Radiações
Número 04
ISSN 2184-769X
Março 2021
Dia-a-dia com… Distribuição Trimestral Gratuita – Venda Interdita
…Inês Moreira
Entrevista a
Altino Cunha
Dia-a-dia com…
…Cátia Cunha Ecografia como método de diagnóstico precoce da patologia mamária
Rute Santos ISSN 2184-769X
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Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
REVISTA “RADIAÇÕES” Número 04, Março 2021 ISSN 2184-769X
Publicado por:
Editores Vítor Manuel F. Silva Edgar Lemos Pereira
Direção da ATARP Altino Cunha Vítor Silva Rute Santos Luís Domingos Ana Geão Pedro Vicente Eduarda Pereira Edgar Pereira Rafaela Guisantes
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Editorial “Ninguém é o mesmo de há um ano atrás. Se for, está com defeito!” Autor Desconhecido
Caros colegas,
Estamos em março de 2021! Passou já mais de um ano desde o início desta pandemia, e continuamos confinados! Continuamos fechados! Fechados nas nossas casas, fechados nos nossos locais de trabalho, fechados nos nossos hospitais, clínicas, consultórios, tendo sempre a mesma rotina: casa – trabalho, trabalho – casa. Privados da nossa vida além do trabalho e do estritamente essencial. Privados dos nossos pais, irmãos, sobrinhos, amigos... Com certeza, andamos todos cansados, à espera que tudo isto passe! E a cada dia que ganhamos mais uma luta nesta batalha hercúlea, é um dia a menos que falta para voltarmos a descansar, a nos aproximar, tocar e abraçar. Nunca a expressão “um dia de cada vez” foi tão literal… Mas uma característica que nos define, enquanto Técnicos de Radiologia, Técnicos de Radioterapia e Técnicos de Medicina Nuclear é a nossa persistência, perseverança e resiliência. É a nossa capacidade de subtrair um dia de cada vez, de lutar uma batalha de cada vez, lenta, demorada, e ainda assim conseguirmos “ver o copo meio cheio”. É com toda esta força que vos define, estando na linha da frente no combate à pandemia, que continuamos persistentes a publicar e divulgar aquilo que melhor defende as nossas profissões: o saber cuidar e o querer melhorar. É com enorme orgulho que vos apresentamos mais um número da Revista Radiações! Após um ano de Covid-19, dedicamos este quarto número da nossa publicação a todos os nossos colegas! Pois sem vocês, este projeto não seria possível! E mesmo sendo, não teria graça nenhuma!
O nosso muito obrigado...
Vítor Manuel F. Silva Edgar Lemos Pereira
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Nesta edição Editorial Mensagem do Presidente da ATARP Espaço Personalidade de Reconhecido Mérito ATARP Entrevista: Altino Cunha, Presidente da ATARP Espaço Estudante Prémio Recém-Licenciado ATARP Artigo de Investigação Ecografia como método de diagnóstico precoce da patologia mamária, Rute Santos Dia-a-dia com… Cátia Cunha – Técnica de Radioterapia no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro Inês Moreira – Técnica de Radiologia no Centro de Mama do Centro Hospitalar Universitário São João Espaço Profissionais Desenvolvimento e avaliação de um curso E-learning sobre proteção radiológica em veterinária – Gianluca Bentivegna Harmonização dos procedimentos e valores de dose para exames de neurorradiologia em Tomografia Computorizada – Ana Antunes Journal Club da Radioterapia do IPOP FG Espaço Indústria GE Espaço ATARP Próximas formações ATARP Open call de Artigos
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MENSAGEM DO PRESIDENTE
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Caras e caros Associados ATARP, Caras e caros profissionais, estudantes, docentes, Caras e caros colegas e futuros colegas, Tal como há sensivelmente 3 meses vos escrevi, continuo a estar convicto que as palavras “profissionalismo, qualificações, diferenciação” serão os focos para 2021. O ano 2020 foi extremamente difícil e desafiante. 2021 parecerá igualmente longo e sinuoso, mas estaremos mais preparados e, sobretudo, mais unidos para enfrentar os desafios que este novo ano nos colocará. O profissionalismo que vive em cada um de nós – o mesmo que nasce nos futuros profissionais, as qualificações que todos possuímos, atualizamos e demonstramos, e a diferenciação que nos permite ser uma mais-valia nas equipas multidisciplinares, serão rampas de lançamento para um ano repleto de batalhas que esperamos vitoriosas. Reconhecimento, auto-regulação, combate ao exercício ilegal e inqualificado, entre outras, são temáticas que farão de 2021 um ano trabalhoso, mas marcante, que culminará com o XIX CNATARP – esperemos em versão presencial – onde muitos destes temas, de entre muitos outros, estão em discussão. Como me explicou um dia a sábia Carolina, com os seus 5 anos, à época, “ter coragem também é ter medo. Mas é ter mais vontade que medo!” Obrigado a todos.
Altino Cunha Presidente da Direção Nacional da ATARP
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ESPAÇO PERSONALIDADE DE RECONHECIDO MÉRITO
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Altino Cunha: “Acho muito importante as pessoas terem interesse em questões do coletivo e de se associarem a causas em que acreditam.” Transmontano de gema, Altino Cunha é Licenciado em Radiologia em 2006 e Mestre em Radiologia Osteoarticular em 2011, pela ESTeSC. Atualmente, frequenta o programa de doutoramento em Segurança e Saúde Ocupacionais na Universidade do Porto. Com perto de 15 anos de experiência profissional como Técnico de Radiologia, exerce desde 2006 na ULS Nordeste, Bragança. Em 2016, integra os órgãos sociais da ATARP, Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear, da qual é presidente desde 2018. Integra ainda o Comité Financeiro da EFRE desde fevereiro de 2021.
Radiações: Natural de um dos distritos mais a norte
Coimbra! A partir do momento em que ingressei na
de Portugal, Licenciado em Coimbra, doutorando
Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra,
no Porto. Considera-se um homem do Norte, de
vesti a camisola e por isso mesmo sinto que, olhando
Portugal ou do Mundo?
para trás, não poderia ter percorrido outro caminho.
AC: Considero-me um pouco de cada. Um homem do
Foram 4 anos de muitas iniciativas paralelas à
Norte, de coração, mas acima de tudo sou um
Licenciatura. Foi um percurso académico rico em vários
Português de alma! Por outro lado, sim, pode dizer-se
aspetos, sobretudo porque fui ganhando alguma
que me considero um homem com sonhos que são do
experiência a nível associativo, desde logo com a
Mundo. Mas se vivesse fora de Portugal, seria
Associação de Estudantes e com a fundação do NERC
necessariamente na Europa. Sou muito Europeu!
(Núcleo de Estudantes de Radiologia de Coimbra), o que me fez perceber já naquela altura a minha vontade
Radiações: Fale-nos um pouco do seu percurso
de mudar aquilo que achava que podia ser melhorado.
académico e profissional.
O
AC: Entro na Licenciatura em Radiologia em Coimbra
enriquecedor.
em 2002 e apesar de não ter sido a minha primeira
Apesar de na altura o mercado de trabalho começar já
opção, fiquei muito contente. À época, havia a questão
a não estar facilitado, o meu percurso profissional
de em Coimbra existir uma grande tradição académica
inicia-se ainda antes do término da Licenciatura (o
e lembro-me inclusivamente da minha mão chorar
curso de Radiologia ainda era Licenciatura Bietápica) e
(risos!!) quando lhe disse que tinha entrado em
começo em 2006 num projeto nos Cuidados de Saúde
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período
de
Erasmus
foi
também
bastante
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Primários (CSP), aqui no interior, Distrito de Bragança,
trabalhei
em
CSP
trouxeram-me
muitos
o qual abracei com bastante vontade. Sendo eu um
conhecimentos, muitas soft skills, que inclusivamente
transmontano, entendi, que era necessário fazer algo
construíram muito do profissional que sou hoje.
mais pelos meus conterrâneos, pelo que este desafio me deu particular gosto abraçar. Esses 7 anos que “Ao longo do meu crescimento, sempre fui vendo o meu pai, de resto uma das minhas principais referências, lutar por aquilo em que acreditava.”
Radiações:
Quando
é
que
percebeu
que
a
Radiações: Durante o seu percurso académico
Radiologia teria de fazer parte da sua vida?
houve espaço e tempo para lutar por causas?
AC: Contrariamente àquilo que era regra lá em casa
AC: Querermos defender causas e convicções vem de
(toda a gente sempre preferiu a Engenharias), eu
dentro, nasce connosco! Ao longo do meu crescimento,
sempre me interessei pela área da saúde e fiz disso o
sempre fui vendo o meu pai, de resto uma das minhas
meu foco. A Radiologia permitiu-me poder aliar a
principais referências, lutar por aquilo em que
saúde, o cuidar de pessoas, à tecnologia e inovação, o
acreditava. Para enquadrar, e sendo oriundo de uma
que me atraiu muito! Apesar de a Radiologia não ter
família do interior do país, a tarefa é duplamente mais
sido a minha primeira opção, hoje considero que foi a
difícil: querermos mudar um pouco o Mundo e deixar a
minha melhor opção!
nossa marca, mas estamos mais longe dos centros de decisão. Quando entrei em Radiologia em Coimbra, senti também essa necessidade de querer fazer a diferença, deixar a minha marca e lutar por aquilo que acreditava ser melhor! A fundação do Núcleo de Estudantes da qual participei, o facto de ter sido delegado de turma (o que já acontecia desde o 2º ciclo!), são questões que acabam também por nos trazer uma responsabilidade acrescida. Outro marco importante foi o convite para integrar a Associação de Estudantes e daí, surge também o convite para integrar a Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico, à qual chego a Tesoureiro, nem sei muito bem como (risos!!!)… parece que os meus colegas estavam convictos que eu era uma pessoa séria! A participação em todos estes movimentos
associativos
proporcionou-me
ótimas
experiências e resultaram numa vontade pessoal de
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voos mais abrangentes em relação à questão do
extraordinária da ATARP em Coimbra e entendi que
associativismo.
devia participar. Estava na altura de perceber o que é que se poderia fazer pela Profissão. Fiquei muito
Radiações: E a ATARP? Como inicia o seu percurso
desagradado com o que se passou nessa AG
como órgão social desta Associação?
extraordinária… assustado mesmo! Passado algum
AC: A ATARP entra na minha vida (ou eu na vida da
tempo, lembro-me de estar no gabinete da Joana
ATARP, nem sei bem!), num ano em que eu estava
Santos e de lhe dizer que ela seria uma boa candidata
particularmente desgostoso com a Profissão. Nessa
a liderar o renascimento da ATARP.
altura,
soube
de
uma
Assembleia
Geral
(AG)
“Vou para o meu 5º ano enquanto órgão social da ATARP e não fica mais fácil com o tempo! Fica mais desafiante e sobretudo, quando olho para trás dá uma boa sensação de orgulho e dever cumprido.”
Ao mesmo tempo que lhe lanço este desafio,
assim foi. A Joana candidata-se a Presidente da
confidencio-lhe que já tinha contactado um grupo de
ATARP, comigo como Vice-Presidente. E começa aí o
colegas e que todos nós gostaríamos muito de a ver
meu percurso enquanto membro dos órgãos sociais da
encabeçar este projeto, ao que a Joana me diz: “só
ATARP.
aceito este desafio se tu também vieres comigo!”. E “Em relação às profissões de Técnico de Radiologia, de Técnico de Radioterapia e de Técnico de Medicina Nuclear, temos muito mais em comum do que aquilo que, eventualmente, nos podia separar.”
Radiações: Este é já o 2º mandato na direção da ATARP e o primeiro como presidente. Como é estar à frente da associação profissional das 3 áreas profissionais que utilizam radiação ionizante? AC: Não posso dizer que seja fácil. Mas… se fosse fácil, não era para Técnicos de Radiologia, de Radioterapia ou de Medicina Nuclear! Uma das grandes dificuldades das associações de direito privado, como é o caso da ATARP, é que têm que palmilhar terreno para se fazer ouvir, ao contrário, por exemplo, das Ordens Profissionais (OP). Isto para dizer que de facto, enquanto ATARP, o nosso trabalho é difícil! Temos de nos fazer ouvir! Para além da dificuldade que é darmo-nos a conhecer, muitas vezes até aos nossos próprios doentes. É cansativo? Sim!
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Posso também dizer que (eu já vou para o meu 5º ano
Radiações: Qual o seu papel da EFRS (European
enquanto órgão social da ATARP) não fica mais fácil
Federation of Radiographers Societies)? Em que
com o tempo, mas fica mais desafiante e sobretudo,
medida o trabalho desenvolvido na EFRS se reflete
quando olho para trás e vejo o trabalho que ficou feito…
na realidade portuguesa?
dá uma boa sensação de orgulho e dever cumprido.
AC: O meu cargo na EFRS, no Comité de Finanças, é
Mas há sempre muito para fazer!
recente. Fui eleito em Fevereiro. É um cargo consultivo/aprovador das contas da EFRS. Fiquei
Radiações: O Altino é Técnico de Radiologia desde
orgulhoso com o convite, claro!
2006, profissão que exerce até em mais do que um
A ATARP é membro fundador da EFRS e é um dos
local. Além disso, está a fazer um Doutoramento e,
membros mais ativos (à semelhança do UK, Itália, entre
como se não bastasse, é Presidente da ATARP.
outros). Esta entidade funciona muito como um fórum
Como é um dia na vida de Altino Cunha?
de discussão de diversos temas que preocupam todos
AC: É um dia de correria! Alguém me disse um dia que
os
eu era “facilmente motivável” (risos!!!)! Claro que há
representatividade enorme! Sendo uma Federação
dias mais organizados que outros, mas são, regra
Europeia, tem o diálogo muito mais facilitado com
geral, dias de correria, seja no Serviço, no Hospital, ao
outras entidades europeias. Veja-se por exemplo o
computador, ou mesmo ao volante, de cidade em
importante papel que a EFRS teve no reconhecimento
cidade, de um lado para o outro. A verdade é que o meu
Europeu da nossa categoria, que passou de Associated
dia-a-dia tem muitas solicitações urgentes, não só da
Professionals
ATARP, claro. O doutoramento, neste momento, está
reconhecidos como uma Profissão autónoma (grande
em “banho-maria”… Há várias pessoas que já me
grupo 2), o que nos proporcionou, enquanto ATARP, a
disseram: “o teu dia precisava de mais do que 24
possibilidade de iniciamos de imediato conversações
horas!”. Eu respondo: não!! Por favor, não!! Porque se
com diversas entidades nacionais, no sentido de ver
o meu dia tivesse mais do que 24 horas, seriam ainda
esse reconhecimento refletido na realidade portuguesa.
mais horas de correria!! (risos!!!) Para resumir, a
Claro que, em Portugal, estamos mais reféns da
palavra de ordem do meu dia-a-dia é… correria!
burocracia, mas sem dúvida que se a EFRS não tivesse
Técnicos
europeus.
