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Revista Radiações - Número 04

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Radiações

Número 04

ISSN 2184-769X

Março 2021

Dia-a-dia com… Distribuição Trimestral Gratuita – Venda Interdita

…Inês Moreira

Entrevista a

Altino Cunha

Dia-a-dia com…

…Cátia Cunha Ecografia como método de diagnóstico precoce da patologia mamária

Rute Santos ISSN 2184-769X

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Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

REVISTA “RADIAÇÕES” Número 04, Março 2021 ISSN 2184-769X

Publicado por:

Editores Vítor Manuel F. Silva Edgar Lemos Pereira

Direção da ATARP Altino Cunha Vítor Silva Rute Santos Luís Domingos Ana Geão Pedro Vicente Eduarda Pereira Edgar Pereira Rafaela Guisantes

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Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

Editorial “Ninguém é o mesmo de há um ano atrás. Se for, está com defeito!” Autor Desconhecido

Caros colegas,

Estamos em março de 2021! Passou já mais de um ano desde o início desta pandemia, e continuamos confinados! Continuamos fechados! Fechados nas nossas casas, fechados nos nossos locais de trabalho, fechados nos nossos hospitais, clínicas, consultórios, tendo sempre a mesma rotina: casa – trabalho, trabalho – casa. Privados da nossa vida além do trabalho e do estritamente essencial. Privados dos nossos pais, irmãos, sobrinhos, amigos... Com certeza, andamos todos cansados, à espera que tudo isto passe! E a cada dia que ganhamos mais uma luta nesta batalha hercúlea, é um dia a menos que falta para voltarmos a descansar, a nos aproximar, tocar e abraçar. Nunca a expressão “um dia de cada vez” foi tão literal… Mas uma característica que nos define, enquanto Técnicos de Radiologia, Técnicos de Radioterapia e Técnicos de Medicina Nuclear é a nossa persistência, perseverança e resiliência. É a nossa capacidade de subtrair um dia de cada vez, de lutar uma batalha de cada vez, lenta, demorada, e ainda assim conseguirmos “ver o copo meio cheio”. É com toda esta força que vos define, estando na linha da frente no combate à pandemia, que continuamos persistentes a publicar e divulgar aquilo que melhor defende as nossas profissões: o saber cuidar e o querer melhorar. É com enorme orgulho que vos apresentamos mais um número da Revista Radiações! Após um ano de Covid-19, dedicamos este quarto número da nossa publicação a todos os nossos colegas! Pois sem vocês, este projeto não seria possível! E mesmo sendo, não teria graça nenhuma!

O nosso muito obrigado...

Vítor Manuel F. Silva Edgar Lemos Pereira

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Nesta edição Editorial Mensagem do Presidente da ATARP Espaço Personalidade de Reconhecido Mérito ATARP Entrevista: Altino Cunha, Presidente da ATARP Espaço Estudante Prémio Recém-Licenciado ATARP Artigo de Investigação Ecografia como método de diagnóstico precoce da patologia mamária, Rute Santos Dia-a-dia com… Cátia Cunha – Técnica de Radioterapia no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro Inês Moreira – Técnica de Radiologia no Centro de Mama do Centro Hospitalar Universitário São João Espaço Profissionais Desenvolvimento e avaliação de um curso E-learning sobre proteção radiológica em veterinária – Gianluca Bentivegna Harmonização dos procedimentos e valores de dose para exames de neurorradiologia em Tomografia Computorizada – Ana Antunes Journal Club da Radioterapia do IPOP FG Espaço Indústria GE Espaço ATARP Próximas formações ATARP Open call de Artigos

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MENSAGEM DO PRESIDENTE

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Caras e caros Associados ATARP, Caras e caros profissionais, estudantes, docentes, Caras e caros colegas e futuros colegas, Tal como há sensivelmente 3 meses vos escrevi, continuo a estar convicto que as palavras “profissionalismo, qualificações, diferenciação” serão os focos para 2021. O ano 2020 foi extremamente difícil e desafiante. 2021 parecerá igualmente longo e sinuoso, mas estaremos mais preparados e, sobretudo, mais unidos para enfrentar os desafios que este novo ano nos colocará. O profissionalismo que vive em cada um de nós – o mesmo que nasce nos futuros profissionais, as qualificações que todos possuímos, atualizamos e demonstramos, e a diferenciação que nos permite ser uma mais-valia nas equipas multidisciplinares, serão rampas de lançamento para um ano repleto de batalhas que esperamos vitoriosas. Reconhecimento, auto-regulação, combate ao exercício ilegal e inqualificado, entre outras, são temáticas que farão de 2021 um ano trabalhoso, mas marcante, que culminará com o XIX CNATARP – esperemos em versão presencial – onde muitos destes temas, de entre muitos outros, estão em discussão. Como me explicou um dia a sábia Carolina, com os seus 5 anos, à época, “ter coragem também é ter medo. Mas é ter mais vontade que medo!” Obrigado a todos.

Altino Cunha Presidente da Direção Nacional da ATARP

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ESPAÇO PERSONALIDADE DE RECONHECIDO MÉRITO

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Altino Cunha: “Acho muito importante as pessoas terem interesse em questões do coletivo e de se associarem a causas em que acreditam.” Transmontano de gema, Altino Cunha é Licenciado em Radiologia em 2006 e Mestre em Radiologia Osteoarticular em 2011, pela ESTeSC. Atualmente, frequenta o programa de doutoramento em Segurança e Saúde Ocupacionais na Universidade do Porto. Com perto de 15 anos de experiência profissional como Técnico de Radiologia, exerce desde 2006 na ULS Nordeste, Bragança. Em 2016, integra os órgãos sociais da ATARP, Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear, da qual é presidente desde 2018. Integra ainda o Comité Financeiro da EFRE desde fevereiro de 2021.

Radiações: Natural de um dos distritos mais a norte

Coimbra! A partir do momento em que ingressei na

de Portugal, Licenciado em Coimbra, doutorando

Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra,

no Porto. Considera-se um homem do Norte, de

vesti a camisola e por isso mesmo sinto que, olhando

Portugal ou do Mundo?

para trás, não poderia ter percorrido outro caminho.

AC: Considero-me um pouco de cada. Um homem do

Foram 4 anos de muitas iniciativas paralelas à

Norte, de coração, mas acima de tudo sou um

Licenciatura. Foi um percurso académico rico em vários

Português de alma! Por outro lado, sim, pode dizer-se

aspetos, sobretudo porque fui ganhando alguma

que me considero um homem com sonhos que são do

experiência a nível associativo, desde logo com a

Mundo. Mas se vivesse fora de Portugal, seria

Associação de Estudantes e com a fundação do NERC

necessariamente na Europa. Sou muito Europeu!

(Núcleo de Estudantes de Radiologia de Coimbra), o que me fez perceber já naquela altura a minha vontade

Radiações: Fale-nos um pouco do seu percurso

de mudar aquilo que achava que podia ser melhorado.

académico e profissional.

O

AC: Entro na Licenciatura em Radiologia em Coimbra

enriquecedor.

em 2002 e apesar de não ter sido a minha primeira

Apesar de na altura o mercado de trabalho começar já

opção, fiquei muito contente. À época, havia a questão

a não estar facilitado, o meu percurso profissional

de em Coimbra existir uma grande tradição académica

inicia-se ainda antes do término da Licenciatura (o

e lembro-me inclusivamente da minha mão chorar

curso de Radiologia ainda era Licenciatura Bietápica) e

(risos!!) quando lhe disse que tinha entrado em

começo em 2006 num projeto nos Cuidados de Saúde

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período

de

Erasmus

foi

também

bastante


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Primários (CSP), aqui no interior, Distrito de Bragança,

trabalhei

em

CSP

trouxeram-me

muitos

o qual abracei com bastante vontade. Sendo eu um

conhecimentos, muitas soft skills, que inclusivamente

transmontano, entendi, que era necessário fazer algo

construíram muito do profissional que sou hoje.

mais pelos meus conterrâneos, pelo que este desafio me deu particular gosto abraçar. Esses 7 anos que “Ao longo do meu crescimento, sempre fui vendo o meu pai, de resto uma das minhas principais referências, lutar por aquilo em que acreditava.”

Radiações:

Quando

é

que

percebeu

que

a

Radiações: Durante o seu percurso académico

Radiologia teria de fazer parte da sua vida?

houve espaço e tempo para lutar por causas?

AC: Contrariamente àquilo que era regra lá em casa

AC: Querermos defender causas e convicções vem de

(toda a gente sempre preferiu a Engenharias), eu

dentro, nasce connosco! Ao longo do meu crescimento,

sempre me interessei pela área da saúde e fiz disso o

sempre fui vendo o meu pai, de resto uma das minhas

meu foco. A Radiologia permitiu-me poder aliar a

principais referências, lutar por aquilo em que

saúde, o cuidar de pessoas, à tecnologia e inovação, o

acreditava. Para enquadrar, e sendo oriundo de uma

que me atraiu muito! Apesar de a Radiologia não ter

família do interior do país, a tarefa é duplamente mais

sido a minha primeira opção, hoje considero que foi a

difícil: querermos mudar um pouco o Mundo e deixar a

minha melhor opção!

nossa marca, mas estamos mais longe dos centros de decisão. Quando entrei em Radiologia em Coimbra, senti também essa necessidade de querer fazer a diferença, deixar a minha marca e lutar por aquilo que acreditava ser melhor! A fundação do Núcleo de Estudantes da qual participei, o facto de ter sido delegado de turma (o que já acontecia desde o 2º ciclo!), são questões que acabam também por nos trazer uma responsabilidade acrescida. Outro marco importante foi o convite para integrar a Associação de Estudantes e daí, surge também o convite para integrar a Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico, à qual chego a Tesoureiro, nem sei muito bem como (risos!!!)… parece que os meus colegas estavam convictos que eu era uma pessoa séria! A participação em todos estes movimentos

associativos

proporcionou-me

ótimas

experiências e resultaram numa vontade pessoal de

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voos mais abrangentes em relação à questão do

extraordinária da ATARP em Coimbra e entendi que

associativismo.

devia participar. Estava na altura de perceber o que é que se poderia fazer pela Profissão. Fiquei muito

Radiações: E a ATARP? Como inicia o seu percurso

desagradado com o que se passou nessa AG

como órgão social desta Associação?

extraordinária… assustado mesmo! Passado algum

AC: A ATARP entra na minha vida (ou eu na vida da

tempo, lembro-me de estar no gabinete da Joana

ATARP, nem sei bem!), num ano em que eu estava

Santos e de lhe dizer que ela seria uma boa candidata

particularmente desgostoso com a Profissão. Nessa

a liderar o renascimento da ATARP.

altura,

soube

de

uma

Assembleia

Geral

(AG)

“Vou para o meu 5º ano enquanto órgão social da ATARP e não fica mais fácil com o tempo! Fica mais desafiante e sobretudo, quando olho para trás dá uma boa sensação de orgulho e dever cumprido.”

Ao mesmo tempo que lhe lanço este desafio,

assim foi. A Joana candidata-se a Presidente da

confidencio-lhe que já tinha contactado um grupo de

ATARP, comigo como Vice-Presidente. E começa aí o

colegas e que todos nós gostaríamos muito de a ver

meu percurso enquanto membro dos órgãos sociais da

encabeçar este projeto, ao que a Joana me diz: “só

ATARP.

aceito este desafio se tu também vieres comigo!”. E “Em relação às profissões de Técnico de Radiologia, de Técnico de Radioterapia e de Técnico de Medicina Nuclear, temos muito mais em comum do que aquilo que, eventualmente, nos podia separar.”

Radiações: Este é já o 2º mandato na direção da ATARP e o primeiro como presidente. Como é estar à frente da associação profissional das 3 áreas profissionais que utilizam radiação ionizante? AC: Não posso dizer que seja fácil. Mas… se fosse fácil, não era para Técnicos de Radiologia, de Radioterapia ou de Medicina Nuclear! Uma das grandes dificuldades das associações de direito privado, como é o caso da ATARP, é que têm que palmilhar terreno para se fazer ouvir, ao contrário, por exemplo, das Ordens Profissionais (OP). Isto para dizer que de facto, enquanto ATARP, o nosso trabalho é difícil! Temos de nos fazer ouvir! Para além da dificuldade que é darmo-nos a conhecer, muitas vezes até aos nossos próprios doentes. É cansativo? Sim!

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Posso também dizer que (eu já vou para o meu 5º ano

Radiações: Qual o seu papel da EFRS (European

enquanto órgão social da ATARP) não fica mais fácil

Federation of Radiographers Societies)? Em que

com o tempo, mas fica mais desafiante e sobretudo,

medida o trabalho desenvolvido na EFRS se reflete

quando olho para trás e vejo o trabalho que ficou feito…

na realidade portuguesa?

dá uma boa sensação de orgulho e dever cumprido.

AC: O meu cargo na EFRS, no Comité de Finanças, é

Mas há sempre muito para fazer!

recente. Fui eleito em Fevereiro. É um cargo consultivo/aprovador das contas da EFRS. Fiquei

Radiações: O Altino é Técnico de Radiologia desde

orgulhoso com o convite, claro!

2006, profissão que exerce até em mais do que um

A ATARP é membro fundador da EFRS e é um dos

local. Além disso, está a fazer um Doutoramento e,

membros mais ativos (à semelhança do UK, Itália, entre

como se não bastasse, é Presidente da ATARP.

outros). Esta entidade funciona muito como um fórum

Como é um dia na vida de Altino Cunha?

de discussão de diversos temas que preocupam todos

AC: É um dia de correria! Alguém me disse um dia que

os

eu era “facilmente motivável” (risos!!!)! Claro que há

representatividade enorme! Sendo uma Federação

dias mais organizados que outros, mas são, regra

Europeia, tem o diálogo muito mais facilitado com

geral, dias de correria, seja no Serviço, no Hospital, ao

outras entidades europeias. Veja-se por exemplo o

computador, ou mesmo ao volante, de cidade em

importante papel que a EFRS teve no reconhecimento

cidade, de um lado para o outro. A verdade é que o meu

Europeu da nossa categoria, que passou de Associated

dia-a-dia tem muitas solicitações urgentes, não só da

Professionals

ATARP, claro. O doutoramento, neste momento, está

reconhecidos como uma Profissão autónoma (grande

em “banho-maria”… Há várias pessoas que já me

grupo 2), o que nos proporcionou, enquanto ATARP, a

disseram: “o teu dia precisava de mais do que 24

possibilidade de iniciamos de imediato conversações

horas!”. Eu respondo: não!! Por favor, não!! Porque se

com diversas entidades nacionais, no sentido de ver

o meu dia tivesse mais do que 24 horas, seriam ainda

esse reconhecimento refletido na realidade portuguesa.

mais horas de correria!! (risos!!!) Para resumir, a

Claro que, em Portugal, estamos mais reféns da

palavra de ordem do meu dia-a-dia é… correria!

burocracia, mas sem dúvida que se a EFRS não tivesse

Técnicos

europeus.

