Ano 26 - nº302- 2026

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Ano 26 - nº302- 2026

Quando a transformação digital chega ao regulador, nova geração de investimentos no Brasil, Lighthouses da Indústria Farmacêutica, e muito mais...
Saúde mental no ambiente de trabalho: da indiferença à prioridade
BESS: importância em um sistema projetado para escassez
IA Física é a próxima fase da inteligência artificial





Durante décadas, a competitividade da indústria farmacêutica esteve associada à descoberta de novas moléculas. Hoje, em um mundo marcado pela explosão dos medicamentos biológicos, terapias celulares, vacinas de RNA, medicina personalizada e inteligência artificial, a capacidade de transformar inovação científica em produção industrial se tornou tão importante quanto a própria pesquisa. Não por acaso, estudos recentes mostram que a maior parte dos atrasos na chegada de novos medicamentos ao mercado acontece por conta dos desafios relacio- nados à manufatura, ao controle da qualidade e às exigências regulatórias. Em outras palavras, a fábrica passou a ser protagonista da inovação. Mas essa transformação digital deixa de ser responsabilidade exclusiva das fá- bricas. Com iniciativas como o AnvisAI, a implantação do eCTD e a consoli- dação do Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM), a própria regulação brasileira passa a exigir processos mais digitais, dados estruturados e rastreabilidade de ponta a ponta. Produzir bem continuará sendo essencial, mas produzir dados confiáveis será igualmente determinante. E nessa mesma linha, os grandes fóruns internacionais de tecnologia têm mos- trado que a inteligência artificial entrou em uma nova fase: já não se fala apenas em IA generativa, mas em IA física, embarcada e distribuída, integrada a sen- sores, robôs, instrumentos, sistemas de visão computacional e equipamentos capazes de tomar decisões em tempo real no ambiente industrial. Na indústria farmacêutica, isso significa linhas de produção mais autônomas, manutenção preditiva mais precisa, controle contínuo da qualidade e operações cada vez mais orientadas por dados. Entretanto, essa nova revolução tecnológica também impõe um desafio me- nos visível. Toda essa inteligência depende de uma infraestrutura energética igualmente inteligente. A expansão dos data centers, da computação de alto desempenho e da eletrificação industrial aumenta a demanda por energia jus- tamente quando o setor elétrico enfrenta gargalos de transmissão, limitações na expansão da rede e episódios de curtailment que restringem o aproveitamento da geração renovável. O futuro da manufatura inteligente dependerá, portanto, da convergência entre digitalização e segurança energética, combinando redes mais resilientes, armazenamento, automação dos sistemas elétricos e fontes renováveis capazes de sustentar uma indústria cada vez mais intensiva em pro- cessamento de dados. Para os profissionais de automação, instrumentação e tecnologia industrial, esse movimento representa uma oportunidade histórica. A transformação da indús- tria farmacêutica não acontecerá apenas nos laboratórios de pesquisa. Ela será construída, sobretudo, nas linhas de produção - e também na infraestrutura digital e energética que sustentará essa nova era da manufatura inteligente. É nesse encontro entre ciência, engenharia, inteligência artificial e energia que nasce a próxima fronteira da competitividade industrial. E tudo isso você, leitor, fica sabendo nos nossos encontros diários pelas mídias sociais, nas nossas news- letters semanais e nas edições bimestrais.
Boa leitura! O editor.
Colaboraram nesta edição com informações e imagens, as assessorias de imprensa

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COVER PAGE
38. Novas fronteiras da Pharma 4.0

46. Lighthouses da indústria farmacêutica
58. Uma nova geração de investimentos
71. anvisAI: Quando a transformação digital chega ao regulador
78 pág.86 pág.95 pág.145 pág.117 pág.166 pág.106 pág.175 CIBERSEGURANÇA SPECIAL pág.22 pág.35

A CERTI formalizou um termo de cooperação técnica com a Abendi - Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção, uma das principais entidades técnico-científicas do país nas áreas de inspeção, normalização, qualificação e certificação de profissionais. Ampliando iniciativas conjuntas voltadas ao desenvolvimento tecnológico da indústria brasileira, a parceria tem foco em metrologia, ensaios não destrutivos, inspeção e integridade estrutural, áreas estratégicas para elevar a confiabilidade, a segurança operacional e a competitividade de setores industriais.
Em um contexto em que a indústria brasileira demanda por soluções cada vez mais qualificadas para assegurar desempenho e competitividade, a cooperação fortalece um ecossistema orientado à inovação e com capacidade de contribuir para

a validação de processos, a qualificação de componentes críticos e a redução de riscos em operações industriais. O acordo prevê a prospecção conjunta de oportunidades, o desenvolvimento de projetos tecnológicos e a construção de uma agenda colaborativa entre pesquisa aplicada, infraestrutura tecnológica e demandas reais do setor.
Entre os temas prioritários da cooperação estão o desenvolvimento e a aplicação de métodos avançados de inspeção e caracterização, a qualificação de peças críticas produzidas por manufatura aditiva e a metrologia dimensional e volumétrica. A parceria também contempla confiabilidade e integridade de ativos, capacitação técnica, disseminação de conhecimento e apoio à maturidade tecnológica de novas aplicações industriais.

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A Food and Drug Administration dos EUA anunciou a seleção de sete empresas para participar do programa-piloto PreCheck como uma coorte inicial de novas instalações de fabricação farmacêutica.
Escolhidos entre mais de 80 candidatos, a lista de participantes inclui as empresas da Big Pharma Eli Lilly e Regeneron Pharmaceuticals, além de organizações contratadas de desenvolvimento e fabricação (CDMOs) Cellares e Fujifilm Biotechnologies. Outras empresas selecionadas para o programa piloto são Amneal Pharmaceuticals, Kriya Therapeutics e Kyowa Kirin.
O programa-piloto tem como objetivo apoiar o desenvolvimento de novas instalações farmacêuticas nos EUA, incentivando o engajamento antecipado da FDA e proporcionando um caminho regulatório mais previsível para empresas que planejam fabricar medicamentos para o mercado americano, ajudando a apoiar maior acesso a medicamentos críticos para os americanos.
Três das instalações-piloto estão na Carolina do Norte: o local da Fujifilm em Holly Springs apoiará a bioprodução em cultura celular em escala comercial, a unidade da Kriya em Durham fabricará produtos de te -


rapia gênica baseados em AAV para condições crônicas, e o local da Kyowa Kirin em Sanford produzirá substâncias farmacêuticas biotecnológicas para doenças raras.
Duas instalações foram selecionadas em Nova York: o local da Amneal em Long Island fabricará produtos líquidos estéreis de pequenas moléculas para manejo da dor, doenças respiratórias e oftalmológicas, enquanto a unidade da Regeneron em Saratoga Springs produzirá substâncias farmacêuticas biotecnológicas, injetáveis estéreis e novas terapias proteicas para múltiplas doenças.
O local da Eli Lilly em Lebanon, Indiana, fabricará ingredientes farmacêuticos ativos em apoio aos medicamentos existentes e futuros da farmacêutica. A unidade da Cellares
em Bridgewater, Nova Jersey, produzirá produtos de terapia gênica baseada em células para doenças oncológicas e hematológicas.
A escolha de Cellares e Fujifilm é significativa, pois permanecem dúvidas sobre a aplicabilidade do atual framework PreCheck para CDMOs puramente utilizados. Vários aspectos do programa parecem voltados para que os fabricantes desenvolvam produtos internamente, enquanto desafios exclusivos da manufatura terceirizada permanecem não resolvidos.
A Cellares destacou, em um comunicado à imprensa, destacou o fato de que é a única plataforma de terapia celular entre as sete empresas selecionadas para o programa piloto.

“Riscos de fabricação e instalações geralmente são aqueles que ninguém considera até uma inspeção de pré-aprovação ou uma carta de resposta completa, muito depois de um patrocinador ter apresentado o pedido. O PreCheck adianta essa conversa vários anos, para um momento antes mesmo de uma instalação estar em operação, o que a tira do caminho crítico. Para os patrocinadores que constroem e comercializam na plataforma da Cellares, isso significa que a manufatura é a única coisa que não vai atrapalhar a terapia deles da aprovação regulatória.”
Eric Fulmer,
vice-presidente
sênior de qualidade global da Cellares


Mais perguntas do que respostas
Lançado em agosto de 2025, o PreCheck faz parte da resposta da FDA à Ordem Executiva 14293 do presidente Donald Trump, que pede alívio regulatório para promover a produção doméstica de medicamentos críticos. O programa da agência adota uma abordagem em duas fases para ajudar a facilitar novas instalações de fabricação de medicamentos nos EUA e otimizar aspectos das avaliações das instalações antes da aplicação específica de um produto.
Para serem elegíveis ao programa piloto, as empresas “propuseram uma nova unidade de fabricação doméstica que será capaz de fabricar produtos farmacêuticos para atender a uma necessidade de fornecimento no mercado ou melhorar o acesso dos pacientes a terapias para necessidades médicas não atendidas”, segundo a FDA. Empresas elegíveis também se comprometeram a enviar um Pedido de Novo Medicamento (NDA), Pedido de Licença de Biológicos (BLA), Pedido Abreviado de Novo Medicamento (ANDA) ou um suplemento a um desses pedidos que dependa da nova unidade de fabricação.
Na fase de prontidão da instalação, as empresas receberão orientações técnicas antecipadas da FDA antes de suas instalações entrarem em operação, incluindo revisões das informações da instalação enviadas por meio de um Arquivo Mestre de Medicamentos es -

pecífico para cada unidade, permitindo que a agência avalie e aumente a prontidão da instalação antes do envio de um pedido de medicamento ou biológicos.
Na fase de submissão da solicitação, as empresas terão oportunidades para um “engajamento aprimorado” com a FDA por meio de reuniões pré-submissão focadas em instalações, que têm como objetivo apoiar a “avaliação acelerada da instalação” e permitir inspeções mais cedo no ciclo de revisão, segundo o anúncio da agência.
Embora os atores do setor geralmente apoiem o esforço da FDA para engajar os fabricantes mais cedo no desenvolvimento das instalações, permanece a incerteza sobre como o programa será implementado, com dúvidas sobre a consistência do modelo para funcionar em escala.
Considerando que o piloto tem como objetivo apoiar uma ampla gama de ambientes de manufatura, manter expectativas consistentes nessa diversidade será fundamental para preservar a previsibilidade que o programa foi projetado para proporcionar.
Enquanto a FDA trabalha para implementar o piloto, outra questão que ainda persiste é se a agência possui a capacidade de pessoal e operacional necessárias para atender às expectativas do programa, após reduções mais amplas de pessoal no último ano.


A troca de experiências internacionais e o acompanhamento das tendências globais em mobilidade elétrica marcaram a visita técnica realizada pelo Inmetro Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, por meio da Diretoria de Avaliação da Conformidade (Dconf) e da Diretoria de Metrologia Legal (Dimel), à empresa estatal Guangzhou Automobile Group (GAC), uma das principais fabricantes de veículos da China.
Realizada em Guangzhou, a missão deu continuidade à cooperação técnica iniciada entre o Inmetro e a GAC em setembro de 2025. De acordo com Hercules Souza, chefe da Divisão de Regulamentação e Qualidade Regulatória (Direq/Dconf), as informações obtidas durante a missão contribuirão para as análises técnicas e regulatórias em desenvolvimento no Brasil.
“Foram discutidos temas estratégicos relacionados à regulamentação de baterias, sistemas de abastecimento para veículos elétricos e metodologias de ensaio utilizadas na etiquetagem de eficiência energética desses veículos”, afirmou.
A programação incluiu visitas às instalações industriais da GAC, permitindo à equi-

pe do Inmetro conhecer de perto os processos produtivos e de reciclagem de baterias, além de acompanhar as soluções tecnológicas apresentadas pela empresa para o mercado de veículos elétricos.
“As informações compartilhadas durante a visita servirão como importantes subsídios para o avanço dos estudos conduzidos pelo Inmetro nas áreas de baterias, infraestrutura de recarga e eficiência energética, fortalecendo nossa atuação em um setor que passa por rápida transformação tecnológica”, concluiu Hercules.
Além da visita à GAC, a missão incluiu uma reunião com o China Automotive Technology & Research Center (CATARC), reconhecido como o principal centro de pesquisa, testes e homologação da indústria automotiva chinesa, que atua em diversas etapas do ciclo de vida do setor e desempenha papel estratégico no desenvolvimento de políticas e regulamentações para o mercado automotivo daquele país.
O encontro teve como objetivo estreitar o relacionamento institucional e avaliar oportunidades de cooperação entre as organizações.
A Endress+Hauser, presente nos EUA desde 1970, inaugurou duas novas instalações nos Estados Unidos em junho de 2026. Com essas unidades em Greenwood, Indiana, e

Edgmont, Pensilvânia, a empresa está expandindo sua presença no país e fortalecendo sua colaboração com parceiros regionais de vendas e serviços de serviço.

“Com os novos prédios, estamos fortalecendo nossa presença local e garantindo que estamos próximos dos nossos clientes. Ao fazer isso, estamos lançando as bases para um crescimento sustentável.”
Peter Selders, CEO da
Endress+Hauser
A Endress+Hauser investiu aproximadamente €44 milhões na nova instalação em Greenwood, Indiana, que também abriga a nova sede do parceiro de longa data de vendas e serviço George E. Booth Co., além de escritórios modernos e espaços de trabalho para as equipes de vendas, serviço, projetos e soluções, além das funções centrais da empresa. O edifício de aproximadamente 9.800 m2 reúne cerca de 190 funcionários combinados de ambas as empresas sob o mesmo teto.
Um Estúdio Integrado de Design e Inovação promove especificamente o desenvolvimento de jovens talentos nas áreas STEM
e facilita formatos de aprendizagem prática com foco na colaboração com instituições educacionais locais. Recursos sustentáveis, como um sistema geotérmico, painéis solares, gestão da água da chuva e outras medidas ecológicas reforçam o compromisso com a construção energeticamente eficiente. O edifício foi certificado Ouro sob o padrão LEED de sustentabilidade.
Greenwood é a sede da Endress+Hauser USA. Além do escritório do centro de vendas dos EUA, o campus também abriga grandes instalações de produção para tecnologias de medição de fluxo, nível, pressão e temperatura.

“Como uma empresa familiar, defendemos o pensamento de longo prazo, a confiabilidade e a colaboração baseada em parcerias –valores que também se refletem nesses projetos de construção.”
Steven Endress, presidente do Conselho Fiscal

Junto com seu parceiro de vendas e serviço de longa data, Eastern Controls, LLC da Pensilvânia, a Endress+Hauser também inaugurou uma nova instalação de aproximadamente 8.200 metros quadrados em Edgmont, Pensilvânia, a oeste da Filadélfia. Neste local, aproximadamente 90 funcionários de ambas as empresas apoiam clientes de diversos setores com tecnologia de medição de processos e soluções de automação, contribuin-
do assim para o crescimento adicional da região.
Um componente chave é a PTU (Unidade de Treinamento de Processos) expandida para treinamento prático. Além disso, o Northeast Community Career+Education Forum (CCEF), um evento anual voltado para estudantes do ensino fundamental para fomentar a colaboração entre a indústria e as instituições educacionais, será realizado no local no futuro.


Bancos consolidam transformação digital e projetam R$ 50,4 bilhões
tecnologia em 2026
Pesquisa da Febraban mostra que IA, nuvem e cibersegurança passam a compor a infraestrutura estratégica do sistema financeiro, enquanto o mobile banking concentra 83% das transações bancárias no Brasil.
Os bancos brasileiros deverão investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, consolidando uma trajetória de crescimento contínuo dos orçamentos destinados à transformação digital. O montante representa um aumento de 8% em relação a 2025 e reforça uma tendência observada ao longo dos últimos cinco anos, período em que os investimentos do setor cresceram cerca de 58%,

impulsionados pela expansão da computação em nuvem, inteligência artificial (IA), IA generativa (GenAI), modernização da infraestrutura e fortalecimento da segurança cibernética.
Os dados fazem parte da 34ª Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, elaborada pela Deloitte em parceria com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O estudo ouviu 25 instituições financeiras, que representam aproximadamente 85% dos ativos bancários do País, além de realizar entrevistas em profundidade com 53 executivos de tecnologia entre dezembro de 2025 e março de 2026.
Tecnologia deixa de ser suporte e assume papel estratégico
A pesquisa mostra que a tecnologia deixou de ser um centro de custos voltado à automação operacional para se tornar um ativo estratégico do negócio bancário. O orçamento crescente acompanha a necessidade de suportar novos modelos de relacionamento digital, responder às exigências regulatórias e ampliar a capacidade analítica baseada em dados.
Nesse contexto, cibersegurança aparece como prioridade para praticamente todas as
instituições participantes, seguida por computação em nuvem, inteligência artificial e IA generativa, consideradas fundamentais para elevar a eficiência operacional, acelerar o desenvolvimento de produtos e melhorar a experiência dos clientes.
Segundo a Febraban, a combinação dessas tecnologias também exige investimentos crescentes em infraestrutura digital, modernização de arquiteturas legadas e formação de profissionais especializados.
Mobile banking domina a relação com os clientes
A digitalização do sistema financeiro brasileiro continua acelerada. Em 2025, os bancos registraram 240,8 bilhões de transações, das quais 83% foram realizadas por canais digitais. O mobile banking se consolidou como o principal ponto de contato entre clientes e instituições financeiras, refletindo
a maturidade do ecossistema bancário digital brasileiro.
O avanço também alcança o segmento corporativo. A pesquisa aponta que 63% das transações de pessoas jurídicas já são realizadas por dispositivos móveis, demonstrando que a mobilidade deixou de ser característica exclusiva do varejo bancário.
IA generativa entra na agenda dos bancos
Depois de um período voltado principalmente à experimentação, a IA generativa passa a integrar os planos estruturantes das instituições financeiras.
Os investimentos se concentram em aplicações para automação de atendimento, desenvolvimento de software, análise documental, apoio à tomada de decisão, produtividade interna e gestão do conhecimento. Paralelamente, cresce a pre -

ocupação com governança, qualidade dos dados, gestão de riscos e conformidade regulatória para garantir o uso seguro dessas tecnologias.
Outro movimento destacado pela pesquisa é a expansão da infraestrutura em nuvem, considerada essencial para suportar aplicações baseadas em IA, processamento intensivo de dados e maior escalabilidade dos serviços financeiros.
Segurança cibernética permanece prioridade absoluta
O aumento da digitalização amplia também a superfície de ataque das instituições financeiras. Por isso, a pesquisa mostra que a cibersegurança permanece como prioridade máxima dos investimentos tecnológicos.
Além da proteção contra ransomware, fraudes digitais e ataques à cadeia de suprimentos, os bancos estão reforçando mecanismos de autenticação, monitoramento contínuo, proteção de APIs, gestão de identi-
dade e segurança em ambientes multicloud. A pesquisa destaca que IA e segurança passam a evoluir de forma integrada, com algo -
A transformação tecnológica também aumenta a demanda por profissionais especializados.
Segundo a pesquisa, as instituições financeiras intensificam investimentos em capacitação técnica e atualização permanente das
ritmos sendo utilizados tanto para detectar ameaças quanto para responder automaticamente a incidentes.

equipes, especialmente em áreas como IA, engenharia de dados, computação em nuvem, desenvolvimento de software e segurança cibernética. O objetivo é reduzir a escassez de competências digitais e sustentar o ritmo de inovação do setor.



O principal recado da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 é que os bancos brasileiros consolidam sua evolução para plataformas digitais intensivas em software, dados e inteligência artificial. O crescimento contínuo dos investimentos evidencia que a competitividade do setor depende cada vez mais da capacidade de desenvolver infraestrutura tecnológica resiliente, explorar
dados de forma inteligente e oferecer serviços digitais seguros, escaláveis e personalizados.
Nesse cenário, tecnologia deixa de ser apenas um diferencial competitivo para assumir o papel de infraestrutura essencial da atividade bancária, aproximando as instituições financeiras do modelo operacional das grandes empresas globais de tecnologia.







Convergência entre sensores inteligentes, computação de borda e inteligência artificial inaugura a era da chamada “Physical AI”, capaz de transformar dados em ações automáticas em aplicações industriais, cidades inteligentes e infraestrutura crítica
Após mais de uma década consolidando redes de sensores de baixo consumo energético, o ecossistema de Internet das Coisas (IoT) entra em uma nova fase: a integração entre LoRaWAN (Long Range Wide Area Network) e inteligência artificial (IA). O objetivo deixa de ser apenas conectar dispositivos e coletar dados para permitir que esses sistemas interpretem informações do ambiente,

tomem decisões em tempo real e acionem respostas automáticas no mundo físico - conceito que vem sendo denominado Physical AI (Inteligência Artificial Física).
O tema ganhou destaque durante o Mobile World Congress (MWC) 2026, quando a LoRa Alliance apresentou sua visão de que a próxima geração da IoT dependerá da convergência entre infraestrutura de conectividade e inteligência distribuída. Segundo a entidade, a IA deixa de atuar apenas sobre bases históricas armazenadas em nuvem e passa a processar continuamente dados provenientes de sensores instalados em fábricas, cidades, redes elétricas, sistemas agrícolas e ativos industriais.
Historicamente, as redes IoT tinham como principal função transmitir medições de temperatura, vibração, pressão, localização ou consumo energético para plataformas de análise em nuvem. A inteligência era aplicada posteriormente, normalmente para gerar relatórios, indicadores ou previsões.
Com a chegada da Physical AI, esse paradigma muda. Os algoritmos passam a executar análises diretamente na borda da rede
(edge AI), próximas à origem dos dados, permitindo identificar eventos, reconhecer padrões e acionar respostas praticamente em tempo real.
Essa arquitetura reduz a latência, diminui o volume de dados enviados à nuvem e torna possível automatizar processos em ambientes remotos, onde a conectividade é limitada e a autonomia operacional é um requisito essencial.
Por que o LoRaWAN ganha protagonismo
Embora tecnologias como Wi-Fi, Bluetooth e redes celulares continuem fundamentais para diferentes aplicações IoT, a LoRa Alliance argumenta que o LoRaWAN ocupa uma posição estratégica na nova arquitetura de IA física: o protocolo foi desenvolvido para aplicações de LPWAN (Low Power Wide Area Network), oferecendo comunicação de longo alcance, baixo consumo energético e capacidade para operar durante vários anos com uma única bateria. Essas características
permitem conectar sensores distribuídos por grandes áreas geográficas - muitas vezes sem infraestrutura elétrica ou cobertura celular adequada.
Segundo a LoRa Alliance, mais de 125 milhões de dispositivos LoRaWAN já estavam em operação no mundo ao final de 2025, formando uma extensa infraestrutura capaz de fornecer dados em tempo real para aplicações baseadas em inteligência artificial.
Um dos principais avanços ocorre na própria arquitetura computacional.
Em vez de transmitir continuamente grandes volumes de dados para datacenters, sensores inteligentes passam a executar modelos compactos de IA embarcados (TinyML e Edge AI), enviando apenas eventos relevantes ou alertas.
Na indústria, sensores de vibração podem identificar o início de uma falha mecânica antes que ela provoque uma parada da produção. Em sistemas ambientais, sensores
Aplicações industriais
A convergência entre LoRaWAN e IA abre espaço para uma nova geração de aplicações em setores como manutenção prediti-
distribuídos podem detectar fumaça ou alterações de temperatura compatíveis com incêndios florestais e emitir alertas automáticos. Em cidades inteligentes, câmeras com IA embarcada podem contabilizar fluxo de pessoas, veículos ou ocupação de espaços públicos sem necessidade de transmitir vídeo continuamente para a nuvem.
Essa abordagem reduz significativamente o consumo de banda, melhora os tempos de resposta e amplia a escalabilidade das aplicações.

va de máquinas industriais; monitoramento estrutural de pontes, barragens e oleodutos; agricultura de precisão baseada em sensores
distribuídos; redes inteligentes de energia (smart grids); monitoramento ambiental e prevenção de incêndios; logística e rastreamento inteligente de ativos; gestão hídrica e cidades inteligentes.
Em todos esses cenários, o LoRaWAN atua como infraestrutura de coleta de dados, enquanto a IA interpreta continuamente as informações para apoiar decisões operacionais ou executar ações automatizadas.

O movimento também altera a própria evolução da inteligência artificial.
Até recentemente, os grandes modelos de IA eram alimentados principalmente por documentos, imagens, vídeos e informações disponíveis na internet. Com a expansão da IoT, cresce a utilização de dados provenientes do mundo físico - temperatura, vibração,
Apesar do avanço tecnológico, especialistas alertam que a Physical AI impõe novos desafios de engenharia.
Entre eles se destacam a interoperabilidade entre dispositivos de diferentes fabricantes, segurança cibernética, proteção da integridade dos dados coletados, governança dos modelos de IA, atualização remota dos algoritmos embarcados e gestão do ciclo de
qualidade do ar, posição geográfica, consumo energético, ruído e inúmeras outras variáveis medidas continuamente por sensores.
Essa alimentação permanente permite que modelos de IA desenvolvam maior capacidade de compreender ambientes reais e responder dinamicamente às mudanças observadas em campo.

vida de milhões de sensores distribuídos.
Pesquisadores observam que a próxima geração da IoT exigirá arquiteturas capazes de garantir identidade digital, comunicação segura entre agentes inteligentes, interoperabilidade semântica e mecanismos robustos de observabilidade para evitar que infraestruturas críticas se tornem excessivamente rígidas ou vulneráveis ao longo do tempo.
Infraestrutura é plataforma de inteligência
A principal conclusão apresentada pela LoRa Alliance é que a IoT está deixando de ser uma infraestrutura dedicada apenas à coleta de dados para se transformar em uma plataforma distribuída de inteligência operacional.
Nesse novo paradigma, redes LoRaWAN funcionam como o sistema nervoso que conecta sensores ao mundo digital, enquanto
algoritmos de IA transformam essas informações em decisões capazes de influenciar diretamente processos físicos. A convergência entre conectividade de baixo consumo, computação de borda e inteligência artificial tende a redefinir aplicações em manufatura, energia, infraestrutura, agricultura e cidades inteligentes, aproximando a IoT de um modelo verdadeiramente autônomo.




A pesquisa foi conduzida em um laboratório digital seguro com o objetivo de ajudar a comunidade de segurança cibernética a se preparar para uma ameaça iminente.
Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Toronto descobriu uma nova classe de ciberameaça que dá aos hackers mais poder e alcance a um custo muito menor. Ela pode ser construída com modelos de IA gratuitos. Todos os dispositivos conectados à internet são alvos potenciais. E as defesas cibernéticas atuais ainda não estão preparadas para isso.
Os pesquisadores são considerados os primeiros a demonstrar que modelos de IA de

acesso público podem ser usados para alimentar um worm que adapta sua estratégia à medida que se espalha de um dispositivo para outro. Ele pode assumir o controle de uma rede inteira e sequestrar o poder computacional para permitir que hackers lancem ataques sofisticados a um custo praticamente nulo.
Realizada em um laboratório digital seguro, isolado do mundo exterior, a pesquisa mostra que hackers altamente qualifica-

dos não precisam de inteligência artificial de ponta ou de grandes recursos financeiros para lançar malware capaz de aprender, calcular e se adaptar em tempo real -explorando vulnerabilidades conhecidas em cada dispositivo à medida que se prolifera por todo
o sistema.
As conclusões levantam profundas preocupações sobre a segurança do nosso mundo interconectado - desde os sistemas financeiros aos hospitais e às redes que sustentam os serviços essenciais.

Jonas Guan, à esquerda, Nick (Hengrui) Jia, ao centro, e Nicolas Papernot
“Era imprescindível para nós entendermos essa ameaça em um ambiente acadêmico controlado, antes que agentes mal-intencionados a descobrissem por conta própria”, afirma Nicolas Papernot, autor da pesquisa juntamente com membros de seu Laboratório CleverHans, localizado na Universidade de Toronto, e do Vector Institute, onde ocupa a Cátedra de IA do CIFAR - Instituto Canadense de Pesquisa Avançada. Papernot, que também é professor associado de engenharia da computação na Faculdade de Ciências Aplicadas e Engenharia da Universidade de Toronto e de ci-
ência da computação na Faculdade de Artes e Ciências, acrescentou que a pesquisa foi compartilhada somente após cuidadosa análise para remover qualquer informação que pudesse auxiliar agentes maliciosos, observando que é sabido que tais esforços estão em andamento nos bastidores. Ele afirma que se sentiu compelido a tornar a pesquisa pública o mais cedo possível para dar aos pesquisadores, formuladores de políticas e ao público em geral a oportunidade de se protegerem contra uma ameaça emergente que abrange desde laptops comuns até sistemas de climatização e

a rede elétrica.
Antes da publicação, os pesquisadores compartilharam suas descobertas com órgãos nacionais de ciência, segurança e defesa e buscaram aconselhamento sobre como divulgar as informações de forma responsável.
“O motivo pelo qual estamos realizando esta pesquisa é para garantir a segurança do ecossistema digital do qual todos dependemos - para manter as pessoas seguras. Esta
Um dos maiores especialistas em cibersegurança do mundo, Papernot fez a missão de seu laboratório ser antecipar as preocupações de segurança mais importantes - mesmo aquelas às quais a comunidade de cibersegurança ainda não está dando atenção.
O surgimento de modelos de IA extremamente poderosos, como o Claude Mythos da Anthropic, gerou grande alarme devido à sua capacidade sem precedentes de descobrir falhas de segurança ocultas, mesmo com as grandes empresas de tecnologia mantendo controles rígidos para evitar o uso indevido.
A equipe da Papernot, no entanto, esta-
Construindo um protótipo
Um worm é um invasor digital que se propaga por uma rede, copiando-se para todos os dispositivos que toca - sem necessidade de cliques e sem o conhecimento dos usuários. Se conseguir se instalar, pode causar estragos em todo o sistema. Tradicionalmente, esse tipo de ataque segue um script fixo programado por um humano. Se encontrar uma defesa para a qual não foi programado, falha. Os especialistas em cibersegurança sabem disso e desenvolveram proteções para conter essas ameaças.
Para a versão com inteligência artificial, a equipe da Papernot construiu um protótipo de prova de conceito em um sistema segu-
descoberta nos catapulta para uma nova era da cibersegurança. Ao compreendermos os riscos, estamos agora em condições de desenvolver as contramedidas necessárias para detectar e nos defender contra ameaças como esta”, afirma Papernot, membro do corpo docente do Instituto Schwartz Reisman para Tecnologia e Sociedade da Universidade de Toronto, que se dedica a garantir que a IA seja responsável, inclusiva e benéfica para todos.
va interessada no potencial uso indevido de modelos menores e relativamente simples que qualquer pessoa pode baixar e modificar gratuitamente. Embora valiosos para pesquisadores e desenvolvedores, esses modelos de IA “de código aberto” podem ser despojados de suas salvaguardas de segurança e, com conhecimento técnico suficiente, manipulados para causar danos.
Esse risco é frequentemente minimizado sob a suposição de que esses modelos não têm poder suficiente para causar danos reais. Assim, a equipe de Papernot decidiu testar essa suposição em um ambiente acadêmico seguro.
ro e fechado, tomando extensas precauções. Seus experimentos emulam as capacidades de um worm controlado por IA em uma simulação de dezenas de dispositivos interconectados, incluindo laptops, impressoras e câmeras.
O trabalho dos pesquisadores mostrou que modelos de IA de código aberto podem ser usados para criar uma ameaça muito mais sofisticada - uma capaz de analisar cada alvo, adaptar seus ataques e assumir o controle de uma máquina antes de se clonar para a próxima. O worm também coleta informações à medida que se aprofunda na rede, e cada invasão revela senhas e vulnerabilidades que

podem desbloquear outra máquina. E, por ser adaptável, nenhuma defesa isolada consegue detê-lo.
O worm expande seu alcance às custas de suas vítimas. Uma vez instalado em uma máquina, o worm de IA consome poder de processamento para alimentar seu raciocínio e lançar o próximo ataque. Esse poder computacional roubado impulsiona sua disseminação, eliminando essencialmente o custo de cada nova infecção.
“Normalmente, os hackers tinham que priorizar os alvos de maior valor porque o tempo e os recursos computacionais eram limitados. Mas agora, uma vez que um worm

é lançado, o custo cairia para quase zero”, diz Papernot.
Diferentemente de pesquisas anteriores sobre um worm que se propaga por meio de aplicativos de IA, o protótipo dos pesquisadores representa uma ameaça capaz de operar fora dos sistemas de IA para atacar o software subjacente, colocando em risco uma gama muito maior de dispositivos. Todos os dispositivos conectados à internet - laptops, câmeras, termostatos inteligentes e tudo o mais - tornam-se alvos potenciais, seja pelos dados que armazenam, seja como ponto de partida para atacar alvos mais valiosos.

