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ENS - Carta Mensal 291 - Mail 1993

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1CARTA ;MENSAL


RESUMO • O grande desafio do cristão - e sobretudo do casal cristão - é manter a coerência entre fé e vida. É sobre esta coerência que a ECIR, através de seu casal responsável e de seu conselheiro espiritual, conversa com vocês (pg. 1). E é também de coerência do amor conjugal que o Papa nos fala . (pg. 4) • Fidelidade e infidelidade ... Um tema sempre presente na Pastoral Familiar. Um casal (7) e o Frei Bernardino Leers (8) refletem sobre o assunto. • Reflexões: doPe. Antonio Aqui no sobre a Revelação (12); de um casal, sobre o amor libertador (13) e de uma equipe sobre nossos apegos e desapegos (14). • Uma equipista conta sua experiência de oração, seguindo o ensinamento de Jesus (16). • A homenagem da Carta Mensal ao Dia das Mães começa com uma poesia dedicada por um casal a Maria, nossa Mãe (17) e traz dois textos: um do Pe. Vasconcelos (18) e outro de Carlos Drumond de Andrade (19). • A nossa caminhada com a liturgia da Igreja nos lembra este mês Santa Rita de Cássia (20) . • A palavra de paz de Cristo, neste Pentecostes, acalma os nossos corações (21) • O EDITORIAL do Pe. Olivier, sobre nossa responsabil idade de adultos nas ENS, está na página 22, seguido das Notícias Internacionais do Movimento (24) . • Diversos aspectos da vida do Movimento: uma reflexão sobre o Dever de Sentar-se (26) ; sobre a sustentação de nossa vida conjugal (30); o sentido da correção fraterna (31) e o testemunho de um conselheiro espiritual (32). • Introduzidos por um testemunho de Madre Teresa de Calcutá (33), vários artigos nos falam sobre a presença de Cristo em nossos doentes, e em particular, na palavra da CNBB (34) e na seção Atual idade (35,36), sobre os portadores da AIDS. • Ainda em Atualidade, uma visão sobre a escravidão sexual (37) e outra, num encontro da nossa realidade, sobre a crise econômica e a crise matrimonial que vivemos (38) . • Uma reflexão dirigida por Fr. Odair Firmino nos questiona sobre o tempo que damos a nossos filhos (41 ). • Na esteira da Campanha da Fraternidade, Peter conta a história de um "baianinho" (43). • Algumas 'dicas' para leituras (44) , as Notícias e Informações (45), Intercâmbio (47), uma reflexão na última página sobre o serviço e as sugestões para meditação e oração fecham esta Carta Mensal. Boa Leitura! 'ÇartÍ'tMênsal éumapQ~IIcação mensal das Equipes dêNossa Senhora. i+ Jornalista Responsavêi: Catherine Ellsabeth Nadas (M"'{b 19835). · gdlção: Equipe (,i~ Casais dà C~rta Mensal. Fone: (011) 34-8833. .·.·.·.· .·. (;omposlção/Diagrainação/Fotolitos: CEN Composição Eletrônica Newswork. R. Venãh· ÇJóAyres; 931. FôfiEi; {o11) 263-6433. . . .• ·· \" I. ···· •· •· ·. \ }mpressão .~ Acabami:mto: Edições Loyola, R. 1822, 34?,.gp ne: (011) 914-1922 _., [_i_r.~gem _ ~9Sta ~~~çª~ :::l.8:9_0 ~~~em.plares. =-:-: •• ,:j ·--\~ ~#~:)~:::;::~~~:;.~:~;:;::@:;i#:{:::::i;:~~~"t::;.~;:f::::;:;:;.-}~:~:;:~:;:;:)f{:~~=::;:;;~i::~- .O:•N»:0:~.;-;:::::;:;:~~=~:;~:~~::::::~:-:·:~;-:::::::.;-:-::~~==::::;:;:;:;~{:::~:::;:: -·:-:-:·:-:.;-;.;.;"'.;._

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A RCIR CONVERSA COM VOCtS

VOCÊS AINDA TÊM TEMPO ... Há muitos anos atrás, esteve aqui no Brasil o casal D'Amonville, equipistas franceses que nos marcaram muito quando, olhando para a juventude de nosso país e de muitas das nossas equipes, nos disseram com amargura mas também com esperança:- Vocês ainda têm tempo para transformarem suas vidas e viverem de tal maneira que seus filhos possam acreditar no Evangelho e na felicidade do casamento. Em nossa terra, muitos já deixaram esse tempo passar. Eles referiam-se à profunda sensibilidade da juventude, muitas vezes surda para as palavras, mas por demais aguçada para perceber as incoerências entre aquilo que professamos e o que vivemos; eles nos diziam que ainda tínhamos tempo para aprendermos a pautar cada pensamento, cada ato e gesto pelo Evangelho para que eles, os jovens, pudessem vir a crer. Hoje, não apenas nossos filhos, mas os filhos dos nossos amigos e os amigos de nossos filhos, os nossos companheiros de trabalho, de futebol, de cerveja, nos observam com olhos perscrutadores. Eles querem ver como reagimos diante da violência de nossos dias, diante de todos os ataques à vida, desde aquela abortada antes de

ver a luz até a do Carandirú, passando pela pena de morte, pela fome, pelo desamparo; não ouvem nossos argumentos sociológicos, políticos, econômicos, lógicos, claros, convincentes: eles vêem os muros altos que construímos, os vidros dos carros levantados a cada esquina, a desconfiança, o medo, a angústia. Eles querem ver como reagimos quando nos dizem que resolveram morar juntos porque casamento é só papel ou que vão continuar encontrando-se nos "motéis da vida" porque não há dinheiro para montarem uma casa e manterem a família. Eles querem ver se nos chocamos quando sociólogos afirmam ser a família a estrutura que perpetua o autoritarismo, a concorrência que favorece o capitalismo e a alienação social. Na maioria das vezes eles concluem que agimos como todos, pensamos e defendemos os mesmos interesses e não há em nós nada que sinalize uma vidá diferente - e ai já não nos olham mais. "Porém o que escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhes fora que se lhes pendurasse ao pescoço a mó de um moinho e que os lançassem ao fundo do mar" (Mt 18,6) Mas o Senhor, no seu profundo CM Maio/93 - 1


cialmente no momento da co-participação, a direcionarmos nossa vida pelo Evangelho e com ele nos comprometermos; contamos com o amor e a preocupação do nosso irmão que, querendo a nossa santificação, nos alerta, chama a nossa atenção para todas as incoerências que praticamos quase que automaticamente, quase inconscientemente. Dois textos também nos são oferecidos pela ERI para a preparação do Encontro Internacional em Fátima: um tema de estudos- "Ser Família hoje, na Igreja e no mundo" -que foi elaborado com a participação de equipistas do mundo todo, visando ajudar-nos a compreender a família hoje, seus valores essenciais, aqueles que são fruto do hábito, da cultura e aqueles que são a própria razão de ser da família . O outro texto chama-se "Esquemas para a oração em família" e se destina a nos ajudar com este ponto concreto de esforço que não dispensa orientações, sugestões e até mesmo algumas técnicas para ser melhor vivido. Todo esse tempo, todos esses meios, o Senhor nos dá, E o que ele nos pede? Que compreendamos que somos seus filhos, que tomemos posse de nossa herança- o Reino.

amor, continua a nos dar o tempo, o tempo necessário e os meios próprios para que aprendamos a desenvolver essa coerência entre a fé e a vida, porque ele quer que o mundo conheça o seu amor no amor visível de um homem por uma mulher e de uma mulher por um homem. E mais ... O Senhor nos prepara um tempo especial para que proclamemos essa boa nova que nos confiou : O ano de 1994 é proclamado pela ONU como Ano Internacional da Família. O ano de 1994 viverá a família como tema da Campanha da Fraternidade no Brasil: "E a família, como vai?". O ano de 1994 reunirá em Fátima, Portugal, os equipistas do mundo todo em busca do discernimento da vontade de Deus para a Família Hoje, na Igreja e no Mundo. 1994 será o ano da graça para a família e para ele caminharemos com a disposição de não deixar o tempo passar, mas fazer acontecer a transformação que esperamos. Para que possamos nos preparar e estarmos prontos quando a hora chegar, o Senhor também nos dá o tempo - todo o ano de 1993 e o início de 1994- e o Movimento nos oferece instrumentos adequados: a nossa Reunião de Equipe, ponto alto da vida comunitária que deve nos ajudar, espe-

Beth e Romolo pela ECIR

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CONTINUAR CAMINHANDO Celebramos há poucos dias a festa máxima da Igreja, a Ressurreição de Cristo, e com ela buscamos durante a quaresma , encontrar meios para nos convertermos mais ao Cristo Ressucitado. Neste sentido devemos e podemos contar com o Cristo que se fez Eucaristia e ainda hoje nos convoca "VEM e SEGUE-ME". O nosso Movimento tem um espaço privilegiado para esse seguimento , ou seja, os Pontos Concretos de Esforço, que são para nós um método seguro para configurarmos nossa vida à de Jesus Cristo . Ouvimos falar e refletimos em nossos EACRES , sobre a coerência entre fé e vida; foi -nos apresentado "SER COMUNIDADE" e "COPARTICIPAÇÃO" como instrumentos para conseguirmos atingir essa coerência. Resta-nos agora assumir o compromisso decorrente de nossa fé . Jesus Cristo foi e é coerente até as últimas conseqüências, por que às vezes ficamos temerosos? Se contamos com a força dos Sacra-

mentos (Batismo - Crisma - Eucaristia - Reconciliação e MATRIMÔNIO) por que temer? Na verdade, queridos eqUiplstas, Deus Pai quer-nos participantes de seu plano de felicidade . Abramos nosso coração e nossa mente para, que por meio de nossas ações, revelemos a Boa Notícia de Jesus Ressucitado. Nossa responsabilidade cada vez é maior perante uma sociedade tão injusta , desacreditada e man ipuladora. Empunhemos a bandeira a favor do Matrimônio e da Família, pois é aí que Deus (Jesus Cristo) nos convoca a segui-lo. Esforcemo-nos por viver plenamente a graça de Deus, que tem atuado de forma grandiosa em nossas vidas. Não nos esqueçamos de nosso lema: "Àquele a quem muito se deu , muito será pedido" (Lc 12,48), buscando sempre manter acesa a chama do Pentecostes. Pe . Mário José Filho Pela ECIR

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COERÊNCIA DO AMOR CONJUGAL No dia 11 de dezembro de 1992, o Santo Padre participou na reunião de especialistas em métodos naturais da regulação da fertilidade, reunidos pelo Pontifício Conselho para a Família, aos quais dirigiu palavras de apreço. Eis um trecho do discurso pronunciado por João Paulo 11 naquela ocasião:

No exercício da sua missão de transmitir a vida, os casais sentem-se profundamente atingidos pelas circunstâncias sociais e econômicas. Às vezes, mesmo quando estão abertos de maneira evidente para a vida, os casais sentem-se obrigados a regular os nascimentos, não por qualquer razão egoísta, mas por um objetivo sentido de responsabilidade. As condições de pobreza ou sérios problemas de saúde podem levar um casal a sentir-se despreparado para o dom de uma nova vida. O fato de, em alguns casos, as mulheres considerarem necessário trabalhar fora de casa, comporta uma mudança da percepção do papel da mulher na sociedade, no tempo e na atenção a ser dedicada à vida familiar. Em particular, algumas políticas relativas à família, estabelecidas pelos legisladores, não facili tam os poderes procriativos e educativos dos pais. A Igreja, portanto, reconhece que pode haver motivos objetivos para limitar ou regular os nascimentos, mas ela insiste, em conformidade 4 - CM Maio/93

com a Humanae Vitae, em que os casais hão de ter "motivos sérios" para fazer com que seja lícito renunciar ao uso do matrimônio nos períodos fecundos, quando, por motivos justos, a procriação não é desejável, usando depois dele nos períodos agenésicos, como manifestação de afeto e como salvaguarda da fidelidade mútua (cf. n.

