Uma jornada pela história da Medicina no Rio Grande do Sul
Uma jornada pela história da Medicina no Rio Grande do Sul PORTO ALEGRE, 2026
O tempo transforma a Medicina. O cuidado atravessa o tempo.
Prefácio Há 75 anos, a Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) dedica-se à valorização da Medicina, à promoção da ciência, à qualificação profissional e ao compromisso com a sociedade. Este marco é um convite à reflexão sobre a trajetória percorrida até aqui e evidencia a responsabilidade de seguir contribuindo para o fortalecimento da Medicina nos anos que virão. Este livro foi idealizado para preservar essa jornada e registrar os acontecimentos, as iniciativas e as pessoas que ajudaram a construir a história da Associação. Ao longo de sete décadas e meia, a AMRIGS acompanhou as transformações da Medicina, participou de momentos decisivos da saúde no Rio Grande do Sul e consolidou-se como uma instituição comprometida com o conhecimento, com a representação da classe médica e com a sociedade. A evolução apresentada nestas páginas começa com o espírito associativista que levou à fundação da entidade, em 1951, e passa por iniciativas que se tornaram parte de sua identidade. As Caravanas Médicas, a criação da Revista da AMRIGS, o Exame AMRIGS, a construção de sua sede, a consolidação do Centro de Eventos e do Teatro, a criação do Instituto Vida Solidária e a ampliação da atuação científica e institucional são alguns dos marcos dessa caminhada. Em tempos mais recentes, a pandemia de COVID-19 representou um dos maiores desafios enfrentados pela Medicina e pela humanidade, período em que a AMRIGS também atuou na divulgação de informações confiáveis, no incentivo à ciência, no apoio aos médicos e na orientação da sociedade. Coube à nossa Diretoria conduzir a AMRIGS durante as gestões 20202023 e 2023-2026. Alcançamos, neste último ano de gestão, o “jubileu de brilhante” de fundação e, diante de uma data tão significativa, entendemos que era nosso dever preservar a memória da instituição e reunir, nesta obra, suas realizações e as personalidades que contribuíram para sua perenidade.
Diferentes gerações de médicos ajudaram a escrever esta história. Faço um reconhecimento especial aos ex-presidentes Dr. Hans Ingomar Schereen, Dr. Newton Barros, Dr. Dirceu Francisco de Araújo Rodrigues e Dr. Alfredo Floro Cantalice Neto. Além deles, demais presidentes, diretores, conselheiros, associados, colaboradores, representantes das Seccionais e das Sociedades de Especialidades Médicas que deram sua contribuição, cada um em seu tempo, para que a AMRIGS se tornasse o que é hoje. Este livro também é uma forma de valorizar esse legado coletivo e de homenagear todos aqueles que dedicaram parte de quem são à Associação. Celebrar esta data também é olhar para o futuro. Os desafios da Medicina continuam se renovando e a AMRIGS seguirá comprometida com sua missão de difundir o conhecimento técnico-científico, defender o exercício ético da profissão e contribuir para uma assistência à saúde cada vez mais qualificada. Espero que este livro seja uma fonte de memória, inspiração e reconhecimento para todos que fizeram e fazem parte da história da Associação Médica do Rio Grande do Sul, além de aproximar das novas gerações o legado construído ao longo desses 75 anos. Boa leitura. Dr. Gerson Junqueira Jr. Presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS)
“Cada geração deixou sua contribuição e ajudou a construir a AMRIGS que conhecemos hoje. Nossa responsabilidade é honrar esse legado, preservar a memória de quem fez parte dessa trajetória e, ao mesmo tempo, preparar a Associação para os próximos capítulos de sua história, sempre fiel ao compromisso com a Medicina, com a ciência e com a sociedade.”
Esta é uma história construída por muitas mãos, diferentes gerações e com um propósito que permanece: fortalecer a Medicina para cuidar melhor da vida. Ao longo de 75 anos, a AMRIGS acompanhou profundas transformações na ciência, na formação médica e na sociedade. Nasceu do encontro entre profissionais que compreenderam a força do conhecimento compartilhado, ampliou sua presença e assumiu novos compromissos diante dos desafios de cada tempo. Este livro preserva a memória das pessoas, das iniciativas e dos acontecimentos que deram forma a essa trajetória. Uma história que nasceu do associativismo, transformou-se em legado e segue em movimento, conectada ao conhecimento, às novas gerações e ao futuro.
Sumário
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O nascer Uma associação criada a partir do encontro, da troca de conhecimento e da necessidade de dar voz à Medicina gaúcha. Os primeiros passos da AMRIGS revelam como o associativismo começou a transformar a profissão no Estado página 12
O crescer Da primeira sede à construção de uma estrutura própria, a AMRIGS ampliou sua presença, fortaleceu serviços e consolidou iniciativas que marcaram gerações de médicos e ajudaram a projetar a entidade no cenário estadual e nacional página 46
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O transformar Novos tempos trouxeram novos desafios. Ciência, responsabilidade social, comunicação, tecnologia e atuação pública passaram a ocupar um espaço cada vez maior na trajetória de uma instituição que aprendeu a se renovar sem perder sua essência página 86
O futuro agora Aos 75 anos, a história continua sendo escrita. Novas gerações, inovação, sustentabilidade, formação médica e representatividade apontam os caminhos de uma AMRIGS preparada para os próximos capítulos página 130
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O nascer
Em uma década marcada por grandes avanços na Medicina, foi fundada a AMRIGS, em 27 de outubro de 1951. Desde o princípio, a Associação manteve o foco na disseminação do conhecimento científico, com iniciativas como a Revista da AMRIGS, o Exame AMRIGS, os Congressos e as Caravanas pelo interior
FOTO: Acervo AMRIGS
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O N A SCE R A Associação Médica do Rio Grande do Sul foi criada para aproximar médicos, compartilhar conhecimento e fortalecer a profissão em um período de grandes transformações científicas e sociais
A década de 1950 foi marcada por avanços científicos fundamentais para a Medicina, em um mundo que ainda buscava se recuperar das feridas da Segunda Guerra Mundial. O uso em larga escala de antibióticos recém-descobertos revolucionou o combate a infecções bacterianas, enquanto o desenvolvimento e a aplicação de novas vacinas permitiram prevenir patologias causadas por vírus. O fundador e primeiro presidente da AMRIGS, Dr. Bruno Atílio Marsiaj, acompanhado de colegas, examina documentos relativos à Associação, nos anos 50
Nesse período, a Medicina iniciou um processo de especialização, e os hospitais ampliaram sua atuação para além da assis-
tência, tornando-se centros de ensino, pesquisa e disseminação de conhecimento científico. Na Cardiologia, por exemplo, cirurgiões dominaram técnicas para interromper o fluxo sanguíneo, viabilizando o tratamento direto do coração. Foi também nessa década que, pela primeira vez, válvulas artificiais foram implantadas e estímulos elétricos passaram a ser usados para controlar os batimentos cardíacos. Na Oncologia, estudos pioneiros demonstravam que certos tipos de câncer já estavam associados ao tabagismo.
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FOTOS: Acervo Fototeca Sioma Breitman / Prefeitura de Porto Alegre
À medida que avançava aquele momento de profundas transformações científicas, crescia o otimismo da humanidade diante da perspectiva de uma Medicina tecnicamente preparada e estruturalmente equipada para garantir melhor qualidade de vida às pessoas. Porto Alegre, com seus cerca de 394 mil habitantes na época, já era uma cidade pujante naquele período que ficou conhecido como os “Anos Dourados”. A capital consolidou-se como referência no estado e uma das principais do país nos campos da arte, da literatura e da cultura, impulsionada pelo Modernismo, movimento que rompeu com o tradicionalismo acadêmico em busca de uma identidade nacional. Símbolo dessa efervescência cultural foi a fundação, em 1954, do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), na Praça da Alfândega, no coração do Centro Histórico.
Em meio aos avanços científicos e à efervescência cultural, Porto Alegre vivia um período de transformação que também alcançava a Medicina e suas instituições FOTO: Acervo Histórico MUHM / Wikimedia Commons
Ao lado, o prédio da Faculdade de Medicina da UFRGS, uma das principais referências da formação médica no Estado. Acima e na página seguinte, registros do Centro de Porto Alegre nos anos 1950
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FOTO: Acervo Arquivo Público do Estado do RS (APERS) / Prefeitura de Porto Alegre
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FOTO: Acervo AMRIGS
Registro de atendimento médico em ambiente hospitalar na época da criação da AMRIGS
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FOTO: Acervo Wikimedia Commons / Domínio Público
Naquele momento da história, Porto Alegre possuía uma rede hospitalar sólida e integrada ao circuito médico nacional, acompanhando os avanços científicos que transformavam a Medicina. A Santa Casa de Misericórdia, fundada em 1803 como Hospital de Caridade e que teve seu nome alterado por aprovação régia em 1822, era uma das principais instituições médicas da cidade, oferecendo diversos serviços à população. O Hospital São Pedro, inaugurado em 1884, era referência no atendimento em saúde mental. Já a Beneficência Portuguesa, criada em 1854, ocupava posição de destaque na assistência hospitalar, especialmente na área materno-infantil. Essas instituições ajudavam a formar uma estrutura assistencial já consolidada, que colocava Porto Alegre em posição de destaque no cenário médico do Estado e do país.
FOTO: Acervo Fotográfico do Arquivo CHC Santa Casa de Porto Alegre/Reprodução Zero Hora
Acima, imagem de profissionais em ação na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre nos anos 50. À esquerda, imagem histórica do Hospital Beneficência Portuguesa
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Interligando as diversas estruturas de saúde desse período, havia um esforço coletivo das autoridades para organizar o atendimento à população por meio de um sistema baseado na filantropia praticada pelas instituições. Os médicos eram credenciados para atuar nos hospitais, mas sem vínculo empregatício, modelo que só seria estruturado de outra forma anos depois. A imensa maioria dos atendimentos era realizada em consultórios particulares, visto que um sistema governamental estruturado para o acesso universal só surgiria quase 40 anos depois, com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo a gratuidade a todos os brasileiros.
O acesso à assistência médica dependia de uma combinação entre atendimento particular, instituições filantrópicas e diferentes formas de organização do poder público FOTO: Acervo Fotográfico do Arquivo CHC Santa Casa de Porto Alegre
Registro da fachada do Hospital São Francisco, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, no início da década de 1940
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FOTO: Acervo AMRIGS
Imagem de ambiente interno de hospital no início dos anos 1950
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FOTO: Acervo AMRIGS
Encontros realizados no interior reuniam médicos de diferentes regiões para trocar experiências, discutir novidades científicas e aproximar profissionais que atuavam longe dos grandes centros
Caravanas: levar informação atualizada a outras regiões do Estado também significava fortalecer vínculos entre os médicos e ampliar o alcance da formação científica
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AS CARAVAN AS E A FUN DAÇ ÃO DA AMRIGS Compartilhar conhecimento médico fora da capital era um desafio que exigia iniciativa, organização e disposição para encurtar distâncias. A televisão ainda dava seus primeiros passos, jornais e revistas impressas demoravam a chegar aos centros urbanos distantes das capitais do centro do país e as viagens terrestres ou aéreas para participação em congressos eram jornadas demoradas e pouco confortáveis. Diante desse cenário, fazer a informação circular era um desafio constante. No Rio Grande do Sul, uma das soluções encontradas pelos médicos foi a organização das Caravanas: grupos de especialistas que se deslocavam para cidades do interior durante os finais de semana para auxiliar no aprimoramento científico, por meio do debate sobre as novas descobertas da ciência. As principais fontes de informação partilhadas eram artigos e trabalhos acadêmicos impressos vindos dos Estados Unidos e da Europa, que chegavam ao Brasil dias após sua divulgação no exterior.
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FOTOS: Acervo AMRIGS
Abertura solene da I Jornada Sul Riograndense de Cirurgia e fundação da AMRIGS no Salão Nobre da Faculdade de Medicina de Porto Alegre. O médico Bruno Atílio Marsiaj foi o presidente da Jornada e fundador da AMRIGS
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Foi a combinação de três elementos que criou as condições para a realização, entre 21 e 26 de outubro de 1951, da Primeira Jornada Sul Riograndense de Cirurgia. Uma Porto Alegre em efervescência cultural, uma capital com sólida estrutura médico-hospitalar e uma classe profissional interessada em consumir e disseminar conhecimentos científicos que ajudavam a moldar a Medicina do futuro. O evento ocorreu na então Faculdade de Medicina de Porto Alegre. Fundada em 1898 e posteriormente integrada à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a instituição era, na época, a única faculdade de Medicina do estado.
A I Jornada Sul Riograndense de Cirurgia reuniu profissionais interessados em compartilhar conhecimentos científicos e fortalecer a integração da classe médica
Registro do público durante o evento, que mobilizou um grande número de profissionais da Medicina entre os dias 21 e 26 de outubro de 1951
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Presidida pelo cirurgião Bruno Marsiaj, a Jornada encerrou-se na noite do dia 26 com um banquete e show artístico no Palácio das Mil e Uma Noites, tradicional ponto de encontro da elite porto-alegrense no bairro Vila Assunção. Mas a atração principal estava reservada para o dia seguinte. Na manhã de 27 de outubro, o jornal Correio do Povo, o principal do Rio Grande do Sul à época, anunciava a criação da AMRIGS. O texto abaixo da manchete explicava: “A nova entidade é destinada a congregar a totalidade dos profissionais do Estado”.
“Será fundada hoje, nesta capital, a Associação Médica.” (Notícia publicada no jornal Correio do Povo, na manhã de 27 de outubro de 1951) As sessões solenes do evento contaram com a presença de diversas autoridades. Nesta imagem, momento do discurso do Dr. Julio Marino de Carvalho, secretário de Educação e Cultura do governador Ernesto Dornelles. Compondo a mesa estão o prefeito municipal de Porto Alegre, Dr. Elyseu Paglioli (terceiro, da esquerda para a direita), o Dr. Guerra Blessmann, diretor da Faculdade de Medicina (quarto, da esquerda para a direita), e o arcebispo Metropolitano Dom Vicente Scherer (no canto direito)
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Na imagem ao lado, encontro de médicos em um momento de articulação que antecedeu a criação da AMRIGS. Em seu discurso durante a solenidade de fundação, Dr. Paulo Tibiriçá mencionou esses encontros realizados durante o ano e a importância da mobilização dos médicos
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FOTOS: Acervo AMRIGS
A fundação concretizou-se a partir das 10h30min, no Salão Nobre da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, diante de 76 delegados eleitos por diferentes sociedades médicas gaúchas, representantes de diversas especialidades, e de participantes da Jornada encerrada na noite anterior. A sessão foi presidida pelo patologista Paulo de Queiroz Telles Tibiriçá. Professor da instituição que sediava o encontro, Dr. Tibiriçá relatou a mobilização que ele, ao lado de outros colegas, iniciara em maio daquele ano, durante caravana médica em Rio Grande, no sul do estado. Desde aquele marco e em todas as caravanas seguintes, a pauta central era a necessidade de uma entidade regional que agregasse os médicos, defendesse suas causas e assumisse o papel de disseminar o conhecimento científico, fomentando a permanente qualificação técnica. A reunião na capital era o ponto culminante dessa caminhada. Terminado o relato, Dr. Tibiriçá propôs a criação da instituição. Sob aplausos dos presentes que lotavam o Salão Nobre e os corredores, nasceu a Associação Médica do Rio Grande do Sul.
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FOTO: Dani Villar
“A nova entidade é destinada a congregar a totalidade dos profissionais do Estado.” (trecho de matéria sobre a fundação da AMRIGS no jornal Correio do Povo)
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Doutorando em Medicina e jornalista, Oswaldo Wolf Dick foi o responsável por redigir as atas das reuniões preparatórias e divulgar no jornal Diário de Notícias os passos da mobilização da classe médica. Foi de sua pena que surgiu, já no ato de fundação, a sigla da nova associação: AMRIGS. No mesmo dia, às 15h30min, realizou-se a primeira assembleia geral da entidade, em um encontro que se estendeu noite adentro. Ao fim dos trabalhos, o Dr. Bruno Marsiaj, egresso da própria faculdade que sediava o evento e presidente da Sociedade de Cirurgia, foi eleito o primeiro presidente da AMRIGS. Na ocasião, aprovou-se também o estatuto, cujo artigo primeiro definia que a associação teria por finalidade “propugnar pela união e pela defesa de todos os profissionais da Medicina”, reafirmando o caráter associativista do momento, e “promover o aperfeiçoamento da cultura médico-científica”, premissas que se tornaram a bússola para a atuação da AMRIGS nas décadas seguintes.
