O que ambiciono num encontro analítico? Um encontro capaz de encontrar, um encontro que se situa na contracorrente do conforto alcançado no quarto alienante. O quarto alienante deixa a loucura no canto e mantém a palavra desvitalizada, desinvestida, estanque. O encontro que encontra subverte o quarto alienante e permite metamorfose.
PSICANÁLISE
Cada vez que colocamos no papel uma experiência clínica, a questão da inclusão e exclusão do narrador se apresenta. Tomado por um ideal de assepsia, envolto numa espécie de armadura, escreve-se um texto inteligente, erudito, controlado. Quase nada se transmite de si para si, de si para o outro. Uma escrita imóvel, estática, uma narrativa que não abre para o desconhecido, aquele desconhecido que entra e inquieta e atrapalha. Se tivesse que advogar sobre os escritos da clínica psicanalítica, defenderia que fossem menos erudição e mais crônica. As crônicas apresentam uma linguagem aberta, espontânea, situada entre a livre oralidade cotidiana e a precisa brevidade poética. Isso contribui também para que o leitor se identifique com o cronista, que acaba se tornando o porta-voz daquele que lê.
Narciso sob tinta
Psicanalista e escritora, membro efetivo e didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Campinas. Mestre em Humanistic Psychology pela Antioch University (Antioch for British Studies, Londres). Doutora em Ciências Médicas pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Autora de livros e artigos publicados em revistas nacionais e internacionais. Recebeu os prêmios Revista Lationoamericana de Psicoanálisis no Congresso de Psicanálise da Fepal em 2010, Psicanálise e Liberdade no Congresso de Psicanálise da Fepal em 2012 e Revista Brasileira de Psicanálise no Congresso Brasileiro de Psicanálise em 2013.
Lamanno-Adamo
Vera Lamanno-Adamo
Vera Lamanno-Adamo
Narciso sob tinta Fisgando o humano
PSICANÁLISE