Skip to main content

Sauna Gay Satanista

Page 1


S∆UN∆ G∆Y S∆T∆NIST∆

Em um ponto de táxi, motoristas conversavam incrédulos sobre a inauguração de uma “sauna gay satanista” no sobrado de porta colorida que fica ao lado da padaria, em frente ao ponto. Com bandeira arco-íris hasteada, eles viam pessoas vestindo preto e couro entrando e saindo do espaço.

A “sauna gay satanista” era o Paradoxo Casa Ateliê.

E não adiantou explicar. Não adiantou convidar para visitar o local. Foi construída uma imagem que gerava fobias e afastava pessoas com valores enraizados em estruturas obsoletas e destrutivas. Uma vez que o Paradoxo Casa Ateliê se desloca do sistema convencional e engessado, essa história se tornou inspiração curatorial.

Afinal, sauna é, antes de tudo, um espaço de calor. Um lugar onde o corpo transpira, elimina excessos, expurga toxinas e se reconhece como matéria viva, porosa e finita. Historicamente associada à higiene, ao cuidado e à cura, a sauna atravessa culturas como prática ancestral: das termas greco-romanas aos banhos orientais, dos rituais nórdicos às casas de vapor contemporâneas. Sempre foi mais do que limpeza – é encontro. Neste ambiente aquecido, o suor dilui fronteiras sociais, hierarquias e identidades rígidas.

Nela o corpo perde suas armaduras simbólicas e passa a coexistir em sua diversidade: jovem e velho, magro e gordo, desejante e exausto, normativo e dissidente. Em uma sociedade marcada pelo isolamento, pela hiperindividualização e pela vigilância constante, a sauna propõe uma experiência quase subversiva ao reunir corpos despidos – literal ou simbolicamente – em um espaço de congregação, onde a proximidade é inevitável e a presença do outro se torna incontornável. Ela tensiona tabus ligados à nudez, ao toque, ao cheiro, ao tempo desacelerado e à exposição da

vulnerabilidade. O calor não permite disfarces: tudo escorre, tudo transborda. Assim, a sauna como espaço ambíguo – ao mesmo tempo íntimo e coletivo – coloca o corpo como território político, social e sensível, onde o suor não é apenas um resíduo biológico, mas uma linguagem; a nudez não é provocação gratuita, mas condição de igualdade; e o calor, um agente de transformação.

Com o acréscimo das palavras “Gay” e “Satanista”, evoca-se tudo aquilo que historicamente foi empurrado para fora dos regimes de pureza, moralidade e normalização dos corpos. Contudo, ser gay trata-se de uma experiência que não se reduz à oposição à norma. É um modo de existir e de desejar no mundo, atravessado por multiplicidades, diferenças internas, afetos, histórias e possibilidades de construção de subjetividade, que produz cultura, linguagem, formas de cuidado, parentesco, prazer e resistência. Já o satanismo configura-se como uma escolha simbólica, filosófica ou estética que opera, muitas vezes, justamente pela provocação, pela inversão de valores hegemônicos e pela recusa consciente de determinados sistemas morais e religiosos.

Assim, o nome dado ao espaço de forma pejorativa torna-se uma potência que agora se transforma em exposição. Mais do que um lugar de purificação, a SAUNA GAY SATANISTA emerge como metáfora de um corpo coletivo: um espaço onde as diferenças não são apagadas, mas colocadas em fricção até sua ebulição; onde estar junto implica suportar o calor do outro; onde o individual se dissolve, ainda que temporariamente, em uma experiência compartilhada de presença.

Venha, olhe, sue, dispa-se.

CUradorIa

Diogo Santos

Fabrício Faccio

Filipe Chagas

Hugo Bernabé

Paulo Cibella
Escala 666 x 1 (Sauna Gay Satanista) (2026)
chapeira de cartão de ponto e cartões datilografados
série Ponto de Vista

Na arte não se pode mais falar sobre tudo (s.d.) impressão a jato de tinta sobre papel

Victor Arruda

Sem título (s.d.) impressão a jato de tinta sobre papel

Victor Arruda

Precipitação do travequeiro ao inferno (2025) xilogravura sobre

Ynanna
algodão cru 79 x 208 cm
Wanyr Jr.
Guadalupe (2018)
técnica mista sobre eucatex

Limpeza profunda (com prazer) (2026) objeto conceitual de parede

41 x 31 cm

Luiz Travassos
Ronaldo Cervela
Love Boat Captain (2025)
técnica mista sobre tela
95 x 74 cm
Court Watson
Sem Título (2020) aquarela e nanquim

