Número 01 JUNHO - AGOSTO 2020
ISSN 2184-769X
Radiações Prémio Recém-Licenciado ATARP Iniciativa ATARP – Maio, “Mês do Coração” Artigos de MN, RD e RT
Distribuição Trimestral Gratuita – Venda Interdita
Entrevista Joana Santos
Uma impulsionadora das áreas de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
“Perspetiva sobre Paleorradiologia: contributo dos métodos de Radiologia Convencional e Tomografia Computorizada na Paleopatologia” Rosa Gaspar
REVISTA “RADIAÇÕES” Número 01, Junho/Agosto 2020 ISSN 2184-769X
Publicado por:
Editores: Vítor Manuel F. Silva Edgar Lemos Pereira
Direção da ATARP: Altino Cunha Vítor Silva Luís Domingos Rute Santos Ana Geão Eduarda Pereira Pedro Vicente Edgar Pereira Rafaela Guisantes Carla Pereira
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Editorial “Uma vida sem desafios, não vale a pena ser vivida.” Sócrates (470 a.C. – 399 a.C) É com esta afirmação de Sócrates que apresentamos
aulas e, com certeza, muitos pormenores vão ser
aos Associados da ATARP - Associação Portuguesa
ainda melhorados. Mas, o primeiro passo está dado!
dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina
Queremos que seja uma publicação trimestral, aberta
Nuclear a nova iniciativa da Direção: a Revista
e disponível para todos os nossos Associados.
“Radiações”. Como desafio novo e, seguindo o pensamento de
Em todas as edições da Radiações, daremos a
Sócrates, aceitamos na hora!
oportunidade aos colegas para apresentar os seus trabalhos, as suas investigações, sob forma de
Pretendemos com esta publicação partilhar mais e
abstracts, pequenos artigos ou ainda sob a forma de
melhor do conhecimento e ciência que se faz pelos
artigos mais extensos, de investigação e conteúdos
Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina
originais, decorrentes do seu percurso académico ou
Nuclear, oferecendo o merecido lugar de destaque
clínico, nas áreas da Radiologia, da Radioterapia e
aos profissionais dessas áreas. Através desta
da Medicina Nuclear.
Revista, poderão ser publicados e divulgados os
todas as edições, fazer uma entrevista a uma
resultados dos seus trabalhos de investigação, entre
personalidade de referência das nossas áreas.
outros, a toda a comunidade técnica das áreas que
Iremos também dar conta de algumas das iniciativas
representamos.
que a atual Direção da ATARP tem levado a cabo e
Pretendemos também, em
que irá ainda realizar. Numa primeira edição é natural o nervosismo próprio Vítor Manuel F. Silva
das crianças que vão à escola no seu primeiro dia de
Edgar Lemos Pereira
Nesta primeira edição da Revista “Radiações”: Mensagem do Presidente da ATARP, Altino Cunha; Entrevista a Joana Santos; Prémio Recém-Licenciado ATARP; Abstracts de Tiago Cabrita, Rita Nunes e Raquel Monteiro; Artigo: “Perspetiva sobre Paleorradiologia: contributo dos métodos de Radiologia Convencional e Tomografia Computorizada na Paleopatologia”, de Rosa Gaspar; Artigos das áreas Medicina Nuclear, Radiologia e Radioterapia: Melissa Cruz (MN), Bebiana Carvalho (RD) e Cláudia Coelho (RD); Iniciativa ATARP “Maio - mês do Coração”; Indústria: ABGT; Espaço ATARP: apresentação do novo website, próximos eventos e próxima edição da “Radiações”. ISSN 2184-769X
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Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
MENSAGEM DO PRESIDENTE DA ATARP, ALTINO CUNHA
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Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Mensagem do Presidente da ATARP Caros associados,
como superior interesse os Profissionais e as
Caros colegas,
Profissões.
Caros leitores,
Estamos, como estivemos e estaremos, disponíveis para trabalhar em prol de um bem comum.
Quando abraçamos um projeto, há vários pilares nos
Renascemos com o mote #atarpinclusiva, e
quais nos apoiamos. Queremos mudar o mundo.
continuamos durante estes dois anos a incluir e a
Queremos mudá-lo para ontem. Queremos que as
envolver mais e mais Profissionais, estudantes,
mudanças sejam realidade em meia dúzia de dias.
parceiros e entidades.
Depois temos de aceitar que nem tudo depende exclusivamente da nossa vontade.
Poderia elencar os pontos mais altos destes dois
Dois anos depois, constatamos que essa mudança
anos, no entanto correria o risco de não valorizar
não é tão célere, nem tão fácil, como gostaríamos.
todos eles, ou de vos cansar com um resumo
Mas isso não nos desanima, e estamos motivados à
exaustivo de todo o trabalho realizado.
entrada para os próximos 365 dias do mandato.
Foram dois anos em que um grupo de pessoas, uma
Seguindo aquilo que nos guiou desde o início, e que
equipa empenhada, se dedicou à Associação e
também transitou do mandato anterior, quisemos
Associados, Profissionais e Profissões.
trilhar um caminho que trouxesse a ATARP a uma
Em nome de todos os elementos dessa equipa, o
posição de reconhecimento entre pares, parceiros,
NOSSO OBRIGADO a todos os que confiaram, nos
entidades nacionais e internacionais, e instituições
desafiaram, nos fizeram crescer.
governativas, entre outros.
A ATARP está aqui para vós, porque sem vós e sem
Dois anos depois, podemos dizer que muito deste
a Vossa voz, não faz sentido.
caminho está feito. A ATARP recuperou a reconhecimento dos seus Associados
e
Profissionais
que
representa.
Recuperou também a confiança dos parceiros e entidades, tanto dentro como fora de portas, e conseguiu
dialogar
com
algumas
instâncias
governamentais.
A Pandemia abalou-nos, mas não nos derrubou. Procurámos
e
Altino Cunha
Promovemos
Presidente da Associação Portuguesa dos
solidariedade e defesa dos Profissionais. Fomos em
Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina
busca dos louros de trabalho de bastidores que
Nuclear - ATARP
respostas
e a
encontrámos desafios
oportunidades
criados.
fomos fazendo ao longo do tempo, colocando sempre
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Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
ENTREVISTA A JOANA SANTOS
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Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Joana Santos, uma impulsionadora das questões ligadas às áreas de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear Atualmente, Joana Santos é Professora Adjunta na Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Instituo Politécnico de Coimbra (ESTeSC-IPC), sendo académica, em exclusividade. É uma defensora das questões ligadas às áreas de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear e das competências que esses profissionais devem adquirir
e
desempenhar.
Também
exerce
atividades
de
investigação,
nomeadamente na sua área de eleição, a Proteção Radiológica. Aqui fica a entrevista feita à nossa colega Joana Santos.
ATARP
–
Descreva-nos
o
seu
percurso
académico e profissional. Joana – Fiz bacharelato em Radiologia e, ainda antes de iniciar a licenciatura, comecei a trabalhar nos cuidados de saúde primários, no CS de Tavira, ARS Algarve. Em 2003, comecei a trabalhar no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, à data, Hospital dos Covões. Três anos depois, já com o mestrado em Engenharia Biomédica iniciado, fui convidada para a Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Instituto Politécnico de Coimbra (ESTeSCIPC). Como também estava numa situação precária, apesar de gostar muito de exercer na área clínica… aceitei! Foi um desafio e posso dizer que gosto tanto de dar aulas como gostava de trabalhar em hospital. Depois do mestrado, veio o doutoramento em “Diagnostic Imaging” na University College of Dublin (UCD), terminado em 2014. Foi a melhor coisa que eu fiz. Depois disso fiz mais alguns cursos, o último dos quais foi o certificado em proteção radiológica, também
na
UCD,
acreditado
pela
Entidade
Reguladora Irlandesa.
“A minha mãe na altura “chateou-me” um bocadinho por causa da radiação.”
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Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
ATARP – O interesse pela Radiologia surgiu…?
tinha conteúdos tão atuais sobre dosimetria como os
Joana – É uma história interessante... O meu pai
que agora existem. O que sabíamos era sobretudo
exercia como Técnico de Laboratório de Engenharia
fórmulas muito vastas e poucos equipamentos nos
Civil e eu achava que ia para Técnica de Laboratório
informavam sobre o valor de exposição do exame.
de Engenharia Civil. Sempre gostei de Física e
Entretanto, a ESTeSC-IPC adquiriu equipamento e
durante uma das minhas aulas de Física do
comecei a desenvolver investigação com o Prof.
secundário,
da
Graciano Paulo. Foquei-me completamente nessa
Radiologia. A meio do 12º ano, queria ir para
área. A ESTeSC-IPC tem um parque tecnológico
Radiologia. E fui! A minha mãe na altura “chateou-
interessante em dosimetria e controlo de qualidade,
me” um bocadinho por causa da radiação.
comecei a ganhar know-how e a estudar mais. Além
a
minha
professora
falou-me
do que sempre gostei muito de física. O Prof. Pedroso ATARP – E a proteção radiológica?
de Lima também me pôs um “bichinho”. Terão sido
Joana – Relaciona-se com a minha atividade de
estes os meus dois gurus, sem dúvida...
investigação. Aquando da minha formação base, não
“Temos um parque tecnológico interessante em dosimetria e controlo de qualidade.” ATARP – Sendo a Joana um nome de referência na área em Portugal, qual a sua opinião sobre o papel do Técnico na Proteção Radiológica? Joana – Temos um papel fundamental. Primeiro porque temos conhecimento científico de base, que não é adquirido noutra formação. Reunimos proteção radiológica, física e a parte clínica, o que nos permite ser um key-player entre o médico, o engenheiro e o físico. Conseguimos por isso ser fazer a ligação entre a tecnologia e o doente, concebendo a parte clínica e a tecnologia. Por aquilo que eu penso que os técnicos devem ser é que fui parar à ATARP. Também por causa da diretiva que estava para sair e, se calhar, isso foi uma das coisas que mais me incomodou. ATARP – Acha que Técnicos deveriam fazer parte Atualmente, com a Telerradiologia, existem colegas
de comissões de proteção radiológica?
que se fazem os exames completamente sozinhos (e
Joana – Eu acho obrigatório!
tomam decisões), que depois são relatados por
Realizamos inúmeros procedimentos de forma
alguém que está off. Essa é a realidade, temos
autónoma e, muitas vezes, até de forma isolada.
alguém que é responsável pela administração de
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contraste, mas não pelo procedimento em si. Sem
trabalhar na continuidade daquilo que é o nosso dia
dúvida, que temos de exercer a nossa autonomia e
a dia, não é suficiente. Mas os profissionais têm de
reforçar as nossas competências. Em relação à
ter condições para isso. As nossas cédulas deveriam
formação, eu não sou defensora de uma licenciatura
ser renovadas tendo em conta o que fazemos ao
ser a formação para a vida. Por mim, todos os
longo dos anos. Não acho correto um profissional
profissionais deviam ser obrigados a fazer “continual
licenciar-se e ficar 25 anos sem ir a um congresso,
professional development” e sempre defendi isso.
nem sequer ler duas linhas de um artigo… e, na sua
Acho que a formação de base é extremamente
cabeça, ser o melhor profissional.
importante, mas desligarmo-nos e estarmos só a
“Na primeira reunião em 2018, entrei numa sala com 20 médicos, dois físicos e eu.” Radiographer’s
ocorrer à posteriori, estando agora a ser públicas
Subcommitee do ECR 2020, este ano uma edição
estas informações. Vai ser um evento totalmente
online. Como se sentiu quando foi escolhida para
diferente, mas tem tudo para correr bem. Poderá até
Chair de um congresso desta magnitude? Qual o
ter
seu papel enquanto Chair?
Expectativas altas! Haverá sessões EPOS (posters)
ATARP
Joana
–
–
É
a
Primeiro
do
Chair
é
o
peso
grande
da
em
mais
gente
português,
a
que
participar
vão
por
ocorrer
ser
mais
online.
tarde.
responsabilidade. Na primeira reunião em 2018,
Encurtaram-se também as sessões de todas as
entrei numa sala com 20 médicos, dois físicos e eu.
áreas.
