Skip to main content

Chuva n'alma

Page 1

Marina F. R. Ribeiro

Luís Cláudio Figueiredo

Professor aposentado do IPUSP, professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da PUC-SP e membro do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro. Autor de diversos livros, sendo o mais recente A mente do analista (Escuta, 2021).

A escrita deste livro entrelaça a simplicidade (aparente) que, paradoxalmente, solicita uma pesquisa densa e um reconhecimento das inúmeras tarefas demandadas pelo viver, rumo à construção de uma metapsicologia da vitalização. Trata-se, pois, de uma reflexão sobre a função vitalizadora do analista, de que se mantém atento e fiel a essa dialética entre o simples e o complexo, considerando a espessura, as arestas e as camadas que se sobrepõem, se encontram e se desencontram no que constitui a simplicidade. Para além das categorias diagnósticas e da dicotomia entre saúde e doença, mas sem deixar de levá-las em conta, este livro trata do que é essencialmente o vivo, que por vezes se apresenta como ausência, vida franzina, vitalidade esmorecida e até mesmo como um nada. Algo que acontece, é bom lembrar, não só do lado do paciente, uma vez que se trata de uma dança e/ou queda em que ele e seu analista se envolvem. Como escreveu Clarice Lispector, “que ninguém se engane, só se consegue simplicidade através de muito trabalho”. série

PSICANÁLISE CONTEMPORÂNEA Coord. Flávio Ferraz PSICANÁLISE

Chuva n’alma

Doutora pela PUC-SP e professora do IPUSP, onde é coordenadora do LipSic (Laboratório Interinstitucional de Estudos da Intersubjetividade e Psicanálise Contemporânea). Autora de diversos livros, entre os quais Por que Klein? (Zagodoni, 2018), e organizadora de Por que Ogden? (Zagodoni, 2023) e Vastas emoções e pensamentos imperfeitos: Diálogos bionianos (Blucher, 2023).

Fátima Flórido Cesar Marina F. R. Ribeiro Luís Claudio Figueiredo

Chuva n’alma A função vitalizadora do analista

PSICANÁLISE

Doutora e pós-doutorada pela PUC-SP e pelo IPUSP; autora dos livros Dos que moram em móvel-mar: elasticidade da técnica psicanalítica (Casa do Psicólogo, 2003), Asas presas no sótão: psicanálise dos casos intratáveis (Ideias e Letras, 2009) e Do povo do nevoeiro (Blucher, 2019).

Cesar | Ribeiro | Figueiredo

Fátima Flórido Cesar

Tantas vezes ouvimos aproximações entre a linguagem do sistema consciente como prosa e a linguagem do sistema inconsciente como poesia. Repenso esta citação sempre que me deparo com textos tão precisos em sua beleza e me deixo surpreender pela poesia, implícita ou explícita, que deles emerge envolvendo e transcendendo a prosa. Bion enfatizava sua preferência pela dicotomia finito-infinito à dicotomia clássica consciente-inconsciente. Isto poderia nos levar a pensar a prosa como finita e a poesia como infinita. Talvez, em termos, mas julgo que estaríamos sendo injustos com a prosa. Poesia e prosa se emaranham no infinito. Freud conta uma situação em que caminhava pelas montanhas, uma natureza maravilhosa, junto com um poeta e um escritor que conversavam ao longo do caminho. A certa altura parou, deslumbrado com a paisagem, e apontou-a a seus companheiros de jornada. Deu-se conta de que eles nem tinham reparado na poesia explícita que dela emanava. Aos autores deste livro, cada um à sua maneira tão pessoal, não escapa a poesia da natureza humana.

Ignacio Gerber


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Chuva n'alma by Editora Blucher - Issuu