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Museu da Democracia

Page 1

200313AB

CIRCULAÇÃO VERTICAL

ESCADA

CAIXA D’ÁGUA CIRCULAÇÃO VERTICAL

PAINEIS SOLARES

148 UNIDADES

ELEVADOR

CIRCULAÇÃO VERTICAL

ESCADA

MUSEU DA DEMOCRACIA COBERTURA | ED. ELEVADO + 28.9 m

O partido do projeto foi fazer com que o visitante tenha uma experiência de imersão na história da ditadura militar brasileira a partir das diferentes espacialidades do Museu da Democracia. O programa foi dividido em três volumes principais: “edifício elevado”, “edifício anexo” e “subsolo”. A ideia é que o usuário percorra o museu de baixo para cima, começando na escuridão da ditadura (subsolo) até chegar no “edifício elevado”, que representa a Democracia não à toa a cor símbolo escolhida para o edifício foi o amarelo: cor da luz, do conhecimento, do esclarecimento, e, é claro, da Democracia. A dicotomia ditadura - democracia também pode ser percebia nos diferentes graus de exposição à luz natural à qual o visitante é exposto: no subsolo, onde encontram-se as exposições permanentes da Comissão Nacional da Verdade, do Memorial da Democracia e o Memorial dos Mortos e Desaparecidos, não há nenhuma presença dos raios solares. Esse passado é imutável e marcado pela obscuridade.

No espaço das exposições temporárias (“edifício anexo”, no térreo), o usuário já recebe um pouco de claridade natural, sobretudo no percurso até o “edifício anexo”. Metaforicamente, é como um trajeto tímido em direção à democracia – as exposições temporárias podem fazer alusão à ditadura, mas também trazer elementos democráticos. É no “edifício elevado” que os usuários recebem a luminosidade. Com o objetivo de criar o emblema mais significativo da democracia, foram reunidos espaços de conhecimento e debate (biblioteca, salas de aula, teatro e auditório) em um prédio quase inteiramente envidraçado. Essa progressão, porém, não é isenta de um pesar, pois a estrada da ditadura à democracia foi árdua, penosa e difícil. Durante o trajeto entre os volumes do museu, o visitante é obrigado a encarar um dos maiores símbolos da repressão e tortura dos anos 1964 a 1985: o DOI-Codi (Destacamentos de Operações de Informações - Centros de Operações de Defesa Interna); bem como a Igreja do Santíssimo Sacramento, que, na época, foi

uma apoiadora da ditadura militar. Esses dois ícones são percebidos principalmente do “edifício elevado”, cujas fachadas sudeste e noroeste apontam para, respectivamente, a Igreja do Santíssimo Sacramento e o DOI-Codi. É preciso avançar sempre, porém, sem nunca esquecer do passado. O Museu da Democracia está localizado no número 1030 da Rua Tomás Carvalhal, local onde antes existia um estacionamento que dava as costas para o DOI-Codi. O novo edifício do museu não apenas olha para ele, mas compartilha um pátio que interliga as ruas Tutóia, Tomás Carvalho e Cel. Paulinho Carlos.

di - uma das formas de se chegar ao térreo do projeto é justamente pela entrada da atual delegacia. A ideia é que o Museu da Democracia se integre neste futuro espaço de memória ali locado.

CIRCULAÇÃO VERTICAL

Além disso, o local é estratégico por estar localizado em uma área amplamente contemplada por transporte público (há inúmeros pontos de ônibus na região, bem como 3 estações de metrô – Paraíso, Ana Rosa e AACD - Servidor – em um raio de 2 km); e com notáveis elementos socioculturais (como o Parque Ibirapuera, o Museu de Arte Contemporânea, o Sesc Vila Mariana e mesmo a Avenida Paulista, distante do Museu da Democracia em cerca de 1km).

ESCADA

SALA DE PROJEÇÃO

W.C

50 m²

Apesar de hoje funcionar o 36° Distrito Policial, há um apelo para que ele seja transformado em um espaço de memória. O primeiro passo dado foi o tombamento dos prédios, palco de tantas prisões, torturas e mortes.