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FOTO: Dani Villar
FOTO: Acervo AMRIGS
O movimento dos médicos gaúchos convergia com uma mobilização de âmbito nacional. Em 26 de janeiro de 1951, dez meses antes da fundação da AMRIGS, fora criada a Associação Médica Brasileira (AMB), durante o III Congresso da Associação Paulista de Medicina, em Uberaba (MG). Com o objetivo de integrar a classe médica em todo o país, a AMB contava, em sua fundação, com 20 entidades federadas. Após sua criação, a AMRIGS passou a integrar a associação nacional. O estatuto da recém-criada AMRIGS definia que a Associação tinha por finalidade “propugnar pela união e defesa de todos os profissionais da Medicina e promover o aperfeiçoamento da cultura médico-científica”. Nas imagens, trechos da ata de fundação e assinaturas de adesão de sindicatos e associações médicas
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Esse modelo de organização nacional previa a constituição de associações médicas estaduais como representantes das unidades federativas junto à AMB, com a missão de integrar a classe médica e articular as diferentes expressões da Medicina em cada estado. No Rio Grande do Sul, o processo ocorreu em um cenário no qual Porto Alegre já contava com instituições médicas tradicionais, como a Sociedade de Medicina de Porto Alegre. A fundação da AMRIGS representou a criação de uma estrutura estadual capaz de congregar as representações médicas dos municípios e assumir a representação institucional da Medicina gaúcha, consolidando-se também como um espaço de integração científica, associativa e de valorização da prática médica no Estado.
A PRIMEIRA SED E PRÓPRIA, N A RUA U RU GUA I Três meses depois da fundação, a AMRIGS ganhou sua primeira sede própria, fruto do esforço coletivo dos médicos. A aquisição foi viabilizada por uma doação da Sociedade de Medicina de Porto Alegre e pelas contribuições dos primeiros associados, que passaram a adquirir quotas do Plano Pró Pagamento da Sede da AMRIGS. Com essa mobilização conjunta, a Associação reuniu dois milhões de cruzeiros, valor expressivo para a época. Em 1952, o salário mínimo era de 1,2 mil cruzeiros, o que significa que a quantia arrecadada correspondia a cerca de 1.667 salários mínimos (ou R$ 2,7 milhões em valores atualizados para 2026). Os recursos foram usados para a aquisição do conjunto 1004 do 10º andar do Edifício Piratini, na Rua Uruguai, 240, bem no coração de Porto Alegre e a poucos metros do Paço Municipal. A escritura foi assinada pelo presidente Dr. Marsiaj em 14 de janeiro de 1952. A nova casa tinha um vestíbulo, três salas e um banheiro. Uma das salas foi transformada em auditório para 60 pessoas, palco de muitos encontros científicos, em sintonia com um dos propósitos que orientavam a Associação desde sua criação.
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FOTO: Acervo AMRIGS
Dr. Bruno Marsiaj (à direita na foto) e colegas durante a assinatura de compra da sede da AMRIGS na Rua Uruguai
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FOTOS: Acervo AMRIGS
A sede da Rua Uruguai abrigaria a AMRIGS por quase duas décadas. Mais tarde, em julho de 1969, a Associação se mudaria para um espaço maior, na Avenida Senador Salgado Filho, acompanhando o crescimento de suas atividades e do número de associados. Os dias vividos nessa primeira sede foram marcantes para a história da AMRIGS. Na Rua Uruguai foram criados dois eventos científicos que confirmaram a disposição da entidade em ser uma referência para os médicos gaúchos na disseminação do conhecimento científico. No alto da página, mesa diretiva da cerimônia de inauguração da segunda sede própria, na Avenida Salgado Filho, em 1969. Na imagem menor, a bênção do arcebispo
O primeiro deles foi a circulação, a partir de março de 1957, da Revista da AMRIGS, que passou a ser referência para a classe médica nas décadas seguintes pela qualidade de seu conteúdo técnico.
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Revista da AMRIGS COMPROMISSO COM O CONHECIMENTO CIENTÍFICO Em março de 1957, a AMRIGS deu um passo importante para ampliar a circulação do conhecimento científico entre os médicos gaúchos. Nascia a Revista da AMRIGS, criada como canal oficial da Associação para a publicação de estudos, artigos e reflexões sobre diferentes áreas da Medicina. A edição de estreia abriu com um artigo do Dr. Rubens M. G. Maciel, catedrático de Clínica Propedêutica Médica da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, sobre o tratamento da insuficiência cardíaca. O texto começava assim: “A movimentação do sangue dentro do sistema canalicular que o encerra se faz à custa de mecanismos propulsores, destinados a assegurar sua chegada aos diferentes setores do organismo em condições adequadas de quantidade e pressão. Desses elementos propulsores, o mais importante, com grande diferença dos demais, é o coração.”
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FOTOS: Dani Villar
Sob a responsabilidade do diretor Dr. Ério Brazil Pellanda e tendo como redator-chefe o Dr. Carlos Grossman, a primeira edição também apresentava aos leitores as diretrizes do periódico. A Revista era o “órgão oficial da Associação Médica do Rio Grande do Sul” e teria periodicidade trimestral, com edições nos meses de março, junho, setembro e dezembro. Os originais precisavam ser inéditos, sem publicações anteriores em outros impressos, e remetidos à redação “datilografados em espaço duplo”. A aprovação dependeria de avaliação do Conselho de Redação, composto por um grupo de nove médicos. A Revista da AMRIGS consolidou-se, ao longo dos anos, como um importante instrumento de atualização e circulação do conhecimento entre os profissionais da Medicina. A segunda edição, que circulou em junho do mesmo ano, trazia como editorial principal “A Necessidade da Necrópsia”, demonstrando a diversidade de temas médicos tratados pela publicação desde o início.
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O acervo da AMRIGS compreende encadernações dos exemplares da Revista, organizadas em volumes que reúnem várias edições do mesmo período. Esses livros são uma valiosa documentação sobre as práticas médicas e os avanços da Medicina ao longo das décadas
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MUDANÇA: FORMATO DIGITAL No final dos anos 1990, com o advento do ambiente digital, a Revista da AMRIGS buscou novos formatos para seguir em sua missão de disseminar conteúdo científico. Em 2020, houve uma importante transição de plataforma: as páginas de papel deram lugar ao formato digital. A revista deixou de ser impressa e passou a ser disponibilizada exclusivamente no site da AMRIGS, sob a orientação do novo editor-chefe, o psiquiatra Flávio Milman Shansis, que liderou as mudanças.
INTERNACIONALIZAÇÃO: NOVO NOME Em maio de 2025, a Revista da AMRIGS passou a se chamar Trends in Health Sciences. A proposta inovadora, voltada à internacionalização, marcou o início de uma nova etapa para a publicação, que já acumulava 68 anos de circulação ininterrupta. A edição de estreia sob o novo título tratou do tema “Saúde Planetária”, abordando os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde mundial com a colaboração de pesquisadores do Brasil e do exterior. Neste novo formato, há maior dinamismo na veiculação dos artigos, que passam a contar com a atribuição de DOI (Digital Object Identifier), código único de registro de textos científicos que amplia a visibilidade e o impacto das produções. A mudança promovida em 2025 vai além da transformação digital e contempla também uma nova proposta de linha editorial e de público-alvo, a partir da curadoria de um conselho editorial multidisciplinar. As edições quadrimensais passaram a ser temáticas, tratando com mais profundidade de uma única questão. “Saúde Planetária” foi o tema de estreia da mudança, e os planos para as próximas edições incluem temas como o cigarro eletrônico, com foco nos riscos à saúde associados ao uso desses dispositivos, e a dengue, infecção viral que periodicamente provoca casos graves e mortes no país. PLURALIDADE E RELEVÂNCIA Quando surgiu, a Revista da AMRIGS era feita por médicos e dirigida aos associados da instituição, foco que foi ampliado a partir das mudanças de 2025. A publicação científica passou a aceitar artigos de profissionais de diferentes áreas da saúde,
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não apenas médicos. Assim, passou a oferecer uma visão universal e assumiu de forma ainda mais efetiva o papel de dialogar com o ambiente da saúde em suas diferentes dimensões de atuação. Também passou a publicar o conteúdo em inglês. O plano estabelecido pelo conselho editorial é consolidar esse processo em até dez anos, ou seja, em 2035. Nessa jornada, a meta é conduzir a Revista a desempenhar com excelência o seu papel de destaque e relevância científica. O conselho editorial planeja torná-la objeto de desejo para o profissional que quer publicar o seu trabalho e também referência para quem procura informações técnicas para pesquisas. Se o compromisso da AMRIGS desde seu nascimento é com a ciência, a Revista se apresenta como porta-voz desse propósito.
FOCO NA VIDA INSTITUCIONAL Paralelamente à publicação técnico-científica, a AMRIGS também mantém, ao longo dos anos, uma publicação de perfil jornalístico, destinada a registrar e divulgar notícias, projetos, eventos, entrevistas e informações sobre a atuação da Associação. Esse conteúdo circulou inicialmente em formato impresso e, na última década, acompanhou a transformação dos hábitos de leitura e passou a ser oferecido também em meio digital. A publicação recebeu inicialmente o nome de Jornal AMRIGS e, posteriormente, Revista Digital AMRIGS. Em outubro de 2024, passou a se chamar Medicina & Pesquisa, preservando a proposta de aproximar associados e sociedade das iniciativas desenvolvidas pela entidade e dos principais temas relacionados à Medicina.
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O segundo evento científico que marca a história da instituição ocorreu em 1961. Para celebrar os dez anos de sua existência, a Associação promoveu o I Congresso AMRIGS, realizado de 22 a 28 de outubro e que foi chamado de “a festa da amizade e da inteligência dos médicos gaúchos”. Em um discurso memorável, o presidente da Associação, Dr. José Luiz Tavares Flores Soares, fez um apelo na abertura do encontro, reforçando o papel da entidade de agregar a classe médica:
“Médicos, unamo-nos. A nenhum colega, por menos atento à evolução social do mundo e particularmente da nossa pátria, poderá deixar de impressionar a profunda transformação que vem passando, como consequência dessa transição social, o exercício da nossa profissão.” (fala do presidente da AMRIGS, Dr. José Luiz Tavares Flores Soares) Nesse mesmo ano, em uma iniciativa pioneira no meio médico gaúcho, a AMRIGS ampliou sua atuação para além do ambiente profissional e passou a se comunicar diretamente com a sociedade. Na TV Piratini, primeira emissora de televisão do Estado e pertencente ao Grupo Diários Associados, do empresário Assis Chateaubriand, a Associação passou a apresentar o programa Vida Médica, oferecendo conteúdo voltado à orientação da população sobre cuidados com a saúde.
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FOTOS: Acervo AMRIGS
O I Congresso AMRIGS realizou-se em outubro de 1961, ano em que a Associação completava 10 anos de atividade. Nesta página e ao lado, as imagens registram diferentes momentos do evento, que reuniu médicos em torno da atualização científica e da integração da classe
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O crescimento da instituição, que em 1962 havia sido considerada de “utilidade pública” pelo prefeito de Porto Alegre, José Loureiro da Silva, fez com que as instalações no Edifício Piratini ficassem pequenas, por conta do aumento do número de participantes das atividades culturais e científicas promovidas no local. A solução foi buscar um espaço maior, e ele estava a poucas centenas de metros dali.
FOTO: Acervo AMRIGS
Em 17 de julho de 1969, a AMRIGS estava de casa nova: um andar inteiro no Edifício Planalto, no sexto andar do número 135 da Avenida Senador Salgado Filho, também no Centro de Porto Alegre. O espaço tinha 1,1 mil metros quadrados e contava com um elevador privativo, quatro auditórios, um restaurante e até uma barbearia para atender os associados. A aquisição havia sido feita com a entrega do conjunto da Rua Uruguai mais um valor obtido em empréstimo junto à Caixa Econômica Federal. Foi no prédio da Salgado Filho que a Associação escreveu um dos mais importantes capítulos de sua história: a criação, em 1971, do Exame AMRIGS, que tinha por objetivo se tornar um instrumento de avaliação dos conhecimentos dos médicos. Mais adiante, além dessa função de autoavaliação, o Exame também passaria a ser utilizado como instrumento de seleção para ingresso em programas de Residência Médica.
O I Congresso AMRIGS, em 1961, foi um evento científico que marcou a história da instituição, chamado de “a festa da amizade e da inteligência dos médicos gaúchos”
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Exame AMRIGS SELEÇÃO PARA QUALIFICAR A RESIDÊNCIA MÉDICA O Exame AMRIGS, que depois passou a se chamar Prova AMB/AMRIGS, nasceu em maio de 1971, quando a Associação completava 20 anos, com o objetivo de propor uma autoavaliação aos médicos em atividade. Nos anos seguintes, ampliou sua função e passou também a ser adotada como critério de seleção para candidatos à Residência Médica. Ao longo das décadas posteriores, firmou-se como uma das mais importantes contribuições da entidade para o aprimoramento e a qualificação do ensino médico no Rio Grande do Sul. A primeira edição, coordenada por um conselho composto por 12 membros, teve 115 inscritos, que responderam a 360 questões divididas em seis áreas: Medicina Interna, Pediatria, Cirurgia, Ginecologia-Obstetrícia, Psiquiatria e Saúde Pública. Como toda novidade que surge em um ambiente de práticas tradicionais, o exame causou certo descontentamento inicial entre os universitários. A tarefa da direção da AMRIGS foi demonstrar que a avaliação servia como um instrumento de aperfeiçoamento, o que resultaria em uma Medicina de melhor qualidade oferecida à sociedade.
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FOTOS: Dani Villar e Acervo AMRIGS
“O Exame AMRIGS tem por objetivo avaliar em cada candidato a soma de conhecimentos indispensáveis ao exercício do melhor padrão profissional e a prática de uma medicina integral que permita ao médico enfrentar com o tirocínio adequado os problemas somáticos, psicológicos e sociais do paciente, de acordo com a realidade brasileira.” Esse foi o texto publicado pela direção da Associação na época, para explicar com total clareza o objetivo do Exame, externando uma preocupação que marcou toda a existência da AMRIGS: a qualificação dos médicos gaúchos a partir do domínio do conhecimento científico que resultasse em práticas de alto padrão no atendimento ao paciente. CRESCIMENTO E CONSOLIDAÇÃO O trabalho de conscientização foi bem-sucedido. Na segunda edição da prova, em 1972, foram 1.368 candidatos inscritos de todo o estado – mais de dez vezes o número da edição de estreia. Ao longo dos anos, diferentes serviços de Residência Médica passaram a adotar o Exame AMRIGS como critério de seleção. Em 2010, somente em Porto Alegre, já eram 16 programas que utilizavam a prova para selecionar seus futuros residentes. Em 2001, quando o Exame completou 30 anos, uma reportagem publicada no Jornal da AMRIGS celebrou o sucesso da iniciativa pioneira. Por conta da aplicação da prova, dizia a reportagem, a Associação celebrava o fato de ter instigado o meio acadêmico a qualificar suas práticas, o que, certamente, contribuía para a melhoria da atuação médica no Estado.
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Caravanas pelo interior
A AMRIGS é responsável pela elaboração das provas, e a banca examinadora é composta por médicos e professores universitários, todos com doutorado. Em 2025, 9,7 mil participantes prestaram o exame em 18 diferentes cidades e os resultados foram avaliados por 160 programas de Residência Médica
FRONTEIRAS ROMPIDAS Com a crescente importância da prova para a formação dos especialistas gaúchos, as fronteiras do Rio Grande do Sul foram rompidas a partir de uma decisão tomada em um local distante: Singapura, na Ásia. Foi lá que, em 2013, a Associação Médica Mundial promoveu um encontro para discutir a liderança médica frente aos desafios globais. O diretor científico da AMRIGS à época, Dr. Antonio Carlos Weston, reuniu-se no país asiático com o colega Dr. Aguinel
José Bastian Júnior, então presidente da Associação Catarinense de Medicina. A partir desse diálogo, Dr. Bastian resolveu levar o Exame AMRIGS para seu estado, o que se concretizou em 2014. Com a expansão para cidades-polo gaúchas e a adesão catarinense, a avaliação de 2014 alcançou cerca de 5 mil inscritos e passou a ser considerada por 72 programas de Residência Médica nos dois estados.