(grande

Além

grupo

disso,

3)

tem

para

uma

sermos

dado esse passo, a ATARP muito mais dificilmente poderia ter iniciado esta discussão. Na discussão de temáticas transversais a toda a europa, a EFRS tem de facto outro poder. Outra das mais valias da EFRS é que,

sendo

uma

Federação

de

Associações

Profissionais, não está tão dependente das direções das Sociedades Científicas, o que lhe confere mais autonomia! Apesar disso, a EFRS trabalha também muito bem com todas elas (Sociedades Científicas).

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“Enquanto Presidente da ATARP, mas também enquanto Técnico Português, não posso deixar de sentir um enorme orgulho em ver a representatividade Portuguesa a dar cartas na Europa!”

A ATARP, enquanto membro da EFRS, tem indicado

Radiações: Um dos pontos fraturantes do seu

alguns colegas para integrar grupos de trabalho da

primeiro mandato como presidente foi a saída da

EFRS, que têm dado um contributo muito positivo!

ATARP do Fórum Tecnologias da Saúde (FTS). Em

Temos neste momento 4 colegas em grupos de

que medida esta organização supra-associativa já

trabalho

não se enquadrava na filosofia da ATARP.

da

EFRS,

sugeridos

pela

ATARP

e,

inclusivamente, uma colega a chefiar um dos comités

AC: Desde já, é importante dizer que esta decisão foi

da EFRS, o da Medicina Nuclear.

tomada em AG, pelos associados da ATARP, portanto.

Claro que, quer enquanto Presidente da ATARP, mas

A Direção da ATRAP expôs os caminhos possíveis

também enquanto Técnico Português, não posso

para a regulação profissional que é o principal foco do

deixar de sentir um enorme orgulho em ver esta

FTS, um caminho conjunto com as restantes profissões

representatividade Portuguesa a dar cartas na Europa!

das Tecnologias da Saúde (TS) e outro, que agruparia apenas as profissões que a ATARP representa. As deliberações da AG são soberanas e, após votação pelos associados, foi decidida a saída da ATARP do FTS. A verdade é que, já em 2016 estava a decorrer um projeto de criação de OP conjunta com as restantes profissões das TS, que infelizmente não foi aprovado e, antes de avançar novamente com uma proposta conjunta, a Direção da ATARP achou por bem ouvir os associados e daí esta decisão. Foi uma decisão difícil, contudo, a ATARP continua disponível para colaborar com o FTS, no intuito de um interesse maior.

“A ATARP tem lutado pela criação de uma Ordem Profissional para as áreas profissionais que representa, em linha com aquilo que foi decidido pelos seus associados.”

Tendo em conta as diversas audiências parlamentares que temos conseguido ter, parece-nos cada vez mais que a criação de uma OP para estas 3 profissões da área das radiações ionizantes será sem dúvida o caminho a seguir. A ATARP tem lutado pela criação de uma OP para as áreas profissionais, em linha com aquilo que foi decidido pelos seus associados, que votaram neste modelo. Temos um elo comum evidente; são profissões das TS muito específicas, muito relacionadas (inclusivamente na prática clínica). Temos, resumindo, muito mais em comum do que aquilo que, eventualmente, nos separará. ISSN 2184-769X

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“A ATARP recuperou a sua boa imagem junto dos diversos parceiros e luta permanentemente pela defesa e valorização dos profissionais que representa.”

Radiações: Mas nem só a OP faz parte da ordem de

marcos da ATARP neste último mandato, seriam: a

trabalhos da ATARP. Que outras batalhas tem

recuperação da boa imagem da ATARP junto de

travado à frente da direção da ATARP?

parceiros; o combate ao exercício não qualificado; a

AC: A questão da Proteção Radiológica, que tem sido

defesa

desde sempre uma luta que a ATARP trava e defende

representamos, nomeadamente através dos diversos

afincadamente. O exercício não qualificado tem sido

pareceres que temos vindo a emitir; e o reatar de

também um tema que a ATARP tem batalhado muito.

diálogo com entidades governamentais. Estes são os 4

Não conseguimos ter olhos e ouvidos em todo o lado, é

pontos que destacaria.

e

valorização

dos

profissionais

que

verdade, mas sempre que nos fazem chegar queixas ou indicações de exercício não qualificado ou usurpação de funções, nós temos sempre confrontado as instituições em causa, salvaguardando naturalmente o anonimato de quem nos faz chegar essa informação e, felizmente, pelo feedback que temos tido, todas as situações em que a ATARP intervém têm sido resolvidas. Curiosamente esta semana recebemos o contacto de uma Instituição que, preocupada com este assunto, nos pediu ajuda para salvaguardar que este tipo de situações não ocorra. Outra luta diária que a

Radiações: O que diria ao jovens das nossas áreas

ATARP

sobre a importância do associativismo?

tem

travado

está

relacionada

com

o

reconhecimento das profissões: dar-nos a conhecer

AC: Acho muito importante as pessoas terem interesse

não só aos doentes, mas também a outros profissionais

em questões do coletivo e de se associarem a causas

que

muitas

competências,

vezes

desconhecem

conhecimentos

e

as

nossas

em que acreditam. Não só os jovens, claro, mas sendo

as

nossas

os jovens quem representa o futuro, diria que devem

capacidades.

procurar sempre lutar por aquilo em que acreditam, lutar para fazer a diferença e melhorar, não só a sua

Radiações: Se tivesse de destacar 2 ou 3 marcos do

situação em particular, mas mais ainda num contexto

seu mandato enquanto presidente da ATARP, quais

coletivo! Certamente que no futuro a ATARP será

seriam?

presidida por alguém que hoje em dia é um estudante

AC: Bem… é difícil. A ATARP trabalha sustentada em

da Licenciatura em Imagem Médica e Radioterapia!

diferentes pilares, mas se tivesse que destacar alguns “É muito importante as pessoas terem interesse em questões do coletivo e se associarem a causas em que acreditam. Lutar para fazer a diferença e melhorar”

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A Pressão no Ar a Altino Cunha… “A felicidade muitas vezes começa nas coisas mais simples e mudar o Mundo começa muitas vezes por mudar os pequenos mundos à nossa volta!

Radiações: Quais as férias de sonho? Neve.

Radiações: Dorme? Quantas horas? (risos!!!) Pouco! Em média não mais do que 5 horas por dia, mas

Radiações: O que mais detesta? Cobras.

depende da altura.

Radiações: Música ou cinema? Ambos.

Radiações: Música preferida? Não tenho uma música preferida… se me soar bem, repito!

Radiações: Filme preferido Lista de Schindler.

Radiações: O que mais adora? Conversar. Radiações: O que mais se arrepende? É cliché, mas a verdade é que só me poderia arrepender daquilo que não fiz!

Radiações: Livro de mesa de cabeceira? Não está na mesa de cabeceira, mas é um livro que gosto de reler, sobretudo nas alturas em que ponho em dúvida o caminho

que

devo

seguir…

chama-se

“Fish!”.

Aconselho vivamente porque faz-me lembrar que a

Radiações: Técnica radiológica favorita? Porquê?

felicidade muitas vezes começa nas coisas mais

Gosto muito da radiologia geral, sobretudo em contexto

simples e que às vezes mudar o Mundo começa por

de urgência. A questão é que as limitações desta

mudar pequenos mundos!

técnica podem ser transformadas em oportunidades e na radiologia geral de urgência temos muitas vezes que

Radiações: O que mais se orgulha? Não deixo de me

ser bastante criativos! Isso atrai-me!

orgulhar do meu percurso profissional! E a ATARP está incluída!

Radiações: Se pudesse, agora, ver UM assunto resolvido… qual seria? Enquanto representante da

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ATARP, sem dúvida a regulação profissional! A nível

a ganhar com esse tipo de debate; mas sim, pretendo

pessoal… cortar o cabelo! (risos!!!) Fora de brincadeira,

recandidatar-me.

do ponto de vista pessoal gostaria muito de poder ter mais tempo para ver crescer os meus sobrinhos…

Radiações: Um comentário final para os nossos leitores… Acima de tudo, queria dizer que a ATARP

Radiações:

Como

podemos

representa um trabalho de equipa e que nestes últimos

levantar o véu sobre as próximas eleições da

anos temos lutado por aquilo que defendemos e

Direção

haver

acreditamos ser o melhor para as profissões que

recandidatura? … bem, tudo indica que sim! O meu

representamos. Não terá sido tudo perfeito, claro, há

projeto ATARP, nunca escondi, está desenhado para

sempre aspetos a melhorar, sem dúvida! Mas também,

durar até 2024, dois mandatos portanto. Assim sendo,

se não houvesse nada a melhorar não seria tão

faz todo o sentido uma recandidatura. Preferia não ser

desafiante!

Nacional

última

da

pergunta,

ATARP.

Vai

o único candidato, até porque entendo que a diferença de pontos de vista é uma mais valia e que todos saímos

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ESPAÇO ESTUDANTE

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Prémio Recém-Licenciado ATARP

É com muito orgulho que comunicamos aos nossos leitores que a 3ª edição da iniciativa PRÉMIO RECÉM-

LICENCIADO da ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear – recebeu até ao dia 28 de fevereiro de 2021 as suas candidaturas. Este prémio pretende dar palco e visibilidade ao que de melhor os alunos das Licenciaturas em Imagem Médica e Radioterapia fazem no seu percurso académico.

Em breve teremos a oportunidade de divulgar estes trabalhos. Fique atento!

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ARTIGO “Ecografia como método de diagnóstico precoce da patologia mamária” Rute Santos

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Ecografia como método de diagnóstico precoce da patologia mamária

Ana Raquel Ribeiro (1), Daniela Marques (2), Rute Santos (3, 4) 1. CUF Coimbra – Sonomedicus, Coimbra, Portugal. 2. Mercurius Health S.A., Taguspark- Núcleo Central Expansão, sala 383, 2740-122 Porto Salvo, Portugal 3. Instituto Politécnico de Coimbra, Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, Departamento de Fisiologia Clínica, Rua 5 de Outubro - SM Bispo, Apartado 7006, 3046-854 Coimbra 4. Laboratório de Investigação Aplicada em Saúde (LabinSaúde), Rua 5 de Outubro - SM Bispo, Apartado 7006, 3046854 Coimbra

Resumo Introdução: O facto de a ecografia ser uma técnica não invasiva, de baixo custo, não utilizar radiação ionizante e ser uma imagem “em tempo real”, faz com que esta técnica seja de primeira linha em várias situações. Objetivos: Evidenciar a avaliação ecográfica mamária como método de diagnóstico de primeira linha e avaliar a variação das características mamárias ao longo da idade, avaliando também precocemente patologia mamária. Material e Métodos: Este estudo é composto por participantes, do género feminino, divididas em três faixas etárias: 18-39, 40-59 e 60-79 anos, excluindo as participantes sujeitas a mastectomia. Após o preenchimento do consentimento informado, todas as participantes responderam a questões pessoais e sociodemográficas, tais como, antecedentes pessoais e familiares, fase do ciclo menstrual, gravidez, realização de ecografia e mamografia prévias, entre outros. Seguidamente, foram submetidas a um exame ecográfico mamário bilateral. Posteriormente, foram analisadas todas as imagens e respetivos dados e foi entregue a todas as participantes um relatório técnico do exame. Resultados: Participaram 105 mulheres com uma idade média de 30 anos, 58 das quais realizaram o exame pela primeira vez. Em 31 mulheres foram diagnosticadas alterações (das quais apenas 7 tinham conhecimento). Verificouse que, de acordo com a faixa etária, a densidade do estroma mamário variou, sendo que nas mulheres com maior idade este apresentava menor densidade. Conclusões: A ecografia é um bom método para avaliação mamária, podendo ser considerado importante para a avaliação precoce de patologia mamária e acompanhamento da patologia. Palavras-Chave: Ecografia, Mama, patologia mamária, diagnóstico precoce.

Abstract Introduction: Ultrasound is a non-invasive, low-cost technique, does not use ionizing radiation and it is a "real-time" image, and for these reasons this method is first-rate in several situations.

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Purpose: To demonstrate breast ultrasound evaluation as a first-line diagnostic method and to evaluate the variation of the breast characteristics along the age. Material and Methods: 105 women with a mean age of 30 years participated, divided into three age groups: 18-39, 4059 and 60-79 years, excluding participants subject to mastectomy. After completing the informed consent, all participants answered personal and sociodemographic questions, such as personal and family history, menstrual cycle, pregnancy, previous ultrasound and mammography, among others. They were then submitted to a bilateral breast ultrasound examination. Subsequently all the images and their data were analyzed and a technical report of the examination was given to all the participants. Results: A total of 105 women with a mean age of 30 years participated, 58 of whom underwent the examination for the first time. In 31 women, changes (of which only 7 were known) were diagnosed. It was verified that, according to the age group, the breast stromal density varied, being that in the women with greater age this presented lower density. Conclusions: Ultrasound is a good method for breast evaluation and can be considered important for the early evaluation of breast pathology and follow-up of the pathology. Keywords: ultrasound, breast, breast pathology, ultrasound screening.

Introdução

mama é determinado pela quantidade de gordura que

A mama é composta pelos ligamentos suspensores

circunda o tecido glandular.

mamários ou de Cooper (banda fibrosa que representa

As glândulas são compostas por lobos intercalados

o suporte natural da mama). Esta é a estrutura

com tecido glandular, conjuntivo e adiposo. Os lobos

superficial mais proeminente na parede torácica

são subdivididos em lóbulos compostos por alvéolos.

anterior, situada entre a 2ª e a 6ª costela no eixo vertical

Os lobos ligam-se ao mamilo através dos canais

e entre o bordo externo do esterno e a linha médio-

galactóforos. O mamilo é rodeado pela aréola (Bistoni

axilar no eixo horizontal (numa adulta) e pode ser

et al., 2015; Hamdi et al., 2005; Seeley et al., 2003).

dividida em 4 quadrantes, quadrante superior e externo,

A irrigação arterial é realizada por ramos da artéria

quadrante inferior e externo, quadrante superior e

torácica interna, ramos da artéria axilar e pelas artérias

interno e quadrante inferior e interno para ser mais fácil

intercostais posteriores (Bistoni et al., 2015; Hamdi et

a localização e descrição de tumores (Bistoni et al.,

al., 2005; Seeley et al., 2003).

2015; Hamdi et al., 2005; Seeley et al., 2003).

Apesar da existência de alguma drenagem feita para a

No tecido subcutâneo, cobrindo os músculos peitorais

veia torácica interna, a drenagem venosa da mama é

encontram-se as glândulas mamárias. O tamanho da

feita principalmente para a veia axilar.

Nos dias de hoje é cada vez mais frequente a existência de patologias mamárias, até pelo aumento da deteção precoce. A drenagem linfática da mama é importante em virtude

(Hamdi et al., 2005; Seeley et al., 2003; Suami et al.,

do seu papel nas metástases das células cancerígenas

2008). Da papila mamária, aréola e dos lóbulos da

ISSN 2184-769X

20


Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

glândula segue a linfa para o plexo linfático subareolar

tronco broncomediastínico, que drena a linfa das

e depois, a maior parte dessa linfa, especialmente a

vísceras torácicas (Bistoni et al., 2015; Hamdi et al.,

que vem dos quadrantes laterais da mama, drena para

2005; Suami et al., 2008).

gânglios linfáticos axilares. A restante, vinda dos

Nos dias de hoje é cada vez mais frequente a existência

quadrantes mediais, drena para os gânglios linfáticos

de patologias mamárias, não só devido ao avanço da

paraesternais ou para a mama oposta (Bistoni et al.,

tecnologia que permite uma deteção precoce das

2015; Hamdi et al., 2005; Suami et al., 2008). Vasos

mesmas, como também a sensibilização da sociedade

linfáticos na pele da mama, exceto na papila mamária

a este nível. Ao longo do tempo têm vindo a ser criadas

e aréola, drenam os gânglios linfáticos axilares,

normas para tentar alterar o panorama de aumento das

cervicais profundos inferiores e infraclaviculares e

patologias associadas à mama, surgindo então os

também os gânglios linfáticos paraesternais de ambos

exames de rastreio: mamografia (normalmente com

os lados (Bistoni et al., 2015; Hamdi et al., 2005; Suami

idade

et al., 2008). A linfa dos gânglios linfáticos axilares é

complementar da mamografia), exame físico (auto-

drenada para os gânglios linfáticos infraclaviculares e

palpação mamária). Este último de extrema importância

supraclaviculares e destes, passa para o tronco linfático

para que a mulher conheça o seu corpo (Iranmakani et

subclávio que também drena linfa do membro superior.

al., 2020; Moura et al., 2011; Sree, 2011).

superior

a

50

anos),

ecografia

(método

A linfa dos gânglios linfáticos paraesternais entra no

A ecografia é uma técnica imagiológica não invasiva, indolor, de baixo custo e sem exposição à radiação ionizante. Apesar de não ser recomendada como método de

feminina com glândula mamária densa (Gartlehner et

rastreio na população geral, a ressonância magnética

al., 2013; Geisel et al., 2018; Wang et al., 2020).

deve apenas ser realizada em mulheres com elevado

A ecografia faz em tempo real a deteção de lesões

risco de cancro da mama por antecedentes familiares

mamárias e avalia as suas características morfológicas,

ou BRCA1/2+ (Iranmakani et al., 2020; Marshall et al.,

tais como forma, ecogenicidade, nódulos ou quistos

2019; Moura et al., 2011; Sree, 2011).

(Evans et al., 2018; Griffiths et al., 2000). A mama é

A ecografia é uma técnica imagiológica não invasiva,

composta por lóbulos intercalados com tecido adiposo

podendo ser repetida as vezes necessárias, dado que

e tecido conjuntivo. Estas camadas de gordura são

é indolor, de baixo custo e não há exposição à radiação

heterogéneas e hipoecogénicas. O estroma da mama é

ionizante (Abd et al., 2018; Evans et al., 2018;

muito mais hiperecogénico. Os lóbulos de gordura,

Iranmakani et al., 2020). Apesar de a mamografia ter a

contidos dentro do estroma mamário, podem ser

capacidade de detetar patologia mamária, e, por sua

confundidos

vez, reduzir a mortalidade por cancro de mama, foi

compostas de tecido conjuntivo fibroso conferem

descrita na literatura como uma ferramenta imperfeita

estrutura à mama. Os ligamentos de Cooper são

que não é tão eficaz, particularmente na população

bandas ecogénicas lineares finas que ascendem da

com

uma

massa.

Folhas

planares

parede torácica. Os ductos lactíferos são estruturas

ISSN 2184-769X

21


Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

hipoecogénicas tubulares distintas que irradiam do

mama (Feng et al., 2018). Muitos dos compostos

mamilo e deveriam ter um máximo de 2mm de diâmetro

resultantes da combustão do tabaco são considerados

(identificados sob a aréola) e, posteriormente, drenam

como

para o seio lactífero (máximo de 4mm) (Griffiths et al.,

hidrocarbonetos

2000; Sree, 2011).

associados ao desenvolvimento de vários tipos de

Posterior à mama, podem ser vistos os músculos

cancro, poderão participar na progressão do tumor

peitorais como uma zona ligeiramente hipoecogénica

dado evidenciarem um efeito indutor da proliferação em

com fios lineares. As costelas encontram-se posteriores

várias linhas celulares de cancro (Rodrigues, 2009). O

a

propriedades

consumo regular de álcool é também um fator de risco

atenuantes que causam artefacto. Outra área que

para patologias da mama, agindo como um co-

causa artefactos similares é a zona do mamilo e região

carcinogéneo, aumentando a permeabilidade das

areolar. A compressão é vital na diferenciação de uma

membranas celulares a agentes cancerígenos (Zhang

massa da anatomia atenuante (Griffiths et al., 2000).

et al., 2007).

Gânglios linfáticos encontram-se normalmente na

A gravidez, por sua vez, devido à influência da

mama, mas são mais predominantes na região axilar e

prolactina no crescimento de estruturas ductais,

apresentam-se frequentemente isoecogénicos com

lobulares e alveolares da última metade da gravidez,

parênquima de mama circundante e podem ser difíceis

tem efeito protetor contra o desenvolvimento de cancro

de identificar (Griffiths et al., 2000).

da mama. Por outro lado, as mulheres multíparas que

Por outro lado, existem vários fatores que se pensam

têm o primeiro parto numa idade avançada apresentam

influenciar a existência ou aumento de incidência de

duas vezes maior risco de desenvolver cancro da

patologia mamária. O consumo de álcool, o tabagismo

mama (Feng et al., 2018; Penteado, 2010).

esta

musculatura

e

possuem

cancerígenos,

nomeadamente,

poliaromáticos

(PAHs).

os Estes,

e a obesidade, por exemplo, são fatores que se acredita influenciarem a predisposição para o carcinoma da

Consoante a fase do ciclo menstrual, o estroma mamário fica mais ou menos denso, podendo dar origem a falsos positivos. Como

fator

o

desta patologia, especialmente em idades mais jovens

desenvolvimento de um segundo cancro da mama

(> 40/45 anos). Além disso, ter outros familiares com

evidenciam-se os antecedentes pessoais de cancro da

esta patologia do lado materno ou paterno da família

mama (Teixeira, 2010). Mulheres com antecedentes de

pode, também, aumentar esse mesmo risco. A partilha

cancro de endométrio, ovário e cólon também

de características genéticas é mais provável entre

apresentam maior risco de desenvolver cancro da

familiares de primeiro grau (mãe, pai, irmão, irmã, filho

mama em comparação com a população geral (Feng et

e filha) (Feng et al., 2018; Silva, 2011).

al., 2018; Teixeira, 2010). Aumenta também o risco de

A história familiar é, no entanto, um fator de risco

desenvolver cancro da mama se houver história familiar

heterogéneo, dependendo do número de familiares

ISSN 2184-769X

de

risco

significativo

para

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Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

com a mesma patologia, da idade do diagnóstico e

benefícios não relacionados com a contraceção, sendo

número de familiares afetados (Feng et al., 2018;

um deles, a diminuição do risco de alterações

Teixeira, 2010).

mamárias benignas (Feng et al., 2018; Inês et al.,

A menstruação também é muito importante e tem

2010).

influência na avaliação de patologias mamárias por

Em Portugal, o carcinoma da mama é a patologia

ecografia. Consoante a fase do ciclo menstrual em que

neoplásica

a participante se encontra, o estroma mamário fica mais

diagnosticada na população feminina e é considerado

ou menos denso, podendo dar origem a falsos

a segunda causa de morte na mulher, com uma

positivos. Idealmente, a fase folicular do ciclo menstrual

estimativa de 6088 novos casos e 1570 mortes em

é a melhor altura para fazer o exame (Dagistan et al.,

2012, representando 30% de todos os casos de cancro

2017; Feng et al., 2018).

e 16% de todas as mortes por cancro (Lacerda et al.,

Na

atualidade,

constatou-se

que

a

toma

de

maligna

mais

frequentemente

2018).

anticoncecionais orais está associado a muitos

Este estudo teve como objetivo evidenciar a avaliação precoce de patologia mamária por ecografia e evidenciar a sua importância. Posto isto, seria benéfico que a palavra “precoce” se

79 anos. Esta amostra foi dividida em três grupos: dos

associasse à ecografia mamária. Com o presente

18 aos 39 anos; dos 40 aos 59 anos; dos 60 aos 79

estudo, precoce deriva em dois sentidos: um deles é

anos.

relativo à idade, sendo que pessoas mais jovens se

Relativamente aos critérios de exclusão, no presente

predispõem mais facilmente a fazer este exame ao

estudo não foram aceites no presente estudo

invés da mamografia. Por outro lado, detetar a

participantes já sujeitas a mastectomia.

patologia mais precocemente, ou seja, detetar as

Foi explicado antecipadamente todo o procedimento

alterações mamárias ainda numa fase inicial, para

para a recolha dos dados, e após preenchimento de um

assim o prognóstico ser mais favorável.

questionário

Face ao exposto, este estudo teve como objetivo

assinaram o consentimento informado e esclarecido. O

evidenciar a avaliação precoce de patologia mamária

estudo teve a aprovação da Comissão de Ética do

por ecografia e evidenciar a sua importância. Como

Politécnico de Coimbra (No. 5/2018).

objetivo

secundário

pretende-se

avaliar

sociodemográfico,

as

participantes

as

características mamárias ao longo da idade.

Procedimentos Para a realização deste estudo foram utilizados

Material e Métodos

protocolos para a ecografia mamária, segundo as

Participantes

guidelines europeias disponíveis (Appavoo et al.,

Neste estudo participaram 105 participantes do género

2012), tendo como intuito a reprodutibilidade da

feminino, com idades compreendidas entre os 18 e os

aquisição de imagens em toda a amostra.

ISSN 2184-769X

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Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

A cada participante foi entregue um questionário que

Radioterapia, com supervisão e orientação por um

continha vários detalhes essenciais para a análise, tais

profissional experiente na área da ecografia mamária.

como: a idade, hábitos tabágicos, consumo de álcool,

Neste estudo foi utilizado o Teste de Correlação de

menstruação,

Pearson com o auxílio do software IBM SPSS Statistics

número

filhos,

palpação

regular,

antecedentes pessoais e familiares, entre outras.

Versão 22.0 para medição do grau de associação entre

Durante a ecografia, a participante foi posicionada em

duas variáveis (Figueiredo, 2016).

decúbito dorsal, com uma ligeira inclinação para o lado

A leitura dos valores da estatística de r de Pearson

contrário da mama que se estava a avaliar. O

podem ser interpretados da seguinte forma (por

varrimento foi feito no sentido dos ponteiros do relógio

convenção) (Figueiredo, 2016):

e foram adquiridasum total de 12 imagens (no mínimo),

•

r < 0,2 indica uma correlação linear muito baixa;

após avaliação bilateral.

•

0,2 e 0,39 baixa correlação linear;

Foi utilizado o equipamento ecográfico Logiq E da

•

0,4 e 0,69 moderada correlação linear;

General

Ultraschall,

•

0,70 e 0,89 alta correlação linear;

Deutschland) e uma sonda linear de 7-12 MHz. Na

•

0,9 e 1 correlação muito elevada.

Electrics

Healthcare

(GE

aquisição de imagens, foi utilizado um gel à base de água, que promove um contato acústico sem a

Resultados

necessidade de causar demasiada pressão sobre a

No total das 105 participantes, 30% (31 casos) tinham

mama das participantes, sendo assim possível obter

alterações do estroma mamário e os restantes 70% não

uma boa caracterização e visualização do estroma

tinham qualquer tipo de alterações.

mamário. Todas as imagens foram adquiridas por estudantes finalistas da Licenciatura em Imagem Médica e

13% 18 - 39 anos

15%

40 - 59 anos 60 - 79 anos

72%

Figura 1 – Gráfico representativo da percentagem de participantes em cada grupo, consoante a faixa etária.

ISSN 2184-769X

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Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

Radiações

Das participantes que tinham alterações (31 casos),

são representadas em 72%, dos 40 aos 59 anos são

apenas 21% (7 casos) tinha conhecimento das

representadas em 15% e dos 60 aos 79 anos 13%

mesmas.

(figura 1).

Inicialmente, as participantes foram divididas em três grupos com base na faixa etária: dos 18 aos 39 anos menstruadas,

apenas

61%

utilizada

método

No total das participantes inquiridas, 33,4% respondeu

contracetivo.

que tinham antecedentes familiares de patologia

Em relação ao consumo de bebidas alcoólicas com

mamária e 11,4% respondeu já ter antecedentes

frequência, maior parte das participantes negou a sua

pessoais.

ingestão (97%) e apenas 16% das inquiridas possuem

Quando questionadas se realizavam palpação mamária

hábitos tabágicos.

regularmente, 53,3% das participantes admitiram que

Todas as respostas ao questionário sociodemográficos

não o faziam. Apenas 30% das participantes do estudo

encontram-se demonstradas na figura 2.

já

tinham

filhos.

Das

84%

das

ANTECEDENTES FAMILIARES

participantes

70

35

ANTECEDENTES PESSOAIS

93

12

PALPAÇÃO REGULAR

49

FILHOS

56 73

32 40

MÉTODO CONTRACETIVO

65

16

MENTRUAÇÃO CONSUMO BEBIDAS ALCOÓLICAS

89 101

4

HÁBITOS TABÁGICOS

96

9 0

20

40 NÃO

60

80

100

SIM

Figura 2 - Gráfico representativo das respostas dadas pelas participantes ao questionário sociodemográfico.

