
REVISTA DA ORDEM DOS MÉDICOS DENTISTAS
JANEIRO 2026 | nº 66
Trimestral - Gratuita

ORDEM Barómetro da Saúde Oral
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REVISTA DA ORDEM DOS MÉDICOS DENTISTAS
JANEIRO 2026 | nº 66
Trimestral - Gratuita

ORDEM Barómetro da Saúde Oral
ENTREVISTA
Catarina Cortez
Representante da RAM no CD
ESTILO DE VIDA
RAFI die Erste
Artista urbana

EDITORIAL
> Manuel Neves Orgulho! 4
ACONTECEU
> Edição de janeiro
Médico dentista Manuel Neves é o editor convidado da Revista da OMD 6
> Conselho Europeu de Médicos Dentistas
Bastonário reeleito para a direção do CED 8
> Cooperação institucional
Ensino e formação na agenda da reunião entre a OMD e a A3ES 8
> Reunião do Conselho Geral Plano de Atividades e Orçamento para 2026 aprovados 9
> Documento aguarda publicação em DR
Conselho Diretivo delibera revisão da Tabela de Nomenclatura da OMD 9
> Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores
Açores dá passos na criação da carreira 9
> Certificados de Incapacidade Temporária
Ordem quer integrar os médicos dentistas na emissão de CIT 10
> Proteção radiológica
Novos deveres para titulares de equipamentos intraorais 10
> Diretora-geral da Saúde recebe a OMD
Miguel Pavão reuniu-se com Rita Sá Machado 12
> Em vigor desde 9 de janeiro
Regulamento Geral dos Colégios de Especialidade publicado em DR 12
> Representação portuguesa na prostodontia
American College of Prosthodontists passa a integrar Secção Portuguesa 12
VAI ACONTECER
> Novas especialidades
Processos especiaisde endodontia e prostodontia
encerram a 15 de abril 14
> Decorre até 31 de março
Candidaturas abertas à Bolsa de Formação João F. C. Carvalho 14
> Efeméride assinala-se a 20 de março
Dia Mundial da Saúde Oral vai unir as cidades de Valença e Tui 15
> I Simpósio Ibérico
Porto é o palco do primeiro intercâmbio científico lusoespanhol 15
> Congresso mundial da FDI
Submissão de trabalhos científicos decorre até 15 de março 16
DESTAQUE
> Plano de atividades 2026
A revolução tecnológica da OMD já começou! 17
ORDEM
> Diagnóstico à Profissão
Emigração é o "Plano A" para cada vez mais médicos dentistas 19
> Barómetro da Saúde Oral
Falta de dentes é realidade para mais de 60% da população 23
> Região Autónoma da Madeira
OMD e Secretaria Regional assinam revisão da Convenção de 1997 26
> 34º Congresso da OMD
Afirmar a profissão com as competências em medicina dentária no século XXI 28
ENTREVISTA
> Catarina Cortez, representante da RAM no CD da OMD “É bom saber que estamos a servir as pessoas naquilo que mais precisam” 34
NACIONAL
> Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões
Projeto “Comer Bem, Sorrir Melhor” regressa às escolas de Viseu 38
> Associação Portuguesa de Hemofilia
HEMA é o primeiro avatar especialista em coagulopatias 39
> Relatório do Sistema de Saúde
Radiografia da saúde: um setor a duas velocidades 40
Vox-Pop 360º
> Constanza Ariza Médica dentista (< - 35 anos) 41
> Gonçalo Silva Médico dentista (36 - 60 anos) 42
> Paula Raposo Esteves Médica dentista (> - 61 anos) 43
EUROPA
> Conselho Europeu de Médicos Dentistas
Prevenção e sustentabilidade na agenda da estratégia europeia 44
> Federação Europeia de Cirurgia Oral
Médico dentista Fernando Duarte eleito presidente da EFOS 44
> Primeiro médico dentista português no CESE
Orlando Monteiro da Silva integra o Comité Económico e Social Europeu 45

> Associação para o Ensino da Medicina Dentária na Europa
DigEdDent, a plataforma digital para auxiliar no ensino da medicina dentária 45
GLOBAL
> Roland C. Gorter, psicólogo e professor associado no Centro Académico de Medicina Dentária de Amesterdão “Mesmo com uma situação financeira favorável, muitos médicos dentistas sentem-se presos numa espécie de gaiola dourada” 46
> Federação Dentária Internacional em Xangai
Declaração da ONU coloca a saúde oral no centro da resposta global às DNT 50
> Medicina dentária portuguesa nos EUA
Miguel Stanley integra conselho de inovação em Harvard 52
> Prémio de reconhecimento e mérito
Médica dentista Susana Falardo distinguida em Singapura 52
ESTILO DE VIDA
> RAFI die Erste “A arte urbana é a expressão artística do século XXI” 54
PROPRIEDADE
Ordem dos Médicos Dentistas
Av. Dr. Antunes Guimarães, 463
4100-080 Porto, PORTUGAL
EDITOR
Ordem dos Médicos Dentistas
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DIREÇÃO
Diretor: Miguel Pavão
Diretores-adjuntos: Maria da Graça
Mota Parece e Tiago do Nascimento Borges
CONSELHO EDITORIAL
- Bastonário da OMD
- Presidente do Conselho Diretivo da OMD
- Presidente da Mesa da AssembleiaGeral da OMD
- Presidente do Conselho Geral da OMD
- Presidente do Conselho Deontológico e de Disciplina da OMD
- Presidente do Conselho Fiscal da OMD
- Presidente do Colégio de Ortodontia
- Conselho dos Jovens Médicos Dentistas
SEDE E REDAÇÃO
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4100-080 Porto, Portugal
Telefone: +351 226 197 690 revista@omd.pt
REDAÇÃO
Ordem dos Médicos Dentistas
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Chefe de redação: Cristina Gonçalves
Redação: Patrícia Tavares e Alexandre Moita
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Editorial MIC Telefone: 221 106 800
EDIÇÃO GRÁFICA, PÁGINAÇÃO E IMPRESSÃO
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EDIÇÃO ONLINE: https://www.omd.pt/revista
PERIODICIDADE: Trimestral
DISTRIBUIÇÃO: Gratuita
TIRAGEM: 1250 exemplares
DEPÓSITO LEGAL: 285 271/08
Nº DE INSCRIÇÃO NA ERC: 127125
ISSN: 1647-0486
Artigos assinados e de opinião remetem para as posições dos respetivos autores, não refletindo, necessariamente, as posições oficiais e de consenso da OMD.
Anúncios a cursos não implicam direta ou indiretamente a acreditação científica do seu conteúdo pela Ordem dos Médicos Dentistas, a qual segue os trâmites dos termos regulamentares internos em vigor.

Manuel Neves, médico dentista e editor convidado
A caminho dos 45 anos de licenciatura em Medicina Dentária (OMD-44), escrevo este editorial para a revista da nossa Ordem com um sentimento muito claro: orgulho. Orgulho no percurso pessoal, mas sobretudo orgulho numa profissão que ajudei a construir, a defender e a fazer crescer ao longo de décadas.
Sempre acompanhei de perto o percurso das nossas associações profissionais - primeiro a APMD e depois a OMD - apoiando, sem reservas, diferentes lideranças: João F. C. Carvalho, Manuel Fontes de Carvalho, Orlando Monteiro da Silva e, agora, Miguel Pavão. Trabalharam bem? A minha resposta é simples: não conheço quem pudesse ter feito melhor nas circunstâncias em que trabalharam. Liderar uma Ordem profissional no contexto político, económico e social que atravessámos até hoje nunca foi uma tarefa fácil. E ainda não o é.
Vivemos uma transformação profunda da profissão. Passámos rapidamente de algumas centenas para milhares de médicos dentistas. Um crescimento feito contra as recomendações da OMS, contra os alertas da nossa Ordem e sem planeamento estratégico nacional. O resultado está à vista: exportamos profissionais altamente qualificados, colocamos outros tantos em contextos laborais precários e criámos um mercado desequilibrado.
Há quem aponte o dedo à Ordem. Eu discordo. A responsabilidade é essencialmente política. Foram sucessivos governos que permitiram um crescimento desregulado da medicina dentária, sem nunca estruturarem uma carreira pública que o país tanto necessita, optando sistematicamente por empurrar
a profissão para a esfera privada. Verificou-se assim um modelo que agora ameaça o SNS: abdicar do serviço público em favor da lógica de mercado e dos interesses do setor privado. Uma medicina - e uma medicina dentáriaforte no SNS é perfeitamente compatível com hospitais e clínicas privadas. O que faltou, e continua a faltar, foi vontade política séria e estruturada
Reconheço aqui uma das aparentes contradições da minha vida profissional: defendo publicamente uma medicina dentária integrada num SNS forte e de qualidade, ao mesmo tempo que exerço numa clínica privada bem-sucedida. Mas não vejo nisso incoerência. Vejo antes a prova de que o sistema pode - e deve - ser equilibrado, justo e sustentável.
Enquanto travamos estas batalhas externas, a OMD continua a crescer. Contudo, muitos colegas desconhecem a dimensão real da máquina interna que sustenta esse crescimento. Só quem está dentro — bastonário, direção e colaboradores — percebe a intensidade diária desta luta silenciosa: defender a profissão, responder às exigências legais, representar Portugal internacionalmente e manter uma instituição funcional.
De umas instalações modestas, com quatro ou cinco funcionários, passámos para uma sede que serve hoje quase 17 mil médicos dentistas. Uma estrutura que já funciona no limite da sua capacidade física e humana. É inevitável modernizar, expandir e preparar a Ordem para as exigências crescentes - muitas vezes excessivas - da burocracia nacional e europeia.
Confesso que, durante anos, conheci a sede apenas como local de voto ou de passagem rápida. Desta vez, a convite do nosso bastonário, percorri cada espaço, conversei com colaboradores e tive uma longa e esclarecedora conversa com o diretor executivo, Dr. Francisco Miranda Rodrigues . Só então percebi verdadeiramente o “motor” da nossa Ordem.
Todos os dias entram dezenas - diria centenas - de telefonemas e emails de colegas que precisam de respostas rápidas. Há um trabalho constante de análise legislativa, adaptação regulamentar, esclarecimento profissional e combate à burocracia crescente que ameaça a autonomia da nossa atividade. Este trabalho raramente é visível, mas é absolutamente essencial.
É esta pirâmide bem estruturada , liderada pelo bastonário e pelo diretor executivo, apoiada por equipas técnicas altamente dedicadas, que sustenta a credibilidade da OMD e a sua voz ativa em Portugal e no exterior.
Ao escrever estas linhas, não falo apenas do passado. Falo, sobretudo, do futuro. A medicina dentária portuguesa tem talento, conhecimento e capacidade para continuar a crescer com qualidade. Mas isso exige instituições fortes, liderança responsável e uma classe profissional mais próxima, mais participativa e mais consciente do valor da sua Ordem
É esse caminho que devemos continuar a trilhar. Com exigência. Com visão. E, acima de tudo, com sentido de responsabilidade coletiva.

EDIÇÃO
▶ O arranque do ano traz novos ciclos, projetos que se iniciam e tradições que se repetem. Nesta edição especial, em que a Revista da OMD dá destaque aos objetivos e metas que estão plasmados no Plano de Atividades para 2026, o bastonário Miguel Pavão convidou o médico dentista Manuel Neves para integrar este número, como editor convidado.
Com um longo percurso na medicina dentária, o membro nº 44 da OMD assistiu à criação da associação pública profissional e tem acompanhado a sua evolução (a par da profissão e da ciência) ao longo de décadas. Este foi o ponto de partida para esta “viagem” do médico dentista que, nesta edição 66, teve a oportunidade de conhecer e intervir no processo editorial da publicação, vivenciando in loco o dia a dia da instituição.
O convite, explica Miguel Pavão, deve-se “à admiração e inspiração pelos valores e ideias que o colega Manuel Neves representa e que motivaram a minha escolha para que fosse mandatário da minha candidatura a bastonário, mantendo-se como uma referência ao longo deste meu percurso no cargo”.

Além das reuniões com o bastonário e o diretor executivo, Manuel Neves conheceu os rostos de quem está nos bastidores e a dinâmica das equipas que trabalham na OMD, trazendo o olhar da experiência e a sua visão da instituição, enquanto médico dentista. Este foi o mote para a sua participação nesta edição, numa iniciativa que visa uma maior colaboração e proximidade entre a Ordem e os seus membros. O resultado final


está exposto no editorial que assina e dirige a todos os médicos dentistas.
Manuel Neves foi sócio-fundador e primeiro presidente da SPPED. Formado em Medicina Dentária pela Universidade do Porto, o médico dentista foi docente com responsabilidades de regência e direção nas áreas da prostodontia fixa e da implantologia oral, no Instituto Superior de Ciências da Saúde – Norte (atual Instituto Universitário de Ciências da Saúde (IUCS, CESPU)). É fellow do International College of Dentists (ICD) e senior fellow da International Team for Implantology (ITI).

▲ (da esq. para a dir.) Miguel Pavão, bastonário, Cristina Gonçalves, diretora do Departamento de Comunicação e Envolvimento Profissional, Manuel Neves, médico dentista e Maria da Graça Mota Parece, diretora-adjunta da Revista da OMD

▶ Miguel Pavão foi reeleito para a direção do Conselho Europeu de Médicos Dentistas (CED) na assembleia-geral de 14 de novembro, em Bruxelas.
O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas vai integrar a equipa liderada pelo presidente Freddie Sloth-Lisbjerg (Dinamarca) até 2028.

▲ (Da esq. para a dir.) Charlotte Heuzé (França), Christof Ruda (Áustria), Katalin Nagy (Hungria), Freddie Sloth-Lisbjerg (Dinamarca), Anna Lella (Polónia), Robin Foyle (Irlanda) e Miguel Pavão (Portugal) compõem a direção do CED
COOPERAÇÃO INSTITUCIONAL
Para o responsável, a continuidade no cargo representa um voto de confiança no trabalho desenvolvido desde 2022, data em que foi eleito pela primeira vez. “É uma oportunidade para prosseguir os esforços que têm vindo a ser realizados em termos de colocar no debate europeu os desafios que os médicos dentistas portugueses enfrentam, o futuro da medicina dentária e a sua integração nas políticas de saúde”, explicou.
Por outro lado, o bastonário considerou que há temas que continuam a nortear a ação da OMD neste contexto, nomeadamente “a qualidade do ensino e formação, o excesso de profissionais, a mercantilização da profissão e a preocupação com o acesso e a qualidade dos cuidados de saúde oral prestados à população”.
▶ A Ordem dos Médicos Dentistas foi recebida pelo novo presidente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), João Sàágua, a 14 de janeiro, em Lisboa.
Na reunião com o bastonário Miguel Pavão e a vice-presidente do Conselho Diretivo, Maria João Ponces (que detém o pelouro da qualidade do ensino), foi abordada a intenção de se estabelecer um protocolo de cooperação entre os dois organismos, que contemple a possibilidade da OMD ter um observador externo nas comissões de avaliação externa (CAE).
Na agenda esteve também a alteração legislativa dos processos de acreditação de novos cursos. A A3ES comunicou que está a ser considerado enquadrar o panorama da empregabilidade no regime jurídico dos graus e diplomas do ensino superior, adiantando que as ordens serão auscultadas neste assunto.
“Estamos perante uma mudança de paradigma, que vai de encontro aos apelos e alertas das ordens profissionais, ou seja, de que a formação dos profissionais deve ter em conta as necessidades,
realidades e níveis de empregabilidade no território nacional”, referiu Miguel Pavão à saída do encontro.
A OMD aproveitou ainda para fazer o enquadramento das cimeiras do ensino superior que tem realizado com as universidades e representantes dos estudantes. O novo presidente ficou a conhecer o trabalho desenvolvido nesta área, nomeadamente no que concerne os parâmetros de qualidade da formação em medicina dentária e das competências adquiridas.
Miguel Pavão reiterou a disponibilidade da Ordem para manter o “estreito relacionamento com a A3ES, de forma a dar continuidade à reflexão sobre o papel do médico dentista, hoje e no futuro”. João Sàágua, que tomou posse em outubro passado, mostrou-se empenhado nesta cooperação, tendo inclusive indicado que a colaboração com as associações públicas profissionais integra o plano de atividades do organismo para este ano. Uma medida aplaudida pela OMD.

