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Teologia Sistemática Reformada - Joel R. Beek

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“Nesta versão resumida de uma obra imensa de Teologia Sistemática, Beeke e Smalley conseguiram demonstrar como a teologia reformada pode ser ambiciosa, mas também acessível. Para os estudantes de teologia que querem um lugar para começar, sem ter de negociar a visão grandiosa e soberana de Deus, este livro é um tesouro.” Rafael Bello, professor de Religião que ocupa a cátedra Ida & J.W. Hollums, Universidade Batista de Oklahoma “Todo cristão deveria ter um manual de doutrina cristã. Mas nem todos provavelmente começarão com os quatro tomos volumosos da Teologia sistemática reformada, de Joel Beeke e Paul Smalley — apesar de todo o seu valor. Felizmente, agora temos ‘Beeke e Smalley Júnior’ em um volume, num nível mais simples. Ainda abrangente e substancial, ele nunca é ‘simplificado’ de modo empobrecedor. Maravilhosamente acessível e agradável de ler, oferece um tomo ideal para consulta rápida a cristãos de todas as idades e fases que desejam ‘crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo’ (2Pe 3.18).” Sinclair B. Ferguson, professor de Teologia Sistemática (Cátedra do Reitor), Reformed Theological Seminary; professor visitante, Ministério Ligonier “Teologia sistemática reformada: um compêndio é um presente de Joel Beeke e Paul Smalley para a igreja. Com rara clareza, fidelidade bíblica e profundo senso pastoral, os autores condensam os quatro monumentais volumes de sua Teologia sistemática reformada em um único volume acessível, sem sacrificar a riqueza doutrinária nem a profundidade espiritual. Cada capítulo une exegese, tradição reformada e aplicação prática, demonstrando que a verdadeira teologia conduz inevitavelmente à adoração, à santidade e ao amor por Cristo. O capítulo sobre o futuro de Israel e o milênio será uma surpresa para muitos, ao enfatizar a esperança puritana em uma futura e massiva conversão de Israel. Trata-se de uma obra que servirá igualmente a estudantes, pastores e membros de igreja, oferecendo um sólido alicerce para a fé cristã e despertando o desejo de conhecer mais profundamente o Deus triúno revelado nas Escrituras.” Franklin Ferreira, reitor e professor de Teologia Sistemática e História da Igreja, Seminário Martin Bucer (São José dos Campos, SP) “Esta versão condensada dos volumes mais compendiosos de Beeke e Smalley deve ser muito bem-vinda. Espera-se que um novo público seja alcançado e estimulado a aprofundar-se nas riquezas da teologia reformada.” Robert Letham, pesquisador sênior, Union School of Theology “É com grande satisfação que apresento à igreja brasileira esta obra-prima da teologia reformada contemporânea. Fruto da erudição paciente de Joel Beeke, unida à colaboração cuidadosa de Paul Smalley, esta obra condensa, em um único e acessível volume, a vasta e monumental Teologia sistemática reformada em quatro tomos — sem perder, todavia, o rigor exegético e a profundidade histórico-apologética que caracterizam o projeto original.


Sua principal virtude reside precisamente nesse casamento raro entre doutrina sólida e piedade viva: Beeke e Smalley não apenas explanam com precisão os grandes loci da fé reformada — a Escritura, o Deus triúno, a criação, a queda, a pessoa e obra de Cristo, a soteriologia da graça, a igreja e as últimas coisas —, mas o faz sempre à luz da tradição puritana e confessional, ancorando cada afirmação teológica nas Escrituras, nos credos históricos e nos grandes mestres da igreja. Trata-se de teologia para a mente e para o coração, escrita não para a especulação acadêmica isolada, mas para alimentar a adoração, formar pregadores fiéis e edificar cristãos maduros na fé. Por isso, recomendo este livro sem reservas a pastores, seminaristas, líderes e leigos da igreja brasileira que desejam um manual confiável, claro e devocionalmente rico para se firmarem na ‘doutrina que é segundo a piedade’ (1Tm 6.3, ARC).” Willian V. Orlandi, pastor, Igreja Batista Reformada de Indaiatuba (SP); professor de Teologia, Seminário Martin Bucer; autor, O Fruto do Espírito e a Trindade “Os poderosos quatro volumes da Teologia sistemática reformada, de Beeke e Smalley, em suas 5.200 páginas, são uma realização que talvez nunca mais seja igualada em profundidade, extensão, piedade, doxologia, acessibilidade, concisão, sobriedade e confiabilidade na elaboração. É uma obra profundamente espiritual — celestial, proveitosa e repleta de aplicação prática. Também é um guia precioso para todo pregador, apropriada para o homem em seu primeiro pastorado e revigorante para o pregador aposentado que ainda tem fome e sede de sabedoria e justiça. Agora surgiu o essencial — uma sinopse, uma compressão de quatro volumes em um único livro de mil páginas, com resumos no início de capítulos individuais, enfoque em seus pontos altos e referências às ampliações dos temas nos quatro volumes mais abrangentes, para estudo adicional, quando necessário. Este resumo brilhante é onde muitos começarão. Parece quase indispensável ter este volume único como ponto de partida ou como companheiro a serviço dos quatro gigantes da verdade e da piedade.” Geoffrey Thomas, pastor emérito, Igreja Batista em Alfred Place (Aberystwyth, País de Gales) “Louvo a Deus porque as mesmas grandes verdades bíblicas que são expostas na exaustiva Teologia sistemática reformada agora estão disponíveis a todos numa edição mais concisa e acessível. Ela será bênção e benefício incalculáveis para os leigos, nossos jovens e a igreja global. Trata-se de uma realização notável.” Paul Washer, diretor, Sociedade Missionária HeartCry; autor, O Verdadeiro Evangelho e Segurança e Advertências do Evangelho