É o sentimento que um Radiographer está ali para marcar a diferença. Claro que me senti bem quando fui selecionada, mas senti também que tinha haver com o percurso e o trajeto que fiz. Desde 2009, participei em todos os ECR de forma ativa, com comunicações e empenho em grupos de trabalho. Outra parte delicada é escolheres a tua equipa. Existem algumas indicações de pessoas que já participaram, escolheres
mas pessoas
há
alguma
com
quem
margem trabalhar
para de
diferentes países, o que também é um desafio. Acho que o ECR é muito isso, networking, querer saber como corre a investigação, a ciência e as profissões, até porque a reunião da EFRS decorre também lá. Esta questão da COVID-19 complicou-nos mais a vida. Tem sido um desafio. O ECR vai sofrer uns pequenos ajustes em termos de duração. Algumas sessões não vão poder decorrer durante o ECR, vão ISSN 2184-769X
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Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
ATARP – Na sua perspetiva, quais foram as
Radiologia
maiores vantagens da Licenciatura em IMR,
Radioterapia. No Reino Unido há um mix, há cursos
resultante da fusão das três anteriores de RD, RT
que são juntos e há cursos que são separados. No
e MN? E limitações?
entanto, a realidade portuguesa não existia em mais
Joana – Eu não lhe chamo fusão, eu considero a
lado
congregação das três áreas do saber. Na altura, em
funcionamento, acho que está mais que provado que
2013, eu era diretora do departamento de Radiologia,
os licenciados que saíram ao longo dos últimos 6
e estava à frente do curso. Sou altamente defensora
anos, e, falando dos que conheço, não só os da
da Licenciatura em IMR e, para mim, é para
escola de Coimbra, mas também de outras escolas,
continuar. Só leva vários anos de atraso, pois já se
são profissionais de grande nível. Lógico que volto à
falava disso quando entrei para a Radiologia em
temática da formação contínua ao longo da vida.
2000. Já existiam vários países que já tinham esta
Assim como havia profissionais bons e maus que se
licenciatura e defendiam esta lógica da junção há
licenciavam em RD, MN ou RT, também os há em
muito mais tempo do que nós. Existem pequenas
IMR. Acho que esta licenciatura só traz vantagens e
nuances no Reino Unido, mas sobretudo o sítio onde
a limitação, para mim, é não ter sido acompanhada
eu estudei, a Irlanda, que tem Diagnostic e junta
com a mudança das designações profissionais.
e
nenhum
Medicina
do
Nuclear
mundo.
Em
e
separa
relação
a
ao
“Sou altamente defensora da Licenciatura em IMR. Para mim, é para continuar.” ATARP – Quais os próximos passos a dar para
ATARP – Alguns conselhos para quem ingressa
uma melhor aceitação desta Licenciatura por
ou frequenta o curso de IMR e para quem está
parte dos que ainda resistem a esta mudança?
prestes a sair para o mercado de trabalho?
Joana – Se as escolas acham que algo deve
Joana – Começando por quem se vai matricular,
melhorar, é agora. Os cursos estão em avaliação,
acho que é um curso aliciante para quem gosta de
vão-se submeter a acreditação e há sempre espaço
tecnologia, para quem é apaixonado pela radiação,
para melhoria em qualquer plano de estudos. As
como eu, e para quem gosta de lidar com pessoas,
nossas áreas precisam de segundos e terceiros
com doentes e quem quer sempre aprender coisas
ciclos. As escolas devem tentar ter mestrados e
novas. Também tem de se estar preparado para uma
doutoramentos porque nós precisamos de massa
mudança de paradigma porque os novos licenciados,
crítica que construa ciência e que seja representável.
ou quem entrar agora para o curso, vão ter uma
Em relação aos profissionais, se consideram que
mudança de tecnologia muito maior do que a que as
devem fazer mais formação (e acho que devem
que passamos. Para aqueles que terminam o curso
considerar),
faço
agora, nunca devem deixar de ter humildade e de
formação na minha vida, não o faço a pensar sobre o
querer saber mais. Uma coisa que eu digo aos meus
que me vai acontecer por ter feito, mas antes por uma
alunos é, não entrem no sistema, cheguem lá para
questão de brio profissional e gosto de querer saber
ser aquele miúdo chato que quer fazer tudo segundo
mais e fazer melhor.
as guidelines. Outra coisa que considero importante,
devem
procurá-la.
Quando
em Portugal, é que nós formamos para o Mundo.
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“Cresce-se muito como ser humano e como profissional quando se faz formação.” ATARP – Em relação à formação ao longo da sua
frustrada quando me apercebi da real situação e certo
vida, quais são as mais valias para tal?
que ponderei o aspeto de remediar o que tinha sido
Joana – O saber nunca ocupa lugar, apesar de, por
feito. Depois, ir para a ATARP acabou por ocorrer
vezes, não vermos o reconhecimento diretamente.
pelo timing da diretiva da proteção radiológica e pela
Mas cresce-se muito como ser humano e como
pressão do Altino, atual presidente, que me
profissional quando se faz uma formação nova, seja
incentivou bastante. Houve também um momento
pós-graduação, mestrado, um pequeno curso de
eleitoral em que ninguém se candidatou... Apesar de
formação... Para mim, tem um efeito altamente
eu achar que os profissionais que exercem na área
positivo.
clínica são mais indicados para liderar a ATARP, acabei por aceitar o desafio e foi um trabalho árduo
ATARP – A Joana, com a anterior direção da
que a equipa desenvolveu e acho que tudo valeu
ATARP, fez renascer esta associação. Quais os
muito a pena. Sim, a diretiva podia estar melhor, mas
motivos para abraçar este projeto?
fizemos o que podíamos e o que não podíamos. A
Joana – Entrei para a ATARP como vogal da última
ATARP agora está em alta e vai continuar.
direção, que a deixou em estado debilitado. Senti-me
“A ATARP agora está em alta e vai continuar!”
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Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
ATARP – Qual a sua opinião quanto a todos os
gerais. Temos de ser um membro ativo, pró-ativo até,
profissionais das nossas áreas estarem inscritos
e não ser “treinador de bancada”. E sim, ter voz
numa associação?
crítica. A verdade é que criticar e não fazer nada é o
Joana – Ora bem, eu não consigo compreender as
que mais há, em tudo. Fazer parte de uma
pessoas que apenas criticam e condenam, mas não
Associação é um investimento de tempo sem retorno
participam numa Assembleia Geral onde os assuntos
financeiro, se calhar até com uma quebra financeira,
são debatidos. Não temos Ordem Profissional, ainda,
mas é evidente que é um investimento da própria
e como tal temos de pensar que quem nos
pessoa. Participar nas Assembleias Gerais, ler os
representa, do ponto de vista profissional, é a
emails sobre os assuntos que estão na mesa e
Associação. Para defender e dar força à profissão,
apreciar e tentar contribuir.
temos de ser sócios e participar nas assembleias
“Quem nos representa, do ponto de vista profissional, é a Associação.” ATARP – Quanto à “Ordem Profissional”?
radiação ionizante, mas que não se sabe ao certo a
Joana – Esse assunto foi debatido em Assembleia
formação que tiveram. Acho que essa área de
Geral e aprovado por unanimidade. E isso diz muito!
exercício necessita de controlo e nós precisamos de
As profissões que a ATARP representa têm muito a
estar envolvidos no processo. Em relação às
dar aos utentes e doentes e aos outros profissionais
decisões de outras entidades, se calhar nem todos
de saúde e, sem dúvida, necessitam de regulação
temos os mesmos interesses na luta pela defesa
assertiva do seu exercício, que permita proteger os
daquilo que é uma entidade pública. Isso parece-me
doentes e até criar novas pontes para áreas que
notório no seio das reuniões do Fórum, das quais
estão “no escuro”, isto é, profissionais da área da
participei enquanto presidente da ATARP.
saúde e outras, como a industrial, que trabalham com
“As profissões que a ATARP representa têm muito a dar aos utentes e aos outros profissionais de saúde e, sem dúvida, necessitam de regulação.” ATARP – Um comentário final…
Conselho Fiscal, estou “descansadinha da vida”,
Joana – O que me deixa orgulhosa o trabalho da
confio em pleno no trabalho da atual Direção e gosto
atual direção da ATARP! Eu, como membro do
muito do percurso que têm feito.
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Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
RADIOGRAFIA À JOANA SANTOS Cor Preferida: Azul!
Férias de Sonho seriam... “Este ano não vai ser!
Música Preferida: “Alegre! Detesto música melancólica.”
Filme Preferido: “O Senhor dos Anéis”
Animais de Estimação: “Sebastião!”
“Azul!” Livro Preferido: “Um qualquer de Técnica Radiológica!
A Joana Santos adora... “Radiação... ionizante! De preferência... X!”
Profissão de sonho em criança: “A minha irmã diz que quando brincávamos, eu era sempre a professora!”
A Joana Santos detesta... “Pessoas que não fazem nada e só reclamam!”
Frase/Citação que melhor define a Joana: “Põe um pouco de ti em tudo que fazes” “Quem tem alma, não tem calma.”
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PRÉMIO RECÉM-LICENCIADO ATARP
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Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Prémio Recém-Licenciado ATARP Como os Associados sabem, a ATARP leva a cabo a
no seu trajeto académico. Assim, o objetivo é
iniciativa “Prémio Recém-Licenciado”, que já se
fomentar a investigação por parte dos futuros
encontra na segunda edição. Este prémio pretende
profissionais, promover o desenvolvimento pessoal e
dar palco ao que de melhor os alunos das
profissional e dar a conhecer o trabalho e dedicação
licenciaturas em Imagem Médica e Radioterapia,
à comunidade que representamos.
Medicina Nuclear, Radiologia e Radioterapia fazem
Nesta edição, publicamos alguns dos abstracts da
“Otimização dos níveis de dose de CT utilizado em
Edição 2019, a citar:
exames oncológicos de
18F-FDG
em PET-CT, da
autora Rita Nunes; “Dimensões e Volume de Glândula Pituitária e sua
“Níveis de exposição à radiação no planeamento
correlação com a Idade e o Género - Estudo por
e
Ressonância Magnética”, do autor Tiago Cabrita
radioterapia em doentes com carcinoma da
– vencedor da Edição 2019;
próstata”, da autora Raquel Monteiro.
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verificação
durante
o
tratamento
por
Radiações
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Dimensões e Volume da Glândula Pituitária e a sua correlação com a Idade e o Género - Estudo por Ressonância Magnética Tiago Cabrita 1 1
Licenciado em Imagem Médica e Radioterapia pela Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve. Vencedor da Edição 2019 do Prémio Recém-Licenciado da ATARP.
Introdução
crânio em Ressonância Magnética, nos planos
A presente investigação tem como tema “Dimensões
sagital e transversal, em ponderação T1 e foram
e Volume da Glândula Pituitária e a sua correlação
realizadas medições, com o auxílio do software
com a Idade e o Género – Estudo por Ressonância
RadiAnt DICOM Viewer software® (V.4.2.1).
Magnética”. Foi realizado devido à inexistência de dados estatísticos para a população portuguesa,
Resultados
relativamente ao tema em questão.
Com o presente trabalho, foi possível determinar que os valores médios para o género masculino,
Objetivo
relativamente
à
medida
Correlacionar a idade e o género, com os valores das
posterior,
medidas ântero-posterior, crânio-caudal transversal
respetivamente 5.53±1.23 mm, 10.56±1.34 mm,
e respetivo volume da glândula pituitária, de modo a
12.59±2.09 mm e 378.58±106.46 mm3. Para o género
sistematizar valores de referência para Portugal.
feminino,
transversal
são
crânio-caudal, e
de
respetivamente
ântero-
volume,
5.59±1.29
são
mm,
10.54±1.49 mm, 13.08±2.21 mm e 398.98±123.80 Metodologia
mm3. Nos valores tridimensionais e de volume,
Foram analisados 410 pacientes, com idades
verificou-se uma correlação muito fraca relativamente
compreendidas entre os 10 e 90 anos de idade, em
à idade, onde foi possível constatar, que os valores
que 173 são do género masculino (42%) e 237 do
ântero-posteriores aumentam com a idade (r=0.098,
género feminino (58%). Foi realizada a recolha de
P=0.048), enquanto que os restantes valores
dados em duas instituições hospitalares públicas de
diminuem. Quanto ao género, apenas os valores
referência no centro e sul de Portugal, num espaço
transversais revelaram uma correlação positiva muito
temporal de 1 de janeiro a 5 de maio de 2018. Como
fraca (r=0.113, p=0.022).
critérios de inclusão foram admitidos ao estudo, indivíduos com nacionalidade portuguesa, sem evidência de trauma ou patologia expansiva, que condicione a correta leitura das dimensões da glândula pituitária. Foram analisadas imagens de ISSN 2184-769X
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Radiações
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Figura 3 – Diâmetro Transversal.
Figura 1 – Diâmetro crânio-caudal.
Conclusões Com este estudo, foi possível definir os valores normais de referência da glândula pituitária para a população diagnóstico
portuguesa, de
que
irão
anormalidades
auxiliar da
no
glândula,
nomeadamente dos microadenomas. Foi também possível constatar que os valores tridimensionais da glândula pituitária, são significativamente inferiores, comparativamente aos países referidos em literatura (Paquistão, Escócia, Sudão, Nepal e Turquia) à exceção dos valores na Nigéria, Bangladesh, Japão e Índia. Em semelhança com o Nepal, foi possível observar um pico máximo entre os 41 e os 50 anos para os valores crânio-caudais, ântero-posteriores e de volume, que poderão resultar da intensa atividade hormonal pré-menopausa, levando o autor a deduzir que, na população portuguesa, o período de menopausa
Figura 2 – Diâmetro ântero-posterior.
revela-se
mais
comparativamente aos restantes países.
