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Relatório do Coronavírus na Revenda de Combustíveis

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RELATÓRIO II PERÍODO: DE 20/04/2020 A 25/04/2020

IMPACTOS DO CORONAVÍRUS NA REVENDA DE COMBUSTÍVEIS DO BRASIL


INTRODUÇÃO

Em 27/04, a Petrobras divulgou o relatório do 1º trimestre deste ano, referente à produção e às vendas, e destaca informações importantes para o mercado de combustíveis do Brasil:

• A produção média de petróleo e gás, que era de 2,909 milhões de barris/dia, teve redução de 14,6 % nesse primeiro trimestre, para 2,606 milhões de barris/dia; • A contração da demanda de petróleo no mundo está estimada entre 20 milhões e 30 milhões de barris/dia, para o 2º trimestre (maio a julho) deste ano; • A Petrobras decidiu, em face da redução grande na demanda interna, diminuir a produção para 2,07 milhões de barris/dia e as refinarias a redução da capacidade operacional de 79 % para 60 %-importante destacar que a Petrobras tem 13 refinarias com capacidade de refino de 2,2 milhões de barris/dia; • A partir de abril vai maximizar as exportações de petróleo; • Em função da redução da demanda, a estatal vai hibernar 62 plataformas até que o mercado se regularize;


• Para se ter uma ideia da crise, seguem os resultados de vendas para mercado interno neste 1º trimestre (ainda não tinha sido afetado integralmente com a pandemia):

ÓLEO DIESEL Vendas 1º trimestre 2020 Vendas 1º trimestre 2019

GASOLINA Vendas 1º trimestre 2020 Vendas 1º trimestre 2019

- 12,6% 610 mil barris/dia 698 mil barris/dia

- 14,3% 330 mil barris/dia 385 mil barris/dia


INFORMAÇÕES DE MERCADO

Em 28/04, o site Poder 360 publicou um artigo do especialista Adriano Pires sobre o mercado de petróleo, que reforça a posição conservadora da Petrobras, com destaque para:

• o consumo mundial se reduziu drasticamente neste período de pandemia com queda da demanda, de 25 a 30 milhões de barris/dia; • embora, em 09/04, a OPEP tenha concordado em cortar a produção para 9,7 milhões de barris/dia, a demanda caiu mais do que isso. Assim, os preços se reduziram drasticamente, chegando na semana de 20/04 a 25/04 a serem cotados negativamente. Ou seja, face aos custos de armazenagem serem maiores do que o preço negociado na semana, os investidores se viram na condição de pagar para cumprir os contratos; • a Petrobras teve problemas com armazenagem e, com isso, passou usar leilões para reduzir os estoques, oferecendo gasolina e óleo diesel para as distribuidoras, com quedas agressivas de preços (segundo o jornal Valor Econômico de 24/04); • segundo a consultoria especializada em petróleo e derivados E markit, no 1º semestre deste ano, haverá excesso de oferta de petróleo de cerca de 1,8 bilhão de barris, acima da capacidade de armazenagem que é de 1,6 bilhão de barris;


• queda no setor de turismo durante a pandemia tem sido de 39%, segundo a FCV Projetos. Em 2021, deverá haver recuperação, porém em níveis inferiores aos de 2019; • a Cosan divulgou informações através de seu presidente que, em face da crise, a Raízen tem fornecido suporte e apoio a rede de revendedores, também por meio da entrega de informações e auxílio em relação aos programas lançados pelo governo, mas entende que apesar do esforço, alguns postos não devem resistir à crise, com o comentário de que “as revendas mais capitalizadas, com as melhores localizações e que foram mais rápidas no ajuste de custos terão as melhores perspectivas daqui para frente”; • Clubpetro, grupo da revenda, com cerca de 1.000 postos associados e que divulga seus resultados monitorando a rede e o mercado, aponta melhoria da atividade de revenda na semana de 20/04 a 25/04, com maior movimentação de veículos nas cidades e estradas, com segundo crescimento da análise semanal sendo (dados em relação à semana anterior):

Brasil Centro-Oeste Nordeste Norte Sudeste Sul

+2,3 % + 3,51% - 6,5% + 0,12% + 5,81% + 2,06%


Com relação aos combustíveis tivemos a seguinte movimentação:

Gasolina Óleo diesel Etanol

+ 0,21% + 3,8% + 0,64%

Também a Aprix, empresa especializada em pesquisa e informação, indica melhoria nas vendas, a saber: • após 13/03, as vendas totais da revenda apresentaram fortes quedas, de até 62% sobre os dados históricos (gasolina + óleo diesel + GNV+ etanol) e já na semana de 20/04 a 25/04 a redução alcançou 56% em algumas regiões, indicando uma lenta, mas aparentemente segura recuperação, com dados, por exemplo, de:

Porto Alegre Natal São Paulo Belo Horizonte

- 54% - 63% - 67% - 48%

Pesquisas efetuadas em outros mercados regionais indicam, na média, que: • cidades com população acima de 500.000 habitantes, as reduções de vendas são muito grandes e na faixa de 50%; • cidades médias, com população entre 200.000 e 500.000 habitantes, tiveram reduções de até 30% nas vendas; • cidades pequenas, com até 100.000 habitantes, as reduções foram menores, de até 20%;


O QUE ESPERAR PARA AS PRÓXIMAS SEMANAS? • A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) preconiza que a reabertura do comércio deve considerar diferenças regionais, destacando a necessidade de se adotarem medidas imediatas para proteger as empresas e os empregos ,não só nesse momento da pandemia, mas, principalmente, no médio prazo, quando os impactos ainda serão sentidos; • diversas cidades se programam para liberar o comércio em geral, com as recomendações de segurança determinadas pelas autoridades sanitárias; • os estados do Sul do Brasil já ensaiam a volta à normalidade, com empresas abrindo e turismo retornando, como, por exemplo, as vinícolas do Rio Grande do Sul que voltaram a receber turistas; • cidades da Grande Belo Horizonte também autorizaram o retorno de algumas atividades; • o estado de São Paulo começa a divulgar medidas para a liberação parcial das atividades do comércio e da indústria nas próximas semanas;


• o Conselho de Atividades Fazendárias (Confaz) acaba de divulgar o Ato Cotepe 12/2020, com os novos valores para cálculo do ICMS, a vigorar em 01/05/2020, com reduções grandes nos valores, o que deverá acarretar menores preços dos combustíveis e, consequentemente, estímulo para que os consumidores voltem à normalidade; • importante mudança nos preços do etanol na semana encerrada em 25/4, com redução de 10,6 % (etanol anidro e etanol hidratado); • Petrobras reduziu os preços do óleo diesel, em 27/04, em R$ 0,144 por litro nas refinarias.

Relatório elaborado por Sadi Leite Ribeiro Filho.


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