Radiações
Número 03
ISSN 2184-769X
Dezembro 2020
Dia-a-dia com…
Distribuição Trimestral Gratuita Venda Interdita
…Gianluca Bentivegna
ATARP Entrevista
Margarida Eiras Avaliação da exposição da população portuguesa à radiação ionizante
Mariana Trincão ISSN 2184-769X
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Radiações
Número 03 – Dezembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
REVISTA “RADIAÇÕES” Número 03, Dezembro 2020 ISSN 2184-769X
Publicado por:
Editores Vítor Manuel F. Silva Edgar Lemos Pereira
Direção da ATARP Altino Cunha Vítor Silva Rute Santos Luís Domingos Ana Geão Pedro Vicente Eduarda Pereira Edgar Pereira Rafaela Guisantes
ISSN 2184-769X
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Número 03 – Dezembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Editorial “Por mais difícil que a vida pareça ser, há sempre algo que podes fazer e ser bemsucedido. O que realmente importa é que, simplesmente, não desistas” Stephen Hawking
Caros colegas, Quando, há um ano atrás, iniciávamos os preparativos para a época de Natal, não imaginávamos as proporções da pandemia que nos assolou e continua a assolar. Temos passado por tempos muito difíceis e sem precedentes na nossa geração. Mas se há um atributo que a nós, Técnicos de Radiologia, de Radioterapia e de Medicina Nuclear, nos caracteriza, é a resiliência. De uma coisa não nos podemos esquecer: além desta luta hercúlea que hoje travamos contra um vírus que nos tenta derrubar, todos os dias, outras frentes de batalha exigem também a nossa presença.
Sem dúvida, este ano ficará marcado na nossa memória pela COVID-19. Não obstante, são diversas as iniciativas e lutas que a ATARP tem levado a cabo, em nome de todos os seus associados e que importa relembrar. Sendo este o último número da revista Radiações do ano de 2020, quisemos, neste editorial, apresentar um resumo das ações conduzidas pela ATARP, em prol de todos os seus associados e de todos os Técnicos de Radiologia, Radioterapia e de Medicina Nuclear, no “ano da pandemia”. Em fevereiro, a ATARP foi recebida pelo Ministério da Saúde (MS), tendo sido discutidos, entre outros aspetos fundamentais das nossas profissões, o perfil profissional e a regulação profissional. Em julho, a ATARP volta a reunir com o MS, tendo sido abordados temas relacionados com a pandemia, mas também assuntos relacionados com o acesso ao processo clínico dos doentes e com a atualização de competências e a regulação profissional. Em setembro, a ATARP inicia uma série de audiências com diversos grupos parlamentares, onde foram abordadas as suas preocupações e as dos profissionais representamos: atualização de competências, regulação profissional, proteção radiológica, entre outros. Em outubro, a Direção Nacional da ATARP é recebida pelo Presidente da República, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, para uma conversa sobre alguns dos aspetos mais relevantes do combate à pandemia e da dinâmica do SNS na promoção da saúde e prevenção da doença. ISSN 2184-769X
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Como não poderia deixar de ser, em tempos de luta, a ATARP esteve sempre ao lado dos seus associados nesta batalha contra o novo coronavírus. Em março, a ATARP leva a cabo o levantamento de necessidades e disponibilidade de equipamentos portáteis de aquisição de imagem, cria uma Bolsa de Voluntariado para suprir eventuais necessidades de recursos humanos e cria também a Plataforma #ATARPCONTRACOVID, que permitiu doar equipamentos de proteção individual (EPIs) a várias instituições de saúde das nossas áreas de intervenção. Ainda em março, a ATARP reúne com o MS, na sequência do ofício enviado, a reiterar a sua disponibilidade para colaboração com o ministério. Em julho, a ATARP consegue um protocolo com o grupo UNILABS para a realização de testes serológicos, a um preço especial para os seus associados. Foram diversas as tomadas de posição e ações desenvolvidas pela Direção Nacional da ATARP, no âmbito do cenário de pandemia. Chamamos ainda a atenção para o estudo recente da caracterização dos serviços em tempos de pandemia, que a ATARP realizou no mês de novembro. Como é conhecido por todos os nossos associados, a formação contínua é e continuará a ser um dos nossos pilares. Por conseguinte, várias foram as iniciativas formativas promovidas pela ATARP em 2020. Além do plano formativo da ATARP, gostaríamos de destacar a formação em Mamografia Espectral de Contraste, levada a cabo no Serviço de Imagiologia do Hospital Distrital de Santarém, com o apoio da ATARP, além de uma série de Webinars levados a cabo no contexto da pandemia por COVID-19.
Quando tudo parece demasiado difícil, é a perseverança que nos é característica, que nos pode levar ao sucesso. E é com esta mensagem que devemos seguir para 2021, na expetativa de, no primeiro número da Radiações deste novo ano que nos espera, podermos falar de esperança e de como a nossa tenacidade nos fez valer. Certo é que a ATARP continuará a defender os profissionais que representa e a revista Radiações é apenas uma das peças de todo o trabalho que a ATARP tem vindo a desempenhar. Esperemos que em 2021, a revista Radiações continue a enaltecer e a dar visibilidade aos profissionais que representamos! Com votos de um muito Feliz Natal e de um Próspero e Seguro 2021! Desejámos-vos, de resto, uma boa leitura! Vítor Manuel F. Silva Edgar Lemos Pereira
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Nesta edição Editorial Mensagem do Presidente da ATARP Espaço Personalidade de Reconhecido Mérito ATARP Entrevista: Margarida Eiras Espaço Estudante Prémio Recém-Licenciado ATARP Artigo de Investigação Avaliação da exposição da população portuguesa a radiações ionizantes devido a exames médicos de radiodiagnóstico e medicina nuclear, Mariana Trincão Dia-a-dia com… Gianluca Bentivegna Espaço Profissionais Existe lugar para o 99mTc-PSMA em tempos de 18F-PSMA? – Tânia Oliveira Comparação da Regadenosona com a Adenosina em Provas de Esforço Cardíaco: estudo de revisão sobre o perfil de efeitos secundários – Amadeu Martins Espaço Indústria ROVI ISODER Espaço ATARP Próximos cursos ATARP Iniciativa SeminATARP Open call de Artigos
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MENSAGEM DO PRESIDENTE
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“Esperança não é o mesmo que otimismo. Não é a convicção de que algo vai dar certo, mas a certeza de que algo faz sentido, independentemente de como seja”. Václav Havel Caras e caros Associados ATARP,
Nesta quadra festiva, lembramos as pessoas. Todos os
Caras e caros profissionais, estudantes, docentes,
colegas que estiveram na luta diária, não contra nada
Caras e caros colegas e futuros colegas,
nem ninguém, mas sim pelos doentes, pelos colegas,
Há um ano, no final de 2019, não tínhamos a noção
pelos serviços, pelas profissões, por nós mesmos e
que, aquela normalidade de fecho de um ciclo, talvez
pelo cunho pessoal que todos os dias colocámos na
fosse a fração de segundo de silêncio que antecede o
prestação de cuidados.
caos. Talvez se nos apresentassem uma proposta de
Mas é também tempo de agradecer a todos os que
ano 2020, com toda a certeza assinaríamos sem olhar,
estiveram lá para nos segurar, não tanto fisicamente,
ignorando aquelas letras pequenas que se apresentam
mas emocionalmente. Em primeiro lugar a família, em
nos contratos.
segundo os amigos, mas também os conhecidos.
Se surgiu vontade de denunciar este contrato?
Todos, com as suas palavras, atos, gestos foram sem
Inúmeras vezes, tenho a certeza. Se tínhamos motivos
dúvida um “coração fora do peito” a bater por todos
para o fazer? Sem dúvida, mais que muitos. Se foi tudo
nós.
mau? Não foi, porque não deixámos que fosse.
UM ENORME OBRIGADO A TODOS ELES!
O ano que agora se aproxima do fim e que nos retirou
Voltaríamos a assinar este contrato para 2020?
da zona de conforto, que nos alterou a noção de
Tenho a certeza de que sim, porque fomos talhados
normalidade e que nos trouxe bastantes dissabores, foi
para lutar e não para cruzar os braços.
o mesmo que nos mostrou da fibra que somos feitos
2021 está aí à porta, não sabemos muito bem o que
enquanto profissionais e futuros profissionais de saúde,
nos espera, mas sabemos o que o mundo pode esperar
que
de nós! Profissionalismo, qualificações, diferenciação.
nos
vincou
a
importância
das
relações
interpessoais, mesmo que fisicamente distantes, e que
Iremos lutar com tudo aquilo que temos (e muitas vezes
nos evidenciou a força do trabalho em equipa.
nos tentam roubar) para somar qualidade em todas as equipas das quais fazemos parte.
A todos vocês, em meu nome pessoal e de toda a Direção Nacional da ATARP endereço votos de Festas Felizes e muito sucesso pessoal e profissional para 2021. Um forte abraço, Altino Cunha, MSc. Presidente da Direção Nacional da ATARP
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Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
ESPAÇO PERSONALIDADE DE RECONHECIDO MÉRITO
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Margarida Eiras: “Não fui eu que escolhi a Radioterapia, foi esta que me escolheu a mim!” Margarida Eiras foi Técnica de Radioterapia entre 1983 e 2020, no IPO de Lisboa. É, desde 2000, Professora na ESTeSL-IPL.
Licenciada em Radioterapia pela ESTeSL-IPL, Mestre em Gestão dos Serviços de Saúde pelo INDEG-ISCTE, Mestre em Gestão da Qualidade em Saúde pela Universidade de Múrcia e Doutorada em Saúde Pública pela ENSP-UNL.
ATARP: O porquê da escolha, pelo caminho da
pessoa de maioridade. Questionei o Departamento,
Radioterapia?
mais do que uma vez, acerca do leque de possíveis
Não fui eu que escolhi a Radioterapia, foi ela que me
cursos, pois começou a soar a possibilidade de
escolheu a mim! Como vocês sabem eu sou do primeiro
abertura de cursos na área da saúde, com acesso
curso da Escola e o início da minha história é muito
através da realização de um exame de cultura geral. A
engraçada.
minha nota não foi das melhores, entre milhares de
Nessa altura a Radioterapia não era muito conhecida e
candidatos, e por isso, as minhas escolhas ficaram um
portanto eu andava já há muito tempo atrás do
pouco reduzidas. Na altura a Dra. Ilda, pessoa diga-se
Departamento de Recursos Humanos do Ministério da
que falava muito com os alunos, foi ela que me disse
Saúde, visto desde pequena ter um gosto pela
que a Radioterapia seria uma profissão de futuro.
engenharia química, inclusive já tinha um mini
Contudo, também tinha um gosto particular pela
laboratório em casa, no qual era o meu pai me ia
Dietética, se bem que o que queria era Análises
comprando os reagentes, dado só ser possível por uma
Clínicas, dado o gosto pelos químicos e as misturas.
“Já no liceu, a disciplina de Físico-química, com os seus princípios físicos das radiações e partículas, despertava em mim muito interesse…” Foi um ano em que os profissionais já no ramo das
muito interesse e curiosidade pelo assunto tendo e
Análises podiam frequentar o curso, e sendo muitos, já
procurado algumas leituras na matéria. Nesse percurso
não existiam vagas. Face às curtas opções restantes, a
de decisão, estive ainda um ano fora a estudar, em
Dra. Ilda lá me convenceu a escolher a Radioterapia.
1978, com uma bolsa de estudos em Glasgow
Por outro lado, já na altura do liceu e no âmbito da
(Escócia), e também aí fui vendo outras áreas,
disciplina de Físico-químicas, com os seus princípios
experimentando outras temáticas, inclusive as Artes e
físicos das radiações e partículas, despertava em mim
posteriormente
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ainda
indo
para
as
línguas,
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nomeadamente fazendo um curso de Alemão. Deste
muito curiosa, sempre gostei muito de me interrogar e
modo, no momento da escolha e face às poucas
levantar questões e de facto esse pensamento, está
opções que tinha, dizer mais uma vez, que foi a
mais ligado ao Ensino do que à Profissão. Por via disso,
Radioterapia que me escolheu.
desde muito cedo passei a colaborar, relacionar e manter atividades com a Escola, mesmo sem lecionar,
ATARP: Foi encontrando no seu, ainda, percurso
inclusive a própria ATARP também na altura tinha uma
académico o que pretendia para o seu futuro
grande intervenção e com quem sempre colaborei. Por
idealizado?
acaso no que diz respeito à ATARP, lembro-me de
Foi muito difícil mudar do Exercício para a Escola! Na
momentos
altura eu tinha muitas pessoas que diziam que não
conversas e aprendizagens muito interessantes e
acreditavam que eu ia deixar o hospital, mas eu sempre
enriquecedoras.
muito
bons,
das
viagens,
partilhas,
tive um certo “bichinho” do conhecimento, sempre fui
“No ensino, sempre tive o desafio intelectual, que me preenche!” Voltando à pergunta, a Escola para mim foi sempre um
mix, entre as minhas experiências em contacto com o
desafio. A vida académica assume ser esse desafio e
doente
com várias frentes, onde uma delas é o desafio
amadurecimento da Radioterapia, em associação com
intelectual, apesar de eu gostar imenso da relação
todas as outras áreas que gravitam à volta da
humana e do papel do Técnico com o doente e desta
Radioterapia, contribuo que o ensino de futuros
relação com a Pessoa. Eu no ensino, sempre tive este
profissionais seja uma realidade, e estas são duas
desafio intelectual que para mim me preenche e ao
facetas que me dão muito prazer, e portanto, estar na
mesmo tempo acrescenta a ideia de eu estar em
Escola para mim, é muito gratificante!
e
também
todo
o
aprofundamento
e
contacto com jovens que mais tarde vão ser profissionais,
que
para
mim
também
é
muito
ATARP: A entrada no mundo profissional, foi na
gratificante. Portanto, não só porque basicamente eu
altura, comparativamente aos dias de hoje, como?
estive metade da minha vida no hospital e outra metade
A primeira fase do ingresso no Ensino foi difícil. Aliás
na escola e ainda porque praticamente já me encontro
há uma altura em que eu tive de pensar, mas afinal qual
na reta final da minha carreira profissional, sinto neste
é a minha profissão agora!? Isto porque no início eu
momento que tive a minha vida ligada ao meio
continuei a sentir-me Técnica de Radioterapia, tanto
hospitalar e aliada também à formação e educação dos
que eu continuei sindicalizada e durante algum tempo,
futuros profissionais, com partilha de experiências e
inclusive fazendo parte do Sindicato, até que chegou
algumas histórias de vida que também contribuem para
uma altura em que eu tive de pensar, “mas afinal de
o seu crescimento. Por outro lado, como sempre me
contas o que é que é isto da minha vida, o que é que
interessei pelo desafio intelectual do Ensino, acho que
eu estou a fazer na vida!?” e de facto não fazia sentido
consigo “casar” os dois interesses de modo a que este
eu continuar ligada ao sindicato dos técnicos, quando
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na verdade o sindicato tem que defender a minha atual
difícil eu deixar de estar no dia-a-dia do hospital, não
profissão e a minha profissão é a de Professora. Acabei
me relacionar com os doentes, relação essa que era
por me desvincular do sindicalismo, não tendo sido
muito próxima. Eu adorava e ainda hoje me lembro com
fácil, pois fez parte do meu percurso. Obviamente agora
saudade, de todos os momentos que tive, sabendo que
sou sindicalizada no sindicato dos professores do
o mundo da radioterapia é muito particular, uma vez
ensino superior, mas nunca deixei a ligação, por
que nós estamos com o doente durante muitos dias e
exemplo, à ATARP, que é uma associação profissional,
às vezes quase que fazemos parte da família, e isso
mas que não é para profissionais professores. Se bem
para mim, foi muito gratificante. Depois houve uma
que eu acho, que a ATARP, a meu ver, é também uma
outra fase em que eu tratei crianças, a qual também foi
Associação Científica. Mas, a verdade é que esta
um desafio muito particular. Existiram assim, inúmeros
ligação com o terreno e com a profissão, é uma ligação
momentos marcantes na minha fase de trabalho no IPO
próxima, que faz parte do meu berço profissional, com
de Lisboa, que envolveram desafios, mas eu encarei a
o qual não consigo romper completamente.