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precoce,
Radiações
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Otimização dos níveis de dose de CT utilizado em exames oncológicos de 18F-FDG em PET-CT
Rita Nunes 1 1
Licenciada em Imagem Médica e Radioterapia pela Escola Superior de Tecnologia de Saúde de Coimbra. Técnica de Radiologia na Clinica Cerdeira Guerra - Lamego Introdução
dose em comparação com o protocolo atual. A
O aumento da utilização de equipamentos híbridos,
análise objetiva da qualidade da imagem foi realizada
como a PET-CT (dose efetiva consiste no somatório
com base em regiões de interesse (ROI) (figura 1).
da dose interna e dose externa), reflete-se num aumento da exposição do doente à radiação ionizante,
sendo
fundamental
otimizar
procedimentos.
Objetivo Avaliar
as
práticas
relativas
à
componente CT em PET-CT com
utilização
da
18 F-FDG em
exames oncológicos de forma a estudar os níveis de
Figura 1 – ROIs utilizados nos diferentes protocolos.
dose associados ao exame e otimizar as práticas da instituição,
reduzindo
a
exposição
do
doente
Resultados
aquando a realização do procedimento.
Os NRDs obtidos encontram-se de acordo com a literatura.
Observaram-se
diferenças
Metodologia
estatisticamente significativas nos valores de dose
O presente estudo foi realizado segundo duas fases:
entre equipamentos para o mesmo protocolo, assim
uma fase retrospetiva, fase 1, onde se analisou a
como nos valores de dose de exames realizados com
prática clínica da instituição com base nos descritores
diferentes posições dos braços.
de dose CT, parâmetros de aquisição e influência do posicionamento dos braços em protocolos WholeBody com
Conclusões
18 F-FDG nos equipamentos Philips
Este estudo contribuiu para a harmonização dos 18 F-FDG em PET-CT em doentes
Gemini GXL 16 e Siemens Biograph 6, tendo sido
procedimentos
estabelecido o NRD local. Durante a fase 2, vários
oncológicos. Os testes experimentais revelaram
protocolos foram testados com recurso a um fantoma
existir potencial de otimização com baixo impacto no
antropomórfico PBU-60 para analisar a redução de
ruído da imagem final.
ISSN 2184-769X
18
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Níveis de exposição à radiação no planeamento e verificação durante o tratamento por radioterapia em doentes com carcinoma da próstata Raquel Monteiro 1 1
Licenciada em Imagem Médica e Radioterapia pela Escola Superior de Tecnologia de Saúde de Coimbra. Técnica de Radiologia no Hospital de Cascais – Dr. José de Almeida
Introdução
Medical
Systems®),
de
doentes
(n=60)
Os significativos avanços científicos, particularmente
carcinoma da próstata foram analisados.
com
na área da Radioterapia, têm tido um papel fulcral no que toca a patologias oncológicas, promovendo uma
Resultados
melhoria nos cuidados de saúde prestados ao
Foram analisados 1252 exames tendo sido obtidos
doente. Neste âmbito, o doente está exposto a
os valores de DLP médios de 351.95 mGy, 791.22
radiação não só durante o efetivo tratamento de
mGy e 491.43 mGy para os exames de CBCT, CT
radioterapia, como também em diversos exames
sem e com modelação de corrente, respetivamente
subjacentes a este, que deverão ser igualmente
(tabela 1).
quantificados. Tabela 1 – Valores de DLP médios Segundo modalidade de imagem.
Objetivo Caracterização planeamento
da e
exposição
verificação
do
à
radiação
no
Modalidade de Imagem
Média
tratamento
de
CBCT
351.95 mGy
radioterapia em doentes com carcinoma da próstata,
CT sem modelação de
ou seja, saber o total de dose de radiação a que o
corrente
doente esteve exposto, desde o planeamento,
CT com modelação de
verificação e até ao final do tratamento, excluindo a
corrente
791.22 mGy
491.43 mGy
dose relativa ao efetivo tratamento. Conclusões Metodologia
A dose efetiva durante o planeamento e verificação
Os ficheiros de dose relativos à Tomografia
do
Computorizada (TC) de Planeamento (Siemens®) e
Considera-se fundamental a realização de TC com
ao Cone Beam Computed Tomography (CBCT)
modelação de corrente para diminuir os níveis de
integrado ao Acelerador Linear TrueBeam (Varian
ISSN 2184-769X
tratamento
de
radioterapia
é
significativa.
exposição de dose a que o doente está submetido.
19
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
ARTIGO “Perspetiva sobre Paleorradiologia: contributo dos métodos de Radiologia Convencional e Tomografia Computorizada na Paleopatologia” Rosa Gaspar
ISSN 2184-769X
20
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Perspetiva sobre Paleorradiologia: contributo dos métodos de Radiologia Convencional e Tomografia Computorizada na Paleopatologia Rosa Gaspar 1,2 1
Técnica Radiologia do Serviço de Imagem Médica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra 2 CIAS – Centro de Investigação em Antropologia e Saúde / Research Center for Anthropology and Health Department of Life Sciences, University of Coimbra, 3000-456 Coimbra, Portugal e-mail: rosa.cristina.ramos@gmail.com
Resumo A partir do final do século XIX, a paleoimagem desempenhou um papel crucial no estudo dos vestígios bioantropológicos, acompanhando os desenvolvimentos tecnológicos da Radiologia e intensificando a sua utilização como análise complementar. Como objetivo desta breve comunicação, pretendemos evidenciar os desafios da Paleorradiologia, especificamente na Radiologia Convencional e Tomografia Computorizada, como métodos de estudo não destrutivos e o seu marcado contributo na Paleopatologia. É de destacar também o contributo do Técnico de Radiologia enquanto responsável pela otimização destes protocolos de estudo específicos e bem diferenciados da prática clínica. Efetuou-se revisão bibliográfica e, numa abordagem global, destacam-se os conceitos considerados relevantes e introdutórios à Paleorradiologia. Concluímos que existem muitas oportunidades e desafios no campo da Paleorradiologia, sendo a chave para o seu desenvolvimento, a perspetiva da abordagem interdisciplinar, contribuindo de forma efetiva para a precisão diagnóstica.
Palavras-chave: Paleorradiologia; Paleopatologia; Técnico de Radiologia; Radiologia Convencional; Tomografia Computorizada.
Abstract Since the end of the 19th century, paleoimage played a crucial role in the study of Bioanthropological, following the technological developments in Radiology and intensifying its use as a complementary analysis. As an objective of this brief communication, we intend to highlight the challenges of Paleoradiology, specifically in Conventional Radiology and Computed Tomography, as non-destructive study methods and their marked contribution in Paleopathology. It is also worth highlighting the contribution of the Radiographer as responsible for the optimization of these specific and well differentiated study protocols from clinical practice. A bibliographic review was carried out and, in a global approach, the concepts considered relevant and introductory to Paleoradiology are highlighted. We conclude that there are many opportunities and challenges in the field of Paleoradiology, with the key to its development, the perspective of the interdisciplinary approach, contributing effectively to the diagnostic accuracy.
Keywords: Paleoradiology; Paleopathology; Radiology Technician; Conventional Radiology; Computed Tomography. ISSN 2184-769X
21
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Introdução
(Beckett, 2014). Consideramos que o método de
Sigerist e colaboradores referem-se à Radiologia
Röntgen revolucionou a Medicina e a Biologia, ao
como sendo “… de longe o melhor avanço
permitir o estudo de vestígios biológicos antigos, sem
tecnológico quando a radiologia começou a ser
destruição, dando origem a uma nova especialidade
utilizado na examinação antropologia e
dentro
da
Radiologia
entrecruzada
com
a
paleontologia (…). A análise através dos raios-X foi
Antropologia Biológica: a Paleorradiologia. (Böni et
um grande avanço que permitiu aos investigadores
al., 2004; Chhem & Brothwell, 2008; Beckett, 2014).
examinar e estudar os ossos sem alguma vez ser
Apesar da Paleorradiologia estar muitas vezes
necessário desenfaixar e destruir as múmias”
associada ao estudo radiológico das doenças das
(Sigerist et al., 1951, in Chhem & Brothwell,
populações do passado, o termo aplica-se, sem
2008).
equívoco
e
como
definição,
ao
estudo
bioarqueológico com os raios X. Esta ciência tornouPouco tempo depois da descoberta dos raios X em
se mais aplicável quando Notman (1987) com a
1895, Konig (1896), iniciou a sua utilização para o
colaboração de um patologista e um antropólogo
estudo de múmias egípcias, radiografando um
realizaram um estudo paleopatológico, com o apoio
indivíduo não adulto e um gato. (Chhem & Brothwell,
da Radiologia, em que correlacionaram as imagens
2008; Lynnerup, 2007; Beckett, 2014; Licata, et al.,
obtidas com o resultado das autópsias de dois
2019). A revisão da literatura permite afirmar que
marinheiros da expedição de John Franklin ao Ártico
desde 1896 até 1912 se verificou uma grande adesão
(1845- 1848) (Notman, et al., 1987; Chhem &
na aplicabilidade dos raios X na Antropologia. São
Brothwell, 2008; Boni et al.,2004). Alguns autores
disso bons exemplos os estudos de múmias de aves
referem também que desde as primeiras imagens em
efetuados no Reino Unido, os diferentes estudos de
Paleopatologia, nos estudos de Eaton (1916), Means
múmias egípcias e peruanas efetuados em diversos
(1925) e Williams (1929), muitos outros se seguiram,
países como o Reino Unido, a França, a Alemanha,
numa perspetiva de obter informação complementar,
a Áustria, bem como nos Estados Unidos e no Egito
acompanhando o pleno desenvolvimento tecnológico
(Chhem & Brothwell, 2008; Böni et al.,2004). Em
da radiologia (Notman, et al., 1987; Chhem &
1916, 1925 e 1926, os raios X contribuíram nos
Brothwell, 2008; Boni et al.,2004; Ortner, 2019).
estudos desenvolvidos no Peru e nos Estados Unidos referentes à pesquisa de alterações patológicas em
A Paleopatologia
osso seco, tendo sido descritas várias alterações
A Paleopatologia é hoje um dos campos mais
patológicas, incluindo a osteoartrite, placas de
desafiadores da biologia do esqueleto. Esta disciplina
ateroma, fraturas cicatrizadas e patologia oral
da
(Lynnerup, 2007; Ortner, 2019). Os documentos
reconstruir a história, a evolução e a geografia da
sobre paleoimagem geralmente concentram-se nas
saúde e da doença das populações passadas,
aplicações associadas às modalidades de imagens
através da análise de vestígios osteológicos ou
médicas. Quando a imagem radiográfica médica é
tecidos mumificados. Pretende também estudar o
utilizada em contexto da bioarqueologia, o descritor
efeito de condições patológicas no desenvolvimento
comum e corretamente aceite é de Paleorradiologia
humano e investigar as interações entre as doenças
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Antropologia
biológica
tem
como
objetivo
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
e práticas culturais e sociais (Ortner, 2003; Grauer,
et al.,2015; Mays, 2018). A investigação em
2012). A origem da Paleopatologia como disciplina
populações do passado é consistente com o princípio
resulta do cruzamento do conhecimento científico
ético de que o indivíduo permanece e deve ser
médico
osteológicos,
tratado com respeito e dignidade humana. Este
adicionando a dimensão crucial do tempo. Estes
também é o princípio ético fundamental da pesquisa
estudos também melhoram a nossa compreensão
moderna nas áreas da Biomedicina e Ciências
sobre a evolução das doenças e o seu papel na
Sociais (Lambert &Walker, 2018). Esta disciplina
biologia humana e história social (Grauer, 2012;
apresenta desafios técnicos e intelectuais que podem
Piccioli et al., 2015; Mays, 2018).
produzir conhecimento interessante para uma melhor
A Paleopatologia é, por natureza, interdisciplinar
compreensão da evolução de doenças e seu impacto
baseando-se
ao longo da história (Fernández, et al., 2019).
aplicado
em
aos
vestígios
Patologia
Clínica, Osteologia
Humana, Epidemiologia, Antropologia Social e Arqueologia, na tentativa de entender doenças no
A Paleorradiologia
passado. A saúde das populações humanas abarca
Considera-se que a Paleorradiologia é uma ciência
uma
multifatoriais
cujo desenvolvimento está intimamente relacionado
intrincados e complexos que, quando são estudados
com a evolução das técnicas de imagiologia.
na atualidade (e coadjuvados com as ferramentas de
Atualmente, é um método de pesquisa usado por
diagnóstico), conduzem à compreensão da forma
rotina, no estudo de múmias, fósseis, ossos, urnas e
como as patologias se desenvolvem e orientam para
outros artefactos arqueológicos (Ruhli, et al., 2004;
a possível terapêutica (Suby, et al., 2015). Sobre o
Chhem & Brothwell, 2008, Lynnerup, 2010; Ortner,
diagnóstico, alguns debates epistemológicos em
2019). Entre os métodos médico-clínicos aplicados à
Medicina Clínica repercutem-se na Paleopatologia.
