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A Revista é propriedade da Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos.
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Foto de capa: NUNO CERA l NACIONAL 2 #2, 2017
Pela lente de Nuno Cera 06 10 24 36 42 48 50 55 56 58 60 64 66 72
Arquitetura e Território: Uma responsabilidade partilhada
Editorial por Cláudia Gaspar
Agenda da Secção Regional do Alentejo
Aconteceu e a Acontecer
Planeamento e Urbanismo: Um percurso
Entrevista a Jorge Silva
O PRR e a anomalia do mercado da construção em Portugal
Daniel Carrapa
Um Roteiro para o XVII Congresso dos Arquitectos
Eduardo Eugénio e Simão Eugénio
Desde o início da Secção Regional do Alentejo
Célia Reis
Torre do Salvador: O lugar da sede
Isabel Imaginário
Descentralizar a qualidade da Arquitetura
Nelson Rosmaninho
As Práticas e as Frequentes Perguntas
Duarte Azaruja
Comunicação e Arquitetura: A Secção Regional como canal de proximidade
Elsa Barrelas
O processo de admissão para o início da profissão
Cláudia Petronila
Biblioteca
David Lopes
Um olhar sobre o território
Memória
Henrique Schreck (1952-2025)
CONCURSO
MIRADOURO EÁREAENVOLVENTEDEBARRANCOS
CONCURSO
CONCURSO
ESCOLA ANDRÉSECUNDÁRIA GOUVEIADE
ESCOLABÁSICANº1E ESCOLASECUNDÁRIA DEVENDASNOVAS
ARQUITETURA E TERRITÓRIO: UMA RESPONSABILIDADE PARTILHADA
Por CLÁUDIA GASPAR, ARQUITETA
PRESIDENTE DA SECÇÃO REGIONAL DO ALENTEJO
Foto
NUNO ALMENDRA
Intersecções é uma revista da Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos – OASRALT, dirigida aos membros do Alentejo, numa iniciativa que se articula também com outras Secções Regionais. A revista tem periodicidade anual. O tema desta edição é o “Território”, abordado tanto na sua dimensão espacial como no exercício da profissão de arquiteto, sublinhando a responsabilidade partilhada e o compromisso profissional que a contemporaneidade exige.
Num encontro de preparação da revista, entre membros da Secção Regional, abordou-se a questão da prática profissional na região e da própria definição do que é o Alentejo, hoje. Em uníssono, afirmou-se que “existem vários Alentejos”, incluindo aquele “Alentejo mais periférico do que o próprio Alentejo”. Foram também identificados os territórios antes e depois dos grandes programas de investimento (POLIS, PRR ou até o Portugal 2030), sublinhando a importância de avaliar o impacto destas iniciativas na agricultura, nas infraestruturas, na habitação, na educação, entre outras áreas, todas transversais à Arquitetura.
A presente edição é da responsabilidade coletiva dos membros eleitos da OASRALT.
Conversámos com Jorge Silva, membro honorário desde 2024, que nos dá a conhecer um percurso
notável entre o urbanismo e o planeamento.
“INTERSECÇÕES” assinala igualmente o processo de regionalização da Ordem dos Arquitectos e integra-se na estratégia de comunicação da Secção Regional, afirmando-se como um canal de proximidade. Esta política de proximidade reforça a ligação entre a Ordem e os seus membros, mas também com a sociedade em geral.
São abordados os aspetos referentes aos diferentes pelouros como: o processo de admissão para o início da profissão; a Encomenda – premiação e concursos, como promoção e valorização da profissão; às questões mais frequentes relativas à prática profissional.
É preocupação desta Secção a crescente descaracterização do território, que representa um terço da área continental do país. Esta revista procura, assim, traçar uma caracterização do Alentejo através dos diferentes artigos que espelham as múltiplas geografias da região.
Dirigida aos membros da Ordem, a publicação visa simultaneamente: refletir a geografia atual da região, com todas as suas idiossincrasias e desafios, incluindo e evidenciando os fenómenos de descaracterização; desenvolver uma leitura crítica dos contributos
EDITORIAL
“… O tema desta edição é o “Território”, abordado tanto na sua dimensão espacial como no exercício da profissão de arquiteto, sublinhando a responsabilidade partilhada e o compromisso profissional que a contemporaneidade exige.”
dos programas de apoio europeu; identificar aspetos fundamentais e características próprias da arquitetura no Alentejo e do território, contribuindo para a valorização do que nos é identitário.
Nesta primeira edição, para além do enquadramento da profissão face às dinâmicas atuais, pareceu-nos pertinente dar a conhecer a sede da OASRALT — o edifício que a alberga, Convento do Salvador, com a sua torre-mirante, a Torre da Cerca Velha da cidade, construção do século XIV, bem como a Igreja do Salvador que lhe é adjacente, um puro exemplar da arte barroca conventual do século XVII. Parte do Claustro adjacente subsiste ainda à destruição. Évora, cidade classificada como Património Mundial da UNESCO desde 1986, acolhe este ano o Congresso dos Arquitectos. Um cenário privilegiado, onde história e contemporaneidade se encontram em diálogo. Foi preparado por Eduardo Eugénio e Simão Eugénio, estudante da faculdade de Arquitetura, da Universidade de Lisboa, um roteiro de 25 obras realizadas na zona de Évora, pensado para integrar o circuito de visitas no âmbito do Congresso dos Arquitectos. Das referidas obras, 19 localizam-se num raio inferior a 35 km de Évora, sendo as restantes seis situadas fora desse perímetro, permitindo visitas mais alargadas.
Convidámos o fotografo Nuno Cera, nascido em Beja, a olhar para o território, que o faz de modo natural e crítico. Fá-lo com uma metodologia de dissecar o território. Na Intersecções partilha uma visão a partir de um conjunto de fotografias — todas em formato horizontal e de diferentes anos —que têm como fio condutor o movimento, a estrada e a forma como observa o território alentejano a partir de um veículo. A sua lente percorre a transformação da Comporta e a arquitetura contemporânea, os painéis solares, uma vista geral a partir do topo da central da EDP para São Torpes, o terminal de contentores e todo o complexo de Sines. E, naturalmente, regista também o Alentejo dos sobreiros e da agricultura.
Nos últimos cinco anos, a dinâmica da Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos –OASRALT, contou com o apoio administrativo de Célia Reis, colaboradora que também partilha, nesta edição, um espaço de reflexão.
Agradecemos a todos os que tornaram possível a preparação desta publicação, em especial à equipa da OASRALT e aos convidados — arquitetos, designers, fotógrafos e demais colaboradores — que, desde já, se encontram também empenhados na próxima edição.
AGENDA DA SECÇÃO REGIONAL DO ALENTEJO
INICIATIVAS
DESCENTRALIZADAS, INCLUSIVAS E TRANSVERSAIS
Por REDAÇÃO
As atividades promovidas pela Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos (OASRALT), desde o início do mandato 2023/2026, têm-se concentrado no desenvolvimento das suas relações institucionais, na formação e envolvimento dos membros, e na preocupação com a arquitetura e o território. A OASRALT tem-se afirmado como dinamizadora da interação entre os pares, instituições e sociedade, consolidando assim o papel da Ordem na região. A OASRALT investiu no estabelecimento de relações de cooperação com Municípios e outras entidades, com foco na promoção de ações, locais e regionais, no âmbito do exercício da profissão e da sensibilização da população em geral para a arquitetura. A promoção do Prémio Arquitetura no Alentejo, que teve a sua primeira edição em 2023, é uma forma de promover as obras de referência da região Alentejo. Mas também de, através da exposição itinerante das obras candidatas, dar visibilidade aos projetos nos vários pontos deste vasto território, para enriquecimento dos arquitetos e da população em geral. Foram ainda promovidas diversas Sessões Técnicas, Workshops, Sessões de Formação, Tertúlias e Visitas, orientadas para o enriquecimento profissional e esclarecimento dos membros, nomeadamente no âmbito do Simplex Urbanístico, Sustentabilidade e Acessibilidade. É importante ainda destacar o trabalho de assessoria
prestado pela OASRALT a diversos concursos públicos de conceção. Neste mandato deu-se ainda início às Sessões da Disciplina, orientadas para a franca discussão entre membros sobre os temas mais complexos do âmbito da disciplina profissional. Estas sessões terão continuidade em 2025, em mais três sessões descentralizadas, abrangendo temas desde a relação do arquiteto com o cliente e com a administração até ao novo regulamento de deontologia. As newsletters continuam a ser enviadas mensalmente aos membros, e reúnem toda a informação sobre as atividades da OASRALT, alterações legislativas e outras informações relevantes. No âmbito do apoio à prática profissional, foi acrescentada à newsletter uma rubrica intitulada “Sabias que?”, que mensalmente aborda questões frequentes acerca da prática profissional. Em outubro de 2025, a OASRALT edita três cadernos onde se apresentam as propostas admitidas a três concursos públicos que assessorou. Trata-se de uma forma de transparência dos procedimentos e de mostrar um conjunto de diferentes abordagens criativas ao mesmo problema. Por fim, após o lançamento no Dia Nacional do Arquiteto 2025 da 2.ª edição do Prémio Arquitetura no Alentejo, novembro verá anunciados os vencedores.
ASSINATURA DE PROTOCOLO
20 novembro 2023
Assinatura do protocolo genérico entre o Município de Évora e a Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos
Realizou-se no Palácio D. Manuel, em Évora, a cerimónia de assinatura do protocolo de colaboração entre a Câmara Municipal de Évora e a OASRALT. O protocolo, de âmbito genérico, visa promover ações de interesse mútuo no âmbito da política municipal de arquitetura, do exercício da profissão, e da sensibilização dos cidadãos para a arquitetura e o território.
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TOMADA DE POSSE
16 outubro 2023
Órgãos Regionais da Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos
A cerimónia de Tomada de Posse dos Órgãos Regionais do Alentejo eleitos para o Triénio de 2023-2026 teve lugar na sede da Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos (OASRALT), na Torre do Salvador, em Évora.
Tomaram posse: a equipa liderada pela Arq.ª Cláudia Gaspar como Presidente do Conselho Directivo Regional, o Arq. Daniel Carrapa como presidente da Mesa da Assembleia Regional, o Arq. Carlos Baioneta de Almeida como Presidente do Conselho de Disciplina Regional e restantes membros eleitos.
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PREMIAÇÃO
13 janeiro 2023
Entrega da Placa Identificativa de Vencedor do Prémio Arquitetura no Alentejo - 1.ª Edição
A OASRALT entregou, em Grândola, a placa identificativa de vencedor do Prémio Arquitetura no Alentejo, na Categoria Nova Edificação. O Prémio foi atribuído à Biblioteca e Arquivo do Município de Grândola, autoria dos Arquitetos Pedro Matos Gameiro e Pedro Domingos.
ACONTECEU
SESSÃO DE ESCLARECIMENTOS
19 março 2024
Simplex Urbanístico - Sessão #01
A sessão de esclarecimentos sobre o Simplex Urbanístico organizada pela OASRALT, com a Dr.ª Ana Cláudia Guedes, ocorreu no Auditório da CCDR –Alentejo em Évora. Teve a moderação do Arq. Daniel Carrapa (Presidente da Mesa da Assembleia Regional da OASRALT), e a presença do Arq. Rui Seco (Serviço de Apoio à Prática Profissional da OA).
A Sessão de Abertura contou com a participação do Dr. António Ceia da Silva (Presidente da CCDR – Alentejo) e da Arq.ª Cláudia Gaspar (Presidente da OASRALT).
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CULTURA
13 janeiro 2024
Prémio Arquitetura no Alentejo - 1.ª Edição
Dia 13 de janeiro de 2024, teve lugar, na Biblioteca e Arquivo do Município de Grândola, a inauguração da exposição das obras candidatas ao Prémio Arquitetura no Alentejo – 1.ª edição. A exposição ficou patente até dia 17 de fevereiro.
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CULTURA
19 março 2024
Exposição do Prémio Arquitetura no Alentejo - 1.ª Edição
A exposição das obras candidatas ao Prémio Arquitetura no Alentejo – 1.ª edição esteve patente na Galeria de Exposições da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional – Alentejo, I.P., em Évora, de 19 de março a 30 de abril.
ENCONTRO
20 MAIO 2024
3.º Encontro Nacional dos Arquitetos da Administração Pública
No dia 20 de maio, a OASRALT organizou o 3.º
Encontro Nacional dos Arquitetos da Administração Pública, na Vila de Redondo.