ida para a escola como mais um desafio e não como uma coisa que requeresse algo de especial, sendo serenamente uma nova fase. Foi digamos, a passagem de um desafio, para um outro! A questão de eu ter que quase obrigatoriamente me desligar completamente do hospital, para mim foi uma perda! E essa é uma grande discussão que nós temos na escola pela necessidade que os docentes têm de continuarem ligados ao exercício profissional, até pelo tipo de formação que nós temos. Inclusive eu, já me propus a efetuar e fiz, determinados estágios de contacto com a Profissão, onde alguém me dizia “mas tu consegues, não achas que é um bocado chato agora ires para o hospital colocar questões que porventura já
ATARP: A decisão pela via do ensino, foi na
devias saber, ou dominar” e que eu respondi “há coisas
perspetiva de uma melhor contribuição, para a
no hospital que não estão descritas nos livros, que não
Profissão, através da intervenção na formação de
vêm nos artigos e que para mim são importantes, ter
futuros profissionais, ou ato de coragem?
contacto”! Entendo que a formação tem uma relação
Não! Eu acho que não é preciso muita coragem,
muito íntima com a profissão, desencadeando uma
simplesmente são decisões que temos de tomar na
ligação próxima e de complementaridade, construindo
nossa vida e por forma a dar resposta a um desafio que
melhores profissionais. Mais acrescento, sem formação
acabou por acontecer. O meu pai também já era
não conseguimos exercer e o exercício obriga a
professor do ensino superior, universitário, e já tinha
atualização do conhecimento.
referência em casa, portanto em termos de ambiente académico não foi novidade para mim. Mas de facto, foi
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ATARP: O Doutoramento e o primeiro na área da
quando estava no hospital já existia e quando me
Radioterapia, resultou de uma imposição a si
convidaram para fazer a apresentação, não a fiz só
própria, de um ato de proatividade, ou do gosto pela
porque sim, mas sim sem antes “ir beber à fonte”
investigação?
querendo saber mais e recolher informação, vindo
Foi um pouco de tudo em conjunto e porventura algo
posteriormente a construir um questionário, o qual
mais que poderíamos acrescentar! Eu sempre fui uma
passei pelos doentes e em seguida tratei os dados
profissional que assumo as minhas funções, quer no
recolhidos. Isto ressalve-se, numa altura sem grandes
tempo hospitalar como atualmente, de uma forma
meios informáticos para o fazer, falamos de 1994! Esta
integral e já aquando dessa fase do exercício também
forma de estar ilustra a ideia, que defendo, quando eu
fazia investigação. Recordo-me na altura do Centenário
assumo uma função, assumo-a em pleno e portanto,
do Roentgen e da descoberta do Raio-X, fui convidada
quando eu fui para a escola sabia que a vida académica
para falar no IPO de Lisboa, no congresso sobre a
obrigava também a graus académicos e deste modo
Relação com o Doente e participação
deste no
em 2000, ingressei no mestrado, tendo sido a primeira
processo de tratamento, e como não faço nada na vida
da turma a discutir a tese, o qual ocorreu em 2004 e em
por fazer, fui uma semana para Inglaterra em formação,
2005 já estava a iniciar o doutoramento em Saúde
nos arredores de Londres (Mount Vernon), a inteirar-me
Pública. Para mim, o doutoramento foi um caminho que
da realidade vivida lá, neste contexto da relação e do
era inevitável e fazia parte do percurso, que não tem a
Doente Oncológico. Durante essa semana tive contacto
ver muito com a tal coragem ou algo mais, mas sim com
com os doentes e outros profissionais que estavam a
o gosto em si e o interesse pessoal, de se realizar um
fazer investigação na área da Radiobiologia, sobretudo
trabalho ou ato, porque nos acrescenta e nos faz sentir
nos
bem na sua realização. Sempre existiu logo aquando
esquemas
posteriormente
de vindo
fracionamento a
serem
de
dose
e
protocolados
da
decisão
pelo
Projeto
do
Ensino,
o
lógico
internacionalmente e inclusive, pelo gosto suscitado
compromisso próprio pela realização do mestrado e
nesta área, acabei por colaborar na escola na disciplina
doutoramento, tanto que ainda durante o douramento
de Radiobiologia. Ou seja, tudo isto para dizer que o
acabei por fazer outro mestrado!
gosto pela investigação e conhecimento mesmo
“Todo este percurso tinha que existir: por lógica, interesse pessoal, naturalidade e gosto, face ao desafio do Ensino.” Neste percurso a partir do momento que fiz o mestrado
ISCTE e efetuar um trabalho de gestão e otimização do
em Gestão de Serviços de Saúde, comecei a trabalhar
circuito do doente na Radioterapia, no que se refere aos
uma área que não era só da Radioterapia, termino a
tempos e agenda numa unidade de tratamento. Mas,
Licenciatura
em Radioterapia no recém aparecido
todo este percurso tinha de existir, repito, por lógica,
modelo Bietápico e uma vez que não existia mestrado
interesse pessoal, naturalidade e gosto, face ao desafio
na minha área profissional, acabei por enveredar pelo
do Ensino.
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ATARP: No seu percurso académico e científico,
entendi que o doente é uma Pessoa, com necessidades
são notórios, sobre tudo, os conceitos Segurança,
próprias, com interesses próprios, com vida própria,
Qualidade e Literacia. Porquê maioritariamente
que quando está doente não se despe do seu percurso
estes?
de vida, continuando a ser a pessoa que é. Por isso
A Radioterapia sempre teve uma grande preocupação
quando eu começo a precisar, ou querer estudar e a
com o erro! Nesse sentido, os estudiosos dessa
aprofundar estes conteúdos, eu tinha de “casar” estas
temática muito cedo se preocuparam com a ideia de
duas áreas. Então, foi assim que surgiu no meu
todos os dias se fazer o tratamento no sítio certo, ao
percurso académico a Gestão, por um lado, e a
doente certo e no momento certo, de modo a garantir
Qualidade e Segurança, para outro.
que no final do tratamento aquele doente tem todas as frações administrados de forma a não existirem discrepâncias entre o primeiro e o último dia de tratamento. Através destes princípios, a Radioterapia despertou em mim o gosto pessoal do controlo do erro e acrescido do facto de eu também sempre me preocupar com os Doentes, com as Pessoas que eu tinha à minha frente! Tive doentes com diferentes enquadramentos como é normal, uns médicos, biólogos, cientistas, outros analfabetos, mas todos eles … Pessoas! Pessoas essas que queriam, pretendiam e necessitavam de respostas do seu tratamento e dos números estatísticos ocorridos na sua patologia, em termos de traçado geral. As pessoas, estando doentes Entretanto quando efetuei o segundo mestrado, ainda
ou não, são Pessoas e os tratamentos situam-se numa
no decorrer do doutoramento, em Múrcia, em Gestão
fase complicada das suas vidas, em que muitas das
da Qualidade em Saúde porque de facto a qualidade e
vezes nós os profissionais de saúde acabamos por
segurança andam de
“obrigá-los” a despirem-se do seu “Eu”, mas as
segurança uma das
Pessoas e o seu “Eu”, estão lá! Deste modo, convergindo
estas
preocupações,
eu
tinha
dimensões da qualidade, não
existia estes conteúdos por cá em Portugal e que me
de
levou a partir em busca e
enveredar pela Qualidade, Segurança e Erro. A literacia
necessidade de
complementar as minhas leituras e as minhas
tem a ver com a forma como cada um de nós, em
inquietações, com esse mestrado que encontrei uma
Saúde, toma decisões para e com base, nas pessoas.
universidade de Múrcia. Tudo isto para chegarmos à
Eu sempre percebi por um lado, tecnicamente e
Qualidade e Segurança, onde a estas duas áreas se
cientificamente, era muito importante termos a certeza
junta a Literacia e reparem, que cada vez há mais
que vamos ter de diminuir a probabilidade do erro, o
estudos que traduzem que a única pessoa sempre
qual está sempre presente nas nossas vidas e
presente no seu percurso todo de doença, é o doente!
profissões, mas por outro lado sempre valorizei e
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“mãos dadas”, sendo a
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E, portanto, mais do que ninguém, o doente é capaz e
mudança como algo que vem para melhorar, numa
possui competências, obviamente com a nossa ajuda,
perspetiva de melhoria contínua! Porém, nas nossas
para gerir esse percurso. A nossa ajuda, é imperiosa
profissões ocorreram mudanças ao nível da formação
uma vez que o doente não é detentor do Conhecimento
propriamente dita, ou seja, passámos de uma formação
Científico, mas ele esteve lá sempre… nós é que não!
que nem está no Ministério da Educação, estava no
Por isso existem cada vez mais, experiências de
Ministério da Saúde e passa a existir no Ministério da
envolvimento do doente na prestação, na sua doença!
Educação, e com grau! Nessa perspetiva abriu-se a
Sinto-me feliz também porque colaborei também nesta
porta para a continuidade dos nossos estudos, da
área através da Direção Geral da Saúde num projeto
nossa formação. Lembro-me que aos olhos dos
piloto de Literacia para a Segurança dos Cuidados o
restantes profissionais da saúde, refiro-me às outras
qual foi muito, muito interessante, pois reuniu
classes, não éramos muito valorizados e encarados
profissionais de saúde, doentes e associações de
mesmo, como uma profissão menor. Contudo, acho
doentes.
que esta passagem de tutela de Ministérios e a titulação da formação com grau, foi muito importante, pois
ATARP:
Acompanhou
várias
mudanças
no
possibilitou a abertura para realização de mestrados e
exercício e na academia. As mudanças tornaram-
doutoramentos.
nos diferentes em que aspetos?
E já agora, deixo aqui um repto à ATARP, para manter
Eu acho que as mudanças são sempre boas! Bem sei
o incentivo aos seus profissionais para continuarem os
que a tendência do ser humano é por travão, é ter
seus
resistência à mudança, mas as mudanças por norma
académica já atingida, potenciando a maturidade de
são boas e eu associo, por regra, a mudança a uma
pensamento e a atitude crítica.
estudos,
independentemente
da
titulação
outra variável, que é a esperança. Eu vejo sempre a
“Lembro-me que aos olhos das restantes classes de profissionais da saúde, não éramos muito valorizados e encarados mesmo como uma profissão menor.” Ao nível do exercício, acho que ocorreram também
é também em si, uma experiência diferente e útil para o
mudanças, ou seja, houve uma evolução tecnológica
desenvolvimento
notória. Neste momento não sou a melhor pessoa para
diferente de ser efetuada em meio académico. Em
essa avaliação, mas mantendo ligação com os
termos de academia também ocorreram diferenças,
profissionais no exercício, apercebi-me que oriundo da
como já referi, passámos do bacharelato para uma
introdução de uma vasta tecnologia acabou por arrastar
licenciatura, que até já passou por uma bietápica, mas
para alguma alteração no pensamento, no sentido
hoje em dia, estável e seguida para uma evolução de
crítico e no pensamento crítico dos técnicos e, portanto,
fusão, há muito debatida dentro da ATARP e eu
mesmo que os Técnicos não voltem à escola, são
também fazendo parte desse fórum de discussão sobre
obrigados a atualizarem-se. Obviamente voltar à escola
a fusão destas profissões. Inicialmente, diga-se, não
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intelectual
das
pessoas,
sendo
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concordava com a fusão, mas hoje em dia, sou uma
me pareça que acabou por não ir tão de encontro ao
acérrima defensora, porque existe uma grande
que foi pensado inicialmente. Mas, de qualquer das
complementaridade entre as três áreas. Numa outra
formas, sem dúvida que cada vez mais a Radioterapia
vertente, também não posso deixar de dizer que as
precisa da Imagem e a evolução da radioterapia vai
questões económicas também estão ligadas, embora
sempre ser através da imagem.
“A relação dos profissionais do exercício com a Tutela e com o MS e dos profissionais da academia com o ME, parece-me ter sofrido alterações.” Longínquo já vai o tempo das “Centragens dos
imposições e mudanças constantes de “mind set”,
Campos”; dos cálculos à mão; das mesas de
apesar de me achar inovadora, proativa e a gostar de
tratamento inventadas para se aumentar e gerir o efeito
trabalhar e interagir com os jovens, penso que os
da divergência do feixe na dimensão do campo; das
jovens cientistas vão continuar a inovar e a fomentar o
definições de campos com régua e esquadro, nas
espírito empreendedor, desencadeando ainda mais
películas de raio-x; os chassis metálicos; … do 2D!!
esta interligação das várias áreas, promovendo cada
Enfim, tempos giríssimos e muito interessantes. Eu
vez uma Radioterapia mais eficiente, controlada e
acabei o curso em 1983 daqui a pouco há 40 anos e,
monitorizada. Eu costumo dizer que “a mão direita tem
portanto, já assisti a muito! Outro dado que me parece
de questionar a mão esquerda” e quando isto acabar, o
ter sofrido também alterações, foi a relação entre os
ser humano deixa de ser Pessoa, porque a pessoa tem
profissionais do exercício com a tutela e Ministério da
sempre questões que deve levantar e, portanto,
Saúde e dos profissionais da academia com o
enquanto “a mão direita questionar a mão esquerda”,
Ministério da Educação. Deste modo, fruto de todas
haverá sempre evolução.
estas relações e interações, a profissão e a formação acabaram e estão a evoluir, pois não nos podemos dissociar dos projetos da Europa e do Mundo, e obrigatoriamente estando interligados.
ATARP: A radioterapia enquanto exercício, abriu-se a novas tecnologias e procedimentos. Podemos falar de uma Radioterapia cada vez mais híbrida? Sim, sem dúvida! Esta complementaridade tem de existir, sem dúvida, pois a radioterapia não sobrevive sem essa evolução tecnológica! É inevitável! O futuro, por vezes tenho dificuldade em o projetar dado a velocidade em que a tecnologia está a evoluir, associado ao “machine learning” com todas as suas
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Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Radiações
ATARP:
Neste
âmbito
de
tecnologia
e
desigualdade tão grande entre eles e nós. Sabia-se que
procedimentos híbridos, podem os licenciados em
o Ministério da Saúde estava a formar novos
IMR, detentores de um know how mais abrangente,
profissionais
necessário e lógico para o exercício profissional
completamente diferente de todos os que já constavam
dos dias de hoje, serem um elemento potenciador e
no hospital, o qual gerou algum “choque”. Entendi
de importância nos serviços de Radioterapia?
rapidamente,
Sim, eles sentem isso! Os alunos de IMR nos relatórios
profissionais, que o nosso conhecimento científico era
que escrevem, referem que cada vez mais as coisas
muito maior, mas faltava o mundo dos procedimentos,
fazem sentido e isto para mim, é o que é o cerne da
do exercício e da experiência, o que levou a uma
questão! Eu só aprendo quando aquilo que me estão a
interligação entre todos os profissionais e que permitiu
querer ensinar, faz sentido para mim, se não o fizer, não
uma aprendizagem recíproca. Deste modo, os nossos
há aprendizagem! Cada vez mais eles sentem e mais
alunos de IMR são o exemplo dessa também
importante ainda, exteriorizam isso mesmo, que faz
complementaridade, de partilha, de espírito crítico, de
sentido a aprendizagem e que estamos cada vez mais
conhecimento e de solução, não só para já, como
no caminho certo, na senda da complementaridade.
também para o futuro da Radioterapia. Lembro-me no
Atrevo-me a questionar, quando para estes jovens, que
meu tempo, quem efetuava a TC de Planeamento e a
estão a emergir e a crescer, a interligação faz sentido,
Simulação, por procedimento e conhecimento, era o
quem somos nós para a impedir!? Recordo-me dos
colega da radiologia! Inclusive, a TC só existia no
tempos quando chegámos, enquanto primeiro curso, ao
Serviço de Radiologia, o qual envolvia a deslocação de
mundo hospitalar e nos deparámos com pessoas que
todo o material de posicionamento utilizado na
não tinham formação, mas que fizeram na altura um
Radioterapia
curso denominado de promoção, para não haver uma
agendamento com os colegas da Radiologia!
e
a
dar-lhes
comparativamente
e
criteriosamente
uma
com
formação
aqueles
articulado
o
Os alunos de IMR nos relatórios que escrevem, referem que cada vez mais as coisas fazem sentido e isto para mim, é o que é o cerne da questão! Hoje em dia, veja-se as mudanças ocorridas em todos
condição: Carácter e Crescimento Pessoal, Ensino,
estes aspetos e que mais ainda podem ser otimizados
Meio Profissional no qual está inserido ou aposta
com a presença destes futuros profissionais nos
no Desenvolvimento Profissional Contínuo?
