma diferença muito grande entre

“Um bom líder deve não somente investir em

operações que simplesmente contratam pessoas

treinamentos, mas saber valorizar o profissional. E

e operações que realmente integram, desenvol-

isso pode envolver uma série de estratégias, que

vem e acompanham essas pessoas. Muitas vezes,

vão desde a oferta de planos de incentivo até a

o funcionário chega, recebe o uniforme, apren-

escuta ativa, oferecendo liberdade para que o co-

de rapidamente onde ficam os equipamentos e

laborador expresse suas opiniões, ofereça ideias e

já vai para a pista”, observou Locatelli. Segundo

possa se sentir reconhecido”, comentou.

ele, pouco se fala sobre cultura, propósito, padrão

38 Combustíveis & Conveniência


de atendimento, possibilidades de crescimento ou sobre a importância daquele profissional para o resultado do negócio. “Por isso, acredito que precisamos ampliar a discussão. Existe a questão salarial? Claro. Mas existe também uma questão de gestão. Não basta contratar melhor; precisamos aprender a receber, desenvolver, acompanhar e reter”, destacou. Outra iniciativa importante, segundo Silva, é identificar os talentos e mostrar que é possível que tenham uma perspectiva de carreira. “Dos 16 gerentes que temos atualmente no Grupo, 13 deles começaram como frentistas. Eu mesmo comecei como frentista e me especializei, e hoje respondo por toda a área de recursos humanos”, disse. “E o treinamento não se encerra no frentista; treinar as lideranças é essencial, pois são os líderes que vão lidar com conflitos e demandas, que vão identificar os perfis distintos de cada funcionário e entender seus momentos na carreira ou mesmo na vida pessoal”. n

NR-1: obrigações e cuidados que o empregador deve adotar As ações práticas que compõem uma postura correta dividem-se em alguns pilares fundamentais, segundo orientações de Márcia Godoy Lavelle. 1. Adequação da Gestão de Riscos (GRO/PGR): o posto deve incluir formalmente os riscos psicossociais em seu Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), mapear os fatores inerentes à pista, não esquecendo questões relacionadas ao turno noturno em isolamento, o risco de assaltos e a pressão por metas. 2. Avaliação ergonômica preliminar: é importante para avaliar a carga de trabalho cognitiva dos frentistas, embora lembrando que a escala 12x36 já oferece, por si só, o tempo de descanso legal e adequado exigido pela Consolidação das Leis Trabalhistas. 3. Monitoramento de sintomas na pista e treinamento de lideranças: é necessário capacitar seus gerentes para identificar sinais claros de fadiga extrema ou esgotamento, tais como: erros frequentes no caixa, lentidão excessiva, irritabilidade ou isolamento. 4. Mitigação dos riscos internos da operação e segurança física: a recomendação é instalar câmeras bem posicionadas, garantir boa iluminação e reforçar protocolos contra assaltos, pois sabe-se que a sensação de insegurança é um dos maiores gatilhos de estresse psicossocial no setor de combustíveis. 5. Organização do trabalho: planejar pausas regulares para hidratação durante o calor e evitar a sobrecarga de atendimento acumulada em um único funcionário nos horários de pico. 6. Proteção jurídica e documentação mantendo o histórico de saúde ocupacional: é fundamental manter os exames médicos periódicos atualizados. Caso o médico do trabalho identifique indícios de burnout decorrentes de dupla jornada, o posto deve formalizar que cumpre rigidamente as pausas internas, eximindo-se do nexo causal exclusivo 7. Promoção de ações de conscientização: realizar palestras na SIPAT sobre a importância do sono e os perigos da privação de descanso para a segurança na manipulação de inflamáveis, mostrando como o cansaço diminui os reflexos e aumenta o risco de explosões ou erros de abastecimento. 8. Cultura de segurança: os colaboradores não podem ter receio de punições ao informar que, em determinados dias ou situações, não se sentem seguros a executar algumas funções. É melhor fazer ajustes de rotina, evitando que funcionários visivelmente cansados operem em posições de maior risco em horários de pico. Além disso, é essencial promover pausas estruturadas, garantindo que o intervalo intrajornada (almoço/janta) e pequenas pausas para hidratação sejam cumpridos rigorosamente, fornecendo um local adequado e confortável para descanso dentro do posto. Essa é uma responsabilidade primordial e muito cobrada em fiscalizações e também judicialmente. 9. Manter uma gestão jurídica de riscos com registro de treinamentos: é recomendado coletar assinaturas em listas de presença de todas as palestras que alertem sobre saúde mental, descanso e riscos da fadiga e investigação de incidentes. Além disso, se ocorrer um erro operacional, como errar o combustível ou esquecer de aterrar um caminhão, é preciso investigar se a causa raiz foi a fadiga, gerando um relatório interno que serve como base para o plano de ação da NR-1.