4 m²

CIRCULAÇÃO VERTICAL

DEPÓSITO TEATRO 25 m²

ELEVADOR

W.C

4 m²

O Museu da Democracia compartilha dessa proposta, e tem seu pátio interno como extensão do estacionamento do antigo DOI-Co-

MEZANINO TEATRO

250 m²

CIRCULAÇÃO VERTICAL

ESCADA

3° ANDAR | ED. ELEVADO

CARL

OS

+ 21.0 m

A CE L. PA

ULI

NO

36° DISTRITO POLICIAL (DOI - CODI)

RU

CIRCULAÇÃO VERTICAL

LOCAL DO PROJETO

ESCADA

AUDITÓRIO W.C

SC AR VA

LH

AL

IA TUTÓ RUA

120 PESSOAS 150 m²

4 m²

TO

IGREJA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

N

RU A

N 10m

10m

CIRCULAÇÃO VERTICAL

FOYER

EST. METRÔ PARAÍSO

ANTIGO DOI-CODI

ELEVADOR

75 m²

W.C

4 m²

LOCAL DO PROJETO

SESC VL. MARIANA

EST. METRÔ ANA ROSA

PARQUE IBIRAPUERA

CIRCULAÇÃO VERTICAL

1° ANDAR TEATRO 300 m²

ESCADA

2° ANDAR | ED. ELEVADO + 17.0 m

ESPAÇO PARA REFLEXÃO 100 m²

N EST. METRÔ AACD

PERSPECTIVA - TÉRREO (OLHANDO DO DOI-CODI PARA O MUSEU DA DEMOCRACIA)

PERSPECTIVA DA PRAÇA ELEVADA

CIRCULAÇÃO VERTICAL

1 km

SALA 01

PERSPECTIVA DA RUA TOMÁS CARVALHAL

ESCADA

50m²

SALA 02 O Museu da Democracia está dividido em três principais blocos: o “edifício anexo”, o “edifício elevado” e os “subsolos”. O principal partido do projeto foi alocar no subterrâneo, espaço da escuridão e da morte, as exposições permanentes com os acervos sobre a ditadura; e, no edifício elevado, repleto de luz e transparência, as atividades relacionadas aos debates e à instrução. O térreo é o espaço de transição que conecta tais opostos, apresentando tanto um espaço para exposições temporárias, quanto duas praças (uma a nível do térreo, e outra elevada) para serem locais de encontros e de conversas. Além disso, a praça no nível térreo serve como uma plataforma de distribuição das diversas circulações que alimentam o edifício. PERSPECTIVA DO AUDITÓRIO

PERSPECTIVA DO MEZANINO DO TEATRO

No nível da rua, a praça interna do Museu interliga as ruas Tomás Carvalhal e Cel. Paulinho Carlos ao estacionamento do antigo DOI-Codi e à rua Tutóia. O projeto também previu o alargamento da calçada da rua Cel. Paulinho Carlos. Ainda no térreo existem o bicicletário, a loja e o primeiro pavimento da área destinada à exposição temporária - tanto a loja quanto a área expositiva encontram-se no “edifício anexo”. No segundo pavimento desse “edifício anexo” está outro pavimento para área expositiva temporária. A praça elevada é primeiro espaço de onde é possível avistar tanto o antigo DOI-Codi quanto a Igreja do Santíssimo Sacramento; e nela também se encontra o café.

PERSPECTIVA - ESPAÇO DE REFLEXÃO DO 1° PAVIMENTO E VISÃO DO PÁTIO DO DOI-CODI

Para se chegar às exposições permanentes, o usuário deve descer até o primeiro ou segundo subsolos, utilizando elevadores ou escadas. Aqui, há uma tentativa de emular a experiência de aprisionamento das vítimas da ditadura, que, quando capturadas, eram como que “mandadas às trevas”, ou, ainda, para “7 palmos abaixo da terra”. Foram destinados dois pavimentos de cerca de 1.000 m² cada para abrigar os acervos da Comissão Nacional da Verdade, do Memorial da Democracia e o Memorial dos Mortos e Desaparecidos. O último subsolo é destinado à área de apoio do Museu, contando com seu acervo, almoxarifado, sala de administração, área para catalogação e pesquisa, área para preservação e restauro e um espaço para co-working, pensado para atividades complementárias às do Museu,

PERSPECTIVA DO 1° ANDAR DO TEATRO

PERSPECTIVA DO CORREDOR DO 1° PAVIMENTO DO ED. ELEVADO - VISTA PARA AS SALAS E BIBLIOTECA (AO FUNDO)

O “edifício elevado” é composto por 4 pavimentos, tendo os três últimos um pavimento triplo. No primeiro andar há a biblioteca e as salas de aula (quatro salas de 50 m²), bem como um espaço para reflexão e outro de leitura da biblioteca (ambos dispostos nas duas extremidades do pavimento). Na fachada sudeste, o espaço de leitura da biblioteca é voltado para as copas das árvores e a Igreja; e na ala noroeste, onde há o espaço para reflexão, os usuários se deparam com o antigo DOI-Codi. A mesma coisa acontece no andar superior, com o auditório e com o teatro. Nos dois casos, o antigo DOI-Codi (com o auditório) e a Igreja do Santíssimo Sacramento (com o teatro) são plano de fundo para as discussões e encenações que ali existirão, de modo que tais cenários sejam sempre vistos pelos expectadores.