Serviços de Radioterapia, quando for protocolado a
Tem de ser tudo! Eu adoro trabalhar com jovens e
utilização de imagens de RM, na verificação e/ou
quanto mais envelheço mais gosto de trabalhar com
planeamento, ou mesmo com a utilização dos MRI
eles! Acho imensa piada quando eles vêm no primeiro
Linac.
ano e é giríssimo ver a evolução deles, até porque fisicamente vão-se modificando, quando chegam têm
ATARP:
A
melhor
18 anos e quando acabam o curso têm 22 anos, 23
profissional, resultará maioritariamente de qual
alguns. Todavia já existe um diferencial de idade
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otimização
desejável
do
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Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
significativo entre mim e eles, inclusive até já os meus
temos de investir mais na publicação de artigos
filhos são mais velhos que eles, mas nesse sentido,
científicos.
acho e gostava, que outro dado fosse tido em conta e que devia ser alvo de maior atenção por parte das entidades de ensino, porque é muito importante, que é a Personalidade. Estes alunos deviam ser vistos mais como pessoas, como jovens que ainda se estão a formar e como tal, lhes ser prestado um maior acompanhamento e intervenção no seu crescimento. Não será somente por terem 18 anos que já são considerados e assumidos como adultos! Eu sinto é que ainda há tanta, tanta, mas tanta coisa a aprender, que não está nos programas curriculares, ou seja, ao se abordar unicamente os programas curriculares nós não estamos a contribuir para o total crescimento pessoal desses futuros adultos. Um exemplo claro, é estes jovens não terem um conceito claro de Serviço Nacional de Saúde versus Sistema de Saúde, que são dois conceitos básicos no âmbito de Saúde Pública, não só na tónica de doença como também de saúde, e mais ainda, como futuros profissionais destas áreas. Entendo que a minha missão no ensino não é só ensinar Radioterapia, mas sim também contextualizar o percurso do doente, dentro do SNS, até chegar ao encontro destes profissionais, mais ainda na nossa área introduzindo o complexo da Referenciação em Oncologia, de modo a se inteirarem do que o doente já percorreu processualmente, na sua doença, e as A revista Journal of Radiotherapy in Practice é um
abordagens clínicas que foi alvo. Mas, gostava de ter
exemplo disso mesmo, sendo uma revista de técnicos,
mais tempo!
para técnicos. E acho que falta este “corpo de conhecimento robusto”, mais ainda sendo avaliado por
ATARP: É a Radioterapia praticada em Portugal
pares e a isto se chama fazer ciência! Veja-se a
apetecível, vista além-fronteiras?
propósito da Covid 19, a vacina começa a ser
Claro que é! A única coisa que eu tenho pena, é que
visualizada e ainda bem, mas ainda não foi escrutinada
não haja mais investigação por parte dos Técnicos.
pelos seus pares! Acho que faz falta haver momentos
Nessa ótica, nós Técnicos de Radioterapia se
de franca crítica, crítica construtiva obviamente, mas
queremos afirmar a Radioterapia como uma Ciência
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Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
desapaixonada
e
que
seja
uma
apreciação
outros países com agrado. Porém, acho que nós
verdadeiramente científica tendo como objetividade, o
profissionais portugueses para continuarmos a “dar
crescimento da profissão.
Os alunos que efetuam
cartas”, nós temos que construir o nosso “corpo de
Erasmus são muito bem avaliados e os profissionais
conhecimento”, tem de haver mais interligação entre os
avaliadores ficam muito satisfeitos com o conhecimento
centros e mais relação entre os serviços e a academia.
apresentado e com a prestação e desempenho
Acho que ainda estamos muito longe uns dos outros, e
manifestado, dado o nível de exigência que aqui é
é uma pena! Entendo que seria importante que as
imposto, pelas várias entidades de ensino. Associado a
instituições trabalhassem mais em parceria, tal como
isso, por norma, de uma forma genérica, temos uma
acontece com a Medicina nos Hospitais Universitários.
forma de estar muito simpática e social que é vista nos
Eu acho que a Radioterapia é imparável! Eu acho que a intervenção do Técnico de Radioterapia vai ser cada vez mais tecnológica e mediando a interação do equipamento com o doente e vice-versa. ATARP: Qual a imagem que vislumbra para a
novidades. A Radioterapia, sem dúvida vai crescer
Radioterapia, daqui a duas, três décadas?
muito em termos tecnológicos e naturalmente com a
Eu acho que a Radioterapia é imparável! Que a
tecnologia vão ser incorporadas outras áreas, que hoje
intervenção do técnico de Radioterapia vai ser cada vez
ainda não estamos a pensar, mas a associação da
mais
imagem é uma delas. Isto porque esta garante a
tecnológica
e
mediando
a
interação
do
equipamento com o doente e vice-versa. Já o é, mas
exatidão
vai
porque
movimento que possa surgir durante o tratamento, ao
tendencialmente os equipamentos vão ser cada vez
qual se podem colocar limites estanques de aceitação
mais automáticos, falávamos lá atrás do “machine
e de irradiação ou não, de uma forma mais fácil.
learning”, e este automatismo vai entrar certamente em
Porventura os dispositivos de posicionamento irão ser
crescendo, mas a verdade é que o doente não vai
mais simplificados dada a capacidade mais inovadora
conseguir fazer o exame ou o tratamento sozinho. Na
e de compensação, dos próprios equipamentos em
radiologia, eu acho que daqui a algum tempo, em
Radioterapia. Por último, e não menos importante, toda
determinadas áreas, o doente o fará sozinho, agora na
esta tecnologia irá desencadear uma formação
radioterapia não vejo isso. A razão pela qual o afirmo,
constante por parte dos profissionais, associado
assenta no Erro e na exatidão requerida do tratamento.
sempre à componente humana, mas sem nunca
Porventura existirão mesas de tratamento inovadoras,
esquecer de onde viemos e quais foram os princípios
pois a tecnologia avança, mas também com estas
de onde partiu a Radioterapia, muito embora seja qual
otimizações tecnológicas surgem possíveis e diferentes
for a realidade, até onde esta poderá chegar.
ser
cada
vez
mais
preponderante
novos erros. Outra realidade emergente será a introdução da inteligência artificial que trará grandes
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e
a
possibilidade
de
visualização
do
Radiações
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O “Quick Answer” de Margarida Eiras
Área preferida da Radioterapia?
Casa ou Mundo?
Radioterapia Externa.
Mundo. O Mundo é a minha Casa.
Ensino ou Exercício?
Ouvinte ou interveniente?
Ambos.
As duas. Eu não consigo deixar de intervir.
Algo que adora?
Filme marcante?
A praia.
Patch Adams.
Algo que detesta?
Livro inesquecível?
Pessoas que não aceitem a diferença.
Os palhaços de Deus de Morris West.
Quais as férias de sonho?
Local preferido?
Não sei se tenho férias de sonho. Ando apaixonada
A praia.
pela Ásia, mas a verdade é que já há para aí 2 ou 3 anos que ando a pensar fazer um passeio de comboio,
Música, sempre ou raramente?
mochila às costas... sem destino definido, pelas linhas
Sempre. Quanto mais melhor.
urbanas, a ver os rios e a passear cá dentro.
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Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Até ao momento, a vida já lhe promoveu o que
Momento do dia?
desejou… lá atrás?
Ao final do dia, quando me sento no meu sofá e relaxo.
Tudo não, pois queremos sempre mais. Mas estou satisfeita com o meu percurso.
O que falta fazer, enquanto Margarida Eiras e Prof.a Doutora M. Eiras?
Olhando para trás, qual a “imagem” major no
Ver Netos e já não um outro doutoramento, na área do
caminho feito? Ideia de continuidade e evolução.
pensamento, mas continuar a abraçar e a associar-me a desafios.
Última mensagem para os Profissionais que a ATARP representa: Eu acho que os profissionais da Imagem Médica e Radioterapia são pessoas especiais, porque inconscientemente abraçam um desafio que é extremamente importante e impactante na sociedade, pois temos um papel a cumprir enquanto cidadãos e profissionais. Os técnicos de medicina nuclear, radiologia e radioterapia têm tentado aprofundar cada vez mais, e já o disse mais do que uma vez que é um desafio que deve ser de todos, que é continuarmos a construir a profissão, ou seja, não deixem de estudar, não deixem de se envolver em projetos interessantes. Por vezes esse exercício é efetuado com mais afinco, outras vezes menos, umas vezes com mais determinação, outras vezes não. Episodicamente, vejo técnicos demasiado passivos, demasiado “deixa andar”, demasiado acomodados, o que não deve acontecer. A vida é muito rápida, tenho quase 40 anos de profissão e o facto é que passaram num ápice. Nesse percurso fui fazendo coisas, sabendo que podia ter feito mais e certamente existem pessoas que fizeram muito mais do que eu, sem dúvida. Mas o que importa, é fazer, não interessa se é muito ou pouco, mas vamos juntos fazer! A outra mensagem importante que gostava de passar, é o caráter de união, porque juntos somos sempre melhores. Muitas das vezes a competitividade, a concorrência e o querer chegar primeiro, atropela o Conhecimento, atropela esta ideia de Grupo e que faz muita falta aos Técnicos, … desencadeando que não nos sintamos em Equipa. Trabalhemos em conjunto e a continuar a trabalhar!
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Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
ESPAÇO ESTUDANTE
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Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Prémio Recém-Licenciado ATARP
A ATARP lança este ano a 3ª edição da iniciativa PRÉMIO RECÉM-LICENCIADO. Este prémio pretende continuar a dar palco e visibilidade ao que de melhor os alunos das Licenciaturas em Imagem Médica e Radioterapia fazem no seu percurso académico.
Assim, o objetivo é fomentar a investigação por parte dos futuros profissionais, promover o desenvolvimento pessoal e profissional e dar a conhecer esse trabalho e dedicação à comunidade que representamos.
Num ano atípico, em que as plataformas online foram uma ferramenta assídua, iremos também prolongar o prazo de
candidatura até 28 de fevereiro de 2021. Aos autores que se candidatam ao prémio recém-licenciado ATARP, informamos que os trabalhos submetidos poderão ainda ser publicados na revista Radiações e poderão ainda ser apresentados nas Comunicações Livres do Congresso Nacional da ATARP ou no programa Radiographers do Congresso Nacional de Radiologia.
Veja como participar em www.atarp.pt, ou no link Regulamento - premio recém-licenciado 2020.
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Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
ARTIGO “ Avaliação da exposição da população portuguesa a radiações ionizantes” Mariana Trincão
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Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Avaliação da exposição da população portuguesa a radiações ionizantes devido a exames médicos de radiodiagnóstico e medicina nuclear
Mariana Trincão Engenheira Biomédica (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) Mestre em Proteção e Segurança Radiológica (Instituto Superior Técnico)
Resumo A crescente utilização das radiações ionizantes para fins de diagnóstico e realização de procedimentos médicos, em conjunto com os progressos tecnológicos das últimas décadas, conduziram ao aumento da dose coletiva da população mundial. Este aumento da exposição da população a radiações ionizantes, realça a importância da realização de estudos de avaliação periódica da dose coletiva nas populações. Neste trabalho foi avaliada a exposição da população portuguesa a radiações ionizantes devido a exames de radiodiagnóstico e medicina nuclear referente aos anos 2013 a 2017. Para determinar a dose efetiva coletiva total e a dose per caput devido à realização de exames de medicina nuclear, foi solicitado aos centros de medicina nuclear a frequência anual e atividade média administrada em cada exame e, para a dose efetiva coletiva e a dose per caput devido à realização de exames de radiodiagnóstico, foi solicitada a frequência anual dos exames realizados às Administrações Regionais de Saúde. Com este trabalho, observa-se que os exames de radiodiagnóstico que mais contribuem para a dose coletiva em Portugal são os exames de Tomografia Computorizada e que a dose efetiva média anual da população devido a exames de radiodiagnóstico foi 0,75 ± 0,48 mSv caput-1 em 2013 e 0,89 ± 0,56 mSv caput-1 em 2017. Para exames de medicina nuclear, a dose efetiva média anual foi 0,088 ± 0,001 mSv caput-1 em 2013 e 0,090 ± 0,002 mSv caput-1 em 2017, e os exames que mais contribuem para a dose coletiva são as cintigrafias ósseas e exames cardíacos. Este estudo pretende contribuir para a sensibilização da necessidade de otimização da dose de exposição em exames médicos de diagnóstico.
Palavras-chave: radiação ionizante, radiodiagnóstico, medicina nuclear, exposição da população portuguesa, dose efetiva coletiva.
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Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Abstract The increasing uses of ionizing radiation for diagnostic purposes and medical procedures, as well as the technological progress in the health field in the last decades have led to an increase in the collective dose in worldwide population. The increased exposure of population to ionizing radiation brings awareness to the importance of studying the periodic evaluation of collective dose in populations. This work studied the portuguese population exposure to ionizing radiation due to radiodiagnostic and nuclear medicine exams from 2013 to 2017. In order to determine the total collective effective dose and per caput dose due to nuclear medicine exams, it was requested to nuclear medicine centres to share the data of annual frequency and average activity administered in each exam; and for the collective effective dose and per caput dose due to radiodiagnostic exams it was requested the annual frequency of the performed exams to the Health Regional Administrations. With this work it is observed that the radiodiagnostic exams that contributes the most to the collective dose in Portugal are Computed Tomography exams, and the average annual effective dose of the population due to radiodiagnostic exams was 0,75 ± 0,48 mSv caput-1 in 2013 and e 0,89 ± 0,56 mSv caput-1 in 2017. For nuclear medicine, the annual effective dose was 0,088 ± 0,001 mSv caput-1 in 2013 and 0,090 ± 0,002 mSv caput-1 in 2017, and the exams that contribute the most to collective dose are bone imaging and cardiac exams. This study intends to bring awareness to the need of optimizing exposure dose in medical diagnosis exams.
Keywords: ionizing radiation, radiodiagnostic, nuclear medicine, portuguese population exposure, collective effective dose.
forma,
Introdução
permita estimar a dose da população (Relatório, 2012;
é possível hoje em dia efetuar exames e tratamentos
Teles et al., 2013).
que há décadas eram inimagináveis. Apesar dos claros
A Comissão Europeia, para harmonizar o cálculo da
benefícios para o paciente, esta evolução tecnológica
dose para os seus Estados Membros, publicou os
tem sido acompanhada por um aumento gradual da
documentos Radiation Protection 154 (RP 154) e
exposição a radiações ionizantes dos pacientes e da
Radiation
população em geral. O uso da radiação na medicina
Protection
180
(RP
180)
(European
Commission, 2008, 2014). Estes documentos fornecem
aumentou de tal forma que é atualmente a principal
um sistema harmonizado com recomendações e
fonte de exposição de origem não natural em todo o
metodologias que permitem determinar a dose de
mundo, correspondendo a 95% desta exposição
exposição da população adulta devido à realização de
Environment
Programme, 2016; UNSCEAR, 2008, 2011). Desta
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Agência
desenvolvimento de uma metodologia robusta que
uso de radiação ionizante teve um papel fundamental,
Nations
–
nacionais, têm insistido num crescente esforço para o
médicos de diagnóstico e de tratamento, nos quais o
United
(IAEA
Mundial de Saúde, etc.), assim como as autoridades
saúde, nomeadamente ao nível dos equipamentos
2006;
organizações
Internacional de Energia Atómica; OMS – Organização
Face à rápida evolução das tecnologias utilizadas na
(Podgorsak,
várias
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Radiações
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procedimentos médicos de radiodiagnóstico e de
documento RP 180 considera uma lista dos 28
medicina nuclear (MN).
procedimentos
De forma a facilitar a estimativa da exposição da
administração de radionuclídeos (Teles et al., 2013;
população devido a exames de radiodiagnóstico, o
European Commission, 2008, 2014; Costa et al., 2015).
documento RP 154 define 20 exames na área do
O trabalho desenvolvido, mais do que seguir diretivas
radiodiagnóstico (que incluem exames de radiografia,
europeias e legislação nacional, teve como objetivo
fluoroscopia, tomografia computorizada e intervenção)
responder à persistente falta de estudos consistentes
que mais contribuem para a dose efetiva coletiva
de avaliação da exposição da população portuguesa a
(European
exames
radiações ionizantes decorrente da realização de
constituem 50% a 70% do total de exames realizados e
exames e procedimentos médicos de radiodiagnóstico
70% a 90% da dose coletiva efetiva total devido a
e MN, pretendendo obter e compilar dados detalhados
exames médicos de radiodiagnóstico. Na MN o
relativos aos anos 2013 a 2017.
Commission,
2008).
Estes
mais
comuns
que
envolvem
O uso da radiação na medicina aumentou de tal forma que é atualmente a principal fonte de exposição de origem não natural em todo o mundo. Estes dados possibilitam acompanhar outros países na
pulmão, PET/PET-CT (respetivamente, Tomografia por
elaboração de estudos representativos de avaliação
Emissão de Positrões e Tomografia por Emissão de
periódica das doses de exposição da população, no
Positrões
âmbito da realização de exames médicos, permitindo
restantes.
efetuar comparações ao nível da dose per caput por
A compilação de dados para a realização do estudo
exame, frequências por exame, bem como fazer uma
incluiu duas tarefas: •
análise crítica comparativa da justificação e otimização
com
Tomografia
Computorizada),
e
Realização de um inquérito que foi enviado aos
dos exames realizados em Portugal face a outros
centros de MN a nível nacional de forma a
países.
compilar os dados relativos à frequência dos 28 exames mais comuns entre 2013 e 2017, bem como a atividade média administrada em cada
Metodologia
exame. Usando os coeficientes de conversão
Para o desenvolvimento do estudo, conforme já
provenientes do ICRP (ICRP, 2008) foi possível
referido, foi seguida a metodologia proposta nos
estimar a dose coletiva relativa à realização de
documentos RP 154 e RP 180 (European Commission,
exames de MN.