48 x 38 cm

Higor Alcântara
a montanha sagrada (2026) monotipia e xilogravura sobre papel

Sete Genet Piauhy

Um oratório para a Sauna Gay Satanista ou a última tentação (2024) acrílica sobre tela 118 x 85 cm

Gabriel Fernandes

articulação réptil (2024)

acrílica sobre tecido de algodão

52 x 46 cm

Untitled (after Man ray)

Untitled (after Man ray) ritual (2021)

impressão em papel Hahnemühle

30 x 40 cm

Claudia Missailidis

Sabá das bruxas (2024)

aquarela e caneta nanquim

42 x 29,7cm (pintura) / 44,2 x 32 cm (moldura)

Vinicius Fiorani

o dia seguinte (2025)

óleo sobre cartão telado

29 x 40 cm

Paulo Jorge Gonçalves
Niki Nishi
Castidade (2026)
pigmento mineral sobre papel (fotografia 1/3)

abadon Uaraná (2025) acrílicas sobre tela (díptico)

Anna Koeppe

Com quantas palavras se faz um corpo (2021) caneta posca e caneta permanente sobre páginas de livro

10 x 14 cm

Anderson Moraes

Gabriel Fernandes

decompostos (2024) acrílica sobre tecido de algodão

156 x 78 cm

Anderson Moraes
desejo em Fragmento (2023)
bordado sobre guardanapo de pano
40 x 40 cm

Fazendo pose de cueca jockstrap (2025)

óleo sobre papel

29 x 42 cm

Paulo Jorge Gonçalves

Victor Arruda de novo impressão a jato de tinta sobre papel (original de 1998 em acrílica sobre tela)

Placa de alerta: viadinho na pista (2022) objeto em papel fotográfico sobre placa de metal

53 x 53 cm

Breno de Sant’ana
Alan Ramos
Sem título
guache sobre papel
59,4 x 42 cm

Enquanto ele dorme (2026)

29 x 39 cm

Paulo Jorge Gonçalves
óleo sobre papel
Hugo Bernabé e Paulo Jorge Gonçalves
Piruzinho do artista (2025) técnica mista sobre madeira

Rafael Dambros

Perigoso (2019)

bordado em tecido cru, linhas de costura e tinta acrílica em bastidor de madeira

13 cm de diâmetro

Cowboy Fogoso (2022)

bordado em tecido preto, linhas de costura em bastidor de madeira

13 cm de diâmetro

pov (2024)

calcogravura e chine-collé

14 x 9 cm (gravura) / 14 x 18 cm (moldura)

Duda Cascaez

o beijo (2025) caneta esferográfica sobre papel 12 x 15 cm (moldura)

Rafael Dambros

açougue Brasil nº6 (2024)

escultura em cerâmica, resina, poliéster e gesso

72 x 12 x 12 cm

Rodrigo Pedrosa

davi, Pietá e o Jardim das delícias (2026) arte digital sobre papel Hahnemüle em caixa de acrílico (tríptico) 20 x 15 cm (cada)

Thiago Prado

RodRAS

Eu sempre quis ser um santo (2024) bordado artesanal com miçangas e aplicação de folha metálica, fios de algodão, poliéster e nylon sobre tela de algodão

Voltando da sua casa me lembrei (2025)

óleo e pastel seco sobre tela

50 x 50 cm

Luiz Rocha

Série Blur nº3 (2025)

carvão sobre papel

65 x 55 cm

Weslley Ferreira
Manuela Aguieiras
Santo ao contrário (2026) poesia

o Santo inimigo do mal

Posição (2026)

instalação com esculturas de concreto e pedras

100 x 100 cm

descarrego (s.d.)

acrílica sobre tela

50 x 35 cm

William Pavanelli

Série rosa Interpreta - sem título (2025) 40 x 30 cm

Gustavo Marcasse

Rossetton

Naturalizar: afetos, tesão e pegação (2023)

Série Peganomeudedal! , impressão em papel Hahnemuhle (Rag Bright White), rendas e linhas 100% algodão

55 x 68 cm

Cinemão / Banheirão / Que Badalo / Pegação / ChucaCunete / Bofe-Neca / a quenda / Boquete / dando close / Mala (2023)

Série Peganomeudedal! , caixa MDF, impressão em papel Hahnemuhle (Rag Bright White), dedais e linhas 100% algodão

11 x 11 x 5 cm (cada)