Estiveram presentes na sessão de abertura a Vereadora da Câmara Municipal de Redondo, Carla Figueiras, o Presidente da Ordem dos Arquitectos, Arq. Avelino Oliveira, e a Presidente da Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos, Arq.ª Cláudia Gaspar.
Do programa do encontro destacaram-se 2 mesas-redondas: “O Arquiteto enquanto agente no interesse público” e “Habitação: o Arquiteto na interseção entre planeamento, reabilitação e construção”.
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SESSÃO TÉCNICA
15 abril 2024
Cânhamor apresenta Ecoblocos a profissionais e estudantes
No dia 15 de abril de 2024, decorreu uma sessão técnica em formato presencial e telemático, na sede da OASRALT, com o apoio da Cânhamor.
Foram apresentados os Ecoblocos — blocos em cânhamo, que, pelas suas características, conferem um isolamento térmico e uma resistência ao fogo superior em relação aos materiais tradicionais.
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ADMISSÃO
25 maio 2024
Cerimónia de Receção aos Novos Membros 2023
A cerimónia decorreu na sede da OASRALT. A Presidente da OASRALT, Arq.ª Cláudia Gaspar, deu as boas-vindas aos novos membros, que partilharam a sua experiência de estágio e visão da profissão, assim como os respetivos orientadores. Também intervieram a Arq.ª Cláudia Petronila, Vogal responsável pela Admissão; o Presidente da Mesa da Assembleia Regional, Arq. Daniel Carrapa; o Presidente do Conselho de Disciplina Regional, Arq. Carlos Almeida; e o Presidente da OA, Arq. Avelino Oliveira, enderençando uma mensagem através de vídeo.
AGENDA
WORKSHOP PARA CRIANÇAS
1 junho 2024
Comemoração do Dia da Criança
No Dia da Criança, a OASRALT organizou um workshop de arquitetura para crianças, com o objetivo de sensibilizá-las para o património artístico e arquitectónico. O workshop foi conduzido pelo Arq. José Kuski Vieira, da Associação de Desenvolvimento pela Cultura.
ADMISSÃO
28 maio 2024
Sessão de Esclarecimentos #04
Admissão à Ordem dos Arquitectos
A OASRALT realizou, no dia 28 de maio, uma Sessão de Esclarecimentos sobre o processo de admissão. Em formato telemático, a sessão foi dirigida aos estudantes de arquitetura e demais candidatos que em breve farão a sua admissão à Ordem dos Arquitectos. É uma iniciativa de proximidade aos futuros arquitetos, dinamizada junto das escolas de arquitetura, em particular, da Escola de Artes da Universidade de Évora.
WORKSHOP
17 e 18 junho 2024
Sustentabilidade na Reabilitação e na Renovação da Arquitetura Vernácula
O Workshop sobre Sustentabilidade na Reabilitação e na Renovação da Arquitetura Vernácula decorreu, em formato telemático, nos dias 17 e 18 de junho.
Os temas-chave foram: Sustentabilidade e Intervenção em Património - com a Arq.ª Mariana Correia; Eficiência Energética e Economia Circular - com a Arq.ª Marlene Roque; e Eficiência Hídrica - com o Eng. Alexandre Soares dos Reis.
CICLO DE VISITAS:
ARQUITETURA PELO ALENTEJO
21 setembro 2024
Visita às Pedreiras de Vila Viçosa
O Ciclo de Visitas: Arquitetura pelo Alentejo seguiu em visita às pedreiras de Vila Viçosa, na Rota do Mármore. Tratou-se de uma visita guiada, de interesse geológico e paisagístico, mas também relevante do ponto de vista industrial e arquitetónico. Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer três momentos-chave da vida do mármore: a extração, a transformação e a sua utilização.
A visita foi promovida pela OASRALT e pelo Centro de Estudos de Cultura, História, Artes e Patrimónios.
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TERTÚLIA
10 julho 2024
Importância de trabalhar com um arquiteto
No âmbito das comemorações do Dia Nacional do Arquiteto, a OASRALT salientou a importância da profissão com a tertúlia - A Importância de Trabalhar com um Arquiteto.
A OASRALT promoveu um momento de discussão sobre as questões atuais da profissão, tendo os seus membros efetivos apresentado contributos sobre a forma como a arquitetura pode contribuir para a sociedade e para a melhoria da qualidade de vida.
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AGENDA
SESSÃO DE ESCLARECIMENTOS
24 setembro 2024
Simplex Urbanístico - Sessão #02
A Sessão – Questões Práticas do Simplex, com a Dr.ª Dulce Lopes, teve lugar no Auditório da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), em Beja. Contou com a presença do Dr. Saraiva de Lemos, consultor jurídico da OA, e teve a moderação da Arq.ª Fátima Matos.
A Sessão de Abertura foi feita pela Arq.ª Cláudia Gaspar, Presidente da OASRALT, pelo Dr. António Bota, Presidente da CIMBAL, e pelo Dr. Fernando Romba, Primeiro-Secretário da CIMBAL.
AGENDA
SESSÕES DA DISCIPLINA
16 outubro 2024
1.ª Sessão da Disciplina
Direitos de Autor
A 1.ª Sessão da Disciplina, sobre Direitos de Autor, teve lugar na Fundação Caixa Agrícola Costa Azul, em Santiago do Cacém. O painel foi constituído pela Dr.ª Helena Rocha, jurista da Ordem dos Arquitectos, pela Arq.ª Vanda Dâmaso, relatora da Ordem dos Arquitectos no âmbito de processos disciplinares, pela Arq.ª Ana Baptista, arquiteta da Administração Pública, pelo Arq. Bailó Canté, arquiteto do privado, e teve a moderação da Arq.ª Telma Félix.
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CULTURA
1 a 31 outubro 2024
Prémio Arquitetura no Alentejo - 1.ª Edição
A exposição das obras candidatas ao Prémio Arquitetura no Alentejo – 1.ª edição esteve patente na Igreja do Salvador, em Évora, de 01 a 31 de outubro.
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ENCONTRO
29 outubro 2024
A Acessibilidade e a Arquitetura no século XXI
A OASRALT organizou, com o Departamento de Arquitetura da Escola de Artes da Universidade de Évora e a Associação Salvador, um encontro sobre as questões da acessibilidade na Arquitetura e no espaço público.
O encontro contou com: testemunhos sobre o dia-a-dia de uma pessoa com deficiência (principais obstáculos de acessibilidade); uma intervenção subordinada ao tema Mobilidade versus Acessibilidade em espaço público; e um debate sobre os principais desafios de projetar de forma inclusiva.
SESSÕES DA DISCIPLINA
19 novembro 2024
2.ª Sessão da Disciplina Problemáticas Recorrentes da Disciplina
A 2.ª Sessão da Disciplina, sobre as Problemáticas Recorrentes da Disciplina, decorreu no Município de Elvas, na Casa da História Judaica.
A sessão de abertura foi feita pela Presidente da OASRALT, Arq.ª Cláudia Gaspar, pelo Vereador da Câmara Municipal de Elvas, Dr. Hermenegildo Rodrigues, e pela Vice-Presidente da Ordem dos Arquitectos, Arq.ª Paula Torgal.
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MEMBRO HONORÁRIO
30 outubro 2024
Cerimónia Membros Honorários 2024
O Presidente da Ordem dos Arquitectos, Arq. Avelino Oliveira, e a Presidente da OASRALT, Arq.ª Cláudia Gaspar, entregaram o título de membro honorário ao Arq. Jorge Silva, cujo percurso profissional se destaca pela intervenção e preocupação com as políticas de planeamento e urbanismo, pela recuperação de bairros clandestinos e pela recuperação do Centro Histórico de Évora (Património Mundial da UNESCO 1986).
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SESSÕES DA DISCIPLINA
3 outubro 2024
3.ª Sessão da Disciplina Os novos desafios da disciplina
A 3.ª Sessão da Disciplina, sobre Os Novos Desafios da Disciplina, decorreu em Évora, na Igreja do Salvador.
A sessão de abertura foi feita pela Arq.ª Cláudia Gaspar, Presidente da OASRALT, pelo Arq. Nuno Cabrita, em representação do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Évora, e pelo Arq. Pedro Lebre, Presidente do Conselho de Disciplina Nacional da OA.
O painel foi constituído por: Arq. Eduardo Eugénio (moderador), Arq. António de Vasconcelos, pela Arq.ª Helena Mourato, Arq.ª Joana Bem-Haja, Arq.ª Inês Mendes e pelo Dr. José Pisco.
AGENDA
AGENDA
CULTURA
25 janeiro 2025
Exposição CASAS no Alentejo
A OASRALT inaugurou a Exposição CASAS no Alentejo, na Fundação Caixa Agrícola Costa Azul, em Santiago do Cacém.
Na inauguração estiveram presentes oo Sr. Vereador Albano Pereira, em representação do Município de Santiago do Cacém, da representante do Conselho de Administração da Fundação Caixa Agrícola Costa Azul, Cátia Pereira, da representante da União de Freguesias de Santiago do Cacém, Sónia Lourenço, e do Presidente da Ordem dos Arquitectos, Arq. Avelino Oliveira.
Estiveram ainda presentes dois dos arquitetos autores das obras selecionadas.
ASSEMBLEIA
17 dezembro 2024
Assembleia Regional Ordinária
A Assembleia Regional da OASRALT reuniu em sessão ordinária no dia 17 de dezembro de 2024, realizada em formato híbrido, permitindo que os seus membros participassem, também, em modo telemático, além do presencial.
Da ordem de trabalhos constaram os seguintes pontos:
1.Aprovação da ata da Assembleia Regional de 19 de dezembro de 2023;
2.Apreciação e aprovação do Relatório de Atividades de 2023;
3.Apreciação e aprovação do Plano de Atividades para 2025;
4.Outros assuntos.
CULTURA
3 fevereiro 2025
UIA Friendly and Inclusive Spaces Awards 2023
A OASRALT inaugurou a exposição UIA Friendly and Inclusive Spaces Awards 2023, na Igreja do Salvador, em Évora.
A sessão de abertura foi feita pela Arq.ª Cláudia Gaspar, Presidente da OASRALT, e pela Arq.ª Paula Torgal, VicePresidente do Conselho Directivo Nacional da OA. Após a apresentação dos projetos pelos Arquitetos Vítor Santos Cruz e Tiago Reis de Oliveira seguiu-se um debate com ambos, moderado pela Arq.ª Susana Machado, representante da OA no grupo de trabalho da UIA – Architecture for All – Região 1.
CICLO DE VISITAS
9 março 2025
Visita à Herdade da Cardeira, em Borba
A OASRALT deu continuidade à iniciativa "Ciclo de Visitas: Arquitetura pelo Alentejo", que visa reunir os seus membros, entre outros interessados, promovendo os bons exemplos de arquitetura no seu território. Desta vez, a visita foi à obra de reabilitação da Herdade da Cardeira, um projeto do atelier Embaixada Arquitetura, que recebeu uma menção honrosa na categoria Reabilitação, na 1.ª edição do Prémio Arquitetura no Alentejo. A visita foi conduzida pela arquiteta Cristina Mendonça.
AGENDA
CULTURA
9 março 2025
Exposição - CASAS no Alentejo, em Borba
A OASRALT inaugurou, no dia 9 de março, a Exposição CASAS no Alentejo, no Celeiro da Cultura, em Borba. Estiveram presentes o Presidente da Câmara Municipal de Borba, António Anselmo, da Arq.ª Raquel Pereira, chefe da Divisão da Unidade de Projeto, Gestão Urbanística e Ordenamento do Território do Município de Borba, da Dr.ª Sara Jaques, do Gabinete de Comunicação e Informação de Borba, e dos arquitetos(as) Cristina Mendonça e Manuel Centeno, com obras patentes na exposição.
ASSEMBLEIA
18 março 2025
Assembleia Regional Ordinária
A Assembleia Regional da OASRALT reuniu em sessão ordinária no dia 18 de março de 2025, realizada em formato híbrido, permitindo que os seus membros participassem, também, em modo telemático, além do presencial.
Da ordem de trabalhos constaram os seguintes pontos:
1.Aprovação da ata da Assembleia Regional de 17 de dezembro de 2024;
2.Apreciação e aprovação do Relatório de Atividades de 2024;
3.Outros assuntos.
AGENDA
SESSÃO
6 maio 2025
Arquitetura Sensorial e Acessibilidades
A sessão Arquitetura Sensorial e Acessibilidades decorreu em Évora, na Igreja do Salvador. Foi organizada pela OASRALT, em parceria com a Associação Salvador, o Departamento de Arquitetura da Escola de Artes e o Departamento de Desporto e Saúde da Escola de Saúde e Desenvolvimento Humano da Universidade de Évora.