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Beeke, Joel Teologia sistemática reformada : um compêndio /Joel Beeke, Paul Smalley ; [tradução Davi Lima, Lucilia Marques, Willian Orlandi]. -- São José dos Campos, SP : Editora Fiel, 2026. Título original: Essentials of Reformed systematic theology. Bibliografia. ISBN 978-65-5723-539-3 1. Igreja Reformada - Doutrinas 2. Teologia sistemática I. Smalley, Paul. II. Título. 26-385506.0

CDD-230.42 Índices para catálogo sistemático:

1. Igreja Reformada : Doutrinas : Cristianismo 230.42 Eliete Marques da Silva - Bibliotecária - CRB-8/9380

Teologia sistemática reformada: um compêndio Essentials of Reformed Systematic Theology Copyright © 2025 por Joel R. Beeke e Paul M. Smalley. Todos os direitos reservados. Originalmente publicado por Crossway Wheaton, Illionois 60187, EUA Copyright © 2026 Editora Fiel Primeira edição em português: 2026 Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Editora Fiel da Missão Evangélica Literária. PROIBIDA A REPRODUÇÃO DESTE LIVRO POR QUAISQUER MEIOS, SEM A PERMISSÃO ESCRITA DOS EDITORES, SALVO EM BREVES CITAÇÕES, COM INDICAÇÃO DA FONTE. As citações bíblicas sem indicação da versão foram extraídas da Almeida Revista e Atualizada (ARA © 1993 Sociedade Bíblica do Brasil). As citações com indicação da versão in loco foram extraídas da

Almeida Corrigida Fiel (ACF © 1994, 1995, 2007, 2011 Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil), da Almeida Revista e Corrigida (ARC © 2009 Sociedade Bíblica do Brasil), da Nova Bíblia Viva (NBV-P © 2007 por Biblica, Inc.) da Nova Versão Internacional (NVI © 1993, 2000, 2011, 2023 por Biblica, Inc.) ou da Nova Versão Transformadora (NVT © 2016 Editora Mundo Cristão).

Diretor: Tiago J. Santos Filho Supervisor editorial: André G. Soares Editor: Djair Dias Filho Coordenadores gráficos: Gisele Lemes e Sérgio Siqueira Moura Tradutores: Davi G. Lima, Lucilia Marques e Willian V. Orlandi Preparadores: Gabriel Lago, Victoria Thomé e Wendell Xavier Revisor: Vinicius Lima Diagramadora: Kelly Maynarte Moura Capista: Kaká Fernandes Indexadores: Anna Lopes, Davi G. de Lima, Victória Thomé, Willian V. Orlandi e Wilson Porte Jr. ISBN (livro físico): 978-65-5723-539-3 ISBN (livro digital): 978-65-5723-540-9


Para David e Vicky McWilliams, amigos fiéis e encorajadores (Fp 1.3) — Joel R. Beeke Para Levi, Elizabeth e Michael, os filhos e a filha de muitas orações — Paul M. Smalley


Sumário

Abreviaturas ........................................................................................ 15 Prefácio................................................................................................ 19 PARTE 1: A DOUTRINA DO CONHECIMENTO DE DEUS Seção 1A: Questões sobre teologia 01 O “quê”, “quem”, “onde” e “quando” da teologia................................... 25 02 O “qual”, “por quê” e “como” da teologia.............................................. 32 Seção 1B: A revelação de Deus ao homem 03 Introdução à revelação de Deus.............................................................. 45 04 Revelação geral..................................................................................... 52 05 Revelação especial................................................................................. 61 06 A inspiração, a autoridade e a clareza da Bíblia....................................... 72 07 A inerrância e a suficiência da Bíblia...................................................... 82 08 Revelação aplicada ao fruto prático........................................................ 90 PARTE 2: A DOUTRINA DE DEUS Seção 2A: Quem é Deus 09 Introdução à doutrina de Deus.............................................................. 103 10 O santo “Eu Sou”, o único Deus.............................................................111 11 A espiritualidade e a simplicidade de Deus............................................. 119 12 A infinitude, a incompreensibilidade, a asseidade, a imensidade e a eternidade de Deus......................................................................... 127 13 A imutabilidade de Deus....................................................................... 135 14 O conhecimento de Deus...................................................................... 142 15 A soberania de Deus............................................................................. 150 16 A bondade e o amor de Deus................................................................ 156