Embora a pesquisa demonstre que os worms de IA não exigem modelos caros ou poder computacional, construir um ainda demanda conhecimento técnico. Mesmo assim, Papernot suspeita que a janela de oportunidade para defesas esteja se fechando ra-
pidamente - e que o mundo da segurança cibernética não esteja preparado para o que está por vir.
Ao contrário do poderoso e altamente protegido Mythos, o protótipo não busca vulnerabilidades desconhecidas. Mas, em um amUma nova era de ameaças cibernéticas

biente descontrolado, o worm poderia obter acesso à internet e analisar e explorar avisos sobre vulnerabilidades recém-descobertas, ultrapassando as correções de software destinadas a impedi-las.
Algumas dessas vulnerabilidades podem ser corrigidas com atualizações de software. Mas outras são erros humanos, como senhas fracas e configurações de TI malfeitas, que não podem ser solucionadas com a simples aplicação de uma correção. Isso significa que um hacker não precisa dos modelos de IA mais avançados para causar danos sem precedentes.
“Em um mundo interconectado, nenhum sistema está imune a essa ameaça”, diz Papernot. “Compartilhar essas descobertas é o primeiro passo para mobilizar pesquisadores, líderes da indústria e formuladores de políticas a agirem rapidamente.”
Divulgação para fins de defesa
Para a Papernot, publicar as conclusões é, em si, um ato de defesa que a pesquisa acadêmica está numa posição única para empreender.
Ele cita o precedente estabelecido pelo Professor Emérito da Universidade, Geoffrey Hinton, que ganhou o Prêmio Nobel por seu papel na promoção da revolução da IA. “Geoffrey tem se manifestado veementemente sobre o papel que a pesquisa acadêmica desempenha na tomada de decisões quando se trata de regulamentar a IA. Esse tipo de mobilização coletiva da academia, da indústria e dos governos é exatamente o que precisamos para enfrentar essa nova ameaça que identificamos aqui com os vírus de computador impulsionados por IA.”
É uma prática bem estabelecida na pesquisa em cibersegurança construir protótipos de prova de conceito em ambientes controlados para melhor compreender as ameaças emergentes e avaliar as defesas contra elas. Conduzir tais estudos em um ambiente aca-
Cada dispositivo é uma fonte potencial de informações para o próximo ataque, portanto, proteger o seu próprio dispositivo torna toda a rede mais difícil de ser invadida. A Papernot recomenda que os profissionais de TI reforcem quaisquer configurações de segurança que possam deixar seus sistemas vulneráveis. Os usuários também precisam fazer a sua parte.
“Todos têm um papel a desempenhar para nos manter seguros”, diz Papernot.
Isso significa praticar uma boa higiene de segurança: mantenha seus dispositivos atualizados e com os patches de segurança instalados. Use senhas fortes. Habilite a autenticação multifatorial.
“Não podemos mais nos dar ao luxo de ignorar as atualizações de software”, diz ele. “Cada porta que você fecha é uma entrada a menos, então vale a pena dedicar alguns minutos para reiniciar.”
dêmico garante que a pesquisa permaneça independente, respeite os padrões éticos e de segurança e esteja aberta à revisão e ao escrutínio, beneficiando, em última análise, a comunidade em geral.
O laboratório de Papernot já está trabalhando arduamente no desenvolvimento de contramedidas. E ele afirma que a Universidade de Toronto é o lugar perfeito para isso. “A Universidade de Toronto oferece a profunda expertise em IA, o talento multidisciplinar, o ambiente de pesquisa seguro, a infraestrutura e a escala institucional cruciais para resolver grandes problemas como este”, diz ele. “E as soluções para este problema envolverão a maior disponibilidade de modelos de IA de código aberto de todos os tamanhos e a transparência por parte das empresas que criam os modelos mais poderosos.”
“Estamos prontos para trabalhar com o resto do mundo para encontrar soluções e construir um futuro mais seguro.”
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Atores maliciosos começaram a explorar uma falha de segurança crítica recentemente divulgada que afeta o Cisco Unified Communications Manager (Unified CM) e o Unified Communications Manager Session Management Edition (Unified CM SME).
A vulnerabilidade, identificada como CVE-2026-20230 (pontuação CVSS: 8,6), consiste em uma falha de validação de entrada para solicitações HTTP específicas, o que poderia permitir que um invasor remoto não

autenticado realizasse ataques de falsificação de solicitação do lado do servidor (SSRF) por meio de um dispositivo afetado.
“Um invasor poderia explorar essa vulnerabilidade enviando uma solicitação HTTP maliciosa para um dispositivo afetado (...) Uma exploração bem-sucedida poderia permitir que o invasor gravasse arquivos no sistema operacional subjacente, que poderiam ser usados posteriormente para obter privilégios de root,” disse a Cisco em

um comunicado.
Mas foi observada a exploração ativa da vulnerabilidade em ataques - ela está sendo explorada a partir de uma única fonte, usando uma prova de conceito (PoC) não verificada, com payloads de escrita de arquivos (file://) formatados genuinamente atingindo
nossos servidores de isca. No entanto, para que a exploração seja bem-sucedida, o serviço WebDialer deve estar ativado. Por padrão, ele está desativado então, é preciso verificar isso.
Para determinar se o WebDialer está ativado, siga os passos abaixo:
1. Faça login na interface de administração do Cisco Unified CM.
2. No menu de navegação, selecione Cisco Unified Serviceability e clique em Ir.
3. No menu Ferramentas, selecione Central de Controle - Serviços de Recursos.
4. Na seção Serviços CTI da página, verifique se o status atual do serviço web Cisco WebDialer é Iniciado ou Não em execução.
O Centro Nacional de Excelência em Segurança Cibernética (NCCoE) do NIST divulgou a versão preliminar da Publicação Especial 1800-41 do NIST, “ Respondendo e Recuperando-se de um Ataque Cibernético: Segurança Cibernética para o Setor de Manufatura” , que fornece diretrizes sobre atividades de resposta e recuperação em um ambiente de sistema de controle industrial

(ICS) e recomendações para melhorar a resiliência operacional. O período para envio de comentários sobre esta publicação está aberto até 8 de julho de 2026.
À medida que os sistemas de Tecnologia Operacional (TO), como os Sistemas de Controle Industrial (ICS), se tornam mais interconectados com as redes de TI, eles são cada vez mais visados por ameaças ciberné-
ticas, colocando em risco as operações da fábrica, a segurança e o patrimônio. Organizações que operam esses sistemas, como as do setor manufatureiro, precisam ter planos e recursos implementados para responder a incidentes cibernéticos e restaurar as operações, a fim de melhorar a resiliência geral.
O NCCoE trabalhou com 11 colaboradores da indústria para desenvolver arquiteturas de referência, descrever cenários de resposta e recuperação e demonstrar abordagens e capacidades relevantes.
Esta primeira publicação fornece diretrizes práticas sobre como responder e se recuperar de ataques cibernéticos em ambientes de manufatura.
Os sistemas de controle industrial (ICS) e os dispositivos que operam em ambientes de manufatura desempenham um papel crucial
na economia do nosso país. Os fabricantes dependem dos ICS para monitorar e controlar os processos físicos que produzem bens para o consumo público. Esses mesmos sistemas enfrentam um número crescente de ataques cibernéticos, representando uma ameaça real à segurança e à produção industrial. Embora a arquitetura de segurança em profundidade possa ajudar a mitigar o risco cibernético, ela pode não o eliminar completamente. As organizações devem ter um plano para recuperar e restaurar as operações de manufatura caso um evento cibernético impacte as operações da planta. O NCCoE, juntamente com o Laboratório de Tecnologia de Comunicações do NIST e colaboradores da indústria, demonstrará uma abordagem para responder e se recuperar de um ataque a um ICS no setor de manufatura, aprovei-

tando os seguintes recursos de segurança cibernética: relatório de eventos, revisão de logs, análise de eventos e tratamento e resposta a incidentes. O NCCoE implementará cada um desses recursos em uma célula de trabalho de manufatura discreta que emula um processo de manufatura típico.
O projeto resultará em um Guia de Práticas de Segurança Cibernética do NIST, disponível gratuitamente. As organizações participantes deste projeto submeteram suas capacidades em resposta a uma chamada pública publicada no Registro Federal, destinada a todas as fontes de recursos de segurança relevantes, tanto da academia quanto da indústria (fornecedores e integradores).

Pesquisa revela que 62% das carteiras de ransomware contra bancos de dados nunca receberam pagamento

Um levantamento inédito da Ransomnews Research lança uma nova luz sobre a economia do ransomware direcionado a bancos de dados expostos na internet. O estudo Database Ransom Census 2026, baseado em cinco anos de monitoramento (maio de 2021 a maio de 2026), mostra que, embora milhares de ataques tenham destruído ou sequestrado informações, a maior parte dos criminosos não conseguiu obter retorno financeiro.
Os pesquisadores analisaram 65.907 bancos de dados expostos publicamente, dos quais 30.515 (46,3%) já continham mensa-
Crime altamente automatizado
O levantamento reforça uma tendência observada nos últimos anos: os ataques a bancos de dados expostos são praticamente totalmente automatizados.
Segundo os autores, robôs varrem continuamente a internet em busca de instâncias mal configuradas de tecnologias como MongoDB, MySQL, Elasticsearch e Kibana. Quando encontram um serviço acessível sem autenticação adequada, executam automaticamente a exclusão
gens de resgate ou indícios de destruição deliberada dos dados. Foram identificadas 514 carteiras de bitcoin utilizadas pelos atacantes para receber pagamentos. A surpresa veio da análise on-chain: 318 delas (62%) jamais receberam qualquer fração de bitcoin.
Apesar disso, o estudo alerta que a ausência de pagamento não significa que o ataque tenha fracassado. Na maioria dos casos, o banco de dados já havia sido apagado, copiado ou tornado inacessível antes da exigência do resgate. Em outras palavras, o prejuízo operacional para a vítima ocorre independentemente da decisão de pagar.

ou a cópia dos dados e inserem uma nota de resgate contendo uma carteira de bitcoin.
Um dos indícios dessa automação é a reutilização da mesma carteira de bitcoin em larga escala. O estudo identificou um endereço utilizado em 1.283 mensagens de resgate, distribuídas por 1.234 vítimas em 49 países, sempre exigindo exatamente 0,01 BTC, evidência de uma campanha totalmente automatizada.
Embora apenas uma minoria das campanhas tenha recebido pagamentos, o levantamento mostra que o ecossistema continua economicamente viável para os criminosos.
As 514 carteiras analisadas acumularam 9,78 bitcoins, equivalentes a aproximadamente US$ 753 mil na data da pesquisa. A distribuição dessa receita, porém, é extremamente concentrada: as 10 carteiras mais
Exposição significa comprometimento
Outro dado que chama atenção é a correlação entre exposição pública e comprometimento.
Entre os bancos de dados MongoDB e MySQL encontrados diretamente acessíveis pela internet, praticamente 100% já haviam sido comprometidos quando foram iden-
Recomendações

lucrativas responderam por 43% de todos os recursos recebidos, enquanto as 50 principais concentraram mais de 82% do total arrecadado.
Segundo os autores, isso indica que poucas operações especializadas capturam praticamente toda a receita do mercado, enquanto milhares de campanhas automatizadas geram pouco ou nenhum retorno financeiro.
tificados pelos pesquisadores; para Elasticsearch e Kibana, a taxa ficou entre 98% e 100%.
A conclusão é que manter bancos de dados acessíveis pela Internet sem controles adequados de autenticação praticamente equivale a entregá-los aos atacantes.
O relatório reforça práticas já consolidadas pela comunidade de segurança:
• nunca expor bancos de dados diretamente à internet;
• restringir o acesso por VPN ou redes privadas;
• utilizar autenticação forte e segmentação de rede;
• manter backups offline e testados;
• monitorar continuamente ativos expostos;
• realizar varreduras periódicas de configuração para identificar serviços inadvertidamente publicados.
Uma pesquisa relevante, mas que merece contextualização
Embora apresente uma base de dados extensa e utilize análise on-chain para rastrear os pagamentos em bitcoin, o Database Ransom Census 2026 não é um estudo acadêmico revisado por pares, nem foi produzido por uma das grandes empresas globais de inteligência em segurança cibernética; trata-se de uma iniciativa independente da Ransomnews Research.
Ainda assim, os resultados dialogam com uma tendência observada em relatórios de
empresas como Chainalysis, Sophos, Microsoft e Palo Alto Networks: o ransomware tornou-se cada vez mais automatizado, enquanto a proporção de vítimas que efetivamente paga os resgates vem diminuindo. A própria comunidade de segurança, em discussões técnicas, destaca que a baixa taxa de pagamento não reduz o impacto operacional dos ataques, já que a destruição ou exfiltração dos dados normalmente ocorre antes da cobrança.

Este relatório desloca o debate da IA generativa para sua aplicação em ativos físicos e a principal mensagem é que a próxima onda da inteligência artificial não será caracterizada apenas por softwares mais inteligentes, mas pela integração entre IA, robótica, sensores, computação de borda, Digital Twins e infraestrutura industrial, inaugurando uma nova etapa da Indústria 5.0 e da automação inteligente.
Depois da Inteligência Artificial Generativa (GenAI), que revolucionou a produção de conteúdo digital, e da IA Agêntica (Agentic AI), capaz de planejar e executar tarefas autonomamente em ambientes digitais, a inteligência artificial avança para uma nova etapa: a Physical AI (IA Física).
Segundo estudo da Strategy&, da PwC, essa nova geração de sistemas inteligentes levará a IA para o mundo físico, permitindo que máquinas percebam, decidam e atuem autonomamente em ambientes reais. O relatório estima que esse mercado movimentará cerca de € 430 bilhões até 2030, tornando-se uma das maiores oportunidades de cria-
Da IA digital para a economia física
O relatório destaca que a evolução da IA não ocorre por substituição, mas por acumulação de capacidades. A GenAI continua produzindo textos, imagens e código; a IA Agêntica coordena ações em ambientes digitais; já a IA Física amplia esse ecossistema para operações industriais, logísticas, médicas e urbanas.
ção de valor da próxima década.
Ao contrário dos modelos atuais, restritos ao ambiente digital, a IA Física opera embarcada em robôs, veículos autônomos, drones, equipamentos médicos e infraestrutura inteligente. Sua característica fundamental é integrar três capacidades simultaneamente: percepção do ambiente por meio de sensores; tomada de decisão baseada em modelos de IA; atuação física através de motores, braços robóticos, rodas ou outros mecanismos. Essa combinação transforma a IA de um sistema de apoio à decisão em um agente capaz de executar tarefas no mundo real.

Para os autores, trata-se da expansão da inteligência artificial da economia da informação para a economia física, impactando diretamente processos produtivos, transporte, saúde e infraestrutura.
Segundo a Strategy&, a IA Física só se tornou viável devido à convergência recente dos modelos fundacionais treinados
com grandes volumes de vídeos e dados multimodais mas também porque agora os ambientes de simulação e Digital Twins são capazes de treinar robôs virtualmente; as arquiteturas híbridas combinam computação em nuvem e edge computing; os sensores, atuadores e baterias muito mais eficientes; e porque estão disponíveis os chamados World Models, modelos capazes de prever como o ambiente físico evoluirá antes da

execução de uma ação.
Esses modelos representam um avanço importante em relação aos Digital Twins tradicionais. Enquanto um gêmeo digital descreve o estado atual de um sistema, o World Model procura antecipar os efeitos das diferentes decisões possíveis, permitindo que robôs “imaginem” as consequências antes de agir.
A indústria será uma das primeiras beneficiadas
Embora as pessoas frequentemente associem IA Física aos robôs humanoides, o estudo afirma que a adoção inicial ocorrerá onde o retorno econômico é mais imediato. Então, os primeiros mercados a se beneficiar deles, até 2030, são direção autônoma (€171 bilhões); automação industrial e infraestrutura inteligente (€69 bilhões); robôs humanoides e de serviços (€68 bilhões); setores de defesa e aeroespacial (€50 bilhões); setor da saúde (€37 bilhões) e do entretenimento (€5 bilhões).
Segundo o estudo, fábricas, centros logísticos e armazéns apresentam ambientes relativamente estruturados, reduzindo a complexidade da implantação e acelerando o retorno sobre investimento.
Uma das principais conclusões do relatório é que a maior parte da riqueza gerada pela IA Física não ficará concentrada nos fabricantes de robôs. Para os autores, os maiores “value pools” estão na infraestrutura computacional (data centers e edge
computing); na memória de alta largura de banda; nos semicondutores especializados; nos modelos fundacionais multimodais; nas plataformas de simulação e nos softwares baseados em World Models. Para os autores, a tendência é que hardware e software evoluam conjuntamente, deslocando parcela crescente do valor para empresas capazes de fornecer plataformas completas de IA embarcada.
E o estudo identifica sete áreas onde a competição deve se concentrar pelos próximos anos: World Models fundacionais; modelos específicos para cada setor industrial; semicondutores para edge AI; sensores e atuadores de alta precisão; padronização e modularização; fabricantes e integradores de soluções; soberania tecnológica.
Segundo os autores, dificilmente uma empresa conseguirá competir em todas essas frentes – e o sucesso dependerá da definição clara do posicionamento estratégico dentro da cadeia de valor.

Condução autônoma — como robotáxis, caminhões, ônibus autônomos (shuttles) e plataformas de entrega — representam a maior oportunidade de mercado para a IA Física e já começam a ser implantados em larga escala. Os avanços nessa área são impulsionados pela evolução dos sistemas de percepção do ambiente, dos world models (modelos capazes de representar e prever o comportamento do mundo físico) e pelo aprendizado coletivo obtido a partir de grandes frotas de veículos em operação.
Fábricas, centros de distribuição, armazéns, portos e cidades inteligentes estão entre os primeiros beneficiários da IA Física. Robôs móveis autônomos (AMRs), sistemas robotizados de separação (robotic picking) e montagem, além da gestão inteligente de tráfego urbano e de redes de infraestrutura baseada em IA, já apresentam retorno sobre o investimento (ROI) no curto prazo. Modelos de negócio como Robotics as a Service (RaaS) e a crescente escassez de mão de obra aceleram a adoção dessas soluções.
Os robôs humanoides são projetados para operar em ambientes concebidos para pessoas, utilizando escadas, portas, ferramentas e outros elementos da infraestrutura existente. As primeiras aplicações concentram-se nos setores de logística e hospitalidade, enquanto o maior potencial de longo prazo está nos serviços de saúde e no cuidado de idosos. A evolução desse segmento depende principalmente do aumento da destreza motora, da eficiência energética e da capacidade de aprendizado contínuo.
Os segmentos de defesa e aeroespacial tendem a liderar a adoção inicial da IA Física devido ao elevado risco para operadores humanos e à importância estratégica dessas operações. Entre as aplicações destacam-se drones autônomos, veículos não tripulados, sistemas robotizados de manutenção e operações coordenadas envolvendo múltiplos agentes autônomos.
A IA Física viabiliza uma nova geração de sistemas voltados ao entretenimento e à economia criativa, incluindo animatrônicos interativos para parques temáticos e sistemas autônomos de captura de imagens e filmagem. O comportamento definido por software e as atualizações remotas (over-the-air) permitem personalizar experiências e adicionar novas funcionalidades continuamente, sem necessidade de alterações físicas nos equipamentos.
Na área da saúde, a IA Física já encontra aplicações em sistemas de assistência à cirurgia robótica, robôs para logística hospitalar, equipamentos de reabilitação e outras soluções capazes de aumentar a precisão dos procedimentos e a eficiência operacional. Embora a adoção seja mais lenta em razão das exigências regulatórias, fatores como o envelhecimento da população e a escassez de profissionais de saúde constituem fortes vetores de crescimento desse mercado.
Claro, eles apontam que ainda existem limitações importantes apesar do rápido avanço da IA Física; ela continua onde das capacidades humanas em tarefas que exigem destreza manual fina; adaptação a ambientes altamente desestruturados; julgamento social e ético;
Janela estratégica curta
O relatório encerra alertando que os próximos 12 a 24 meses serão decisivos para empresas que pretendem participar desse novo ecossistema. Segundo a Strategy&, plataformas, padrões tecnológicos, arquiteturas de semicondu-
interação humana contextual. Por outro lado, já supera o desempenho humano em tarefas repetitivas, processamento de grandes volumes de dados sensoriais e controle preciso de movimentos, justificando sua adoção inicial em logística, manufatura e mobilidade.

tores e modelos fundacionais estão sendo definidos agora. Quem retardar decisões estratégicas poderá ficar dependente de tecnologias desenvolvidas por terceiros e competir apenas nas camadas de menor valor agregado.

TRANSFORMAÇÃO DIGITAL - BIOFARMA - MANUFATURA INTELIGENTE
Durante décadas, a indústria farmacêutica foi considerada uma das mais conservadoras em termos de transformação digital: a necessidade de conformidade regulatória, validação de sistemas, rastreabilidade e garantia da qualidade fez com que muitas empresas avançassem em ritmo mais lento do que setores como automotivo, eletrônicos ou bens de consumo. Mas esse cenário está mudando rapidamente.
Aconvergência entre automação avançada, inteligência artificial, IIoT, computação em nuvem, sistemas MES, digital twins, analytics em tempo real e manufatura contínua está dando origem ao conceito de Pharma 4.0, uma adaptação dos princípios da Indústria 4.0 às exigências específicas do setor farmacêutico. Segundo a ISPE - International Society for Pharmaceutical Engineering, o objetivo é criar ecossistemas produtivos conectados, capazes de integrar operações, qualidade, compliance e negócios em uma única arquitetura digital: mais do que uma evolução tecnológica, é uma transformação do próprio modelo operacional da indústria.
A pressão competitiva vem de várias frentes. Desde o crescimento dos biológicos e biossimilares, medicina personalizada e a sempre presente necessidade de redução do time-to-market, passando pelo constante aumento dos custos regulatórios e mais rígidas exigências de rastreabilidade até a escassez de profissionais especializados e a expansão do uso de IA em P&D e manufatura. Com um cenário desse, a fábrica inteligente deixa de ser uma visão de futuro para se tornar um requisito estratégico.

ACESSE O RELATÓRIO


O relatório “Reinventing Biopharma: From Lab to Line”, da Accenture, argumenta que a manufatura biofarmacêutica passou a ocupar posição estratégica dentro da cadeia de valor, deixando de ser apenas uma função operacional para se tornar um fator decisivo de competitividade. E uma revisão sistemática sobre os efeitos da Indústria 4.0 e da Indústria 5.0 no setor farmacêutico identifica um ponto de inflexão após a pandemia: a partir de 2020, a literatura científica deixa de se concentrar apenas em automação e digitalização da produção e passa a incorporar temas como resiliência das cadeias de suprimentos, sustentabilidade, interação homem-máquina e novas competências profissionais.
Digitalização migra de pilotos para programas corporativos
35-45% 55% 1,8x
potencial de produtividade no desenvolvimento clínico com IA
Embora as estimativas variem conforme a metodologia utilizada, consultorias internacionais convergem na avaliação de que os investimentos globais em digitalização farmacêutica estão entrando em uma fase de aceleração onde os principais vetores incluem automação de processos GMP; sistemas MES e batch execution; plataformas de data integrity; analytics avançado; digital twins; IA aplicada à produção; robótica para ambientes assépticos; manufatura contínua e inspeção baseada em visão computacional.
Estudos recentes da ISPE indicam que a digitalização está migrando de projetos-piloto para programas corporativos abrangentes, envolvendo toda a cadeia de valor, desde desenvolvimento até supply chain.
E a consultoria McKinsey destaca que a inteligência artificial poderá elevar a produtividade do desenvol-
participação aproximada de biológicos nos pipelines clínicos mundiais
vimento clínico entre 35% e 45% nos próximos cinco anos, criando pressão adicional para que as operações fabris sejam igualmente digitalizadas.
mudou radicalmente: o aumento da complexidade dos medicamentos biológicos, a aceleração da pesquisa impulsionada pela inteligência artificial e as pressões geopolíticas sobre as cadeias globais de suprimentos transformaram a manufatura em um elemento crítico para o sucesso comercial.
A manufatura
Historicamente, pesquisa clínica, desenvolvimento farmacêutico e marketing concentravam grande parte da atenção das empresas. A produção industrial era vista como uma etapa necessária para transformar descobertas científicas em medicamentos. Segundo o relatório da Accenture, esse cenário
No relatório, a Accenture analisou as Complete Response Letters (CRLs) emitidas pelo FDA entre 2009 e 2024 e concluiu que 64% dos atrasos na entrada de novos medicamentos no mercado em 2024 decorreram de problemas de Chemistry, Manufacturing and Controls (CMC). O dado evidencia que o principal gargalo para colocar novas terapias à disposição dos pacientes já não está na descoberta científica, mas na capacidade de industrializar moléculas cada vez mais complexas, validar processos produtivos e garantir qualidade, escalabilidade e conformidade regulatória.
Isso significa que o principal gargalo da inovação farmacêutica deixou de ser apenas o laboratório de pesquisa e passou a ser a capacidade industrial de produzir medicamentos complexos com rapidez, qualidade e conformidade regulatória.
Outro fator decisivo é a mudança do perfil dos produtos em desenvolvimento: segundo a pesquisa da Accenture, os medicamentos biológicos já representam aproximadamente 55% dos pipelines clínicos mundiais,
aumentando significativamente a complexidade da manufatura. E, ao contrário dos medicamentos sintéticos tradicionais, biofármacos exigem processos muito mais sensíveis, envolvendo culturas celulares, controle rigoroso das condições de produção, monitoramento contínuo e grande volume de dados.
Essa complexidade torna inviável a gestão baseada apenas em documentos, planilhas e processos manuais.
Não basta copiar a Indústria 4.0: a fábrica farmacêutica precisa conectar operações, qualidade e compliance sem romper a lógica regulatória.
Mas a própria ISPE reconhece que a indústria farmacêutica não pode simplesmente copiar modelos da manufatura discreta. Enquanto uma montadora pode interromper uma linha para ajustes, uma fábrica farmacêutica opera sob rígidos requisitos regulatórios, validações e controles de qualidade. Por isso, a entidade desenvolveu o conceito de
Pharma 4.0, baseado em pilares como digitalização holística, interoperabilidade, automação inteligente, data integrity, quality by design, validação digital e gestão baseada em dados.
O objetivo é conectar operações, qualidade e compliance em tempo real, criando plantas capazes de tomar decisões mais rápidas e precisas.

Se a primeira onda da Pharma 4.0 foi marcada pela digitalização de dados, a próxima está associada aos digital twins. Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology e de outras instituições apontam que os gêmeos digitais estão se tornando elementos centrais da manufatura biofarmacêutica moderna porque eles permitem monitoramento con-
tínuo, previsão de desvios, otimização de processos, manutenção preditiva e treinamento operacional.
Os estudos indicam que o desafio deixou de ser apenas tecnológico e passou a envolver a interação homem-máquina e a preparação das equipes para operar ambientes altamente automatizados.
A
Uma das principais conclusões do relatório é que a inteligência artificial passa a atuar em todo o ciclo de vida do medicamento: no desenvolvimento, algoritmos identificam alvos terapêuticos, otimizam sequências de anticorpos e simulam combinações moleculares; na engenharia de processos, modelos de IA auxi-
liam na definição das melhores condições de cultivo celular e parâmetros produtivos; na manufatura, sistemas inteligentes analisam milhares de variáveis em tempo real para identificar os fatores que mais influenciam rendimento, qualidade e estabilidade dos processos.
Os ganhos reportados em projetos reais mostram por que a digitalização deixou de ser uma iniciativa de TI e passou a integrar a estratégia corporativa.

O relatório da Accenture apresenta ainda exemplos concretos de aplicações ao longo do ciclo de vida do produto, incluindo modelagem de processos baseada em IA e aprendizado de máquina, simulações por gêmeos digitais (digital twins), tecnologias analíticas de processo (PAT), plataformas digitais de gestão do ciclo de vida do produto (PLM) e automação da documentação regulatória por IA generativa.
E os ganhos deixaram de ser teóricos. Um aspecto particularmente interessante do estudo é que ele apresenta indicadores quantitativos observados em projetos reais. En -
tre os resultados reportados estão redução de até 40% no tempo de desenvolvimento até o lançamento do produto; aumento de aproximadamente 30% no throughput do desenvolvimento de processos; ganhos superiores a 400% no rendimento de processos upstream; redução de até 50% no tempo de produção de lotes; diminuição superior a 50% no tempo gasto em investigações de desvios. Esses resultados explicam por que a digitalização deixou de ser vista apenas como um projeto de TI e passou a integrar diretamente as estratégias corporativas.
Um fluxo digital contínuo reduz perdas nas transferências tecnológicas, melhora a rastreabilidade e acelera a submissão regulatória.

Uma das contribuições mais importantes do relatório é o conceito de “Lab to Line”: em vez de tratar pesquisa, desenvolvimento, transferência tecnológica, produção e assuntos regulatórios como etapas independentes, a proposta é construir um fluxo digital contínuo, no qual os dados acompanham o produto desde a bancada de pesquisa até a fabricação comercial.
Esse conceito reduz perdas de informação durante as transferências tecnológicas, melhora a rastreabilidade e acelera a submissão regulatória.
E, para tornar possível essa integração, a Accenture propõe a construção de um Digital Core, uma infraestrutura capaz de integrar computação em nuvem, dados industriais, inteligência artificial, segurança cibernética
e sistemas corporativos em uma única arquitetura tecnológica.
Segundo o estudo, empresas que estabelecem essa base têm 1,8 vez mais probabilidade de alcançar desempenho de classe mundial, justamente porque conseguem transformar dados dispersos em informações utilizáveis por pesquisa, manufatura, qualidade e assuntos regulatórios.
Outro ponto enfatizado pelo relatório da Accenture é que dados deixam de ser simples registros operacionais e passam a constituir ativos estratégicos. Isso exige padronização segundo normas internacionais, interoperabilidade entre sistemas, definição clara da propriedade dos dados e adoção do conceito de “data as a product”, no qual conjuntos de dados são tratados como produtos corporativos com responsáveis definidos, critérios de qualidade e governança específica.
Então, a academia pontua que o desafio deixa de ser tecnológico e concentra crescente atenção sobre fatores humanos, competências digitais, interfaces homem-máquina e adaptação organizacional. Na mesma direção, o relatório da Accenture afirma que a próxima etapa da transformação exigirá uma profunda reinvenção da forma de trabalhar, com equipes multidisciplinares integrando especialistas em processos, ciência de dados, qualidade, engenharia e tecnologia da informação.
Enquanto a Pharma 4.0 concentrou esforços na digitalização da manufatura, integração de sistemas e automação baseada em dados, a literatura mais recente indica a transição para um paradigma frequentemente denominado Pharma 5.0 – onde inteligência artificial, agentes autônomos, gêmeos digitais, robótica e análise avançada deixam de substituir pessoas para atuar como tecnologias de ampliação das capacidades humanas.
Segundo a Accenture, cerca de 55% das horas de trabalho na biofarmacêutica poderão ser impactadas por
IA agêntica, especialmente em atividades relacionadas à análise de dados, P&D, planejamento e operações industriais.
Essa transformação reforça que o futuro da biofarmacêutica dependerá menos da adoção isolada de tecnologias e mais da capacidade de integrar pessoas, processos, dados e inteligência artificial em uma arquitetura digital única, capaz de conectar todas as etapas do ciclo de vida do medicamento - da descoberta científica à produção industrial e à entrega ao paciente.
E já está acontecendo.


Embora o programa oficial de Lighthouses do WEF - World Economic Forum tenha sido inicialmente dominado por empresas de manufatura discreta, a indústria farmacêutica vem construindo seus próprios casos de referência. Entre os exemplos mais citados internacionalmente, Novartis, Roche, AstraZeneca, Roche e GSK se destacam.
A suíça Novartis se tornou uma das principais referências mundiais em digital manufacturing por ter sido uma das primeiras a implantar IA para otimização de processos, analytics em tempo real, integração MES-ERP, automação laboratorial e digital twins de processos produtivos.


Fábricas inteligentes: Para medicamentos de pequenas e grandes moléculas: A IoT e a visão computacional fornecem dados em tempo real sobre materiais e máquinas ao longo do processo de produção de medicamentos. A aprendizagem de máquina (Machine Learning) prevê falhas antes que elas ocorram. Os insights gerados impulsionam revisões em tempo real dos processos para permitir decisões orientadas por dados. Visão holística dos dados: Melhora os insights sobre produção e permite detectar gargalos futuros.
Rede global interconectada: Os dados são coletados, analisados e compartilhados de forma segura entre todas as fábricas. A visibilidade em tempo real da distribuição permite escalar rapidamente os eventos.
Tratamentos que salvam vidas chegam a mais pacientes: Maior qualidade dos produtos, redução das interrupções, entrega mais rápida aos pacientes.
Já em 2019, a AWS e a Novartis anunciaram uma colaboração estratégica de longo prazo para transformar digitalmente toda a cadeia de manufatura, suprimentos e distribuição da farmacêutica. A iniciativa nasceu da percepção de que os modelos tradicionais de produção em batelada e os sistemas fragmentados de informação já não eram suficientes para atender à crescente complexidade dos medicamentos biológicos, terapias personalizadas e cadeias globais de suprimentos. Também as novas terapias biológicas (“large molecules”) exigem processos de fabricação muito mais complexos do que os medicamentos sintéticos convencionais. Além disso, o crescimento da me -


dicina personalizada reduz o tamanho dos lotes produzidos, tornando essencial uma manufatura mais flexível, conectada e orientada por dados. Ao mesmo tempo, medicamentos maduros precisam reduzir custos para permanecer competitivos após a perda de patentes.
Antes da parceria, a Novartis já centralizava dados industriais em uma plataforma baseada em Hadoop – um framework de código aberto que permite dimensionar cargas de trabalho de um único servidor para milhares de máquinas, garantindo alta tolerância a falhas. Entretanto, as informações eram coletadas em lotes, gerando relatórios com atraso e pouca utilidade para decisões operacionais em tem-
Na arquitetura proposta, os sensores industriais continuam enviando dados aos historiadores locais; dispositivos AWS IoT Greengrass coletam imagens, vídeos e novos sinais de campo; os dados são armazenados no Amazon S3; AWS IoT Core e AWS IoT Analytics encaminham essas informações para bancos de dados temporais capazes de alimentar modelos preditivos. Essa infraestrutura substitui relatórios históricos por fluxos contínuos de dados, permitindo acompanhar o desempenho das plantas praticamente em tempo real. Então, a IA deixou de atuar apenas na pesquisa farmacêutica e passou a integrar diretamente o ambiente fa-
po real. O modelo também apresentava dificuldades para escalar novos usuários, incorporar análises avançadas e processar fluxos contínuos de dados.
Para superar essas limitações, AWS e Novartis desenvolveram os chamados Insight Centers, centros digitais que consolidam informações provenientes de historiadores industriais, sensores de processo, sistemas SAP e novos dispositivos IoT. Esses centros oferecem monitoramento operacional em tempo real, indicadores padronizados para todas as fábricas, visão única (“single pane of glass”) da operação global e suporte à tomada de decisão baseada em dados.
bril, atuando na previsão de falhas de equipamentos, manutenção preditiva, inspeção visual automatizada por visão computacional, criação de gêmeos digitais, previsão de demanda e otimização da cadeia de suprimentos. A Novartis também utiliza AWS para desenvolver modelos de visão computacional capazes de automatizar inspeções de linha e para extrair e interpretar automaticamente informações de documentos de fabricação. O que foi implantado continua sendo referência sobre Pharma 4.0 porque introduziu conceitos que hoje se tornaram pilares da manufatura biofarmacêutica.
Poucas empresas representam de forma tão clara os princípios da Pharma 4.0 quanto a Roche. Ao longo da última década, a companhia suíça deixou de tratar a transformação digital como um conjunto de projetos isolados de automação e passou a estruturá-la como uma estratégia corporativa integrada, conectando pesquisa, desenvolvimento, manufatura, cadeia de suprimentos, diagnósticos e inteligência artificial em uma única arquitetura digital. Essa visão tornou a Roche uma das principais referências internacionais em manufatura inteligente, sendo frequentemente citada em eventos da indústria, como a International Society for Pharmaceutical Engineering, e por fornecedores globais de tecnologia como a NVIDIA.
Enquanto muitas empresas iniciaram sua digitalização concentrando esforços em pesquisa e desenvolvimento, a Roche decidiu transformar profundamente suas operações industriais, especialmente a divisão de diagnósticos. Hoje, sua rede global de manufatura reúne 14 plantas especializadas, 3 centros de distribuição e

mais de 9 mil colaboradores, responsáveis pela produção anual de aproximadamente 31 bilhões de testes diagnósticos utilizados em hospitais e laboratórios de todo o mundo. E para sustentar essa escala, a empresa iniciou um processo de substituição dos tradicionais registros em papel por sistemas totalmente eletrônicos, conectando
equipamentos, laboratórios, sistemas de produção e plataformas analíticas.
Segundo a Roche, essa digitalização permitiu transformar informações antes dispersas em dados operacionais em tempo real, criando uma base para decisões muito mais rápidas e precisas. E uma das iniciativas foi a adoção de uma ar-
quitetura baseada em Data Mesh, conceito que distribui a gestão dos dados entre as diferentes áreas da organização sem perder a governança corporativa: a empresa desenvolveu painéis (data hub dashboards) que consolidam continuamente informações provenientes da produção, dos ensaios laboratoriais e dos testes de qualidade. Esses painéis permitem acompanhar indicadores produtivos em tempo real, visualizar tendências de processo, antecipar desvios de qualidade, identificar gargalos antes que afetem a produção e apoiar decisões baseadas em dados. Ou seja, em vez de utilizar os dados
apenas para registrar o que ocorreu, a Roche passou a utilizá-los para prever o comportamento futuro dos processos industriais.
A empresa também incorporou tecnologias avançadas de inspeção industrial como tomografia computadorizada para inspeção dimensional de moldes industriais, calibração a laser para otimização da qualidade, sistemas automatizados de programação da produção, controle digital da qualidade e gestão digital do chão de fábrica. Essas iniciativas reduzem desperdícios, aumentam a precisão metrológica e diminuem o tempo de resposta das operações industriais.
Um projeto emblemático da Roche envolve Digital Twins: na unidade de Rotkreuz, na Suíça, a empresa está criando réplicas digitais de mais de uma centena de linhas de produção, modelos tridimensionais que permitem visualizar virtualmente equipamentos, fluxos de materiais e operações antes mesmo da realização de alterações físicas na planta. Com isso, pode simular novos layouts, validar modificações sem interromper a produção, otimizar o fluxo produtivo, treinar virtualmente operadores e reduzir riscos durante expansões industriais.
ROCHE
Em 2024, engenheiros da Roche apresentaram, durante a conferência anual da ISPE, três casos concretos de utilização de Inteligência Artificial em operações farmacêuticas. Um deles envolve modelos preditivos capazes de estimar rendimento (titer/yield) e atributos críticos de qualidade (Critical Quality Attributes – CQAs) em processos biotecnológicos: os algoritmos identificam fatores responsáveis pela variabilidade do processo e recomendam ajustes operacionais antes que ocorram
desvios de qualidade. Além disso, a IA auxilia na definição das melhores sequências de produção e na otimização de parâmetros operacionais, reduzindo perdas e aumentando o rendimento dos lotes. A Roche destacou que o objetivo não era substituir especialistas, mas ampliar sua capacidade de tomada de decisão por meio da análise simultânea de milhares de variáveis que dificilmente poderiam ser avaliadas manualmente.
Em 2026, a Roche deu um passo além ao anunciar
uma expansão de sua parceria com a NVIDIA para criar a maior infraestrutura híbrida de IA já anunciada por uma empresa farmacêutica. O projeto adicionou 2.176 GPUs NVIDIA Blackwell, elevando a infraestrutura total da companhia para mais de 3.500 GPUs, distribuídas entre ambientes locais e em nuvem nos EUA e na Europa.
Segundo a Roche, essa infraestrutura - denominada AI Factory - foi concebida para incorporar IA em toda a cadeia de valor, desde a
descoberta de novos medicamentos até a manufatura, diagnósticos e comercialização.
No desenvolvimento de medicamentos, a Roche utiliza a estratégia denominada Lab-in-the-Loop, na qual experimentos biológicos, modelos computacionais e inteligência artificial funcionam em um ciclo contínuo de aprendizagem:
3.500+
GPUs em infraestrutura híbrida
com o apoio da plataforma NVIDIA BioNeMo, pesquisadores conseguem treinar modelos fundamentais para biologia molecular, explorar espaços químicos mais amplos e acelerar a identificação de candidatos terapêuticos. De acordo com a NVIDIA, aproximadamente 90% dos programas elegíveis de pequenas moléculas da Genentech, empresa do gru-
po Roche, já utilizam IA em alguma etapa do desenvolvimento.
A parceria com a NVIDIA também expandiu o uso do NVIDIA Omniverse para a construção de gêmeos digitais de fábricas e um dos primeiros projetos contempla a nova unidade produtiva de medicamentos GLP-1 na Carolina do Norte.
2.176 90%
GPUs NVIDIA Blackwell adicionadas
A Roche reconhece que a transformação digital depende tanto de pessoas quanto de tecnologia. Por isso, criou programas como o Digital Ambassador Network, voltado ao desenvolvimento de competências digitais nas áreas de manufatura, e comunidades internas de dados, como a Data2Value Community, destinadas a disseminar o uso de análises avançadas e decisões orientadas por dados em suas operações globais. O conjunto dessas iniciativas colo -
ca a Roche entre os principais lighthouses da Pharma 4.0 por reunir, de forma integrada, elementos que muitas empresas ainda implementam isoladamente como a digitalização completa dos registros de produção, arquitetura de dados baseada em Data Mesh, monitoramento em tempo real, gestão orientada por indicadores digitais, inteligência artificial aplicada à qualidade e ao rendimento dos processos, inspeção industrial avançada, gêmeos digitais para projeto e ope -
dos programas elegíveis de pequenas moléculas da Genentech já usam IA em alguma etapa
ração de fábricas, integração entre P&D, manufatura e diagnósticos e desenvolvimento sistemático de competências digitais.
Mais do que adotar tecnologias específicas, a Roche vive uma mudança de paradigma: a manufatura deixa de ser uma etapa operacional para se tornar uma plataforma digital capaz de conectar ciência, engenharia, qualidade e inteligência artificial em um ambiente integrado - o princípio central da Pharma 4.0.
A AstraZeneca é hoje um dos melhores exemplos de Pharma 4.0 aplicada à manufatura, por integrar inteligência artificial, digital twins, automação, sustentabilidade e capacitação de pessoas em uma estratégia única. O reconhecimento de sua unidade de Södertälje, na Suécia, como Global Lighthouse pelo World Economic Forum (WEF) em 2024 consolidou a empresa como um dos principais benchmarks internacionais da manufatura farmacêutica digital. Mas a
AstraZeneca não é considerada uma Lighthouse porque utiliza IA ou Digital Twins. Muitas empresas fazem isso. Ela recebeu o reconhecimento porque conseguiu escalar essas tecnologias para toda a operação industrial, demonstrando ganhos concretos em quatro dimensões avaliadas pelo WEF – produtividade, velocidade de lançamento de novos produtos, desenvolvimento e capacitação da força de trabalho, sustentabilidade e excelência operacional.