Combustíveis & Conveniência 39


CONVENIÊNCIA CONVENIÊNCIA

Divulgação ExpoPostos

Neste ano, deve ganhar destaque a integração entre tecnologia e operação, os novos formatos de loja e as soluções de autoatendimento

Conveniência amplia relevância na ExpoPostos Tanto na feira quanto no Fórum Internacional, o revendedor terá amplo espaço para repensar o modelo de conveniência, com as novidades e diferentes tipos de ferramentas tecnológicas para deixar a operação cada vez mais eficiente POR ISABELA PALMEIRA

A

ExpoPostos & Conveniência

loja de conveniência está deixando de ser

2026 trará novas oportunida-

apenas um complemento do abastecimento

des de negócios e apresentará

para se tornar um negócio com identidade e

tendências de consumo e soluções tecno-

relevância próprias. A mudança também se

lógicas que devem impulsionar o mercado

reflete no espaço cada vez maior da conve-

de conveniência.

niência no evento, acompanhando a impor-

De acordo com Renata Sahd, gerente de produtos da GL Events Exhibitions Brasil, a 40 Combustíveis & Conveniência

tância que a atividade vem ganhando para o negócio do revendedor.


“Vemos uma combinação muito forte de tecnologia, food service, experiência do con-

rar margens e oferecer uma experiência mais adequada ao consumidor.

sumidor, personalização e eficiência operacio-

Além da feira, o evento abrange a 17ª edi-

nal. O revendedor está olhando cada vez mais

ção do Fórum Internacional, com estimativa

para indicadores, rentabilidade por categoria,

de público de 1,6 mil pessoas, que reunirá es-

redução de desperdícios e fidelização. A con-

pecialistas do Brasil e do exterior em palestras,

veniência do futuro será mais inteligente na

com apresentação de casos sobre temas, ten-

gestão e muito mais orientada pelo compor-

dências e transformações que impactam o se-

tamento do consumidor”, analisou Renata.

tor de combustíveis e de conveniência.

Ela considera que a visita à feira de ne-

A programação dedicada à conveniên-

gócios permite ao revendedor avaliar as-

cia foi criada com o objetivo de conectar as

pectos objetivos da própria operação, co-

tendências globais aos desafios do setor, in-

mo eficiência, tíquete médio, composição

corporar referências e práticas adotadas em

do mix, redução de perdas e recorrência

outros mercados e trazer conteúdos com

dos clientes. O contato direto com solu-

aplicação prática no dia a dia das lojas. À

ções e tendências também pode trazer re-

frente da curadoria do Fórum desde 2015,

ferências práticas e oportunidades de rápi-

Giselle Valdevez considera que a loja vive

da implementação no negócio.

um período de transformação, consolidan-

Entre as inovações que devem ganhar destaque na área de conveniência estão a integra-

do-se como destino de alimentação, hospitalidade e serviços.

ção entre tecnologia e operação, os novos for-

“O nosso foco foi ir muito além de deba-

matos de loja, as soluções de autoatendimen-

ter tendências. A prioridade foi garantir que

to, os equipamentos mais eficientes e a evolu-

o empresário e o executivo do setor saiam do

ção do food service. Na área de tecnologia, se-

evento com subsídios práticos e acionáveis,

rão apresentadas soluções em diferentes fren-

informações e insights estratégicos que per-

tes, desde gestão e automação aos meios de

mitam entender os próximos passos, adaptar

pagamento, controle de estoque e análise de

o que for preciso e elevar o patamar e a ren-

dados. Renata ressalta que a integração dessas

tabilidade do negócio de conveniência”, afir-

informações pode ajudar o revendedor a co-

mou Giselle, que também é membro do Con-

nhecer melhor a operação e o cliente, melho-

selho Global de Engajamento da Indústria, da Combustíveis & Conveniência 41


CONVENIÊNCIA

Associação Nacional de Lojas de Conveniência dos Estados Unidos (NACS).

No debate sobre tecnologia, Brian Gray, diretor-executivo de varejo de mobilidade

Entre os destaques do Fórum está o painel

global da Accenture, vai fazer uma análise

sobre foodvenience, conceito que une food

do que de fato gera resultados com o uso da

service e conveniência e que vem ganhando

inteligência artificial no varejo de conveniên-

espaço diante das mudanças nas rotinas de

cia, tema de sua palestra “Além do hype: en-

consumo. O debate reunirá representantes

tregando valor real com IA”. Ele vai abordar

de grandes redes brasileiras para discutir co-

as aplicações da tecnologia na experiência do

mo a alimentação pode contribuir para trans-

consumidor, nas operações das lojas e na for-

formar a loja em um destino para o consumi-

ça de trabalho, buscando diferenciar o que

dor e gerar maior fluxo de clientes. A propos-

já apresenta resultados do que ainda está no

ta envolve ampliar as ocasiões de consumo

campo das expectativas.