O encontro reuniu: o Prof. Arq. Carlos Mourão Pereira, a Arq. Isabel Serra, o Prof. José Marmeleira, o Prof. Arq. João Soares, Joana Gorgueira e Felismina Gomes da Associação Salvador, e o Dr. Luís Orvalho, Diretor da Unidade de Cultura da CCDR-A.
CULTURA
15 abril 2025
Exposição do Prémio Arquitetura no Alentejo - 1.ª Edição
A OASRALT inaugurou em 15 de abril a exposição Prémio Arquitetura no Alentejo – 1.ª edição no Museu Municipal de Moura.
A inauguração contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Moura, Álvaro Azedo, da Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Moura, Lurdes Balola, e da Responsável pelo Museu Municipal de Moura, Marta Nobre. 28
ADMISSÃO
19 maio 2025
Sessão de Esclarecimentos #5 Admissão à Ordem dos Arquitectos
A OASRALT realizou, no dia 19 de maio, uma Sessão de Esclarecimentos sobre o processo de admissão. Em formato telemático, a sessão foi dirigida aos estudantes de arquitetura e demais candidatos que em breve farão a sua admissão à Ordem dos Arquitectos.
AGENDA
CELEBRAÇÃO DO DIA MUNDIAL DA CRIANÇA
1 junho 2025
Distribuição de Livros – Dia da Criança
No ano 2025, para assinalar o Dia da Criança, a OASRALT sorteou livros infantis pelas escolas de 1.º Ciclo do Alentejo. Os livros, cuja temática aborda temas relacionados com arquitetura, pretendem ser um primeiro contacto com a profissão, e a importância desta no quotidiano.
Por forma a garantir que a iniciativa chega a toda a região, foram sorteadas escolas de 1.º Ciclo (algumas destas com ensino pré-escolar integrado) de cada sub-região do Alentejo: Alto, Central, Baixo e Alentejo Litoral.
AGENDA
ADMISSÃO
24 maio 2025
Cerimónia de Receção aos Novos Membros 2024
Esta iniciativa decorreu no terraço da Torre do Salvador, em Évora, e destacou-se: pela receção aos novos membros, que iniciaram o seu percurso profissional em 2024 enquanto membros efetivos da OASRALT; pelas mensagens da Presidente da OASRALT, arquiteta Cláudia Gaspar, e do Presidente da OA, arquiteto Avelino Oliveira; pelo debate moderado pela responsável do pelouro, arquiteta Cláudia Petronila; e pelo momento musical dos alunos da Escola de Artes da Universidade de Évora.
TERTÚLIA
2 junho 2025
Honorários dos Serviços de Arquitetura
Decorreu, no dia 02 de junho, na sede da OASRALT, a Tertúlia “Honorários dos Serviços de Arquitetura”. Na sua intervenção, o Presidente da Ordem dos Arquitectos, Arq. Avelino Oliveira, falou-nos da importância da reflexão e ação conjunta quanto aos honorários e à valorização do trabalho de arquitetura, e apresentou as medidas que a Ordem dos Arquitectos tem tomado em virtude da dignificação da profissão. Após a apresentação, seguiu-se um momento de tertúlia e debate entre os membros presentes.
PLANEAMENTO E URBANISMO: UM PERCURSO ENTREVISTA
JORGE SILVA, ARQUITETO
MEMBRO HONORÁRIO 2024
Entrevistadora CLÁUDIA GASPAR, ARQUITETA
Redação DAVID LOPES
Fotos NUNO ALMENDRA
Entrevista realizada ao Arq. Jorge Silva no dia 25 de junho de 2024, na sede da Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos, pela Arq. Cláudia Gaspar.
O percurso profissional do Arq. Jorge Silva destaca-se pela intervenção e preocupação com as políticas de planeamento e urbanismo, pela recuperação de bairros clandestinos e pela recuperação do Centro Histórico de Évora (Património Mundial da UNESCO 1986). Em 30 de outubro de 2024 foi-lhe outorgado o título de Membro Honorário da Ordem dos Arquitectos.
“Mas a habitação é um bem público nos termos definidos pela nossa Constituição.”
Jorge Henrique Cardoso da Silva nasce em 1946, em Évora. É diplomado pela ESBAL. Como é que começa a surgir o interesse pela arquitetura e como é que foi a sua infância? Houve alguma coisa que o marcou, que o conduziu à arquitetura? E o que é que aconteceu até chegar à ESBAL?
Quando eu nasci, no dia 8 de março de ‘46, meu
pai era médico-cirurgião em Évora, numa altura em que havia muito poucos médicos. Ser médico-cirurgião é uma profissão que eu sempre admirei muito pelo seu valor humano. A minha mãe formou-se não só em línguas, mas sobretudo em histórico-filosóficas e psicologia infantil. Foi professora aqui no liceu.
Portanto, há aqui uma mistura de ciência, da parte do pai, e das humanidades, da parte da mãe.
Pois, a minha mãe escreveu poemas (há alguns poemas dela editados pela Câmara de Évora) e foi uma pessoa que se dedicou muito não só às artes, mas também, e muito, à criança. Por exemplo, iniciativas como o Museu do Brinquedo e a Ludoteca no Jardim Público. […]
Portanto, foram pessoas que viveram muito ligadas à vida urbana em Évora. Não havia muita gente e conhecíamo-nos todos. Frequentei a casa do Virgílio Ferreira e da mulher, a Regina, também professores no Liceu em Évora, e convivi intensamente com algumas outras pessoas que constituíam um núcleo de “oposição” ao regime e que foram atores no 25 de Abril, como o major André Infante, que foi militar ativo na rebelião. Até foi meu professor o António Charrua, o pintor, professor de desenho de estátua, então,
obrigatório na admissão ao curso de arquitetura. Com esse sorriso, nasceu aí um gosto pelo desenho. Sim, eu gostava muito do desenho.
E ainda hoje desenha como exercício?
Vou fazendo desenho, já não como exercício, mas por prazer. Não faço mais porque às vezes não tenho paciência. Tem de compreender que, nascido em 1946, a idade já se aproxima a passos largos dos 80, e nós começamos a ter menos firmeza na mão, menos memória […]. Mas pronto, cá estou, e julgo que não tenho uma vida aqui em Évora de que me arrependa.
Eu já estava formado quando foi o 25 de Abril, já tinha trabalhado em vários ateliês em Lisboa: o Conceição Silva, o Vítor Figueiredo, o Maurício Vasconcelos, entre outros. Era hábito o estudante, a partir do quarto ano, começar a trabalhar nos ateliês. Agora creio que já não é tão habitual. E ter essa oportunidade, como eu tive, abriu-me novas oportunidades na interpretação da forma e foi muito útil à minha vida profissional.
No outro dia usou uma expressão que me ficou na memória. Disse: «houve uma altura que tive de trocar a lapiseira pela espingarda.»
Eu tive o que se pode chamar alguma sorte, porque eu era referenciado pela polícia política – pela vida dos meus pais e pela minha própria vida de estudante – como opositor ao regime político que se vivia. O serviço militar era usado muitas vezes como uma forma de punir quem tivesse esse tipo de comportamento – e assim aconteceu: eu entro para a tropa, faço a recruta que tinha de fazer e a seguir, em vez de poder acabar o curso, sou mobilizado pela Força Aérea para a Guiné. Ainda por cima, para um sítio no interior onde os combates eram terríveis. Portanto, a minha vida ficou “pendurada”... Eu não sei como é que aguentaria uma vida militar tão forte, tão intensa e tão arriscada como a que me estava destinada. Admiti várias hipóteses: fugir; não fugir; ficar; não ficar… – o problema é que tinha cá em Portugal a família. Tinha os meus pais já com uma certa idade, e não os queria abandonar. A minha irmã tinha, entretanto, casado com um homem que estava muito ligado a um partido político e, por essa razão, teve de se exilar, para não ser capturado pela polícia política. Estando fora do país, não teria hipótese de voltar enquanto o regime político existisse. Portanto, eu sentir-me-ia muito mal com o “deixar” os meus pais por cá sem hipótese de apoio de nenhum filho, tornando-me desertor. Porque
“[OS GAT] foram uma escola de vida, quase. Porque foi um momento em que a arquitetura saiu dos gabinetes para o espaço público.”
se saísse [do país], obviamente, não tinha forma legal de voltar. Se voltasse, seria apanhado e faria quase o dobro do tempo como militar.
Foi o 25 de abril e, portanto, o movimento gerado pelos militares que me retiraram a mobilização. (Já estava vacinado, já tinha as viagens marcadas para ir lá para a Guiné…) E foi quando esse “quase milagre humano” aconteceu.
Posso dizer que, para mim, foram os dias mais felizes da minha vida, o tempo que se seguiu ao dia 25 de abril de 1974. Mais preocupantes [também]. Tudo aconteceu nessa altura. Foi uma irrepetível alegria de viver. E posso dizer que tive a sorte de a minha geração, destinada para a guerra (para matar ou morrer), ter a sorte viver esse período e esse momento com uma felicidade extrema...
E em que altura é que regressa a Évora?
Regresso a Évora após este período (já me tinha formado) e já tinha trabalhado com Conceição Silva, Vitor Figueiredo e Maurício de Vasconcelos, nestes ateliês que referi. Há um outro ateliê, que eu ainda não referi, que era aquele a que chamávamos “O Trio Maravilha”, que pertencia a três arquitetos que trabalhavam em conjunto. Tinham e fizeram, nessa altura,
ENTREVISTA
intervenções mais visíveis (por isso é que tinham essa alcunha). Trabalhei com eles, sobretudo com o Carlos Roxo, que era aqui de Estremoz e que era uma pessoa muito interessante. Tudo isso se passou antes do 25 de abril. Com o 25 de abril houve uma mudança total.
Foi nessa fase que projetaram o edifício da SIMOPE, que é um edifício premiado com o Prémio Valmor de 1984. Foi com esse grupo de colegas. […] Pode contar-nos um pouco mais sobre o processo?
Eu fui trabalhar com eles. Quem estava a dirigir esse projeto era o Carlos Roxo, com apoio do Manuel Moreira e não tanto o Pedro Tojal. O Pedro Tojal foi quem “oficialmente recebeu o prémio”, porque foi ele quem deu o nome na Câmara de Lisboa. Mas foi com o Carlos Roxo [que trabalhei] e que dirigiu a equipa. Eu devo dizer que ele me deu, na altura em que fui trabalhar com ele, uma grande autonomia no processo, do projeto, de criação. Portanto, grande parte do projeto também teve a minha colaboração muito ativa. E, ao princípio, nem todos concordavam com os princípios concetuais, o que para mim era ótimo, porque originava grandes discussões. Foi nesse contexto: de trabalhar lá com colegas nossos (e com uma profissão que hoje já praticamente não existe,
mas que era muito importante - os desenhadores), que chegámos àquele exercício, que teve uma série de ideias muito interessantes. Tinha [até] uma parte de colaboração artística do Rogério Ribeiro.
E António Mendes - os dois pintores plásticos. Era a minha pergunta seguinte. Porque nesta fase era muito comum a participação de artistas, pintores, escultores, que surgiam muitas vezes em murais ou esculturas… O que de alguma forma trazia uma outra mais-valia interdisciplinar às obras.
Sim, quando é possível e as pessoas se mexem nesse sentido, pode-se conseguir. Os grandes ateliês tinham a presença muito frequente de artista plásticos. O Carlos Roxo trabalhava muito com o Rogério Ribeiro. O Conceição Silva tinha mesmo uma parte do gabinete (que ele tinha um gabinete grande) apenas dedicada às artes plásticas, onde trabalhavam pintores, escultores, designers, que iam acompanhando as obras e produzindo peças imensas em colaboração com os arquitetos.
Será que hoje, na nossa arquitetura, faz falta um pouco dessa relação com a arte?
Olhe, vou-lhe dizer: sempre que pude, eu tentei, porque tinha esta experiência. E quanto tive um grande projeto para fazer, que era o projeto de um tribunal no Barreiro, tentei fazer incluir uma série de obras de arte (até porque havia um quadro legal que a isso referia, um quadro legal que estabelecia que a obra oficial salvaguardava uma percentagem [do orçamento] para obras de arte), mas ninguém ligava a isso. Eu resolvi tentar aplicar [esse quadro legal] e dizer que era nesse contexto, etc. Mas não consegui que acontecesse nada, porque a falta de dinheiro era muito superior aos interesses artísticos. E foi pena, porque estas coisas ficam para a eternidade – a eternidade é uma forma de dizer, mas ficam.
