Obesidade – Da Evidência Científica a Prática Clínica
ORGANIZADORAS
Eliane Lopes Rosado
Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela UFV.
Doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela UFV, em parceria com a Universidad de Navarra, Espanha (Fisiología y Nutrición).
Membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).
Professora Titular do Departamento de Nutrição e Dietética do Instituto de Nutrição
Josué de Castro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Fernanda Cristina Carvalho Mattos
Graduada em Nutrição pela Universidade Estácio de Sá (Unesa).
Mestre em Clínica Médica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Doutora em Ciências Nutricionais pela UFRJ.
Pós-doutora em Bioquímica Nutricional da UFRJ.
Diploma de Competência em Sobrepeso e Obesidade pelo Colégio Oficial de Médicos de Barcelona.
Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM),
Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e International Federation for the Surgery and Other Therapies of Obesity (IFSO).
Sócia da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (Speo).
Supervisora e Nutricionista do Programa de Obesidade e Cirurgia Bariátrica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) da UFRJ.
Louise Crovesy de Oliveira
Graduada em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Mestre em Nutrição Humana pela UFRJ.
Doutora em Ciências Nutricionais pela UFRJ.
Professora da Pós-graduação de Nutrição Aplicada à Gastroenterologia do Instituto LG/Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás).
Especialista de Produto da Empresa Biomehub.
Idealizadora do Método Modulação Intestinal Descomplicada.
Obesidade – Da Evidência Científica à Prática Clínica
Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução desta obra, no todo ou em parte, sem autorização por escrito da Editora.
Produção
Equipe Rubio
Diagramação
Paulo Teixeira
Capa e Imagem de Capa Bruno Sales
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
O14
Obesidade : da evidência científica à prática clínica/organização Eliane Lopes Rosado, Fernanda Cristina Carvalho Mattos, Louise Crovesy de Oliveira. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Rubio, 2026. 256 p.; 24 cm.
Inclui bibliografia e índice
ISBN 978-65-88340-95-0
1. Obesidade. 2. Emagrecimento (Métodos). 3. Distúrbios alimentares – Aspectos psicológicos. I. Rosado, Eliane Lopes. II. Mattos, Fernanda Cristina Carvalho. III. Oliveira, Louise Crovesy de. III. Título.
CDD: 616.8526 25-101480.0
CDU: 616-33.008.4
Carla Rosa Martins Gonçalves – Bibliotecária – CRB-7/4782
Editora Rubio Ltda.
Av. Franklin Roosevelt, 194 s/l. 204 – Castelo 20021-120 – Rio de Janeiro – RJ
Tel.: 55(21) 2262-3779
E-mail: rubio@rubio.com.br www.rubio.com.br
Impresso no Brasil
Printed in Brazil
Ana Luísa Kremer Faller
Graduada em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Doutora em Ciências Nutricionais pela UFRJ/ Cornell University, EUA.
Professora Adjunta do Departamento de Nutrição e Dietética da UFRJ.
Coordenadora do Curso de Pós-graduação Lato Sensu em Nutrição Funcional Aplicada à Clínica da UFRJ.
Docente do Mestrado Profissional em Nutrição Clínica da UFRJ.
Anna Lúcia de Oliveira Sales
Graduada em Nutrição pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Mestre em Nutrição Humana pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Érika Duarte Ostemberg
Graduada em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Mestre em Nutrição Humana pela UFRJ.
Doutora em Ciências Nutricionais pela UFRJ.
Felipe de Souza Cardoso
Graduado em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Mestre em Fisiopatologia Clínica e Experimental pela UFRJ.
Doutor em Ciências Nutricionais pela UFRJ.
Fundador da Sociedade Brasileira de Nutrição em Estética (SBNE).
Colaboradores
Vice-presidente da Associação de Nutrição do Estado do Rio de Janeiro (Anerj).
Geisa Gabriela Barbosa Rodrigues
Graduada em Nutrição pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio).
Mestre em Nutrição Humana pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Especialista em Nutrição Clínica pela UFRJ.
João Regis Ivar Carneiro
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Mestre em Medicina (Endocrinologia) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Doutor em Clínica Médica pela UFRJ.
Professor Adjunto de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFRJ.
Fundador e Coordenador Clínico do Programa de Obesidade Mórbida do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) da UFRJ.
Larissa Cohen
Graduada em Nutrição pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio).