2008, 2014). Assim, foi estabelecido o TOP 20 de
•
Compilação dos dados de reembolso das cinco
exames na área do radiodiagnóstico dividido em quatro
Administrações Regionais de Saúde (ARS)
grupos
fluoroscopia,
para estimar a frequência anual do TOP 20 de
tomografia computorizada e intervenção) e os 28
exames de radiodiagnóstico entre 2013 e 2017
procedimentos mais comuns de MN divididos em sete
e compilação dos dados da Associação
de
exames
(radiografia,
grupos de exames – ósseo, cardíaco, renal, tiróide,
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Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Portuguesa de Intervenção (APIC) para a
A partir da atividade média administrada em cada
estimativa da frequência dos exames de
exame e da frequência anual de cada exame, foi
intervenção no mesmo período. Usando a dose
possível determinar:
efetiva
para
cada
determinados
em
exame estudos
TOP
20
•
já
anteriores
A atividade média ponderada para cada procedimento de MN, 𝐴𝑎𝑣𝑔,𝑗 (Costa et al., 2015):
(Relatório, 2012; Teles et al., 2013) foi possível estimar a dose coletiva devido à realização de exames de radiodiagnóstico.
𝐴𝑎𝑣𝑔,𝑗 =
∑𝑛𝑖=1 𝐴𝑖 𝑓𝑟𝑒𝑞𝑖,𝑗 ∑𝑛𝑖=1 𝑓𝑟𝑒𝑞𝑖,𝑗
Medicina Nuclear
em que 𝑛 é o número total de centros de MN que
De acordo com a lista mais atualizada à data da
participaram no estudo (neste caso, 15 centros), 𝐴𝑖 é a
realização do estudo (maio de 2018), disponibilizada
atividade média reportada pelo centro de MN 𝑖 para o
pela Direção Geral da Saúde (DGS), existiam trinta e
procedimento 𝑗, e 𝑓𝑟𝑒𝑞𝑖,𝑗 representa a frequência anual
oito centros de MN em Portugal. Do total de centros de
de cada procedimento 𝑗 no centro 𝑖.;
MN, 15 forneceram dados para o presente estudo
•
(39,5%), 2 são centros recentes que ainda não
Dose per caput para cada procedimento de MN 𝑗 (Costa et al., 2015):
possuem dados que possam ser incluídos no estudo (5,3%), 5 não aceitaram participar no estudo (13,2%), 1 corresponde a uma instituição de ensino (2,6%), 1 não
𝐷⁄𝑐𝑎𝑝𝑢𝑡, 𝑗 =
apresenta estatística significativa (2,6%) e 14 não
𝐴𝑎𝑣𝑔,𝑗 ∙ 𝑒𝑗 ∙ ∑𝑛𝑖=1 𝑓𝑟𝑒𝑞𝑖,𝑗 𝑝𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑝𝑜𝑟𝑡𝑢𝑔𝑢𝑒𝑠𝑎
responderam ao convite para participação no estudo (36,8%).
em que 𝑒𝑗 é o coeficiente de conversão (mSv/MBq) do
Para a obtenção dos dados, foi criado um questionário
radionuclídeo usado no procedimento 𝑗 (Costa et al.,
padrão que foi enviado a todos os centros de Medicina
2015; ICRP, 2008). Os dados referentes à população
Nuclear identificados. Este questionário incluía os 28
portuguesa são provenientes do (INEPordata, 2018).
procedimentos de MN mais comuns divididos em sete
•
categorias, bem como os radionuclídeos mais usados e forma
química.
O
questionário
solicitava
A dose per caput total devido a todos os procedimentos de MN que corresponde à soma
o
da
preenchimento da frequência anual de cada exame
dose
per
caput
obtida
para
cada
procedimento 𝑗.
bem como a média da atividade administrada por procedimento em adultos relativos aos anos 2013 a
Dado que nem todos os centros de MN responderam, e
2017, sendo que existia também a possibilidade de
que a taxa de resposta foi de 39,5%, foi realizada uma
acrescentar outro tipo de exames realizados na
extrapolação linear dos dados, utilizando como fator de
instituição com relevância estatística.
extrapolação 1/0,395= 2,53 de forma a estimar o valor da dose efetiva coletiva total.
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Incertezas em MN
Radiodiagnóstico (Raios X)
As incertezas (Bevington, 1969) das atividades foram
As frequências relativas ao TOP 20 de exames de
estimadas usando o erro padrão 𝜀𝑎𝑡 , obtido a partir do
radiodiagnóstico foram obtidas através dos registos de
desvio padrão ponderado 𝜎𝑎𝑡 ⁄√𝑁, dado pela seguinte
reembolso das cinco Administrações Regionais de Saúde (ARS Norte, ARS Centro, ARS Alentejo, ARS
expressão para cada procedimento 𝑗:
Algarve e ARS Lisboa e Vale do Tejo). Dado que as ARS mantêm os registos relativos aos reembolsos
√
𝜀𝑎𝑡,𝑗 =
𝜎𝑎𝑡,𝑗 √𝑁
=
∑𝑛𝑖=1 𝑓𝑟𝑒𝑞𝑖,𝑗 (𝐴𝑖,𝑗
2
− 𝐴𝑎𝑣𝑔,𝑗 )
anuais atualizados, estes dados constituem uma boa
𝑁 ∑𝑛 𝑁 − 1 𝑖=1 𝑓𝑟𝑒𝑞𝑖,𝑗 √𝑁
estimativa
das
frequências
anuais
dos
exames
realizados. Todos os dados relativos à frequência dos exames de radiodiagnóstico foram obtidos através dos registos de reembolso à exceção do exame de
em que 𝜎𝑎𝑡,𝑗 corresponde ao desvio patrão da atividade
angioplastia coronária cuja estimativa da frequência foi
para o procedimento 𝑗 no centro 𝑖, 𝑓𝑟𝑒𝑞𝑖,𝑗 representa a
realizada através da compilação dos dados da APIC. De forma a reunir os dados necessários, foi efetuado
frequência anual do procedimento 𝑗 no centro 𝑖, 𝐴𝑖,𝑗 é a
um questionário que continha os códigos de reembolso
atividade média para o procedimento 𝑗 reportado pelo
relativos aos exames TOP 20, e foi enviado para as
centro 𝑖, 𝐴𝑎𝑣𝑔,𝑗 é a atividade média ponderada para o
cinco ARS de forma a ser completado com o número
procedimento 𝑗, e 𝑁 é o número de centros que
de reembolsos relativos a cada exame. Os dados
realizam o procedimento 𝑗.
obtidos foram usados para estimar a frequência anual
A incerteza relativa à frequência anual foi estimada por:
de cada exame. Para calcular a dose efetiva coletiva foi considerada a
𝜀𝑓𝑟𝑒𝑞,𝑗 = 𝜎𝑓𝑟𝑒𝑞,𝑗 ⁄√𝑁
dose efetiva média por exame já calculada conforme descrito em estudos anteriores (Relatório, 2012; Teles et al., 2013) em que os dados relativos à dose por
em que 𝜎𝑓𝑟𝑒𝑞,𝑗 é o desvio padrão da frequência para o
exame foram obtidos através de medições em salas de
procedimento 𝑗 e 𝑁 é o número de centros que
radiologia ou através de dados de dose média retirados
forneceram dados.
de trabalhos académicos, estudos apresentados em
De forma a obter o erro padrão da dose (𝜀𝑑𝑜𝑠𝑒,𝑗 ) para o
conferências ou estudos publicados.
procedimento 𝑗, 𝜀𝑎𝑡,𝑗 é multiplicado pelo coeficiente de
Dado que os exames TOP 20 de radiodiagnóstico contribuem com 70% a 90% da dose efetiva coletiva
conversão 𝑒𝑗 (ICRP, 2008):
total de todos os
exames de radiodiagnóstico
realizados, os dados foram normalizados por um fator 𝜀𝑑𝑜𝑠𝑒,𝑗 = 𝑒𝑗 (𝑚𝑆𝑣⁄𝑀𝐵𝑞) × 𝜀𝑎𝑡,𝑗
conservativo de 1/0,7 de forma a obter a dose efetiva total.
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Radiações
Incertezas
do
TOP
20
de
exames
de
radiodiagnóstico Para o cálculo da incerteza da dose coletiva, há que expandir a incerteza: ∆ 𝐷𝑜𝑠𝑒 𝑐𝑜𝑙𝑒𝑡𝑖𝑣𝑎 𝐷𝑜𝑠𝑒 𝑐𝑜𝑙𝑒𝑡𝑖𝑣𝑎 = √(
∆ 𝑑𝑜𝑠𝑒⁄𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒 𝑑𝑜𝑠𝑒/𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒
⟺ ∆ 𝐷𝑜𝑠𝑒 𝑐𝑜𝑙𝑒𝑡𝑖𝑣𝑎 2
) +(
∆ 𝑓𝑟𝑒𝑞⁄𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒 𝑓𝑟𝑒𝑞/𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒
= 𝐷𝑜𝑠𝑒 𝑐𝑜𝑙𝑒𝑡𝑖𝑣𝑎
2
) ⟺
∆ 𝑑𝑜𝑠𝑒/𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒 2 ∆ 𝑓𝑟𝑒𝑞⁄𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒 × √( ) + ( ) 𝑑𝑜𝑠𝑒/𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒 𝑓𝑟𝑒𝑞/𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒
2
Resultados Frequência anual e dose efetiva coletiva
anteriores em que foi seguida a mesma metodologia
devido à realização de exames de MN
(Relatório, 2012; Costa et al., 2015; Teles et al., 2013). A dose efetiva coletiva total (em manSv) e a dose per
A frequência anual para cada grupo de exames de MN
caput (mSv) relativa aos exames de MN foram
e respetiva incerteza para os anos 2013 a 2017
determinados de acordo com a metodologia acima
encontra-se representada na Tabela 1.
descrita (Tabela 2). Os dados relativos aos anos 2010,
A evolução temporal das frequências anuais dos
2011 e 2012 são provenientes de estudos anteriores
diferentes grupos de exames de MN entre os anos 2010
(Relatório, 2012; Costa et al., 2015; Teles et al., 2013)
e 2017 encontra-se na Figura 1. Os dados relativos aos
sendo que para o ano 2010 não foram consideradas as
anos 2010, 2011 e 2012 são provenientes de estudos
incertezas.
Tabela 1. Frequência anual de cada grupo de exames de MN considerado entre 2013 e 2017 e respetiva incerteza da frequência (Trincão, 2018).
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Radiações
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Figura 1. Frequência anual dos diferentes grupos de exames de MN referente aos anos 2010-2017 (Trincão, 2018)
Tabela 2. Dose efetiva coletiva devido à totalidade dos exames de MN, respetiva dose per caput e incertezas para os anos 2010 a 2017 (adaptado de Trincão, 2018).
Frequência anual e dose efetiva coletiva
encontra-se representada na Figura 2. Os dados
dos exames TOP 20 de radiodiagnóstico
relativos ao ano 2010 são provenientes de um anterior estudo (Teles et al., 2013). Os resultados referentes à
A distribuição da frequência anual dos exames TOP 20
extrapolação da dose efetiva coletiva total (em manSv)
de radiodiagnóstico, agrupados em quatro categorias
e da dose per caput (mSv) relativa aos exames TOP 20
(radiografia, fluoroscopia, tomografia computorizada e
de radiodiagnóstico encontram-se na Tabela 3.
intervenção), referente aos anos 2010 e 2013-2017
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Radiações
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Figura 2. Frequência anual dos exames TOP 20 de radiodiagnóstico, agrupados em categorias referente aos anos 2010 (Teles et al., 2013) e 2013-2017 (adaptado de Trincão, 2018).
Tabela 3. Dose efetiva coletiva total com extrapolação (em manSv) e da dose per caput (mSv) relativa aos exames TOP 20 de radiodiagnóstico referente aos anos 2010 (Relatório, 2012) e 2013-2017 (adaptado de Trincão, 2018; Teles et al., 2020).
crescente do número de exames de MN entre 2013 e
Discussão Relativamente
à
Medicina
Nuclear,
2017, principalmente devido à contribuição dos exames
conforme
PET/PET-CT. Este estudo permitiu concluir que, para
observado na Figura 1, os estudos anteriormente
todos os anos considerados, os exames cardíacos
realizados demonstraram um decréscimo na frequência
foram aqueles que apresentaram a maior frequência
anual de exames realizados entre 2010 e 2012 (Costa
anual, seguidos dos exames ósseos e dos exames
et al., 2015). O presente estudo mostra uma alteração
PET/PET-CT (Trincão, 2018; Teles et al., 2020).
desta tendência onde se verifica uma tendência anual
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Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Tal como se verificou relativamente à frequência anual
e 2017 foram superiores às dos anos anteriores, tendo-
dos exames de MN, estudos anteriormente realizados
se mantido estável entre os 0,086 mSv/caput e 0,090
demonstraram uma redução da dose efetiva coletiva
mSv/caput. De salientar que a dose per caput em
total e da dose per caput entre os anos 2010 e 2012
Portugal para o período em estudo (2013-2017) é
(Costa et al., 2015). O presente estudo mostra que a
superior à média reportada na União Europeia
dose efetiva coletiva total e a dose per caput entre 2013
(Relatório, 2012; Trincão, 2018; Teles et al., 2020).
Relativamente à Medicina Nuclear, os exames cardíacos foram aqueles que apresentaram a maior frequência anual, seguidos dos exames ósseos e dos exames PET/PET-CT. No que respeita ao TOP 20 de exames de
de dados (Teles et al., 2013), não é possível fazer uma
radiodiagnóstico, os dados foram fornecidos pelas
comparação direta entre estes dois períodos.
cinco ARS (Norte, Centro, Alentejo, Algarve e Lisboa e
Entre 2013 e 2015 verificou-se um aumento dos
Vale do Tejo) e pela APIC, tendo sido posteriormente
exames de radiodiagnóstico realizados. De acordo com
extrapolados os dados finais a partir destes.
os dados obtidos, os exames de radiodiagnóstico mais
Analisando
a
frequência
anual
de
exames
de
realizados são as radiografias, sendo que, de entre
radiodiagnóstico (Figura 2) pode ser observado um
todas, a de tórax é a que apresenta a maior frequência.
decréscimo do número de exames entre 2013 a 2017
Relativamente
quando comparado com os dados referentes a 2010
radiodiagnóstico contemplados para a dose coletiva, os
(Relatório, 2012). No entanto, visto que não foi
exames de tomografia computorizada são os que mais
realizado nenhum inquérito hospitalar para a obtenção
contribuem, constituindo 62% a 69% da dose coletiva
à
contribuição
dos
exames
de
total para os anos 2013 a 2017 (Teles et al., 2020).
Os exames de radiodiagnóstico mais realizados são as radiografias, sobretudo a de tórax e os que mais contribuem para a dose coletiva são os de tomografia computorizada. No que respeita à dose efetiva coletiva total e à dose
Conclusão
per caput decorrente da realização de exames de
Face ao crescente acesso aos cuidados de saúde e à
radiodiagnóstico, ambas têm aumentado desde 2013
rápida evolução das tecnologias da saúde, verifica-se
até ao presente, sendo que em 2013 o valor da dose
um aumento da exposição da população à radiação
per caput foi de 0,75 ± 0,48 mSv per caput e em 2017
ionizante devido às aplicações médicas. Assim, torna-
o valor da dose per caput foi de 0,89 ± 0,56 mSv per
se
caput. Se compararmos o valor da dose per caput com
realizar
estudos
sistemáticos
de
avaliação periódica da exposição da população no
os restantes países da UE, esta encontra-se abaixo da
âmbito destas aplicações, ao qual o presente estudo
média dos restantes países da UE (1,06 mSv per caput)
pretendeu dar resposta, ao apresentar uma estimativa
(Trincão, 2018; Teles et al., 2020).
