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A primeira edição deste livro foi publicada há mais de duas décadas. Sua peculiar trajetória sustenta por si só a decisão de relançá-lo agora. Havia então uma efervescência no pensamento psicanalítico: ideias como medicalização e depressão decorrente de condições sociais eram recebidas com reserva entre alguns psicanalistas. Apenas dez anos depois esta obra encontrou eco entre psicanalistas, psiquiatras e alunos em formação. A discussão central aqui empreendida permanece válida, pois a culpabilização individual e o aprisionamento dos sujeitos à lógica depressiva seguem sendo os principais pilares de sustentação de um modo de vida no qual a grande maioria das populações mundiais sobrevive em condições miseráveis.
série
PSICANÁLISE CONTEMPORÂNEA Coord. Flávio Ferraz PSICANÁLISE
Depressão & doença nervosa moderna
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Psicanalista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo e professora do Curso de Psicanálise desse mesmo instituto. É mestre e doutora em Psicologia Social pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) com pós-doutorado pelo Departamento de Psicologia Social do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP). É autora do livro O tempo e os medos: a parábola das estátuas pensantes (Blucher, 2017).
Borghese
Maria Silvia Borghese
Maria Silvia Borghese
Depressão & doença nervosa moderna 2ª edição
PSICANÁLISE
Capa_Borghese_Depressao e doenca nervosa_P3.pdf 1 07/02/2024 10:57:51
Este livro trata da depressão na atualidade, tendo como referência a perspectiva psicanalítica, colocada em discussão a partir dos recursos da teoria crítica. A generalização do diagnóstico de depressão decorre de políticas que a tomam como fenômeno a-histórico, referido à individualidade. O diagnóstico banalizante e a terapêutica medicalizada da depressão a tornam fator de reprodução de uma sociedade que se nega a reconhecer que suas condições estruturais são produtoras de sintomas, sofrimentos e mal-estar. A relevância deste livro se mantém após vinte anos de sua publicação, uma vez que o desenvolvimento de sua proposta demonstra a trama que contraria tanto os arautos do fim da História quanto os de nossa inevitável subjugação aos algoritmos, propondo o retorno à melhor tradição de crítica social psicanalítica.
Maria de Fátima Vicente