Mestre em Nutrição Humana pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Leysimar de Oliveira Siais
Graduada em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Mestre em Nutrição Humana pela UFRJ.
Doutora em Ciências Nutricionais pela UFRJ.
Luana Senna Blaudt
Graduada em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Residência Multiprofissional em Saúde pelo Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) da UFRJ.
Mestre em Nutrição Humana pela UFRJ.
Doutora em Ciências Nutricionais pela UFRJ
Especialista em Nutrição Clínica pela UFRJ.
Maria Francisca Firmino Prado Mauro
Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
Mestre e Doutora em Psiquiatria e Saúde Mental pelo Programa de Pós-graduação em Psiquiatria e Saúde Mental (Propsam) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Especialista em Psiquiatria pela UFRJ.
Taís de Souza Lopes
Graduada em Nutrição pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Mestre em Nutrição Humana pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Doutora em Ciências Nutricionais pela UFRJ.
Professora do Departamento de Nutrição Social e Aplicada do Instituto de Nutrição Josué de Castro, na UFRJ.
Vívian Oberhofer Ribeiro Coimbra
Graduada em Nutrição pela Universidade Veiga de Almeida (UVA).
Mestre em Nutrição Humana pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Docente em Pós-graduação em Nutrição Clínica da UFRJ; Medicina/Cardiologia da Faculdade de Medicina da UFRJ; Obesidade e Síndrome Metabólica da Faculdade IPGS Ensino Superior em Saúde; Nutrição Vegetariana com extensão em Gastronomia Vegana, e Nutrição Ortomolecular com extensão em Nutrigenômica, da Faculdade Metropolitana São Carlos.
Docente da Residência Multiprofissional em Saúde do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) da UFRJ.
Nutricionista da Equipe Bariátrica Integrate da Clínica Ferraz, RJ.
Membro Coesa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).
Membro da International Federation for the Surgery and Other Therapies for Obesity (IFSO).
Dedicatórias
Aos meus pais, Vicente e Maria Joaquina, pelo dom da vida e pela presença constante em todos os momentos da minha trajetória.
Aos meus queridos filhos, Arthur e Guilherme. Vocês são minha força, alegria e estímulo para alcançar novas realizações pessoais e profissionais.
A Deus, pelo dom da vida e por me guiar durante toda a minha trajetória profissional e de vida.
Eliane Lopes Rosado
À minha família, aos meus amigos, aos alunos e aos pacientes, pelo carinho, pelo incentivo e pela confiança, que me dão motivação para continuar com meus estudos e meu trabalho.
Em especial a Eliane Lopes Rosado e João Regis Ivar Carneiro, dois amigos, profissionais, mentores, que me serviram de exemplo e são responsáveis por tudo que sou.
Ao meu amor, Luiz Gustavo, que chegou no momento certo e sempre está ao meu lado na vida pessoal e profissional.
A Deus, por me dar as forças necessárias para seguir em meu caminho sem jamais me desviar dele e poder cumprir com essa linda missão que tenho nesta vida.
Fernanda Cristina Carvalho Mattos
À minha mãe, que sempre foi minha maior incentivadora em tudo na vida e me auxiliou a chegar aonde estou.
Aos meus filhos, Luiz Guilherme e Antonella, que são meu combustível diário para seguir sempre em frente, e me lembram o verdadeiro motivo de querer crescer profissional e pessoalmente.
E a Deus, que me desafia e proporciona oportunidades que me tornaram quem sou como profissional.
Louise Crovesy de Oliveira
Agradecimentos
Somos imensamente gratos aos docentes, aos pesquisadores e aos colegas de profissão que contribuíram com dedicação e excelência para a produção desta obra. De modo especial, agradecemos aos profissionais formados pelos Programas de Pós-graduação em Nutrição (PPGN) e em Nutrição Clínica (PPGNC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que colaboraram na elaboração dos capítulos deste livro. Vocês são a prova de que a pós-graduação nos proporciona crescer, amadurecer e fazer a diferença na vida das pessoas.
As Organizadoras
A obesidade é uma doença crônica, altamente prevalente no mundo, e um importante problema de saúde pública. Trata-se de uma enfermidade multifatorial, que envolve fatores genéticos, ambientais, hormonais, psicológicos e sociais, que a tornam de difícil controle. As atuais estratégias utilizadas para manejo da obesidade muitas vezes não alcançam o sucesso, pois dependem de muitos fatores associados. Ademais, por se tratar de uma enfermidade crônica, não tem cura, mas pode ser controlada. Estratégias inovadoras têm sido propostas, porém com resultados incipientes ou inconclusivos, o que demanda cada vez mais investimento em pesquisas.