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A NACIONALIZAÇÃO DO EXAME Essa expansão abriu portas para o cenário nacional. Em 2019, a AMRIGS firmou um acordo com a Associação Médica Brasileira e a seleção adotou o nome de Prova AMB/AMRIGS. Vale lembrar que a avaliação gaúcha já era reconhecida pela entidade nacional desde 1978. Nos anos seguintes, a Prova ampliou sua presença nacional, passando a ser utilizada por Programas de Residência Médica e instituições de diferentes estados. A articulação institucional também envolve entidades médicas estaduais, que atuam em parceria com a AMRIGS e a AMB na realização do processo seletivo. A elaboração da Prova é de responsabilidade da AMRIGS. A banca examinadora é composta por oito médicos e professores universitários, todos com doutorado, que elaboram questões ou analisam sugestões enviadas por docentes convidados. Na edição de 2025, foram analisadas 2.025 questões. Desse montante, selecionaram-se cem para a prova de Acesso Direto e outras para 50 especialidades com pré-requisitos, cada uma com 25 questões. Realizada em 23 de novembro de 2025, em seis estados e 18 cidades, a Prova reuniu 9.721 candidatos, número 22,74% superior ao registrado na edição anterior. Ao longo de toda a sua trajetória histórica, iniciada em 1971, a Prova AMB/AMRIGS já contabilizou mais de 90 mil inscritos, consolidando-se como uma das principais iniciativas da entidade na área da formação médica. Um importante reconhecimento do valor científico do processo veio em dezembro de 2025. Durante uma reunião na Associação Paulista de Medicina sobre a situação da educação médica no Brasil, um dos participantes, referência nacional no ensino médico, definiu em poucas palavras a importância da avaliação iniciada em 1971:
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“A prova da AMRIGS é um patrimônio científico nacional. Vocês, gaúchos, devem se orgulhar dela.” (fala do dermatologista Antonio Bastos Gomes, referência nacional no ensino médico)
FOTOS: Marcelo Matusiak
Em 2019, a AMRIGS firmou um acordo com a Associação Médica Brasileira (AMB) e a seleção passou a se chamar Prova AMB/AMRIGS, sendo aplicada em 6 estados
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O crescer
A Associação evoluiu e cresceu em representatividade graças ao trabalho dedicado das gestões que se sucederam em seu comando. Manteve-se alinhada às grandes transformações na área da saúde no Rio Grande do Sul e no Brasil. Nos anos 1970, iniciou o projeto de construção de sua nova sede, um verdadeiro marco na história da AMRIGS
FOTO: Acervo AMRIGS
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O C R E SCE R O empenho das gestões que se sucederam desde a fundação proporcionou evolução à entidade, que soube acompanhar as impactantes transformações na área médica do Rio Grande do Sul e do Brasil nos anos 70
A construção da nova sede, na esquina das Avenidas Ipiranga e Salvador França, foi fruto da mobilização da AMRIGS e de seus associados
Ao completar 20 anos, em 1971, a AMRIGS contava com cerca de 4,5 mil associados. Quando foi fundada, em 1951, a entidade reuniu 76 delegados que representavam as 23 Sociedades de Especialidades Médicas existentes no Rio Grande do Sul, sendo 16 em Porto Alegre e 7 no interior. Duas décadas depois, sua estrutura já havia se ampliado de forma expressiva. Sediada no prédio da Avenida Salgado Filho, a Associação agregava sete sociedades médicas e 23 departamentos especializados em Porto Alegre, além de dez associações médicas e 16 sociedades regionais distribuídas pelo estado. Esse crescimento foi fruto do empenho das gestões que se sucederam desde a fundação da AMRIGS.
Para os brasileiros, o início dos anos 1970 foi uma época de grandes desafios no acesso ao sistema de saúde. O atendimento público, sob responsabilidade do antigo Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) – que mais tarde daria origem a uma nova estrutura previdenciária e assistencial, o INAMPS –, era restrito aos cidadãos que contribuíam financeiramente com o órgão federal. Aqueles que não possuíam emprego formal dependiam de instituições de caridade ou hospitais filantrópicos para obter assistência médica. Naquele período, cerca de 95% das internações eram realizadas em hospitais privados conveniados ao governo.
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Se o sistema público de saúde enfrentava problemas, existia, em contrapartida, uma euforia na classe médica com os avanços científicos da época, impulsionada especialmente pelo feito do cirurgião Christiaan Neethling Barnard. No final de 1967, o Dr. Barnard comandou sua equipe na realização de um procedimento que se tornaria um dos mais brilhantes capítulos da história da Medicina. No Hospital Groote Schuur, na Cidade do Cabo, na África do Sul, o cirurgião realizou o primeiro transplante de coração do mundo. Ao receber o novo órgão, o paciente Louis Washkansky demonstrou que todo o conhecimento científico investido em anos de estudos e preparação técnica havia sido recompensado, projetando um futuro que transformaria a doação de órgãos em uma prática comum, salvando vidas em dezenas de hospitais espalhados pelo mundo. O avanço do conhecimento científico também teve um capítulo importante poucos anos depois, em 1971, mas dessa vez do outro lado do oceano Atlântico, em Nova York, nos Estados Unidos. Professor do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Nova York, o médico Raymond Damadian utilizou estudos sobre a ressonância magnética nuclear (RMN) para publicar um artigo na revista Science, demonstrando que a técnica poderia detectar diferenças entre células humanas saudáveis e cancerosas. Esse trabalho deu os primeiros passos para a criação dos exames de ressonância magnética alguns anos mais tarde. Criada para disseminar o conhecimento científico, a AMRIGS acompanhava todas as transformações que impactavam a área médica e, por conta disso, enfrentou um desafio logístico: a sede na Avenida Salgado Filho tornara-se exígua para tamanha movimentação. Era necessário buscar um novo local para acomodar o dinamismo provocado pelas constantes revoluções da Medicina pelo mundo.
Havia uma euforia na classe médica com os avanços científicos da época, impulsionados por descobertas de médicos como Christiaan Barnard e Raymond Damadian
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No início da década de 1970, a AMRIGS já tinha cerca de 4,5 mil associados e seus eventos – congressos, jornadas, caravanas, debates – sempre mobilizavam grande público para abordar temas científicos e de interesse da classe médica FOTO: Acervo AMRIGS
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FOTO: Acervo AMRIGS
Acima, registro de associados no auditório da sede da Avenida Salgado Filho, na década de 1960. Em janeiro de 1972, a direção da AMRIGS remeteu ao secretário estadual da Saúde um ofício solicitando a doação de um terreno onde a nova sede pudesse ser erguida
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A expansão das atividades científicas e associativas tornou indispensável a busca por um espaço mais amplo para instalar a sede da AMRIGS
Foi com esse objetivo que, em janeiro de 1972, a direção da AMRIGS remeteu ao então secretário estadual da Saúde, Jair Soares, um ofício solicitando ao Governo do Estado a doação de um terreno onde a nova sede pudesse ser erguida. No documento, constava a justificativa do pedido: “Sobressai a preocupação constante de proporcionar a seus associados a oportunidade de continuar mantendo seus conhecimentos, renová-los e aumentá-los. Para isso, realiza reuniões, palestras, mesas-redondas, simpósios, congressos e cursos, promove Exame facultativo de suficiência, publica revista científica com trabalhos realizados em nosso Estado e, por último, está implantando o Programa de Educação Médica Continuada, capaz de proporcionar aos médicos mais uma oportunidade de se enriquecerem, ética, médica e culturalmente”. O texto informava, ainda, que a área desejada media 260m x 165m, situada no bairro Partenon, no cruzamento da Avenida Ipiranga com a Avenida Salvador França. No local, seria erguido o Centro Médico AMRIGS, com recursos financeiros captados junto à classe médica. O secretário da Saúde encaminhou o pedido ao então governador, Euclides Triches, que o enviou à Assembleia Legislativa na forma de projeto. Em 10 de outubro de 1973, o Diário Oficial do Estado publicou a sanção de Triches ao Projeto de Lei 73/73, aprovado na Assembleia como Lei 6.608/1973: a AMRIGS tinha, enfim, um novo espaço para construir sua futura sede, viabilizada pelo esforço coletivo dos associados.
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Em 1973, um amplo terreno situado no cruzamento das Avenidas Ipiranga e Salvador França foi doado à entidade para a construção do Centro Médico AMRIGS FOTO: Acervo AMRIGS
Vista do terreno onde viria a ser construída a nova sede da AMRIGS
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FORTE ATUAÇ ÃO A SSOC IAT IVA A dimensão que a AMRIGS havia conquistado em meados dos anos 1970 pode ser mensurada pelo balanço do triênio 1975-77, gestão que celebrou os 25 anos de fundação da Associação. O relatório, apresentado ao Conselho de Representantes e publicado em cinco páginas do Jornal AMRIGS, detalhou as atividades da instituição em diferentes áreas de interesse dos associados, mostrando uma forte atuação além da área científica, também sintonizada com as necessidades de cunho associativo da categoria. Nas páginas a seguir, veja um resumo desse relatório. Publicações do Jornal AMRIGS em meados da década de 1970 abordando atividades em diversas áreas de interesse dos associados
FOTOS: Thales Duarte
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Em meados dos anos 1970, a AMRIGS tinha alcançado uma grande dimensão. Além da área científica, a gestão que celebrou os 25 anos de fundação estava também sintonizada com as necessidades de cunho associativo da categoria
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Pela primeira vez, a AMRIGS havia realizado eleições diretas para escolha de seus delegados junto à Associação Médica Brasileira (AMB), substituindo o sistema anterior de indicações.
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O advogado Amadeu Weimann, um dos mais conhecidos criminalistas do Rio Grande do Sul, foi contratado para ajudar a combater na esfera jurídica a “campanha sistemática que vinha sendo movida contra os médicos nos meios de comunicação”.
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O Fundo de Assistência ao Médico (FAMRIGS) começou, em 1º de janeiro de 1976, a recolher mensalidade dos médicos e entrou em funcionamento um ano depois. No primeiro trimestre de funcionamento, distribuiu 19 pecúlios a familiares de associados falecidos.
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Os primeiros contratos para a construção do Centro Médico AMRIGS estavam sendo analisados, envolvendo áreas de projetos arquitetônicos, estruturas, sistemas elétricos, telefônicos e hidráulicos, além de outras instalações físicas.
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Foram criadas a Assessoria Jurídica, a Assessoria de Engenharia e a Assessoria de Imprensa e Relações Públicas, dobrando o número de funcionários da Associação.
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O sistema de Auxílio-Doença Mensal Temporário (ADMT) foi lançado, com a adesão de 900 associados.
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FOTO: Acervo AMRIGS
A mobilização dos associados foi decisiva para viabilizar financeiramente a construção da nova sede e impulsionar o projeto de criação de um Centro de Educação Médica Continuada
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FOTO: Acervo AMRIGS
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A entidade instalou uma gráfica própria, no Centro de Porto Alegre, para imprimir todos os seus formulários, papelarias e publicações.
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Foram realizadas 130 reuniões de cunho científico na sede.
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Foi realizado o VI Congresso AMRIGS, tendo como tema central as novidades no combate ao câncer em suas diferentes formas.
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Foi consolidado o Setor Funrural, que era interveniente com 301 convênios hospitalares para dar assistência aos assalariados e produtores rurais. A rede de atendimento contava com 1.750 médicos.
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Nesse período, ingressaram 1.131 novos associados na AMRIGS. E no total, 82% dos médicos gaúchos eram ligados à Associação.
Para sustentar uma operação de tamanha envergadura, atuando em diferentes frentes para prestar um serviço de qualidade aos seus associados, a nova sede na esquina da Ipiranga com a Salvador França era necessária. E com o terreno doado pelo governo do Estado em 1973, o Centro Médico AMRIGS começou a tomar forma bem longe: em Paris.
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O projeto do Centro Médico AMRIGS A ARTE ASSINADA PELO TALENTO DE NIEMEYER Natural do Rio de Janeiro e formado pela Escola Nacional de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Oscar Niemeyer já era considerado um gênio da arquitetura brasileira e respeitado mundialmente na década de 1950. Foi nesse período que projetou uma de suas obras mais icônicas: ao lado do arquiteto Lúcio Costa, desenhou os traços dos principais prédios públicos de Brasília, a capital erguida no Cerrado e inaugurada gradualmente entre o final dos anos 1950 e o início da década de 1960. Antes, em 1954, o arquiteto havia projetado o mais famoso edifício de São Paulo: o Copan, com suas emblemáticas linhas curvas. Oscar Niemeyer foi o escolhido pela direção da Associação Médica do Rio Grande do Sul para dar corpo ao Centro Médico AMRIGS. O célebre arquiteto carioca compreendeu a magnitude da obra que a entidade desejava oferecer a seus integrantes. Este seria o primeiro trabalho de Niemeyer em Porto Alegre.
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No final de 1973, já com o terreno doado pelo Governo do Estado, os primeiros contatos telefônicos com o arquiteto, que residia em Paris, serviram para ajustar as linhas gerais do trabalho. Em dezembro, o presidente da AMRIGS, Dr. Harri Graeff, e o diretor-administrativo, Dr. Guenther von Eye, viajaram à capital francesa levando na bagagem o
material solicitado: plantas, levantamento fotográfico terrestre e aéreo, além de laudos técnicos. O anteprojeto seria feito de forma gratuita, e o projeto, por sua vez, cobrado de acordo com a tabela do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), em um valor bastante inferior ao que costumava cobrar um dos gênios da arquitetura nacional.
Recortes do Jornal AMRIGS da época, com notícias sobre o projeto de Oscar Niemeyer para o Centro Médico. O arquiteto residia em Paris e lá criou o projeto, entregue à Associação em 1974
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FOTOS: Campos
Ao retornarem de Paris, na época do Natal, os dois dirigentes trouxeram a promessa de que, em fevereiro de 1974, a proposta arquitetônica de Niemeyer seria enviada à Associação Médica. Quando o projeto chegou, revelou a grandeza do empreendimento. O Centro Médico AMRIGS, projetado por Niemeyer, previa a construção de uma estrutura em “T”, com uma área em formato de trapézio junto à base, integrando um hotel de três andares e três auditórios: um para 400 pessoas, outro para 600 e o principal com capacidade para 2 mil (este equipado com circuito interno de TV). O complexo contaria ainda com salão de festas, restaurante, área administrativa, centro científico-cultural, três anfiteatros com capacidade para 150 lugares cada, além de um estacionamento para 500 carros.
Nas imagens desta página, registros das obras de construção da sede
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FOTOS: Dani Villar
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Devido à sua dimensão, com 12.460 m² de área construída, e aos recursos financeiros envolvidos, estimados em 1 bilhão e 170 milhões de cruzeiros, moeda vigente na época, o projeto de Niemeyer não foi executado integralmente. Mesmo assim, alguns elementos da concepção original permanecem visíveis no prédio. É possível observá-los no térreo, marcado pelo amplo espaço sem colunas ou estruturas que interrompam a visão e favorecido pela iluminação natural, e também no desenho da escada que liga o térreo ao primeiro andar. Na parede junto à escada, o projeto de Niemeyer permanece fixado, lembrando a todos que ali reside o toque de um mestre da arquitetura mundial.
A sinuosa escada que leva ao segundo andar do prédio é um dos elementos mais reconhecíveis do projeto concebido por Oscar Niemeyer para a sede da AMRIGS. O piso térreo, amplo e sem colunas ou estruturas que interrompam a visão, também preserva características marcantes da proposta arquitetônica original, embora ela não tenha sido executada na íntegra
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FOTOS: Acervo AMRIGS
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O nome de Oscar Niemeyer trouxe muita publicidade e prestígio para a sede da AMRIGS na época da criação do projeto. Décadas depois, a presença de elementos concebidos pelo arquiteto segue despertando interesse e valorizando a identidade arquitetônica do prédio. Essa relação voltou a ganhar destaque por ocasião da inauguração da renovação completa do foyer e da escada, quando a AMRIGS promoveu um evento que também recuperou a história do projeto e a participação de Niemeyer na concepção da sede.