16). A Igreja, que tem o dever de ensinar o plano de Deus para a transmissão da vida, não deixa de amparar casais no período em que devem decidir acerca dos meios a usar para cumprirem as próprias obrigações e responsabilidades. A solicitude pastoral da Igreja procura apoiar os casais e ajudá-los, oferecendo soluções corretas, para que possam agir em conformidade com a dignidade do matrimônio e do amor conjugal. É importante difundir a notícia de que os métodos que a Igreja considera morais e aceitáveis, estão hoje a receber o apoio de confirmações científicas sempre novas. Nos últimos anos a pesquisa cien-


tífica tem sido frutuosa, com resultados significativos em favor de um conhecimento mais preciso acerca dos ritmos da fertilidade feminina. A vossa Conferência propõe-se demonstrar de maneira concreta e ativa que, como a Igreja ensina, "não pode haver contradição verdadeira entre as leis divinas que regem a transmissão da vida e as que favorecem o amor conjugal autêntico" (ibid. 24}. Como foi dito, os interesses da vossa Conferência vão além dos aspectos científicos dos métodos naturais da regulação da fertilidade, até chegar ao estilo de vida, o qual é seu complemento necessário. As experiências demonstram que existe uma estreita relação entre a prática da regulação natural da fertilidade e um estilo de vida fundamentado no respeito recíproco do casal e das exigências éticas da sexualidade · humana. Como escrevi na Fami-· liaris Consortio: "A reflexão teológica pode receber e é chamada a aprofundar a diferença antropológica e ao mesmo tempo moral, que existe entre a contracepção e o recurso aos ritmos temporais: trata-se de uma diferença bastante mais vasta e profunda de quanto habitualmente se possa pensar e que, em última análise envolve duas concepções da pessoa e da sexualidade humana, irredutíveis entre si" (n. 32). A contracepção artificial oferece com frequência uma abordagem utilitarista à sexualidade humana, que facilmente leva à dissociação dos seus aspectos físicos, do pleno contexto

do amor conjugal como compromisso, como fidelidade, como responsabilidade e abertura recíproca ao mistério da vida. Por outro lado, o estilo de vida que resulta da prática da continência periódica leva o casal a aprofundar o seu conhecimento recíproco e a alcançar uma harmonia de corpo, de mente e de espírito que o fortalece e encoraja na sua jornada em comum ao longo da vida. Ele é caracterizado por um diálogo constante e enriquecido pela ternura humana. "Desta maneira", como evidência a Familiaris Consortio, "a sexualidade é respeitada e promovida na sua dimensão verdadeira e plenamente humana, não sendo nunca "usada" como um "objeto" que, dissolvendo a unidade pessoal da alma e do corpo, fere a própria criação de Deus na relação mais íntima entre a natureza e a pessoa" (ibid.}. Devido ao generoso contributo dos cientistas, dos educadores e dos casais, pode-se falar de um momento crucial para a defesa e a promoção da dignidade da vida conjugal. Há uma crescente consciência acerca da verdadeira natureza do amor conjugal, a qual é capaz de criar uma autêntica libertação de tantos abusos do poder, contra as mulheres e a família, quer nos Países industrializados quer - a nível muito superior - nos Países em vias de desenvolvimento. Os resultados dos estudos científicos, a experiência adquirida mediante programas de ensino nas dioceses, em diferentes partes do mundo, em associações e CM Maio/93 - 5


em movimentos, e especialmente o testemunho dos próprios casais, demonstram a validez, as vantagens e o valor ético dos métodos que são fundamentados na continência periódica. Estes métodos, juntamente com o correspondente estilo de vida dos casais, libertamnos dos condicionamentos culturais, econômicos e políticos, impostos por programas de planejamento familiar. Eles libertam a

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pessoa humana, sobretudo as mulheres, do recurso a produtos farmacêuticos e a outras formas de interferência nos processos naturais ligados à transmissão da vida. Foi provado que são praticáveis não só por grupos de elite, mas também por casais em toda parte , inclusive pelos novos povos mais pobres e menos desenvolvidos sob o ponto de vista econômico.


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FIDELIDADE NA FAMÍLIA Na vida do dia a dia as pessoas se movem por interesse material ou seja pela satisfação moral que os atos lhes proporcionam. Podemos dizer também que cada um vive e projeta suas ações a partir de valores que atribui às pessoas e às coisas . Este texto pretende fazer uma reflexão em torno da fidelidade na família. A fidelidade se concretiza nas atividades, no comportamento que as pessoas assumem em suas relações com os outros a partir da certeza de que o outro se constitui num valor. O recíproco agir fiel mostra que se estabeleceu uma confiança mútua, que um é resposta para o outro. Ninguém nasce fiel. Você se mostra fiel, sendo. A fidelidade se constrói a partir de uma relação entre duas pessoas, a partir da aceitação de valores que o outro, como pessoa , representa para mim. Isso transposto para a vida de família nos leva a viver com toda lealdade com as pessoas ligadas a nós por laços de sangue ou por compromissos assumidos pessoalmente . O que sustenta nossa fidelidade é a confiança recíproca. E a confiança é sempre uma relação de mão dupla. Como dizíamos acima, a fidelidade é um comportamento que se

constrói ao longo da vida de relacionamento com os outros. O que favorece esse comportamento é a gente se manter voltado para os valores do outro, cultivá-los. Será que já nos fizemos alguma pergunta parecida com esta: - O que vale o outro para mim? ou: Que valores me atraem no outro? Se não percebemos ou não descobrimos valor ou valores no que conosco partilha a vida, significa que apenas fazemos uso dele, de sua convivência. Podemos até afirmar que o amamos, mas na realidade apenas nos servimos do outro para nos tentar amar. Portanto, a fidelidade no amor cresce e se mantém, na medida em que renovamos o compromisso que assumimos com o outro, porque ele é um valor que sustenta meu viver e dá sentido ao meu agir. A fidelidade é, pois, garantia que cada um de nós tem em razão do que somos para o outro. Ao ser fiel o outro está me dizendo que eu sou para ele uma pessoa necessária. E nós, estamos convencidos de que somos para o outro uma resposta necessária? Jô e Conrado Equipe 1 Bragança Paulista/SP CM Maio/93 - 7


INFIDELIDADE CONJUGA-L Estamos acostumados a ver telenovelas que dão destaque à infidelidade conjugal. Chegamos a aceitar o fato com certa naturalidade. Como a moral cristã encara hoje o fenômeno da infidelidade conjugal e qual a orientação para os casais que vivem esse problema?

Marília Costa São Paulo - SP O verdadeiro problema não está na infidelidade conjugal em si, mas em como os cristãos podem se manter fiéis e perseverar em seu convívio conjugal na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Atualmente, como a senhora bem observou, multiplicam-se, com força cada vez maior, as pressões para se fazer o contrário. Nas novelas, a relação triangular - um homem com duas mulheres ou vice-versa - é um meio fácil para tornar a trama mais picante e aumentar pontos no lbope. Muita gente sente prazer em ver pecados e senvergonhices que não tem coragem de cometer. Mas seria injusto jogar a culpa só nos meios de comunicação social. Se fosse assim, o conselho certo seria simplesmente desligar a televisão - embora esse gesto seja, muitas vezes, uma bênção para a higiene mental do povo. Na história cultural do Brasil, o machismo significou o domínio do homem patriarca sobre a mulher, filhos, escravos, propriedades, com um papel preponderante, quase exclusivo, na vida política, econômica . e jurídica do País. Nesse contexto,

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era frequente a infidelidade matrimonial. O sociólogo Gilberto Freire comenta que marcas da sífilis adquiridas em bordéis eram motivo de orgulho para os homens, apesar de a doença encurtar suas vidas e contaminar suas esposas e filhos, condenando-os a deficiências físicas e mentais. Geralmente a mulher casada tinha de aceitar calada os desvios do marido, porque ela e os seus filhos dependiam em tudo dele. Como as esposas conseguiam aguentar tais infidelidades e suas conseqüências até para a própria saúde? A religiosidade, a devoção a Nossa Senhora das Dores etc. Serviam de consolo e amparo. Na educação feminina tradicional , a submissão era peça central , embora muitas mulheres tivessem bastante pulso para segurar seu maridinho mais ou menos no caminho certo. O que está mudando nos tempos atuais? As mulheres se emancipam de seu mundo fechado de casa, cama, cozinha, compras e crianças e querem com razão participar das decisões na família, da construção da sociedade e da vida


pública. Ingressam no mundo do trabalho assalariado, querem seu dinheiro, sua independência. Mas um processo de libertação nunca é apenas de luz e de sucesso: normalmente, vem acompanhado também por sombras. A infidelidade conjugal hoje não é mais um quase monopólio dos homens , embora em geral as adúlteras sofram maior discriminação na sociedade e acabam sendo abandonadas pelos maridos. Persiste a concepção de que só o homem é que pode trair. Mas as mulheres também querem se igualar aos homens nesse aspecto. Não é um bom exemplo a ser seguido, pois significa copiar os aspectos negativos do comportamento masculino. Diante da infidelidade matrimonial, hoje mais tolerada , qual deve ser a atitude dos cristãos? A prática de Jesus e das primeiras comunidades cristãs pode fornecer uma boa orientação, porque no contexto judaico, e mais ainda no mundo romano-helenístico daquele tempo , infidelidade conjugal , divórcio e recasamento eram mais do que conhecidos: eram muito praticados. O próprio Jesus foi colocado diante do problema. Confrontado com as práticas comuns de seus tempo , Jesus não hesitou em conduzi-las à dureza do coração dos homens e em reafirmar o projeto original de Deus, que seus contemporâneos conheciam através dos primeiros livros da Bíblia. No casamento, o homem e a mulher deixarão seus pais, se unirão mutuamente e os dois formarão uma só carne. Essa determinação parecia tão dura e exigente, que os próprios discípulos de Jesus ficavam desanimados. Então era melhor não casar, pois, uma vez casados , não haveria mais jeito de se libertar.

Mesmo diante da reação dos discípulos, Jesus não abandonou a exigência da fidelidade dos cônjuges até que a morte os separe, conforme rezava a liturgia do casamento. O projeto de Deus é severo e não dá para facilitar, porque a própria vida não é uma brincadeira inconsequente . Ele confirma claramente o "sim" radical da fidelidade conjugal sem exceções ou escapadas. Jesus disse que até o olhar de cobiça para outra mulher, outro homem, já é cometer o adultério no coração. O cristão que assume na fé o projeto conjugal de Deus contatambém com a força de Deus, sua graça de perseverança, apesar dos sacrifícios que a prática da fidelidade impõe na vida a dois. Porque Deus é o primeiro que nos ama- e não nos impõe projetos de vida sem dar-nos as condições para realizá-los em liberdade. Nada de arrogância ou falsa segurança, porém , pois qualquer um que está de pé é capaz de cair na primeira tentação. Fidelidade se torna passo a passo. Somente quem constrói seu casamento na rocha , que é Cristo Jesus, aguenta 'chuvas e tempestades - e a casa continua firme . Casamento não é uma simples imposição da Igreja. Na celebração que confirma publicamente sua união, o casal entra no grande campo energético do mistério do amor que vive entre Cristo e a Igreja, que somos todos nós. Sabemos, todavia, que levamos também essa confiança em Deus em vaso de barro. E por isso a carta aos Efésios nos dá o conselho de revestirmos-nos com a armadura de Deus para lutar contra as forças tenebrosas da sedução que operam em nosso mundo. Em relação às exigências do amor fiel e às tentações do mundo CM Maio/93 - 9


moderno, muitos casais não são suficientemente maduros para assumir um compromisso de vida a dois para sempre. Seu amor não tem mais raízes do que a semente que caiu no solo pedregoso da parábola de Jesus. Na primeira tribúlação ou conflito, o casamento vira um sufoco e lentamente se esvazia, se não se quebra de uma vez por todas. O caminho para a infidelidade estará aberto se, no decorrer dos anos, a vida a dois não se tornar uma escola dinâmica de amor, since ridade e confiança mútua. Sem essa vitalidade, o casamento corre o risco de se tornar uma rotina de casa , cama e mesa- uma árvore morta na estrada da vida. Ao lado da radicalidade evangélica da fidelidade conjugal , convém lembrar outra história. Já dissemos que o adultério era comum na época de Jesus. No Evangelho de João (capítulo 8, versículos 3 a 11 ), quando Cristo perdoa a mulher adúltera, o homem não aparece . Assim é o machismo. Os fariseus escolheram uma mulher para apresentá-la a Jesus. E é importante ressaltar a reação dele através de dois gestos. Primeiro ele limpou a área. Deixou todo mundo passa r vergonha . "Quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra." Nesse campo da vida particular de cada um , ninguém tem o direito de julgar ou condenar, pois a infidelidade não é uma questão para se tratar em público. Depois, quando Jesus ficou a sós com ela, não mostrou interesse em saber o que tinha acontecido. Falou apenas: "Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar". Diante da infidelidade do(a) companheiro(a) , um cristão deve perdoar quantas vezes? Uma?

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Duas? Sete? A resposta de Jesus: 70 vezes sete. Como? Isso me faz lembrar uma história que ouvi. Uma mulher com filhos pequenos foi abandonada pelo marido, que foi morar com a amante . A esposa passou muitas dificuldades para criar os fi lhos. Um dia o marido caiu doente e foi abandonado pela amante. E, contra a resistência inicial dos filhos, a esposa acolheu o marido em casa. Cuidou dele até a morte. Explicação da mulher: "Era meu marido" . O perdão é possível. Quanto ao perdão, vale lembrar outra palavra de Jesus: "Converteivos e confiai no evangelho". Pois até o perdão de Deus não terá validade , se o pecador endurecer o coração e não aceitar a graça da conversão. Nós chamamos Deus de Pai de misericórdia, mas também ele está limitado pela liberdade que concedeu a nós, seus filhos. Se o infiel não quer, a vontade de trazê-lo de volta pelo perdão cai como semente em pedra que não pega. Juridicamente , o infiel perde seus direitos de cônjuge e abre a porta para a separação. Na caminhada de acertos e erros dos casais cristãos, a consciência moral se encontra entre três pólos: o projeto permanente da fidelidade conjugal , baseada na confiança em Deus e no companheiro; o perdão da parte fiel, conforme o "Pai Nosso" (perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tem ofendido); e a conversão sincera, às vezes mútua, que leva a uma reformulação do relacionamento entre o marido e a mulher, para começarem uma vida nova. Frei Bernardino Leers {da revista "Família Cristã")


A CRIANÇA, O ADOLESCENTE E A FAMÍLIA O Art. 227 de nossa Carta Magna diz: "É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária ... " A Lei 8069, conhecida como o Estatuto da Criança e do Adolescente, regulamenta criteriosamente a matéria. A Pastoral Familiar, dada a importância das lideranças profissionais da área jurídica na efetivação destas medidas, buscou lideranças nacionais capazes de transmitir experiências e informações relativas aos temas polêmicos aos juízes, procuradores de justiça, advogados, policiais e membros dos Conselhos Municipais e Tutelares dos Estados de Minas e Espírito Santo em Simpósio realizado na PUC de Belo Horizonte. A abertura foi realizada por O. Serafim Fernandes de Araújo, arcebispo de Belo Horizonte. As sessões contemplaram temas como a Adoção Internacional,

a Legislação sobre o Aborto, Procedimentos de Apuração de Infração Penal atribuídas às Crianças e Adolescentes e Conselhos Municipais de Defesa de Crianças e Adolescentes. Participaram do evento personalidades como: O. Luciano Mendes de Almeida, Dr. Aristides Junqueira Alvarenga (Procurador Geral de República), Dr. Paulo Sotero (Presidente da LBA), Dr. Antonio Carlos Gomes da Costa (Presidente do Centro Brasileiro para a Infância e Adolescência) e outros. A sessão de encerramento foi presidida por O. Serafim Fernandes de Araújo, que provocou uma avaliação pelos presentes do encontro e o encerrou com uma oração de ação de graças. Pela atualidade dos temas e pelas personalidades reunidas para debatê-las podemos avaliar a importância deste simpósio. Mais detalhes poderão ser obtidos com Astrid e José Souza Ribeiro, CRR da Região Minas Gerais {Te/: 032- 211-1282).