O projeto estava construído para ter uma peça de arte significativa na cidade. O edifício era sobrelevado – a principal peça de arte ficaria numa fonte no espaço público por baixo do edifício. E mesmo a leitura das salas de audiência também tinha um trabalho escultórico que era para ser realizado e não foi. Então havia essa situação, essa gestão de prioridades, e perdeu-se isso. Adiou-se, mas depois não se recuperou.
Chegamos aqui a Évora. Foi técnico do GAT (Gabine-
ENTREVISTA
Bairro da Malagueira. Foto Nuno Manita, 2025
te de Apoio Técnico) de Évora. Vamos começar então com o que era o GAT e o papel que eles tiveram. Os GAT foram como que uma escola?
Foram uma escola de vida, quase. Porque foi um momento em que a arquitetura saiu dos gabinetes para o espaço público. A arquitetura estava confinada a um número muito reduzido de promotores que tinham capacidade económica para que essa arquitetura existisse. E com o 25 de abril e a existência dos GAT, dá-se uma alteração de fundo que é: a arquitetura passa a chegar a toda a população. Era esse um dos objetivos que os GAT tinham. Os GAT, as associações de moradores, cooperativas, todos passaram a trabalhar em conjunto.
Aproximando-se da sociedade, das necessidades locais e afastando-se daquela ideia de que o gabinete de arquitetos é só para determinados clientes… Pois, não, aqui a arquitetura era mesmo uma arquitetura para fazer um mercadito, uma tenda onde eles iam vender coisas. Se eles queriam fazer uma cooperativa de construção, desenhava-se um projeto-tipo e um plano de ocupação. E com isso eles ganhavam possibilidades de recorrer a financiamento. E conseguiram, conseguiu-se muita coisa nessa altura,
porque passámos a ter um país positivo. A colaboração interdisciplinar saiu à rua…
E em todo o país, claro, se chamavam municípios até mais pequenos e serviam eles próprios como polos dinamizadores. Trata-se então de uma mobilidade interna de arquitetos para vários sítios do país também.
Sim, foi tudo isso que está a dizer. Há um momento-chave em que a arquitetura é divulgada e compreendida, e chega a toda a gente. Quando queriam fazer alguma coisa, as organizações, as populações, as associações, freguesias, o que quer que fosse […] tinham a possibilidade de adquirir fundos/financiamento para a construção das mais pequenas coisas: lavadouros, fontes, uma peça de uma praça, qualquer coisa. Tudo isso foi feito pelos arquitetos dessa altura. Isso foi importantíssimo, foram divulgando a arquitetura sem o contexto da obra especial. Faziase aquilo que era o melhor que se sabia fazer para aquelas circunstâncias.
Foi vereador em Évora. De 1977 a 1980, certo?
Fui vereador em Évora. Pertenci à primeira vereação eleita, foi por isso que aceitei.
Na altura eram três anos. A primeira foi de três anos. Embora houvesse uma interrupção a meio e tivesse havido novas eleições, e o mandato fez-se até ao fim. Mas foi um momento, para mim, inolvidável, importantíssimo. E acho que o país teve uma grande transformação nas primeiras eleições existentes em que eram eleitos vereadores.
Passou-se a responder perante a população e não perante uma hierarquia. Sentia-me a responder perante a população alentejana... Como eu tinha estado a trabalhar nos GAT, para mim foi muito fácil passar a este tipo de trabalho.
E foi ótimo. Gostei imenso do que fiz. Acho que participei em muitas coisas que é muito difícil que voltem a repetir-se. E estava-se constantemente a inovar. Tudo havia que descobrir e tentar encontrar a melhor maneira de as coisas chegarem a bom porto. E isso dava origem a muitas inovações. A administração pública foi janela de inovação. Não havia o que hoje existe, que é uma regulamentação e um conjunto de regras (excessivas), que tornam as coisas muito mais complicadas. Na altura, todos nós estávamos orientados num único sentido. Hoje, as pessoas têm vários objetivos que foram separando e, portanto, houve
a necessidade de começar a criar regras. Agora é a questão da corrupção e o quadro legal para produzir arquitetura, e associar depois a corrupção a essas coisas... Nessa altura, não se punha essa questão. A questão da corrupção era praticamente inexistente.
Ali deu-se a conjugação de uma necessidade premente (de falta de habitação, e de existência de vários bairros clandestinos) com uma ausência de regulamentação. Portanto, foi a combinação perfeita para uma pessoa com experiência nos gabinetes de apoio técnico local vir intervir, e depois ver-se em mãos com problemas sérios que acabam por ser resolvidos sempre numa lógica de participação com as comissões de moradores. Hoje, 50 anos depois, estamos novamente com uma crise habitacional. Antes tínhamos um problema dos bairros clandestinos. Hoje é diferente. Como é que é possível pensar que estamos novamente numa crise habitacional?
O que é espantoso é que ainda há tantos bairros que persistem nesse estatuto, sem alteração ou sem se conseguir alteração. Isso faz-me muita impressão… Esta crise habitacional foi uma crise que, com alguma capacidade de previsão, em termos das necessidades e das características existentes no país, era possível que viesse a acontecer. […] Houve aquela política dos bairros clandestinos. Isso foi importante. Mas depois… não houve praticamente mais investimento público. Houve muito pouco [investimento] em habitação. Eu sou um adepto muito grande do investimento público, porque penso que é aquele que produz melhores resultados, porque desvia e concentra recursos. E o investimento público […] foi desaparecendo ao longo dos anos e não foi substituído por nada. E, neste momento, quem é que produz habitação? Onde é que a habitação se vai produzir? Caiu progressivamente nos promotores imobiliários, que têm de ter lógicas diferentes, porque se regem por ideias de um mercado que tem de ter como objetivo o lucro - quanto maior, mais se aproxima do objetivo do industrial que o produz. Mas a habitação é um bem público nos termos definidos pela nossa Constituição. Com a carência existente, não se pode esperar que a iniciativa esteja tão dependente de interesses próprios, quantas vezes contraditórios com o interesse público, havendo contradições graves ou mesmo insolúveis. E foi isso que gerou, depois, uma grande falta de habitação.
Depois há outro acontecimento, que agora já se
percebeu, mas não se tinha a noção: e dizia-se que havia um excesso de casas para a população que existia. E assim se afirmava que havia terrenos a mais, e que havia excessos a controlar. A leitura dessa ideia está desfocada da realidade existente, que é mais complexa, mas não é certamente pelo estrangulamento do processo de urbanização. Há que ser muito mais rigoroso a reduzir estas contradições. Eu não digo que não houvesse um excesso em muitas situações, […] mas o que é verdade é que o país, como agora se sabe claramente, nunca teve tanta população, nunca cresceu tanto em tão pouco tempo como agora. E quando cresce a população, se não houver uma relação com o crescimento habitacional, dá-se o desastre que tem acontecido ultimamente, com situações perfeitamente inaceitáveis do ponto de vista humano.
Podemos dizer que a questão da habitação também tem na sua base um ordenamento do território que é fundamental, que antecede as atividades de desenvolvimento do nosso território. E, enquanto vereador da Câmara Municipal de Évora, […] esteve envolvido na elaboração do primeiro plano de desenvolvimento municipal (PDM) de Évora, que vem servir de base aos atuais PDM a nível nacional. Na
“Eu posso dizer que o arquiteto tem em vista a existência futura de qualquer objeto, entidade, ou edifício que ele consegue conceber, mas que ainda não existe. (...) Essa pré-existência do que não existe, a criação da existência, é, de facto, uma tarefa do arquiteto..”
elaboração deste plano municipal, já tinha a noção de que ele viria a servir de modelo para outros planos municipais no nosso país?
Não, não tinha essa ideia. Sinceramente. Eu utilizei os conhecimentos que tinha e a experiência que tive. Trabalhei com alguns ateliers, nomeadamente o Maurício de Vasconcelos (mas o Conceição Silva também) que já começavam a ter uma ideia de que o plano diretor (que não seria um plano de urbanização, nem um plano pormenor), deveria ter todas as ideias que afetam a programação da ocupação do território. E conjugar uma série de normas para permitir prever os crescimentos habitacionais, para salvaguardar áreas importantes, que não devem ser ocupadas, etc. Trabalhei com o Gonçalo Ribeiro Telles, porque ele trabalhou com o Maurício de Vasconcelos e com o Conceição Silva. Não havia arquitetos paisagistas aqui em Évora. Era uma profissão que, graças a ele, começou a ser reconhecida. Eu aprendi muito com ele. Era um mestre que muito nos ensinava e foi um homem que deixou obra feita, embora cada vez mais aquilo que ele nos ensinou seja esquecido.
O arquiteto também teve aqui um papel fundamental no que respeita à valorização do centro históri-
co de Évora (Cidade Património da UNESCO). É um contexto onde os arquitetos estão constantemente a intervir, com a consciência de que um património bem cuidado, respeitado, representa a identidade e é um valor inestimável, que é também uma mais-valia do ponto de vista económico, associado também ao turismo - um turismo de qualidade, um turismo cultural. Os centros históricos são cidades que acolhem os visitantes, mas devem ser sobretudo cidades funcionais para os residentes. Como se consegue este equilíbrio urbano?
Tendo uma génese na construção mais espontânea, vai progressivamente acrescentando valores. Claro que os valores históricos a que a arquitetura deu suporte têm já séculos. Mas depois, fazer com que este conhecimento e saber-fazer passasse do edifício ou do conjunto monumental, ou mesmo do monumento para a vivência urbana da população, foi um salto importante, difícil, e que é um trabalho muito grande e meticuloso para os arquitetos.
E como foi trabalhar estes aspetos com a população?
Foi muito interessante. Eu aqui em Évora vivi muito isso e foi muito importante esse papel que nós
arquitetos aqui tivemos, bem como a aceitação que acabou por ter. Se conseguirmos manter um espírito aberto muito poderemos contribuir para um ambiente urbano futuro agradável e desejável. Somos muitas vezes confrontados com ideias de gente que, na ânsia de fazer preservação do património, não entende que o património, por natureza, se transforma permanentemente e permanentemente se enriquece da vida das cidades e das pessoas. E, portanto, esse enriquecimento não pode ser estagnado, não havendo qualquer hipótese de transformação – isso será uma forma de matar esse património, sem o sabermos, na ânsia de o proteger…
O papel do arquiteto na administração pública, seja local, regional ou central, é muito importante pela sua visão crítica nas questões de bem-estar e de interesse público e político da cidade. O Arq. Jorge Silva foi um impulsionador em todos os processos e todos reconhecemos esse seu papel. Esteve na génese de uma série de processos como: a génese dos planos, a génese do que terá sido uma preparação para uma eventual candidatura de Évora a património da UNESCO, a génese dos processos participativos, a génese até do próprio Bairro da Malagueira. […] Portanto, esteve presente em todos estes momentos e deu esse seu contributo para as questões do interesse público, sempre com a visão crítica do arquiteto. Teve noção das implicações da sua atividade?
Estive desempenhando um papel, que considerei vital para esse mesmo património. Porventura, qualquer outro arquiteto que estivesse no meu lugar com os mesmos objetivos, com as mesmas oportunidades e a mesma formação, poderia desempenhar esse papel, provavelmente melhor do que eu. A formação poderá variar… Mas, de facto, é fundamental ter a oportunidade e consciência crítica. Claro que eu também criei oportunidades, gerava as oportunidades para chegar a um determinado resultado. A vereação com que eu entrei foi muito aberta a isso. O presidente da altura, o Abílio Fernandes, que ainda é vivo (a Universidade [de Évora] no ano passado atribui-lhe o doutoramento honoris causa), e mais um conjunto de vereadores (hoje, ou já não são vivos, ou abandonaram a vida ativa), mas na altura, foi um conjunto de pessoas que esteve também muito envolvido, porque eram muito abertos a estas novas problemáticas.
“Têm de entender que a própria profissão precisa de ter uma autorregulação e autodeterminação (…)”
E tínhamos Nuno Portas enquanto secretário de Estado da Habitação nessa fase, portanto, lá está, um arquiteto na administração pública...
Foi ele que conseguiu parte importante dos terrenos que foram utilizados.
Claro, e todos os projetos do SAAL... Precisamos de mais arquitetos na administração pública?
Sim, faz todo o sentido.