Södertälje • Suécia
A transformação digital da indústria farmacêutica deixou de ser apenas uma questão de automação para se tornar uma estratégia capaz de conectar pessoas, processos, dados e inteligência artificial ao longo de toda a cadeia produtiva. E a AstraZeneca materializa essa visão.
Em setembro de 2024, a unidade de Södertälje, na Suécia, da AstraZeneca foi reconhecida pelo World Economic Forum (WEF)
como parte da Global Lighthouse Network, grupo formado pelas fábricas consideradas mais avançadas do mundo na aplicação das tecnologias da Quarta Revolução Industrial. A distinção é concedida apenas a plantas que demonstram resultados mensuráveis em produtividade, sustentabilidade, qualidade e desenvolvimento de pessoas por meio da adoção integrada de tecnologias digitais.
Segundo a AstraZeneca, a estratégia de transformação digital começou com a criação de uma arquitetura industrial baseada em dados, na qual equipamentos, sistemas de automação, laboratórios e plataformas corporativas passaram a operar de forma integrada. Esse ambiente permite coletar continuamente informações provenientes da produção e transformá-las em indicadores utilizados para otimizar processos, reduzir desperdícios e antecipar desvios operacionais. Em vez de reagir a problemas, a empresa passou a atuar de forma preditiva, utilizando modelos analíticos para apoiar decisões em tempo real.
A inteligência artificial ocupa papel central nessa estratégia. Os algoritmos desenvolvidos pela empresa analisam grandes volumes de dados industriais para identificar padrões invisíveis aos métodos tradicionais de controle estatístico. E eles são aplicados em otimização dos parâmetros de fabricação, previsão de falhas de equipamentos, monitoramento contínuo da qualidade, manutenção preditiva, planejamento inteligente da produção e otimização do consumo energético. Essa abordagem permitiu a AstraZeneca elevar simultaneamente eficiência operacional e sustentabilidade, reduzindo desperdícios sem
comprometer os rigorosos requisitos regulatórios da indústria farmacêutica.
Um dos pilares tecnológicos da Pharma 4.0 é a utilização de Digital Twins e, na AstraZeneca, eles são empregados para apoiar decisões de engenharia, planejamento de capacidade e otimização contínua dos processos, reduzindo o tempo necessário para validar alterações em plantas altamente reguladas.
Outro ponto importante da estratégia da AstraZeneca é a criação de uma infraestrutura de dados capaz de integrar informações provenientes do chão de fábrica, sistemas corporativos e plataformas analíticas: esse tipo de arquitetura permite que modelos de IA monitorem continuamente variáveis críticas do processo, detectando tendências que antecedem desvios de qualidade ou falhas de equipamentos. A combinação de sensores industriais, computação em nuvem e aprendizado de máquina transforma dados operacionais em recomendações para operadores e engenheiros, tornando a tomada de decisão mais rápida e consistente. E essa integração reduz a dependência de inspeções reativas e amplia a capacidade de controle em tempo real, um dos princípios centrais da Pharma 4.0.
O reconhecimento do WEF também decorreu da capacidade da AstraZeneca de integrar metas ambientais à sua estratégia digital: a empresa utiliza modelos analíticos para otimizar o consumo de energia, reduzir emissões de carbono e minimizar desperdícios de matérias-primas, demonstrando que eficiência operacional e sustentabilidade podem ser tratadas como objetivos complementares. Essa abordagem está alinhada ao conceito de Pharma 5.0, no qual tecnologias digitais deixam de buscar apenas produtividade e passam a apoiar metas ambientais e sociais, preservando a centralidade das pessoas no processo produtivo.
Destaque-se que as Lighthouses do WEF não se limitam à adoção de novas tecnologias; elas também promovem mudanças organizacionais profundas. Na AstraZeneca, programas de capacitação digital foram desenvolvidos para ampliar as competências dos colaboradores em análise de dados, inteligência artificial e melhoria contínua. A empresa enfatiza que a transformação digital depende da combinação entre tecnologia e conhecimento humano, reforçando a ideia de que a IA atua como suporte à tomada de decisão, e não como substituta da experiência dos profissionais.
Mais do que adotar tecnologias isoladas, a AstraZeneca demonstra como a transformação digital pode redefinir o papel da manufatura farmacêutica: a fábrica deixa de ser apenas um centro de produção para se tornar uma plataforma inteligente de geração de conhecimento, capaz de conectar engenharia, qualidade, sustentabilidade e inteligência artificial em um ambiente integrado. Exatamente a visão defendida pelos princípios da Pharma 4.0 e, cada vez mais, da emergente Pharma 5.0.



A GSK é considerada uma das empresas que mais avançaram na aplicação prática dos conceitos da Pharma 4.0, principalmente por ter sido pioneira em três áreas: a digitalização da execução da manufatura (paperless manufacturing), o uso de Digital Twins para acelerar o desenvolvimento e a produção de vacinas e a integração entre engenharia de processos, ciência de dados e inteligência artificial. Diferentemente de empresas que iniciaram a transformação digital pela pesquisa farmacêutica, a GSK concentrou seus primeiros esforços no chão de fábrica, tornando a manufatura um elemento estratégico para reduzir o tempo de lançamento de novos medicamentos e aumentar a robustez dos processos produtivos.
A digitalização da manufatura da GSK começou pela substituição gradual dos tradicionais registros em papel (paper batch records), historicamente utilizados para documentar cada etapa da fabricação farmacêutica. A revisão manual desses documentos representava um dos principais gargalos para a liberação de lotes e para a melhoria contínua dos processos. A empresa passou então a adotar sistemas eletrônicos de execução da manufatura (MES) capazes de digitalizar a execução de lotes, reduzir erros humanos, melhorar a integridade dos dados e facilitar a conformidade com os requisitos regulatórios do FDA e de outras agências sanitárias.
A estratégia estava alinhada ao conceito de Pharma 4.0 proposto pela ISPE International Society for Pharmaceutical Engineering - transformar dados operacionais em informações disponíveis em tempo real para apoiar decisões de produção e qualidade.

GSK


Outro marco da transformação digital foi a criação do programa interno denominado “The Art of the Possible”. Para a empresa, a digitalização não deveria ser tratada como um projeto de tecnologia, mas como uma mudança de modelo operacional. A iniciativa reuniu especialistas em engenharia, produção, qualidade, tecnologia da informação e ciência de dados para identificar aplicações capazes de gerar benefícios mensuráveis em produtividade, qualidade e segurança operacional. A proposta consistia em demonstrar rapidamente casos de uso de alto impacto, permitindo que novas soluções fossem escaladas para outras plantas da companhia. Essa abordagem ajudou a disseminar a cultura digital dentro da organização e reduziu a resistência típica de ambientes altamente regulados.
Entre os projetos inovadores da GSK está a utilização de Digital Twins na divisão de vacinas: em parceria com a Siemens e a Atos, a empresa desenvolveu um modelo virtual capaz de reproduzir em tempo real todo o processo de fabricação de um adjuvante vacinal - substância responsável por potencializar a resposta imunológica das vacinas. O objetivo inicial foi compreender melhor a variabilidade do processo produtivo e reduzir o número de experimentos físicos necessários para otimizar parâmetros de fabricação.
O conceito de Digital Twin vai além da simples simulação. Sensores instalados na planta alimentam continuamente o modelo virtual, que, por sua vez, processa essas informações por meio de modelos matemáticos e algoritmos de inteligência artificial. Os resultados das simulações retornam ao processo produtivo, formando um ciclo fechado de aprendizagem que permite antecipar desvios, otimizar condições operacionais e apoiar decisões de engenharia. A tecnologia implementada possibilita realizar milhares de experimentos virtuais antes da execução de testes laboratoriais, reduzindo significativamente o consumo de materiais, energia e tempo de desenvolvimento.
GSK
Além da manufatura, a GSK passou a explorar o uso de Digital Twins em etapas anteriores do ciclo de desenvolvimento, combinando experimentação de alta produtividade (high-throughput experimentation) com modelos computacionais capazes de prever o comportamento de formulações ainda nas fases iniciais de pesquisa. Essa integração entre experimentação física e simulação digital permite confirmar hipóteses com maior rapidez e reduzir a necessidade de testes laboratoriais repetitivos.
A estratégia digital da GSK também enfatiza a integração entre tecnologia operacional (OT) e tecnologia da informação (IT). A empresa destaca que um dos maiores desafios da Pharma 4.0 não é a disponibilidade de dados, mas sua integração, padronização e governança. E ainda a convergência entre sistemas MES, historiadores industriais, plataformas analíticas e soluções de gerenciamento de dados industriais cria uma infraestrutura capaz de fornecer uma visão única da operação, facilitando a transferência tecnológica entre pesquisa, desenvolvimento e produção. Essa abordagem reduz esforços de conformidade regulatória, melhora a integridade dos dados e acelera iniciativas de transformação digital em escala global.
Embora os primeiros projetos tenham sido fortemente baseados em modelagem matemática e Digital Twins, a evolução natural da estratégia foi incorporar inteligência artificial para ampliar a capacidade analítica da organização. Modelos de IA passaram a apoiar a interpretação dos dados provenientes dos processos industriais.
Um aspecto frequentemente destacado pela GSK é que a transformação digital de-
pende tanto de pessoas quanto de tecnologia: a empresa estruturou equipes multidisciplinares envolvendo engenheiros de processo, cientistas de dados, especialistas em automação, profissionais de qualidade e desenvolvedores de software. Essa integração reduziu a distância tradicional entre áreas de pesquisa, engenharia e manufatura, permitindo que novas soluções fossem concebidas de forma colaborativa e implementadas com maior velocidade.
O diferencial da GSK não está na adoção isolada de tecnologias, mas na integração dessas soluções em um modelo operacional orientado por dados. A empresa foi uma das primeiras farmacêuticas globais a demonstrar, em ambiente industrial, que Digital Twins podem acelerar o desenvolvimento de vacinas, reduzir experimentação física e aumentar a compreensão dos processos produtivos. Paralelamente, a digitalização da execução da manufatura eliminou grande parte dos registros em papel, melhorando a qualidade dos dados e reduzindo o tempo necessário para revisão e liberação de lotes.
Essa estratégia aproxima a GSK do conceito defendido pela ISPE para a Pharma 4.0: uma manufatura inteligente, conectada e orientada por dados, capaz de integrar pesquisa, desenvolvimento, produção e qualidade em uma única arquitetura digital. Mais recentemente, ao combinar Digital Twins, inteligência artificial, integração IT/OT e colaboração multidisciplinar, a companhia também passou a incorporar elementos característicos da Pharma 5.0, em que tecnologias digitais atuam como amplificadoras da capacidade humana e da sustentabilidade dos processos industriais.

BRASIL
Automação, biotecnologia e integração de dados passam a ser instrumentos de competitividade e soberania tecnológica.
OBrasil vive um ciclo importante de modernização industrial farmacêutica. A combinação entre crescimento do mercado interno, fortalecimento do complexo econômico-industrial da saúde e políticas de produção local está estimulando investimentos em novas plantas e atualização tecnológica.
E a transformação digital da indústria farmacêutica brasileira vai além dos ganhos de produtividade. Em um contexto marcado pelas lições da pandemia, pela expansão dos medicamentos biológicos e pela necessidade de fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), automação, inteligência artificial e digitalização passaram a ser instrumentos de competitividade e de soberania tecnológica.
Entre os principais exemplos nacionais, destacam-se a Eurofarma, a Bio-Manguinhos/Fiocruz e a Libbs, que vêm construindo de formas distintas seus caminhos em direção ao paradigma Pharma 4.0.
Se a transformação digital da indústria farmacêutica mundial é frequentemente associada a gigantes como Novartis, Roche e AstraZeneca, no Brasil movimentos interessantes estão ocorrendo dentro de organizações que buscam simultaneamente inovação, escalabilidade produtiva e fortalecimento da autonomia tecnológica nacional.

@Peter Ilicciev/FIOCRUZ/Divulgação
A área de produção: com a transferência da tecnologia, o IFA será fabricado dentro do complexo de vacinas
Na Bio-Manguinhos, a digitalização é um instrumento de soberania tecnológica. Poucas organizações no Brasil enfrentaram desafios produtivos tão complexos quanto Bio-Manguinhos durante a pandemia. O processo de transferência tecnológica da vacina AstraZeneca/Oxford exigiu a internalização de etapas produtivas sofisticadas, validações regulatórias, expansão de capacidade e integração entre diferentes sistemas industriais. A experiência acelerou investimentos em digitalização e gestão de dados, criando uma base para iniciativas mais amplas de transformação digital.
DIGITALIZAÇÃO COMO SOBERANIA TECNOLÓGICA
O maior investimento atual da Fiocruz é o novo Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde (CIBS), considerado estratégico para ampliar a autonomia brasileira em vacinas e biofármacos que, segundo o Governo Federal, receberá cerca de R$ 6 bilhões em investimentos para novas plantas de vacinas e biofármacos. O complexo foi concebido para ampliar a produção nacional de vacinas, fortalecer a produção de biofármacos, incorporar tecnologias avançadas de manufatura, aumentar a capacidade de resposta a emergências sanitárias e modernizar o parque produtivo brasileiro.


R$6 bi
investimentos para novas plantas de vacinas e biofármacos no CIBS
BIO-MANGUINHOS
A Fiocruz também vem investindo fortemente em plataformas de RNA mensageiro (mRNA), consideradas uma das tecnologias mais estratégicas da indústria biofarmacêutica global: em 2025, equipes do BNDES e da Fiotec realizaram visitas técnicas aos laboratórios e à planta piloto da plataforma de RNA em Bio-Manguinhos, discutindo novos desembolsos para expansão do projeto.
Outro projeto estratégico é o Complexo Tecnológico em Insumos Estratégicos (CTIE), no Ceará, empreendimento que produzirá IFAs (Ingredientes Farmacêuticos Ativos) para medicamentos biológicos de alto custo, incluindo tratamentos para câncer e doenças inflamatórias.
Segundo a Fiocruz Ceará, a obra está dividida em três fases e a expectativa é iniciar a produção na próxima década, com foco em biofármacos complexos e insumos estratégicos. Além disso, o governo informou investimento de R$ 510 milhões para a primeira fábrica de IFA de insulina da América Latina ligada a Bio-Manguinhos.
Outro movimento da Fio -
cruz foi a ampliação da sua capacidade em diagnósticos, em parceria com a bioMérieux, incorporando uma planta produtiva em Jacarepaguá (Rio de Janeiro) para criação de um novo Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Diagnósticos, projeto que incluiu automação de processos, atualização tecnológica, novos projetos de transferência de tecnologia, expansão da produção de testes diagnósticos e redução do tempo de produção. Segundo a Bio-Manguinhos, o novo campus permitirá modernizar processos produtivos e acelerar o desenvolvimento de novos produtos diagnósticos.
Este ano, a Fiocruz também assinou acordo com a WuXi Biologics para ampliar capacidade produtiva de vacinas e fortalecer a cooperação tecnológica internacional para intercâmbio técnico, compartilhamento de conhecimento, escalonamento industrial, uso de tecnologias avançadas de fabricação e possível ampliação da produção de vacinas.
Hoje, Bio-Manguinhos figura entre os protagonistas brasileiros das discussões sobre Pharma 4.0, condu-
zindo projetos de digitalização laboratorial envolvendo implementação de LIMS (Laboratory Information Management System), ELN (Electronic Laboratory Notebook), LES (Laboratory Execution System), SDMS (Scientific Data Management System), soluções mobile e IoT para pesquisa, desenvolvimento e controle de qualidade, e digitalização de processos de validação e gestão da qualidade (eQMS). A Bio-Manguinhos está implementando uma arquitetura de Pharma 4.0, com integração de dados, rastreabilidade digital e tomada de decisão baseada em informações geradas em tempo real.
Para fabricantes de vacinas e biofármacos, essa transformação possui importância estratégica adicional. Diferentemente da produção química tradicional, processos biotecnológicos geram enormes volumes de dados relacionados a fermentação, cultura celular, purificação, formulação e controle de qualidade. Sem sistemas digitais robustos, torna-se praticamente impossível explorar todo o potencial de otimização dessas operações.
financiamento anunciado do BNDES
Na Libbs, a transformação digital é estratégia de inovação, a digitalização uma das ferramentas que sustentam essa evolução. E ela vem investindo em digitalização de processos, automação industrial, integração de dados e desenvolvimento de competências digitais como parte de sua estratégia de crescimento em medicamentos de maior valor agregado. O movimento acompanha uma tendência identificada em estudos recentes sobre o futuro da indústria farmacêutica, segundo os quais os laboratórios caminham para três estágios evolutivos: laboratórios digitalizados, automatizados e com controle de qualidade distribuído. Esse movimento ganhou novo impulso em 2024, quando a Libbs inaugurou a Planta Piloto Biotec e iniciou a operação da primeira fábrica brasileira dedicada à produção de medicamentos de alta potência (HPAPI). Na ocasião, a empresa também
biorreatores e linhas descartáveis
anunciou um financiamento de R$ 200 milhões do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social destinado à expansão de sua capacidade industrial por meio da aquisição de máquinas, equipamentos e bens de capital produzidos no país.
A nova Planta Piloto Biotec, instalada no complexo industrial de Embu das Artes (SP), foi projetada para atuar como elo entre a pesquisa laboratorial e a produção industrial. Sua missão é desenvolver processos para medicamentos biológicos de alta complexidade, incluindo anticorpos monoclonais inovadores, proteínas recombinantes terapêuticas, biossimilares e vacinas de RNA mensageiro. O diferencial está na adoção de plataformas de bioprocessos baseadas em tecnologia single-use, com biorreatores, sistemas cromatográficos e linhas de processamento descartáveis.
serviços para empresas, universidades e startups

A planta foi concebida para acelerar o chamado scale-up, permitindo transferir processos da bancada para a produção de material clínico e posteriormente para a fabricação comercial. Essa integração reduz o tempo de desenvolvimento, facilita a transferência tecnológica e diminui os riscos inerentes à industrialização de novos biofármacos. Além de atender às demandas internas, a unidade também foi estruturada para atuar como CDMO (Contract Development and Manufacturing Organization), oferecendo serviços de desenvolvimento e manufatura para outras empresas, universidades e startups de biotecnologia. Trata-se de um modelo amplamente utilizado pelos principais polos biofarmacêuticos internacionais e que fortalece o ecossistema nacional de inovação, segurança ocupacional para manipulação de compostos altamente ativos.
Nesses medicamentos uma quantidade muito pequena do princípio ativo já provoca uma resposta biológica intensa, por isso, durante a fabricação, qualquer exposição do operador ou contaminação cruzada representa um risco significativo, o que exige uma infraestrutura fabril totalmente distinta da convencional.
16 milhões 62 50
A estratégia de modernização da Libbs vai além da construção de novas instalações industriais. Paralelamente aos investimentos na Planta Piloto Biotec e na primeira fábrica brasileira dedicada à produção de medicamentos de alta potência (HPAPI), a companhia ampliou seu Centro de Desenvolvimento Integrado (CDI), consolidando uma estrutura que conecta pesquisa, desenvolvimento farmacêutico e produção industrial em um fluxo contínuo de inovação. Com investimento de R$ 16 milhões, o centro passou por uma ampla modernização, dobrou a área útil de seus laboratórios e expandiu significativamente sua capacidade para manipulação de compostos de alta potência, permitindo acelerar o desenvolvimento de novos medicamentos e reduzir o tempo de transferência tecnológica para a manufatura. Segundo a empresa, atualmente estão em andamento 62 projetos de novos medicamentos e outros 50 projetos voltados ao aprimoramento do portfólio existente, abrangendo áreas como cardiometabólica, oncologia, sistema nervoso central, ginecologia, biotecnologia e reumatologia.
A expansão do CDI também reforça um dos princípios centrais da Pharma 4.0: aproximar pesquisa e produção para reduzir o tempo entre a descoberta científica e a fabricação em escala industrial. O centro abriga uma planta-piloto que reproduz, em escala reduzida, as condições operacionais do parque fabril, permitindo desenvolver processos, validar formulações e antecipar ajustes antes da transferência para a produção comercial.

“É uma miniatura da nossa fábrica. Conseguimos desenvolver o medicamento em pequena escala, entender seu comportamento e realizar os ajustes necessários antes da industrialização”
Lucas Sponton, gerente de Pesquisa & Desenvolvimento da Libbs.
Essa integração entre desenvolvimento farmacêutico e engenharia industrial aumenta a previsibilidade dos processos, reduz riscos de escalonamento e acelera a introdução de novos produtos no mercado.
Os resultados dessa estratégia já começam a aparecer. Desde 2021, a Libbs informa ter reduzido em aproximadamente 50% o tempo de desenvolvimento de novos produtos, tornando seus processos mais competitivos em relação aos principais mercados internacionais. Um dos exemplos foi o desenvolvimento de uma combinação tripla inédita para o tratamento da hipertensão arterial não controlada, concebida integralmente no CDI. O estudo clínico, financiado e liderado pela própria empresa, foi selecionado entre os destaques científicos do Congresso Europeu de Cardiologia (ESC)a primeira vez, em 73 anos de história do evento, que uma pesquisa conduzida por uma farmacêutica brasileira alcançou esse reconhecimento. O ensaio envolveu mais de 700 pacientes distribuídos em 19 centros clínicos brasileiros,
demonstrando a crescente capacidade da indústria nacional de gerar inovação própria.
Embora a Libbs ainda não divulgue projetos envolvendo inteligência artificial aplicada diretamente à manufatura, a infraestrutura construída nos últimos anos cria as bases para essa evolução. A combinação entre planta-piloto, tecnologias single-use, produção de biofármacos, fabricação de medicamentos de alta potência e integração entre P&D e engenharia industrial constitui uma plataforma compatível com a futura incorporação de Manufacturing Execution Systems (MES), Electronic Batch Records (EBR), Process Analytical Technology (PAT), monitoramento em tempo real e algoritmos de inteligência artificial para otimização de processos. Nesse contexto, a empresa avança em direção ao conceito de Quality by Design (QbD), no qual o medicamento deixa de ser apenas testado ao final da produção e passa a ser desenvolvido com qualidade incorporada desde sua concepção.
A qualificação da equipe reforça essa estratégia. Dos 275 profissionais que compõem a área de Pesquisa & Desenvolvimento da Libbs, cerca de 70% atuam diretamente em projetos de inovação e desenvolvimento tecnológico, enquanto aproximadamente 40% dos pesquisadores envolvidos nas etapas de criação possuem título de mestre ou doutor. Segundo Lucas Sponton, a inovação não se limita ao desenvolvimento de novas moléculas, mas também inclui melhorias em formulações, aumento da adesão ao tratamento, ganhos produtivos e adaptações regulatórias. “Quando fortalecemos essa capacidade de pesquisa, ampliamos também o desenvolvimento local de soluções e a competência técnico-científica do país”, afirma o executivo. Essa visão aproxima a Libbs do modelo adotado pelas principais biofarmacêuticas globais, nas quais pesquisa, desenvolvimento e manufatura operam de forma integrada para reduzir o tempo de lançamento de novos medicamentos e aumentar a competitividade industrial.
Se Bio-Manguinhos representa a política industrial do Estado brasileiro e a Libbs simboliza o avanço nacional na produção de biofármacos e medicamentos de alta potência, a Eurofarma talvez seja hoje o exemplo mais completo de como a transformação digital pode ser incorporada à estratégia de crescimento de uma empresa farmacêutica latino-americana. Nos últimos anos, a companhia deixou de tratar digitalização como um projeto de tecnologia da informação para transformá-la em um dos pilares de sua expansão industrial, apoiada em automação, inteligência artificial, inovação aberta e manufatura inteligente.

R$ 712 mi 5,7% 30
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em P&D em 2025 da receita líquida projetos de IA iniciativas com startups globais
E o maior símbolo dessa estratégia é seu complexo industrial de Montes Claros (MG), inaugurado em 2025, considerado o maior parque fabril da empresa e um dos maiores empreendimentos farmacêuticos do Hemisfério Sul. A unidade foi concebida em modelo modular, com elevado nível de auto -
mação, tecnologia avançada e foco em sustentabilidade, ampliando significativamente a capacidade produtiva da companhia para sustentar seu crescimento internacional nas próximas décadas.
A digitalização da Eurofarma, entretanto, começou muito antes da inauguração da nova planta. Em seus re -
latórios de sustentabilidade, a empresa informa que foi a primeira farmacêutica da América do Sul a implantar um sistema MES (Manufacturing Execution System), substituindo gradualmente a documentação impressa por registros eletrônicos de produção e integrando informações de chão de fábrica aos
sistemas corporativos. Essa digitalização foi acompanhada da automatização de processos administrativos, da criação da Oficina Digital para desenvolvimento de soluções low-code voltadas às áreas operacionais e da aplicação de inteligência artificial no sequenciamento da produção, aumentando a eficiência do planejamento industrial. Trata-se de uma arquitetura típica das organizações que evoluem para a Pharma 4.0, baseada na integração entre produção, qualidade e dados em tempo real.

EUROFARMA
Nos últimos anos, essa estratégia ganhou uma nova dimensão com a incorporação da inteligência artificial e da inovação aberta ao modelo de negócios da companhia. O Relato Integrado 2026 informa que a Eurofarma investiu R$ 712 milhões em Pesquisa & Desenvolvimento em 2025, equivalente a 5,7% da receita líquida, além de lançar um Centro de Excelência em Inteligência Artificial, manter 30 projetos de IA em andamento e desenvolver 26 iniciativas com startups globais. Essas ações são complementadas pelo Eurofarma Ventures (antigo Neuron Ventures), fundo corporativo voltado ao investimento em biotechs e healthtechs capazes de acelerar o desenvolvimento de tecnologias disruptivas
para a saúde. A companhia também destaca o uso de big data, inteligência artificial e modelos digitais como parte de sua estratégia de transformação do negócio e de fortalecimento do ecossistema de inovação em toda a América Latina.
A nova fábrica de Montes Claros materializa essa visão. Concebida desde sua origem sob os princípios da Indústria 4.0, a unidade combina arquitetura modular, elevado grau de automação, sustentabilidade e infraestrutura preparada para suportar sistemas digitais de manufatura ao longo de todo o ciclo de vida da planta. Embora a empresa não divulgue detalhes técnicos de sua arquitetura de controle, a utilização de plataformas MES, registros eletrônicos, integração
de processos e ferramentas de inteligência artificial demonstra que a transformação digital deixou de ser um projeto isolado para se tornar um elemento estruturante da competitividade da Eurofarma. Em um cenário marcado pela crescente complexidade regulatória, pela serialização dos medicamentos, pela digitalização da Anvisa por meio do AnvisAI e pela necessidade de produzir medicamentos cada vez mais personalizados, a experiência da Eurofarma mostra que a evolução para a Pharma 4.0 depende menos da adoção pontual de novas tecnologias e mais da construção de um ecossistema integrado, no qual automação, dados e inteligência passam a orientar as decisões industriais em tempo real.
A EMS, maior farmacêutica brasileira em faturamento, vive um dos mais intensos ciclos de modernização industrial de sua história. Nos últimos anos, a companhia ampliou investimentos em pesquisa, expansão fabril e automação de processos para sustentar a produção de medicamentos de maior valor agregado, incluindo biossimilares e os futuros análogos de GLP-1 destinados ao tratamento do diabetes e da obesidade. Em 2024, a empresa anunciou um plano de investimentos superior a R$ 1 bilhão, contemplando novas linhas industriais, ampliação da capacidade produtiva e fortalecimento das atividades de P&D. Esse movimento está alinhado à estratégia da Nova Indústria Brasil, que busca reduzir a dependência de importações de medicamentos estratégicos e fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS).
investimentos anunciado pela EMS para novas linhas industriais, ampliação da capacidade produtiva e fortalecimento das atividades de pesquisa e desenvolvimento.



Embora a EMS divulgue poucos detalhes sobre sua arquitetura de automação, os investimentos recentes evidenciam uma modernização consistente da infraestrutura industrial. A expansão das plantas de Hortolândia (SP) incorpora linhas de produção mais flexíveis, maior integração entre operações industriais e controle de qualidade, além da ampliação dos sistemas de rastreabilidade exigidos pelo Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM). Em um ambiente regulado, esse tipo de investimento normalmente envolve integração entre equipamentos de produção, sistemas supervisórios, automação de embalagem, serialização e gerenciamento eletrônico dos dados de fabricação, reduzindo intervenções manuais e aumentando a confiabilidade das operações.
Outro vetor importante da transformação digital da EMS é o fortalecimento da pesquisa aplicada. A companhia ampliou seu centro de desenvolvimento tecnológi-
co e estabeleceu parcerias voltadas para biotecnologia e inovação farmacêutica, aproximando pesquisa e manufatura. Esse modelo reduz o tempo entre o desenvolvimento de novos produtos e sua industrialização, tendência observada nas principais farmacêuticas globais que adotam os conceitos de Pharma 4.0. A integração entre P&D, engenharia e produção também prepara a empresa para futuras aplicações de inteligência artificial, análise avançada de dados e manufatura contínua.
Mais do que aumentar capacidade produtiva, a EMS busca construir uma infraestrutura industrial preparada para responder às crescentes exigências regulatórias, de rastreabilidade e qualidade. Nesse contexto, automação, digitalização e integração de dados deixam de ser diferenciais tecnológicos e se tornam requisitos competitivos para uma empresa que pretende disputar espaço no mercado global de medicamentos complexos.