ao longo do dia, com alternativas que vão do

Walter Longo, especialista em inovação e

café da manhã e refeições rápidas a lanches

transformação digital, apresentará, na pales-

e opções para viagem, incluindo alimentos

tra “Protagonismo nos negócios: como am-

frescos, itens preparados na loja e soluções

pliar a chance de sucesso”, os impactos das

grab & go. Além de aumentar frequência e

transformações provocadas pelo digital na re-

tíquete médio, Giselle aponta o food service

lação entre posto, loja de conveniência e con-

como uma estratégia de diferenciação dian-

sumidor. Nesse cenário, ele considera que as

te da concorrência de outros formatos, como

empresas precisam ir além da preocupação

redes de alimentação rápida, delivery e mer-

em apenas utilizar “armas digitais”.

cados de proximidade.

“A IA abre um campo para tornar a relação

As diferenças de comportamento entre ge-

mais individualizada com cada cliente e aten-

rações também terão espaço no Fórum. A

der de maneira mais rápida e eficiente, levan-

NielsenIQ vai apresentar um raio-X dos hábi-

do informações que possam gerar um relacio-

tos e preferências das gerações X e Z nas lo-

namento”, analisou Longo.

jas de conveniência, com dados sobre como

Treinamento e retenção de profissionais

esses públicos se relacionam com o canal e os

qualificados estarão no centro do painel de-

reflexos no mix de produtos, na comunicação

dicado aos desafios de mão de obra e ges-

e nas estratégias de atração e fidelização des-

tão de pessoas. Para Giselle, qualidade do

se público.

atendimento e eficiência operacional são di-

42 Combustíveis & Conveniência


Divulgação ExpoPostos

Giselle Valdevez, curadora do Fórum, considera que a conveniência vive um período de transformação

ferenciais que se refletem diretamente na

categorias de produtos das lojas, passando

experiência do cliente.

por desempenho, comportamento do con-

Além do Fórum, a conveniência também

sumidor, desafios operacionais e perspec-

terá uma programação específica na Arena

tivas para o setor. Os debates vão anali-

do Conhecimento, espaço instalado den-

sar a relevância dessas categorias a partir

tro da feira destinado a apresentações de

de diferentes perspectivas, reunindo a vi-

empresas expositoras sobre seus negócios

são da indústria, do varejo e do consumi-

e inovações. Dois painéis vão reunir execu-

dor, considerando as mudanças nas jorna-

tivos da indústria para discutir as principais

das de compra. n Combustíveis & Conveniência 43


REVENDA EM AÇÃO Jardel Angelim

Rio Branco recebe a revenda Com ampla participação dos revendedores acreanos, o Ercom apresentou programação diversificada, panorama político, palestras técnicas e feira de exposições com os principais fornecedores do setor POR MÔNICA SERRANO

O

ao consumidor, principalmente no estado do Acre.

combate às ilegalidades do setor e

“É importante destacar o surgimento de postos ca-

o fortalecimento do associativismo

da vez mais complexos que, além de oferecer ga-

estiveram entre os temas principais

solina, etanol e diesel, criaram uma rede completa

do 21º Encontro de Revendedores de Derivados de

de serviços, como lojas de conveniência, farmácias,

Petróleo e Lojas de Conveniências (Ercom) do Nor-

restaurantes, lavanderias, carros, hotéis, lanchone-

te do Brasil, que reuniu revendedores do Acre e de

tes e outras atividades, com o objetivo de diversi-

todo o país, autoridades regionais e líderes do se-

ficar suas receitas em função das baixas margens

tor, nos dias 23 e 24 de julho, em Rio Branco (AC).

dos combustíveis”, disse.

Durante a cerimônia de abertura, o anfitrião,

Ele também destacou a velocidade da tecnolo-

Delano Lima e Silva, presidente do Sindepac, sin-

gia, IA e o surgimento dos aplicativos de mobilida-

dicato que representa a revenda de combustíveis

de urbana, que mudaram o comportamento do

do Acre, destacou os principais desafios do se-

consumidor em todo país e trouxeram impacto ao

tor de combustíveis, como a preocupação com

abastecimento com a adesão da população.

o crime organizado no segmento e a luta contínua do setor no combate às irregularidades.