Ao analisar a presença ou não de alterações no

Do total das participantes com alterações mamárias, as

estroma, por grupos etários, foi possível perceber que

lesões à esquerda (20,2%) estavam em maior número

nas participantes do grupo 1 (18-39 anos), 28,9%

que à direita (17,2%).

tinham alterações mamárias, no grupo 2 (40-59 anos),

Após

37,5% apresentavam lesões mamárias e por fim, no

participantes que tinham alterações da mama para

grupo 3 (60-79 anos), 23,1% apresentavam também

repetir o exame e perceber quais e se as alterações que

alterações (tabela 1).

se mantinham. Dessas participantes, 9 mantiveram as

ISSN 2184-769X

25

três

meses,

foram

contactadas

18

das


Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

alterações, em 3 mulheres ficou comprovado tratar-se

restantes

6

mulheres

de falsos positivos (fase do ciclo ou tricotomia) e as

incompatibilidade de horário.

não

repetiram

por

Tabela 1 - Presença de patologia de acordo com idade. Grupos

Alterações

1 (18-39)

2 (40-59)

3 (60-79)

Sim

22 - 28,9%

6 – 37,5%

3 – 23,1%

Não

54 – 71,1%

10 – 62,5%

10 – 76,9%

76 – 100%

16 – 100%

13 – 100%

Total

Analisou-se a correlação entre as diversas variáveis,

para idade e outros exames que as participantes já

sendo que a presença ou não de alterações mamárias

tinham realizado anteriormente (r entre 0,4 e 0,69 -

apresenta

moderada correlação linear).

uma

correlação

positiva

com

os

antecedentes pessoais (p<0,05) e, a idade apresenta uma correlação positiva com outros exames que as

Discussão

participantes

anteriormente

Neste estudo, foi possível verificar que as alterações

(p<0,05). Todas as outras variáveis neste estudo não

mamárias podem ocorrer em qualquer faixa etária e

tiveram uma correlação significativa pelo teste de

que existem vários fatores externos que podem

Pearson.

funcionar como fatores de risco ou de salvaguarda.

No entanto, a correlação destas variáveis é baixa (r

Assim sendo, torna-se importante a avaliação por

entre 0,2 e 0,39 - baixa correlação linear), quando as

ecografia mamária desde cedo e não a partir de

variáveis são a presença ou não de alterações

determinada idade.

já

tinham

realizado

mamárias e os antecedentes pessoais e moderada

As alterações mamárias podem ocorrer em qualquer faixa etária e existem vários fatores externos que podem funcionar como fatores de risco ou de salvaguarda. Atualmente, considera-se que o exame de primeira

Embora a densidade mamária tende a diminuir com a

linha para diagnóstico precoce da patologia mamária é

idade, é um problema significativo em mulheres de

a mamografia. Todavia, é uma ferramenta imperfeita e

todas as idades, uma vez que com o aumento da

não igualmente eficaz em todas as mulheres. No geral,

densidade da mama, também aumenta a probabilidade

a sensibilidade de mamografia para a deteção de

de desenvolvimento de cancro da mama (Brem et al.,

cancro de mama é de 85%. No entanto, nas mulheres

2015; Gartlehner et al., 2013; Wang et al., 2020).

com tecido mamário denso, a sensibilidade de

O varrimento ecográfico da mama pode ser uma

mamografia passa é mais baixa, sendo de 47,8-64,4%.

solução para a deteção de carcinoma mamário não

ISSN 2184-769X

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Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

detetado na mamografia em mulheres com tecido

Ao analisar os dados obtidos neste estudo, é possível

mamário denso, para quem a mamografia é menos

afirmar que é no grupo 2 (40-59 anos) que existe maior

eficaz e nas mulheres que têm um risco aumentado de

incidência de alterações na mama. No entanto,

cancro da mama. Mulheres com tecido mamário denso

observa-se que também no grupo 1 (18-39 anos) a

constituem o maior grupo de mulheres de risco

percentagens de alterações é alta. A maior incidência

intermédio para as quais a mamografia pode não ser

de nódulos mamários foi relativamente maior em

suficiente. A ecografia mamária deteta patologia

mulheres em idade reprodutiva (Gonzaga, 2010;

mamária

clinicamente

Stachs et al., 2019). Confirmou-se igualmente que com

significativa, invasiva e predominantemente com

o aumento da idade das participantes a densidade do

nódulos linfáticos negativos (Wang et al., 2020).

estroma mamário diminui (Seo et al., 2002).

de

pequenas

dimensões,

Este exame não substitui a mamografia, mas em conjunto com a ecografia podem complementarse.

A correlação positiva entre a presença ou não de

informação importante para um diagnóstico precoce,

alterações mamárias com os antecedentes pessoais

sendo que se o nódulo for mais superficial é detetado

(p<0,05) sugere que com o aumento destes, aumenta

com mais facilidade (Baxter, 2001). Neste estudo, das

a incidência de alterações mamárias.

56 participantes que não realizavam palpação regular,

Relativamente às restantes variáveis não foram

17 tinham alterações na mama e o autoexame poderia

encontradas relações significativas. Isto pode dever-se

ter sido uma ferramenta importante para detetar esta

ao facto de a amostra ser reduzida ou de existirem

alteração mais cedo.

algumas inconsistências na recolha dos dados através

Não foi encontrada ao longo do estudo nenhuma

dos questionários realizados. O estudo de Lacerda et

alteração com características malignas. A ecografia

al. (2018) permite observar uma cronologia natural da

tem um papel mais significativo na diferenciação entre

doença associada à idade (Lacerda et al., 2018).

quistos e massas sólidas (Gonzaga, 2010).

De ressalvar que este exame não substitui a mamografia, mas em conjunto com a ecografia podem

Conclusão

complementar-se (Brem et al., 2015; Gartlehner et al.,

No decorrer do estudo comprovou-se que o método de

2013; Mehnati et al., 2015; Wang et al., 2020). No

avaliação por ecografia tem inúmeras vantagens

estudo de Brem et al. (2015), a sensibilidade da

quando lado a lado com a mamografia e com o exame

realização da mamografia combinada com a ecografia

físico, na medida em que auxilia a um diagnóstico de

foi maior do que aquando da realização de apenas a

patologia mamária de forma precoce.

mamografia (76% vs. 52%), com uma diminuição na

Através desta técnica foram detetadas alterações

especificidade de 91% com mamografia, para 84% com

benignas (nódulos e quistos) nas participantes.

mamografia em conjunto com a ecografia (Brem et al.,

Conclui-se então que é de extrema importância a

2015). Também o auto-palpação da mama pode trazer

deteção das mesmas precocemente, para que possa

ISSN 2184-769X

27


Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

Radiações

haver

um

acompanhamento

da

evolução

das

Através do presente estudo constatou-se que as

alterações, o que no futuro poderá trazer várias

participantes não realizam tantas vezes como seria de

vantagens. Os resultados revelaram-se bastante

desejar o autoexame da mama, sendo este o primeiro

positivos, pois a população feminina em geral participou

passo para a deteção precoce de qualquer patologia

livremente e só ocorreram dificuldades para a segunda

associada à mama.

fase de avaliação devido à incompatibilidade de horários e pelo facto de ser necessário esperar 3 meses após a primeira avaliação.

A avaliação por ecografia mamária deveria ser de fácil acessibilidade, pois além das suas vantagens é uma técnica mais facilmente aceite pela população devido ao facto de ser indolor. Por fim, conclui-se que a avaliação por ecografia

Wadden,

N.

mamária deveria ser de fácil acessibilidade, pois além

Intervention.

das suas vantagens é uma técnica mais facilmente

Radiologists.

(2012).

Breast

Canadian

Imaging

and

Association

of

aceite pela população devido ao facto de ser indolor. A

Baxter, N. (2001). Preventive health care, 2001 update:

ecografia mamária deveria ser introduzida mais cedo

Should women be routinely taught breast self-

na vida das mulheres e não apenas quando surgem

examination to screen for breast cancer? (Vol.

sintomas, desde logo para que a população feminina

164, Issue 13).

possa conhecer melhor o seu corpo, tal como ser feito

Bistoni, G., & Farhadi, J. (2015). Anatomy and

um diagnóstico precoce de patologia mamária maligna

Physiology

numa fase inicial e, consequentemente, aumentando o

Reconstructive

sucesso

Techniques,

dos

tratamentos

realizados,

diminuindo

também, desse modo, a taxa de mortalidade por cancro

of

the

Breast.

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“Dia-a-dia com…”

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Dia-a-dia com… Cátia Cunha Passaram-se uns anos desde que decidi que o meu futuro deveria passar por esta profissão. Uma familiar querida, na altura a fazer tratamento de radioterapia, falava das pessoas, dos terapeutas e do processo envolvido, com tanto apreço, com cariz tão importante, que percebi que aquela poderia ser ajunção perfeita para mim:o gosto pelo estudo da física e dabiologia, aliado à possibilidade de poder dar o meu contributo, deixar “a minha marca”, contribuindo para a saúde e bem-estar de outras pessoas, de repente, tudo me pareceu perfeito! Estava escolhido! Mas esta foi, talvez, a escolha mais ingénua da minha vida!

Em 2004, quando iniciei a minha formação superior, éramos pouquíssimos: 14 jovens recémadmitidos no curso de Radioterapia da Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto (ESTSP) que, entre desistências e outras circunstâncias, se reduziram no final, em 2008, a apenas nove. Ora, este facto – a circunstância de sermos poucos – deu-nos uma vantagem: a possibilidade de termos a maioria das aulas “no terreno”. Frequentávamos o Hospital de São João (HSJ) e o Instituto Português de Oncologia (IPO) Porto como se lá pertencêssemos: já conhecíamos bem o serviço, as pessoas, os corredores, o bar e o refeitório, as entradas e saídas…. Enquanto estudantes temos um profundo crer no mundo, que se dissipa quando percebemos que ainda somos pequeninos e que ainda há muita para percorrer e aprender. E ainda bem que assim é. Comecei a trabalhar no IPO de Coimbra mas, apenas dois meses depois optei por mudar para o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) em Vila Real. Guardo boas recordações e muita admiração pela equipa do IPO de Coimbra, mas o contrato provisório lá e a

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ideia de poder acompanhar um começo de um serviço de raiz foram decisivos na minha motivação de mudança. E 12 anos, um marido, duas filhas e uma gata depois, ainda cá estou!

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No CHTMAD começamos por ser uma equipa reduzidíssima, mas sempre pautada pela vontade de aprender e com muita noção e consciência das responsabilidades e deveres que assumimos. Como sempre nos ensinou a nossa mentora, a Terapeuta Armanda Monteiro, "devemos sempre fazer o melhor que sabemos com o melhor que temos". Esta premissa vale até hoje e aplica-se não só à profissão, mas a quase tudo na vida.

TC de planeamento O doente é encaminhado para a Tomografia Computorizada (TC) de planeamento, já com diagnóstico definido e com plano de tratamento traçado. Assim sabemos o que se pretende tratar, durante quantas sessões e qual a dose pretendida, claro que nada é estanque e muitas vezes há necessidade de ajuste pelo Radiooncologista.

Na Radioterapia do CHTMAD, hoje com uma equipa que ainda é pequena, mas ainda assim quatro vezes maior do que há 12 anos atrás, faço de tudo (assim como muitos dos meus colegas): Tomografia computorizada (TC) de planeamento, delineação de volumes, planeamento dosimétrico e tratamento de radioterapia externa, assim como os vários passos entre cada uma destas etapas. Esta polivalência é dificílima, mas desde cedo nos habituamos à importância de “se saber de tudo”. Claro que há colegas mais dedicados a uma determinada área e outros noutras, e o processo de aprendizagem não é rápido, mas com perseverança mostramos a nossa capacidade.

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Esta TC não é uma TC qualquer. É feita com um tampo de mesa e suportes de imobilização adequados ao paciente, ao diagnóstico e ao tratamento, com o doente deitado de acordo com a região a tratar e imobilizado de forma reprodutível e confortável. O que for definido aqui

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será reproduzido durante todos os tratamentos da mesma forma.

que irá tratar e esta delineação cabe ao radiooncologista (planning target volume - PTV, clinical target volume - CTV, gross tumor volume GTV, internal target volume - ITV…) e nós técnicos de radioterapia delineamos os órgãos de risco (OAR), ou seja, todos os órgãos, tecidos e/ou estruturas circundantes que queremos evitar ou poupar ao máximo. Cada um destes OAR, que podem ser mais ou menos radiossensíveis, e cujos efeitos secundários e toxicidade podem ser mais ou menos toleráveis, têm uma dose limite em dose/volume ou em dose máxima, que por vezes varia de acordo com a estrutura e o próprio processo terapêutico (ex.: se fez ou não quimioterapia e dependendo do quimio-fármaco).

A aquisição de imagem é efetuada de acordo com os protocolos definidos para a radioterapia, com espaçamento entre corte de 2 ou 3mm de acordo com o escolhido, e a range de cortes envolve região de tratamento e boa margem. Aqui é definido o isocentro e são tatuados os pontos de referência na pele, mesmo que exista necessidade de mudança de isocentro, este será sempre calculado a partir do que foi definido nesta etapa. O paciente será deitado e alinhado de acordo com estas marcações no decorrer do tratamento e os ajustes calculados a partir daqui.

Esta delineação de volumes, apesar de parecer muito engraçado passar a manhã ou tarde a desenhar numa ferramenta algo parecida com o paint, tem os seus desafios. Processo burocrático Arranjar vaga é uma dor de cabeça, atrevendo-me a dizer que é um problema de norte a sul do país. Na Oncologia muitas vezes o ideal é ontem, principalmente para o doente, mesmo que o protocolo nos diga que ainda temos tempo para iniciar, a gestão das expectativas do doente é complexa. Adicionando a complexidade do transporte: o doente A que inicia tratamento no dia x, vem com os doentes B, C e D, e aqui a tarefa

Após adquiridas as imagens estas são enviadas para um programa de delineação e é definido o

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atinge nível de complexidade próxima à de “passar o Alto de Espinho no meio de um nevão” …

Procurar o melhor plano, aquele que tem a melhor cobertura de dose no volume a tratar e a melhor conjugação de campos de acordo com o envolvente, tendo em conta o doente, a sua condição clínica, e minimizando efeitos secundários, e ao mesmo tempo potenciando um tratamento simples, rápido e eficaz, pode demorar, por vezes o que parece uma eternidade. Posteriormente caberá ao radiooncologista a aceitação e validação da proposta de planeamento dosimétrico.