DO
▶ O Conselho Geral (CG) analisou, discutiu e aprovou o Plano de Atividades e Orçamento para o ano de 2026, ambos por maioria, na reunião de 6 de dezembro.
Os documentos foram elaborados pelo Conselho Diretivo e apresentados durante o plenário pelo presidente do Conselho Diretivo, Miguel Pavão, pelo tesoureiro da OMD, Paulo Miller, e pelo diretor executivo, Francisco Miranda Rodrigues.
O plano contém as linhas orientadoras da atividade da Ordem e os objetivos que os vários órgãos sociais se propõem cumprir.
A reunião do CG foi conduzida pelo presidente, Fernando Guerra, pela vice-presidente, Célia Carneiro, e pelos secretários João Tiago Ferreira e Gisela Melo de Sousa.

DOCUMENTO AGUARDA PUBLICAÇÃO EM DR
▶ O Conselho Diretivo da Ordem dos Médicos Dentistas aprovou na reunião de janeiro, que decorreu em Lisboa, a revisão da Tabela de Nomenclatura da OMD.
O projeto de alteração foi validado em agosto de 2024, tendo sido submetido a consulta pública. Após a recolha dos contributos e sua análise, foi elaborada a versão final que
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES
foi deliberada na primeira reunião de 2026 do CD.
A tabela segue agora para publicação em Diário da República.
▶ A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores aprovou a proposta de Orçamento para 2026. O documento, viabilizado por maioria, em novembro passado, confirma a criação da carreira de médico dentista no Serviço Regional de Saúde, estabelecendo o vínculo de emprego público e os respetivos requisitos de habilitação, evolução e avaliação.
Miguel Pavão sublinhou na altura que
“este é um passo importante para os profissionais que exercem na Região e um exemplo positivo para o continente”, mostrando “total disponibilidade para colaborar na estruturação deste diploma”, cujas linhas orientadoras deverão ser concluídas ao longo de 2026.
Recorde-se que a Ordem, nas várias reuniões com as entidades responsáveis, alertou para a urgência da re -
gularização da atividade dos médicos dentistas no setor público, que são contratados como Técnicos Superiores do Regime Geral, uma carreira com conteúdo funcional unicamente administrativo.
Esta reivindicação constou dos vários contributos da Ordem, nomeadamente para o Plano Regional de Saúde dos Açores 2030 e para o programa “Açores 2034 – Agenda para o Futuro”.
CERTIFICADOS DE INCAPACIDADE TEMPORÁRIA
▶ A OMD enviou uma exposição à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, sobre o impedimento no acesso dos médicos dentistas à plataforma de emissão do Certificado de Incapacidade Temporária (CIT).
Estes profissionais estão impossibilitados de aceder ao sistema, desde a publicação da Portaria nº 11/2024, de 18 de janeiro, uma medida contestada pela
PROTEÇÃO RADIOLÓGICA
Ordem junto da ministra (inclusive em reunião presencial) e da presidente da SPMS (Serviços Partilhados do Ministério da Saúde), Sandra Cavaca.
Na missiva enviada à tutela, no dia 5 de dezembro, foi novamente reforçado um conjunto de factos para que a medida seja revista, defendendo que esta exclusão viola a autonomia do exercício das suas funções.
Além do mais, os problemas de saúde oral estão entre os principais motivos de absentismo laboral, pelo que esta questão gera desigualdade entre os vários profissionais de saúde, desvalorizando o ato médico-dentário.
A Ordem continuará a pugnar pela célere resolução desta medida, pelo que dará nota dos desenvolvimentos que surjam no âmbito desta matéria.
▶ A Portaria n.º 435/2025/1, que estabelece os deveres dos titulares de equipamentos de radiografia intraoral em medicina dentária, foi publicada em Diário da República a 11 de dezembro.
O novo regulamento define as obrigações específicas destes no âmbito da proteção radiológica, conforme previsto no Decreto-Lei n.º 108/2018, de 3 de dezembro, na sua redação atual.
No que respeita à medicina dentária, o diploma destaca o dever de apresentação do pedido de registo da prática de operação de equipamentos de radiodiagnóstico, bem como a obrigatoriedade da sua renovação com uma periodicidade de cinco anos.
Este documento enquadra-se no Decreto-Lei n.º 139-D/2023, de 29 de dezembro, que procedeu à alteração do regime jurídico da proteção radiológica. O referido diploma estabelece que os deveres dos titulares de equipamentos de radiografia intraoral em medicina dentária e de fontes equivalentes no âmbito da medicina veterinária devem ser regulamentados por portaria dos membros do Governo responsáveis, respetivamente, pela área da saúde e do ambiente e agricultura.
As novas regras entraram em vigor a 1 de janeiro de 2026.


DIRETORA-GERAL DA SAÚDE RECEBE A OMD
▶ A diretora-geral da Saúde recebeu o bastonário da OMD em fevereiro.
Na reunião falaram sobre a revisão do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral e o grupo de trabalho criado para o efeito, que é coordenado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e do qual a OMD faz parte. O bastonário recordou os contributos enviados pela Ordem, frisando que o “processo continua estagnado”. Da diretora-geral da Saúde ficou a nota de que o dossier está na Secretaria de Estado da Saúde, bem como de que a
EM VIGOR DESDE 9 DE JANEIRO
realização de um novo Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais será desencadeada no segundo semestre deste ano, com o lançamento do respetivo concurso.
Miguel Pavão reiterou que é fundamental “passar do planeamento para a ação” e frisou, novamente, que o estudo da realidade da saúde oral da população é urgente, pois conta já com “um delay de uma década”. Alertou para a sua importância no contexto da elaboração do prometido programa governamental para
o setor. “É fundamental ter previamente um diagnóstico das necessidades antes de se planear um programa, que se pretende que venha colmatar as carências e o acesso a estes cuidados”, explicou.
Outro dos assuntos abordados foi a concretização do projeto BISO (Boletim Individual de Saúde Oral), um passo importante para a desburocratização e melhoria do acesso aos cuidados de saúde oral. Miguel Pavão mostrou-se disponível para colaborar na concretização deste desafio.
▶ O Regulamento Geral dos Colégios de Especialidade da Ordem dos Médicos Dentistas define o regime de criação, composição, organização, funcionamento, atribuições e extinção dos colégios de especialidade da OMD, bem como o regime de atribuição do
título de médico dentista especialista e respetivas áreas.
Este documento (Regulamento nº 16/2026) foi publicado em Diário da República, a 8 de janeiro, e entrou em vigor no dia seguinte.
REPRESENTAÇÃO PORTUGUESA NA PROSTODONTIA
O regulamento aplica-se aos colégios de especialidade e às áreas de especialidades, já criadas ou a criar na OMD. Pode ser consultado aqui: https://www.omd.pt/content/ uploads/2026/01/regulamento-geral-colegios-especialidade-omd.pdf
▶ O American College of Prosthodontists (ACP) reforçou a sua presença internacional ao criar a Secção Portuguesa, que passa a estar integrada na International Region 7. Esta organização profissional baseia-se exclusivamente em credenciais educacionais formais e formação avançada certificada na especialidade, assegurando elevados padrões de competência clínica, rigor científico e ética profissional.
A secção portuguesa tem como fundadores os médicos dentistas Ana Carracho, João Malta Barbosa, Kimberly MacGregor e Luís Redinha, todos com
formação pós-graduada certificada em prostodontia nos Estados Unidos. Esta equipa tem como objetivo “promover a colaboração científica e institucional, a educação contínua e a afirmação da especialidade em Portugal e no contexto internacional”.
Em nota enviada à OMD, os fundadores salientam que esta secção “estará aberta à participação de profissionais que cumpram os critérios de admissão definidos pelo ACP e que pretendam contribuir ativamente para o desenvolvimento da prostodontia”.


NOVAS ESPECIALIDADES
▶ O período de submissão das candidaturas aos processos especiais de acesso às especialidades de endodontia e prostodontia decorre até 15 de abril de 2026.
O prazo foi prorrogado, devido ao estado de calamidade declarado em várias regiões do país.
Os médicos dentistas interessados devem formalizar o pedido através
DECORRE ATÉ 31 DE MARÇO
dos formulários disponíveis na área reservada da página eletrónica da OMD. Para auxiliar nesta etapa, a Ordem disponibiliza vídeos de apoio, que incluem uma checklist com a documentação necessária e um tutorial detalhado sobre os vários passos do processo.
Aconselha-se ainda a consulta do Regulamento n.º 483/2025, de 11 de abril, disponível em:
https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/ regulamento/483-2025-914768752
A submissão de candidaturas deve ser feita nos seguintes endereços:
• Endodontia: https://www.omd. pt/especialidades/endodontia/
• Prostodontia: https://www.omd. pt/especialidades/prostodontia/

▶ Está a decorrer o período de submissão de candidaturas à Bolsa de Formação da Ordem dos Médicos Dentistas João F. C. Carvalho. Até 31 de março, os médicos dentistas podem candidatar-se a este apoio à formação profissional, que foi criado em 2022 pelo atual Conselho Diretivo da OMD e homenageia o primeiro presidente da Associação Profissional dos Médicos Dentistas.
Valorizar a formação e a aprendizagem contínua são os principais objetivos deste prémio de natureza técnico-científica, que consiste na concessão de financiamento, parcial ou total, à formação contínua do médico dentista, no âmbito da promoção da cultura e do conhecimento médico-dentário, em todas as valências principais ou conexas ao exercício da profissão.
A bolsa é pessoal e intransmissível. A sua atribuição pretende incentivar a classe a atualizar as competências profissionais e individuais e, por outro lado, obter ganhos em saúde por via do acompanhamento da evolução do saber e do conhecimento técnico e científico, garantindo-se um processo de convergência real face às necessidades e expectativas dos cidadãos.
Tome nota
Regulamento: https://www.omd.pt/info/bolsa-formacao/ regulamento/
Formulário de candidatura: https://www.omd.pt/2025/12/bolsaformacao-2026/

▶ No próximo dia 20 de março assinala-se o Dia Mundial da Saúde Oral e a Ordem dos Médicos Dentistas está a preparar uma série de iniciativas em conjunto com o Colegio Oficial de Dentistas de Pontevedra y Ourense (CODPO), o Colegio Oficial de Odontólogos y Estomatólogos de Lugo e Colegio de Odontólogos y Estomatólogos A Coruña (ICCOEC).
A Federação Dentária Internacional (FDI) mantém o mote das campanhas anteriores – “Uma boca saudável é…” – e acrescenta o tema deste ano, que pretende relacionar
I SIMPÓSIO IBÉRICO
a importância da saúde oral em todas as fases da vida. “Uma boca saudável é uma vida feliz” é o slogan escolhido para 2026.
Partindo desta premissa, a OMD vai mobilizar decisores, profissionais de saúde e comunidades, através da cooperação transfronteiriça entre Portugal e Espanha. Sob o tema “Saúde oral ao longo da vida: impacto na saúde sistémica e na sustentabilidade dos sistemas de saúde”, as comemorações desta efeméride vão decorrer na Eurocidade Valença-Tui.
▶ Em maio, a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) e a Sociedad Española de Prótesis, Estomatología y Estética (SEPES) organizam o I Simpósio Ibérico.
Este evento dedica a primeira edição à estética e reabilitação oral e pretende reunir na cidade do Porto os médicos dentistas portugueses e espanhóis para dois dias de formação teórica e prática.
Além da componente do conhecimento, o programa inclui uma vertente social que promete criar momentos de descontração e interação entre os participantes, enquanto descobrem a cultura e história da cidade anfitriã, o Porto.

O programa do evento, que tem data marcada para 15 e 16 de maio, no Hotel Vila Galé, e todos os detalhes, estão disponíveis em https://simposioiberico.com/
Os profissionais interessados em participar devem reservar o seu lugar o quanto antes, já que a lotação é limitada.

▶ O congresso mundial da Federação Dentária Internacional (FDI) realiza-se entre os dias 4 e 7 de setembro de 2026, em Praga, numa organização conjunta com a Ordem dos Médicos Dentistas da República Checa.
O prazo para o envio de trabalhos científicos, no formato de comunicações orais ou e-posters, termina no próximo dia 15 de março. Os resumos devem ser submetidos em inglês e enquadrar-se num destes temas: medicina dentária generalista, medicina dentária preventiva, tratamento dentá-

da
rio e medicina dentária restauradora, e cirurgia oral, medicina e cancro. As apresentações aceites serão publicadas em novembro de 2026 no suplemento do International Dental Journal da FDI, uma publicação de referência com um fator de impacto de 3,7.
As inscrições no evento também já se encontram disponíveis, com condições de Early Bird até 4 de junho. Os detalhes sobre o formulário de envio de trabalhos estão acessíveis em https://2026.world-dental-congress. org/abstract-submission

c Essencial para a segurança
Garantir a correta gestão e manutenção do autoclave é fundamental para uma esterilização eficaz, prevenindo infeções cruzadas e protegendo pacientes e profissionais.
c Gestão diária
• Carregamento e acondicionamento corretos dos materiais.
• Utilização exclusiva de água destilada ou desmineralizada.
• Registo obrigatório de todos os ciclos (digital ou papel), apenas válidos se terminarem sem alarmes.
• Verificação dos indicadores químicos das mangas (mudança de cor).
• Utilização de tiras indicadoras de esterilização.
• Realização de testes Bowie e Dick e testes biológicos para deteção de esporos.
c Manutenção preventiva
• Seguir rigorosamente as recomendações do fabricante.
• Realizada por técnicos certificados.
• Arquivo dos relatórios de manutenção por um período mínimo de 5 anos.

▶ O plano começou a ser traçado no ano transato e, nos últimos meses, foram dados passos vitais para sustentar os projetos que vão revolucionar a estrutura da Ordem dos Médicos Dentistas. A missão é clara: elevar a qualidade da relação da OMD com os médicos dentistas, defender o interesse dos cidadãos e a profissão.
O motor foi ligado em 2025 e, em 2026, entra na sua velocidade máxima, iniciando-se uma nova era, a da modernização digital, tornando mais eficiente a burocracia e colocando o foco na humanização e na presença da Ordem junto da classe.
O Plano de Atividades e Orçamento para o corrente ano, elaborado pelo Conselho Diretivo e aprovado pelo Conselho Geral, assenta em seis pilares estratégicos: modernização e eficiência organizacional; sustentabilidade e crescimento; reforço político e institucional; valorização e capacitação das pessoas; fortalecimento da relação com os médicos dentistas e investimento no futuro.
O avanço do processo de digitalização profunda dos serviços prestados é, tal-
vez, um dos projetos mais desafiantes que a direção começou a implementar no ano de 2025 e cujas principais etapas serão concretizadas em pleno ao longo dos próximos meses.
Concluído este puzzle de várias peças que serão o motor da vertente operacional da instituição, a classe encontrará uma Ordem mais moderna e eficiente, através da secretaria digital e desmaterialização de processos.
Já em janeiro deste ano, procedeu-se à migração do programa de gestão de membros e faturação para o novo ERP Microsoft Dynamics 365 Business Central, que vai permitir a automatização de uma série de fluxos de trabalho (workflows), até aqui realizados manualmente e a digitalização de vários serviços prestados aos médicos dentistas. Além disso, a passagem para o novo sistema em cloud é basilar para avançar com projetos estruturantes de digitalização, ao permitir a sua conexão mais flexível e ágil, com aplicações externas e desenvolver serviços de valor acrescentado para os médicos dentistas. A gestão documental digital, a gestão de pedidos e interações com os médicos dentistas e a integração eletrónica total do fluxo de compras e pagamentos são
apenas alguns exemplos dos processos de transformação digital em curso.
Foi há cerca de um ano que a OMD se candidatou a fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), destinados a incentivar a transformação digital na Administração Pública através de ferramentas de identificação e autenticação eletrónica (eID).
O projeto “OMD Digital: Integração e Transformação”, apresentado no âmbito do INVESTIMENTO TD-C19-i02.01 Promoção da Transformação Digital na Administração Pública, foi aprovado pela Agência para a Modernização Administrativa, em maio.
O investimento a realizar é de 77.400 euros e o financiamento PRR é de 68.240 euros, representando uma alavanca importante para dotar a Ordem dos recursos necessários para avançar com o seu processo de modernização tecnológica.
Na prática serão implementadas as seguintes novas funcionalidades técnicas: Chave Móvel Digital (CMD), Atributos profissionais (SCAP), Cédula
Digital (via aplicação id.gov.pt) e fatura sem papel (FSP).
A expansão da CMD automatizará processos, permitindo, por exemplo, que a inscrição de novos membros seja 100% digital. Já o SCAP validará automaticamente as qualificações, reforçando o combate ao exercício ilegal da profissão. A inclusão da cédula profissional na aplicação id.gov.pt permitirá a sua desmaterialização. A adesão à FSP vai automatizar o envio de faturas eletrónicas, promovendo assim a sustentabilidade, ao adotar melhores práticas ambientais.

