Capa_Hassoun_Contrabandistas_P4.pdf 1 06/06/2023 08:59:26
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Dor e Existência
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em suas diferenças, das dores que
Escondidas do olhar alheio, parecem ter mais relação com o olho que vê do que com o ouvido que escuta. Mas o contrabandista é raramente consciente daquilo que porta. Ele é como um fraudador que, quando chega na alfândega, se dá conta com horror de que carregava, com toda boa intenção, mercadorias que de pronto, sob o olhar indignado ou inquisidor do outro, se revelam proibidas. Contrabandista sem o saber, esse homem não usa jargões, mas em sua escritura aparecem, como com Albert Cohen, que escrevia em francês – e com que elegância –, elementos de uma língua que há muito não se usa mais. Assim, como filigranas, o natural de Corfu ou o crioulo, o parisiense de Belleville ou o italiano, o alsaciano, o espanhol ou o árabe, vêm marcar com seu selo um estilo, dotando-o de um perfume incomparável. Desse modo, tal literatura, ou deveríamos dizer toda a literatura, irá carregar nas páginas mais sublimes ou nas mais banais, nas mais preciosas ou nas mais clássicas, paisagens e perfumes, barbarismos e os termos em desuso que testemunham e palpitam com vivacidade esta coisa atapetada no mais profundo da nossa subjetividade: a língua do contrabando.”
Jacques Hassoun
Importa-nos justamente levar
ao público os títulos que tratam, acompanham as situações-limite – perdas radicais, violência,
Os contrabandistas da memória
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Nasceu no Egito, em 1936, de pais oriundos de uma tradicional comunidade judaica egípcia. Ateísta judeu, sua juventude foi marcada pela militância política junto aos movimentos de base marxista-sionista até ser preso sob a acusação de “comunista” e expulso do Egito aos 18 anos, vindo a se estabelecer na França onde formou-se em psiquiatria e iniciou seus estudos em psicanálise. Mais tarde, aproximando-se de Jacques Lacan, tornou-se membro da Escola Freudiana de Paris em 1979. Após Lacan dissolver sua Escola em 1980, Jacques Hassoun cofundou a Escola de Psicanálise Cercle Freudien de Paris. O autor é reconhecido tanto pela série de publicações dedicadas à preservação da memória e do patrimônio cultural dos judeus egípcios quanto por diversos livros e artigos sobre a práxis psicanalítica. Morreu aos 62 anos, em 1999.
“As línguas de contrabando são um pouco de tudo isso: elas são queridas, adoradas, são propriedade daqueles que se creem seus depositários. Elas são uma música, uma melodia, um embalar; são invocadas ou convocadas para consolar ou para sustentar grandes indignações, sagradas e ridículas indignações.
Hassoun
Jacques Hassoun
Série
racismo e outras intolerâncias e abusos diversos –, considerando que a patologia do particular está intrinsecamente relacionada com as patologias do social. Sem a pretensão de esgotar essas
PSICANÁLISE
situações e seus efeitos disruptivos, desejamos que cada livro possa
Jacques Hassoun
contribuir para enlaçar e intercambiar saberes e
Os contrabandistas da memória
experiências, na aposta de que algo sempre se transmite, ainda que com furos e, às vezes, de modo artificioso.
”
Cibele Barbará
PSICANÁLISE
Miriam Ximenes Pinho-Fuse Série
Dor e Existência
Sheila Skitnevsky Finger Organizadoras da série