A visão holística que nós temos, habituados a conjugar todas as especialidades num só projeto, e, neste caso, as várias áreas disciplinares, na resolução de um problema. Há uma visão única que nos caracteriza enquanto arquitetos, no que é aquela profissão, por vezes, difícil de definir. Porque cada um de nós define o que é ser arquiteto, cada um terá a sua definição própria. Todos estamos certos e dificilmente temos uma definição. Pergunto-lhe qual é, para si, a definição de arquiteto. Esta pergunta é difícil.
Eu posso dizer que o arquiteto tem em vista a existência futura de qualquer objeto, entidade, ou edifício que ele consegue conceber, mas que ainda
ENTREVISTA
Bairro da Malagueira. Foto Nuno Manita, 2025
não existe. Mas “qualquer coisa” pode ser mesmo uma organização quase social, ou um conjunto edificado. Essa pré-existência do que não existe, a criação da existência, é, de facto, uma tarefa do arquiteto.
O arquiteto esteve envolvido no início do Bairro da Malagueira. Como foi esse processo?
A Malagueira teve alguma graça. Como é que nasceu? Havia o terreno, tinha sido conseguido. […] Agora, era preciso ter uma conceção de uma ocupação que estivesse ao nível daquilo que Évora era. Era preciso perceber Évora. Era preciso alguém com uma visão da arquitetura, como eu achava, daquilo que eu conhecia do Siza, que ele era capaz. Mas eu, pessoalmente, conhecia pouco o Siza. Conhecia os trabalhos que ele tinha feito e achei que ele era a pessoa indicada. De maneira que consegui convencer a vereação toda. Não foi fácil, mas foi uma vitória que foi adequada e só dá valor à vereação. Aceitou convidar o arquiteto Siza Vieira. Na altura, […] o Siza Vieira não era reconhecido em Portugal. O Siza Vieira queria trabalhar no Porto e não lhe davam trabalho. Eu falei uma vez com ele e percebi que ele estaria numa situação bloqueada, que um homem com aquela sensibilidade, com aquele valor, com aquela maneira de pensar, estava completamente bloqueado. Ninguém no país lhe estava a dar hipótese. E eu tinha aqui uma grande hipótese. Era a cidade que precisava do Siza Vieira e o Siza Vieira precisava da cidade. Então, convenci os vereadores. O presidente pôs-me o carro à disposição, e vou eu e mais um vereador ao gabinete do Siza Vieira, defini o problema e a sua dimensão e convidei-o. Para meu espanto (que eu receoso estava), […] ele disse: «Aceito com certeza». Ótimo! Então, vamos! - É fazer uma proposta e vamos trabalhar.
E assim foi. Ele fez uma proposta. E, ainda por cima, perfeitamente aceitável em termos de custos. […] Pedimos-lhe alguns princípios, estes que lhe estava a dizer. Como é que era a cidade? Como é que era Évora crescer? Como é que seria Évora? Uma expansão de Évora, como é que seria? Como é que poderia ser? E ele foi fazendo aquilo. De vez em quando discutia com ele. Ele veio muitas vezes discutir cá com as cooperativas. Fazia [a viagem de] avião [para] Lisboa, [e vinha de] Lisboa de carro até aqui… Fez isso tantas vezes... E, com isso, construiu-se uma hipótese, aquela que lá está. Que não foi de aceitação global. Não sei se você tem noção, mas houve muita gente que não gostava daquilo, que aquilo não
era.... Acho que agora gostam. Acho até que gostam muito! Mas na altura foi uma surpresa que não foi consensual.
Teve uma participação ativa na Ordem dos Arquitectos, na altura Associação Portuguesa dos Arquitectos. Quer contar-nos como foi?
[Depois de ter saído de Évora] aceitei ser membro da direção da então Associação Portuguesa dos Arquitectos. Fui membro da direção em conjunto com a Olga Quintanilha. Fiz dois mais dois anos. Os primeiros dois na conquista da nova sede e os outros dois já depois na instalação da nova sede. Na altura em que a Associação conquistou a Ordem e que houve uma grande luta ao nível da Assembleia da República para que assim acontecesse e para que reconhecessem
a importância desse valor e que reconhecessem o valor de uma Ordem – reconhecessem quais eram os princípios que a Ordem poderia valorizar.
Hoje, passado este tempo todo, começamos a levar estas recentes marteladas em cima da Ordem e do papel da Ordem. Eu acho que não foi compreendido que isto é uma génese (uma génese que tem origem também na própria profissão). Têm de entender que a própria profissão precisa de ter uma autorregulação e autodeterminação, e pela sua especificidade não a entregar a outros.
Estamos numa fase de algumas mudanças na nossa ordem profissional, por adaptação a diretivas com implicações diretas e alteração dos estatutos, que contempla a criação de novos órgãos como o Conselho de Supervisão, por exemplo. Como vê estas
alterações?
A nossa associação profissional estava em permanente construção, em permanente evolução, e depois aconteceu o que aconteceu. Eu pertenci a uma comissão internacional, na altura [em] que estava na Ordem, que discutiu isso ao nível de Bruxelas. E eu não compreendia a necessidade que havia de fazer as coisas como eles estavam a propor. […] Fazia-me impressão eles não terem essa visão do que era o papel de uma ordem profissional, pelo menos num país como o nosso. Sei lá, se fosse outro país, talvez, um país nórdico, não sei…
Como a história nunca é permanente, os factos têm também as suas próprias evoluções e adaptações, o que está bem. Estará – mas é preciso lutar.
O PRR E A ANOMALIA DO MERCADO DA CONSTRUÇÃO EM PORTUGAL
Por DANIEL CARRAPA, ARQUITETO PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA REGIONAL DO ALENTEJO Fotos NUNO ALMENDRA
O relatório de monitorização do Plano de Recuperação e Resiliência divulgado pela Estrutura de Missão Recuperar Portugal no mês de setembro reporta uma taxa de execução da ordem dos 40%. Da dotação global de financiamento prevista, que ascende a 22 000 M€, foram já pagos cerca de 8 000 M€ aos beneficiários finais, públicos e privados, sinalizando o término bem sucedido das suas operações de investimento.
A cerca de um ano do termo do PRR, o discurso político é unânime em determinar a urgência da sua concretização como um desígnio nacional. No entanto, apesar da vontade política, uma conjugação de fatores externos e internos tem vindo a dificultar a capacidade de execução por parte das entidades promotoras, em particular nos casos em que esse investimento depende da construção de obra pública. As empresas do setor sinalizam a escassez de mão de obra e a falta de profissionais qualificados para assegurarem a gestão e a direção técnica das empreitadas como razões para não concorrerem aos muitos procedimentos promovidos pela administração pública. As próprias fileiras de produção de materiais
A tempestade perfeita do PRR Uma reflexão sobre o ciclo de investimento do PRR e a anomalia do mercado da construção em Portugal
O relatório de monitorização do Plano de Recuperação e Resiliência divulgado pela Estrutura de Missão Recuperar Portugal no mês de setembro reporta uma taxa de execução da dos 40%. Da dotação global de financiamento prevista, que ascende a 22 000 M€, foram pagos cerca de 8 000 M€ aos beneficiários finais, públicos e privados, sinalizando o término bem sucedido das suas operações de investimento.
de construção revelam dificuldades de resposta às solicitações que lhes são feitas, deixando até os grandes clientes em lista de espera. A estas dificuldades somam-se queixas de um quadro de excessiva burocracia e desnecessária complexidade dos processos de gestão dos programas de candidatura, a par com uma legislação pesada ao nível da contratação pública.
A cerca de um ano do termo do PRR, o discurso político é unânime em determinar a urgência da sua concretização como um desígnio nacional. No entanto, apesar da vontade política, uma conjugação de fatores externos e internos tem vindo a dificultar a capacidade execução por parte das entidades promotoras, em particular nos casos em que investimento depende da construção de obra pública.
As empresas do setor sinalizam a escassez de mão de obra e a falta de profissionais qualificados para assegurarem a gestão e a direção técnica das empreitadas como para não concorrerem aos muitos procedimentos promovidos pela administração pública. próprias fileiras de produção de materiais de construção revelam dificuldades de resposta solicitações que lhes são feitas, deixando até os grandes clientes em lista de espera. A dificuldades somam-se queixas de um quadro de excessiva burocracia e desnecessária complexidade dos processos de gestão dos programas de candidatura, a par com legislação pesada ao nível da contratação pública.
Se a atual taxa de execução do PRR não é, por si só, motivo para pânico, um olhar mais sobre os números permite-nos levantar o véu sobre aquela que pode ser a real situação domínio da construção de obras públicas. Para isso temos de olhar para o universo beneficiários diretos do PRR que reportam dados relativos a procedimentos de contratação pública. São eles: Escolas, Autarquias e Áreas Metropolitanas, Entidades e Empresas Públicas.
Se a atual taxa de execução do PRR não é, por si só, motivo para pânico, um olhar mais fino sobre os números permite-nos levantar o véu sobre aquela que pode ser a real situação no domínio da construção de obras públicas. Para isso temos de olhar para o universo dos beneficiários diretos do PRR que reportam dados relativos a procedimentos de contratação pública. São eles: Escolas, Autarquias e Áreas Metropolitanas, Entidades e Empresas Públicas.
Implementação Financeira do PRR por Tipo de Beneficiário Aprovado M€ Pago M€ %
Beneficiários sem dados de contratação pública 8.970 4.351 49
Beneficiários com dados de contratação pública* 13.689 4.519 33
TOTAL 22.659 8.870 39
* Escolas, Autarquias, Áreas Metropolitanas, Entidades Públicas e Empresas Públicas
* Escolas, Autarquias, Áreas Metropolitanas, Entidades Públicas e Empresas Públicas
Figura 1: Implementação Financeira do PRR por tipo de Beneficiário.
daniel carrapa arquiteto | daniel.carrapa@ordemdosarquitectos.org
OPINIÃO
Artigo | Revista Intersecções Draft (v5)
Artigo | Revista Intersecções Draft (v5)
Centrando-nos neste grupo – onde encontramos os principais promotores de obra pública – verificamos que a taxa de execução se resume a 33% – contrastando com os 49% dos restantes beneficiários.
Centrando-nos neste grupo – onde encontramos os principais promotores de obra pública –verificamos que a taxa de execução se resume a 33% – contrastando com os 49% dos restantes beneficiários.
Implementação Financeira do PRR por Tipo de Beneficiário (com dados de contratação pública)
De salientar que as Escolas, com uma taxa notável da ordem dos 58%, são recetoras de uma expressiva componente de investimento no domínio da transição digital na educação, cuja dotação ascende a 605 M€ e que se reflete, maioritariamente, em procedimentos de aquisição de bens e serviços. Como termo de comparação, as Autarquias e Áreas Metropolitanas apresentam uma concretização de apenas 26% da dotação que lhes está atribuída – estando, no caso das
Autarquias, uma parte substancial do investimento no parque escolar que lhes está afeto, em resultado da transferência de competências neste domínio.
São valores que reforçam o sentimento vivido no terreno pela administração local e central, com as dificuldades em levarem a cabo, com sucesso, muitos procedimentos de empreitada. Perante a falta de capacidade de resposta do setor, os concursos repetem-se, tantas vezes sem interessados, obrigando ao reforço dos preços base muito para lá do inicialmente previsto em projeto – contribuindo, por sua vez, para o aumento generalizado dos preços da construção.
De salientar que as Escolas, com uma taxa notável da ordem dos 58%, são recetoras de uma expressiva componente de investimento no domínio da transição digital na educação, cuja dotação ascende a 605 M€ e que se reflete, maioritariamente, em procedimentos de aquisição de bens e serviços. Como termo de comparação, as Autarquias e Áreas Metropolitanas apresentam uma concretização de apenas 26% da dotação que lhes está atribuída – estando, no caso das Autarquias, uma parte substancial do investimento no parque escolar que lhes está afeto, em resultado da transferência de competências neste domínio.
Certo é que os projetistas não deixaram de saber fazer orçamentos de um dia para o outro. A situação atual reflete uma anomalia sentida por todos. Assim, mais do que procurar as razões para explicar as dificuldades sentidas momentaneamente pelos agentes públicos e privados, importa refletir sobre a conjugação complexa de fatores que nos trouxe até aqui.
A anomalia em que estamos é o resultado de uma trajetória plena de contradições. Para compreendê-lo temos de olhar para os ciclos económicos que dominaram os últimos vinte anos, cruzando o histórico do
São valores que reforçam o sentimento vivido no terreno pela administração local e central, com as dificuldades em levarem a cabo, com sucesso, muitos procedimentos de empreitada. Perante a falta de capacidade de resposta do setor, os concursos repetem-se, tantas vezes sem interessados, obrigando ao reforço dos preços base muito para lá do inicialmente previsto em projeto – contribuindo, por sua vez, para o aumento generalizado dos preços da construção.