Apesar de o tema ser amplamente conhecido, ainda há escassez e insuficiência de estudos aprofundados e com evidências científicas. Da mesma forma, são poucas as obras que buscam incorporar a experiência de pesquisa do grupo de autores, aliada à prática. Cremos que a união desses esforços nos auxiliará no entendimento e na consolidação das evidências científicas. Nosso grupo de pesquisa, coordenado pela Profa Eliane Lopes Rosado, realiza, há mais de 20 anos, pesquisas nos mais variados temas que envolvam obesidade, quais sejam: intervenções dietéticas com vários alimentos, nutrientes, componentes da nossa alimentação que possam ter impacto coadjuvante no manejo da obesidade, além de abordagens de composição corporal,
Apresentação
metabolismo energético, genômica nutricional e cirurgia bariátrica e metabólica. Dessa experiência acumulada surgiu a ideia deste livro, fruto da percepção da necessidade de uma literatura de uso prioritariamente nacional, com abordagem multiprofissional e foco principal na Nutrição, sem deixar de considerar outras estratégias complementares. Para alcançar nossos objetivos, também buscamos a colaboração de profissionais com expertise na área, que detêm conhecimento científico e experiência profissional nos temas abordados nos capítulos.
A obra está organizada em 14 capítulos; os primeiros abordam definições, epidemiologia, etiologia e fisiopatologia da obesidade, com foco também nas peculiaridades do tecido adiposo; seguindo para um aprofundamento na abordagem das questões alimentares que envolvem a obesidade, com uma reflexão sobre o consumo alimentar no Brasil e a relação com a doença. Na sequência, abordamos as especificidades da avaliação nutricional, incluindo a antropométrica e a composição corporal de indivíduos com obesidade. Grande parte dela dedica-se ao estudo das estratégias para controle do peso corporal, envolvendo as intervenções dietéticas e farmacológicas, bem como a cirurgia bariátrica e metabólica. Temas inovadores e importantes, como a modulação da microbiota intestinal, a nutrigenética e a nutrigenômica, os alimentos e/ou os componentes funcionais, os suplementos e
os fitoterápicos mereceram destaque. A saúde mental também é abordada, por entendermos ser a obesidade uma doença crônica e que mudanças no estilo de vida são essenciais para o sucesso no manejo da enfermidade. Na ausência de mudanças comportamentais e de cuidado com a saúde mental, nenhuma das estratégias atualmente adotadas terá um resultado satisfatório. Com base nesse entendimento, também abordamos estratégias para manutenção da perda de peso e prevenção da recorrência do peso.
Esperamos que esta publicação possa ser útil para profissionais em suas rotinas de atendimento e acompanhamento, oferecer material atual e didático para estudantes que buscam conhecimento sobre o tema, valorizar a Nutrição na abordagem deste importante problema de saúde e incentivar pesquisadores que pretendam se orientar em temas relativos à obesidade, uma doença cada vez mais relevante no mundo.
As Organizadoras
A pandemia de obesidade impactou violentamente a saúde pública global, gerando nas últimas décadas um cenário cada vez mais alarmante. Atualmente, morrem, em consequência do excesso de peso, 5 milhões de pessoas todos os anos, 2 milhões a mais que os óbitos anuais pela Covid-19, no auge daquela epidemia. O World Obesity Atlas, publicado pela Federação Mundial de Obesidade, projeta que mais de 1 bilhão de pessoas no mundo viverá com obesidade até 2030, um marco sem precedentes na história da saúde pública. Entre crianças e adolescentes, o crescimento é ainda mais alarmante, com aumentos exponenciais em quase todos os continentes. No Brasil, a situação é igualmente grave: estima-se que cerca de 30% dos adultos brasileiros já convivam com obesidade, enquanto mais de 60% apresentam excesso de peso, compondo um cenário que pressiona o sistema de saúde, eleva a prevalência de comorbidades e compromete a qualidade de vida de milhões. É nesse contexto que ganham força e significado o Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, e as iniciativas educativas e de conscientização reunidas no chamado Março Roxo. Longe de serem apenas datas no calendário, constituem oportunidades preciosas para iluminar debates, atualizar evidências, combater o estigma, fortalecer políticas públicas e, acima de tudo, unir profissionais, instituições e sociedade em torno de um objetivo comum: prevenir, diagnosticar, tratar e acolher pessoas afetadas por
essa condição complexa, multifatorial e frequentemente negligenciada. A cor roxa, símbolo dessa campanha, torna-se um chamado à empatia, à ciência e à ação responsável.