Aliás, a sustentabilidade ganha destaque no Plano de Atividades para 2026, sendo uma das premissas da construção da nova sede.
Este é o ano em que será lançado o concurso público e se iniciará a construção efetiva do edifício, que envolve a anexação de dois lotes, o da atual infraestrutura, na Av. Dr. Antunes Guimarães, e outro na Rua Fonte da Moura.
Mais do que “renovar a casa”, trata-se de um investimento na identidade institucional para o futuro. Há muito que a construção de uma nova sede é uma necessidade identificada. A classe cresceu, a equipa acompanhou a evolução dos serviços e respostas disponibilizadas aos médicos dentistas, exceto o espaço físico.
Entra-se assim numa nova fase, de erguer um edifício adaptado a um mundo em vertiginosa mudança, sustentável, tecnologicamente preparado e capaz de acolher e aproximar os seus membros.
Em breve, será anunciado o espaço transitório, onde funcionarão os serviços centrais da OMD, criando condições para
que os médicos dentistas continuem a encontrar na sua ordem profissional uma equipa dedicada e pronta a ajudá-los.
Agilizar e orientar para os resultados. É com base nesta premissa que a OMD avança, em 2026, para a implementação do sistema de Qualidade ISO 9001:2015 (SGQ).
Depois de todo o trabalho de preparação que se iniciou no ano passado, este é o ano em que se pretende implementar um SGQ com vista à certificação formal, adotando assim um rigoroso processo, seja de organização ou administrativo, passando por todas as áreas vitais da instituição.
A compliance deste sistema com o RGPD será assegurada através da integração de documentação e práticas no âmbito da proteção de dados, envolvendo assim o Encarregado de Proteção de Dados da OMD nestes procedimentos.
A meta da OMD consiste em continuar a trabalhar ao longo do ano para se tornar cada vez mais capaz de apoiar os médicos dentistas e o desenvolvimento da medicina dentária em Portugal.
O Plano de Atividades assume o compromisso da direção em realizar reuniões descentralizadas, em vários pontos do país, com o objetivo de promover o diálogo entre a classe. A Via Verde Bastonário mantém-se como canal privilegiado de contacto entre os médicos dentistas e o bastonário Miguel Pavão.
Em paralelo, a aposta no desenvolvimento de estudos credíveis, com o selo de qualidade da OMD, mantém-se. Este ano, será lançado um estudo inédito sobre saúde ocupacional, cujos resultados serão o ponto de partida para “novos protocolos de apoio direcionados para a melhoria do bem-estar”, assim como um estudo dos fluxos de emigração e imigração dos médicos dentistas.
O investimento na aproximação de gerações mantém-se, nomeadamente com a realização da cerimónia do Compromisso de Honra e, pela primeira vez, o Simpósio Ibérico.
Com o objetivo de manter a classe unida, o plano não esquece a comunicação, uma
ferramenta fundamental para aproximar, divulgar e fortalecer o sentimento de comunidade. Para tal, e com o objetivo de reforçar o seu papel de agente da literacia e de valorização do ato médico dentário, a OMD propõe-se a avançar com uma campanha nacional de promoção da saúde oral.
Em termos de estratégia política, os valores que guiam a atuação da direção são claros: consolidar a voz da OMD como ator estratégico no sistema de saúde. Prosseguir na defesa da criação da Carreira Especial de Médico Dentista no SNS, desenvolver roteiros, com o objetivo de promover o trabalho conjunto entre poder central, local e sociedade civil, ou criar programas como “Médicos Dentistas na Comunidade” são algumas das ações propostas.
A Inteligência Artificial (IA) veio para ficar e está já presente na vida das instituições e das pessoas. A OMD quer posicionar-se na vanguarda, enquanto associação pública profissional, e está a passar do plano à ação.
A Política e Estratégia de Inteligência Artificial foi aprovada na reunião do Conselho Diretivo de janeiro. Este documento define o caminho a seguir para a inclusão desta ferramenta no dia a dia e necessidades da Ordem. Trata-se de uma proposta que visa alinhar a IA com a missão da OMD, apresentando um roteiro de implementação faseado e programado.
A implementação desta estratégia acautelará, naturalmente, as questões de cibersegurança e governação de dados, garantindo o uso responsável dos recursos. A aposta na formação digital e no desenvolvimento contínuo das equipas assegurará uma transição tecnológica com impacto humano e social.
Os dados estão lançados. 2026 será o ano da revolução.
Consulte em detalhe todas as propostas do Plano de Atividades e Orçamento 2026 em: https://www.omd.pt/info/atividades/plano-de-atividades-2026/
DIAGNÓSTICO

ortugal está a perder médicos dentistas para o estrangeiro. O Diagnóstico à Profissão, divulgado no final de 2025, confirma a tendência dos últimos anos: a falta de condições económicas, a instabilidade profissional e a ausência de políticas estruturais continuam a empurrar a classe para a emigração.
O estudo revela que 7% dos médicos dentistas trabalham fora de Portugal - 2,7% em simultâneo no país de origem e no estrangeiro -, sendo França o destino preferencial. Olhando para os jovens, os números são ainda mais preocupantes: entre os que concluíram o curso há menos de 10 anos, 8,1% exercem
exclusivamente fora do país, valor que baixa para 2,7% entre os mais antigos.
De realçar ainda que, do total de médicos dentistas no estrangeiro, 16,1% emigraram no último ano. Aliás, 55,0% afirmam que exercem fora porque em Portugal não conseguiam ter um rendimento satisfatório e 51,4% não pretendem regressar. A mais recente edição do Diagnóstico mostra que os jovens já não consideram Portugal viável para início de carreira, antecipando a saída. Veja-se que 41,7% dos profissionais com menos de 30 anos decidiram emigrar antes de concluir o curso. Escolhem França e Reino Unido, sendo que Itália começa também a afirmar-se como destino, segundo um outro estudo, “Os Números da Ordem” [ver caixa]

O não reconhecimento da profissão como sendo de desgaste rápido (mencionado por mais de 60% dos inquiridos), o crescimento dos seguros e planos de saúde que refletem a crescente intermediação financeira do setor, a instabilidade salarial (para 46,2%), a falta de proteção social (42,2%), a ausência de contratos de trabalho (26,5%) e a falta da carreira no Serviço Nacional de Saúde (SNS) (24,7%) são algumas das principais preocupações identificadas no estudo.
A precariedade tem contribuído para a desvalorização da profissão e condiciona a capacidade do país para atrair e reter talento. Para quem exerce no setor privado, 60,4% dos inquiridos têm uma remuneração mensal variável, que depende da percentagem dos tratamentos realizados (para 89,2%), sem qualquer garantia de estabilidade, até porque o modelo assenta muitas vezes na prestação de serviços.


A isto acresce o facto de a maioria (60,8%) exercer em clínicas ou consultórios de outrem (excluindo hospitais e centros), em que cerca de 70% trabalham simultaneamente em mais do que uma unidade, afetando a qualidade de vida destes profissionais.
Já quem exerce em centros de saúde ou hospitais públicos (4,4% dos inquiridos), 47,6% encontram-se integrados como Técnicos Superiores do Regime Geral e 33% estão contratados a recibos verdes (15,5% diretamente com a ARS e 17,5% mediante empresa intermediária). Um cenário que desvaloriza o ato médico-dentário e coloca os profissionais numa situação vulnerável, devido à ausência de uma carreira no SNS.
A propósito deste estudo, o bastonário da OMD tem reiterado junto do Governo que “a medicina dentária em Portugal está a perder competitividade económica”. “Se não criarmos condições para garantir rendimentos justos, estabilidade contratual e regulação dos seguros, continuaremos a assistir à saída de profissionais qualificados, o que terá um impacto direto na economia nacional e na equidade do acesso aos cuidados de saúde”, salienta Miguel Pavão.
O Diagnóstico à Profis são 2025 aponta ainda que quase 4% dos inqui ridos não exercem medicina dentária, dos quais 1,9% não tra balham noutra área, sendo que 94% destes profissionais inativos já praticaram a profissão (em 2024, eram 75%), o que demonstra que há mais médicos dentis tas experientes a abandonar a profissão. Entre os principais motivos para tal há uma mudança em relação à edição anterior: a insatisfação com o rendimento passou a ser fator dominante.

“Números da Ordem 2025” confirmam a perda de gerações altamente qualificadas
O estudo “Os Números da Ordem”, recentemente divulgado, confirma as conclusões apontadas pelo Diagnóstico realizado à classe.
Os médicos dentistas com inscrição suspensa há mais de cinco anos aumentaram 10,2% em 2024, atingindo a 31 de dezembro desse ano um novo máximo: são 1.476. Considerando que este é o período crítico a partir do qual diminui a probabilidade de um regresso a Portugal, o chamado “brain drain” está a tornar-se cada vez mais definitivo.
Analisando os números em detalhe, verifica-se que 56,4% dos membros com inscrição suspensa (1.353 médicos dentistas) indicaram explicitamente a intenção de exercer no estrangeiro. França continua a liderar enquanto destino (27%), seguida do Reino Unido (16,6%) e de Itália (13,9%), que ultrapassou Espanha (13,7%) e é agora o terceiro destino mais procurado.
Em contraponto, há um dado positivo. Apesar do continuado crescimento do número de suspensões, o ritmo desacelerou, ou seja, o crescimento foi de 4,2% (mais 96 profissionais), contrastando com os dois dígitos registados em anos anteriores (14,2% em 2022 e 11,3% em 2023).
Mercado saturado
Outra das conclusões do documento é a densidade de profissionais, bastante acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A 31 de dezembro de 2024 existiam 13.498 médicos dentistas com inscrição ativa, confirmando um aumento de 3,9%. O rácio de médico dentista por número de habitantes desceu assim para 1MD/766. Este resultado coloca Portugal com um valor 62% superior ao mencionado pela OMS (1MD/2000 habitantes).
Razão pela qual, constata o bastonário da OMD, “a fuga de profissionais qualificados não é apenas um problema da classe médica dentária, mas sim um risco sistémico para a economia e para a saúde pública. A emigração de cada médico dentista representa um investimento perdido em formação e uma diminuição da capacidade de resposta do sistema nacional”.
Embora os médicos dentistas continuem a ser uma classe jovem, a média de idades tem subido: situa-se nos 42 anos. A percentagem de membros com 45 ou menos anos volta a reduzir para 61.5%.
Destaque ainda para o facto de 34,7% do universo de novos membros ser de nacionalidade estrangeira. Assim, dos 622 novos inscritos, 406 são portugueses e 216 oriundos de outros países.

BARÓMETRO DA SAÚDE ORAL

última edição do Barómetro da Saúde Oral revela que 6 em cada 10 portugueses não têm a dentição natural completa. Entre estes, 26,9% já perderam seis ou mais dentes e 48,9% continuam sem qualquer substituição
Embora o indicador tenha melhorado em relação a 2024, a maioria da população continua em situação vulnerável, demonstrando a urgência de resposta em matéria de políticas assentes na prevenção e na criação de um cheque de reabilitação/prótese, para dar resposta a esta realidade.
Para o bastonário da OMD, Miguel Pavão, as conclusões do estudo confirmam, novamente, que “há um abandono de medidas políticas ao longo de décadas em que Portugal se esqueceu da saúde oral”. “A saúde oral está sinalizada, mas não é prioridade”, contesta.
Apesar da maioria dos inquiridos consultarem um médico dentista pelo menos uma vez por ano, as desigualdades no acesso aos cuidados de saúde oral persistem. Segundo o Barómetro, 26% dos inquiridos recorrem apenas a consultas
de urgência e 2,5% nunca consultaram um médico dentista.
Das causas apontadas, prevalecem dois fatores: falta de literacia (53,8% justificam a ausência de consultas regulares por “não sentirem necessidade") e dificuldades económicas (apontadas por 22,2%).
São dados que “mostram que a saúde oral ainda é percecionada como um bem opcional e não como parte integrante da saúde geral”, nota Miguel Pavão. “Portugal tem evoluído, mas continua a haver uma fronteira invisível entre quem pode e quem não pode cuidar da sua saúde oral”, acrescenta, salientando que as dificuldades no acesso levam a “que se adiem tratamentos e as patologias se agravem”. E os números confirmam: os jovens (15-24 anos) têm naturalmente maior prevalência de dentição completa, enquanto nos maiores de 65 anos a ausência total de dentes é mais elevada (16,1%).
O mesmo se verifica em termos sociais: nos estratos mais altos (A/B) a dentição completa é mais frequente (46,4%), enquanto nos mais baixos (D) são apenas 14,4%
“A prevenção continua a não ser uma prática generalizada”, alerta o bastonário, que indica ser necessário uma articulação entre setores público, privado e social, que envolva autarquias, escolas e outras entidades.
TÊM TODOS DENTES
▲ Seis em cada 10 portugueses têm falta de dentes
▲ Motivos pelos quais não vai ao médico dentista e fá-lo menos de uma vez por ano
Quando o tema é Serviço Nacional de Saúde (SNS), o estudo coloca em evidência a fragilidade do sistema no que concerne a integração da medicina dentária. Apenas 6% dos inquiridos realizaram a sua última consulta no SNS e 70,3% afirmam não saber que este disponibiliza consultas, valor que aumentou 4,3% em relação a 2024. Contudo, os inquiridos consideram fundamental a oferta do SNS e o apoio financeiro do Estado às consultas no setor privado. Aliás, a questão da comparticipação pública é praticamente unânime (defendida por 99,2%).
“A presença do setor público na prestação de cuidados de saúde oral continua a ser residual”, reitera Miguel Pavão, que destaca os sucessivos adiamentos na preparação do Programa para a Saúde Oral, prometido pelo Governo.
Esta edição do Barómetro integra o relatório “Cheque-Dentista 2025”, que confirma a sua importância, mas também o subaproveitamento face ao seu potencial. Em 2024, foram emitidos 764.175 cheques-dentista, dos quais 62,5% foram efetivamente utilizados. A média histórica de utilização, entre 2008 e 2024, é de 67,5%. Ainda assim, 91,9% dos beneficiários que receberam o cheque afirmam tê-lo utilizado, o que demonstra uma elevada adesão quando o benefício é atribuído. No total da população, 26,7% dos portugueses referem já ter utilizado o cheque-dentista pelo menos uma vez.
Para a OMD, estes resultados reforçam a necessidade de uma revisão estrutural do programa, que valorize o eixo da prevenção, como aliás está previsto na Portaria n.º 430/2023, de 12 de dezembro, que prevê a criação do cheque-dentista de prevenção aplicável a todas as faixas etárias. Até porque, lê-se no Barómetro, a percentagem de menores de 6 anos que nunca visitam o médico dentista atingiu os 50%, muito em linha com o verificado em 2024.
Por outro lado, defende Miguel Pavão, a criação do Boletim Digital de Saúde Oral é uma necessidade crescente, enquanto meio impulsionador do acesso a estes cuidados e da sua integração no sistema de saúde, “numa ótica de componente essencial da promoção de uma vida saudável”.
“O cheque-dentista é uma das políticas públicas de saúde oral mais relevantes das últimas décadas. Agora, é tempo de o modernizar para que chegue a quem mais precisa, com simplicidade, justiça e eficácia”, conclui.
Apesar deste cenário, há um dado que merece destaque final: a confiança nos profissionais.
São 97% que demonstram estar satisfeitos com os seus médicos dentistas. Em média, numa escala de 1 a 5, o grau de satisfação é de 4,48, sendo um pouco superior à última edição (4,32).