Planeamento dosimétrico Nesta etapa, procura-se o melhor arranjo de campos, com a melhor distribuição de energia e peso de forma à radiação atingir o local a tratar (o tal PTV, ou ITV…) e a não atingir nada mais órgãos, tecidos ou estruturas, que circundam a zona a tratar. É aqui que passamos a considerar que o passo de arranjar uma vaga afinal é fácil! Controlo de qualidade Apesar de muitas instituições integrarem os técnicos na equipa de controlo de qualidade, na instituição onde trabalho é o engenheiro físico o responsável por todo este processo: controlo, verificação, medição e validação final. Este é mais um dos processos complexos e de responsabilidade, em que é verificado tudo o que foi efetuado, se o planeamento respeita as normas, e preparado todo o processo seguinte.

Este jogo do gato e do rato é para mim o mais desafiante e interessante.

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tratamento, sendo verificado o correto posicionamento do paciente, dos seus órgãos e estruturas, e estes se encontram conforme o definido na TC e planeado na dosimetria. Neste processo é efetuada uma fusão de imagem (um match) entre o planeado e o real. Todos os dias é ainda verificado um grupo de parâmetros antes de se debitar a dose diária prescrita, havendo lugar a uma nova verificação no final do tratamento. Tratamento A última etapa, a mais longa, com mais subetapas, com maior número de pessoas envolvidas e a mais complexa na prevenção do erro. Preparado, verificado e programado todo o tratamento, o doente pode ser chamado, e finalmente tratado. O tratamento resulta do somatório do trabalho de todas as fases anteriores. Será reproduzido o posicionamento da TC de planeamento, executado o planeado na dosimetria em concordância com o prescrito pelo radiooncologista e debitado de acordo com as especificidades do controlo de qualidade.

Finalizando Ainda acredito que o que fazemos é importante e que tem muito peso nas vidas com que nos cruzamos. Mas há muito a fazer. As nossas profissões são subvalorizadas e muito desconhecidas. Cabe a nós a mudança. Cabe a nós mostrar que temos peso e somos fundamentais, tal como tantos outros profissionais. Quero defender a minha profissão e mostrar que somos profissionais capazes, esforçados, atentos e informados, que se esforçam pelo conhecimento e valorização.

Antes de iniciar o tratamento o paciente é acolhido e é-lhe explicado todo o processo. No decorrer das diferentes sessões de tratamento fazem-se verificações diárias ou previamente determinadas de acordo com o protocolo escolhido e especificidades do paciente ou do próprio

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Neste momento as áreas são estas, no entanto, a ciência e a tecnologia com a qual trabalho estão em constante evolução, e todos os dias surgem ideias e oportunidades novas, por isso tenho a certeza de que daqui por uns anos quando reler este artigo uma parte se encontrará desatualizada. Apesar de depender muito da tecnologia também dependo do meu saber, pelo que considero importante a atualização técnico-científica, formação em novas tecnologias, por vezes ainda não existentes no país, pelo que o meu dia também passa por esta vertente de estudo, investigação e produção de nova ciência.

Hoje é assim, amanhã não sei...

Photo credits: Levina Sá.

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Dia-a-dia com… Inês Moreira

Chamo-me Inês e sou Técnica de Radiologia. Trabalho no Centro Hospitalar Universitário São João, mais especificamente na área da Mamografia, situada no Centro de Mama. Uma unidade certificada por uma entidade europeia, a EUSOMA – European Society of Breast Cancer Specialists. Sou também assistente convidada na Escola Superior de Saúde do Porto, na área das Ciências Morfológicas, para além de investigadora e estudante de doutoramento, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Todos os dias dou comigo mesma a exercer cada uma destas profissões, se assim as podemos chamar. Não sei se gosto de chamar profissões. Porque, como alguém disse, “faz o que gostas e não precisas de trabalhar um único dia”. Além disso, sou filha, irmã, esposa e mãe de um lindo menino de 4 anos. Para conseguir lidar com tudo isto diariamente, é preciso organização. É preciso disponibilidade para essa organização. É preciso também que estejamos rodeados de pessoas à nossa volta que nos querem bem, e que nos ajudem. Porque não somos nada sem ninguém. Todos os dias chego pelas 8h ao hospital. Ligo o mamógrafo e verifico que o mesmo está conforme, de acordo com o protocolo de controlo de qualidade que está estabelecido. Coloco o EPI adequado para esta altura conturbada em que estamos a viver. É preciso proteção máxima, não a posso descurar, para mim e para os outros. A mamografia é dita como sendo um exame que requer 4 incidências de rotina, e pouco mais. Mas a verdade é que 12 anos de experiência em patologia mamária me dizem que há muito mais. Há uma série de incidências complementares para ajudar ao diagnóstico, há tomossíntese mamária,

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há biopsias guiadas por estereotaxia, há localizações pré-operatórias, há radiografias de peças operatórias e de fragmentos de biópsia. E há mamografia com duplo contraste, e tantas outras técnicas relacionadas com a mamografia. Há exames a doentes que foram submetidas a quimioterapia primária (ver a importância da mamografia na figura 1), a doentes que foram submetidas a cirurgia e radioterapia, há doentes que irão ser submetidas a uma biópsia. Saber gerir a expectativa do resultado não é fácil. Todas estas doentes requerem atenção especial, devido ao estado de ansiedade e de cansaço causado pela luta contra esta doença que é o cancro da mama. Durante o exame, há uma proximidade muito grande com o doente, não só fisicamente - e daí todo o EPI necessário - como também com a dimensão mais pessoal de cada um. Cabe-nos a nós enquanto profissional de saúde saber ouvir o doente. É preciso haver dedicação ao doente, e tempo para ele também. É preciso saber utilizar a escuta ativa, e a comunicação interativa. Saber explicar o porquê da compressão, conseguir que a pessoa tolere a compressão e que colabore no posicionamento, fazer com que a pessoa se sinta

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confortável, para que consigamos executar uma boa técnica radiológica, e assim obtermos imagens de alta consistência e de excelente qualidade. Só assim conseguimos bons resultados

e bons diagnósticos para continuarmos com os padrões de excelência que a Certificação exige.

Reavaliação pós-quimioterapia primária: incidências crânio-caudal à mama esquerda de uma paciente com um carcinoma invasor. 1) Nódulo irregular associado a microcalcificações; 2) Após 5 meses de tratamento sistémico, observa-se uma diminuição do nódulo, traduzindo uma ligeira distorção arquitetural associada a microcalcificações (estas por norma nunca desaparecem). A paciente teve assim uma boa resposta ao tratamento. Fonte: Centro de Mama, CHSJ, 2009

Ao mesmo tempo que decorre o exame, os critérios de boa realização são aferidos, assim como a sua qualidade diagnóstica e a necessidade de repetição, bem como de incidências complementares. Avaliar o estado emocional da paciente após o exame é fundamental, assim como relembrar que é importante fazer o exame periodicamente.

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contribuímos para a formação de técnicos de saúde, e isso exige uma constante atualização de conhecimentos, assim como o arranjar estratégias diferentes de aprendizagem para transmitir esse conhecimento e para motivar os alunos. Tento sempre conhecê-los, saber o nome de cada um e o que motiva cada um, e aprender também com eles.

O saber trabalhar em equipa é também imprescindível. Trabalho numa equipa multidisciplinar com médicos radiologistas, enfermeiros, assistentes operacionais e administrativos, onde cada um tem a sua função, e não a consegue executar bem se não estiver em sintonia com os outros. Para além de técnica de radiologia, encontro-me responsável por todo o equipamento e sua manutenção no Centro de Mama, para conseguirmos dar resposta ao processo de certificação. Sou também responsável pelo registo do Euromilhões, em que acreditamos que um dia iremos ganhar o primeiro prémio… bem, como se costuma dizer, a esperança é a última a morrer! A minha pausa é ao almoço, na copa, com o resto da equipa. Também existe a tradição de, quando alguém faz anos, partilharmos um momento a meio do ritmo de trabalho. Claro que, com a situação pandémica em que vivemos, estes momentos são naturalmente adaptados, e cuidados. Seguidamente, à tarde, vou para a ESS, dar aulas aos alunos do primeiro ano de Imagem Médica e Radioterapia. É estimulante saber que

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Quando não tenho atividade no hospital e na escola, é tempo para me dedicar à minha investigação e doutoramento. Implica muito estudo, reuniões, muitas horas de dedicação e esforço, e sendo extralaboral implica também que prescinda do meu tempo que tenho para fazer as coisas de que mais gosto e de estar com a família. Acreditar que tudo compensa, e que quem corre por gosto, não cansa. É tudo uma questão de equilíbrio e, mais uma vez, de organização. Sempre que posso gosto, também gosto de acompanhar as tecnologias emergentes nas diversas áreas de IMR, participando em formações e congressos. Porque a área da Imagem Médica fascina-me, e cada vez se torna mais interessante. Aqui fica um bocadinho de mim.

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ESPAÇO PROFISSIONAIS

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Desenvolvimento e avaliação de um curso Elearning sobre proteção radiológica em veterinária Gianluca Bentivegna1,2, Sandra M. Rua Ventura3, Pedro P. Rodrigues4 1

Técnico de Radiologia do Centro de Imagem Médico-Veterinária Montenegro;

2

MSc em Educação Académica e Clínica pela Faculdade de Medicina da Universidade de Porto

(FMUP); 3

Professora Adjunta da Área Técnico-Científica da Radiologia, Escola Superior de Saúde do Porto

(ESS), Instituto Politécnico do Porto (IPP); 4

Professor Auxiliar do Departamento de Medicina da Comunidade, Informação e Decisão em

Saúde, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

Resumo Os efeitos colaterais resultantes da exposição à radiação ionizante são cada vez mais uma preocupação global,

fundamentalmente os riscos ocupacionais dos profissionais frequentemente expostos, tal como os veterinários. Todavia, e de modo a balancear a relação risco-benefício da exposição à radiação, todos os profissionais e estudantes devem manter-se em constante aprendizagem. De entre os diversos métodos educacionais, o E-learning tem vindo a assumir um papel fundamental, nomeadamente, na formação continuada dos profissionais, com resultados significativos de eficácia e satisfação. Neste contexto, foi criado e implementado um curso em ambiente E-learning sobre proteção radiológica em veterinária para profissionais desta área. A eficácia do curso foi avaliada através das aprendizagens dos formandos (ganho pedagógico) e da satisfação dos participantes (Níveis I e II do modelo de Kirkpatrick). Os participantes foram submetidos a uma primeira avaliação (pré-teste) antes da implementação do curso e, a uma avaliação final (pós-teste) após o curso, terminando com um questionário de satisfação. De uma forma geral, 82 formandos iniciaram o curso e realizaram o pré-teste, porém, apenas 46 completaram o curso com a realização do pós-teste. Pela análise estatística, observou-se uma melhoria significativa do pré para o pós-teste em todos os grupos (médicos, enfermeiros e estudantes veterinários). Os resultados do ganho pedagógico revelaram diferenças na avaliação do conhecimento antes e após o curso [M(pré)=9,34, σ=2,88; M(pós)=13,43, SD=3,22], comprovando a eficácia do mesmo. Relativamente ao grau de satisfação, 84,4% dos participantes ficaram satisfeitos e 86,6% consideraram o curso bem-sucedido. Em conclusão, este curso comprovou ser uma ferramenta fundamental para o aumento de conhecimentos em radioprotecção para os grupos da área da veterinária, representando um potencial incentivo para melhorar e expandir o conhecimento nesta área. Palavras-chave: Veterinária, radiação ionizante, proteção radiológica, E-learning, formação, avaliação.

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Radiações

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Abstract The side effects of ionizing radiation exposure are an increasing global concern, especially among professionals who are frequently exposed, such as veterinarians. However, the risk-benefit dialogue of radiation exposure is essential and an obligation. For this reason, all professionals and students must remain in continuous learning. The e-learning system became a fundamental tool in assisting education and presenting significant results of efficacy and satisfaction. Therefore, an e-learning course on radiological protection for veterinary professionals and students was developed, to evaluate the learning and satisfaction (Levels I e II of the Kirkpatrick model). A first assessment (pre-test) before the course and a final assessment (post-test) after the course, were implemented. At the end, a satisfaction questionnaire was answered. From the 82 participants submitted to the pre-test, only 46 participants concluded the course. Statistical analysis shows a significant knowledge improvement from the pre to post-tests in all groups and a clear difference in the average classifications between the professional groups (veterinarians, nurses and veterinary students). The results of the pedagogical gain revealed differences in the knowledge assessment before and after the course [M(pre)=9,34, SD=2,88; M(post)=13,43, SD=3,22], demonstrating its effectiveness. Regarding the degree of satisfaction, 84,4% of the participants were satisfied and 86,6% considered that the course was successful. In conclusion, this course proved to be a fundamental tool for increasing the knowledge in radiological protection for veterinary professionals, representing a potential incentive to improve and expand knowledge in this field. Keywords: Veterinary Practice, Ionizing Radiation, Radiological Protection, E-learning, Education, Evaluation.

(Direção-Geral da Saúde, 2016; Ginja & Ferreira, 2002;

Introdução

Sreetharan et al., 2017). Na medicina veterinária, a

A constante exposição dos profissionais à radiação

constante exposição à radiação ionizante pelos

ionizante é uma preocupação global pelos efeitos

profissionais, significa que poderá existir uma maior

colaterais resultantes na sua saúde. Os efeitos

propensão ao desenvolvimento de efeitos estocásticos

estocásticos são caracterizados por danos não letais do

(Gregorich et al., 2018).

material genético de células somáticas ou germinativas.

Estudos prévios reforçam a ideia de que a maioria dos

Uma falha na tentativa da correção celular, pode

estudos

resultar no desenvolvimento neoplásico e/ou na transmissão

hereditária

do

material

realizados

em

veterinária,

obrigam à presença dos profissionais no interior da sala

genético

de exames (Mayer et al., 2018, 2019; Roth & Klaus,

danificado. A não existência de um limiar de dose para

2016). Em grande parte destes, os animais não são

estes efeitos, sugere um possível desenvolvimento a

colaborantes quando não sedados, exigindo rapidez de

médio/longo prazo, assegurando assim, que o seu

execução do exame. Consequentemente, verifica-se a

desenvolvimento é proporcional à dose de radiação,

ausência ou incorreta utilização do material de proteção

mas a sua gravidade é independente da dose recebida.

radiológica por parte destes profissionais bem como a

Contudo, em doses suficientes, a exposição à radiação

necessidade de repetição de radiografias pela incorreta

pode causar danos graves ou até mesmo a morte

seleção dos parâmetros de exposição, pobre qualidade

celular, comprometendo o normal funcionamento do tecido e/ou órgão afetados (efeitos determinísticos)

ISSN 2184-769X

radiográficos

43


Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

Radiações

imagiológica e/ou inadequado posicionamento do animal (Baker, 2014; Mayer et al., 2018, 2019).