Elmo Martins

Existe uma besta no homem que precisa ser exercida, não exorcizada! (2026) objeto em técnica mista

37 x 23 x 10 cm

Aleteia Daneluz
Kiss me (2025)
Série Intimidade , óleo sobre tela
50 x 40 cm

Partir: em mim, há uma parte de ti (2025)

sobre madeira 60x80 cm

Gabriella Vasconcelos
óleo

Para este quarto, também foi pensado um grande mural de imagens que pudesse conter trabalhos de pessoas do mundo todo com uma temática mais explícita. A ideia era comprovar que o desafio de enfrentar a hipocrisia e a rejeição é nacional e internacional. Então, além de artistas de São Paulo, Goiás, Santa Catarina e Piauí, convidamos artistas da Colômbia, de Puerto Rico, dos Estados Unidos, da Finlândia, da Espanha, da Bélgica e até da Tasmânia.

Wet dreams Spa (Xlyph Bara, 2026)
Nutopiastardust (Guilherme Correa, 2016)
obra do diabo [Bruno e Thomas] (Ferran Sanchez Castillo, 2025)
obra do diabo [Nick e Miguel] (Ferran Sanchez Castillo, 2024)
Cross (Andrew Graham, 2026)
Crypt (Andrew Graham, 2026)

a Transformação da Água em Pica

(Edilberto Sobrinho, original em grafite sobre papel, 2025)
as Novas a venturas do Ursinho Cooh ou as Maravilhas do domínio Público (Edilberto Sobrinho, original em grafite sobre papel, 2024)

daredevils (Rodartsuli, 2022)

anjo Caído (Rodartsuli, série CorposDivinos , 2019)
Trava Ciclope (avaf, original em técnica mista, 2011)
Trava Ciclope (avaf, original em técnica mista, 2011)
Baño (Shaffer, 2025)
Já que tá no inferno, abraço o capeta (Shaffer, 2013)
anônimo (Fábio Bellini, 2026)
Marcelo e Hélder (Fábio Bellini, 2025)
Smoke and mirrors / Master daddy (Robert Siegelman, 2024)
Gozo em PB (Eberson Theodoro, 2022)
diabólico Sub (Rodrigo Kupfer, 2026)
Círculo vicioso (Fefo Reyes, 2026)
Bathroom Selfies - Hot Edition (Tristor Blue, 2026)
Bathroom Selfies - Cold Edition (Tristor Blue, 2026)
Preto e Branco 1 (Photo1, 2026)
Preto e Branco 2 (Photo1, 2026)
Bear Cave (Rod Spark, 2011)
Yes Sir!! More Sir!! (Rod Spark, 2020)
Zona de atrito (Marcelo Magnani, 2023/2026)
Zona de atrito (Marcelo Magnani, 2023/2026)

Indentaciones (DryErotica, 2021)

Indentaciones (DryErotica, 2021)

açude II (Alejandro Zenha, 2024)
Paranoia Totem (Marcelo Albuquerque, original em técnica mista, 2023)

açude I (Alejandro Zenha, 2024)

Perversion Totem (Marcelo Albuquerque, original em técnica mista, 2023)

VÍDEOINSTALAÇÃO

drop Shadow (Chico Fernandes, Videoinstalação com transmissão ao vivo, 2026)

ABERTURA

Manny Bernabé, dona do ParadoxoCasaAteliêe os curadores Fabrício Faccio, Diogo Santos, Hugo Bernabé e Filipe Chagas.
O artista Victor Arruda entre os curadores Fabrício Faccio, Diogo Santos, Hugo Bernabé e Filipe Chagas.

Durante o período expositivo, foi oferecida a oficina desenho de Modelo

Vivo: o olhar da criatividade na observação, com os curadores Diogo Santos e Hugo Bernabé. A proposta foi um mergulho na prática do desenho como campo expandido de percepção, presença e invenção, distanciando-se da abordagem acadêmica onde o densenho é entendido como mera técnica de reprodução fiel. Mais do que aprender a desenhar o corpo, a oficina buscou desenvolver técnicas pessoais para desacelerar o gesto e reconhecer no próprio traço a possibilidade de pensamento crítico e criativo.

Modelo: Betessazar Mello

OFICINA

CUradorIa

Diogo Santos

Fabrício Faccio

Filipe Chagas

Hugo Bernabé

ProdUÇÃo

Hugo Bernabé

21 de fevereiro até 21 de março de 2026

ParadoXo CaSa aTELIÊ

Av. Edson Passos 87, Tijuca/ Usina, Rio de Janeiro

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook