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ENS - Carta Mensal 570 - Março/Abril 2026

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CARTA

EQUIPES DE NOSSA SENHORA MENSAL

SÃO JOSÉ

O homem santo de Deus

Pág. 15

Índice

EDITORIAL 1

SUPER-REGIÃO BRASIL

Amor conjugal: sacramento e vocação ................................................................................................ 2

Na vida conjugal, amar implica em um constante partilhar 3

Capítulo 1: O Amor é muito mais que o amor 4

Capítulo 2: A comunicação ........................................................................................................................... 5

O Dever esquecido: Sentar-se para cuidar do casamento 6

DATAS DO MOVIMENTO

Março: mês para recordar o testemunho de Dona Nancy Moncau e seu legado às Equipes de Nossa Senhora 8

Aurora de um sacerdote: a ordenação de Henri Caffarel 9

IGREJA CATÓLICA

O matrimônio como promessa de infinito e elogio à unidade........................................... 10

A Última Ceia e o mistério da entrega conjugal 12

Confissão e penitência 14

José, aquele que sonha, obedece e caminha com o Senhor 15

Anunciação do Senhor 16

Paixão de Cristo 17

Domingo de Ramos 18

Páscoa do Senhor no amor conjugal 19

Verônica enxuga o rosto de Jesus 20

FORMAÇÃO

Redescobrir o conhecido 22

CONSELHEIRO NA CARTA

Quando a caminhada não é solitária os frutos se tornam muito mais fecundos 23

Minha história de vida junto às Equipes de Nossa Senhora 24

PARTILHA E PCE

Nosso Dever de Sentar-se 25

Dever de Sentar-se, um marco em nossa vida conjugal 26

A Oração Conjugal como caminho de unidade, esperança e santidade 28

Regra de Vida: ajuda a aprofundar a oração e coerência entre fé e vida 29

TESTEMUNHO

Crescer no Amor: uma esperança conjugal 30

As graças recebidas são tantas que não conseguimos nos imaginar sem ser equipistas 31

Nossa vida nas ENS: uma caminhada de fé e amor 32

A porta do céu se abre para nós 33

ACESSE CARTA MENSAL ÁUDIO:

N O T Í C I A S publicado somente na CM DIGITAL acesse pelo site ens.org.br CM 570

no 570 edição março/abril 2026

Carta Mensal é uma publicação periódica das Equipes de Nossa Senhora, com Registro na “Lei de Imprensa” N° 219.336 livro B de 09/10/2002. Responsabilidade: Super-Região Brasil – CR Super-Região Brasil Rose e Rubens; Equipe Editorial: Responsáveis: CR Carta Mensal Mirna e Sildson; Conselheiro Espiritual: SCE Carta Mensal: Pe. Antonio C. Torres; Jornalista Responsável: Vanderlei Testa (Mtb.17622), para distribuição interna aos seus membros. Edição e Produção: Nova Bandeira Produções Editoriais – Rua Tefé, 192 - Perdizes, São Paulo/SP - Fone 11 97574-9718 – e-mail: novabandeira@novabandeira.com – Responsável: Ivahy Barcellos; Revisão: Jussara Lopes; Diagramação, Preparação e Tratamento de imagem: Douglas D. Rejowski; Imagens: (Freeimagens/Pxhere/Unsplash/CanStockPhoto/Canva). Tiragem desta edição: 27.670 exemplares. Cartas, colaborações, notícias, testemunhos, ilustrações/imagens devem ser enviados para ENS – Carta Mensal, Av. Paulista, 352, 3° Conj. 36, CEP: 01310-905, São Paulo/SP ou através de e-mail: cartamensal@ens.org.br a/c Mirna e Sildson.

IMPORTANTE: consultar instruções antes de enviar o material – pedimos que acessem as instruções na aba/acesso Carta Mensal do site das Equipes de Nossa Senhora (www.ens.org.br).

Queridos equipistas, paz e bem. Nesta edição, temos especial destaque às datas litúrgicas da Igreja e aos compromissos formativos do Movimento no período de março e abril de 2026.

À luz do calendário litúrgico, este tempo é marcado pela celebração do Domingo de Ramos , que inaugura a Semana Santa, conduzindo-nos à contemplação da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Tríduo Pascal, centro do Ano Litúrgico, culmina na Páscoa do Senhor, fundamento da fé cristã e fonte de renovação para a vida conjugal e familiar. Vivenciando a Última Ceia, Padre Antonio nos fala que a Eucaristia é fonte de reconciliação, escola de doação e alimento da fidelidade. É fundamental que todos os católicos vivenciem intensamente cada momento da liturgia e das atividades paroquiais, acompanhando Nosso Senhor Jesus Cristo em sua Paixão, Morte e Ressurreição, para que possamos nos unir a Ele em todas as dimensões de nossa vida eclesial.

Os casais Provinciais Eliana e Odelmo (CRP Sul II) e Marli e Orlando (CRP Sul III) trazem os primeiros capítulos do Tema do Ano 2026 – “O Amor é muito mais que o amor”, aprofundando a antropologia do amor humano à luz do sacramento do matrimônio. Em comunhão com a Orientação Geral do XIII Encontro Internacional de Turim – “Chamados a viver em comunhão”, as equipes são convocadas a intensificar a prática

dos Pontos Concretos de Esforço, especialmente o Dever de Sentar-se, como expressão concreta da espiritualidade conjugal.

Destacam-se, ainda, os Encontros Anuais de Casais Responsáveis de Equipes – EACREs), realizados em todo o Brasil, fortalecendo a unidade do Movimento e a fidelidade ao Carisma fundador. As equipes em fase de Pilotagem são chamadas a viver com zelo essa etapa essencial, consolidando a pedagogia das ENS.

Recorda-se, igualmente, a importância da celebração da Solenidade de São José, patrono da Igreja e modelo de esposo e pai, cuja intercessão sustenta as famílias cristãs. E a ordenação de Padre Henri Caffarel, quando celebramos o início da vida sacerdotal do homem que, inspirado pelo Espírito Santo, criou nosso Movimento.

Este edital convoca todos os equipistas a viverem intensamente esse tempo de graça, unindo-se às celebrações da Igreja e aos compromissos do Movimento, para que, fortalecidos pela Eucaristia e pela vida em equipe, possam testemunhar no mundo a alegria do amor conjugal vivido em Cristo.

Fiquem no amor de Deus, fiquem bem.

e Sildson CR Carta Mensal

Mirna

Amor conjugal: sacramento e vocação

Queridos equipistas, paz e bem! Com muita alegria acolhemos este novo tempo de graça em nosso Movimento. Os EACRES aconteceram em todo o Brasil, reunindo casais e Conselheiros Espirituais no mesmo espírito de comunhão, escuta e esperança. Continuamos vivendo os ecos do XIII Encontro Internacional de Turim, sob a Orientação Geral “Chamados a viver em comunhão”, e, em 2026, somos chamados a viver, em nossas equipes, a Orientação Específica: “Chamados a viver em comunhão com nosso cônjuge”. O Tema do Ano 2026, iluminado pelo livro “O Amor é muito mais que o amor”, nos conduz à antropologia do amor humano e nos ajuda a compreender mais profundamente o nosso amor vivido como sacramento e como verdadeira vocação. Neste caminho, o Padre Caffarel se fará presente, iluminando nossa reflexão e conduzindo-nos de volta às fontes do Movimento, para redescobrirmos a beleza e a exigência da nossa vocação. Sua convicção na força do matrimônio cristão como fonte de esperança nos ajudará, neste ano, a renovar o nosso “sim”, aprofundar o sentido do amor humano à luz de Cristo e acolher novas graças para o sacramento do matrimônio. Sustentados por esse modo de viver como cristãos, somos chamados a colaborar e a servir, zelando com fidelidade pelo Carisma que o Espírito fez nascer em nosso Movimento.

Na perspectiva do Ver, Julgar e Agir: Ver: Leitura e estudo do Tema “ O Amor é muito mais que o amor”. Acolher esses textos com carinho e respeito. São um caminho para jovens recém-casados e para casais de longa trajetória, ajudando também os Conselheiros Espirituais a se aprofundar no coração do sacramento do matrimônio.

Julgar: Através da vivência dos PCEs, com ênfase no Dever de Sentar-se. Reservar, a cada mês, um tempo dedicado a um verdadeiro diálogo conjugal, colocado sob o olhar do Senhor, para fortalecer a união, crescer na escuta e cuidar da vocação matrimonial.

Agir : Leitura dos textos do Pe. Caffarel para aprofundar seu pensamento e fortalecer a vivência do Carisma fundador. Ao conhecer a inspiração e a riqueza de seu pensamento e ao nos deixar formar por seus ensinamentos, encontramos luz e direção seguras para viver com fidelidade o Carisma do nosso Movimento. Confiamos este novo tempo à proteção de Nossa Senhora, patrona de todas as equipes, para vivermos com autenticidade o amor e acolhermos aqueles que o Senhor chama para a nossa missão.

Rose e Rubens CR SRB

Na vida conjugal, amar implica em um constante partilhar

Saudações, estimados casais. Espero que todos estejam bem; minhas preces se dirigem a cada um de vocês. Um afetuoso abraço a todos os Conselheiros e Acompanhantes; em minhas orações, peço que também se lembrem de mim.

Neste ano, ao refletirmos sobre o Amor, decidi compartilhar uma breve consideração sobre o Amor conjugal.

O amor na vida matrimonial transcende um mero sentimento efêmero; é uma escolha diária de cuidar, respeitar e permanecer. No início, o amor frequentemente se revela repleto de entusiasmo, descobertas e emoção. Com o passar do tempo, ele amadurece, adquire profundidade e se transforma em algo mais sólido: companheirismo, cumplicidade e compromisso.

Na vivência a dois, amar implica aprender a partilhar não apenas as alegrias, mas também os desafios. É a capacidade de ouvir, mesmo diante de divergências; é a humildade ao solicitar perdão e a generosidade ao oferecê-lo. O amor conjugal se fortalece por meio de um diálogo sincero, onde cada um busca compreender o outro, caminhando juntos, mesmo que em ritmos distintos.

O casamento é um espaço de construção contínua. Pequenos gestos, como uma palavra de

encorajamento, um abraço ao término de um dia difícil ou um olhar de gratidão, são fundamentais para fortalecer a união. O amor verdadeiro não se sustenta apenas em grandes declarações, mas na fidelidade aos detalhes do cotidiano.

Amar na vida conjugal é, também, optar pelo outro a cada novo dia. É renovar o “sim” por meio de atitudes, paciência e dedicação. É reconhecer que a imperfeição é parte da natureza humana, e que, juntos, é possível crescer, amadurecer e tornar-se melhores.

Que Deus os abençoe, e que este singelo texto contribua para o vosso crescimento no amor.

Deus seja louvado.

Pe. Toninho SCE SRB

Capítulo 1: O Amor é muito mais que o amor

Felicidade o caminho para a transcendência e abertura para a fé

No capítulo 1 do livro Tema vimos que o amor verdadeiro se concretiza em cinco elementos essenciais, que são: felicidade, olhar de amor, a comunicação, a incompletude, a gratuidade.

No capítulo 2 veremos a comunicação com o objetivo de nos levar a entender a importância do diálogo entre a equipe e com Deus, proporcionando assim um aprofundamento da nossa espiritualidade conjugal.

O amor exige uma comunicação, que não é apenas uma conversa, uma troca de ideias, mas sim nos revelar por inteiro diante do outro. E essa comunicação não está presente apenas nos bons momentos e com isso precisamos acolher a palavra do outro.

Mas para se ter uma comunicação perfeita, entre os que se amam, precisamos colocar a comunicação com Deus em nosso meio. Só assim, com o amor de Deus que faz florescer em nós um coração fraterno para com todos.

Porém, mesmo dentro de um amor humano profundo, como o casamento, pode surgir um novo sentimento de solidão. Isso não é um erro ou um sinal de que o amor acabou, mas sim um lembrete de que o homem não foi feito para bastar-se a si mesmo, descobrindo que sua existência faz sentido quando compreende o essencial: eu existo porque existo para ti, um ti que começa no próximo e se plenifica em Deus. Através das obras do Pe. Henri  Caffarel e dos ensinamentos da Igreja, argumenta-se que a comunicação interpessoal no

matrimônio não isola o casal, mas sim os impulsiona a amar toda a criação.

O conceito de uma nova solidão, que surge mesmo em relacionamentos felizes, como um convite para buscar a presença de Deus. Essa experiência não enfraquece o laço conjugal, pelo contrário, a intimidade com o Criador renova e fortalece a ternura entre os esposos. Em última análise, a vida cristã é apresentada como um diálogo contrário onde o amor terreno e o amor celestial se nutrem mutuamente.

A comunicação eficaz no casamento, sob uma perspectiva de fé, é vista como um pilar fundamental que se fortalece ao colocar Deus no centro do relacionamento. Envolve mais do que apenas falar; é um diálogo que busca edificar, ouvir com o coração e refletir o amor e a graça de Deus no lar.

Precisamos ser “prontos para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar” (Tg 1, 19); é essencial. Deve haver honestidade e transparência no diálogo, evitar críticas excessivas e por fim a prática do perdão, como orienta em Efésios 4, 26 “não se ponha o sol sobre a vossa ira”.

Deus os abençoe e um ótimo e abençoado estudo a todos!

Eliana e Odelmo CRP Sul II

Capítulo 2:

A comunicação

O diálogo no matrimônio: caminho de amor, fé e reconciliação

A comunicação entre os esposos é um dom precioso que precisa ser cultivado com cuidado e constância. Conforme recorda o segundo capítulo do livro “O Amor é muito mais que o amor”, o amor conjugal não se reduz a um sentimento, mas se expressa em escolhas concretas e atitudes diárias que sustentam a vida matrimonial. No matrimônio cristão, dialogar vai além de trocar palavras: é um exercício de escuta atenta, de acolhida e de abertura do coração. Muitas dificuldades conjugais não surgem da falta de sentimentos, mas da fragilidade no diálogo. Silêncios prolongados, palavras ditas sem atenção ou conversas adiadas acabam enfraquecendo o relacionamento conjugal. Por isso, é fundamental que os esposos reservem tempo para conversar, partilhar o que vivem, expressar alegrias, preocupações e expectativas, sem julgamentos e sem pressa. Uma comunicação vivida com respeito e verdade repercute diretamente em uma convivência familiar mais equilibrada, fortalecendo os vínculos, educando pelo exemplo e promovendo um ambiente de cuidado. Na Carta Mensal de 1955 o Pe. Henri Caffarel nos diz que “o amor precisa de expressão, de troca, de comunicação.” O diálogo é um dos meios mais simples e mais profundos para manter vivo o amor, pois permite aos

esposos conhecerem-se cada vez melhor e caminharem na verdade. A comunicação não é acessória, mas essencial para a vida conjugal, pois é por meio dela que o casal se constrói, se reconcilia e se renova continuamente. Na espiritualidade conjugal, Deus é chamado a ocupar o centro da vida do casal. O diálogo com Deus, através da leitura da Palavra, da Meditação e da Oração Conjugal, aproxima o casal, ilumina o diálogo entre os esposos, amplia o olhar e ajuda a compreender o outro com mais misericórdia. Quando esse diálogo é vivido com fé em Deus, se fortalecem a união e a confiança mútua, tornando o relacionamento mais fecundo e verdadeiramente feliz. Assim, falar entre si e falar com Deus tornam-se atitudes inseparáveis. Rogamos a Maria, Mãe de Deus, para que interceda pelos casais, inspirando palavras cheias de ternura, escuta sincera e corações abertos a viver o plano de Deus.

Marli e Orlando CRP Sul III

O Dever esquecido: Sentar-se para cuidar do casamento

A catedral do amor conjugal:

“Quem de vós, querendo fazer uma construção, antes não se senta para calcular os gastos que são necessários, a fim de ver se tem com que acabá-la? Para que, depois que tiver lançado os alicerces e não puder acabá-la, todos os que o virem não comecem a zombar dele dizendo: Este homem principiou a edificar, mas não pode terminar. Ou qual é o rei que, estando para guerrear com outro rei, não se senta primeiro para considerar se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? De outra maneira, quando o outro ainda está longe, envia-lhe embaixadores para tratar da paz” (Lc 14, 28-32).

Foi precisamente a partir dessa passagem do Evangelho que o Pe. Henri Caffarel formulou o Ponto Concreto de Esforço denominado Dever de Sentar-se . Ao propor esse PCE aos casais, ele não fazia senão traduzir, para a vida conjugal, a pedagogia do próprio Cristo: sentar-se, discernir, calcular, assumir e confiar a Deus a construção da obra.

O Senhor não nos fala apenas de pedras, tijolos ou estratégias militares. Ele revela uma lei profunda da vida espiritual: toda obra que pretende permanecer firme precisa ser pensada, assumida e cuidada. E se isso vale para casas e batalhas, quanto mais para a maior de todas as obras humanas e divinas: a santidade vivida no casamento.

É à luz dessa palavra de Cristo que se compreende a insistência de Pe. Henri  Caffarel no chamado Dever de Sentar-se . Não se trata de um simples conselho psicológico, mas de uma exigência evangélica. O próprio Jesus pergunta: “Quem de vós, querendo fazer uma construção, antes não se senta?”

Sentar-se, aqui, significa assumir conscientemente que o amor conjugal é uma obra em permanente edificação. A própria etimologia da palavra casamento remete a casa , a morada, a abrigo estável. O matrimônio não é uma tenda provisória que se monta e desmonta conforme as variações do sentimento. É uma casa. Mais ainda: é uma torre. É uma catedral. E nenhuma catedral se mantém de pé se foi construída no improviso.

O mundo contemporâneo empurra os casais para uma lógica de pressa contínua. Vive-se lado a lado, corre-se de compromisso em compromisso, trocam-se informações funcionais sobre filhos, contas e agendas. Tudo funciona. Mas uma pergunta permanece incômoda: quando é que vocês se sentam?

Não para ver televisão. Não para resolver problemas práticos. Mas para olhar juntos para a “obra”.

O casal que não se senta para calcular os “gastos” espirituais, afetivos e humanos do relacionamento corre o risco de deixar a construção inacabada. E um

casamento inacabado não é, necessariamente, um casamento rompido. É, muitas vezes, um casamento em que o fervor dos inícios se converteu em rotina, em que o vinho de Caná perdeu o sabor, e em que a alegria foi substituída por uma convivência meramente funcional.

“Este homem principiou a edificar, mas não pôde terminar.” Que dor seria se essa frase pudesse ser aplicada ao amor conjugal. Por isso, é preciso parar.

O Dever de Sentar-se é um tempo sagrado de engenharia espiritual . É o momento em que os esposos se reconhecem não como adversários, nem como usuários um do outro, mas como co-construtores de um mesmo caminho para Deus. É a hora de perguntar, com humildade:

“Temos com o que acabar esta obra?”

A resposta jamais está apenas nas forças humanas, sempre limitadas, como os dez mil soldados diante de vinte mil. A resposta está na graça do sacramento, que sustenta aquilo que, sozinhos, não conseguiríamos sustentar.

Sentai-vos.

Silenciai o ruído do mundo.

Porque as obras sólidas não nascem do barulho, mas do silêncio fecundo de dois corações colocados diante de Deus.

Reflexões para o Dever de Sentar-se (Lucas 14, 28-32)

1) Estamos realmente construindo a mesma “torre”? Nosso projeto de vida, de família e de santidade

ainda é comum, ou a rotina fez com que cada um começasse a erguer pequenos projetos isolados, perdendo de vista o todo do casamento?

2) Que “custos” estamos evitando assumir? Tempo, escuta, paciência, ternura, reconciliação? Temos investido no relacionamento ou estamos economizando justamente no que o mantém vivo?

3) Existe alguma área do nosso casamento (oração, sexualidade, diálogo, educação dos filhos, vida financeira) que começou com entusiasmo, mas hoje se encontra abandonada?

4) Quais são hoje os inimigos que avançam contra nós? Vícios, excesso de trabalho, cansaço, interferências externas, frieza espiritual? Estamos unidos para enfrentá-los ou lutamos separadamente?

5) Em que situações precisamos parar de lutar um contra o outro e, juntos, pedir socorro ao Céu? Que tipo de paz precisamos implorar hoje: perdão, reconciliação, cura, novo começo? Sentar-se não é perder tempo. Sentar-se é salvar a obra. Porque o amor que não se cuida adoece. E o amor que se cuida atravessa o tempo.

Pe. Antonio C. Torres SCE Carta Mensal

Março: mês para recordar o testemunho de Dona Nancy Moncau

e seu legado às Equipes de Nossa Senhora

O mês de março nos convida a recordar o nascimento de uma mulher de profunda sensibilidade e dedicação à fé cristã e às Equipes de Nossa Senhora no Brasil: Nancy Cajado Moncau. Nascida em 22/03/1909, em Araraquara (SP), Dona Nancy deixou um testemunho fecundo, cujos frutos são até hoje produzidos no Movimento das Equipes de Nossa Senhora. Em 07/09/1931 conheceu Pedro Moncau, com quem se casou em 27/06/1936 e teve seis filhos, vivendo o amor conjugal, à luz do sacramento do matrimônio, como um verdadeiro caminho de santificação e aproximação de Deus.

Antes mesmo da chegada das Equipes de Nossa Senhora no Brasil, o casal Moncau já tinha a percepção de que a espiritualidade cristã não se restringia a uma busca individual, mas deveria ser vivida em casal e no seio da família e, por esta razão, participavam ativamente de iniciativas da Igreja que promovia a vivência cristã familiar. Buscando um alimento espiritual que desejava e faltava para sua vida conjugal, Nancy e Pedro Moncau tornaram-se protagonistas na implantação das Equipes de Nossa Senhora no Brasil, sendo que em 1950, junto com cinco casais, assistidos

pelo sacerdote Oscar Melanson, fundaram a primeira Equipe no Brasil e a partir de então fortaleceram e expandiram o Movimento em nosso país.

No livro “Equipes de Nossa Senhora no Brasil – Ensaio sobre seu histórico, Dona Nancy testemunha como o Movimento trouxe um novo sentido a sua vida matrimonial: “O sentido mesmo da nossa união vai lentamente se revelando e adquirindo uma riqueza nova: Cristo que toma o nosso pobre amor humano e o consagra a Deus por um sacramento! Já sabíamos que o sacramento do batismo nos consagrava ao Senhor, mas descobrimos agora que o casal é consagrado. O casal, nós, nosso amor, nossa vida, nossos filhos, nosso lar”.1

Que este mês renove em nós a alegria de pertencermos a esse Movimento que nos auxilia na conversão diária e na busca da santidade conjugal e que, a cada estudo do tema e reunião, possamos repetir em nossos corações as palavras de Pedro Moncau: “Eis o que eu há tanto tempo procurava!”. 2 Agradecemos a Deus pelo testemunho e missão do casal Nancy e Pedro Moncau, cujo legado inspira casais cristãos que hoje fazem parte desse lindo e maravilhoso Movimento das Equipes de Nossa Senhora no Brasil.Que Deus abençoe e guarde a todos nós!

Luana e Lucas CRR SP Oeste I Província Sul II

Aurora de um sacerdote: a ordenação de Henri Caffarel

No silêncio de uma catedral parisiense, em 19 de abril de 1930, um jovem se ajoelha diante do altar. Henri  Caffarel, marcado pelo encontro transformador com Cristo em 1923, entrega-se por inteiro. Não é apenas um rito, não é apenas uma cerimônia: é um coração que se abre para ser consumido pelo fogo do Espírito. A luz que atravessa os vitrais parece anunciar que algo maior está acontecendo. O Cardeal Verdier impõe as mãos, e naquele gesto milenar a Igreja reconhece e confirma o chamado que Deus já havia inscrito no íntimo de Henri  Caffarel. O céu toca a terra, e um homem se torna sacerdote para sempre. Mas em sua alma permanece uma doce nostalgia: o desejo da vida monástica, o silêncio dos claustros, o canto dos salmos. Ele compreende, porém, que essa saudade é apenas um sinal: Deus o chama não para se esconder, mas para estar no meio do povo, para ser presença viva de Cristo no mundo.

Nos primeiros passos de seu ministério, Henri  Caffarel conduz jovens em retiros, despertando neles a chama da fé. Depois, em Saint-Augustin, durante quatro décadas, aprende a escutar, a orientar, a consolar. É ali que amadurece sua visão: o matrimônio não é apenas uma realidade humana, mas um caminho de santidade. Sua ordenação, portanto, não foi apenas o início de uma vida sacerdotal. Foi o nascimento de uma missão profética: revelar aos casais que o amor conjugal é altar, que o lar pode ser templo, que a vida a dois é também vocação divina. Das mãos

que receberam a unção sacerdotal brotaria, anos mais tarde, o Movimento das Equipes de Nossa Senhora, luz para milhares de famílias no mundo.

Henri Caffarel viveu como quem escuta um chamado eterno. Sua ordenação foi o ponto de partida de uma aventura espiritual que uniu contemplação e ação, silêncio e anúncio, nostalgia e missão.

Ele nos recorda que toda vocação – seja sacerdotal, seja matrimonial – é resposta ao mesmo convite: “Segue-me”.

E, assim, o dia 19 de abril de 1930 permanece como uma aurora. Uma aurora que não se apagou, porque continua a iluminar o caminho de tantos que, como Pe. Henri Caffarel, acreditam que o amor humano pode ser lugar de encontro com Deus. Sua vida é testemunho de que o sacerdócio é ponte entre o céu e a terra, e que o amor, em todas as suas formas, é chamado à eternidade.

Silvana e Geraldo CRR SC I
Província Sul III

O matrimônio como promessa de infinito e elogio à unidade

Sob o título evocativo de “Una caro” (Uma só carne), a Nota Doutrinal do Dicastério para a Doutrina da Fé (DDF) não se limita a definir regras, mas entoa um verdadeiro elogio à monogamia. Aprovado pelo Papa Leão XIV em 21 de novembro — dia em que a liturgia celebra a entrega total da Virgem Maria no Templo —, o documento ilumina o matrimônio como uma “unidade indissolúvel”, tecida na exclusividade e no pertencimento recíproco. Mais do que uma fronteira ou um limite, a fé cristã propõe a fidelidade como uma porta aberta para o eterno. A seguir um resumo dos principais aspectos da Nota Doutrinal publicada no canal oficial do Vatican News.

O Desafio de Amar em Tempos de Fragmentação. O Cardeal Víctor Manuel Fernández introduz o texto com um olhar atento às feridas do nosso tempo. Vivemos sob o domínio de um paradigma tecnológico que ilude o ser humano com a fantasia de ser uma criatura sem confins, impelindo-o a rejeitar o amor reservado a uma única pessoa. Seja diante do debate cultural sobre a poligamia em certas tradições ou frente à ascensão do “poliamor” no Ocidente, o documento ousa proclamar uma antropologia da profundidade: a de que a intensidade do amor não se encontra na multiplicidade de rostos, mas no mergulho infinito em um único mistério. Contra a dispersão, a Nota recorda que a beleza da unidade conjugal, sustentada pela graça, é o ícone vivo da união mística entre Cristo e Sua Amada, a Igreja. É um convite feito

não apenas aos bispos, mas aos jovens e noivos, para redescobrirem a “riqueza” abissal do matrimônio cristão.

O Sagrado Consentimento e o Mistério do Outro. No coração da doutrina, reafirma-se que a monogamia não é uma clausura, mas a condição de possibilidade para um amor que toca a eternidade. Dois pilares sustentam esse templo: o pertencimento recíproco e a caridade conjugal. Este pertencimento, nascido do consentimento livre, reflete a própria comunhão da Trindade. É um “pertencimento do coração”, um santuário íntimo onde “somente Deus vê” e onde só Ele pode entrar plenamente, sem ferir a sacralidade da pessoa. Daqui brota uma exigência ética de altíssima delicadeza: o “santo temor” de profanar a liberdade do outro. Quem ama verdadeiramente compreende que o cônjuge possui a mesma dignidade e direitos, jamais podendo ser reduzido a um instrumento para aplacar insatisfações ou preencher vazios existenciais. O documento lamenta, com gravidade, as formas de desejo adoecido que se manifestam como controle, asfixia e violência. O amor cristão, ao contrário, é reverência.

A Dança das Liberdades: O “nós” que não anula o matrimônio não é posse, é encontro. Um “nós dois” saudável é a dança de duas liberdades que se escolhem mutuamente sem se violarem. Existe um limite sagrado que jamais deve ser ultrapassado: a pessoa não se dissolve na relação, nem se funde confusamente com o amado. A Nota destaca a sabedoria de

aceitar espaços de solidão e autonomia, reconhecendo que nenhuma criatura pode oferecer a “tranquilidade absoluta” ou a libertação total da solidão — dom que pertence apenas a Deus. Contudo, há o alerta para que a distância não se torne um abismo. O convite é para que os esposos não se recusem, evitando que o “nós” sofra um “eclipse”. O diálogo sincero e a oração surgem como remédios e caminhos; a oração, em particular, é o “meio precioso” onde o casal se santifica, transformando o afeto em “caridade conjugal”, descrita como a maior das amizades, onde dois corações se sentem, finalmente, “em casa”.

Um Coro de Vozes Através dos Séculos. Para fundamentar esta “promessa de infinito”, o documento convoca um coro de testemunhas, tecendo um excursus que vai do Gênesis à poesia moderna.

• A Tradição: Santo Agostinho descreve a beleza conjugal como um “caminhar juntos, lado a lado”. Leão XIII liga a monogamia à dignidade da mulher, e o Concílio Vaticano II exalta a igual dignidade dos esposos.

• O Magistério Recente: Paulo VI, na Humanae Vitae, ensina que o significado unitivo é inseparável da procriação. Bento XVI, em Deus Caritas Est, lembra que o eros, purificado, não mortifica a liberdade, mas a lança para o horizonte da eternidade. O Papa Francisco, na Amoris Laetitia, detalha a concretude dessa caridade cotidiana.

• A Hermenêutica do Dom: De São João Paulo II e do jovem Karol Wojtyla, recolhe-se o “princípio personalista”: a pessoa nunca é objeto de uso, mas de amor. O corpo é

sacramento da pessoa, devendo ser amado e desejado em sua integridade. A humanidade, para espelhar Deus, deve fazer-se “casal”.

A Poética da Fidelidade. Por fim, o documento dialoga com a filosofia e a arte. Contra a ilusão de que a novidade estaria na sucessão de parceiros (como aponta Lévinas sobre a falácia da poligamia e do adultério), afirma-se que o verdadeiro “face a face” é exclusivo e intransferível. A Nota encerra com a “palavra poética”, citando versos de Whitman, Neruda, Montale, Tagore e Dickinson. Estes poetas cantam o que a doutrina afirma: o sentido de pertencimento no “nós dois” é uma experiência totalizante e indestrutível. Como conclui Santo Agostinho, numa frase que resume todo o documento: “Dá-me um coração que ama e compreenderá o que digo”. Assim, o matrimônio é apresentado não como um fardo legal, mas como a aventura audaciosa de, através de um único amor, tocar o rosto de Deus.

Fonte: (https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2025-11/documento-doutrina-da-fe-una-caro-elogio-a-monogamia-25-11-25.html).

Maria Alice e Ivahy ENS de Todos os Dias Província Sul I

A

Última

Ceia e o mistério da entrega conjugal

A Eucaristia não surgiu de forma isolada na história da salvação. Foi anunciada, preparada e prefigurada ao longo de todo o Antigo Testamento, como parte de um desígnio de amor que atravessa séculos. Patriarcas, profetas, alianças e sacrifícios foram, pouco a pouco, apontando para o dom definitivo: o Corpo e o Sangue de Cristo entregues pela vida do mundo. Compreender essa continuidade não é apenas um exercício teológico; é perceber que o mesmo Deus que selou alianças antigas é aquele que, em Cristo, estabelece a Nova e Eterna Aliança, fundamento também da vida matrimonial.

No Antigo Testamento, duas realidades estruturam a relação entre Deus e seu povo: a aliança e o sacrifício. A aliança é o pacto que une Deus a Israel; é vínculo, compromisso, comunhão. Frequentemente selada com sangue, símbolo de vida, ela expressa a união vital entre Deus e seu povo. O sacrifício, por sua vez, é a oferta feita a Deus como expressão de adoração, expiação e comunhão. Esses elementos, profundamente interligados, encontram sua plenitude na Eucaristia. Ela é o sacramento da Nova Aliança e está fundamentada no novo e definitivo sacrifício: o de Cristo na cruz.

A unidade entre Antigo e Novo Testamento é essencial para compreender o mistério eucarístico. O que era figura torna-se realidade. O maná no deserto, por exemplo, alimento concedido por Deus ao povo peregrino, era figura do verdadeiro pão do céu. No Antigo Testamento, a Eucaristia está velada; no Novo, manifesta-se plenamente; na vida da Igreja, permanece como presença duradoura.

Como afirmava Santo Agostinho, o Novo Testamento está oculto no Antigo, e o Antigo se torna claro no Novo.

Diversos episódios bíblicos prefiguram o mistério eucarístico. Abel oferece a Deus o melhor de seu rebanho; Abraão está disposto a entregar Isaac; Melquisedec oferece pão e vinho; o servo sofredor de Isaías carrega os pecados de muitos; o maná alimenta o povo no deserto. Em todos esses acontecimentos aparece a lógica da entrega, da mediação e da reconciliação. Eles anunciam que o amor de Deus culminará em um sacrifício único, capaz de restaurar definitivamente a comunhão entre o Criador e a humanidade.

No Antigo Testamento havia diferentes tipos de sacrifícios: os holocaustos, totalmente consumidos como expressão de entrega total; os sacrifícios de comunhão, celebrados em forma de banquete; e os sacrifícios de expiação, oferecidos para o perdão dos pecados. Na Eucaristia, essas dimensões se unem. Ela é sacrifício, porque torna presente a oferta de Cristo; é comunhão, porque nos une a Ele; é expiação, porque comunica o fruto da Redenção.

A Última Ceia acontece no contexto da Páscoa judaica. A palavra “Páscoa” significa “passagem” e recordava a libertação do Egito. A ceia pascal unia sacrifício e banquete: o cordeiro era imolado e depois consumido em refeição ritual. Havia bênçãos, cálices, hinos e o memorial do Êxodo. Jesus celebra essa Páscoa com seus discípulos, mas introduz uma novidade decisiva: Ele se torna o verdadeiro Cordeiro. O Pão e o Vinho deixam de ser apenas sinais da libertação antiga e passam a ser seu Corpo e seu Sangue entregues.

Antes mesmo da instituição explícita, Jesus já havia anunciado esse mistério no discurso do Pão da Vida, narrado no capítulo 6 do Evangelho de João. Ali Ele declara: “Eu sou o pão da vida.” O discurso apresenta duas dimensões inseparáveis: crer e comer. Primeiro, é necessário crer em Cristo; depois, alimentar-se d’Ele. Fé e comunhão caminham juntas. Jesus utiliza termos fortes, sublinhando o realismo da sua presença. Não se trata de simples metáfora, mas de um dom concreto: o próprio Cristo que se entrega como alimento.

Os relatos da instituição da Eucaristia, transmitidos por Mateus, Marcos, Lucas e São Paulo, apresentam pequenas diferenças de forma, mas conservam uma identidade substancial. Jesus toma o pão, pronuncia a bênção, parte-o e o entrega dizendo: “Isto é o meu corpo.” Depois toma o cálice e afirma: “Este é o meu sangue da Nova Aliança.” Nesses gestos e palavras aparecem três dimensões inseparáveis.

Primeiro, o sentido sacrificial: seu Corpo é entregue e seu Sangue é derramado “por muitos”. Segundo, o sentido memorial: “Fazei isto em memória de mim” não significa apenas recordar, mas atualizar sacramentalmente o sacrifício da cruz. Terceiro, o sentido convivial: “Tomai e comei” indica que somos convidados a participar, a entrar em comunhão. Banquete e sacrifício não se opõem; são aspectos do mesmo mistério pascal. A Eucaristia possui ainda uma dimensão escatológica. Toda vez que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos a morte do Senhor até que Ele venha. A Eucaristia aponta para o Reino definitivo, para as núpcias eternas entre Cristo e a Igreja. Cada celebração é antecipação da comunhão plena que esperamos. Para a vida

matrimonial cristã, tudo isso tem um significado profundo. O matrimônio é também uma aliança, selada não com sangue de animais, mas com a entrega recíproca dos esposos. Na Eucaristia, o casal aprende que o amor verdadeiro é sacrificial, fiel e definitivo. Quando Cristo diz: “Isto é o meu corpo entregue por vós”, Ele revela a lógica do amor que se doa totalmente. O esposo e a esposa são chamados a viver essa mesma dinâmica de entrega, tornando-se sinal visível do amor de Cristo pela Igreja.

Assim, a Eucaristia é fonte de reconciliação, escola de doação e alimento da fidelidade. Ela sustenta a vida familiar, fortalece o perdão, renova a esperança e orienta o coração para o Reino. Ao longo da história da salvação, Deus preparou esse dom supremo. Na Última Ceia, Cristo o confiou à Igreja. Na vida cotidiana, cada casal cristão é convidado a deixar-se transformar por esse mistério, para que sua própria aliança seja reflexo vivo da Nova e eterna Aliança selada no Corpo e no Sangue do Senhor.

Pe. Antonio C. Torres
SCE Carta Mensal

Confissão e penitência

O Catecismo da Igreja Católica nos lembra que “Só Deus perdoa os pecados (Mc 2,7). Por ser o Filho de Deus, Jesus diz de si mesmo: ‘O Filho do homem tem poder de perdoar pecados na terra’ (Mc 2,10) e exerce esse poder divino: ‘Teus pecados estão perdoados!’ (Mc 2,5)”. E também explica mais uma coisa: na noite do dia da Ressurreição, os discípulos estavam reunidos em casa com as “portas fechadas por medo dos judeus” (Jo 20,19). O Senhor apareceu no meio deles “e disse: Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos” (Jo 20,21).

Em virtude de sua autoridade divina, transmite esse poder aos homens (Jo 20,21-23) para que o exerçam em seu nome, de modo que os sacerdotes possam perdoar pecados e restaurar a paz na consciência.

Dirigir-se ao sacerdote é um grande ato de fé: por meio dele, nos sacramentos, é Jesus Cristo que toca nosso presente, nossa vida. E com essa fé, o Senhor nos enche de grandes benefícios, para nós e para os outros. O Papa Francisco explicava assim: “Quantas vezes nos sentimos sozinhos e perdemos o encadeamento da vida!

Muitas vezes já não sabemos como recomeçar, cansados de nos aceitarmos. Temos necessidade de começar do princípio. Só como perdoados podemos recomeçar revigorados, depois de termos experimentado a alegria de ser amados até o extremo pelo Pai. Só através do perdão de Deus é que acontecem em nós coisas verdadeiramente novas. Receber o perdão dos pecados, através do sacerdote, é uma experiência sempre nova, original e inimitável” (Homilia 30/03/2019).

A cada confissão uma vez mais somos chamados à conversão que começa no nosso interior. Ninguém pode se opor ao pecado, ofensa a Deus, a não ser com um ato verdadeiramente bom, ato de virtude, com o qual se arrepende da ação com que contrariou a vontade de Deus, e procura ativamente eliminar essa desordem com todas as suas consequências. Nisto consiste a virtude da penitência.

“A penitência interior é uma reorientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão para Deus de todo nosso coração, uma ruptura com o pecado, uma aversão ao mal e repugnância às más obras que cometemos. Ao mesmo tempo, é o desejo e a resolução de mudar de vida com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda de sua graça” (Catecismo, 1431).

Pe. Antônio Júnior SCER SC III

Província Sul III

José, aquele que sonha, obedece e caminha com o Senhor

Curioso é notar como nos Evangelhos (apenas Mateus e Lucas) se fala tão pouco de José e nenhuma palavra de sua boca tenha sido guardada por escrito. Creio que é isso, exatamente, o que mais chama a atenção nesse homem, humilde, justo, silencioso e que tanto tem a nos dizer e a nos ensinar, a nós que desejamos viver a fidelidade ao Senhor.

Os sonhos de José, que ocorrem em quatro situações, todas em torno de Jesus concebido por Maria, pelo Espírito Santo e dela nascido e que vai se tornar seu filho também, segundo a lei, mostram-nos o quanto devemos aprender a ouvir, bem no íntimo da nossa consciência e do nosso coração, Deus que nos fala e nos faz discernir a sua vontade espantosa e tantas vezes desconcertante.

Com o nosso querido pai, aprendemos muito sobre o modo de Deus agir. Quando ele é chamado a não temer e a acolher Maria, pois o que aconteceu com ela vem de Deus e conduz à vida em Deus. O Senhor, em sua sabedoria e liberdade, cumpre sempre suas promessas, mas nem sempre nossas expectativas, meramente humanas ou convenientes (Cf. Mt 1,18-25). Não é Deus que deve aprender a andar como nós, mas nós é que precisamos aprender os caminhos dele e caminhar de verdade.

Nosso amado guardião nos ensina que amar é assumir a vida e dela cuidar. Ele, como homem em

sentido amplo, pois com afeto e sensibilidade, assume Maria grávida, cuida dela e de seu filho, com um amor todo particular, enfrenta os riscos que o mal e a violência de Herodes lhe impõem. Ouvindo o Senhor, como sempre, José entende e nos faz entender também que é preciso redesenhar o curso da vida, confiando naquele que chama e que dá novo sentido à nossa história, com o cumprimento da historia da salvação na vida concreta e um povo (Cf 2,13-15; 19-23).

Numa cultura de tantos ruídos, imagens e polarizações, que tanto nos escravizam e nos afastam do essencial, contemplamos e acolhamos, alegres e confiantes a figura silenciosa e atenta de José, que nos inspira sempre um novo aprendizado, e deixemo-nos conduzir sempre por esse Deus presente, cuja palavra é viva e penetra o mais íntimo de quem se dispõe a prestar-lhe atenção. Não tenhamos medo de dar, como cristão, inseridos na realidade de hoje, o nosso testemunho humilde e confiante, pois o Senhor nos alimenta com a sua presença e nos instrui com sua Palavra viva e constante.

Pe. José Carlos Guabiraba de Oliveira
SCER SP Oeste II Província Sul II

Anunciação do Senhor

A Anunciação do Senhor é uma festividade que, embora fora do tempo do Natal, é parte intrínseca dele. Celebrada nove meses antes do nascimento de Jesus, marca a encarnação do Verbo. Como indica o Missal Romano, é uma festa do Senhor, mas mediada pela figura de Maria.

Na narrativa de Lucas (1, 26-38), o anjo Gabriel exorta Maria à alegria e anuncia a missão mais nobre do plano salvífico: tornar-se mãe do Filho cujo reino não terá fim. Diante do questionamento de Maria sobre como isso ocorreria, o anjo revela a ação do Espírito Santo. O diálogo culmina no "fiat" de Maria: "faça-se em mim segundo a tua palavra".

A festa é do Senhor, mas se volta a cada um de nós, mas, por desígnio divino, é mediada pela Virgem. Antes de falarmos dos efeitos da encarnação, devemos observar três atitudes de Maria: a Meditação do mistério, o reconhecimento da insuficiência humana e a acolhida do impossível de Deus. Maria, a mulher orante, medita o significado da aparição do anjo, tentando

diminuir a distância entre o seu não entendimento e o mistério de Deus. Ao ser chamada à maternidade divina, compreende que não se trata de um milagre como aquele realizado em Isabel, mas de uma intervenção inédita. Ela percebe que o impossível só se realizaria pelo habitar de Deus em seu interior; não uma ação externa, mas o próprio Deus presente de uma forma extraordinária em Maria. Esse “impossível” não se restringe a uma salvação espiritual que se plenificará na eternidade, mas toca definitivamente a história humana e a trajetória individual de cada um. Embora a encarnação — e, a partir disso, a salvação – já ter acontecido e se estender pelos séculos, cada pessoa vai acolhendo essa realidade a partir da própria história pessoal, com os sucessos e os fracassos da vida. Deus assume a nossa humanidade e quer nos salvar a partir dessa história, inclusive com as tragédias nela acontecidas. Quando aprendemos a meditar o significado dos acontecimentos e a entendê-los no mistério de Deus, vamos descobrindo que o extraordinário é possível; mas, para isso, é necessário deixar a sombra do Altíssimo nos cobrir, para que Deus possa habitar em nós. Assim, o impossível de Deus se realiza na precariedade da nossa humanidade que, resgatada, assume toda a dignidade e beleza que emana do próprio Deus em nossa vida.

Pe. Talis Pagot Província Sul III

Paixão de Cristo

A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo revela o amor levado até as últimas consequências. Na cruz, Jesus não foge do sofrimento, não abandona a missão e não desiste do ser humano. Ele permanece fiel, mesmo quando é incompreendido, traído, ferido e aparentemente derrotado. Contemplar a Paixão é contemplar um amor que se doa por inteiro e que transforma a dor em salvação. Essa mesma lógica de amor está no coração do sacramento do matrimônio. A vida do casal cristão, especialmente no caminho das ENS, é um chamado a viver esse amor pascal no cotidiano. O matrimônio é uma vocação concreta, marcada por alegrias e também por cruzes. Há momentos de cansaço, diferenças, crises financeiras, enfermidades e feridas que fazem parte da história do casal. À luz da Paixão de Cristo, essas realidades deixam de ser sinais de fracasso e se tornam lugar de encontro com Deus, que caminha com os esposos e sustenta sua fidelidade. Viver a mística da Paixão como casal é aprender a amar mesmo quando dói, a escolher o outro todos os dias, como Cristo escolheu amar até o fim. É compreender que muitas pequenas mortes diárias ao orgulho, à dureza do coração, geram vida nova no relacionamento. Nessa dinâmica pascal, o casal cresce em maturidade, ternura e comunhão. Os PCEs propostos pelas ENS são um caminho privilegiado para viver essa espiritualidade. A Escuta da Palavra de Deus ilumina as cruzes do cotidiano e ajuda o casal a discernir a vontade do Pai. A Oração Conjugal coloca Cristo no centro da

vida matrimonial e transforma as dificuldades em súplica e confiança. O Dever de Sentar-se é um verdadeiro exercício pascal, onde se morre para o fechamento e se ressuscita no diálogo sincero, no perdão e na reconciliação. A Regra de Vida expressa o desejo de conversão contínua, e o Retiro anual permite reler a própria história à luz da cruz e da Ressurreição, reconhecendo a ação de Deus em cada etapa do caminho. Assim como Maria permaneceu de pé aos pés da cruz, sustentando o amor até o fim, o casal cristão é chamado a permanecer fiel, mesmo nas horas mais difíceis. Da cruz nasce a vida nova, e todo casal que atravessa suas dificuldades com fé experimenta a alegria de um amor mais profundo, mais livre e mais verdadeiro. Que a contemplação da Paixão de Cristo ajude cada casal das ENS a reconhecer que amar é um caminho pascal, e que cada cruz carregada juntos, com Cristo, se transforma em fonte de graça para o lar, para a Igreja e para o mundo. Com carinho e bênção fraterna.

Pe. Fábio Dungue SCEP Sul II

Domingo de Ramos

em um jumento, sendo recebido como um rei vitorioso com gritos de “Hosana” (Salvação).

Início da Semana Santa:

Marca o fim da Quaresma e abre a última semana antes da Páscoa, focando nos eventos finais da vida de Jesus.

Prefiguração da Paixão:

A alegria da entrada contrasta com a leitura do Evangelho da Paixão, mostrando que a vitória de Jesus passa pela cruz e sofrimento.

Símbolo dos Ramos:

O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, celebrando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, onde foi aclamado com ramos e mantos, simbolizando-o como Rei e Messias, mas também prenuncia sua Paixão, Morte e Ressurreição, sendo um dia de transição entre a alegria e o sofrimento, onde a Igreja reflete a fragilidade humana e a vitória final de Cristo.

Essa celebração traz para nós alguns significados que colabora ao nosso entendimento para bem celebrarmos e vivermos essa celebração que abre para cristãos católicos no mundo a semana onde atualiza-se em cada celebração.

Entrada Triunfal:

Jesus chega a Jerusalém montado

As palmas e ramos acenados representam vitória e paz, mas também a fé que se volta para a Ressurreição, não para a violência, mesmo diante da rejeição. Une a aclamação do povo com sua posterior condenação, mostrando a mudança de comportamento humano e a dualidade entre o triunfo e a cruz.

No Domingo de Ramos, os fiéis celebram Jesus como Rei, mas também são convidados a acompanhá-lo em sua jornada de sofrimento rumo à Ressurreição, entendendo que a verdadeira vitória se encontra na fé e na superação da morte, um mistério central para os cristãos.

Pe. Carlos Alberto Santos de Oliveira
Ribeirão Preto/SP Província Sul II

Páscoa do Senhor no amor conjugal

A Páscoa é o coração da nossa fé: Cristo morreu, Cristo ressuscitou, Cristo vive no meio de nós. Se observarmos bem, também diante do Movimento das Equipes de Nossa Senhora, esse mistério não é apenas celebrado no altar, mas vivido no cotidiano do matrimônio e da família.

A Ressurreição nos lembra que nenhuma cruz é definitiva quando é assumida com amor. No casamento, também atravessamos cruzes: diferenças de temperamento, cansaço, dificuldades financeiras, desafios na educação dos filhos, momentos de silêncio ou incompreensão. À luz da Páscoa, somos chamados a crer que o amor, quando passa pela cruz, pode renascer mais maduro, mais fiel, mais fecundo. Jesus ressuscitado conserva as chagas. Isso nos ensina que a vida nova não apaga a história, mas a transfigura. Assim também no matrimônio: as feridas curadas tornam-se sinais de graça, de perdão oferecido e recebido, de crescimento na comunhão. O casal cristão é chamado a

testemunhar que perdoar é ressuscitar o amor todos os dias.

A Páscoa também nos revela um Cristo que caminha conosco, como com os discípulos de Emaús. Ele se faz presente na escuta, na partilha da Palavra e no partir do pão. É exatamente isso que vivemos na equipe: quando rezamos juntos, quando partilhamos a vida com sinceridade, quando nos apoiamos como casais em caminho, o Ressuscitado está no meio de nós.

Para as Equipes de Nossa Senhora, a Páscoa é um convite renovado a viver: a fidelidade, como sinal da aliança pascal; o diálogo conjugal, como espaço de vida nova; a oração em casal e em família, como encontro com o Cristo vivo; a missão, levando ao mundo o testemunho de que o amor é possível, porque Cristo venceu a morte.

Que Maria, Nossa Senhora, mulher pascal por excelência — que acreditou na Ressurreição mesmo no silêncio do Sábado Santo — nos ensine a esperar contra toda esperança e a confiar que Deus continua fazendo novas todas as coisas em nosso matrimônio e em nossas equipes.

Feliz Páscoa! Cristo ressuscitou, e com Ele renasce o amor em nossas famílias!

Pe. Alex Reis L. Alves SCER Paraná Norte Província Sul III

Verônica enxuga o rosto de Jesus

À medida que os casais das Equipes de Nossa Senhora se preparam para viver, na oração e na vida concreta, o mistério da Paixão do Senhor, somos convidados a percorrer com Jesus o caminho da cruz não apenas como espectadores, mas como discípulos comprometidos. A Quaresma e a Semana Santa colocam diante de nós a pergunta essencial: como acolhemos o sofrimento de Cristo no cotidiano de nossa vida conjugal e familiar?

No itinerário da Via-Sacra, a Sexta Estação — Verônica enxuga o rosto de Jesus — apresenta um gesto simples, silencioso e profundamente humano. Verônica não pronuncia palavras, não

interrompe a marcha dolorosa do Senhor, mas oferece aquilo que está ao seu alcance: um véu e um coração compassivo. Seu gesto revela que, mesmo no meio da violência e da dor, o amor pode encontrar espaço para se manifestar.

Para os casais das ENS, essa estação ilumina a vocação matrimonial como um caminho concreto de serviço e misericórdia. No sacramento do matrimônio, cada esposo e cada esposa são chamados a reconhecer a face de Cristo no rosto do outro, especialmente nos momentos de cansaço, fragilidade e sofrimento. Enxugar o rosto de Jesus, hoje, significa acolher, sustentar, perdoar e servir no silêncio do dia a dia, transformando pequenos gestos em verdadeiros atos de amor redentor.

A meditação que segue, de São João Paulo II, ajuda-nos a compreender que todo gesto de caridade deixa gravada em nós a imagem do próprio Cristo. Ao contemplarmos a Sexta Estação, somos convidados, como casais em Equipe, a deixar que a Paixão do Senhor atravesse nossa vida conjugal, para que também nós nos tornemos, no mundo de hoje, portadores da Sua Face.