▲ (da esq. para a dir.) Miguel Pavão, bastonário da OMD, Micaela Fonseca de Freitas, secretária regional da RAM, e Catarina Cortez, representante da RAM no Conselho Diretivo da Ordem, na assinatura da Convenção
Ordem dos Médicos Dentistas e a Secretaria Regional da Saúde e Proteção Civil assinaram uma nova Convenção que atualiza o regime em vigor desde 1997.
A assinatura do documento realizou-se a 26 de novembro, no Funchal, e marca o culminar de mais de dois anos de trabalho conjunto entre a OMD e o Instituto da Administração da Saúde (IASAÚDE). A Convenção visa adequar o sistema de comparticipação dos cuidados médico-dentários realizados no setor privado à atual legislação e às reais necessidades dos médicos dentistas e dos seus doentes na Região Autónoma da Madeira (RAM).
O novo documento prevê um leque mais abrangente de atos para os beneficiários do SRS-Madeira: consultas, meios complementares de diagnóstico e terapêutica (incluindo medicamentos) e atos médico-dentários (cirúrgicos ou outros) não contemplados anteriormente.
As sociedades e médicos dentistas aderentes à Convenção de 1997 mantêm o seu vínculo e, por isso, não há qualquer necessidade de adaptação aos novos requisitos.
Para novas adesões vigora o seguinte:
▶ os médicos dentistas que residam na RAM, estejam comprovadamente habilitados para o exercício da medicina dentária e se encontrem com inscrição em vigor na Ordem dos Médicos Dentistas; e ainda;
▶ as sociedades que se dediquem ao exercício da medicina dentária, com sede legalmente registada na RAM e desde que o diretor clínico seja um médico dentista aderente da Convenção e 70% do corpo clínico do consultório ou clínica de medicina dentária sejam médicos dentistas aderentes da Convenção.
O bastonário da OMD, que esteve presente na assinatura do documento, reforçou o impacto desta medida.
“É uma boa notícia, que devia inspirar outras regiões do país, nomeadamente a Região Autónoma dos Açores e aquilo que tem a ver com o continente, onde a medicina dentária, através deste modelo convencionado, poderia dar uma resposta mais valorizada, mais capaz e mais facilitada também no acesso aos tratamentos vastos em medicina dentária”, considerou Miguel Pavão.
Já Catarina Cortez, representante da RAM Conselho Diretivo da Ordem, explicou os próximos passos deste processo. “Este documento firma o início dos trabalhos que vão acontecer a partir de agora. O objetivo será, em primeiro lugar, com as entidades da saúde, adicionar novos tratamentos à tabela de comparticipações, tratamentos que há 20 e 30 anos não aconteciam. E em segundo lugar, com a Secretaria Regional das Finanças, que é quem vai aprovar o aumento do valor da comparticipação nalguns atos”, afirmou.
O documento entrou em vigor na data da sua assinatura e fica em vigência durante dois anos a partir da sua publicação, renovando-se automaticamente.
Consulte a Convenção em https://www.omd.pt/content/ uploads/2025/11/Convencao-OMDSecretaria-Regional-2025.pdf
(Re)veja o vídeo da assinatura da Convenção em:
https://www.youtube.com/ watch?v=ABQkA9woY1o

Micaela Fonseca de Freitas
Secretária regional da Saúde e Proteção Civil
“Sabemos que é necessário apostar na prevenção. Ao apostar na prevenção, estamos a promover a qualidade de vida do utente, mas também a sustentabilidade do sistema de saúde. Iremos proceder a uma revisão da nomenclatura existente que é mais virada para o tratamento e não para a prevenção”.

▲ (da esq. para a dir.) Rubina Silva, presidente do IASAÚDE, Carla Baptista de Freitas, adjunta do gabinete da secretária regional, Micaela Fonseca de Freitas, secretária regional da Saúde, Miguel Pavão e as representantes da RAM no CD e no CG da OMD
Reunião de trabalho traça prioridades para a região
Antes da assinatura, a comitiva da OMD, composta pelo bastonário Miguel Pavão e pelas representantes da Região no Conselho Diretivo e no Conselho Geral, Catarina Cortez e Liliana de Vasconcelos, respetivamente, reuniu-se com Micaela Fonseca de Freitas e a presidente do IASAÚDE, Rubina Silva.
A OMD alertou para a necessidade de atualizar os índices de saúde oral da população, especialmente das crianças, e defendeu uma estratégia que inclua o

Miguel Pavão
Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas
“A revisão deste acordo reflete e espelha bem aquilo que é o investimento feito na Região Autónoma da Madeira e a preocupação com os cuidados que são prestados à população. É algo que estimula e valoriza a consulta de medicina dentária e que agora, passados quase 30 anos, tem a possibilidade de ser revisto, atualizado e até de conseguir maior investimento”.
regresso dos rastreios escolares com profissionais alocados especificamente a esta área (neste momento, existem 18 médicos dentistas no setor público), bem como a aplicação de programas como o “Mais Sorriso” na população sénior, que enfrenta maiores dificuldades no acesso à reabilitação oral.
As entidades governamentais manifestaram total disponibilidade para trabalhar em conjunto com a Ordem na melhoria contínua destes indicadores, reafirmando o compromisso com a integração e reforço da medicina dentária nas políticas de saúde.

Catarina Cortez
Representante da RAM no Conselho Diretivo da OMD
“Hoje em dia é preciso incentivar a população a prevenir os problemas de saúde oral ao invés de recorrer à consulta de medicina dentária apenas para tratar a doença. O objetivo desta revisão é aumentar o número de tratamentos comparticipados e em segundo o valor da comparticipação”.

Exponor recebeu, entre os dias 6 e 8 de novembro, o 34º Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas. A edição de 2025 colocou em perspetiva as “Competências em Medicina Dentária no Século XXI” e voltou a ser o ponto de encontro da classe, que se dividiu entre conferências científicas, cursos práticos, workshops e o debate de temas socioprofissionais.
O evento começou com um curso pré-congresso dedicado à traumatologia, no dia 5. Ministrada pelo conferencista norte-americano Nestor Cohenca, a sessão destacou a importância da atualização contínua face a desafios clínicos cada vez mais complexos, abrindo caminho para três dias intensos de aprendizagem, partilha e networking.
O programa científico incidiu numa visão multidisciplinar, integrando áreas como endodontia, cirurgia ou ortodontia, e também temas emergentes, nomeadamente harmonização orofacial, medicina dentária no sono, medicina integrativa e novas tendências na abordagem da dor.
A vertente prática voltou a ser um dos pilares desta edição, com a realização de 12 cursos, divididos entre hands-on OMD e hands-on patrocinados, o atelier de saúde oral para cuidadores de pessoas sem autonomia e o já tradicional curso para assistente dentário.
Para a presidente da Comissão Organizadora do 34º Congresso, o objetivo foi proporcionar um evento que funcionasse como um espaço de “networking
real e humano”, capaz de incentivar a partilha e reforçar a empatia.
Na sessão de abertura do congresso, que contou com a presença de Manuel Linda, bispo do Porto, assim como várias entidades civis, militares e académicas, Ana Paula Reis explicou que o tema escolhido tem um significado que vai além do domínio da ciência e da técnica. A responsável reforçou que, embora o setor disponha hoje de ferramentas tecnológicas sem precedentes, “o futuro só fará sentido se for construído com humanidade”.
Ana Paula Reis considerou que a vertente técnica deve ser entendida como um meio e não um fim, lembrando que “a excelência clínica só tem verdadeiro valor quando é acompanhada por empatia, atenção e humanidade”.
A importância desta visão e a necessidade de respostas estruturadas marcaram a cerimónia de abertura. Em representação da ministra da Saúde, a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, reconheceu que, apesar dos avanços, persistem desigualdades no acesso.
A governante confirmou o empenho do Executivo em reforçar o investimento nesta área num horizonte temporal até 2030. “Estamos a desenvolver um novo ciclo de políticas públicas para a saúde oral. Um programa com compromissos claros, para quatro anos, que começa já em 2026. Em breve, iremos apresentar o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral”, afirmou, explicando que este visa chegar a mais pessoas e garantir que “todos tenham acesso a cuidados básicos de saúde oral”.
Ana Povo detalhou que o reforço da rede passará por duas vias. Por um lado, o Governo irá apostar nos gabinetes de saúde oral dos cuidados primários, assegurando o seu funcionamento com a contratação de médicos dentistas. “Vamos fazer aquilo que outros não fizeram, que é garantir que esses gabinetes vão ter profissionais de saúde, nomeadamente médicos dentistas, a trabalhar lá.”


A outra via é a digitalização e a expansão do cheque-dentista, que começará pela implementação do SISO 2.0 (Sistema de Informação de Saúde Oral). O objetivo é “integrar automaticamente os exercícios clínicos dentários num registo eletrónico único, criando o Boletim de Saúde Oral, garantindo continuidade e melhor acompanhamento.” Com o SISO 2.0 em funcionamento, assegurou, o número de beneficiários do cheque-dentista será “significativamente” ampliado, abrangendo faixas etárias e grupos de risco. O cheque-prótese será uma novidade, anunciou ainda Ana Povo, para dar resposta ao elevado número de desdentados.
Antes do discurso da secretária de Estado, o bastonário da OMD subiu ao palco e considerou que “a saúde oral continua a ser um dos setores mais negligenciados do sistema de saúde”.
Explicando que a medicina dentária necessita de compromisso político e de parcerias estratégicas com a saúde, a educação, o setor económico e o setor social, Miguel Pavão sublinhou a importância de “modernizar o cheque-dentista, digitalizar processos e colocar em funcionamento os quase 80 gabinetes de saúde oral prontos, mas ainda inativos”, no Serviço Nacional de Saúde.
Admitindo que Portugal tem “décadas de atraso no investimento”, o bastonário
sublinhou que “a saúde oral continua à espera de uma revolução que dignifique o sorriso, que devolva saúde e confiança a quem mais precisa”. Uma revolução, fez notar, “que coloque, de uma vez por todas, a medicina dentária no mapa dos cuidados de saúde em Portugal, porque sem saúde oral não há saúde”, alertou.
Já António Duarte Mata, presidente da Comissão Científica, explicou que o grande desafio do século XXI é “a aquisição de novas competências que mantenham os médicos dentistas humanos e capazes social e profissionalmente”, defendendo o conhecimento como “passaporte para a humanidade”.
O 34º Congresso ficou marcado pela estreia do Fórum Indústria, um palco que resulta da parceria e da vontade da indústria do setor em contribuir para a evolução do conhecimento da classe. Este novo espaço integrou o programa durante os três dias, com um total de nove conferências. Em análise estiveram soluções clínicas que cruzam a inovação tecnológica com a prática clínica diária, com foco nas áreas de ortodontia, implantologia, reabilitação oral e periodontologia.
A par desta novidade, o evento promoveu o espaço ‘Meet the Speakers’, uma iniciativa que permitiu estreitar o contacto entre os congressistas e os oradores, proporcionando um ambiente informal para o esclarecimento de dúvidas e a partilha de experiências.
À semelhança do que aconteceu em 2024, o presidente da Assembleia da República visitou o Congresso da OMD. Durante a sua passagem pela Exponor, no segundo dia do evento, José Pedro Aguiar-Branco assumiu o compromisso de exercer uma “magistratura de influência”, explicando
que, apesar de não ter poder legislativo, o seu papel é garantir que a saúde oral esteja na agenda política.
“Espero que os partidos políticos estejam atentos e consigam ir ao encontro daquilo que é a necessidade e a importância desta

▲ [da esq. para a dir.] António Duarte Mata, presidente da Comissão Científica da OMD, Maria João Ponces, vice-presidente do Conselho Diretivo (CD), Manuel Fontes de Carvalho, membro do Conselho de Supervisão, Ana Paula Reis, presidente da Comissão Organizadora do 34º Congresso, José Pedro Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República, Miguel Pavão, bastonário da OMD, Óscar Castro Reino, presidente do Consejo General de Dentistas de España, Patrícia Almeida Santos, membro suplente do CD, e António Cabral, vogal do CD
Os temas socioprofissionais voltaram a colocar na ordem do dia as políticas públicas e os desafios estruturais que impactam o exercício da medicina dentária. Foi neste contexto que decorreu o painel do Conselho de Jovens Médicos Dentistas “Exercer no interior: missão ou oportunidade”, que contou com a presença de Silvério Regalado, secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território.
Após a sessão, o governante afirmou que “para termos boa qualidade de vida nos territórios do interior, temos de levar a qualidade de vida a esses territórios”, defendendo a necessidade de atrair profissionais qualificados para estas regiões. Silvério Regalado sublinhou ainda que o sucesso desta estratégia depende de um trabalho conjunto, no qual se inclui a “abertura total” para colaborar com a OMD, de forma a “potenciar o papel das autarquias e dos municípios para também poder potenciar a saúde oral em Portugal”.
O bastonário da OMD reforçou a urgência desta atenção política. “A saúde oral tem sido desprotegida, negligenciada e eu acho que precisa de um bocadinho
classe para a sociedade portuguesa”, afirmou, reforçando que a sua missão é sensibilizar os grupos parlamentares para que a medicina dentária seja vista como uma prioridade ao nível do bem-estar e da coesão nacional.
O presidente da Assembleia da República elogiou ainda o congresso enquanto fórum de debate para a saúde pública em Portugal, reforçando o papel na sociedade, nomeadamente ao nível da “prevenção”.
“Espero que a minha visita seja um contributo para que a saúde oral e a atividade dos médicos dentistas tenham o devido reconhecimento e visibilidade, porque é realmente importante para a classe, para o país e sobretudo para as pessoas”, considerou.
Pela Exponor também passou Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, que aproveitou para conhecer a dinâmica e organização deste evento.