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SUMÁRIO

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17 A verdade e a justiça de Deus............................................................... 162 18 As afeições e a impassibilidade de Deus................................................. 168 19 A Trindade, Parte 1: O Filho e o Espírito Santo....................................... 177 20 A Trindade, Parte 2: Três pessoas e um Deus.......................................... 187 Seção 2B: O que Deus faz 21 O decreto eterno de Deus...................................................................... 197 22 Eleição e reprovação............................................................................. 204 23 Questões sobre a predestinação............................................................. 212 24 A criação do mundo por Deus............................................................... 220 25 Questões sobre a criação....................................................................... 229 26 A providência de Deus.......................................................................... 236 27 Anjos e demônios................................................................................. 246 PARTE 3: A DOUTRINA DO HOMEM Seção 3A: O homem como servo de Deus 28 A criação do homem por Deus.............................................................. 259 29 A imagem de Deus............................................................................... 268 30 Os sexos e a sexualidade humana.......................................................... 277 31 O corpo e a alma humanos.................................................................... 284 32 A aliança de Deus com Adão................................................................. 289 Seção 3B: O homem como pecador diante de Deus 33 O pecado e a queda do homem............................................................. 301 34 Pecado original e depravação total......................................................... 309 35 Incapacidade total e livre escolha.......................................................... 317 36 Os pecados efetivos e o castigo de Deus pelo pecado.............................. 326 37 O pecado, o sofrimento e o crente......................................................... 333 PARTE 4: A DOUTRINA DE CRISTO Seção 4A: A aliança da graça 38 Introdução à aliança da graça................................................................ 345 39 O evangelho de Deus e sua aliança com seu Filho.................................. 354 40 As diferentes administrações da aliança da graça.................................... 363 41 A única aliança da graça....................................................................... 371


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Seção 4B: A pessoa e a obra de Cristo 42 Introdução à pessoa e à obra de Cristo................................................... 383 43 A encarnação de Cristo, Parte 1: O ensino bíblico básico........................ 390 44 A encarnação de Cristo, Parte 2: História e teologia................................ 399 45 O tríplice ofício e os dois estados de Cristo............................................ 408 46 A revelação de Cristo como Profeta....................................................... 417 47 O sacrifício de Cristo como Sacerdote, Parte 1: Substituição e satisfação......................................................................................... 425 48 O Sacrifício de Cristo como Sacerdote, Parte 2: Obediência e perfeição.......................................................................................... 433 49 A intercessão de Cristo como Sacerdote................................................. 443 50 O governo de Cristo como Rei............................................................... 450 51 O povo do Profeta, Sacerdote e Rei........................................................ 458 PARTE 5: AS DOUTRINAS DO ESPÍRITO SANTO E DA SALVAÇÃO Seção 5A: O Espírito e a história da salvação 52 O Espírito na Criação, graça comum e Israel.......................................... 471 53 O Espírito de Cristo e de Pentecostes..................................................... 481 54 Os dons do Espírito e o cessacionismo................................................... 490 Seção 5B: O Espírito e a aplicação da salvação 55 A união com Cristo e a ordem da salvação............................................. 503 56 O chamado geral do evangelho............................................................. 513 57 A preparação pela convicção graciosa e resistível................................... 521 58 O chamado eficaz................................................................................. 529 59 Regeneração......................................................................................... 539 60 Conversão: Arrependimento e fé........................................................... 548 61 Justificação.......................................................................................... 560 62 Adoção................................................................................................ 571 63 Santificação......................................................................................... 582 64 Preservação e perseverança................................................................... 594 Seção 5C: O Espírito e a experiência de salvação 65 A habitação, direção e enchimento do Espírito....................................... 605 66 A segurança da salvação e o testemunho do Espírito.............................. 612


SUMÁRIO

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67 As marcas da graça no caráter cristão.................................................... 620 68 Introdução à obediência à lei de Deus................................................... 630 69 Obediência aos quatro primeiros mandamentos..................................... 639 70 Obediência aos seis últimos mandamentos............................................. 648 71 Temor de Deus, oração e esperança....................................................... 658 PARTE 6: A DOUTRINA DA IGREJA Seção 6A: A identidade da igreja 72 Introdução à doutrina da igreja............................................................. 673 73 A descrição e a definição da igreja......................................................... 680 74 A igreja de Cristo, com seus atributos e marcas...................................... 689 75 A membresia na igreja.......................................................................... 698 Seção 6B: A autoridade e a obra da igreja 76 O governo da igreja.............................................................................. 707 77 Presbíteros e ministros da Palavra.......................................................... 718 78 Diáconos, mulheres em ofícios eclesiásticos e os deveres em relação aos oficiais............................................................................... 728 79 As igrejas em relação às famílias e ao governo civil................................ 735 80 A obra da igreja................................................................................... 744 Seção 6C: Os meios de graça da igreja 81 Os meios de graça e o ministério da Palavra........................................... 756 82 Batismo — Parte 1: Por quê e o quê...................................................... 767 83 Batismo — Parte 2: Quem e como......................................................... 773 84 A Ceia do Senhor................................................................................. 788 85 Oração, louvor, comunhão e disciplina.................................................. 798 86 A reforma da igreja............................................................................... 808 PARTE 7: A DOUTRINA DAS ÚLTIMAS COISAS Seção 7A: Introdução e questões especiais nas últimas coisas 87 Introdução à doutrina das últimas coisas............................................... 819 88 O engano da teologia da prosperidade................................................... 828 89 A morte e a vida futura......................................................................... 835 90 Sinais, o homem da iniquidade e o livro do Apocalipse.......................... 844


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91 O futuro de Israel e o milênio................................................................ 854 Seção 7B: A gloriosa esperança de Cristo 92 A vinda de Cristo em glória.................................................................. 867 93 A ressurreição dos mortos e o dia do juízo............................................. 876 94 Castigo eterno no inferno...................................................................... 886 95 Vida eterna com Deus.......................................................................... 896 Glossário de termos teológicos............................................................... 907 Relação seleta de teólogos..................................................................... 975 Guia para leituras adicionais na Teologia sistemática reformada............... 989 Índice geral.......................................................................................... 993 Índice de referências bíblicas.................................................................1021