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REVELAÇÃO O Criador, para se comunicar aos homens, reduziu-se à dimensão humana, falando a língua dos homens aos patriarcas e profetas, em línguas e dialetos, mas sobretudo vivendo em Jesus a condição humana mais particularizada e efêmera, como todos os homens. A revelação divina é muito mais que a simples consciência, muito mais que tudo alcançado pela reflexão humana e a pesquisa e tudo o que foi acervado através dos séculos pelo esforço humano . Deus oferece ao homem , de forma extraordinária e permanente, a luz para que ele possa se conduzir. É o que chamamos de revelação. Lendo as Escrituras com o olhar retrospectivo do Senhor ressuscitado e vivo no meio de nós, entendemos muito melhor o que está escrito. Sem o olhar que parte do Senhor ressuscitado tudo parece um mito, e tod a a história maravilhosa de seus milagres e de sua vida se esvaziaria por completo. Os livros sapienciais falam da sabedoria, dão enorme satisfação quando sintonizamos com eles. Entendemos os livros sapienciais quando percebemos que é de Jesus que falam, ele é a sabedoria, não do mundo, mas do Pai. Há muitas outras manifestações do Senhor, mas nenhuma se compara à que nos vem da fé e culmina em Jesus Cristo nosso Senhor. Mesmo para nós que não "come12 - CM Maio/93

mos e bebemos com Ele depois que ressuscitou dentre os mortos" (lembrando a experiência pessoal de Simão Pedro, o apóstolo). A fé nos revela a nós mesmos o mundo e sobretudo os desígnios de Deus, misteriosos e ocultos. Aliás , observando bem, percebemos que vivemos na luz sem ver o sol, as nuvens o encobrem ou dele desviamos sistematicamente os olhos. Também o ar que passa vibra as narinas , mas não o vemos. O ar mesmo nunca se deixa ver. E como querer ver os mistérios de Deus? A luz do dia não vem da vela, nem da faísca, nem do fósforo nem da trovoada, e no entanto existe e transforma nossa visão de mundo, e a satisfação de nele viver. A sabedoria por excelência é dom de Deus, o Verbo ou Palavra de Deus que se fez homem e habitou no meio de nós. Ela também se manifesta na natureza, o un iverso que acolhe, a flor do campo, a criança que pergunta, os acontecimentos que assustam, os conselhos não solicitados que chegam na hora certa através dos amigos e até dos inimigos gratuitos. Tudo revela a Presença que se esconde. Pe. Antonio Aquino (em "Tudo Começa e Acaba na Esperança")


O AMOR. LIBERTA Ama e faze o que quiseres disse Santo Agostinho. O amor liberta. Quando a sua mente e o seu coração estiverem cheios de amor, tudo o que você pensar e fizer, será só amor e, então, uma luz do irada de amor se irradiará de você para toda a humanidade . A liberdade, portanto, não mata o amor, mas o faz atingir as maiores culminâncias.

"Ama e faze o que quiseres" , pois sempre quererá , infalivelmente, só as boas coisas da vida, e estas lhes são devidas por direito inato. O amor é a maior fonte geradora de energias . O amor cura as doenças e restabelece a harmonia e o equilíbrio na sua mente , no seu coração, no seu organismo . Quando você ama, fará o que quiser, porque todos os obstáculos desmoronarão . Conseguirá superar montanhas intransponíveis, conseguirá vencer dores e

doenças mortais, conseguirá unir as forças estraçalhadas, conseguirá pôr fim às guerras, aos homicídios, às vinganças. O amor fará você alcançar o céu aqui na terra.

Sempre que o seu coração estiver florido de amor; sempre que o seu coração estiver gerando amor como uma milagrosa máquina divina, sua vida será agradável e abençoada. Você terá saúde, porque estará em paz consigo mesmo e com os outros. E o mundo será um paraíso para você, pois toda vez que você vê o mundo com os olhos iluminados do coração , o mundo se torna uma paraíso. Viva a vida. Sinta a vida. Respire a vida. Com amor. Pelo amor. Por amor. E você terá o céu dentro de si. E fora de si . Rosana e Carlos Eduardo Equipe 8 Araraquara/SP

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IDOLATRIA "Vou mandar cortar uma árvore. Com a madeira vou fazer a minha casa. Colocar portas e janelas, assoalhar, fazer os móveis e também queimar uma porção para preparar meu alimento e aquecer-me no inverno. Com a sobra vou contruir uma imagem. Quero uma imagem bem bonita; vou talhá-la com o maior cuidado e amor, pintá-la e adorá-/a. Para tal vou reservar, dentro de minha casa, o melhor local. Vou, se preciso, mandar cortar outras árvores para contruir um oratório e manter acesa uma chama permanente em sinal de minha devoção e subserviência". O texto de !saias (cap. 44, 9-23) que inspirou a reflexão, está nos lembrando que da sobra nasceu a imagem. E da imagem a idolatria. Na revista "Vida Pastoral", maio de 92, o assunto é desenvolvido em profundidade pelo Padre Ivo Storniolo. Como tema de estudo, nossa equipe fez grandes descobertas: cultuamos muitos ídolos em nossa casa! O ídolo sempre acaba nos escravizando. Ao invés de valorizarmos o principal , prestigiamos a sobra, que passa a ser um ídolo que nos escraviza. Veja-se bem : ganhar e ter dinheiro para uma vida digna e confortável não é idolatria. Idolatria é ficar prisioneiro das aplicações financeiras , dos CDBs, da caderneta de poupança, das ações, do ouro, do dólar. Sacrificar férias e saúde, retardar pagamentos de outros (e que lhes fazem falta!) numa caça desvairada de maiores redimentos, perder opor14 - CM Maio/93

tunidade de fazer e encontrar amizades, são atestados alarmantes de que o dinheiro se tornou um ídolo em nossa casa. A escravidão pela caderneta de poupança leva certas pessoas a "torcer" para que a inflação do mês seja alta, para que a taxa de rendimento seja maior.. . Mas idolatria é também restrigir - de modo doentio - o uso de um objeto, não permitido que ele proporcione o benefício ou o prazer para o qual foi criado. Certo indivíduo comprou um belo carro importado, 50 mil dólares , lindo , verdadeira jóia. Só que um dos empregados da empresa perdeu sua vaga no estacionamento, porque o carrão importado precisa ocupar duas vagas, a fim de afastar riscos de "barbeiragem" dos outros. E mais: o carro não serve para uso do dia a dia no trânsito de São Paulo, e fica todo o tempo estacionado- sendo apenas admirado e ... idolatrado. Este carro está sobrando. Não serve como condução. É um ídolo.


que o ídolo faz! Gente, vamos estar atentos. S.6 a Deus é que devemos adorar. Afinal, dinheiro e bens materiais devem ser postos a serviço da vida - e não o contrário.

Outro adquiriu uma filmadora que fica o tempo todo na caixa. O filho do casal, adolescente, não tem permissão de usá-la, pois "gasta fita em bobagens e ainda pode quebrar a máquina" . Essa filmadora é um ídolo em casa. Está sobrando. Não tem utilidade para a família, e ainda é motivo de brigas e desentendimentos. É isso o

Equipe 12- D São Paulo/SP

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A REALIDADE É QUE CONVOCA A SANTIDADE Vamos falar da realidade FAMÍLIA. Como diz João Paulo 11, "amar a família significa saber estimar os seus valores e possibilidades promovendo-os sempre. Amar a família significa descobrir os males e perigos que a ameaçam, para poder superá-los. Amar a família significa empenhar-se em criar ambiente favorável ao seu desenvolvimento e devolver-lhe a confiança em si mesma". Viver esta realidade é um meio de santificação e salvação. Criar filhos dando-lhes amor, educação, saúde, formação moral, religião, apoio financeiro, aconselhando-os nas suas diversas etapas da vida, muitas vezes difíceis, é um verdadeiro apostolado. A vivência quotidiana de marido e mulher, com amor, respeito e compreensão, devolvendo-lhe sempre a confiança mútua, é o verdadeiro caminho da santidade. Gildete e José Walter Equipe 1 Salvador/BA

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JESUS NOS ENSINA A ORAR! Ah, que riqueza tão grande é a Palavra de Deus! E fel izes, muito felizes somos nós que assumimos o compromisso de saboreá-la diariamente! Graças sejam dadas a Deus por isso! Tenho aprendido incontáveis coisas a respeito de Deus e de Suas coisas desde 1979, quando me comprometi prá valer a não deixar passar nenhum dia sem ler a Palavra de Deus (e Ele me tem dado força para perseverar desde então!) . Uma das coisas que aprendi , é que nossos pensamentos não são os de Deus, e que nosso modo de agir difere muito do d' Eie (conforme

Isaías 55,8), mas que, pela assídua leitura e meditação da Bíblia, aos poucos nosso ser vai sendo moldado cada vez mais fiel à imagem d' Aquele que nos criou e nos resgatou para a vida. E hoje, eu queria colocar em comum um dos ensinamentos que tive , muito forte , a respeito da ORAÇÃO, quando lia e meditava o capítulo 18 do Evangelho de São Lucas. Para facilitar, divid irei em tópicos as reflexões e descobertas que fiz na oração: o próprio Jesus me ensinando a rezar! (seria interessante que se lesse o capítu lo antes para aproveitar as dicas)

Dicas para oração. segundo Jesus: 1ª) Orar sempre, sem jamais deixar de fazê-lo. (cf. v. 1) 2ª) Ter a certeza de que Deus fará justiça. {cf. v. 7) 3ª) Ter atitude humi lde, reconhecer-se pecador. {cf. v. 9, 13 e 14) 4ª) Ter um coração de criança . {cf. v. 16) 5ª) Reconhecer Jesus como Deus, Senhor e Salvador. (cf. v. 19) 6ª) Viver os mandamentos. (cf. v. 20) 7ª) Ter o coração desapegado das coisas. (cf. v. 22) 8ª) Crer que Deus é o Deus do impossível. {cf. v. 27) 9ª) Pedir misericórdia insistentemente . (cf. v. 38 e 39) 1Oª) Pedir ao Senhor nossa necessidade mais profunda. (cf. v. 41) 11 ª) Perseverança com louvor. (cf. v. 43) 12ª) Perguntar ao Senhor e saber depois ouví-lo. (cf. v. 18) Essas dicas têm me ajudado na vida de oração, pois são novas atitudes que devemos ter em nossos momentos de intimidade com o Senhor. Por isso estou partilhando, na esperança de que, como é Palavra de Deus, ajude também a outros irmãos equipistas.

