Claudia Thereza Guimarães de Lemos, no “Prefácio”
PSICANÁLISE
PSICANÁLISE
Ainda que Souza Jr. confesse ser J.-C. Milner quem o inspira a fazer do amor da língua um motivo para pôr a integridade desta à prova da poesia, quem rege as muitas vozes que no livro se cruzam para dizer da ruptura que a poesia opera na língua ou para testemunhar sobre a poesia são três figuras singulares no que diz respeito ao modo como responderam ao poético enquanto provocação. São eles dois linguistas insignes (F. de Saussure e R. Jakobson) e um psicanalista não menos insigne ( J. Lacan): é a partir de cada um deles que o autor encara as entranhas do poético. E ele não deixa Jakobson falar sozinho, nem Lacan: coloca-os para conversar [...] com M. Foucault, J.-P. Brisset, com filósofos, poetas e loucos, sobre língua, linguagem e poesia. O autor se aproxima daqueles que se voltaram para o que há aí de perturbador não para colher deles um saber sobre o poético, mas como testemunhas do que na língua convoca a escutar outra palavra.
O fluxo e a cesura
É psicanalista e tradutor. Bacharel e doutor em linguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas, realizou pós-doutoramento pela Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atuou como professor associado na Universitatea Alexandru Ioan Cuza, em Iași, e como tradutor residente no Institutul Cultural Român, em Bucareste. É pesquisador associado dos grupos de pesquisa Outrarte (Unicamp) e Tradução e Psicanálise (UnB). Um dos editores da Lacuna: uma revista de psicanálise, também coordena a Série pequena biblioteca invulgar na Editora Blucher.
Souza Jr.
Paulo Sérgio de Souza Jr.
Paulo Sérgio de Souza Jr.
O fluxo e a cesura Um ensaio em linguística, poética e psicanálise
Para além de um ensaio em linguística, poética e psicanálise, este livro perfaz um traslado que começa com a invenção de uma flor e, como desfecho, dá voz a uma poeta em seu juízo final da palavra. Para introduzir essa viagem, o autor convoca a ninfa Eco, o deus Pã e as sirenas: voz, música e canto colocam o leitor no fio da limitação do e no verbo; no perigo do conhecimento e no enlevo que pode fazer esquecer. A forma do texto e o modo como é apresentado — através de figuras e imagens retiradas da mitologia — tecem aquilo que jaz sob os ditos e, em seu fracasso, insiste em se fazer ouvir. Ao leitor, a instigante tarefa de, acompanhando o caminho aqui traçado, desvendar e recolher os sentidos que se dão à escuta no fluxo e em seus cortes. Nina Virgínia de Araújo Leite