Na foto abaixo, o presidente da AMRIGS, Dr. Gerson Junqueira Jr., ao lado de Paulo Niemeyer, neto de Oscar Niemeyer, durante a exposição “Oscar Niemeyer, à frente do tempo”, realizada no Centro de Eventos AMRIGS entre dezembro de 2022 e junho de 2023. As demais imagens são registros do mesmo evento
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Com a conclusão de suas diferentes etapas, o Centro Médico AMRIGS passou a ocupar um papel central na realização de atividades científicas, profissionais e associativas As atividades em torno do Centro Médico AMRIGS tiveram início em 1978, após intensa mobilização dos seus associados: foram cerca de 600 adesões ao projeto, contribuindo para o financiamento da estrutura. À medida que a obra avançava, adaptações físicas e estruturais foram feitas no projeto original, devido ao alto custo dos materiais e à inflação da época. Aos poucos, o Centro ganhou seu contorno final e acabou sendo entregue em etapas. Em 1990, o Prédio Administrativo foi concluído. Em 1993, o Centro de Eventos teve sua primeira parte aberta ao público: o auditório com capacidade para 300 lugares. Também faziam parte do complexo seis salas de reuniões, com capacidade total para 400 pessoas, inauguradas em 1994. Por fim, em 1997, finalizou-se o Centro Científico Cultural, ocupado por 21 Sociedades de Especialidades e Departamentos de diferentes ramos da Medicina. O Centro Médico AMRIGS, enfim, estava pronto e tornou-se referência em Porto Alegre para a troca de experiências e a disseminação do conhecimento científico entre os profissionais da Medicina, além de disponibilizar sua estrutura de eventos para outras categorias profissionais. Pelos corredores do prédio, era constante a movimentação de Sociedades e Departamentos promovendo encontros científicos ou reuniões de trabalho, abordando temas tão distintos quanto planejamento familiar, Medicina psicossomática e sua relação com doenças crônicas, Otorrinolaringologia Pediátrica e métodos não invasivos no diagnóstico das patologias de carótida, entre muitos outros assuntos do ambiente médico. A produção e a troca de conhecimento científico passaram a ocupar de forma permanente os diferentes espaços do complexo.
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FOTO: Acervo AMRIGS
O início das atividades no Prédio Administrativo, em 1990, e a abertura da primeira etapa do Centro de Eventos, em 1993, marcaram uma nova fase na estrutura física da AMRIGS
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FOTO: Acervo AMRIGS
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FOTO: Marcelo Amaral
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FOTO: Acervo AMRIGS
A aproximação com os estudantes de Medicina abriu caminho para a renovação do quadro associativo e fortaleceu o vínculo das novas gerações com a AMRIGS Naquele momento de sua história, em meados da década de 1990, a AMRIGS contava com cerca de 10,1 mil associados e era, proporcionalmente, a maior associação médica do Brasil. Desse total, cerca de 1,3 mil eram acadêmicos de Medicina, que passaram a ingressar na entidade em 1990, com a fundação do Departamento Universitário da AMRIGS (DU AMRIGS). A proposta do grupo era integrar o futuro profissional, ainda durante a graduação, ao ambiente médico, contribuindo para o aperfeiçoamento da cultura médico-científica por meio da participação em seminários, congressos e encontros técnicos promovidos pela Associação. Além disso, o DU constituía uma importante porta de entrada para a constante renovação do quadro social.
Dos cerca de 10,1 mil associados da AMRIGS na década de 90, aproximadamente 1,3 mil eram acadêmicos de Medicina, que passaram a participar de forma assídua dos seminários, congressos e encontros técnicos promovidos pela Associação
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RE F ORÇO NA AT UAÇÃO POL ÍTICA DA AMRIGS FOTOS: Acervo AMRIGS
Em 1988, a Constituição Federal havia sido promulgada em Brasília, fruto do trabalho de uma Assembleia Nacional Constituinte. A nova Carta criou no país o Sistema Único de Saúde (SUS), que garantia o atendimento médico gratuito aos 145 milhões de brasileiros, população da época. Pelo artigo 195 da Constituição, a saúde passou a ser “um direito de todos e dever do Estado”, financiada por recursos da União, dos Estados e dos municípios. A Carta também definia a composição de toda a rede hospitalar e ambulatorial que prestaria serviço ao SUS. A criação do sistema universal de saúde mexeu com a área médica no país. Instalada na casa nova a partir da década de 90 e com uma equipe de funcionários mais robusta para dar apoio às atividades propostas pela direção, a AMRIGS passou a reforçar a sua atuação política nesse novo ambiente da saúde no país. Um dos momentos mais expressivos foi o início da luta contra a proliferação indiscriminada de faculdades de Medicina pelo Rio Grande do Sul. A Associação esteve na vanguarda desse movimento, que teria muitos desdobramentos ao longo dos anos seguintes, com a participação da AMB e com diversos processos encaminhados à Justiça. A preocupação era com a qualidade do conteúdo científico que seria oferecido pelas novas instituições aos futuros médicos, uma bandeira que até hoje é defendida pela entidade.
Nas imagens ao lado, momentos de encontro de profissionais nos anos 1990, época em que aconteceram muitos debates sobre questões relativas à situação da saúde no Brasil. A criação do SUS e a proliferação de faculdades de Medicina trouxeram novos desafios para a representação da classe médica e ampliaram a atuação institucional da AMRIGS
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FOTOS: Acervo AMRIGS
Em seus congressos e em inúmeros eventos que reúnem a classe médica, a AMRIGS aborda questões científicas e temas associativos, mantendo o compromisso de representar e valorizar os profissionais da Medicina
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FOTO: Acervo AMRIGS
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Crise do SUS em 1995: em nota pública, a AMRIGS defendeu o descredenciamento dos mais de 24 mil médicos que estavam ligados ao Sistema Único de Saúde
Outra preocupação surgida a partir de 1994 foi com os primeiros sinais de que o SUS, criado como porta de atendimento universal da saúde, não possuía estrutura física e de pessoal suficiente para dar conta de toda a demanda. Nessa época, começaram a surgir as primeiras imagens de espaços de emergência superlotados, pacientes sendo internados e tratados em cadeiras e doentes esperando longas horas por uma consulta básica. Uma reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo na época, retratando a crise que se agravava em todo o país, ilustrou a situação a partir do Hospital Conceição, em Porto Alegre, então o quarto maior do Brasil. Em 1993, o hospital atendia em média três vezes mais pacientes do que sua capacidade operacional permitia. A AMRIGS acompanhou a situação e fez denúncias públicas, buscando sensibilizar as autoridades para que fossem melhoradas as condições de atendimento dos pacientes. Diante da falta de estrutura física e de pessoal no SUS, somada à remuneração defasada dos profissionais, a AMRIGS intensificou sua atuação em defesa dos médicos e da qualidade da assistência prestada à população
A crise do SUS teve um novo capítulo em 1995, desta vez por conta da remuneração dos serviços e consultas pagos pelos governos que seguia uma tabela defasada ao fixar os honorários médicos. A situação chegou a um ponto em que, em nota pública, a Associação defendeu o descredenciamento dos 24.359 médicos que integravam o SUS no Rio Grande do Sul.
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FOTO: Foto Rocha
FOTO: Reprodução/ Marcello Casal Jr. /Agência Brasil
O então presidente da AMRIGS, Dr. Martinho Álvares da Silva, assinou a nota pública de outubro de 1995 em repúdio à forma como o SUS vinha sendo operado
“A Associação Médica do Rio Grande do Sul vem a público recomendar aos médicos do Estado que se descadastrem do Sistema Público de Saúde. O SUS, como está formulado, desvirtuou o exercício da profissão. É mais um instrumento de perversão e crueldade social, próprio de uma política demagógica e irresponsável. Não podemos continuar coonestando um sistema que não se viabiliza operacionalmente, é socialmente injusto e corruptor. Nossa atitude pretende resgatar o direito ao acesso a um serviço de saúde pública eficaz e digno para pacientes e médicos”, informou a nota publicada na capa do jornal Zero Hora na edição de 2 de outubro de 1995, com o título “Dignidade na Saúde”, assinada pelo então presidente da AMRIGS, Dr. Martinho Álvares da Silva. A partir do movimento surgido no RS e que alcançou repercussão nacional, com desdobramentos ao longo dos anos seguintes, o governo federal resolveu municipalizar o sistema de saúde, transferindo a tarefa para as prefeituras. Os municípios, então, passaram a contratar os profissionais médicos e complementar os valores da tabela do SUS com recursos próprios.
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FOTO: Acervo AMRIGS
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O Congresso da AMRIGS de 1996 abordou, como de praxe, temas científicos de interesse dos médicos, mas também foi um importante fórum de debate sobre os problemas da área da saúde no Brasil e no Rio Grande do Sul
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FOTOS: Acervo AMRIGS
Durante as ações da AMRIGS, crianças, adolescentes e mulheres recebiam orientações e atendimentos direcionados às necessidades específicas de cada público
AT UAÇÃO ASSOC IATIVA E TAMBÉM N A C OM U N IDA DE Criada para atuar pelos interesses da classe médica, a AMRIGS considerou, ao longo de toda a sua trajetória, que tinha também um compromisso firmado com a comunidade onde está inserida e com as populações desassistidas. Esse posicionamento seria comprovado de forma clara em dois episódios nos anos 2020, mas já em 1996 houve uma demonstração do quanto essa dimensão era respeitada pela Associação e motivava muitas ações sociais, em paralelo ao trabalho associativo. Para atender aos anseios de seus associados, em 1996 a AMRIGS criou o Departamento de Convênios, que tinha por objetivo negociar o valor das consultas e de procedimentos médicos em nome de seu público interno. No mesmo ano, fez um movimento solidário em direção ao público externo, promovendo o Mutirão pela Saúde na Unidade Sanitária Cruzeiro do Sul, na Vila Cruzeiro, em Porto Alegre.
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O compromisso da AMRIGS com a comunidade onde está inserida e com as populações desassistidas resultou na criação dos Mutirões pela Saúde, em 1996
Nesta página e na anterior, registros do “Mutirão pela Saúde” realizado em Caxias do Sul em 1997. A primeira dessas ações aconteceu em 1996, na Vila Cruzeiro, em Porto Alegre
Na tarde de 28 de setembro de 1996, cerca de 60 estudantes de Medicina, médicos de diferentes especialidades e dentistas se dedicaram a cuidar da saúde dos moradores de parte da Cruzeiro do Sul, em seus diferentes públicos. Para as crianças, foram ensinadas noções básicas de higiene e de alimentação. Para os jovens, o uso adequado de preservativos e os perigos causados pelo consumo de drogas. Para as mulheres, os profissionais ofereceram orientações sobre o câncer de mama e de útero. Para o público em geral, os voluntários realizaram exames de glicose e medição da pressão arterial, com orientações sobre como combater as irregularidades constatadas. Ao encerrar as atividades, a direção da AMRIGS celebrou o fato de democratizar a informação sobre saúde para os moradores do local.
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FOTOS: Acervo AMRIGS
A Associação já mantinha um trabalho voluntário dentro da Comunidade São Pedro, vizinha ao Centro Médico AMRIGS, na Avenida Ipiranga
O Mutirão na Cruzeiro foi o primeiro promovido pelos associados, inspirado no trabalho solidário que a Associação já realizava na Comunidade São Pedro, vizinha do Centro Médico AMRIGS, com a manutenção de um posto de saúde fixo no local. Esse trabalho de mobilização voluntária de profissionais seria o embrião de um importante projeto, que ganharia uma estrutura formal anos depois. A atuação da AMRIGS em benefício das comunidades ia além do trabalho assistencial junto a moradores de áreas carentes e que tinham dificuldade de acessar informações sobre os procedimentos básicos para prevenção ou tratamento de doenças. Também acontecia na área da cultura, e esse compromisso foi exercido de tal forma que deixou um legado inestimável para Porto Alegre quando a Associação se preparava para completar seus 50 anos de existência.
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Teatro AMRIGS COMPROMISSO COM A CULTURA A I Semana Cultural da AMRIGS esquentou as noites frias de 23 a 28 de junho de 1995. No palco do Centro de Convenções, médicos demonstraram seus dons artísticos como cantores, instrumentistas e integrantes do Coral da AMRIGS, apresentando um repertório que transitava do erudito ao popular. Simultaneamente, no terceiro andar do prédio, outro grupo de profissionais expunha obras de arte como pinturas a óleo, esculturas, aquarelas, fotografias e cartuns, conferindo um visual colorido ao ambiente. Completando as atividades, um terceiro grupo de associados lançava o livro “Médicos (Pr) Escrevem”, reunindo histórias vivenciadas em consultórios e divagações livres sobre a vida.
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FOTO: João Alves
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A CULTURA GANHA UM PALCO “Essa antologia ficará como testemunha de que esta geração médica não falhou com o seu tempo; e dizendo isso, digo o mínimo”, afirmou o escritor Luiz Antônio de Assis Brasil ao apresentar a obra e, de certa forma, resumir o empenho da AMRIGS em colaborar com o enriquecimento da cultura gaúcha. Tal propósito ganharia contornos concretos três anos depois, a partir de uma convocação do então presidente, Dr. Martinho Álvares da Silva, publicada pelo Jornal AMRIGS em sua edição de setembro de 1998: “Esse é o novo desafio que apresento aos médicos do Rio Grande do Sul: vamos construir o Teatro AMRIGS com nosso esforço”. O projeto arquitetônico, já em fase de aprovação na Prefeitura de Porto Alegre, previa a construção de um teatro com palco polivalente e capacidade para 700 pessoas, além de toda a estrutura técnica de luz e som necessária ao seu funcionamento. O espaço ficaria anexo ao Centro de Convenções, ampliando a participação da AMRIGS no cenário cultural da cidade. Mais uma vez, lançou-se uma campanha de captação de recursos junto aos associados: aqueles que contribuíssem durante um ano com o valor total de R$ 1,2 mil concorreriam, ao final, ao sorteio de um automóvel Mercedes-Benz.
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FOTOS: Foto Rocha
DESAFIO CUMPRIDO O Teatro AMRIGS foi inaugurado em 13 de outubro de 1999, pouco mais de um ano após o desafio lançado pela presidência. A inauguração ofereceu aos porto-alegrenses um recital com o pianista Carlos Eduardo da Silva Morejano e a cantora de ópera Laura de Souza. Nos meses seguintes, o novo espaço recebeu uma programação eclética, provando estar tecnicamente preparado para shows musicais, peças teatrais, eventos científicos e encontros corporativos. Em novembro, houve show com o cantor Nei Lisboa e um seminário internacional sobre Democracia Participativa. No mês seguinte, o palco recebeu a entrega do Troféu ARP, promovido pela Associação Riograndense de Propaganda para destacar os melhores profissionais e trabalhos da publicidade gaúcha. Nos anos posteriores, o espaço cultural da AMRIGS firmou-se como um dos principais palcos da cidade, sendo incorporado ao calendário de grandes eventos, como o Porto Verão Alegre, festival que promove espetáculos teatrais e shows de humor em diversos espaços da capital durante o período de verão.
Cenas da inauguração do Teatro AMRIGS, em 13 de outubro de 1999, sob a presidência do Dr. Martinho Álvares da Silva. O evento contou com recital do pianista Carlos Eduardo da Silva Morejano e da cantora de ópera Laura de Souza
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O Teatro foi construído com recursos captados junto aos associados, em mais uma campanha que mobilizou os médicos com vistas ao crescimento e à representatividade da AMRIGS. O espaço é hoje uma referência para atividades profissionais e culturais em Porto Alegre
Em 2026, o Teatro AMRIGS é reconhecido como uma das principais estruturas da Associação e uma referência no cenário cultural e profissional de Porto Alegre. Após passar por modernizações e reformas, o espaço oferece acomodação para 700 pessoas em ambiente climatizado, com sonorização de ponta, telas para projeção nas paredes laterais, sala VIP e cabines de controle e tradução.
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FOTO: Eduardo Benini
O GRANDE CENTRO DE EVENTOS O Teatro passou a ser um dos principais espaços do Centro de Eventos AMRIGS, uma estrutura viva que confirma o compromisso da Associação em oferecer um palco para fomentar o talento local, disseminar o conhecimento científico de diferentes categorias e ampliar as possibilidades de encontro, formação e troca de experiências. Em 2026, quando a Associação completou 75 anos, o complexo abrangia o Teatro, concebido também para funcionar como auditório, além de várias outras estruturas. No andar acima, existe um auditório com capacidade para 250 pessoas. Também há um salão de festas equipado para eventos sociais, quatro salas multiuso com possibilidade de até oito formatações diferentes e capacidade para receber 290 pessoas, além do foyer no térreo.
Com 700 lugares, o Teatro AMRIGS integra o Centro de Eventos da Associação, que oferece diversos espaços para uso não apenas dos médicos, mas do público em geral: auditório, salão de festas, quatro salas multiuso e o foyer FOTO: Acervo AMRIGS
FOTO: Thales Duarte
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Diferentes usos do Teatro demonstram a versatilidade das instalações, que passaram a ser cenário de eventos como a entrega dos Prêmios AMRIGS
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FOTO: Foto e Vídeo POA
A estrutura está à disposição do público em geral e recebe diferentes tipos de eventos, não apenas os da classe médica. Em reuniões menores, é possível ocupar apenas uma parte do complexo, como o salão de festas. Já em congressos, seminários e eventos de maior porte, os diferentes ambientes podem ser utilizados de forma integrada, permitindo a realização simultânea de atividades. Assim, enquanto uma conferência ocorre no Teatro, as salas multiuso podem receber discussões técnicas e o foyer pode abrigar exposições e estandes. FOTO: Foto e Vídeo POA
FOTO: Rafael Azeredo
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A AMRIGS festejou seus 50 anos em outubro de 2001. A partir dos anos 2000, intensificou a atuação como entidade propulsora do conhecimento científico e da busca de soluções para os desafios da saúde pública no país. Nessa década foram lançados o Projeto Fumo Zero e o Instituto Vida Solidária (IVS)
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O TRANSF O RM AR A entrada no século XXI trouxe novos desafios para a Medicina e abriu uma etapa de mudanças na forma como a AMRIGS se relacionava com seus associados, com o conhecimento e com a sociedade
FOTO: Acervo AMRIGS
Em 6 de fevereiro de 2021, a AMRIGS realizou a vacinação prioritária dos profissionais da saúde contra a COVID-19. Para organizar o fluxo de pessoas e garantir a segurança de todos, a Associação montou um sistema de drive-thru em sua sede
A AMRIGS celebrou 50 anos na entrada do século XXI, reafirmando alguns de seus propósitos mais presentes desde a origem: reunir médicos e especialistas para compartilhar conhecimento, promover atualização profissional e fortalecer a integração. Um dos principais momentos daquele período foi a realização de um grande congresso, o maior promovido pela entidade até então. Os Congressos da AMRIGS, desde o primeiro, promovido em 1961, quando a entidade com-
pletava dez anos de existência, ganharam importância ao longo das décadas como espaços de encontro, atualização e troca de experiências entre profissionais. Durante alguns dias, reuniam em um só lugar associados que compartilhavam experiências vividas em seus consultórios, apresentavam resultados de estudos realizados em hospitais, discutiam conceitos aprofundados nas universidades e em pesquisas acadêmicas e também fortaleciam vínculos profissionais e pessoais.
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FOTOS: Acervo AMRIGS
A programação científica envolveu diferentes especialidades e promoveu atualização e troca de experiências entre profissionais e estudantes
Entre os dias 18 e 20 de outubro de 2001, o 18º Congresso da AMRIGS foi chamado de Congresso Comemorativo do Cinquentenário. No texto publicado no Jornal AMRIGS, o presidente da Associação na época e também presidente do evento, Dr. Hilberto Corrêa de Almeida, fazia uma convocação aos colegas para participarem da celebração e da programação científica: “A AMRIGS completa cinquenta anos em defesa da classe médica, lutando por melhor qualidade de vida e saúde da população gaúcha. Há cinco décadas promove o aprimoramento científico e cultural de seu associado. Colega, o convidamos para juntos brindarmos essa data no Congresso Comemorativo do Cinquentenário da AMRIGS, de 18 a 20 de outubro. Nesta oportunidade demonstraremos, mais do que nunca, a união da classe médica”.
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FOTO: Acervo AMRIGS
O 18º Congresso AMRIGS reuniu, durante três dias, debates, palestras e atividades simultâneas sobre diferentes áreas da Medicina
Nos corredores e áreas de convivência do Centro de Eventos AMRIGS, médicos residentes, acadêmicos e pesquisadores apresentaram resultados de estudos clínicos e relatos de casos observados em hospitais do Rio Grande do Sul Foram três dias de salas, auditórios e corredores do Centro Médico AMRIGS completamente lotados. A programação foi diversificada e acontecia de forma simultânea, tratando dos mais diferentes assuntos de interesse da classe médica. Cada evento era dividido em mesas, nas quais foram discutidas e apresentadas as últimas novidades sobre a tosse crônica, a cardiopatia isquêmica, o exercício físico na terceira idade, a anestesia para ortopedia, os avanços do tratamento da hepatite C, a ablação de tumores hepáticos, os fundamentos da acupuntura e da homeopatia, entre diversos outros temas.
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FOTOS: Acervo AMRIGS
Promovendo diversas iniciativas de conscientização e a partir de parcerias com Organizações Não Governamentais (ONGs), o Projeto Fumo Zero foi ganhando força nacional
No início dos anos 2000, a OMS calculava que cerca de 3 milhões de pessoas morriam por ano no mundo todo em decorrência de doenças causadas pelo fumo
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O C OMBATE AO TA BAGISM O O trato da AMRIGS com o conhecimento científico não ficou limitado a sustentar o relacionamento da entidade com os seus associados, proposta que está na essência do nascimento da Associação. Ao longo de sua trajetória, a informação em saúde também passou a chegar de forma mais direta à comunidade. Um desses movimentos ganhou força em 2003, com o lançamento do Projeto Fumo Zero.
A AMRIGS lançou em 2003 o Projeto Fumo Zero, com foco em três dimensões: proteger o fumante passivo, investir na prevenção do tabagismo e ajudar os fumantes a se libertarem do vício
A Organização Mundial da Saúde (OMS) calculava que naquela época cerca de 3 milhões de pessoas morriam por ano no mundo em decorrência de doenças causadas pelo fumo (esse número chegou a cerca de 8 milhões em 2026). Preocupada com a dimensão do problema, a AMRIGS lançou o Projeto Fumo Zero, com foco em três dimensões. Primeiro, proteger o fumante passivo, aquele que fica exposto à fumaça ambiental causada pelo uso do tabaco. Segundo, investir na prevenção do tabagismo, para evitar que o jovem inicie e se torne dependente. Por fim, ajudar no tratamento para auxiliar os fumantes a abandonarem o vício. A campanha rendeu muitos frutos. No ano seguinte, a Secretaria Estadual de Educação assinou um protocolo com a AMRIGS para levar o projeto para as salas de aula da rede estadual de ensino. Por meio de palestras e reuniões, alunos e famílias recebiam informações sobre os riscos do tabagismo. A partir de parcerias com organizações não governamentais (ONGs), o Projeto foi ganhando força nacional. A iniciativa contribuiu para ampliar o debate sobre o controle do tabaco no país e esteve inserida em um período de importantes avanços nessa área, como a ratificação, pelo Brasil, em 2005, da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a posterior aprovação, em 2011, da Lei Antifumo, regulamentada em 2014.
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Pautada pela responsabilidade social, pelo compromisso com as comunidades onde atua e pela busca de soluções para os desafios da saúde pública, a AMRIGS formalizou seu projeto social por meio da fundação do Instituto Vida Solidária.
Objetivo do IVS: “Promover a saúde, educação, cultura e assistência social de seus associados e pessoas carentes da comunidade, segundo sua disponibilidade.” Essa é a definição oficial do objetivo do Instituto Vida Solidária, expressa no artigo 2º do seu estatuto, aprovado em 9 de abril de 2005 em assembleia extraordinária do Conselho de Representantes da AMRIGS. Na prática, o propósito era organizar e dar continuidade a uma atuação social que a Associação já vinha desenvolvendo junto a comunidades em situação de vulnerabilidade. FOTO: Acervo AMRIGS
O Instituto Vida Solidária nasceu do compromisso da AMRIGS com o bem-estar coletivo, transformando uma atuação social já existente em uma iniciativa estruturada e permanente
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Instituto Vida Solidária O PROJETO SOCIAL DA AMRIGS O Instituto Vida Solidária nasceu em 2005, mas sua semente foi plantada no final dos anos 90, quando a AMRIGS se transferiu para a sede atual, localizada no cruzamento da Avenida Ipiranga com a Salvador França. Vizinha da Comunidade São Pedro, na divisa do terreno pelo lado da Ipiranga, a associação iniciou um trabalho social atendendo gratuitamente as famílias que viviam no local, oferecendo consultas por meio do trabalho voluntário de médicos. Mais adiante, a AMRIGS obteve, com a então governadora Yeda Crusius, a doação de um terreno para a instalação de um centro comunitário, e com o Consulado do Japão em Porto Alegre, os recursos financeiros para equipar o local. Com isso o atendimento foi ampliado, mantendo o foco nas crianças – que passaram a contar com refeições e atividades no turno inverso ao das aulas – e nas famílias, com assistência médica e social.
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FOTOS: Acervo AMRIGS
A CRIAÇÃO DO IVS No início de 2005, como forma de organizar seu projeto social, que, além do atendimento voluntário na Comunidade São Pedro, era formado por diversas outras atividades em diferentes setores, a AMRIGS criou o Instituto Vida Solidária (IVS).
Registros da solenidade de criação do IVS, em 2005. Na imagem acima, membros da Diretoria durante o evento. Na foto ao lado, o presidente da AMRIGS à época, Dr. Newton Monteiro de Barros
A entidade nasceu como uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP), sem fins lucrativos, apta desde então a celebrar parcerias com organizações públicas e privadas para a obtenção de recursos e o apoio a diferentes causas sociais.
O IVS nasceu do desejo de organizar e formalizar a atuação Com a missão de promover a inclusão, o cuidado e o fortalecimento das comunidades em situação de vulnerabilidade, o IVS oferece não apenas assistência, mas também oportunidades de desenvolvimento por meio de ações integradas e acolhedoras.
social da AMRIGS, que já oferecia atendimento médico a comunidades vulneráveis. Com mais de 20 anos de atuação, o Instituto oferece não apenas assistência, mas oportunidades de desenvolvimento para os moradores dessas comunidades
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FOTO: Acervo AMRIGS
Uma mensagem divulgada ao público pela direção do IVS ao celebrar duas décadas de história, em 2025, sintetiza a força e o propósito dessa iniciativa: “O IVS é um espaço onde as pessoas atendidas encontram apoio, dignidade e a oportunidade de sonhar com um amanhã melhor. Acreditamos que a mudança acontece por meio da ação coletiva, do engajamento e da solidariedade. Por isso, seguimos firmes no propósito de impactar vidas, fortalecer comunidades e construir, todos os dias, um futuro mais justo e humano.”
FOTO: Marcelo Amaral
MAIS DE 20 ANOS IMPACTANDO VIDAS Em 2025, ao completar 20 anos de atuação, o IVS apresentou um balanço de suas atividades. Até então, já havia impactado a vida de mais de 20 mil pessoas por meio de diferentes iniciativas e realizado mais de 24 mil atendimentos médicos, levando saúde a quem, muitas vezes, não tinha acesso aos cuidados básicos. São números expressivos, que traduzem a amplitude do trabalho desenvolvido ao longo de duas décadas. Em outra frente, o Instituto promove projetos de qualificação profissional, auxiliando jovens e adultos na inserção no mercado de trabalho, e mantém o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, destinado a crianças e adolescentes de 6 a 14 anos. O programa oferece atenção, cuidado e atividades voltadas ao desenvolvimento e à formação cidadã.
Na imagem do alto, registro da doação de cestas básicas para famílias atendidas pelo IVS, em 2021. Na outra foto, demonstração das aulas de jiu-jitsu durante as comemorações dos 20 anos do IVS
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O MUNDO VIROU DIGITAL A entrada da década de 2010 acelerou uma transformação que já vinha em curso: a informação passou a circular de forma cada vez mais rápida, ampla e conectada. O papel perdeu espaço para as plataformas digitais, e a internet passou a ocupar um lugar central na forma de acessar notícias, conhecimento e serviços. Esse período foi marcado pela consolidação de ferramentas e tecnologias que mudaram hábitos pessoais e profissionais. O Instagram foi lançado em 2010 e ganhou milhões de usuários nos anos seguintes. A Apple apresentou o primeiro iPad, ampliando o consumo de conteúdo digital e a leitura em dispositivos móveis. O IBM Watson levou a inteligência artificial a um novo patamar de visibilidade pública, enquanto o Microsoft Office 2010 se tornou uma das principais suítes de produtividade utilizadas naquele período. A transformação digital mudou não apenas os meios de acesso à informação, mas também a forma como pessoas, profissionais e instituições passaram a se comunicar e se relacionar
Mais importante do que cada lançamento isolado foi a mudança de comportamento provocada por esse conjunto de tecnologias. A comunicação se tornou mais imediata, o acesso à informação foi ampliado e novas formas de interação passaram a fazer parte da rotina de pessoas e organizações.
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A digitalização do mundo trouxe mudanças comportamentais significativas. A AMRIGS passou a usar de forma mais intensa seus canais digitais
O mundo foi para dentro de casa, e a AMRIGS sentiu essa transformação e precisou reagir. O conhecimento científico continuava central para a entidade, mas as formas de acesso à informação, de participação em eventos e de relacionamento com os associados estavam mudando rapidamente. A cada ano que passava, as transformações se aceleravam, impactando o comportamento das pessoas, os negócios das organizações, a atuação das instituições sociais, o desempenho dos esportes, os relacionamentos políticos e sociais e o consumo da informação.
Em resumo: mudava a dinâmica da vida cotidiana e também a maneira como profissionais e entidades se comunicavam. Inserida nesse ambiente, a AMRIGS também precisou se transformar e se adaptar aos novos tempos. A Associação continuava sendo uma catalisadora e disseminadora do conteúdo científico, mas as conexões agora eram diferentes. Foram diversas mudanças. Os novos associados que estavam chegando, por exemplo, já eram médicos nascidos e criados no ambiente digital, com novos hábitos de se relacionar com a informação.
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A entidade passou a utilizar de forma mais intensa seus canais digitais para ampliar o acesso a conteúdos científicos, notícias, serviços e informações institucionais. A mudança também alcançou suas publicações, que seguiram trajetórias distintas. A Revista da AMRIGS, de perfil técnico-científico, migrou para o ambiente digital e, em 2025, passou a se chamar Trends in Health Sciences. Paralelamente, a publicação jornalística institucional, voltada a notícias, projetos e acontecimentos da Associação, também acompanhou essa transformação. Inicialmente denominada Revista Digital AMRIGS, passou, em outubro de 2024, a se chamar Medicina & Pesquisa. Com o mundo em transformação, a informação divulgada em jornais, revistas e livros deixou de estar disponível apenas em materiais impressos e passou a ser acessada por meio de plataformas digitais. O manuseio passou a ser na ponta dos dedos. Da mesma forma, a participação em congressos, simpósios e eventos científicos, que até então demandava viagens e hospedagens, passou também a contar com possibilidades de participação remota por meio de plataformas digitais. A Revista da AMRIGS, uma publicação técnico-científica, migrou para o ambiente digital e, em 2025, passou a se chamar Trends in Health Sciences. A publicação, focada em notícias e assuntos institucionais da entidade, também acompanhou a mudança, com o nome Revista Digital AMRIGS. Mais adiante, em 2024, ela passou a se chamar Medicina & Pesquisa
Reuniões que antes exigiam horas de preparação logística e deslocamentos passaram a acontecer por meio de aplicativos ou programas que permitiam a conexão de pessoas distantes umas das outras. Até mesmo consultas médicas passaram a ser feitas virtualmente, e resultados de exames disponibilizados para pacientes e médicos no ambiente digital.
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O ano de 2020 acelerou o uso dos canais digitais e transformou a forma de realizar reuniões, eventos, debates, ações de comunicação e até as interações pessoais O que não havia mudado, mesmo com todos os avanços tecnológicos, era uma premissa essencial: a vida continuava acontecendo para além das telas. Em 2020, o mundo seria confrontado com uma prova dolorosa dessa realidade. Como poucas vezes na história recente, tornaram-se necessárias a rápida disseminação de informação científica e a mobilização da classe médica e de instituições ligadas à saúde para enfrentar uma ameaça de alcance mundial. A AMRIGS, por seu compromisso com o conhecimento e com a saúde, assumiu papel ativo naquele momento. FOTO: Acervo AMRIGS
Reuniões digitais passaram a fazer parte da rotina, reduzindo deslocamentos e permitindo conexões a distância, ao mesmo tempo que modificaram as formas tradicionais de encontro e convivência
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A pandemia da COVID-19 O VALOR DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO PARA ENFRENTAR A DOENÇA O biólogo e microbiologista etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus reuniu a imprensa em sua sala de trabalho em Genebra, na Suíça, no dia 11 de março de 2020, para fazer um anúncio: a COVID-19 passava, a partir daquele momento, a ser classificada como uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), entidade dirigida por ele. O anúncio serviu para formalizar uma preocupação que já abalava o mundo havia cerca de três meses: uma nova doença respiratória, capaz de evoluir para quadros graves e com elevado potencial de transmissão, espalhava-se por diferentes países desde os primeiros registros, no final de dezembro de 2019, na cidade de Wuhan, na província de Hubei, na China. Cientistas e especialistas identificaram que a nova doença era causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2). A enfermidade recebeu o nome de COVID-19, sigla derivada da expressão em inglês “coronavirus disease 2019”.