As vigas e pilares metálicos possuem perfil em H. Para vencer vãos de até 20 metros, foram utilizadas vigas de 1m de altura; para vãos de até 10m, foram utilizadas vigas de 50cm de altura; e, para vãos de até 5m, 30 cm. Todos os pilares possuem seção 50cm x 50cm e altura de 3,685m. Foram utilizados pilares em concreto armado nos subsolos e eventualmente na estrutura do “edifício anexo”, que possui geometria irregular devido à sua implantação. O edifício anexo também conta com paredes estruturais em concreto armado.

W.C

50 m²

4 m²

CIRCULAÇÃO VERTICAL

SALA 04 50 m²

ELEVADOR

W.C

4 m²

BIBLIOTECA 150 m²

CIRCULAÇÃO VERTICAL

ESCADA

ESPAÇO DE LEITURA 100 m²

1° ANDAR | ED. ELEVADO + 13.0 m

CIRCULAÇÃO VERTICAL ESCADA

CIRCULAÇÃO VERTICAL

ESCADA

CAFETERIA 100 m²

CIRCULAÇÃO VERTICAL

EDIFÍCIO ELEVADO

ELEVADOR

EDIFÍCIO ANEXO

CIRCULAÇÃO VERTICAL ELEVADOR

CIRCULAÇÃO VERTICAL

ESCADA

SUBSOLOS

PRAÇA ELEVADA + 8.0 m

PRAÇA ELEVADA 1° ANDAR ED.ANEXO

CIRCULAÇÃO VERTICAL

TÉRREO 1° SUBSOLO

CIRCULAÇÃO VERTICAL

ESCADA

2° SUBSOLO 3° SUBSOLO

CIRCULAÇÃO LIVRE

ESCADA

CIRCULAÇÃO RESTRITA

para garantir a estabilidade e baixa deformabilidade de todo o conjunto do “edifício elevado”. Os tirantes das fachadas garantem o encaminhamento das forças horizontais e verticais à estrutura da cobertura; bem como os tirantes internos que conectam todos os pavimentos às vigas de concreto protendido da cobertura - às quais se ligam os estais dos mastros. As duas lajes nervuradas são como estruturas maciças, que servem como engaste dos pórticos deslocáveis da estrutura metálica do bloco elevado. Dessa forma, tais lajes nervuradas se tornam grandes estruturas de contraventamento, estabilizando o prédio integralmente. Para melhor estabilização, também se previu um pilar que apoia todos os pavimentos do “edifício elevado” e que chega ao nível térreo – de modo a não prejudicar nem a estética arquitetônica, nem o vão livre idealizado. Os mastros centrais também servem de estrutura para os elevadores, e acabam fazendo o papel de estrutura rígida central do projeto. Além disso, acomodam os sanitários dos pavimentos. Os mastros laterais contém as escadas de emergência enclausuradas, que também atuam como estruturas rígidas. Além da função estrutural, os mastros, dada sua magnitude, são importantes elementos de reconhecimento do museu na paisagem e na memória da população.

Todas as lajes são alveolares protendidas (pré-fabricadas), e as vedações se dão através de painéis de concreto armado (também pré-fabricados) ou de painéis de vidro. Os painéis de concreto armado são fixados à outra estrutura metálica (modular); os de vidro são conectados às esquadrias.

CORTE LONGITUDINAL 5

SALA 03

PERSPECTIVA DO ESPAÇO DE LEITURA DA BIBLIOTECA

A estrutura do Museu da Democracia foi pensada modularmente e com componentes pré-fabricados. Esse foi um esforço para se conseguir uma construção mais limpa, rápida e ambientalmente correta (a sustentabilidade também foi contemplada com o projeto de uma cobertura que conta com 148 painéis fotovoltaicos – apesar de não estarem voltados para o Norte, a ausência de sombras advindas da direção oeste permite que toda a radiação proveniente a partir das 13h seja aproveitada pelos receptores solares). A estrutura é majoritariamente metálica nos três blocos (“edifício elevado”, “edifício anexo” e “subsolos”), havendo também elementos estruturais em concreto armado ou protendido, de acordo com a conveniência (ora devido à necessidade de uma geometria diferenciada, ora para maior estabilidade da estrutura como um todo).