A Veronica Limpa O Rosto De Jesus*

V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Nos Evangelhos, não aparece mencionada Verónica. Entre as várias

mulheres que serviam Jesus, o nome dela não é referido.

Pensa-se, por isso, que o nome possa exprimir sobretudo o que a mulher fez. Com efeito, segundo a tradição, no caminho para o Calvário, uma mulher passou por entre os soldados que escoltavam Jesus e, com um véu, enxugou o suor e o sangue do rosto do Senhor. Aquele rosto ficou gravado no véu: um reflexo fiel, uma verdadeira imagem, uma "vera icone". Desta expressão derivaria o nome de Verónica.

Se assim fosse, este nome, que recorda o gesto realizado pela mulher, encerraria simultaneamente a verdade mais profunda dela mesma.

Um dia, perante a crítica dos presentes, Jesus tomou a defesa duma mulher pecadora, que tinha derramado um perfume sobre os pés d'Ele, enxugando-os depois com os cabelos. À objecção então levantada, Ele responde: "Porque afligis esta mulher? Ela praticou para comigo uma boa obra (...). Derramando este perfume sobre o meu corpo, fê-lo preparando-Me para a sepultura" (Mt 26, 10.12).

As mesmas palavras poder-se-iam aplicar a Verónica.

Fica assim patente o profundo significado do acontecimento.

O Redentor do mundo dá a Verónica uma autêntica imagem do seu rosto. O véu, onde fica impresso o rosto de Cristo, torna-se uma mensagem para

nós. De certo modo, diz: Eis como toda a boa obra, todo o gesto de amor para com o próximo reforça, em quem o pratica, a semelhança com o Redentor do mundo.

Os atos de amor não passam. Cada gesto de bondade, de compreensão, de serviço deixa no coração do homem um sinal indelével, que o torna cada vez mais semelhante Àquele que "Se despojou a Si mesmo, tomando a condição de servo" (Fil 2, 7).

Assim se forma a identidade, o verdadeiro nome da pessoa.

ORAÇÃO

Senhor Jesus Cristo!

Vós que aceitastes o gesto de amor desinteressado duma mulher

e fizestes com que, em troca, as gerações a recordassem com o nome do vosso rosto, concedei que as nossas obras e as de todos quantos virão depois de nós, nos tornem semelhantes a Vós e ofereçam ao mundo o reflexo do vosso infinito amor.

Jesus, esplendor da glória do Pai, a Vós louvor e glória para sempre.

R. Amém

CR Carta Mensal

* JOÃO PAULO II. Via-Sacra no Coliseu – Sexta Estação. Sexta-feira Santa, 21 abr. 2000. Vaticano

Redescobrir o conhecido

Uma equipe forte e sólida surge a partir de uma boa Pilotagem

Concluída a Experiência Comunitária, inicia-se, pela estrutura do Movimento, um novo momento para os casais que é a Pilotagem. “Esta etapa de formação é fundamental e indispensável. Refere-se ao período de iniciação na vida em equipe“ (Manual das Equipes de Nossa Senhora, pág. 82).

O objetivo principal da Pilotagem é transmitir aos casais e Conselheiros Espirituais o conhecimento básico das Equipes de Nossa Senhora, sua pedagogia e organização. Esse processo é orientado por um Casal Piloto com boa formação, grande conhecimento do Movimento, profunda espiritualidade e testemunho de vida. O período da Pilotagem se estende de um a dois anos conforme o cronograma estabelecido pela equipe em Pilotagem, tempo suficiente para assimilação do que o Movimento propõe para essa etapa, considerando o cuidado e o respeito ao ritmo de cada casal. Trata-se, essencialmente, da formação inicial para os casais no que diz respeito à pedagogia e à proposta de vida das Equipes de Nossa Senhora, tendo presente a espiritualidade conjugal.

A função do Casal Piloto, conforme o Guia das ENS, pág 81, é transmitir aos casais e ao Conselheiro ou Acompanhante Espiritual o conhecimento, espírito e os métodos do Movimento nas diferentes fases, apresentando o Sacramento do Matrimônio como um caminho de amor, felicidade e santidade, partindo da ajuda mútua.

O Casal Piloto não é ”dono da equipe”, é orientador e formador, e deve respeitar o caminhar de cada casal, seus avanços, estagnação e até retrocessos. Deve ter em mente que se trata de uma experiência nova para os casais e, para muitos, uma primeira formação espiritual.

Sua missão é conduzi-los à descoberta da riqueza das Equipes de Nossa Senhora, e quanto o Movimento faz bem aos casais, às equipes e às suas famílias. Durante a Pilotagem são apresentados, gradativamente, a Mística (reunidos em nome de Cristo, ajuda mútua e testemunho) e o Carisma (viver à espiritualidade conjugal) do Movimento, além dos Pontos Concretos de Esforço.

É importante deixar clara a pedagogia dos Pontos Concretos de Esforço, pois a exata compreensão da sua vivência trará firmeza à vida dos casais e da equipe que formarão.

Assumir a necessidade de crescer no amor de Deus, progredir na vivência do amor ao próximo e considerar a importância de uma vida em equipe são os fins específicos do período da Pilotagem. Uma boa Pilotagem forma uma boa equipe.

Pe.

Teloken SCE Província Sul III

Laudenor

Quando a caminhada não é solitária os frutos

se tornam muito mais fecundos

Quando me ordenei padre, em 17 de dezembro de 1960, não podia imaginar a trajetória que teria como sacerdote e dentro do Movimento das Equipes de Nossa Senhora. Em dezembro de 2025 completo 65 anos de sacerdócio e, em 2026, 40 anos como Conselheiro Espiritual da Equipe 2B, Nossa Senhora Mãe da Igreja. São quatro décadas de caminhada marcadas por fé, fraternidade, amor e muitos ensinamentos.

Olhar para esses anos é, acima de tudo, um profundo exercício de gratidão: primeiro a Deus, por ter permitido que eu chegasse até aqui, e depois a todas as pessoas que cruzaram meu caminho e foram essenciais na minha jornada. Desde a década de 60, em Tabatinga e depois em Jaú, até chegar a Américo Brasiliense em 1969, tive a graça de encontrar amigos verdadeiros que tornaram meus dias ainda mais cheios da presença divina. Colecionei amizades, boas histórias e a certeza de que, quando a caminhada não é solitária, os frutos se tornam muito mais fecundos.

Um momento marcante foi o convite feito por Sandra e Gabriel Reis, em junho de1986, para ingressar na Equipe de Nossa Senhora Mãe da Igreja, em Araraquara. Já havia atuado como Conselheiro Espiritual em Jaú. A primeira reunião da Equipe 2B aconteceu na casa de Iara e João Bosco, com Maria José e Wanderlei Gouveia, Milai e José Manini, João Bosco e Iara e Tuka e Ary. Sempre me identifiquei profundamente com o Carisma do Movimento, que

ajuda os casais a enfrentarem juntos os desafios da vida conjugal, buscando a santidade com o apoio de um Conselheiro Espiritual. Ao longo desses anos, recebi muito amor dos equipistas, não apenas da minha equipe, mas de todos que pertencem ou pertenceram ao Movimento. Além do fortalecimento da fé por meio dos estudos, da Escuta da Palavra e do compartilhar fraterno, a equipe também assumiu um compromisso social, construindo uma casa para uma família carente e reformando outra – um marco de união e solidariedade. Vivemos muitas alegrias: nascimentos de filhos e netos, casamentos, bodas e viagens. Em 1996, visitei Tuka e Ary nos Estados Unidos, onde permaneci por um mês, cercado de carinho. Em 2020, fomos a Santos encontrar Maria Laura e Luiz Fernando.

Também enfrentamos momentos difíceis, como a perda de nosso querido Wanderlei, que nos ensinou que a vida é um presente a ser vivido de forma plena e responsável.

O essencial é permanecermos unidos à videira, confiando em Seus desígnios e reconhecendo que, ao longo da jornada, Ele nos presenteia com grandes amigos. Deus abençoe a todos.

Pe. Bento Braz Bellucci Província Sul II

Minha história de vida junto às Equipes de Nossa Senhora

Sou o Padre Laudenor Teloken, do clero da diocese de Santa Cruz do Sul/RS. Minha história no Movimento é extensa e maravilhosa. Em 1993, na cidade de Pântano Grande, distante 120 km de Porto Alegre, o Movimento se apresentou solicitando autorização e apoio para implantá-lo na região.No mesmo ano, iniciou-se a primeira Experiência Comunitária, seguida de Pilotagem, nascendo assim a Equipe Nossa Senhora de Fátima. Na sequência, foram criadas mais quatro equipes, das quais também fui Conselheiro Espiritual. Criou-se o Pré-setor, hoje Setor Vale do Rio Pardo, do qual fui Sacerdote Conselheiro Espiritual desde o início até 2024, quando fui convidado a servir à Província Sul III, junto ao casal Marli e Orlando. Minha equipe de base é a Equipe Nossa Senhora Aparecida do Setor Vale do Rio Pardo, Região RS I. No início houve certa resistência à proposta do Movimento, mas aos poucos os casais foram compreendendo o processo da caminhada, adentrando na Mística e Carisma do Movimento, inspirados no fundador Padre Henri Caffarel. Percebo, ao longo da caminhada, dificuldades, medos e insegurança das equipes. Por outro lado, há sede e alegre busca do entendimento do “ser equipista”, onde o esforço e superação são agraciados com grandes milagres, transformando e impulsionando o crescimento na fé, mostrando o bem que o Movimento tem feito a tantos

casais que, na espiritualidade conjugal, encontram o caminho da santidade. Na minha vida, pessoal e sacerdotal, o Movimento é motivo de formação e crescimento espiritual. Nos momentos de desânimo dos casais em suas caminhadas, entendo que é preciso um “novo aprender”, pois como ser humano também passo por medos, angústias e desânimos, e é a vivência como sacerdote equipista meu grande auxílio. A dinâmica dos Pontos Concretos de Esforço, à luz da Palavra, aliada à Mística do Movimento, são base para meu crescimento e santificação. Passei por várias crises na minha vida, enquanto pessoa e sacerdote, e reconheço o quanto fui amparado pelas equipes, na compreensão das minhas fragilidades e limitações. Sua paciência, ajuda, coração fraterno, acolhimento, orientação e motivação, me fortalecem a cada dia. Sou grato a Deus por me permitir fazer parte deste Movimento, e como Sacerdote Conselheiro Espiritual ser esteio e orientação de vida aos casais, e muito aprender e crescer com o testemunho e o amor deles. Tenho certeza de que sem as equipes eu não seria quem sou. Gratidão!