O Aché também vem promovendo um amplo programa de atualização tecnológica de suas unidades industriais, com foco na ampliação da capacidade produtiva, eficiência energética e sustentabilidade operacional. Os investimentos incluem modernização de linhas de produção, automação de utilidades industriais, digitalização de processos produtivos e expansão das operações voltadas para medicamentos de maior complexidade. A companhia também reforçou seus investimentos em pesquisa clínica e inovação, consolidando uma estratégia que integra desenvolvimento científico e manufatura.
Embora o laboratório não divulgue projetos específicos
de inteligência artificial industrial, sua estratégia está alinhada à evolução da Pharma 4.0 ao priorizar processos produtivos mais flexíveis, rastreáveis e sustentáveis. A modernização das plantas busca aumentar a eficiência operacional, reduzir desperdícios e criar infraestrutura compatível com futuras aplicações de monitoramento contínuo, análise de dados e integração entre produção, qualidade e engenharia. Em um ambiente regulado, essas iniciativas se tornam fundamentais para atender simultaneamente às exigências da Anvisa, dos mercados internacionais e das boas práticas de fabricação (GMP).
A digitalização também se reflete na crescente integração entre desenvolvimento
farmacêutico e manufatura. Ao reduzir o tempo de transferência tecnológica entre pesquisa e produção, o Aché se aproxima das estratégias adotadas por grandes farmacêuticas globais, nas quais a transformação digital começa pela reorganização dos processos industriais antes da incorporação de tecnologias mais avançadas, como inteligência artificial e gêmeos digitais.
O resultado é uma estrutura industrial mais preparada para responder às demandas de um mercado caracterizado por medicamentos cada vez mais personalizados, ciclos de desenvolvimento mais curtos e exigências crescentes de rastreabilidade e qualidade.
NOVA FRONTEIRA NACIONAL

O maior projeto industrial em andamento na indústria farmacêutica brasileira talvez seja a expansão do complexo da Brainfarma, empresa do grupo Hypera Pharma, em Anápolis (GO). A unidade, considerada um dos maiores parques farmacêuticos da América Latina, passa por um amplo programa de modernização voltado à ampliação da capacidade produtiva, nacionalização de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) estratégicos e produção de medicamentos de maior complexidade tecnológica. Os investimentos estão diretamente associados às diretrizes da Nova Indústria Brasil e ao fortalecimento da produção nacional de medicamentos considerados estratégicos para o Sistema
Único de Saúde (SUS).
Além da expansão física, o projeto incorpora novos conceitos de automação industrial, integração de processos produtivos e melhoria da eficiência operacional. Em plantas dessa dimensão, a competitividade depende cada vez mais da integração entre automação, rastreabilidade, controle de qualidade e gestão digital da produção. Embora a Hypera divulgue poucos detalhes técnicos sobre sua arquitetura digital, a modernização cria condições para incorporar sistemas MES, monitoramento contínuo, serialização e análise avançada de dados, elementos considerados essenciais na evolução rumo à Pharma 4.0.
Outro aspecto relevante
é a nacionalização da produção de IFAs estratégicos, iniciativa que reduz a dependência externa e fortalece a resiliência da cadeia farmacêutica brasileira. A produção local desses insumos exige elevados padrões de controle de processo, rastreabilidade e conformidade regulatória, tornando a digitalização industrial um fator decisivo para garantir competitividade internacional.
Mais do que ampliar a produção, a Brainfarma representa um exemplo de como investimentos industriais, política pública e transformação digital começam a convergir para criar uma nova geração de plantas farmacêuticas no Brasil.
REGULAÇÃO, DADOS E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Mais do que reduzir filas de registro, a digitalização da Anvisa passa a exigir da indústria dados estruturados, rastreáveis e confiáveis desde a origem.
anvisAI
estimativa de ganho de submissão mais eficiente e menos trabalho
Durante muito tempo, a transformação digital da indústria farmacêutica se concentrou nas fábricas. Mas, à medida que a indústria farmacêutica brasileira acelera seus investimentos em automação, inteligência artificial e manufatura digital, o ambiente regulatório também passa por uma profunda transformação. Agora, esse movimento alcançou o órgão regulador: em novembro de 2025, a Anvisa e o Ministério da Saúde anunciaram oficialmente o Projeto AnvisAI, iniciativa que prevê investimento de R$ 25 milhões para incorporar inteligência artificial aos processos regulatórios da Agência. O objetivo é reduzir o tempo de análise de medicamentos, produtos biológicos, pesquisas clínicas e dispositivos médicos, aumentar a produtividade dos especialistas e modernizar toda a infraestrutura tecno -
estruturado, padronizado e reutilizavel em todo o ciclo de vida
lógica da vigilância sanitária brasileira. O projeto integra o Plano de Redução das Filas da Anvisa e está alinhado às ações do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), prevendo, além de ferramentas de IA, a implantação de documentação técnica em formato eletrônico (eCTD), painéis de Business Intelligence e novas plataformas de integração de dados. Embora o AnvisAI seja direcionado inicialmente às atividades da própria agência, seus efeitos tendem a alcançar toda a cadeia produtiva. À medida que algoritmos passam a apoiar a análise documental, a identificação de inconsistências e a organização de processos regulatórios, cresce também a necessidade de que as empresas apresentem dados estruturados, íntegros e digitalmente rastreáveis. Isso reforça a importância de investimentos em sistemas
insights preditivos para riscos regulatórios e qualidade em tempo real
eletrônicos de gestão documental, registros digitais de fabricação, integridade de dados e interoperabilidade entre plataformas industriais e regulatórias.
anvisAI
CONSEQUÊNCIAS
Prazos de análise prolongados;
Falta de tempo para atuação na inspeção e monitoramento (pós-anuência);
Estudos podem não estar sendo conduzidos de acordo com BPC, protocolo e regulamentos específicos; Avaliações em duplicata (aproveitamento de análise de outras autoridades);
Incertezas quanto à segurança aos participantes do estudo;
Pouca efetividade nas atividades regimentais da COPEC;
O medicamento pode não estar sendo fabricado em condições de BPF;
Pouca formação/ conhecimento dos participantes de ensaios clínicos;
Comprometimento do planejamento da área para a redução do passivo e de outras demandas;
Atuação regulatória na análise e monitoramento de ensaios clínicos não é adequadamente gerenciada pelo risco
CAUSAS
Existe cobrança do setor regulado em ter os ensaios clínicos aprovados (cobrança para redução dos prazos);
Existe uma urgência da diretoria e do setor regulado para avanços no reliance, sem que tenhamos tempo de avaliar medidas de gestão de risco;
Falta de fundamentação clara sobre os critérios para a seleção de prioridades pela área técnica (monitoramento de estudos nacionais, realização de inspeções de BPC);

Limitada comunicação no âmbito de atuação da CONEP e ANVISA.
Falta tempo para estudo/capacitação (servidores sobrecarregados);
Maior tempo gasto em demandas de menor risco, em detrimento daquelas de maior risco;
Capacitações não voltadas para o assunto de maior importância;
Convergência e harmonização ainda limitadas entre as instâncias regulatória e ética; Não realização de análise conjunta (tempo insuficiente para se reunir com a equipe da COPEC, ou de outras áreas), para discutir assuntos complexos;
Limitado conhecimento sobre a forma de atuação das outras autoridades reguladoras;
Porque há um número reduzido de servidores para a realização de todas as atividades da área;
O marco regulatório é insuficiente para gerenciar o risco;
CAUSAS RAÍZES
A RDC 09/2015 é pouco detalhada e não aborda critérios relacionados aos riscos;
Faltam acordos de confidencialidade entre as agências, no âmbito da pesquisa clínica;
Falta de estímulo ao servidor da área, frente ao grande volume de demandas e desafios;
Quando o marco regulatório (RDC 09/2015) foi elaborado, não se pensou em fazer uma avaliação com base em risco;
Os acordos de confidencialidade na área de pesquisa clínica são superficiais ou limitados;
Os critérios atuais de priorização podem não estar adequadamente baseados em risco/não contemplam o maior risco associado aos processos da área;
O foco maior foi na etapa de anuência (em detrimento do monitoramento, pós anuência);
Faltam mecanismos eficientes de interlocução entre as agências;
Faltava conhecimento/clareza sobre as atividades consideradas como sendo de maior risco quando a norma foi elaborada;
Por questões de confidencialidade no desenvolvimento de produtos pela característica no processo;
As análises de petições consomem todo o tempo;
Como foi a primeira norma que integrava os processos de pesquisa clínica, supõe-se que não tenha sido possível, naquele momento, avançar no gerenciamento de risco;
Há dificuldades em realocar servidores de outras áreas da agência para a área de pesquisa;
Porque os estudos desenvolvidos somente no Brasil e avaliados somente pela Anvisa, requerem maior atenção e dedicação da área técnica;
A RDC está estruturada principalmente na submissão de processos;
Porque há muitas cobranças (desequilíbrio na distribuição de servidores na Anvisa);
As análises são amplas, profundas e em grande volume;
Árvore de Problemas redesenhada a partir do RELATÓRIO DE ANÁLISE DE IMPACTO REGULATÓRIO SOBRE PESQUISA CLÍNICA COM MEDICAMENTOS E PRODUTOS BIOLÓGICOS (ANVISA / abril de 2024)
Os patrocinadores fazem altos investimentos no desenvolvimento de novos produtos (ensaios clínicos);
É necessária a autorização do parlamento e de do MGI para realização de concurso público;
Os critérios da norma podem estar direcionados/focados exclusivamente ou principalmente nos estudos clínicos desenvolvidos somente no Brasil e, portanto, avaliados somente pela Anvisa;
Os patrocinadores são competitivos para o lançamento de novos produtos;
Porque as políticas de distribuição de servidores nas áreas são pouco efetivas;
Porque a interação formal entre CONEP e Anvisa ainda está em construção.
anvisAI
Na prática, o AnvisAI fortalece um movimento já impulsionado pelo Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM), pela serialização baseada no padrão GS1 DataMatrix e pelos requisitos internacionais de Data Integrity. A tendência é que documentos gerados automaticamente por sistemas MES, registros eletrônicos de produção (Electronic Batch Records), certificados digitais de análise e bases estruturadas de dados passem a ter papel cada vez mais central nas interações entre indústria e agência reguladora. Empresas que ainda dependem de processos predominantemente manuais enfrentarão maiores dificuldades para acompanhar esse novo modelo regulatório.
O projeto também cria condições para uma evolução futura em direção à chamada regulação inteligente, na qual ferramentas de inteligência artificial poderão apoiar atividades como inspeções baseadas em risco, análise preditiva de conformidade, identificação automática de padrões em eventos adversos e avaliação mais rápida de alterações pós-registro. Embora essas aplicações ainda estejam em desenvolvimento, elas seguem uma tendência já observada
em outras autoridades sanitárias internacionais, como o FDA e a EMA.
Assim, o AnvisAI deixa de ser apenas um projeto de modernização administrativa para se tornar um indutor da Pharma 4.0 no Brasil. Ao exigir dados mais consistentes, processos digitais e maior interoperabilidade entre empresas e regulador, a iniciativa tende a acelerar investimentos em automação, rastreabilidade, gestão eletrônica da qualidade e inteligência de dados. Assim como ocorreu com a serialização obrigatória dos medicamentos, a transformação digital da Anvisa poderá funcionar como um poderoso catalisador para a modernização tecnológica de toda a indústria farmacêutica brasileira.
Para a indústria farmacêutica, à medida que o regulador digitalizar seus processos, vai aumentar a necessidade de que toda a cadeia produtiva opere com informações confiáveis desde a origem. Sistemas de automação industrial, laboratórios digitais, serialização, rastreabilidade, monitoramento contínuo, gestão eletrônica da qualidade (eQMS), Electronic Laboratory Notebooks (ELN) e plataformas MES deixam de ser apenas ferramentas de
produtividade para se transformar em ativos regulatórios. Empresas que ainda dependem de documentação predominantemente manual ou de sistemas isolados tendem a enfrentar maior dificuldade para responder às exigências de um ambiente regulatório cada vez mais orientado por dados.
Então, o AnvisAI funciona como um poderoso acelerador da Pharma 4.0 brasileira. Se, na última década, a serialização de medicamentos impulsionou investimentos em identificação unitária, rastreabilidade e integração logística por meio do SNCM e do padrão GS1 DataMatrix, a próxima etapa deve ser a consolidação de um ecossistema digital integrado, no qual produção, controle de qualidade, cadeia de suprimentos e regulação compartilham informações em tempo real. Mais do que reduzir filas de registro, o AnvisAI sinaliza que a competitividade futura da indústria farmacêutica brasileira dependerá da capacidade de produzir, organizar e compartilhar dados com a mesma qualidade com que produz medicamentos.
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Os estudos recentes sobre o futuro da automação farmacêutica mostram que os laboratórios estão se tornando o principal eixo da transformação digital do setor e um levantamento aponta três estágios de maturidade tecnológica dos laboratórios.

Segundo o estudo “O futuro da indústria farmacêutica: o papel da inteligência artificial, da automação e da robótica”, publicado em 2024, a digitalização laboratorial pode gerar reduções de custos entre 25% e 55% em laboratórios químicos e entre 15% e 35% em laboratórios microbiológicos, principalmente pela eliminação de atividades manuais de documentação e pela otimização do planejamento operacional.
Uma das conclusões mais relevantes da literatura acadêmica recente é que o laboratório farmacêutico está deixando de ser um ambiente predominantemente manual para se tornar um ambiente digital e conectado, postulando que os laboratórios do futuro deverão incorporar gêmeos digitais, cadernos
eletrônicos de laboratório, transcrição automática de dados, monitoramento remoto de equipamentos, automação robótica de processos e inteligência artificial para controle de qualidade.
Os estudos mostram que os sistemas de controle de qualidade distribuído poderão acelerar significativamente a liberação de produtos por meio de testes em tempo real (RTRT), reduzindo a necessidade de laboratórios convencionais e aproximando a indústria farmacêutica do conceito de manufatura contínua.
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Apesar do entusiasmo, a adoção da Pharma 4.0 enfrenta obstáculos importantes como a cultura organizacional - muitas empresas ainda operam com estruturas departamentalizadas, dificultando a integração entre engenharia, qualidade, TI e produção - um padrão que evidencia como a tecnologia costuma avançar mais rápido do que as organizações.

Organizações ainda fragmentadas
Muitas empresas ainda operam com estruturas silos, processos desconectados e decisões descentralizadas, o que limita a orquestração end-to-end e reduz o valor da digitalização. Alinhas estratégia, governança e pessoas continua sendo um grande desafio.

Competências que precisam convergir
A Pharma 4.0 exige profissionais que transmitem entre áreas: dados, automação, bioprocessos, qualidade e TI. Desenvolver e reter talentos híbridos - com mentalidade digital e visão de negócioe condição crítica para sustentar a transformação em escala

Mais conectividade, maior superfície de risco
A expansão de dispositivos, redes e integrações aumenta a exposição a ameaças cibernéticas e a necessidade de proteção de dados sensíveis.
Cibersegurança, privacidade e resiliência operacional precisam evoluir no mesmo ritmo da conectividade.

Integrar sem interromper a operação
Conectar o novo ao legado é um dos maiores desafios técnicos e culturais. Garantir continuidade, conformidade regulatória e retorno sobre investimento exige arquitetura aberta, padrões robustos e gestão de mudanças consistente.





Inteligência artificial na indústria: por que o desafio já não é adotar, mas implantar com critério
Lucas Fontoura Goulart, Gerente de Tecnologia Operacional e Inovação na Cedro Têxtil; Presidente da ISA Seção Minas Gerais; Conselheiro de Tecnologia e Inovação da FIEMG
Warley Magno Farias, Sócio proprietário da Digital Squad Smart Solutions
A inteligência artificial deixou de ser um tema periférico na agenda industrial. O debate, porém, ainda carrega um descompasso recorrente: discute-se muito a potência da tecnologia e pouco a disciplina necessária para incorporá-la de
Introdução
A inteligência artificial já ultrapassou o estágio da curiosidade. Na indústria, a dúvida não é mais se ela terá impacto. Isso já está dado. A questão que realmente importa passou a ser outra: como transformar esse potencial em resultado concreto sem comprometer segurança, confiabilidade, continuidade operacional e capacidade de comando sobre o processo.
Esse ponto é decisivo. No ambiente industrial, especialmente em operações intensivas em ativos, energia,
forma segura, confiável e economicamente relevante em ambientes operacionais. Este artigo sustenta que, em Operational Technology (OT), o valor da inteligência artificial não decorre da adoção da solução mais sofisticada, mas da aplicação
processo e criticidade, a inteligência artificial não interage apenas com fluxos digitais ou tarefas administrativas. Ela toca variáveis que sustentam o desempenho real da operação: disponibilidade, estabilidade, qualidade, manutenção, segurança funcional, exposição cibernética e, em muitos casos, risco físico. Por isso, abordá-la como modismo tecnológico é um erro de origem. Em OT, entusiasmo sem método costuma sair caro.
Ainda assim, boa parte da discussão sobre inteligência
O erro mais comum: começar pela tecnologia
Grande parte das iniciativas de IA nasce da pergunta errada. Em vez de começar por “qual perda precisa ser reduzida?”, “qual decisão precisa melhorar?” ou “qual restrição operacional justifica essa intervenção?”, muitas empresas começam por “qual ferramenta usar?”, “qual modelo adotar?” ou “qual fornecedor está mais avançado?”. Essa inversão compro -
mete a qualidade da jornada desde o início. Quando a organização se apaixona pela tecnologia antes de compreender o problema, tende a construir pilotos vistosos, porém frágeis. O caso de uso impressiona em apresentações, mas não se sustenta no ritmo, no ruído e na complexidade da operação real. A sofisticação, nesse caso, passa a funcionar como maquiagem para uma deficiência mais profunda: a
da inteligência adequada, na camada correta, com dados confiáveis, arquitetura segura, governança robusta e propósito operacional claro. Mais do que uma agenda de tecnologia, trata-se de uma agenda de maturidade industrial.

artificial segue presa a uma lógica de fascínio. Fascínio pelos modelos, pelo volume de dados, pela promessa de automação ampliada e pela velocidade das transformações em curso. O problema é que fábricas não recompensam deslumbramento. Recompensam previsibilidade, robustez, repetibilidade e discernimento técnico. Em outras palavras, a indústria não premia a novidade em si; premia a capacidade de transformar novidade em resultado sem perder controle do sistema.
ausência de propósito industrial claramente definido. Em operações industriais, a lógica deveria ser inversa. Primeiro vem o problema. Depois, o processo. Em seguida, os dados. Só então entram arquitetura, modelo, integração e implantação. Esse encadeamento parece elementar, mas é justamente ele que separa iniciativas de demonstração de iniciativas com vocação real para escala.
Há um equívoco recorrente na forma como parte do mercado tem tratado a inteligência artificial: a ideia implícita de que ela seria capaz de compensar deficiências estruturais de maturidade digital. Não é. Na prática, a IA costuma fazer o oposto: ela expõe, acelera e amplifica fragilidades já existentes.
Dados dispersos, sem contexto operacional, sem rastreabilidade, sem semântica comum e sem governança não constituem matéria-prima para inteligência. Constituem ruído. Sem integração mínima entre sistemas, sem
visibilidade confiável sobre o processo e sem qualidade de informação, a empresa não constrói inteligência; apenas sofisticará a desordem.
É justamente por isso que o Industrie 4.0 Maturity Index, da acatech, segue sendo uma referência tão útil. Sua contribuição não está apenas na classificação dos estágios de maturidade, mas na ideia central de que a transformação industrial depende de uma evolução coordenada entre tecnologia, sistemas de informação, organização e cultura. A inteligência artificial não substitui
Em OT, desempenho sem governança não basta
No ambiente industrial, não basta que um sistema funcione. Ele precisa funcionar sob restrições reais de disponibilidade, segurança, auditabilidade, explicabilidade e resiliência. Essa é uma das razões pelas quais a discussão sobre inteligência artificial em OT precisa ser mais exigente do que em outros domínios corporativos.
O position paper da ISA sobre IA industrial é particularmente feliz ao recentrar o debate em fatores que realmente importam para auto -
mação: segurança humana, confiabilidade do sistema, dependência de dados, explicabilidade, proteção da informação, cibersegurança, aderência aos processos de negócio e desenvolvimento de competências. Essa abordagem é valiosa porque nos lembra que, em ambientes industriais, implantar IA não é apenas tomar uma decisão tecnológica. É tomar uma decisão operacional e arquitetural.
Essa distinção importa muito. Um modelo pode apresentar boa performan-
Segurança precisa nascer com a solução
Em OT, a governança não pode ser acrescentada depois, como camada corretiva. Ela precisa nascer junto
com a solução. A mesma lógica vale para cibersegurança, responsabilidade técnica, gestão de risco e controle de
essa travessia. Ela depende dela.
Antes de uma operação aspirar à adaptabilidade, ela precisa alcançar visibilidade. Antes de confiar em previsões, precisa entender seus próprios dados. Antes de falar em autonomia, precisa construir legibilidade operacional. Em termos práticos, isso significa reconhecer que a IA não é um atalho para a maturidade. Ela é, no máximo, uma alavanca para organizações que já decidiram construí-la de forma séria.

ce estatística em ambiente controlado e, ainda assim, ser inadequado para uso industrial. Pode haver opacidade excessiva, sensibilidade a dados degradados, dificuldade de auditoria, latência incompatível com a aplicação, fragilidade diante de eventos atípicos ou riscos indevidos de integração com sistemas críticos. Em outras palavras, desempenho isolado não é critério suficiente. O que interessa é desempenho governável.
fronteiras arquiteturais.
Essa visão encontra respaldo importante tanto no AI Risk Management Fra-
mework, do NIST, quanto na série ISA/IEC 62443. Em essência, o que esses referenciais reforçam é simples: sistemas baseados em inteligência artificial precisam ser concebidos com gestão deliberada de risco ao longo de todo o seu ciclo de vida, especialmente quando operam em ambientes onde dis -
ponibilidade, integridade e segurança têm implicações concretas sobre pessoas, ativos e produção.
Na prática, isso significa evitar implantações improvisadas, dependências mal avaliadas, fluxos de dados opacos e integrações que fragilizem zonas críticas da operação. Significa também
reconhecer que nem toda aplicação de IA deve estar conectada da mesma forma, no mesmo nível de autonomia ou com o mesmo grau de exposição. Em muitos casos, a solução mais madura não será a mais ousada, mas a mais confiável.
A inteligência precisa respeitar a arquitetura da operação
Outro vício comum é imaginar a inteligência artificial como uma espécie de camada genérica, pairando sobre toda a empresa e pronta para resolver qualquer problema. Essa visão é ruim tecnicamente e perigosa do ponto de vista operacional.
Na indústria, o valor da IA depende de localização, função e criticidade. Há aplicações que fazem sentido próximas ao processo, no
edge, apoiando inspeção, detecção de anomalias e respostas contextualizadas. Outras se mostram mais úteis nas camadas de supervisão e manufatura, fortalecendo classificação de eventos, inteligência de manutenção, análise operacional ou apoio ao sequenciamento. Em níveis mais altos, podem ampliar capacidades de planejamento, priorização e suporte à decisão.
A pergunta certa, portan-
Seria um erro, contudo, restringir essa conversa ao plano estritamente tecnológico. A incorporação de inteligência artificial na indústria também reposiciona o papel das pessoas, da liderança e da própria lógica de transformação organizacional.
A visão de Industry 5.0, formulada pela Comissão Europeia, ajuda a sofisticar essa leitura ao propor uma indústria mais humano-cêntrica, sustentável e resiliente. Essa contribuição é impor-
tante porque corrige uma distorção frequente: a ideia de que o valor da tecnologia estaria, sobretudo, em substituir o humano. Na prática, a transformação industrial mais consistente não é a que esvazia a capacidade humana, mas a que a amplia. Esse ponto tem implicações diretas para a IA em OT. Em ambientes operacionais com plexos, a legitimidade da tecnologia não será medida apenas por acurácia ou eficiência com-
to, não é “como colocar IA na fábrica?”, mas “em que ponto da arquitetura essa inteligência realmente melhora a decisão sem degradar segurança, confiança ou governabilidade?”. Essa formulação é mais sóbria e, justamente por isso, mais poderosa. Ela desloca a discussão do território da propaganda para o território da engenharia.

putacional. Ela será medida pela confiança que constrói, pela fricção que reduz, pela visibilidade que amplia e pela qualidade de decisão que entrega a operadores, mantenedores, engenheiros e lideranças. Uma solução que torna o processo mais opaco, enfraquece o discernimento técnico ou reduz a clareza operacional pode até parecer sofisticada. Na prática industrial, porém, representa um retrocesso.
A agenda de inteligência artificial também não pode ser tratada como simples aquisição de software. Ela mexe na composição das competências, redesenha interfaces entre áreas e exige novas formas de colaboração entre engenharia, operação, manutenção, tecnologia da informação, dados e liderança.
O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômi-
As melhores jornadas de IA industrial quase nunca começam pelos casos de uso mais espetaculares. Começam onde três condições coexistem: relevância operacional, viabilidade de dados e patrocínio genuíno da liderança.
Isso ajuda a explicar por que casos ligados a detecção de anomalias, manutenção preditiva, inspeção visual,
Conclusão
A inteligência artificial já se consolidou como vetor estratégico da transformação industrial. Mas sua incorporação em OT exige uma mudança de postura. Não se trata mais de discutir potencial em abstrato. Trata-se de decidir onde ela realmente faz sentido, sob quais condições ela deve ser implantada e que salvaguardas precisam existir para que seu valor não venha acompanhado de
co Mundial, reforça essa direção ao mostrar o crescimento da demanda por competências relacionadas a IA, big data e cibersegurança, sem reduzir a importância de capacidades humanas como pensamento analítico, resiliência, liderança e colaboração. Para a indústria brasileira, essa mensagem é particularmente relevante.
O desafio não será apenas ter acesso à tecnologia, mas
classificação automática de eventos recorrentes e apoio contextualizado à operação costumam ser pontos de partida mais férteis. Não porque sejam simples, mas porque permitem demonstrar valor em contextos concretos, favorecendo a construção simultânea de confiança, aprendizado e adoção.
Em transformação industrial, escala não nasce de
fragilidade operacional. No fundo, a diferença entre empresas que apenas experimentam IA e empresas que de fato a industrializam não estará no volume de tecnologia adquirida. Estará na qualidade do seu critério. Vão avançar mais aquelas que souberem alinhar problema de negócio, arquitetura, dados, padrões, cibersegurança, competências e cultura operacional em um
desenvolver repertório técnico e gerencial suficiente para implantá-la com discernimento.
Isso significa letramento tecnológico para lideranças, fortalecimento das interfaces entre IT e OT, formação de times com vocação mais interdisciplinar e, sobretudo, maturidade para conduzir mudança organizacional sem cair nem no negacionismo nem na euforia ingênua.
ambição retórica. Nasce de recorrência bem-sucedida.
A organização aprende, estabiliza, cria referência, corrige rota e então amplia escopo. A pressa por transformar tudo de uma vez, quase sempre, produz o efeito oposto: dispersa energia, enfraquece credibilidade e compromete a própria agenda de modernização.

mesmo desenho de transformação. Na indústria, vantagem competitiva duradoura não virá de quem falar mais alto sobre inteligência artificial. Virá de quem tiver a disciplina de implantá-la sem comprometer aquilo que a operação real não pode perder: segurança, continuidade, confiança e comando sobre o próprio processo.


Guilherme Neves, Pesquisador do IME e Especialista em Cibersegurança Industrial

1. Introdução
A transformação digital e a ascensão da Indústria 4.0 alteraram definitivamente o panorama da manufatura farmacêutica. Sistemas que antes operavam de forma isolada, como supervisórios (SCADA), sistemas de execução de manufatura (MES) e controladores lógicos programáveis (PLCs), encontram-se hoje integrados às redes corporativas e, frequentemente, a serviços em nuvem. Essa convergência
entre a Tecnologia da Informação (TI) e a Tecnologia da Operação (TO) potencializa a eficiência operacional e a análise de dados em tempo real, mas introduz vetores de ataque cibernético sem precedentes.
No setor farmacêutico, a
cibersegurança transcende a proteção de ativos financeiros ou propriedade intelectual; ela é um pilar fundamental da segurança do paciente. Um comprometimento na rede industrial pode resultar na alteração inadvertida de parâmetros
críticos de processo (CPPs), corrompendo a qualidade do medicamento e violando a integridade dos dados. Portanto, garantir que um sistema computadorizado opere de forma segura e resiliente tornou-se um requisito indissociável do estado validado.
2. O Legado Regulatório: Da RDC 17/2010 ao Guia nº 33/2020 da ANVISA
O marco regulatório da validação de sistemas computadorizados (VSC) no Brasil teve um ponto de inflexão com a publicação da RDC 17/2010 pela ANVISA. Esta resolução estabeleceu as diretrizes de Boas Práticas de Fabricação (BPF) e introduziu a necessidade de evidências documentais de que os sistemas operavam conforme o pretendido. Embora inovadora para a época, a norma ainda carecia de um
detalhamento técnico sobre como lidar com a complexidade crescente dos softwares industriais.
A evolução natural desse cenário culminou na harmonização internacional promovida pelo Guia nº 33/2020 da ANVISA. Este documento internalizou formalmente os princípios do GAMP 5 (Good Automated Manufacturing Practice), consolidando a abordagem baseada em risco ao longo
3. O Encontro da Validação com a IEC 62443 e o NIST
A conformidade com o Guia nº 33 assegura que o sistema é “apto para o uso”, mas a resiliência operacional em um ambiente hostil exige a integração com frameworks de cibersegurança industrial. A norma IEC 62443 surge como o padrão ouro para a segurança de sistemas de controle e automação industrial (IACS). Ela introduz o conceito de Defesa em Profundidade, que utiliza múltiplas camadas de prote -
ção para mitigar riscos. Um dos pilares da IEC 62443 é a segmentação de rede através de Zonas e Conduítes, que isola sistemas críticos e limita o movimento lateral de ameaças dentro da planta.
Complementarmente, o NIST Cybersecurity Framework (CSF) oferece uma estrutura de governança que se alinha perfeitamente à fase operacional do ciclo de vida do GAMP 5. Enquanto a validação tradicional foca
de todo o ciclo de vida do sistema. O foco deslocou-se da simples testagem exaustiva para uma análise criteriosa do impacto do sistema na qualidade do produto e na segurança do paciente. Sob o GAMP 5, o gerenciamento de riscos à qualidade (ICH Q9) orienta o esforço de validação, garantindo que os recursos sejam alocados onde os riscos são maiores, desde a fase de conceito até a aposentadoria do sistema.

na estabilidade e reprodutibilidade, o ciclo contínuo do NIST — Identificar, Proteger, Detectar, Responder e Recuperar — garante que o sistema validado permaneça protegido contra ameaças dinâmicas. A detecção de anomalias em redes de TO e a capacidade de resposta a incidentes tornam-se controles essenciais para manter a integridade dos dados (princípios ALCOA+) exigida pelos órgãos reguladores.
Comparativo

5. Conclusão
A validação de sistemas na era digital não pode mais ser vista como um evento estático ou meramente documental. A convergência TI/ TO exige que as indústrias farmacêuticas adotem uma postura ativa e contínua de
cibersegurança. A integração das diretrizes da ANVISA e do GAMP 5 com o rigor técnico da IEC 62443 e a governança do NIST cria um ecossistema robusto, onde a conformidade regulatória e a resiliência operacional
caminham juntas. Somente através desta visão holística será possível garantir a continuidade dos negócios e, acima de tudo, a segurança inegociável dos produtos entregues à sociedade.

Sistema construído para escassez
O aumento da geração de energia solar torna a matriz energética do país cada vez mais limpa. Ao mesmo tempo gera desafios inéditos para o setor elétrico. A questão foi explicada pelo ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, em entre -
vista a um programa de rádio e TV paulista. Segundo Prates, há pelo menos três anos vivemos uma “crise contrária”, pois o sistema elétrico brasileiro foi historicamente estruturado para lidar com escassez - e não com excedentes de geração

em horários específicos, o que, somado à ausência de armazenamento em larga escala, limita a capacidade do sistema de aproveitar essa abundância energética.
De acordo com o ONSOperador Nacional do Sistema Elétrico, o excesso de
energia gerada e não armazenada fez com que no ano passado 20,6% da energia solar e eólica não fosse utilizada devido ao curtailment (restrição de geração). A medida é tomada pelo operador para preservar a segurança e a confiabilidade do SIN (Sistema Interligado Nacional).
Neste cenário, os sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESSBattery Energy Storage Systems) são uma alternativa estratégica para armazenar a energia gerada pelas fontes intermitentes, como a solar e eólica, e despachá-la nos momentos de maior demanda. Essa capacidade aumenta a flexibilidade operacional e contribui para a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).
O sistema de armazenamento tem cada vez mais importância para a segurança elétrica dos setores produtivos e até de países. Essa solução não é feita apenas de baterias – que podem ser de Íon-Lítio, Lítio-Ferro-Fosfato e “de fluxo”, esta última considerada uma tecnologia emergente e baseada na
troca de eletrólitos. Além do armazenamento, os sistemas também incorporam softwares e hardwares de controle que possibilitam o gerenciamento do fornecimento de eletricidade, aumentam a eficiência das redes elétricas e reduzem intermitências, fornecendo energia de reserva em caso de interrupções.
O BESS é cada vez mais usado pelo setor produtivo e segundo estimativas da consultoria Clean Energy Latin America, o mercado de BESS deve ter movimentado em 2025 cerca de R$ 2,2 bilhões, volume três vezes maior do que no ano anterior, que foi de R$ 700 milhões. O sistema já é usado por empresas de setores como o agronegócio para armazenar energia gerada pelos painéis fotovoltaicos e usar quando não há luz solar. O BESS é usado nas empresas para armazenar energia, que é usada nos horários em que a tarifa energética é mais elevada. Outras aplicações incluem o uso como backup quando há queda no fornecimento da rede, evitando interrupções na linha
Além de oferecer mais segurança para o setor produtivo o BESS também aumenta a segurança de sistemas elétricos de países. Na Europa o sistema é usado para suprir energia no inverno e aumen-
tar a estabilidade da rede ao maximizar a integração de energias renováveis no sistema elétrico.
Países com mais similaridade com o Brasil, como a Austrália e o Chile também
produtiva.
A aceleração do mercado é justificada pela redução de custos dos equipamentos. Segundo dados da Clean Energy Latin America, o preço das baterias caiu 61% entre 2015 e 2023, e mais 40% entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025, chegando ao patamar de US$ 100 a US$ 120 por kWh para sistemas com 1 MWh/250 kW de capacidade.
Em contrapartida, no fim de janeiro deste ano, o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, aprovou em sua 233ª Reunião Ordinária a alteração na Resolução GECEX nº 512/2023, que prevê o regime de redução da alíquota do imposto de importação de bens de capital (BK) e bens de informática e de telecomunicações (BIT). A decisão elevou o preço de equipamentos importados para projetos de energia solar, incluindo sistemas de armazenamento de energia (BESS), cuja alíquota de importação subiu de 16% para 20%.

usam o BESS para aumentar a estabilidade do sistema elétrico. Na Austrália, que também é um dos grandes geradores de energia solar distribuída, o armazenamento de energia possibilita
reduzir o curtailment e mitigar os riscos de blackout. No país vizinho a energia solar é majoritariamente gerada em uma região, no Norte, e consumida no centro do país, cenário parecido com o brasileiro, onde a energia é gerada no Nordeste, mas o maior consumo acontece no Sudeste e no Sul. Outra similaridade é que a expansão das linhas de transmissão não acompanhou, com a mesma velocidade, a capacidade de geração.
Medidas para acelerar o uso do BESS como reserva de capacidade para o sistema elétrico nacional têm sido promulgadas pelo governo.
A Lei 15.269/2025, que oficializa o armazenamento de energia, incluindo o BESS como parte da infraestrutura elétrica brasileira, possi-
Engenharia especializada
Projetos de BESS em grande escalda são complexos e precisam ser bem desenvolvidos para que os resultados sejam entregues em todo o seu ciclo de vida. Esses projetos precisam estar de acordo com as melhores práticas internacionais de engenharia, mitigando riscos técnicos, operacionais e de desempenho, e garantindo uma entrega robusta e segura.
A definição correta da arquitetura, da tecnologia de baterias, das estratégias de conexão e despacho, bem
bilita o enquadramento do sistema no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), que reduz a carga tributária sobre equipamentos e projetos de infraestrutura, é a principal delas.
Mas, ainda, é necessária uma regulamentação detalhada com requisitos técnicos, forma de contratação, integração com a rede, que será elaborada pela Aneel.
A agência tem um papel decisivo na conformação dos modelos de negócio, no desenho tarifário e na delimitação dos direitos e deveres dos agentes econômicos.
Está previsto para os dias 2 de dezembro e 4 de dezembro a realização de dois leilões de reserva de capacidade de baterias. No primeiro poderão participar sistemas

como a mitigação de riscos de degradação, desempenho e integração à rede, são fatores decisivos para transformar o potencial do BESS em ativos confiáveis e financeiramente sustentáveis. Para que isso ocorra é necessário engenharia especializada, capaz de integrar requisitos regulatórios, desempenho técnico, segurança operacional e viabilidade econômica desde as fases iniciais.
O BESS é uma das principais formas de reduzir o cur-
de armazenamento de energia em baterias que atendam aos requisitos mínimos de nacionalização, conforme critérios de credenciamento no âmbito do Sistema CFI do BNDES, mas sem a obrigatoriedade de financiamento pelo banco. Já o segundo é aberto a todos os projetos do sistema de armazenamento em baterias.
É importante que até a realização do leilão haja um consenso de temas que geram debates entre os agentes do setor elétrico, como o artigo 3º da Lei 10.848/2004, o qual estabelece que, nos leilões de reserva de capacidade com uso de baterias, os custos da contratação serão divididos apenas entre os geradores e não entre todos os consumidores, como ocorre com outros sistemas.
tailment no Brasil e aumentar a segurança do Sistema Interligado Nacional. A demanda crescente de energia torna essencial o desenvolvimento de sistemas que possibilitem modernizar, aumentar a resiliência e promover a descarbonização da matriz elétrica brasileira. A armazenagem para o posterior uso da energia limpa é uma das formas de transformar os recursos naturais brasileiros em benefícios para o setor produtivo e a população.