(grande
Além
grupo
disso,
3)
tem
para
uma
sermos
dado esse passo, a ATARP muito mais dificilmente poderia ter iniciado esta discussão. Na discussão de temáticas transversais a toda a europa, a EFRS tem de facto outro poder. Outra das mais valias da EFRS é que,
sendo
uma
Federação
de
Associações
Profissionais, não está tão dependente das direções das Sociedades Científicas, o que lhe confere mais autonomia! Apesar disso, a EFRS trabalha também muito bem com todas elas (Sociedades Científicas).
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“Enquanto Presidente da ATARP, mas também enquanto Técnico Português, não posso deixar de sentir um enorme orgulho em ver a representatividade Portuguesa a dar cartas na Europa!”
A ATARP, enquanto membro da EFRS, tem indicado
Radiações: Um dos pontos fraturantes do seu
alguns colegas para integrar grupos de trabalho da
primeiro mandato como presidente foi a saída da
EFRS, que têm dado um contributo muito positivo!
ATARP do Fórum Tecnologias da Saúde (FTS). Em
Temos neste momento 4 colegas em grupos de
que medida esta organização supra-associativa já
trabalho
não se enquadrava na filosofia da ATARP.
da
EFRS,
sugeridos
pela
ATARP
e,
inclusivamente, uma colega a chefiar um dos comités
AC: Desde já, é importante dizer que esta decisão foi
da EFRS, o da Medicina Nuclear.
tomada em AG, pelos associados da ATARP, portanto.
Claro que, quer enquanto Presidente da ATARP, mas
A Direção da ATRAP expôs os caminhos possíveis
também enquanto Técnico Português, não posso
para a regulação profissional que é o principal foco do
deixar de sentir um enorme orgulho em ver esta
FTS, um caminho conjunto com as restantes profissões
representatividade Portuguesa a dar cartas na Europa!
das Tecnologias da Saúde (TS) e outro, que agruparia apenas as profissões que a ATARP representa. As deliberações da AG são soberanas e, após votação pelos associados, foi decidida a saída da ATARP do FTS. A verdade é que, já em 2016 estava a decorrer um projeto de criação de OP conjunta com as restantes profissões das TS, que infelizmente não foi aprovado e, antes de avançar novamente com uma proposta conjunta, a Direção da ATARP achou por bem ouvir os associados e daí esta decisão. Foi uma decisão difícil, contudo, a ATARP continua disponível para colaborar com o FTS, no intuito de um interesse maior.
“A ATARP tem lutado pela criação de uma Ordem Profissional para as áreas profissionais que representa, em linha com aquilo que foi decidido pelos seus associados.”
Tendo em conta as diversas audiências parlamentares que temos conseguido ter, parece-nos cada vez mais que a criação de uma OP para estas 3 profissões da área das radiações ionizantes será sem dúvida o caminho a seguir. A ATARP tem lutado pela criação de uma OP para as áreas profissionais, em linha com aquilo que foi decidido pelos seus associados, que votaram neste modelo. Temos um elo comum evidente; são profissões das TS muito específicas, muito relacionadas (inclusivamente na prática clínica). Temos, resumindo, muito mais em comum do que aquilo que, eventualmente, nos separará. ISSN 2184-769X
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“A ATARP recuperou a sua boa imagem junto dos diversos parceiros e luta permanentemente pela defesa e valorização dos profissionais que representa.”
Radiações: Mas nem só a OP faz parte da ordem de
marcos da ATARP neste último mandato, seriam: a
trabalhos da ATARP. Que outras batalhas tem
recuperação da boa imagem da ATARP junto de
travado à frente da direção da ATARP?
parceiros; o combate ao exercício não qualificado; a
AC: A questão da Proteção Radiológica, que tem sido
defesa
desde sempre uma luta que a ATARP trava e defende
representamos, nomeadamente através dos diversos
afincadamente. O exercício não qualificado tem sido
pareceres que temos vindo a emitir; e o reatar de
também um tema que a ATARP tem batalhado muito.
diálogo com entidades governamentais. Estes são os 4
Não conseguimos ter olhos e ouvidos em todo o lado, é
pontos que destacaria.
e
valorização
dos
profissionais
que
verdade, mas sempre que nos fazem chegar queixas ou indicações de exercício não qualificado ou usurpação de funções, nós temos sempre confrontado as instituições em causa, salvaguardando naturalmente o anonimato de quem nos faz chegar essa informação e, felizmente, pelo feedback que temos tido, todas as situações em que a ATARP intervém têm sido resolvidas. Curiosamente esta semana recebemos o contacto de uma Instituição que, preocupada com este assunto, nos pediu ajuda para salvaguardar que este tipo de situações não ocorra. Outra luta diária que a
Radiações: O que diria ao jovens das nossas áreas
ATARP
sobre a importância do associativismo?
tem
travado
está
relacionada
com
o
reconhecimento das profissões: dar-nos a conhecer
AC: Acho muito importante as pessoas terem interesse
não só aos doentes, mas também a outros profissionais
em questões do coletivo e de se associarem a causas
que
muitas
competências,
vezes
desconhecem
conhecimentos
e
as
nossas
em que acreditam. Não só os jovens, claro, mas sendo
as
nossas
os jovens quem representa o futuro, diria que devem
capacidades.
procurar sempre lutar por aquilo em que acreditam, lutar para fazer a diferença e melhorar, não só a sua
Radiações: Se tivesse de destacar 2 ou 3 marcos do
situação em particular, mas mais ainda num contexto
seu mandato enquanto presidente da ATARP, quais
coletivo! Certamente que no futuro a ATARP será
seriam?
presidida por alguém que hoje em dia é um estudante
AC: Bem… é difícil. A ATARP trabalha sustentada em
da Licenciatura em Imagem Médica e Radioterapia!
diferentes pilares, mas se tivesse que destacar alguns “É muito importante as pessoas terem interesse em questões do coletivo e se associarem a causas em que acreditam. Lutar para fazer a diferença e melhorar”
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A Pressão no Ar a Altino Cunha… “A felicidade muitas vezes começa nas coisas mais simples e mudar o Mundo começa muitas vezes por mudar os pequenos mundos à nossa volta!
Radiações: Quais as férias de sonho? Neve.
Radiações: Dorme? Quantas horas? (risos!!!) Pouco! Em média não mais do que 5 horas por dia, mas
Radiações: O que mais detesta? Cobras.
depende da altura.
Radiações: Música ou cinema? Ambos.
Radiações: Música preferida? Não tenho uma música preferida… se me soar bem, repito!
Radiações: Filme preferido Lista de Schindler.
Radiações: O que mais adora? Conversar. Radiações: O que mais se arrepende? É cliché, mas a verdade é que só me poderia arrepender daquilo que não fiz!
Radiações: Livro de mesa de cabeceira? Não está na mesa de cabeceira, mas é um livro que gosto de reler, sobretudo nas alturas em que ponho em dúvida o caminho
que
devo
seguir…
chama-se
“Fish!”.
Aconselho vivamente porque faz-me lembrar que a
Radiações: Técnica radiológica favorita? Porquê?
felicidade muitas vezes começa nas coisas mais
Gosto muito da radiologia geral, sobretudo em contexto
simples e que às vezes mudar o Mundo começa por
de urgência. A questão é que as limitações desta
mudar pequenos mundos!
técnica podem ser transformadas em oportunidades e na radiologia geral de urgência temos muitas vezes que
Radiações: O que mais se orgulha? Não deixo de me
ser bastante criativos! Isso atrai-me!
orgulhar do meu percurso profissional! E a ATARP está incluída!
Radiações: Se pudesse, agora, ver UM assunto resolvido… qual seria? Enquanto representante da
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ATARP, sem dúvida a regulação profissional! A nível
a ganhar com esse tipo de debate; mas sim, pretendo
pessoal… cortar o cabelo! (risos!!!) Fora de brincadeira,
recandidatar-me.
do ponto de vista pessoal gostaria muito de poder ter mais tempo para ver crescer os meus sobrinhos…
Radiações: Um comentário final para os nossos leitores… Acima de tudo, queria dizer que a ATARP
Radiações:
Como
podemos
representa um trabalho de equipa e que nestes últimos
levantar o véu sobre as próximas eleições da
anos temos lutado por aquilo que defendemos e
Direção
haver
acreditamos ser o melhor para as profissões que
recandidatura? … bem, tudo indica que sim! O meu
representamos. Não terá sido tudo perfeito, claro, há
projeto ATARP, nunca escondi, está desenhado para
sempre aspetos a melhorar, sem dúvida! Mas também,
durar até 2024, dois mandatos portanto. Assim sendo,
se não houvesse nada a melhorar não seria tão
faz todo o sentido uma recandidatura. Preferia não ser
desafiante!
Nacional
última
da
pergunta,
ATARP.
Vai
o único candidato, até porque entendo que a diferença de pontos de vista é uma mais valia e que todos saímos
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ESPAÇO ESTUDANTE
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Prémio Recém-Licenciado ATARP
É com muito orgulho que comunicamos aos nossos leitores que a 3ª edição da iniciativa PRÉMIO RECÉM-
LICENCIADO da ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear – recebeu até ao dia 28 de fevereiro de 2021 as suas candidaturas. Este prémio pretende dar palco e visibilidade ao que de melhor os alunos das Licenciaturas em Imagem Médica e Radioterapia fazem no seu percurso académico.
Em breve teremos a oportunidade de divulgar estes trabalhos. Fique atento!
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ARTIGO “Ecografia como método de diagnóstico precoce da patologia mamária” Rute Santos
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Ecografia como método de diagnóstico precoce da patologia mamária
Ana Raquel Ribeiro (1), Daniela Marques (2), Rute Santos (3, 4) 1. CUF Coimbra – Sonomedicus, Coimbra, Portugal. 2. Mercurius Health S.A., Taguspark- Núcleo Central Expansão, sala 383, 2740-122 Porto Salvo, Portugal 3. Instituto Politécnico de Coimbra, Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, Departamento de Fisiologia Clínica, Rua 5 de Outubro - SM Bispo, Apartado 7006, 3046-854 Coimbra 4. Laboratório de Investigação Aplicada em Saúde (LabinSaúde), Rua 5 de Outubro - SM Bispo, Apartado 7006, 3046854 Coimbra
Resumo Introdução: O facto de a ecografia ser uma técnica não invasiva, de baixo custo, não utilizar radiação ionizante e ser uma imagem “em tempo real”, faz com que esta técnica seja de primeira linha em várias situações. Objetivos: Evidenciar a avaliação ecográfica mamária como método de diagnóstico de primeira linha e avaliar a variação das características mamárias ao longo da idade, avaliando também precocemente patologia mamária. Material e Métodos: Este estudo é composto por participantes, do género feminino, divididas em três faixas etárias: 18-39, 40-59 e 60-79 anos, excluindo as participantes sujeitas a mastectomia. Após o preenchimento do consentimento informado, todas as participantes responderam a questões pessoais e sociodemográficas, tais como, antecedentes pessoais e familiares, fase do ciclo menstrual, gravidez, realização de ecografia e mamografia prévias, entre outros. Seguidamente, foram submetidas a um exame ecográfico mamário bilateral. Posteriormente, foram analisadas todas as imagens e respetivos dados e foi entregue a todas as participantes um relatório técnico do exame. Resultados: Participaram 105 mulheres com uma idade média de 30 anos, 58 das quais realizaram o exame pela primeira vez. Em 31 mulheres foram diagnosticadas alterações (das quais apenas 7 tinham conhecimento). Verificouse que, de acordo com a faixa etária, a densidade do estroma mamário variou, sendo que nas mulheres com maior idade este apresentava menor densidade. Conclusões: A ecografia é um bom método para avaliação mamária, podendo ser considerado importante para a avaliação precoce de patologia mamária e acompanhamento da patologia. Palavras-Chave: Ecografia, Mama, patologia mamária, diagnóstico precoce.
Abstract Introduction: Ultrasound is a non-invasive, low-cost technique, does not use ionizing radiation and it is a "real-time" image, and for these reasons this method is first-rate in several situations.
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Purpose: To demonstrate breast ultrasound evaluation as a first-line diagnostic method and to evaluate the variation of the breast characteristics along the age. Material and Methods: 105 women with a mean age of 30 years participated, divided into three age groups: 18-39, 4059 and 60-79 years, excluding participants subject to mastectomy. After completing the informed consent, all participants answered personal and sociodemographic questions, such as personal and family history, menstrual cycle, pregnancy, previous ultrasound and mammography, among others. They were then submitted to a bilateral breast ultrasound examination. Subsequently all the images and their data were analyzed and a technical report of the examination was given to all the participants. Results: A total of 105 women with a mean age of 30 years participated, 58 of whom underwent the examination for the first time. In 31 women, changes (of which only 7 were known) were diagnosed. It was verified that, according to the age group, the breast stromal density varied, being that in the women with greater age this presented lower density. Conclusions: Ultrasound is a good method for breast evaluation and can be considered important for the early evaluation of breast pathology and follow-up of the pathology. Keywords: ultrasound, breast, breast pathology, ultrasound screening.
Introdução
mama é determinado pela quantidade de gordura que
A mama é composta pelos ligamentos suspensores
circunda o tecido glandular.
mamários ou de Cooper (banda fibrosa que representa
As glândulas são compostas por lobos intercalados
o suporte natural da mama). Esta é a estrutura
com tecido glandular, conjuntivo e adiposo. Os lobos
superficial mais proeminente na parede torácica
são subdivididos em lóbulos compostos por alvéolos.
anterior, situada entre a 2ª e a 6ª costela no eixo vertical
Os lobos ligam-se ao mamilo através dos canais
e entre o bordo externo do esterno e a linha médio-
galactóforos. O mamilo é rodeado pela aréola (Bistoni
axilar no eixo horizontal (numa adulta) e pode ser
et al., 2015; Hamdi et al., 2005; Seeley et al., 2003).
dividida em 4 quadrantes, quadrante superior e externo,
A irrigação arterial é realizada por ramos da artéria
quadrante inferior e externo, quadrante superior e
torácica interna, ramos da artéria axilar e pelas artérias
interno e quadrante inferior e interno para ser mais fácil
intercostais posteriores (Bistoni et al., 2015; Hamdi et
a localização e descrição de tumores (Bistoni et al.,
al., 2005; Seeley et al., 2003).