Pe. Laudenor Teloken SCE Província Sul III

Nosso Dever de Sentar-se

Em nossa caminhada como casal equipista, reconhecemos o Dever de Sentar-se como um Ponto Concreto de Esforço fundamental para a vida conjugal. A partir da nossa própria experiência, compreendemos que este PCE nos convida a parar intencionalmente, em um momento específico do mês, para olhar com mais atenção e profundidade para a nossa vida a dois, cuidando de forma consciente e responsável da relação que estamos construindo.

Inspirados pela espiritualidade das Equipes de Nossa Senhora, acolhemos o Dever de Sentar-se como um meio privilegiado de diálogo, revisão de vida e discernimento. Vivido mensalmente, ele fortalece nossa comunhão, favorece nosso crescimento mútuo e contribui para a nossa unidade como casal e família, ajudando-nos a alinhar nossa caminhada conjugal à vontade de Deus. No cotidiano, buscamos manter uma convivência marcada pelo respeito e por uma comunicação simples e verdadeira, partilhando acontecimentos da rotina, sentimentos, preocupações, alegrias e expectativas. Sabemos, porém, que o ritmo do dia a dia nem sempre permite um aprofundamento maior dessas partilhas. Por isso, reconhecemos a importância de reservar um tempo específico, ao menos uma vez por mês, para viver de forma mais consciente e estruturada o Dever de Sentar-se como PCE.

Nesse momento mensal, escolhemos nos sentar com tranquilidade e abertura de coração, deixando de lado as distrações, para realizar uma revisão da nossa vida conjugal. É um tempo de conversa sincera, escuta atenta e busca de maior compreensão, à luz da nossa história, dos desafios enfrentados e dos projetos que partilhamos. Esse encontro nos ajuda a identificar o que precisa ser cuidado, ajustado ou fortalecido em nossa relação.

Para nós, o Dever de Sentar-se vivido dessa forma torna-se um espaço privilegiado de reconciliação, discernimento e crescimento. É também um tempo de gratidão pelas graças recebidas, de reconhecimento das conquistas e de renovação das escolhas que fazemos como casal, colocando nossa vida conjugal e familiar nas mãos de Deus.

Assim compreendido e vivido, o Dever de Sentar-se deixa de ser apenas um compromisso assumido e se torna um verdadeiro caminho de crescimento humano, conjugal e espiritual, ajudando-nos a caminhar juntos com mais responsabilidade, amor e fidelidade ao sacramento do matrimônio.

Maristela e Eduardo CRR RS II
Província Sul III

Dever de Sentar-se, um marco em nossa vida conjugal

O Dever de Sentar-se representa um verdadeiro marco em nossa vida conjugal. Transformou nossa relação de uma forma que eu jamais poderia imaginar, tornando-se um encontro sagrado onde o amor ganha novo sentido e a graça de Deus se faz presente. A cada realização mensal, sinto que o Senhor nos concede uma nova oportunidade de recomeçar, de revisitar o que somos e de aprofundar o vínculo que nos une. É como se, a cada conversa, Ele próprio nos convidasse a sentar, ouvir e amar com mais paciência, ternura e verdade.

Através desse momento, aproximei-me ainda mais da minha esposa. Descobri nela aspectos lindos que a rotina e o silêncio do dia a dia haviam escondido. Passamos a conversar sobre temas que antes evitávamos, mas que, na verdade, feriam silenciosamente nossa caminhada rumo à santidade. Cada palavra dita com sinceridade, cada escuta atenta e cada gesto de perdão foram se tornando tijolos de uma casa construída sobre a rocha firme do amor de Cristo.

No início, confesso que encontramos dificuldade em vivê-lo, talvez

Não é fácil abrir o coração e admitir nossas fragilidades, mas é justamente aí que o Espírito Santo age, curando feridas, iluminando o entendimento e transformando o que parecia difícil em graça abundante. Com o tempo, fomos nos familiarizando com esse espaço de diálogo e descobrindo o quanto ele é fonte de luz, de cumplicidade e de cura interior

pela falta de hábito, pela correria da vida moderna ou até pelo receio de nos expor com transparência. Não é fácil abrir o coração e admitir nossas fragilidades, mas é justamente aí que o Espírito Santo age, curando feridas, iluminando o entendimento e transformando o que parecia difícil em graça abundante. Com o tempo, fomos nos familiarizando com esse espaço de diálogo e descobrindo o quanto ele é fonte de luz, de cumplicidade e de cura interior.

Hoje, cada vez mais, nos encantamos com os frutos colhidos: a paz que invade nosso lar, o diálogo sincero que se fortalece, a alegria de caminhar de mãos dadas mesmo nas provações e a certeza de que as graças divinas só se multiplicam quando abrimos o coração um ao outro. Viver plenamente a espiritualidade conjugal é isso: ser aberto, transparente e verdadeiro em tudo o que vivemos. As dificuldades

sempre existirão, mas o esforço, a oração e a perseverança transformam o Dever de Sentar-se em um hábito espiritual de serenidade e fortalecimento mútuo.

O Dever de Sentar-se é, para nós, a essência do matrimônio e das Equipes de Nossa Senhora. É o momento em que Cristo se faz presente na mesa da conversa e transforma o simples ato de escutar em um gesto de amor. Ele cura feridas, fortalece o vínculo e renova, mês após mês, o compromisso de caminharmos juntos sob a luz divina, unidos pela fé, pelo diálogo e pela esperança de um amor que não se cansa de recomeçar.

Ana Claudia e Wellington ENS das Dores – Ubarana/SP Província Sul II

A Oração Conjugal como caminho de unidade, esperança e santidade

Em um contexto social marcado pela pressa, pelas múltiplas exigências profissionais e pelas constantes distrações, a Oração Conjugal apresenta-se como uma escolha consciente e responsável dos esposos cristãos. Mais do que uma prática de piedade, ela constitui um espaço privilegiado de encontro, no qual o casal se coloca, de modo conjunto, na presença de Deus, fonte e fundamento do amor conjugal. No Movimento das Equipes de Nossa Senhora, a Oração Conjugal é assumida como um Ponto Concreto de Esforço, exigindo decisão livre, fidelidade perseverante e compromisso contínuo. Sua vivência possui caráter profundamente formativo e transformador, pois fortalece a comunhão entre os esposos e renova, cotidianamente, o sentido da vocação matrimonial. Ao confiar sua relação ao Senhor, o casal reconhece que não caminha sozinho e que o amor conjugal necessita ser cuidado, iluminado e orientado por valores evangélicos que transcendem as emoções passageiras.

A oração partilhada educa os esposos para uma atitude de escuta, empatia e acolhimento mútuo. Ela cria um clima de confiança no qual se torna possível a partilha das alegrias, das dificuldades, das fragilidades e das esperanças. Além disso, constitui um permanente convite à vivência do perdão, da paciência e do diálogo sincero. Frequentemente, um gesto simples, como dar as mãos e rezar juntos, é suficiente para superar resistências interiores e abrir caminhos de reconciliação.

Com o amadurecimento da vida conjugal, os cônjuges percebem que a oração comum transforma a maneira de enfrentar conflitos e discernir decisões importantes. Ela fortalece também o sentido de pertença à Igreja e à equipe, ajudando o casal a viver o matrimônio como vocação, serviço e testemunho cristão no mundo.

A Oração Conjugal repercute de forma significativa na vida familiar. Quando os filhos veem os pais rezando juntos, aprendem, pelo exemplo, que a fé integra a vida cotidiana e que o amor se constrói por meio de gestos concretos. Assim, a oração torna-se fonte de estabilidade, segurança e harmonia no seio da família.

A Oração Conjugal não exige fórmulas complexas nem longos momentos. O essencial é a sinceridade do coração e a constância. Seja por meio de uma oração espontânea, da leitura da Palavra de Deus ou de um simples agradecimento, ela se apresenta como um caminho simples e profundo de santificação, capaz de fortalecer o amor e renovar a esperança.

Vilma e Alexandre ENS da Assunção Província Sul II

Regra de Vida: ajuda a aprofundar a oração e coerência entre fé e vida

Somos casados há 43 anos. Temos dois filhos, duas noras, duas netas e um neto. Ao olhar para nossa caminhada, o coração se enche de gratidão. Não foram apenas anos vividos, mas uma história construída dia após dia, marcada por alegrias profundas, desafios, quedas e recomeços, sempre sustentados pela graça de Deus.

Aprendemos que o amor verdadeiro não é feito apenas de sentimentos, mas de escolhas diárias, de fidelidade, diálogo e entrega. Como todo casal, vivemos dias de silêncio difícil, opiniões diferentes e decisões que exigiram renúncia. Foi nessas horas que aprendemos que o amor se constrói com paciência, perdão e compromisso.

Nossa caminhada de sete anos no Movimento das Equipes de Nossa Senhora marcou profundamente nossa vida. Nesse contexto, a Regra de Vida, individual e como casal, tornou-se um instrumento fundamental de crescimento. Aprendemos que ela não é uma obrigação pesada, mas uma oportunidade concreta de revisão, conversão e amadurecimento, ajudando-nos a reconhecer limites, agradecer conquistas e traçar metas possíveis, sempre iluminados pela fé.

Inspirados pelo Pe. Henri  Caffarel, compreendemos que o matrimônio é uma vocação que precisa

ser cuidada: “O teu amor sem exigência me diminui; a tua exigência sem amor me revolta; o teu amor exigente me engrandece” (L’Anneau d’Or, 1956). Essa verdade nos sustentou nos momentos em que o amor precisou ser purificado e fortalecido.

A Regra de Vida ajuda-nos, individualmente, a aprofundar a oração e buscar coerência entre fé e vida. Como casal, convida-nos ao diálogo sincero, à escuta respeitosa e à decisão de crescer juntos, colocando o “nós” em primeiro lugar. Essa vivência também nos ajudou no serviço ao Setor Leste, lembrando-nos de que só é possível servir bem quando cuidamos da própria caminhada humana e espiritual. Seguimos agradecidos pelo Movimento das Equipes de Nossa Senhora. A Regra de Vida permanece como sinal de amor e compromisso com Deus, entre nós e com a missão confiada. Com humildade e esperança, seguimos certos de que Deus continua conduzindo nossa história. O Senhor fez em nós maravilhas e Santo é o Seu Nome!

Emília e Airton CRS Leste

Osório/RS Província Sul III

Crescer no Amor: uma esperança conjugal

O projeto Crescer no Amor para nós tem sido uma experiência extraordinária. Com ele podemos testemunhar o despertar do interesse dos casais de noivos pelo diálogo conjugal e pela vivência da vida cristã.