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MÉDICOS NA LINHA DE FRENTE De rápida circulação, o vírus teve seu primeiro caso confirmado no Brasil em 26 de fevereiro de 2020 e, no Rio Grande do Sul, na cidade de Campo Bom, em 10 de março, um dia antes do anúncio feito por Tedros Adhanom Ghebreyesus em Genebra. Quando a doença começou a ser controlada, com o avanço da vacinação e das medidas de prevenção, os números mostravam a dimensão da tragédia causada pela COVID-19: cerca de 7 milhões de mortes no mundo, sendo aproximadamente 716 mil no Brasil e quase 44 mil no Rio Grande do Sul. O ano de 2020, auge da pandemia, foi marcado por ruas vazias e hospitais lotados. Empresas, escolas e comércio fechados, e a área da saúde trabalhando exaustivamente. Famílias e amigos separados pelo isolamento social determinado pelas autoridades, e médicos e técnicos da saúde reunidos para dar assistência aos contaminados pela COVID-19. Para esses profissionais, foi uma época de trabalhar até a exaustão, separados das famílias também por conta do medo de carregar a infecção a partir do local de trabalho. Durante o horário de expediente, o perigo da exposição ao vírus. Em casa, a solidão advinda da preocupação com os entes queridos. O tempo todo, o esgotamento e a tensão de enfrentar um inimigo ainda pouco conhecido.
FOTO: Rovena Rosa/ Agência Brasil
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A pandemia da COVID-19 impôs uma rotina de extrema exigência aos profissionais da saúde, que precisaram trabalhar de forma exaustiva e ficar diariamente expostos ao vírus para atender os inúmeros pacientes que chegavam aos hospitais e centros de saúde em condições muitas vezes irreversíveis
FOTO: Acervo AMRIGS
Como em outros momentos da história da humanidade, a ciência mostrou-se fundamental para o enfrentamento da situação. Foi o impulso do conhecimento técnico que direcionou especialistas e cientistas de diferentes áreas médicas a se unirem, mesmo separados por milhares de quilômetros de distância, em um trabalho incansável em busca das respostas necessárias para enfrentar a doença e pela definição das melhores estratégias de saúde pública para preservar a vida humana. O esforço coletivo da comunidade científica e médica do mundo todo foi essencial para o combate ao vírus e à pandemia. A AMRIGS ENTRA EM CENA Foi nesse ambiente de incerteza e pressão sobre os sistemas de saúde que a AMRIGS se mobilizou, em 2020, em sua responsabilidade de atuar pelo conhecimento científico e pelo zelo da saúde. A diretoria da Associação se reuniu e tomou uma decisão: a entidade defenderia a autonomia médica para atuar durante a pandemia e consideraria as evidências científicas do momento para se manifestar, levando em conta que a Medicina é dinâmica e que o conhecimento científico se atualiza à medida que novas evidências são produzidas.
Chegada das vacinas contra a COVID-19 na sede da AMRIGS em 5 de fevereiro de 2021, para aplicação prioritária em médicos e demais profissionais da saúde
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Durante a pandemia, a AMRIGS combinou ações de orientação científica, debates com especialistas e participação no processo de vacinação dos profissionais da saúde. A Revista da AMRIGS organizou um suplemento especial com artigos científicos sobre a COVID-19
Foi esse o posicionamento institucional apresentado sempre que a AMRIGS foi chamada a se manifestar publicamente sobre a situação vivida pelo Rio Grande do Sul e pelo mundo. Ao longo de 2020 e até meados de 2021, a entidade participou de diferentes debates e posicionamentos relacionados à pandemia, sempre buscando fundamentar suas manifestações no conhecimento científico disponível naquele momento. Nesse período, a Associação estimulou a discussão científica sobre a COVID-19 a partir de diferentes perspectivas, organizando a publicação de um suplemento especial da Revista da AMRIGS com 24 artigos. Ampliou, ainda, sua presença nos veículos de comunicação para orientar a população e contribuir para o debate público sobre medidas de prevenção e enfrentamento da crise sanitária. Entre as iniciativas voltadas à comunidade médica, cabe destaque ao Ciclo de Palestras, todas realizadas em formato digital. Com a participação de especialistas, os encontros abordaram diferentes aspectos da COVID-19 e tiveram ampla adesão, ajudando a ampliar a circulação de informações em um período marcado por dúvidas e mudanças constantes nas evidências disponíveis.
Na foto abaixo, o presidente da AMRIGS, Dr. Gerson Junqueira Jr., em reunião com o governador Eduardo Leite, o vice-prefeito de Porto Alegre à época, Ricardo Gomes, o então ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o secretário municipal de Saúde à época, Dr. Mauro Sparta, e autoridades
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FOTOS: Acervo Amrigs
Em parceria com a Prefeitura de Porto Alegre, a AMRIGS realizou um ato de vacinação contra a COVID-19 no Parque da Redenção, em abril de 2021
PROTAGONISMO NA VACINAÇÃO Em fevereiro de 2021, com o início da vacinação contra a COVID-19 no Brasil, a AMRIGS participou da imunização prioritária de cerca de 4,5 mil médicos e profissionais da saúde, contribuindo para proteger quem permanecia na linha de frente do atendimento durante a pandemia. A operação foi realizada em 6 de fevereiro, por meio de um sistema de drive-thru instalado na sede da Associação, na Avenida Ipiranga. A iniciativa permitiu organizar o fluxo de vacinação dos profissionais da saúde de forma ágil e segura.
A defesa da vacinação também passou a ocupar posição central nas manifestações institucionais da AMRIGS, que reconhecia a imunização em massa como uma das principais estratégias para reduzir a circulação do coronavírus e os casos graves da doença. Em abril de 2021, a Associação voltou sua atenção também para a retomada das atividades presenciais nas escolas. Em parceria com a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), lançou, no dia 19, a campanha A Vida É Feita de Recomeço, voltada a contribuir para uma retomada mais segura das aulas presenciais.
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FOTO: Gracielle Balsan
FOTO: Marcelo Matusiak
FOTO: Marcelo Matusiak
Alguns dias antes, a Associação havia divulgado uma nota oficial considerando de fundamental importância a retomada das aulas presenciais. Porém, alertava que o reinício das atividades nas escolas precisava ser feito de maneira responsável, seguindo todos os protocolos sanitários preconizados e de forma gradual. Por fim, a AMRIGS colocou-se à disposição para mediar um amplo debate sobre o assunto, envolvendo todos os interessados e abrindo seus canais de comunicação para contribuir com a construção de soluções. “A relevância do tema nos faz lembrar que temos a responsabilidade com a proteção do futuro das nossas crianças e adolescentes e sua inserção plena na sociedade”, finalizou a nota da Associação.
Diversos momentos da atuação da AMRIGS e de seus associados no processo de vacinação contra a COVID-19. Na foto acima, o presidente da entidade, Dr. Gerson Junqueira Jr.
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FOTO: Ana Carolina Lopes
Tenda para atendimento a pacientes instalada pela Unimed na sede da AMRIGS
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FOTO: Paulo Favalli
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O MEMORIAL DA GRATIDÃO Com a emergência sanitária controlada, a AMRIGS entendeu que deveria registrar esse emblemático momento vivido pela humanidade, em que o conhecimento científico foi fundamental para proteger a vida humana. A arte foi a linguagem escolhida para expressar os diversos sentimentos, as perdas e as transformações provocadas pela pandemia. Três grandes painéis fixados no saguão principal da sede, à direita de quem acessa o prédio pelo térreo, formam o Memorial da Gratidão.
O Memorial é uma homenagem da AMRIGS aos médicos e demais profissionais da saúde que tiveram papel fundamental no enfrentamento da COVID-19, incluindo aqueles que perderama vida durante a pandemia
FOTO: Acervo AMRIGS
Confeccionadas em bronze de tom ocre, as peças fundem figuras humanas, objetos da rotina médica e referências simbólicas à mitologia grega. Interligando esse universo, destaca-se a grande mensagem: o tributo da AMRIGS, em nome da sociedade, aos médicos e profissionais da saúde que estiveram na linha de frente do enfrentamento à COVID-19 e foram vítimas da doença enquanto buscavam salvar enfermos. Idealizado pela diretoria da Associação em parceria com o médico e escultor Paulo Favalli, o Memorial da Gratidão foi apresentado ao público em 16 de dezembro de 2021, ainda sob os profundos efeitos da pandemia. Na criação, o artista reuniu sua vivência como médico à sensibilidade artística para traduzir experiências, símbolos e sentimentos daquele contexto. Os painéis formam uma narrativa contínua sobre a COVID-19 e conduzem o visitante por diferentes dimensões da experiência humana diante da doença.
Na foto acima, o presidente da AMRIGS, Dr. Gerson Junqueira Jr., junto ao governador do Estado, Eduardo Leite, ao Dr. Paulo Morassutti, vice-presidente da AMRIGS, e ao Dr. Dirceu Rodrigues, diretor Administrativo da AMRIGS
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FOTO: Paulo Favalli
A M O RT E O primeiro painel retrata o surgimento do coronavírus e sua capacidade de provocar uma ruptura na humanidade, separando a memória daqueles que partiram da dor de quem ficou. Os rostos mostram a diversidade das vítimas: pessoas de diferentes idades, raças e gêneros.
No centro, sob a lente de um microscópio, está o coronavírus, estrutura invisível a olho nu, mas responsável por uma das maiores crises sanitárias dos últimos cem anos. .
Quem assina o Memorial da Gratidão é o cirurgião plástico e escultor Paulo Favalli, que somou seus conhecimentos e vivências como médico à sensibilidade artística, obtendo um resultado impactante, com grande carga emocional. O escultor deu ao tríptico o nome “A Esperança de Pandora”
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FOTO: Paulo Favalli
A CIÊNCIA No segundo painel está retratada a importância do conhecimento científico, dimensão que sempre impulsionou a atuação da AMRIGS.
A imagem mostra o cientista em atividade manipulando o material genético na busca de soluções para enfrentar o vírus, em uma rede de estudos que conectou especialistas e profissionais da saúde em diferentes partes do planeta.
Cada peça do tríptico é repleta de detalhes que remetem a situações marcantes vividas por médicos e pacientes durante a pandemia. Nesse painel, o Dr. Paulo Favalli faz uma homenagem à busca pelo conhecimento, ao embasamento técnico e à atuação dos profissionais da saúde
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FOTO: Paulo Favalli
A CU R A O terceiro painel do Memorial apresenta o percurso da doença e do tratamento até a recuperação do paciente.
A cena mostra o suporte de oxigênio, a posição de prona e, ao final, o reencontro com familiares e amigos, conduzido pelas mãos de uma médica. No rosto cansado da profissional aparecem marcas características daquele período: os vincos provocados pelo uso prolongado de máscaras de proteção.
“No ano em que celebramos sete décadas de atuação, protagonizamos a construção da maior homenagem aos médicos do país: o Memorial da Gratidão AMRIGS. Esse monumento inédito é um reconhecimento ao trabalho incansável dos profissionais da saúde no combate à COVID-19 e aos que, infelizmente, perderam suas vidas para o coronavírus.” (fala do presidente da AMRIGS, Dr. Gerson Junqueira Jr., ao apresentar a obra ao público, em 16 de dezembro de 2021)
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FOTOS: Nilton Santolim e Paulo Favalli
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Compondo a celebração dos 70 anos, foi criado um novo slogan, refletindo o posicionamento da instituição diante da sociedade: “AMRIGS 70 anos. Pela Ciência. Pela Medicina. Pela Sociedade. Pela Vida.”
UMA PROPOSTA DE VALOR Em outubro de 2021, a AMRIGS celebrou seus 70 anos. Chegar a sete décadas de atuação, mantendo os propósitos que deram origem à Associação, representava um marco importante de sua trajetória. Naquele momento, a AMRIGS também buscou compreender como era percebida por seus di-
ferentes públicos e quais atributos deveriam orientar sua apresentação à sociedade. Para isso, foram realizadas pesquisas e entrevistas com pessoas e profissionais ligados à instituição. Desse processo surgiram percepções sobre sua imagem, sua atuação e o papel que deveria desempenhar nos anos seguintes.
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Entre as ideias registradas estavam a contribuição da AMRIGS para a saúde pública, o estímulo ao debate científico, a integração das sociedades de especialidades, a relevância nacional da Prova AMB/AMRIGS e o fortalecimento da entidade como espaço de representação da Medicina. Também apareceram conceitos como protagonismo, orgulho da profissão e a identificação da AMRIGS como a casa da Medicina, da ciência e da cultura médica. Compondo a celebração dos 70 anos, foi criado um novo slogan, que sintetizava o posicionamento proposto para a Associação naquele momento:
“AMRIGS 70 anos. Pela Ciência. Pela Medicina. Pela Sociedade. Pela Vida.”
Os depoimentos colhidos durante as entrevistas serviram de base para a elaboração de uma campanha institucional voltada a reforçar, no marco dos 70 anos, os laços da AMRIGS com os associados e com a sociedade. Até aquele momento, o slogan com que a Associação se apresentava institucionalmente à sociedade era “Orgulho em promover a Medicina há 70 anos”. O trabalho desenvolvido pelas equipes especializadas em branding ampliou esse conceito ao relacionar a promoção da Medicina à promoção da vida, entendida como o maior bem do indivíduo e diretamente beneficiada pelas boas práticas médicas. Essa reflexão orientou a nova proposta de valor apresentada pela AMRIGS em seus 70 anos. A proposta foi desdobrada em um manifesto público e, posteriormente, transformada em uma campanha publicitária veiculada nas redes sociais e em diferentes espaços da mídia.
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M A N IF E STO “Nosso juramento é cuidar da saúde. Nossa missão é garantir o bem-estar de todos. Nossa vocação é promover ciência e replicar o conhecimento. Nosso compromisso é fortalecer a Medicina de qualidade. Nossa atuação é abraçar os médicos de todas as gerações, integrando tecnologia e sabedoria. Nossa visão é um mundo melhor, sustentável, com mais união e mais informação. Nosso trabalho é fazer tudo com atenção, carinho e dedicação. Nosso esforço é realizar sempre, cada vez mais. Há 70 anos, promover a ciência em favor da sociedade, a partir de certificações, eventos, publicações, curadoria, premiações e tantas outras atividades é mais que um legado. É a nossa vida.” ASSOCIAÇÃO MÉDICA DO RIO GRANDE DO SUL Pela Ciência. Pela Medicina. Pela Sociedade. Pela Vida.
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Os 70 anos foram celebrados em um jantar realizado em 16 de outubro de 2021, no Centro de Eventos AMRIGS. Uma noite de confraternização, homenagens e emoção FOTOS: Taís Suminsky
Na foto abaixo, Dr. Alfredo Floro Cantalice Neto (à esq.), que presidiu a AMRIGS nas gestões 2014-2017 e 2017-2020, e o atual presidente, Dr. Gerson Junqueira Jr.
Para marcar o momento histórico, a AMRIGS promoveu um concurso público para a criação de um logotipo comemorativo aos 70 anos. No total, 81 trabalhos foram inscritos e a proposta de Aroldo Sanson, da cidade de Arvorezinha, foi escolhida como vencedora por uma comissão julgadora. A data foi celebrada em um jantar comemorativo realizado na noite de 16 de outubro de 2021, no Centro de Eventos AMRIGS, que contou com a presença de associados, membros de diretorias e conselhos anteriores, autoridades e convidados. Entre os presentes estava o Dr. Oswaldo Wolf Dick, então com 96 anos de idade e 70 anos de carreira médica, o mesmo período de existência da Associação. Sua participação tinha um significado especial: ele foi um dos médicos que assinaram a ata de fundação da AMRIGS, em 1951.
