PONTO URBE - Revista do Núcleo de Antropologia Urbana da USP
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http://www.n-a-u.org/ELZACOHEN.html
Ano 1, Versão 1.0, 2007
Os estudos contemporâneos de antropologia política têm mostrado o aumento da ação artística coletiva e das mobilizações sociais por meio da arte. A conexão das esferas da produção e do consumo, corroborada pela globalização econômica e pelas estratégias de organização e flexibilização do trabalho, ativou resistências mundiais como os “Dias de Ação Global” na década, de 1990. Protestos transnacionais, como o “Carnaval Contra o Capitalismo”, realizado em junho de 1999 nos centros financeiros de 40 cidades do mundo e, depois, os protestos realizados em Seattle contra a Organização Mundial do Comércio, entre muitos outras, apontaram novos caminhos para o ativismo político do século XXI, marcados pela expressão festiva e visualmente plástica.
Embora não sejam vistas como "arte", as manifestações políticas pela via da arte se expressam em criativas formas estéticas a respeito dos planos simbólico, social e político. Atualmente, é cada vez mais intensa a articulação entre as práticas festivas e artísticas de grupos urbanos e a ação política. As intervenções artísticas e performances nas cidades, marcadas por disjunções econômicas e sociais, têm sido associadas à tentativa de dar sentido ao "caos" urbano por meio de novos estilos de engajamento político, fazendo de artistas agentes políticos portadores da energia catártica capaz de ressignificar as experiências individuais e coletivas, integrando a vida urbana à transcendência da arte. Este processo se dá por meio da reinterpretação da “cidade subjetiva” que envolve tanto os níveis mais particulares do indivíduo quanto os sociais. A apropriação artística da cidade como obra coletiva intervém de maneira polissêmica na produção cultural, recobrando os espaços (físicos, sociais e políticos) por meio de ações arrebatadoras, transitórias, poéticas e transgressoras, desafiantes ou jocosas, usando o espaço "frio" das ruas, denunciando problemas locais, nacionais e mundiais.
É neste contexto que se insere o evento RUASP (Rede Urbana de Arte em São Paulo), idealizado, produzido e promovido, anualmente, pela promotora cultural Elza Cohen, mineira criada no Rio de Janeiro e radicada em São Paulo, que tem como objetivo principal "resgatar a confiança da população em freqüentar eventos ao ar livre" e "ocupar espaços públicos, levando diversão e arte ao povo, gratuitamente, em praças e ruas de São Paulo". Elza Cohen concedeu entrevista a sobre a RUASP:
27/09/12 18:38