2015; Hamdi et al., 2005; Seeley et al., 2003).
Apesar da existência de alguma drenagem feita para a
No tecido subcutâneo, cobrindo os músculos peitorais
veia torácica interna, a drenagem venosa da mama é
encontram-se as glândulas mamárias. O tamanho da
feita principalmente para a veia axilar.
Nos dias de hoje é cada vez mais frequente a existência de patologias mamárias, até pelo aumento da deteção precoce. A drenagem linfática da mama é importante em virtude
(Hamdi et al., 2005; Seeley et al., 2003; Suami et al.,
do seu papel nas metástases das células cancerígenas
2008). Da papila mamária, aréola e dos lóbulos da
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20
Radiações
Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
glândula segue a linfa para o plexo linfático subareolar
tronco broncomediastínico, que drena a linfa das
e depois, a maior parte dessa linfa, especialmente a
vísceras torácicas (Bistoni et al., 2015; Hamdi et al.,
que vem dos quadrantes laterais da mama, drena para
2005; Suami et al., 2008).
gânglios linfáticos axilares. A restante, vinda dos
Nos dias de hoje é cada vez mais frequente a existência
quadrantes mediais, drena para os gânglios linfáticos
de patologias mamárias, não só devido ao avanço da
paraesternais ou para a mama oposta (Bistoni et al.,
tecnologia que permite uma deteção precoce das
2015; Hamdi et al., 2005; Suami et al., 2008). Vasos
mesmas, como também a sensibilização da sociedade
linfáticos na pele da mama, exceto na papila mamária
a este nível. Ao longo do tempo têm vindo a ser criadas
e aréola, drenam os gânglios linfáticos axilares,
normas para tentar alterar o panorama de aumento das
cervicais profundos inferiores e infraclaviculares e
patologias associadas à mama, surgindo então os
também os gânglios linfáticos paraesternais de ambos
exames de rastreio: mamografia (normalmente com
os lados (Bistoni et al., 2015; Hamdi et al., 2005; Suami
idade
et al., 2008). A linfa dos gânglios linfáticos axilares é
complementar da mamografia), exame físico (auto-
drenada para os gânglios linfáticos infraclaviculares e
palpação mamária). Este último de extrema importância
supraclaviculares e destes, passa para o tronco linfático
para que a mulher conheça o seu corpo (Iranmakani et
subclávio que também drena linfa do membro superior.
al., 2020; Moura et al., 2011; Sree, 2011).
superior
a
50
anos),
ecografia
(método
A linfa dos gânglios linfáticos paraesternais entra no
A ecografia é uma técnica imagiológica não invasiva, indolor, de baixo custo e sem exposição à radiação ionizante. Apesar de não ser recomendada como método de
feminina com glândula mamária densa (Gartlehner et
rastreio na população geral, a ressonância magnética
al., 2013; Geisel et al., 2018; Wang et al., 2020).
deve apenas ser realizada em mulheres com elevado
A ecografia faz em tempo real a deteção de lesões
risco de cancro da mama por antecedentes familiares
mamárias e avalia as suas características morfológicas,
ou BRCA1/2+ (Iranmakani et al., 2020; Marshall et al.,
tais como forma, ecogenicidade, nódulos ou quistos
2019; Moura et al., 2011; Sree, 2011).
(Evans et al., 2018; Griffiths et al., 2000). A mama é
A ecografia é uma técnica imagiológica não invasiva,
composta por lóbulos intercalados com tecido adiposo
podendo ser repetida as vezes necessárias, dado que
e tecido conjuntivo. Estas camadas de gordura são
é indolor, de baixo custo e não há exposição à radiação
heterogéneas e hipoecogénicas. O estroma da mama é
ionizante (Abd et al., 2018; Evans et al., 2018;
muito mais hiperecogénico. Os lóbulos de gordura,
Iranmakani et al., 2020). Apesar de a mamografia ter a
contidos dentro do estroma mamário, podem ser
capacidade de detetar patologia mamária, e, por sua
confundidos
vez, reduzir a mortalidade por cancro de mama, foi
compostas de tecido conjuntivo fibroso conferem
descrita na literatura como uma ferramenta imperfeita
estrutura à mama. Os ligamentos de Cooper são
que não é tão eficaz, particularmente na população
bandas ecogénicas lineares finas que ascendem da
com
uma
massa.
Folhas
planares
parede torácica. Os ductos lactíferos são estruturas
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Radiações
Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
hipoecogénicas tubulares distintas que irradiam do
mama (Feng et al., 2018). Muitos dos compostos
mamilo e deveriam ter um máximo de 2mm de diâmetro
resultantes da combustão do tabaco são considerados
(identificados sob a aréola) e, posteriormente, drenam
como
para o seio lactífero (máximo de 4mm) (Griffiths et al.,
hidrocarbonetos
2000; Sree, 2011).
associados ao desenvolvimento de vários tipos de
Posterior à mama, podem ser vistos os músculos
cancro, poderão participar na progressão do tumor
peitorais como uma zona ligeiramente hipoecogénica
dado evidenciarem um efeito indutor da proliferação em
com fios lineares. As costelas encontram-se posteriores
várias linhas celulares de cancro (Rodrigues, 2009). O
a
propriedades
consumo regular de álcool é também um fator de risco
atenuantes que causam artefacto. Outra área que
para patologias da mama, agindo como um co-
causa artefactos similares é a zona do mamilo e região
carcinogéneo, aumentando a permeabilidade das
areolar. A compressão é vital na diferenciação de uma
membranas celulares a agentes cancerígenos (Zhang
massa da anatomia atenuante (Griffiths et al., 2000).
et al., 2007).
Gânglios linfáticos encontram-se normalmente na
A gravidez, por sua vez, devido à influência da
mama, mas são mais predominantes na região axilar e
prolactina no crescimento de estruturas ductais,
apresentam-se frequentemente isoecogénicos com
lobulares e alveolares da última metade da gravidez,
parênquima de mama circundante e podem ser difíceis
tem efeito protetor contra o desenvolvimento de cancro
de identificar (Griffiths et al., 2000).
da mama. Por outro lado, as mulheres multíparas que
Por outro lado, existem vários fatores que se pensam
têm o primeiro parto numa idade avançada apresentam
influenciar a existência ou aumento de incidência de
duas vezes maior risco de desenvolver cancro da
patologia mamária. O consumo de álcool, o tabagismo
mama (Feng et al., 2018; Penteado, 2010).
esta
musculatura
e
possuem
cancerígenos,
nomeadamente,
poliaromáticos
(PAHs).
os Estes,
e a obesidade, por exemplo, são fatores que se acredita influenciarem a predisposição para o carcinoma da
Consoante a fase do ciclo menstrual, o estroma mamário fica mais ou menos denso, podendo dar origem a falsos positivos. Como
fator
o
desta patologia, especialmente em idades mais jovens
desenvolvimento de um segundo cancro da mama
(> 40/45 anos). Além disso, ter outros familiares com
evidenciam-se os antecedentes pessoais de cancro da
esta patologia do lado materno ou paterno da família
mama (Teixeira, 2010). Mulheres com antecedentes de
pode, também, aumentar esse mesmo risco. A partilha
cancro de endométrio, ovário e cólon também
de características genéticas é mais provável entre
apresentam maior risco de desenvolver cancro da
familiares de primeiro grau (mãe, pai, irmão, irmã, filho
mama em comparação com a população geral (Feng et
e filha) (Feng et al., 2018; Silva, 2011).
al., 2018; Teixeira, 2010). Aumenta também o risco de
A história familiar é, no entanto, um fator de risco
desenvolver cancro da mama se houver história familiar
heterogéneo, dependendo do número de familiares
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de
risco
significativo
para
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Radiações
Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
com a mesma patologia, da idade do diagnóstico e
benefícios não relacionados com a contraceção, sendo
número de familiares afetados (Feng et al., 2018;
um deles, a diminuição do risco de alterações
Teixeira, 2010).
mamárias benignas (Feng et al., 2018; Inês et al.,
A menstruação também é muito importante e tem
2010).
influência na avaliação de patologias mamárias por
Em Portugal, o carcinoma da mama é a patologia
ecografia. Consoante a fase do ciclo menstrual em que
neoplásica
a participante se encontra, o estroma mamário fica mais
diagnosticada na população feminina e é considerado
ou menos denso, podendo dar origem a falsos
a segunda causa de morte na mulher, com uma
positivos. Idealmente, a fase folicular do ciclo menstrual
estimativa de 6088 novos casos e 1570 mortes em
é a melhor altura para fazer o exame (Dagistan et al.,
2012, representando 30% de todos os casos de cancro
2017; Feng et al., 2018).
e 16% de todas as mortes por cancro (Lacerda et al.,
Na
atualidade,
constatou-se
que
a
toma
de
maligna
mais
frequentemente
2018).
anticoncecionais orais está associado a muitos
Este estudo teve como objetivo evidenciar a avaliação precoce de patologia mamária por ecografia e evidenciar a sua importância. Posto isto, seria benéfico que a palavra “precoce” se
79 anos. Esta amostra foi dividida em três grupos: dos
associasse à ecografia mamária. Com o presente
18 aos 39 anos; dos 40 aos 59 anos; dos 60 aos 79
estudo, precoce deriva em dois sentidos: um deles é
anos.
relativo à idade, sendo que pessoas mais jovens se
Relativamente aos critérios de exclusão, no presente
predispõem mais facilmente a fazer este exame ao
estudo não foram aceites no presente estudo
invés da mamografia. Por outro lado, detetar a
participantes já sujeitas a mastectomia.
patologia mais precocemente, ou seja, detetar as
Foi explicado antecipadamente todo o procedimento
alterações mamárias ainda numa fase inicial, para
para a recolha dos dados, e após preenchimento de um
assim o prognóstico ser mais favorável.
questionário
Face ao exposto, este estudo teve como objetivo
assinaram o consentimento informado e esclarecido. O
evidenciar a avaliação precoce de patologia mamária
estudo teve a aprovação da Comissão de Ética do
por ecografia e evidenciar a sua importância. Como
Politécnico de Coimbra (No. 5/2018).
objetivo
secundário
pretende-se
avaliar
sociodemográfico,
as
participantes
as
características mamárias ao longo da idade.
Procedimentos Para a realização deste estudo foram utilizados
Material e Métodos
protocolos para a ecografia mamária, segundo as
Participantes
guidelines europeias disponíveis (Appavoo et al.,
Neste estudo participaram 105 participantes do género
2012), tendo como intuito a reprodutibilidade da
feminino, com idades compreendidas entre os 18 e os
aquisição de imagens em toda a amostra.
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Radiações
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A cada participante foi entregue um questionário que
Radioterapia, com supervisão e orientação por um
continha vários detalhes essenciais para a análise, tais
profissional experiente na área da ecografia mamária.
como: a idade, hábitos tabágicos, consumo de álcool,
Neste estudo foi utilizado o Teste de Correlação de
menstruação,
Pearson com o auxílio do software IBM SPSS Statistics
número
filhos,
palpação
regular,
antecedentes pessoais e familiares, entre outras.
Versão 22.0 para medição do grau de associação entre
Durante a ecografia, a participante foi posicionada em
duas variáveis (Figueiredo, 2016).
decúbito dorsal, com uma ligeira inclinação para o lado
A leitura dos valores da estatística de r de Pearson
contrário da mama que se estava a avaliar. O
podem ser interpretados da seguinte forma (por
varrimento foi feito no sentido dos ponteiros do relógio
convenção) (Figueiredo, 2016):
e foram adquiridasum total de 12 imagens (no mínimo),
•
r < 0,2 indica uma correlação linear muito baixa;
após avaliação bilateral.
•
0,2 e 0,39 baixa correlação linear;
Foi utilizado o equipamento ecográfico Logiq E da
•
0,4 e 0,69 moderada correlação linear;
General
Ultraschall,
•
0,70 e 0,89 alta correlação linear;
Deutschland) e uma sonda linear de 7-12 MHz. Na
•
0,9 e 1 correlação muito elevada.
Electrics
Healthcare
(GE
aquisição de imagens, foi utilizado um gel à base de água, que promove um contato acústico sem a
Resultados
necessidade de causar demasiada pressão sobre a
No total das 105 participantes, 30% (31 casos) tinham
mama das participantes, sendo assim possível obter
alterações do estroma mamário e os restantes 70% não
uma boa caracterização e visualização do estroma
tinham qualquer tipo de alterações.
mamário. Todas as imagens foram adquiridas por estudantes finalistas da Licenciatura em Imagem Médica e
13% 18 - 39 anos
15%
40 - 59 anos 60 - 79 anos
72%
Figura 1 – Gráfico representativo da percentagem de participantes em cada grupo, consoante a faixa etária.
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Radiações
Das participantes que tinham alterações (31 casos),
são representadas em 72%, dos 40 aos 59 anos são
apenas 21% (7 casos) tinha conhecimento das
representadas em 15% e dos 60 aos 79 anos 13%
mesmas.
(figura 1).
Inicialmente, as participantes foram divididas em três grupos com base na faixa etária: dos 18 aos 39 anos menstruadas,
apenas
61%
utilizada
método
No total das participantes inquiridas, 33,4% respondeu
contracetivo.
que tinham antecedentes familiares de patologia
Em relação ao consumo de bebidas alcoólicas com
mamária e 11,4% respondeu já ter antecedentes
frequência, maior parte das participantes negou a sua
pessoais.
ingestão (97%) e apenas 16% das inquiridas possuem
Quando questionadas se realizavam palpação mamária
hábitos tabágicos.
regularmente, 53,3% das participantes admitiram que
Todas as respostas ao questionário sociodemográficos
não o faziam. Apenas 30% das participantes do estudo
encontram-se demonstradas na figura 2.
já
tinham
filhos.
Das
84%
das
ANTECEDENTES FAMILIARES
participantes
70
35
ANTECEDENTES PESSOAIS
93
12
PALPAÇÃO REGULAR
49
FILHOS
56 73
32 40
MÉTODO CONTRACETIVO
65
16
MENTRUAÇÃO CONSUMO BEBIDAS ALCOÓLICAS
89 101
4
HÁBITOS TABÁGICOS
96
9 0
20
40 NÃO
60
80
100
SIM
Figura 2 - Gráfico representativo das respostas dadas pelas participantes ao questionário sociodemográfico.