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Que o Espírito Santo atue em nossos corações, para sempre nos revelar a vontade e a Palavra de Deus! Assim seja! Maria Teresa (do Valdison) Equipe 12 SãoJosédosCampo~SP


MÃE DE CRISTO Num lugarejo da antiga Galiléia Uma pequena cidade de nome Nazaré Uma virgem, simples e pura Junto ao carpinteiro José E um anjo chegando-se a ela Na mais linda emoção Lhe deu a grande notícia: Fez transbordar seu coração A jovem ficou ansiosa Mas sabia, não tinha perigo Salve cheia de graça O Senhor agora é contigo Ela então ficou sabendo Que dela nasceria a vida Bendita és tu entre as mulheres Por ter sido a escolhida. Sabe que terás um filho O nome dele será Jesus Ele não terá tanto brilho mas será a própria luz A jovem muito agraciada Com a alma cheia de alegria Entre tantas mulheres A Mãe de Cristo era Maria. O Poderoso fez em mim maravilhas E santo é seu nome. Miriam e Clovis Equipe 15 São José do Rio Preto/SP

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HOMENAGEM À MINHA MÃE Minha mãe! O que há de mais contra mim, o que há de mais em seu favor, é que, ao chegar-me este dia, não sei bem o que dizerlhe. A senhora tanto faz por mim, faz tão bem, tão escondidamente, com tanta humildade que me esqueço de enumerar, esqueço de lembrar-me. Parece-me tudo tão natural, tão "obrigatório", tão do seu jeito santo de mãe! Assim, como nunca me lembro de agradecer a luz, que me faz enxergar as coisas; o sal que me faz gostosa a comida; o ar, que me entra nos pulmões, até quando estou dormindo. Sua data me pega desprevenido. Porque a senhora bem sabe: a vida distrai a gente, confunde tudo, afoba, desorienta. A faca de pão, pego nela sirvo-me dela e depois .. . deixo. O mesmo se dá com meu chinelo velho . Com a maçaneta da porta de entrada. Coma as duas mãos que tanto falam, quando falo. Assim é com a sua pessoa sagrada. Vou pela vida afora, usando, como objeto de casa, todo o seu impenitente amor de mãe. Enquanto tenho não ligo, não me apercebo. Como só se a desgraça tivesse o dom de

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me chamar a atenção. Como só se a morte, na hora em que me rouba, me recorda o que tinha e que valia tanto. Na data anual da sua pessoa, escolhida como memória do seu amor de mãe , deixa-me ter vergonha, aquela atrasada vergonha de aluno, repetente , de amigo omisso, de filho ingrato. Neste dia, sinto que o presente ofende, todo presente se ausenta, nada fala; muito longe do meio mundo que lhe devemos. Deixa-me ir às flores, pedindo-lhes que falem por mim. Porque as flores tem vozes, assim como tem rostos; tem recados, assim como tem perfumes. Falem as flores no lugar na minha baldia oratória de arrependido. Falem, digam muito , digam tudo . É que sua alma, mãe, tem tanta semelhança com as flores que vejo, todos os dias e, o dia todo, largo e desprezo. Que estas belezas plantadas no chão, sejam as oradoras oficiais neste dia grande do coração. Aceite minhas flores de filho . São suas, mãe, porque, infelizmente, dos espinhos me encarrego "eu". (extraído do livro Poemas para Viver do Pe. Vasconcelos) Colaboração de Denirce e Waldir Equipe 4 - Assis/SP


MÃE PARA SEMPRE Carlos Drummond de Andrade Por que Deus permite Que as mães vão se embora? Mãe não tem limite, É tempo sem hora, Luz que não se apaga Quando sopra o vento E a chuva desaba, Veludo escondido, Na pele enrugada, Água pura, ar puro, Puro pensamento, Morrer acontece E o que é breve passa Sem deixar vestígio Mãe pura de graça É eternidade Porque Deus se lembra - mistério profundo De tê-la um dia Fosse eu rei do mundo Baixava uma lei: Mãe ficará sempre Junto de seu filho E ele, velho embora Com a mãe do lado, Será pequenino Como um grão de milho. (Reproduzido de O DISCÍPULO)

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OS CAMINIIOS lJA SANT/lJAlJf .· SANTA RITA DE CÁSSIA "Santa Rita dos impossíveis" • 1377, Roccaporena, Úmbria, Itália + 1457, Cascia, Úmbria, Itália Festa: 22 de maio

Santa Rita nasceu em Cascia (ou Cássia, em poturguês), na Úmbria, e desde cedo manifestou desejo de tornar-se freira, mas, filha única de pais idosos, em obediência aceitou um casamento de interesse com o jovem Paulo Ferdinando. Ele, que inicialmente aparentava boa índole, mostrouse um marido infiel de caráter violento. Rita viveu com ele 18 anos e teve gêmeos. Ela sofria, rezava, oferecia seu sofrimento para a conversão do marido. A mansidão, a paciência inalterável de Rita o levaram finalmente a uma conversão sincera. Todavia, aconteceu o que ela não desejava: Paulo Ferdinando foi assassinado. Os filhos, ainda jovens, planejavam uma vigança, mas morreram antes que a pudessem realizar. Só Deus sabe o quanto sofreu esta esposa e mãe, mas também isto firmou sua fé, exercitou sua paciência heróica. Viúva e sem filhos ela tentou entrar no Convento Agostiniano de Cascia, mas não era permitido senão a virgens o ingresso. Rita voltou-se de novo a suas devoções especiais à Virgem Maria, a São João Batista e Santo Agosti20 - CM Maio/93

nho, e, de forma milagrosa, mais uma vez conseguiu o impossível: a superiora depois de muito relutar admitiu-a na Ordem . No claustro, viveu vida de intensa oração e mortificação. Sobre sua fronte surgiram feridas como as provocadas por uma coroa de espinhos, que permaneceram os últimos 15 anos de sua vida. Ela se dedicava ainda ao cuidado das freiras idosas e ao aconselhamento dos pecadores. Morreu de tuberculose em Cascia, dia 22 de maio de 1457, no Convento de Santa Maria Madalena. Seu corpo permaneceu incorrupto e ainda hoje pode ser venerado em uma tumba especialmente construída. No mesmo local está exposto um documento de 1457 em que o Bispo autoriza seu culto. Foi beatificada em 1626 e canonizada em 1900. É cultuada principalmente na Itália, Espanha, França, América do Sul , Filipinas e Estados Unidos. É a padroeira das causas impossíveis, especialmente das dificuldades conjugais. Sua festa é no dia 22 de maio (aniversário de sua morte) .


A PAZ ESTEJA COM VOCÊS "A Paz esteja com vocês, assim também como meu Pai me enviou, eu os envio" (Jo 20} .

Jesus oferece a Paz que acalma os corações, a Paz que lhes faz perder o medo dos inimigos, a Paz que é alegria da alma, a Paz interior e exterior, o maior bem que podemos desejar neste mundo. Esta é saudação preferida de Jesus. Ele veio ao mundo para nos dar a Paz. E isto Ele sempre proprociona às almas com Sua presença. Quando Jesus visita uma alma, mesmo que seja através de perturbações, enfermidades e dor, sempre a saúda com estas palavras: "A Paz esteja com você!' E a palavra de Cristo, por ser palavra de Deus, sempre faz o que

diz e produz a Paz, em meio às maiores aflições. No dia de Pentecostes, Jesus deu a seus apóstolos o Espírito Santo, ou seja, a graça necessária para cumprirem fielmente a missão que receberam: transmitir a todos a Paz. Resta a cada cristão assumir a sua parte: levar a Paz onde quer que ande, pois quando temos no coração a Paz de Cristo, todas as nossas atitudes são serenas e perdoamos aos nossos irmãos, quando ofendidos. Caros irmãos, que a Paz de Cristo esteja com vocês! Deise e Lucio Equipe 69- C Rio 111

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EDITORIAL ADULTOS RESPONSÁVEIS

Recordo-me que logo depois do Concílio, um casal veio procurarme; um casal que, como era o hábito na época, buscava assiduamente a opinião de um padre para resolver seus problemas . Na verdade, eram sobretudo as mulheres que praticavam essa busca com obstinação. Conheci mais de uma que corriam todos os confessores da cidade até encontrarem algum que aprovasse o que elas tinham decidido. Consi derava-se que precisava ter ern tudo a garantia de um membro do clero, do confessor, do «diretor de con sciência», não tanto para ter um maior esclarecimento, mas para se cobrir ... O tal casal veio expor-me seu problema, pedindo que eu o resolvesse para eles, que o resolvesse por eles. Como eu chegava do Concílio, estava cheio de entusiasmo por uma das principais conquistas do Vaticano 11 : reconhecia-se, da forma mais explícita, os cristãos leigos como membros de parte inteira na Igreja e não mais como simples crianças menores de idade . Tentei comunicar este meu entusiasmo aos meus interlocutores. "Vocês, agora, tornaram-se adultos. Cabe-lhes julgar, discernir, tomar decisões responsáveis ... Posso ajudá-los a terem uma vi22 - CM Maio/93

são mais clara, mas não posso decidir em seu lugar. Ninguém pode substituir a consciência de vocês." Percebi no rosto deles um verdadeiro espanto, uma espécie de pânico .. . Eles estavam acostumados a entregarem-se ao julgamento de outrem e não é que agora estavam sendo remetidos à sua própria consciência! Mas eu também entendi, na hora, que não se pode dar um tal salto sem estar preparado. Só se pode julgar segundo a própria consciência, quando se aprendeu a fazer esse tipo de julgamento, quando se aprendeu a esclarecer e a formar a consciência. Para poder comportar-se como adultos responsáveis, é preciso que nos sintamos prontos para tal. Não se passa de um estado "infantil" a um estado adulto por um simples toque de varinha de condão. Foi por esta razão que a abertura do Concílio me convenceu de que um dos deveres mais urgentes do clero era o de ajudar os leigos a formarem para si uma consciência adulta. Primeiro, fazendo-os compreender que a consciência - e muitos bispos, hoje, insistem cada vez mais sobre este ponto - é a última instância de nossas decisões e que nada nem ninguém podem


substituí-la. Mas ao mesmo tempo, que a consciência é a instância mais exigente e que só pode pronunciar-se se estiver suficientemente informada e formada , suficientemente instruída e reta . Porque existe ainda uma idéia muito difundida de que a consciência é algo de extremamente flexível , elástico e que pode facilmente ser moldado conforme o que se deseja ... Um dia, numa palestra sobre o tema "Pode-se fraudar o fisco?" , perante um auditório um tanto irrequieto, eu tinha tentado explicar os deveres que implica uma justiça social. Quando, em conclusão, eu disse que finalmente , o juí zo cabe à consciência, ouvi um enorme suspiro de alívio subir da platéia ... Diziam , da forma mais cl ara possível : se for uma questão de consciência, então estamos tranqüilos! Comportar-se como adultos responsáveis é, portanto, julgar conforme a consciência, uma consciência esclarecida e formada. É neste ponto que intervém mais particularmente o ensinamento do Magistério: não assume o lugar da consciência, esclarecea e dirige-a. O Movimento das Equipes de Nossa Senhora situou-se, desde o

início, na linha que iria ser a do Concílio, ao querer que as equipes fossem colocadas sob a responsabilidade direta dos leigos e não do clero. Para um movimento de espiritualidade, era bastante surpreendente! Entretanto, eu me pergunto se fomos sempre suficientemente atentos a esta qualidade de "adultos responsáveis". Será que não consideramos ainda, com muita freqüência, os casais como crianças? Aliás, é assim que São Paulo tratava os primeiros cristãos : " como crianças em Cristo; dei-vos a beber leite, não alimento sólido, pois não o podíeis suportar» (1 Cor 3, 1-2). Fico pensando se muitas equipe s não estariam por demais acostumadas a receber- e a pedir - uma tarefa toda mastigada, alimentos bem preparados ... Enquanto outras são tentadas a livrar-se de qualquer regra, a afirmar seu espírito de independência. Como sempre, é a justa medida que é a mais difícil. Sob o impulso da Segunda Inspiração, procuremos fazer de nosso Movimento um grande corpo eclesial de adultos responsáveis. Frei Bernard Olivier, op

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1 :; ~ ,

,NorícüS INTERNÁciÜNÀiS

CELEBRAÇÃO DO ANO INTERNACIONAL DA FAMÍLIA (1994) O Pontifício Conselho para a Família, em sua última reunião, em janeiro de 1993, propôs a todos os movimentos, associações, dioceses e famílias cristãs, convocar um Congresso Mundial das Famílias em Roma, em junho de 1994, para assim celebrar o Ano Internacional da Família. Ora, como vocês sabem, nosso Movimento está organizando seu próximo Encontro Internacional em Fátima, em julho de 1994. Esses encontros internacionais ocorrem a cada seis anos: depois de Lourdes em 1988, o seguinte já de longa data estava previsto para 1994. Estamos prevendo a participação de aproximadamente 9.000 pessoas, entre as quais uns mil jovens, porque queremos associar a este encontro os nossos filhos maiores. Escolhemos o mês de julho para que um grande número de equipistas, ligados ao ensino, pudessem participar. A preparação vem sendo feita há mais de um ano .. . E para melhor unir-nos à reflexão da Igreja, neste "Ano Internacional da Família", o tema escolhido para o encontro e para a sua preparação é: "Ser Família Hoje, na Igreja e no Mundo". Estamos, portanto, diante de um problema: o Congresso Mundial de Roma, que acaba de ser convocado, ocorrerá em data muito próxima da do Encontro Internacional das Equipes de Nossa Senhora em Fátima. Essa coincidência terá inevitavelmente como conseqüência que os membros das Equipes de Nossa Senhora não poderão participar ma24 - CM Maio/93

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ciçamente do Congresso de Roma. Os casais das Equipes da Itália, e mais especificamente os de Roma, terão mais facilidade, em função de sua proximidade. Naturalmente, todos os membros das Equipes poderão dar a sua colaboração pontual e temos a certeza de o farão, sobretudo através dos organismos de Pastoral Familiar dos quais muitos participam . Tudo isto evidentemente não significa que queiramos nos isolar ou que não tenhamos interesse no assunto. Bem ao contrário, já lançamos uma grande iniciativa sobre o tema da família, que culminará em Fátima. O que importa é que o maior número de famílias sejam motivadas e dêem a sua adesão à proposta da Igreja, por ocasião do Ano Internacional da Família. Desejamos deixar vocês informados o mais logo possível, para que assim vocês possam dar respostas àqueles que eventualmente os questionem sobre o assunto. Álvaro e Mercedes Gomez-Ferrer

