Telles
Nesses 21 textos (resenhas, artigos, ensaios), Sérgio Telles transita por um amplo leque de assuntos. Sempre por meio das lentes psicanalíticas, aborda autores como Peter Handke, Proust, Henry James, Derrida, e temas como negacionismo, a constituição atual das famílias, os chamados “casos difíceis”, a relação entre melancolia e política, o patriarcado, a mentira, o matricídio, a ética da psicanálise, a tortura, a internet, o consumo, a pedofilia. Além de sua dimensão clínica, a psicanálise é uma poderosa força que moldou profundamente a cultura do século XX, transformando usos e costumes sociais. A profundidade de seu saber sobre o inconsciente é imprescindível para a compreensão dos muitos conflitos que atormentam a sociedade. Sua vitalidade se comprova nas polêmicas que continua a provocar. Sem abrir mão do rigor teórico em seu diálogo com o leitor, a escrita fluida e acessível de Sérgio Telles torna prazerosa a leitura destes Ensaios psicanalíticos.
PSICANÁLISE
Ensaios psicanalíticos
Psicanalista e escritor, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae (São Paulo), no qual coordena o grupo Psicanálise e Cultura e integra o corpo editorial da revista Percurso. Membro fundador da Associação Brasileira de Psicanálise de Casal e Família (ABPCF). Tem artigos publicados em revistas especializadas e na grande imprensa. Autor de vários livros de literatura e psicanálise, entre eles Mergulhador de Acapulco, O psicanalista vai ao cinema (4 volumes), Fragmentos clínicos de psicanálise, Visita às casas de Freud e outras viagens. Ganhador do Prêmio APCA (Associação Paulista de Criticos de Arte) na categoria Literatura – Contos em 2002. Foi colunista do jornal O Estado de São Paulo de 2011 a 2013.
Sérgio Telles PSICANÁLISE
Sérgio Telles
Ensaios psicanalíticos
(…) Um outro fator que reforça a presença da melancolia na política decorre do fato de vermos os políticos como figuras paternas fortes, a quem devemos obediência e gratidão. Não queremos fazer o luto pelo desejo infantil de manter a dependência de pais protetores, consequentemente não podemos assumir nossa plena autonomia adulta, que nos faria ver os políticos de forma bem diferente, exigindo deles a prestação de contas pelo poder que lhes outorgamos, sem nos entregarmos à sedução de demagogos e populistas que deliberadamente manipulam nossos anseios mais regressivos. A forma como hoje a tecnologia possibilita a circulação da informação leva à proliferação desenfreada das fake news e a manipulações sociais as mais variadas, mas também pode facilitar uma salutar desidealização dos políticos, os antigos “grandes homens” que guiavam a sociedade. Tais figuras estão agora muito mais expostas, percebemos mais claramente seu despreparo, sua ignorância, sua irresponsabilidade, sua corrupção. (do texto “Política e Melancolia”)