Abreviaturas

ANF

BDAG

Comm. CRS

Denzinger

Institutes

LSJ

LW NIDNTTE

NIDOTTE

The Ante-Nicene Fathers. Editado por Alexander Roberts e James Donaldson. Revisado por A. Cleveland Coxe. 9 vols. Nova York: Charles Scribner’s Sons, 1918. Walter Bauer. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature. Revisado e editado por Frederick W. Danker. 3ª ed. Chicago: University of Chicago Press, 2000. João Calvino. Commentaries. 22 vols. Grand Rapids: Baker, 2003. Wilhelmus à Brakel. The Christian’s Reasonable Service. Editado por Joel R. Beeke. Traduzido por Bartel Elshout. 4 vols. Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 1992–1995. Heinrich Denzinger. Enchiridion symbolorum definitionum et declarationum de rebus fidei et morum; Compendium of Creeds, Definitions, and Declarations on Matters of Faith and Morals. Editado por Peter Hünermann, Helmut Hoping, Robert Fastiggi e Anne Englund Nash. 43ª ed. San Francisco: Ignatius, 2012. João Calvino. Institutes of the Christian Religion. Editado por John T. McNeill. Traduzido por Ford Lewis Battles. Library of Christian Classics 20–21. Filadélfia: Westminster, 1960. Henry George Liddell e Robert Scott, compiladores. A Greek-English Lexicon. Revisado por Henry Stuart Jones e Roderick McKenzie. 9ª ed. Oxford: Oxford University Press, 1996. Martinho Lutero. Luther’s Works. Editado por Jaroslav Pelikan et al. 79 vols. St. Louis: Concordia, 1958–2016. The New International Dictionary of New Testament Theology and Exegesis. Editado por Moisés Silva. 5 vols. Grand Rapids: Zondervan, 2014. The New International Dictionary of Old Testament Theology and Exegesis. Editado por Willem A. VanGemeren. 5 vols. Grand Rapids: Zondervan, 1997.


Abreviaturas

NPNF1

NPNF2

Psalter

RC

RD RST SPT

TDNT

TFU THBap WJE WJF WJO WJO-H

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A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church, First Series. Editado por Philip Schaff. 14 vols. Nova York: Christian Literature Co., 1888. A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church, Second Series. Editado por Philip Schaff e Henry Wace. 14 vols. Nova York: Christian Literature Co., 1894. The Psalter, with Doctrinal Standards, Liturgy, Church Order, and Added Chorale Section. Prefácio por Joel R. Beeke e Ray B. Lanning. 1965. Reimpressão, Grand Rapids: Eerdmans for Reformation Heritage Books, 2003. Reformed Confessions of the 16th and 17th Centuries in English Translation: 1523–1693. Compilado por James T. Dennison Jr. 4 vols. Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2008–2014. Herman Bavinck. Reformed Dogmatics. Editado por John Bolt. Traduzido por John Vriend. 4 vols. Grand Rapids: Baker Academic, 2003–2008. Joel R. Beeke e Paul M. Smalley. Reformed Systematic Theology. 4 vols. Wheaton: Crossway, 2019–2024. Johannes Polyander, Antonius Walaeus, Antonius Thysius, e Andreas Rivetus. Synopsis Purioris Theologiae, Synopsis of aPurer Theology: Latin Text and English Translation. Traduzido por Riemer A. Faber. Editado por Dolf te Velde, Rein Ferwerda, Willem J. van Asselt, William den Boer, Riemer A. Faber, Henk van den Belt, e Harm Goris. 3 vols. Studies in Medieval and Reformation Traditions: Texts and Sources. Leiden: Brill, 2014, 2016, 2020. Theological Dictionary of the New Testament. Editado por Gerhard Kittel, Geoffrey W. Bromiley, e Gerhard Friedrich. 10 vols. Grand Rapids: Eerdmans, 1964. The Three Forms of Unity. Birmingham: Solid Ground, 2010. Trinity Hymnal—Baptist Edition. Editado por David Merck. Suwanee: Great Commission Publications, 1995. The Works of Jonathan Edwards. 26 vols. New Haven: Yale University Press, 1957–2008. The Works of John Flavel. 6 vols. Edimburgo: Banner of Truth, 1968. The Works of John Owen. Editado por William H. Goold. 16 vols. Edimburgo: Banner of Truth, 1965–1968. John Owen. An Exposition of the Epistle to the Hebrews. 7 vols. 1854. Reimpressão, Edimburgo: Banner of Truth, 1991. Originalmente parte de The Works of John Owen.


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WRS WSChar WTB

WTG WWP

The Works of Richard Sibbes. Editado por Alexander Grosart. 7 vols. Edimburgo: Banner of Truth, 1973. The Works of Stephen Charnock. 5 vols. 1864–1865. Reimpressão, Edimburgo: Banner of Truth, 1986. The Complete Works of the Late Rev. Thomas Boston, Ettrick. Editado por Samuel M‘Millan. 1853. Reimpressão, Stoke-on-Trent, Inglaterra: Tentmaker, 2002. The Works of Thomas Goodwin. 12 vols. 1861–1866. Reimpressão, Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2006. The Works of William Perkins. Editado por Joel R. Beeke e Derek W. H. Thomas. 10 vols. Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2014–2020.