▲ Silvério Regalado, secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento de Território (ao centro), visitou a exposição "Apolónia de Alexandria" na companhia de Ana Paula Reis, presidente da Comissão Organizadora do 34º Congresso, Miguel Pavão, bastonário da OMD, Catarina Duarte, presidente do Conselho de Jovens Médicos Dentistas, e Tiago do Nascimento Borges, membro do CD
de atenção política e esta seria uma ótima oportunidade”, afirmou Miguel Pavão, apontando a colaboração com o poder local como um fator decisivo para responder aos desafios do inverno demográfico.
Na Ordem do Dia
Para além da coesão territorial, os temas Na Ordem do Dia abordaram a realidade da medicina dentária no contexto civil e militar, o papel da saúde oral como motor
de transformação e inclusão social (que contou com a participação de Mariana Delgado, em representação do Gabinete da Secretária de Estado da Ação Social e Inclusão), a literacia financeira e proteção social dos médicos dentistas, o ecossistema da medicina dentária e os desafios ibéricos no contexto europeu.
Destaque para o debate sobre o papel das políticas públicas e da governação local na promoção da saúde oral. Nesta mesa redonda, que juntou o docente


▲ (da esq. para a dir.) Américo Afonso, docente, Ricardo Rio, antigo autarca de Braga, Hugo Gilberto, jornalista e moderador da sessão, Carlos Mouta, vice-presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, e Manuel Ferreira Ramos, advogado, no painel "Saúde oral ao nível local"
Américo Afonso, o vice-presidente da Câmara de Matosinhos, Carlos Mouta, o advogado Manuel Ferreira Ramos e o ex-presidente da Câmara de Braga Ricardo Rio, debateu-se uma visão integrada e colaborativa, orientada para o acesso equitativo aos cuidados de saúde oral. Esta edição ficou ainda marcada pelo regresso às origens da profissão, com


▲ A sessão Na Ordem do Dia "Ecossistema da medicina dentária" abordou as oportunidades e desafios, assim como a relação entre setores público, privado e social
a apresentação do livro “O Princípio da Medicina Dentária em Portugal”. No painel estiveram o atual e o primeiro bastonário, Miguel Pavão e Manuel Fontes de Carvalho, respetivamente, e os presidentes da Mesa da Assembleia Geral e do Conselho Geral, Carlos Silva e Fernando Guerra, que revisitaram alguns dos momentos mais importantes da profissão.

espaço de networking e de ponto de encontro da
O Conselho Deontológico e de Disciplina organizou ainda a sessão “Entre palavras e silêncios: comunicar más notícias com compaixão e clareza”.
A Expodentária decorreu em simultâneo e voltou a ser um dos principais espaços de networking entre profissionais de medicina dentária e empresas, mas também de encontro da classe. A feira de equipamentos e material dentário ocupou dois pavilhões e foi o palco da exposição “Apolónia de Alexandria” (em alusão a Santa Apolónia, padroeira dos médicos dentistas), uma ilustração da autoria da artista portuense Rafi die Erste.
Este ambiente de partilha e celebração da identidade da classe prolongou-se já na tradicional festa do congresso, que reuniu centenas de profissionais no Hard Club, no Porto.
A Ordem dos Médicos Dentistas aproveitou o momento solene da cerimónia de abertura para atribuir a sua mais alta distinção. Pelas mãos do bastonário Miguel Pavão, Óscar Castro Reino, presidente do Consejo General de Dentistas de España, e Ricardo Rio, antigo autarca de Braga, receberam a Medalha de Ouro OMD.
Esta condecoração é atribuída sempre que a ação profissional, académica ou política de um cidadão contribui de forma relevante e inequívoca para o desenvolvimento da medicina dentária, ou para a melhoria das condições de saúde oral em Portugal, seja no plano técnico-científico, seja na defesa da saúde pública.
“É uma honra receber a Medalha de Ouro da OMD”, referiu Óscar Castro Reino, reforçando que a cooperação entre Portugal e Espanha, no âmbito da Decla-


OMD, com o presidente do Consejo General de Dentistas de España, Óscar Castro Reino (à esq.), e o antigo autarca de Braga, Ricardo Rio (à dir.)
ração do Porto de 2023, tem permitido consolidar uma medicina dentária “mais justa e melhor”.
Por sua vez, Ricardo Rio, cuja distinção reconhece o papel determinante na implementação do projeto “Braga a Sorrir”, destacou a dimensão social da profis-
são. Para o antigo autarca, a promoção do acesso aos cuidados de saúde oral, particularmente junto da população mais vulnerável, ultrapassa a esfera da saúde pública. “É uma questão de devolução da dignidade às pessoas, de promoção do seu bem-estar e de garantia da sua reinserção social e profissional”, afirmou.
Prémios António Felino: entre a memória e o reconhecimento científico
A partir desta edição, os prémios das apresentações científicas passam a designar-se Prémios Professor Doutor António Felino, numa homenagem póstuma à memória de uma figura incontornável da profissão.
Esta cerimónia ficou marcada pelo ambiente de proximidade e grande emoção, em que foi evocado o percurso e o contributo decisivo de António Felino para a afirmação da medicina dentária em Portugal, através da partilha de várias histórias que ilustram o seu legado.
Recorde-se que António Felino, Medalha de Ouro da OMD em 2018, foi membro do primeiro Conselho Diretivo da Secção de Medicina Dentária da Ordem dos Médicos. Foi também o primeiro presidente do Conselho Deontológico e de Disciplina da Associação Profissional dos Médicos Dentistas, de 1991 a 1993, e um dos responsáveis pela elaboração do primeiro código Ético e Deontológico dos médicos dentistas.
Neste 34º Congresso foram aceites 47 apresentações, tendo sido premiadas as seguintes categorias: comunicação oral de investigação pré-clínica, comunicação oral de investigação clínica, comunicação oral de casos clínicos, póster de investigação pré-clínica, póster de investigação clínica e póster de casos clínicos. A lista de vencedores está disponível em: https://www.omd.pt/2025/11/apresentacoes-cientificas-2025/
Já a Innovation Box entrou na terceira edição e, este ano, o prémio foi para o médico dentista Cassis Clay, que apresentou o projeto “Medicina Dentária Digital, já é um caminho 100% previsível”. No
total foram submetidos 12 trabalhos. O vencedor recebeu um cheque formação da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários - e terá inscrição gratuita na 35ª edição do congresso.

▲ António Duarte Mata, presidente da Comissão Científica da OMD, na apresentação dos Prémios Professor Doutor António Felino
▶ Reveja os principais momentos do 34º Congresso
https://to.omd.pt/R58pj4

CATARINA CORTEZ, REPRESENTANTE DA RAM NO CD DA OMD

A Região Autónoma da Madeira tem sido nos últimos anos um exemplo em matéria de políticas de saúde oral, primeiro com a criação da carreira de medicina dentária no setor público e, mais recentemente, com a revisão da Convenção do setor privado.
Nesta edição, a Revista da OMD conversou com a representante da Região no Conselho Diretivo sobre o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido e os projetos futuros.
Catarina Cortez, que preside também o Centro de Formação Contínua da Ordem, fala das conquistas, dos desafios e do caminho que falta percorrer para que o acesso universal à saúde oral na Madeira seja uma realidade.
Já no âmbito da capacitação da classe, a responsável detalha o objetivo de avançar com a formação creditada e acreditada e convida todos os colegas a consultarem o Calendário de Eventos do CFC.
ROMD - Um ano e meio após a tomada de posse, quais são os principais desafios que tem enfrentado enquanto representante da Região Autónoma da Madeira (RAM) no Conselho Diretivo da Ordem?
CC - Na verdade, tem sido uma tarefa gratificante representar a classe numa Região onde a saúde oral e os médicos dentistas são vistos como prioridade pelas entidades responsáveis pelo setor. Claro que é um papel, por vezes, de paciência pois as coisas não acontecem no tempo que gostaríamos. Há muito trabalho de bastidores que é invisível para o público em geral, e até para a classe profissional.
Essa tarefa cabe-me agora neste mandato de quatro anos, portanto procuro honrá-la a cada dia, estar a par das necessidades dos doentes e dos colegas na Região e dialogar com as entidades do setor pela melhoria contínua.
Ter um bastonário sempre disponível para ouvir e aconselhar, e um Conselho Diretivo que apoia as nossas decisões
têm ajudado a tornar este caminho mais leve e simpático.
Também tem sido muito gratificante ver a delegação da OMD na Madeira com tantos colegas nas noites das tertúlias de medicina dentária, onde temos profissionais de todas as idades. É bom saber que estamos a servir as pessoas naquilo que mais precisam.
“Gostava de tornar a Formação Contínua da OMD acreditada e creditada, tal como acontece noutros países da União Europeia e em algumas ordens profissionais em Portugal”
ROMD - Com a aprovação da carreira de medicina dentária no setor público, a disponibilização de consultas em 10 centros de saúde e a implementação de programas como o “+ Sorriso”, estamos no bom caminho para alcançar na Madeira uma cobertura universal dos cuidados de saúde oral?
CC - Por vezes, quando estamos a fazer uma caminhada muito longa, perdemos a noção de quanto já andámos e de quanto falta. É evidente que já foi percorrido imenso e isso deve-se ao trabalho de todos aqueles que estiveram antes de mim e da minha equipa.
A aprovação da carreira em medicina dentária, em 2021, foi um marco muito importante no nosso país. Traz um benefício indireto para os doentes, pois diz respeito à dignificação dos profissionais de saúde oral que trabalham no serviço público. Isso não resultou necessariamente em mais consultas ou gabinetes, mas sabemos que quanto maior for o grau de satisfação dos profissionais, maior é a sua motivação e qualidade no atendimento.

Por outro lado, o programa “+Sorriso” e a comparticipação de consultas ao abrigo da Convenção faz com que os serviços prestados no setor privado tenham uma parte do valor comparticipado pelo Governo Regional. É um incentivo à população para ir às consultas de medicina dentária.
Mas, ainda há pessoas que não conseguem aceder aos cuidados de saúde oral que necessitam: as listas de espera muito longas no público, ou um valor de comparticipação de tratamentos dentários no privado muito baixo são as principais razões. Perante esta realidade, percebemos que o caminho que está por fazer seja talvez ainda tão longo como o já percorrido.
ROMD – Em relação à Convenção, no final de 2025 foram dados passos importantes com a assinatura da revisão do documento celebrado com a OMD, em 1997. É uma meta que resulta de um longo trabalho entre a OMD e o IASAÚDE. O que é que este passo significa para a classe?
CC - Sim, a revisão foi um trabalho de dois ou três anos que culminou com a chancela da senhora secretária regional da Saúde, Micaela Fonseca de Freitas. Houve uma atualização das regras de comparticipação e do valor máximo de consulta de medicina dentária comparticipável. No entanto, o que importa genuinamente para os doentes é a revisão dos valores de comparticipação de tratamentos dentários, que não são atualizados há pelo menos 15 anos e em alguns casos é extremamente baixo - 2 a 3 euros de apoio.
"Há pessoas que não conseguem aceder aos cuidados de saúde oral que necessitam: as listas de espera muito longas no público, ou um valor de comparticipação de tratamentos dentários no privado muito baixo são as principais razões"

▲ (da esq. para a dir.) Patrícia Fonseca, Isabel Poiares Baptista, André de Brum, Alexandra Vinagre, Nuno Rocha, Catarina Cortez (presidente), Ana Pragosa, Sérgio André Quaresma (vice-presidente) e Bruno Seabra integram o CFC da OMD
ROMD- Revista a Convenção, quais são os passos que se seguem e quais são as expectativas da OMD?
CC - É preciso que esta Convenção mude para melhor a vida das pessoas, com valores de comparticipação ajustados à situação socioeconómica atual. A próxima etapa é dar início às negociações com a Secretaria Regional das Finanças. Contamos com o apoio da Secretaria Regional da Saúde e Proteção Civil para fazer esse comboio sair da estação a tempo e horas.
ROMD - Na última reunião com a Secretaria Regional da Saúde e Proteção Civil e o IASAÚDE, alertou para a necessidade de existirem números atualizados sobre os índices de saúde oral da população, nomeadamente as crianças. É possível com a informação atual ter uma visão
geral do estado da saúde oral dos madeirenses?
CC - A OMD solicitou ao Serviço de Medicina Dentária do Sesaram os dados de 2025 e aguarda, por isso, esta atualização. A perceção geral é que o índice de cárie nas crianças aumentou desde que o Programa Regional de Promoção da Saúde Oral deixou de percorrer as escolas. E isso é algo que é importante retomar.
Por outro lado, sabemos que está a ser realizado um trabalho muito importante junto da população sénior, com consultas em vários concelhos da Região, sobretudo na costa Norte, onde esta tem maior dificuldade de deslocação. No caso das grávidas, é disponibilizada uma ação de formação sobre saúde oral nos centros de saúde, o que traz benefícios para pais e crianças, pois a saúde oral do bebé começa no ventre da mãe.
"É necessário criar um sistema de acreditação de formações realizadas no estrangeiro, pois há muitos colegas que investem na sua formação fora do país e isso também deve ser contabilizado no seu sistema de créditos, desde que correspondam aos critérios"
ROMD - Outra das necessidades identificadas é a falta de uma estratégia delineada para o setor, que contemple a prestação destes cuidados não só nos setores público, privado e social, mas também a retoma de programas como os rastreios nas escolas e o alargamento do “+ Sorriso” à população sénior. Apesar dos avanços que a Região regista, sendo inclusive apontada como exemplo de boas políticas de saúde oral, é possível (e necessário) fazer mais?
CC - Seria importante criar um programa parecido com o “+Sorriso”, mas para a reabilitação oral na população com mais de 60/65 anos. O “+ Sorriso” apoia financeiramente a colocação de aparelhos ortodônticos em jovens dos 10 aos 16 anos. A OMD sabe que existe essa intenção por parte do IASAÚDE de estender o apoio à população geriátrica.
ROMD - Na estrutura interna da OMD, assume também a presidência do Centro de Formação Contínua (CFC). Que objetivos gostaria de cumprir enquanto presidente do CFC?
CC - Gostava de tornar a Formação Contínua da OMD acreditada e creditada, tal como acontece noutros países da União Europeia e em algumas ordens profissionais em Portugal.
Acreditada, pois as formações disponibilizadas pela Ordem no âmbito do CFC devem ser devidamente acreditadas por uma entidade externa idónea.
Creditada, o que na prática significa que todos os associados cumpram um determinado número de créditos de formação por determinados períodos de anos – por exemplo, dois, três ou cinco anos. Esses créditos podem ser resultado de formações realizadas no âmbito do programa de Formação Contínua anual da OMD e do congresso (devidamente acreditadas), ou em entidades externas, como as instituições de ensino superior, as sociedades científicas e entidades privadas de formação para
médicos dentistas, também devidamente acreditadas.
Também é necessário criar um sistema de acreditação de formações realizadas no estrangeiro, pois há muitos colegas que investem na sua formação fora do país e isso também deve ser contabilizado no seu sistema
de créditos, desde que correspondam aos critérios.
ROMD - Em janeiro iniciou-se mais um ciclo de cursos e webinars. O que é que a classe pode esperar do calendário de formação para este ano e que mensagem gostaria de deixar aos colegas?
CC - A mesma casa, uma equipa do CFC rigorosa e muito motivada, um calendário elaborado com a mesma dedicação de sempre, um programa variado que abrange todas as áreas do saber.
Como take home message para os colegas, recorro ao velho provérbio chinês: “se em vez de encheres o bolso, encheres a cabeça, nunca serás roubado”.


▲ Projeto é uma iniciativa de Inovação Social promovida pela Universidade Católica Portuguesa, contando com a CIM Viseu Dão Lafões como Investidor Social, em colaboração com os municípios associados, a Universidade Católica Portuguesa, os Agrupamentos de Escolas, a Ordem dos Médicos Dentistas (que é parceiro institucional), a Ordem dos Nutricionistas, a Colgate, a Ordem de Malta (que disponibiliza a unidade móvel) e a Unidade Local de Saúde de Viseu Dão Lafões
▶ A Comunidade Intermunicipal (CIM)
Viseu Dão Lafões relançou o projeto “Comer Bem, Sorrir Melhor” para dar uma resposta conjunta nas áreas da saúde, educação e ação social.
Depois do sucesso da primeira edição desta iniciativa, que foi desenvolvida pela Ordem dos Médicos Dentistas, em parceria com a Ordem dos Nutricionistas, entre maio de 2022 e maio de 2023, os rastreios e ações educativas regressam às escolas da região.
Nos próximos anos letivos, a CIM, em colaboração com os municípios associados, a Universidade Católica Portuguesa, os Agrupamentos de Escolas, a Ordem dos Médicos Dentistas (que é parceiro institucional), a Ordem dos Nutricionistas, a Colgate, a Ordem de Malta (que disponibiliza a unidade móvel) e a Unidade Local de Saúde de Viseu Dão Lafões, vai percorrer as escolas básicas da região.
A Revista da OMD conversou com Mariana Chaves, membro do Conselho Geral da OMD e coordenadora geral desta edição do projeto.
ROMD - Este novo ciclo vai decorrer nos mesmos moldes da edição anterior ou há novidades?
MC - Nesta nova edição, o projeto mantém a essência da abordagem anterior,
integrando literacia alimentar e saúde oral, mas aprofunda a intervenção junto do público mais vulnerável. As ações de literacia serão dirigidas aos cerca de 12 000 alunos da CIM Viseu Dão Lafões.
Já as ações interventivas, mais detalhadas e individualizadas, serão direcionadas especificamente aos grupos prioritários. Estimamos acompanhar aproximadamente 2 500 crianças ao longo dos 3 anos de projeto.
ROMD - Vão percorrer as escolas todas da CIM e quais são as idades (ciclo escolar) abrangidas?
MC - O projeto contempla todas as escolas da CIM Viseu Dão Lafões, assegurando uma cobertura integral do território. O público-alvo prioritário compreende crianças do Pré-Escolar e do 1.º Ciclo (1.º ao 4.º ano) que se enquadram nos seguintes critérios:
• Necessidades Educativas Especiais;
• Crianças Migrantes;
• Escalões A e B.
ROMD - Qual é a duração da iniciativa?
MC - A iniciativa tem a duração total de três anos letivos.
ROMD - Enquanto coordenadora deste projeto, quais são as suas expectativas?
MC - Os excelentes resultados obtidos no projeto anterior reforçam a importância de dar continuidade ao trabalho desenvolvido e de o aprofundar. Nesta edição, a Universidade Católica Portuguesa reafirma o seu compromisso com a comunidade, reforçando a dimensão social e científica da intervenção. O nosso foco é maximizar o impacto, fortalecer a proximidade com as escolas e garantir que a intervenção chega, de forma eficaz, às crianças que mais precisam.
Como membro da equipa de coordenação, acredito plenamente que o projeto “Comer Bem, Sorrir Melhor” responde a uma necessidade real identificada no terreno, onde muitas crianças continuam a enfrentar baixos níveis de literacia em saúde e dificuldades no acesso a cuidados essenciais. Estas desigualdades condicionam o bem-estar e o futuro dos mais novos, tornando a informação e a prevenção fundamentais para garantir melhores oportunidades ao longo da vida. Acreditamos que, quando reduzimos desigualdades, abrimos portas para vidas mais saudáveis e oportunidades mais justas.
Estar no terreno permite-nos compreender onde começa a mudança e onde ela tem verdadeiro impacto. Cada criança merece iniciar o seu percurso com as mesmas ferramentas para aprender, crescer e sorrir, porque cada pequena mudança no presente pode transformar o seu futuro. COMUNIDADE