É nesse panorama de desafios, mas também de renovação científica, que emerge Obesidade – Da Evidência Científica à Prática Clínica, organizada pelas nutricionistas Eliane Lopes Rosado, Fernanda Cristina Carvalho Mattos e Louise Crovesy de Oliveira. Esta obra representa mais que um compêndio técnico: é um compromisso com o rigor, com o cuidado e com a transformação positiva da prática profissional. As organziadoras, com larga experiência acadêmica e clínica, apresentam um trabalho que sintetiza o melhor das pesquisas contemporâneas, traduzindo conceitos complexos em orientações práticas, acessíveis e imediatamente aplicáveis no cotidiano dos profissionais de saúde.
Destaca-se pela habilidade em conectar ciência atualizada – incluindo avanços em fisiopatologia, nutrição, comportamento alimentar, genética, microbiota, farmacoterapia e abordagens interdisciplinares – com estratégias clínicas realistas, sensíveis e fundamentadas. A fluidez do texto, a consistência metodológica e a maturidade interpretativa fazem desta obra simultaneamente técnica e humana, científica e aplicável, abrangente e precisa. Ela dialoga com quem pesquisa, com quem ensina e, sobretudo, com quem cuida.
Há, ainda, um aspecto particularmente notável e que merece destaque especial: a escolha
do título e a presença explícita da expressão “evidência científica” como base para as decisões da prática clínica. Este não é um detalhe editorial; é um posicionamento. Em tempos marcados por desinformação, pseudociência, narrativas rasas e prescrições sem respaldo, afirmar a centralidade da evidência é um ato de responsabilidade ética. A prática clínica, mormente na área da obesidade, exige constante atualização, revisão crítica da literatura, vigilância sobre conflitos de interesse e reconhecimento de que cada conduta deve ser guiada pelo melhor conhecimento disponível, adaptado às singularidades de cada paciente. Ao destacar “da evidência científica à prática clínica”, as autoras reafirmam um princípio que deveria ser universal, mas ainda luta para se consolidar em muitos espaços. Esse gesto engrandece o livro e reforça sua credibilidade.
Trata-se, portanto, de uma obra que nasce no cruzamento entre ciência, sensibilidade e compromisso social. Ela que honra o papel da nutrição como pilar essencial do cuidado integral e que convida o leitor – seja nutricionista, médico, enfermeiro, psicólogo, educador físico, pesquisador ou gestor – a refletir sobre suas próprias práticas, revendo conceitos e ampliando horizontes. Ao mesmo tempo, oferece instrumentos concretos para aprimorar a qualidade do atendimento, fortalecer políticas de saúde e promover mudanças efetivas, tanto no âmbito individual quanto no coletivo.
A presença de três organizadoras altamente qualificadas oferece uma riqueza de perspectivas e uma curadoria rigorosa dos conteúdos, o que confere solidez e consistência a cada capí-
tulo. A interdisciplinaridade, a profundidade científica e a clareza didática fazem desta obra uma referência indispensável para quem deseja compreender a obesidade em sua complexidade e enfrentá-la com competência, humanidade e responsabilidade.
É com grande satisfação que apresento este prefácio e convido o leitor a mergulhar nas páginas que seguem. Que este livro inspire práticas mais conscientes, decisões mais bem fundamentadas e uma visão mais ampla e compassiva sobre a obesidade. Que ele se torne um guia confiável em tempos desafiadores e um instrumento de mudança para todos aqueles que se dedicam à promoção da saúde, à nutrição baseada em evidências e ao cuidado ético de pessoas reais, com suas histórias devastadoras.
Walmir Coutinho
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Mestre em Medicina (Endocrinologia) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Doutor em Medicina (Endocrinologia Clínica) pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Ex-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).
Ex-presidente do Congresso Internacional de Obesidade (ICO) – 2024.
Ex-presidente da World Obesity Federation. É o criado do Dia Mundial da Obesidade. Professor da PUC-Rio. Coordenador do Curso de Pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia.