Prefácio

W

illiam Tyndale dedicou-se a traduzir a Bíblia para a língua do povo. Certa vez, um teólogo lhe disse que não era boa ideia permitir que as pessoas lessem a Palavra de Deus por si mesmas. Afirma-se que Tyndale respondeu: “Se Deus poupar minha vida […] farei com que um menino que conduz o arado conheça mais das Escrituras do que tu.”1 Tyndale acabou morrendo como mártir para que pessoas comuns pudessem conhecer, crer e obedecer à verdade de Deus. Ao longo dos séculos, cristãos têm se empenhado em levar a Palavra a todos e explicar o que ela significa. Por exemplo, a primeira edição da teologia sistemática de João Calvino era muito menor do que o livro que você está lendo. Calvino queria que o livro fosse um resumo da vida cristã, apresentado em verdades básicas, para todos os que desejassem buscar a piedade.2 Embora não sejamos nem Tyndale nem Calvino, também desejamos levar a verdade da Palavra de Deus ao maior número possível de pessoas dispostas a aprendê-la. Para este fim, abreviamos os quatro grandes volumes da Teologia sistemática reformada em um único volume mais curto. O material foi reduzido para cerca de um sexto do seu tamanho original. Muitas frases foram simplificadas. Não obstante, nosso objetivo continuou sendo apresentar uma teologia sistemá­ 1 John Fox[e], Book of Martyrs, ed. Charles A. Goodrich (Hartford: Edwin Hunt, 1845), p. 259, linguagem atualizada [edição em português: O Livro dos Mártires (Colombo: Publicações Pão Diário, 2023)]. 2 John Calvin, Institutes of the Christian Religion: 1536 Edition, trad. e anot. Ford Lewis Battles, ed. rev. (Grand Rapids: The H. H. Meeter Center for Calvin Studies; Eerdmans, 1986), p. 1 [edições em português: João Calvino, As institutas, trad. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Cultura Cristã, 2006), 4 vols.; A instituição da religião cristã, trad. Carlos Eduardo Oliveira e José Carlos Estêvão (São Paulo: Ed. Unesp, 2008); Institutas da religião cristã (São José dos Campos: Editora Fiel, 2018)]. O subtítulo diz: “Embracing almost the whole sum of piety and whatever is necessary to know of the doctrine of salvation” [“Abrangendo quase toda a soma da piedade e tudo o que é necessário conhecer da doutrina da salvação”]. Calvino recomendou que fosse “lido por todas as pessoas zelosas pela piedade”.


Prefácio

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tica que fosse bíblica, doutrinária, experimental e prática.3 Para ajudar o leitor, oferecemos um resumo no início de cada capítulo, destacando palavras-chave. Esses termos teológicos, além de muitos outros, aparecem com definições no glossário ao final do livro. Incluímos também uma lista de teólogos do passado que citamos ou mencionamos no livro, trazendo suas datas e breves comentários sobre a vida de cada um. Você também encontrará, ao final do livro, um guia para as partes da Teologia sistemática reformada que explicam com muito mais profundidade os temas aqui abordados. Enquanto lê este livro, por favor, ore para que Deus lhe ensine. Sem Cristo a operar pelo Espírito Santo, não podemos compreender a Palavra de modo que nos beneficie e transforme. E lembre-se de que toda a verdade cristã visa à obediência. Reserve tempo para responder ao que você lê. Olhe para Cristo em busca de graça. Arrependa-se do pecado. Adore a Deus. Decida guardar os seus mandamentos. E conte a outra pessoa as verdades que você aprender. Com a conclusão deste volume, desejamos agradecer de todo o coração ao nosso bendito Deus trino por sua graça do começo ao fim. Agradecemos também às nossas esposas (Mary e Dawn) e às nossas famílias, bem como à equipe da Crossway (especialmente ao nosso competente editor, Greg Bailey). Eles perse­ ve­­raram conosco ao longo da última década, à medida que perseveramos na escrita da Teologia sistemática reformada e da Teologia sistemática reformada: um compêndio. Agradecemos a Wouter Pieters pela revisão do livro e pelas muitas sugestões úteis. Agradecemos também a Fraser Jones por revisar o material e, em especial, por escrever as breves notas biográficas na lista de teólogos ao fim do livro. Por favor, ore conosco para que Deus use este livro, a fim de fazer seu povo crescer, salvar os perdidos, glorificar seu nome e oferecer uma rampa de acesso para que muitos jovens e adultos conheçam e experimentem a teologia reformada bíblica de modo mais rico do que antes. Soli Deo gloria! (“Glória somente a Deus!”)…

3 Partes da Teologia sistemática reformada foram adaptadas de outros materiais publicados por Joel Beeke e, assim, passaram para este livro em forma abreviada e simplificada. Ver RST [em português, Teologia sistemática reformada] para as devidas atribuições.


PARTE 1

A doutrina do conhecimento de Deus


Seção 1A

Questões sobre teologia


1 O “quê”, “quem”, “onde” e “quando” da teologia Resumo do capítulo e termos-chave Na teologia cristã, a igreja explica e aplica a doutrina — ou o ensino — da Bíblia acerca de Deus. Teologia é a reflexão humana sobre o conhecimento e a sabedoria revelados na Palavra de Deus. O objetivo da teologia é que conheçamos a Deus e vivamos para ele por meio de Jesus Cristo. Teologia sistemática é a apresentação de todas as doutrinas do cristianismo organizadas por tema. A teologia sistemática responde à pergunta: o que a Bíblia inteira ensina sobre cada um de seus grandes temas e sua relação com outros temas? As pessoas fazem teologia como criaturas de Deus, feitas à sua imagem. Se somos cristãos, somos renovados nessa imagem. Cristãos estudam e conversam sobre teologia como membros da igreja de Cristo, em um mundo que se opõe a Deus. Aprendemos teologia durante nossa jornada como peregrinos, a caminho da glória. Vivemos nos últimos dias, entre a primeira e a segunda vinda de Cristo.

