EUGÊNIO BUCCI PROFESSOR TITULAR DA ECA-USP
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Hoje, não há como negar a influência das mídias digitais na formação de crianças e jovens. Tampouco, as forças econômicas, políticas, sociais e culturais a mover empresas identificadas com o capitalismo digital. A ele se somam questões relacionadas à saturação pelo excesso de informações, ao impacto das mídias na saúde psicossocial, à criação e distribuição de fake news, ao aumento de movimentos dedicados ao cyberbulling e aos discursos de ódio, ainda que a responsabilidade por tais questões não se limite apenas aos atores citados. Diante desse cenário, este livro alerta para a necessidade emergente de se realizar ações sistematizadas em prol da educação midiática, entendida como direito inalienável ao sujeito que se deseja cidadão livre em um mundo democrático.
MANIFESTO PELA EDUCAÇÃO MIDIÁTICA / DAVID BUCKINGHAM
pedagógicas? As respostas para essas perguntas nós podemos encontrar aqui. Mas se, além de atualização, a gente quiser uma visão de conjunto, um olhar que explique como as novas gerações convivem com as mídias e que compreenda de que modo essa convivência sofre impactos do Estado e das empresas (ou mercado), a melhor fonte também é este manifesto. Não há obra mais indicada para se inteirar do tema, ou, ao menos, para se aproximar dele. Por fim, além de nos entregar uma competente apresentação da educação midiática, Buckingham nos convida a um olhar crítico: põe em questão o poderio dos magnatas digitais (como Zuckerberg) e cobra do Estado a regulação da mídia. Com a mesma precisão, explicita os princípios educacionais e demonstra por que devem ser observados – o mundo muda rápido, não os princípios. Uma beleza de trabalho. Que bom que, finalmente, chega ao leitor brasileiro.
Se você já percebeu que a educação muda o mundo, não pode deixar de ler este livro. Simplesmente, não pode. Explico por quê. Há algum tempo temos escutado gente de diferentes origens e posições políticas alertando que é preciso preparar as crianças e os adolescentes para conviverem com as mídias e se moverem com autonomia dentro delas. O alerta é urgente e, claro, deve ser ouvido, especialmente para as plataformas digitais e para as redes sociais. Empresas e governos estão cada vez mais atentos a essa necessidade. A Unesco despertou para o tema e investe energias e dinheiro em um programa que se traduziu entre nós como “letramento midiático”. É bom. É válido. Faz diferença. Este livro de David Buckingham organiza o assunto, conta em que pé estamos e dá um passo a mais. Este “Manifesto”, lançado em inglês em 2019, logo virou uma bula para os ativistas e educadores comprometidos com a causa. Os motivos são justos e não são poucos. Buckingham, respeitado mundialmente como um dos maiores especialistas na relação de crianças e adolescentes com as mídias (leia o prefácio de Januária Cristina Alves), dá um bom panorama, alinhava as propostas e avança com ideias lúcidas e factíveis. Tudo isso em linguagem cristalina, vibrante e envolvente. Se a gente precisa se atualizar sobre o “estado da arte” da educação midiática, a fonte certa é este livro. Com base em que conceitos ela é feita? Segundo quais parâmetros teóricos e quais balizas metodológicas e
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