Ao analisar a presença ou não de alterações no
Do total das participantes com alterações mamárias, as
estroma, por grupos etários, foi possível perceber que
lesões à esquerda (20,2%) estavam em maior número
nas participantes do grupo 1 (18-39 anos), 28,9%
que à direita (17,2%).
tinham alterações mamárias, no grupo 2 (40-59 anos),
Após
37,5% apresentavam lesões mamárias e por fim, no
participantes que tinham alterações da mama para
grupo 3 (60-79 anos), 23,1% apresentavam também
repetir o exame e perceber quais e se as alterações que
alterações (tabela 1).
se mantinham. Dessas participantes, 9 mantiveram as
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três
meses,
foram
contactadas
18
das
Radiações
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alterações, em 3 mulheres ficou comprovado tratar-se
restantes
6
mulheres
de falsos positivos (fase do ciclo ou tricotomia) e as
incompatibilidade de horário.
não
repetiram
por
Tabela 1 - Presença de patologia de acordo com idade. Grupos
Alterações
1 (18-39)
2 (40-59)
3 (60-79)
Sim
22 - 28,9%
6 – 37,5%
3 – 23,1%
Não
54 – 71,1%
10 – 62,5%
10 – 76,9%
76 – 100%
16 – 100%
13 – 100%
Total
Analisou-se a correlação entre as diversas variáveis,
para idade e outros exames que as participantes já
sendo que a presença ou não de alterações mamárias
tinham realizado anteriormente (r entre 0,4 e 0,69 -
apresenta
moderada correlação linear).
uma
correlação
positiva
com
os
antecedentes pessoais (p<0,05) e, a idade apresenta uma correlação positiva com outros exames que as
Discussão
participantes
anteriormente
Neste estudo, foi possível verificar que as alterações
(p<0,05). Todas as outras variáveis neste estudo não
mamárias podem ocorrer em qualquer faixa etária e
tiveram uma correlação significativa pelo teste de
que existem vários fatores externos que podem
Pearson.
funcionar como fatores de risco ou de salvaguarda.
No entanto, a correlação destas variáveis é baixa (r
Assim sendo, torna-se importante a avaliação por
entre 0,2 e 0,39 - baixa correlação linear), quando as
ecografia mamária desde cedo e não a partir de
variáveis são a presença ou não de alterações
determinada idade.
já
tinham
realizado
mamárias e os antecedentes pessoais e moderada
As alterações mamárias podem ocorrer em qualquer faixa etária e existem vários fatores externos que podem funcionar como fatores de risco ou de salvaguarda. Atualmente, considera-se que o exame de primeira
Embora a densidade mamária tende a diminuir com a
linha para diagnóstico precoce da patologia mamária é
idade, é um problema significativo em mulheres de
a mamografia. Todavia, é uma ferramenta imperfeita e
todas as idades, uma vez que com o aumento da
não igualmente eficaz em todas as mulheres. No geral,
densidade da mama, também aumenta a probabilidade
a sensibilidade de mamografia para a deteção de
de desenvolvimento de cancro da mama (Brem et al.,
cancro de mama é de 85%. No entanto, nas mulheres
2015; Gartlehner et al., 2013; Wang et al., 2020).
com tecido mamário denso, a sensibilidade de
O varrimento ecográfico da mama pode ser uma
mamografia passa é mais baixa, sendo de 47,8-64,4%.
solução para a deteção de carcinoma mamário não
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Radiações
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detetado na mamografia em mulheres com tecido
Ao analisar os dados obtidos neste estudo, é possível
mamário denso, para quem a mamografia é menos
afirmar que é no grupo 2 (40-59 anos) que existe maior
eficaz e nas mulheres que têm um risco aumentado de
incidência de alterações na mama. No entanto,
cancro da mama. Mulheres com tecido mamário denso
observa-se que também no grupo 1 (18-39 anos) a
constituem o maior grupo de mulheres de risco
percentagens de alterações é alta. A maior incidência
intermédio para as quais a mamografia pode não ser
de nódulos mamários foi relativamente maior em
suficiente. A ecografia mamária deteta patologia
mulheres em idade reprodutiva (Gonzaga, 2010;
mamária
clinicamente
Stachs et al., 2019). Confirmou-se igualmente que com
significativa, invasiva e predominantemente com
o aumento da idade das participantes a densidade do
nódulos linfáticos negativos (Wang et al., 2020).
estroma mamário diminui (Seo et al., 2002).
de
pequenas
dimensões,
Este exame não substitui a mamografia, mas em conjunto com a ecografia podem complementarse.
A correlação positiva entre a presença ou não de
informação importante para um diagnóstico precoce,
alterações mamárias com os antecedentes pessoais
sendo que se o nódulo for mais superficial é detetado
(p<0,05) sugere que com o aumento destes, aumenta
com mais facilidade (Baxter, 2001). Neste estudo, das
a incidência de alterações mamárias.
56 participantes que não realizavam palpação regular,
Relativamente às restantes variáveis não foram
17 tinham alterações na mama e o autoexame poderia
encontradas relações significativas. Isto pode dever-se
ter sido uma ferramenta importante para detetar esta
ao facto de a amostra ser reduzida ou de existirem
alteração mais cedo.
algumas inconsistências na recolha dos dados através
Não foi encontrada ao longo do estudo nenhuma
dos questionários realizados. O estudo de Lacerda et
alteração com características malignas. A ecografia
al. (2018) permite observar uma cronologia natural da
tem um papel mais significativo na diferenciação entre
doença associada à idade (Lacerda et al., 2018).
quistos e massas sólidas (Gonzaga, 2010).
De ressalvar que este exame não substitui a mamografia, mas em conjunto com a ecografia podem
Conclusão
complementar-se (Brem et al., 2015; Gartlehner et al.,
No decorrer do estudo comprovou-se que o método de
2013; Mehnati et al., 2015; Wang et al., 2020). No
avaliação por ecografia tem inúmeras vantagens
estudo de Brem et al. (2015), a sensibilidade da
quando lado a lado com a mamografia e com o exame
realização da mamografia combinada com a ecografia
físico, na medida em que auxilia a um diagnóstico de
foi maior do que aquando da realização de apenas a
patologia mamária de forma precoce.
mamografia (76% vs. 52%), com uma diminuição na
Através desta técnica foram detetadas alterações
especificidade de 91% com mamografia, para 84% com
benignas (nódulos e quistos) nas participantes.
mamografia em conjunto com a ecografia (Brem et al.,
Conclui-se então que é de extrema importância a
2015). Também o auto-palpação da mama pode trazer
deteção das mesmas precocemente, para que possa
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Radiações
haver
um
acompanhamento
da
evolução
das
Através do presente estudo constatou-se que as
alterações, o que no futuro poderá trazer várias
participantes não realizam tantas vezes como seria de
vantagens. Os resultados revelaram-se bastante
desejar o autoexame da mama, sendo este o primeiro
positivos, pois a população feminina em geral participou
passo para a deteção precoce de qualquer patologia
livremente e só ocorreram dificuldades para a segunda
associada à mama.
fase de avaliação devido à incompatibilidade de horários e pelo facto de ser necessário esperar 3 meses após a primeira avaliação.
A avaliação por ecografia mamária deveria ser de fácil acessibilidade, pois além das suas vantagens é uma técnica mais facilmente aceite pela população devido ao facto de ser indolor. Por fim, conclui-se que a avaliação por ecografia
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“Dia-a-dia com…”
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Dia-a-dia com… Cátia Cunha Passaram-se uns anos desde que decidi que o meu futuro deveria passar por esta profissão. Uma familiar querida, na altura a fazer tratamento de radioterapia, falava das pessoas, dos terapeutas e do processo envolvido, com tanto apreço, com cariz tão importante, que percebi que aquela poderia ser ajunção perfeita para mim:o gosto pelo estudo da física e dabiologia, aliado à possibilidade de poder dar o meu contributo, deixar “a minha marca”, contribuindo para a saúde e bem-estar de outras pessoas, de repente, tudo me pareceu perfeito! Estava escolhido! Mas esta foi, talvez, a escolha mais ingénua da minha vida!
Em 2004, quando iniciei a minha formação superior, éramos pouquíssimos: 14 jovens recémadmitidos no curso de Radioterapia da Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto (ESTSP) que, entre desistências e outras circunstâncias, se reduziram no final, em 2008, a apenas nove. Ora, este facto – a circunstância de sermos poucos – deu-nos uma vantagem: a possibilidade de termos a maioria das aulas “no terreno”. Frequentávamos o Hospital de São João (HSJ) e o Instituto Português de Oncologia (IPO) Porto como se lá pertencêssemos: já conhecíamos bem o serviço, as pessoas, os corredores, o bar e o refeitório, as entradas e saídas…. Enquanto estudantes temos um profundo crer no mundo, que se dissipa quando percebemos que ainda somos pequeninos e que ainda há muita para percorrer e aprender. E ainda bem que assim é. Comecei a trabalhar no IPO de Coimbra mas, apenas dois meses depois optei por mudar para o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) em Vila Real. Guardo boas recordações e muita admiração pela equipa do IPO de Coimbra, mas o contrato provisório lá e a
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ideia de poder acompanhar um começo de um serviço de raiz foram decisivos na minha motivação de mudança. E 12 anos, um marido, duas filhas e uma gata depois, ainda cá estou!
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No CHTMAD começamos por ser uma equipa reduzidíssima, mas sempre pautada pela vontade de aprender e com muita noção e consciência das responsabilidades e deveres que assumimos. Como sempre nos ensinou a nossa mentora, a Terapeuta Armanda Monteiro, "devemos sempre fazer o melhor que sabemos com o melhor que temos". Esta premissa vale até hoje e aplica-se não só à profissão, mas a quase tudo na vida.
TC de planeamento O doente é encaminhado para a Tomografia Computorizada (TC) de planeamento, já com diagnóstico definido e com plano de tratamento traçado. Assim sabemos o que se pretende tratar, durante quantas sessões e qual a dose pretendida, claro que nada é estanque e muitas vezes há necessidade de ajuste pelo Radiooncologista.
Na Radioterapia do CHTMAD, hoje com uma equipa que ainda é pequena, mas ainda assim quatro vezes maior do que há 12 anos atrás, faço de tudo (assim como muitos dos meus colegas): Tomografia computorizada (TC) de planeamento, delineação de volumes, planeamento dosimétrico e tratamento de radioterapia externa, assim como os vários passos entre cada uma destas etapas. Esta polivalência é dificílima, mas desde cedo nos habituamos à importância de “se saber de tudo”. Claro que há colegas mais dedicados a uma determinada área e outros noutras, e o processo de aprendizagem não é rápido, mas com perseverança mostramos a nossa capacidade.
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Esta TC não é uma TC qualquer. É feita com um tampo de mesa e suportes de imobilização adequados ao paciente, ao diagnóstico e ao tratamento, com o doente deitado de acordo com a região a tratar e imobilizado de forma reprodutível e confortável. O que for definido aqui
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será reproduzido durante todos os tratamentos da mesma forma.
que irá tratar e esta delineação cabe ao radiooncologista (planning target volume - PTV, clinical target volume - CTV, gross tumor volume GTV, internal target volume - ITV…) e nós técnicos de radioterapia delineamos os órgãos de risco (OAR), ou seja, todos os órgãos, tecidos e/ou estruturas circundantes que queremos evitar ou poupar ao máximo. Cada um destes OAR, que podem ser mais ou menos radiossensíveis, e cujos efeitos secundários e toxicidade podem ser mais ou menos toleráveis, têm uma dose limite em dose/volume ou em dose máxima, que por vezes varia de acordo com a estrutura e o próprio processo terapêutico (ex.: se fez ou não quimioterapia e dependendo do quimio-fármaco).
A aquisição de imagem é efetuada de acordo com os protocolos definidos para a radioterapia, com espaçamento entre corte de 2 ou 3mm de acordo com o escolhido, e a range de cortes envolve região de tratamento e boa margem. Aqui é definido o isocentro e são tatuados os pontos de referência na pele, mesmo que exista necessidade de mudança de isocentro, este será sempre calculado a partir do que foi definido nesta etapa. O paciente será deitado e alinhado de acordo com estas marcações no decorrer do tratamento e os ajustes calculados a partir daqui.
Esta delineação de volumes, apesar de parecer muito engraçado passar a manhã ou tarde a desenhar numa ferramenta algo parecida com o paint, tem os seus desafios. Processo burocrático Arranjar vaga é uma dor de cabeça, atrevendo-me a dizer que é um problema de norte a sul do país. Na Oncologia muitas vezes o ideal é ontem, principalmente para o doente, mesmo que o protocolo nos diga que ainda temos tempo para iniciar, a gestão das expectativas do doente é complexa. Adicionando a complexidade do transporte: o doente A que inicia tratamento no dia x, vem com os doentes B, C e D, e aqui a tarefa
Após adquiridas as imagens estas são enviadas para um programa de delineação e é definido o
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atinge nível de complexidade próxima à de “passar o Alto de Espinho no meio de um nevão” …
Procurar o melhor plano, aquele que tem a melhor cobertura de dose no volume a tratar e a melhor conjugação de campos de acordo com o envolvente, tendo em conta o doente, a sua condição clínica, e minimizando efeitos secundários, e ao mesmo tempo potenciando um tratamento simples, rápido e eficaz, pode demorar, por vezes o que parece uma eternidade. Posteriormente caberá ao radiooncologista a aceitação e validação da proposta de planeamento dosimétrico.
Planeamento dosimétrico Nesta etapa, procura-se o melhor arranjo de campos, com a melhor distribuição de energia e peso de forma à radiação atingir o local a tratar (o tal PTV, ou ITV…) e a não atingir nada mais órgãos, tecidos ou estruturas, que circundam a zona a tratar. É aqui que passamos a considerar que o passo de arranjar uma vaga afinal é fácil! Controlo de qualidade Apesar de muitas instituições integrarem os técnicos na equipa de controlo de qualidade, na instituição onde trabalho é o engenheiro físico o responsável por todo este processo: controlo, verificação, medição e validação final. Este é mais um dos processos complexos e de responsabilidade, em que é verificado tudo o que foi efetuado, se o planeamento respeita as normas, e preparado todo o processo seguinte.
Este jogo do gato e do rato é para mim o mais desafiante e interessante.