▶ Em dezembro, a Associação Portuguesa de Hemofilia e de outras Coagulopatias Congénitas apresentou as ações desenvolvidas no âmbito da campanha “O pior das coagulopatias na mulher? É não saber”, que decorre desde 2023.
Entre elas está a HEMA, o primeiro avatar mundial especialista em coagulopatias. Esta ferramenta digital inovadora tem como objetivo ajudar a esclarecer as mulheres sobre como reconhecer sintomas e sinais de alerta, responder às perguntas mais frequentes sobre diagnóstico e tratamento, e orientar para os testes, locais de
saúde especializados e profissionais adequados.
Este avatar foi criado com a missão de garantir a fiabilidade da informação transmitida, esclarecendo dúvidas de forma empática, rápida e eficaz.
Ainda no âmbito da campanha foi lançado o podcast informativo “O sangue conta a história”, um espaço que aborda vários temas: diagnóstico precoce, saúde ginecológica e obstétrica, psicologia e impacto emocional, testemunhos de doentes e o papel das políticas públicas.
A OMD integra o Grupo de Reflexão das Coagulopatias, no âmbito do papel do médico dentista na identificação de sinais clínicos sugestivos desta patologia. Esta equipa tem desenvolvido um vasto trabalho na consciencialização da população para esta patologia.
Esclareça todas as dúvidas sobre coagulopatias com a HEMA:
https://coagulopatias. aphemofilia.pt/
RELATÓRIO

▶ “Escassez de recursos humanos” e “aumento da procura devido ao envelhecimento” da população levaram a que mais de metade das primeiras consultas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) tivessem ultrapassado o tempo máximo de resposta.
Esta é uma das conclusões do Relatório de Avaliação de Desempenho e Impacto do Sistema de Saúde (RADIS), divulgado anualmente pela Convenção Nacional da Saúde e que traça a radiografia do setor.
O documento, que analisa o ano de 2024, conclui que só 49,7% das consultas se realizaram dentro dos tempos adequados. A liderar a tabela, pelas piores razões, está a região do Tâmega e Sousa. Já o Alentejo Litoral registou a taxa mais elevada de consultas ocorridas dentro do Tempo Máximo de Resposta Garantido (TMRG).
“Insuficiência de resposta”
A situação mais preocupante verificou-se na especialidade de oncologia, com mais de 60% das primeiras consultas a ultrapassarem o tempo legal, quando se analisa o primeiro semestre de 2024. No caso de doentes muito prioritários a percentagem sobe para 80%. De acordo com o relatório, este cenário deve-se à “sobrecarga da procura” e “insuficiência de resposta”.
Já no caso dos cuidados continuados, é no norte do país que se verifica o maior tempo de espera por uma vaga, embora em termos gerais se verifique uma diminuição do número de doentes nesta situação. Aliás, verifica-se “o aumento significativo de camas e taxa de utilização, sugerindo ganhos de eficiência, humanização dos cuidados e potencial para aliviar a pressão sobre os hospitais convencionais”.
Em 2024, o número de habitantes sem médico de família diminuiu, o que significa um ganho na cobertura dos cuidados de saúde. Contudo, continua a estimar-se que 1,5 milhões aguardam por um clínico, prevalecendo as desigualdades territoriais.
Também a mortalidade evitável antes dos 75 anos decresceu e continua abaixo da média da União Europeia, assim como a taxa de cirurgias realizadas em regime ambulatório, que estabilizou em níveis muito positivos, acima dos 87%. São sinais que demonstram “maturidade e eficiência do sistema”, aponta o relatório.
Por outro lado, é possível concluir que a linha SNS24 é um canal “fundamental de triagem e aconselhamento”, com a atividade operacional em crescimento contínuo e a ultrapassar os níveis pré-pandemia.
Outro dado que merece destaque é o facto de um terço da população ter dupla cobertura de saúde, ou seja, acede a estes cuidados via SNS e privado através de seguro, constando-se uma crescente procura de alternativas ao serviço público e uma “segmentação progressiva do acesso”. Aliás, este valor tem vindo a subir desde a última década (mais de 15%).
De igual forma, os pagamentos diretos são o dobro da média europeia, o que revela “uma pressão financeira sobre as famílias portuguesas, que enfrentam barreiras económicas para aceder a cuidados essenciais, especialmente em áreas como medicina dentária, dispositivos médicos e medicamentos”.
Quanto à despesa, o RADIS conclui que os gastos em saúde por capita em Portugal estão “quase 20% abaixo da média europeia”, apesar do crescimento dos últimos anos.
O RADIS recorre ao Barómetro da Saúde Oral da Ordem dos Médicos Dentistas para traçar a radiografia (já conhecida) do setor. Destaque para a visão do doente que, entre as barreiras apontadas para o acesso às consultas, indica o desconhecimento dos “serviços de medicina dentária no SNS”.
O RADIS avalia 35 indicadores do sistema de saúde em Portugal, com o objetivo de analisar transversalmente o setor e o impacto deste na vida dos doentes. O último relatório revela que, apesar da “resiliência” e dos “ganhos seletivos”, o sistema português continua a enfrentar desafios estruturais.
“É fundamental acelerar a prevenção, reduzir pagamentos diretos, uniformizar o acesso territorial, reforçar a capacidade programada nos cuidados primários, continuados e oncológicos, e investir na literacia e comunicação com o doente”, recomenda o documento. “Só assim será possível transformar a procura tardia em saúde antecipada, promovendo maior equidade, eficiência e sustentabilidade”, conclui.

1. Naturalidade: Cascais.
2. CP OMD Nº: 15570.
< - 35 anos
3. Área profissional: medicina dentária (ortodontia) e criadora de conteúdos digitais.
4. Hobbies (fora da medicina dentária): dança, viagens e golfe.
5. Onde se vê daqui a 10 anos: com projetos próprios, possivelmente entre Portugal e Espanha, a construir uma família e a desfrutar de uma vida equilibrada e de qualidade.

36 - 60 anos
1. Naturalidade: Setúbal. Entretanto, migrei para o Porto com 12 anos, juntamente com a minha família.
2. CP OMD Nº: 5745.
3. Área profissional: prática exclusiva em implantologia e reabilitação oral.
4. Hobbies (fora da medicina dentária): encontro nos meus hobbies uma forma de equilíbrio, energia e desafio - ténis, padel e off-road 4x4. O ténis ensina-me a paciência, a precisão e a leitura do jogo, com partidas que combinam estratégia, esforço e fair play. O padel, pela sua rapidez de decisão entre ataque e defesa, fortalece o espírito de equipa, a comunicação e a capacidade de reagir sob pressão. O off-road oferece-me o escape perfeito para recarregar baterias: viajar e conhecer novos horizontes, tudo em contacto com a natureza.
Juntos, estes hobbies ajudam-me a manter a forma física, a concentração e a resiliência, qualidades que levo para a clínica e para a prática diária da medicina dentária.
5. Onde se vê nos próximos 10 anos: na medicina dentária encontro-me realizado e vejo-me a continuar este caminho por muitos mais anos. No entanto, durante este caminho gostava de ver a nossa classe evoluir, em que houvesse mais respeito e consideração por parte dos pacientes e acima de tudo entre colegas.

1. Naturalidade: Coimbra.
> - 61 anos
2. CP OMD Nº: inscrita desde 1990. Cancelei quando trespassei a clínica, uma vez que me encontrava inscrita em duas ordens, a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Médicos Dentistas.
3. Área profissional: médica dentista generalista. Possuo também o curso de medicina com o internato geral feito antes de ter terminado a minha formação como médica dentista, no Porto.
4. Hobbies (fora da medicina dentária): não mencionando o gosto pelas viagens e pela descoberta de novas paisagens, algo que atualmente é inerente a quase todos nós, o meu maior gosto é, na realidade, escrever.
Publiquei três romances: “Faz favor de ser feliz!”, “Até um dia meu amor” e “A noiva do Médio Oriente”. Neste momento, estou a terminar o 4º livro.
A escrita é algo que faço sempre com o empenho do coração e conduzida pelos ditames da alma.
Assumo-me como um ser profundamente espiritual que preza a sua evolução, ambicionando granjear cada vez mais luz e emaná-la, sempre que possível, para todos os outros.
5. Como preparou a saída da vida profissional e que projetos abraçou depois disso: trespassei a minha clínica antes do início do período Covid, embora não tivesse, nem tenha ainda idade legal para a reforma. Arrendo uns imóveis que possuo e dedico-me ao que mais gosto, a minha literacia.

▶ A assembleia-geral do Conselho Europeu de Médicos Dentistas (CED), realizada em Bruxelas, em novembro, colocou o projeto PRUDENT (Prioridade, incentivos e utilização de recursos para uma medicina dentária sustentável) no centro da agenda política da saúde oral.
Esta iniciativa surge como uma resposta estruturada aos desafios impostos pelo envelhecimento demográfico, que exige sistemas de saúde mais robustos e uma gestão de recursos financeiros e humanos mais eficiente.
O referido programa foi apontado como um exemplo, já que assenta num modelo de otimização do financiamento e
FEDERAÇÃO EUROPEIA DE CIRURGIA ORAL
monitorização da saúde oral ao nível da União Europeia. Esta visão estratégica gerou unanimidade entre os presentes, que reconheceram na aposta preventiva uma aliada fundamental do envelhecimento saudável e um pilar de eficiência e sustentabilidade dos sistemas de saúde.
Para apoiar esta transição, o PRUDENT foca-se no desenvolvimento de novos indicadores de desempenho que permitam aos decisores aplicar os recursos onde estes geram maior impacto na saúde das populações, criando simultaneamente condições de trabalho que combatam o desgaste profissional e ofereçam perspetivas de carreira mais estáveis às novas gerações.
Complementando esta visão, o CED analisou a iniciativa da Comissão Europeia denominada “The Union of Skills”, que visa dar uma resposta direta à escassez de recursos humanos em setores críticos da saúde. O programa propõe a criação de uma espécie de “reserva estratégica de talentos” e o estabelecimento de regras comuns e simplificadas para a mobilidade de profissionais no espaço europeu, agilizando inclusive o reconhecimento de qualificações obtidas fora da União Europeia.
Através do estabelecimento de parcerias institucionais, pretende-se atrair
médicos dentistas para especialidades ou regiões geográficas com maior carência de cuidados, garantindo que a inovação e o talento clínico são distribuídos de forma equitativa por todo o território europeu.
Durante os trabalhos, os membros do CED aprovaram ainda três declarações sobre os seguintes temas:
▶ Envelhecimento e saúde oral https://www.omd.pt/ content/uploads/2026/01/ Envelhecimento-saude-oralresolucao-CED.pdf
▶ Violações da neutralidade médica e proteção dos profissionais de saúde em zonas de conflito https://www.omd.pt/content/ uploads/2026/01/Violacoesneutralidade-medicaresolucao-CED.pdf
▶ Protetores bucais para atletas https://www.omd.pt/content/ uploads/2026/01/Protetoresbucais-atletas-resolucaoCED.pdf
▶ Na assembleia-geral de dezembro passado da Federação Europeia de Cirurgia Oral (EFOS), Fernando Duarte foi eleito presidente desta organização científica para o triénio 2025-2028.
O médico dentista português é especialista em Cirurgia Oral pela OMD e fellow do European Board of Oral Surgery pela EFOS.
A Federação tem como objetivos proteger e preservar a saúde pública na área da cirurgia oral na Europa; promover a in-
vestigação, a sistematização de padrões clínicos, o aperfeiçoamento da formação de profissionais e incentivar todas as formas de colaboração entre as sociedades da área dos vários países europeus.
A direção executiva será constituída, além do presidente, pelo vice-presidente, Petros Spinos (Grécia), o tesoureiro Jean-Hugues Catherine (França), o secretário-geral Mathias Sommer (Alemanha) e os vogais Aguerne Uribarri (Espanha), Tamer Theodossy (Inglaterra) e Claudio Stacchi (Itália).


▶ O ex-bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, foi nomeado membro do Comité Económico e Social Europeu (CESE). A tomada de posse ocorreu na sessão plenária do passado dia 21 de outubro, nas instalações do Parlamento Europeu, em Bruxelas.
O CESE é composto por 329 membros, provenientes de grupos de interesses económicos e sociais de toda a Europa: empregadores (Grupo I), trabalhadores (Grupo II) e outras organizações da sociedade civil (Grupo III). Orlando Monteiro da Silva representa as profissões liberais de Portugal neste último grupo e integra
a categoria das Profissões Liberais, que é constituída por 11 membros.
Esta equipa tem como foco a abordagem das questões relacionadas com as profissões qualificadas da União Europeia, da regulação à ética profissional, e com as vertentes socioeconómica e das novas tecnologias no exercício das mesmas.
Orlando Monteiro da Silva é o primeiro médico dentista português a integrar este órgão consultivo da União Europeia. A sua nomeação ocorreu por indicação do Governo, através do Gabinete do Primeiro Ministro e designação posterior do Conselho Europeu. Assume o mandato para 2025-2030.
▶ A Associação para o Ensino da Medicina Dentária na Europa (ADEE) desenvolveu o DigEdDent, um recurso digital estratégico que funciona como uma plataforma de orientação para académicos, instituições de ensino superior e estudantes de medicina dentária.
Este projeto visa fornecer suporte concreto num momento em que a Inteligência Artificial (IA) e o fluxo de trabalho digital estão a transformar radicalmente a formação e a prática clínica.
Segundo James Field, diretor de ensino e formação na Universidade de Cardiff (País de Gales) e curador do DigEdDent, este programa pretende “apoiar os docentes ao nível do ensino e avaliação digital de programas de saúde oral”.
Nesta plataforma, os utilizadores podem encontrar recursos específicos sobre várias áreas transversais à medicina dentária, incluindo sobre IA, assim como uma biblioteca de partilha de técnicas inovadoras, casos clínicos e fluxos de trabalho digitais. Para os alunos, os benefícios são diretos, uma vez que a plataforma auxilia no estabelecimento de padrões mínimos para o ensino na Europa. Ao harmonizar as competências clínicas

Saiba mais sobre o projeto DigEdDent
https://adee.org/ digeddent-digitaleducation-dentistry e requisitos, o DigEdDent garante que a formação em medicina dentária está alinhada com as exigências do mercado global e a própria evolução tecnológica.
“Mesmo
favorável, muitos médicos dentistas sentem-se presos numa espécie de gaiola dourada”

Ronald C. Gorter é psicólogo e professor associado no Centro Académico de Medicina Dentária de Amesterdão, onde desenvolve investigação sobre o bem-estar dos médicos dentistas.
Com uma carreira dedicada ao estudo do stress laboral e do burnout, analisa nesta entrevista à Revista da OMD o impacto da carga psicossocial na profissão, defendendo uma abordagem que integre o apoio entre pares e a saúde mental desde o currículo académico até à prática clínica. No final, deixa alguns conselhos para estudantes e médicos dentistas.

