





Ilustrações

Copyright © Guilherme Semionato, 2026
Copyright © Cyla Costa, 2026
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DIRETOR-GERAL Mauricio Zanforlin
DIRETORA DE CONTEÚDO Cintia Cristina Bagatin Lapa
GERENTE EDITORIAL Isabel Lopes Coelho
EDITOR Estevão Azevedo
EDITORA-ASSISTENTE Aline Araújo
ASSISTENTE EDITORIAL Cauê Zuchi
ANALISTA DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS Tassia R. S. de Oliveira
COORDENADOR DE PRODUÇÃO EDITORIAL Leandro Hiroshi Kanno
PREPARADORA Lívia Perran
REVISORAS Kandy Saraiva e Marina Nogueira
EDITORA DE ARTE Alline Bullara
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Cyla Costa Studio
DIRETOR DE OPERAÇÕES E PRODUÇÃO GRÁFICA Reginaldo Soares Damasceno
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Semionato, Guilherme
Os sinais do coração / Guilherme Semionato; ilustrações de Cyla Costa. — 1. ed. — São Paulo: FTD, 2026.
ISBN 978-85-96-06450-7
1. Literatura infantojuvenil I. Costa, Cyla. II. Título.
25-310369.0

CDD-028.5
Índices para catálogo sistemático:
1. Literatura infantil 028.5
2. Literatura infantojuvenil 028.5
Cibele Maria Dias — Bibliotecária — CRB-8/9427
Guilherme Semionato nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1986. Formado em Comunicação
Social pela UFRJ, especializou-se em Literatura Infantojuvenil pela UFF. É autor de livros para crianças e jovens no Brasil e no exterior, além de tradutor e consultor editorial. Pela FTD, publicou Duas ilhas (2023).
Os sinais do coração foi publicado pela primeira vez em Portugal (Porto Editora, 2020), depois de ter recebido o Prêmio Lusofonia no Concurso Lusófono da Trofa, em 2018.
Cyla Costa nasceu em Curitiba (PR), em 1982. Formada em Design pela UFPR, especializou-se em Ilustração pela EINA e em Design Editorial com foco em Tipografia pela Elisava, ambas em Barcelona, na Espanha. Mantém estúdio próprio, em Curitiba, onde atua, com sua equipe, como designer gráfica e de tipos.
Para a minha mãe, que me deu à luz, um nome e o título deste livro.
E para a palavra MÃE.
Guilherme Semionato

Para Martim, que devolve o encantamento às palavras que eu já conhecia.
Cyla Costa

Por acaso você tem um dicionário de língua portuguesa aí por perto?
Pode largar o livro para procurar, eu espero. Achou?
Então abra na letra Abriu?
Agora encontre a palavra

É aqui que nós estamos.
Se você não tiver um dicionário, pode escrevê-la aqui nas margens mesmo.
É que às vezes nós compreendemos melhor as coisas quando lemos ou
escrevemos…

outro C, outro A e outro O) e dois sinais gráficos, o Til e a Cedilha.

Se nós pensarmos que a palavra CORAÇÃO é uma casa, o Til moraria no sótão, ali pelo telhado, e a Cedilha viveria no porão, embaixo de todos.

Você deve ter notado a Cedilha pendurada no C como um cabide no guarda-roupa. Eram grandes companheiros, esses dois. Que presença boa um tinha na vida do outro!
O Til e o A também eram bons amigos.
O A adorava ter um topetinho que nem o Til, e o Til gostava de descansar em cima do A.

Esta é a história de amor entre o Til e a Cedilha da palavra CORAÇÃO. Você gosta de histórias de amor? Eu adoro, então deve ser por isso que eu — a palavra NARRADOR — estou aqui.
Acredite se quiser: o Til e a Cedilha jamais se encontraram antes. E moravam tão perto! Como pode? Por sorte, coisas bonitas acontecem neste mundo.

Nossa história começa num dia bem quente de verão: o Til quieto no sótão, e a Cedilha no porão, com a cabeça cheia de caraminholas.

De repente, a Cedilha resolveu contornar o C para tomar um pouco de ar fresco. Não sei muito bem por que ela saiu do seu porão sem pó nem lagartixas. Ela nunca tinha se aventurado para cima do C, pois gostava tanto do seu cantinho, sabe? Mas, por vezes, mesmo as almas mais quietas querem estender a mão para alguém…
A Cedilha tentou subir pelo lado direito, mas o C não era um O, e ali havia um espaço vazio. Seguiu, então, pelo lado esquerdo. Subiu, subiu, pediu licença para o pezinho do primeiro A e escalou a corcunda do C, que era de fato bem corcunda.

Foi lá em cima que a Cedilha viu pela primeira vez o Til, que lhe pareceu uma ondinha. Isso refrescou sua memória. Quando era mais jovem, ela se matriculou numa colônia de férias à beira-mar.
Lá, durante um escaldante mês de verão, fez parte da palavra NATAÇÃO e se esbaldou nas ondas. Tibum!

— Oi. Quem é você? — perguntou a Cedilha.
— Eu sou o Til.
— Tio? Tio de quem?
— Til, com L de lagarta listrada.
— Ah, então você não é tio de ninguém?
— Não — respondeu ele. — Sou filho único.
— Qual é o nome da sua mãe?
— Mãe. Todo Til nasce da palavra
MÃE. Nós ficamos perto dela o máximo que dá, mas uma hora precisamos viver em outras palavras.

— Aí você veio morar aqui? — perguntou a Cedilha, com doçura.
— Isso, na palavra CORAÇÃO. E você, de onde veio?
— Eu nasci na palavra CRIANÇA. Quando dei por mim, me vi pendurada no C e aprendi que eu vivia pelas palavras: me lembro de ter morado em
LEMBRANÇA, depois me mudei para MUDANÇA, e agora estou aqui.

— E como você se chama? — perguntou o Til, com timidez.
— Cedilha.
— Cecília?
— Não. Ce-di-lha.
— Prazer, Cedilha.
— Mas também me chamam de Cobrinha…
— Que horror! Você é tão formosa e tem um coração tão bom…

Quando a gente folheia um dicionário, tudo parece estar em ordem, não é? Cada palavra paradinha em seu canto, sem dar um pio sequer... Pois basta fechá-lo para aquilo ali virar uma verdadeira folia! Um belo dia, quando você não estava de olho, os sinais da palavra CORAÇÃO se apaixonaram à primeira vista. E foi justo no casamento do Til e da Cedilha que essa palavra se viu transformada por completo. Mas uma letra reclamona não reagiu tão bem assim...
Por sorte, acompanhei tudo de perto e vou contar, tim-tim por tim-tim, essa história para você.