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tratamento, sendo verificado o correto posicionamento do paciente, dos seus órgãos e estruturas, e estes se encontram conforme o definido na TC e planeado na dosimetria. Neste processo é efetuada uma fusão de imagem (um match) entre o planeado e o real. Todos os dias é ainda verificado um grupo de parâmetros antes de se debitar a dose diária prescrita, havendo lugar a uma nova verificação no final do tratamento. Tratamento A última etapa, a mais longa, com mais subetapas, com maior número de pessoas envolvidas e a mais complexa na prevenção do erro. Preparado, verificado e programado todo o tratamento, o doente pode ser chamado, e finalmente tratado. O tratamento resulta do somatório do trabalho de todas as fases anteriores. Será reproduzido o posicionamento da TC de planeamento, executado o planeado na dosimetria em concordância com o prescrito pelo radiooncologista e debitado de acordo com as especificidades do controlo de qualidade.
Finalizando Ainda acredito que o que fazemos é importante e que tem muito peso nas vidas com que nos cruzamos. Mas há muito a fazer. As nossas profissões são subvalorizadas e muito desconhecidas. Cabe a nós a mudança. Cabe a nós mostrar que temos peso e somos fundamentais, tal como tantos outros profissionais. Quero defender a minha profissão e mostrar que somos profissionais capazes, esforçados, atentos e informados, que se esforçam pelo conhecimento e valorização.
Antes de iniciar o tratamento o paciente é acolhido e é-lhe explicado todo o processo. No decorrer das diferentes sessões de tratamento fazem-se verificações diárias ou previamente determinadas de acordo com o protocolo escolhido e especificidades do paciente ou do próprio
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Neste momento as áreas são estas, no entanto, a ciência e a tecnologia com a qual trabalho estão em constante evolução, e todos os dias surgem ideias e oportunidades novas, por isso tenho a certeza de que daqui por uns anos quando reler este artigo uma parte se encontrará desatualizada. Apesar de depender muito da tecnologia também dependo do meu saber, pelo que considero importante a atualização técnico-científica, formação em novas tecnologias, por vezes ainda não existentes no país, pelo que o meu dia também passa por esta vertente de estudo, investigação e produção de nova ciência.
Hoje é assim, amanhã não sei...
Photo credits: Levina Sá.
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Dia-a-dia com… Inês Moreira
Chamo-me Inês e sou Técnica de Radiologia. Trabalho no Centro Hospitalar Universitário São João, mais especificamente na área da Mamografia, situada no Centro de Mama. Uma unidade certificada por uma entidade europeia, a EUSOMA – European Society of Breast Cancer Specialists. Sou também assistente convidada na Escola Superior de Saúde do Porto, na área das Ciências Morfológicas, para além de investigadora e estudante de doutoramento, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
Todos os dias dou comigo mesma a exercer cada uma destas profissões, se assim as podemos chamar. Não sei se gosto de chamar profissões. Porque, como alguém disse, “faz o que gostas e não precisas de trabalhar um único dia”. Além disso, sou filha, irmã, esposa e mãe de um lindo menino de 4 anos. Para conseguir lidar com tudo isto diariamente, é preciso organização. É preciso disponibilidade para essa organização. É preciso também que estejamos rodeados de pessoas à nossa volta que nos querem bem, e que nos ajudem. Porque não somos nada sem ninguém. Todos os dias chego pelas 8h ao hospital. Ligo o mamógrafo e verifico que o mesmo está conforme, de acordo com o protocolo de controlo de qualidade que está estabelecido. Coloco o EPI adequado para esta altura conturbada em que estamos a viver. É preciso proteção máxima, não a posso descurar, para mim e para os outros. A mamografia é dita como sendo um exame que requer 4 incidências de rotina, e pouco mais. Mas a verdade é que 12 anos de experiência em patologia mamária me dizem que há muito mais. Há uma série de incidências complementares para ajudar ao diagnóstico, há tomossíntese mamária,
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há biopsias guiadas por estereotaxia, há localizações pré-operatórias, há radiografias de peças operatórias e de fragmentos de biópsia. E há mamografia com duplo contraste, e tantas outras técnicas relacionadas com a mamografia. Há exames a doentes que foram submetidas a quimioterapia primária (ver a importância da mamografia na figura 1), a doentes que foram submetidas a cirurgia e radioterapia, há doentes que irão ser submetidas a uma biópsia. Saber gerir a expectativa do resultado não é fácil. Todas estas doentes requerem atenção especial, devido ao estado de ansiedade e de cansaço causado pela luta contra esta doença que é o cancro da mama. Durante o exame, há uma proximidade muito grande com o doente, não só fisicamente - e daí todo o EPI necessário - como também com a dimensão mais pessoal de cada um. Cabe-nos a nós enquanto profissional de saúde saber ouvir o doente. É preciso haver dedicação ao doente, e tempo para ele também. É preciso saber utilizar a escuta ativa, e a comunicação interativa. Saber explicar o porquê da compressão, conseguir que a pessoa tolere a compressão e que colabore no posicionamento, fazer com que a pessoa se sinta
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confortável, para que consigamos executar uma boa técnica radiológica, e assim obtermos imagens de alta consistência e de excelente qualidade. Só assim conseguimos bons resultados
e bons diagnósticos para continuarmos com os padrões de excelência que a Certificação exige.
Reavaliação pós-quimioterapia primária: incidências crânio-caudal à mama esquerda de uma paciente com um carcinoma invasor. 1) Nódulo irregular associado a microcalcificações; 2) Após 5 meses de tratamento sistémico, observa-se uma diminuição do nódulo, traduzindo uma ligeira distorção arquitetural associada a microcalcificações (estas por norma nunca desaparecem). A paciente teve assim uma boa resposta ao tratamento. Fonte: Centro de Mama, CHSJ, 2009
Ao mesmo tempo que decorre o exame, os critérios de boa realização são aferidos, assim como a sua qualidade diagnóstica e a necessidade de repetição, bem como de incidências complementares. Avaliar o estado emocional da paciente após o exame é fundamental, assim como relembrar que é importante fazer o exame periodicamente.
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contribuímos para a formação de técnicos de saúde, e isso exige uma constante atualização de conhecimentos, assim como o arranjar estratégias diferentes de aprendizagem para transmitir esse conhecimento e para motivar os alunos. Tento sempre conhecê-los, saber o nome de cada um e o que motiva cada um, e aprender também com eles.
O saber trabalhar em equipa é também imprescindível. Trabalho numa equipa multidisciplinar com médicos radiologistas, enfermeiros, assistentes operacionais e administrativos, onde cada um tem a sua função, e não a consegue executar bem se não estiver em sintonia com os outros. Para além de técnica de radiologia, encontro-me responsável por todo o equipamento e sua manutenção no Centro de Mama, para conseguirmos dar resposta ao processo de certificação. Sou também responsável pelo registo do Euromilhões, em que acreditamos que um dia iremos ganhar o primeiro prémio… bem, como se costuma dizer, a esperança é a última a morrer! A minha pausa é ao almoço, na copa, com o resto da equipa. Também existe a tradição de, quando alguém faz anos, partilharmos um momento a meio do ritmo de trabalho. Claro que, com a situação pandémica em que vivemos, estes momentos são naturalmente adaptados, e cuidados. Seguidamente, à tarde, vou para a ESS, dar aulas aos alunos do primeiro ano de Imagem Médica e Radioterapia. É estimulante saber que
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Quando não tenho atividade no hospital e na escola, é tempo para me dedicar à minha investigação e doutoramento. Implica muito estudo, reuniões, muitas horas de dedicação e esforço, e sendo extralaboral implica também que prescinda do meu tempo que tenho para fazer as coisas de que mais gosto e de estar com a família. Acreditar que tudo compensa, e que quem corre por gosto, não cansa. É tudo uma questão de equilíbrio e, mais uma vez, de organização. Sempre que posso gosto, também gosto de acompanhar as tecnologias emergentes nas diversas áreas de IMR, participando em formações e congressos. Porque a área da Imagem Médica fascina-me, e cada vez se torna mais interessante. Aqui fica um bocadinho de mim.
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ESPAÇO PROFISSIONAIS
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Desenvolvimento e avaliação de um curso Elearning sobre proteção radiológica em veterinária Gianluca Bentivegna1,2, Sandra M. Rua Ventura3, Pedro P. Rodrigues4 1
Técnico de Radiologia do Centro de Imagem Médico-Veterinária Montenegro;
2
MSc em Educação Académica e Clínica pela Faculdade de Medicina da Universidade de Porto
(FMUP); 3
Professora Adjunta da Área Técnico-Científica da Radiologia, Escola Superior de Saúde do Porto
(ESS), Instituto Politécnico do Porto (IPP); 4
Professor Auxiliar do Departamento de Medicina da Comunidade, Informação e Decisão em
Saúde, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).
Resumo Os efeitos colaterais resultantes da exposição à radiação ionizante são cada vez mais uma preocupação global,
fundamentalmente os riscos ocupacionais dos profissionais frequentemente expostos, tal como os veterinários. Todavia, e de modo a balancear a relação risco-benefício da exposição à radiação, todos os profissionais e estudantes devem manter-se em constante aprendizagem. De entre os diversos métodos educacionais, o E-learning tem vindo a assumir um papel fundamental, nomeadamente, na formação continuada dos profissionais, com resultados significativos de eficácia e satisfação. Neste contexto, foi criado e implementado um curso em ambiente E-learning sobre proteção radiológica em veterinária para profissionais desta área. A eficácia do curso foi avaliada através das aprendizagens dos formandos (ganho pedagógico) e da satisfação dos participantes (Níveis I e II do modelo de Kirkpatrick). Os participantes foram submetidos a uma primeira avaliação (pré-teste) antes da implementação do curso e, a uma avaliação final (pós-teste) após o curso, terminando com um questionário de satisfação. De uma forma geral, 82 formandos iniciaram o curso e realizaram o pré-teste, porém, apenas 46 completaram o curso com a realização do pós-teste. Pela análise estatística, observou-se uma melhoria significativa do pré para o pós-teste em todos os grupos (médicos, enfermeiros e estudantes veterinários). Os resultados do ganho pedagógico revelaram diferenças na avaliação do conhecimento antes e após o curso [M(pré)=9,34, σ=2,88; M(pós)=13,43, SD=3,22], comprovando a eficácia do mesmo. Relativamente ao grau de satisfação, 84,4% dos participantes ficaram satisfeitos e 86,6% consideraram o curso bem-sucedido. Em conclusão, este curso comprovou ser uma ferramenta fundamental para o aumento de conhecimentos em radioprotecção para os grupos da área da veterinária, representando um potencial incentivo para melhorar e expandir o conhecimento nesta área. Palavras-chave: Veterinária, radiação ionizante, proteção radiológica, E-learning, formação, avaliação.
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Abstract The side effects of ionizing radiation exposure are an increasing global concern, especially among professionals who are frequently exposed, such as veterinarians. However, the risk-benefit dialogue of radiation exposure is essential and an obligation. For this reason, all professionals and students must remain in continuous learning. The e-learning system became a fundamental tool in assisting education and presenting significant results of efficacy and satisfaction. Therefore, an e-learning course on radiological protection for veterinary professionals and students was developed, to evaluate the learning and satisfaction (Levels I e II of the Kirkpatrick model). A first assessment (pre-test) before the course and a final assessment (post-test) after the course, were implemented. At the end, a satisfaction questionnaire was answered. From the 82 participants submitted to the pre-test, only 46 participants concluded the course. Statistical analysis shows a significant knowledge improvement from the pre to post-tests in all groups and a clear difference in the average classifications between the professional groups (veterinarians, nurses and veterinary students). The results of the pedagogical gain revealed differences in the knowledge assessment before and after the course [M(pre)=9,34, SD=2,88; M(post)=13,43, SD=3,22], demonstrating its effectiveness. Regarding the degree of satisfaction, 84,4% of the participants were satisfied and 86,6% considered that the course was successful. In conclusion, this course proved to be a fundamental tool for increasing the knowledge in radiological protection for veterinary professionals, representing a potential incentive to improve and expand knowledge in this field. Keywords: Veterinary Practice, Ionizing Radiation, Radiological Protection, E-learning, Education, Evaluation.
(Direção-Geral da Saúde, 2016; Ginja & Ferreira, 2002;
Introdução
Sreetharan et al., 2017). Na medicina veterinária, a
A constante exposição dos profissionais à radiação
constante exposição à radiação ionizante pelos
ionizante é uma preocupação global pelos efeitos
profissionais, significa que poderá existir uma maior
colaterais resultantes na sua saúde. Os efeitos
propensão ao desenvolvimento de efeitos estocásticos
estocásticos são caracterizados por danos não letais do
(Gregorich et al., 2018).
material genético de células somáticas ou germinativas.
Estudos prévios reforçam a ideia de que a maioria dos
Uma falha na tentativa da correção celular, pode
estudos
resultar no desenvolvimento neoplásico e/ou na transmissão
hereditária
do
material
realizados
em
veterinária,
obrigam à presença dos profissionais no interior da sala
genético
de exames (Mayer et al., 2018, 2019; Roth & Klaus,
danificado. A não existência de um limiar de dose para
2016). Em grande parte destes, os animais não são
estes efeitos, sugere um possível desenvolvimento a
colaborantes quando não sedados, exigindo rapidez de
médio/longo prazo, assegurando assim, que o seu
execução do exame. Consequentemente, verifica-se a
desenvolvimento é proporcional à dose de radiação,
ausência ou incorreta utilização do material de proteção
mas a sua gravidade é independente da dose recebida.
radiológica por parte destes profissionais bem como a
Contudo, em doses suficientes, a exposição à radiação
necessidade de repetição de radiografias pela incorreta
pode causar danos graves ou até mesmo a morte
seleção dos parâmetros de exposição, pobre qualidade
celular, comprometendo o normal funcionamento do tecido e/ou órgão afetados (efeitos determinísticos)
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radiográficos
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imagiológica e/ou inadequado posicionamento do animal (Baker, 2014; Mayer et al., 2018, 2019).