ROMD - Sendo a medicina dentária reconhecida como uma das profissões de saúde com maior carga psicossocial, que fatores científicos, profissionais ou empíricos o levaram, enquanto psicólogo, a focar a sua investigação neste grupo profissional em particular?
RCG - Trabalho desde 1990 como psicólogo no Centro Académico de Medicina Dentária de Amesterdão (ACTA), nos Países Baixos. A minha atividade docente tem-se focado na comunicação médico-paciente, na dinâmica de equipa e na abordagem a pacientes com ansiedade ou fobia dentária, dirigindo-se tanto a estudantes como a profissionais graduados. Além disso, desenvolvi cursos para apoiar colegas no aperfeiçoamento das suas competências pedagógicas. Estava, por isso, profundamente familiarizado com o universo da medicina dentária quando fui convidado a iniciar um projeto de investigação sobre o burnout entre médicos dentistas.
ROMD - Quais têm sido os principais eixos de investigação que desenvolveu na área da saúde mental em medicina dentária (burnout, stress, engagement, coping, satisfação profissional)?
RCG - Inicialmente, a minha investigação centrou-se no stress laboral e no risco de burnout entre os médicos dentistas. Paralelamente, desenvolvemos e avaliámos um programa de intervenção direcionado a esta problemática. Numa segunda fase, alargámos o foco aos fatores que promovem a satisfação profissional e o envolvimento (engagement) no trabalho.

ROMD - Que resultados considera mais robustos do ponto de vista científico e mais relevantes do ponto de vista clínico e organizacional?
RCG - Embora a carga de trabalho, o contacto muitas vezes difícil com os pacientes e todas as questões de gestão sejam variáveis de burnout – tal como sucede em muitas profissões da saúde –, no caso específico dos médicos dentistas, a sensação de falta de perspetivas de carreira estava fortemente associada a um elevado risco de exaustão.
Estar na meia-idade e perceber que terá de se trabalhar durante muitos mais anos como clínico, sem conseguir encontrar novos desafios, era por vezes comparado à sensação de ser “um rato numa roda”. Mesmo quando a situação financeira era relativamente favorável, alguns médicos dentistas diziam que estavam presos numa espécie de “gaiola dourada”.
ROMD - Na sua perspetiva, como se distribuem os fatores de risco para a saúde mental dos médicos dentistas, entre fatores individuais, organizacionais e sistémicos (modelo de prestação de cuidados, sistemas de saúde, pressão económica)?
RCG - Os fatores de risco para a saúde mental podem variar significativamente de médico dentista para médico dentista. Fundamentalmente, quando existe um desfasamento acentuado entre as expectativas individuais sobre a carreira e a realidade da prática clínica, surge o risco de insatisfação profissional crónica, um precursor do burnout
Existem evidências de que trabalhar predominantemente no âmbito de sistemas de seguros de saúde — que muitas vezes limitam a prestação a cuidados básicos — é particularmente frustrante para os profissionais perfecionistas, perfil no qual a maioria dos médicos dentistas se enquadra, por impedir a prestação dos melhores cuidados de saúde oral. Em sentido oposto, exercer num ambiente clínico com uma orientação estritamente comercial pode também colidir com os valores deontológicos que priorizam as necessidades do paciente.
ROMD - Considerando a distinção conceptual entre stress ocupacional, burnout, depressão e ansiedade, que estratégias têm evidência científica sólida na prevenção e mitigação destes problemas na área da medicina dentária?
RCG - Embora o burnout seja maioritariamente descrito como um fenómeno psicológico, caracterizado por exaustão emocional, um cinismo crescente em relação aos pacientes e uma sensação de menor realização profissional, a sua correlação com sintomas físicos é evidente.
Frequentemente, o reconhecimento precoce de queixas físicas torna-se mais simples do que a identificação da fadiga mental. Por conseguinte, uma abordagem holística, que contemple os fatores mentais, físicos e sociais, constitui geralmente a base de qualquer intervenção especializada, quer esta seja realizada individualmente ou em contexto de grupo.
"Os fatores de risco para a saúde mental podem variar significativamente de médico dentista para médico dentista"
ROMD - Que evidência existe de que intervenções precoces durante a formação pré-graduada podem reduzir o risco de problemas de saúde mental ao longo da carreira profissional?
RCG - É frequentemente descrito que o curso de medicina dentária constitui uma área de estudo stressante, uma vez que os estudantes têm de conciliar exigências teóricas e práticas, assumindo a responsabilidade pelos cuidados de pacientes numa idade precoce. Embora este facto seja amplamente reconhecido, são raros — ou inexistentes — os estudos baseados em evidência que cruzem as intervenções de bem-estar realizadas durante o percurso académico com a posterior vida profissional. No entanto, existe uma consciência crescente de que o bem-estar do estudante deve ser parte integrante de qualquer currículo, seja ele de medicina dentária ou de outra área. Atualmente, a Associação para o Ensino de Medicina Dentária na Europa (ADEE) está a desenvolver resultados de aprendizagem (learning outcomes) sobre o bem-estar do estudante, no âmbito do projeto “Graduating European Dentist” (GED),
para que as faculdades integrem estas diretrizes nos seus planos de estudos
ROMD - Que competências não técnicas (soft skills, autorregulação emocional, literacia em saúde mental) considera ainda sub-representadas nos currículos de medicina dentária?
RCG - Um desenvolvimento interessante, que se tem tornado mais comum nos currículos de medicina dentária, é a atenção dada ao desenvolvimento profissional dos estudantes. Trata-se de um conceito abrangente, no qual se destaca a competência individual para refletir sobre o próprio crescimento ao longo dos anos e sobre a capacidade de aprender com o feedback, tanto de docentes como de colegas. Um número crescente de faculdades está a investir na reserva de tempo curricular para sessões de grupo regulares e supervisionadas, bem como para reuniões individuais de reflexão com um coach profissional. Para além de apoiar o desenvolvimento profissional dito normal, este modelo oferece uma estrutura muito útil para identificar e acompanhar necessidades individuais em caso de dificuldades pessoais ou de stress académico. O profissionalismo é, aliás, um domínio central no GED da ADEE.
ROMD - Como é que as universidades podem prever e estar preparadas para lidar com estes riscos no seio académico?
RCG - Para além do desenvolvimento profissional dos estudantes, tal como descrito acima, a maioria das universidades disponibiliza também serviços de apoio psicológico. São serviços transversais à instituição e, em muitos casos, os orientadores académicos da faculdade de medicina dentária constituem o primeiro ponto de contacto para o estudante apresentar questões pessoais. Estes orientadores podem ajudar o aluno a encontrar o caminho adequado para um apoio profissional mais especializado.
Outro exemplo é o sistema de apoio entre pares, que pode ser organizado no âmbito da faculdade de medicina dentária. Neste modelo, estudantes de anos mais avançados são associados aos alunos do primeiro ano, tornando-se os seus pares de referência. Embora o objetivo destes contactos não seja a abordagem de problemas graves de bem-estar, a iniciativa tem-se revelado fundamental na construção de uma rede de apoio social, especialmente para aqueles que lidam com a solidão por
estarem longe da família e dos amigos durante o início do percurso académico.
ROMD - Quais são as principais recomendações ou estratégias que sugere para que os profissionais da medicina dentária consigam lidar com o stress e manter o seu bem-estar mental?
RCG - Como os médicos dentistas exercem frequentemente em contextos de pequena escala, muitas das experiências diárias acabam por não ser partilhadas. Assim, o profissional habitua-se a lidar sozinho com todo o tipo de exigências, o que é invulgar para quem tem a responsabilidade de cuidar de outras pessoas. Em qualquer organização de maior dimensão, quem assume responsabilidades de alto nível é incentivado — ou mesmo obrigado — a partilhar as suas experiências.
Aconselho sempre os nossos estudantes do 6.º ano a agendarem encontros regulares com os colegas mais próximos para o ano seguinte. Podem planear tardes de sábado, partilhar uma refeição, mas também expor as suas vivências enquanto médico dentista em início de carreira. É um espaço para trocarem sugestões sobre como gerir situações exigentes. Muitos destes grupos mantêm-se ativos durante anos, uma vez que neles se consolidam também amizades valiosas.
ROMD - Que conselhos práticos gostaria de dar aos médicos dentistas, estudantes, organizações profissionais e universidades para que desenvolvam políticas vocacionadas para a saúde mental destes profissionais?
RCG - Este conselho aplica-se igualmente aos médicos dentistas que já terminaram a faculdade. Nos Países Baixos, temos grupos de estudo regulares organizados por áreas geográficas pela Royal Dutch Dental Association (KNMT). Na maioria das vezes, estes grupos discutem casos clínicos específicos, mas alguns tiveram a ideia de dedicar ocasionalmente as reuniões às suas próprias experiências, incluindo a gestão das exigências profissionais e o bem-estar pessoal. Assim, as associações nacionais de medicina dentária podem adotar esta abordagem como um serviço que disponibilizam aos seus membros, fornecendo materiais de apoio e guias de discussão que ajudem a estruturar estas reuniões.
ROMD - Se tivesse de elencar três prioridades para cada um destes grupos
– estudantes, profissionais, organizações e universidades – quais seriam e porquê?
RCG - Para os estudantes:
▶ Prestar atenção aos sinais do corpo: muitas vezes, as queixas físicas acompanham o stress mental, mas são mais fáceis de identificar.
▶ Partilhar dúvidas sobre o bem-estar com pessoas de confiança: o apoio social é um forte mecanismo de adaptação (coping).
▶ Aceitar a natureza exigente do curso e da profissão: o percurso académico é, de facto, stressante, tal como será a vida profissional. Aprender a gerir o stress agora funcionará como uma ferramenta essencial para lidar com os desafios laborais no futuro.
Para os médicos dentistas:
▶ Refletir sobre o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal: a exaustão e o burnout são causados, na sua maioria, por um desequilíbrio entre o esforço e o relaxamento.
▶ Manter o corpo ativo e saudável: sendo a medicina dentária uma profissão fisicamente exigente, é recomendável reservar tempo para atividade física regular. As atividades ao ar livre, em particular, oferecem uma excelente compensação pelo tempo passado no consultório.
Ronald C. Gorter é uma referência internacional no estudo dos aspetos comportamentais e educativos da medicina dentária. Doutorado em Psicologia pela Universidade de Amesterdão, exerce atualmente como professor associado no Centro Académico de Medicina Dentária de Amesterdão, onde integra o Departamento de Radiologia Oral/Medicina Dentária Digital.
Autor e coautor de mais de uma centena de publicações científicas e profissionais, Ronald C. Gorter exerceu funções como membro executivo da ADEE, integrou a Platform for Better Oral Health in Europe e foi editor-chefe do European Journal of Dental Education.
▶ A assembleia-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) adotou formalmente uma declaração política que, pela primeira vez, coloca a saúde oral como uma componente vital da saúde geral e do desenvolvimento sustentável.
A decisão, tomada no âmbito da Quarta Reunião de Alto Nível sobre a Prevenção e Controlo das Doenças Não Transmissíveis (DNT), reconhece o impacto global das doenças orais, que afetam atualmente mais de 3,7 mil milhões de pessoas em todo o mundo, os seus fatores de risco partilhados com outras doenças e a necessidade urgente de alargar o acesso a cuidados médico-dentários essenciais como parte da cobertura universal de saúde.
O plano de ação contempla propostas como a inclusão da saúde oral nos planos nacionais de combate a patologias como a diabetes e doenças cardiovasculares, atuando sobre fatores de risco
comuns, como o consumo de açúcares, o tabagismo e o álcool.
Adicionalmente, a resolução prevê a expansão do acesso a serviços essenciais de saúde oral, com foco na equidade para as populações mais vulneráveis. O reforço da utilização de registos de saúde integrados e o incentivo à adoção de normas internacionais, como as Normas ISO, são também pontos fundamentais para assegurar a segurança e a qualidade dos cuidados médico-dentários à escala mundial.
Um dos pontos centrais desta declaração é o reconhecimento da saúde oral como um pilar fundamental do bem-estar mental. A ONU clarifica que a relação entre estas áreas é bidirecional: problemas de saúde mental podem afetar negativamente a higiene oral, enquanto patologias orais graves e a perda de dentes comprometem a autoestima, agravam o estigma
social e podem desencadear ou exacerbar quadros de ansiedade e depressão.
A ONU promove um modelo de cuidados centrados no paciente, reforçando a importância da reabilitação oral na preservação da dignidade.
Consulte a declaração política na íntegra em: https://digitallibrary.un.org/record/4095600?v=pdf
Objetivos a concretizar até 2030
( Garantir que 80% da população mundial tenha acesso a serviços essenciais de saúde oral.
( Reduzir em um terço a mortalidade prematura por doenças não transmissíveis.
( Implementar medidas fiscais e regulatórias, como taxas sobre bebidas açucaradas, para diminuir drasticamente a ingestão de açúcares livres.


e FDI falam em correção de lacuna histórica
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Federação Dentária Internacional (FDI) sublinham que esta decisão vem corrigir uma omissão de longa data nas políticas de saúde pública. Para a FDI, esta declaração
constitui um instrumento estratégico para que as associações nacionais possam fundamentar, junto dos governos, a necessidade de traduzir estes compromissos em ações tangíveis.
( Reduzir o número global de consumidores de tabaco para menos de 150 milhões de pessoas.
( Alargar o acesso a cuidados de saúde mental a mais 150 milhões de pessoas a nível mundial.
( Garantir que mais 150 milhões de pessoas tenham a sua hipertensão controlada.
Por sua vez, a OMS sublinha ainda que este parecer é essencial para atingir as metas de saúde pública até 2030, reafirmando que “não há saúde geral sem saúde oral”.


▶ O médico dentista Miguel Stanley foi convidado a integrar o Clinical Innovation Advisory Board da Harvard School of Dental Medicine, em Boston (Estados Unidos da América). Este conselho reúne clínicos, académicos, investigadores e líderes da indústria com o objetivo de apoiar a instituição na definição de prioridades estratégicas para o futuro do setor.
Em novembro, o médico dentista português participou numa reunião que abordou temas cruciais, como a aproximação da investigação académica à realidade clínica quotidiana e o reconhecimento de necessidades reais e ainda não resolvidas na prática da medicina dentária. Discutiu-se ainda o papel da tecnologia como ferramenta de apoio e a responsabilidade
das instituições de ensino na preparação de futuros médicos dentistas para um ecossistema de saúde cada vez mais complexo e interligado.
“Este convite é um reconhecimento de que a medicina dentária portuguesa é vista pelos nossos pares nos EUA como uma referência de vanguarda tecnológica e rigor clínico”, considerou o Miguel Stanley.
Paralelamente, participou num simpósio de Inteligência Artificial (IA) sobre diagnóstico assistido por imagem, sistemas de apoio à decisão clínica, otimização de fluxos de trabalho e implicações éticas, regulatórias e educativas destas tecnologias. A discussão destes temas incidiu na premissa de que a IA deve complementar o raciocínio clínico, nunca substituí-lo.
▶ A médica dentista Susana Falardo recebeu, durante o 3rd Dental Sleep Medicine Fellowship Day, o prémio de reconhecimento e mérito atribuído pela Asia Pacific Dental Sleep Medicine Society. A distinção destaca o trabalho, dedicação e impacto mundial da profissional na área da medicina dentária no sono.
"Este reconhecimento é, acima de tudo, um incentivo para continuar a investir na investigação, na prática clínica e na formação, sempre visando melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Estou grata à minha família, a todos os colegas, mentores e equipas com quem tenho partilhado este ca-
O evento decorreu no passado dia 5 de setembro, em simultâneo com o pré-curso do World Sleep Society Meeting, e reuniu mais de 4000 participantes de diversas nacionalidades para debater os avanços clínicos e científicos nesta área.
Durante os trabalhos, a médica dentista portuguesa apresentou ainda a conferência intitulada “Selecting Oropharyngeal Exercises for OSA Patients”, integrada no simpósio de Terapia Miofuncional, assim como dois pósteres científicos.