Fatores Associados à Adaptação Metabólica e Estratégias para Manutenção da Perda de Peso e Prevenção da Recorrência
Avaliação Antropométrica e da Composição Corporal
Vívian Oberhofer Ribeiro Coimbra
INTRODUÇÃO
A obesidade é uma doença crônica não transmissível (DCNT) associada ao acúmulo excessivo de gordura corporal, localizado ou generalizado, com potencial prejuízo à saúde.1 Sua etiologia é complexa e multifatorial, resultando de um conjunto de fatores ambientais, genéticos e do estilo de vida, incluindo padrão alimentar e sedentarismo.2,3 Considerada uma epidemia global, a obesidade teve sua prevalência aumentada nas últimas décadas, contribuindo para a morbidade e mortalidade globais e representando um ônus para o sistema público de saúde.1,4 Trata-se de uma enfermidade que pode interferir nos indicadores antropométricos.5
Nesse cenário, a avaliação antropométrica e de composição corporal é importante para o diagnóstico, a avaliação, monitoramento e intervenção nutricional.6 Em razão da relevância da verificação da adiposidade, da distribuição de gordura e do risco de doenças cardiometabólicas, as variáveis antropométricas podem ser denominadas indicadores antropométricos de saúde.5 As informações antropométricas utilizadas para o diagnóstico nutricional podem ser denominadas antropometria nutricional.7
Na obesidade, diferentes métodos antropométricos têm sido amplamente discutidos, em decorrência de limitações desses métodos e dos equipamentos utilizados.8 Conforme a literatura,
não foi estabelecida uma avaliação antropométrica ideal para essa população, mas há indícios de que as medidas não devem ser realizadas isoladamente. Embora ainda seja necessário o avanço na compreensão do tema, a combinação dos indicadores de massa corporal e distribuição de gordura parece ser eficaz na avaliação clínica de indivíduos com obesidade.2
Dessa forma, os objetivos do presente capítulo consistem em auxiliar na compreensão de diferentes aspectos sobre a avaliação antropométrica e de composição corporal, visando contribuir para o direcionamento no diagnóstico, no monitoramento e no tratamento do estado nutricional, conforme os diferenciais e as peculiaridades da população com obesidade e com base em evidências científicas, visando à melhora do prognóstico da doença.
ESTATURA, MASSA CORPORAL E ÍNDICE DE MASSA CORPORAL
Estatura
Define-se estatura como a distância perpendicular entre o vértice da cabeça e a parte inferior dos pés.9 A estatura é utilizada para o cálculo do índice de massa corporal (IMC), para avaliação do risco de obesidade e para estimativa da taxa metabólica basal (TMB).6
Os equipamentos utilizados para medir a estatura são estadiômetro ou medida montada na
utilizada para estimativa da MGC total.7 Esse método permite a obtenção da densidade corporal, por meio de equações preditivas.2 E o percentual de gordura corporal, por sua vez, é estimado pelas equações de Siri ou Brozek et al., propostas em 1961 e 1963, consecutivamente.37-39
Na literatura, existem mais de 100 equações preditivas para estimativa da composição corporal pelo somatório das DC.40 As mais aplicadas são as propostas por Durnin & Womersley (1974), Jackson & Pollock (1978), Jackson et al. (1980) e Petroski & Pires-Neto (1995).7,41-44 As equações podem apresentar erros sistemáticos,
que influem no diagnóstico.40 Erros-padrão de estimativa entre 3% e 3,5% são considerados aceitáveis, mas é importante que a equação seja apropriada à população em estudo.7 Por isso, deve ser escolhida cuidadosamente, levando-se em conta fatores, como etnia, idade, sexo, nível de atividade física e quantidade de MGC.40
A mensuração de DC tem sido uma abordagem útil para avaliação e acompanhamento do estado nutricional e para a classificação do risco de complicações associadas à obesidade, de acordo com o sexo e a idade, conforme as classificações mencionadas nas Tabelas 4.4 e 4.5.