Antropologia, a Radiologia é a abordagem mais
No entanto, as diferenças entre a prática clínica
apropriada
moderna e a Paleopatologia na base de evidências,
bioarqueológicos, pela sua capacidade não invasiva
métodos e objetivos são claramente consideráveis
e não destrutiva, revelando as estruturas internas
(Mays, 2018). Na Paleopatologia, o diagnóstico da
(Wanek, 2012; Beckett, 2014; Piccioli et al., 2015;
doença é de importância central e constitui um passo
Licata, et al., 2019, a;b; Charlier, et al., 2020).
em direção à compreensão do tipo, do impacto e da
Podemos
carga de uma doença num dado grupo populacional,
apresenta diferentes domínios de intervenção que
procurando
reconstruir
e
cenários
atendem ao objetivo do estudo e dependem do
biológicos,
ecológicos,
evolutivos
sociais,
método imagiológico utilizado. Numa primeira etapa,
associados à saúde dos antepassados que escapam
os exames radiológicos respondem aos anatomistas
ao campo médico. Os debates epistemológicos em
e aos antropólogos, essencialmente na avaliação da
Medicina Clínica repercutem-se na Paleopatologia,
morfologia da estrutura óssea, sendo a Radiologia
apesar das diferenças entre a prática clínica moderna
Convencional (RC) um dos métodos de primeira linha
e a Paleopatologia requererem, de forma inequívoca,
na resposta à pesquisa esquelética, conforme se
a cooperação com equipas pluriprofissionais (Suby,
observa na figura 1a.
vasta
série
ISSN 2184-769X
de
processos
interpretar e
23
para
o
considerar
estudo
que
a
de
vestígios
Paleorradiologia
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Figura 1 – a) Radiografia ântero-posterior (AP) de crânio, com visualização da morfologia. Evidência de artefactos metálicos projetados ao nível do esfenóide. b) Voume Rendering em projeção superior, com evidência da morfologia e das suturas cranianas.
O uso da RC ganhou terreno de atuação ao
observa na figura 1b (Beckett, 2014; Aalders et al.,
responder a várias questões bioantropológicas,
2017; Licata, et al., 2019 a b; Villa, et al., 2019;
especialmente na identificação de indivíduos, na
Rodrigues et al., 2020). Os desenvolvimentos
determinação do perfil biológico, que consiste em
tecnológicos associados à TC e a sua aplicabilidade
quatro componentes: sexo, idade à morte, estatura e
contribuem para resultados bastante promissores,
ancestralidade. A estimativa da idade à morte dos
massificando a sua utilização (Aalders et al., 2017;
restos esqueléticos humanos é um dos passos mais
Villa, et al., 2019; Rodrigues et al., 2020).
importantes na construção de um perfil biológico,
Numa outra vertente de intervenção e diferenciação,
tanto em contexto arqueológico, como em estudos da
a
Antropologia forense. Os métodos osteológicos
indispensável em estudos de vestígios osteológicos
baseiam-se
das
mumificados, acrescentando informação sobre a sua
alterações das características da superfície que
deposição, orientação e sobre as práticas de
ocorrem com o aumento da idade de indicadores
mumificação, ganhando a TC um papel determinante
esqueléticos específicos, como a morfologia do
em situações complexas e orientando sobre os
crânio e do osso coxal ou mesmo da extremidade
processos
esternal das costelas. Atualmente, a Tomografia
osteológicos (Wanek, 2012; Zimmerman, 2012;
Computorizada (TC) é um método com especial
Beckett, 2014; Licata, et al., 2019 a b).
importância em Antropologia Biológica e Forense, por
A TC apresenta-se, assim, como o método de eleição
exemplo, em casos relacionados com a presença de
para dar resposta ao estudo de múmias ou fósseis
restos esqueléticos não identificados, contribuindo
dos nossos antepassados, incrustados em matrizes
com informação morfológica precisa, conforme se
densas, não discriminados pela RC. A TC tem a
na
ISSN 2184-769X
avaliação
macroscópica
24
Radiologia
de
é
efetivamente
manipulação
uma
dos
ferramenta
vestígios
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
capacidade de superar os artefactos dos materiais de
Lynnerup e Rühli, 2015). A enorme heterogeneidade
embalsamamento sobrepostos, a possibilidade de
de vestígios humanos mumificados associados às
diferentes
diferenças
planos
processamento,
e
modalidades
adicionando
a
de
pós-
reconstrução
das
tecnologias
dificulta
o
desenvolvimento de um padrão dos achados em TC
tridimensional para estudos de Paleoantropologia,
(Panzer et al., 2018; Panzer et al., 2019).
conforme se observa na figura 2 (Ruhli, et al., 2004;
Figura 2 – Imagens de TC de urnas provenientes de uma necrópole de Tongobrida. a)
Reformatação multiplanar no plano médio com identificação das diferentes camadas de vestígios osteológicos. b)
Volume Rendering com evidência de artefactos correspondente a fivela metálica.
Por fim, diferenciamos a Radiologia num outro campo
diagnóstico. São bons exemplos, a osteoartrite que
de intervenção e de abordagem, a Paleorradiologia
pode ser reconhecida pela presença de labiação
diagnóstica, em que os exames radiológicos são
óssea, a porosidade ou eburnação na superfície
usados para fins de diagnóstico, para detetar,
articular; a caries sicca (lesão patognomónica da
caracterizar e diagnosticar doenças em populações
sífilis) que pode facilmente ser identificada a partir de
do passado. As investigações radiológicas não se
um exame macroscópico (Villa, et al., 2019 b;
encerram nas alterações traumáticas ou noutros
Ortner,2019).
achados evidentes encontradas no osso, mas numa
constitui uma importante fonte de informação
ampla categoria de patologias que incluem trauma
morfológica e lesional, apesar de algumas lesões não
(Figura 3), infeção, artropatia ou neoplasia (Chhen,
serem detetáveis pela Radiologia, mas apenas
2006; Chhem & Brothwell, 2008; Licata, 2016).
visíveis na análise macroscópica detalhada. Salienta-
A maioria das condições patológicas que afetam o
se, assim, o seu contributo quando a informação é
osso seco pode ser avaliada macroscopicamente. A
cruzada com a Medicina atual (Mays, 2018; Villa, et
radiografia pode fornecer mais informações, mas o
al., 2019 b).
procedimento nem sempre é essencial para o ISSN 2184-769X
25
A
imagem
radiológica
moderna
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Figura 3 – a) Imagem radiográfica de fragmento femoral com formação óssea exuberante na junção da porção proximal e distal. b) Reformatação multiplanar no plano coronal (TC), com visualização do córtex e canal medular do fragmento femoral; c) Imagem radiográfica AP de fragmento tibial com evidente espessamento da cortial e reação periosteal; d) Volume Rendering da mandíbula, evidenciando-se lesão com destruição óssea no ramo ascendente esquerdo.
A imagem em Paleorradiologia
qualidade da imagem, pelo que são necessários
São reconhecidos os avanços tecnológicos nas
protocolos de aquisição ideais, para os estudos em
técnicas de imagem radiológica, não destrutivas
osso seco ou tecidos mumificados (Aalders et al.,
(RC/TC), apesar de existirem ainda limitações na
.2017; Beckett, 2017). A qualidade de imagem não é
resposta
A
um assunto claro e bem definido ou que tenha
especificidade do material de estudo, os vestígios
consenso entre especialistas. É, pelo contrário,
ósseos e tecidos mumificados desidratados, o seu
subjetivo e dependente da sua legibilidade, que tem
estado de preservação e os processos tafonómicos
múltiplos fatores associados que atuam de forma
influenciam diretamente a imagem e todos os fatores
combinada ou isolada e que se repercutem na
precisam de ser considerados, de modo a evitar erros
imagem final. São disso exemplo o próprio objeto em
de interpretação. É frequente encontrar solo dentro
estudo, as energias utilizadas, a resolução espacial,
das cavidades ósseas que se apresentam como
a resolução de contraste e o ruído estatístico
áreas radiopacas ou hiperdensas e podem ser
(Lima,1995; 2005). A otimização das práticas, no que
interpretados como lesões patológicas com áreas
se refere ao ajuste de parâmetros técnicos de
escleróticas (Mays, 2011). Também sabemos que os
aquisição, deve ser sempre associada a um
parâmetros de aquisição afetam diretamente a
mecanismo de averiguação da qualidade das
aos
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estudos
em
Paleopatologia.
26
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
imagens, apoiada numa avaliação visual dependente
parâmetros de visualização a utilizar e o tipo e modo
de observadores devidamente treinados (Lima,2005:
de registo e arquivo que devem ser efetuados.
Kanal et al., 2007). O desenvolvimento de protocolos
Interessa
padrão, de aquisição, de visualização e de arquivo,
pluriprofissional em todas as estas fases, numa
devem permitir criar uma técnica para os vestígios
constante partilha de saberes e conhecimento. A
ósseos, que seja reproduzível, tão precisa quanto
Paleorradiologia
possível, atendendo às limitações tecnológicas e à
abordagem
especificidade dos estudos (Aalders et al.,2017;
Paleorradiologistas e Paleopatologistas, sendo a
Beckett, 2017). O Técnico de Radiologia é o
chave para o desenvolvimento destas ciências
responsável pela identificação e otimização dos
entrecruzadas, melhorando de forma efetiva a sua
parâmetros relevantes na qualidade imagem, seja na
precisão diagnóstica.
realçar
a
importância
diagnóstica
da
equipa
engloba
interdisciplinar,
que
uma envolve
fase de aquisição, no pós-processamento ou na visualização.
Deve,
procedimentos
com
portanto, recurso
às
harmonizar
Nota de Agradecimento: Imagens de arquivo pessoal resultado
aplicações
do contributo da Radiologia em diferentes estudos de investigação, com
disponíveis, de forma a contribuir para a imagem de
agradecimento 3
especial
aos
investigadores
3
4
Bruno 4
Magalhães ; Filipa Cortesão ; Inês Leandro ; Inês Oliveira
diagnóstico na Paleopatologia.
3) PhD in Biological Anthropology
As recomendações futuras relativamente às imagens
4) PhD Candidate
digitais incluem a compreensão das suas vantagens e
limitações,
assim
como
das
técnicas
Referências Bibliográficas
não
destrutivas disponíveis com vista à partilha dos dados
Aalders, M. C., Adolphi, N. L., Daly, B., Davis, G. G.,
completos e informações sobre protocolos de
De Boer, H. H., Decker, S. J., Dempers, J.J, Ford, J.,
aquisição em publicações, bem como à massificação
Gerrard, C.Y., Hatch, G.M., Hofman, P. A. M., Lino,
da utilização das técnicas de imagem (Carew &
M., Jacobsen, C., Klein, W.M., Kubatm, B, Lethn, M.,
Errickson, 2019).
Mazuchowskio, L., Noltec, B., Wozniaks, K., 2017. Research
in
forensic
radiology
and
imaging;
Conclusão
Identifying the most important issues. Journal of
À medida que as tecnologias de imagem médica
Forensic Radiology and Imaging, 8, 1-8.
continuam a evoluir, serão necessárias pesquisas
Beckett, R. G. 2014. Paleoimaging: a review of
para preencher as lacunas de conhecimento e
applications
consolidar as bases já existentes. É importante
medicine, and pathology, 10(3), 423-436.
considerar as técnicas da imagem médica como uma
Beckett, R. G. 2017. Digital data recording and
área essencial e complementar da Antropologia
interpretational
Biológica, de uso sistemático e não como uma
science. International journal of paleopathology, 19,
entidade externa de recurso pontual. Existem muitas
135-141.
oportunidades
da
Boni, T., Ruhli, F.J., Chhem, R.K., 2004. History of
Paleorradiologia, sendo a sua acuidade diagnóstica
paleoradiology: early published literature, 1896-1921.
dependente de vários fatores, como do material a
Can. Assoc. Radiol. J. 55,203210.