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imperativo
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Radiações
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− and Effects of Ionizing Radiation. United Nations,
da dose efetiva coletiva recebida pela população portuguesa devido à realização de exames médicos de
New York.
radiodiagnóstico e medicina nuclear, seguindo uma
− Relatório, 2012. Sobre os resultados do Projeto
metodologia bem estabelecida proposta pela Comissão
Dose Datamed 2 Portugal. IST-ITN, Lisboa. − Teles, P., Carmen de Sousa, M., Paulo, G., Santos,
Europeia. Face a estudos anteriormente realizados, o presente
J., Pascoal, A., et al., 2013. Estimation of the
estudo
resultados
collective dose in the Portuguese population due to
apresentados incluírem as incertezas relativas à
medical procedures in 2010. Radiat. Protect. Dosim.
frequência anual dos exames realizados e à dose
154, 446–458 Oxford University Press.
tem
como
vantagem
os
− European Commission, 2008. “Radiation Protection
efetiva coletiva. O presente estudo contribui ainda para o trabalho
Nº 154,” Directorate-General for Energy and
desenvolvido pelo UNSCEAR (United Nations Scientific
Transport. Luxemburgo.
Committee on the Effects of Atomic Radiation),
− European Commission, 2014. “Radiation Protection
nomeadamente no que diz respeito à estimativa da
Nº 180,” Directorate-General for Energy, Directorate
exposição médica ao nível global.
D — Nuclear Safety & Fuel Cycle, Unit D3 — Radiation Protection. Luxemburgo. − Costa, F., Teles, P., Nogueira, A., Barreto, A.,
Referências bibliográficas
Santos, A., et al., 2015. Estimation of the collective
− Teles, P., Trincão, M., Alves, F., Antunes, V.,
ionizing dose in the Portuguese population for the
Calado, D., et al., 2020. Evaluation of the
years 2011 and 2012, due to nuclear medicine
Portuguese population exposure to ionizing radiation
procedures. em Rev Esp Med Nucl Imagen Mol. 34,
due to x-ray and nuclear medicine procedures from
1–8 Elsevier.
2013 to 2017. Radiation Physics and Chemistry.
− ICRP, 2008. Radiation Dose to Patients from
Volume 172 (2020). Elsevier.
Radiopharmaceuticals, Publication 106: Annals of
− Trincão, M. (2018). Avaliação da exposição da
the ICRP.
população portuguesa a radiações ionizantes
− INEPordata Pordata - base de dados de Portugal
devido a exames médicos de radiodiagnóstico e medicina
nuclear.
(Dissertação
de
Contemporâneo.
Mestrado,
Available.
https://www.pordata.pt/Portugal/População+residen
Instituto Superior Técnico, Portugal).
te++estimativas+a+31+de+Dezembro+total+e+por+
− Podgorsak, E., 2006. Radiation Physics for Medical
grupo+etário-7, Data de acesso: 22 de setembro de
Physicists. Springer, Canada.
2018.
− United Nations Environment Programme, 2016.
− Bevington, P.R., 1969. Data Reduction and Error
Radiation: Effects and Sources.
Analysis for the Physical Sciences. McGraw-Hill,
− UNSCEAR 2008, 2011. Report to the General
New York, N.Y.
Assembly with Scientific Annexes, Sources
ISSN 2184-769X
[Online].
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Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
“Dia-a-dia com…”
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Radiações
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Dia-a-dia com… Gianluca Bentivegna “Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.” Confúcio
Todas as profissões e trabalhos são dignos de respeito e consideração, independentemente da sua área, local e/ou função. No momento exato, cada um terá a sua importância e, de alguma forma, o seu trabalho será fundamental para o normal e correto funcionamento de um serviço. Por isso, a palavra que se impõe é: Respeito. Respeito pelos outros e por nós mesmos, pois ninguém nunca deverá sentir-se menos que alguém. Diariamente, milhões de pessoas saem para trabalhar. E eu? Eu não sou diferente, porém considero que todos os dias saio para fazer aquilo de que gosto. Enganar-vos-ia se dissesse que todos os dias são maravilhosos, pois existem dias extremamente desgastantes ou até mesmo dias em que sentimos que tudo o que fazemos não corre como desejaríamos. Por outro lado, quando fazemos aquilo que gostamos, existem sim dias maravilhosos e, tudo o que fazemos, fazemo-lo com brio e qualidade, fazendo-nos sentir úteis e capazes. São esses dias que devemos torná-los regulares para que não necessitemos de ir trabalhar diariamente. Sou técnico de radiologia desde 2016 e, desde então que, inesperadamente, surgiu a possibilidade de poder exercer radiologia na área da veterinária. Obviamente que não pude deixar de aceitar tal convite para esta aventura de conciliar a radiologia com o amor pelos animais. É com base nesta minha experiência que mostrar-vos-ei um pouco daquilo que é o meu dia-a-dia.
1) Preparação do serviço para o início da atividade Antes do início da atividade diária, tenho por hábito consultar a agenda das marcações para, de um modo geral, saber quais os tipos de exames e quais os recursos que necessitaremos para a sua realização ao longo do dia. De destacar que, maioritariamente, os nossos pacientes são animais de companhia, portanto, essencialmente, cães e gatos. Contudo, em algumas situações, recebemos também animais exóticos, dos quais constam coelhos, porquinhos da índia, furões, papagaios, falcões, entre outros.
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Radiações
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com a realização dos respetivos testes de controlo de Primeiramente, executo uma revisão geral das torres
qualidade e aquecimento dos equipamentos. Por fim,
anestésicas, nomeadamente, no que concerne à
sempre que ainda há tempo, organizo os materiais
quantidade de anestésico volátil existente, pois, muitas
necessários para a preparação do animal.
das vezes, face ao elevado número de exames realizados, existe a necessidade de reposição deste anestésico. Para além disso, início a distribuição de oxigénio para as torres e procedo à conexão de todo o sistema anestésico, adequando o circuito ao tipo de animal que irá realizar o exame. Seguidamente, sabendo antemão da necessidade emergente de administração de produto contraste em qualquer exame, efetuo o enchimento diário do injetor automático para que, em qualquer momento, possamos proceder à sua administração. Tendo em consideração o tipo de exame e paciente, procedo à preparação da sala de exames adequando o tipo de proteção do equipamento, suporte e/ou antena a utilizar, terminando
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Radiações
Não poderia deixar de realçar que, todos os exames
identificáveis ou diferenciáveis, pelo que, nestas
que realizamos são sob anestesia, pelo que, todo o
situações, há sempre a necessidade de equilibrar o
processo deverá ser sempre o mais rápido e agilizado
risco/benefício da realização dos exames.
possível.
Embora seja função do médico veterinário, sempre que necessário e autorizado, participo ativamente na
2) Contacto, avaliação, anamnese e preparação do
preparação do animal, desde a sua cateterização,
paciente
preparação da medicação, respetiva administração e
Um pouco à semelhança do que acontece na medicina
entubação, sempre sob o comando e controlo dos
humana, os pacientes são todos diferentes. Cabe-nos
médicos veterinários.
interpretar e, muitas vezes, prever o perfil de cada um deles, por forma a adequarmos a nossa postura, verbalização e atitude. Nos animais não é diferente, contudo, sabemos que o seu comportamento é inerente à sua irracionalidade e, portanto, temos de ser perspicazes e cautelosos. Evidentemente que existem animais com os quais podemos ter uma excelente interação sem temer, porém, nem todos são assim. A questão da avaliação e anamnese do animal é pertencente ao médico veterinário. Para cada animal recolho sempre a maior quantidade de informação possível junto do veterinário, não só para adequar a melhor técnica imagiológica exequível, mas também para objetivar o diagnóstico final. Felizmente, tenho a
3) Posicionamento do paciente
vantagem de poder realizar um acompanhamento
Após a sedação/anestesia do animal, procedemos ao
sucessivo dos animais, desde uma fase inicial
seu transporte para o interior da sala de exames.
(consulta) até a uma fase mais posterior (tratamento).
Primeiramente, todo o processo de estabilização
Claramente que, tenho como função auxiliar o médico
anestésica
veterinário na escolha do melhor exame e técnica a
devidamente realizado pois, a prioridade é sempre a
executar,
vida do animal. E sim, existem animais e raças com os
bem
como
elucidá-lo
para
possíveis
e
ventilação
do
animal
deve
ser
limitações e/ou preocupações, sobretudo, face às
quais devemos ser extremamente criteriosos.
contraindicações dos exames.
Depois da indicação do médico veterinário da
Na veterinária, nem sempre é possível conhecer todo o
estabilização anestésica, entro novamente em ação,
historial do animal, tornando-se uma limitação e, por
para realizar o posicionamento do animal. Durante este
vezes, um risco, optar por um determinado tipo de
processo, considero que o mais importante é a sua
exame, como por exemplo, a ressonância magnética.
estabilização, com o auxílio de fitas, almofadas, sacos
Além disso, muitas das próteses, dispositivos médicos
de areia, entre outros. A imobilização é preponderante
implantados e corpos estranhos não são devidamente
pois, em muitos casos, durante os movimentos da
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Radiações
mesa
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pode,
facilmente,
haver
desequilíbrios
posicionais intrínsecos à conformação anatómica de alguns animais.
Seguidamente, procedo à marcação do zero e movimento da mesa, alinhando os feixes luminosos pelas referências anatómicas. Além disso, em exames que há necessidade de administração de produto
4) Execução do exame
contraste, efetuo previamente, a conexão do sistema
Posto isto, na mesa de comandos dou início à
por forma a evitar movimentos do animal durante o
programação do exame.
exame.
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Radiações
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Primeiramente, através dos scouts ou topogramas
5) Momentos de pausa e relaxamento
identifico possíveis falhas posicionais dos animais. Em
Embora nem sempre possíveis, os momentos de pausa
veterinária, é relativamente frequente a dificuldade de
e relaxamento também existem. Estes momentos
posicionamento de alguns animais pelas limitações
servem para interagir um pouco mais com os meus
anatómicas, patológicas ou até mesmo anestésicas
restantes colegas, colocando “um pouco de parte” o
(quando não estão suficientemente profundos).
peso e a responsabilidade do trabalho. Aliás, já houve
O tipo de exame e respetiva programação depende,
inclusive tempo para “assarmos” um leitãozinho e uns
obviamente, das regiões anatómicas em estudo.
frangos no churrasco.
Todavia, em todos os exames existem fatores que requerem especial atenção. A condição física do animal é o primeiro e mais importante a ter em consideração, isto porque, animais com limitações físicas graves requerem exames extremamente rápidos e, além disso, não são normalmente animais propícios à realização de apneias forçadas, tais como animais geriátricos, doentes cardíacos e alguns politraumatizados. Outro fator importante recai sobre os fármacos previamente administrados ao animal, principalmente em exames que necessitem de administração de produto contraste, isto porque, alguns dos fármacos utilizados reduzem a frequência cardíaca e, portanto, alteram os tempos de contraste. Além disso, considerando a administração de contraste, a localização do cateter é também um ponto a ter em conta pois, um cateter colocado num membro posterior vai alterar o percurso do contraste e, consequentemente,
os
tempos
para
cada
fase
vascular. Por último, a raça e porte do animal (desde 1Kg a 80Kg) influenciam diretamente a qualidade imagiológica pelo que, é sempre um fator a ter em conta para adaptação dos parâmetros. No final, o importante é sempre conseguirmos adaptar e ultrapassar as dificuldades obtendo a melhor qualidade imagiológica e diagnóstica possível, tendo perfeita
consciência
de
que
devemos
Além disso, estes momentos são igualmente úteis para
sempre
trocarmos ideias e até mesmo estudar e cimentar
adaptarmo-nos ao paciente.
determinados temas ou casos. São também nestes momentos que procuro interagir mais com os meus ISSN 2184-769X
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Radiações
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amigos de quatro patas. Compreender os seus
E posso garantir-vos que não há nada mais gratificante
sentimentos e entender os seus comportamentos é
do que sabermos que para além de os ajudarmos, eles
extremamente importante para a minha função. Para
nos gratificam como se soubessem o que realmente
além de os acalmar e de certa forma facilitar o nosso
fizemos, fazemos ou faremos por eles. Ah! E alguns
trabalho,
deles,
sempre
que
se
sentem
seguros
e
acarinhados, retribuem de forma calorosa.
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até
fotográficas!
40
participam
ativamente
nas
sessões
Radiações
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6) Funções paralelas, mas inerentes ao serviço Cada paciente é um paciente, contudo, existe uma particularidade
transversal
a
todos
os
nossos
pacientes: o pelo…muito pelo. Além das infelizes necessidades fisiológicas com que frequentemente nos presenteiam, o pelo é um transtorno adicional. Por esta razão, a higienização diária das salas e dos equipamentos é imprescindível e obrigatória, fazendo, portanto, parte do meu trabalho diário.
Além disso, o atendimento telefónico ao público, supervisão e orientação da agenda é também uma função paralela, mas transversal a todos os elementos da equipa.
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Radiações
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É importante compreender o quão útil posso ser na
um compromisso de segurança e proteção de toda uma
partilha de conhecimentos no âmbito geral da
equipa multidisciplinar. Por outro lado, a minha função
radiologia. Recai sobre mim a responsabilidade da
vai também para além da radiologia e, sempre que
proteção radiológica e radiologia geral do serviço,
necessário e fundamental, tenho o dever de auxiliar a
sendo, portanto, o responsável por todo o equipamento
restante equipa em procedimentos paralelos, como por
e o seu respetivo funcionamento bem como pelos
exemplo já aconteceu, na cirurgia.
equipamentos de proteção radiológica. Assumi assim,
Ao longo de todo o ano, como instituição veterinária,
exclusivamente de imagem médico-veterinária, muitos
recebemos regularmente estudantes da área da
destes
veterinária de todo o país. Visto sermos um centro
oportunidade de albergar mais conhecimentos no
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estudantes
buscam
nessa
ocasião
a
Radiações
âmbito
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da
nas
diversas modalidades da radiologia. Para além da
e
paixão que tenho pelo ensino, é uma gratificação poder
ressonância magnética. Por esse motivo, sinto a
contribuir para a complementaridade destes futuros
necessidade de acolher estes estudantes e, de alguma
veterinários.
modalidades
radiologia, de
fundamentalmente,
tomografia
computorizada
forma, transmitir-lhes novos conhecimentos sobre as
“Feliz aquele que transfere o que sabe e ensina o que aprende.” Cora Coralina 7) Processamento e tratamento de imagem
Em grande parte dos cargos que temos, existe a
O processamento e tratamento de imagens são
necessidade
habitualmente efetuados, à medida que os exames vão
exercendo funções transversais ao nosso serviço.
sendo realizados. Sou, portanto, o responsável pelo
Embora esta capacidade de executarmos várias e
envio diário dos exames para a base de dados interna
distintas tarefas nos traga um acrescido sentido de
procedendo ao seu respetivo armazenamento e
responsabilidade, permite-nos também um crescimento
gravação dos exames em CD para posterior entrega
progressivo
aos tutores. Além disso, em algumas situações,
esforcemo-nos sempre para sermos sempre os
procedo à seleção de imagens exemplificativas para a
melhores de sempre.
constante
enquanto
de
nos
desdobrarmos,
profissionais.
Portanto,
posterior realização e construção dos respetivos relatórios, nos quais, participo ativamente.