Silva citou a importância do trabalho do sindicato no dia a dia da revenda, que busca entendi-

A evolução da revenda, ao longo dos anos, tam-

mento junto aos órgãos públicos municipais, es-

bém foi citada por Silva, com a melhora da qualida-

taduais e federais em temas que afetam o setor.

de e a ampliação de produtos e serviços entregues

Ele citou, entre as preocupações da revenda, o

44 Combustíveis & Conveniência


projeto que propõe o fim da escala 6x1, que vai

“Em alguns momentos, nós, revendedores, so-

exigir o fortalecimento das entidades represen-

mos mal-interpretados e prejulgados, o que nos

tativas do setor. “Só conseguiremos êxito com

incomoda muito. A Fecombustíveis tem o papel

a participação e a confiança de vocês em nosso

de desmistificar isso. Somos o último elo da ca-

trabalho. A sua luta é a nossa luta”, enfatizou.

deia, mais próximo do consumidor final e, por isso,

James Thorp Neto, presidente da Fecombustí-

muitas vezes, somos apedrejados de forma equi-

veis, reforçou a mensagem sobre a importância do

vocada. Aquele que comete alguma irregularida-

associativismo, com maior envolvimento no traba-

de, esse, sim, tem que ser punido, mas estou fa-

lho das causas defendidas pelo sindicato. “O tra-

lando do empresário ético, de boa conduta, que

balho do sindicato funciona como o de uma em-

tem uma empresa familiar. É esse empresário que

presa, que presta serviços de advocacia, de orien-

estou defendendo, representando e protegendo,

tação, como também promove eventos como o

para que ele tenha voz e não seja prejulgado”.

Ercom. Toda essa gama de prestação de serviços

As fiscalizações para verificar suposta abusi-

oferecida não é de graça. Por isso, precisamos do

vidade de preços foram iniciativa da Secretaria

apoio dos revendedores associados para valorizar

Nacional do Consumidor (Senacon), que acio-

esse trabalho, estar mais presentes e participar do

nou os Procons estaduais do país, polícias fede-

sindicato de forma mais ativa”, disse.

ral e estaduais, entre outros órgãos.

Thorp também abordou o combate às irre-

Representando o Procon – AC, Alana Albu-

gularidades e às facções criminosas no setor e a

querque, presidente da entidade, contou co-

continuidade das investigações pelos órgãos fe-

mo foram as ações de fiscalização no estado

derais e estaduais, após as operações conjuntas

do Acre, após a convocação da Senacon. “112

que deflagraram o crime organizado, em agosto

postos de combustíveis foram visitados e o es-

de 2025. “Voltando um pouco no tempo, tive-

tado atingiu um dos mais baixos índices de irre-

mos um momento diferenciado no ano passa-

gularidades. Isso mostra a responsabilidade do

do, mas não podemos deixar essa chama se apa-

trabalho que é entregue por parte dos postos,

gar. O combate às ilegalidades é o nosso maior

demonstra o comprometimento dessa plateia

desafio”, destacou.

no sentido de aprimorar os serviços e garantir a

O presidente da Fecombustíveis também defen-

qualidade dos produtos”, comentou.

deu a revenda em relação às fiscalizações, que revi-

No âmbito nacional, Julio Cesar Nishida, su-

raram os postos em busca de preços considerados

perintendente de Fiscalização do Abastecimen-

abusivos, no período da guerra e que ocorreram de

to da ANP, relatou a participação da Agência

forma desrespeitosa em alguns locais do país.

durante a Operação Carbono Oculto, consideCombustíveis & Conveniência 45


REVENDA EM AÇÃO

rada a maior da história do país no combate ao

Instituto Combustível Legal (ICL); Josias Francalino

crime organizado no setor de combustíveis.

da Rocha, chefe da Divisão de Combustíveis da Se-

“Hoje, infelizmente, as fraudes de combustí-

cretaria da Fazenda; e o vereador Antonio Morais.

veis trazem mais lucro do que o tráfico de drogas. Isso significa o quê? Se a Agência não fisca-

COMBATE ÀS IRREGULARIDADES

liza, não evita que isso aconteça. O crime orga-

“O Mercado Irregular dos Combustíveis” foi

nizado no setor de combustíveis compete com

uma das palestras de destaque do primeiro dia de

os revendedores, colocando metanol no com-

evento, por Carlo Faccio, diretor-executivo do ICL.

bustível, nafta, fraudes na bomba. Se a gente

Ele abordou o cenário geral das irregularidades

não consegue defender a concorrência leal, vo-

de combustíveis no país, com as fraudes tributá-

cês não conseguem competir”, disse.

rias, de qualidade e quantidade, e trouxe um pa-

Nishida falou sobre a parceria entre os agen-

norama geral sobre o trabalho de parceria inte-

tes regulados e a ANP para proteger o consumi-

grada entre ICL e órgãos fiscalizadores, dos asso-

dor. “É importante estarmos juntos, estabelecer

ciados à entidade e da abrangência da atuação,

esse canal aberto para ter uma ampla discus-

que inclui também o mercado de lubrificantes.

são, entrar em contato com o órgão regulador,

“O combate à fraude não fica limitado ape-

fazer uma denúncia seja em nível de consumi-

nas a coibir a ilegalidade e trazer o mercado para

dor, de empresa, ou de entidade representati-

a regularidade. Há coisas muito mais intangíveis,

va”, observou.

tais como a valorização do empresário, a empre-

Também participaram da cerimônia de abertura Mario Melo, diretor-secretário da Fecombustíveis;

gabilidade e principalmente a garantia de investimentos”, disse.