PROJETO EVANGELIZAÇÃO DA SEXUALIDADE O trabalho de apuração das sínteses continua.. . Documentos em atraso ainda estão chegando às nossas mãos. Sem dúvida, o mais difícil será de não perder a substância das respostas que, muitas vezes, são riquíssimas. Não será possível publicar tudo: será preciso fazer uma seleção, um escolha. E escolher sempre significa renunciar.:. No documento final, ao mesmo tempo em que indicar-se-á as grandes linhas da reflexão e as convergên-


cias e divergências, quando existem (e existem!), a palavra será deixada o mais possível aos equipistas, para que falem diretamente, em seu próprio estilo. Felizmente, além das sínteses feitas ao nível das regiões - que forçosamente são muito "redutoras" como também, aliás, muito desiguais - temos também as respostas das equipes, entre as quais é possível haurir com abundância. Eis, como já é costume, um testemunho, referente , desta vez, à Pista nº 1. Aceitação do sexo Sempre tive dificuldade para me aceitar. Anedotas . Guardo uma lembrança muito nítida da minha infância quando, para chatear meu irmão menor, eu lhe dizia: "Quando eu for grande, serei papai!" Na época, já sentia minha mãe menos sólida que meu pai e eu o admirava tremendamente. Mais tarde, já moça, convivia mal com o desconforto das menstruações. Os rapazes não ficam "indispostos" uma vez por mês! Vejo-me diante do espelho, imaginando como eu seria se fosse rapaz e fazendo-me um bigode com a ponta dos cabelos! Quando Mamãe esperava seu quinto filho, teve uma depressão. Chorava muito e eu não entendi nada: pensava que ela estivesse fingindo para que eu fizesse as vontades dela. Eu tinha 16 anos. Quando tive meu primeiro filho, senti-me mais próxima dela. Mas logo senti também a necessidade de ser diferente dela. Tinha lem-

branças de seus gritos e de suas raivas e não queria que meus filhos tivessem de mim a mesma imagem. Só consegui em parte: é difícil, diante de circunstâncias idênticas, não fazer como fizeram com a gente. Um dia, me disseram que era porque minha mãe não trabalhava e que eu também ficava em casa para cuidar das crianças. Mesmo que esta idéia me cause revolta, continuo convencida de que este é o meu lugar e que é o único meio de ter filhos calmos e equilibrados. E no entanto , talvez por causa disso mesmo, sinto as mesmas angústias que a minha mãe. Gostaria de me assumir melhor de que ela fez e é por isso que, lá no fundo de mim mesma, eu a rejeito. E no entanto, ela é mansa e gentil. .. Como todas as filhas, talvez, idolatrei meu pai, e no entanto eu percebo que sou autoritária como ele e que, como ele, fico sempre com a crítica na ponta da língua; como ele, sou muitas vezes desagradável com os que me cercam. Muitas vezes senti que, para ele, as mulheres da família não valiam nada para os negócios. Apesar de ter herdado um pouco de seu espírito empreendedor, sofro com este desprezo que às vezes percebo claramente nos nossos contatos. Por causa de todos esses problemas, tenho muita dificuldade, hoje, em assumir-me e temo, mais que tudo, que meus filhos me julguem mal. Quanto a meu marido, parece amar-me apesar de todos os defeitos que procuro combater.

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Pontos Concretos

O DEVER DE SENTAR-SE COMO TERAPIA O "dever de sentar-se", oferecido pelas Equipes de Nossa Senhora aos casais que delas participam, como um dos pontos concretos de esforço (P .C.E.), presta-se extraordinariamente à terapia do casal. Quem o afirma é o médico e psicoterapeuta alemão Michel Lukas Moeller, professor de Medicina Psicológica e diretor do Centro de Bases Psicossociais da Medicina, da Universidade de Frankfurt, na Alemanha .. Após muitos anos de experiência com muitos casais, dedicou ele ao assunto, sobre o qual tem promovido cursos e seminários, não um simples opúsculo, mas um livro de quase trezentas páginas. Nesse livro o autor apresenta dados e conclusões e relata resultados de grande proveito na aplicação da técnica do "dever se sentar-se" como recurso psicoterapêutico . O autor denomina essa prática "Zwiegespraech", que se traduz por "conversa a dois" ou simplesmente "diálogo". Segundo ele, para que essa "conversa a dois" ou "diálogo", ou "dever de sentar-se", produza bons resultados, é indispensável que se faça metódica e disciplinadamente, com a observância de certas regras que lhe são fundamentais. Isso é necessário por26 - CM Maio/93

que, ao lado do inconsciente individual de cada um dos cônjuges, a vida conjugal faz surgir também um inconsciente comum, que tende a impedir, por meio de artimanhas e resistências, o clareamento e a solução dos pontos críticos da relação de casal. A observância de tais regras seria o meio de desarmar e neutralizar essas manobras de obstrução do inconsciente comum . Uma dessas regras refere-se à periodicidade: uma vez por semana. Porque esse período entre uma conversa e outra? Várias razões o justificam , entre elas a imemorial (desde o Gênese) e universal organização de nossa vida em períodos semanais. A maior parte de nossos compromissos e ocupações, nós os agendamos por semana . Entre eles devemos incluir o "dever de sentar-se ". Outra periodicidade seria menos conforme à nossa rotina, que paradoxalmente podemos quebrar de maneira muito saudável, introduzindo nela a regularidade do "dever de sentar-se" semanal. Por outro lado, maior distanciamento entre uma conversa e outra permitiria a recomposição das resistências do inconsciente comum , que, às vezes, a conversa anterior teria a


duras penas conseguido romper. Por isso, não convém que o período entre uma conversa e outra vá além de uma semana. Tempo maior do que esse faz com que se perca a ponta do fio que se vinha puxando, para desemaranhar o inconsciente comum , e tem-se , então, de começar tudo de novo. Além, disso, na programação da semana, o casal deve estabelecer um dia certo para o diálogo conjugal, juntamente com um dia alternativo, para o caso de impedimento do dia principal. Pode-se , por exemplo, escolher como ocasião principal o sábado à noite, como alternativo o domingo à tarde. Essa escolha é importante para que o casal não acabe por esquecer, ou atrapalhar-se com as múltiplas atividades da semana, e assim ficar sem tempo para conversa a dois . Mas o marido e a mulher devem fazê-la de comum acordo e com o devido cuidado para evitar desnecessário incômodo ou sacrifício para um ou para outra. Pode suceder que o sábado à noite não seja bom para a mulher, que nesse dia costuma estar mais cansada do serviço doméstico, e gostaria de ir ao cinema, ou que o domingo à tarde atrapalhe a ida do marido ao jogo de futebol de que ele gosta. Então seria melhor escolher outras ocasiões. Sempre as haverá, desde que se reconheça ao diálogo conjugal a importância que ele efetivamente tem , porque é mais do que sabido que tempo é questão de prioridade . Outra regra é a que diz respeito

à duração da conversa. O autor entende que, em média, deveria ser de uma hora e meia. É o tempo em que, em geral, as pessoas conseguem manter a concentração e conversar de maneira produtiva. Mais do que isso seria contraproducente, por causa do cansaço e da perda de controle sobre os impulsos agressivos. Tempo menor é também contra indicado. O encurtamento da conversa costuma ser justamente um dos ardis empregados pelo inconsciente comum para evitar que se chegue aos pontos críticos. É uma fuga. A regra seguinte é que se relaciona com o ambiente da conversa. Deve ser bastante tranqüilo e livre de perturbações externas. O casal deve procurar uma ocasião em que possa estar sozinho, e não haja a probabilidade de chegarem visitas ou de os filhos precisarem deles. Se as crianças são pequenas, podem aproveitar o horário em que estas estão dormindo. Se já estão mais crescidas, os pais podem conversar enquanto elas estão na escola ou saem com os amigos. É bom deixar o telefone fora do gancho. O "dever de sentar-se" no automóvel ou no restaurante não é eficaz. As tensões do trânsito já são muitas para que se lhes possam acrescentar as que emergem quando se remexe o inconsciente comum. E nos lugares públicos, além das múltiplas interferências que nos roubam a atenção e prejudicam a concentração, a presença de estranhos impede a espontaneidade. Não se pode CM Maio/93 - 27


dar vazão às emoções, ficar excitado, chorar, ou ter um gesto mais acentuado de ternura, sem que as outras pessoas fiquem olhando. E o receio de que os outros ouçam atrapalha a conversa sobre assuntos íntimos e delicados. Além disso, é bom que o casal fique assentado frente a frente, para que um possa ver as expressões do rosto do outro, que às vezes contêm, em uma só delas, mais revelações do que um longo palavreado. Periodicidade de uma vez por semana, em ocasião fixa para todas as semanas, tempo de duração, vigorosamente dosado e ambiente propício são condições indispensáveis para o sucesso da conversa a dois. Constituem o que se pode denominar a sua "ordem fundamental". É necessário o maior empenho da parte de ambos os parceiros em preservá-la . A inobservância de qualquer uma dessas condições age como boicote subconsciente ao diálogo. Não convém por isso encurtar-lhe ou dilatar-lhe o tempo, comprometendo-lhe a dosagem; nem deixar passar a semana, para não prejudicar o ritmo e a continuidade; nem conversar em lugar inadequado, para que não haja constrangimento ou falta de concentração e não se comprometa a finalidade ·do · diálogo pela dispersão. O diálogo conjugal é um trabalho de ajuda mútua. Por isso deve pautar-se pelo tríplice lema de todo grupo de ajuda mútua, a saber: não perguntar, não dar conse28 - CM Maio/93

lhos, e cada um falar apenas de si próprio. Não perguntar não significa que não se deva sequer pedir algum esclarecimento. Significa apenas que não se deve transformar o diálogo em interrogatório para constranger o outro a dizer coisas que ele gostaria de calar, ou ainda não está preparado para dizer. A invés disso, é importante deixar que o outro fale espontaneamente, sem provocá-lo. Ele saberá o momento de pôr as coisas para fora. E por que não dar conselhos? Porque no clima do diálogo conjugal dar conselhos é apenas um meio disfarçado de procurar dominar o outro e amoldá-lo ao querer do "conselheiro", com profundo desrespeito pela sua pessoa. Mesmo o conselho solicitado deve ficar sob suspeita, porque pode ser uma espécie de conluio inconsciente para não dar solução ao verdadeiro problema. Em matéria de diálogo conjugal, a melhor conselheira é a vivência do que nele acontece. Basta deixá-lo fluir e desenvolver-se, que muitas questões terão solução natural, sem necessidade de resposta explícita. Na conversa a dois, cada um deve falar apenas do que ele próprio sente, daquilo que ele acha que ele próprio é, daquilo que o perturba ou o alegra e lhe faz bem. Nada, porém, de dizer o que o outro é, o que o outro sente, como o outro está. Querer usar o diálogo conjugal apenas para dirigir o ou-


tro, para dominá-lo, para transformá-lo naquilo que um gostaria que o outro fosse, não leva a nada. Ao invés de melhorar a relação conjugal, só a faz piorar. A conversa degenera-se em censuras, desrespeito, interrupções, pretensas afirmações da verdade, reclamações de direitos. A sua finalida~e passa a ser mudar o outro, e nao mudar a si próprio . No entanto, o que devemos buscar com esse tipo de diálogo é mudar a nós mesmos. Mas na medida em que o conseguirmos automática e inevitavelmente faremos com que o outro também mude. No momento em que progredirmos, a nossa relação conjugal sentirá o reflexo do nosso progresso, mudará para melhor, e o nosso cônjuge acompanhará a mudança. Por isso: cada um deve falar apenas de SI próprio, e deixar que a respeito d_o outro ele próprio fale , sem corng1-

lo, sem interompê-lo. _Çada um deve ter, eqüitativamente repartido, o seu tempo de falar, enquanto o outro apenas ouve. Somente com observância dessas regras a "conversa a dois", o "diálogo conjugal", o "dever de sentar-se", ou como quer que o chamemos, poderá ter bons resultados e ser uma verdadeira terapia de casal. É o que adverte, com sua autoridade e longa experiência, Michael Lukas Moeller, em seu livro "Die Wahrheit beginnt z~ zweit" , Edit. Rowohlt, 1990. E pena que não haja tradução para o português, mas quem lê alemão pode encomendá-lo à Livraria Revisa!, na rua Florêncio de Abreu, 36, em São Paulo. Luiz Fabiano (da Carminha) Equipe 1 Araraquara/SP

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EM QUE SE SUSTENTA SEU MATRIMÔNIO?

"Você já se perguntou em que bases se sustenta o seu matrimônio? Como você o construiu, como o mantém e o faz progredir? Deus se faz presente?'

Nosso matrimônio vem-se sustentando no respei to mútuo, na entre-ajuda e no entendimento. Muitas vezes, tropeçamos no mau humor e na intransigência. Muitas vezes discutimos e "batemos o pé" , quase desistimos ... Então, entre erros e acertos, reencontramos o caminho. Hoje, o que nos mantém unidos além do carinho e amor que nutrimos um pelo outro, é a consciência de sermos dois em um e a certeza de que o Deus que nos uniu, muito de nós exige, mostrando-nos o caminho e propondonos atitudes que nos levem ao entendimento, ao fortalecimento de nossa relação e, como consequência, a uma verdadeira vivência dois e em família .

a

O Movimento das equipes foi um marco na nossa vida espiritual, tao desgastada e empobrecida. Mostrou-nos onde estão os verdadei-

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ros valores e os meios de atingílos. Mostrou-nos a riqueza da vivência em Cristo , reformulando nossos conceitos de bem viver, criando em nós o espírito de interdependência como casal , de companheirismo, de vida a dois. Deus nos acompanha no dia-adia e se faz presente em nossas orações, na nossa casa ou na Igreja, em nossas decisões pelo bem comum. Também lá fora, no trabalho e na comunidade, onde está o desafio maior: Deus nos acompanha e espera da nossa parte atitudes condignas de cristã, os autênticos (como exemplo de vida) e disponibilidade ao serviço do outro. Juliana e Ângelo Equipe 26- C Florianópolis/SC


A CORREÇÃO FRATERNA Esse gesto da correção fraterna tão falado por nós e tão pouco praticado de verdade! Mas, por que será que é assim que acontece? Foi refletindo , observando e vivendando que concluímos que a prática da correção fraterna cresce a partir do momento em que sentimos o nosso coração palpitar de amor pelo outro. Só quando amamos o outro é que nasce a coragem de falar de coração para coração. Porque às vezes o comportamento do outro vem trazendo prejuízo a ele mesmo, aos outros e a Deus principalmente.