e
desafios
no
campo
estudar, do protocolo de aquisição a efetuar, dos
ISSN 2184-769X
27
and challenges. Forensic science,
standards
in
mummy
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ARTIGOS: Melissa Cruz, Medicina Nuclear Bebiana Carvalho, Radiologia Cláudia Coelho, Radioterapia
ISSN 2184-769X
30
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Doença de Parkinson – Desafios Técnicos no DaTscanTM
Melissa Cruz 1 1 Técnica
de Medicina Nuclear no Hospital de Santa Cruz, Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental,
EPE A doença de Parkinson (DP), também designada por
aquisição. O planeamento da agenda do SMN para
Parkinsonismo
de
que o DaTscan™ seja administrado, minimizando a
Parkinson Idiopática (DPI), é um distúrbio crónico e
possibilidade de ocorrência de atrasos que possam
progressivo na atividade dopaminérgica dos gânglios
exceder a janela temporal aceitável para a aquisição
basais, que por partilhar sintomatologia com outros
de imagem, evitando a diminuição na estatística de
distúrbios neurológicos do espectro das perturbações
contagens
progressivas do movimento, é de diagnóstico difícil e
incremento do tempo de aquisição de exame, será o
demorado. O radiofármaco N-ω-fluoropropyl-2β-
primeiro desafio a gerir, particularmente em serviços
carbomethoxy-3β-(4-[123I]iodophenyl)nortropano,
que disponham de apenas uma CG. Paralelamente
também
Primário
designado
(PP)
Doença
[123I]Ioflupano,
e
a
consequente
necessidade
de
e
importará reservar tempo de agenda para garantia da
comercialmente designado por DaTscan™ (GE
qualidade de imagem e de reconstrução tomográfica
Healthcare), é indicado para diagnóstico diferencial
da CG, que deverão ser regularmente verificadas por
de
procedimentos de controlo de qualidade. Contudo, o
distúrbios
por
ou
do
sistema
dopaminérgico
nigroestriatal, dado a elevada afinidade com as
desafio
proteínas pré-sinápticas de transporte da dopamina
Paciente,
(DAT) possibilitar o estudo da concentração de DAT
complementada pela anamnese no dia do exame,
no
diagnóstico
dado que a descrição do exame em linguagem
diferencial entre DP e Tremor Essencial (TE),
compreensível e adaptada ao seu estado clínico,
patologia com sintomatologia similar mas em que não
assegurará uma maior responsabilização, evitando o
se verifica a diminuição desta concentração (1,2).
desperdício
Contudo, apesar do valor clínico comprovado do
comparência, e incentivará a colaboração em todos
DaTscan™ no diagnóstico e monitorização da
os procedimentos inerentes ao exame, evitando
progressão
assim
estriado,
da
permitindo
DP,
a
assim
obtenção
o
de
imagens
primordial iniciada
do
residirá
na
aquando
da
radiofármaco
administrações
que
preparação
não
marcação
por
recusa
culminem
do e
à
na
clinicamente interpretáveis obriga a observação
aquisição de imagens, doses efetivas de 3.94 mSv
rigorosa de parâmetros técnicos adequados à sua
não justificadas, ou a ocorrência de acidentes
aquisição e processamento, bem como à preparação
durante o procedimento. A avaliação do historial
do Técnico de Medicina Nuclear (TMN), do Serviço
clínico, confirmação da interrupção de medicação, se
de Medicina Nuclear (SMN), da Câmara Gama (CG)
requerida, elucidação relativa à necessidade de
e do Paciente, em todas as vertentes, para a mesma
bloqueio da glândula tiróide, e esclarecimento de
ISSN 2184-769X
31
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
quaisquer
dúvidas
relativas
ao
procedimento
verificação das imagens adquiridas recorrendo a
previamente à administração do radiofármaco,
todas as ferramentas disponíveis, excluindo a
permitirão aferir aspetos tais como o grau de
existência de alterações morfológicas com padrão de
tolerância do Paciente e capacidade de permanência
imagem equiparável a artefactos, e a análise da
em decúbito dorsal por
necessidade
um período de tempo
de
reaquisição
correção
demorado, minimizando o tempo de exposição do
computacional,
TMN ao Paciente, uma vez que a sintomatologia
probabilidade de nova ocorrência de movimento será
motora (tremor em repouso, bradicinesia, rigidez
inversamente proporcional à tolerância do Paciente à
muscular e instabilidade postural) e não motora
reaquisição
(alterações cognitivas e alterações de humor)
introduzirá inevitavelmente erro no estudo, sendo,
frequentemente apresentada no quadro da DP
por este motivo, preferível readquirir o exame, ainda
poderá não possibilitar a implementação plena das
que
boas práticas de radioproteção (tempo, distância,
principalmente perante estadios avançados da DP
barreiras)
(Figura 1) (2–5). Por fim, o último desafio técnico
devido
ao
grau
de
dependência
e
nem
considerando
ou
que
sempre
correção
seja
computacional
decisão
óbvia,
Paciente
processamento e correção de imagem a aplicar,
técnicas
de
evitando que desvios no posicionamento do vértex do
SPECT XelerisTM, MATLABTM, DatQUANTTM, CADA
crânio e da linha órbito-meatal possam originar
– Computer Aided Datscan Analysis, entre outros),
padrões imagiológicos similares aos patológicos e
uma vez que parâmetros incorretamente definidos
diagnósticos
poderão
imprecisos.
Os
introduzir
softwares
de
disponibilizados
ou
diversos
parâmetros
posicionamento e imobilização da cabeça eficazes,
inconclusivos
por
pelos
a
residirá
ainda
decisão
uma
que
apresentado por alguns Pacientes. A preparação do compreenderá
na
a
sempre
distorções
na
(Brain
imagem
suportes de apoio ao posicionamento da cabeça
incompatíveis com a utilidade diagnóstica do exame
deverão ser escolhidos e posicionados para que a
(3,6–8). Importa, portanto, o rigor técnico em todas as
aquisição de imagem beneficie de um valor
fases do procedimento acrescido, em tempo de
adequado para o raio de rotação dos detetores da
pandemia, pelo desafio da projeção deste rigor para
CG, evitando a perda de resolução espacial e o
além dos procedimentos para proteção individual do
consequente incremento no tempo de aquisição,
TMN, assegurando a humanização do cuidado
crítico perante quadros de alterações cognitivas e
prestado, empatia e compreensão que a DP tantas
comportamentais, em que o oblívio das indicações
vezes
dadas, previamente ao início da aquisição, poderá
diagnóstico da DP através da tomografia cerebral
resultar em movimento e artefactos de imagem não
com DaTscan™ existirão sempre, mas observando o
corrigíveis exceto pela reaquisição do exame. Nestes
rigor técnico determinado pela multidisciplinaridade
casos, e perante as limitações associadas ao tempo
característica da Medicina Nuclear, nunca serão
de aquisição prolongado, o desafio compreenderá a
insuperáveis.
ISSN 2184-769X
32
requer.
Assim,
desafios
técnicos
no
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Figura 1 - Exemplos do impacto de alterações de posicionamento, alterações cerebrais morfológicas e movimento nas imagens adquiridas por tomografia cerebral com DaTscan™ e no respetivo processamento.
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Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Aplicabilidade da segmentação de lesões Tomografia Computorizada torácica pediátrica
na
Bebiana Carvalho 1 1 Técnica
de Radiologia no Centro Hospitalar e Universitário do Porto
Introdução
pediatria tornou-se para nós ainda mais relevante, ao
A segmentação de lesões baseia-se em princípios da
auxiliar o planeamento cirúrgico, permitindo avaliar
Inteligência Artificial (IA), sendo uma excelente
qual a melhor abordagem, quais os planos de
ferramenta para o pós-processamento de imagens,
clivagem, aumentando a probabilidade de uma
com elevada importância em doentes oncológicos
melhor e mais rápida recuperação pós-operatória.
que vão realizar Radioterapia, mas também para programação cirúrgica que não oncológica. Existem
Inteligência Artificial – da ficção à realidade
áreas anatómicas em que mais se tem apostado na
A IA tem sido desde há vários anos uma temática
utilização da segmentação, como o tórax, fígado e
abordada em filmes, no campo da ficção. Hoje, faz
cérebro.
parte da realidade do nosso dia a dia, em processos
São vários os modelos que atualmente estão a
que consideramos básicos, como, por exemplo, na
aparecer
utilização de telemóveis ou nos equipamentos mais
na
área
médica,
surgindo
quase
diariamente novos artigos de IA no processamento
recentes de tomografia computorizada (TC).
de
Após a II Guerra Mundial, surge pela primeira vez o
imagens.
Recentemente,
assistimos
ao
aparecimento de modelos adaptados para deteção
conceito
de patologia cardíaca (1), para deteção de patologia
desenvolvimento
de
relacionada com as mortes silenciosas, ou ainda a
máquinas
vez
ajuda nas medições nas ecografias obstétricas de
desenvolvimento de computadores mais sofisticados
difícil leitura, ou a predição da resposta de um doente
e potentes no que diz respeito à capacidade de
à quimioterapia.
processamento de dados, a IA passa a ter um maior
Quando falamos em IA é importante compreender
domínio sobre grande parte das nossas atividades do
todos os processos que lhe dão origem, não só para
quotidiano, mas passa também pela criação de vários
percebermos
pós-
modelos robóticos com diversos fins, como os
processamento, mas também perceber qual será o
utilizados pela NASA, capazes de dar uma previsão
futuro e o impacto que terá ao nível da saúde, mais
de sucesso quanto aos modelos aeronáuticos por
especificamente na celeridade que poderá trazer a
eles desenvolvidos, ou ainda os carros sem condutor.
nível de diagnóstico e terapêutica dos utentes.
Se inicialmente estes modelos eram baseados em
Respondendo ao desafio apresentado pela cirurgia
machine learning, com uma algoritmia mais básica,
pediátrica, a segmentação de lesões torácicas na
atualmente o deep learning e as redes neuronais
as
ISSN 2184-769X
vantagens
a
nível
de
34
de
em
IA,
como
parte
importante
no
atividades
realizadas
por
de
humanos.
Com
o
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
convolucionais (CNN) possuem uma algoritmia e
bastante implementada nos novos modelos de
modelos matemáticos mais complexos, que vieram
equipamentos de TC (3,4).
revolucionar a IA, dando-lhe um novo conceito e
As CNN são compostas por uma variedade de
estatuto de ciência, tornando-a numa excelente
algoritmos que podem interpretar dados sensoriais,
aliada na deteção e elaboração de processos
através da perceção da máquina e rotular ou agrupar
repetitivos,
dados brutos (figura 1). Este agrupamento de dados
pela
capacidade
de
integração
e
tratamento de big data.
não rotulados é feito com base nas semelhanças encontradas nos dados de entrada e depois
Machine Learning, Deep Learning e CNN –
classificada com base no conjunto de dados
aplicabilidade na Radiologia
rotulados. Para serem consideradas CNN, as redes
Machine learning é um dos pilares da IA e baseia-se
terão de ter cinco ou mais camadas de análise de
numa algoritmia básica de aprendizagem, tendo sido
dados. O facto de a CNN ser uma rede profunda e ter
a visão por computador reconhecida como um dos
bastantes
grandes feitos na área da imagem, tendo bastante
características mais complexas, que é vital em
aplicabilidade clínica. Essa algoritmia assenta num
Medicina. Aqui, encontramos o maior desafio
conjunto
automatizadas,
apresentado na área da Radiologia, que passará pela
sistemáticas e robustas de dados, que serve de treino
aquisição e reconstrução de imagens, deteção de
e, por fim, de execução da tarefa.
lesões, segmentação do órgão e lesão e, por fim,
É através da visão por computador que obtemos a
recolha de informação com caracterização das
segmentação de imagens. Baseia-se em quatro
lesões, num processo automatizado, que culmina
princípios: a classificação do objeto, a localização,
numa resposta mais rápida nos diagnósticos e
deteção e segmentação. Este princípio já é utilizado
consequente tratamento da doença.
de
aprendizagens
camadas,
ajuda
na
extração
de
para deteção automática de nódulos pulmonares em alguns equipamentos de pós-processamento de TC (2). Aqui é necessário ainda intervenção humana para validação de resultados. Quanto ao deep learning, este refere-se a um subconjunto de machine learning que pode imitara Figura 1 - Exemplo de um modelo de CNN utilizado na
função de processamento de dados do cérebro
Radiologia.
humano e criar os mesmos padrões para a tomada de decisões. Ao contrário dos algoritmos baseados
Segmentação de imagens médicas
em tarefas, os sistemas de deep learning aprendem
São vários os programas que nos permitem de uma
com apresentações de dados não rotulados ou
forma simples fazer segmentação de lesões ou
estruturados. Uma das aplicabilidades de deep
estruturas, com acesso livre. Entre eles encontramos
learning na Radiologia prende-se com a criação de
programas informáticos como o ITK-Snap® (figura 2)
modelos de diminuição de dose de radiação e ruído
ou 3D-slicer®.
nas imagens, mantendo a fiabilidade da retroprojeção filtrada, aliando-se à atual reconstrução iterativa já
ISSN 2184-769X
35
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
sendo um bomauxílio para a entubação, por se perceber exatamente em que parte da estrutura poderá existircompressão da via aérea. No entanto, tem também as suas desvantagens, onde os movimentos
cardíacos
e
respiratórios
ou
os
compontentes metálicos podem comprometer a fiabilidade do resultado final.
Segmentação de lesões na TC torácica pediatrica Figura 2 – Exemplo de layout ITK-Snap®.
