Rank
Nos quatro textos compilados neste livro, até então inéditos em português, o leitor terá acesso ao estilo e método com que Otto Rank analisava obras literárias, manejando com rigor e criatividade o conceito freudiano, central, de fantasia. “No entanto nós, os nascidos muito tarde, os netos sobrecarregados com todos os avanços mas também com todos os achaques das gerações transidas, estamos incumbidos de encontrar em nosso interior o reequilíbrio para todas as emoções antagônicas cuja manifestação determina ainda o destino do indivíduo, dos povos e, por fim, da humanidade, de forma tão inalterada ainda hoje como proclamam as poesias épicas de milênios passados, muito antes que nós estivéssemos aqui para escutá-los, e ainda muito depois que o bramido intrusivo do presente se houver esvanecido em nossos ouvidos fatigados” (Rank, em “Homero: contribuições psicológicas para a gênese da épica popular”).
PSICANÁLISE
A formação poética da fantasia e textos selecionados
Foi um dos primeiros discípulos de Freud, dos poucos que não eram médicos. Sem ter finalizado ainda um curso universitário, foi estimulado por Freud a desenvolver sua pesquisa de doutoramento em Letras, e em 1912 defendeu sua tese, em que interpretava a saga de Lohengrin – a primeira tese acadêmica a empregar métodos e conceitos freudianos. Membro essencial do movimento psicanalítico incipiente, Rank publicou diversos textos e livros, sobretudo nas áreas de mitologia, religião e análise literária. Em 1925, aproximadamente, rompe com Freud e, após uma breve estadia em Paris, muda-se para Nova Iorque, nos Estados Unidos. Morreu em 1939, cerca de um mês depois da morte de Freud.
Otto Rank PSICANÁLISE
Otto Rank (1884-1939)
A formação poética da fantasia e textos selecionados
Na história da psicanálise, convencionou-se designar como “discípulos de Freud” aqueles primeiros psicanalistas formados e analisados pelo “grande homem”, com quem ele se reunia semanalmente e discutia suas ideias germinantes. Foram necessárias décadas para que nós, “os nascidos muito tarde”, nos apercebêssemos de que eles não jaziam meramente à sombra de Freud, mas desenvolviam obras singulares, criativas, enriquecedoras. Otto Rank, o literato do grupo, não apenas emprega conceitos freudianos na análise literária, mas também os desenvolve e os amplia, contribuindo para os alicerces de uma teoria psicanálise da arte e do processo artístico criador. Pedro Fernandez de Souza