Na medicina veterinária, a constante exposição à radiação ionizante pelos profissionais, significa que poderá existir uma maior propensão ao desenvolvimento de efeitos estocásticos. Mais se denota que, nos últimos anos, tem-se

radiológica em Portugal, cresce uma necessidade de

confirmado um acentuado predomínio do género

aprendizagem continuada mais marcada e abrangente,

feminino

que

destacando-se o E-learning como um método facilitador

demonstram a frequente exposição de mulheres em

do processo ensino/aprendizagem. Por se tratar de

idade fértil à radiação ionizante (Scheftel et al., 2017).

uma ferramenta que utiliza a internet como forma de

Embora existam já publicadas guidelines internacionais

transmissão e partilha de conhecimentos, atrai um

de segurança e boas práticas para profissionais de

maior

veterinária (BVA, 2019; HERCA, 2017), vários estudos

extraordinário

revelam lacunas severas nos conhecimentos gerais

simplicidade e rapidez de comunicação, facilidade na

sobre radiação e proteção radiológica, não só em

gestão e compatibilidade de horários e pela não

médicos veterinários como também em enfermeiros e

necessidade

auxiliares veterinários (Gregorich et al., 2018; Lee et al.,

multidisciplinares realizados acerca desta metodologia

2012; Mayer et al., 2018). Desta forma, para uma maior

de ensino, reforçam a sua eficácia e eficiência

sensibilização e conhecimento destes profissionais

chegando mesmo, alguns autores, a equipará-lo aos

face aos efeitos negativos da exposição à radiação

métodos de ensino mais tradicionais (Choules, 2007;

ionizante,

de

Masic, 2008; Ruiz et al., 2006). De destacar ainda que,

desenvolvimento e aplicação de ferramentas de

em associação, o E-learning apresenta-se como um

aprendizagem e treino específico para a área da

método

veterinária.

participante (Moreira et al., 2015; Papillion & Aaron,

Reconhecendo as reais limitações e dificuldades na

2017).

na

veterinária,

justifica-se

a

existindo

maior

autores

necessidade

número

de nos

de

altamente

interessados, reduzidos

pelo

custos

deslocação.

satisfatório

associados,

Vários

na

interesse

estudos

comunidade

obtenção da formação específica na área da proteção

Dadas as limitações na obtenção da formação específica em proteção radiológica em Portugal, cresce a necessidade de aprendizagem por E-learning.

Deste modo, de forma a colmatar as lacunas sentidas

proteção radiológica. Este curso foi avaliado quanto à

pelos profissionais de veterinária no âmbito da proteção

sua eficácia e à satisfação dos participantes.

radiológica e, considerando o impacto do E-learning na sociedade atual, foi desenvolvido um curso online sobre

ISSN 2184-769X

44


Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

Materiais e métodos

MoodleCloud® totalmente em português por meio de

•

textos, imagens, vídeos e áudios. Os conteúdos do

Participantes e admissão

curso foram produzidos através do programa Microsoft

A população alvo deste estudo foi a comunidade

PowerPoint® Por sua vez, estes foram estabelecidos

veterinária de Portugal, maioritariamente proveniente

de acordo com as guidelines apresentadas pela Heads

do norte do país. Nesta população incluíram-se

of

médicos veterinários (V), enfermeiros veterinários (VN)

cada

dez anos de experiência profissional como docentes

participante.

universitários no âmbito da radiologia e da medicina

Posteriormente à validação das candidaturas, cada

veterinária.

participante foi notificado, recebendo informações

O curso foi estruturado em dois módulos distintos,

sobre o processo de registo e autenticação na plataforma

online

bem

como

sobre

regras

sendo o módulo 1 composto por 4 aulas e o módulo 2

e

composto por 3 aulas. Como método de controlo e

desenvolvimento geral do curso. Foram validadas um

organização, as aulas foram disponibilizadas de acordo

total de 113 candidaturas no curso, resultando numa

com um cronograma antecipadamente publicado e,

amostra final de 82 participantes. •

Competent

foram validados por dois experts, ambos com mais de

de um consentimento informado onde constavam de

Protection

coerência e robustez dos conteúdos, posteriormente,

curso, foram recebidas as candidaturas acompanhadas

gerais

Radiological

Authorities (HERCA). De destacar que, para uma maior

e estudantes de veterinária (VSt). Após divulgação do

informações

European

com intervalos de tempo específicos para a realização

Desenho e implementação do curso

das provas de avaliação (pré-teste, quiz intermédio e

Foi criado um curso online assíncrono sobre proteção

pós-teste).

radiológica em veterinária com recurso à plataforma

Foi criado um curso online sobre proteção radiológica em veterinária, totalmente em português. Para que os participantes pudessem ter acesso integral

obrigatoriamente, que realizar a prova no dia estipulado

ao curso, inicialmente foi solicitada a realização de uma

no cronograma, dispondo de 20 minutos após abertura

prova de avaliação designada de pré-teste. No final do

do link para a sua conclusão, desencorajando assim,

curso, foi realizada a avaliação das aprendizagens

possíveis fraudes.

(designada de pós-teste) de cariz obrigatório para a certificação individual de cada participante.

•

Os testes foram revistos e validados por quatro

A avaliação global do curso teve por base o modelo de

veterinários experientes e independentes, que não

Kirkpatrick,

participaram no curso.

(reação/satisfação) e o nível 2 (aprendizagem). A

Os testes de avaliação eram constituídos por 14

diferença das notas entre o pré e pós-teste representa

questões de escolha múltipla e apresentavam o mesmo

o ganho de aprendizagem dos formandos. Por outro

grau

lado, o nível de satisfação dos formandos (nível 1) foi

de

dificuldade.

ISSN 2184-769X

Os

formandos

tinham,

45

Avaliação do curso

nomeadamente,

o

nível

1


Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

avaliado através da realização de um questionário

uma escala internacional de Likert de 7 pontos, sendo

validado internacionalmente (Wang, 2003).

1 (discordo totalmente) e 7 (concordo totalmente).

•

Resultados

Análise estatística

Média (M) e desvio padrão (SD) foram utilizados como

•

variáveis descritivas. A normalidade das variáveis foi

Características dos formandos

Foram validadas um total de 113 candidaturas no

testada através dos testes de Kolmogorov-Smirnov

curso, porém, somente 79,6% (n=90) procederam à

(n≥50) e Shapiro-Wilk (n<50). A comparação entre as

inscrição obrigatória na plataforma online Moodle. Dos

notas do pré e do pós-teste foram alcançadas através

candidatos inscritos, 91,1% (n=82) iniciou o curso com

da realização de um teste T-Student emparelhado. Por

a realização do pré-teste, dos quais, 31V, 22VN e

sua vez, a correlação entre variáveis contínuas (notas

29VSt. No decorrer do curso, foram verificadas

dos testes) foi obtida através do teste de correlação de

desistências, sendo que, do total dos inscritos, apenas

Pearson enquanto que, a correlação entre variáveis

51,1% (n=46) terminaram o curso e realizaram o pós-

discretas (desistências) foi obtida através do teste de

teste. Por sua vez, dos 46 formandos que terminaram o

correlação de Spearman. Testes ANOVA e MANOVA

curso, 97,8% (n=45) responderam ao questionário de

foram realizados para a avaliação das notas do pré e

satisfação.

do pós-teste entre grupos profissionais. As respostas

Dos 82 formandos que iniciaram o curso, 78,1% (n=64)

ao questionário de satisfação foram obtidas através de

eram mulheres e 21,9% (n=18) eram homens.

Figura 1. Desenho do estudo

•

Ganho de conhecimento e satisfação dos formandos

Após a realização do pré-teste, verificou-se que mais de 50% dos formandos obtiveram nota final inferior a 10 valores (M=9,34; SD=2,88) (Figura 2). Figura 2. Diagrama de caixa dispondo as notas e a média geral do pré-teste

ISSN 2184-769X

46


Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

Dos 46 formandos que terminaram o curso com a

Estratificando por grupo profissional, observa-se que os

realização do pós-teste, observou-se que mais de 80%

médicos veterinários obtiveram notas superiores aos

obteve nota final do teste acima dos 10 valores

restantes grupos, tanto no pré como no pós-teste

(M=13,43; SD=3,22) (Figura 3).

(Figura 4). Além disso, observou-se que, formandos que obtiveram notas

superiores

no

pré-teste,

obtiveram,

consequentemente, notas superiores no pós-teste, pelo que se concluiu, existir uma dependência e uma moderada correlação entre elas (p<0,05; r=0,402). Figura 3. Diagrama de caixa dispondo as notas e a média geral do pós-teste

Figura 4. Diagrama de caixa dispondo as notas do pré e do pós-teste por grupo profissional

Relativamente à idade, observou-se que, formandos

Por fim, face às respostas obtidas no questionário de

mais velhos apresentaram notas superiores tanto no

satisfação, 84,4% dos formandos (n=38) demonstrou-

pré como no pós-teste relativamente a formandos mais

se satisfeito com o curso e 86,6% dos formandos

novos, porém, sem significância estatística (p>0,05).

(n=39) concordou que o curso foi bem-sucedido.

Um conhecimento alargado sobre os princípios físicos e efeitos da exposição à radiação, proporciona um aumento da qualidade imagiológica bem como a redução na exposição desnecessária dos profissionais.

ISSN 2184-769X

47


Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

frequência do curso, o que vai de encontro a outros

Discussão dos resultados Recentemente,

o

ensino

à

distância

estudos que apontam um aumento significativo da

tem-se

população feminina no mundo da veterinária (Baker,

demonstrado como uma ferramenta preponderante no

2014; Mayer et al., 2018, 2019; Scheftel et al., 2017).

auxílio à educação contínua, inclusivamente, no âmbito

Todavia, um alargamento da amostra poderia ser

da proteção radiológica.

importante, por forma a reforçar os resultados obtidos.

Um conhecimento alargado sobre os princípios físicos

Relativamente à avaliação do curso, tendo em

e efeitos secundários da exposição à radiação,

consideração o ganho de conhecimento dos formandos

proporciona um aumento da qualidade imagiológica

(nível 2 de Kirkpatrick), observou-se que o número de

bem como uma redução significativa na exposição

formandos

desnecessária dos profissionais. Estas componentes,

desenvolvido

um

curso

online

veterinária, sobre

dos cursos (Creevy et al., 2018; Debevc et al., 2014;

foi

Jayakumar et al., 2015; McDonald et al., 2018; Moreira

proteção

et al., 2015, 2019; Oliveira et al., 2017). Além disso,

radiológica em veterinária. A eficácia do curso foi

formandos mais velhos (e experientes) obtiveram

avaliada através das aprendizagens dos formandos

melhores resultados gerais, indicando possivelmente,

(ganho pedagógico) e da satisfação dos participantes (correspondendo

aos

níveis

I

e

II

valores)

conhecimento gradual dos formandos, do início ao fim

radiológica. No sentido de colmatar as lacunas dos de

(≥9,5

semelhantes que mostraram existir um ganho de

que concerne à utilização da radiação e proteção

estudantes

positiva

Estes resultados são corroborados por estudos

veterinária, condicionando os futuros profissionais no

e

nota

praticamente que duplicou do pré para o pós-teste.

são superficialmente abordadas ao longo dos cursos de

profissionais

com

que a experiência profissional pode aumentar e reforçar

do

a aprendizagem. Autores internacionais afirmam existir

modelo de Kirkpatrick).

uma correlação entre a idade e a experiência, sendo

De entre os participantes no curso, observou-se uma

frequentemente exponencial, quando correlacionada

predominância do género feminino na adesão e

com os resultados (Papillion & Aaron, 2017).

De todas as metodologias imagiológicas utilizadas em veterinária, a radiologia convencional é, sem dúvida, um dos métodos mais regularmente utilizados. A satisfação dos formandos é, de igual forma associada

vai de encontro à bibliografia existente (Abdelhai et al.,

por diversos autores, a resultados superiores na

2012; Gledhill et al., 2017; Vandeweerd et al., 2007).

avaliação de uma formação, pelo que, formandos mais

No entanto, o estudo apresentou algumas limitações tal

satisfeitos obtêm geralmente, resultados académicos

como a maior distribuição geográfica da amostra pela

mais satisfatórios (Choules, 2007; Ruiz et al., 2006).

região Norte de Portugal. Como forma de colmatar esta

Neste estudo, notou-se que, formandos que se

assimetria, seria conveniente a divulgação do curso a

demonstraram mais satisfeitos e que consideraram a

mais regiões do país ou até mesmo, a países de língua

metodologia de ensino/aprendizagem bem-sucedida,

portuguesa. Outra limitação inerente à metodologia de

obtiveram resultados superiores aos restantes, o que

ensino aplicada e, consequentemente, a este curso, foi

ISSN 2184-769X

48


Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

o reduzido controlo sobre os formandos aquando a

divulgação e aplicação do curso, na globalidade, este

realização

sido

demonstrou-se preponderante para o ganho de

desencorajados e limitados à regulamentação do curso,

conhecimentos dos diferentes grupos profissionais

não foi possível o controlo total dos formandos

associado a um elevado nível de satisfação. Por outro

relativamente à consulta de fontes externas de

lado, e havendo uma carência notória de prática dos

informação. A realização dos testes presencialmente,

profissionais para melhor assimilação e perceção

poderia

contudo,

destes conhecimentos, verificou-se a necessidade de

provavelmente inacessível a parte dos formandos.

inserção de uma componente prática no curso,

Estudos dirigidos à educação, indicam, de forma

podendo tornar-se um ponto adicional obrigatório numa

frequente, a limitação do E-learning relativamente ao

fase futura. Além disso, a medição dos níveis de

processo da avaliação das aprendizagens (Ruiz et al.,

Kirkpatrick, nível 3 (comportamento dos participantes)

2006).

e nível 4 (impacto do curso nas instituições patronais)

Outros estudos, indicaram ainda que cursos com

poderão ser, igualmente, pontos de inserção num

metodologias mistas com componente conjunta de

estudo futuro.

dos

ser

testes.

uma

Mesmo

possível

tendo

alternativa,

aulas presenciais, online e práticas, apresentam resultados e níveis de satisfação superiores a cursos

Referências

exclusivamente tradicionais ou online (Choules, 2007;

− Abdelhai, R., Yassin, S., Ahmad, M. F., & Fors, U. G.

Gledhill et al., 2017; Masic, 2008; Ruiz et al., 2006).

H. (2012). An e-learning reproductive health module

Assim sendo, a criação de um curso de proteção

to support improved student learning and interaction:

radiológica em veterinária com componente presencial

A prospective interventional study at a medical

e prática, poderia resultar num curso mais eficaz e

school in Egypt. BMC Medical Education, 12(1).

atrativo.

https://doi.org/10.1186/1472-6920-12-11 − Association, B. V. (2019). Guidance for the safe use

Conclusão

of ionising radiations in veterinary practice.