P

or ordem do anjo do Senhor, Filipe, o evangelista, viajou para o sul, em direção a uma estrada deserta. Ali ele encontrou um oficial da corte etíope, que retornava para casa vindo de Jerusalém, onde adorara o Deus de Israel. O homem estava sentado em sua carruagem, lendo as palavras de Isaías sobre alguém que se submeteu silenciosamente à morte como um cordeiro manso. Filipe lhe perguntou se ele entendia o que lia. O etíope respondeu: “Como poderei entender, se alguém não me explicar?” (At 8.26-33). Qualquer pessoa que tenha passado mais do que um breve instante lendo a Bíblia já experimentou essa necessidade, indagando-se: “Como posso entender, se ninguém me orientar?” Tal orientação é o trabalho da teologia.


O “quê”, “quem”, “onde” e “quando” da teologia

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O que é teologia? A teologia assusta algumas pessoas e fascina outras. Ela nos conduz a um mundo invisível, muito maior e mais duradouro do que o mundo que vemos e tocamos. Fazer teologia é a tarefa mais importante que qualquer ser humano pode assumir. De fato, como disse R. C. Sproul: “Todo mundo é teólogo.”1 Até mesmo a rejeição de Deus por parte do ateu é ato de teologia. A palavra doutrina significa “ensino”. Doutrina cristã é o ensino da igreja baseado na Bíblia, a Palavra de Deus (2Tm 3.16). O termo teologia significa, literalmente, “palavras ou discurso sobre Deus” e, portanto, é o estudo de Deus e de questões sobre as doutrinas que ele revelou. Mais especificamente, teologia cristã é uma descrição humana do conhecimento e da sabedoria autorizados que Deus revelou em sua Palavra, para que o conheçamos e vivamos para ele por meio de Jesus Cristo. A teologia sistemática responde à pergunta: o que a Bíblia inteira ensina sobre cada um de seus grandes temas e sua relação com outros temas? Louis Berkhof afirmou que a teologia sistemática “busca oferecer uma apresentação sistemática de todas as verdades doutrinárias da religião cristã”.2 Ela constrói em nossa mente uma forma de pensar em que cada doutrina se compreende com clareza e se conecta corretamente com outras doutrinas. Ela demonstra como cada parte da doutrina está profundamente enraizada nas Sagradas Escrituras. Não ignora as teologias do passado nem aceita cegamente nenhuma delas. Antes, compara todas as coisas com a Palavra de Deus, a fim de defender o cristianismo verdadeiro, ao mesmo tempo que aprofunda nossa compreensão da revelação divina. A teologia sistemática não é apenas a descrição do que as pessoas creram no passado, mas a tentativa de declarar a Palavra de Deus à geração presente. O objetivo da teologia deve ser o relacionamento correto com Deus por meio de Cristo (2Tm 3.15). Paulo diz: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugos, para ganhar a Cristo” (Fp 3.8). William Ames escreveu: “Teologia é a doutrina de viver para Deus.”3

1 Do título de R. C. Sproul, Everyone’s a Theologian: An Introduction to Systematic Theology (Lake Mary: Reformation Trust, 2014) [edição em português: Somos todos teólogos: Uma introdução à teologia sistemática (São José dos Campos: Editora Fiel, 2017)]. 2 Louis Berkhof, Introduction to Systematic Theology (Grand Rapids: Baker, 1979), p. 58-59 [edição em português: Introdução à teologia sistemática (Edifique, 2026)]. 3 William Ames, The Marrow of Theology, trad. John D. Eusden (Grand Rapids: Baker, 1968), 1.1.1 (77).


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Questões sobre teologia

Petrus van Mastricht ampliou ligeiramente a definição de Ames para “a doutrina de viver para Deus por Cristo”.4 Esta definição mostra que a teologia é o estudo cuidadoso da “doutrina”, isto é, o ensino da Palavra de Deus. A teologia diz respeito a Deus. O objetivo da teologia é “viver para Deus” — isto é, buscar o seu prazer e a sua glória. Só podemos fazê-lo por meio do Mediador (“por Cristo”). A teologia é tanto conhecimento quanto sabedoria. O conhecimento é impor­ tante porque precisamos conhecer a verdade a respeito de Deus e de seus caminhos para ter um relacionamento com ele. Sabedoria refere-se a habilidade ou competência. Às vezes, sabedoria é habilidade em algum ofício ou arte. Porém, de modo mais geral, é habilidade em toda a abordagem da vida. A sabedoria inclui conhecimento. Contudo, a sabedoria é mais ampla do que o conhecimento, incluindo a capacidade de viver com habilidade e alegria para a glória de Deus. A teologia envolve tanto teoria quanto prática. Não precisamos escolher entre cabeças cheias com corações frios e cabeças vazias com corações aquecidos. Precisamos conhecer a Deus de um modo que envolva nossa cabeça, coração e mãos. Jeremias 9.24 diz: “mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.” Conhecer a Deus envolve conhecer seus atributos e ações que o distinguem dos falsos deuses dos homens (Jr 10.1-16). Entretanto, a teologia exige ação, pois conhecer a Deus nos move a glorificá-lo: “Quem te não temeria, ó Rei das nações? Pois isto é a ti devido” (v. 7). Além disso, conhecer a Deus significa imitá-lo: “Julgou a causa do aflito e do necessitado; então, tudo lhe ia bem. Porventura, não é isto conhecer-me? — diz o Senhor” (22.16).