Cenário regulatório e risco de judicialização
À frente de uma equipe de advogados e consultores que assessoram players do setor de energia elétrica, Débora Yanasse avalia ainda que o cenário regulatório é favorável para o êxito dos Leilões
de Reserva de Capacidade na Forma de Potência por meio de novos sistemas de armazenamento de energia em baterias. Ela destaca que a Lei nº 15.269/2025 criou o marco regulatório para armazenamento de energia, e a recente aprovação das resoluções normativas pela Diretoria da ANEEL regularam os Sistemas de Armazenamento de Energia Elétrica (SAEs) Autônomos e Coloca-
“A realização dos Leilões de BESS está calcada nos novos marcos legal e regulatório sobre os SAEs, aprovados pela ANEEL simultaneamente com a Portaria do MME que instituiu os certames. No entanto, ainda persiste a lacuna de regulamentação relativa ao rateio do ERCAP, o encargo que vai custear os leilões, e que também cabe à ANEEL; embora os agentes do setor estejam pressionan-
do para que essa definição saia antes dos leilões, não há uma certeza de quando nem como sairá a definição, o que traz um risco de judicialização”, acrescenta Débora.

A sócia do Tauil & Chequer Advogados lidera a equipe que assessorou os principais vencedores do LRCAP de março, o que a levou a identificar um incremento na expectativa do mercado pelo volume de contratação, que triplicou logo após os resultados do certame que contratou reserva de potência de termelétricas e hidrelétricas. Com o anúncio de dois leilões de BESS, o mercado passou a demonstrar apreensão.
“Havia a expectativa de contratação entre 20 GW e 25 GW no 2° LRCAP e, para os futuros leilões de baterias (BESS), o mercado trabalhava com a expectativa de uma contratação de 2 GW. Com o resultado do leilão de março, a leitura do mercado é de que haveria espaço para que este residual seja contratado no LRCAP de BESS, que poderia, em princípio, alcançar
até 6 GW em disponibilidade contratada, aumentando assim sua atratividade”, explica Débora Yanasse.
Por outro lado, com a divisão em dois certames, um direcionado a BESS com conteúdo nacional e outro para BESS com ou sem conteúdo nacional, o mercado está apreensivo sobre a demanda a ser alocada para cada certame, considerando que o deságio no leilão direcionado a BESS com conteúdo local deverá ser menor, com maior custo para os consumidores.
“É legítima essa definição de política pública de incentivo ao desenvolvimento da indústria nacional, porém há que se ponderar sobre o custo dessa política para os consumidores vis-à-vis os benefícios para a sociedade brasileira com a industrialização.”
A sócia da Prática de Glo -
Yanasse destaca, no entanto, que a recente regulamentação dos SAEs pela ANEEL afastou outra indefinição que pairava sobre o setor, que era a chamada “dupla tarifação” dos sistemas de armazenamento, tendo a ANEEL definido o pagamento da tarifa de injeção apenas pelos SAEs, não sendo aplicável para a recarga.
A especialista lembra que este é um dos tópicos em discussão do novo marco setorial, uma vez que determinadas geradoras não concordam com que o rateio do ERCAP de armazenamento seja suportado apenas pelas geradoras, sejam eólicas e solares, sejam hidrelétricas e termelétricas.
bal Energy do Tauil & Chequer Advogados entende como positivo o aumento do prazo de contratação dos leilões.
“O aumento do prazo da contratação, de 10 para 15 anos, aumentará substancialmente a competitividade dos projetos, considerando que as tecnologias disponíveis no mercado podem atender esse prazo e que os projetos terão um prazo alongado para amortização do investimento”, prevê a advogada. “Além dos geradores de energia eólica e solar, para os quais as baterias fazem total sentido pela possibilidade de redução do curtailment, fornecedores de equipamentos, e agentes que investem em transmissão e distribuição de energia e novos investidores estrangeiros entrantes no Brasil já se mobilizam para o certame”. lizados.



nalmente sobrecarregados apresentam maior dificuldade de concentração, comentem mais erros, distorcem o trabalho em equipe. Por conta disso - e naturalmente pelos bilhões gastos pelo governo com os afastamentos - o Ministério do Trabalho e Emprego alterou a NR1 (norma regulamentadora que controla os riscos ocupacionais no ambiente de trabalho), incluindo os chamados riscos psicossociais o a fim de preservar não apenas aspectos ligados à saúde física do trabalhador, mas também sua condição emocional.
Se por um lado a medida tem efeito legal e obriga todas as empresas que possuem trabalhadores em regime CLT a monitorar as condições psicológicas de suas equipes – o que por si só deve diminuir a incidência de eventos desta natureza, ou ao menos conter a progressão de curva – por outro representa a oportunidade para implementar melhoras significativas no ambiente de trabalho que contribuam para qualificação e preparo destas mesmas equipes. O resultado vem através de maior iniciativa, engajamento e segurança para tomada de decisões, contribuindo para o desempenho da organização como um todo.
Ou seja, o que à primeira vista se apresenta como custo – mapear, diagnosticar e propor um plano de ação para contenção dos riscos
psicossociais no ambiente de trabalho, como exige a NR1, demanda uso de recursos, sejam eles internos ou de empresas especializadas – a médio prazo se reverte em investimento no ativo mais precioso que a organização pode dispor: seu pessoal. A construção de equipes cada vez mais qualificadas do ponto de vista psicológico, equilibradas e colaborativas passa a valer como diferencial competitivo em cada segmento de atuação.
Mas do que estamos exatamente falando quando nos referimos aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho e de que forma devemos monitorá-los?
A NR1 recomenda que sejam tratados treze fatores de risco através de indicadores que compreendem assédio, suporte organizacional, insegurança na gestão de mudanças, clareza de responsabilidades, reconhecimento, autonomia, justiça organizacional, eventos traumáticos, sobrecarga de trabalho, subcarga de trabalho, conflitos interpessoais, interface casa-trabalho e isolamento. Quando estes fatores não são devidamente identificados e tratados de forma adequada, seus impactos nocivos se refletem aumento no absenteísmo, no presenteísmo (estar sem estar), na rotatividade e afastamentos, reduzindo a capacidade estrutural da organização. E a única forma de se ter acesso a estes indi-
cadores não visíveis é através da escuta: entender como os próprios colaboradores percebem seu ambiente de trabalho. Isso pode ser feito de maneira empírica até (conversas informais em uma organização de pequeno porte, por exemplo, desde que devidamente documentadas e que sirvam de apoio para tomada de decisões quanto a melhorias no ambiente ou mesmo para efeito de fiscalização), mas nada melhor do que fazê-lo com método científico através da aplicação de questionário estruturado preenchido de maneira anônima, de modo a preservar o sigilo das informações. Através destes indicadores um diagnostico (DRPS) é gerado e, com base nestes outputs, um plano de ação desenhado.
Estamos diante de um novo marco nas relações de trabalho. Se antes as atenções se voltavam para planos de marketing audaciosos, políticas de preço, cadeia de distribuição horizontalizada e especialistas na condução de áreas estratégicas – que seguem sendo variáveis extremamente importantes no desenvolvimento do negócio – equipes emocionalmente preparadas vem não somente para somar, mas para também fazer a diferença.
Quem enxergar oportunidade no lugar de obrigatoriedade já sai em vantagem.

Há uma tensão entre duas narrativas que dominaram o debate sobre o futuro do trabalho bem representadas recentemente: a narrativa alarmista de um editorial da The Economist, Prepare for an AI Jobs Apocalypse (14 de maio), que argumenta que a velocidade da IA generativa pode provocar uma destruição de empregos de colarinho branco muito mais rápida do que as revoluções tecnológicas anteriores; e a narrativa de longo prazo, reforçada pelo artigo de Carson Block, da mesma The Economist, If you thought the global financial crisis was bad…(
28 de junho), que compara o momento atual ao período que antecedeu a crise financeira global de 2008 pontuando que o risco não estaria apenas na tecnologia em si, mas na incapacidade das instituições - empresas, universidades e governos - de se adaptarem à velocidade com que essa transformação acontece.
Então, mais que perguntar se “a IA vai tirar empregos?” seria mais relevante discutir Como construir uma carreira quando as profissões estão sendo redesenhadas mais rapidamente do que nunca? E aí existe uma
convergência entre The Economist, o Fórum Econômico Mundial e as grandes consultorias.
O interessante é que o WEF – World Economic Forum continua projetando saldo líquido positivo de empregos até 2030 - cerca de 170 milhões de novas vagas contra 92 milhões deslocadas -, mas alerta que praticamente seis em cada dez trabalhadores precisarão de requalificação significativa. O problema, portanto, não é apenas quantitativo; é a velocidade com que competências deixam de ser relevantes.
A PwC mostra uma fotografia mais recente e, em alguns aspectos, mais preocupante. Seu Global AI Jobs Barometer 2026 identifica um mercado de trabalho que começa a se dividir em dois grupos: profissionais capazes de trabalhar em parceria com IA recebem salários maiores, apresentam maior produtividade e são contratados mais rapidamente; aqueles que permanecem presos a tarefas facilmente automatizáveis passam a enfrentar pressão crescente. O levantamento indica produtividade cerca de 40% superior nas empresas mais expostas à IA e crescimento simultâneo de salários e contratações, contrariando a ideia de que adoção de IA implica necessariamente redução de pessoal.
Esse ponto dialoga com pesquisas do MIT, como as de David Autor, que vêm defendendo que a inteligência artificial tende primeiro a reconfigurar tarefas, e só depois, algumas ocupações inteiras. E aqui o uso da palavra muda o enfoque porque a diferença entre substituir tarefas e substituir empregos é grande, e decisiva. Um engenheiro pode automatizar relatórios, geração de código ou análise documental, mas continua sendo responsável por decisões técnicas, negociação com clientes, gestão de riscos e validação dos resultados produzidos pelos modelos.
É justamente aí que a The Economist introduz um contraponto importante: em seu
editorial de maio argumenta que a IA generativa pode romper essa lógica histórica porque atinge diretamente atividades cognitivas desempenhadas por profissionais iniciantes - analistas, advogados juniores, programadores em início de carreira, consultores, etc -, tradicionalmente responsáveis pelas tarefas de entrada nas organizações. Se essas funções desaparecerem rapidamente, pode surgir um gargalo: como formar futuros especialistas se os empregos de aprendizagem forem eliminados?
Essa preocupação vem sendo compartilhada por outros economistas. Em um debate recente promovido pelo Wall Street Journal, David Autor, Anton Korinek e Martha Gimbel concordam que algumas ocupações administrativas e de produção de conteúdo estão particularmente expostas, mas divergem sobre a magnitude da transformação. Autor permanece relativamente otimista, defendendo que a IA ampliará capacidades humanas e criará novas profissões; Korinek considera plausível uma mudança estrutural comparável à Revolução Industrial, com redução da participação do trabalho na renda; Gimbel enfatiza que atividades que exigem interação humana, julgamento e contexto continuam difíceis de automatizar integralmente.
A McKinsey continua estimando que a IA generativa poderá elevar significativamente a produtividade e acelerar a transição ocupacional, principalmente entre trabalhadores do conhecimento. A consultoria observa que o número de pessoas obrigadas a mudar de ocupação até 2030 pode ser muito maior do que o estimado antes do surgimento da IA generativa, mas ressalta que isso representa redistribuição de trabalho, não necessariamente desemprego estrutural.
A literatura acadêmica também está nessa arena e começou a pesquisar como os empregos serão reorganizados. Um exemplo é o
trabalho “Chaining Tasks, Redefining Work” (junho de 2026), que propõe que a IA automatiza cadeias completas de tarefas (chains) alterando a própria arquitetura das funções dentro das empresas: em vez de eliminar uma profissão inteira, organizações passam a redistribuir responsabilidades entre pessoas e agentes inteligentes, produzindo ganhos de produtividade não lineares.

Relações entre exposição ocupacional à IA, fragmentação empírica e execução de IA. Estes gráficos mostram como a fragmentação de tarefas passíveis de IA no fluxo de trabalho de uma ocupação molda a conversão de tarefas expostas à IA em tarefas executadas por IA.
O Brasil possui uma participação relativamente menor de empregos administrativos altamente digitalizados e uma presença maior de setores industriais, infraestrutura, energia, agronegócio e serviços presenciais. Por outro lado, bancos, telecomunicações, óleo e gás, mineração e grandes empresas industriais brasileiras já utilizam copilotos de programação, IA para engenharia, manutenção preditiva, análise documental, atendimento e automação de processos. Isso significa que a transformação tende a ocorrer primeiro nas atividades intelectuais repetitivas, antes de alcançar funções operacionais de campo.
Já há algum tempo o modelo tradicional
de carreira está sendo substituído por um modelo de aprendizagem contínua onde a vantagem competitiva deixa de ser dominar uma ferramenta específica e passa a ser a capacidade de aprender rapidamente, combinar conhecimento técnico com IA e desenvolver competências que continuam essencialmente humanas: pensamento crítico, julgamento, comunicação, liderança, criatividade e compreensão de negócios. Essas são exatamente as habilidades que aparecem entre as mais valorizadas no relatório do WEF e que a PwC identifica como as mais premiadas nas empresas que lideram a adoção da IA.
Participantes da Technovation Summer School for Girls 2026 durante atividade de encerramento realizada em parceria com universidades parceiras; iniciativa do ICMC incentiva meninas a explorar áreas de tecnologia, inovação e empreendedorismo.

Escola de verão gratuita reuniu mais de 100 meninas de diferentes regiões do Brasil e promoveu atividades em universidades parceiras para incentivar a presença feminina nas áreas de tecnologia, inovação e empreendedorismo
Tecnologia, inovação, empreendedorismo e a possibilidade de enxergar novos caminhos para o futuro. Esses foram alguns dos aprendizados vivenciados pelas participantes da edição 2026 da Technovation Summer School for Girls, iniciativa gratuita promovida pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.
Destinada a meninas de 8 a 18 anos de diferentes regiões do Brasil, a oitava edição da escola de verão foi encerrada com atividades realizadas em universidades parceiras, como a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Cornélio Procópio (UTFPR-CP) e a Universidade Federal de Rondonópolis (UFR). Durante a formação, 117 participantes aprenderam métodos para conceituar, desenvolver e apresentar aplicativos móveis voltados à solução de problemas identificados em suas comunidades. Os projetos elaborados ao longo da jornada poderão ser submetidos ao Technovation Girls, competição internacional que incentiva meninas a desenvolver soluções tecnológicas com impacto social.
Mais do que o aprendizado técnico, a edição deste ano foi marcada pelas transformações observadas nas próprias participantes. Ao longo das atividades, as estudantes tiveram a oportunidade de desenvolver novas habilidades, fortalecer a confiança e ampliar suas perspectivas em relação ao ensino superior e às carreiras nas áreas de tecnologia e inovação.
“O mais orgulhoso é a transformação dessas meninas. Às vezes eram crianças e adolescentes sem perspectivas, que não tinham essa visão de que podem também chegar a uma universidade, que podem ter um futu- ro melhor. É a mudança delas, que é visível em tão pouco tempo”, destacou Valéria Santiago, umas das diretoras de aula no Centro de Inclusão Digital da Escola Universitária de
Araçariguama.
As atividades também permitiram que as participantes conhecessem de perto o ambiente universitário, aproximando-as da realidade do ensino superior público e apresentando novas possibilidades para o futuro. O impacto foi percebido especialmente entre estudantes oriundas de municípios menores, onde experiências desse tipo costumam ser menos acessíveis.
“Eu acho que o grande ganho foi trazer uma perspectiva para essas meninas. Mostrar que elas podem ser programadoras, podem desenvolver aplicativos, podem ir para a área de tecnologia ou para a área que elas quiserem. Quando elas chegam à universidade pública, a gente já vê o olhinho delas brilhando”, ressaltou Rita de Cássia, professora e membro do Centro de Inclusão Digital de Araçariguama.
A experiência vivenciada durante a Technovation Summer School for Girls também recebeu reconhecimento das famílias das participantes. Mensagens enviadas por responsáveis destacaram a dedicação das professoras e mentoras envolvidas na iniciativa e a importância da oportunidade oferecida às estudantes.
Organizada pelo Grupo de Alunas de Ciências Exatas (GRACE) do ICMC, a Technovation Summer School for Girls tem como objetivo incentivar a participação feminina nas áreas de tecnologia e ciências exatas, mostrando às jovens que podem ocupar posições de destaque nesses setores. O projeto também conta com o apoio da Rede de Ensino Brasileira em Engenharias e Ciências Exatas (REBECA).
A iniciativa já acumula conquistas importantes. Entre elas estão o aplicativo Diana, campeão da América Latina em 2021, e o aplicativo Interpret, reconhecido em 2025 com a menção honrosa internacional Latin America Regional Honorees.

A transformação digital vem redefinindo a forma como a indústria produz, toma decisões e se relaciona com seus processos. Tecnologias como inteligência artificial, automação avançada, análise de dados e sistemas conectados deixaram de ser tendências futuras para se tornar parte da rotina das operações industriais. Nesse cenário, surge uma nova demanda do mercado: profissionais capazes de unir conhecimento técnico, visão estratégica e capacidade de adaptação

para lidar com as novidades.
A mudança é especialmente relevante para setores da metalurgia, materiais e mineração, que vivem um processo acelerado de digitalização em busca de maior produtividade, eficiência operacional e competitividade. Mais do que dominar ferramentas tecnológicas, as empresas buscam profissionais capazes de transformar inovação em resultados concretos para o negócio.
Segundo Danielle Cavalcanti, Conselheira & Executiva de Tecnologia, Estratégia, Inovação e Transformação Digital da PUC-RS e coordenadora da mesa redonda de Automação e TI da ABM Week 10, o perfil mais valorizado atualmente combina conhecimento técnico, aprendizado contínuo e visão sistêmica dos processos industriais. “O profissional mais valorizado hoje é aquele que consegue compreender os impactos das mudanças de forma ampla, conectando processos, operação, estratégia e resultados. A indústria busca pessoas tecnicamente preparadas, curiosas, adaptáveis e orientadas à geração de valor, com capacidade de aprender continuamente e atuar de forma integrada”, afirma.
A evolução tecnológica também elevou o nível das competências consideradas essenciais. Conhecimentos em análise de dados, inteligência artificial, automação e uso estratégico da tecnologia deixaram de ser diferenciais para ocupar espaço entre os requisitos básicos de diversas funções industriais.
Ao mesmo tempo, cresce a importância das chamadas competências humanas. Capacidade analítica, comunicação, colaboração e pensamento crítico tornaram-se elementos indispensáveis para interpretar informações, apoiar decisões e liderar equipes em ambientes cada vez mais conectados. “O profissional que se destaca não é apenas o que conhece a ferramenta, mas aquele que consegue usar a tecnologia para melhorar processos, apoiar decisões e gerar resultados

com senso crítico e alinhamento aos objetivos do negócio”, destaca Danielle.
Apesar dos avanços tecnológicos, um dos principais desafios enfrentados pela indústria está na velocidade da transformação. A adoção de novas tecnologias tem ocorrido em ritmo superior à capacidade dos modelos tradicionais de formação profissional, criando uma lacuna entre as demandas do mercado e a qualificação disponível.
Para reduzir essa distância, empresas têm ampliado investimentos em programas de capacitação, requalificação e desenvolvimento contínuo, além de fortalecer parcerias com universidades e instituições de ensino. O objetivo é preparar profissionais capazes de acompanhar as mudanças tecnológicas sem perder de vista aspectos fundamentais da gestão, da operação e da liderança.
Na avaliação de Valdomiro Roman, diretor de Operações da ABM, o tema é estratégico para o futuro da indústria brasileira. “A transformação digital já não pode ser tratada como um projeto paralelo dentro das organizações. Ela faz parte da estratégia de competitividade das empresas e exige profissionais preparados para atuar em ambientes cada vez mais orientados por dados, conectividade e inovação. Desenvolver essas competências é um desafio coletivo que envolve indústria, universidades e entidades técnicas”, afirma.
Os impactos dessa nova realidade estarão entre os temas centrais da mesa redonda de Automação e TI “Governança digital na indústria: Preparando sistemas para o futuro”, que será realizada durante a ABM Week. Para Danielle, a discussão vai além da simples adoção de novas tecnologias. “O de -
safio não é apenas acelerar a transformação digital, mas garantir que ela aconteça com direção, coerência e capacidade real de sustentar o futuro da indústria. Isso envolve pessoas, processos, liderança, segurança e estratégia trabalhando de forma integrada”, conclui.

Estudantes brasileiros chegam de forma inédita à final do maior torneio de engenharia aeroespacial do mundo
O ecossistema de inovação e a formação científica de ponta no Brasil acabam de atingir um marco histórico. O grupo Astrabrazil, que conta com cinco estudantes da 3ª série do Colégio Bandeirantes em sua formação -Catharina Mercaldi, Davi Rothenberg, Gustavo Luz, Luiza Dell Amore e Rafael Mayo - além dos estudantes, Juliana de Oliveira Frota, Guilherme Hadid e Eduardo Taliberti Salvio, se classificou para a grande final da International Space Settlement Design Com- petition (ISSDC). É a primeira vez que uma equipe brasileira alcança a fase decisiva do torneio.
Considerada a maior competição de engenharia aeroespacial do mundo para o
segmento, a ISSDC conta com o apoio de organizações de peso global do setor, como a agência espacial americana (NASA). Para conquistarem a vaga histórica, os estudantes desenvolveram o projeto V02, que propõe a expansão de uma colônia flutuante na atmosfera de Vênus.
O plano envolve um sistema industrial automatizado capaz de transformar o gás fosfina, presente no planeta, em materiais de alto valor tecnológico. Monitorada por Inteligência Artificial, a colônia prevê áreas habitáveis seguras para astronautas e uma projeção de retorno financeiro superior a US$1,2 bilhão anuais.
O DNA STEAM e o protagonismo estudantil
Essa conquista é reflexo direto de um modelo pedagógico estruturado para o futuro. No Colégio Bandeirantes, o incentivo ao protagonismo juvenil e a valorização da ciência são pilares do currículo. Através das disciplinas e projetos de STEAM (Science, Techno -
logy, Engineering, Arts and Math), os alunos são estimulados a aplicar conceitos complexos em soluções para demandas reais da sociedade, desenvolvendo pensamento crítico, autonomia e capacidade de inovação.
Simulação de mercado e desafio corporativo
Diferente de olimpíadas científicas tradicionais baseadas em provas teóricas, a ISSDC funciona de forma dinâmica e imersiva, replicando o ambiente do mercado corporativo aeroespacial. Na fase decisiva, os estudantes são inseridos em um cenário futurista comandado por uma organização ficcional chamada “Sociedade da Fundação”.
Lá, as equipes precisam se estruturar como empresas reais, com cerca de 60 funcionários, e desenhar uma proposta detalhada que englobe engenharia estrutural, fato -
res humanos, operações, gerenciamento de projetos e viabilidade financeira, visando a conquista de um contrato comercial.
Atualmente, o grupo Astrabrazil vive uma rotina intensa de preparação e mentorias com importantes instituições do ramo aeroespacial brasileiro para compreender o cotidiano da profissão. Em paralelo, a equipe busca patrocínios e apoio institucional para viabilizar a viagem e a infraestrutura necessária para representar o Brasil nesta etapa inédita do torneio mundial.

A primeira turma do Programa Abrace Este Projeto recebeu seus certificados em Paranaíba. Realizado pela Arauco em parceria com o Senai MS, o programa formou 23 alunos no curso técnico em Logística, contribuindo para a qualificação profissional da população local e para a preparação de mão de obra alinhada às demandas do setor florestal em expansão na região.
A cerimônia, que marcou a conclusão do curso técnico em Logística representou, para os alunos, o resultado de uma escolha feita meses antes: investir tempo, dedicação e energia em uma área que ganha cada vez mais importância com o desenvolvimento da
Costa Leste de Mato Grosso do Sul.
Ao longo da jornada, os alunos tiveram contato com conteúdo técnico, práticas da profissão e profissionais ligados ao setor, em um contexto diretamente relacionado ao avanço do Projeto Sucuriú, em Inocência (MS).
O Abrace Este Projeto foi lançado com a proposta de capacitar mais de 500 pessoas em cursos técnicos nas áreas de automação, celulose e papel, eletrotécnica, logística, mecânica e química. Além das aulas, os estudantes contam com bolsa-auxílio, um incentivo à permanência e ao bom desempenho ao longo do processo formativo.
Para Rone de Oliveira, 44 anos, a oportunidade trouxe a possibilidade de olhar para um novo mercado. “Os cursos do Senai são reconhecidos em todo o país pela qualidade. Com o Abrace Este Projeto, tivemos a oportunidade de fazer um curso de logística com foco no setor de celulose. Isso abre uma janela de oportunidades no setor, que é onde espero trabalhar em um futuro bem próximo”, afirma.
Aos 25 anos, Larissa Maria de Jesus Silva encerra essa etapa com a sensação de conquista. “Nesses nove meses de curso, vivi uma experiência muito enriquecedora e transformadora. Tive a oportunidade de ad-
quirir novos conhecimentos, desenvolver habilidades e aprender na prática sobre a área de logística”, conta.
Para ela, o aprendizado vai além do conteúdo técnico. “Além do crescimento profissional, o curso contribuiu para meu desenvolvimento pessoal, fortalecendo valores como responsabilidade, disciplina e trabalho em equipe. Para me dedicar ao curso, precisei abdicar de alguns momentos e fazer escolhas, mas sempre tive a convicção de que estava investindo em algo que faria diferença no meu futuro”, relata.
A experiência também ampliou os horizontes de Jessyca Fernanda Dias dos Santos,
26 anos, técnica em Logística e graduanda em Matemática. Ela iniciou a formação em busca de qualificação e chegou ao fim do processo com uma visão mais concreta sobre as possibilidades da área. “Durante o curso, tivemos contato com profissionais da Arauco, que apresentaram o projeto e ajudaram a entender melhor os processos operacionais. Consegui me imaginar atuando naquele ambiente, o que despertou ainda mais meu interesse pela logística”, destaca.
Rafael Faria Silva, 28 anos, já tinha afinidade com o tema desde que estudou Administração. Atualmente desempregado, ele ajuda os pais em uma empresa familiar e conta que o curso reforçou seu interesse pela área. “Tive uma experiência muito positiva com o curso, porque sempre gostei do universo da logística. Com a formação, pude aprofundar meus conhecimentos sobre conceitos, macroprocessos, cadeia de suprimentos, gestão de estoques e entender melhor como tudo isso se interliga”, diz.
Capacitação como caminho para o futuro
Para Fernando Ribas, consultor de Logística Florestal e Transportes da Arauco, a conclusão da primeira turma é um marco para a região. “O Abrace Este Projeto nasceu com o propósito de aproximar as pessoas das oportunidades que estão sendo geradas aqui. Ver essa primeira turma formada é motivo de orgulho, porque mostra que a qualificação profissional transforma trajetórias e ajuda a construir o desenvolvimento regional”, observa.
Algemiro Munhoz, especialista em Ges -
O Projeto Sucuriú marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil. O investimento de US$4.6 bilhões inclui a construção de uma planta com capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose/ano. Está localizado em uma área de 3.500 hectares, a 50 quilômetros do centro da cidade de Inocência (MS) e ao lado do Rio Sucuriú. A etapa de terraplanagem começou em 2024 e a previsão de entrada em operação é no final de 2027.
Em todas as fases desenvolvimento do Projeto, e de maneira contínua, monitora e respeita a biodiversidade local,
tão de Pessoas da Arauco, ressalta o significado da certificação para os estudantes. “Quando existe oportunidade, apoio e dedicação, a qualificação profissional se transforma em um caminho real de crescimento. Cada formando chega a este momento com uma história, um esforço e uma nova perspectiva de futuro. Para nós, é muito especial acompanhar esse processo e ver pessoas se preparando para as transformações que estão acontecendo aqui”, afirma.
identificando espécies de flora e fauna nativas da região, além de fazer o mapeamento das áreas prioritárias para conservação.
Durante as obras, a Arauco vai oferecer capacitação e gerar mais de 14 mil oportunidades de trabalho. Depois do start up, o Projeto Sucuriú empregará cerca de 6 mil pessoas nas unidades Industrial, Florestal e operações de logística. O propósito é impulsionar o desenvolvimento social e econômico para toda região, fomentando um aumento na geração de renda e na arrecadação de impostos, além de contribuir para atrair investimentos.

A NVIDIA anunciou o NVIDIA BioNeMo Agent Toolkit, que fornece ferramentas e habilidades específicas para a era das ciências da vida orientadas a agentes.
Incluindo mais de uma década de bibliotecas, ferramentas e modelos abertos da NVIDIA para ciências da vida, o conjunto de ferramentas permite que agentes de IA, cientistas e laboratórios trabalhem juntos, reunindo evidências, analisando resultados, executando experimentos com-

putacionais e recomendando as melhores próximas etapas para acelerar as descobertas.
Isso fornece a qualquer agente ou plataforma de IA - desde assistentes de uso geral até agentes científicos especializados, plataformas de software e sistemas biofarmacêuticos internos - as ferramentas necessárias para sintetizar e resumir o conhecimento científico, acionar modelos, avaliar resultados, raciocinar e executar as próximas ações.

O conjunto de ferramentas inclui o NVIDIA BioNeMo™ e é alimentado pelos microsserviços NVIDIA NIM™, pelas tecnologias NVIDIA Parabricks®, NVIDIA NeMo™ e NVIDIA Nemotron™, juntamente com computação acelerada e habilidades — fornecendo uma base aberta e confiável para ciências da vida com agentes.


Mais de 50 empresas já o utilizam para impulsionar a descoberta científica, aproveitando as habilidades que podem ser acionadas por agentes para tarefas como previsão da estrutura de proteínas, acoplamento molecular, química generativa, análise genômica, design de proteínas e descoberta de biomarcadores.
“Os modelos de vanguarda são os cérebros. O BioNeMo é a caixa de ferramentas científicas. Juntos, eles conferem aos agentes de IA as habilidades de um assistente de pesquisa com doutorado e a velocidade de um supercomputador”, disse Jensen Huang, fundador e CEO da NVIDIA. “Pela primeira vez, os pesquisadores podem construir agentes de IA que compreendem o conhecimento científico, utilizam ferramentas científicas e executam fluxos de trabalho científicos. Esta é uma nova maneira de fazer ciência - uma que pode acelerar drasticamente as descobertas em biologia, química, genômica e medicina.”

Organizações de pesquisa e desenvolvimento de modelos abertos -incluindo o Arc Institute, a Open Molecular Software Foundation e o Instituto de Design de Proteínas (IPD) da Universidade de Washington -estão trabalhando com a NVIDIA para usar o BioNeMo no avanço de modelos de ponta e torná-los mais acessíveis por meio de fluxos de trabalho prontos para uso. A colaboração
com o IPD acelerou os tempos de execução de modelos de biodesign de última geração, como o RosettaFold3, resultando em um desempenho duas vezes mais rápido do que o modelo da geração anterior. Muitas outras aplicações para acelerar os esforços de design de proteínas estão em andamento, oferecendo aos pesquisadores ferramentas em uma escala e custo antes inimagináveis.
“Todas as ferramentas que criamos para o design de proteínas só são tão poderosas quanto os cientistas que conseguem acessá-las de forma eficiente”, disse David Baker, professor de bioquímica na Faculdade de Medicina da Universidade de Washington e diretor do Instituto de Design de Proteínas. “O próximo grande avanço na ciência não virá de uma única descoberta; virá da velocidade dos projetos iterativos e de agentes que possam raciocinar repetidamente sobre a complexidade da biologia a uma velocidade que os humanos jamais conseguiriam.”
OpenShell™ fornece um ambiente executável controlado.
Os componentes do conjunto de ferramentas permitem que os agentes concluam

fluxos de trabalho como triagem virtual análise genômica e descoberta de alvos, design de ligantes de proteínas, pesquisa biomédica avançada, análise de imagens médicas, etc.

A Ascenty, joint venture entre Digital Realty e Brookfield Infrastructure, anunciou a construção de quatro novos data centers preparados para IA. Juntos, os data centers já estão totalmente pré-locados e somam 150 MW. Os novos investimentos da Ascenty somam US$ 1,2 bilhão para acelerar a expansão de sua infraestrutura voltada à inteligência artificial no Brasil.
O aporte é impulsionado por contratos recentemente firmados com empresas globais de tecnologia, com o objetivo de atender à crescente demanda por soluções de IA e cloud de próxima geração na região. A potência em MW anunciada equivale a mais de 40% de toda a capacidade construída ao longo dos 15 anos de história da companhia, evidenciando a forte aceleração da demanda

por infraestrutura de IA de alta densidade.
O primeiro data center será em Sumaré (SP), no campus da cidade, que já conta com dois prédios em operação, e será a primeira unidade na América Latina projetada desde a concepção para suportar cargas de trabalho em larga escala de inteligência artificial. Além disso, a Ascenty está construindo sua terceira instalação de grande porte em Vinhedo e anuncia mais dois data centers em desenvolvimento no mesmo campus. Todas essas novas unidades foram projetadas para atender clientes globais de tecnologia, com alta densidade de potência, sistemas de resfriamento líquido e desempenho computacional avançado.
“O mercado passou por uma mudança estrutural com a inteligência artificial, e a
Ascenty está na linha de frente dessa nova onda”, afirma Chris Torto, CEO da Ascenty. “Estamos construindo a infraestrutura que

vai impulsionar a próxima geração de IA no mundo.”



A Oracle e a Amazon Web Services (AWS) oferecem o Oracle AI Database@AWS para clientes no Brasil. Com a estreia da oferta na Região AWS América do Sul (São Paulo), os clientes agora podem executar o Oracle Exadata Database Service, o Oracle Autonomous AI Database e o Oracle Autonomous AI Lakehouse em infraestrutura dedicada na
Oracle Cloud Infrastructure (OCI) dentro da AWS. Além disso, os clientes podem adquirir o Oracle AI Database@AWS por meio de parceiros de canal qualificados da Oracle e da AWS, oferecendo a flexibilidade de trabalhar com parceiros qualificados enquanto continuam a inovar e a enfrentar desafios de negócios complexos na nuvem.