OPINIÃO
Certo é que os projetistas não deixaram de saber fazer orçamentos de um dia para o outro. A situação atual reflete uma anomalia sentida por todos. Assim, mais do que procurar encontrar as razões para explicar as dificuldades sentidas momentaneamente pelos agentes públicos e privados, importa refletir sobre a conjugação complexa de fatores que nos trouxe até aqui.
A anomalia em que estamos é o resultado de uma trajetória plena de contradições. Para compreendê-lo temos de olhar para os ciclos económicos que dominaram os últimos vinte
Figura 2: Implementação Financeira do PRR por tipo de Beneficiário (com dados de contratação pública).
investimento público com as circunstâncias do setor privado da construção.
O país viveu um ciclo de investimento público relativamente estável no domínio das obras públicas entre 2000 e 2010, culminando com um volume de empreitadas no valor de 6 687 M€ em 2010, seguido por uma queda abrupta que se prolongou nos anos seguintes, quando os efeitos da crise financeira de
Curiosamente, o mercado privado da construção já refletia, desde 2008, os receios da crise, com uma descida gradual, mas significativa, do número de licenças de construção emitidas em Portugal – passando das cerca de 4 mil licenças mensais em 2008, para valores mais próximos do milhar de licenças emitidas mensalmente em 2015 – o valor mais baixo registado neste século.
A convergência de políticas públicas de forte contenção e austeridade seguidas pela União Europeia neste período, em simultâneo com a retração da atividade privada, tiveram como resultado uma inegável redução do setor, ditando o fecho de muitas empresas de construção, em especial de escala intermédia, e
A convergência de políticas públicas de forte contenção e austeridade seguidas pela União Europeia neste período, em simultâneo com a retração da atividade privada, tiveram como resultado uma inegável redução do setor, ditando o fecho de muitas empresas de construção, em especial de escala intermédia, e a consequente redução de mão de obra, com a saída de trabalhadores para outras áreas profissionais ou para o estrangeiro, em busca de melhores oportunidades de emprego.
a consequente redução de mão de obra, com a saída de trabalhadores para outras áreas profissionais ou para o estrangeiro, em busca de melhores oportunidades de emprego.
População empregada no setor da construção em Portugal entre 2000 e 2024 (via Banco de Portugal).
É certo que o mercado da construção recuperou gradualmente ao longo da última década, passando dos mínimos de 2015 para um número da ordem das 2,5 mil licenças de construção emitidas mensalmente em 2025. No entanto, este valor revela-se pálido quando comparado com os anos anteriores à crise financeira, estando ainda mais afastado do registo igual ou superior a 10 mil licenças emitidas mensalmente no ano 2000.
É certo que o mercado da construção recuperou gradualmente ao longo da última década, passando dos mínimos de 2015 para um número da ordem das 2,5 mil licenças de construção emitidas mensalmente em 2025. No entanto, este valor revela-se pálido quando comparado com os anos anteriores à crise financeira, estando ainda mais afastado do registo igual ou superior a 10 mil licenças emitidas mensalmente
Também os dados da população empregada no setor da construção são indicadores de uma recuperação, mas esse número, atualmente próximo dos 350 mil trabalhadores, significa apenas o regresso aos valores de 2011, distantes do quadro estável, próximo dos 450 mil trabalhadores, observado durante a primeira década deste século.
OPINIÃO
Figura 3: Investimento Público Construção 1995-2025 – PORDATA [1]
Figura 4: Emissão licenças construção 2000-2025 - BPortugal [2]
Artigo | Revista Intersecções Draft (v5)
Figura 5: População empregada construção 2000-2025 - BPortugal [3]
“O que todos estes números nos dizem é que o setor da construção ainda não recuperou completamente do impacto da crise vivida há uma década, existindo hoje menos empresas, menos trabalhadores e menos obras edificadas.”
no ano 2000.
Também os dados da população empregada no setor da construção são indicadores de uma recuperação, mas esse número, atualmente próximo dos 350 mil trabalhadores, significa apenas o regresso aos valores de 2011, distantes do quadro estável, próximo dos 450 mil trabalhadores, observado durante a primeira década deste século.
O que todos estes números nos dizem é que o setor da construção ainda não recuperou completamente do impacto da crise vivida há uma década, existindo hoje menos empresas, menos trabalhadores e menos obras edificadas. A estes juntam-se ainda outros fatores, como as repercussões da crise pandémica e da guerra no aumento de preços de matérias-primas, materiais de construção, máquinas e equipamentos.
Em resultado, os custos da construção aumentaram acentuadamente para todos. Os efeitos são sentidos, não apenas pela administração pública, mas também pelos promotores privados, com consequências económicas e sociais graves como aquelas que são hoje bem reconhecidas, por exemplo, no domínio da habitação.
É sobre este tecido frágil que o ciclo de financiamento do PRR veio aplicar um vasto volume de investimento público, só equiparável aos níveis registados entre 2000 e 2010, quando o setor da construção era significativamente mais robusto do que é hoje. Como termo de referência, só nos primeiros sete meses de 2025 foram lançadas a concurso, pelo Estado, empreitadas no valor de 6 871 M€, tendo sido, no mesmo período, celebrados contratos no valor de 3 520 M€.
Este enorme esforço de execução de obra pública sobre um setor já de si diminuído, colocando agentes públicos e privados em concorrência uns com os outros e entre si, num curto espaço de tempo, constituiu uma autêntica tempestade perfeita. Os governos da Europa estão a pedir aos seus setores produtivos que concretizem, em cinco anos, aquilo que devia ser feito num prazo bastante mais extenso. Os resultados são, por isso, previsíveis. Os países, em especial aqueles mais atingidos pelos ciclos de austeridade, como o nosso, ficarão inevitavelmente aquém das metas traçadas.
É conhecida a frase de John Maynard Keynes, dita aos microfones da BBC em 1942, que “qualquer coisa que possamos fazer, podemos pagar”. A lição que nos
“A lição que nos deixa o PRR é que quando não existe capacidade de fazer, não há dinheiro que resolva. (...)
Os países, em conjunto com a UE, devem garantir a estabilidade e a previsibilidade da carteira de projetos públicos, assegurando um fluxo continuado de investimento, em vez de ciclos concentrados.”
deixa o PRR é que quando não existe capacidade de fazer, não há dinheiro que resolva. Não estão em causa os muitos efeitos positivos que o PRR nos deixa, trazendo um impulso necessário ao investimento em equipamentos e infraestruturas, um forte incentivo à criação e manutenção de emprego e à consolidação de condições de maior resiliência económica. No entanto, os vários agentes políticos, os governos em conjunto com a União Europeia, devem fazer uma reflexão sobre a necessidade de concretizar estratégias de investimento mais dirigidas e sustentadas para o longo prazo.
Embora o PRR represente uma oportunidade histórica de investimento e modernização do país, o esgotamento da capacidade de execução do setor da construção veio revelar aquele que parece ser um dos seus principais efeitos negativos de curto prazo. O excesso de empreitadas públicas, concentradas num período reduzido, veio gerar inevitáveis constrangimentos logísticos, tornando-se num fator acrescido de pressão sobre os custos das cadeias de produção que pode vir a comprometer a qualidade e a eficiência das obras realizadas. O plano que se pretende como motor de sustentabilidade e crescimento
corre assim o risco de deixar consequências negativas, no presente e para o futuro, caso não sejam encontradas soluções continuadas que reforcem a capacidade produtiva e organizativa de toda a fileira da construção civil.
Para que o PRR não seja apenas um esforço conjuntural, mas um verdadeiro catalisador de transformação estrutural, a União Europeia terá de adotar uma visão estratégica, com medidas extensas e abrangentes, apostando na formação e na qualificação profissional, técnica e operacional, apoiando as empresas com incentivos à inovação e à adoção de novas metodologias, e planeando, acima de tudo, o escalonamento de obras de modo a evitar picos de procura que sobrecarreguem as capacidades do setor.
Os países, em conjunto com a UE, devem garantir a estabilidade e a previsibilidade da carteira de projetos públicos, assegurando um fluxo continuado de investimento, em vez de ciclos concentrados. De outra forma, não será possível às empresas planearem os seus recursos de forma sustentada, ficando à mercê da volatilidade dos ciclos económicos.
Também aspetos inovadores, como a introdução de critérios sociais e ambientais, devem ser
implementados a partir dos próprios agentes da indústria. Mais do que decretar novas exigências, de cima para baixo, a transformação dos referenciais do setor deve ser construída com estímulos às empresas, para que estas consolidem, de forma progressiva e sustentada, os objetivos de inovação, inclusão e sustentabilidade, apostando também na investigação em novos materiais, em técnicas de construção mais ecológicas e eficazes, capazes de competir num mercado global e multipolar.
Por fim, o desejado aumento de escala e competitividade do setor implicará a criação de condições para atrair e reter mão de obra mais qualificada, do projeto à construção, melhorando as condições laborais e a atratividade desta área profissional para as gerações mais jovens. São desafios que exigem, acima de tudo, aprender com as tempestades do presente, para que seja possível realizar o futuro melhor que todos desejamos.
Localização: S. Lourenço do Barrocal, Reguengos de Monsaraz Georreferênciação:
38°26'35.94"N 7°25'7.09"W
Distância/ Tempo: 50,00 km/ 50 min
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ESCOLA SECUNDÁRIA HORTÊNSIA DE CASTRO
Ano: 2011 | Uso: Equipamento
Autor: Arq º Cândido Chuva Gomes
Localização: Vila Viçosa
Georreferênciação: 38°46'46.92"N 7°25'26.69"W
Distância/ Tempo: 60,00 km/ 50 min
João Manita, fotógrafo
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ADEGA DA HERDADE DO FREIXO
João Manita, fotógrafo
CASA EM MONSARAZ
CASA BARATA DOS SANTOS
João Manita, fotógrafo
fonte:
DESDE O INÍCIO DA SECÇÃO REGIONAL DO ALENTEJO
Por CÉLIA REIS, FUNCIONÁRIA
Fotos NUNO ALMENDRA
“Tenho verificado também um aumento da procura de apoio por parte dos membros na resolução das mais variadas questões, o que significa que os membros estão mais próximos da Ordem (…)”
Chamo-me Célia, tenho 43 anos, e desde outubro de 2021 que tenho o prazer de fazer parte da Ordem dos Arquitectos – Secção Regional do Alentejo.
As minhas primeiras funções nesta casa passaram pela implementação da sede da Secção Regional do Alentejo em Évora, e pela organização da sua inauguração, a 16 de outubro do mesmo ano, o que me deu uma enorme satisfação. Permitiu-me também perceber a importância deste e de outro tipo de iniciativas para o crescimento da Secção, neste que foi um marco importantíssimo, tendo-me proporcionado o contacto com os diversos órgãos sociais, membros e funcionários de outras secções, e deixado com o sentimento de dever cumprido.
As principais funções que exerço atualmente, no meu dia-a-dia, são um pouco polivalentes: desde secretaria, apoio ao membro, apoio aos órgãos sociais, assim como apoio aos diversos eventos e iniciativas, tanto em formato presencial como em formato telemático, e ainda funções administrativas e de gestão interna.
Atualmente, no dia-a-dia, não recebemos muitas visitas de membros na sede. Porém, nota-se cada
vez maior adesão e interesse nas diversas iniciativas que vão acontecendo um pouco por todo o território da região Alentejo, o que possibilita um contacto mais próximo com os membros, que considero ser de extrema importância. Tenho verificado também um aumento da procura de apoio por parte dos membros na resolução das mais variadas questões, o que significa que os membros estão mais próximos da Ordem, estabelecendo assim uma relação mais próxima e de confiança.
Aprendi muito desde que iniciei funções na Ordem, tendo contado sempre com o apoio tanto dos órgãos sociais como dos meus colegas, incansáveis no seu apoio e disponibilidade, fazendo-me sentir bem acolhida desde o primeiro momento. A experiência adquirida tem sido enriquecedora a vários níveis.
Posso dizer que esta também é a minha casa, que me deu e continua a dar gosto vê-la crescer e chegar a cada vez mais membros. Estou muito grata pelo voto de confiança que a Secção Regional do Alentejo me deu com esta oportunidade, e espero por isso poder continuar a aprender e a crescer nesta instituição que tanto estimo.