“E quando tudo começa a fazer sentido, você viu que valeu a pena o esforço.” Vinícios Oliveira
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Radiações
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ESPAÇO PROFISSIONAIS
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Radiações
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Existe lugar para o 99mTc-PSMA em tempos de 18FPSMA? Oliveira T1, Beyer B1, Sailer J1, Peloscheck P1, Hoffmann M1 1
Radiology Center. Viena, Austria
Resumo Introdução/Objetivos: O cancro da próstata é a segunda causa de morte mais comum nos países desenvolvidos e o carcinoma mais comum nos homens. A imagiologia para o cancro da próstata com PSMA radiomarcado, tem sido cada vez mais utilizada nos últimos anos, com resultados promissores. Embora o
68
Ga-PSMA ou o
18
F-PSMA tenham sido
amplamente estudados, o PSMA radiomarcado com 99mTc para imagem planar e SPECT/CT parece ser uma alternativa promissora aos traçadores PET no diagnostico de pacientes com cancro da próstata. Materiais e Métodos: De dezembro 2018 a março 2020, foram selecionados 22 doentes com cancro da próstata. Dos 22 doentes selecionados, 16 realizaram o estudo com
99m
18
Tc-PSMA e 8 realizaram o estudo com
F-PSMA. Dois dos
doentes efetuaram ambos os estudos. Os critérios de inclusão para a realização de ambos os estudos foram o diagnóstico por biópsia de carcinoma da próstata, um elevado valor de PSA e/ou suspeita clínica de recidiva com níveis de PSA detetáveis durante ou após a terapia. Um exame de corpo inteiro e um SPECT/CT do tórax e abdómen foram efetuados 6 horas após a administração de 720 MBq (atividade média) de
99m
Tc-PSMA. O
18
F-PSMA PET/CT foi
realizado 2 horas após administração de 453 MBq (atividade média) e com utilização de agente de contraste. Resultados: Foi detetada captação prostática local de
99m
Tc-PSMA em 5 dos 16 pacientes. Outros 5 pacientes
apresentaram metástases linfonodais, predominantemente na região prostática e ilíaca, mas, também, em regiões para-aórticas. Em 1 paciente foi, ainda, detetada disseminação à distância, isto é, metastização óssea. Um número total de 8 pacientes foi examinado antes da cirurgia. Em 3 pacientes, com captação linfonodal de
99m
Tc-PSMA, foi
utilizada uma sonda gama para ressecção cirúrgica, a qual foi realizada no mesmo dia ou na manhã do dia seguinte. Dos 8 pacientes que efetuaram o estudo com 18F-PSMA, 1 doente apresentou captação local. Em 6 pacientes, o exame mostrou progressão da doença nos nódulos linfáticos e em 4 doentes foi detetada metastização óssea à distância. Conclusão: Para estadiamento e follow up do carcinoma da próstata, o
68
Ga-PSMA e
18
F-PSMA são, naturalmente,
os radiofármacos de primeira escolha. Ainda assim, a cintigrafia com PSMA, incluindo SPECT/CT assume-se como uma aceitável alternativa quando o equipamento PET/CT não está disponível no departamento. Particularmente,
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45
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
quando aplicado em contexto pré cirurgia, possibilita a localização específica de metastização nos nódulos linfáticos durante a cirurgia, pelo uso de uma sonda gama. Palavras-chave: Cancro da próstata, PSMA, SPECT/CT.
Abstract Introduction/Aim: Prostate cancer is the second most common cause of death in developed countries and is the most common type of cancer in men. PSMA provides a promising target for prostate cancer specific imaging.
99m
Tc-labelled
PSMA for planar and SPECT/CT imaging appears a promising alternative to PET tracers for diagnostic work-up of prostate cancer patients. We present a retrospective single-center experience with 99mTc-PSMA and 18F-PSMA. Materials/Methods: From December 2018 to March 2020, 22 patients were examined for staging of prostate cancer. In 16/22 patients
99m
Tc-PSMA wholebody scintigraphy followed by SPECT/CT was performed. In 8/22 patients
18
F-
PSMA PET/CT was performed. In 2 patients, both scans were used during follow up. The inclusion criteria for the performance of any of these studies was a bioptic diagnosis of prostate cancer, an elevated PSA or clinical suspicion of recurrence with detectable PSA level during or following therapy. A whole-body scan and SPECT/CT of the thorax and abdomen were performed earliest 6 hours after administration of 720 MBq (mean activity) 99mTc-PSMA. 18F-PSMAPET/CT was performed 2 hours after injection of 453 MBq (mean activity) with IV contrast enhancement. Results: Local prostatic uptake of
99m
Tc-PSMA was found in 5/16 patients. Another 5 patients showed lymph node
metastases, predominantly local and iliacal but also in paraortal regions. In 1 of these patients also distant spread was detected, namely bone metastases. A total of 8 patients were examined prior to surgery. In 3 patients with 99mTc-PSMA positive lymph nodes, a gamma probe was used for surgical resection, which was carried out on the same day or the morning of the following day. In 8 patients who have undergone the study with 18F-PSMA, local uptake was found in 1/8 patient. In 6/8 patients, the study showed lymph node metastases and distant osseous spread was detected in 4 patients. Conclusion: For staging and follow up in prostate cancer
68
Ga PSMA or
18
F PSMA will stay to be the tracers of first
choice. Yet, PSMA scintigraphy including SPECT/CT is an acceptable alternative when no PET/CT machine or tracer for prostate cancer are available. Especially, when applied preoperatively it allows the specific localization of involved lymph nodes metastases during surgery with the use of a gamma probe. Key words: Prostate cancer, PSMA, SPECT/CT.
acordo com o risco da doença, o qual é determinado
Introdução
pelo Gleason score, níveis de PSA e resultados de
O cancro da próstata é a segunda causa de morte mais
exames imagiológicos.
comum nos países desenvolvidos e o carcinoma mais
A imagiologia para o cancro da próstata com PSMA
comum nos homens. Várias
opções
de
tratamento
estão
radiomarcado, tem sido cada vez mais utilizada nos
atualmente
últimos anos, com resultados promissores. Para além
disponíveis para pacientes com cancro da próstata de
disso, a marcação de PSMA com emissores beta e alfa ISSN 2184-769X
46
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
fornece uma nova opção de tratamento neste tipo de
O PSMA radiomarcado assume-se, portanto, como um
doentes oncológicos.
alvo promissor para imagiologia específica do cancro
Prostate Specific Membrane Antigen, conhecido como
da próstata. Embora o
PSMA, expressa-se em tecidos como o dos rins,
tenham
sido
68
Ga-PSMA ou o
amplamente 99m
estudados,
18
F-PSMA
o
PSMA
intestino delgado proximal, glândulas salivares e está
radiomarcado com
sobreexpresso
próstata,
SPECT/CT parece ser uma alternativa promissora aos
representando, portanto, um marcador molecular
traçadores PET no diagnostico de pacientes com
altamente valioso.
cancro da próstata sendo, portanto, mais custo-efetiva.
no
carcinoma
da
Tc para imagem planar e
O PSMA radiomarcado com 99mTc para imagem planar e SPECT/CT parece ser uma alternativa promissora aos traçadores PET Um exame de corpo inteiro e um SPECT/CT do tórax e
Materiais e Métodos
abdómen
De dezembro 2018 a março 2020, foram selecionados
Tc-PSMA e 8 realizaram o estudo com
18
a
Tc-PSMA numa
SPECT/CT foi efetuado em modo step and shoot, ângulo de rotação de 180 por detetor, 32 imagens por
estudos foram o diagnóstico por biópsia de carcinoma
detetor, com 25 segundos cada, numa matriz de 128 x
da próstata, um elevado valor de PSA e/ou suspeita
128 pixel. A CT foi realizada imediatamente após o
clínica de recidiva com níveis de PSA detetáveis
SPECT com os seguintes parâmetros: 80 mAs; 130 kV;
durante ou após a terapia. A atividade administrada de
99m
foi,
MBq
719.94
99m
após
velocidade de 15 cm/min, matriz de 256 x 1024 pixel. O
Os critérios de inclusão para a realização de ambos os
média,
horas
cintigrafia de corpo inteiro foi executada com uma
F-
PSMA. Dois dos doentes efetuaram ambos os estudos.
em
6
câmara gama Siemens Symbia Intevo SPECT/CT. A
Dos 22 doentes selecionados, 16 realizaram o estudo 99m
efetuados
administração do radiofármaco
22 doentes com uma média de idades de 73.7 anos.
com
foram
Tc-PSMA e e
e uma espessura de corte de 3.0 mm. A reconstrução
18
F-PSMA
453.38
foi efetuada numa janela óssea e tecidos moles.
MBq,
respetivamente.
A atividade média administrada foi 719.94 MBq de 99mTc-PSMA e 453.38 MBq de 18F-PSMA. O
•
18
F-PSMA PET/CT foi realizado 2 horas após
CT:
começado
70
segundos
após
a
administração e com utilização de agente de contraste,
administração endovenosa de agente de
num equipamento Siemens Biograph 16 TP, com os
contraste, 120 mAs, 130 kV e espessura de
seguintes parâmetros:
corte de 5.0 mm;
•
•
CT Topograma: 25 mAs, 130 kV, espessura de
PET: 5 a 6 beds, 3 minutos/bed, matriz de 168,
corte de 0.6 mm, com um tempo de scan de
FWHM de 5.0 e efetuado na direção caudo-
aproximadamente 11 segundos;
cranial.
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47
Radiações
As
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imagens
foram
analisadas
por
um
médico
metastização óssea. Um número total de 8 pacientes
especialista de Medicina Nuclear e um médico
foi examinado antes da cirurgia. Em 3 pacientes, com
radiologista.
captação linfonodal de
99m
Tc-PSMA, foi utilizada uma
sonda gama para ressecção cirúrgica, a qual foi realizada no mesmo dia ou na manhã do dia seguinte.
Resultados Foi detetada captação prostática local de em
5
dos
16
pacientes.
apresentaram
Outros
metástases
99m
5
Dos 8 pacientes que efetuaram o estudo com
Tc-PSMA
18
F-
PSMA, 1 doente apresentou captação local. Em 6
pacientes
pacientes, o exame mostrou progressão da doença nos
linfonodais,
nódulos linfáticos e em 4 doentes foi detetada
predominantemente na região prostática e ilíaca, mas,
metastização óssea à distância.
também, em regiões para-aórticas. Em 1 paciente foi, ainda, detetada disseminação à distância, isto é,
A
B
Figura 1A. (Paciente 1) Cintigrafia de corpo inteiro com 99mTc-PSMA que mostra lesões osteocleróticas com expressão de radiofármaco no sacro, na fossa obturador direita e gânglios linfáticos para-aórticos; Figura 1B. Fusão PET/CT (corte coronal), realizado dois anos após a Cintigrafia com 99mTc-PSMA.
De toda a amostra, 2 pacientes realizaram ambos os
A comparação dos relatórios clínicos não mostrou
tipos de investigação durante o seu follow-up,
diferenças significativas entre ambos os estudos, dado
primeiramente com
99m
Tc-PSMA seguido por
18
F-
que o uptake de ambos radiofármacos mostrou
PSMA, com um intervalo, entre ambos os estudos, de
progressão da doença.
3 meses e 2 anos.
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Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
A
B
Figura 2A. (Paciente 2) Cintigrafia de corpo inteiro com 99mTc-PSMA, mostrando progressão da doença, nomeadamente com expressão de PSMA na região pélvica, fémur esquerdo e coluna vertebral torácica. Figura 2B. (Paciente 2) Fusão PET/CT, realizado 3 meses depois, (corte coronal), mostrando captação de PSMA na 5ª costela direita, região pélvica e fémur esquerdo.
Os radiofármacos tecneciados são os mais utilizados
por ser produzido em ciclotrão, os seus custos são
em Medicina Nuclear. A sua fácil disponibilidade é o
elevados.
fator determinante para o seu amplo uso a nível mundial. As características físicas fazem dele a melhor opção
para
os
estudos
da
Medicina
Nuclear,
Conclusão
nomeadamente longa semivida física, via de excreção,
Para estadiamento e follow up do carcinoma da
baixa dosimetria e capacidade de marcação de um
próstata, o 68Ga-PSMA e 18F-PSMA são, naturalmente,
grande e variado leque de moléculas, permitindo o seu
os radiofármacos de primeira escolha. Ainda assim, a
uso no diagnóstico de várias patologias.
cintigrafia com PSMA, incluindo SPECT/CT assume-se como uma aceitável alternativa quando o equipamento
Por outro lado, o Fluor-18 tem uma curta semivida física
PET/CT
(110 min), o que restringe a sua aplicação a regiões
está
disponível
no
departamento.
Particularmente, quando aplicado em contexto pré
próximas do local de produção. Embora possibilite um
cirurgia,
diagnóstico mais preciso e sofisticado, infelizmente
possibilita
a
localização
específica
de
metastização nos nódulos linfáticos durante a cirurgia,
constitui uma maior dosimetria para o doente. Por fim,
ISSN 2184-769X
não
pelo uso de uma sonda gama.
49
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Comparação da Regadenosona com a Adenosina em Provas de Esforço Cardíaco: estudo de revisão sobre o perfil de efeitos secundários. Amadeu Martins1,2, Ana Margarida Cristóvão3, Liliana Mendes4, Luís Miranda5, Sandra Santos6 1. Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa – Lisboa – Departamento de Imagem Médica e Radioterapia 2. Joaquim Chaves Saúde – Serviço de Medicina Nuclear 3. Instituto de Medicina Molecular – Unidade de Patologia Comparada 4. Centro Hospitalar e Universitário Lisboa Norte - Hospital de Santa Maria – Serviço de Terapia Ocupacional 5. Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil – Serviço de Medicina Nuclear 6. Centro de Medicina Subaquática e Hiperbárica da Marinha
Resumo Introdução: Alguns testes de diagnóstico da função cardíaca implicam que haja esforço cardíaco durante a sua realização através da aplicação de protocolos de esforço farmacológico. O dipiridamol, adenosina/regadenosona e dobutamina são os agentes farmacológicos mais comumente utilizados. Uma vez que o dipiridamol tem o pior perfil de efeitos secundários e a dobutamina implica um longo tempo de prova, a adenosina e a regadenosona, por serem ambas agonistas dos recetores da adenosina, foram consideradas os fármacos de interesse para o presente artigo. Objetivos: Comparar o perfil dos efeitos secundários existentes entre a regadenosona e a adenosina numa prova de esforço cardíaco a partir de um estudo de revisão sistemática da literatura. Métodos: A estratégia de pesquisa MeSH incluíu os termos “regadenoson” AND “adenosine” AND “side effects” e foi efetuada nas bases de dados Pubmed, Cochrane Library, ClinicalTrials.gov e Web of Science. Dos 182 artigos encontrados, e após aplicados os critérios de inclusão e exclusão pré-definidos, incluíram-se oito estudos que comparavam a regadenosona com a adenosina e que descreviam os efeitos secundários. A recolha de dados foi realizada através de tabelas estandardizadas para o efeito, garantindo-se a dupla revisão entre investigadores. Resultados e Discussão: Através da análise dos dados e dos resultados obtidos é possível considerar que a maioria dos efeitos secundários da regadenosona são de afeção do sistema respiratório, enquanto que a adenosina apresenta efeitos secundários mais relevantes a nível cardiovascular. O padrão de efeitos secundários
ISSN 2184-769X
50
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
das duas substâncias é similar. Sete dos oito estudos referem a regadenosona como a substância com perfil de efeitos secundários mais favorável. Conclusão: A regadenosona é o medicamento com melhor perfil de efeitos secundários, sendo que são relatados com menor ocorrência, menor intensidade e menor duração, tornando-se melhor tolerado pela maioria dos pacientes em relação à adenosina. Palavras chave: Adenosina, regadenosona, efeitos adversos
Abstract Introduction: Some of the diagnostic heart function tests imply cardiac stress during its realization by applying pharmacological stress protocols. Dipyridamole, adenosine/regadenoson and dobutamine are the most commonly used pharmacological agents. Dipyridamole has the worst secondary effects profile and dobutamine implies a longer testing time. So, adenosine and regadenoson, agonists of adenosine receptors, were considered the substances of primary interest for this article. Objectives: Compare the profile of side effects between regadenoson and adenosine through a systematic review of literature. Methods: The MeSH research strategy included the terms “regadenoson” AND “adenosine” AND “side effects” and it was carried out on some databases such as Pubmed, Cochrane Library, ClinicalTrials.gov and Web of Science. Of the 182 articles identified, and after applied inclusion and exclusion criteria, eight studies entered this review. All the studies that compared regadenoson with adenosine which mentioned the secondary effects were included. The data collection was made by standardized tables, assuring the double review between researchers. Results: Through the obtained data and results analysis on the 3880 included patients, it is possible to consider that the majority of the adverse effects of regadenoson evolve respiratory system, whereas adenosine presents more relevant secondary effects on a cardiovascular level. The pattern of secondary effects for both substances is similar. Seven of the eight studies refer regadenoson as the substance with more favorable profile of secondary effects. Conclusion: Regadenoson is the pharmacological substance with the best secondary effects profile with less occurrence, intensity, and duration side effects, becoming a substance that is more tolerated by the patients than adenosine. keywords: Adenosine, Regadenoson, side effects
esforço cardíaco durante a sua realização. Este
Introdução
esforço pode ser realizado utilizando um protocolo
Alguns testes de função cardíaca para diagnóstico,
de Bruce (esforço físico) ou aplicando protocolos de
como a cintigrafia de perfusão miocárdica ou a
esforço farmacológico. Estes últimos tornam-se
ressonância magnética cardíaca implicam que haja
ISSN 2184-769X
51
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
vantajosos devido às limitações físicas que muitos
podem ser realizadas com os seguintes agentes
pacientes apresentam por comorbilidade ortopédica,
farmacológicos:
neurológica,
Nestes
regadenosona e dobutamina. O dipiridamol tem o
pacientes, a presença de Doença Coronária Aguda
pior perfil de efeitos secundários estando a ser
pode ser avaliada na base da vasodilatação
atualmente descontinuado na prática clínica. Por sua
farmacológica ou do efeito cronotrópico (Roffi M. et.
vez, a dobutamina implica um longo tempo de prova
al, 2015).