De todas as metodologias imagiológicas utilizadas em

Veterinary Record, 1(185), 30. − Baker, M. A. (2014). An introduction to radiation

veterinária, a radiologia convencional é, sem dúvida, um dos métodos mais regularmente utilizados. Por esta

protection in veterinary radiography. The Veterinary

razão, a utilização da radiação na veterinária, é hoje,

Nurse, 5(9), 496–501.

uma preocupação global pela exposição constante dos

https://doi.org/10.12968/vetn.2014.5.9.496 − Choules, A. P. (2007). The use of elearning in

profissionais à radiação. Desta forma, o conhecimento sobre a radiação ionizante e os seus efeitos colaterais

medical education: A review of the current situation.

é fundamental para uma correta utilização e proteção.

Postgraduate Medical Journal, 83(978), 212–216.

A educação e formação contínua dos profissionais que

https://doi.org/10.1136/pgmj.2006.054189

utilizam a radiação ionizante é elementar para adquirir,

− Creevy, K. E., Cornell, K. K., Schmiedt, C. W., Park,

cimentar e partilhar conhecimentos. Embora limitado

H., Rong, H., Radlinsky, M. A., & Choi, I. (2018).

pelo

Impact of expert commentary and student reflection

reduzido

ISSN 2184-769X

tempo

para

o

desenvolvimento,

49


Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

on veterinary clinical decision-making skills in an

https://doi.org/10.1016/j.jsurg.2015.05.008 − Lee, R. K. L., Chu, W. C. W., Graham, C. A., Rainer,

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Development and evaluation of an e-learning course

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Da Saúde Dos Trabalhadores Expostos A Radiação

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50


Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

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51


Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

Harmonização dos procedimentos e valores de dose para exames de neurorradiologia em Tomografia Computorizada Ana Antunes1,2, Joana Santos3, Nuno Teixeira4, Tiago Patrão5 1 Técnica de Radiologia no Hospital da Luz Aveiro 2 Mestrado em Radiações Aplicadas às Tecnologias da Saúde 3 Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra; Instituto Politécnico de Coimbra 4 Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa; Instituto Politécnico de Lisboa 5 Casa de Saúde de Santa Filomena; Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra

Resumo Objetivo: O principal objetivo deste trabalho é a harmonização de procedimentos e valores de dose para exames de Tomografia Computorizada (TC) de Neurorradiologia, nomeadamente, crânio-encefálicos e da coluna lombar, entre polos da mesma instituição cumprindo as recomendações internacionais. Material e Métodos: A metodologia aplicada foi dividida em quatro fases: (1) caracterização dos equipamentos de TC; (2) análise de Níveis de Referência de Diagnóstico (NRD) por polo e respetiva informação clínica por polo; (3) avaliação objetiva da qualidade da imagem com recurso a análise de valores de sinal e ruído obtidos em Regions of Interest (ROI’s); (4) comparação dos valores obtidos e proposta de harmonização de procedimentos. Resultados: Comparativamente às recomendações europeias e internacionais, os NRD obtidos no polo 1 apresentavam-se superiores, e os restantes polos apresentavam-se com valores semelhantes. A avaliação da qualidade da imagem, através do método objetivo, revelou diferenças estatisticamente significativas entre polos, em termos de sinal e ruído. Conclusão: Através da análise dos valores obtidos, verifica-se que estes indicam espaço para otimização uma vez que os procedimentos com valores mais elevados de exposição não são na maioria os que possuem maior valor de sinal e ruído. Palavras-chave: Tomografia Computorizada (TC); Proteção Radiológica; Harmonização de procedimentos; Níveis de Referência de Diagnóstico (NRD); Qualidade de Imagem.

ISSN 2184-769X

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Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

ser considerado uma referência a ter conta para

Introdução Atualmente,

na

medicina

a

informação

doentes padrão, que permite analisar se o valor de

clínica

exposição recomendado para cada procedimento é ou

complementar é obtida com recurso a meios de

não frequentemente ultrapassado sem justificação

diagnóstico e sistemas de informação e comunicação.

clínica.

As valências de diagnóstico por imagem, como a

A maioria dos NRD são estabelecidos para a região

Tomografia Computorizada (TC), assumem um papel

anatómica em estudo, sem especificação da indicação

de destaque e criticidade em todas as fases de

clínica. Contudo, apesar de já haver um número

prestação de cuidados de saúde, consequentemente

considerável de estudos disponíveis em países

advém um aumento da exposição de indivíduos a

europeus, há informações muito limitadas sobre os

radiações ionizantes de origem artificial, sendo

NRD específicos para cada indicação clínica.

indispensáveis no diagnóstico e terapêutica de diversas

Assim, o principal objetivo deste trabalho é a

patologias. Contudo, há que ter em conta que os

harmonização de procedimentos e valores de dose

profissionais que trabalham com as radiações são

para exames de Tomografia Computorizada (TC) de

expostos a doses que por menores que sejam, poderão

neurorradiologia, nomeadamente, crânio-encefálicos e

vir a ser nocivas a longo prazo (Cláudia & Chin, 2013).

de coluna lombar entre polos da mesma instituição

Diversos especialistas, organizações e instituições internacionais –

nomeadamente

a

cumprindo as recomendações internacionais.

International

Commission on Radiological Protection (ICRP) têm realçado a importância da justificação e otimização das

Material e Métodos

práticas associadas, da limitação das doses a que

O presente estudo foi realizado em quatro polos

estão expostos os profissionais, doentes e membros do

pertencentes a uma Instituição de saúde privada, da

público e para a necessidade da avaliação e

zona centro de Portugal. Foi obtida autorização para a

quantificação de tal exposição e das implicações

execução do estudo que exclui dados referentes aos

socioeconómicas

decorrentes (Medeiros, 2009).

doentes que realizaram os exames por motivos de

Na diretiva da Comissão Europeia nº 2013/49 European

saúde e necessidade própria, sendo apenas analisados

Atomic Energy Community (EURATOM) de 5 de

os valores de dose por exame, excluindo assim a

Dezembro de 2013 relativa à proteção da saúde das

necessidade de consentimento informado (ARS Norte,

pessoas contra os perigos das radiações ionizantes em

2010).

exposições médicas, é descrito o conceito de Níveis de

Este estudo foi subdividido em quatro fases:

Referência de Diagnóstico (NRD). Esta diretiva foi

Fase 1: Caracterização dos equipamentos de TC;

transposta para o ordenamento jurídico interno através

Fase 2: Cálculo de NRD por polo e respetiva

do Decreto-Lei nº 108/2018 (Portuguesa, 2018). A

informação clínica por polo;

definição de NRD é essencial no processo de

Fase 3: Avaliação objetiva da qualidade da imagem;

otimização da exposição da radiação potenciando a

Fase 4: Comparação de valores obtidos e proposta de

proteção do doente, sem afetar a qualidade de imagem

harmonização de procedimentos.

essencial para o diagnóstico. Pois o valor de NRD deve

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Radiações

Número 04 – Março 2021 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear

Assim, na Fase 1 a investigação incidiu em quatro

(NRD Portugal). Em cada procedimento foi obtida uma

equipamentos

amostra representativa de pelo menos 10 doentes.

de

TC

distintos,

com

diferentes

características.

Procedeu-se à criação de NRD por cada polo e NRD

Para a Fase 2 de modo a cumprir os requisitos de

locais da instituição em estudo pelo cálculo do Percentil

padronização foram somente incluídos os doentes que

75 (P75) dos descritores de dose, CTDIvol (mGy) e DLP

correspondiam ao modelo de doente próximo do

(mGy.cm).

padrão (peso entre 60-80kg e altura entre 1,60-1,80m)

Figura 1: Identificação das ROI’s utilizadas para a avaliação objetiva da qualidade de imagem para TC CE. (Fonte: o Autor) (A) Região supra-tentorial: tálamo direito e tálamo esquerdo (2); (B) Região infra-tentorial: ângulo pontocerebeloso (3), lobo temporal direito (4) e lobo temporal esquerdo (5).

Para a realização da Fase 3 foi realizada a seleção aleatória, de entre os procedimentos em estudo, de

Para a realização da avaliação objetiva para TC CE e

cinco exames de TC crânio-encefálicos (CE) e cinco

TC coluna lombar foram selecionados 40 exames,

exames de TC lombar, para cada polo.

sendo 10 exames por polo e 5 exames de TC CE e 5

Foram utilizadas Region of Interest (através da criação

de TC coluna lombar, o que culminou num total de 180

de ROI’s de 1 cm ), em regiões homogéneas, para

ROI’s.

obtenção da média e desvio padrão das Unidades

Relativamente à TC CE foram definidas 2 ROI’s na

Hounsfield (UH). O sinal foi medido pelo cálculo do

região supra-tentorial (tálamo direito e esquerdo -

valor médio de UH da ROI e o ruído pelo desvio padrão

Figura 1 A) e 3 na região infra-tentorial (ângulo ponto-

2

(Nogueira, 2016).

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Radiações

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cerebeloso e lobos temporal direito e esquerdo - Figura

(figura 2 A e B) e 2 ROI’s nos corpos vertebrais ao nível

1 B).

de L3 (figura 2 C e D).

Relativamente à TC de coluna lombar foram definidas 2 ROI’s nos discos intervertebrais ao nível de L3-L4

Figura 2: Identificação das ROI's utilizadas na avaliação objetiva da qualidade de imagem de TC de coluna lombar. (Fonte: o Autor) (A) disco intervertebral L3-L4 (6); (B) disco intervertebral L4-L5 (7); (C) disco vertebral L3 (8); (D) disco vertebral L4 (9).

A análise das imagens foi realizada numa workstation de diagnóstico, através do software OsiriX MD, com manutenção das condições de luminância do monitor e da sala.

Resultados A organização dos resultados deste trabalho é apresentada pela ordem das fases anteriormente referidas. Fase 1: a investigação incidiu em quatro equipamentos de TC distintos, tendo como principais características Tabela 1: Caracterização dos diferentes equipamentos de

as descritas na Tabela 1.

TC utilizados no estudo.

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Radiações

Antes de proceder à recolha de dados foi necessário

(21,6%), e ainda outras informações clínicas (12%). Já

garantir que o controlo de qualidade dos equipamentos

para TC coluna lombar as informações clínicas mais

estava atualizado e que estes se encontravam em

frequentes são lombalgia e lombociatalgia (93,1%),

ótimas condições de calibração.

traumatismo lombar (4,6%) e ainda alterações de

Fase 2: nesta fase foram recolhidos dados relativos a

marcha e lipotimia (2,3%).

N=255 doentes no total dos quatro polos selecionados,

A Tabela 2 apresenta os fatores de exposição dos

sendo 169 (66,3%) do género feminino e 86 (33,7%) do

procedimentos realizados para os quatro polos

género masculino. Estes apresentavam uma média de

considerados.

idade de aproximadamente 57 anos, sendo a idade

Esta fase do estudo culminou com a criação de NRD

mínima 18 anos e máxima 94 anos. Não foram incluídos

por polo e NRD locais da instituição para os

neste estudo exames com recurso a administração de

procedimentos considerados, sendo estes exibidos na

contraste iodado intravenoso.

Tabela 3 por região anatómica em estudo.

Dos 255 doentes considerados, foram excluídos 154

Através o do teste ANOVA com Student- Newman-

por não corresponderem às características de doente-

Keuls foi possível verificar que para TC CE existem

padrão

diferenças

consideradas.

Assim,

foram

apenas

estatisticamente

significativas

para

o

considerados 101 doentes, sendo 58 que realizaram

descritor CTDIvol, contudo para o descritor DLP apenas

TC CE e 43 TC coluna lombar. Da análise dos dados

o polo 1 e 3 apresentam diferenças estatisticamente

recolhidos

as

significativas. Já para TC coluna lombar, foi possível

informações clínicas por região anatómica para os

verificar que para ambos os descritores, apenas o polo

quatro polos. Para TC CE as informações clínicas mais

1 apresenta diferenças estatisticamente significativas.

frequentes

foi

são

também

cefaleias

possível

(38,4%),

averiguar

seguidas

de

alterações de memória, défice cognitivo e demência

1- infra-tentorial; 2- supra-tentorial Tabela 2: Resumo dos fatores de exposição utilizados nos procedimentos selecionados, para os quatro polos em estudo.

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Fase 3: As medidas de sinal (média dos UH) e do ruído (média do desvio padrão (SD) das UH) para TC CE e TC coluna lombar, para os quatro polos, são apresentadas na Tabela 4.

Tabela 3: NRD obtidos por polo e NRD locais da instituição.

Tabela 4: Análise dos valores de sinal e ruído obtidos pelas ROI's definidas para TC CE e TC coluna lombar, para cada polo em estudo.

Na TC CE para a região supra-tentorial, em termos de

Dos dados apresentados para TC coluna lombar, é

sinal pode afirmar-se que existem apenas diferenças

possível verificar que para a região do disco não

significativas entre o polo 3 e os restantes polos. Já em

existem diferenças entre os quatro polos, para os

termos de ruído não há diferenças entre os polos.

valores de sinal. Já em termos de valores apresentados

Para a região infra-tentorial, em termos de sinal, o polo

para o ruído, é possível verificar que se destaca o polo

1 apresenta diferenças estatisticamente significativas

2 e 4 com diferenças

em relação aos restantes polos, como seria de esperar

Para a região do corpo vertebral (osso), em termos de

uma vez que é o polo que apresenta valores de dose

sinal, pode afirmar-se que existem diferenças entre o

mais elevados. Já o polo 2 apresenta diferenças

polo 1 e 4.

relativas ao polo 3 e 4. De realçar que para os valores

Contudo, para os valores de ruído, o polo 2 destaca-se

de ruído apresentados, apenas o polo 2 demonstra

com diferenças estatisticamente significativas em

diferenças relativamente aos restantes polos.

relação aos restantes três polos.

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estatisticamente significativas.


Radiações

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equiparados

Discussão

aos

valores

obtidos

por

outras

investigações e em guidelines internacionais, inclusive

Os exames selecionados neste estudo, de acordo com

comparativamente aos valores obtidos em Portugal.

a sua frequência de realização, estão incluídos no TOP

Contudo, verifica-se que o polo 1 obteve valores acima

20 dos exames mais realizados a nível Europeu,

dos obtidos nos outros polos e em comparação com

segundo o relatório RP 154 (Commission, 2008).

outras investigações, contrariamente ao que seria

Da análise da Tabela 5 é possível verificar que de um

esperado.

modo geral, os NRD obtidos por polo se encontram

Tabela 5: Comparação dos NRD obtidos por polo, com outros estudos e guidelines internacionais, em termos de P75 do CTDIvol e DLP, por região anatómica.