As TC realizadas em pediatria são sempre mais
Estes programas permitem fazer uma segmentação
difíceis de avaliar que nos adultos, visto que há uma
manual
segmentação
menor quantidade de gordura que permita uma
semiautomática do ITK-Snap, podemos utilizar o
melhor diferenciação de estruturas, além de que há
tresholding, onde se pré-determinam os vóxeis a
sempre um incremento de ruído nas imagens.
serem utilizados; classifications (exemplos de duas
A segmentação das lesões torna-se mais ou menos
ou mais classes de tecido; machine learning);
eficaz
clustering
imagens
reconstrução(filtro/kernel) utilizado. Filtros “moles”
semelhantes, e por fim edge attraction, que é muito
diminuem a diferenciação de tecidos com densidades
útil quando a densidade dentro de uma imagem varia.
semelhantes, o que dificulta a segmentação da
O conhecimento do que cada uma das ferramentas
imagem
de
na
comprometam a vascularizaçãodos grandes vasos,
segmentação semiautomática para determinarmos
como são as lesões pericardíacas, poderá ser
qual delas nos pode dar um resultado mais útil, mais
necessário uma adaptação do protocolo que nos
real e com menos margem de erro na imagem
permita essa diferenciação no pós-processamento, e
segmentada final.
que poderá, eventualmente, passar por uma dupla
As
ou
semiautomática.
que
agrupa
segmentação
segmentações
vóxeis
fornece
é
imagens
de
fundamental
têm
consoante
e/ou
lesão.
oalgoritmo
Já
em
imagens
de
que
inumeras
injeção de contraste que nos permita a avaliação da
vantagens,tais como:a diferenciação de lesões,
lesão, mas também da vascularizaçãoem fase
tumores ou orgãos, sendo para estes um excelente
arterial.
aliado na programação dosimétrica na Radioterapia;
Na
a cirurgia,permitindo uma melhor avaliação dos
pediátricas (figura 3) optamos por fazer em 2D (figura
possíveis planos de clivagem e de um melhor
4) e 3D (figura 5), já que ambas têm interesse para o
planeamento deabordagem cirúrgia; e, por fim,no
planemanto cirúrgico, por darem, em conjunto, mais
caso de lesões pericárdicas ou nos lobos superiores,
informação e detalhe.
ISSN 2184-769X
de
Na
36
segmentação
de
imagens
pericardíacas
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Figura 3 – Teratoma pericardíaco em criança de 5 anos. a) Imagem em plano axial; b) Imagem em plano coronal; c) Imagem em plano sagital.
Figura 4 – Segmentação 2D de teratoma pericardíaco em criança de 5 anos, no plano axial. a) Tresholding; b) Baseado nas UH, por sistema de cores.
Na figura 4a), pode-se confirmar como o tresholding
Na figura 5, a segmentação 3D permite a visualização
após a pré-determinação dos vóxeis a utilizar,
dos diferentes órgãos, avaliação da lesão tanto
segmenta
quanto à forma, como ao tamanho, ajudando e se
a
lesão
e
demonstra
que
existe
compressão cardíaca, mas não invasão. Na 4b)
perceber e delineara melhor abordagem cirúrgica.
consegue-se avaliar a heterogeneidade da lesão e o suprimento vascular.
Figura 5 – Segmentação 3D das imagens: vermelho – pulmão; roxo – coração; verde – teratoma.
Conclusão
radiação, filtros e tempos de contraste serão os
As lesões não hipervasculares serão sempre mais
principais desafios que irão surgir, num futuro
difíceis de segmentar, pelo que num futuro próximo a
próximo.
sua segmentação será manual ou semiautomática. A
Num futuro mais longínquo, o deep learning e as CNN
adequação dos protocolos relativamente a doses de
andarão de estreitamente relacionadas com a
ISSN 2184-769X
37
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Radiologia, quer em processos de redução de dose,
International Journal of Computer Applications
quer em respostas mais automatizadas, tornando-se
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mais céleres. Muito do nosso trabalho e da nossa
8. Neeraj
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alterar-se,
e
as
respostas
aos
diagnósticos e tratamentos serão encurtados.
image
Aggarwal, segmentation
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structure analysis by failure–recovery algorithm
calculations for kilovoltage radiation therapy,
from
Department of Radiation Oncology, Molecular
Processing and Volume 12, July 2014, Pages 28-
Imaging Program at Stanford, Stanford University,
38.
Stanford, California 94305.
chest
CT
images,
Biomedical
Signal
13. Lorenzo Garzelli, et al, Improving the prediction of
6. Tongxue Zhou, et al, A review: Deep learning for
lung adenocarcinoma invasive component on CT:
medical image segmentation using multi-modality
Value of a vessel removal algorithm during
fusion, Array 3-4 (2019).
software segmentation
7. Preeti Aggarwal Uiet, et al, Role of Segmentation
European Journal of Radiology, Volume 100,
in Medical Imaging: A Comparative Study,
ISSN 2184-769X
of subsolid nodules,
March 2018, Pages 58-6.
38
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Desenvolvimento de um programa de treino na verificação de imagens 3D Cone Beam Computed Tomography em cancro da próstata
Cláudia Coelho 1 1 Técnica de Radioterapia no Instituto Português de Oncologia do
Porto Francisco Gentil,
EPE (IPO-Porto) A evolução tecnológica dos sistemas guiados por
fechadas, relacionado com a experiência e formação
imagem em radioterapia, com a aquisição de Cone
profissional em CBCT e efetuaram a verificação das
Beam Computed Tomography (CBCT) para o
imagens de 10 casos clínicos. Na 2ª fase, integraram
reconhecimento da anatomia de tecidos moles,
o programa de treino. Na 3ª fase, os profissionais que
justifica
dos
concluíram a fase anterior, efetuaram a análise das
radioterapeutas para a análise dessas imagens de
mesmas imagens de CBCT e responderam a um
forma crítica (1-3). Este estudo teve como objetivo o
questionário de 4 perguntas fechadas e uma
desenvolvimento de um programa de treino, dirigido
pergunta aberta, relacionado com a perceção que
aos Técnicos de Radioterapia, para a verificação das
tiveram em relação ao programa de treino.
imagens 3D CBCT no tratamento do cancro da
Uma amostra de 41 Técnicos de Radioterapia
próstata (CaP). Para validar a sua eficácia, efetuou-
concluiu todas as fases do processo, integrando o
se uma avaliação de resultados com a comparação
programa de treino, que teve a duração de 3 horas,
dos desvios obtidos do match de imagens entre o
com a ministração de 4 módulos temáticos dirigidos
CBCT e a TC de planeamento antes e após o
às áreas da patologia clínica de CaP e do seu
programa de treino.
tratamento de radioterapia externa (RTE), da
Foi organizado um processo constituído por 3 fases,
anatomia radiológica pélvica e da tecnologia de
com uma amostra inicial de 51 técnicos de
imagem de CBCT (Tabela 1) (4).
o
desenvolvimento
Radioterapia.
Na
1ª
fase,
das
aptidões
os
participantes
responderam a um questionário de 3 perguntas Tabela 1 – Esquema do programa de treino. Módulos
Formadores
Tempo (minutos)
Radioncologista/Radiologista
60
Introdução Clínica à Patologia de CaP Dia 1 Anatomia Radiológica Pélvica - TC e RM Dia 2
Princípios Físicos e Tecnologia CBCT
Físico Médico/Técnico de Radioterapia
60
Dia 3
Tratamento de RTE em CaP
Radioncologista
60
ISSN 2184-769X
39
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Para avaliar os desvios resultantes da análise de
imagens depois do programa de treino (p = 0,001)
imagens, recorreu-se ao teste-t para amostras
(Tabela 2). A redução do número de outliers e a
emparelhadas, comparando o Desvio Absoluto Médio
diminuição dos valores do desvio padrão, após o
(DAM) prévio com o DAM posterior ao programa de
programa de treino, também indica uma redução na
treino, em todas as 4 direções dos movimentos
variabilidade da análise das imagens entre os
mecânicos
Nesta
Técnicos de Radioterapia. Nos comentários à
comparação, de uma forma geral e numa relação
resposta aberta foi realçada a importância da
entre o tempo de experiência com CBCT (subgrupos
implementação do programa com protocolo de
de < 2 anos e > 2 anos), não foram encontradas
visualização de CBCT, no sentido de incrementar a
diferenças estatisticamente significativas (p > 0,05).
autonomia destes profissionais nesta competência.
da
mesa
de
tratamento.
Os profissionais com tempo de experiência superior a 10 anos revelaram uma melhoria na análise das Tabela 2 – Associação do tempo de experiência como Técnico de Radioterapia e tempo de experiência com CBCT com os DAM antes e depois do programa de treino.
Tempo de experiência como Técnico de Radioterapia <10 anos
>10 anos
de Treino
DAM Vertical
de Treino
DEPOIS do Programa
ANTES do Programa
Média (SD)
Tempo de experiência com CBCT <2 anos
valor p
>2 anos
Média (SD)
valor p
0,15 (0,04)
0,24 (0,10)
0,001
0,18 (0,08)
0,18 (0,09)
0,794
0,11 (0,02)
0,13 (0,04)
0,075
0,12 (0,03)
0,12 (0,03)
0,361
DAM Lateral
0,07 (0,01)
0,09 (0,07)
0,552
0,08 (0,04)
0,08 (0,05)
0,666
DAM Rotação
0,24 (0,06)
0,25 (0,09)
0,843
0,24 (0,06)
0,24 (0,08)
0,506
DAM Vertical
0,15 (0,05)
0,21 (0,07)
0,001
0,18 (0,07)
0,18 (0,07)
0,969
0,10 (0,02)
0,11 (0,03)
0,483
0,11 (0,02)
0,10 (0,02)
0,676
DAM Lateral
0,06 (0,02)
0,09 (0,04)
0,032
0,07 (0,03)
0,08 (0,04)
0,620
DAM Rotação
0,22 (0,05)
0,25 (0,06)
0,112
0,22 (0,05)
0,24 (0,06)
0,774
DAM Longitudinal
DAM Longitudinal
Esta estrutura de programa de treino exibe, assim,
relacionados com a anatomia radiológica pélvica.
um nível de eficácia considerado satisfatório para a
Sendo a tomada de decisão dos profissionais que
sua implementação, na medida em que existe uma
analisam criticamente os CBCT’s, considerada
necessidade formativa de atualização de conteúdos
fundamental para o cuidado ao doente, há a
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40
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
necessidade da inclusão na prática clínica de
Radiation Oncology, vol. 17, no. 4, pp. 298–305,
processos formativos nesta área, introduzindo-se
2007.
assim uma mudança nos padrões de estrutura
4. F. Foroudi et al., “Development and evaluation of a
organizacional dos serviços de Radioterapia (5,6).
training program for therapeutic radiographers as a basis for online adaptive radiation therapy for bladder carcinoma,” Radiography, vol. 16, no. 1, pp. 14–20,
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National
Cancer
Action
Team,
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2010.
Radiotherapy Implementation Group Report Image
5. R. Sartori, A. Costantini, A. Ceschi, and F.
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Tommasi,
implementation and use.,” 2012.
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2. I. of P. and E. in M. The Royal College of
and their relationships,” Frontiers in Psychology, vol.
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9, no. March, pp. 1–11, 2018.
“On
6. J. G. Couto, S. McFadden, P. McClure, P. Bezzina,
target :
ensuring
geometric
accuracy
in
“How
do
you
manage
change
in
radiotherapy,” 2008.
and C. Hughes, “Competencies of therapeutic
3. E. White and G. Kane, “Radiation Medicine
radiographers working in the linear accelerator across
Practice in the Image-Guided Radiation Therapy Era:
Europe: A systematic search of the literature and
New Roles and New Opportunities,” Seminars in
thematic analysis,” Radiography, no. xxxx, 2019.
ISSN 2184-769X
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Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
INICIATIVA ATARP “MAIO – MÊS DO CORAÇÃO” Conheça os membros da Direção da ATARP
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Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Iniciativa ATARP: “Maio – Mês do Coração” No passado mês de maio, mês do Coração, a Direção
profissionalismo e a humanização que colocamos em
Nacional da ATARP levou a cabo uma iniciativa, nas
todas as fases do processo, onde a força da inclusão
suas redes sociais, nomeadamente Instagram® e
nas equipas capacita o conjunto, muito mais que o
Facebook®,
onde enalteceu o profissionalismo e
elemento individual. O papel e trabalho dos técnicos
altruísmo dos profissionais que representa. A
de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
tecnologia que utilizam na sua rotina clínica diária,
torna-se suis generis e de relevante importância nas
não retira a marca que todos esses profissionais
equipas multidisciplinares que integram.
deixam no coração dos utentes e doentes que tratam.
Enquanto elementos da Direção da ATARP e
Nas equipas multidisciplinares, a nossa parte
profissionais no ativo, metade de nós é vontade,
representa muito mais que uma só parceria, pois
sendo a outra metade dedicação, tudo em prol dos
representa o conhecimento, a competência, o
profissionais que representamos.
A todos os profissionais que a ATARP representa, o nosso MUITO OBRIGADO!