Marcelo Morais, diretor de Metrologia Legal do Ins-

Faccio citou como exemplo uma ação orga-

tituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecno-

nizada no Rio de Janeiro para combater o crime

logia (Inmetro); Carlo Faccio, diretor-executivo do

organizado, que tinha tomado conta de distribuidora, refinaria e postos. Ele citou que a ope-

Jardel Angelim

ração coordenada entre Secretaria de Fazenda, Ministério Público, Polícia Federal e agência reguladora desmobilizou toda a estrutura feita para lesar o empresário e os consumidores. “Ninguém queria investir no Rio de Janeiro Delano Lima e Silva, presidente do Sindepac, agradece a participação de todos durante o encerramento do Ercom

46 Combustíveis & Conveniência

porque não era possível competir com a ilegalidade e a criminalidade. Já no mês passa-


Sindipetro – RO/ Nádia Bicudo

do, após a ação conjunta, já tinham oito no-

país foram explanadas por Klaiston Soares D’Mi-

vas distribuidoras, que estão investindo no es-

randa, consultor jurídico da Fecombustíveis.

tado”, destacou.

Desde a reforma trabalhista de 2017, cer-

Faccio mostrou um cenário nacional do se-

tas regras foram flexibilizadas, como a redu-

tor sobre as perdas com fraudes tributárias na

ção do intervalo intrajornada de refeição para

ordem de R$ 14 bilhões ao ano, em 2023. Já

até 30 minutos.

no fechamento de 2025, esse dado superou

“É muito comum ter funcionário que não

R$ 215 bilhões. Segundo ele, a recuperação des-

quer fazer uma hora de almoço, e pede para

se dinheiro é menos de 1%. “Aqui inclui sone-

ter 30 minutos, pois prefere sair meia hora mais

gação, venda sem nota, nafta, movimentações

cedo. Isso é possível, mas tem que constar na

proibidas, empresa de fachada e crime organiza-

convenção coletiva”, disse.

do com lavagem de dinheiro”.

Outra situação exposta é o funcionário pedir

Já em relação às fraudes na ponta final da ca-

para chegar 15 minutos atrasado ou sair 15 mi-

deia, os prejuízos são da ordem de R$ 17 bilhões

nutos antes do final do expediente. Na avaliação

ao ano (2024), com alterações de qualidade,

de D’Miranda, essa mudança também é possí-

bomba fraudada, agente sem autorização, bate-

vel. Ele sugere redução de jornada para 30 minu-

deiras, formulação, contrabando e pirataria – que

tos de almoço com compensação dos demais 30

atingem, particularmente, Rio Grande do Sul e re-

minutos com as entradas e saídas. “Cada reven-

gião Norte, com os piratas do Rio Amazonas.

dedor tem que avaliar se é bom ou não para o

Outro painel abordou as fiscalizações no setor de combustíveis e trouxe um bate-pa-

negócio, pois essas mudanças podem atrapalhar o fluxo da escala de trabalho”, advertiu.

po entre as entidades fiscalizadoras e reven-

D’Miranda orienta a revenda para documen-

da local, que contou com as presenças de

tar as alterações, pois toda e qualquer mudança

Julio Nishida, da ANP; Erica Macedo, direto-

deve ser feita via convenção. “Deve-se elabo-

ra do Ipem – AC; Marcelo Morais, diretor do

rar uma cláusula da convenção coletiva sobre a

Inmetro, e John Lynneker, chefe de fiscaliza-

redução do intervalo intrajornada, que pode ser

ção do Procon - AC. Esse painel foi mediado

paga ou compensada. Vemos a importância do

por Mario Melo, da Fecombustíveis.

bom relacionamento entre o sindicato patronal e o laboral para constar na convenção”, disse.

QUESTÕES TRABALHISTAS

Outra possibilidade é o funcionário preferir

As mudanças na legislação trabalhista que

fazer meia hora de almoço e ter os 30 minutos

afetam a rotina dos postos de combustíveis do

restantes remunerados ou ainda serem comCombustíveis & Conveniência 47


REVENDA EM AÇÃO

Jardel Angelim

habitual para não trazer consequências que acabem sendo incorporadas ao contrato de trabalho”, advertiu. Segundo D’Miranda, premiar duas vezes por ano não caracteriza habitualidade. PANORAMA POLÍTICO E ECONÔMICO Com análise bastante crítica, o jornalista Adalberto Piotto foi um dos destaques do