Relativamente aos

estudos

apresentados,

é

dos estudos de referência, o que significa que é

importante referir que os NRD obtidos para o Reino

necessária uma otimização do protocolo. No entanto os

Unido (Shrimpton et al, 2014) e para a Holanda (van der

valores de DLP são inferiores aos considerados em

Molen et al, 2013) são referentes a informações clínicas

Portugal, mas superiores aos valores dos outros

específicas. No Reino Unido foi considerado para TC

estudos comparativos.

CE os exames com informação clínica de Acidente Vascular Cerebral (AVC) agudo. Para a Holanda o

Conclusão

protocolo de TC CE foi aplicado em situações de

Foram estabelecidos NRD para cada um dos polos

hemorragia e TC coluna lombar em situações de rotina.

para os exames de TC CE e de coluna lombar descritos

Os valores obtidos para o descritor DLP da TC-CE nos

em CTDI e DLP. Procedeu-se à análise comparativa

polos 2 e 4 apresentam valores superiores aos outros

destes com as guidelines europeias e recomendações

estudos, contudo o valor do polo 3 é inferior.

internacionais. Foi possível verificar que apenas os

No que se refere aos valores de DLP obtidos para o

valores um dos polos se apresentava superior aos

exame de TC coluna lombar, para o polo 1, estão acima

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Radiações

restantes. Os valores obtidos em termos de qualidade

dos

protocolos

de

crânio.

Retrieved

from

de imagem indicam espaço para otimização uma vez

https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/12125

que os procedimentos com valores mais elevados de

/1/Dose versus Qualidade de Imagem em TC - João

exposição não são na maioria os que possuem maior

Medeiros.pdf

valor de sinal e ruído. Assim deu-se início à revisão dos

− Nogueira, F. M. de M. (2016). Reconstrução iterativa

procedimentos, de modo a obter diminuição dos valores

de imagem em Tomografia Computorizada para

de dose conciliando o impacto mínimo na qualidade da

avaliação de material ortopédico – Análise da

imagem.

qualidade de imagem com recurso a um algoritmo

É de salientar que o processo de harmonização de

iterativo de redução de artefactos de metal (iMAR).

protocolos

Retrieved

deve

ser

multidisciplinar

com

from

responsabilidades no cuidado do doente, passando

https://repositorio.ipl.pt/bitstream/10400.21/6973/1/

pelo Técnico de Radiologia que realiza o exame até ao

Reconstrução iterativa de imagem em tomografia

médico que o relata.

computorizada

para

avaliação

de

material

ortopédico.pdf − NRD

Bibliografia

Retrieved

uma Comissão de Ética para a Saúde. Retrieved

Tomography (CT) Examinations in the UK – 2011 Review About Public Health England.

População de Profissionais Expostos a Radiações Dosimetria

numa

População

Retrieved

de

from

https://assets.publishing.service.gov.uk/government

Profissionais Expostos a Radiações Ionizantes, 10.

/uploads/system/uploads/atta

from

chment_data/file/349188/PHE_CRCE_013.pdf

http://repositorio.ipl.pt/bitstream/10400.21/2636/1/D

− Van der Molen, A. J., Schilham, A., Stoop, P.,

osimetria numa população de profissionais expostos

Prokop, M., & Geleijns, J. (2013). A national survey

a radiações ionizantes.pdf

on radiation dose in CT in The Netherlands. Insights

− Commission, E. (2008). Radiation Protection 154 -

into

European Guidance on Estimating Population

Retrieved

Imaging,

4(3),

383–

https://doi.org/10.1007/s13244-013-0253-9

Doses from Medical X-Ray Procedures (Vol. 203). from

http://ddmed.eu/_media/background_of_ddm1:rp15 4.pdf − Medeiros, J. (2009). Qualidade de imagem versus dose em Tomografia Computorizada - Optimização

ISSN 2184-769X

https://data.dre.pt/eli/dec-

Golding, S. J. (2014). Doses from Computed

− Cláudia, S., & Chin, L. (2013). Dosimetria numa

Luxembourg.

from

− Shrimpton, P. C., Hillier, M. C., Meeson, S., &

Analise_Projectos.pdf

Retrieved

from

lei/108/2018/12/03/p/dre/pt/html

saude.pt/wp-

content/uploads/sites/3/2018/01/Documento_Guia_

Ionizantes

Retrieved

− Portuguesa, R. (2018). Decreto-Lei n.o 108/2018.

Análise de Projectos de Investigação Clínica por

http://www.arsnorte.min-

(n.d.).

https://nrdportugal.pt/

− ARS Norte. (2010). Documento-guia Sobre a

from

Portugal.

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390.


Radiações

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Journal Club da Radioterapia do IPOP FG

Carla Pereira, Bárbara Barbosa, Cláudia Coelho e Ana Luísa Soares

O Journal Club (JC) é um espaço próprio de debate e interesse científico com o objetivo primordial de promover e consolidar o conhecimento dos profissionais, no que diz respeito aos avanços e à prática clínica, através da revisão e discussão da investigação em saúde. Outro objetivo procura promover a pesquisa, a leitura e a respetiva análise crítica de artigos e publicações técnicocientíficas, baseada numa metodologia orientada à evidência, bem como integrar esses conhecimentos na prática diária dos profissionais e promover um fórum que estabeleça relações interpessoais e permita a partilha de experiências.

Esta modalidade de comunicação interprofissional, que atua na base do desenvolvimento profissional contínuo, tem vindo a ser desenvolvida no Serviço de Radioterapia do Instituto Português de Oncologia do Porto FG, EPE, com a participação de profissionais de saúde da instituição, estudantes das licenciaturas em Imagem Médica e Radioterapia, bem como convidados nacionais e internacionais.

O grande objetivo do JC da Radioterapia consiste na partilha de experiências profissionais através de comunicações orais, onde é possível discutir ideias, apresentar novos projetos, introduzir notas técnicas pertinentes à inovação na Radioterapia, rever artigos científicos e assim motivar o contínuo interesse pela área e pela investigação em Portugal e também a um nível internacional.

Este trabalho resultou da iniciativa de três Técnicas de Radioterapia, que no ano de 2016 e tendo como background as recomendações europeias da International Atomic Energy Agency (IAEA - Pag.25 do Handbook for the Education of Radiation Therapist, 2014) e a constatação in loco (em estágio observacional) da implementação deste mesmo projeto em departamentos de Radioterapia na Europa, sugeriram a criação de um programa mensal no seu serviço, que pudesse incentivar os diferentes profissionais à prática da investigação clínica.

Desde então, uma vez por mês, é apresentado e debatido um tema com interesse científico na área da Radioterapia e da Imagem Médica, assim como em outras áreas envolventes, como a Física Médica, Radioncologia, sendo todos convidados a participar ativamente neste espaço de discussão, tendo até à presente data decorrido mais de 40 sessões.

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Na sequência da partilha da formação contínua, em maio de 2019 foi também criada uma newsletter mensal acessível a todos os inscritos do JC (Técnicos de Radioterapia, Físicos Médicos, Radioncologistas, Enfermeiros), com a divulgação dos mais recentes artigos científicos, congressos, workshops e webinars na área, proporcionando a todos uma visibilidade do que melhor se faz na formação em Portugal e para além das nossas fronteiras.

A equipa sofreu alterações em 2020 com a saída de um dos membros fundadores, acabando a equipa restante por integrar mais dois membros. Tendo 2020 sido um ano atípico e cheio de desafios adicionais, por forma a manter estas reuniões científicas, foi criada uma solução temporária em maio desse ano, recorrendo-se ao uso de uma plataforma digital, com o intuito de manter os encontros de discussão científica.

Até ao momento tem sido essa o modus operandi, explorando a era digital, e a recetividade de todos os participantes do JC a esta metodologia tem sido positiva, permitindo assim que o conhecimento ultrapasse a barreira de uma pandemia que nos distanciou fisicamente.

Fique a conhecer-nos, a nossa dinâmica e o JC na próxima edição da Radiações.

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ESPAÇO INDÚSTRIA

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Consulte a Monografia “Casos Clínicos de Rapiscan y Myoview”, disponível em língua espanhola aqui. Rapiscan e Myoview são medicamentos sujeitos a receita médica, destinados exclusivamente a uso hospitalar. Consulte o Resumo das Características do Medicamento disponível em www.infarmed.pt. Para mais informações consultar o titular da autorização de introdução no mercado, GE Healthcare / Satis, Lda, Avenida do Forte, nº6-6A, 2790-072 Carnaxide – JB00038PT – Mar2021 ISSN 2184-769X

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ESPAÇO ATARP

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Save the date… XIX CNATARP Nos dias 5 e 6 de novembro de 2021 irá ter lugar o XIX Congresso Nacional da ATARP Siga-nos no nosso website em www.atarp.pt, ou siga as nossas redes sociais!

Mais informações brevemente!!! Save the date! #xixcnatarp

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Iniciativa SeminATARP A ATARP lança em 2021 a iniciativa SeminATARP, que visa promover as profissões de Técnicos de Radiologia, Radioterapia e de Medicina Nuclear e toda a área da Imagem Médica e Radioterapia

Com os SeminATARP, os colegas terão oportunidade de apresentar os resultados dos seus trabalhos finais de licenciatura, mestrado, especialista, pós-graduações, estágios, entre outros. Envie-nos a sua proposta e a ATARP propõe-se apoiar a divulgar o seu trabalhos junto da comunidade profissional e académica através da promoção de eventos online periódicos e publicação de resumo na revista Radiações.

Estes Seminários serão totalmente gratuitos para associados da ATARP!

Estejam atentos! Primeira edição já em Abril!!!

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Open-Call de Artigos

GUIA PARA AUTORES A revista Radiações é uma publicação trimestral promovida pela ATARP, Associação Portuguesa de Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear, cujo objetivo é, acima de tudo, promover e disseminar a investigação e o conhecimento científico de elevada qualidade feito por Técnicos de Radiologia, de Radioterapia e de Medicina Nuclear, relacionados com os diversos aspetos das áreas de diagnóstico e terapia levados a cabo pelos colegas. Publicamos artigos de investigação, artigos de revisão sistemática, por exemplo resultantes de teses de Mestrado ou Doutoramento, ou de dissertações de Título de Especialista, bem como short papers, mini-artigos ou abstracts, de profissionais das tecnologias da saúde, nas áreas de intervenção de Medicina Nuclear, Radiologia e Radioterapia. Temos ainda um “Espaço Estudante”, onde os alunos do curso de Licenciatura em Imagem Médica e Radioterapia poderão submeter artigos ou mini-artigos resultantes de investigação decorrente da sua formação académica. A Radiações inclui também um “Espaço Indústria”, onde os players da Indústria são convidados a publicar artigos de cariz científico ou publicitar artigos ou produtos de interesse destas áreas de intervenção.

TIPO DE ARTIGOS E NORMAS DE PUBLICAÇAO Investigação original/ Revisão Sistemática Os artigos submetidos para esta categoria devem seguir o formato científico standard: Introdução (inclui contexto e objetivos), Metodologia (inclui procedimento e análise estatística), Resultados, Discussão e Conclusão. Exigem um resumo com as respetivas palavras-chave, em português e em inglês (até 300 palavras). O artigo não deverá ultrapassar as 4000 palavras (excluindo referências bibliográficas e legendas). ISSN 2184-769X

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Short paper Os Short papers apresentam algumas conclusões, pertinentes para divulgação, no contexto de investigação ainda em curso (research in progress). Publicações de short papers não deverão ultrapassar as 1500 palavras (excluindo referências bibliográficas e legendas). Ainda que não exija estrutura rígida, deverá incluir, pelo menos, uma introdução (inclui objetivo), metodologia e discussão.

Mini-artigos A Radiações considera para publicação mini-artigos (de profissionais ou estudantes) sobre um tema de investigação, que possam ter já sido publicados em outras revistas científicas, ou de investigação original, com o máximo de 1500 palavras (excluindo referências bibliográficas e legendas).

Letters to the editor Podem ser consideradas para publicação na Radiações artigos do tipo “comentário” acerca de artigos recentemente publicados (até 6 meses após a publicação original). Estas publicações deverão conter não mais do que 500 palavras.

Artigos de Profissionais, Casos Clínicos e Notas Técnicas A Radiações considera para publicação artigos sobre Casos Clínicos de interesse para Técnicos de Radioterapia, de Medicina Nuclear e de Radiologia podem encontrar na sua prática clínica. Estes artigos devem, preferencialmente, ser acompanhados por uma imagem. Notas Técnicas podem incluir artigos sobre equipamentos ou técnicas de imagem ou de abordagem terapêutica de relevo do ponto de vista técnico. Estes artigos devem obedecer a um máximo de 1000 palavras por artigo.

REGRAS DE REDAÇÃO Idioma de redação Português; Texto justificado (exceção para legendas de figuras ou tabelas, que poderão ser centradas na página); No corpo de texto, o tipo de letra deverá ser Arial, tamanho 10, espaçamento entre linhas de 1,5; Títulos deverão utilizar o tipo de letra Arial, tamanho 14, apresentados a negrito; Subtítulos apresentam também o tipo de letra Arial, a negrito, mas com tamanho 12; Para todas as imagens não originais, será exigida evidencia das respetivas provas de copyright, o que já não se aplica a imagens originais do(s) autor(es); A bibliografia deve ser apresentada de acordo com o estilo APA 6ª edição; O documento a submeter terá de ser enviado em formato word.

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PROCESSO DE SUBMISSÃO O processo de submissão exige simplesmente o envio do documento via correio eletrónico para geral@atarp.pt. Após submissão, a comissão de revisão irá avaliar a proposta submetida, devendo responder no prazo máximo de 30 dias úteis com um dos possíveis resultados: 1) aprovado para publicação; 2) aprovado para publicação, mas com necessidade de esclarecimento adicional; 3) aprovado para publicação, mas após revisão nos itens indicados; 4) não aprovado para publicação. No caso de necessidade de resposta por parte do(s) autor(es), essa deverá ser submetida no prazo máximo de 10 dias úteis. Após a sua receção pela equipa editora, a resposta definitiva será dada no prazo máximo de 5 dias úteis e incluirá um dos possíveis resultados enumerados no parágrafo anterior.

Uma vez que o artigo seja aceite, a Radiações procederá à respetiva publicação, num dos 2 (dois) números posteriores à data da notificação oficial de aceitação.

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