TABELA 4.4 Classificação do percentual de gordura de acordo com o sexo
Classificação do percentual de gordura
alto (risco aumentado de doenças associadas à obesidade) ≥25%
Fonte: adaptada de Lohman, 1992.45
TABELA 4.5 Classificação do percentual de gordura por sexo e idade
Percentual de gordura para homens
Percentual de gordura para
Fonte: adaptada de Pollock & Wilmore, 1993.46
INTRODUÇÃO
A composição da microbiota intestinal (MI) em indivíduos com obesidade difere da de indivíduos eutróficos, e, além disso, os metabólitos que a MI produz são diferentes, influenciando o funcionamento do metabolismo do hospedeiro, gerando inflamação de baixo grau que leva a aumento do consumo de calorias e favorecimento do estoque de gordura.
Neste capítulo, abordaremos, em detalhes, como a MI contribui para o desenvolvimento de obesidade, por meio das alterações metabólicas que seu desequilíbrio promove, além das estratégias que podem ser adotadas para modular de forma benéfica a MI e reverter essas alterações, auxiliando na perda de peso corporal, redução da inflamação de baixo grau e, consequentemente, melhora dos parâmetros associados à doença.
PAPEL DA MICROBIOTA INTESTINAL NO HOSPEDEIRO
Nosso corpo é composto por 100 trilhões de microrganismos, que correspondem a 100 vezes mais genes que o humano, habitando em simbiose com seu hospedeiro, contribuindo com diversas funções metabólicas.1 Entre os microrganismos que nos colonizam podemos citar:
Bactérias.
Fungos.
Vírus.
Modulação da Microbiota Intestinal
Louise Crovesy de Oliveira
Protozoários.
Arqueia.
As bactérias são mais estudadas e, muitas vezes, as únicas consideradas quando o assunto é microbiota.2 O nosso intestino é o local em que há maior concentração de bactérias, sendo encontradas cerca de 1011 a 1012 unidades formadoras de colônia (UFC) de bactérias colonizando nosso cólon.1
Analisando esses dados, podemos verificar a importância que os microrganismos do nosso corpo exercem no organismo humano. Entre os papéis que eles desempenham, destacam-se três principais funções:3
Metabólica:
z Produção de vitaminas do complexo B e K.
z Biossíntese de aminoácidos.
z Transformação de ácidos biliares.
z Metabolismo de lipídios.
z Fermentação de substratos não digeríveis (produção de ácidos graxos de cadeia curta [AGCC]).
z Biotransformação de polifenóis.
z Destoxificação (metabolização de xenobióticos e fármacos – fase zero do detox).
Estrutural:
z Regulação, diferenciação e crescimento das células epiteliais.
z Integridade das junções estreitas (tight junctions).
z Produção de muco.
Integridade da barreira intestinal }
metabólica do hospedeiro que causa aumento do consumo de calorias, estoque de gordura corporal em tecido adiposo, músculo e fígado, prejuízo do controle glicêmico e formação da placa de ateroma, que pode causar eventos cardiovasculares adversos. Dessa forma, os distúrbios ocasionados pela disbiose intestinal têm envolvimento no desenvolvimento da obesidade e suas comorbidades (Figura 8.2).12-15
DETECÇÃO DE DISBIOSE E LEAKY GUT NO INDIVÍDUO COM OBESIDADE
Atualmente, o profissional de saúde enfrenta o desafio de detectar disbiose e leaky gut em seus
pacientes, devido à carência de exames assertivos, sendo estes, em maioria, indiretos e sugestivos de disbiose ou leaky gut. Aqui vamos abordar as formas de identificação dessas alterações:
Anamnese: a clínica é soberana! O corpo sempre sinaliza quando há algo de errado. E, ao ouvir o paciente, seus sinais, sintomas e queixas, é possível ao profissional de saúde suspeitar de disbiose. Vale ressaltar que apenas os sinais e sintomas não permitem a confirmação de disbiose e nem o conhecimento de quais alterações na MI estão ocorrendo. A anamnese é uma excelente ferramenta para triagem de exames mais custosos e acompanhamento do tratamento. Por isso, é importante que a anamnese contemple perguntas
Desbalanço na microbiota intestinal
Quebra de carboatidro de calorias
Abo s rção
SupFrimeIAF
Estoqe ue d goru em dra
Permeila e ab id d da beia intestinal arr r LPS
Iação nflam
Saciedade
Se rç oe ce ãd
GLP-1e PYY
Sacide eda
Desconjugação de e sais biliar s comprometida
RI GE Inf açãolam
Prejuízo do seistma o endocanabinide
RI AGL-estoque em tecido adiposo
Obesidade tecido adiposo
Perme il ae ab id d b da arreira itestal nin
Oxidação lipídica
FIGURA 8.2 Resumo dos mecanismos da disbiose na gênese da obesidade
GLP-1: peptídio-1 semelhante ao glucagon (do inglês, glucagon-like peptide-1); PYY: peptídio YY; ; LPS: lipopolissacarídio; RI: resistência à insulina; GE: gasto energético; FIAF: fator adipocitário induzido pelo jejum; AGL: ácido graxo livre.