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FOTOS: Taís Suminsky
Esteve presente à celebração um dos signatários da ata de fundação da AMRIGS, Dr. Oswaldo Wolf Dick, então com 96 anos de idade e 70 anos de carreira médica. Atualmente já falecido, ele deu àquela noite um significado histórico ainda mais especial
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Nas imagens abaixo, diversos momentos da noite de celebração dos 70 anos, quando associados, ex-presidentes e ex-conselheiros confraternizaram com a gestão atual e com os convidados FOTOS: Taís Suminsky
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SOLIDARIEDADE EM RESPOSTA À EMERGÊNCIA Três anos depois da mobilização vivida durante a pandemia de COVID-19, a AMRIGS voltaria a enfrentar uma situação extrema. Desta vez, o desafio vinha das chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul no final de abril de 2024 e provocaram uma das maiores tragédias climáticas da história do Estado. Fortes e constantes precipitações elevaram rapidamente o nível dos principais rios, provocando transbordamentos, alagamentos e destruição em diferentes regiões. Dos 497 municípios gaúchos, 478 foram atingidos de alguma forma pelas enchentes. Porto Alegre esteve entre as cidades mais afetadas. FOTO: Ricardo Stuckert/PR, Gov.br
Maio de 2024: Porto Alegre tomada pelas águas durante o maior desastre ambiental já registrado no Rio Grande do Sul
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FOTO: Gilvan-Rocha_Agência-Brasil
Quase 40 mil edificações foram danificadas ou destruídas, houve interrupções no abastecimento de energia elétrica e água e o deslocamento entre diferentes regiões da capital ficou severamente comprometido. O Aeroporto Salgado Filho foi fechado e permaneceu meses sem operar normalmente
Diante desse cenário, a AMRIGS voltou a colocar sua estrutura, sua capacidade de mobilização e sua rede de associados a serviço da comunidade. A sede da Associação passou a integrar um amplo movimento de solidariedade que reuniu médicos, colaboradores, voluntários e pessoas dispostas a ajudar as famílias afetadas pelas águas. Na tarde de 5 de maio, a inundação do Guaíba atingiu a marca de 5,37 metros, superando as históricas enchentes de 1941 e 2023. O estado de calamidade pública no Rio Grande do Sul havia sido decretado pelo Governo do Estado em 1º de maio. No dia seguinte, a situação foi reconhecida pelo Governo Federal. A estrutura de proteção da cidade entrou em colapso, e as águas invadiram o Centro, parte da Zona Norte e o Aeroporto Salgado Filho, que ficou inoperante. Dados da Prefeitura mostram que as enchentes afetaram cerca de 160 mil pessoas e destruíram total ou
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Com sua sede preservada das águas, a AMRIGS tornou-se um ponto estratégico para receber, organizar e encaminhar doações, em meio a uma cidade que enfrentava o caos parcialmente aproximadamente 39 mil edificações, incluindo áreas densamente povoadas, como os bairros Menino Deus, Cidade Baixa, Humaitá e Sarandi. Os reflexos foram sentidos em toda a cidade, com interrupções nos serviços de abastecimento de energia elétrica e água e a dificuldades de deslocamento entre diferentes regiões da Capital. Os números não deixaram dúvida: foi o maior desastre ambiental da história do Rio Grande do Sul e um dos maiores do Brasil. E durante a catástrofe, 185 pessoas perderam a vida.
A sede da AMRIGS transformou-se em um centro de recebimento, triagem e organização de doações, dando suporte à Defesa Civil. O foyer, o Teatro AMRIGS e outros espaços da sede foram ocupados por roupas, alimentos, produtos de limpeza e higiene, organizados com o apoio de dezenas de voluntários FOTOS: Acervo AMRIGS
Com sua sede localizada em uma área distante da ameaça das águas, a AMRIGS abriu suas portas e transformou o espaço em um dos primeiros centros de logística solidária mobilizados durante a crise. Enquanto diferentes pontos da cidade estavam alagados ou com acesso comprometido, a Associação conseguiu manter sua estrutura disponível para receber voluntários e organizar a ajuda destinada às vítimas.
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FOTO: Acervo AMRIGS
Já em 5 de maio, apenas três dias após disponibilizar-se para receber doações, a AMRIGS precisou emitir um aviso informando que a sede estava superlotada de voluntários e que já não tinha mais espaço físico para aumentar a equipe
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A entidade concentrou inicialmente seus esforços no recebimento de doações, reunindo roupas, alimentos, água, produtos de limpeza e higiene e ração para animais. Em um segundo momento, quando as necessidades emergenciais mais imediatas já estavam sendo atendidas, a AMRIGS passou a concentrar o recebimento de medicamentos e insumos médicos destinados às vítimas das cheias. Além disso, acompanhou a organização de novos pontos de atendimento e, em parceria com as secretarias municipal e estadual de Saúde, participou da logística de distribuição desses materiais. As doações chegavam de diferentes regiões do Brasil, mobilizadas para auxiliar a população gaúcha. A mobilização liderada pela AMRIGS teve resposta tão expressiva da população que a sede rapidamente ficou pequena diante do volume de doações recebidas. Na manhã de 2 de maio, quinta-feira após o feriado, quando já chegavam notícias dos estragos e das vítimas provocados pelas enchentes no interior do Estado, a equipe da Associação colocou uma caixa de papelão no foyer e divulgou pelas redes sociais que estava recebendo donativos. Cerca de uma hora depois, a caixa estava lotada. Em aproximadamente duas horas, metade do foyer já havia sido ocupada por materiais de higiene e limpeza, roupas, calçados e alimentos. Ao final do dia, praticamente não havia mais espaço disponível no térreo da sede. A AMRIGS colocou o conhecimento científico de seus associados à disposição da comunidade, atuando também fortemente na distribuição de medicamentos e insumos médicos, de forma organizada e responsável
Na manhã seguinte, 3 de maio, apenas 24 horas após o primeiro chamamento pelas redes sociais, os funcionários encontraram filas de pessoas trazendo novas doações e voluntários que se apresentavam para ajudar. No sábado, cerca de 150 pessoas trabalharam voluntariamente na separação de roupas, mantimentos, materiais para animais e outros donativos.
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FOTOS: Acervo AMRIGS
Na imagem acima: o sistema de drive-thru implantado na sede da AMRIGS ajudou a organizar o fluxo de entrega e retirada de doações
A mobilização continuou crescendo nos dias seguintes. Por volta das 18h de 5 de maio, data em que o Guaíba atingiu seu nível máximo em Porto Alegre, a assessoria de comunicação da AMRIGS divulgou uma mensagem informando que a sede estava superlotada de voluntários e pediu que a população se dirigisse ao local apenas para entregar donativos. Em 10 de maio, uma semana depois do início da iniciativa, a limitação de espaço levou a Associação a restringir o recebimento de doações exclusivamente a medicamentos e insumos médicos. Ao final da operação, cerca de 200 toneladas de doações haviam sido encaminhadas pela AMRIGS a diferentes regiões do Rio Grande do Sul.
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A Associação Médica também foi para a linha de frente do enfrentamento às enchentes. Coordenou o atendimento de primeiros socorros às pessoas que precisaram deixar suas casas e que chegavam, por barco, aos pontos de atendimento emergencial instalados pela Prefeitura na Usina do Gasômetro, no Pontal do Guaíba, junto ao Pontal Shopping, e no Viaduto José Eduardo Utzig, na Zona Norte de Porto Alegre. Além disso, foi parceira de um trabalho de telemedicina, com a participação de cerca de 7 mil médicos de diversas especialidades, muitos deles atuando em diferentes estados do país, que prestavam atendimento às pessoas desalojadas pelas enchentes e acolhidas em abrigos temporários.
O atendimento médico nos locais de acolhimento de pessoas resgatadas das inundações também fez parte das iniciativas da AMRIGS, que convidou seus associados a atuarem na linha de frente. Acima, uma das peças de divulgação dessas ações, com contato para adesão de voluntários
A resposta da AMRIGS às enchentes de 2024 mostrou, mais uma vez, como a entidade médica pode atuar para além de suas funções institucionais. Em poucos dias, a Associação mobilizou médicos, colaboradores, voluntários e parceiros, colocou sua estrutura a serviço da comunidade e participou de uma ampla rede de atendimento, arrecadação e distribuição de ajuda. Esse movimento encerra um período da história recente marcado por mudanças significativas. Da pandemia à tragédia climática, a AMRIGS precisou adaptar sua forma de atuar, ampliar sua presença junto à sociedade e responder a situações que exigiram rapidez, articulação e capacidade de mobilização. Ao chegar aos 75 anos, essa experiência também ajuda a explicar os caminhos que seriam assumidos na etapa seguinte de sua trajetória.
Em momentos de crise, a história da AMRIGS também foi escrita pela capacidade de mobilizar pessoas, estrutura e conhecimento em favor da sociedade
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FOTO: Acervo AMRIGS
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O futuro agora
Aos 75 anos, a AMRIGS não se afastou dos ideais que levaram à sua fundação, mas soube modernizar a estrutura, os processos, a gestão, além de acompanhar os avanços do mundo e da profissão médica. Ampliou espaços de participação e de representação, tornando-se mais plural e conectada às novas gerações
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O FU T U RO AG O RA Uma trajetória de 75 anos que agora se projeta em novas formas de gestão, participação e relação com a Medicina e com a sociedade, sempre com base nos ideais que levaram à fundação da Associação
FOTO: Acervo AMRIGS
Alinhada às demandas e aos valores da sociedade contemporânea, a AMRIGS criou novos núcleos e diretorias e passou a dedicar maior atenção a temas como a sustentabilidade
A Associação Médica do Rio Grande do Sul chega sólida aos seus 75 anos, completados em 27 de outubro de 2026. Segue movida pelos mesmos ideais que reuniram o grupo fundador no Salão Nobre da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, em 1951: atender aos interesses dos médicos, fortalecer o associativismo e promover a difusão do conhecimento técnico-científico. Com um olhar voltado ao futuro e uma visão de longo prazo, a instituição passou por um mo-
vimento de modernização destinado a fortalecer sua estrutura, aprimorar sua governança e criar condições para sua perenidade institucional. Esse processo envolveu diferentes dimensões da organização. Na governança corporativa, foram incorporadas práticas de gestão mais estruturadas, além de profissionais com experiência em áreas estratégicas, selecionados a partir de suas trajetórias e competências para contribuir com os desafios e projetos institucionais.
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Para acompanhar os avanços da profissão médica, a instituição estruturou novas áreas estratégicas. A criação da Diretoria de Inovação e Tecnologia acompanha um cenário no qual recursos digitais, inteligência artificial e novas ferramentas passam a influenciar diretamente a prática médica. Seu objetivo é aproximar esses recursos da realidade dos profissionais, incentivar a adoção de soluções inovadoras e promover uma reflexão estratégica e ética sobre as mudanças que impactam diariamente a Medicina.
Novas áreas estratégicas foram criadas para aproximar a AMRIGS das transformações da Medicina e ampliar sua capacidade de representação Paralelamente, a Diretoria de Relações Institucionais surge da necessidade de ampliar a presença da AMRIGS nos espaços de discussão da saúde, fortalecendo o diálogo com órgãos públicos, entidades médicas e diferentes setores. Sua atuação também busca intensificar a cooperação com as entidades que integram a rede AMRIGS, ampliando a capacidade de representação da Medicina gaúcha. Essa capacidade de articulação representa uma das principais forças da instituição no presente. O hub societário da AMRIGS reúne, além do corpo associativo, 54 Sociedades de Especialidades Médicas e 26 Seccionais espalhadas pelo interior do Estado, formando uma rede que conecta diferentes áreas do conhecimento e realidades da prática médica. A AMRIGS mantém sua estrutura de governança baseada em uma Diretoria Executiva e em um Conselho de Representantes eleitos a cada três anos, preservando seu modelo democrático e associativo. Ao mesmo tempo, fortaleceu uma cultura organizacional baseada em processos mais definidos e maior capacidade de adaptação às mudanças que atingem a Medicina e a população.
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FOTO: Acervo AMRIGS
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A aproximação com estudantes, residentes e médicos em início de carreira reforça a renovação das lideranças e mantém novas gerações conectadas à vida associativa
FOTO: Acervo AMRIGS
Implantação de um sistema fotovoltaico na sede: a modernização institucional envolveu também ações ligadas às demandas contemporâneas, como a sustentabilidade
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A construção do futuro da entidade também passa pela renovação das lideranças e pela criação de espaços capazes de aproximar novas gerações da vida associativa. Nesse movimento, o Núcleo do Médico Jovem ocupa hoje um papel mais estruturado e ativo dentro da AMRIGS, reunindo recém-formados, residentes e acadêmicos em iniciativas voltadas à formação, à troca de experiências e à participação institucional. Sua atuação se conecta ao trabalho desenvolvido pelo Departamento Universitário da AMRIGS, que desde 1990 aproxima estudantes de Medicina das escolas médicas gaúchas do associativismo e da construção coletiva da profissão.
ampliar o debate sobre a trajetória feminina na Medicina, os desafios da jornada profissional e a presença das mulheres em espaços de liderança e gestão na saúde. O grupo está em seus primeiros meses de atuação, período dedicado à estruturação e ao desenvolvimento das atividades.
Mais recentemente, em junho de 2026, foi lançado o Núcleo da Mulher Médica do Rio Grande do Sul, criado com a proposta de
A modernização institucional também incorporou compromissos alinhados às demandas contemporâneas da sociedade. A sustentabilidade passou a integrar essa visão de futuro com a implantação, no prédio da Avenida Ipiranga, de um sistema fotovoltaico composto por 584 módulos, instalados em uma área superior a 1.200 m². A iniciativa permite reduzir aproximadamente 35 toneladas de emissão de gás carbônico (CO2) por ano na atmosfera, associando modernização da infraestrutura à responsabilidade ambiental.
FOTO: Ana Carolina Lopes
FOTO: Marcelo Matusiak
10º Curso de Raciocínio Clínico do DU AMRIGS, em 2019
IV Congresso do Departamento Universitário da AMRIGS, em 2022
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FOTO: Acervo AMRIGS
Na imagem acima, momento do Workshop Non-Technical Skills for Surgeons - NOTSS. Atividades de formação e atualização realizadas pela AMRIGS aproximam médicos de novas metodologias, tecnologias e experiências voltadas ao aprimoramento da prática profissional
Outro eixo fundamental para o futuro da Medicina é a produção e a disseminação do conhecimento. A AMRIGS pretende ampliar sua atuação como espaço de formação, atualização e troca de experiências entre profissionais. Essa visão também se expressa na aproximação com referências internacionais, como a realização inédita no Rio Grande do Sul do Workshop NOTSS (Non-Technical Skills for Surgeons), programa desenvolvido no Reino Unido para o aprimoramento das habilidades não técnicas da equipe cirúrgica. A iniciativa reuniu médicos brasileiros e britânicos em atividades voltadas a fatores humanos, comunicação, liderança e segurança na prática cirúrgica, ampliando a formação para além do conhecimento técnico.
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FOTO: Acervo AMRIGS
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Atividade no Centro de Simulação e Treinamento da AMRIGS. Formação, atualização científica e novas metodologias de ensino são caminhos para preparar médicos para as transformações e desafios da profissão
Essa perspectiva se materializa ainda em iniciativas voltadas à formação e à qualificação realizadas no Centro de Simulação e Treinamento Dr. Martinho Alexandre Reis Álvares da Silva. Com aproximadamente 650 m², o complexo reúne oito salas de aula, auditório e ambientes preparados para simulação virtual e realística. A educação médica também permanece como uma das principais contribuições da AMRIGS por meio da Prova AMB/AMRIGS. Criada como uma avaliação regional, tornou-se uma referência nacional na seleção de candidatos à Residência Médica. Para os próximos anos, o desafio será manter a atualização e o aprimoramento permanentes da Prova, preservando sua relevância para a formação médica e sua importância na trajetória da Associação. FOTO: Ana Carolina Lopes
O presidente da AMRIGS, Dr. Gerson Junqueira Jr., durante o evento Bariatric Endoscopic Surgery Trends (B.E.S.T.), em junho de 2022
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FOTO: Gracielle Balsan
FOTO: Ana Carolina Lopes
Participação do presidente da AMRIGS no VII Congresso Sul-Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade, em 2022
FOTO: Ben Hur Castoldi
A AMRIGS mantém sua participação nos fóruns institucionais e técnicos de discussão da saúde, aproximando especialistas, gestores e lideranças públicas. Ao colocar em pauta desafios concretos da assistência, a entidade contribui para qualificar o debate e ampliar a compreensão sobre questões que envolvem a organização da saúde, a prática médica e as necessidades da população. Nesse cenário, a ciência ocupa um lugar central nas discussões promovidas pela Associação. Em um ambiente marcado pela rápida circulação de informações, a AMRIGS contribui para que o debate público em saúde seja sustentado por conhecimento técnico, evidências e responsabilidade. Ao promover o diálogo sobre questões que impactam a saúde, a AMRIGS fortalece espaços de escuta e construção coletiva
A força da instituição também está na capacidade de reunir médicos, Sociedades de Especialidades Médicas, Seccionais e demais entidades representativas em torno de objetivos comuns. Ao longo de sua trajetória, a AMRIGS construiu um espaço de encontro, participação e troca de experiências e mantém seu compromisso com a produção científica, a valorização profissional e a saúde da sociedade.