Nós assumimos como CRS num momento pós-pandemia onde o nosso Movimento estava bem desmotivado, bem enfraquecido. A pedido do nosso SCE, retomamos o projeto, que sempre foi bem ativo nos setores de José Bonifácio/SP.

Pois bem, com a ajuda do padre, que começou a divulgar o projeto nas missas, os casais de noivos que já coabitavam foram aparecendo.

A cada reunião fica nítido o crescimento de cada casal, tanto os noivos quanto nós casais equipistas que os acompanham. Porque tudo é uma troca de experiências. Os frutos vão aparecendo: as conversas melhoram, o diálogo começa a ganhar espaço na vida deles, assim como a oração também. Como é gratificante ver crescer o amor dentro de cada um desses casais que Deus colocou nos nossos caminhos.

Somos apaixonados pelo nosso Movimento e podemos dizer que o projeto Crescer no Amor nos traz uma felicidade completa.

Quando fazemos essas caminhada junto com eles, passamos a fazer parte da história de vida deles, mas o que eles não sabem é que eles também passam a fazer parte das nossas. Ah, se esses casais soubessem o quanto fazem bem as nossas vidas e as nossas almas!

E como é lindo ver quando o grande dia chega: o dia em que eles recebem o sacramento do matrimônio. Que emoção poder receber Jesus eucarístico! É um momento indescritível, onde Deus se faz presente e podemos sentir com tanta força, é quase palpável! A alegria que eles sentem é também a nossa alegria por termos sido instrumentos de Deus para chegar até esse momento.

Nos emocionamos quando falamos do Crescer no Amor, porque o que testemunhamos é uma transformação sem medida na vida de cada um, sejamos nós casais equipistas ou casais de noivos. É um sentimento que preenche todo o nosso ser e transborda por nossos olhos, e isso sem dúvidas é o amor de Deus que cresce em cada um.

Marcela e Caun CRR SP Norte I Província Sul II

As graças recebidas são tantas que

não

conseguimos nos imaginar sem ser equipistas

O Movimento das Equipes de Nossa Senhora chegou à nossa vida em um período de muitas turbulências e dificuldades. No primeiro momento, meu esposo não demonstrava interesse. Mas, com muita oração e joelho no chão, o convite chegou até ele. Não conseguiu dizer não. Vivemos então a Experiência Comunitária, que hoje gostamos de dizer que foi o verdadeiro Querigma das Equipes de Nossa Senhora: um encantamento, um reencontro com a nossa história e, sobretudo, um reencontro com o Senhor, vivido juntos.

Dessa experiência já se passaram 19 anos. Nossa equipe de base, a ENS da Alegria, foi berço de amadurecimento pessoal, espiritual e conjugal. Foi testemunha de lutas, de perdão e de muitos recomeços. As graças recebidas são tantas que não conseguimos nos imaginar sem ser equipistas, assim como não conseguimos dizer não quando Ele nos chama.

O convite para o serviço de CRS Toledo chegou como uma surpresa, acompanhado de medo e insegurança: seriam nossas capacidades e dons suficientes para tamanha missão? Com o apoio do Frei Francisco, que nos acompanhou no início da caminhada, e também com o incentivo dos nossos filhos, nos encorajamos

e dissemos “sim”, na certeza de que é Ele quem nos conduz.

Essa citação da Super-Região Brasil passou a ser nosso lema:

“Nesta fé conseguimos compreender que todo esse caminho missionário que percorremos nos últimos anos é uma adesão a Cristo como discípulos prontos para assumir a missão que Ele nos confia” (2024).

Na simplicidade, buscamos desempenhar nossa missão com a alegria que somente o Senhor pode nos proporcionar. Com a certeza de que Ele nos pede este tempo, e nessa leveza procuramos viver o “amar mais”: ser presença, ser acolhida e ser entusiasmo, para que nosso setor perceba que viver e cumprir o nosso propósito com amor e gratidão nos realiza profundamente.

Temos ainda a graça de contar com nosso querido SCES Frei Levi, que, com seu testemunho e Carisma, nos ensina diariamente a amar um pouco mais. E assim, a cada dia, sentimos no coração a imensa graça de ser equipista.

Cassiana e Vanderlei
CRS Toledo
Província Sul III

Nossa vida nas ENS: uma caminhada de fé e amor

Viemos de famílias católicas e, desde a infância, recebemos os sacramentos. Após o casamento, permanecemos firmes na fé por meio da Eucaristia e do serviço pastoral, participando do ECC e atuando na Pastoral do Batismo, onde seguimos até hoje. No entanto, sentíamos que faltava algo essencial: uma espiritualidade conjugal mais profunda, algo que fosse próprio do casal.

No início dos anos 2000, fomos convidados para um dia de informação sobre o Movimento das Equipes de Nossa Senhora. Fomos sem grandes expectativas, mas saímos com o coração repleto de alegria. Ali descobrimos um caminho voltado para o casal e para a família. Fomos pilotados e ingressamos na saudosa Equipe Nossa Senhora de Fátima. Pouco depois, uma transferência profissional nos levou a Brasília, onde demos nosso primeiro “sim” ao Movimento, mesmo a distância.

Em Brasília, iniciamos uma nova etapa ao ingressar na Equipe Nossa Senhora do Amor Divino. Foi ali que exercemos nosso primeiro serviço como casal responsável de equipe e conhecemos a grandiosidade do Movimento. Vivemos onze anos de intensa fraternidade, aprendendo o Carisma, a pedagogia e a Mística das equipes. Nossa espiritualidade conjugal se fortaleceu: aprendemos a rezar juntos, a enfrentar desafios com a Palavra de Deus e os Pontos Concretos de Esforço.

De volta ao Rio Grande do Sul, fomos acolhidos pela Equipe Nossa Senhora Aparecida de Canoas. Há 15 anos caminhamos com essa segunda família que Deus nos concedeu, crescendo no amor e na fé. Ao longo desse tempo, servimos em diversas missões no Movimento, sempre com alegria e dedicação.

Recentemente, fomos chamados a servir como casal responsável do Setor Metropolitano A. Recebemos esse chamado como graça e missão. Agradecemos diariamente por fazer parte das Equipes de Nossa Senhora há 25 anos, certos de que Jesus caminha conosco e que Maria nunca nos deixa sozinhos. “Tudo por Jesus, nada sem Maria.”

Tati e Moura CRS Metropolitano A Canoas/RS Província Sul III

A porta do céu se abre para nós

Pela Oração Conjugal fomos transformados e descobrimos que o reino de Deus é revelado para nós aqui na terra. A Oração Conjugal também aumentou nossa confiança em tempos difíceis, e foram muitos. Quando nos casamos tínhamos uma vida confortável. Tivemos duas filhas. Porém, com oito anos de vida matrimonial, veio a noite escura que por dez anos pairou sobre nós, diante de uma grande crise financeira. Sem saber o que fazer, decidimos mudar de estado, ainda que com poucos recursos. Chegando lá fiz um pedido a minha esposa, “aconteça o que acontecer não me deixe, vamos sair desta”, renovamos nossos votos e assim recomeçamos, arrendamos um hotel que estava às traças, o recuperamos, tínhamos todos os dias o suficiente para uma vida digna e, para nossa surpresa se negaram a renovar o contrato. Estávamos novamente à deriva, mas todas as noites rezávamos juntos a N. S. Aparecida. Foi quando um amigo nos convidou a retornar, oferecendo ajuda, mas os tempos continuaram difíceis. Alugamos uma edícula onde na sala tinha uma cadeira e uma tv 14”, na cozinha 4 cadeiras e uma pequena mesa, geladeira e fogão doados pelos pais da minha esposa, no quarto um beliche e um colchão de casal, que à noite

levávamos para a sala para dormir. Foi aí que minha esposa passou num concurso público do município e eu continuei desempregado por mais três anos. Nessa época, sem formação alguma, decidimos fazer a faculdade de Direito, mesmo sem saber como iríamos pagar, mas sempre confiando em nossas orações, pois sabíamos que Deus estava presente conosco e não iria nos abandonar. Deus sempre atende nossa oração em meio à tempestade. Neste tempo fomos acolhidos na Paróquia N. S. Aparecida, e foi através do ECC que conhecemos um casal do qual somos amigos até hoje. Na metalúrgica deles trabalhei de rebarbador, quantas vezes chorei debaixo da máscara de proteção que usava, ali resisti por três anos, e conseguimos nos formar. Quantos finais de meses não tínhamos o necessário para nosso sustento e amigos nos ajudavam, mas a oração, a união e o amor não faltavam. Hoje, com nossas filhas formadas e uma vida estável, pairam sobre nós as graças de um Deus vivo. Somos muito gratos a Deus por tudo o que faz por nós e especialmente pela graça de poder ajudar quem precisa. Ao entrarmos nas ENS há 19 anos, descobrimos que nossa oração tinha nome, “Oração Conjugal”, e podemos afirmar com todo nosso coração que a Oração Conjugal foi e é nossa força, pois nos une a Deus.

Fátima e Francisco CRS Piracicaba A Província Sul II

VOLTA AO PAI

APARECIDO OSWALDO A. RODRIGUES (Paca da Ivete)

12/02/2026

ENS 4D - São José do Rio Preto/SP

Foram Casal Responsável pelas CNSE no Brasil

Província Sul II

IREIDE MOUTINHO ABITBOL (viúva do Israel)

09/01/2026

ENS 2A das Graças - Manaus/AM

Província Norte

Rezemos pela alma dos falecidos e o conforto de seus familiares e amigos

LADAINHA DE SÃO JOSÉ

Deus Espírito Santo, tende piedade de nós. Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai por nós. São José, rogai por nós.

Ilustre filho de Davi, rogai por nós.

Luz dos Patriarcas, rogai por nós.

Esposo da Mãe de Deus, rogai por nós.

Casto guarda da Virgem, rogai por nós.

Sustentador do Filho de Deus, rogai por nós.

Zeloso defensor de Jesus Cristo, rogai por nós.

Chefe da Sagrada Família, rogai por nós.

José justíssimo, rogai por nós. José castíssimo, rogai por nós.

José prudentíssimo, rogai por nós. José fortíssimo, rogai por nós.

José obedientíssimo, rogai por nós. José fidelíssimo, rogai por nós.

Patrono dos moribundos, rogai por nós. Terror dos demônios, rogai por nós. Protetor da Santa Igreja, rogai por nós.

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, ouvi-nos, Senhor.

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.

V. Ele constituiu-o senhor de sua casa.

R. E fê-lo príncipe de todos os seus bens. Oremos. Ó Deus, que por inefável providência vos dignastes escolher a São José por esposo de vossa Mãe Santíssima; concedei-nos, vo-lo pedimos, que mereçamos ter por intercessor, no que veneramos na terra como protetor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

Amém.

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