Daniel Kupermann Psicanalista e professor livre docente do Instituto de Psicologia da USP PSICANÁLISE
PSICANÁLISE
Durante décadas psicanalistas reproduziram uma postura preconceituosa face à educação. A concepção de que o projeto civilizador se sustenta sobre a repressão e sobre o imperativo para que o sujeito sublime suas pulsões, implicava que toda educação seria repressora e contrária à ética da psicanálise. No entanto, a “hipótese repressiva”, como a nomeou Foucault, deu lugar à compreensão de que o desejo e a sexualidade não são “naturais”, mas o produto de configurações históricas e transformações criativas frente ao instituído. Sándor Ferenczi e Donald Winnicott conceberam que uma educação psicanaliticamente orientada seria capaz de fornecer ao sujeito e à comunidade ferramentas para a emancipação da moralidade vigente. O livro que Alexandre Patricio de Almeida nos apresenta é fruto de extensa pesquisa acadêmica e de ampla experiência em instituições educacionais. Suas reflexões nos indicam a evidência de que pensar o sujeito dissociado do campo educativo seria regredir a uma psicanálise naturalista, ingênua e, portanto, estéril; assim como pensar a tarefa educacional desconsiderando a pulsão e o desejo implicaria tolher a capacidade criadora das nossas crianças e adolescentes.
Por uma ética do cuidado
Filipe Pereira Vieira
Almeida
Winnicott é um autor indispensável para a compreensão da psicanálise. Ele ganhou reconhecimento por conta de suas observações de crianças – o que lhe concedeu material suficientemente bom para a elaboração de uma teoria do desenvolvimento, considerada por alguns autores como “um novo paradigma na psicanálise”. Para esse autor, o momento significativo do processo analítico é quando o paciente se surpreende com a sua própria descoberta, bem como uma criança cria o mundo que já está lá para ser usufruído. Assim como Winnicott, que também escrevia para o público leigo, Alexandre Patricio de Almeida, movido pelo seu instinto pedagógico, tem a aptidão de esmiuçar conceitos da teoria psicanalítica e transmiti-la ao leitor de forma acessível e consistente – sem perder o rigor acadêmico. Este é um livro essencial (e por que não de cabeceira?) para pais, educadores e psicanalistas que querem se aprofundar na obra de D. W. Winnicott, e entender o que realmente é uma ética do cuidado.
Alexandre Patricio de Almeida
Alexandre Patricio de Almeida
Por uma ética do cuidado
Winnicott para educadores e psicanalistas Volume 2
Psicanalista, pedagogo e psicopedagogo, o autor atendeem consultório particular. Diretor do Colégio Patricio. Mestre e doutor em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professor universitário. Autor de diversos livros e artigos científicos. Membro da International Winnicott Association (IWA). Proprietário da conta @alexandrepatricio no Instagram, em que compartilha diversos conteúdos sobre psicanálise, cultura e sociedade. Criador do podcast “Psicanálise de boteco” (um dos mais ouvidos do Brasil no Spotify). Atualmente, realiza um estágio de pós-doutorado na PUC-SP, trabalhando com a comparação de linhagens psicanalíticas.