Os clientes podem migrar de forma rápida e fácil suas cargas de trabalho locais do Oracle AI Database e do Oracle Exadata para o Oracle AI Database@AWS com alterações mínimas, oferecendo disponibilidade completa de recursos, compatibilidade arquitetônica e o mesmo desempenho do ambiente local. Além disso, o Oracle AI Database@AWS oferece integrações zero-ETL (extração, transformação e carga) que unificam dados entre Oracle e AWS para análise avançada, machine learning e serviços de IA generativa, como o Amazon Bedrock. Ao integrar os poderosos recursos do Oracle AI Database com dados e serviços líderes da AWS, os clientes podem criar facilmente aplicações habilitadas por IA ou aprimorar as existentes.


“O lançamento do Oracle AI Database@AWS na Região AWS em São Paulo oferece às organizações no Brasil um novo caminho para modernizar cargas de trabalho de missão crítica e acelerar a inovação em IA”, afirma Leandro Vieira, vice-presidente sênior de AI e Tech Cloud para a Oracle Brasil. “Agora, os clientes podem migrar suas cargas de trabalho locais da Oracle para o Oracle AI Database@AWS com interrupção mínima. Isso permite que combinem os recursos de IA no banco de dados do Oracle AI Database com os serviços de análise e machine learning da AWS para ajudar a desbloquear novo valor de negócios.”

A partir de 1º de julho de 2026, a Indonésia passou a exigir verificação biométrica facial obrigatória para o cadastro de todos os novos chips (SIM cards) de telefonia móvel. A medida representa uma das iniciativas mais abrangentes do mundo para vincular a identidade digital dos cidadãos ao acesso às redes de telecomunicações e reforça uma tendência internacional de utilização da biometria como instrumento de combate às fraudes eletrônicas.
A nova regra foi estabelecida pelo Minis -

tério da Comunicação e Assuntos Digitais (Komdigi) por meio do Regulamento Ministerial nº 7 de 2026, substituindo o modelo anterior baseado apenas no Número de Identidade Nacional (NIK) e no Cartão da Família (Family Card). O governo argumenta que esses documentos passaram a ser frequentemente utilizados por criminosos em registros fraudulentos de linhas telefônicas destinadas a golpes, spam, disseminação de desinformação e outras atividades ilícitas.
de Provedores de Telecomunicações (ATSI), cerca de 1,4 milhão de novos números já haviam sido registrados utilizando biometria facial entre janeiro e abril de 2026. O processo de autenticação leva menos de dois minutos, desempenho considerado satisfatório pelas autoridades.
O principal objetivo da iniciativa é reduzir crimes digitais associados ao uso de identidades falsas ou roubadas para obtenção de linhas telefônicas.
Segundo o Komdigi, o sistema anterior permitia que números de identidade e registros familiares fossem utilizados sem autorização dos titulares, facilitando práticas como engenharia social, phishing e smishing, cha-
“A implementação nacional do registro de cartões SIM baseado em biometria para novos usuários agora pode prosseguir integralmente. Não haverá mais exceções a partir de 1º de julho de 2026”, declarou Abdullah em Jacarta.

madas fraudulentas, envio de mensagens em massa, criação de contas falsas para serviços digitais.
Ao exigir que o usuário esteja fisicamente presente durante o processo de cadastro - ou realize uma captura facial validada pelo aplicativo da operadora - o governo busca impedir registros realizados com documentos furtados ou vazados.
Tendência global de identidade digital
Embora diversos países já utilizem biometria para abertura de contas bancárias, emissão de documentos oficiais e autenticação de serviços públicos, a Indonésia passa a integrar um grupo ainda reduzido de nações que adotam biometria facial obrigatória para ativação de novos serviços de telefonia móvel.
A iniciativa acompanha o crescimento das políticas de identidade digital soberana, impulsionadas pelo aumento dos crimes ci-
bernéticos e pela necessidade de fortalecer mecanismos de autenticação em serviços essenciais.
Especialistas observam que medidas desse tipo aumentam significativamente a confiabilidade do cadastro de usuários, mas também ampliam o debate sobre proteção de dados pessoais, governança de bases biométricas, interoperabilidade entre sistemas públicos e privados e requisitos de segurança cibernética para armazenamento dessas informações.
Para as operadoras móveis, a nova regulamentação exige investimentos em infraestrutura de captura biométrica, criptografia de dados, integração com bancos de dados governamentais e atualização dos processos de onboarding digital.
Ao mesmo tempo, espera-se uma melhora na qualidade das bases cadastrais, redução do número de linhas registradas de for-
ma irregular e maior confiança em serviços digitais que utilizam o número de telefone como mecanismo de autenticação.
A experiência da Indonésia poderá servir como referência para outros mercados emergentes que enfrentam elevados índices de fraudes associadas à identidade digital e ao uso indevido de números de telefonia móvel.

“Rede Hidrometeorológica Nacional: estado da arte do monitoramento hidrológico e principais desafios quanto à instrumentação”, por Ricardo Gabriel Bandeira de Almeida do SGB

A segunda edição do MetroAmbiental – Simpósio de Metrologia Aplicada ao Monitoramento Meteorológico – consolidou-se como um evento de referência para as comunidades de meteorologia, hidrologia, metrologia e monitoramento ambiental no País. Realizado nos dias 27 e 28 de maio na Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC-SP), com organização da Rede Metrológica do Estado de São Paulo (REMESP), o encontro teve como tema central: “Ciência, Tecnologia e Inovação para a me -
lhoria da confiabilidade dos dados ambientais”.
O evento teve início com uma solenidade que contou com a presença de Jean Albert Bodinaud e Celso Scaranello, presidentes do Conselho e Executivo da REMESP, respectivamente, e de Luiz Henrique de Almeida Silva, diretor de Infraestrutura da Qualidade do Ipem-SP. Neste momento, foi homenageado o professor Márcio Antonio Aparecido Santana, do INPE, um dos idealizadores do simpósio.

A palestra de abertura, “Ciência, tecnologia e inovação para o aprimoramento da confiabilidade dos dados ambientais na EMBRAPA”, foi proferida por Eduardo Antonio Speranza. Em seguida, sob a moderação da professora Nilmara Guimarães (IFRJ), a sessão “Desafios e soluções para a manutenção da rastreabilidade para o monitoramento meteorológico” apresentou as seguintes palestras:
• “Rede Hidrometeorológica Nacional: estado da arte do monitoramento hidrológico e principais desafios quanto à instrumentação”, ministrada por Ricardo Gabriel Bandeira de Almeida, supervisor de hidrologia do SGB (Serviço Geológico do Brasil);
• “Ciência, Tecnologia e Inovação para o aprimoramento da confiabilidade dos dados ambientais no Instituto Nacional de Meteorologia”, apresentada por Carlos Alberto Andrade e Jurgielewicz, diretor do INMET;
• “Ciência, Tecnologia e Inovação para o aprimoramento da confiabilidade dos dados ambientais no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais”, por Márcio Santana, metrologista do INPE.
Na sequência, sob moderação do coronel Marcelo Brederodes Campos (ICEA), ocorreram as palestras:
• “Contribuição da Metrologia Científica do Inmetro para a Meteorologia: estado atual e perspectivas”, com Danielle Assafin, diretora de Metrologia Científica do INMETRO;
• “Desafios e soluções para a manutenção da rastreabilidade metrológica em aeródromos”, por Marcelo Rosin Citrangulo, coordenador de manutenção da NAV Brasil no aeroporto de Guarulhos.
Posteriormente, sob a moderação do professor Francisco Tadeu Degasperi (Fatec-SP), a sessão “Aprimoramento da confiabilidade de dados ambientais aplicada ao gerenciamento de riscos e desastres naturais” contou com:
• “Sistema de monitoramento e alerta com foco na Defesa Civil Alestra”, por Matheus Gonçalves Roncatto, chefe de operações do Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil do Estado de São Paulo;
• “Inovação a serviço da sociedade: a transformação da rede observacional do CEMADEN/MCTI para a gestão de riscos e desastres”, apresentada por André Aparecido de Souza Ivo, tecnologista do CEMADEN.
O dia foi encerrado com a palestra “Pluviômetros eletrônicos sem partes móveis: Desafios nos processos de calibração”, ministrada pelo professor Ronei Miotto, da Universidade Federal do ABC (UFABC), com apoio da empresa Romiotto Instrumentos.


Sob o tema ‘Desafios e soluções metrológicas para o monitoramento ambiental’, o segundo dia do evento seguiu com uma programação diversificada, espelhando as múltiplas aplicações das medições ambientais. A sessão foi dividida em duas partes, sendo a primeira moderada por Priscila Custódio de Matos (Laboratório de Integração e Testes do INPE), que apresentou as palestras:
• “Desafios e soluções para a manutenção da rastreabilidade metrológica nas grandezas temperatura e umidade relativa do ar”, por Bruno Mascarenhas Lozano, pesquisador metrologista da DIMCI do Inmetro;
• “Projeto AmazonFace (Free-Air CO2 Enrichment) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia”, por Leonardo Ramos de Oliveira, coordenador do Laboratório de Instrumentação Micrometeorológica do programa LBA-INPA.
Na sequência, sob a moderação de Roberta Leite (Bluexperts Consultoria & Treinamento), foram apresentadas:
• “Monitoramento inteligente de CO2 com LI-720 Carbon Node”, por Julio César Hollenbach, CEO da Sigma Sensors;
• “Inovação aplicada: melhorando a confiabilidade dos dados ambientais hoje”, por Gustavo Ventura, CTO/Founder da Dualbase.
O evento também contou com a mesa-redonda “Desafios para o ensino de instrumentação e metrologia aplicada no monitoramento meteorológico”, moderada por Celso Scaranello, com a participação dos professores Josué Souza de Gois (Fatec), Yoshiaki Sakagami (Instituto Federal de Santa

Catarina) e Márcio Santana (INPE).
Posteriormente, na sessão “Aprimoramento da confiabilidade de dados ambientais aplicada ao gerenciamento de riscos e desastres naturais”, moderada por Carlos Scarton (Sartorius), destacaram-se as apresentações:
• “Padrões de Qualidade utilizados pela Campbell Scientific na fabricação de equipamentos de alto desempenho”, por Andrea Deho, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Campbell Brasil;
• “O sistema de previsão, monitoramento, alerta e alarme da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro”, pelo Tenente-Coronel Alexander Anthony Barrera, diretor do CEMADEN-RJ;
• “Aprimoramento da confiabilidade dos dados no monitoramento hidrometeorológico na EPAGRI”, por José Luiz Rocha Oliveira, supervisor da Epagri/Ciram.
O evento foi encerrado com a sessão “Desafios e soluções para a manutenção da rastreabilidade para o monitoramento meteorológico”, moderada por Scaranello, onde foi apresentada a palestra “Desafios na Implementação do Procedimento de Avaliação de Conformidade de Estação Meteorológica de Superfície utilizada no Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro”, proferida por Leandro de Oliveira Peixoto, chefe da Subdivisão de Coordenação e Controle Téc-
nico do Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA).
O simpósio proporcionou um panorama abrangente do setor, destacando os investimentos, os projetos em andamento e as perspectivas futuras, incluindo a evolução do ensino e da formação profissional na área. Foram debatidas também as necessidades do segmento, a infraestrutura existente e as possibilidades de expansão e a inclusão de metadados nos bancos de dados hidro -
meteorológicos, como por exemplo as características da instrumentação utilizada, possibilitando assim conhecer a “precisão” da medição.
Um ponto central do debate foi o desafio de suprir a demanda da sociedade pela melhoria contínua da confiabilidade nas medições de monitoramento ambiental, onde são essenciais em áreas críticas como meteorologia, hidrologia, segurança de voo, agricultura, defesa civil, alertas de desastres naturais, operações offshore e laboratórios de metrologia. O evento reforçou a importância da rastreabilidade das medições, bem como dos requisitos técnicos, recomendações e orientações da metrologia aplicada à instrumentação hidrometeorológica, bases fundamentais para a credibilidade dos dados ambientais.
Para Márcio Santana, tecnologista sênior em Metrologia Ambiental, a metrologia aplicada à instrumentação hidrometeorológica pode ser didaticamente representada por um tetraedro, cuja estrutura se sustenta em quatro vértices fundamentais: o entendimento dos fenômenos a serem monitorados

e medidos; a instrumentação adequada; a estatística aplicada ao tratamento dos dados; e, com igual relevância, a padronização dos processos. O equilíbrio entre esses pilares visa garantir o contínuo atendimento às recomendações e requisitos técnicos das áreas meteorológica e metrológica. Santana ressalta ainda que as novas tecnologias impõem desafios inéditos, especialmente na medição e no tratamento estatístico das informações geradas. Nesse contexto, o objetivo primordial da Metrologia é conhecer, avaliar e elevar a confiabilidade das medições ambientais, aproximando o que é calibrado e ensaiado em laboratório da realidade observada em campo.
Complementando as discussões técnicas, uma feira paralela com os principais fornecedores exibiu inovações em instrumentos, equipamentos e serviços para o monitoramento ambiental. Outro grande destaque foi a integração efetiva entre os diferentes elos do monitoramento ambiental - usuários de dados, fabricantes, acadêmicos, técnicos de campo e de laboratório -, criando um ecos -

sistema propício ao desenvolvimento de novas soluções e que o Brasil pode e deve ser protagonista na metrologia aplicada em diversas variáveis hidrometeorológicas, devido suas atividades ligadas ao agronegócio, à sustentabilidade, às energias renováveis e a proteção ao meio ambiente.
O grande legado desta edição foi a convergência, em um mesmo espaço, de especialistas que transformam medições em conhecimento, técnicos que oferecem as melhores soluções metrológicas e gestores comprome -


tidos com a qualidade. Como desdobramento prático, foram pactuadas diversas ações colaborativas entre as instituições e empresas presentes, voltadas a atender, com excelência, às demandas do setor.
O sucesso desta segunda edição assegura a continuidade deste simpósio e já projeta a realização do MetroAmbiental 2027, reafirmando o compromisso com a excelência na disseminação de conhecimento e nos avanços da metrologia aplicada à instrumentação hidrometeorológica no Brasil.




Como transformar dados em vantagem competitiva? Até onde a inteligência artificial pode assumir decisões operacionais? A convergência entre TI e TO já chegou ao chão de fábrica? Essas perguntas conduziram o Simpósio ISA São Paulo Section – Automação em Óleo e Gás, que reuniu executivos, pesquisadores e especialistas para discutir os rumos da transformação digital no setor.


A indústria de óleo e gás já não discute mais se vai digitalizar suas operações, mas como fazê-lo com segurança, escala e retorno para o negócio. Muito além das novas tecnologias, os debates mostraram que o sucesso da digitalização depende de governança de dados, cibersegurança, integração entre equipes e formação de profissionais preparados para uma indústria cada vez mais conectada.

CONFIRA A COBERTURA COMPLETA AQUI



Mais do que discutir os avanços da inteligência artificial, o Fórum Brasileiro de Inteligência Artificial e Computação de Alto Desempenho, realizado entre 11 e 14 de maio no Instituto Eldorado, em Campinas (SP), consolidou um consenso entre governo, academia e indústria: o futuro da IA brasileira dependerá menos da adoção de modelos prontos e mais da construção de uma infraestrutura computacional própria, da formação de talentos e da coordenação de políticas públicas.
Organizado pelo Instituto Eldorado, CGEE, Serpro, RNP, LNCC e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o encontro reuniu representantes dos principais atores do ecossistema nacional para discutir a implementação do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), a revitalização do Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Sinapad), computação de alto desempenho (HPC), semicondutores, infraestrutura crítica e aplicações industriais de IA.

Na abertura do evento, José Bertuzzo, superintendente do Instituto Eldorado, destacou que a corrida global pela IA exige rapidez e foco estratégico. “Existe um desafio muito grande do ponto de vista de formação de mão de obra, de talentos e também de infraestrutura tecnológica. O investimento precisa vir na hora certa”, afirmou. Para ele, a inteligência artificial representa “uma oportunidade de ouro” para o Brasil, desde que o País consiga mobilizar recursos e agir com agilidade diante das transformações tecnológicas globais.
O tema da soberania tecnológica permeou praticamente todos os painéis. Representando o MCTI, Hugo Valadares, diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital, afirmou que a atual reorganização geopolítica torna indispensável o fortalecimento das capacidades nacionais. “Ou a gente se posiciona agora ou vai perder mais uma onda tecnológica”, alertou. Segundo ele, perder essa oportunidade significaria aprofundar a dependência tecnológica do País. “A única solução para a soberania e para o desenvolvimento tecnológico nacional é trabalharmos de forma conjunta, utilizando todos os instrumentos que construímos ao longo dos anos.”



A escolha da infraestrutura necessária para sustentar essa estratégia também ganhou destaque. Adriana Flosi, secretária de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Campinas, reforçou a candidatura da cidade para sediar o supercomputador previsto pelo PBIA. Segundo ela, Campinas reúne universidades, institutos de pesquisa e empresas capazes de formar um dos principais polos brasileiros de IA, semicondutores e tecnologias quânticas. “Entendemos o tamanho da importância disso para a soberania nacional”, afirmou, destacando o compromisso do município em apoiar a operação da futura infraestrutura computacional.
O debate avançou ainda para a necessidade de transformar infraestrutura em inovação. Em sua apresentação, André Rafael, um dos organizadores do fórum, defendeu que o Brasil precisa coordenar investimentos estruturantes entre seus diferentes polos tecnológicos. “Existe uma necessidade de especializar mais nossos territórios e fazer investimentos estruturantes de forma coordenada”, afirmou. Ele também chamou atenção para o uso criterioso da própria inteligência artificial na produção de conhecimento. Ao relatar testes com ferramentas capazes de resumir automaticamente as palestras do evento, observou que elas produzem bons resumos, mas ainda deixam escapar informações estratégicas. “Não dá para confiar totalmente,

cegamente, na inteligência artificial.”
A visão da indústria foi apresentada por Guilherme Furck, gerente de vendas corporativas da NVIDIA para a América Latina. Segundo ele, o avanço recente da IA generativa é resultado de mais de uma década de investimentos em computação acelerada, software e formação de profissionais. “A democratização da inteligência artificial generativa foi fruto desse investimento feito muito antes de 2022”, afirmou. Furck destacou ainda que o desafio atual vai além da aquisição de GPUs: envolve energia, refrigeração, redes, modelos fundacionais, bibliotecas de software e plataformas completas capazes de acelerar o desenvolvimento de aplicações em áreas como indústria, saúde, clima e robótica.



O Energy Summit 2026 confirmou que a transição energética deixou de ser um debate restrito à expansão das fontes renováveis para incorporar definitivamente temas como inteligência artificial, infraestrutura digital, data centers, computação de alto desempenho (HPC), hidrogênio de baixo carbono, armazenamento de energia e novos modelos de financiamento da inovação.
Realizado entre 23 e 25 de junho, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, o evento reuniu executivos, pesquisadores, investidores, formuladores de políticas públicas, startups e representantes de universidades em torno de uma agenda que refletiu a crescente convergência entre energia, digitalização e sustentabilidade.
Um dos temas recorrentes foi o impacto da

inferência de modelos de IA passou a ser tratada como um dos maiores desafios para os sistemas elétricos. O consenso entre os especialistas foi que a competitividade dos países dependerá cada vez mais da capacidade de combinar oferta abundante de energia limpa com infraestrutura digital de alta capacidade.

Essa mudança de paradigma também foi destacada pela EPE Empresa de Pesquisa Energética. Durante o evento, a empresa chamou atenção para o fato de que o planejamento da expansão do sistema elétrico brasileiro passa a considerar uma nova geração de consumidores eletrointensivos, como data centers para inteligência artificial, projetos de hidrogênio de baixo carbono e grandes plantas industriais eletrificadas. Segundo a EPE, essas cargas exigirão maior flexibilidade operativa, reforço da transmissão e novas soluções para garantir segurança e confiabilidade ao sistema elétrico, consolidando uma nova agenda para o planejamento energético nacional.
Nesse contexto, o Brasil passou a ser visto como um dos mercados mais promissores para investimentos. A combinação entre uma matriz elétrica predominantemente renovável, elevada dispo -

nibilidade de recursos solares, eólicos e hidrelétricos e a perspectiva de crescimento do mercado de data centers coloca o país em posição estratégica para atrair projetos intensivos em computação e inteligência artificial.
A digitalização do setor energético apareceu como outro eixo estruturante do evento. Tecnologias de inteligência artificial, gêmeos digitais (Digital Twins), internet das coisas industrial (IIoT), computação em nuvem, análise avançada de dados e automação passaram a ser apresentadas não apenas como ferramentas de eficiência operacional, mas como componentes essenciais da nova infraestrutura energética. A integração entre ativos físicos e plataformas digitais deverá acelerar o desenvolvimento das redes inteligentes, da manutenção preditiva, da gestão distribuída da geração e da otimização do consumo energético.

Essa transformação também alcança regiões historicamente dependentes da geração a diesel. Durante o Energy Summit, o Ministério de Minas e Energia apresentou os avanços do Programa Energias da Ama-
zônia, iniciativa voltada à substituição gradual da geração fóssil nos sistemas isolados por soluções híbridas que combinam energia solar e armazenamento em baterias. Entre os resultados apresentados estão a seleção
de projetos para hibridização de 29 usinas, beneficiando 36 localidades e cerca de 652 mil habitantes, com potencial para economizar aproximadamente 270 milhões de litros de diesel, evitar a emissão de cerca de 800 mil toneladas de CO2 e reduzir em R$ 857 milhões os custos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). O ministério também destacou a contratação, em Jacareacanga (PA), do primeiro sistema híbrido brasileiro que integra geração fotovoltaica e armazenamento em baterias para atendimento de sistemas isolados.
Os debates também evidenciaram que a expansão das energias renováveis exige investimentos crescentes em sistemas de armazenamento. Baterias de grande porte, armazenamento de longa duração, hidrogênio de baixo carbono e soluções híbridas ganharam espaço como tecnologias fundamentais para garantir flexibilidade operacional e segurança ao sistema elétrico em um cenário de elevada participação de fontes intermitentes.
Outro tema de destaque foi a necessidade de ampliar a integração entre universidades, centros de pesquisa, startups, investidores e grandes empresas. O evento reforçou a percepção de que inovação em energia depende cada vez mais de ecossistemas colaborativos capazes de transformar pesquisa científica em soluções comerciais escaláveis. O Science Village, espaço dedicado à produ-

ção científica, exemplificou esse movimento ao aproximar pesquisadores do setor produtivo e estimular projetos voltados à descarbonização, digitalização e novos modelos de negócios.
A infraestrutura digital também passou a ser vista como vetor de desenvolvimento regional. Representantes da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice) defenderam a descentralização dos investimentos em data centers, argumentando que estados do Nordeste reúnem vantagens competitivas importantes, como abundância de energia renovável, conectividade internacional por cabos submarinos e políticas públicas voltadas à economia digital. A proposta reforça a visão apresentada ao longo do evento de que energia limpa, conectividade e computação de alto desempenho passam a formar uma mesma infraestrutura estratégica para atrair investimentos em inteligência artificial.
A descarbonização industrial permaneceu como prioridade, mas com uma abordagem mais ampla do que em edições anteriores. Em vez de discutir apenas a substituição de combustíveis fósseis, os painéis enfatizaram competitividade, inovação tecnológica, economia circular, captura de carbono, biometano, combustíveis sustentáveis, eletrificação de processos industriais e uso intensivo de inteligência artificial para otimizar eficiência energética.


O Women in Energy 2026 reforçou a mensagem de que é preciso também transformar quem lidera o setor de energia. Em um espaço dedicado à participação, visibilidade e liderança feminina, diferentes trajetórias destacaram a importância de fortalecer a presença das mulheres nos espaços de decisão, nas carreiras técnicas, na inovação e na construção dos próximos caminhos da energia. O encontro mostrou que representatividade não é apenas presença, mas também acesso, protagonismo e oportunidade para que mais mulheres se sintam parte de um setor vital para o desenvolvimento do país.
Ao final do encontro, ficou evidente que energia e tecnologia digital passaram a cons -

tituir uma única agenda estratégica. A expansão da inteligência artificial, da computação de alto desempenho e dos data centers está redefinindo o planejamento energético global, ao mesmo tempo em que a disponibilidade de energia limpa se transforma em fator decisivo para a atração de investimentos em infraestrutura digital. Nesse novo cenário, o Brasil reúne condições para assumir papel relevante, desde que consiga acelerar investimentos em transmissão, armazenamento, infraestrutura computacional, inovação e formação de talentos, transformando sua vantagem energética em vantagem tecnológica.

Realizado entre 22 e 25 de junho de 2026, em Chicago (EUA), o Automate 2026, promovido pela Association for Advancing Automation (A3), reuniu mais de mil expositores e realizou dezenas de sessões técnicas, reforçando uma mudança importante na evolução da manufatura inteligente: a inteligência artificial deixou de ser vista apenas como uma ferramenta de análise de dados e


passou a integrar diretamente os sistemas físicos de produção, consolidando o conceito de Physical AI.
A automação está deixando de ser apenas tecnologia de fábrica para assumir um papel estratégico na política industrial norte-americana, na competitividade econômica e na reindustrialização dos EUA.
Essa mensagem foi reforçada por Bill Guidera, representante da International Trade Administration do Departamento de Comércio dos EUA. Em seu discurso, Guidera afirmou que as tecnologias apresentadas no evento são fundamentais para impulsionar o retorno da manufatura ao país e manter a liderança econômica norte-americana.
Segundo o representante do governo americano, robótica, inteligência artificial e automação passaram a integrar a estratégia nacional para aumentar a competitividade internacional, ampliar as exportações, atrair investimentos estrangeiros e fortalecer a base industrial dos EUA. Guidera destacou ainda que o governo considera a IA embarcada em robôs e equipamentos industriais parte integrante da revolução da inteligência artificial, afirmando que “a linha entre software AI e hardware AI é extremamente tênue”.
Jeff Burnstein, presidente da Association for Advancing Automation (A3), destacou o novo peso estratégico da automação com a presença de um representante de alto escalão do Departamento de Comércio dos EUA na cerimônia de abertura, demonstrando que robótica, inteligência artificial e automação passaram a integrar a agenda nacional de competitividade industrial.
Burnstein afirmou ainda que a automação

atravessa um momento de profunda transformação tecnológica, com várias tecnologias - robótica, visão computacional, inteligência artificial, edge computing, simulação e automação definida por software - convergindo e alterando a forma como as empresas encaram produtividade, competitividade, resiliência das cadeias de suprimentos, infraestrutura energética e escassez de mão de obra.

A mbodiAI foi a vencedora do Automate 2026 Startup Challenge - uma plataforma de IA que traduz a intenção humana em ações confiáveis de robôs em ambientes de produção.

Os vencedores do Prêmio de Inovação Automate2026: CeiliX InfinityCrane e SkyRunner, Standard Bots e Flux AI, Synapticon ACTILINK-JD e POSITRON Safety AI

Prêmio de Robótica Joseph F. Engelberger de 2026 foi para Hiroshi Fujiwara e Robert Little


A YUAN ARC6N0 Thor foi nomeada Finalista Top 3 no Automate 2026 – é uma plataforma de IA de borda de próxima geração, ARC6N0 Thor, finalista na categoria de Sistemas de Automação nos Automate Innovation Awards de 2026


Essa convergência foi resumida por Andre Marino, Senior Vice President de Industrial Automation da Schneider Electric.
Segundo o executivo, a automação se tornou um instrumento essencial para aumentar a produtividade da indústria, enfrentar a escassez de mão de obra qualificada e aumentar a competitividade internacional das empresas.



Se em boa parte do Ocidente a inteligência artificial continua sendo apresentada principalmente como uma revolução do software generativo, a China deu um passo além e, na edição de 2026 do World Intelligence Expo, realizada entre 28 e 31 de maio em Tianjin, mostrou que o país passou a tratar a IA como eixo estruturante de sua política industrial, integrando computação de alto desempenho, telecomunicações, semicondutores, robótica, veículos inteligentes, cidades digitais e manufatura


avançada em uma única estratégia nacional.
Com o tema “Intelligence: Extensive Development Space, Sustainable Growth Driver”, a feira reuniu 741 empresas, ocupou cerca de 130 mil m2 de área e apresentou mais de 200 novos produtos, tecnologias e aplicações, confirmando sua transformação em uma plataforma para atração de investimentos, assinatura de acordos estratégicos e aceleração da industrialização da inteligência artificial.
“Muitos desses produtos e tecnologias inteligentes estão estreando, seja nacional ou internacionalmente, saindo dos laboratórios e chegando ao cotidiano e ao uso industrial. Com cenários de aplicação mais replicáveis e tangíveis, eles estão preparados para impulsionar o crescimento industrial”, disse Shen Maomao, diretor do Escritório de Pesquisa do Departamento Municipal de Indústria e Tecnologia da Informação de Tianjin.
Mais que uma feira de robôs humanoides – eles são de fato a atração -, o evento revelou um projeto mais amplo, o de construir
uma infraestrutura nacional capaz de transformar inteligência artificial em produtividade econômica.



Embodied AI avança para a economia real
Embora os robôs humanoides tenham atraído grande atenção do público, o conceito dominante da feira foi a Embodied AI (Inteligência Artificial Incorporada).
Diferentemente da IA generativa, voltada à produção de conteúdo digital, a Embodied AI busca integrar percepção, raciocínio e ação em sistemas físicos capazes de


interagir autonomamente com o ambiente. Nesse contexto, Tianjin assinou um acordo com a Unitree Robotics, uma das principais fabricantes chinesas de robôs quadrúpedes e humanoides, com o objetivo de acelerar a construção do Polo Industrial de Inteligência Incorporada Beijing-Tianjin-Hebei.
“Aproveitando os pontos fortes industriais e políticos de Tianjin, lançaremos nossos produtos e negócios na cidade, com foco em aplicações de robôs inteligentes em portos, petroquímica, manufatura e outros setores,” disse o cofundador da Unitree Robotics, Chen Li, resumindo a lógica da parceria.
Segundo o executivo, a empresa pretende aprofundar a cooperação em pesquisa e desenvolvimento com universidades e empre -
sas locais, reforçando aplicações industriais para energia, siderurgia, resposta a emergências, logística e combate a incêndios.
A Área de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico de Tianjin (TEDA) anunciou um plano para transformar a inteligência incorporada em um dos pilares de sua estratégia industrial.
A região já reúne cerca de 30 empresas de robótica, movimenta aproximadamente 13 bilhões de yuans e pretende superar 18 bilhões de yuans até 2028, apoiando-se em
uma cadeia completa de fornecedores, fabricantes de componentes e desenvolvedores de software.
A estratégia prevê aplicações industriais em cinco áreas prioritárias: manufatura, energia, inspeção técnica, portos e logística, além dos setores marítimo, subaquático e de reabilitação médica.
Outro eixo importante da exposição foi o fortalecimento da indústria nacional de tecnologia da informação, o que pode ser visto na China Electronics Corporation (CEC) que ocupou um dos maiores espaços do evento com o tema “Bases Independentes, Futuro Inteligente”, reunindo cerca de 300 produtos desenvolvidos por quase trinta empresas
do grupo.
Entre os destaques estavam processadores nacionais da Phytium, o sistema operacional Kylin 100, soluções de computação avançada, ferramentas nacionais de projeto de semicondutores (EDA), bancos de dados, chips de alta velocidade, plataformas

Talvez a principal mensagem do World Intelligence Expo 2026 seja que a China considera encerrada a fase de demonstração tecnológica da inteligência artificial: a vantagem competitiva deixa de depender apenas do desempenho do hardware para incorporar integração entre software, sensores, plataformas computacionais e aplicações industriais escaláveis.
Essa visão está alinhada ao 15º Plano Quinquenal (2026–2030), que incorpora pela primeira vez a iniciativa “AI Plus” como instrumento para transformar cadeias produtivas, fortalecer ecossistemas industriais e impulsionar o crescimento econômico.
Ficou evidente que a estratégia chinesa para inteligência artificial vai muito além dos
de IA e soluções completas de cibersegurança.
A mensagem foi clara: desenvolver inteligência artificial exige controlar também processadores, sistemas operacionais, software, infraestrutura computacional e segurança cibernética.


modelos fundacionais ou dos robôs humanoides. O objetivo é construir uma infraestrutura nacional integrada composta por computação, telecomunicações, semicondutores, robótica, energia e manufatura capaz de converter avanços científicos em aplicações industriais de larga escala.
Nesse sentido, o World Intelligence Expo 2026 aproximou-se mais de uma vitrine da política industrial chinesa do que de uma feira convencional de tecnologia. A mensagem transmitida por Tianjin é que a próxima disputa global pela liderança em inteligência artificial será vencida não apenas por quem desenvolver os melhores algoritmos, mas por quem conseguir integrá-los, em escala, à economia real.

O Annual Meeting of the New Champions 2026, conhecido internacionalmente como Summer Davos, confirmou que a economia mundial entrou em uma nova etapa da transformação digital. Realizado entre 23 e 25 de junho, em Dalian, na China, o encontro reuniu cerca de 1.800 líderes empresariais, autoridades governamentais, pesquisadores e representantes da sociedade civil sob o tema “Innovating at Scale” discutindo como transformar avanços tecnológicos em crescimento econômico efetivo.
Nas edições anteriores o debate esteve concentrado no potencial das novas tec-

nologias, mas este ano o foco se deslocou para sua implementação prática. Inteligência artificial, automação industrial, transição energética, manufatura avançada, cadeias globais de suprimentos e competitividade industrial dominaram praticamente todas as sessões.
A principal mensagem do encontro foi que a próxima fase da economia digital não dependerá apenas da capacidade de inovar, mas da habilidade de transformar inovação em produtividade, investimento e geração de valor em larga escala. O que tem aparecido em todos os eventos do tema.
O tema mais recorrente do congresso foi a rápida migração da inteligência artificial para aplicações concretas: ao contrário do entusiasmo observado em anos anteriores, quando predominavam demonstrações de modelos generativos, os debates se concentraram em casos reais de utilização da IA na indústria, energia, logística, saúde, finanças e
serviços públicos.
Executivos defenderam que a discussão deixou de ser “como criar modelos de IA” para se tornar “como gerar retorno econômico com eles”. A preocupação central passou a ser integração aos processos produtivos, governança, segurança, infraestrutura computacional e qualificação profissional.
Outro aspecto recorrente foi a convergência entre IA, robótica, sensores, computação em nuvem, edge computing e Digital Twins, formando ecossistemas digitais capazes de transformar fábricas, cadeias logísticas e sistemas energéticos em plataformas continuamente otimizadas.