Quem faz teologia? Na arte da fotografia, um fator crucial é o ponto de vista. Por exemplo, você pode tirar uma foto de um vulcão, olhando de baixo, a partir do chão, ou de cima, a partir de um helicóptero. De modo semelhante, ao fazer teologia, precisamos estar conscientes do nosso ponto de vista. A teologia é “o conhecimento ou a sabedoria das questões divinas que Deus revelou às pessoas neste mundo […] e que ele adaptou à capacidade delas”.5 Primeiro, fazemos teologia como criaturas de Deus (Gn 1.1). Não somos Deus. Portanto, devemos reconhecer que ele está além de nossa capacidade de 4 Petrus van Mastricht, Theoretical-Practical Theology, vol. 1, trad. Todd M. Rester, ed. Joel R. Beeke (Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2018), 1.1.26 (98). 5 Polyander, Walaeus, Thysius, e Rivetus, SPT, 1.9 (1:35).


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compreendê-lo plenamente (Rm 11.33). Um perigo da teologia é que “o saber ensoberbece” (1Co 8.1). John Owen disse com razão: “Nossos pensamentos, nossas meditações, nossas expressões sobre ele são baixas; muitas delas são indignas de sua glória; nenhuma delas alcança suas perfeições.”6 O verdadeiro teólogo faz teologia com atitude de dependência, submissão e temor piedoso diante do Senhor. Segundo, também fazemos teologia como portadores da imagem de Deus (Gn 1.26-27). Parte de ter sido criado à imagem de Deus é a capacidade de conhecer e reconhecer a Deus (Cl 3.10; cf. Rm 1.21). Contudo, nossa teologia não é a teologia de Deus, mas “teologia de imagem”, ou apenas o fraco eco e o tênue reflexo do original. Franciscus Junius disse que nossa teologia é “uma cópia e, antes, imagem sombria […] [da] sabedoria ilimitada que Deus possui”.7 Terceiro, fazemos teologia como pecadores contra Deus. Ninguém na terra faz teologia a partir de um ponto de vista de neutralidade. A nossa primeira resposta à verdadeira teologia é resistência: “Ora, o julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más” (Jo 3.19). A humanidade produz sua própria falsa teologia, pela qual jamais pode encontrar a Deus (1Co 1.19-21). João Calvino afirmou: “Eles, portanto, não apreendem a Deus como ele se oferece, mas o imaginam como o moldaram em sua própria presunção.”8 Portanto, devemos arrepender-nos da nossa resistência à Palavra de Deus. Devemos depender, todos os dias, de Cristo para abrir nossa mente, a fim de entendermos as Escrituras (Lc 24.25, 45). Quarto, fazemos teologia como filhos de Deus nascidos de novo, se, pela graça, arrependemo-nos de nossos pecados e confiamos somente em Cristo para a salvação. Deus é o nosso Mestre interior (Jo 6.45). Isso não elimina a necessidade de estudar a Palavra de Deus. Não significa que não precisemos aprender com os mestres humanos que o Espírito Santo dá ao corpo de Cristo. No entanto, abre-se um mundo inteiramente novo de possibilidades. Éramos cegos, mas agora, pela graça, podemos ver (2Co 3.17-18; 4.4-6). Quinto, também podemos fazer teologia como pastores e mestres na igreja, se Deus nos chama para servi-lo dessa maneira. Pastores e mestres têm o chamado especial para estudar teologia, pois são enviados por Cristo para edificar a igreja

Owen, The Mortification of Sin in Believers, em WJO, 6:64. Franciscus Junius, A Treatise on True Theology, with the Life of Franciscus Junius, trad. David C. Noe (Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2014), p. 104. 8 Calvin, Institutes, 1.4.1 [edições em português: João Calvino, As institutas, trad. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Cultura Cristã, 2006), 4 vols.; A instituição da religião cristã, trad. Carlos Eduardo Oliveira e José Carlos Estêvão (São Paulo: Ed. Unesp, 2008); Institutas da religião cristã (São José dos Campos: Editora Fiel, 2018)]. 6 7


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“na unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus” (Ef 4.11-13). Deus exige que sejam “aptos para ensinar” (1Tm 3.2) e “poderosos para exortar pelo reto ensino e convencer os que contradizem” (Tt 1.9). Pastores e mestres jamais devem se acomodar no que já sabem. Paulo exortou Timóteo: “Medita estas coisas e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto” (1Tm 4.15).