0

50m²

como comunicação e marketing. Além disso, conta com um espaço para descanso dos funcionários e uma copa.

A estrutura do “edifício elevado” é mais complexa por ser inteiramente estaiada. Para que se pudesse ter um vão livre nas duas praças do Museu (praça térrea e praça elevada), optou-se por fazer as cargas primeiramente subirem à cobertura por tirantes, para depois serem levadas às fundações pelos mastros. A estrutura metálica desse bloco conta com tirantes em forma de X e com duas lajes nervuradas, uma na base do primeiro pavimento e outra na cobertura,

CORTE TRANSVERSAL 15

0

5

15

ÁREA EXPOSIÇÃO TEMP. 325 m²

CIRCULAÇÃO VERTICAL

CIRCULAÇÃO VERTICAL. ESCADA ROLANTE

ELEVADOR

CIRCULAÇÃO VERTICAL ELEVADOR

CIRCULAÇÃO VERTICAL

TRANSPORTE DE CARGAS ELEVADOR

ESCADA

2° ANDAR EXP. TEMPORÁRIA | ED. ANEXO + 4.0 m

BICICLETÁRIO 28 BICICLETAS

BICICLETÁRIO 9 BICICLETAS

CIRCULAÇÃO VERTICAL

CIRCULAÇÃO VERTICAL ESCADA

ESCADA

W.C

25 m²

W.C

ÁREA EXPOSIÇÃO TEMP.

4 m²

200 m²

CIRCULAÇÃO VERTICAL

CIRCULAÇÃO VERTICAL. ESCADA ROLANTE

ELEVADOR

W.C

4 m²

CIRCULAÇÃO VERTICAL ELEVADOR

CIRCULAÇÃO VERTICAL

TRANSPORTE DE CARGAS

ESCADA

ELEVADOR

ESTRUTURA METÁLICA DA VEDAÇÃO

PAINEL DE CONCRETO ARMADO (VEDAÇÃO)

PILAR METÁLICO

LOJA

100 m²

TÉRREO + 0.0 m

LAJE ALVEOLAR PROTENDIDA (PRÉ-FABRICADA)

VIGA METÁLICA

CIRCULAÇÃO VERTICAL

CIRCULAÇÃO VERTICAL

ESCADA

ESCADA

EXPOSIÇÕES - TEMPORÁRIAS E PERMANENTES (CORTE PERSPECTIVADO)

W.C

25 m²

W.C

ÁREA EXPOSIÇÃO PERM.

4 m²

1.000 m²

CIRCULAÇÃO VERTICAL ELEVADOR

W.C

4 m²

CIRCULAÇÃO VERTICAL ELEVADOR

CIRCULAÇÃO VERTICAL

TRANSPORTE DE CARGAS ELEVADOR

ESCADA

1° SUBSOLO - 4.0 m

0

1

2

3

4

5

CIRCULAÇÃO VERTICAL

6

CIRCULAÇÃO VERTICAL

ESCADA

ESCADA

W.C

25 m²

W.C

4 m²

ÁREA EXPOSIÇÃO PERM. 1.000 m²

CIRCULAÇÃO VERTICAL ELEVADOR

W.C

4 m²

CIRCULAÇÃO VERTICAL ELEVADOR

CIRCULAÇÃO VERTICAL

TRANSPORTE DE CARGAS ELEVADOR

ESCADA

2° SUBSOLO - 8.0 m

CATALOGAÇÃO E PESQUISA

W.C

250 m²

25 m²

CIRCULAÇÃO VERTICAL ESCADA

PRESERVAÇÃO E RESTAURO

W.C

25 m²

75 m²

COPA

60 m²

7

8

9

10

11

12

13

ÁREA DE COWORKING

W.C

80 m²

25 m²

ÁREA DE ESTAR 50 m²

ADMINISTRAÇÃO

50 m²

CIRCULAÇÃO VERTICAL ELEVADOR

TRANSPORTE DE CARGAS

ALMOXARIFADO

ELEVADOR

50 m²

ACERVO MUSEU 300 m²

3° SUBSOLO - 12.0 m

0

5

15


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Museu da Democracia by Erika Kubo - Issuu