Sessão plenária de abertura com Li Qiang, Primeiro-Ministro da República Popular da China, que defendeu cooperação mais profunda e a abertura como fundamentos da inovação

Como país anfitrião, a China utilizou o encontro para apresentar o que diversos participantes passaram a chamar de “China Opportunity 2.0”.
A narrativa predominante foi a de que o país está deixando de ser apenas a maior plataforma mundial de manufatura para se consolidar como grande mercado consumidor de tecnologias avançadas, inovação industrial, inteligência artificial e economia digital.
Os debates mostraram uma economia cada vez mais orientada por automação, manufatura inteligente, veículos elétricos, robótica, computação avançada e infraestrutura digital.
Ao mesmo tempo, líderes internacionais ressaltaram que o ambiente geopolítico tornou as cadeias globais de suprimentos mais complexas, exigindo maior diversificação de fornecedores e maior resiliência industrial.
Transição energética muda de discurso
Outro ponto observado em Dalian foi a mudança no debate sobre energia: em vez de concentrar as discussões em metas climáticas de longo prazo, grande parte das sessões passou a tratar a transição energética como um tema de competitividade econômica. Investimentos em eletrificação, armazenamento em baterias, hidrogênio, redes inteli-
gentes e expansão da infraestrutura elétrica foram apresentados não apenas como políticas ambientais, mas como fatores determinantes para atração de investimentos industriais.
Os participantes destacaram que a expansão da inteligência artificial, dos data centers e da manufatura digital está criando uma
demanda sem precedentes por energia confiável e de baixo carbono, tornando a infra-
estrutura elétrica um ativo estratégico para o crescimento econômico.
As mudanças no comércio internacional também ocuparam posição central na programação e o Fórum discutiu como tensões geopolíticas, políticas industriais nacionais e estratégias de reshoring, nearshoring e friendshoring estão redesenhando as cadeias globais de produção.
Qualificação é prioridade
Outro consenso emergente foi que a escassez de mão de obra qualificada pode limitar a velocidade da transformação digital. Diversos painéis defenderam investimentos acelerados em requalificação profissional, educação tecnológica e formação de competências ligadas à inteligência artificial, análise
IA desperta entusiasmo e cautela
Embora o ambiente tenha sido favorável à inteligência artificial, o encontro também registrou discussões mais maduras sobre riscos e especialistas alertaram para questões envolvendo transparência dos algoritmos, segurança cibernética, uso responsável dos dados, governança e impacto social da au-
Da inovação à execução
O Summer Davos 2026 evidenciou uma mudança importante no posicionamento do próprio Fórum Econômico Mundial: em vez de enfatizar cenários futuros, o encontro focou em desafios de implementação como ampliar a escala da inteligência artificial, acelerar a digitalização da indústria, expandir a infraestrutura energética, formar profissionais qualificados e transformar inovação em produtividade.
Mais do que antecipar tendências, o even-
O consenso foi que eficiência de custos já não é o único critério para localização industrial. Resiliência logística, segurança energética, estabilidade regulatória e capacidade tecnológica passaram a influenciar diretamente decisões de investimento.

de dados, automação, robótica e engenharia de software.
A preocupação deixou de ser a substituição de empregos pela IA e passou a se concentrar na dificuldade de encontrar profissionais capazes de operar sistemas cada vez mais inteligentes.
tomação.
O consenso foi que a velocidade da inovação exige mecanismos de governança capazes de acompanhar o desenvolvimento tecnológico sem comprometer sua capacidade de gerar crescimento econômico.
to procurou responder a uma questão prática que permeou as sessões: como converter avanços tecnológicos em crescimento econômico sustentável, em um ambiente marcado por disputas geopolíticas, reorganização das cadeias globais e crescente demanda por infraestrutura digital e energética. Nesse contexto, a inovação deixou de ser tratada como um fim em si mesma e passou a ser vista como instrumento para aumentar a competitividade das economias e das empresas. A ver...


Principal instrumento de planejamento energético de médio prazo do país, o PDE 2035 consolida uma visão integrada para o desenvolvimento do setor energético brasileiro, incorporando de forma mais estruturada temas que ganharam relevância nos últimos anos, como a transição energética justa e inclusiva, o enfrentamento da pobreza energética, a adaptação às mudanças climáticas e o fortalecimento da resiliência dos sistemas energéticos.


Para o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a aprovação do PDE 2035 reafirma o compromisso do Brasil com um planejamento energético sólido, transparente e alinhado aos desafios da transição para uma economia de baixo carbono. “O plano projeta a expansão da oferta de energia com forte protagonismo das fontes renováveis, ao mesmo tempo em que incorpora temas essenciais como segurança energética, inclusão social, combate à pobreza energética e adaptação às mudanças climáticas. Trata-se de um instrumento fundamental para orientar investimentos, fortalecer a competitividade do país e garantir que o desenvolvimento do setor energético ocorra de forma sustentável, justa e resiliente”, destaca Silveira.
As projeções indicam crescimento contínuo da demanda energética brasileira ao longo dos próximos dez anos. O consumo final de energia aumenta 1,8% ao ano até 2035, impulsionado pela expansão da atividade econômica e pelo aumento do consumo em todos os principais setores da economia, incluindo transportes, indústria, setor residencial, comércio e serviços.

Para atender a essa demanda crescente, a oferta interna de energia cresce 2,3% ao ano. Mesmo diante desse crescimento, o Brasil mantém uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo, com participação das fontes renováveis atingindo 51% da oferta interna de energia em 2035. No setor elétrico, o plano projeta a manutenção do elevado protagonismo das fontes
renováveis na matriz de geração de energia elétrica. Em 2035, essas fontes respondem por mais de 85% da geração elétrica nacional, com destaque para a expansão da geração solar e eólica e para o crescimento da geração distribuída, reforçando a trajetória de diversificação da matriz elétrica brasileira.
O PDE 2035 projeta ainda a ampliação da capacidade instalada de geração elétrica do Brasil dos atuais 255 GW para aproximadamente 367 GW em 2035, uma expansão de cerca de 110 GW ao longo dos próximos dez anos. O crescimento ocorre majoritariamen-
te por meio de fontes renováveis, reforçando a liderança brasileira na construção de uma economia de baixo carbono.
Para viabilizar a trajetória de expansão da oferta interna de energia, o plano sinaliza investimentos da ordem de R$ 3,5 trilhões no horizonte decenal, abrangendo os diversos segmentos do setor energético. Os investimentos contribuirão para a expansão da infraestrutura, o atendimento à demanda crescente, a geração de emprego e renda e o fortalecimento da competitividade do Brasil em um contexto global de transformação energética.
Transição energética justa e combate à pobreza energética
Entre os destaques desta edição está o aprofundamento das análises relacionadas à transição energética justa e inclusiva. Em alinhamento à Política Nacional de Transição Energética (PNTE) e ao Plano Nacional de Transição Energética (Plante), o plano incorpora discussões sobre geração de empregos verdes, requalificação profissional, desenvolvimento regional, participação social e proteção de populações mais vulneráveis aos impactos das transformações do setor ener-
gético.
O PDE 2035 também reforça a importância do enfrentamento da pobreza energética como um dos desafios centrais para a promoção do desenvolvimento sustentável. Embora o acesso físico à energia elétrica esteja praticamente universalizado no país, o plano destaca a necessidade de ampliar o acesso econômico à energia e garantir que seus benefícios sejam compartilhados por toda a população brasileira.
Planejamento, participação social e transparência
O ciclo de elaboração do PDE 2035 teve início no fim de 2024 e contou com ampla participação da sociedade por meio da Consulta Pública nº 214/2026, realizada entre 12 de fevereiro e 30 de março de 2026. Durante o período da consulta pública foram recebidas 846 contribuições encaminhadas por 62 instituições representativas de diferentes segmentos da sociedade. Todas as contribuições foram analisadas pelas equipes técnicas da EPE, resultando em revisões e aperfeiçoamentos do conteúdo final do plano.
O engajamento da sociedade reforça o compromisso do Governo do Brasil e da EPE

com um planejamento energético cada vez mais transparente, participativo e baseado em evidências técnicas, fortalecendo a legitimidade das decisões e das políticas públicas para o setor.
Além do relatório final, o processo de elaboração do PDE 2035 contou com a publicação de 15 cadernos temáticos e a disponibilização de estudos e documentos complementares, ampliando a transparência e o acesso às informações que fundamentam o planejamento energético nacional. O material inclui uma ferramenta interativa com os principais resultados do plano.




adaptação
Diferentemente dos tradicionais fundos voltados à redução de emissões de gases de efeito estufa, o ARISE foi concebido para financiar investimentos que aumentem a resiliência econômica frente aos riscos climáticos.
O programa busca transformar vulnerabilidades em oportunidades de investimento por meio de projetos que fortaleçam infraestrutura, agricultura, recursos hídricos,
energia, transporte e sistemas produtivos, reduzindo perdas econômicas decorrentes de secas, enchentes, ondas de calor e outros eventos extremos.
Segundo o CIF, o financiamento será estruturado com base nas prioridades definidas pelos próprios países, em parceria com bancos multilaterais de desenvolvimento, buscando também ampliar a participação do setor privado.
Lacuna de financiamento continua elevada
A forte procura pelo programa reflete um problema estrutural identificado pelos organismos internacionais.
De acordo com estimativas citadas pelo CIF, os países em desenvolvimento enfrentarão, até 2035, uma lacuna anual de aproximadamente US$ 310 bilhões em financiamento para adaptação climática, valor entre 12 e 14 vezes superior aos recursos atual-
Financiamento catalítico
O ARISE utiliza um modelo conhecido como financiamento catalítico (catalytic finance). Nesse formato, os recursos iniciais do programa funcionam como capital de alavancagem para mobilizar investimentos adicionais provenientes de bancos multilate -
mente disponíveis.
Em contrapartida, estudos utilizados pelo programa indicam que cada dólar investido em resiliência pode gerar retorno médio de US$ 10,50 em benefícios econômicos de longo prazo, incluindo redução de perdas em infraestrutura, aumento da produtividade agrícola, estabilidade fiscal e menor impacto sobre cadeias produtivas.

rais de desenvolvimento, governos nacionais e investidores privados.
O objetivo é reduzir o risco financeiro dos projetos e ampliar o volume total de investimentos em adaptação climática, especialmente em economias emergentes.
Continuidade do Programa Piloto de Resiliência Climática
O novo programa sucede ao Pilot Program for Climate Resilience (PPCR), iniciativa do CIF que, desde sua criação, beneficiou aproximadamente 65 milhões de pessoas em mais de 30 países e mobilizou cerca de US$ 3 bilhões em cofinanciamentos para projetos de adap -
Próximas etapas
As manifestações de interesse serão avaliadas por um Grupo Independente de Especialistas, responsável por analisar critérios técnicos, grau de vulnerabilidade climática, maturidade institucional e potencial de impacto econômico. A seleção final caberá ao Comitê do Fundo Fiduciário do Strategic Climate Fund, administrado pelo CIF.
Os países selecionados vão elaborar, com
tação climática. Com base nessa experiência, o ARISE amplia o foco para políticas nacionais integradas de desenvolvimento econômico resiliente, envolvendo planejamento territorial, infraestrutura crítica, segurança hídrica, agricultura e proteção de cadeias produtivas.
bancos multilaterais parceiros - como World Bank, International Finance Corporation, Asian Development Bank, African Development Bank, Inter-American Development Bank e European Bank for Reconstruction and Development - planos nacionais de investimento alinhados às prioridades econômicas e climáticas de cada país.
Implicações para infraestrutura e indústria
Sob a ótica da engenharia e da transformação digital, a iniciativa sinaliza uma mudança relevante no mercado de financiamento cli-
mático. O foco deixa de estar exclusivamente na descarbonização para incorporar investimentos em infraestrutura resiliente, redes elé-
tricas mais robustas, sistemas inteligentes de gestão hídrica, agricultura digital, cidades resilientes, Digital Twins, monitoramento climático em tempo real e soluções baseadas em dados para adaptação às mudanças climáticas.
Para empresas de engenharia, automação, energia, saneamento, infraestrutura e tecnologia, essa mudança tende a ampliar a demanda por projetos capazes de combinar

Green Climate Fund (GCF)
ANO
ANO
OBJETIVO PRINCIPAL
Financiar investimentos em resiliência climática e adaptação econômica
sustentabilidade, digitalização e gestão de riscos climáticos, criando novas oportunidades de financiamento internacional para soluções de infraestrutura resiliente.
O ARISE não substitui os grandes fundos climáticos multilaterais, mas ocupa um nicho específico: transformar adaptação climática em investimentos estruturantes para a economia e atrair capital privado.
ESCALA DE FINANCIAMENTO
Programa piloto com investimentos de aproximadamente US$ 30–50 milhões por país, complementados por cofinanciamento dos bancos multilaterais
OBJETIVO PRINCIPAL
Maior fundo climático do mundo para mitigação e adaptação
ESCALA DE FINANCIAMENTO
Portfólio superior a US$ 13,5 bilhões (mais de US$ 50 bilhões incluindo cofinanciamento)
DIFERENCIAL
Estrutura “investment-first”: transforma planos nacionais de adaptação em projetos bancáveis capazes de atrair investimento privado
DIFERENCIAL
Atua diretamente no mecanismo financeiro da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC) e do Acordo de Paris
PERFIL DOS PROJETOS
Infraestrutura resiliente, energia, recursos hídricos, agricultura, transporte, cidades resilientes, Digital Twins, sistemas de monitoramento climático e infraestrutura crítica.
PERFIL DOS PROJETOS
Energias renováveis, mobilidade sustentável, infraestrutura resiliente, agricultura, água, florestas, cidades e fortalecimento institucional.
DIFERENCIAL
OBJETIVO PRINCIPAL
ESCALA DE FINANCIAMENTO
Adaptation Fund (AF)
ANO
Financiar projetos concretos de adaptação em países vulneráveis
Mais de US$ 1 bilhão aprovado desde sua criação
Pioneiro no modelo de Acesso Direto, permitindo que instituições nacionais recebam recursos sem intermediação de bancos multilaterais
PERFIL DOS PROJETOS
Proteção costeira, recursos hídricos, agricultura resiliente, redução de riscos de desastres, adaptação comunitária.
PERFIL DOS PROJETOS
ESCALA DE FINANCIAMENTO
DIFERENCIAL
Global Environment Facility (GEF)
ANO
OBJETIVO PRINCIPAL
Financiar bens públicos ambientais globais
Mais de US$ 23 bilhões em doações, mobilizando cerca de US$ 129 bilhões em cofinanciamentos
Possui escopo ambiental mais amplo que o clima
DIFERENCIAL
Biodiversidade, mudanças climáticas, águas internacionais, degradação do solo, economia circular, poluição e produtos químicos.
OBJETIVO PRINCIPAL
Climate Investment Funds (CIF)
ANO
Plataforma de financiamento para acelerar a transição climática em países em desenvolvimento
ESCALA DE FINANCIAMENTO
Mais de US$ 11 bilhões comprometidos, mobilizando cerca de US$ 64 bilhões adicionais
Atua exclusivamente por meio dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (MDBs) e funciona como laboratório para novos mecanismos financeiros, como o ARISE
PERFIL DOS PROJETOS
Energia limpa, transição energética, adaptação, natureza, descarbonização industrial e novos programas temáticos.

Embora existam diversos fundos internacionais voltados ao clima, o ARISE não financia apenas projetos isolados, mas programas nacionais de resiliência econômica. Ele prioriza investimentos capazes de mobilizar capital privado, reduzindo riscos para inves -
tidores e ampliando o efeito multiplicador dos recursos públicos. E integra adaptação climática ao planejamento econômico, direcionando recursos para infraestrutura crítica, cadeias produtivas, segurança hídrica, energia, agricultura e desenvolvimento urbano.

• Uma mensuração ex ante (impacto esperado) e uma forte base empírica proveniente do programa que o antecedeu, o Pilot Program for Climate Resilience (PPCR), do qual o ARISE herda a metodologia, permite estimar que cada US$ 1 investido em resiliência gera, em média, US$ 10,50 em benefícios econômicos de longo prazo. O CIF utiliza os resultados do PPCR como evidência da capacidade de execução do novo fundo, que estabelece que o impacto será acompanhado por um Integrated Results Framework, com indicadores relacionados a fortalecimento da resiliência econômica, redução da vulnerabilidade de infraestrutura crítica, aumento da capacidade institucional, mobilização de recursos públicos e privados, incorporação da adaptação ao planejamento econômico nacional, benefícios socioeconômicos para populações vulneráveis, sustentabilidade dos investimentos ao longo do tempo.
O Brasil já está em outro programa prioritário do CIF, o Industry Decarbonization Program (IDP), e teve aprovado seu plano que prevê até US$ 240 milhões em recursos concessionais, US$ 10 milhões para assistência técnica e potencial de mobilizar mais de
US$ 3 bilhões em investimentos públicos e privados para a descarbonização industrial. O plano brasileiro se concentra em setores industriais de difícil descarbonização como siderurgia, cimento, petroquímica e fertilizantes.

Um novo estudo publicado pelo Instituto de Clima e Sociedade (iCS) e pelo Centre for Economic Transition Expertise (CETEx) da London School of Economics and Political Science destaca os grandes benefícios financeiros da transição verde para o Brasil.
O relatório Brazil’s Investment-led Growth in the Ecological Transition argumenta que “o país possui uma combinação de ativos que poucas economias conseguem igualar: energia renovável abundante, reservas significativas de minerais essenciais, a maior capacidade agrícola do mundo e biodiversidade excepcional”.
Segundo o estudo, o Brasil está bem-posi-

cionado para atrair parte dos US$ 600–800 bilhões investidos anualmente em setores de alto consumo de energia, como combustíveis limpos, indústria de baixo carbono, minerais essenciais e agricultura sustentável, áreas nas quais o país detém importantes vantagens competitivas.
Mas o texto enfatiza que o sucesso está longe de ser garantido: para concretizar essas oportunidades, será necessário resolver gargalos de infraestrutura, reduzir riscos de investimento, fortalecer a capacidade de implementação, melhorar a segurança jurídica e dar continuidade aos esforços para combater o desmatamento ilegal.

Professor visitante do CETEx – Center of Economic Transition Expertise e principal autor do estudo, Luiz Awazu Pereira da Silva afirmou que “as mudanças climáticas, a transformação tecnológica e a fragmentação geopolítica estão remodelando os padrões globais de investimento”. “A questão é se o Brasil conseguirá converter suas vantagens estruturais em investimentos sustentáveis, crescimento da produtividade e desenvolvimento econômico”, disse.
Segundo a diretora executiva do iCS, Maria Netto, o Brasil pode oferecer segurança ao mundo em três áreas-chave: energia limpa, em escala e com previsibilidade, e biocombustíveis sustentáveis para o transporte global; minerais críticos extraídos com responsabilidade social e ambiental; e segurança alimentar inovadora.
“Essas soluções apresentadas no estudo garantem resiliência nas cadeias de produção, estabilidade de preços e a mitigação dos riscos de conflitos associados aos recursos naturais”, disse Maria Netto. “Por outro lado, internamente, o Brasil tem a oportunidade de combinar a descarbonização com a reindustrialização, atraindo investimentos e promovendo o fortalecimento social”, acrescentou.

Para a pesquisadora sênior responsável pela mobilização de capital privado no CETEx, Fernanda Gimenes, com muita frequência, as discussões sobre a transição ecológica se concentram nas lacunas de financiamento. “Esse estudo defende que, para países como o Brasil, a transição também deve ser entendida como uma oportunidade de investimento. O desafio é criar as condições que permitam que o capital nacional e internacional invista em grande escala nos setores que moldarão a economia global do futuro”, afirmou.

Professor de economia da Universidade de Brasília, membro sênior do iCS e um dos autores do relatório, Jorge Arbache afirmou que “o mundo está saindo de uma era em que a energia era transportada para a indústria para uma em que a indústria buscará cada vez mais a energia limpa. Essa mudança pode redefinir as cadeias globais de valor nas próximas décadas”, completou.



A EDP firmou contrato com a FiocruzFundação Oswaldo Cruz para fornecimento de energia renovável por meio do mercado livre de energia, na modalidade varejista, no campus Eusébio, no Ceará. A parceria prevê o suprimento de 1,30 MWm médios, que totalizam 32.340,00 MWh, entre 2026 e 2028. O fornecimento teve início em janeiro

e a previsão é de que a parceria traga cerca de 18% de economia à instituição de saúde e pesquisa.
A estrutura da Fiocruz Ceará, localizada no bairro de Precabura, em Eusébio, inclui o prédio de gestão e ensino, o prédio de laboratórios, o auditório, o prédio administrativo e a Unidade de Apoio ao Diagnóstico
da Covid-19. A Fiocruz Ceará é o primeiro parque do Brasil que integra projetos de inovação tecnológica na produção de medicamentos, insumos e diagnósticos para atender da saúde básica à medicina de alta complexidade.
O contrato inclui, ainda, a emissão de certificado de energia renovável (I-REC) por ano de atendimento, que asseguram a origem da energia, com a previsão de evitar a emissão de cerca de 1,49 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) no período de três anos.

“A adesão ao mercado livre de energia representa um avanço importante para a Fiocruz, ao unir eficiência operacional, sustentabilidade e responsabilidade com os recursos públicos. Além da redução de custos, a contratação de energia proveniente de fontes renováveis fortalece o compromisso institucional com práticas ambientalmente responsáveis e está alinhada às diretrizes do Plano de Logística Sustentável em Infraestrutura da Cogic, que busca promover soluções inovadoras e sustentáveis para a infraestrutura da Fundação”, comenta Ana Beatriz Alves Cuzzatti, coordenadora-geral de Infraestrutura dos Campi da Fiocruz.
Mais que liderar a transição energética com um portfólio de geração de energia de fontes 100% renováveis e projetos que democratizam o acesso à energia solar para comunidades, a
EDP tem contribuído também para a transição energética de órgãos e empresas por meio de produtos e serviços que trazem mais sustentabilidade e eficiência aos negócios e operações.
“Por meio dessa parceria, colaboramos para que uma das principais instituições públicas de saúde, ciência e inovação da América Latina tenha uma operação mais sustentável e eficiente. Em um ano emblemático, em que a EDP completa 30 anos de atuação no Brasil, parcerias como essa reforçam a nossa solidez e pioneirismo no mercado livre de energia, e fortalecem a nossa estratégia de expandir a atuação da companhia em diferentes estados e regiões do Brasil”, ressalta Stella Fuão, diretora Comercial da EDP na América do Sul.
A empresa foi uma das empresas pioneiras na comercialização varejista de energia no país, em 2018, já visando a abertura do mercado livre. Atualmente, se mantêm entre
as líderes desse segmento, estando entre as cinco maiores comercializadoras, o que reforça a expertise da companhia e a solidez no mercado de energia brasileiro.

A TTS Energia, empresa de engenharia e construção de usinas solares e ativos de energia renovável, implantou um sistema de armazenamento de energia por baterias (BESS) no centro de distribuição da CorSolar, distribuidora de equipamentos fotovoltaicos e pertencente ao Grupo Melo Cordeiro, que reúne companhias nas áreas de fabricação fios e cabos, serviços de logística, trade internacional e distribuição de resinas termoplásticas.

O escopo da TTS Energia contemplou desde o desenvolvimento do projeto executivo até a implantação completa do sistema, em um prazo de apenas um mês, incluindo as etapas de engenharia e construção. O banco de baterias foi instalado na unidade da CorSolar no bairro de Itaquera, zona leste da cidade de São Paulo, e possui uma capacidade de 125 kW de potência e 260 kWh de armazenamento.
A engenharia do projeto foi desenhada para permitir o chamado load shifting, estratégia que consiste em armazenar energia nos


períodos em que as tarifas são mais baixas e utilizá-la nos horários de maior custo, reduzindo as despesas com eletricidade.
“Os sistemas de armazenamento permitem uma gestão muito mais inteligente da energia. Neste projeto, o cliente passa a ter maior flexibilidade para deslocar seu consumo para horários mais vantajosos economicamente, reduzindo custos operacionais e aumentando a eficiência energética da unidade. Além dos ganhos econômicos, o armazenamento contribui para aumentar a segurança do suprimento energético e oferece maior autonomia na gestão do consumo, permitindo que a empresa tenha mais controle sobre sua demanda elétrica e reduza sua exposição às oscilações tarifárias”, afirma Jacques Hulshof, CEO da TTS Energia.
Os projetos da TTS Energia com sistemas de baterias vêm ganhando tração no mercado brasileiro. Entre janeiro e abril de 2026, aproximadamente 50% de todos os pedidos e cotações recebidos pela empresa envolveram projetos com baterias, sendo que cerca de 25% correspondem a sistemas BESS.
Os dados evidenciam uma mudança relevante no perfil da demanda por soluções energéticas no País, que passa a incorporar, de forma mais consistente, sistemas híbridos de geração solar com armazenamento e projetos dedicados a baterias. Na comparação entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, a TTS Energia registrou um crescimento de aproximadamente 300% nas consultas por projetos de BESS.
De acordo com Hulshof, projetos que envolvem sistemas de armazenamento por baterias exigem uma abordagem multidisci-
plinar e elevado grau de detalhamento técnico, justamente para garantir segurança, desempenho e conformidade com as normas vigentes. “A engenharia desses empreendimentos envolve a integração de diferentes disciplinas, incluindo projetos elétricos, civis, sistemas de controle, proteção, monitoramento e requisitos de segurança operacional”, explica
“A crescente adoção de sistemas de armazenamento em ambientes industriais e comerciais sinaliza uma transformação importante na forma como as empresas gerenciam sua energia. Com a evolução tecnológica das baterias e o avanço do mercado brasileiro, a tendência é que soluções como a implementada para a CorSolar se tornem cada vez mais presentes em projetos voltados à eficiência energética e à redução de custos”, conclui o CEO da TTS Energia.

A Neoenergia, por meio da Neoenergia Coelba, vai investir cerca de R$ 25 bilhões até 2030 na expansão, modernização e no reforço da infraestrutura de distribuição de energia elétrica da Bahia. Desse total, o Extremo Oeste baiano - principal polo agrícola do Nordeste e maior região de irrigação por pivô central do Brasil - concentrará um volume recorde de recursos, que permitirão quase dobrar a capacidade energética local e impulsionar o agronegócio brasileiro.
O aporte integra o plano de R$ 50 bilhões da Neoenergia em distribuição de energia no Brasil entre 2026 e 2030 e tem como objetivo ampliar a segurança energética, a qualidade do fornecimento e a capacidade de atendimento a mais de 17 milhões de clientes da companhia no país. Nos últimos quatro anos, a companhia liderou os investimentos privados em infraestrutura no Brasil, segundo a Abdib Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base.

O anúncio foi feito com a presença do presidente executivo da Iberdrola, Ignacio Galán. O executivo acompanha a agenda estratégica da companhia no Brasil e o avanço dos investimentos em regiões com forte vocação produtiva. Formado por 24 municípios, o Extremo Oeste Baiano é responsável por cerca de 11% do PIB da Bahia, contribuindo para tornar o estado o maior produtor agrícola do Norte e Nordeste.
“A eletricidade é verdadeiro motor de desenvolvimento. Ao expandir e modernizar nossas redes, estamos criando as condições para que o país e agronegócio brasileiro continuem crescendo de forma mais sustentável, competitiva e integrada ao futuro da eletrificação, com o estado da Bahia como protagonista”, afirmou Ignacio Galán.
O novo ciclo de investimentos para o Extremo Oeste prevê a construção de 10 novas subestações na região, a ampliação de


potência de outras 15 e a implantação de aproximadamente 3,9 mil quilômetros de rede elétrica. As obras vão acrescentar mais de 822 MVA de potência ao sistema, o que representa um aumento de 93% na capacidade instalada em relação ao cenário atual, ampliando o atendimento a consumidores urbanos, a agroindústria e ainda a inclusão socioprodutiva dos pequenos produtores.
Entre os projetos previstos estão as novas subestações de Luís Eduardo Magalhães e Rosário, consideradas estratégicas para o fortalecimento da rede elétrica da região.
A subestação Luís Eduardo Magalhães, que será entregue nesta semana, deve atender a mais de 53 mil consumidores no município, enquanto a subestação Rosário vai reforçar o fornecimento às cargas rurais de Correntina, especialmente no distrito de Rosário, um dos principais polos agrícolas do estado.
“Este novo ciclo de investimentos reafirma nosso compromisso com o desenvolvimento socioeconômico da Bahia, especialmente do Extremo Oeste baiano, ao garantir a infraestrutura energética necessária para sustentar a irrigação, fortalecer a agroindústria e impulsionar o agronegócio brasileiro”, diz Eduardo Capelastegui, CEO da Neoenergia.
A Neoenergia Coelba tem avançado para acompanhar o crescimento do Extremo Oeste da Bahia. Nos últimos dois anos, a companhia fez investimentos que permitiram a construção e energização de sete novas subestações, a ampliação de outras cinco e a
implantação de mais de 1700 quilômetros de linhas de alta e média tensão, ampliando a capacidade do sistema e dando suporte à expansão das atividades produtivas na região.

O mercado brasileiro de geração solar em escala centralizada entrou em uma nova fase. Se nos últimos anos o principal desafio era obter licenciamento, financiamento e equipamentos, agora o fator crítico passou a ser outro: a capacidade da rede elétrica de absorver e transportar a energia produzida.
Em maio, a Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica revogou autorizações de usinas fotovoltaicas que somam 3.572 MW de potência instalada, todas a pedido dos próprios empreendedores. As revogações, formalizadas em quatro resoluções publica-
das pela Agência, envolveram projetos distribuídos por diferentes estados e sinalizam uma mudança importante na dinâmica de investimentos do setor.
Embora a Aneel não atribua oficialmente um único motivo para cada desistência, a avaliação predominante entre analistas do mercado é que o aumento do curtailment - cortes obrigatórios de geração determinados pelo ONS Operador Nacional do Sistema Elétrico -, aliado às limitações de conexão e de escoamento da energia, comprometeu a viabilidade econômica de diversos empreendimentos.
Crescimento da geração supera expansão da transmissão
O episódio evidencia um desequilíbrio estrutural no planejamento do sistema elétrico brasileiro: nos últimos anos, a expansão da geração renovável ocorreu em ritmo muito superior ao crescimento da infraestrutura de transmissão. Como resultado, diversas regiões passaram a concentrar grandes volumes de usinas solares e eólicas sem que houvesse capacidade suficiente para transportar toda a energia produzida aos centros consumidores.

Nessas situações, o ONS determina o chamado curtailment, mecanismo operacional que limita temporariamente a produção de determinadas usinas para preservar a segurança e a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). Do ponto de vista técnico, a usina permanece plenamente operacional, mas é obrigada a reduzir ou interromper a geração porque a rede não consegue absorver toda a energia disponível.
Curtailment deixa de ser evento excepcional
Utilizado apenas em situações pontuais, o curtailment se tornou um fenômeno recorrente nas regiões com elevada concentração de geração renovável.
Segundo análises do setor, os volumes de energia cortada aumentaram ao longo de 2025, especialmente em estados do Nordeste, onde a expansão da geração solar e eólica ocorreu mais rapidamente que a construção

de novas linhas de transmissão.
Além da perda imediata de receita para os empreendedores, o aumento dos cortes altera a avaliação financeira dos projetos, afeta indicadores como fator de capacidade e taxa interna de retorno (TIR) e pode comprometer a obtenção de financiamento para novos investimentos.
Viabilidade passa a depender do “escoamento”
O movimento observado nas revogações indica uma mudança importante nos critérios de desenvolvimento de novos projetos.
Até recentemente, fatores como irradiância solar, disponibilidade de terrenos e custos de implantação eram determinantes para a escolha da localização de uma usina.
Hoje, especialistas apontam que a análise deve incorporar, desde as etapas iniciais do projeto, aspectos relacionados à infraestrutura elétrica existente.
Entre os principais indicadores estão a capacidade disponível para conexão à rede, a margem operacional das subestações, a disponibilidade de linhas de transmissão, a distância até os principais centros de carga, o risco de restrições operativas futuras e o histórico de curtailment na região.
Na prática, a viabilidade econômica deixa de depender apenas da capacidade de gerar energia e passa a incluir a capacidade de entregá-la ao mercado.
Segurança regulatória também influencia decisões
Outro fator que contribuiu para o aumento dos pedidos de revogação foi a revisão do marco regulatório.
Em 2025, a Lei nº 15.269/2025 permitiu que empreendedores desistissem de determinados projetos sem aplicação das penalidades normalmente previstas, desde que observadas condições específicas, como a inexistência de contratos de uso do sistema de transmissão ou distribuição (CUST/ CUSD). A medida levou a um volume ex-
pressivo de cancelamentos de projetos considerados economicamente inviáveis.
Posteriormente, a Aneel aprovou um mecanismo regulatório excepcional para disciplinar a revogação de outorgas e a rescisão de contratos de uso do sistema de transmissão, buscando reduzir distorções decorrentes da chamada “corrida do ouro” das energias renováveis, quando milhares de projetos foram protocolados simultaneamente para garantir acesso à rede.
Planejamento da rede é ativo estratégico
O episódio reforça uma mudança de paradigma para investidores, desenvolvedores e financiadores de projetos de geração renovável.
Em um cenário de elevada penetração de fontes intermitentes, a competitividade de
uma usina deixa de depender exclusivamente da qualidade do recurso solar ou eólico. A disponibilidade de infraestrutura de transmissão, a flexibilidade operacional do siste -

ma e a capacidade de escoamento tornam-se ativos estratégicos para a viabilidade dos empreendimentos.
Armazenamento desponta como resposta ao excesso de geração
Se a expansão da transmissão representa a solução estrutural de longo prazo, o armazenamento por baterias (Battery Energy Storage Systems -BESS) começa a ganhar espaço como alternativa capaz de aumentar a flexibilidade operacional do sistema elétrico no curto e médio prazo. Em vez de injetar imediatamente toda a energia produzida, as baterias permitem armazenar parte da geração nos períodos de maior oferta -especialmente nas horas centrais do dia, quando a geração fotovoltaica atinge seu pico - e disponibilizá-la posteriormente, quando a demanda aumenta ou a rede apresenta maior capacidade de absorção. Na prática, o armazenamento não elimina a necessidade de novas linhas de transmissão, mas reduz parte dos efeitos econômicos do curtailment ao deslocar a energia no tempo. Além de diminuir o desperdício de geração renovável, os sistemas BESS podem prestar serviços ancilares ao SIN -Sistema Interligado Nacional, como controle de frequência, suporte de tensão, reserva operativa e maior estabilidade da rede, atributos cada vez mais relevantes em um sistema com elevada participação de fontes intermitentes.
O avanço dessa tecnologia depende, entretanto, de um ambiente regulatório que permita sua adequada remuneração. Durante anos, a ausência de regras específicas para conexão, operação, participação no mercado de energia e prestação de serviços ao sistema limitou os investimentos em armazenamento no Brasil. Em resposta a esse cenário, a Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica e o Ministério de Minas e Energia (MME) vêm estruturando um novo marco regulatório para os sistemas de armazenamento, considerado
pelo setor um passo decisivo para viabilizar a expansão desse mercado. Paralelamente, o governo prepara o primeiro Leilão de Reserva de Capacidade voltado a sistemas de armazenamento (LRCAP Armazenamento), iniciativa que deverá estabelecer as bases comerciais para contratação desses ativos pelo sistema elétrico.
Analistas do setor avaliam que o próprio crescimento do curtailment acelerou essa agenda regulatória. Quanto maior a frequência dos cortes obrigatórios de geração, maior o valor econômico atribuído à capacidade de armazenar energia e liberá-la em momentos mais favoráveis para a operação do sistema. Nesse contexto, o armazenamento deixa de ser apenas uma tecnologia complementar às fontes renováveis e passa a integrar a estratégia de expansão da infraestrutura elétrica brasileira, ao lado da construção de novas linhas de transmissão e da modernização dos mecanismos de acesso à rede.
Nesse contexto, ferramentas como Digital Twins da rede elétrica, estudos avançados de fluxo de potência, planejamento integrado entre geração e transmissão e sistemas baseados em inteligência artificial para previsão de congestionamentos tendem a ganhar importância crescente no desenvolvimento de novos projetos.
A principal lição para o mercado é clara: antes de avaliar a potência instalada de uma nova usina, será cada vez mais necessário avaliar o caminho que essa energia percorrerá até o consumidor. Em um sistema elétrico cada vez mais complexo, a capacidade de gerar energia já não basta; é preciso garantir que ela possa ser efetivamente entregue à rede.
Os dados disponíveis até o fim de junho de 2026 indicam que o problema se agravou e deixou de ser um evento conjuntural para

se tornar um desafio estrutural do setor elétrico brasileiro.
Os principais desdobramentos são:
1. O curtailment continuou crescendo em 2026
Dados do ONS Operador Nacional do Sistema Elétrico mostram que, entre janeiro e abril de 2026, os cortes de geração de usinas eólicas e solares atingiram 2.843 MW médios, aumento de 16,7% em relação ao mesmo período de 2025 (2.436 MW médios). Aproximadamente 17,2% da geração potencial das usinas afetadas deixou de ser aproveitada.
O Nordeste continua concentrando o problema: 79% de todo o curtailment nacional ocorreu na região e os estados mais afetados permanecem Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco e Paraíba.
2. O perfil do problema mudou
Em 2025, boa parte dos cortes estava relacionada à indisponibilidade da transmissão, mas em 2026, segundo o ONS, a principal causa passou a ser a chamada “razão energética”: há momentos em que simplesmente existe mais geração renovável disponível do que carga para consumir, mesmo com a rede operando normalmente. Ou seja, além do gargalo físico da transmissão, o sistema enfrenta excesso de oferta em determinados horários.
3. As revogações de outorgas continuam
As desistências de projetos não pararam: apenas nos primeiros meses de 2026, a Aneel já havia revogado 13,85 GW em outorgas de geração, quase todas a pedido dos próprios empreendedores. Entre as justificativas apresentadas aparecem o aumento do curtailment, a dificuldade de financiamento, o fim de incentivos regulatórios e a inviabilidade econômica decorrente da falta de capacidade de escoamento.
Mas o setor já aponta soluções, com o debate técnico concentrado em quatro frentes:
*Expansão da transmissão: a EPE – Empresa de Pesquisa Energética reconhece que uma usina renovável pode entrar em operação em 3 a 4 anos, enquanto uma nova linha de transmissão frequentemente leva até 7 anos, criando um descompasso estrutural.
*Armazenamento em baterias (BESS): a realização do primeiro leilão de reserva de capacidade para sistemas de armazenamento (LRCAP de Armazenamento) é vista como uma das principais alternativas para absorver excedentes de geração solar e eólica e reduzir o desperdício de energia. O setor acompanha a consolidação do novo marco regulatório do armazenamento, cuja implementação deverá ocorrer de forma gradual por meio de normas complementares da Aneel, dos leilões de capacidade e da evolução dos mecanismos de remuneração dos serviços prestados pelas baterias. ainda aguarda a regulamentação definitiva.
*Novo planejamento do acesso à rede: a implementação da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST) busca tornar mais eficiente a alocação da capacidade disponível por meio de temporadas de acesso e mecanismos competitivos quando houver excesso de demanda por conexão.
Maior transparência dos dados

O ONS passou a disponibilizar um painel público de curtailment, permitindo acompanhar de forma estruturada as restrições de geração e suas causas. A iniciativa facilita o planejamento por investidores, operadores e reguladores.
A principal mudança é que os investidores focam se existe ou não capacidade de conexão e de escoamento para essa energia durante toda a vida útil do empreendimento.
Na prática, o estudo de acesso à rede, o histórico de curtailment, a margem das subestações e a expansão prevista da transmissão passaram a ter peso semelhante - ou até superior - ao potencial de geração da usina.
Esse novo cenário está impulsionando o uso de ferramentas digitais, como modelos de fluxo de potência, análise geoespacial da rede, plataformas de avaliação de margens de conexão e, futuramente, Digital Twins do sistema elétrico para apoiar decisões de investimento.
Ao mesmo tempo, uma nova lógica de investimentos aparece. Se, na última década, a expansão da geração renovável concentrou os aportes em usinas solares e eólicas, a próxima etapa da transição energética tende a direcionar volumes crescentes de capital para ativos capazes de conferir flexibilidade ao sistema elétrico.

