perdidos no tempo. Nem humanos eram. Somente anos mais tarde o Papa escreveria um documento assegurando humanidade àqueles povos. Isso amenizou o tratamento que os portugueses davam aos indígenas, mas não fez com que mudassem sua visão escravagista e de superioridade sobre os nativos. Este romance procura reconstituir um pouco da cultura pré-cabralina. Não está completa. Há muitos estudos científicos que podem ajudar-nos a compreender melhor o que aqui foi contado. Caberá ao leitor e à leitora completarem essa história. Ela termina quando começa a história narrada pelos invasores.
Coisa ruim vai acontecer em breve. Serao tempos dif ceis. Fantasmas dos antepassados chegarao nesta
terra e tornarao nossos povos escravos de sua ganancia. Eles nao terao piedade nem dos velhos nem das crianc,as. Simplesmente se sentirao donos desse lugar e de sua gente. Por isso, nao lutarao com arcos e flechas e nao terao codigo de guerra. Serao homens duros e nao respeitarao a tradic,ao. s palavras do sábio Karaíba trouxeram espanto aos olhos dos homens e das mulheres que as escutavam. Essa era uma profecia que traria impacto profundo a suas existências, e os faria repensar sobre o modo de vida que tinham levado até aquele momento. Antes da chegada dos colonizadores europeus, os habitantes do Brasil eram organizados, tinham sua vida estruturada e tiravam proveito da exuberante natureza que os cercava. Nessa narrativa cheia de aventura, poderemos imaginar um pouco sobre quais eram seus amores, seus dramas e suas ansiedades em relação ao futuro.
ISBN 978-85-06-08319-2
ESTA E UMA HISTORIA DE FICCAO. Não aconteceu de verdade, mas poderia ter acontecido. Isso porque o que narro aqui são acontecimentos que antecederam a chegada dos portugueses em terras brasileiras. Não existem, portanto, registros escritos do que havia antes a não ser as inscrições das cavernas, que nos obrigam a um exercício de imaginação e pesquisa se desejarmos remontar um pouco do que de fato aconteceu. O que sabemos é o que os europeus deixaram escrito. Claro que esses textos abordam uma visão eurocêntrica, ou seja, a partir dos princípios e visão – às vezes religiosa – dos europeus. Nessa visão, os indígenas brasileiros eram selvagens, atrasados, desorganizados, canibais e preguiçosos. Enfim, eram povos