ABECEDÁRIO DE PERSONAGENS DO
BRASILEIRO
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ISBN 978-85-9493-050-7
Pesquisadora em políticas de cultura
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ABECEDÁRIO DE PERSONAGENS DO
isabel lopes coelho
Isaura Botelho
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BRASILEIRO
Atenção: este livro contém 141 personagens do dito folclore brasileiro, cuidadosamente selecionados dentre a bibliografia mais especializada sobre o assunto, descritos com fidelidade aos melhores e mais diversos relatos de quem realmente viu o Lobisomem à meia-noite, o Curupira na encruzilhada da estrada, o Saci-Pererê na floresta e o Boto no fundo do rio. Seu uso é livre, não há restrição de faixa etária, e quanto mais tipos de leitores misturados, melhor. O modo de uso? Pode-se lê-lo do início para o final ou vice-versa, e até mesmo começar pelo meio. Este Abecedário de personagens do folclore brasileiro é resultado da imersão de Januária Cristina Alves no universo dos seres que habitam o nosso imaginário e que compõem o mosaico cultural da nossa identidade. Um trabalho editorial inédito, de relevância ímpar para pesquisadores e estudantes do assunto, mas principalmente para qualquer um que se interesse em adentrar este mundo maravilhoso. Escritos com a verve literária que merecem, os verbetes deste dicionário surpreendem pela pesquisa histórica, estilística e pelo comprometimento com a verdade. Pois que esses personagens existem, existem.
ISBN 978-85-96-01118-1
Williams chama a atenção para dois aspectos da cultura. O primeiro é o que se reporta aos significados que vêm pela tradição. O segundo, o referente à dimensão criativa, onde novos sentidos são elaborados e incorporados. Se termos como folclore e cultura popular fossem descartados, as peculiaridades de uma miríade de mitos e crenças, artes, folguedos, festas e práticas cotidianas acabariam sendo deixadas de lado. O importante é alterar os modos de tratar e ver esse rico patrimônio, que dialoga e evolui com o tempo, cujo potencial criativo alimenta produções de todas as formas e níveis. É o que se apreende da leitura deste Abecedário: suas personagens são frutos das mais diversas produções, de cantadores populares a autores como Erico Verissimo, de pesquisadores dedicados, como Câmara Cascudo, a contadores de histórias, de artistas letrados e célebres a criadores anônimos e analfabetos. Algumas vêm de tempos remotos, outras se popularizaram num tempo recente. Suas origens, também diversas: europeias, africanas, indígenas. Trata-se de uma produção que permeia não apenas o imaginário e as práticas da população mais pobre, mas que atravessa os vários estratos sociais por processos de interação variados. Assim, o repertório cultural de uma sociedade é formado pelas criações de todos os segmentos que a compõem, independentemente das categorias que historicamente vêm estabelecendo fronteiras entre os diversos níveis de produção.
januária cristina alves
“A cultura é de todos: este é o fato primordial. Toda sociedade humana tem sua própria forma, seus próprios propósitos, seus próprios significados. Toda sociedade humana expressa tudo isso nas instituições, nas artes e no conhecimento. A formação de uma sociedade é a descoberta de significados e direções comuns, e seu desenvolvimento se dá no debate ativo e no seu aperfeiçoamento, sob a pressão da experiência, do contato e das invenções, inscrevendo-se na própria terra.” Raymond Williams, um dos fundadores dos estudos culturais ingleses, dá conta nesse trecho de algo importante: os saberes do povo (significado de folclore) e suas expressões cotidianas são criações que contribuem para dar forma a uma sociedade. Alegar distância entre os saberes da elite e os do povo deu ensejo a que estes últimos se vissem colocados num escaninho isolado, associados à produção comunitária, “autêntica” e pura, onde se encontrariam as raízes da verdadeira identidade nacional, advindos sobretudo do mundo rural – visão que nasce do Romantismo europeu, de meados do século XVIII. No Brasil, os estudos folclóricos começaram no século XIX, sob influência do movimento romântico, e tiveram no século seguinte seu desenvolvimento marcado por momentos heroicos e debates ideológicos intensos. A evolução do conceito de política cultural levou a um redimensionamento das atenções, institucionais ou não, à multiplicidade de fazeres e saberes. Simbolicamente, a cultura trata da articulação que os seres humanos fazem com os fatos do mundo, que lhes dão estabilidade. Nesse sentido, não cabe a radical distinção entre o que é popular, erudito ou de massas, registros cujas fronteiras estão cada vez mais embaralhadas na sociedade contemporânea.
januária cristina alves ilustrações berje
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