Simulação no papel
Semana de vinte e dois
Frederico Camargo, doutor em teoria literária e literatura comparada pela USP
Depois de um século de polêmicas e balanços, nosso tempo histórico volta a incentivar a revisão dos fatos e das narrativas em torno da Semana de Arte Moderna de 1922, a partir de conceituações e instrumentos analíticos atualizados, e, sobretudo, do distanciamento crítico que se acentua década a década. Nesse sentido, para além do afã jamais exaurido de se reconstituir, com maior acuidade e profusão de detalhes, os incontornáveis espetáculos e a exposição modernistas, vemos ampliado, nos quinze estudos aqui coligidos, o esforço em aquilatar o impacto que a Semana teve, e preserva até hoje, na cultura e na sociedade brasileiras.
Marcos Antonio de Moraes (Org.)
modernistas, vemos ampliado, nos estudos aqui coligidos, o esforço em aquilatar o impacto que a Semana teve na cultura e na sociedade brasileiras, por meio do exame de textos jornalísticos de época e da expressiva fortuna crítica produzida em meio acadêmico; da perscrutação renovada dos testemunhos legados pelas figuras envolvidas no acontecimento em documentação epistolográfica ou de teor memorialístico; da reconsideração dos papéis desempenhados pelos protagonistas; do entendimento mais profundo da natureza das sociabilidades interpessoais em interlocuções privadas ou performances de grupo; do alargamento das fronteiras temporais e geográficas numa tentativa de flagrar a pré-existência de uma ideia de renovação artística anterior à Semana ou respostas localistas às estéticas então difundidas; ou do confronto do modernismo da década de 1920 com formas subsequentes de manifestação do moderno. Ao concluir a leitura, o leitor terá descortinado um mapa rico e abrangente de informações e leituras interpretativas, inéditas ou reformuladas segundo bases atuais, que, entre outras visões e versões correntes em disputa, contribui de forma valiosa para a ressignificação da Semana de Arte Moderna numa época agora centenariamente apartada daquelas noites controversas.
Olhares críticos
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Semana de Olhares críticos vinte e dois Marcos Antonio de Moraes (Org.)
Submetida desde a sua realização ao fogo cruzado da promoção interessada e da depreciação categórica, da celebração acrítica e do antagonismo rancoroso, a Semana de Arte Moderna de 1922, ao longo de cem anos de vida, terminou por se esmaltar do viço e do magnetismo próprios dos enigmas que parecem exigir ainda uma decifração ou palavra definitiva, e permanece desafiando acadêmicos, analistas, mediadores culturais e criadores a dar conta de sua herança e a redimensioná-la segundo os parâmetros de cada momento histórico. É isso o que atesta a série de eventos e ações que vêm transcorrendo desde as vésperas de 2022, dos quais este livro – resultado de seminário promovido pelo Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo, dentro das atividades previstas no projeto 3 vezes 22, da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros e a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo – é um dos representante mais qualificados, ao juntar, no rol de seus colaboradores, sob a organização de Marcos Antonio de Moraes, importantes pesquisadores e professores universitários das áreas das humanidades com o objetivo de abordar e problematizar diferentes aspectos relacionados à Semana e seus atores, e ao movimento modernista que dela se nutriu ou que a ultrapassou. No cerne dos textos que compõem o volume, não encontraremos nem o encômio comprometido com agendas equívocas nem a hostilidade injustificada. Depois de um século de polêmicas e balanços, o tempo em que vivemos volta a incentivar a revisão dos fatos e das narrativas a partir de conceituações e instrumentos analíticos atualizados, e, mais do que nunca, do distanciamento crítico que se acentua década a década. Nesse sentido, para além do afã jamais exaurido de se reconstituir, com maior acurácia e profusão de detalhes, os famigerados espetáculos e a exposição
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