(Hesse B. et.al, 2008, Verberne HJ et. al, 2015).
As provas de esforço farmacológico podem ser
Neste artigo, e por serem ambos agonistas dos
realizadas
recetores da adenosina, apenas serão considerados
vascular
com
ou
sistémica.
fármacos
que
mimetizam
substâncias endógenas envolvidas na aceleração do
fármacos
de
ritmo cardíaco. As provas de esforço farmacológico
regadenosona.
dipiridamol,
interesse
a
adenosina/
adenosina
e
a
As provas de esforço farmacológico podem ser realizadas com os seguintes agentes farmacológicos: dipiridamol, adenosina/ regadenosona e dobutamina. A adenosina, tal como o dipiridamol, é um
descontinuação da mesma (Roffi M. et. al, 2015, bula
vasodilatador natural, sintetizado (do ATP) no
Adenoscan, sd).
endotélio vascular e metabolizado através da
A regadenosona é o mais recente dos fármacos
captação celular ativa e degradação enzimática nas
utilizados nas provas de esforço cardíaco tendo sido
células miocárdicas. No coração, a adenosina
autorizada pela Food and Drug Administration (FDA)
endógena e exógena tem um importante papel no
em 2008. A maior vantagem associada a esta
fluxo coronário (vasodilatação) que ativa a demanda
substância são os menores efeitos ao nível dos
cardíaca (baixando a tensão arterial), estimulando
restantes recetores da adenosina. É administrada
diretamente os recetores A2 purinos. Isto inibe a
com uma dose standard de 400 µg em 5 ml durante
libertação
terminais
10 segundos. Contrariamente à adenosina, a
simpaticomiméticos, reduzindo a velocidade da
regadenosona não é contraindicada em pacientes
condução do nódulo AV, tendo efeitos inotrópicos e
com asma ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica
cronotrópicos pela estimulação (Santos A. et. al,
(DPOC). As vantagens associadas à regadenosona
2014). Os efeitos regionais e sistémicos da
consistem no facto de esta ser um agonista seletivo
adenosina ocorrem precocemente (20-30 segundos
dos
após administração) e cessam rapidamente após a
administração única e rápida, não necessitar uma
descontinuação da infusão (T1/2 plasmático de 15
bomba infusora para a realização do procedimento,
segundos). O efeito máximo é atingido aos 60
não necessitar ajustes de dose ao peso nem
segundos após a infusão e mantém-se até à
preparação de dose, não haver desperdício ou
de
ISSN 2184-769X
noradrenalina
dos
52
recetores
A2A
da
adenosina,
ser
de
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
gastos extra e não ser contraindicada em pacientes
secundários. Os efeitos secundários descritos e
com asma ou DPOC. A principal desvantagem
registados na FDA estão descritos na tabela 1. No
associada à regadenosona é do foro económico
entanto, é intuito deste estudo recolher e analisar
devido ao seu elevado preço no mercado (Roffi M.
criticamente o perfil de efeitos secundários notados
et. al, 2015, bula Rapiscan, sd).
na
Devido
à
sua
seletividade,
a
regadenosona
realidade
clínica
com
a
utilização
desta
substância (bula Rapiscan, sd).
apresenta um melhor perfil teórico de efeitos
A regadenosona é um agonista seletivo dos recetores A2A da adenosina de administração única e rápida, não necessitar bomba infusora nem de ajustes de dose ao peso, o que constitui uma vantagem no seu uso. Assim, o
estudo consiste na
abordagem compreensiva da revisão da literatura,
caracterização do perfil de efeitos secundários nos
tendo por base os resultados dos estudos primários
dois medicamentos de referência para a execução
efetuados a nível dos efeitos secundários dos dois
de provas de esforço cardíaco farmacológico,
fármacos, e compará-los com o referencial teórico
nomeadamente a regadenosona e a adenosina. É
utilizado na sua aprovação.
objetivo
objetivo
específico
deste
deste artigo
realizar
uma
Tabela 1. Efeitos adversos teóricos descritos pelos fabricantes.
Efeitos Adversos Regadenosona (bula Rapiscan, sd)
Adenosina.
Sistema Imunitário: ●
(bula Adenoscan, sd)
Sistema Imunitário:
Pouco frequentes: reações de hipersensibilidade Frequentes: comichão, queimadura ou prurido na incluindo:
erupção
cutânea,
urticária,
pele (parestesia).
angioedema, anafilaxia e/ou aperto na garganta.
Sistema Neurológico:
Sistema Neurológico:
●
Muito frequentes: cefaleias, tonturas.
●
Muito frequentes: cefaleias.
●
Frequentes: parestesia, hipostesia. disgeusia.
●
Frequentes: tonturas ou aturdimento.
●
Pouco frequentes: convulsões, síncope, crises
●
Pouco
isquémicas transitórias, ausência de resposta aos estímulos,
ISSN 2184-769X
nível
de
consciência
diminuído,
frequentes:
sensação
(astenia), nervosismo. ●
53
Raros: sonolência, tremores.
de
fraqueza
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
tremores, sonolência. ●
●
Raros: acidente vascular cerebral.
desmaios.
Sistema Ocular: ●
Outros sem frequência determinada: espasmos e
Sistema Ocular:
Pouco frequentes: visão turva.
●
Raros: visão turva.
●
Sistema Auditivo: ●
Sistema Auditivo:
Pouco frequentes: tinido.
●
Raros: tinido.
●
Sistema Cardiovascular: ●
Sistema Cardiovascular:
Muito frequentes: alterações do segmento ST no
●
electrocardiograma, rubor. ●
Frequentes:
angina
auriculoventricular, outras
auriculoventricular, arritmia cardíaca.
de
peito,
taquicardia,
alterações
do
Frequentes: tensão arterial baixa, bloqueio
ECG,
bloqueio
●
Pouco frequentes: bradicardia.
palpitações,
●
Outros sem frequência determinada: Assistolia
incluindo
ou arritmia grave, paragem cardíaca.
prolongamento do intervalo QT, hipotensão. ●
Pouco frequentes: paragem cardíaca, enfarte agudo do miocárdio, bloqueio AV completo, bradicardia, flutter auricular, reaparecimento, agravamento
ou
recorrência
de
fibrilhação
auricular, hipertensão, palidez, arrefecimento periférico.
Sistema Respiratório:
Sistema Respiratório:
●
Muito frequentes: dispneia.
▪
Muito frequentes: dispneia.
●
Frequentes: aperto na garganta, irritação na
▪
Raros: broncoespasmo.
garganta, tosse.
▪
Muito graves: insuficiência respiratória grave.
●
Pouco frequentes: taquipneia, síbilo.
▪
Raros: congestão nasal.
●
Desconhecido:
▪
Outros sem frequência determinada: paragem
broncoespasmo,
paragem
respiratória.
Sistema Gastrointestinal:
respiratória.
Sistema Gastrointestinal:
●
Muito frequentes: desconforto gastrointestinal.
●
Muito frequentes: desconforto abdominal.
●
Frequentes: vómitos, náuseas, desconforto oral.
●
Frequentes: boca seca.
ISSN 2184-769X
54
Radiações
●
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Raros:
distensão
abdominal,
diarreia,
incontinência fecal.
●
Pouco frequentes: gosto metálico na boca.
●
Outros sem frequência determinada: náuseas e vómitos.
Sistema cutâneo:
Sistema Cutâneo:
●
Frequentes: hiper-hidrose.
▪
Muito frequentes: rubor.
●
Pouco frequentes: eritema.
▪
Pouco frequentes: hiper-hidrose.
▪
Muito raros: rubor, dor ou inchaço no local de injeção.
Sistema musculoesquelético: ●
Sistema musculoesquelético:
Frequentes: dor nas costas, pescoço ou maxilar, dor
nas
extremidades,
desconforto
musculoesquelético. ●
●
Frequentes: desconforto da garganta, pescoço e do maxilar.
●
Pouco frequentes: artralgia.
Pouco frequentes: desconforto nas pernas braços e costas, astenia ou dor, desconforto generalizado.
Perturbações gerais
Perturbações gerais:
●
Muito frequentes: dor no peito.
●
Muito frequentes: dor no peito.,
●
Frequentes: mal-estar; astenia.
●
Raros: urgência miccional e desconforto nos
●
Pouco frequentes. dor no local de injeção, dor
mamilos.
corporal generalizada.
(dipiridamol,
Material e Métodos
realizados
Critérios de Elegibilidade:
placebo, em
entre
animais,
outras),
estudos
estudos
secundários
(revisões, cartas editoriais, informações aos autores,
Foram eleitos para esta revisão todos os estudos
e todos aqueles que não obedeçam a metodologia
primários, escritos em inglês, português ou espanhol,
investigacional primária), amostra insuficiente ou
que comparavam apenas a regadenosona com a
inadequada ao estudo. Excluíram-se ainda estudos
adenosina e que, após cruzamento das palavras
que não apresentavam abstract disponível para
chave e exploração do material, apresentavam
consulta.
resultados dos efeitos secundários como outcome. Consideraram-se critérios de exclusão os artigos
Seleção dos estudos:
duplicados, relatos de caso, séries de caso com
Executou-se uma pesquisa MeSH com os termos
amostras inferiores a dez pacientes, artigos com comparação ISSN 2184-769X
com
um
terceiro
“adenosine” AND “regadenoson” AND “side effects”
medicamento 55
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
nas bases de dados da PubMed, Cochrane Library,
discutidas e em caso de empate consultou-se um
Web of Science e ClinicalTrials.gov. Todos os artigos
quinto revisor. Na impossibilidade de obtenção do
publicados até ao mês de Novembro de 2017, foram
artigo completo, contactaram-se os autores com um
considerados, neste estudo.
pedido de artigo completo.
Os títulos e abstracts dos artigos foram revistos do
Os estudos selecionados foram ainda sujeitos a uma
ponto de vista da relevância para o estudo por 4
avaliação do grau de evidência médica utilizando a
revisores independentes. Quando elegidos pela
escala
maioria dos revisores, foram referenciados os artigos
Medicine (OCBEM).
do
Oxford
Centre
of
Evidence-Based
completos para possível inclusão no estudo. As discrepâncias entre o grupo de revisores foram
Figura 1. Diagrama da estratégia de pesquisa e seleção dos artigos incluídos.
Avaliação do risco de viés:
independentes para cada artigo incluído. Após
A avaliação de risco de viés foi realizada, através da
discussão dos resultados e, em caso de empate de
Escala
opinião, recorreu-se a um terceiro elemento. Os
de
Jadad,
ISSN 2184-769X
por
dois
investigadores 56
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
estudos observacionais e os ensaios clínicos sem
agrupados e categorizados em classes de efeitos
protocolos de randomização da amostra foram
secundários, por linhas de convergência. Devido à
considerados como sendo potenciais de alto risco de
pluralidade terminológica utilizada nos diferentes
viés.
estudos,
realizou-se
uma
categorização
dos
sintomas, sendo que resultaram as seguintes
Extração de dados:
categorias: distúrbios respiratório, torácicos e do
Os estudos incluídos foram avaliados tendo em conta
mediastino (dispneia), distúrbios cardíacos (angina
os seguintes fatores: descrição clara e objetiva dos
de peito, dor no peito, arritmias, desconforto no
critérios de inclusão e exclusão, métodos de seleção
peito),
de pacientes para cada medicamento, uniformidade
(náuseas), dor de cabeça, tonturas e dor de
de aplicação dos protocolos e registo dos efeitos
garganta,
secundários.
categorização deu origem a uma tabela (Tabela 4) e
A extração de dados foi realizada por um
a um gráfico (Figura 2) os quais permitem fazer uma
pesquisador através de tabelas pré-definidas e
análise e discussão dos dados obtidos como um todo
revista por outro investigador, garantindo-se que a
ou apenas de uma determinada categoria.
rubor/calor,
pescoço
distúrbios
ou
gastrointestinais
mandíbula.
Esta
recolha tenha sido duplamente avaliada. Os dados extraídos incluíram: número de sujeitos do estudo,
Resultados e Discussão
número de sujeitos submetidos à adenosina, número
Excluídos os artigos duplicados, foram listados 117
de sujeitos submetidos à regadenosona, protocolos
artigos. Após a análise do título e abstract destes
utilizados
adenosina,
artigos e, tendo em conta os critérios de inclusão e
metodologia de uniformização de protocolos, efeitos
exclusão, foram incluídos oito artigos para a presente
secundários registados e frequência absoluta dos
revisão
efeitos
ainda
retrospetivo, quatro ensaios clínicos randomizados,
sumarizadas as principais conclusões de cada
um ensaio clínico não randomizado e um estudo
estudo, nomeadamente no que diz respeito ao perfil
observacional com aleatorização da amostra.
de efeitos secundários das substâncias estudadas.
Relativamente à avaliação do grau de evidência, os
Foram apenas contemplados os estudos que
oito artigos selecionados foram avaliados utilizando
apresentavam os efeitos secundários em formato de
a escala OCBEM, pelo que quatro dos artigos foram
tabela e que continham as frequências absolutas ou
considerados como sendo de grau de evidência
relativas da ocorrência de cada efeito.
moderado enquanto que os restantes apresentaram
Foi realizada a análise de conteúdo de cada estudo,
um baixo grau de evidência (tabela 2).
sendo
na
regadenosona
secundários
retirados
ISSN 2184-769X
os
registados.
dados
e,
e
Foram
posteriormente,
57
sistemática:
dois
estudos
de
coorte
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Adenosina
489
Regadenosona
EUA
doentes
2014
Nº total de
Ano
Brink HL. et. al,
País
Autores
Tabela 2. Avaliação do grau de evidência.
235
254 Protocolo com adenosina: Estudo de
2015
Protocolos Utilizados
Tipo de Estudo
140ug/kg/min durante 6
Coorte
minutos;
Retrospetivo.
Nível de Evidência (OCEBM)) III
Protocolo com regadenosona: 0,4 mg/5mL. Jager PL. et. al,
2014 Holanda 123
57
2014
66 Protocolo com adenosina:
Estudo
140ug/kg/min durante 6
Observacional
minutos com o paciente
com
em decúbito dorsal.
aleatorização
Protocolo de
da amostra.
III
regadenosona: 0,4 mg/5mL. Thomas GS. et.
2008
EUA
157
103
al, 2009
Zahid M, et. al, 2013
2013
EUA
396
209
54 Protocolo com adenosina: Subanálise 140ug/kg/min durante 6
dos
minutos;
Resultados de
Protocolo com
Ensaio Clínico
regadenosona:
Randomizado
0,4 mg/5mL.
Fase III.
187 Protocolo com adenosina: Estudo coorte 140ug/kg/min durante 6 minutos; Protocolo com regadenosona: 0,4 mg/5mL durante 20 segundos.
ISSN 2184-769X
58
retrospetivo.
II
III
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Prasad A. et. al,
2014
EUA
93
93
2014
93 A hiperemia foi obtida por uma infusão intravenosa
Ensaio Clínico
II
com desenho
padrão de adenosina (140 metodológico, mcg/ kg/ min) durante 6
com amostra
minutos. Após um período randomizada. de 10 minutos, os mesmos pacientes foram reavaliados usando regadenosona num único bólus intravenoso de 0,4 mg/5mL. Cerqueira, M. et
2007
al, 2008
Iskandrian, AE.
2007
EUA/
2015
631 1240 Protocolo com adenosina: Subanálise
Reino
140ug/kg/min durante 6
dos
Unido
minutos;
Resultados de
Protocolo com
Ensaio Clínico
regadenosona:
Randomizado
0,4 mg/5mL.
Fase III.
EUA/
784
517
267 Protocolo com adenosina: Ensaio Clínico
et al,
Reino
140ug/kg/min durante 6
Randomizado
2007
Unido
minutos;
com duplo
Protocolo com
cegamento.
II
II
regadenosona: 0,4 mg/5mL. Arumugham, P. et. al, 2013
2013
EUA
20
20
20 A hiperemia foi obtida por uma infusão intravenosa
Ensaio Clínico com desenho
padrão de adenosina (140 metodológico, mcg /kg/ min) durante 3
sem amostra
minutos. Após um período randomizada. de 5 minutos, os mesmos pacientes foram reavaliados usando regadenosona num único bólus intravenoso de 0,4 mg/5mL.
ISSN 2184-769X
59
III
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Os artigos incluídos foram classificados quanto ao
contendo
alto
risco
de
viés,
dois
risco de viés, segunda a Escala de Jadad. Dois
apresentaram um viés moderado e três com baixo
estudos observacionais foram considerados como
risco de viés (tabela 3).
Brink HL. et. al,
TOTAL NA ESCALA DE JADAD
INAPROPRIADO
MÉTODO DE DUPLO CEGAMENTO
INAPROPRIADO
MÉTODO DE RANDOMIZAÇÃO
E ERROS ASSOCIADOS?