Na medicina veterinária, a constante exposição à radiação ionizante pelos profissionais, significa que poderá existir uma maior propensão ao desenvolvimento de efeitos estocásticos. Mais se denota que, nos últimos anos, tem-se
radiológica em Portugal, cresce uma necessidade de
confirmado um acentuado predomínio do género
aprendizagem continuada mais marcada e abrangente,
feminino
que
destacando-se o E-learning como um método facilitador
demonstram a frequente exposição de mulheres em
do processo ensino/aprendizagem. Por se tratar de
idade fértil à radiação ionizante (Scheftel et al., 2017).
uma ferramenta que utiliza a internet como forma de
Embora existam já publicadas guidelines internacionais
transmissão e partilha de conhecimentos, atrai um
de segurança e boas práticas para profissionais de
maior
veterinária (BVA, 2019; HERCA, 2017), vários estudos
extraordinário
revelam lacunas severas nos conhecimentos gerais
simplicidade e rapidez de comunicação, facilidade na
sobre radiação e proteção radiológica, não só em
gestão e compatibilidade de horários e pela não
médicos veterinários como também em enfermeiros e
necessidade
auxiliares veterinários (Gregorich et al., 2018; Lee et al.,
multidisciplinares realizados acerca desta metodologia
2012; Mayer et al., 2018). Desta forma, para uma maior
de ensino, reforçam a sua eficácia e eficiência
sensibilização e conhecimento destes profissionais
chegando mesmo, alguns autores, a equipará-lo aos
face aos efeitos negativos da exposição à radiação
métodos de ensino mais tradicionais (Choules, 2007;
ionizante,
de
Masic, 2008; Ruiz et al., 2006). De destacar ainda que,
desenvolvimento e aplicação de ferramentas de
em associação, o E-learning apresenta-se como um
aprendizagem e treino específico para a área da
método
veterinária.
participante (Moreira et al., 2015; Papillion & Aaron,
Reconhecendo as reais limitações e dificuldades na
2017).
na
veterinária,
justifica-se
a
existindo
maior
autores
necessidade
número
de nos
de
altamente
interessados, reduzidos
pelo
custos
deslocação.
satisfatório
associados,
Vários
na
interesse
estudos
comunidade
obtenção da formação específica na área da proteção
Dadas as limitações na obtenção da formação específica em proteção radiológica em Portugal, cresce a necessidade de aprendizagem por E-learning.
Deste modo, de forma a colmatar as lacunas sentidas
proteção radiológica. Este curso foi avaliado quanto à
pelos profissionais de veterinária no âmbito da proteção
sua eficácia e à satisfação dos participantes.
radiológica e, considerando o impacto do E-learning na sociedade atual, foi desenvolvido um curso online sobre
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44
Radiações
Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Materiais e métodos
MoodleCloud® totalmente em português por meio de
•
textos, imagens, vídeos e áudios. Os conteúdos do
Participantes e admissão
curso foram produzidos através do programa Microsoft
A população alvo deste estudo foi a comunidade
PowerPoint® Por sua vez, estes foram estabelecidos
veterinária de Portugal, maioritariamente proveniente
de acordo com as guidelines apresentadas pela Heads
do norte do país. Nesta população incluíram-se
of
médicos veterinários (V), enfermeiros veterinários (VN)
cada
dez anos de experiência profissional como docentes
participante.
universitários no âmbito da radiologia e da medicina
Posteriormente à validação das candidaturas, cada
veterinária.
participante foi notificado, recebendo informações
O curso foi estruturado em dois módulos distintos,
sobre o processo de registo e autenticação na plataforma
online
bem
como
sobre
regras
sendo o módulo 1 composto por 4 aulas e o módulo 2
e
composto por 3 aulas. Como método de controlo e
desenvolvimento geral do curso. Foram validadas um
organização, as aulas foram disponibilizadas de acordo
total de 113 candidaturas no curso, resultando numa
com um cronograma antecipadamente publicado e,
amostra final de 82 participantes. •
Competent
foram validados por dois experts, ambos com mais de
de um consentimento informado onde constavam de
Protection
coerência e robustez dos conteúdos, posteriormente,
curso, foram recebidas as candidaturas acompanhadas
gerais
Radiological
Authorities (HERCA). De destacar que, para uma maior
e estudantes de veterinária (VSt). Após divulgação do
informações
European
com intervalos de tempo específicos para a realização
Desenho e implementação do curso
das provas de avaliação (pré-teste, quiz intermédio e
Foi criado um curso online assíncrono sobre proteção
pós-teste).
radiológica em veterinária com recurso à plataforma
Foi criado um curso online sobre proteção radiológica em veterinária, totalmente em português. Para que os participantes pudessem ter acesso integral
obrigatoriamente, que realizar a prova no dia estipulado
ao curso, inicialmente foi solicitada a realização de uma
no cronograma, dispondo de 20 minutos após abertura
prova de avaliação designada de pré-teste. No final do
do link para a sua conclusão, desencorajando assim,
curso, foi realizada a avaliação das aprendizagens
possíveis fraudes.
(designada de pós-teste) de cariz obrigatório para a certificação individual de cada participante.
•
Os testes foram revistos e validados por quatro
A avaliação global do curso teve por base o modelo de
veterinários experientes e independentes, que não
Kirkpatrick,
participaram no curso.
(reação/satisfação) e o nível 2 (aprendizagem). A
Os testes de avaliação eram constituídos por 14
diferença das notas entre o pré e pós-teste representa
questões de escolha múltipla e apresentavam o mesmo
o ganho de aprendizagem dos formandos. Por outro
grau
lado, o nível de satisfação dos formandos (nível 1) foi
de
dificuldade.
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Os
formandos
tinham,
45
Avaliação do curso
nomeadamente,
o
nível
1
Radiações
Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
avaliado através da realização de um questionário
uma escala internacional de Likert de 7 pontos, sendo
validado internacionalmente (Wang, 2003).
1 (discordo totalmente) e 7 (concordo totalmente).
•
Resultados
Análise estatística
Média (M) e desvio padrão (SD) foram utilizados como
•
variáveis descritivas. A normalidade das variáveis foi
Características dos formandos
Foram validadas um total de 113 candidaturas no
testada através dos testes de Kolmogorov-Smirnov
curso, porém, somente 79,6% (n=90) procederam à
(n≥50) e Shapiro-Wilk (n<50). A comparação entre as
inscrição obrigatória na plataforma online Moodle. Dos
notas do pré e do pós-teste foram alcançadas através
candidatos inscritos, 91,1% (n=82) iniciou o curso com
da realização de um teste T-Student emparelhado. Por
a realização do pré-teste, dos quais, 31V, 22VN e
sua vez, a correlação entre variáveis contínuas (notas
29VSt. No decorrer do curso, foram verificadas
dos testes) foi obtida através do teste de correlação de
desistências, sendo que, do total dos inscritos, apenas
Pearson enquanto que, a correlação entre variáveis
51,1% (n=46) terminaram o curso e realizaram o pós-
discretas (desistências) foi obtida através do teste de
teste. Por sua vez, dos 46 formandos que terminaram o
correlação de Spearman. Testes ANOVA e MANOVA
curso, 97,8% (n=45) responderam ao questionário de
foram realizados para a avaliação das notas do pré e
satisfação.
do pós-teste entre grupos profissionais. As respostas
Dos 82 formandos que iniciaram o curso, 78,1% (n=64)
ao questionário de satisfação foram obtidas através de
eram mulheres e 21,9% (n=18) eram homens.
Figura 1. Desenho do estudo
•
Ganho de conhecimento e satisfação dos formandos
Após a realização do pré-teste, verificou-se que mais de 50% dos formandos obtiveram nota final inferior a 10 valores (M=9,34; SD=2,88) (Figura 2). Figura 2. Diagrama de caixa dispondo as notas e a média geral do pré-teste
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Radiações
Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Dos 46 formandos que terminaram o curso com a
Estratificando por grupo profissional, observa-se que os
realização do pós-teste, observou-se que mais de 80%
médicos veterinários obtiveram notas superiores aos
obteve nota final do teste acima dos 10 valores
restantes grupos, tanto no pré como no pós-teste
(M=13,43; SD=3,22) (Figura 3).
(Figura 4). Além disso, observou-se que, formandos que obtiveram notas
superiores
no
pré-teste,
obtiveram,
consequentemente, notas superiores no pós-teste, pelo que se concluiu, existir uma dependência e uma moderada correlação entre elas (p<0,05; r=0,402). Figura 3. Diagrama de caixa dispondo as notas e a média geral do pós-teste
Figura 4. Diagrama de caixa dispondo as notas do pré e do pós-teste por grupo profissional
Relativamente à idade, observou-se que, formandos
Por fim, face às respostas obtidas no questionário de
mais velhos apresentaram notas superiores tanto no
satisfação, 84,4% dos formandos (n=38) demonstrou-
pré como no pós-teste relativamente a formandos mais
se satisfeito com o curso e 86,6% dos formandos
novos, porém, sem significância estatística (p>0,05).
(n=39) concordou que o curso foi bem-sucedido.
Um conhecimento alargado sobre os princípios físicos e efeitos da exposição à radiação, proporciona um aumento da qualidade imagiológica bem como a redução na exposição desnecessária dos profissionais.
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Radiações
Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
frequência do curso, o que vai de encontro a outros
Discussão dos resultados Recentemente,
o
ensino
à
distância
estudos que apontam um aumento significativo da
tem-se
população feminina no mundo da veterinária (Baker,
demonstrado como uma ferramenta preponderante no
2014; Mayer et al., 2018, 2019; Scheftel et al., 2017).
auxílio à educação contínua, inclusivamente, no âmbito
Todavia, um alargamento da amostra poderia ser
da proteção radiológica.
importante, por forma a reforçar os resultados obtidos.
Um conhecimento alargado sobre os princípios físicos
Relativamente à avaliação do curso, tendo em
e efeitos secundários da exposição à radiação,
consideração o ganho de conhecimento dos formandos
proporciona um aumento da qualidade imagiológica
(nível 2 de Kirkpatrick), observou-se que o número de
bem como uma redução significativa na exposição
formandos
desnecessária dos profissionais. Estas componentes,
desenvolvido
um
curso
online
veterinária, sobre
dos cursos (Creevy et al., 2018; Debevc et al., 2014;
foi
Jayakumar et al., 2015; McDonald et al., 2018; Moreira
proteção
et al., 2015, 2019; Oliveira et al., 2017). Além disso,
radiológica em veterinária. A eficácia do curso foi
formandos mais velhos (e experientes) obtiveram
avaliada através das aprendizagens dos formandos
melhores resultados gerais, indicando possivelmente,
(ganho pedagógico) e da satisfação dos participantes (correspondendo
aos
níveis
I
e
II
valores)
conhecimento gradual dos formandos, do início ao fim
radiológica. No sentido de colmatar as lacunas dos de
(≥9,5
semelhantes que mostraram existir um ganho de
que concerne à utilização da radiação e proteção
estudantes
positiva
Estes resultados são corroborados por estudos
veterinária, condicionando os futuros profissionais no
e
nota
praticamente que duplicou do pré para o pós-teste.
são superficialmente abordadas ao longo dos cursos de
profissionais
com
que a experiência profissional pode aumentar e reforçar
do
a aprendizagem. Autores internacionais afirmam existir
modelo de Kirkpatrick).
uma correlação entre a idade e a experiência, sendo
De entre os participantes no curso, observou-se uma
frequentemente exponencial, quando correlacionada
predominância do género feminino na adesão e
com os resultados (Papillion & Aaron, 2017).
De todas as metodologias imagiológicas utilizadas em veterinária, a radiologia convencional é, sem dúvida, um dos métodos mais regularmente utilizados. A satisfação dos formandos é, de igual forma associada
vai de encontro à bibliografia existente (Abdelhai et al.,
por diversos autores, a resultados superiores na
2012; Gledhill et al., 2017; Vandeweerd et al., 2007).
avaliação de uma formação, pelo que, formandos mais
No entanto, o estudo apresentou algumas limitações tal
satisfeitos obtêm geralmente, resultados académicos
como a maior distribuição geográfica da amostra pela
mais satisfatórios (Choules, 2007; Ruiz et al., 2006).
região Norte de Portugal. Como forma de colmatar esta
Neste estudo, notou-se que, formandos que se
assimetria, seria conveniente a divulgação do curso a
demonstraram mais satisfeitos e que consideraram a
mais regiões do país ou até mesmo, a países de língua
metodologia de ensino/aprendizagem bem-sucedida,
portuguesa. Outra limitação inerente à metodologia de
obtiveram resultados superiores aos restantes, o que
ensino aplicada e, consequentemente, a este curso, foi
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Radiações
Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
o reduzido controlo sobre os formandos aquando a
divulgação e aplicação do curso, na globalidade, este
realização
sido
demonstrou-se preponderante para o ganho de
desencorajados e limitados à regulamentação do curso,
conhecimentos dos diferentes grupos profissionais
não foi possível o controlo total dos formandos
associado a um elevado nível de satisfação. Por outro
relativamente à consulta de fontes externas de
lado, e havendo uma carência notória de prática dos
informação. A realização dos testes presencialmente,
profissionais para melhor assimilação e perceção
poderia
contudo,
destes conhecimentos, verificou-se a necessidade de
provavelmente inacessível a parte dos formandos.
inserção de uma componente prática no curso,
Estudos dirigidos à educação, indicam, de forma
podendo tornar-se um ponto adicional obrigatório numa
frequente, a limitação do E-learning relativamente ao
fase futura. Além disso, a medição dos níveis de
processo da avaliação das aprendizagens (Ruiz et al.,
Kirkpatrick, nível 3 (comportamento dos participantes)
2006).
e nível 4 (impacto do curso nas instituições patronais)
Outros estudos, indicaram ainda que cursos com
poderão ser, igualmente, pontos de inserção num
metodologias mistas com componente conjunta de
estudo futuro.
dos
ser
testes.
uma
Mesmo
possível
tendo
alternativa,
aulas presenciais, online e práticas, apresentam resultados e níveis de satisfação superiores a cursos
Referências
exclusivamente tradicionais ou online (Choules, 2007;
− Abdelhai, R., Yassin, S., Ahmad, M. F., & Fors, U. G.
Gledhill et al., 2017; Masic, 2008; Ruiz et al., 2006).
H. (2012). An e-learning reproductive health module
Assim sendo, a criação de um curso de proteção
to support improved student learning and interaction:
radiológica em veterinária com componente presencial
A prospective interventional study at a medical
e prática, poderia resultar num curso mais eficaz e
school in Egypt. BMC Medical Education, 12(1).
atrativo.
https://doi.org/10.1186/1472-6920-12-11 − Association, B. V. (2019). Guidance for the safe use
Conclusão
of ionising radiations in veterinary practice.