Diretoria da Fecombustíveis marcou presença no evento

evento com a palestra “Expectativas Políticas e Econômicas para o Brasil”.

putados no banco de horas, desde que não

Piotto contou diversas experiências profissio-

haja alteração nos horários de entrada e saída.

nais, entre elas, a da reforma trabalhista. Ape-

A reforma trabalhista também possibilitou o

sar dos avanços da legislação trabalhista pós-re-

parcelamento das férias em até três vezes no má-

forma, o palestrante avaliou que decisões pos-

ximo, sendo 14 dias corridos na primeira etapa, 5

teriores do Supremo Tribunal Federal trouxeram

dias em outro período, com mais 5 dias para finali-

burocracia e insegurança jurídica. “A reforma

zar. Em relação ao pagamento das férias nada mu-

foi um avanço, mas o que aconteceu um tem-

dou e se houver divisão do período de descanso

po depois? O Supremo alterou a reforma que o

não precisa de convenção coletiva. “O que muda

Congresso aprovou. Isso não existe em lugar ne-

é a forma do funcionário tirar as férias. Isso é um

nhum do mundo. O Supremo Tribunal Federal, a

acordo entre o patrão e o empregado, que deve

Suprema Corte, não muda uma lei do Congres-

ser detalhado no documento de férias, sobre os

so, a menos que ela seja ilegal”, criticou.

períodos que serão parcelados”, comentou.

No panorama político, o jornalista ressaltou a

Outro tema que traz dúvidas à revenda é o

importância das próximas eleições presidenciais e a

reconhecimento do bom colaborador, proativo

composição do Congresso. Com fortes críticas ao

e comprometido. Qual recomendação para con-

governo atual, ele demonstrou, por dados econô-

ceder prêmios?

micos, que não houve melhora para o país e des-

“Hoje esse tema está mais ou menos pacifica-

tacou o endividamento da dívida pública. “Não é

do, os prêmios não são integrados ao salário. E

uma dívida para criar riqueza, é uma dívida para ter

prêmio não precisa ser apenas em dinheiro, po-

despesa. Essa diferença é extremamente importan-

de ser uma passagem aérea, uma TV, por exem-

te. Resssalto que, em outubro de 2025, teremos as

plo. O que não pode é se tornar uma premiação

eleições mais importantes da nossa história”, disse.

48 Combustíveis & Conveniência


prensa também foi outro ponto abordado. Ao relatar experiências pessoais como jornalista, o palestrante manifes-

Jardel Angelim

A liberdade de expressão e de im-

tou preocupação com medidas que, segundo sua avaliação, podem restringir o exercício do jornalismo. Ele defendeu a liberdade de expressão, a democracia e a Constituição como fundamentos indispensáveis para o país. PAINÉIS TÉCNICOS A dificuldade na gestão de funcionários com as novas gerações foi

Representantes do sindicatos filiados com Julio Cesar Nishida, superintendente de Fiscalização do Abastecimento da ANP

um dos enfoques de Jonathan Rocha, que desenvolveu a palestra “O Novo Dono do Posto”. O palestrante explicou

Ao longo da palestra, Locatelli exempli-

as diferenças de comportamento e recomen-

ficou situações do cotidiano na revenda e

dou: “o óbvio precisa ser dito”. Rocha tam-

destacou que 55% dos resultados dos ne-

bém fez um alerta sobre a saúde mental e o

gócios dependem da postura do revende-

risco de adoecimento do funcionário.

dor ou gerente do posto.

“Com o tipo de vida que levamos, podemos adoecer, e isso acontece com a equipe também. O líder tem que proteger a saúde dos funcionários”, recomendou.

ENCERRAMENTO O evento encerrou com a palestra motivacional de Roberto Minuzzi, ex-jogador de

Já Diogo Locatelli, palestrante e especialista

vôlei, campeão da Superliga Brasileira e da

em treinamento para a revenda, abordou a im-

Liga Mundial. Minuzzi contou sua história

portância da comunicação com a equipe para

de superação após enfrentar um grave pro-

obter bons resultados no negócio. “Eu não pre-

blema cardíaco que o obrigou a se afastar

ciso falar difícil, eu não preciso falar de forma

das quadras. Com foco, disciplina e deter-

técnica, eu não preciso de palavras desafiado-

minação, ele voltou a jogar e trilhou uma

ras. Eu preciso falar de forma clara”, disse.