“A arte urbana é a expressão artística do século XXI”
RAFI die Erste, artista urbana
Do classicismo para o graffiti. O percurso de RAFI die Erste é muito mais do que irreverência e expressão artística. É um propósito de vida, uma missão, na qual cada trabalho é uma troca. Partilhar e receber. Tem sido com esse espírito que tem percorrido o mundo e deixado a sua marca, nos murais e na vida das pessoas.
Porque, diz, há uma “ordem no caos”, em que a harmonia do todo está ligada com a harmonia das suas partes. Uma bússola que norteia o seu trabalho, que está intrinsecamente ligado à figura feminina que representa: a mulher em equilíbrio com a sua vulnerabilidade e a sua força.
Nesta entrevista, RAFI, cuja representação da Santa Apolónia esteve no centro das atenções do 34º Congresso, abre-nos a porta do seu mundo: a street art. Arte essa que lhe valeu a honra de receber a Medalha de Mérito da Cidade do Porto, em 2023.
ROMD - Estudou ballet clássico, tirou um mestrado em arquitetura, mas é na arte urbana que desenvolve o seu trabalho. Como é que este percurso nas artes ditas “mais clássicas” terminou no graffiti, uma arte mais irreverente e interventiva?
RAFI – A formação clássica deu-me uma base para o que faço hoje, numa expressão muito mais livre e contemporânea.
Comecei a estudar ballet e piano com três anos e foi uma coisa que me acompanhou até entrar em arquitetura. Foi nessa época, já a meio do curso, que conheci pessoas ligadas à vanguarda do movimento hip-hop em Portugal e fiquei fascinada, porque nos anos 90 não se ouvia na rádio nada assim mais
jovem, em português, era tudo em inglês. Fiquei fascinada com esses meus amigos que escreviam poesia e soava bem na nossa língua. E, sendo que a minha expressão natural é artística, foi também natural começar a querer experimentar. Lembro-me que a primeira vez que peguei numa lata pensei: acho que vou conseguir fazer coisas incríveis com isto. Estava muito longe de pensar que ia ser a minha ferramenta para encontrar a minha expressão individual, o meu lugar, a forma como me expresso no mundo e um propósito de vida.
Olhando para trás, já é um percurso longo, parece que as peças se encaixaram todas: desde a minha formação a ter feito a tese de mestrado [Alienação], que também foi pioneira

- porque à data não havia nada em Portugal sobre esta temática e agora é bastante comum -, sobre a street art. Quando terminei de escrevê-la, já estava rendida e apaixonada, pela atitude - há uma base de rebeldia, de ir contra o sistema -, e no sentido de que o mundo está tão formatado e eu encontrei ali espaço para ser eu e realmente foi libertador.
ROMD - O que significa isso do “espaço para ser eu”?
RAFI – Desde muito pequena que me lembro de estar sempre a desenhar, a dançar e, apesar de isso ser bastante estimulado pela minha família, também era ao mesmo tempo visto mais como hobby, não para ser levado a sério. E quando conheci essas pessoas ligadas à vanguarda do graffiti e do hip-hop, percebi que eles levavam aquilo a sério, o tempo e o dinheiro eram gastos naquilo. Então comecei também a perceber que se calhar não era só uma coisa que eu podia fazer extra, mas que seria uma forma de poder ser eu.
Dedico-me a 100% à arte urbana, seja a pintar murais ou a colaborar com galerias, a participar em bienais, em exposições, a viajar pelo mundo e a pintar. E, nos últimos anos, dedico também uma parte ao trabalho humanitário, que sempre foi um sonho meu, o poder acrescentar alguma coisa ao todo, à comunidade, às pessoas e ao mundo.
ROMD - A respeito das viagens e projetos que já abraçou, há um em Cabo Verde, no âmbito da promoção dos direitos e da participação ativa das jovens mulheres do bairro de Safende. Como é que foi essa experiência?
RAFI – Cabo Verde foi a realização de um sonho antigo e o culminar de um percurso em que me questionava muito

sobre o que é que estou a fazer. Ali foi como se eu me tivesse cumprido e tudo estava certo.
Fui convidada pela delegação da União Europeia, em Cabo Verde, para criar um projeto num bairro na cidade da Praia: pintar um mural e, paralelamente, criar uma série de workshops com meninas em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Esse bairro, apesar de ficar a 5/6 quilómetros do centro, é completamente ostracizado. Os cabo-verdianos não entram e eu estive lá um mês a pintar. A arte urbana é uma ferramenta poderosíssima para criar ligações com as pessoas, para comunicarmos sem diferenças. Como é uma ferramenta leve, uma atividade lúdica serve para abordar questões e valores que, no meu entendimento, são extremamente importantes e estão cada vez mais em risco de colapso na contemporaneidade.
ROMD - De que forma a arte pode desempenhar um papel social e humanitário em comunidades desfavorecidas?
RAFI – Nas comunidades mais desfavorecidas e mesmo na própria cidade, aparecem lugares que esta exclui, não integra. E a minha dissertação de mestrado fala precisamente disso, da cidade enquanto comunidade de pessoas. E quando as partes da cidade não comu-
nicam entre si, o sistema entra em colapso, ou seja, elas autonomizam-se com regras próprias e entram em confronto.
O graffiti e o hip-hop surgiram no final dos anos 60, em Nova Iorque, fruto de um plano de reestruturação da cidade, em que deslocou milhares de residentes dos bairros tradicionais para as periferias e criou os guetos. Os jovens, numa tentativa de expressar as suas revoltas, os seus sonhos, a sua voz, expressaram-no através da arte: da música, da pintura, ou seja, o movimento hip-hop inclui tudo isso.
E eu acho muito bonito, porque sendo que se pode expressar de tantas formas corrosivas, usar a arte como uma “ferramenta de”, é incrível. Por exemplo, em Cabo Verde, cheguei ao bairro e sou mulher, branca, não falo a língua, e é muito interessante, porque começo o meu trabalho, que envolve andaimes, carregar tintas, um trabalho até mais ligado ao masculino, e aquelas pessoas estranham, sendo uma mulher a fazer isto. E nos primeiros momentos o silêncio fala.
Eu tentei não ser intrusiva, mas comecei a fazer o trabalho e, naturalmente, a curiosidade despertou e o bairro inteiro acolheu-me e protegeu-me. Na inauguração, estiveram as entidades todas,
ministros, chefes das Nações Unidas, embaixadores e todos perceberam a ligação que eu criei com aquelas pessoas. Foi das coisas mais bonitas que senti: ali não era eu, a Rafi, artista, o meu mural ou o meu trabalho, mas éramos nós, porque foi o resultado de muito carinho e memórias felizes que foram ali criadas e perduram até hoje.
ROMD - Olha para esta ligação da arte ao empoderamento das mulheres e da igualdade de género de certa forma como uma missão, o deixar uma marca, não apenas numa superfície, mas na vida das pessoas?
RAFI – Na delas e na minha, porque isto é tudo muito recíproco. No workshop que fiz com elas, o que queria passar era: eu acredito que a harmonia do todo está diretamente ligada com a harmonia das suas partes. Ou seja, as coisas grandes são um conjunto de coisas pequenas. Então comecei por usar uma pintura que todas conhecemos, a maquilhagem. A primeira parte foi maquilhar-nos umas às outras, um ato não no sentido de ficar bonita, mas de cuidarmos uns dos outros. Depois passámos para outros materiais, para expressar o que significava ser mulher, cabo-verdiana e, portanto, fazer uma reflexão sobre o papel delas no mundo e na sociedade, tudo isto mostrando-lhes que há muitas formas de podermos escrever a nossa história. Não ensino absolutamente nada, partilho e recebo, é uma troca. Depois, fomos para a parede e elas ajudaram-me a decorar o vestido dessa figura e com a reflexão sobre os nomes de mulheres importantes na vida delas e na história do bairro.
ROMD - Diz que conta histórias através de poemas visuais que representam a “ordem no caos”. O que é que isso significa?
RAFI – É exatamente aquilo que tem a ver com o todo e as suas partes. Eu acredito que há uma ordem no caos. Pode chamar-se Deus, inteligência do universo, o que quiser. Tentar encontrar a ordem no caos ou a poesia na vida é uma bússola para mim e é uma coisa que procuro refletir no meu trabalho.
Outra pintura muito especial foi a que fiz em Belém, na Palestina. Desde pequenina que queria ir à Palestina, não sei porquê, mas sempre tive uma vontade muito grande de ir à Terra Santa. Estive lá em 2018 e lembro-me de chegar a Jerusalém e é fascinante olhar para aquelas pedras: quantos pés, quantas
pessoas, quantas histórias ali pisaram. Foi uma viagem maravilhosa.
ROMD – Já pensou em expressar na sua obra a opressão da mulher no Médio Oriente?
RAFI – Isso está sempre na minha base, só que é muito subtil. O meu trabalho não é político num sentido muito óbvio, é mais metafórico e simbólico. Quando pinto uma mulher, é uma mulher empoderada e estou a pintá-la como ela é, o que nós somos, a nossa essência. Vou sempre pintá-la assim. Não vou pintá-la com amarras, porque é ofensivo. Conheço bem a cultura do Médio Oriente e a mulher vai ser sempre representada na sua forma natural que é de criação, de mãe. Tenho sempre isso presente.
ROMD - Onde é que vai buscar a sua inspiração? Como é que se desenvolve este processo criativo?
RAFI – O que me inspira são a natureza e os animais, porque é quando me sinto mais perto de Deus. E não está de todo ligado a religiões, para mim Deus é a vida, é amor.
O mais difícil é tentarmos viver de acordo com esses princípios, escolher sempre uma base de amor, nas decisões que tomamos, na relação com as pessoas. Por exemplo, o meu trabalho reflete como eu acredito que deve ser a relação entre as pessoas e a natureza. Não é política, é um código de conduta, é humanitária. E as mulheres que eu represento, a figura feminina, são a mulher em equilíbrio com a sua vulnerabilidade e a sua força, que é o nosso maior desafio.
ROMD - A figura feminina de cabelos compridos, escuros, é uma autorrepresentação da RAFI?
RAFI – Acho que é a minha mãe. Acho que agora os meus desenhos são sempre homenagens a ela. Mas é qualquer mulher, na verdade. Eu adapto sempre o desenho, o conceito ao lugar, às circunstâncias do trabalho. Na verdade, a essência é de qualquer mulher.
ROMD - É natural do Porto, onde podemos encontrar a sua passagem por vários pontos emblemáticos da cidade. Teve inclusive a primeira loja dedicada ao graffiti e à street art. Que memórias guarda desse projeto?
RAFI – Quando participei num concurso de arquitetura com dois primos e ga-



nhámos o primeiro prémio, para uma arquiteta recém-formada foi uma alegria, mas foi precisamente aí que percebi que não queria fazer isso a vida toda. E quando a minha mãe faleceu, pensei ‘agora vou ter que ganhar um rumo’ e então surgiu a Dedicated Store Porto. É uma loja que existe na Alemanha, em Colónia, e há um projeto também ligado a esses amigos do hip-hop e do graffiti. Então abri o capítulo da Dedicated Store no Porto e foi a primeira loja da cidade ligada à arte urbana e ao graffiti.
Não era uma loja só de vender material, era um espaço de partilha, um ponto de encontro que era proativo na cultura da cidade. Realizei muitos eventos, foram 11 anos e um capítulo muito bonito, que me deu muita formação, seja a nível empresarial, seja numa perspetiva de eu, enquanto pintora, enquanto técnica da cidade, perceber a parte sociológica do público, a dinâmica social por detrás desta arte.
ROMD - Sente que ainda há preconceito em relação ao graffiti e continua a ser necessário desmistificar esta expressão de arte?
RAFI – A raiz é o graffiti, ou seja, é uma expressão artística rebelde que vai contra a cultura dominante. Eu venho dessa vertente do graffiti da rua. Mas hoje em dia há imensa gente a pintar, que já vem de outras áreas, das belas artes, da ilustração, do design. O moralismo já não está ligado. Eu venho dessa ligação primária dos murais e do graffiti, mas hoje em dia já ultrapassou isso. A arte urbana é a expressão artística do nosso século XXI.
muito interessante, porque artisticamente eles estão num nível muito elevado, têm livros, são tipo Banksy, e ao mesmo tempo são criminosos. Em 2021, fui convidada pela Universidade do Porto, a Faculdade de Direito, para um ciclo de conferências como keynote speaker sobre o enquadramento jurídico do graffiti e foi super interessante, porque a Reitoria e a Faculdade de Direito são clássicas e abordaram uma temática muito visionária. Efetivamente, não há um enquadramento jurídico adequado. Porque há uma coisa que são os trabalhos e depois há o graffiti que continua a surgir ilegalmente.
como foi o processo criativo até chegar à imagem que todos os médicos dentistas tiveram a oportunidade de contemplar?
RAFI – O convite chegou-me através da Mónica Morado Pinho. Confesso que tenho pânico de médicos dentistas. Não foi fácil porque eu vi tantas coisas do universo da medicina dentária e o maior desafio foi encontrar um desenho que me refletisse a mim, mas que também fizesse sentido para a classe.
A minha reinterpretação da Santa Apolónia veio de encontro ao que me tinham pedido, que era a medicina dentária no século XXI e estas novas tecnologias, por isso é que ela tem ali um apontamento do boticão, mas com uns raios de luz, portanto, numa alusão ao futuro, mas tendo como base que a intuição humana é uma tecnologia ancestral e todos os recursos tecnológicos são uma ferramenta de apoio.

Portugal está sempre atrasado em relação ao mundo 50 anos, nos movimentos arquitetónicos e também na arte urbana. Apesar de já ser bastante conhecida, por exemplo, em França, há 30 anos que existem colecionadores de arte urbana, há pintores de graffiti que em Portugal não são conhecidos e as suas peças são incríveis, de valor histórico e cultural gigante.
Tenho uma peça que, para as pessoas são sarrabiscos, mas é do TAPS, que são conhecidos por só pintarem comboios. Um deles tem um polícia na Alemanha que é pago pelo Estado, cuja única função é encontrá-lo. Parece-me um paradoxo
Tanto eu, como muitos colegas, escolhemos lugares na cidade que estão abandonados ou por algum motivo a arquitetura não resolve. O graffiti tem um código de conduta de rua. Não é aleatório. No entanto, hoje em dia, os miúdos e as pessoas que o fazem já não querem saber disso.
ROMD - Em novembro esteve na Exponor, no Porto, no Congresso da OMD com uma recriação de Santa Apolónia. É uma experiência diferente daquela que é a génese do seu trabalho. O que a motivou a aceitar o desafio e
Com o desenho queria recordar o princípio fundamental que, independentemente da evolução do mundo, a base são as pessoas. E posteriormente a Ordem teve um bom gosto e um cuidado na forma como trataram da apresentação do desenho na embalagem, também artístico, portanto, eu senti que lhe deram valor. Tenho muita sorte com quem trabalho, porque parece-me que são sempre as pessoas certas e com uma sensibilidade certa. Gostei mesmo muito de fazer esta ilustração para a Ordem dos Médicos Dentistas.
ROMD - Estamos no arranque de 2026. Onde é que podemos encontrar a RAFI e o seu trabalho ao longo deste ano?
RAFI – O início do ano é sempre mais parado e, atipicamente, estou canceladíssima até abril. Não posso falar muito, mas estou muito feliz por ter três trabalhos adjudicados, que são também desafiantes, interessantes e em Portugal. O quarto é uma continuação de um trabalho que faço há três anos com uma escola alemã, que tem a ver com o trabalho humanitário e social, em que recebo um grupo de meninos alemães, alguns são refugiados, outros estão em situações vulneráveis. É uma coisa que acontece sempre, em que criámos memórias bonitas.