Cirurgia Bariátrica e Metabólica
Anna Lúcia de Oliveira Sales • Fernanda Cristina Carvalho Mattos
CONCEITO E EPIDEMIOLOGIA
A obesidade, que é hoje um problema de saúde pública, deixa de ser presente apenas em países de renda alta e passa a atingir pessoas em países de renda baixa e média, em especial nas áreas urbanas.1 O número de adultos com obesidade quase triplicou em todo o mundo desde 1990, totalizando 850 milhões de pessoas com obesidade em 2022, segundo dados de 2024 da Organização Mundial da Saúde (OMS).1 No Brasil, dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2017 mostram que 18,9% dos adultos estavam com obesidade, em 2018 eram 19,8% e em 2019 passou para 20,3% de adultos com obesidade, sem diferença entre homens e mulheres.2-4
Doença crônica, multifatorial, a obesidade se caracteriza por alterações metabólicas, funcionais, bioquímicas e de estrutura corporal relacionadas aos fatores genéticos, comportamentais e ambientais.5,6
No cenário nacional ou global, a obesidade apresenta-se como um dos principais desafios em saúde e constitui um importante fator de risco para Covid-19, ressaltando a probabilidade de hospitalização, internação em unidade de terapia intensiva (UTI) e morte, outras doenças crônicas, tais como:7
Doenças cardiovasculares (DCV).
Síndrome metabólica (SM).
Diabetes melito (DM).
Doença renal crônica (DRC).
Alguns tipos de câncer.
Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), entre outras comorbidades.
O tratamento clínico convencional da obesidade envolve abordagem multiprofissional, com médico clínico e endocrinologista, psicólogo, psiquiatra, nutricionista e educador físico, que vão orientar as mudanças na medicação para casos específicos, alterações no comportamento, planejamento alimentar e prática de exercícios físicos, respectivamente. A cirurgia bariátrica é indicada para os pacientes que apresentam dificuldades com o tratamento clínico tradicional.8,9
INDICAÇÕES
As indicações para cirurgia bariátrica incluem o índice de massa corporal (IMC) e doenças associadas, tempo de tratamento clínico tradicional sem sucesso com relação à perda de peso ou recorrência da obesidade mantendo a faixa de risco favorável às comorbidades, com a comprovação efetiva por laudos dos profissionais que acompanham o paciente e sua história clínica.10
Os critérios de indicação para a cirurgia bariátrica são IMC >50kg/m² sem comorbidades associadas, IMC >40kg/m², com ou sem comorbidades, IMC entre 35 e 40kg/m2 na presença de comorbidades, tempo de tratamento clínico tra-
CAPÍTULO 11
râmide alimentar da cirurgia bariátrica (Figura 11.5) tem características específicas para esta população.41
Outro instrumento de apoio no processo de reeducação alimentar é o modelo de prato bariátrico (MPB), que tem como objetivo demonstrar de maneira simples e prática a distribuição dos nutrientes no prato (Figura 11.6).42
MACRONUTRIENTES
Proteínas
Em consequência da capacidade gástrica e de absorção reduzida e das intolerâncias alimentares, é comum no pós-operatório os pacientes apresentarem inadequada ingestão de proteínas, principalmente em técnicas disabsortivas. Mastigação incorreta ou deficiente e redução na produção de enzimas proteolíticas e ácido clorídrico
também são prejudiciais, pois aumentam o risco de desnutrição proteico-energética. Estudos indicam que alopecia, queda de imunidade, perda de massa magra e presença de edema são consequências de ingestão abaixo de 50g de proteína por dia.11,20,43