Nesse contexto, sistemas de armazenamento, softwares avançados de gestão da rede, plataformas de previsão de congestionamentos, Digital Twins, equipamentos de eletrônica de potência e soluções de inteligência artificial passam a integrar o núcleo estratégico da infraestrutura energética nacional. Para diversos analistas, o gargalo da transmissão está transformando as baterias de uma tecnologia complementar em um dos principais mercados emergentes do setor elétrico brasileiro.
O tema já chegou ao Judiciário, à arbitragem e à agenda regulatória da Aneel, mas não há, até o momento, um julgamento definitivo que estabeleça uma tese geral sobre indenização por curtailment.
Em paralelo às ações judiciais, a Aneel abriu um processo regulatório para definir quem deve suportar os custos do curtailment e em quais situações os geradores terão direito a compensação. A definição da nova regra era aguardada para o início de 2026, mas a decisão da diretoria da Aneel sofreu adiamentos. O assunto continua em discussão justamente porque envolve bilhões de reais em possíveis compensações e pode alterar o risco econômico de novos empreendimentos renováveis.

O Instituto de Pesquisa Hon Hai (HHRI) anunciou avanço em sua pesquisa e desenvolvimento em Criptografia Pós-Quântica (PQC). O SNOVA, um algoritmo de assinatura digital desenvolvido em conjunto com a participação ativa de especialistas do HHRI, foi oficialmente selecionado para a terceira rodada da competição de acesso ao Projeto de Padronização PQC do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST) dos

EUA. Após a demonstração de excelência técnica do Preon - outro algoritmo candidato que contou com a participação do HHRI - o avanço do SNOVA valida ainda mais o reconhecimento da comunidade criptográfica global sobre os principais pontos fortes tecnológicos do Instituto. Isso significa que a equipe do HHRI domina completamente as capacidades críticas de próxima geração em defesa cibernética.
O Professor Lih-Chung Wang, um dos principais colaboradores do algoritmo SNOVA, está atualmente cedido ao HHRI como Pesquisador Distinto. Durante esse período, o Professor Wang colaborou estreitamente com a equipe de cibersegurança do Centro de Pesquisa em Segurança da Informação para investigar estratégias de aceleração de hardware e métodos de otimização para a estrutura matemática subjacente ao SNOVA.

Além de oferecer as principais vantagens de “assinaturas curtas” e “baixa sobrecarga computacional” inerentes à sua família de algoritmos, o SNOVA alcança um avanço crucial em sua característica de “pequena chave pública”. Esse avanço melhora substancialmente a versatilidade universal do algoritmo em diversos cenários de aplicação e aumenta a eficiência computacional do hardware. Essa vantagem crucial foi estrategicamente buscada pela equipe desde o início e se tornou um fator fundamental para conquistar a aprovação do NIST e garantir seu avanço para a terceira fase.
A posse simultânea de duas tecnologias pioneiras candidatas, SNOVA e Preon, reflete a estratégia de implantação multifacetada do HHRI em diversas trajetórias tecnológicas pós-quânticas, abrangendo estruturas criptográficas baseadas em reticulados, multivariadas (MQ) e de prova de conhecimento zero (ZKP). Essa abordagem multifacetada alinha-se perfeitamente com a estratégia abrangente do NIST de garantir a diversidade algorítmica, ao mesmo tempo que concede ao Hon Hai Technology Group (Foxconn), controladora do HHRI, a capacidade de pesquisa necessária para participar da definição de padrões internacionais em diversas dimensões tecnológicas. Diante de um futuro repleto de incertezas, essa estratégia paralela multifacetada funciona como uma apólice de seguro multicamadas para a Foxconn.
O Projeto de Padronização PQC do NIST é universalmente reconhecido como o mecanismo de triagem mais influente e respeitado do mundo para criptografia pós-quântica. Algoritmos submetidos por inúmeros cientistas e instituições de ponta em todo o mundo passam por um rigoroso processo de eliminação em múltiplas etapas. Avançar para a terceira etapa indica que o SNOVA resistiu com sucesso à criptoanálise mais rigorosa realizada pelos principais criptógrafos do mundo. Essa conquista comprova que as capacidades do HHRI em “Segurança Quântica” são verdadeiramente de classe mundial, demonstrando sua força em pesquisa científica de ponta em criptografia de software essencial e em P&D de cibersegurança voltada para o futuro.
Olhando para o futuro, a Foxconn, por meio do HHRI, continuará investindo recursos no fortalecimento da análise de segurança e na implementação do SNOVA, fomentando seu desenvolvimento e adoção. Este marco não é apenas um paradigma de sucesso da colaboração entre indústria e academia em Taiwan, mas também demonstra o compromisso do Grupo em se transformar em um “Pioneiro em Tecnologia de Cibersegurança”, dedicado a fornecer aos clientes a proteção tecnológica fundamental mais robusta e confiável à medida que o mundo transita para a era da computação quântica.
O Brasil vai ganhar um novo Centro de Competência para transformar a biodiversidade nacional em Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs), ampliar a capacidade de desenvolver medicamentos inovadores, fortalecer o SUS Sistema Único de Saúde e reduzir a dependência de importações em um setor estratégico para o país. A iniciativa contará com investimento de R$ 60 milhões do Ministério da Saúde e será conduzida pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), selecionado pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).
O Centro chega em um momento considerado decisivo para o setor. De acordo com estudo do BNDES sobre o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), 90% dos IFAs utilizados pela indústria farmacêutica nacional são importados. Em alguns segmentos, essa dependência chega a 95%, tornando o país vulnerável a crises internacionais, oscilações cambiais e interrupções nas cadeias globais de suprimento, segundo a Abi-

quifi Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos. Ao investir na pesquisa e no desenvolvimento de IFAs a partir da biodiversidade brasileira, o novo Centro de Competência contribuirá para fortalecer o CEIS, ampliar a autonomia tecnológica nacional e levar ao SUS tecnologias desenvolvidas no país.
Está previsto o desenvolvimento de pesquisas para transformar ativos naturais encontrados nos diferentes biomas brasileiros em novos medicamentos, especialmente para o tratamento de doenças negligenciadas e condições de saúde com alta incidência no país.
O Centro de Competência em IFA a partir da Biodiversidade Brasileira (CC-IFABR) permitirá a pesquisa e o desenvolvimento de novas rotas tecnológicas para produção dessas substâncias responsáveis pelo efeito terapêutico dos medicamentos. O CNPEM passa a integrar a rede de outros 11 Centros de Competência Embrapii voltados ao desenvolvimento de tecnologias de fronteira.

Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o Centro é parte do compromisso de aumentar a capacidade do Brasil de produzir tecnologia, emprego e renda no país e coaduna com marcos importantes, como a retomada da produção de insulina no Brasil, depois de 20 anos, e a produção do primeiro IFA do tacrolimo 100% brasileiro. “O Brasil agora faz parte de um seleto clube, dos poucos países do mundo que produzem insumos farmacêuticos, consolidando esse esforço de soberania nacional. E o CC-IFABR nos dá condições para que novas descobertas científicas feitas no país se convertam em medicamentos. Tudo isso a partir de nosso patrimônio natural que precisa ser transformado também em conhecimento, inovação e saúde para a população, com foco nas necessidades do SUS”.
A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), Fernanda De Negri, reforça que esta é mais uma parceria com o CNPEM, centro-âncora do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, onde financia a instalação de um laboratório de pesquisa e desenvolvimento dedicado às necessidades estratégicas do setor produtivo de saúde, com foco na indústria farmacêutica. “A indústria já avançou bastante com os genéricos, depois começou a fazer inovação incremental. Temos condição de dar um passo para fazer inovação mais radical, procurar desenvolver novas moléculas no Brasil. E isso passa por instrumentos que estimulem a indústria nacional, seja ela pública ou privada, a desenvolver novos medicamentos”, afirma.

Para o diretor-geral do CNPEM, Antonio José Roque da Silva, o processo de inovação exige a articulação de competências diversas e a construção de ambientes colaborativos capazes de conectar ciência, tecnologia, setor produtivo e políticas públicas. “Nesse contexto, o Centro de Competência, sediado no CNPEM, foi concebido para atuar como um ambiente de integração entre pesquisadores, empresas e instituições, acelerando o desenvolvimento de IFAs a partir da biodiversidade brasileira”.

O presidente da Embrapii, Alvaro Prata, avalia que, além de fortalecer a capacidade nacional de desenvolver insumos estratégicos, o novo Centro de Competência vai formar profissionais qualificados e aproximar ciência e indústria para que novos medicamentos cheguem mais rapidamente à população. “É um investimento que gera conhecimento, competitividade e soberania tecnológica para o Brasil.”


Ao aproximar ciência e indústria, a iniciativa deve agilizar o surgimento de novos negócios de base tecnológica, gerar empregos qualificados, atrair investimentos, ampliar a competitividade do setor farmacêutico nacional e fortalecer o abastecimento do SUS

com tecnologias desenvolvidas no país. Para representantes da indústria farmacêutica, o Centro de Competência cria as condições necessárias para aproximar ciência e mercado e ampliar a capacidade nacional de inovação.
O Diretor de Pesquisa, Inovação e Novas Tecnologias do Aché Laboratórios, Hatylas Azevedo, destaca que, mesmo com a maior biodiversidade do planeta, o Brasil ainda ocupa uma posição modesta na geração de medicamentos inovadores. Segundo ele, o novo Centro de Competência poderá mudar esse cenário ao integrar competências em fitoquímica, biologia estrutural, ensaios biológicos de alta escala, bibliotecas de produtos naturais e química medicinal em uma plataforma voltada ao desenvolvimento de novas terapias. “Mais do que ciência, trata-se de soberania tecnológica e protagonismo industrial”, afirma.
Para o diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Cristália, German Wassermann, a articulação entre poder público, instituições científicas e empresas representa um avanço estratégico para o país. “Essa iniciativa amplia a capacidade nacional de desenvolver medicamentos estratégicos, reduz a dependência externa e fortalece o Brasil como referência internacional em inovação farmacêutica, aliando competitividade, responsabilidade ambiental e visão de longo prazo”, avalia.



Na avaliação do CEO e fundador da Nintx, Stephani Saverio, a descoberta de medicamentos inspirados na biodiversidade brasileira vive um momento de transformação impulsionado pela convergência entre inteligência artificial, biologia de sistemas e plataformas experimentais avançadas. “O novo Centro Embrapii fortalece esse futuro”, afirma. A Nintx já desenvolve projetos de descoberta de fármacos em parceria com o CNPEM, e, segundo Saverio, a iniciativa marca “o início de uma nova fase para a inovação baseada na biodiversidade brasileira”.
Biodiversidade como fonte de novos medicamentos
O plano de trabalho prevê a integração de competências científicas e tecnológicas ao longo de toda a cadeia de inovação farmacêutica, desde a prospecção de compostos naturais até etapas avançadas de desenvolvimento pré-clínico.
Entre as principais linhas de pesquisa estão a descoberta de novas moléculas bioativas oriundas da biodiversidade brasileira; o desenvolvimento de rotas tecnológicas para
obtenção e escalonamento de IFAs inovadores; a aplicação de ferramentas avançadas de biologia molecular, química medicinal e bioinformática na identificação de candidatos a fármacos; os estudos de eficácia, segurança e validação pré-clínica de compostos promissores; e o desenvolvimento de plataformas tecnológicas para acelerar a transformação de ativos naturais em produtos farmacêuticos.

Infraestrutura de classe mundial a serviço da saúde
Reconhecido internacionalmente, o CNPEM abriga um dos mais completos ecossistemas de pesquisa do país, incluindo laboratórios de biociências, nanotecnologia, materiais avançados e o Sirius, um acelerador de partículas – um dos mais sofisticados equipamentos científicos do mundo – que permite investigar estruturas moleculares com alto grau de precisão e apoiar etapas críticas do desenvolvimento de novos medi-
camentos.
Além da infraestrutura laboratorial, o Centro de Competência contará com uma rede de colaboração envolvendo empresas farmacêuticas, startups, universidades, instituições de pesquisa e parceiros nacionais e internacionais, criando um ambiente voltado à inovação aberta e à transferência de tecnologia para o setor produtivo.
Formação de especialistas para um setor estratégico
Outro pilar da atuação do Centro de Competência será a formação de recursos humanos altamente qualificados para atuar em áreas consideradas críticas para o futuro da indústria farmacêutica brasileira.
O programa prevê a capacitação de pesquisadores, profissionais da indústria e estudantes em competências relacionadas à

descoberta de fármacos, química medicinal, biotecnologia, desenvolvimento farmacêutico, escalonamento produtivo e transferência tecnológica. A expectativa é contribuir para reduzir um dos principais gargalos do setor: a escassez de especialistas em desenvolvimento de medicamentos inovadores.

Empresas buscam inovação e expansão e veem transformação
tecnológica como alavanca para gerar valor, indica pesquisa da
As lideranças das empresas brasileiras estão, de modo geral, mais abertas para a inovação e a expansão, veem a transformação digital como uma alavanca de valor, monitoram de perto cenários e conflitos internacionais para gerenciar riscos e sentem que a falta de incentivos regulatórios é uma das principais barreiras ao financiamento da transição climática. Esses são alguns dos

achados da pesquisa “Boardroom Program –Temas prioritários para lideranças e membros de conselho”, da Deloitte, que contou com a participação da alta liderança de 61 empresas, sendo 51% membros de conselho, e abordou assuntos como estratégia empresarial, tecnologia, conformidade regulatória e sustentabilidade.
Em relação à sua estratégia empresarial,
três em cada quatro das empresas respondentes disseram adaptar seus modelos de negócios para atuar em ambientes competitivos e integrados, ainda que 62% das organizações direcionem a alocação de seus investimentos para áreas que gerem maior retorno financeiro. Essa capacidade de adaptação encontra eco também nas estratégias adotadas para o crescimento orgânico dos negócios, onde as principais iniciativas se dividem entre inovação em produtos e serviços (citada por 64% das empresas participantes da pesquisa), expansão para novos segmentos (48%) e estabelecimento de parcerias comerciais (46%).
Para impulsionar a inovação, quase metade das empresas consultadas participa de hubs, enquanto 31% apostam no compartilhamento de dados e recursos e 28% firmam


parcerias com universidades, o que mostra um movimento positivo para acelerar a difusão de conhecimento e reduzir custos de experimentação.
No eixo tecnológico, a transformação digital é percebida como uma alavanca de geração de valor para o negócio e também como meio para ampliar a conexão no ambiente de trabalho. Para 59% das empresas respondentes, a tecnologia gerou processos internos mais digitalizados, enquanto 54% veem valor em maior investimento em automação e IA. A IA também vem sendo utilizada para aprimorar a experiência do cliente, seja implementando melhorias na jornada (conforme 38% dos respondentes), oferecendo serviços personalizados (36%) ou apoiando no atendimento (33%).
“As empresas estão passando por uma transformação seletiva, adotando em inovação, mas ainda alocando seus investimentos em áreas de retorno mais previsível, o que mitiga riscos, mas pode inibir o acesso a novas oportunidades.
A inteligência artificial já é percebida como uma aliada no atendimento ao cliente, permitindo maior personalização na jornada e no suporte. No entanto, as organizações ainda enfrentam barreiras, especialmente para adoção de IA generativa, o que mostra que há um caminho de evolução a ser percorrido e aproveitado”, comenta Alex Borges, líder do Boardroom Program da Deloitte no Brasil.
A conformidade com as regulamentações e a confiabilidade na transparência dos algoritmos ainda são desafios percebidos na utilização de IA para cerca de metade das empresas participantes da pesquisa. Já em relação à implementação de GenAI, as empresas priorizam a capacitação das equipes internas (51%), o desenvolvimento de projetos-piloto (51%) e a criação de políticas de uso responsável (43%) como passos importantes de preparação para a adoção desta
tecnologia.
Além de capacitar os colaboradores na utilização de IA, as empresas também investem em conscientização sobre cibersegurança – 70% delas dizem que capacitar colaboradores é sua principal estratégia para mitigar ameaças cibernéticas. Outros 67% dos respondentes apontam o investimento em infraestrutura de segurança, enquanto 62% realizam auditorias e testes de segurança.

Percepção sobre riscos e sustentabilidade
Mais de sete em cada dez empresas participantes da pesquisa se preocupam com possíveis reflexos de riscos geopolíticos em seus negócios e, dentre as medidas adotadas para gerenciá-los, as principais ações se baseiam em analisar (50%) e monitorar (48%) cenários internacionais e conflitos. Outras 28% afirmam que não consideram, atualmente, os riscos geopolíticos nas decisões estratégicas. Isso mostra que o gerenciamento desses riscos ainda não se traduz em iniciativas concretas, como políticas ou controles.
O cenário é diferente, no entanto, em relação a riscos financeiros. A implementação de controles internos é a medida mais citada (73%) pelas empresas para a mitigação, seguida pela capacitação em compliance (66%) e o monitoramento de transações suspeitas (53%).
A pesquisa também mostrou que, para se adaptar a mudanças no cenário regulatório, a maior parte das empresas monitora continuamente as alterações (74%) ou adequa seus processos internos (63%). Outro aspecto relevante, com os desafios trazidos pelas novas regras da Reforma Tributária, é a busca por consultoria especializada (59%) se destaca como uma das principais iniciativas para buscar a conformidade fiscal.
Na frente de sustentabilidade, a pesquisa encontrou resultados diferentes a depender do porte da empresa. Organizações com faturamento anual acima de R$ 1 bilhão já estruturam sua jornada rumo ao net zero, definindo metas e investindo em energias renováveis, além de utilizar tecnologia para reduzir a pegada de carbono, enquanto empresas com faturamento abaixo de R$ 1 bilhão concentram esforços no mapeamento de indicadores, com menor adoção de solu-
ções tecnológicas e de reporte.
Para empresas de maior faturamento, por exemplo, a falta de incentivos regulatórios (52%) e barreiras no engajamento com investidores (32%) são os principais entraves ao financiamento da transição climática. Já para 42% das empresas de menor faturamento que ainda não consolidaram planos de transição, os desafios não puderam ser mapeados no momento.
Empresas com faturamento acima de R$ 1 bi também demonstram mais maturidade na definição de uma estrutura para atingir o net zero, com metas claras e investimentos em energia renovável – 60% dizem investir em energia renovável e 36% compensam emissões. Já naquelas com faturamento abaixo de R$ 1 bi, 61% ainda não têm estrutura definida para zerar as emissões.
Além disso, as organizações com maior faturamento também demonstraram adotar ações concretas, como mapeamento de indicadores ESG (76%), implementação de sistemas de reporte (64%) e modelagem de cenários sustentáveis (28%) para se adequar às exigências dos relatórios ESG, enquanto 47% das empresas menores dizem não estar se preparando ainda.
“Os resultados da pesquisa mostram diferentes estágios de maturidade em alguns temas, como sustentabilidade, por exemplo, que ainda demanda processos mais decisórios e orientados a resultados por parte das organizações. Nesse cenário, o papel da alta liderança e do Conselho das empresas é fundamental para avançar de um estágio preparatório para o ganho de escala, ancorando tomadas de decisão mais conscientes, éticas e alinhadas à criação de valor sustentável no longo prazo”, finaliza Borges.


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Para o protocolo de comunicação HART e 4-20 mA, o sinal de saída deste transmissor é uma corrente de 4 a 20 mA conforme a norma NAMUR NE43, que fornece o diagnóstico de corrente de falha e de saturação. Já, para o protocolo PROFIBUS PA, o sinal de saída é somente digital, de acordo com IEC 61158-2 (H1) 31,25 Kbit/s com alimentação pelo barramento.
O LD1.0 utiliza o protocolo HART V5 e PROFIBUS PA para comunicação remota e pode ser usado para configuração e monitoração das variáveis. Desta forma através de um configurador HART, como o HI331 BLUETOOTH para dispositivos android (App DEVCODROID) e PC Windows ou ferramentas FDT/DTM pode-se: configurar a unidade de medição, alterar os limites de medição (4 – 20 mA), fazer o ajuste de zero e span com e sem referência, simular a corrente de saída, ajustar o damping, fazer a monitoração de até quatro variáveis HART como: PV, PV%, Temperatura, Saída de Corrente, etc. No PROFIBUS PA, a configuração pode ser feita usando um configurador remoto (ex: Smar Profibus View ou Simatic PDM da Siemens).
Além da configuração remota é possível fazer-se a calibração de zero e span com pressão aplicada através do ajuste local utilizando-se uma chave magnética com atuação em um sensor Hall.


A nova série de PCs embarcados CX82xx da Beckhoff utiliza uma arquitetura de processador ARM Cortex A53 moderna com dois núcleos. O CX9240 apresenta a versão de 4 núcleos deste processador, enquanto a série de PCs embarcados CX82xx é baseada na série CX81xx existente. O processador ARM Cortex A53 de alto desempenho oferece uma arquitetura de 64 bits, frequência de clock mais alta de 1,2 GHz e dois núcleos de CPU disponíveis em um formato ultracompacto. Além disso, a série apresenta uma interface Ethernet de 1 Gbit e 1 GB de RAM LPDDR4 para memória principal. O PC embarcado CX9240 representa um desenvolvimento adicional do CX9020 e possui uma CPU ARM Cortex A53 de 1,2 GHz. O CX9240 apresenta duas interfaces Ethernet independentes de 1 Gbit. Com 2 GB de RAM LPDDR4, a memória principal também foi duplicada em comparação com o dispositivo anterior.


Potencialize a próxima geração de IA na borda com o BOXER-8740AI e o BOXER-8741AI, os primeiros PCs AI@Edge da AAEON a incorporar o desempenho e a escalabilidade incomparáveis do novo módulo NVIDIA® Jetson T5000™. Com interfaces dinâmicas e excepcionalmente avançadas e hardware compacto e robusto, o BOXER-8740AI e o BOXER-8741AI foram projetados para aproveitar o desempenho inovador de IA da GPU NVIDIA com arquitetura NVIDIA Blackwell integrada ao NVIDIA Jetson T5000 para o desenvolvimento de robótica humanoide e aplicações de servidor de borda. Capaz de integrar múltiplos sensores de visão em tempo real, módulos de controle e atuadores, o BOXER-8741AI é a plataforma robótica definitiva. Combinando suas entradas e saídas com opções de gabinete flexíveis e robustas, além do processamento de IA de baixa latência do módulo NVIDIA Jetson T5000, o sistema fornece aos usuários as ferramentas necessárias para acelerar o desenvolvimento da próxima geração de robôs humanoides. O NVIDIA® Jetson T5000™ possui 4 portas LAN de 5 GbE, RS-232/485, CAN FD, DIO/GPIO, Vibração/choque MIL-STD-810H, QSFP28 x 1 para 25GbE x 4 e expansão M.2 para 5G, Wi-Fi e SSD NVMe; Power Requirement2-pin Terminal Block x 1 for 12~24Vdc Power Input (pitch 5mm); System Memory128GB 256-bit LPDDR5X; Storage DeviceM.2 2280 M-Key x 1; Display InterfaceHDMI 1.4a x 1; EthernetQSFP28 x 1 for 4 x 25GbE (4 x Independent MAC, aggregate up to 100Gbps); RJ-45 x 4 for 5GbE; e I/O: DB-9 x 1 for CAN FD x 2, DB-9 x 1 for RS-232/485 x 1, DB-9 x 1 for GPIO 8-bit, USB 3.2 Gen 2 (Type-A) x 4, Micro USB x 1 for OS Flash.

A interface digital para motores MOVILINK® DDI da SEW transmite dados de desempenho, frenagem e diagnóstico do inversor para o motor.
A tecnologia de cabo único constitui a base para o fornecimento de energia e a troca de dados sem interrupções. Em termos tecnológicos, isso significa que você precisa apenas de um cabo híbrido para alimentar o motor e estabelecer comunicação com o inversor de frequência, independentemente da extensão do seu sistema. O movimento já começou – os dados já estão fluindo.
Na prática, isso também significa economia de tempo e dinheiro durante a instalação, pois o design excepcionalmente robusto e de alto desempenho do cabo com linha de dados coaxial permite realizar instalações compactas com facilidade.
Suas características são:
*Redução significativa do tempo necessário durante a inicialização;
*Identificação e inicialização automática de um motorredutor em um inversor MOVI-C® sem a necessidade de ferramentas de engenharia;
*Prevenção de erros em caso de mau funcionamento;
*Arranque automático após substituição do motor sem necessidade de ferramentas especiais;
*Economia de espaço de 50%.
MOVILINK possui apenas um cabo para alimentação, encoder, temperatura, freio e para transmitir diagnósticos adicionais: desgaste, utilização, envelhecimento. Um cabo híbrido para conexão de dados e alimentação de energia de todos os motores síncronos e assíncronos da SEW-EURODRIVE com/sem freio.
Tecnologia totalmente digital de cabo único para motores síncronos, assíncronos e lineares e tecnologia de acionamento descentralizado, adequado até mesmo para cabos muito longos, com até 200 m de comprimento.
Design excepcionalmente robusto e de alto desempenho com cabo de dados coaxial – permite uma instalação extremamente compacta e um alto grau de proteção.
A linha de dados é conectada ao inversor de aplicação usando um conector coaxial padrão em série. E o MOVILINK® DDI está integrado de série em todos os inversores de frequência do sistema de automação modular MOVI-C®.
Um canal possibilita a inicialização rápida graças à placa de identificação eletrônica e à exibição detalhada do status operacional em todos os momentos, indicando dados como potência do motor, monitoramento da temperatura do motor, alimentação do freio, desgaste do freio, informações do encoder e outros sensores.



A Hilscher apresentou o novo módulo embarcado comX 90, que combina comunicação multiprotocolo, funções de segurança integradas e recursos de IIoT em um formato compacto. O novo comX 90 sucede o consagrado comX 51 e é baseado no controlador de comunicação netX 90 da Hilscher. Com base na tecnologia netX, o módulo suporta diversos protocolos de comunicação industrial para comunicação em nível de dispositivo usando uma única plataforma de hardware, incluindo Ethernet industrial (Profinet, EtherCAT, EtherNet/IP, Open Modbus/TCP, CC-Link IE Field Basic, PowerLink, Sercos) e IIoT (OPC UA, MQTT). A troca da tecnologia de protocolo requer apenas uma atualização de firmware fornecida pela Hilscher. Medindo 30x70 mm, o comX 90 compartilha as mesmas dimensões do comX 51, facilitando seu uso em dispositivos com espaço limitado. Ele também se integra diretamente a sistemas existentes com uma interface host SPI.



A Dewalt apresenta três novidades ao mercado brasileiro: a Esmerilhadeira Angular 5” (125mm) 20V MAX* XR® – DCG404B; a Retificadeira Angular 20V MAX* XR® – DCG422B e a Retificadeira 20V MAX* XR® - DCG420B.
Os lançamentos destacam-se pelo design compacto, desenvolvido especialmente para proporcionar maior conforto e ergonomia durante o manuseio. Com a tradição de qualidade e inovação da Dewalt, os lançamentos reforçam o compromisso da marca em atender às necessidades dos profissionais que buscam desempenho, segurança e praticidade.
Esmerilhadeira Angular - com 760W de potência máxima de saída, com uma potência equivalente as ferramentas pneumáticas e um design 28% mais compacto comparado as esmerilhadeiras angulares sem fio tradicionais, a DCG404B pesa apenas 1,56kg, aliando alto desempenho a um design inovador. A novidade também possui freio e embreagem eletrônicos, que protegem o usuário em caso de travamento ou bloqueio.
Outros diferenciais da Esmerilhadeira Angular 5” (125mm) 20V MAX* XR® são: trava do eixo para troca rápida dos acessórios; caixa de engrenagens compacta; ajuste da capa de proteção sem necessidade de ferramentas; empunhadura emborrachada; motor brushless (sem escovas de carvão) que oferece menor custo de manutenção e vida útil; proteção contra entrada de resíduos; interruptor de alavanca estilo industrial e capa protetora auxiliar para cortes de fácil instalação.
Retificadeira Angular - projetada para oferecer máxima agilidade, a nova Retificadeira Angular 20V MAX* XR® – DCG422B combina leveza e alto desempenho: são apenas 1 kg de peso, potência máxima de saída de 445W e velocidade sem carga de até 24.500 RPM. Com performance equivalente às retificadoras pneumáticas, o modelo se destaca pelo exclusivo sistema ANTIRROTAÇÃO da DEWALT, que interrompe rapidamente o funcionamento do disco ao detectar travamentos, bloqueios ou sobrecargas, a fim de garantir maior segurança ao profissional durante a operação.
Entre os principais diferenciais da DCG422B estão o gatilho de velocidade variável, sistema de exaustão frontal de ar, interruptor tipo alavanca, freio eletrônico, luz LED, trava do eixo e porta pinças compatíveis com medidas métricas e imperiais (polegadas). Esses recursos proporcionam mais precisão, praticidade e segurança durante o uso, atendendo às demandas dos profissionais mais exigentes.
Retificadeira - mais uma novidade para a linha é a Retificadeira 20V MAX* XR®DCG420B, que também conta com o sistema ANTIRROTAÇÃO para proteção extra do usuário. O modelo oferece a mesma potência e velocidade sem carga da DCG422B, equiparando-se ao desempenho de ferramentas pneumáticas tradicionais. Seu design inovador proporciona liberdade de movimento e contribui para maior produtividade no dia a dia do profissional.
A DCG420B também se destaca por incorporar recursos como gatilho de velocidade variável, sistema de exaustão frontal de ar, interruptor tipo alavanca, freio eletrônico, luz LED, trava do eixo e porta pinças compatíveis com medidas métricas e imperiais. Esses diferenciais garantem maior precisão, praticidade e segurança, o que torna o equipamento ainda mais versátil para as demandas do dia a dia profissional.


Como os acoplamentos hidrodinâmicos de enchimento constante geralmente operam em aplicações exigentes, como transportadores de correia, trituradores e trituradores de lixo, garantir uma temperatura ideal do fluido do acoplamento é fundamental para a confiabilidade e a produtividade. No entanto, a temperatura do meio de operação muitas vezes permanece oculta, o que significa que a carga real sobre o acoplamento durante a operação passa despercebida. Como explica Thomas Ohr, gerente de produtos da Voith, é exatamente aí que o OnSens.SmarTemp entra em ação.
Com este sistema de medição de temperatura inteligente e adaptável a instalações existentes, permitimos que os operadores monitorem a condição de seus acoplamentos hidrodinâmicos em tempo real – tanto para instalações novas quanto para as já existentes.
O OnSens.SmarTemp mede continuamente as temperaturas em tempo real dos fluidos nos acoplamentos hidrodinâmicos de enchimento constante. Esses dados em tempo real fornecem informações detalhadas sobre o desempenho operacional, ajudando a aumentar a disponibilidade e a rentabilidade do sistema. Ele também pode ser usado para o controle de carga, permitindo uma resposta preventiva a alertas como sobrecarga. E como a transmissão do sinal continua após o desligamento, as operações podem ser retomadas o mais rápido possível.
Livre de cabos e baterias, este sensor de temperatura não requer manutenção nem fonte de energia externa. Seus elementos Peltier integrados realizam captação de energia 100% autossuficiente, exigindo apenas uma diferença mínima de temperatura de 20 °C entre o ambiente e o fluido operacional.
Um aspecto fundamental do OnSens.SmarTemp é a sua conectividade sem fio, com transmissão de rádio de 2,4–2,5 GHz, que permite uma distância de até 10 metros entre o sensor e o receptor. Isso proporciona flexibilidade adicional em termos de layout do sistema e comissionamento.
O pacote OnSens.SmarTemp inclui o sensor, o receptor e o driver, permitindo que os operadores integrem facilmente o monitoramento da temperatura do fluido em seu PLC (controlador lógico programável). Apesar de seu design e recursos altamente inovadores, ele é ideal para adaptação em sistemas existentes e suporta temperaturas ambientes que variam de -40 °C a +85 °C.

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