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Reunir diferentes vozes e qualificar o debate sobre a saúde estão entre os papéis da AMRIGS no presente e nos caminhos que projeta para o futuro FOTO: Marcelo Matusiak
Registro do IV Congresso do Departamento Universitário, em 2022. Debates, encontros e fóruns aproximam conhecimento técnico, experiência profissional e novas perspectivas sobre os rumos da saúde
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FOTO: Marcelo Amaral
Cerimônia de posse dos representantes das Seccionais da AMRIGS, em junho de 2026. A Associação conta atualmente com 26 Seccionais
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FOTO: Marcelo Amaral
Posse das Sociedades de Especialidades Médicas, em março de 2026. São 54 as especialidades integradas à AMRIGS
O conceito de “A Casa do Médico Gaúcho” traduz o propósito da AMRIGS de ser um espaço de pertencimento, encontro e participação da classe médica FOTO: Marcelo Matusiak
A Associação Médica do Rio Grande do Sul é a Casa do Médico Gaúcho! Uma casa construída por muitas mãos, que reúne diferentes gerações de médicos e mantém aberto um espaço de convivência, conhecimento, troca de experiências e construção coletiva. É com essa identidade, sustentada pelo associativismo e pela capacidade de aproximar pessoas em torno de objetivos comuns, que a AMRIGS chega aos 75 anos e se prepara para os próximos capítulos de sua história.
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A M RI G S E M FATOS H ISTÓRICOS 1971 • Realização do primeiro
1 950
Exame AMRIGS, criado como instrumento de avaliação de conhecimento e, mais tarde, utilizado na seleção para a Residência Médica.
1952
• Início das Caravanas, que contribuíram para a mobilização dos médicos e para a articulação que culminaria na criação da AMRIGS.
• Aquisição da primeira
• Criação da Unimed Porto
sede da AMRIGS, localizada na Rua Uruguai, Centro de Porto Alegre.
Alegre, em reunião realizada na sede da AMRIGS.
1 9 51
1969
• No dia 27 de outubro, os
• Aquisição da segunda
delegados reúnem-se no Salão Nobre da Faculdade de Medicina de Porto Alegre para a fundação da AMRIGS.
sede da AMRIGS, na Avenida Salgado Filho, também no Centro de Porto Alegre.
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1 973
1976
• O Governo do Estado do Rio Grande do Sul doa à AMRIGS o terreno onde seria construída a atual sede, na Avenida Ipiranga.
• Realização do concurso para criação da nova logomarca da AMRIGS.
1972
1974
• A AMRIGS e o Governo do Estado
• Criação do projeto arquitetônico
do RS oficializam o 18 de outubro como data alusiva ao Dia do Médico.
da atual sede, elaborado por Oscar Niemeyer.
• Inaugurada a sala da Unimed
Continuada (PEC), com o objetivo de qualificar profissionais da área da saúde.
Porto Alegre na sede da AMRIGS.
• Implantação do Programa de Educação
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1990 • Inauguração do Prédio Administrativo na atual sede.
• Criação do Departamento Universitário da AMRIGS (DU AMRIGS).
1997
2003
• Inauguração
• Lançamento do
do Centro Científico-Cultural da AMRIGS.
Projeto Fumo Zero, focado no combate ao tabagismo.
1980
1994
1999
2005
• A AMRIGS amplia
• Inauguração
• Inauguração do
• Criação do Instituto
sua programação artística, científica e cultural.
do Centro de Eventos AMRIGS.
Teatro AMRIGS.
Vida Solidária (IVS), que passou a organizar e ampliar a atuação social da AMRIGS.
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2011 • Retomada das Caravanas
2008
AMRIGS, visando levar atualização científica e fortalecer a aproximação com médicos de diferentes regiões do Estado.
• O Governo do
• Criação do Prêmio AMRIGS
Estado do RS cede o terreno para a sede do Instituto Vida Solidária (IVS).
de Jornalismo, voltado ao reconhecimento de profissionais, projetos e iniciativas de impacto na comunicação em saúde.
2016 • O Exame AMRIGS passa a ser realizado também em Mato Grosso do Sul, em parceria com a Associação Médica de Mato Grosso do Sul (AMMS).
2010
2014
2019
• A AMRIGS passa a
• Ampliação do Exame AMRIGS
• Prova AMRIGS recebe
utilizar a denominação Ciclo de Palestras para suas iniciativas de aproximação do conhecimento científico com a comunidade e de ampliação do acesso à informação em saúde.
para Santa Catarina, com aplicação da prova em parceria com a Associação Catarinense de Medicina (ACM).
chancela da Associação Médica Brasileira e passa a se chamar Prova AMB/AMRIGS.
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2020 • Durante a pandemia da COVID-19, a AMRIGS atuou como protagonista no processo de vacinação, tendo sido responsável pela imunização prioritária de 4,5 mil profissionais da saúde. Também promoveu diversos eventos com a comunidade médica, para debater o assunto e difundir informações.
• Implantação de um sistema fotovoltaico composto por 584 módulos no prédio da Avenida Ipiranga, ampliando o uso de energia renovável na sede da AMRIGS.
2021 • Inauguração do Memorial da Gratidão na sede da AMRIGS, em homenagem aos profissionais da saúde que atuaram na pandemia da COVID-19.
• Criação do Prêmio AMRIGS de Melhores Práticas na Medicina, para valorizar projetos, iniciativas e profissionais de destaque na área médica.
• Retomada do Prêmio AMRIGS de Jornalismo.
2020 • Início dos debates eleitorais da AMRIGS em parceria com a Rádio Guaíba e jornal Correio do Povo, com candidatos à Prefeitura de Porto Alegre. A iniciativa foi posteriormente ampliada e consolidou a AMRIGS como espaço de discussão de temas relevantes para a saúde e a sociedade.
2023 • A Diretoria de Relações Institucionais é criada na reforma estatutária de 2023 e incorporada formalmente à estrutura organizacional para a gestão 2026-2029.
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2026 • Realização inédita no Rio Grande do Sul do
2024 • Durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, a AMRIGS transforma sua sede em um centro de recebimento, organização e distribuição de doações e também participa de ações de atendimento emergencial às vítimas.
Workshop NOTSS (Non-Technical Skills for Surgeons), programa desenvolvido no Reino Unido para o aprimoramento de habilidades não técnicas aplicadas à prática cirúrgica.
• Lançamento, em 6 de junho, do Núcleo da Mulher Médica do Rio Grande do Sul, criado com a proposta de ampliar o debate sobre a trajetória feminina na Medicina, os desafios da jornada profissional e a presença das mulheres em espaços de liderança na saúde.
2026 • Em 27 de outubro, a AMRIGS completa 75 anos de atuação dedicada à Medicina, à ciência, ao associativismo e à representação da classe médica.
2025 • Criação da Coordenação de Inovação e Tecnologia, com o objetivo de aproximar a AMRIGS das transformações digitais e tecnológicas que impactam a Medicina e apoiar a incorporação de novas ferramentas à atuação institucional e profissional.
• Criação do Núcleo do Médico Jovem, voltado à aproximação com recém-formados e residentes.
• Prova AMB/AMRIGS completa 55 anos.
Galeria de Presidentes
Ao longo de sua trajetória, a AMRIGS teve 20 presidentes. O primeiro foi o Dr. Bruno A. Marsiaj, que participou da fundação da entidade e presidiu a Associação em seus primeiros anos. Ao completar 75 anos, a AMRIGS é presidida pelo Dr. Gerson Junqueira Jr., que assumiu o cargo em 2020 e foi reeleito em 2023
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PRES IDEN T E S
Dr. Bruno A. Marsiaj
Dr. Paulo Telles Tibiriçá
Gestões 1951 a 1953 e 1953 a 1955
Gestão 1956 a 1957
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Dr. Walter Ghezzi
Dr. José Luiz Flores Soares
Dr. Alberto Viana Rosa
Gestão 1957 a 1959
Gestões 1959 a 1961 e 1961 a 1963
Gestão 1963 a 1965
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PRES IDEN T E S
Dr. Newton Neves da Silva
Dr. Osmar Pilla
Dr. Manoel Antonio Albuquerque
Gestão 1965 a 1967
Gestão 1967 a 1969
Gestão 1969 a 1971
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Dr. Luiz Alberto Fagundes
Dr. Harri Valdir Graeff
Dr. Hans Ingomar Schereen
Gestão 1971 a 1972
Gestões 1972 a 1973, 1973 a 1975, 1975 a 1977 e 1977 a 1979
Gestão 1979 a 1981
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PRES IDEN T E S
Dr. Paulo Marroni Silveira
Dra. Gerda Horn Caleffi
Dr. Marco Antonio Becker
Gestões 1982 a 1983 e 1983 a 1985
Gestões 1985 a 1987, 1987 a 1989 e 1989 a 1991
Gestão 1991 a 1993
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Dr. Martinho Alexandre Ribeiro Álvares da Silva Gestões 1993 a 1995, 1995 a 1997 e 1997 a 1999
Dr. Hilberto Corrêa de Almeida
Dr. Newton Monteiro de Barros
Gestão 1999 a 2002
Gestões 2002 a 2005 e 2005 a 2008
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PRES IDEN T E S
Dr. Dirceu Francisco de Araújo Rodrigues Gestões 2008 a 2011 e 2011 a 2014
Dr. Alfredo Floro Cantalice Neto
Dr. Gerson Junqueira Jr.
Gestões 2014 a 2017 e 2017 a 2020
Gestões 2020 a 2023 e 2023 a 2026
Galeria de Presidentes do Conselho de Representantes
Na estrutura da AMRIGS, os conselheiros exercem funções importantes de governança, fiscalização e representação institucional. Sua atuação está vinculada ao Conselho de Representantes, órgão colegiado que integra a organização da Associação. A seguir, são apresentados os presidentes do CR ao longo da história da AMRIGS
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C O NS ELH E I RO S
Dr. Pedro Luis B. da Costa
Dr. Carlos Karan
Dr. Amilcar Goyheneix Gigante
Gestão 1972 a 1973
Gestão 1975 a 1976
Gestão 1976 a 1979
Dr. Luiz Alberto Tarrago Carvalho
Dr. Pércio Haas
Dr. João Eduardo Oliveira Irion
Gestão 1980 a 1981
Gestão 1981
Gestão 1981 a 1982
160
7 5 A NOS A MR I G S
Dr. Januário Gus
Dr. Zenóbio Pereira T. de Magalhães
Dr. Bruno Wayhs
Gestão 1982 a 1983
Gestão 1984 a 1986
Gestão 1989 a 1990
Dra. Miréia Simões Pires Wayhs
Dr. Juarez Monteiro Molinari
Dr. Luiz José Varo Duarte
Gestão 1990 a 1991
Gestão 1991 a 1993
Gestões 1993 a 1994 e 1994 a 1995
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C O NS ELH E I RO S
Dr. Anis Hauad
Dra. Semiramis L. Tannhauser
Dr. Roger Lahorgue Castagno
Gestão 1995 a 1996
Gestão 1996 a 1997
Gestão 1997 a 1998
Dr. James Ricachenevsky
Dr. Albino Júlio Sciesieski
Dr. José Carlos Henrique Duarte dos Santos
Gestão 1999 a 2001
Gestão 2001 a 2002 Gestão 2002 a 2004
162
7 5 A NOS A MR I G S
Dr. Gilberto Pereira Gomes
Dr. Jair Rodrigues Escobar
Dr. Túlio Miguel Schein Wenzel
Gestão 2004 a 2005
Gestão 2005 a 2007
Gestão 2007 a 2008
Dra. Lia Mariza Cerutti Scortegagna
Dra. Stela Maris Scopel Piccoli
Dra. Marília Raymundo Thomé da Cruz
Gestões 2008 a 2010 e 2010 a 2011
Gestão 2011 a 2013 Gestão 2013 a 2014
163
C O NS ELH E I RO S
Dra. Rosemarie Lopes Gomes
Dra. Mirian Beatriz Gehlen Ferrari
Gestão 2014 a 2017
Gestão 2017 a 2020
Dr. Mauro Fett Sparta de Souza
Dr. José Renato Guimarães Grisolia
Gestão 2020 a 2023
Gestão 2023 a 2026
Diretoria Gestão 2023-2026
Dr. Gerson Junqueira Jr.
Dr. Paulo Emilio Skusa Morassutti
Presidente
Vice-presidente
Dr. Breno José Acauan Filho
Dra. Cristina Sebastião Matushita
Dra. Dilma Maria Tonoli Tessari
Diretor de Finanças
Diretora de Patrimônio e Eventos
Diretora de Integração Social
Dr. Dirceu Francisco de Araújo Rodrigues Diretor Administrativo
Dr. João Rogério Bittencourt da Silveira Diretor de Assistência e Previdência
Dr. Guilherme Napp
Dr. João Alberto Maeso Montes
Diretor Científico e Cultural
Diretor de Normas
Dr. Marcos André dos Santos
Dr. Ricardo Moreira Martins
Diretor de Comunicação
Diretor de Exercício Profissional
“A Medicina é uma arte que exige toda uma vida e, se possível, toda uma alma.” “Pensa bem enquanto é tempo. Mas se, consciente de tudo isso, o teu coração ainda deseja a Medicina, então, meu filho, segue em frente.”
Frases extraídas da obra Conselhos de Esculápio
Este livro tornou-se possível também pelo apoio estratégico de parceiros significativos, cuja presença reforça a importância desta história e amplia o alcance de seu legado.
DIA M ANT E
O U RO
AGRADECIMENTOS Expressamos nosso reconhecimento e profunda gratidão aos atuais e ex-presidentes, diretores e conselheiros da AMRIGS, ao nosso hub societário, composto pelas Sociedades de Especialidades Médicas e Seccionais, aos colaboradores, fornecedores e parceiros que contribuíram, ao longo dessa trajetória, para o fortalecimento da Associação Médica do Rio Grande do Sul. Um agradecimento especial aos associados, acadêmicos de Medicina, residentes e médicos, que dão sentido à existência e à atuação da Instituição. Agradecemos, também, aos profissionais que compartilharam suas experiências, memórias e perspectivas nas entrevistas realizadas para este registro histórico, ajudando a preservar diferentes olhares e momentos que compõem a história da Associação. Nossa gratidão se estende às famílias, aos colegas que acompanharam os diferentes caminhos de formação e atuação no setor, às universidades, às instituições públicas e privadas e aos gestores públicos, especialmente prefeitos, governadores e secretários municipais e estaduais de Saúde, que, em diversos momentos, estiveram presentes em iniciativas relacionadas à Medicina, à ciência e ao desenvolvimento da AMRIGS. A todos que fizeram e aos que seguem fazendo parte desta história, o nosso muito obrigado. Que os próximos capítulos sejam construídos com o mesmo compromisso, dedicação e espírito associativo que marcaram esses 75 anos.
FONTES E BIBLIOGRAFIA Para contar a história dos 75 anos da AMRIGS, foram importantes os relatos e contribuições dos médicos Alfredo Floro Cantalice Neto, Antonio Carlos Weston, Dirceu Francisco de Araújo Rodrigues, Flávio Milman Shansis, Gerson Junqueira Jr., Hans Ingomar Schereen, Marcos André dos Santos, Newton Monteiro de Barros e Paulo Favalli.
As memórias do Dr. Oswaldo Wolf Dick, que integrou o grupo de fundadores da Associação, foram resgatadas a partir de depoimento gravado para as comemorações de 70 anos da entidade.
Também foram fundamentais as pesquisas nas seguintes publicações: • Linha do Tempo de Ações Médicas Pioneiras no Rio Grande do Sul, por Carlos A. M. Gottschall • História do Associativismo Médico do RS, por Nicolau Laitano e Genaro Laitano • Panteão Médico Riograndense - Síntese Cultural e Histórica, por Álvaro Franco e Sinhorinha Maria Ramos • Acervo do Jornal da AMRIGS • Acervo da Revista AMRIGS
EXPEDIENTE GESTÃO DO PROJETO Núcleo de Comunicação e Marketing da AMRIGS: Gracielle Balsan, Ana Carolina Lopes e Thales Jung Duarte Marcelo Matusiak – revisão textual CRIAÇÃO E EXECUÇÃO Entrelinhas Conteúdo & Forma www.entrelinhas.inf.br Coordenação Editorial e Edição Geral: Milene Leal Pesquisa, Reportagem e Redação: Alexandre Bach Design Editorial: Carolina Fillmann Criação de capa e selo 75 anos: Equipe AMRIGS • Thales Jung Duarte Revisão: Flávio Dotti Cesa Fotografia: Acervo AMRIGS e fotógrafos creditados Impressão: Gráfica Coan
Este livro foi impresso na primavera de 2026, em família tipográfica Lato. Desenvolvido em papel couchê fosco 150g e com capa em papel especial, com aplicação de hotstamping dourado.