trajetória de sucesso no esporte e na vida. n Combustíveis & Conveniência 49


TABELAS em R$/L

Período

São Paulo

Goiás

Período

São Paulo

Goiás

20/07/2026 - 24/07/2026

2,379

2,338

20/07/2026 - 24/07/2026

2,076

2,092

27/07/2026 - 31/07/2026

2,314

2,251

27/07/2026 - 31/07/2026

2,045

2,050

03/08/2026 - 07/08/2026

2,309

2,191

03/08/2026 - 07/08/2026

2,046

2,006

10/08/2026 - 14/08/2026

2,432

2,206

10/08/2026 - 14/08/2026

2,194

2,081

17/08/2026 - 21/08/2026

2,555

2,319

17/08/2026 - 21/08/2026

2,257

2,167

julho de 2025

2,959

2,832

julho de 2025

2,570

2,512

julho de 2026

2,400

2,353

julho de 2026

2,109

2,127

Variação 20/07/2026 21/08/2026

7,4%

-0,8%

Variação 20/07/2026 21/08/2026

8,7%

3,6%

Variação julho de 2026 x julho de 2025

-18,9%

-16,9%

Variação julho de 2026 x julho de 2025

-17,9%

-15,3%

EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL ANIDRO (em R$/L)

Fonte: CEPEA/Esalq Nota 1: Sem Pis/Cofins produtor (R$ 0,1309) Nota 2: Preço para vendas interestaduais.

50 Combustíveis & Conveniência

HIDRATADO

ANIDRO

EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL (Centro-Sul)

EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DO ETANOL HIDRATADO (em R$/L)


FORMAÇÃO DE PREÇOS

Diesel S500

Gasolina

Convênio ICMS 112/2025 (Gasolina) e 113/2025 (Diesel) - Referência 24/08/2026

UF

68% Gasolina A

AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO

2,8599 2,6884 2,8599 2,8599 2,6884 2,6884 2,4680 2,4412 2,4680 2,6884 2,4412 2,4680 2,4680 2,8599 2,6884 2,6884 2,6884 2,4412 2,4412 2,6884 2,8599 2,8599 2,3767 2,3767 2,6884 2,4412 2,4680

UF

85% Diesel A S500

AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO

32% Etanol Anidro (1)

32% PIS/ COFINS Anidro (3)

0,9280 0,0615 0,9056 0,0615 0,9312 0,0615 0,9408 0,0615 0,9120 0,0615 0,9248 0,0615 0,7517 0,0615 0,8400 0,0615 0,7485 0,0615 0,9184 0,0615 0,8336 0,0615 0,7677 0,0615 0,7741 0,0615 0,9216 0,0615 0,9008 0,0615 0,9008 0,0615 0,9072 0,0615 0,8336 0,0615 0,8336 0,0615 0,9056 0,0615 0,9280 0,0615 0,9312 0,0615 0,8556 0,0615 0,8432 0,0615 0,9056 0,0615 0,8240 0,0615 0,7645 0,0615 CUSTO DA DISTRIBUIÇÃO - BRASIL (5)

15% Biocombustível (1)

85% CIDE (2)

4,4493 0,7946 0,0000 3,4189 0,8351 0,0000 4,4493 0,7946 0,0000 4,4493 0,7946 0,0000 3,4189 0,8351 0,0000 3,4189 0,8351 0,0000 3,1622 0,7871 0,0000 3,0919 0,7839 0,0000 3,1622 0,7856 0,0000 3,4189 0,8351 0,0000 3,0919 0,7839 0,0000 3,1622 0,7856 0,0000 3,1622 0,7871 0,0000 4,4493 0,7946 0,0000 3,4189 0,8351 0,0000 3,4189 0,8351 0,0000 3,4189 0,8351 0,0000 3,0486 0,7539 0,0000 3,0919 0,7884 0,0000 3,4189 0,8351 0,0000 4,4493 0,7946 0,0000 4,4493 0,7946 0,0000 3,0486 0,7539 0,0000 3,0486 0,7554 0,0000 3,4189 0,8351 0,0000 3,0919 0,7809 0,0000 4,4493 0,7841 0,0000 CUSTO DA DISTRIBUIÇÃO - BRASIL (5)

68% CIDE (2)

68% PIS/COFINS

0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680 0,0680

0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389 0,5389

15% PIS/ COFINS Biodiesel (6)

85% PIS/ COFINS Diesel (3)

0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222 0,0222

(3)

Carga ICMS

Ad rem (4) 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 1,5700 5,599

Carga ICMS

Ad rem (4) 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 0,2988 1,1700 5,575

Custo da Distribuição 6,026 5,832 6,030 6,039 5,839 5,852 5,458 5,520 5,455 5,845 5,513 5,474 5,481 6,020 5,828 5,828 5,834 5,513 5,513 5,832 6,026 6,030 5,471 5,458 5,832 5,504 5,471

Custo da distribuição 6,713 5,745 6,735 6,735 5,745 5,745 5,440 5,367 5,439 5,745 5,367 5,439 5,440 6,735 5,745 5,745 5,745 5,293 5,371 5,745 6,735 6,735 5,293 5,295 5,745 5,364 6,724