A Torre do Salvador, localizada no Centro Histórico de Évora, é atualmente a sede da Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos. O edifício, com uma presença discreta e robusta, é um exemplo extraordinário de arquitetura arcaica que estruturou o território envolvente e resistiu à passagem do tempo.
Construída no primeiro período da dominação romana, integrou a cinta de muralhas designada por Cerca Velha. Em 1165, quando D. Afonso Henriques tomou posse da cidade, já se encontrava erguido um edifício de grande vulto junto à Torre. Giraldo-SemPavor habitou o edifício e converteu o mesmo (e provavelmente também a Torre) em quartel-general do seu bando. Nuno Martins da Silveira adquiriu a Torre em 1450, tendo adquirido em momento anterior grande parte do terreno contíguo. No século XVI, D. Luís da Silveira, descendente de Nuno Martins, por insistência
TORRE DO SALVADOR: O LUGAR DA SEDE
Por ISABEL IMAGINÁRIO, ARQUITETA
SECRETÁRIO DA ASSEMBLEIA REGIONAL DO ALENTEJO Fotos NUNO ALMENDRA
do Arcebispo de Évora, consentiu a venda do edifício a uma comunidade monástica para instalação de um convento. A partir dessa data, a antiquíssima torre eborense, que transitou as várias épocas sem qualquer denominação própria, passou a ser designada por «Torre do Salvador» e, por vezes, como «Mirante das Freiras».
O Convento do Salvador, junto à Torre, teve origem em 1590, quando as religiosas fundadoras, regidas pela regra franciscana, iniciaram clausura e ocuparam parte do edifício já existente, designado à data por «Palácio dos Martins da Silveira». A construção da primitiva Igreja do Salvador teve início em 1607 e foi inaugurada em 1610. A sua frontaria jesuítica foi enaltecida por um medalhão com a inscrição I.H.S., sobreposto à pequena lápide que encima a porta principal. Nos anos seguintes, o Convento e a Igreja foram
HISTÓRIA
alvo de uma sucessão de assaltos por bandos armados e pelas tropas napoleónicas. Da riqueza iconográfica da igreja restam algumas imagens notáveis, como uma figura de Cristo crucificado e um Jesus Menino, simbolicamente deitado sobre uma cruz. Possui também algumas talhas e azulejos que adornam os frontais de dois altares e que revestem, igualmente, grande parte das paredes interiores. Subsistem ainda algumas campas que testemunham a origem monástica do edifício.
A Revolução Liberal, a Guerra Civil de 1832-1834 e as consequentes leis, ditaram a extinção das Ordens Religiosas. Extinto o Convento, o mau estado de conservação do conjunto agravou-se até à ruína. Os bens pertencentes às Ordens foram tomados pelo Reino e depois pelo Estado. O edifício, abandonado, foi cedido primeiramente à Guarda Fiscal e depois convertido
em quartel. Em 1919, os eborenses do grupo «ProÉvora» intercederam junto do comandante do regimento e foram executadas algumas obras de reparação para evitar o desmoronamento geral da Torre. Importa referir que o que subsiste do Convento do Salvador (a Igreja, a Torre-Mirante e parte do claustro) encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1922.
A ocupação pelo regimento de artilharia terminou em 1930, adaptando-se de seguida o edifício para albergar a Escola Industrial e Comercial de Gabriel Pereira de Évora. Os vários usos introduzidos ao longo do tempo infligiram profundas alterações formais e estruturais que descaracterizaram o edifício do Convento, uma vez que não existia qualquer reconhecimento do valor patrimonial da edificação.
Em 1941, na sequência de um conjunto de obras
Figura 1: Torre do Salvador - planta térrea após a intervenção (década de 1940) [1]
promovidas pelo Estado Novo na cidade de Évora, foi demolida grande parte das ruínas do antigo Convento para ampliação da Praça do Sertório e para construção do edifício dos correios, justificada pela aparente ausência de valor arquitetónico ou histórico nos parcos elementos existentes. A Torre do Salvador acabou por ser ocupada pela 3.ª Secção da Direção dos Serviços dos Monumentos Nacionais (Secção Sul), a partir de 1944, que iniciou a recuperação do edifício. A Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, quando iniciou o estudo do edifício para a reabilitação do mesmo, deparou-se com uma extensa ruína. A estrutura da Torre estava gravemente danificada. As numerosas e extensas fendas nas paredes anunciavam um desabamento iminente. As obras de restauro pretendiam sobretudo prolongar a vida do edifício e reconstituir os valores arquitetónicos e construtivos em presença. Os trabalhos executados consistiram na consolidação geral de paredes e abóbadas, na reconstrução da antiga escada exterior de acesso à Torre, na reconstrução dos pavimentos superiores com barrotes
à vista e tijoleiras regionais, na reconstrução geral dos telhados, na reconstrução e regularização dos bancos e floreiras que guarnecem o terraço e na reconstrução e reparação das antigas grelhas que vedam as janelas da Torre, mantendo o aspeto primitivo. Os elementos fundamentais e caraterísticos da edificação, sobreviventes de um passado longínquo, foram respeitados e conservados.
Devido à extinção dos organismos do Estado (no caso, da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e, consequentemente, da Direcção Regional dos Edifícios e Monumentos do Sul), a Torre do Salvador ficou devoluta, sendo parcialmente ocupada pela Direção Regional de Cultura do Alentejo. Em 2008, a Arquiteta Estela Safara Cameirão desenvolveu o projeto de arquitetura para conservação e reutilização da Igreja do Salvador e suas dependências, com vista à sua reutilização para fins culturais e à instalação de um arquivo na Torre do Salvador, invertendo o processo de degradação e abandono do conjunto. O projeto de arquitetura identificou ainda
Figura 2: Fotografia da Torre do Salvador antes da intervenção [2]
Figura 3: Fotografia da Torre do Salvador após a intervenção [3]
“O edifício, com uma presença discreta e robusta, é um exemplo extraordinário de arquitetura arcaica que estruturou o território envolvente e resistiu à passagem do tempo.”
as áreas do edifício cuja degradação se evidenciava e avaliou os fatores que concorreram para o avanço dessa degradação, quer em termos do sistema construtivo do edifício, quer do património integrado e do património móvel existente. O projeto de execução compreendeu várias especialidades: conservação e restauro do património integrado, consolidação geral que incluiu reforço estrutural, remodelação da rede elétrica, instalação da rede de segurança contra incêndios e aplicação do regime de acessibilidades.
A intervenção executada não implicou qualquer tipo de alteração na construção original, tendo consistido sobretudo na correção de situações pontuais que devolveram a originalidade do edifício. A intervenção incidiu sobre as coberturas, os vãos interiores e exteriores, os rebocos, cantarias, azulejos, pinturas em estuque, talha, elementos metálicos e mobiliário. O projeto considerou ainda a reutilização do conjunto edificado sem colocar em causa a sua preservação, respeitando a memória do lugar, os valores intrínsecos do edifício e a sua identidade patrimonial.
A igreja, atualmente aberta e acessível a visitantes, acolhe exposições temporárias, concertos e eventos culturais, promovendo o usufruto do património num sentido contemplativo e a vivência do espaço além da função do culto religioso. A instalação da sede da Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitetos na Torre do Salvador resultou da cedência dos espaços pela Direção Regional de Cultura do Alentejo, tendo o protocolo institucional sido assinado em 2020. A ligação entre a igreja e a Torre do Salvador, não só física, mas também enquanto conjunto arquitetónico, possibilita a utilização do notável espaço da igreja para assembleias, palestras e encontros promovidos pela Secção. No encontro entre a solidez da torre e a espiritualidade da igreja, revela-se um espaço de identidade e de partilha, onde o património ganha novo sentido e a arquitetura encontra o seu lugar como instrumento de cultura, de reflexão e de futuro.
Fontes:
[1,2 e 3]: Torre do Salvador. Boletim da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais n.º 39 (DGEMN,1945)
AS PRÁTICAS E AS FREQUENTES QUESTÕES
Por DUARTE AZARUJA, ARQUITETO VOGAL DO CONSELHO DIRECTIVO REGIONAL DO ALENTEJO
Foto NUNO ALMENDRA
As Práticas e as Frequentes Perguntas é o título deste artigo que, de certa forma, não foi escolhido ao acaso. Ele podia ter sido mais “SIMPLEX”, mas não o foi; por outro lado, também, não quis ser mais “COMPLEX”; a sua escolha é, sim, uma tentativa de convite à reflexão, seja ela de uma forma mais rasa ou mais côncava, sobre as inseguranças, as dúvidas e até, espantem-se… sobre as práticas e as frequentes questões do dia-a-dia dos arquitetos, especialmente as dos jovens arquitetos.
Este artigo é uma perspetiva de como estes temas surgem, transformam e moldam os atos próprios da nossa profissão, que podem ser exclusivos e partilhados, com a publicação da alteração ao Estatuto da Ordem dos Arquitectos, pela Lei n.º 12/2024, de 19 de janeiro. Em primeiro lugar, é preciso conhecer e compreender o que implica e quais são os atos exclusivos, pois estes estão reservados aos membros ativos da nossa Ordem. Isto significa que, não importa o modo como a profissão é exercida, seja ela por conta própria, como sócio, administrador ou gerente da sociedade, trabalhador da administração pública, trabalhador dependente, etc.; todos têm obrigatoriamente de estar inscritos na Ordem dos Arquitectos. Podemos desempenhar papéis diferentes entre pares e para uma sociedade, que tanto anseia nos dias de hoje, mas o desígnio que nos une é comum – a arquitetura, mas também as práticas e as frequentes questões!
Estas, surgem no dia-a-dia da prática profissional nos gabinetes do privado e da administração pública, quando nos deparamos com questões para as quais não temos respostas; durante as reuniões nas Câmaras Municipais e nas produções dos conteúdos formais impostos pela legislação em vigor, como as memórias descritivas e justificativas e os termos de
Responsabilidade, que se encontram em minuta na Portaria n.º 71-A/2024, de 27 de fevereiro, mas que nem sempre são claros e, por vezes questionamos, ou deveríamos questionar, as nossas práticas e se são frequentes questões!
Quando esclarecidas, estas transformam a maneira como olhamos para cada questão jurídica, cada projeto, cada plano e cada especialidade, permitindo aprofundar as dinâmicas que o direito urbanístico e as normas regulamentares de um projeto exigem, permitindo aperfeiçoar as nossas práticas e reduzir a frequência das nossas questões. Estas, moldam o nosso carácter profissional e dão lugar à valorização do nosso conhecimento quando partilhadas com os nossos colegas. O quê?! As práticas e as frequentes questões!
Estas são nada mais nada menos do que um serviço único, profissional e exclusivo, que não existe em mais nenhuma Ordem deste país, disponível para todos os membros efetivos da Ordem dos Arquitectos. Acessível e disponível no portal de cada arquiteto.
Talvez este artigo apresente uma perspetiva demasiado pessoal, no entanto, era aquilo que eu gostava de partilhar convosco.
COMUNICAÇÃO E ARQUITETURA: A SECÇÃO REGIONAL COMO CANAL DE PROXIMIDADE
Por ELSA BARRELAS, ARQUITETA
VOGAL DO CONSELHO DIRECTIVO
REGIONAL DO ALENTEJO
Foto NUNO ALMENDRA
Desde sempre, o Homem procurou formas de comunicar com o outro. Em todos os âmbitos do seu trabalho, também o arquiteto está em comunicação constante, comunicando pelo desenho e pela forma a intenção de intervir num determinado território ou edifício.
Tal como uma memória descritiva ou um desenho que se complementam entre si, tendo por objetivo comunicar uma pretensão, maioritariamente entre o técnico e a entidade licenciadora ou o técnico e o requerente, também o arquiteto comunica constantemente.
Mas, e entre si, entre nós... como comunicamos?
A resposta a esta pergunta transformou-se num dos desafios constantes assumidos desde a Tomada de Posse dos Órgãos Sociais da Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos, a 23 de junho de 2020, no Forte da Ilha do Pessegueiro.
Iniciado o mandato, importava dar início às iniciativas em prol dos membros e da valorização da profissão, pelo que era imperativa uma divulgação objetiva dos cartazes das iniciativas, divulgados quer no site da Ordem dos Arquitectos, quer por e-mail, quer através das redes sociais, que assumiam um papel de suma importância essencialmente no decorrer da pandemia.