A presença de estado fisiológico (gestação) ou patológico (infecção) que caracterize aumento das necessidades de proteína pode acarretar desnutrição proteica em pacientes específicos. A avaliação regular da ingestão de proteínas, o incentivo ao consumo de alimentos fontes e o uso de suplementação de proteína potencializam a prevenção contra desnutrição proteica.36 Recomenda-se a ingestão mínima de 60 a 120g/dia ou 1,5g/kg de peso ideal ou atual de proteína ao dia para indivíduos adultos, e 10% a 35% da ingestão diária de calorias. E, para mulheres gestantes, 60 a 80g ou 1,1 a 1,5g/kg de peso ideal ou atual ao
FIGURA 11.5 Pirâmide da cirurgia bariátrica Fonte: adaptada de Moizé et al., 2010.41
A
Absorciometria de raios X de dupla energia, 52
Acetilcolina, 229
Ácido(s) - gama-aminobutírico, 230 - inorgânicos na urina, 127
- 1 semelhante ao glucagon, 229 - de transcrição regulada por cocaína e anfetamina, 229 - liberador de gastrina, 229 - relacionado ao agouti, 230 - tirosina-tirosina, 230
Perímetro(s) - corporais, 45 - da cintura, 46 - da coxa, 48 - do pescoço, 45
Persistência da adaptação metabólica e recidiva de peso, 223
Supercrescimento de bactérias no intestino delgado pós-cirurgia bariátrica, 139
Suplemento(s)
- alimentares, 147
- para a barreira intestinal, 136
- para modular a microbiota intestinal, 132
TTaxa metabólica
- basal, 11
- de repouso, 10
Tecido adiposo
- branco, marrom e bege, 20
- e risco cardiometabólico, 23
- entre indivíduos eutróficos e indivíduos com obesidade, 22
- na obesidade, 20
Teoria do ponto de ajuste, 224
Termogênese, 10, 220
- adaptativa ou adaptação metabólica, 220
- facultativa, 10
- induzida pela dieta, 10
- obrigatória, 10
Teste
- de clampe euglicêmicohiperinsulinêmico, 63
- de lactulose e manitol, 127
- de supressão de insulina, 64
- de tolerância
- - à glicose endovenosa, 62
- - à insulina, 64
Tiamina, 181
Tirzepatida, 118
Tomografia computadorizada, 53
Topiramato, 118
Transferrina, 72
Transição nutricional, 32
Transtirretina, 71
Transtorno(s)
- alimentares, 211, 214
- - que cursam com obesidade, 213
- de déficit de atenção e hiperatividade, 211, 212
- psiquiátricos, 209
Tratamento
- farmacológico na obesidade, 111
- nutricional convencional, 82
- off label, 118
U
Ultrassonografia, 53
V
Valor energético total, 85
Veganismo, 99
Visfatina, 231
Vitamina(s), 137
- A, 181
- B1, 181
- B9, 181
- B12, 181
- D, 181
- E, 181
- K, 182
Z
Zeaxantina, 162
Zinco, 182
Embora a obesidade seja um tema amplamente discutido, a escassez de evidências científicas integradas à prática clínica ainda é um obstáculo para o sucesso no tratamento. Esta obra nasce para preencher essa lacuna, unindo mais de 20 anos de pesquisa acadêmica à experiência de profissionais renomados no cenário nacional.
Obesidade – da Evidência Científica à Prática Clínica oferece uma abordagem multidisciplinar e inovadora, deslocando o foco de estratégias genéricas para um manejo nutricional baseado em evidências.
Destaques e inovações desta edição:
• Ciência de ponta: mergulhe em temas emergentes como nutrigenética, nutrigenômica e a modulação da microbiota intestinal.
• Estratégias coadjuvantes: uma análise profunda sobre o uso de alimentos funcionais, fitoterápicos e suplementos, com base em evidências.
• Abordagem detalhada dos aspectos fisiopatológicos: metabolismo energético, fisiologia do tecido adiposo, alterações hormonais e genéticas.
• Manejo integral: das intervenções dietéticas às intervenções farmacológicas e a cirurgia bariátrica e metabólica.
• O fator humano: um olhar essencial sobre a saúde mental e as mudanças comportamentais, pilares fundamentais para evitar a recorrência do peso.
• Foco no Brasil: dados e reflexões sobre o consumo alimentar e o perfil epidemiológico da obesidade em nossa realidade.
Indispensável para nutricionistas, estudantes e pesquisadores, este livro não oferece apenas respostas; ele fornece as ferramentas para valorizar a Nutrição e transformar o controle dessa doença complexa em resultados sustentáveis.
Descubra como a união entre pesquisa e clínica pode redefinir o seu atendimento.