É importante os profissionais que representamos,
1. O que levou a querer lutar pelas profissões,
conheçam os elementos da Direção Nacional da
enquanto ATARP?
ATARP
e
as
suas
motivações
enquanto
desempenham esse papel. Foram feitas duas
2. O que é fundamental nos profissionais para
questões aos elementos da Direção:
uma verdadeira afirmação de classe?
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Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Altino Cunha, Presidente da ATARP Licenciado em Radiologia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra. Mestre em Radiologia Osteo-Articular pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra. Doutorando em Segurança e Saúde Ocupacionais. Técnico de Radiologia na Unidade Local de Saúde do Nordeste.
“Podia escolher um sem número de palavras para agradecer a Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear. Escolho uma: ORGULHO! Orgulho em ter-vos como colegas! Muito obrigado!”
1.
2.
O que me levou a querer lutar pelas profissões foi a
vista científico, mas também da legislação e
vontade de devolver à ATARP e aos profissionais que
regulamentação profissional. Imprimir proatividade
ela representa, a presença e força que merecem.
sem nunca perder a noção de realidade e dos limites,
Três
lutando sempre para que cresçam. Coragem para
fatores
fundamentais:
conhecimento,
proatividade, coragem. Há que conhecer e dominar
enfrentar
algumas
resistências
conhecidas
muito bem a área de intervenção, seja do ponto de
desconhecidas, evitando, sobretudo, a vitimização.
e
Vítor Silva, Vice-Presidente da ATARP Licenciado em Radiologia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto. Mestre em Informática Médica pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Doutorando em Segurança e Saúde Ocupacionais. Técnico de Radiologia no Centro Hospitalar e Universitário São João, EPE. Docente nas Escola Superior de Saúde do Porto e Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra. Membro do Magnetic Resonance Expert Commitee da European Federation of Radiographers Society (EFRS). “Em tempos conturbados como aqueles que vivemos, se queremos ir longe e com sucesso, vamos em grupo, unindo várias formas de pensar com um único objetivo: o melhor para os associados da ATARP!”
1.
Defender e valorizar a profissão, fazendo com que os
2.
Os profissionais das nossas áreas devem ter em
profissionais das nossas sejam valorizados no seu dia
mente “o querer sair da toca”, não se acomodando.
a dia, sendo os motores dos seus serviços.
Devem demonstrar que querem saber mais e melhor,
Demonstrar que fazem parte de uma equipa
muito através da formação contínua, não estando
multipdisiplinar, onde o seu trabalho, nesses serviços
sempre a queixar-se, sem nada fazerem!
onde operam, é vital.
querem afirmar, devem ser mais pró-ativos dentro dos
Se se
seus serviços, possuindo sempre argumentos válidos para essa afirmação.
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Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Luís Domingos, Tesoureiro da ATARP Licenciado em Radiologia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra. Mestre em Radiologia, Especialização Ósteo-Articular. Técnico de Radiologia no Hospital Distrital de Santarém, EPE.
“«A única maneira de fazer um bom trabalho é amando o que se faz!» (Steve Jobs) E é por isso que aqui estamos, para tentar fazer algo de diferente, por nós, por todos, pelas nossas profissões.”
1.
A ausência de uma Associação Profissional, credível,
com que aceitasse o desafio de entrar para esta
capaz de representar os nossos profissionais, com
Associação.
capacidade para apresentar formações com um teor
2.
Fazer
parecer
não
chega,
é
preciso
mudar
cientifica de alto nível e a capacidade para iniciar o
drasticamente as mentalidades dos nossos pares, de
processo da criação de uma Ordem Profissional, fez
modo a olharem para lá daquilo que se vê atualmente, porque o presente já vem atrasado.
Rute Santos, Secretária da ATARP Licenciada em Radiologia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra. Mestre em Educação para a Saúde. Doutorada em Motricidade Humana – Especialidade Biomecânica pela Faculdade de Motricidade Humana. Professora Adjunta no Departamento de IMR da ESTeSC-IPC. Membro do Ultrasonography Expert Commitee da EFRS. “A vida é uma aprendizagem, Cabe a cada um de nós retirar o melhor partido daquilo que os outros nos podem ensinar! Na ATARP aquilo que nos move é a partilha e a possibilidade de fazer mais e melhor!”
1.
É
fundamental
deixarmos
a
nossa
marca,
e
cuidado aos doentes, enfrentando todos os dias
principalmente lutarmos por aquilo que acreditamos.
enormes desafios.
Eu acredito nas nossas profissões e no que valem os
2.
Considero a união a palavra chave. Torna-se
nossos profissionais. Por essa razão, não hesitei
fundamental também acreditarmos no que valemos.
quando tive a oportunidade de tentar fazer a diferença
Olharmos para o que já foi feito e o que ainda poderá
e dar o meu contributo para enaltecer todos esses
vir a ser pelas nossas profissões. Se cada um lutar,
profissionais
lutaremos todos e conseguiremos a afirmação das
que
são
essenciais
nas
equipas
multidisciplinares e estão na linha da frente no
ISSN 2184-769X
nossas profissões.
45
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Ana Geão, Vogal da ATARP Licenciada em Medicina Nuclear pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa. Mestre em Engenharia Física pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa. Técnica Gestora do Serviço de Medicina Nuclear no Hospital CUF Descobertas. Docente na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa. Membro do Nuclear Medicine Expert Commitee da EFRS, iniciando funções como Chair deste grupo de trabalho, em março de 2020. “«Coração de casa, cabeça de menino, não vim de berço de ouro vim de um berço de abraços e carinho.» O doce sabor de me sentir em casa no que faço, o abraço caloroso de o fazer com pessoas do coração.”
1.
Esta questão remete-me para uma citação do meu
e espero que com a minha contribuição seja possível
pai. Sempre ouvi dele que “À mulher de César não
chegar a bom porto.
basta ser séria, tem que parecer que é séria!”. Para
2.
Há pilares fundamentais dos quais não podemos
mim o significado sempre foi claro: não basta dizer
descurar: conhecimento científico, autonomia e poder
que se é... Há que fazer por isso! Quero uma profissão
de decisão. Há que alargar e consolidar esfera de
reconhecida, com autonomia, com saber; cabe-me a
atuação da nossa classe profissional quer através de
mim, como a cada profissional arregaçar as mangas
trabalho individual, quer através da participação,
e trabalhar. Nada se consegue sem trabalho e esforço
mobilização
e
gerências
de
movimentos
que
partilhem destes ideais como por exemplo a ATARP.
Eduarda Pereira, Vogal da ATARP Licenciada em Imagem Médica e Radioterapia pela Escola Superior de Tecnologia de Saúde de Coimbra. Técnica de Radiologia na ULSAM – Hospital de Santa Luzia, Viana do Castelo. “«Uma vida extraordinária prende-se essencialmente com as melhorias diárias que acrescentamos às áreas que mais importam». (Robin Sharma) A nossa ambição começa por sermos mais unidos, mais fortes, e posteriormente por marcarmos a diferença com pequenas grandes ações, uns pelos outros.” só assim conseguimos lutar por nós, vocês e por
1. O querer lutar começa por cada um de nós, pela união
todos, pelas nossas profissões.
de uma equipa e pela dedicação conjunta. Poderia citar inúmeros fatores, no entanto, o mais importante
2. Reconhecer os profissionais presenteando a atenção
e o que nos leva a lutar pelas profissões, é e será o
merecida pela dedicação, pela ambição de superar
verdadeiro reconhecimento dos profissionais pela
objetivos, pelo conhecimento adquirido através da
prática diária, a igualdade entre todos e a posterior
formação contínua e a prática diária, são fatores
valorização. E só unidos é que somos mais fortes e
fundamentais profissionais.
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46
que
enriquecem
e
ajudam
os
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Pedro Vicente, Vogal da ATARP Licenciado em Radioterapia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (2000). Licenciado em Cardiopneumologia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (2009). Técnico de Radioterapia no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Assistente Convidado de IMR, na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra. “«Sozinho chegarás mais rápido, mas em conjunto, chegarás mais longe!» A ATARP e vós, unidos na procura de um futuro profissional, melhor!”
1.
2.
As profissões, todas elas, atravessam um constante
sob a influência constante e fundamental upgrade de
processo de aferição, restruturação e de lutas. Nesse
conhecimento e ciência, oriundo da formação e
âmbito, achei que poderia contribuir que a ATARP
investigação. A articulação e inclusão em equipas
promova uma maior e necessária defesa dos seus
multidisciplinares dos dias de hoje, acrescido da força
profissionais e construir um melhor e merecido futuro,
que o associativismo deve impulsionar e prestar a
de uma forma mais próxima e de sintonia.
estas profissões! Por último e em sintonia, deve existir
A afirmação desta classe, tem que partir numa primeir
uma filosofia ou culturade profissão onde o rigor,
fase, naturalmente do percurso académico e do
ética, identificação, enquadramento e determinação
conhecimento resultante do ensino. Em seguida, do
deve existir em cada um, enquanto profissional, desta
grau de qualidade ímpar, do exercício profissional,
classe!
Rafaela Guisantes, Direção da ATARP Licenciada em Imagem Médica e Radioterapia em 2017, pela Escola Superior de Tecnologia de Saúde de Coimbra. Técnica de Radioterapia no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. “«Você nunca sabe que resultados virão da sua ação. Mas se você não fizer nada, não existirão resultados». (Mahatma Gandhi) Obrigada a esta equipa que todos os dias trabalha com o coração." 1.
A minha vida profissional diária desenvolve-se junto
conjunto com associações que caminham no mesmo
de uma equipa multidisciplinar e cada vez mais a troca
sentido que os profissionais.
de conhecimentos, a aprendizagem e o crescimento
2.
Acredito que as profissões que a ATARP retrata
inter-equipa são fundamentais. A ATARP representa
caminham com um objetivo comum. A verdadeira
todos estes pontos, associando a luta pelas nossas
afirmação da classe só é possível quando todos nós
profissões que só é possível e eficaz se for feita em
compreendermos que o futuro passa por desenvolvêla e fazê-la crescer.
ISSN 2184-769X
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Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Edgar Pereira, Direção da ATARP Licenciado em Medicina Nuclear pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa. Mestre em Química Biorgânica pela Faculdade de Ciências e Tecnologias – Universidade Nova de Lisboa. Especialista em Medicina Nuclear. Técnico de Medicina Nuclear na Nuclearmed, Hospital Particular de Almada. Docente na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa. “«Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades». (Luís Vaz de Camões) Hoje vivemos mais um novo desafio. Com garra, aprendemos, melhoramos e crescemos. Será sempre com corpo, com alma e determinação que enfrentamos o presente e marcaremos o futuro. A todos os colegas, obrigado pela coragem."
1.
Sempre tive alguma dificuldade em me conformar
profissional. Espero, com a ATARP, poder dar um
com o que acredito poder ser melhor. A evolução que
contributo positivo nesta mudança.
se tem verificado nas Tecnologias da Saúde é
2.
Conhecimento. Saber mais para poder fazer melhor
imensa, particularmente a que se verifica nas áreas
é, na minha perspetiva, a chave para o sucesso. Cada
ligadas à utilização médica de radiação. Esta, fez-se
vez mais me convenço que uma Licenciatura não é
acompanhar pelos respetivos planos de estudo das
suficiente. A formação contínua é a rampa de
instituições de Ensino Superior, mas “no terreno”,
lançamento para um Técnico mais capaz, mais
parece manter-se uma inércia adicional. A mudança
competente e com melhor capacidade de tomada de
neste paradigma é urgente. A ATARP apresentou-me
decisão,
um projeto sério e estruturado que vai de encontro
conhecimento será possível solidificar o nosso papel,
àquilo que acredito ser necessário às profissões de
de forma autónoma, em contexto de trabalho de
Técnico de Radiologia, de Radioterapia e de Medicina
equipa.
assertiva
e
consciente.
Só
com
Nuclear. Depois, resta trabalhar com rigor e brio
Carla Pereira, Direção da ATARP Licenciada em Radiologia pela Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra. Mestre em Informática Médica pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Técnica de Radiologia nos Cuidados de Saúde Primários da ULS Nordeste. “Na vida, tudo o que é dito e feito de coração tem mais valor. O coração da ATARP é composto por dedicação, profissionalismo, companheirismo e trabalho de uma equipa que dá o melhor de si e cada dia em prol da valorização das suas profissões e união dos seus profissionais. Obrigada equipa!”
1.
Acreditar nos valores e potenciais da equipa para
2.
fazer o melhor pelas profissões e pelos profissionais.
ISSN 2184-769X
Vontade, união e trabalho em equipa com verdadeiro espírito de grupo.