A correção fraterna não é a condenação do outro, mas uma palavra de compreensão, de se colocar no lugar do outro, a fim de protegê-lo contra o erro momentâneo e afastá-lo do mal. É um ato de caridade, não de reprovação. O momento da correção fraterna

é sublime , quando vem acompanhada de oração, amor e amadurecimento de quem fala e do que se vai falar. Aureci e Catsumi Equipe 52/A Brasília/DF

Não é fácil fazer a Correção Fraterna. É preciso antes de tudo oração. Muita oração. É preciso que o nosso coração transborde de bondade , pois, somente "os que estão cheios de bondade são capazes de se admoestarem mutualmente" (Rm 15,14). A correção fraterna é um ato de amor. Ajudando é que seremo s ajudados. Não há quem não precise da ajuda do outro. Numa situação de ajuda ao outro, podemos receber em troca uma atitude reacionária. Reze dobrado nesta hora, para que um dia o coração do outro seja renovado. CM Maio/93- 31


COMO DEUS É BOM! Mensagem de um Conselheiro Espiritual à sua equipe, por ocasião da 1ª reunião do ano.

Queridos amigos equipistas, Paz de Cristo. Não poderia, de forma alguma, deixar de expressar minha alegria pelo nosso retorno . Sem dúvida, crescemos bastante. Dificuldades, claro que tivemos, mas o que mais me chamou a atenção foi a sinceridade, o carinho de um para com outro. Espero que isto continue conosco.

É minha grande preocupação, como padre, o problema FAMÍLIA. Vocês, sem dúvida, precisam esforçar-se para serem, em nossa sociedade, no trabalho de cada um, exemplo para os outros. Tenho certeza de que isto é possível, pois Deus ama muito vocês, e nossa querida Mãezinha tem derramado sua bênçãos. Que Deus abençoe nossos trabalhos, projetos e realizações, neste começo de caminhada. Termino com a mensagem do Santo Padre , o Papa: "A dignidade e a responsabilidade da família cristã, como Igreja doméstica, só podem, pois, ser vividas com a ajuda incessante de Deus, que não faltará , se implorada com humildade e confiança na oração." Rezemos uns pelos outros. Abraços e orações. Pe. Carlos José dos Santos, SCJ (Pe. Carlinhos) Equipe 3 Varginha/MG

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IH

TESTEMUNHO SEI QUE ERA ELE

Gosto muito de repetir: "os pobres são pessoas muito amáveis. Os pobres são grandes. Possuem uma grande dignidade. Eles nos dão muito mais do que nós a eles". Nós temos casas para moribundos em muitas partes . Recordo que um dia recolhi na rua uma mulher que dava a impressão de estar morrendo de fome . Oferecilhe um prato de arroz. Ficou olhando para ele por um bom tempo. Eu então tratei de convencê-la a comer. Aí ela disse, com extrema simplicidade e naturalidade: "Eu não.. . Não posso acreditar que seja arroz. Estou há muito tempo sem comer". Não condenou ninguém. Não se queixou dos ricos. Não pronunciou palavras amargas contra ninguém . Simplesmente não podia acreditar que fosse arroz. Sim, os pobres são grandes. E nós temos que amá-los, mas não com amor de compaixão. Temos que amá-los porque é Jesus que se oculta sob o semblante dos pobres. Eles são nossos irmãos e irmãs. Pertencem-nos. Os leprosos, os moribundos, os famintos, os despidos: todos eles são Jesus. Esse era o sentimento de uma de nossas Irmãs (que acabava de vir a nós, logo que concluiu seus

estudos universitários). Logo na manhã seguinte, foi destacada com outra Irmã para prestar serviços na Casa do Moribundo. Antes que saíssem, disse-lhes: "Vocês sabem que têm que ir lá. Durante a missa (nós sempre temos uma missa com comunhão antes de ir trabalhar, cada manhã) pensem com que ternura e amor o Pai tratava o corpo de Cristo. Estejam convencidas de que é esse mesmo o corpo que vocês tocarão nos pobres. Dêem-lhes, pois, o mesmo amor, a mesma ternura". As irmãs foram. E às três horas estavam de volta. Uma delas foi até o meu quarto para me dizer: "Madre, toquei o corpo de Cristo durante três horas". O seu rosto estava resplandecente de júbilo. Perguntei a ela: "Irmã, o que foi que fizeste?" Ela me explicou: "Logo que cheguei, trouxeram um homem coberto de vermes. Haviam-no recolhido em um esgoto. Durante três horas toquei o corpo de Cristo. Sei que era ele". Aquela Irmã tinha compreendido que Jesus não pode nos enganar. Pois Ele mesmo disse: "Estava doente e me curastes". Madre Teresa de Calcutá

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A CNBB divulgou, no Dia Nacional de luta contra a AIDS, a Declaração da Presidência e Comissão Episcopal de Pastoral sobre o assunto. Apresentamos aqui um trecho da referida Declaração.

ÉTICA E SOLIDARIEDADE PASTORAL

Diante da complexa realidade da AIDS, precisamos assumir os valores e a pedagogia da ética evangélica. Desejamos insistir na presença do amor, na misericórdia e na solidariedade em favor da vida, sem cair na utopia de exigir de todos a vivência plena desses valo res. Em cada caso com que nos defrontamos, a AIDS tem um rosto humano, uma história singular. Não devemos ver a AIDS como sinal do fim dos tempos, castigo de Deus ou vingança da natureza. Precisamos compreender e analisar a AIDS como a maior objetividade possível do ponto de vista humano, médico, sanitário, social e científico e assumir o compromisso de uma atitude solidária e humana, superando o medo e os preconceitos contra os portadores da doença.(... ) Para os cristãos, portanto, as situações de doentes de AIDS devem ser oportunidades de caminhar com os que sofrem, de sermos solidários e caridosos, de infundirmos força e coragem a eles e a seus familiares. Proporcionar dign idade de vida. Evitar a injustiça que muitas vezes mata social e religiosamente os doentes com AIDS antes da sua morte física.

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J.Yf U;.\ll DJ.\D E SER CATÓLICO VIROU BREGA? É com uma grande revolta que tenho visto ouvido certos comentaristas de TV malhando e tomando de empreitada essa malhação da Igreja Católica, porque a Igreja não concorda com o ponto de vista deles no combate à contaminação pela AIDS. Agora, ele resolveu atacar sistematicamente a Igreja como se ela fosse culpada pela transmissão da AIDS, que se transmite principalmente pelo abuso do sexo, pela promiscuidade, pela erotização generalizada que a televisão e os meios de comunicação estimulam de todas as maneiras, até mesmo nas campanhas que alguns artistas e cantores querem fazer contra a AIDS. Os maridos irresponsáveis ou bissexuais de qualquer tipo estão contaminando suas esposas ou suas parceiras fixas. Pois bem, começaram a dizer que a AIDS não tem nada a ver com homossexualismo ou com promiscuidade, que ela pega em mulheres fiéis e heterossexuais. Estão dizendo que hoje é cada vez maior o número de heterossexuais e de mulheres fiéis ao marido que são contaminadas. E que isto acontece porque não se usa camisinha. E que não se usa camisinha, porque a Igreja não deixa... porque o Governo tem medo de entrar fundo na propaganda pela camisinha por causa da Igreja ...

e

Isto beira o cinismo. Não se diz nada contra o sexo promíscuo, contra a irresponsabilidade do parceiro sexual (marido ou não, esposa ou não) que LIBEROU GERAL: pelo contrário, defendese o direito de ter quantas "namoradas" ou "namorados" o fulano quiser; excita-se e incita-se o jovem ou o malandrão a tudo o que é experiência sexual com quem quer que dê sopa; justifica-se a prática homossexual como uma "preferência sexual" ou opção legítima. Depois, pega AIDS e a culpa é da Igreja, porque o cara não usou camisinha. Além de ser uma balela esse negócio de dizer que as coitadas das pessoas não usam camisinha porque não "sabem", e a Igreja não deixa ensinar, estamos engrupindo o povo com esse negócio de camisinha como se fosse a solução. Acho que está na hora de parar de nos omitir diante dos "donos" de programas de televisão ou de outros "donos do mundo" e da verdade, e protestar. É preciso, às vezes, brigar, se não nos deixam outra opção a não ser perder a dignidade. Pe. Paschoal Rangei (Extraído e adaptado do Jornai"Atualidade" Curitiba/PR)

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J.YfUJ.\LI DJ.\DE SOBRE A AIDS Vi há poucos dias um folheto amarelo assinado pelo Sr. Bispo da região norte [da arquidiocese de São Paulo], Dom Joellvo Catapan. Não há nenhuma preocupação de apelar para dados altamente científicos, mas orientar nosso povo para se prevenir e para socorrer de todas as maneiras possíveis e prudentes os infectados. Quem já teve um caso em casa, sabe por dolorosa experiência como tudo fica difícil e parece que não há socorro humano viável. Antes de tudo é bom sempre ter algumas informações para tranqüilidade pessoal. Há casos independentes de nossa vontade, por exemplo, contágio direto de sangue a sangue, a transfusão, muitas vezes necessária. Não sei até onde chega o perigo hoje. De maneira geral não existe grupo de risco, mas comportamento de riscos, que , sempre podem ser avaliados. Não se pega aids na piscina, no ônibus, no beijo social , visitas a hospitais , nos talheres , no sanitário, na convivência social, na picada de inseto- não tão certo hoje - no assento e na escola. Pega-se aids: através do contato com o sangue infectado, nas transfusões e principalmente pelo uso de drogas injetadas; em todo o tipo de relação sexual com pessoas infectadas; na gestação, no parto e na amamentação. Sob o ponto de vista religioso : Rezar muito pelos contaminados, para que tenham meios de

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sobrevivência . Pelos médicos, dentistas e enfermeiros, para que sejam preservados no exercício de suas profissões; para que os médicos acertem logo nos seus diagnósticos e em uma possível terapêutica ; para que os cientistas descubram, quanto antes, a vacina e a cura; para que o poder público esteja atento à falha e à fraqueza das forças particulares ou pessoais . Formação da consciência moral e ética, pela qual se percebe que não basta proporcionar me ios para evitar contágio, mas lembrar os mandamentos de Deus, que exigem respeito pelo corpo humano próprio e dos outros. Não seria eu quem condenaria o uso dos preservativos eficazes; isso é um mal menor, mas não é tudo que se exige de um cristão . Não gostaria de dizer que essa terrível doença seja um castigo, mas parece que não estão de todo errados os que afirmam que ela é uma resultante da agressão abusiva às leis da natureza e essa está mostrando, a cada passo, que se vinga mesmo sem acionar mecanismos de revanche . A desenvoltura dos costumes , contra a qual não se pode falar sem que se seja taxado de retrógrado, inegavelmente está na proa desse infeliz desencadeamento universal. Deus tenha pena da humanidade. Monsenhor Neves (Boletim da Paróquia N.S. do Carmo da Aclimação, São Paulo/SP)


J.\TUJ.\L) DJ.\DE MERCADO DE ESCRAVAS Tenho em mãos o jornai"O Globo". Detenho-me em uma de suas manchetes: "Prostituição rende bilhões na Europa". Diz-nos a reportagem que, através de anúncios enganadores, contratadas como dançarinas , empregos vantajosos, promessas de casamento, muitas jovens são importadas dos países subdesenvolvidos e obrigadas a se prostituirem nas nações ricas do norte, paraíso das democracias "cristãs" . Seus passaportes ficam em mãos dos agenciadores e elas não têm a quem recorrer, não lhes restando, após entregarem a maior parte dos "salários" a esses gigolôs, dinheiro suficiente para custear um seguro de saúde! As mulheres que tentam escapar são duramente punidas ou transferidas para bordéis da mais baixa categoria. No anos 70, "milhares de tailandesas e filipinas foram trazidas à Europa com falsas promessas, mantidas em regime de prisão e comercializadas " como material de consumo!! Cita ainda a reportagem , que uma prostituta "desobediente" de Frankfurt - e diz até o nome da infeliz - foi ven.dida como escrava sexual para o Marrocos. Isto em pleno século XX! Os jornais noticiam, os governos tomam conhecimento, todos ficam sabendo .