De todas as metodologias imagiológicas utilizadas em
Veterinary Record, 1(185), 30. − Baker, M. A. (2014). An introduction to radiation
veterinária, a radiologia convencional é, sem dúvida, um dos métodos mais regularmente utilizados. Por esta
protection in veterinary radiography. The Veterinary
razão, a utilização da radiação na veterinária, é hoje,
Nurse, 5(9), 496–501.
uma preocupação global pela exposição constante dos
https://doi.org/10.12968/vetn.2014.5.9.496 − Choules, A. P. (2007). The use of elearning in
profissionais à radiação. Desta forma, o conhecimento sobre a radiação ionizante e os seus efeitos colaterais
medical education: A review of the current situation.
é fundamental para uma correta utilização e proteção.
Postgraduate Medical Journal, 83(978), 212–216.
A educação e formação contínua dos profissionais que
https://doi.org/10.1136/pgmj.2006.054189
utilizam a radiação ionizante é elementar para adquirir,
− Creevy, K. E., Cornell, K. K., Schmiedt, C. W., Park,
cimentar e partilhar conhecimentos. Embora limitado
H., Rong, H., Radlinsky, M. A., & Choi, I. (2018).
pelo
Impact of expert commentary and student reflection
reduzido
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tempo
para
o
desenvolvimento,
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Radiações
Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
on veterinary clinical decision-making skills in an
https://doi.org/10.1016/j.jsurg.2015.05.008 − Lee, R. K. L., Chu, W. C. W., Graham, C. A., Rainer,
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T. H., & Ahuja, A. T. (2012). Knowledge of radiation
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exposure in common radiological investigations: A
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Development and evaluation of an e-learning course
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Da Saúde Dos Trabalhadores Expostos A Radiação
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Radiações
Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
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Radiações
Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Harmonização dos procedimentos e valores de dose para exames de neurorradiologia em Tomografia Computorizada Ana Antunes1,2, Joana Santos3, Nuno Teixeira4, Tiago Patrão5 1 Técnica de Radiologia no Hospital da Luz Aveiro 2 Mestrado em Radiações Aplicadas às Tecnologias da Saúde 3 Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra; Instituto Politécnico de Coimbra 4 Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa; Instituto Politécnico de Lisboa 5 Casa de Saúde de Santa Filomena; Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
Resumo Objetivo: O principal objetivo deste trabalho é a harmonização de procedimentos e valores de dose para exames de Tomografia Computorizada (TC) de Neurorradiologia, nomeadamente, crânio-encefálicos e da coluna lombar, entre polos da mesma instituição cumprindo as recomendações internacionais. Material e Métodos: A metodologia aplicada foi dividida em quatro fases: (1) caracterização dos equipamentos de TC; (2) análise de Níveis de Referência de Diagnóstico (NRD) por polo e respetiva informação clínica por polo; (3) avaliação objetiva da qualidade da imagem com recurso a análise de valores de sinal e ruído obtidos em Regions of Interest (ROI’s); (4) comparação dos valores obtidos e proposta de harmonização de procedimentos. Resultados: Comparativamente às recomendações europeias e internacionais, os NRD obtidos no polo 1 apresentavam-se superiores, e os restantes polos apresentavam-se com valores semelhantes. A avaliação da qualidade da imagem, através do método objetivo, revelou diferenças estatisticamente significativas entre polos, em termos de sinal e ruído. Conclusão: Através da análise dos valores obtidos, verifica-se que estes indicam espaço para otimização uma vez que os procedimentos com valores mais elevados de exposição não são na maioria os que possuem maior valor de sinal e ruído. Palavras-chave: Tomografia Computorizada (TC); Proteção Radiológica; Harmonização de procedimentos; Níveis de Referência de Diagnóstico (NRD); Qualidade de Imagem.
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Radiações
Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
ser considerado uma referência a ter conta para
Introdução Atualmente,
na
medicina
a
informação
doentes padrão, que permite analisar se o valor de
clínica
exposição recomendado para cada procedimento é ou
complementar é obtida com recurso a meios de
não frequentemente ultrapassado sem justificação
diagnóstico e sistemas de informação e comunicação.
clínica.
As valências de diagnóstico por imagem, como a
A maioria dos NRD são estabelecidos para a região
Tomografia Computorizada (TC), assumem um papel
anatómica em estudo, sem especificação da indicação
de destaque e criticidade em todas as fases de
clínica. Contudo, apesar de já haver um número
prestação de cuidados de saúde, consequentemente
considerável de estudos disponíveis em países
advém um aumento da exposição de indivíduos a
europeus, há informações muito limitadas sobre os
radiações ionizantes de origem artificial, sendo
NRD específicos para cada indicação clínica.
indispensáveis no diagnóstico e terapêutica de diversas
Assim, o principal objetivo deste trabalho é a
patologias. Contudo, há que ter em conta que os
harmonização de procedimentos e valores de dose
profissionais que trabalham com as radiações são
para exames de Tomografia Computorizada (TC) de
expostos a doses que por menores que sejam, poderão
neurorradiologia, nomeadamente, crânio-encefálicos e
vir a ser nocivas a longo prazo (Cláudia & Chin, 2013).
de coluna lombar entre polos da mesma instituição
Diversos especialistas, organizações e instituições internacionais –
nomeadamente
a
cumprindo as recomendações internacionais.
International
Commission on Radiological Protection (ICRP) têm realçado a importância da justificação e otimização das
Material e Métodos
práticas associadas, da limitação das doses a que
O presente estudo foi realizado em quatro polos
estão expostos os profissionais, doentes e membros do
pertencentes a uma Instituição de saúde privada, da
público e para a necessidade da avaliação e
zona centro de Portugal. Foi obtida autorização para a
quantificação de tal exposição e das implicações
execução do estudo que exclui dados referentes aos
socioeconómicas
decorrentes (Medeiros, 2009).
doentes que realizaram os exames por motivos de
Na diretiva da Comissão Europeia nº 2013/49 European
saúde e necessidade própria, sendo apenas analisados
Atomic Energy Community (EURATOM) de 5 de
os valores de dose por exame, excluindo assim a
Dezembro de 2013 relativa à proteção da saúde das
necessidade de consentimento informado (ARS Norte,
pessoas contra os perigos das radiações ionizantes em
2010).
exposições médicas, é descrito o conceito de Níveis de
Este estudo foi subdividido em quatro fases:
Referência de Diagnóstico (NRD). Esta diretiva foi
Fase 1: Caracterização dos equipamentos de TC;
transposta para o ordenamento jurídico interno através
Fase 2: Cálculo de NRD por polo e respetiva
do Decreto-Lei nº 108/2018 (Portuguesa, 2018). A
informação clínica por polo;
definição de NRD é essencial no processo de
Fase 3: Avaliação objetiva da qualidade da imagem;
otimização da exposição da radiação potenciando a
Fase 4: Comparação de valores obtidos e proposta de
proteção do doente, sem afetar a qualidade de imagem
harmonização de procedimentos.
essencial para o diagnóstico. Pois o valor de NRD deve
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Radiações
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Assim, na Fase 1 a investigação incidiu em quatro
(NRD Portugal). Em cada procedimento foi obtida uma
equipamentos
amostra representativa de pelo menos 10 doentes.
de
TC
distintos,
com
diferentes
características.
Procedeu-se à criação de NRD por cada polo e NRD
Para a Fase 2 de modo a cumprir os requisitos de
locais da instituição em estudo pelo cálculo do Percentil
padronização foram somente incluídos os doentes que
75 (P75) dos descritores de dose, CTDIvol (mGy) e DLP
correspondiam ao modelo de doente próximo do
(mGy.cm).
padrão (peso entre 60-80kg e altura entre 1,60-1,80m)
Figura 1: Identificação das ROI’s utilizadas para a avaliação objetiva da qualidade de imagem para TC CE. (Fonte: o Autor) (A) Região supra-tentorial: tálamo direito e tálamo esquerdo (2); (B) Região infra-tentorial: ângulo pontocerebeloso (3), lobo temporal direito (4) e lobo temporal esquerdo (5).
Para a realização da Fase 3 foi realizada a seleção aleatória, de entre os procedimentos em estudo, de
Para a realização da avaliação objetiva para TC CE e
cinco exames de TC crânio-encefálicos (CE) e cinco
TC coluna lombar foram selecionados 40 exames,
exames de TC lombar, para cada polo.
sendo 10 exames por polo e 5 exames de TC CE e 5
Foram utilizadas Region of Interest (através da criação
de TC coluna lombar, o que culminou num total de 180
de ROI’s de 1 cm ), em regiões homogéneas, para
ROI’s.
obtenção da média e desvio padrão das Unidades
Relativamente à TC CE foram definidas 2 ROI’s na
Hounsfield (UH). O sinal foi medido pelo cálculo do
região supra-tentorial (tálamo direito e esquerdo -
valor médio de UH da ROI e o ruído pelo desvio padrão
Figura 1 A) e 3 na região infra-tentorial (ângulo ponto-
2
(Nogueira, 2016).
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cerebeloso e lobos temporal direito e esquerdo - Figura
(figura 2 A e B) e 2 ROI’s nos corpos vertebrais ao nível
1 B).
de L3 (figura 2 C e D).
Relativamente à TC de coluna lombar foram definidas 2 ROI’s nos discos intervertebrais ao nível de L3-L4
Figura 2: Identificação das ROI's utilizadas na avaliação objetiva da qualidade de imagem de TC de coluna lombar. (Fonte: o Autor) (A) disco intervertebral L3-L4 (6); (B) disco intervertebral L4-L5 (7); (C) disco vertebral L3 (8); (D) disco vertebral L4 (9).
A análise das imagens foi realizada numa workstation de diagnóstico, através do software OsiriX MD, com manutenção das condições de luminância do monitor e da sala.
Resultados A organização dos resultados deste trabalho é apresentada pela ordem das fases anteriormente referidas. Fase 1: a investigação incidiu em quatro equipamentos de TC distintos, tendo como principais características Tabela 1: Caracterização dos diferentes equipamentos de
as descritas na Tabela 1.
TC utilizados no estudo.
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Radiações
Antes de proceder à recolha de dados foi necessário
(21,6%), e ainda outras informações clínicas (12%). Já
garantir que o controlo de qualidade dos equipamentos
para TC coluna lombar as informações clínicas mais
estava atualizado e que estes se encontravam em
frequentes são lombalgia e lombociatalgia (93,1%),
ótimas condições de calibração.
traumatismo lombar (4,6%) e ainda alterações de
Fase 2: nesta fase foram recolhidos dados relativos a
marcha e lipotimia (2,3%).
N=255 doentes no total dos quatro polos selecionados,
A Tabela 2 apresenta os fatores de exposição dos
sendo 169 (66,3%) do género feminino e 86 (33,7%) do
procedimentos realizados para os quatro polos
género masculino. Estes apresentavam uma média de
considerados.
idade de aproximadamente 57 anos, sendo a idade
Esta fase do estudo culminou com a criação de NRD
mínima 18 anos e máxima 94 anos. Não foram incluídos
por polo e NRD locais da instituição para os
neste estudo exames com recurso a administração de
procedimentos considerados, sendo estes exibidos na
contraste iodado intravenoso.
Tabela 3 por região anatómica em estudo.
Dos 255 doentes considerados, foram excluídos 154
Através o do teste ANOVA com Student- Newman-
por não corresponderem às características de doente-
Keuls foi possível verificar que para TC CE existem
padrão
diferenças
consideradas.
Assim,
foram
apenas
estatisticamente
significativas
para
o
considerados 101 doentes, sendo 58 que realizaram
descritor CTDIvol, contudo para o descritor DLP apenas
TC CE e 43 TC coluna lombar. Da análise dos dados
o polo 1 e 3 apresentam diferenças estatisticamente
recolhidos
as
significativas. Já para TC coluna lombar, foi possível
informações clínicas por região anatómica para os
verificar que para ambos os descritores, apenas o polo
quatro polos. Para TC CE as informações clínicas mais
1 apresenta diferenças estatisticamente significativas.
frequentes
foi
são
também
cefaleias
possível
(38,4%),
averiguar
seguidas
de
alterações de memória, défice cognitivo e demência
1- infra-tentorial; 2- supra-tentorial Tabela 2: Resumo dos fatores de exposição utilizados nos procedimentos selecionados, para os quatro polos em estudo.
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Fase 3: As medidas de sinal (média dos UH) e do ruído (média do desvio padrão (SD) das UH) para TC CE e TC coluna lombar, para os quatro polos, são apresentadas na Tabela 4.
Tabela 3: NRD obtidos por polo e NRD locais da instituição.
Tabela 4: Análise dos valores de sinal e ruído obtidos pelas ROI's definidas para TC CE e TC coluna lombar, para cada polo em estudo.
Na TC CE para a região supra-tentorial, em termos de
Dos dados apresentados para TC coluna lombar, é
sinal pode afirmar-se que existem apenas diferenças
possível verificar que para a região do disco não
significativas entre o polo 3 e os restantes polos. Já em
existem diferenças entre os quatro polos, para os
termos de ruído não há diferenças entre os polos.
valores de sinal. Já em termos de valores apresentados
Para a região infra-tentorial, em termos de sinal, o polo
para o ruído, é possível verificar que se destaca o polo
1 apresenta diferenças estatisticamente significativas
2 e 4 com diferenças
em relação aos restantes polos, como seria de esperar
Para a região do corpo vertebral (osso), em termos de
uma vez que é o polo que apresenta valores de dose
sinal, pode afirmar-se que existem diferenças entre o
mais elevados. Já o polo 2 apresenta diferenças
polo 1 e 4.
relativas ao polo 3 e 4. De realçar que para os valores
Contudo, para os valores de ruído, o polo 2 destaca-se
de ruído apresentados, apenas o polo 2 demonstra
com diferenças estatisticamente significativas em
diferenças relativamente aos restantes polos.
relação aos restantes três polos.
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estatisticamente significativas.
Radiações
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equiparados
Discussão
aos
valores
obtidos
por
outras
investigações e em guidelines internacionais, inclusive
Os exames selecionados neste estudo, de acordo com
comparativamente aos valores obtidos em Portugal.
a sua frequência de realização, estão incluídos no TOP
Contudo, verifica-se que o polo 1 obteve valores acima
20 dos exames mais realizados a nível Europeu,
dos obtidos nos outros polos e em comparação com
segundo o relatório RP 154 (Commission, 2008).
outras investigações, contrariamente ao que seria
Da análise da Tabela 5 é possível verificar que de um
esperado.
modo geral, os NRD obtidos por polo se encontram
Tabela 5: Comparação dos NRD obtidos por polo, com outros estudos e guidelines internacionais, em termos de P75 do CTDIvol e DLP, por região anatómica.