Onde fazemos teologia? Onde, neste caso, não se refere ao nosso local, mas à nossa situação entre os homens. Estudamos teologia em meio à humanidade em rebelião contra Deus. A verdadeira teologia sempre toma posição contra o mundo. A vocação do teólogo é sofrer perseguição (Mt 23.33-35). Ele é servo do evangelho que o mundo rejeita. O teólogo pode dizer com Paulo: “Tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus com eterna glória” (2Tm 2.10). Aprendemos teologia na igreja. O apóstolo Paulo não distingue de modo rígido o que é ensinado a estudantes do ministério e o que é ensinado na igreja. Ele diz: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis e idôneos para também ensinarem os outros” (2Tm 2.2). Precisamos da igreja. A perseverança na sã doutrina e na vida santa requer relacionamentos piedosos (Hb 3.13; 10.23-25). Paulo diz que a nossa teologia é enriquecida ao cultuarmos com a igreja: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração” (Cl 3.16). A vida não se resume a trocar ideias por meio de leitura e escrita, mas sim à comunhão face a face com pessoas reais. João declarou: “Pois tinha muito que vos escrever, não quis fazê-lo com papel e tinta, pois espero ir ter convosco e conversar pessoalmente, para que a nossa alegria seja completa” (2Jo 12). A comunhão com Deus e com pessoas piedosas é o objetivo da teologia: “O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo” (1Jo 1.3).

Quando fazemos teologia? Ao perguntar: “Quando fazemos teologia?”, o quando não se refere a fases da nossa vida ou a horários na nossa agenda, mas ao tempo da história no qual nos encontramos. Cristãos são teólogos durante sua peregrinação rumo à glória. Ainda


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não chegamos lá (Fp 3.12). Somos viajantes e forasteiros. Teólogos sábios, como os santos de antigamente, “confessaram que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra” (Hb 11.13). Só cristãos tolos e imaturos pensam que já reinam e se tornaram sábios (1Co 4.8, 10). Assim, a nossa teologia ainda não é a teologia da visão, pois ainda não vemos a Cristo (1Jo 3.2). “Porque, em parte, conhecemos”, mas um dia veremos “face a face” (1Co 13.9-12). Junius disse: “Quanto mais somos chamados a avançar ao longo de todo o curso desta nossa vida miserável, mais sentimos nossa própria ignorância e fraqueza.” Assim, “a verdadeira humildade […] ocupa o primeiro e mais importante lugar na teologia”.9 Cristãos também são teólogos durante os últimos dias. Os “últimos dias” não são apenas os poucos anos antes da volta de Cristo. Na verdade, são todo o período entre a primeira e a segunda vindas de Cristo (Hb 1.1-2). Teólogos hoje têm o privilégio de ler a plena revelação que o Filho de Deus nos deu após sua encarnação. Fazer teologia nos últimos dias também implica, porém, que nossa tarefa está repleta de perigos. Os últimos dias são tempos de erro na igreja professan­te (1Tm 4.1; 1Jo 2.18). Portanto, não devemos recuar diante do chamado para defender a fé e para disciplinar cristãos professos quando falsos ensinamentos se infiltram na igreja.

Conclusão Podemos comparar a teologia ao ato de contar uma história. É a grande história de Deus, da criação, da queda do homem, da redenção realizada, da redenção aplicada, de um novo povo formado e da restauração de todas as coisas. Não é apenas uma história que lemos, mas a nossa história. Por isso, não podemos fingir que somos observadores neutros ou distanciados. Antes, devemos fazer teologia conscientes do nosso lugar na história. Faça uma pausa neste ponto e examine a si mesmo. Você é adorador e servo amoroso do Criador? Você crê que foi criado à imagem de Deus, uma pessoa que pode ter verdadeiro conhecimento de Deus, mas jamais alcançar as profundezas infinitas dele? Você reconhece a corrupção moral de sua alma? Você depende de Cristo para trazer luz à sua escuridão interior e vencer a rebelião do seu coração? Se você é pastor, mestre ou estudante de teologia, você a aborda com senso de vocação divina para “labutar na palavra e na doutrina” (1Tm 5.17)? Você considera a teologia um chamado para sofrer perseguição, ou uma oportunidade de se

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Junius, A Treatise on True Theology, p. 232.


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exaltar ou se promover neste mundo? Você faz teologia em relacionamento com verdadeiros amigos cristãos, com os quais você adora regularmente na igreja? Você estuda teologia como peregrino que ainda está longe da glória? Como a convicção de viver nos últimos dias preenche seu estudo de teologia com a noção de privilégio, urgência e expectativa do Dia do Juízo?

Cânticos sugeridos para cantar ao Senhor • •

Salmo 119.33-40, “Teach me, O Lord, Thy way of truth” [Ensina-me, ó Senhor, o teu caminho da verdade], em Psalter, nº 325; THBap, nº 451. “Break thou the bread of life, dear Lord, to me” [Parte para mim o pão da vida, querido Senhor], em THBap, nº 256.

Questões para meditação ou discussão 01. O que é doutrina? 02. O que é teologia? 03. O que é teologia sistemática? 04. Que definição de teologia foi dada por Ames e ampliada por Van Mastricht? 05. Como essa definição nos encoraja a reconhecer que a verdadeira teologia é prática? 06. A teologia deve ser considerada melhor como conhecimento, sabedoria ou ambos? Por quê? 07. Como nossa criação à imagem de Deus nos capacita a fazer teologia? 08. Como o afeta pessoalmente saber que uma testemunha fiel da verdadeira teologia sofrerá perseguição? Como você a tem experimentado? 09. Que diferença faz estudar teologia como peregrinos a caminho da glória, em contraste com aqueles que já chegaram à glória? 10. Como viver amizades na igreja pode nos ajudar a ser teólogos melhores?


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