Combustíveis & Conveniência 51


TABELAS em R$/L

Diesel S10

FORMAÇÃO DE PREÇOS UF

85% Diesel A S10

15% Biocombustível (1)

85% CIDE (2)

15% PIS/ COFINS Biodiesel (6)

85% PIS/ COFINS Diesel (3)

Ad rem (4)

AC

3,2523

0,7946

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,516

AL

3,3603

0,8351

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,686

AM

3,2523

0,7946

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,538

AP

3,2523

0,7946

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,538

BA

3,3603

0,8351

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,686

CE

3,3603

0,8351

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,686

DF

3,2173

0,7871

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,495

ES

3,1491

0,7839

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,424

GO

3,2173

0,7856

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,494

Carga ICMS

Custo da distribuição

MA

3,3603

0,8351

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,686

MG

3,1491

0,7839

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,424

MS

3,2173

0,7856

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,494

MT

3,2173

0,7871

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,495

PA

3,2523

0,7946

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,538

PB

3,3603

0,8351

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,686

PE

3,3603

0,8351

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,686

PI

3,3603

0,8351

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,686

PR

3,1236

0,7539

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,368

RJ

3,1491

0,7884

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,428

RN

3,3603

0,8351

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,686

RO

3,2523

0,7946

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,538

RR

3,2523

0,7946

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,538

RS

3,1236

0,7539

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,368

SC

3,1236

0,7554

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,370

SE

3,3603

0,8351

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,686

SP

3,1491

0,7809

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,421

TO

3,2173

0,7841

0,0000

0,0222

0,2988

1,1700

5,492

CUSTO DA DISTRIBUIÇÃO - BRASIL (5)

5,481

Nota (1): Corresponde ao preço da usina/produtor sem acréscimo do PIS/COFINS, incluso frete Nota (2): Decreto 8395, de 28/01/2015, para Gasolina e o Decreto 9391/2018 para o Diesel - Alíquota reduzida a zero Nota (3): Decreto 9101, de 20/07/2017, para Gasolina e a Lei 10.865/2004 para o Diesel Nota (4): Base de cálculo do ICMS = Ad rem (Gasolina - Convênio ICMS 127/2024- e Diesel - Convênio ICMS 126/2024) Nota (5): Média ponderada considerando o volume comercializado no ano de 2023 Nota (6): Lei 11.116/2005 Não inclui frete de entrega e CBIOs Obs: ICMS Base -Convênio ICMS 112/2025 (Gasolina) e Convênio ICMS 113/2025 (Diesel) Referência dos preços Produtores/Importadores = Preços médios ponderados semanais praticados por Produtores e Importadores de derivados de petróleo - ANP Esta planilha é elaborada com os dados públicos e oficiais previamente divulgados ao mercado pela Petrobras, Governo Federal e Governos Estaduais e pelo CEPEA/ESALQ. Utilizamos as tabelas públicas fornecidas pela Petrobras (Refinarias), a composição de tributos divulgada pelo Governo Federal e pelo CONFAZ (Ato Cotepe), além dos custos dos biocombustíveis (Fonte: Biodiesel = ANP e Etanol Anidro = Cepea/Esalq). A Fecombustíveis se isenta de quaisquer erros nos dados fornecidos pelas fontes acima citadas e ressalta que esta planilha se destina exclusivamente a colaborar com a transparência do mercado e com a efetivação da competitividade do setor.

52 Combustíveis & Conveniência


DIESEL

GASOLINA

AJUSTES NOS PREÇOS DA PETROBRAS

Fonte: Petrobras Preços Maio/2026 referência 29/05/2026 ==> Preços contemplam os seguintes “Descontos” relativos à Medida Provisória 1358: = Gasolina A = desconto R$ 0,44/lt + aumento tabela R$ 0,48/lt = aumento real R$ 0,04/lt) // = Diesel A = R$ 0,3515/lt (desconto equivalente à reoneração do PIS/COFINS mesmo valor) Nota: As tabelas e informações sobre a composição de preços estão disponíveis no site da empresa, seção Nossas Atividades/ Preços de Vendas de Combustíveis (https://petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/precos-de-venda-de-combustiveis/)

Combustíveis & Conveniência 53


TABELAS PREÇOS DE REVENDA E DISTRIBUIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS Período: 01/01/2021 à 16/08/2026 - (Preço Médio Brasil)

Gasolina comum:

Óleo Diesel S10:

Etanol Hidratado comum:

Obs: 1 - A partir de 17/08/2020 os dados de distribuição de etanol hidratado NÃO contemplam a parcela de ICMS/Substituição 2 - Desde a semana iniciada em 23/08/2020 os preços de distribuição são informados pelas distribuidoras à ANP através do SIMP Fonte: ANP – Painel Dinâmico de Preços de Combustíveis e Derivados do Petróleo, em 24/08/2026

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petropix.combustivel

(31) 99636-9636


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