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Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
INDÚSTRIA
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Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Fundada em 2013, disponibiliza uma ampla gama de equipamentos, softwares e consumíveis para as áreas da Radioterapia, Radiologia e Medicina Nuclear. Com a transposição da Diretiva 2013/59/Euratom para o Decreto-Lei n.º 108/2018, reforçámos, recentemente, a nossa gama de produtos na área do Controlo da Qualidade e Protecção Radiológica, com a representação de dois novos fabricantes internacionais, para além de mantermos a colaboração já existente com a Pehamed (https://www.pehamed.de/en/) e a Polimaster (https://polimaster.eu/).
Kyoto Kagaku (https://www.kyotokagaku.com/) Fantomas de ensino, simulação e controlo da qualidade para Ultrassonografia, Radiologia Geral, TC, RM, PET/SPECT, IGRT e Dosimetria.
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Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Fundada em 2013, disponibiliza uma ampla gama de equipamentos, softwares e consumíveis para as áreas da Radioterapia, Radiologia e Medicina Nuclear. Com a transposição da Diretiva 2013/59/Euratom para o Decreto-Lei n.º 108/2018, reforçámos, recentemente, a nossa gama de produtos na área do Controlo da Qualidade e Protecção Radiológica, com a representação de dois novos fabricantes internacionais, para além de mantermos a colaboração já existente com a Pehamed (https://www.pehamed.de/en/) e a Polimaster (https://polimaster.eu/).
Quart (https://quart.de/en) Fantomas de teste e medidores para controlo de
Tomografia
qualidade e protecção radiológica para Radiografia,
Intervenção, Protecção Radiológica e Medições
Fluoroscopia, Raio-X Odontológico, CBCT e
de Pesquisa de Dose.
Imagem
3D,
ISSN 2184-769X
Mamografia,
Tomossíntese,
51
Computadorizada,
Radiologia
de
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
ESPAÇO ATARP Apresentação do novo website Próximos Eventos Próxima Edição Revista “Radiações” Call for Papers
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52
Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Apresentação do novo website ATARP Desde 2016, altura em que a ATARP voltou ao ativo,
Esta plataforma totalmente online e integrada vai
a Direção tem feito um esforço tremendo de forma a
permitir
aproveitar os recursos já existentes. Devido à
descentralizada, com vários acessos em simultâneo,
dinâmica implementada nos últimos anos, que tem
dando a possibilidade a vários elementos da Direção
levado
de trabalharem em simultâneo.
ao
contínuo
aumento
do
número
de
uma
gestão
interna
facilitada
e
associados e à organização contínua de eventos
O novo website já se encontra online desde o
formativos, a Direção da ATARP tem vindo a deparar-
passado mês de maio. No entanto, a adaptação dos
se com algumas limitações ao nível do software de
módulos de gestão de associados e de eventos está
gestão de associados, que não permitia a integração
a demorar mais tempo do que o esperado. Este
com o website, de forma a automatizar toda a gestão
atraso está a ser gerado devido ao elevado número
dos associados, bem como apresentava algumas
de dados relativo a todo o historial de saldos de
limitações em termos de contabilidade.
quotas e de eventos dos associados que poderão ser
Após ter sido detetada esta lacuna foi realizada uma
consultados numa área reservada, bem como
pesquisa de mercado. Desde o início do ano de 2020,
documentos internos da Associação (Estatutos,
a Direção da ATARP começou a preparar a transição
Regulamentos Internos, Relatórios de Contas e
para uma nova plataforma de gestão, online, que vai
Planos de Atividades), pareceres, artigos científicos
incorporar um website, totalmente responsivo e
e/ou livros científicos.
adaptativo a qualquer dispositivo móvel, fazendo com
A adaptação desta plataforma à realidade da ATARP
que não seja necessário investir numa aplicação para
vai ser um processo contínuo ao longo dos próximos
associados, um software de gestão de associados
anos, de forma a melhorar a experiência de utilização
totalmente online e integrado com o website e um
da plataforma pela Direção e Associados da ATARP.
novo
software
de
faturação
adaptado
às
Luís Domingos
necessidades diárias da Associação.
Tesoureiro da ATARP
Novo Website: www.atarp.pt ISSN 2184-769X
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Radiações
Nº 01 – Junho/Agosto 2020 ATARP – Associação Portuguesa dos Técnicos de Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear
Próximos Eventos ATARP A Direção Nacional preparou, também em parceria com alguns players da indústria, um plano formativo para os meses de junho, julho e setembro de 2020. A maioria dos eventos são gratuitos para os Associados ATARP e os restantes têm preço especial para associado. Estão para já confirmados os seguintes eventos:
Dia 18 de junho - Estudo da má absorção de
Dia 7 de julho - Tratamento Endovascular da
ácidos biliares com ácido taurosselcólico.
Patologia
Neurovascular
–
Medtronic
Portfolio. Dia 25 de junho - Otimização dos protocolos de administração de meios de contraste.
Dia
9
de
julho
- DaTQUANT
SA
-
Quantificação de imagem SPECT de Datscan. Dia 30 de junho e 8 de julho - Avanços em Tomografia Computorizada.
Dia 22 e 29 de julho - Manual de compra de Ressonância Magnética.
Dia
1
de
julho
- Compreender
a
monitorização no doente crítico.
Setembro - Curso de Braquiterapia.
Brevemente, mais informações e inscrições em www.atarp.pt.
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Radiações
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Próxima Edição da Revista “Radiações” Segurança em Radiologia, Radioterapia e Medicina Nuclear A Organização Mundial da Saúde define segurança do doente como a ausência de dano evitável durante o processo de cuidados de saúde. Refere também que a segurança se relaciona com a redução para o mínimo possível do risco associado à prestação de cuidados, em função do conhecimento e dos recursos disponíveis, bem como do contexto no qual a prestação de cuidados é realizada, versus o risco da não execução do procedimento ou da realização de um procedimento alternativo.
A segurança dos doentes e dos profissionais deve ser
do estado de saúde um doente, contaminações
sempre prioritária, obrigando, por esse motivo a uma
radioativas, riscos relacionados com modalidades
atenção permanente.
específicas da Radiologia, como a Ressonância
Uma das razões pelas quais a avaliação e gestão do
Magnética (RM), reações adversas à administração
risco devem, cada vez mais, ter um lugar de destaque
de um contraste radiológico ou de um radiofármaco
na prestação de cuidados de saúde prende-se com o
ou a sua administração indevida são apenas alguns
facto de todo este processo apresentar um nível
exemplos de acidentes ou de incidentes que podem
potencial de insegurança.
ocorrer numa Unidade de Radioterapia, Medicina
Acidentes de trabalho, risco de infeções, sobre-
Nuclear ou de Radiologia.
exposição a radiação ionizante, a rápida deterioração
Proteção contra Radiações Ionizantes
Desde a introdução do uso de radiação ionizante na
meios de proteção adequados e, naturalmente, sobre
saúde até aos dias de hoje, muito se evoluiu em
os efeitos potenciais decorrentes do uso de radiação
relação às questões de Segurança e Proteção contra
ionizante. Sabe-se que os efeitos biológicos das
Radiações. Temos hoje bem cimentado o impacto
radiações ionizantes se classificam em efeitos
positivo do uso da radiação nos cuidados de saúde,
determinísticos, onde existe um limiar de dose, e
desde o diagnóstico, ao seguimento e tratamento do
efeitos estocásticos, para os quais não existe um
doente.
limiar de dose. É fulcral que o Técnico tenha em conta
Por outro lado, conhecemos a importância da
que os fatores determinantes dos efeitos biológicos
Segurança e da Proteção contra Radiações na
da exposição à radiação ionizante incluem: a) dose
execução de técnicas que envolvem a aplicação de
total recebida; b) frequência de exposição; c) parte do
radiação ionizante.
corpo exposta à radiação; d) características da
A utilização segura de fontes radioativas, sejam elas
radiação; e) variabilidade biológica.
fontes seladas ou não seladas, em Radiologia, em
O conhecimento e correto manuseamento de
Radioterapia, ou em Medicina Nuclear, obriga a um
equipamento de proteção individual apropriado
conhecimento profundo sobre os diversos tipos de
mediante diferentes cenários é fulcral para uma
radiação em utilização clínica, assim como sobre os
melhor proteção do profissional.
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Proteção contra Radiações Não Ionizantes
A utilização de modalidades de imagem médica onde
Specific Absorption Rate (SAR) e B1+rms são fulcrais
se utiliza radiação não ionizante, como a RM e a
para uma adequada monitorização do doente.
Ecografia, acarretam outros riscos e efeitos que os
O facto de que, atualmente, a maior parte dos
Técnicos devem também conhecer, para uma melhor
dispositivos
abordagem ao doente, diminuindo-se assim ao
condicionais à realização de um exame de RM,
máximo os riscos e efeitos relacionados com estas
também incute ao Técnico um maior conhecimento
modalidades de imagem. Na RM, o conhecimento
da física inerente à RM e correta introdução e
dos riscos e efeitos (biológicos, físicos e mecânicos)
manipulação de parâmetros de aquisição de imagem,
associados a cada um dos campos eletromagnéticos
por forma a executar o exame com as condições
inerentes à técnica é fulcral para uma maior
ideais de segurança.
segurança tanto do doente, como do próprio Técnico
Relativamente à segurança em Ecografia, torna-se
e toda a equipa.
importante ter em atenção a sensibilidade dos tecidos
Quanto aos efeitos e riscos físicos e mecânicos
aos efeitos térmicos e mecânicos produzidos por este
associados à RM, conhecemos a atração de objetos
método de imagem diagnóstica. É essencial que o
metálicos (efeito míssil), torção, deflexão, ruído
Técnico conheça os princípios inerentes a esta
acústico. Nos efeitos e riscos biológicos devidos à
técnica, pois é da sua responsabilidade o uso seguro
exposição aos Campos Eletromagnéticos, pode-se
deste tipo de equipamento. De realçar que qualquer
citar a estimulação nervosa periférica, o aquecimento
benefício no uso da ecografia supera sempre
dos tecidos, tonturas, cefaleias, gosto metálico na
qualquer risco que lhe possa estar associado, no que
boca, entre outros. Termos dosimétricos como
respeita aos seus mecanismos biológicos.
médicos
implantáveis
serem
Outros Riscos
Como referido anteriormente, existem muitos mais
adequados aquando do acometimento de uma
riscos que o Técnico tem de ter em conta no seu local
reação;
de trabalho. Esses riscos podem englobar, entre
Riscos ergonómicos: adotar posturas corretas
outros:
e adequadas no seu local de trabalho, assim
Risco
de
infeção:
maior
frequência
da
como
tomar
as
medidas
corretas
na
higienização ao longo do dia, entre cada doente
transferência e mobilização de doentes;
e no final da rotina de trabalho; formação na
Contaminações radioativas: saber quais os
colocação,
dos
procedimentos a adotar neste tipo de incidentes.
equipamentos de proteção individual adequados
Riscos psicossociais: a pressão exercida
para os diferentes cenários;
pelas organizações, o excesso de trabalho, o
Reações adversas a produtos de contraste:
trabalho por turnos, entre outros, são motivos
saber quais os tipos que acarretam mais
para o aumento de doenças de foro psicológico
reações
nos profissionais de saúde.
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utilização
alérgicas
e
e
os
remoção
procedimentos
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Conclusão
Enquanto Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica, é
Inovação tecnológica constante, introdução de novas
mandatória
dos
práticas, novas orientações de trabalho e um
profissionais e doentes. Em particular, enquanto
crescente incremento de responsabilidade, exigem
profissionais que empregam o uso de radiação, os
por isso que o processo de aprendizagem seja
Técnicos de Medicina Nuclear, de Radiologia e de
contínuo, ao longo da vida.
a
garantia
de
Segurança
Radioterapia devem exponenciar esta preocupação.
Call for Papers Numa fase tão complicada pela qual passamos desde março de 2020 e pela qual ainda continuamos a passar, estando muitos de nós na chamada “linha da frente” no combate à Covid-19, é muito pertinente que na próxima edição (2ª edição) da Revista “Radiações”, um dos temas centrais seja a Segurança, quer se trate de segurança do doente, ou dos profissionais. Com a Covid-19, novas práticas de segurança contra a infeção foram tomadas, tendo havido lugar à criação de novos circuitos para doentes e profissionais, acrescentando ainda precauções acrescidas na prestação dos cuidados, nomeadamente no que concerne à proteção e segurança contra radiações, ionizantes ou não ionizantes. Encontra-se assim aberta a submissão de artigos para o segundo número da Revista “Radiações”. No próximo número iremos privilegiar a submissão de artigos dentro dos seguintes tópicos: Proteção contra Radiações Ionizantes;
Exposição a agentes infeciosos;
Contaminações Radioativas;
Atenção ao doente crítico;
Proteção contra Radiações não Ionizantes;
Reações adversas;
Incidentes na administração de radiofármacos e
Acidentes de trabalho;
meios de contrastes radiológicos;
Riscos ergonómicos;
Dosimetria;
Outros.
Formato de redação: brevemente no website da ATARP, as normas para a redação de artigos. Prazo para entrega dos artigos: 1 de setembro de 2020. Idioma: Português
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