Com o passar dos meses e o aumento das iniciativas, surgiu a necessidade de contratação de uma empresa de design gráfico, que nos auxiliasse com a comunicação aos membros. A constante avaliação
“Importa que os membros encarem cada vez mais a Secção Regional como um vínculo de comunicação, um canal de proximidade, de partilha, unindo esforços na resolução dos problemas relacionados com a prática profissional, com os quais lidamos diariamente...”
das peças gráficas produzidas por parte do Conselho Directivo Regional, a análise e crítica de alguns membros (que por si só já revelavam que o objetivo de comunicar estava a ser alcançado) levaram à procura constante de novas equipas que respondessem à dinâmica de comunicação planificada pela Secção Regional do Alentejo.
Encontrada a equipa de designers atual, a Secção Regional do Alentejo procurou definir, desde o 1.º mandato, as suas próprias formas de comunicação, tendo, entre outros, criado a newsletter regional, de periodicidade mensal, que conta com 44 edições, à data de setembro de 2025. Procurou-se, por este meio, informar de toda a atividade da Secção, divulgando de uma única vez, as iniciativas realizadas ou a realizar, as alterações legislativas, a comunicação de informações relevantes no âmbito do apoio à prática e as formações no âmbito do Plano Único de Formação da Ordem dos Arquitectos, entre outros.
A criação da newsletter permitiu, para além da sistematização da informação num canal único, a redução de envio de e-mails, motivo pelo qual se divulgou massivamente a necessidade de atualização dos contactos de e-mail na ficha pessoal.
Se, por um lado, a comunicação poderá funcionar apenas digitalmente, por meio da divulgação da newsletter e/ou peças gráficas associadas a iniciativas, por outro, importa que os arquitetos comuniquem com a Secção Regional, por forma a que esta consiga executar as suas funções em pleno. Só é possível
dar resposta aos membros se, através destes, houver consciência das dificuldades sentidas pelo arquiteto, esteja ele a exercer funções em qualquer dos âmbitos da profissão, tais como o setor público, setor privado, investigação, docência, consultoria.
Conforme previsto no Artigo 27.º do Estatuto da Ordem dos Arquitectos, compete às Assembleias Regionais, entre outras questões, a aprovação do plano anual de atividades do Conselho Directivo Regional e do seu relatório de atividades, a pronúncia sobre assuntos de caráter profissional e associativo, e a apreciação sobre a atividade regional. Neste sentido, importa que os membros participem destas assembleias, a fim de comunicarem com a Secção Regional.
A Secção Regional do Alentejo assume, desde 2020, uma proximidade no território. É a Secção Regional com maior área geográfica, sendo que, desde essa data, procura, no âmbito das suas iniciativas, percorrer as quatro sub-regiões do Alentejo, contactando com os membros. Importa que os membros encarem cada vez mais a Secção Regional como um vínculo de comunicação, um canal de proximidade, de partilha, unindo esforços na resolução dos problemas relacionados com a prática profissional, com os quais lidamos diariamente.
A comunicação continuará a ser uma das premissas da Secção, que pretende ser um espaço de portas abertas aos seus membros, dialogando com eles para a dignificação da arquitetura e do papel do arquiteto.
O PROCESSO DE ADMISSÃO PARA O INÍCIO DA PROFISSÃO
Por CLÁUDIA PETRONILA, ARQUITETA
VOGAL DO CONSELHO DIRECTIVO REGIONAL DO ALENTEJO
Foto
NUNO ALMENDRA
“A entrada na Ordem, que define a elegibilidade para o exercício da arquitetura, tem sido moldada por revisões estatutárias significativas, desde a introdução do tema do estágio em 1998 até à eliminação da prova de admissão em 2006.”
O processo de admissão é fundamental para o início de uma profissão, seja ela qual for. No entanto, para as profissões que exigem estágios profissionais de acesso a uma Ordem Profissional, ainda é mais desafiante, como é o caso da profissão de arquiteto. Desde a criação da Associação, em 1988, até ao momento, a Ordem dos Arquitectos tem passado por diversas transformações, adaptando-se às mudanças legislativas e às necessidades da profissão, que está em constante evolução, assim como os seus regulamentos que refletem as complexidades e os desafios que a profissão enfrenta. A entrada na Ordem, que define a elegibilidade para o exercício da arquitetura, tem sido moldada por revisões estatutárias significativas, desde a introdução do tema do estágio em 1998, até à eliminação da prova de admissão em 2006. Este percurso culmina no atual Regulamento n.º 350/2016, que neste momento também se encontra a ser revisto, para garantir que a formação e qualificação dos arquitetos se mantém relevante num contexto profissional em constante evolução.
O primeiro regulamento da Associação dos Arquitectos Portugueses (designada AAP) é o Decretolei n.º 465/88 de 15 de dezembro. Com este diploma pretendia-se conferir à organização profissional da
arquitetura a estrutura e atribuição equivalentes às das associações congéneres nacionais e estrangeiras, de forma a assegurar a sua representatividade perante o comité consultivo para a aplicação da Diretiva n.º 85/384/CEE. No Decreto-lei n.º 465/88 de 15 de dezembro, foi definido o Estatuto da Associação dos Arquitectos Portugueses, onde no artigo 7.º, era definido quem podia ser membro efetivo.
Em 1998, através do Decreto-lei n.º 176/98 de 3 de julho, com um aumento significativo do número de licenciados nos cursos de arquitetura e áreas afins, foi necessária uma revisão do Estatuto da Associação dos Arquitectos Portugueses, a qual se passou a designar: Ordem dos Arquitectos. Com a criação deste novo decreto, no artigo 3.º são definidas as atribuições da Ordem dos Arquitectos, e, pela primeira vez, surge o tema do estágio. Neste diploma é referido o estágio, que pode ser exigida prova de aptidão, mas não define como podem ser essas provas.
Em 2001, é criado o Regulamento Interno de Admissão à Ordem dos Arquitectos. Neste regulamento é definido como deve ser o acesso a membro efetivo.
Em 2004 foram aprovadas alterações ao regulamento de admissão. As alterações foram aprovadas
ADMISSÃO
em CDN no dia 2 de abril de 2004, com parecer favorável do CNA de 27 de março de 2004, para publicação no boletim Arquitectos Informação. O regulamento interno de inscrição previa no artigo 1.º que, no máximo até três anos após a sua entrada em vigor, deveria proceder-se a um reexame com base na experiência adquirida, do qual poderiam resultar propostas de alteração. Ao longo deste prazo desenvolveu-se uma série de debates entre membros da OA, escolas, associações de estudantes e candidatos à admissão.
Após várias sugestões, críticas e comentários enviados para deliberação no 2.º Congresso (realizado em novembro de 2003), procedeu-se a um conjunto de alterações ao regulamento interno de inscrição, onde a própria designação foi alterada para “Regulamento de Admissão”. Outras alterações foram a introdução da figura do provedor do estagiário e Prova de Admissão, que passou do início para o fim do Estágio. Foi também estabelecido um prazo limite (2007) para a manutenção da atual dispensa de prova de admissão para os candidatos provenientes de cursos acreditados pela OA.
Em 2006 é efetuada nova alteração ao regulamento de Admissão, devido a várias alterações, tanto no contexto nacional como no europeu, com mudanças legislativas ao sistema educativo (Lei 49/2005, de 30 de agosto; Directiva 2005/36/CE do Parlamento Europeu; e o Decreto-Lei n.º 74/2006, de 24 de março, relativo aos Graus académicos e diplomas do ensino superior). Assim, compete ao Governo dar cumprimento à Directiva Arquitectos e o objetivo, previsto no DL 74/2006, de criar um sistema nacional de avaliação dos diplomas de ensino superior determinam um quadro que nos permite encarar a aprovação do Regulamento de Inscrição como uma verdadeira reforma e não como um simples somatório de ajustamentos. Ou seja, a partir do momento que o Estado português assume as suas obrigações na regulação do ensino superior em Portugal, a Ordem deverá concentrar-se no que só a ela compete – apoio à qualificação dos membros e candidatos a membros. Assim, a Ordem dos Arquitectos põe fim ao sistema de reconhecimento e acreditação de cursos até agora desenvolvido pela Ordem, bem como à exigência da prova de admissão, que dificultava todo o processo, focando-se assim na melhoria da formação profissionalizante e no maior apoio à realização dos estágios.
O ano de 2006 ficou marcado por um momento de mudança na Ordem dos Arquitectos, no que se refere
ao processo de admissão a estágio. Ao deixar cair a prova de admissão, os candidatos apenas passaram a ter de realizar um estágio profissional, constituído por experiência profissional, formação profissional e formação em Estatuto e Deontologia.
Com a entrada em vigor do novo Regulamento de Inscrição na Ordem dos Arquitectos, começa um novo ciclo da vida associativa da Ordem dos Arquitectos. Foram criadas 7 fichas “tipo” e entrou em funções o Provedor do Estagiário, que tinha como missão não apenas receber queixas e reclamações, mas também ter um papel proativo na dignificação do estágio profissional, na defesa de direitos e deveres dos estagiários e no bom desempenho dos patronos.
Em 2016, foi publicado um novo regulamento de Inscrição e Estágio da Ordem dos Arquitectos, Regulamento n.º 350/2016 de 4 de abril. No entanto, desde 2015 que a Ordem dos Arquitectos começou a preparar uma nova revisão ao Regulamento de inscrição e estágio que vigorava desde 2006, após uma verificação dos efeitos práticos do seu funcionamento no contexto evolutivo do exercício da profissão, conjugadas com a sucessiva introdução de novas determinações legais, que justificaram uma nova revisão.
No estágio profissional é reconhecida a importância de um período de transição entre a conclusão da formação académica habilitante e o exercício autónomo da profissão, concretizado através de um estágio profissional. Durante o estágio é fundamental que seja adquirida a experiência profissional nos atos próprios da profissão, relativamente à qual este novo Regulamento destaca e clarifica as competências do Orientador e do Estagiário.
Nesta nova versão do Regulamento de Inscrição, o estágio inclui ainda formação em Estatuto e Deontologia (8 horas) e formação Profissional (no mínimo 21 horas de formação profissional das áreas 581 – Arquitetura e Urbanismo e 582 – Construção Civil e Engenharia Civil), que sublinham as exigências de responsabilização inerentes à prática profissional, nomeadamente, aquelas que respeitam os compromissos assumidos nos termos de responsabilidade por projetos de arquitetura e por outras atividades próprias da profissão de arquiteto.
Em suma, como podemos compreender pelos diplomas analisados, ao longo destes 37 anos de vida associativa da Ordem dos Arquitectos, o processo de admissão para o exercício da profissão já passou por várias fases.
ADMISSÃO
BIBLIOTECA
Por DAVID LOPES, ASSESSOR DE CULTURA DA OASRALT
DOWN TO EARTH, RAMMED EARTH ARCHITECTURE
Autor: Sergio Asensio
Editora: Loft
Língua: Inglesa, Alemã, Francesa e Castelhana
Texto: «A construção em taipa é uma técnica ancestral, utilizada há séculos no mundo inteiro. Nos dias de hoje, esta técnica foi revitalizada como uma solução construtiva, sustentável e de baixo custo, para o século XXI. Neste livro, os arquitetos(as) apresentam os seus projetos e explicam a forma como usaram esta técnica na criação de edifícios aprazíveis e sustentáveis, que se enquadram harmoniosamente no ambiente natural.»
BIBLIOTECA E ARQUIVO DO MUNICÍPIO DE GRÂNDOLA
Autor: Pedro Matos Gameiro e Pedro Domingos
Editora: Uzina books
Língua: Portuguesa e Inglesa
Texto: Com edição de José Manuel das Neves, textos de Francisco Aires Mateus e Carlos Machado e Moura, e fotografia de Francisco Nogueira, este livro apresenta o projeto dos Arquitetos Pedro Matos Gameiro e Pedro Domingos para a Biblioteca e Arquivo do Município de Grândola. Entre outras distinções, este projeto foi o vencedor do Prémio Arquitetura no Alentejo – 1.ª edição na categoria Edificação Nova.
BAIRRO DA MALAGUEIRA DE SIZA VIEIRA
Autor: Mário José Afonso Gomes
Editora: Caleidoscópio
Língua: Portuguesa
Texto: «O Bairro da Malagueira é uma obra de grande alcance arquitectónico, social e político: a construção de um bairro para populações carenciadas nasceu da experiência do Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL), dois anos após o 25 de Abril. (…) Factores de apropriação e construção identitária em torno da casa – tem por objectivos o estudo da apropriação do habitat pelos seus utentes e análise da satisfação residencial como processo de construção identitária de “ego” e do grupo doméstico. (…)»