Mas "os inocentes do Leblon, ouvimos de Carlos O. de Andrade, tudo ignoram. A areia é quente e há um óleo que eles passam no corpo e esquecem". Se fossem baleias, golfinhos ou árvores, milhões de vozes se elevariam de todos os continentes, em protesto coletivo. Mas são seres humanos, representantes de uma sub-espécie que prolifera no 3º Mundo, sob o império da fome, do abandono e de injustiças clamorosas. Muitas adolescentes e até crianças se entregam por um pedaço de pão, para matar a fome . Mas o sol , indiferente, continua aquecendo os corpos que brincam na areia. Os direitos humanos, os princípios cristãos de igualdade, liberdade e fraternidade , continuam funcionando nas grandes democracias ... Nenhum astro modificou a sua rota. As leis que regem o equilíbrio do universo permanecem inalteradas. Como se nada houvesse acontecido ... a despeito da espantosa tragédia de uma jovem violentada no corpo e na alma, e vendida como escrava sexual na África. Miguel Tavares (reproduzido de Tribuna da Serra Valença/RJ)

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I~

J.\IUJ.\ll DJ.\Df

CRISE ECONÔMICA- CR ISE MATRIMONIAL Recentemente, por força de minha função profissional, estive envolvido num processo de seleção de dois executivos de nível gerencial para a empresa na qual trabalho. Colocamos em jornais de grande circulação um anúncio aberto (explicitando o nome da empresa) definindo, de forma clara, a nomenclatura e os requisitos dos cargos que, aliás, eram bastante específicos e restritivos. A primeira coisa que me chamou a atenção foi o grande número de currículos receb idos (mais de 400) , cuja absoluta maioria, infelizmente não reunia um mínimo de qualificações para os cargos anunciados. Daí, talvez possamos tirar uma primeira constatação quanto à grande dimensão que o desemprego ating iu em nosso país, inclusive para cargos gerenciais e de nível universitário e que essa crise acaba levando as pessoas a responder a todo e qualquer anúncio, mesmo sem reunir as características necessárias, numa atitude quase que de desespero na busca de uma oportunidade de voltarem a trabalhar. (Confirmando essa minha impressão pode-se invariavelmente presenciar uma cena hoje comum, sobretudo nas manhãs das segundas-feiras nas agências dos cor38 - CM Maio/93

reios inclusive as situadas nas regiões de maior nível social da cidade de São Paulo: homens de várias idades, cuja aparência e trajar denotam tratar-se de executivos e profissionais, ficam enfileirados , em grande número, diante dos guichês de postagem portando, cada um, vários envelopes de tamanho grande o que demonstra nitidamente que eles estão ali para responder aos anúncios classificados de domingo.) Uma segunda constatação que eu tive é o constrangimento que as pessoas sentem em se declarar desempregadas. Com efeito, uma parte significativa dos currículos que passaram pelas minhas mãos dava a perceber candidatos desempregados, muitos já há dois anos ou mais. Expressões como "consultor", "profissional autônomo", "micro empresário", "representante comercial ", aparecem com muita frequência denotando aquela condição, sem enunciá-la explicitamente. Em terceiro lugar, constatei um grande número de currículos "padronizados" e nos quais os números dos telefones para contato repetem-se muitas vezes. Isto revela, de forma cristalina, que esses candidatos estão se utilizando do serviço de empresas ditas es-


pecializadas em recolocação de executivos. Sei, por experiência própria anterior, que essas empresas cobram dos próprios candidatos e não dos possíveis empregadores, desde o início do processo e não apenas quando o candidato encontra uma recolocação. Acredito até que existam algumas empresas idôneas e bem intencionadas nesse ramo mas o fato é que seus honorários não são baratos e são cobrados justamente num momento em que o profissional não conta com uma remuneração firme. Assim, além da ansiedade, da frustração e do constrangimento, o desempregado desembolsa uma quantia que talvez venha a fazer falta mais tarde. Fico pensando no que nós, .cristãos e equipistas, atentos ao apelo da Igreja pela "opção preferencial pelos pobres" podemos fazer de concreto por esses "novos pobres" cujo número, infelizmente, continua a crescer. Angustia-me , ainda mais, saber que muitos equipistas e filhos de equipistas encontram-se neste tipo de situação. Sabemos que a crise econômica é geral e afeta também a maioria das empresas. Assim sendo, mesmo os equipistas empresários e dirigentes de empresa não podem abrigar profissionalmente esses irmãos desempregados. Estejamos, porém, atentos à nossa mística do auxílio mútuo e sempre que soubermos de uma possível vaga tratemos de transmitir a informação aos equipistas desempregados que possam en-

quadrar-se. Além disso, a nossa solidariedade, a nossa amizade fraterna e, em certos casos, a ajuda material entre os membros da mesma equipe, feita com discrição e sem ferir a dignidade do irmão poderiam ser formas eficazes de auxílio. Porém, não nos esqueçamos do poder da oração. Fica aqui a minha sugestão para que em nossas reuniões de equipe, nas noites de oração, nos eventos maiores do movimento e mesmo em nossa oração pessoal e conjugal coloquemos entre as nossas intenções os equipistas desempregados e suas famílias. Outro ponto que me chamou a atenção pela leitura dos mais de 400 currículos, foi o grande número de candidatos com o estado civil "desquitado", "divorciado", "separado judicialmente". Como o anúncio publicado não limitava a idade, recebi respostas de candidatos de várias faixas etárias e a esmagadora maioria dos candidatos "ex-casados" situa-se na faixa dos mais jovens, em geral de menos de 40 anos. Sem querer dar nenhum "valor estatístico" ao meu trabalho, atrevo-me a concluir que a crise do matrimônio que se abate sobre nossa sociedade parece atingir, particularmente, os casais mais jovens. Aí está um desafio apostólico que, no meu entender, as ENS podem e devem enfrentar, pois a nossa mística, pedagogia e formação, vocacionam-nos como agentes privilegiados para uma ação pastoral eficaz. A reformulação dos cursos de preparação para o matrimônio, o acompanhaeM Maio/93 - 39


menta de casais recém-casados, as equipes de jovens, a coordenação de grupos de experiência comunitária, a pilotagem de equipes novas, são um ferramenta! concreto e disponível para esse nosso engajamento missionário, sem falar da caridade para com os "descasados". Que Maria, nossa Mãe, nos ins-

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pire, que o Espírito Santo nos ilumine, para que, através da ajuda concreta aos irmãos, façamos frutificar os dons de Deus, e melhor atender ao chamado do Cristo, tendo sempre presente que "a quem muito foi dado, muito será pedido". C. H. O. S.


NÃO TENHO TEMPO Sabe, meu filho Até hoje não tive tempo para brincar com você. Arranjei tempo para tudo. Menos para ver você crescer. Nunca joguei dominó, dama xadrez Ou batalha naval com você. Percebo que você me rodeia. Mas, sabe, sou muito importante E não tenho tempo. Sou importante para números, convites sociais Uma série de compromissos inadiáveis ... E largar tudo isso para sentar no chão com você Não, não tenho tempo! Um dia você veio com um caderno da escola Para meu lado Não liguei, continuei lendo o jornal Afinal os problemas internacionais São mais sérios que os da minha casa. Nunca vi seu boletim Nem sei quem é sua professora Não sei nem qual foi a sua primeira palavra Também, você entende ... não tenho tempo. De que adianta saber as mínimas coisas de você Se eu tenho outras grandes coisas a saber? Puxa, como você cresceu! Você já passou da minha cintura, está alto! Eu não havia reparado nisso Aliás, não reparo em quase nada Minha vida é corrida E quando tenho tempo, prefiro usá-lo lá fora E se uso aqui, perco-me calado diante da TV. Porque a TV é importante e me informa de tudo Sabe, meu filho ... A última vez que tive tempo para você Foi numa cama, quando o fizemos!

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Sei que você se queixa Que sente falta de uma palavra De uma pergunta minha, de um corre-corre , De um chute na sua bola Mas eu não tenho tempo ... Sei que você sente falta do abraço e do riso Do andar a pé até a padaria Para comprar guaraná. Do andar a pé até o jornaleiro Para comprar o "Pato Donald" . Mas sabe há quanto tempo eu não ando a pé na rua? Não tenho tempo. Mas você entende, sou um homem importante Tenho que dar atenção a muita gente, dependo deles ... Filho, você não entende de comércio ... Na realidade sou um homem sem tempo Sei que você fica chateado Porque as poucas vezes que falamos É monólogo, só eu falo E noventa e nove por cento é bronca Quero silêncio, quero sossego! E você tem a péssima mania De vir correndo sobre a gente Você tem mania de querer pular Nos braços dos outros ... Filho, não tenho tempo para abraçá-lo Não tenho tempo para ficar com papo furado de criança Filho, o que você entende de computador, Comunicação, cibernética , racionalismo? Você sabe quem é Marcuse, Mcluhan? Como é que vou parar para conversar com você? Sabe filho , não tenho tempo, mas o pior de tudo O pior de tudo é que ... Se você morresse agora, já, neste instante, Eu ficaria com um peso na consciência Porque até hoje Não arrumei tempo para brincar com você E na outra vida , por certo Deus não TERÁ TEMPO de me deixar Pelo menos Vê-lo! Reflexão dirigida por Frei Odair Firmino Educador Franciscano (Colaboração de Mara e Silvio Eq. 08- Araraquara/SP)

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UM CARA DE SORTE Ele era mais conhecido como o "baianinho". Na verdade, seu nome, nem ele o sabia. Aos nove anos, ele tinha ficado sozinho no mundo, depois que na caminhada de Pernambuco para o sul, seu pai fora assassinado em Caxias e sua mãe se perdera dele em algum lugar perto de Pindamonhangaba. Foi assim que ele apareceu um belo dia em nossa casa, em São José dos Campos, pedindo comida. Em troca, ele oferecia serviço. A Hélêne topou e a partir dai estabeleceu-se, entre o baianinho e nós um relação que durou, com uma maior ou menor freqüência de suas visitas, mais de quinze anos. · Na verdade, nós nunca o chamamos de baianinho. Ele gostava do nome Francisco e para nós passou a chamar-se assim . Quando, aos dezoito anos, ele precisou de documentos para poder alistar-se, a Hélêne - que nunca deixa por menos resolveu ajudá-lo e conseguiu (numa ação talvez mais ética que legal) registrá-lo sob o nome que ele mesmo escolhera: Francisco Domingos dos Anjos! Na mesma ocasião, ele escolheu também a sua data de nascimento: 27 de julho. «Por que, Francisco?••, perguntou Hélêne. «Porque é o aniversário da cidade e posso pensar, todo ano, que a festa é para mim!» Para aqueles de nós que já temos nome escolhido pelos nossos pais até antes de nascermos - que gostemos dele ou não - é um dado de nossa vida. Para o Francisco, não era assim. O nome, a identidade conquistada era algo bem mais

precioso e importante. Quando passou a ter problemas com a polícia, o José Oswaldo, que era delegado e equipista ligava para mim: «Tem aqui um baianinho, chamado Luiz Carlos Santos, que diz ·que você o conhece••. Depois de tirá-lo do xadrez, perguntei: «Por que você não deu o seu nome, Francisco?» E ele disse: ••Porque é só o que tenho e não pode ficar sujo••. Há outras coisas, assim elementares, que aprendemos com o Francisco, naqueles quinze anos. Uma outra vez, talvez conte mil e uma histórias dele. Mas só vou contar aquela que, nesta Campanha da Fraternidade, me fez muito lembrar dele. Um dia, ele veio descalço e resolvi dar-lhe um par dos meus sapatos . Ele agradeceu e disse, com um grande sorriso: «Eu sou um cara de sorte! Sempre que acaba meu sapato, alguém me dá outro!•• Ai, eu quis dar-lhe também uma camisa. Mas ele sorriu outra vez: «Aceito, mas o senhor fica com ela por enquanto. Eu não tenho onde guardar. •• Perguntei, como a CNBB: «Onde você mora, Francisco?" E ele respondeu: «Eu? Moro onde anoitece ... •• Para o nosso Francisco baianinho, a noite final já veio e, com certeza, ele hoje mora na casa do Pai. Como Lázaro, no seio do pai Abraão, ele que durante tanto tempo viveu das migalhas que caíam das nossas mesas. E nós, que temos onde guardar nossas camisas, que hoje temos teto, onde será que vai anoitecer para nós? ... Peter

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PASTORAL FAMILIAR NO BRASIL Com o subtítulo "Objetivos, Organização, Agentes", este documento da série "Estudos da CNBB" (nº 65), responde à necessidade de se ter claramente elaboradas as diretrizes para a Pastoral Familiar. Tratase de um útil e prático instrumento de trabalho para todos os que estão envolvidos neste trabalho de Igreja. (Ed. Paulinas, 66 pgs.)

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no brasil

VAMOS NOS CASAR - Reflexões para namorados e noivos - Frei Almir Ribeiro Guimarães. Este livrinho didático, escrito no estilo fácil, direto e agradável de Frei Almir, procura estimular, através de perguntas após cada capítulo, o diálogo entre os namorados e os noivos. São tratados assuntos fundamentais para a boa preparação do matrimônio. (Ed. Vozes, 80 pgs.)