ESTÃO REGISTADOS AS PERDAS
CEGAMENTO É ADEQUADO?
O MÉTODO DE DUPLO
ESTUDO?
EXISTE DUPLO CEGAMENTO NO
ADEQUADO?
O MÉTODO DE RANDOMIZAÇÃO É
ESTUDO?
AUTORES
EXISTE RANDOMIZAÇÃO NO
Tabela 3. Avaliação do risco de viés.
0
0
0
0
0
-1
-1
-2*
1
1
0
0
1
0
-1
2
1
1
1
1
1
0
0
5
0
0
0
0
0
-1
-2
-2*
1
1
1
0
1
0
-1
3
1
1
1
1
1
0
0
5
1
1
1
1
0
0
0
4
1
1
0
0
0
0
-1
1
2015 Jager PL. et. al, 2014 Thomas GS. et. al, 2009 Zahid M, et. al, 2013
Prasad A. et. al, 2014 Cerqueira M. et al, 2008 Iskandrian AE. et al, 2007 Arumugham P. et. al, 2013
* Os estudos assinalados são estudos observacionais pelo que são considerados portadores de alto risco de viés.
ISSN 2184-769X
60
artigos
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
A tabela 4 apresenta e resume a análise da informação
pacientes foram submetidos a ambos os medicamentos
recolhida dos oito artigos incluídos neste estudo,
em momentos consequentes.
referente à comparação do perfil de efeitos secundários
Foram considerados para análise sete unidades
da regadenosona e da adenosina em provas de esforço
específicas
cardíaco. Dos 3880 pacientes incluídos, 1692 fizeram
necessária para agrupar o conjunto de sintomas
regadenosona e 2188 pacientes foram submetidos a
apresentados nos estudos revistos.
que
resultaram
da
categorização
prova de esforço com adenosina, sendo que 80 destes Tabela 4. Categorização dos dados selecionados
Distúrbios cardíacos
Distúrbios
Distúrbios
Dor de
Total
Dor peito,
respiratórios
gastro-
Dor de
pacientes
Arritmias,
torácicos e
Rubor,
intestinais
cabeça
desconforto no
do
calor
náuseas
garganta, Tonturas pescoço ou mandíbula
peito, angina mediastinode peito Reg Ado
falta de ar
Reg
Ado
Reg
Ado
Reg
Ado
Reg Ado Reg Ado Reg Ado Reg
Ado
(%)
(%)
(%)
(%)
(%)
(%)
(%)
(%)
(%)
(%) (%) (%) (%) (%)
Thomas GS. et. al, 2009
54
103
32
38.75 30.25 18.25
21.5
32
22.25 12.25 28.25 16
8.75
3.5
6.75
10.75
109
187
32
41.3
40.4
30.7
56.7
73.2
21.7 21.2
5.9
6.7
0
0
60
60
0
1.7
3.3
0
5
8.3
1.7
1.7
1.7
1.7
1.7
5.0
631 1240
29
41
28
26
22
34
23
17
26
17
8
7
7
14
517
267
27
37
25
18
23
28
12
6
29
16
7
3
20
20
28.26
34.78 28.26 30.43 19.57 13.04 10.87 4.35
235
254
47.6
30.2
66
17.7
5.1
4.3
25.1
3.1
14.5
11
66
57
45
62
61
68
61
83
42
49
39
52
Zahid M, et. al, 2013 Prasad A. et. al, 2014 Cerqueira M. et al, 2008 Iskandrian AE. et al, 2007 Arumugham P. et. al, 2013 Brink HL. et. al, 2015 Jager PL. et. al, 2014
Legenda: Reg – Regadenosona; Ado - Adenosina
ISSN 2184-769X
61
36
42
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Figura 2. Comparação da regadenosona com a adenosina no perfil de efeitos secundários
Os estudos de Prasad A. et. al (2014) e de Arumugham
de esforço com adenosina em pacientes com asma,
P. et. al (2013) tornam-se de grande relevância, dado
DPOC ou outra patologia grave de etiologia respiratória.
que os mesmos pacientes foram sujeitos às duas
Da observação da figura 2, podemos verificar que a
substâncias em estudo em momentos consequentes.
regadenosona apresenta melhores resultados nos
Destes dois estudos particulares podemos observar que
distúrbios cardíacos registados no electrocardiograma
a adenosina tem um perfil menos vantajoso ao nível dos
e com sintomas registados pelos pacientes (27,5%), em
efeitos
cardiovascular,
comparação com a adenosina que apresenta um valor
enquanto que a regadenosona apresenta um perfil mais
mais elevado de 46,7%. A mesma situação ocorre para
desfavorável nos distúrbios respiratórios. No entanto, é
sintomas de rubor/calor em que a regadenosona
importante
apresenta um valor inferior a 27,8% em relação à
secundários
referir
do
que
sistema
foi
tida
em
conta
a
contraindicação absoluta para a realização de provas
adenosina com 44,3%.
Há contraindicação para a realização de provas de esforço com adenosina em pacientes com patologia respiratória grave. Ao nível das tonturas as diferenças não são
regadenosona apresenta valores mais elevados do que
significativas entre as duas substâncias. Nos distúrbios
a adenosina. No entanto, é referido nos estudos que
respiratórios
ISSN 2184-769X
e
gastrointestinais
e
cefaleia,
a
62
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
estes efeitos têm menor durabilidade e intensidade
Apenas o estudo de Brink HL et al (2015) refere a
quando comparados com a regadenosona.
adenosina como agente farmacológico com melhor
Tendo em conta as conclusões dos estudos incluídos
perfil de efeitos secundários. No entanto, e por ser um
(tabela 5), podemos inferir que a regadenosona
estudo observacional retrospetivo, podemos considerar
apresenta um melhor perfil de efeitos secundários do
que poderá existir maior viés associado. Em relação ao
que a adenosina. Os estudos com maior evidência
perfil teórico dos dois fármacos, podemos observar que
científica e menor risco de viés concluem que a
os
regadenosona apresenta menor número de efeitos
observados estão de acordo com a frequência teórica
secundários, caracterizando-os como sendo melhor
descrita na bula de ambos os medicamentos.
efeitos
secundários
relatados
nos
estudos
tolerados pelos pacientes e com menor durabilidade e intensidade quando comparados com a adenosina.
Tabela 5. Conclusões dos estudos incluídos
Conclusões Thomas GS. et.
♦ Regadenosona proporciona benefícios na qualidade de imagem.
al, 2009
♦ Regadenosona melhor tolerada pelos pacientes. ♦ Regadenosona com efeitos secundários similares aos da adenosina.
Zahid M, et. al,
♦ Frequência dos efeitos secundários similar entre os dois medicamentos.
2013
♦ Intensidade e duração dos efeitos secundários menor na regadenosona do que na adenosina.
Prasad A. et. al,
♦ Perfil dos efeitos secundários bem tolerados.
2014
♦ Efeito de aceleração cardíaca igual à adenosina. ♦ Regadenosona mais fácil de administrar (bólus único). ♦ A regadenosona apresenta um melhor efeito sob os valores de tensão sistólica, diastólica, tensão média e frequência cardíaca, comparando com a adenosina.
Cerqueira M. et
♦ Regadenosona pode ser administrada com segurança com um bólus único, sendo tão eficaz
al, 2008
quanto a adenosina. ♦ O perfil de segurança e eficácia foi demonstrado em todos os pacientes do estudo. ♦ Regadenosona melhor tolerada do que a adenosina por todos os pacientes.
Iskandrian AE. et ♦ A curta duração da ação farmacológica da regadenosona pode minimizar o risco de efeitos al,
secundários e limitar a sua duração em relação a outros agonistas como a adenosina.
2007 Arumugham P.
♦ Efeito mais rápido que a adenosina.
et. al, 2013
♦ Perfil similar, mas com redução da frequência dos efeitos secundários. ♦ Efeitos secundários adversos podem ser revertidos com aminofilina.
ISSN 2184-769X
63
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Brink HL. et. al,
♦ A adenosina apresenta menores efeitos secundários que a regadenosona.
2015
♦ Menor necessidade de recorrer a agentes reversores na adenosina comparativamente à regadenosona. ♦ Adenosina tem um melhor perfil de custo-benefício.
Jager PL. et. al,
♦ Regadenosona apresenta um perfil de segurança benéfico com menores efeitos secundários
2014
que a adenosina. ♦ Principal desvantagem da regadenosona é económica devido ao preço não competitivo com outros agentes farmacológicos similares. ♦ Vantagens da regadenosona identificadas: maior eficácia, maior rapidez do procedimento e menor desconforto para o paciente.
rubor/calor (27,8%), as tonturas (18%) e a dor de
Conclusão
garganta, pescoço ou mandíbula (3,5%), onde a
A regadenosona e a adenosina são os dois agonistas
regadenosona apresentou melhor resultado, com
dos recetores A2 da adenosina que possibilitam o
menos percentagem de efeitos. Em contrapartida, nos
aumento da frequência cardíaca em provas de esforço. Os
estudos
demonstram
selecionados que
os
para
efeitos
esta
secundários
distúrbios respiratórios (45%), na cefaleia (32,3%), e
revisão
nos distúrbios gastrointestinais (23,7%), o valor da
mais
regadenosona é superior ao da adenosina.
prevalentes nos pacientes submetidos a provas de
A frequência dos efeitos secundários enumerados nos
esforço farmacológico são essencialmente afeções a
estudos efetuados está de acordo com os descritos nos
nível cardiovascular e respiratório.
referenciais teóricos respetivos.
Para inferência dos resultados deve ser tido em conta que os estudos analisados nesta revisão sistemática têm um nível médio de evidência moderado e que 2
Referências
estudos em 8 apresentam alto risco de viés.
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Os estudos comparativos entre as duas substâncias ao
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ISSN 2184-769X
64
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Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
ESPAÇO INDÚSTRIA
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Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
ISSN 2184-769X
68
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
ISSN 2184-769X
69
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
ISSN 2184-769X
70
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
ESPAÇO ATARP
ISSN 2184-769X
71
Radiações
Número 02 – Setembro/Novembro 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Próximos cursos ATARP A atualização de conhecimentos e o desenvolvimento de novas competências profissionais é o caminho que nos levará ao reforço da importância enquanto profissionais de saúde altamente qualificados e diferenciados. Nesse sentido, a Direção Nacional da ATARP realizará nos dias 21 e 28 de dezembro de 2020 um evento online dedicado à Radiofarmácia.
Os principais destinatários são os Técnicos de Medicina Nuclear e os estudantes da Licenciatura em Imagem Médica e Radioterapia.
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A ATARP irá proporcionar mais um curso direcionado para os profissionais que representa, na área da Radioterapia. O curso que terá como temática "Inovações em Radioterapia", desde a célula tumoral até ao tratamento, incluindo estratégias, vias de estudo, formas de irradiação e equipamentos. O curso será constituído por 4 sessões que se realizarão nos dias 19, 21, 26 e 28 de janeiro de 2021, pelas 20:30.
Os principais destinatários são os Técnicos de Radioterapia e os estudantes da Licenciatura em Imagem Médica e Radioterapia.
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Iniciativa SeminATARP Em 2021, a ATARP lançará mais uma iniciativa que visa promover as profissões de Técnicos de Radiologia, Radioterapia e de Medicina Nuclear e toda a área da Imagem Médica e Radioterapia
Os SeminATARP serão eventos online periódicos, nos quais os colegas terão oportunidade de apresentar os resultados dos seus trabalhos finais de licenciatura, mestrado, pós-graduações, estágios, entre outros. A ATARP propõe-se apoiar a divulgação destes trabalhos junto da comunidade profissional e académica.
Estes Seminários serão totalmente gratuitos para associados da ATARP e representam uma excelente oportunidade para todos os colegas na divulgação das suas pesquisas e investigações, tendo ainda a oportunidade de publicação dos resultados na revista Radiações.
Estejam atentos! Não percam esta oportunidade!
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Open-Call de Artigos
GUIA PARA AUTORES A revista Radiações é uma publicação trimestral promovida pela ATARP, Associação Portuguesa de Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear, cujo objetivo é, acima de tudo, promover e disseminar a investigação e o conhecimento científico de elevada qualidade feito por Técnicos de Radiologia, de Radioterapia e de Medicina Nuclear, relacionados com os diversos aspetos das áreas de diagnóstico e terapia levados a cabo pelos colegas. Publicamos artigos de investigação, artigos de revisão sistemática, por exemplo resultantes de teses de Mestrado ou Doutoramento, ou de dissertações de Título de Especialista, bem como short papers, mini-artigos ou abstracts, de profissionais das tecnologias da saúde, nas áreas de intervenção de Medicina Nuclear, Radiologia e Radioterapia. Temos ainda um “Espaço Estudante”, onde os alunos do curso de Licenciatura em Imagem Médica e Radioterapia poderão submeter artigos ou mini-artigos resultantes de investigação decorrente da sua formação académica. A Radiações inclui também um “Espaço Indústria”, onde os players da Indústria são convidados a publicar artigos de cariz científico ou publicitar artigos ou produtos de interesse destas áreas de intervenção.
TIPO DE ARTIGOS E NORMAS DE PUBLICAÇAO Investigação original/ Revisão Sistemática Os artigos submetidos para esta categoria devem seguir o formato científico standard: Introdução (inclui contexto e objetivos), Metodologia (inclui procedimento e análise estatística), Resultados, Discussão e Conclusão. Exigem um resumo com as respetivas palavras-chave, em português e em inglês (até 300 palavras). O artigo não deverá ultrapassar as 4000 palavras (excluindo referências bibliográficas e legendas). ISSN 2184-769X
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Short paper Os Short papers apresentam algumas conclusões, pertinentes para divulgação, no contexto de investigação ainda em curso (research in progress). Publicações de short papers não deverão ultrapassar as 1500 palavras (excluindo referências bibliográficas e legendas). Ainda que não exija estrutura rígida, deverá incluir, pelo menos, uma introdução (inclui objetivo), metodologia e discussão.
Mini-artigos A Radiações considera para publicação mini-artigos (de profissionais ou estudantes) sobre um tema de investigação, que possam ter já sido publicados em outras revistas científicas, ou de investigação original, com o máximo de 1500 palavras (excluindo referências bibliográficas e legendas).
Letters to the editor Podem ser consideradas para publicação na Radiações artigos do tipo “comentário” acerca de artigos recentemente publicados (até 6 meses após a publicação original). Estas publicações deverão conter não mais do que 500 palavras.
Artigos de Profissionais, Casos Clínicos e Notas Técnicas A Radiações considera para publicação artigos sobre Casos Clínicos de interesse para Técnicos de Radioterapia, de Medicina Nuclear e de Radiologia podem encontrar na sua prática clínica. Estes artigos devem, preferencialmente, ser acompanhados por uma imagem. Notas Técnicas podem incluir artigos sobre equipamentos ou técnicas de imagem ou de abordagem terapêutica de relevo do ponto de vista técnico. Estes artigos devem obedecer a um máximo de 1000 palavras por artigo.
REGRAS DE REDAÇÃO Idioma de redação Português; Texto justificado (exceção para legendas de figuras ou tabelas, que poderão ser centradas na página); No corpo de texto, o tipo de letra deverá ser Arial, tamanho 10, espaçamento entre linhas de 1,5; Títulos deverão utilizar o tipo de letra Arial, tamanho 14, apresentados a negrito; Subtítulos apresentam também o tipo de letra Arial, a negrito, mas com tamanho 12; Para todas as imagens não originais, será exigida evidencia das respetivas provas de copyright, o que já não se aplica a imagens originais do(s) autor(es); A bibliografia deve ser apresentada de acordo com o estilo APA 6ª edição; O documento a submeter terá de ser enviado em formato word.
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PROCESSO DE SUBMISSÃO O processo de submissão exige simplesmente o envio do documento via correio eletrónico para geral@atarp.pt. Após submissão, a comissão de revisão irá avaliar a proposta submetida, devendo responder no prazo máximo de 30 dias úteis com um dos possíveis resultados: 1) aprovado para publicação; 2) aprovado para publicação, mas com necessidade de esclarecimento adicional; 3) aprovado para publicação, mas após revisão nos itens indicados; 4) não aprovado para publicação. No caso de necessidade de resposta por parte do(s) autor(es), essa deverá ser submetida no prazo máximo de 10 dias úteis. Após a sua receção pela equipa editora, a resposta definitiva será dada no prazo máximo de 5 dias úteis e incluirá um dos possíveis resultados enumerados no parágrafo anterior.
Uma vez que o artigo seja aceite, a Radiações procederá à respetiva publicação, num dos 2 (dois) números posteriores à data da notificação oficial de aceitação.
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