Relativamente aos
estudos
apresentados,
é
dos estudos de referência, o que significa que é
importante referir que os NRD obtidos para o Reino
necessária uma otimização do protocolo. No entanto os
Unido (Shrimpton et al, 2014) e para a Holanda (van der
valores de DLP são inferiores aos considerados em
Molen et al, 2013) são referentes a informações clínicas
Portugal, mas superiores aos valores dos outros
específicas. No Reino Unido foi considerado para TC
estudos comparativos.
CE os exames com informação clínica de Acidente Vascular Cerebral (AVC) agudo. Para a Holanda o
Conclusão
protocolo de TC CE foi aplicado em situações de
Foram estabelecidos NRD para cada um dos polos
hemorragia e TC coluna lombar em situações de rotina.
para os exames de TC CE e de coluna lombar descritos
Os valores obtidos para o descritor DLP da TC-CE nos
em CTDI e DLP. Procedeu-se à análise comparativa
polos 2 e 4 apresentam valores superiores aos outros
destes com as guidelines europeias e recomendações
estudos, contudo o valor do polo 3 é inferior.
internacionais. Foi possível verificar que apenas os
No que se refere aos valores de DLP obtidos para o
valores um dos polos se apresentava superior aos
exame de TC coluna lombar, para o polo 1, estão acima
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Radiações
restantes. Os valores obtidos em termos de qualidade
dos
protocolos
de
crânio.
Retrieved
from
de imagem indicam espaço para otimização uma vez
https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/12125
que os procedimentos com valores mais elevados de
/1/Dose versus Qualidade de Imagem em TC - João
exposição não são na maioria os que possuem maior
Medeiros.pdf
valor de sinal e ruído. Assim deu-se início à revisão dos
− Nogueira, F. M. de M. (2016). Reconstrução iterativa
procedimentos, de modo a obter diminuição dos valores
de imagem em Tomografia Computorizada para
de dose conciliando o impacto mínimo na qualidade da
avaliação de material ortopédico – Análise da
imagem.
qualidade de imagem com recurso a um algoritmo
É de salientar que o processo de harmonização de
iterativo de redução de artefactos de metal (iMAR).
protocolos
Retrieved
deve
ser
multidisciplinar
com
from
responsabilidades no cuidado do doente, passando
https://repositorio.ipl.pt/bitstream/10400.21/6973/1/
pelo Técnico de Radiologia que realiza o exame até ao
Reconstrução iterativa de imagem em tomografia
médico que o relata.
computorizada
para
avaliação
de
material
ortopédico.pdf − NRD
Bibliografia
Retrieved
uma Comissão de Ética para a Saúde. Retrieved
Tomography (CT) Examinations in the UK – 2011 Review About Public Health England.
População de Profissionais Expostos a Radiações Dosimetria
numa
População
Retrieved
de
from
https://assets.publishing.service.gov.uk/government
Profissionais Expostos a Radiações Ionizantes, 10.
/uploads/system/uploads/atta
from
chment_data/file/349188/PHE_CRCE_013.pdf
http://repositorio.ipl.pt/bitstream/10400.21/2636/1/D
− Van der Molen, A. J., Schilham, A., Stoop, P.,
osimetria numa população de profissionais expostos
Prokop, M., & Geleijns, J. (2013). A national survey
a radiações ionizantes.pdf
on radiation dose in CT in The Netherlands. Insights
− Commission, E. (2008). Radiation Protection 154 -
into
European Guidance on Estimating Population
Retrieved
Imaging,
4(3),
383–
https://doi.org/10.1007/s13244-013-0253-9
Doses from Medical X-Ray Procedures (Vol. 203). from
http://ddmed.eu/_media/background_of_ddm1:rp15 4.pdf − Medeiros, J. (2009). Qualidade de imagem versus dose em Tomografia Computorizada - Optimização
ISSN 2184-769X
https://data.dre.pt/eli/dec-
Golding, S. J. (2014). Doses from Computed
− Cláudia, S., & Chin, L. (2013). Dosimetria numa
Luxembourg.
from
− Shrimpton, P. C., Hillier, M. C., Meeson, S., &
Analise_Projectos.pdf
Retrieved
from
lei/108/2018/12/03/p/dre/pt/html
saude.pt/wp-
content/uploads/sites/3/2018/01/Documento_Guia_
Ionizantes
Retrieved
− Portuguesa, R. (2018). Decreto-Lei n.o 108/2018.
Análise de Projectos de Investigação Clínica por
http://www.arsnorte.min-
(n.d.).
https://nrdportugal.pt/
− ARS Norte. (2010). Documento-guia Sobre a
from
Portugal.
59
390.
Radiações
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Journal Club da Radioterapia do IPOP FG
Carla Pereira, Bárbara Barbosa, Cláudia Coelho e Ana Luísa Soares
O Journal Club (JC) é um espaço próprio de debate e interesse científico com o objetivo primordial de promover e consolidar o conhecimento dos profissionais, no que diz respeito aos avanços e à prática clínica, através da revisão e discussão da investigação em saúde. Outro objetivo procura promover a pesquisa, a leitura e a respetiva análise crítica de artigos e publicações técnicocientíficas, baseada numa metodologia orientada à evidência, bem como integrar esses conhecimentos na prática diária dos profissionais e promover um fórum que estabeleça relações interpessoais e permita a partilha de experiências.
Esta modalidade de comunicação interprofissional, que atua na base do desenvolvimento profissional contínuo, tem vindo a ser desenvolvida no Serviço de Radioterapia do Instituto Português de Oncologia do Porto FG, EPE, com a participação de profissionais de saúde da instituição, estudantes das licenciaturas em Imagem Médica e Radioterapia, bem como convidados nacionais e internacionais.
O grande objetivo do JC da Radioterapia consiste na partilha de experiências profissionais através de comunicações orais, onde é possível discutir ideias, apresentar novos projetos, introduzir notas técnicas pertinentes à inovação na Radioterapia, rever artigos científicos e assim motivar o contínuo interesse pela área e pela investigação em Portugal e também a um nível internacional.
Este trabalho resultou da iniciativa de três Técnicas de Radioterapia, que no ano de 2016 e tendo como background as recomendações europeias da International Atomic Energy Agency (IAEA - Pag.25 do Handbook for the Education of Radiation Therapist, 2014) e a constatação in loco (em estágio observacional) da implementação deste mesmo projeto em departamentos de Radioterapia na Europa, sugeriram a criação de um programa mensal no seu serviço, que pudesse incentivar os diferentes profissionais à prática da investigação clínica.
Desde então, uma vez por mês, é apresentado e debatido um tema com interesse científico na área da Radioterapia e da Imagem Médica, assim como em outras áreas envolventes, como a Física Médica, Radioncologia, sendo todos convidados a participar ativamente neste espaço de discussão, tendo até à presente data decorrido mais de 40 sessões.
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Na sequência da partilha da formação contínua, em maio de 2019 foi também criada uma newsletter mensal acessível a todos os inscritos do JC (Técnicos de Radioterapia, Físicos Médicos, Radioncologistas, Enfermeiros), com a divulgação dos mais recentes artigos científicos, congressos, workshops e webinars na área, proporcionando a todos uma visibilidade do que melhor se faz na formação em Portugal e para além das nossas fronteiras.
A equipa sofreu alterações em 2020 com a saída de um dos membros fundadores, acabando a equipa restante por integrar mais dois membros. Tendo 2020 sido um ano atípico e cheio de desafios adicionais, por forma a manter estas reuniões científicas, foi criada uma solução temporária em maio desse ano, recorrendo-se ao uso de uma plataforma digital, com o intuito de manter os encontros de discussão científica.
Até ao momento tem sido essa o modus operandi, explorando a era digital, e a recetividade de todos os participantes do JC a esta metodologia tem sido positiva, permitindo assim que o conhecimento ultrapasse a barreira de uma pandemia que nos distanciou fisicamente.
Fique a conhecer-nos, a nossa dinâmica e o JC na próxima edição da Radiações.
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ESPAÇO INDÚSTRIA
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Consulte a Monografia “Casos Clínicos de Rapiscan y Myoview”, disponível em língua espanhola aqui. Rapiscan e Myoview são medicamentos sujeitos a receita médica, destinados exclusivamente a uso hospitalar. Consulte o Resumo das Características do Medicamento disponível em www.infarmed.pt. Para mais informações consultar o titular da autorização de introdução no mercado, GE Healthcare / Satis, Lda, Avenida do Forte, nº6-6A, 2790-072 Carnaxide – JB00038PT – Mar2021 ISSN 2184-769X
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ESPAÇO ATARP
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Save the date… XIX CNATARP Nos dias 5 e 6 de novembro de 2021 irá ter lugar o XIX Congresso Nacional da ATARP Siga-nos no nosso website em www.atarp.pt, ou siga as nossas redes sociais!
Mais informações brevemente!!! Save the date! #xixcnatarp
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Iniciativa SeminATARP A ATARP lança em 2021 a iniciativa SeminATARP, que visa promover as profissões de Técnicos de Radiologia, Radioterapia e de Medicina Nuclear e toda a área da Imagem Médica e Radioterapia
Com os SeminATARP, os colegas terão oportunidade de apresentar os resultados dos seus trabalhos finais de licenciatura, mestrado, especialista, pós-graduações, estágios, entre outros. Envie-nos a sua proposta e a ATARP propõe-se apoiar a divulgar o seu trabalhos junto da comunidade profissional e académica através da promoção de eventos online periódicos e publicação de resumo na revista Radiações.
Estes Seminários serão totalmente gratuitos para associados da ATARP!
Estejam atentos! Primeira edição já em Abril!!!
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Open-Call de Artigos
GUIA PARA AUTORES A revista Radiações é uma publicação trimestral promovida pela ATARP, Associação Portuguesa de Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear, cujo objetivo é, acima de tudo, promover e disseminar a investigação e o conhecimento científico de elevada qualidade feito por Técnicos de Radiologia, de Radioterapia e de Medicina Nuclear, relacionados com os diversos aspetos das áreas de diagnóstico e terapia levados a cabo pelos colegas. Publicamos artigos de investigação, artigos de revisão sistemática, por exemplo resultantes de teses de Mestrado ou Doutoramento, ou de dissertações de Título de Especialista, bem como short papers, mini-artigos ou abstracts, de profissionais das tecnologias da saúde, nas áreas de intervenção de Medicina Nuclear, Radiologia e Radioterapia. Temos ainda um “Espaço Estudante”, onde os alunos do curso de Licenciatura em Imagem Médica e Radioterapia poderão submeter artigos ou mini-artigos resultantes de investigação decorrente da sua formação académica. A Radiações inclui também um “Espaço Indústria”, onde os players da Indústria são convidados a publicar artigos de cariz científico ou publicitar artigos ou produtos de interesse destas áreas de intervenção.
TIPO DE ARTIGOS E NORMAS DE PUBLICAÇAO Investigação original/ Revisão Sistemática Os artigos submetidos para esta categoria devem seguir o formato científico standard: Introdução (inclui contexto e objetivos), Metodologia (inclui procedimento e análise estatística), Resultados, Discussão e Conclusão. Exigem um resumo com as respetivas palavras-chave, em português e em inglês (até 300 palavras). O artigo não deverá ultrapassar as 4000 palavras (excluindo referências bibliográficas e legendas). ISSN 2184-769X
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Short paper Os Short papers apresentam algumas conclusões, pertinentes para divulgação, no contexto de investigação ainda em curso (research in progress). Publicações de short papers não deverão ultrapassar as 1500 palavras (excluindo referências bibliográficas e legendas). Ainda que não exija estrutura rígida, deverá incluir, pelo menos, uma introdução (inclui objetivo), metodologia e discussão.
Mini-artigos A Radiações considera para publicação mini-artigos (de profissionais ou estudantes) sobre um tema de investigação, que possam ter já sido publicados em outras revistas científicas, ou de investigação original, com o máximo de 1500 palavras (excluindo referências bibliográficas e legendas).
Letters to the editor Podem ser consideradas para publicação na Radiações artigos do tipo “comentário” acerca de artigos recentemente publicados (até 6 meses após a publicação original). Estas publicações deverão conter não mais do que 500 palavras.
Artigos de Profissionais, Casos Clínicos e Notas Técnicas A Radiações considera para publicação artigos sobre Casos Clínicos de interesse para Técnicos de Radioterapia, de Medicina Nuclear e de Radiologia podem encontrar na sua prática clínica. Estes artigos devem, preferencialmente, ser acompanhados por uma imagem. Notas Técnicas podem incluir artigos sobre equipamentos ou técnicas de imagem ou de abordagem terapêutica de relevo do ponto de vista técnico. Estes artigos devem obedecer a um máximo de 1000 palavras por artigo.
REGRAS DE REDAÇÃO Idioma de redação Português; Texto justificado (exceção para legendas de figuras ou tabelas, que poderão ser centradas na página); No corpo de texto, o tipo de letra deverá ser Arial, tamanho 10, espaçamento entre linhas de 1,5; Títulos deverão utilizar o tipo de letra Arial, tamanho 14, apresentados a negrito; Subtítulos apresentam também o tipo de letra Arial, a negrito, mas com tamanho 12; Para todas as imagens não originais, será exigida evidencia das respetivas provas de copyright, o que já não se aplica a imagens originais do(s) autor(es); A bibliografia deve ser apresentada de acordo com o estilo APA 6ª edição; O documento a submeter terá de ser enviado em formato word.
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PROCESSO DE SUBMISSÃO O processo de submissão exige simplesmente o envio do documento via correio eletrónico para geral@atarp.pt. Após submissão, a comissão de revisão irá avaliar a proposta submetida, devendo responder no prazo máximo de 30 dias úteis com um dos possíveis resultados: 1) aprovado para publicação; 2) aprovado para publicação, mas com necessidade de esclarecimento adicional; 3) aprovado para publicação, mas após revisão nos itens indicados; 4) não aprovado para publicação. No caso de necessidade de resposta por parte do(s) autor(es), essa deverá ser submetida no prazo máximo de 10 dias úteis. Após a sua receção pela equipa editora, a resposta definitiva será dada no prazo máximo de 5 dias úteis e incluirá um dos possíveis resultados enumerados no parágrafo anterior.
Uma vez que o artigo seja aceite, a Radiações procederá à respetiva publicação, num dos 2 (dois) números posteriores à data da notificação oficial de aceitação.
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