E MAIS ... • Para aquelas equipes que, estimuladas por artigos publicados na Çarta Mensal, nos consultaram sobre o livro CONFLITO E PAZ, do Padre Antonio Aquino, podemos informar que as Edições Loyola acabam de reeditá-lo e que já está à disposição, tanto no Secretariado das Equipes de Nossa Senhora (tel. 011-34.8833) quanto nas livrarias. • A Região Centro-Norte elaborou um estudo de grande profundidade sobre o Lema-93: ÀQUELE A QUEM MUITO SE DEU, MUITO SERÁ PEDIDO. O fascículo que resultou deste trabalho poderá ser obtido pelos interessados, que poderão contactar Lourdes/Sobral (061-272.3452) ou Mariola/Eiizeu {061-266.1638) 44 - CM Maio/93


EVENTOS • Realizado em 06 e 07.02.92 o 1o. PREEACRE dos setores A e B das ENS do Estado do Ceará. Participaram do evento os CL, os CRE (17 equipes de Fortaleza, 01 de Ouixadá/CE, 01 de Barra do Corda/MA) e dois casais pilotos (eq.18 e 19 de Fortaleza). O objetivo foi o de instruir os novos CRE sobre como coordenar e liderar as suas equipes. • Bastante feliz a idéia da churrascada realizada pela Equipe 02 - Nossa Senhora Rainha do Lar, de Santos/SP visando a confraternização das -fimi~ lias dos casais da referida Equipe: compareceram os 7 casais mais 26 jovens entre filhos, cônjuges, netos e namorados. Esteve presente também o C.E. Pe. Ximenes. Foi uma noite de muita alegria, sendo que já foi cobrada pelos filhos uma constância destes encontros. • E.steve de passagem por SantammLM o casal da ECIR, Cecília e Gaspar (Londrina-PR), participando de intensa programação promovida pela Coordenação. Em encontro com os equipistas, o casal proferiu palestra sobre Coerência entre Fé e vida e Compromisso. Aconteceu encontro com o Bispo Dom Uno, assim como também com o coordenador da Pastoral da Diocese, Pe. Gilberto Pastana; o casal também deu entrevista na Rádio Rural e na TV Santarém filiada à _rede Bandeirantes, onde na oportumdade falaram dos propósitos das ENS. Na ocasião ingressaram na Equipe 01 mais três casais e o CE Frei Edilson. • Realizou-se em 20/03, no Colégio Terra Santa, em Petrópolis/RJ, o 1o. Encontro de Casais de Ligação da Região Rio 11. Organizado pelo Colegiado da Região, teve por objetivo dar maior formação aos casais de ligação

para melhor desempenharem sua missão de acordo com as propostas do f.!ovimento para 1993. A programaçao constou de: abordagem do Lema (Mons. Paulo Daher); objetivos: geral e específicos para o trabalho em 1993; documentos: SER COM~NIDADE E CO-PARTICIPAÇÃO; ~1ssa do Casal de Ligação; importânCia da comunicação, colegiado e ligação horizontal. MUDANÇAS NOS QUADROS • Região Santa Catarina -.Assumem o Setor A de Florianópo!..ts Lourdes e Fernando Boing em lugar de Liliane e Edemar. - Assumem o Setor de Criciuma Ala ide e Adernar Martins em Lugar de Lourdes e Larcides Fabris. • Região Nordeste - Por oc~sião dos EACRES/93, Eunice e Munlo passaram a responsabilidade pelo Setor de Recife/PE para Zezinha e Jailson. O Setor de Fortale~foi subdividido em dois (A e B) tendo assumido os casais lvanilde e Brandão e Julia e Abelardo em substituição a Vanda e Bosco que agora vão ligar a expansão das ENS em outras localidades, como é o caso de Barra do Corda/MA onde realizaram uma Experiência Comunitária e a.ui= xadá/CE, além dos futuros lançamentos do movimento em Mossoró/RN e São Luiz/MA. Instalou-se a Coordenação das ENS em Salvador/BA cuja responsabilidade fica a cargo de Ana Luiza e Edilson dando continuidade ao trabalho iniciado por Teima e Webster que eram o CL das equipes daquela cidade com o CRR Zélia e Justino. VOLTA AO PAI •

JOSÉ ROBERTO FERRARI (da Marina) Equipe 02- N.S. Rainha do Lar, de

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Santos/SP, em 15.12.92. Pai e esposo exemplar, foi responsável de equipe, Casal de Ligação e Casal Piloto, sempre desempenhando sua função com muita doação e amor. Seus companheiros de equipe agradecem a Deus pela convivência e pelo muito que aprenderam com ele. MARIA MONTEIRO CALDAS GONÇALVES (do Luiz) Equipe 20- N. S. Auxiliar, de Santos/SP, em 23.12.92 . No movimento há mais de 25 anos sendo fundadora de sua equipe. Sua vida terrena foi plena de amor, disponibilidade e dedicação à família e ao Reino de Deus. Conselheira efetiva e responsável de seus irmãos de equ ipe, que hoje lembram com saudade seus gestos humi ldes e alegres, mas a certeza que em sua caminhada , sua lembrança estará sempre presente. EDUARDO CAIXETA, (da Dirce) da Equipe 1 de Penápol is/SP, N.S. Auxiliadora. Depois de uma longa enfermidade, voltou para o Pa i o nosso querido irmão. De ixou grande saudade, pois dedicou 13 anos ao nosso Movimento. A Equipe deu a ele, esposa e filhos o apoio e as preces. Que Deus o receba no seu reino. FREI LAUDELINO GERALDO DE OLIVEIRA , ofm cap, CEdas equipes 02 e 04 da Coordenação de Teresópolis/RJ, Região Rio 11 em 07.02.93. HAROLDO PACCINI (da Terezinha), Eq.04 N.S. do Sagrado Coração de Jesus, de Americana/SP em 24.03.93 . Tinha um amor mu ito grande ao nosso movimento ao qual pertencia há mais de 25 anos . Sempre disposto e disponível foi exemplo de dedicação e responsabilidade não só dentro das ENS mas em tudo o que se propunha a fazer. Deixa muitos parentes e amigos a quem sempre serviu como referência de uma pessoa abençoada e dedicada às coisas do Pai. VICENTE PANAK (da Marisa), Eq. 06 de Yalença/RJ em 09.03 .93 . Belga , chegou à Valença para trabalhar na FN do Brasil, tendo se casado com brasileira e ingressado, imediatamente, nas ENS, Movimento que muito amou e que o motivou a se aprimo-

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rar no uso de nossa língua, para melhor se comunicar. Nos cinco anos que conosco partic ipou , foi exemplo de alegria, dedicação e disponibilidade nos serviços das ENS e na Igreja. Junto com Marisa, sua esposa, foi CRE em 1992. Sua morte súbita, devido a um enfarte, deixa-nos grande saudade e um vazio ; mas também a certeza de que junto ao Pai velará pelas ENS, pois , segundo sempre dizia , foram de grande importância em sua vida . EACRES/93 • - Região São Paulo-Norte Este ano, a região foi dividida em duas, para a realização do EACRE/93, uma vez que um único local não comportaria o número de participantes. A reg ião São Paulo-Norte conta com 11 Setores/Coordenações, totalizando 105 equipes que elegeram seus casais responsáve is, além da participação dos ligações, pilotos , CRC/CRS. Pa rticiparam pela ECIR o casal supervisor Sílvia e Chico e dona Nancy; e pela reg ião o casal responsável regional Rosinha e Anésio. Os EACRES foram realizados , um em São José do Rio Preto, nos d ias 27 e 28.02.93 e outro em Casa Branca, nos dias 13 e 14.03.93. • - Região Norte Nos dias 13 e 14/03 foi realizado no Centro Social de Nazaré, o V-EACRE de Belém/PA. Além das equipes de Belém , participaram as equipes de Castanha! e de São Miguel do Guamá. Compareceram 36 casais e 7 conselheiros, tendo Padre Genaso (CE do Setor B) como conselheiro do evento. A coordenação coube ao casal Eneida e Álvaro Correia , equipe 7-B de Belém e contou com a participação do casal Regional Lourdes e Sobral e do casal da ECIR Maria Cecília e Gaspar. Pelas palavras dos participantes, o EACRE foi de grande utilidade saindo todos contentes e abastecidos com o que ouviram e debateram durante os dois dias. • - Região Rio 11 O Espírito Santo de Deus, por certo,


iluminou e orientou os dirigentes da região Rio 11 na organização do EACRE/93, realizado nos dias 06 e 07 de março p.p., em Petrópolis/RJ, no Convento Madre Regina. Com a presença da quase totalidade de CREs eleitos para o ano equipista 93/94, das cidades de Petrópolis, Teresópolis, Piabetá, Valença e até mesmo Belo Horizonte/MG, de numerosa e atuante equipe de serviço e de vários Conselhos Espirituais, num total de cerca de 100 participantes, o EACRE de Região Rio 11 focalizou, principal-

mente, como tema central, a fraselema das ENS para este ano que se inicia: "ÀQUELE A QUEM MUITO SE DEU, MUITO SERÁ PEDIDO". Esteve presente o casal representante da ECIR, Júnia e Mauro José Ferraz Lopes, que abordou em sua palestra, com rara felicidade, o tema "Coerência entre Fé e Vida". A palavra-chave escolhid~ pelos CRS de Região Rio-11 para ser vivida durante o ano equipista 93/94 por todas as equipes da Região é: "COMPROMETER-SE" que dispensa qualquer outro comentário.

INTERCÂMBIO HÁ 35 ANOS ... Exatamente no dia 05 de abril de 1.958, iniciava sua caminhada em Santos/SP, o movimento das Equipes de Nossa Senhora, pela instalação da Equipe de Nossa Senhora do Monte Serrat, a Equipe UM. Foi um núcleo de jovens recém-casados, congregados marianos da Congregação Mariana da Anunciação, que reclamava pela existência de um movimento católico onde pudessem exercer sua atividade espiritual e apostólica juntamente com suas esposas, que foi buscar em S. Paulo os estatutos das ENS para lançá-las em Santos. As ENS ofereciam duas novidades para a época: era um movimento de leigos e dirigido por leigos e era um movimento de casais objetivando uma espiritualidade conjugal, assunto também desconhecido em nosso meio. A grande atração das ENS era o "Dever de sentar" onde o casal refletia sobre os dons de Deus, sobre a vida matrimonial, a educação dos filhos e, também, sobre suas "diferenças". Movimento tão rico de conteúdo, as ENS rapidamente se expandiram beneficiando inúmeros casais. Nós, os membros da Equipe UM, nesta data, elevamos ao Senhor nossas preces de ação de Graças! Quantos foram os benefícios recebidos: as inúmeras ações do Espirito Santo nos iluminando e nos ajudando em todos os momentos de nossas vidas, nas alegrias e nas tristezas, na saúde e na doença. Sempre a mão do Senhor nos conduzindo no percorrer o caminho da felicidade eterna. A valiosa intercessão de Nossa Senhora, a quem somos todos consagrados, nos transmite a segurança e a decisão, frutos da fé inabalável no AMOR de seu Divino Filho pela humanidade. Obrigado, Senhor, por ter-nos concedido o privilégio de pertecer a uma Equipe de Nossa Senhora!

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VOCÊ JÁ SERVIU HOJE? Toda a Natureza é um desejo de serviço. Serve a nuvem, serve o vento, servem os vales. Onde haja uma árvore para plantar, plante você. Onde haja um erro para corrigir, corrija você. Seja aquele que afasta a pedra do caminho, o ódio dos corações, e as dificuldades de um problema. Viva a alegria de ser bom e o prazer de ser justo. Viva sobretudo, a IMENSA ALEGRIA DE SERVIR. Como seria triste o mundo, se tudo já estivesse feito; se não houvesse uma roseira para plantar, ou um trabalho para ser realizado. Não se deixe atrair somente pelas tarefas fáceis. É tão belo fazer uma tarefa que os outros recusaram. Mas não caia no erro de pensar que só os grandes trabalhos nos trazem recompensas. Não se esqueça dos pequenos e importantes serviços. Existem pessoas que só criticam, outras que só destroem. Seja você a pessoa que serve. O serviço não é só dos seres humildes. Deus, que dá o fruto e a luz, foi o primeiro a servir. E Ele, olhando para as nossas mãos, nos pergunta todo dia: VOCÊ JÁ SERVIU HOJE? A QUEM?

(Colaboração de Jussara e Daniel Equipe 2 Santarém/PA)

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MEDITANDO EM EQUIPE (Sugestões para maio/93) Texto de meditação (Tt 3, 4-7) Quando a bondade e o amor de Deus, nosso Salvador, se manifestaram, ele salvou-nos, não por causa dos atos justos que houvéssemos praticado, mas porque, por sua misericórdia, fomos lavados pelo oder regenerador e renovador doEs írito Santo ueele ricamente derramou sobre nos, por me1o de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que fôssemos justificados pela sua graça e nos tornássemos herdeiros da esperança da vida eterna. Oração litúrgica C.E.- Bendito seja o Cristo Senhor! Por ele chegamos ao Pai no Espírito Santo. Rezemos. I. - Escutai-nos, ó Cristo! H.- Enviai o vosso Espírito, desejado hóspede dos corações M. - E dai que nunca o contristemos. I. - Escutai-nos, ó Cristo! M. - Ressuscitastes dentre os mortos e estais à direita de Deus H. - lntercedei sempre por nós junto ao Pai. T. - Escutai-nos, ó Cristo! H.- Unidos a vós por vosso Espírito, M. - Que a tribulação nem a perseguição, nem os perigos nos separem de vossa caridade. I . - Escutai-nos, ó Cristo! M. - Fazei que nos acolhamos uns aos outros, H.- Assim como em Deus nos acolhestes. I. - Escutai-nos, ó Cristo! C. E.- Nos vos pedimos, ó Deus, que o vosso Espírito nos transforme com a força dos seus dons, dando-nos um coração capaz de agradar-vos e de aceitar a vossa vontade. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.


MAGNIFICAT Antífona: O Poderoso fez em mim maravilhas, e Santo é seu nome. -A minh'alma engrandece o Senhor exulta meu espírito em Deus, meu Salvador; -Porque olhou para a humildade de sua serva, doravante as gerações hão de chamar-me de bendita. - O Poderoso fez em mim maravilhas, e Santo é seu nome! - Seu amor para sempre se estende sobre aqueles que o temem; - Manifesta o poder de seu braço, dis rsa os soberbos;


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