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SOBRE A "FILOSOFIA AFRICANA"

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crítica da etnofilosofia

SOPHIE BASSOULS/BRIDGEMAN IMAGES/EASY MEDIABANK

“Este livro é um marco incontornável e um divisor de águas da pesquisa, da legitimidade e dos impactos políticos daquilo que fazemos com as filosofias africanas, seja no próprio continente negro, aqui na diáspora ou em qualquer outro lugar do mundo.” wanderson flor do nascimento, “Prefácio à edição brasileira” “Um filósofo cuja crítica à era colonial da antropologia ajudou a transformar a vida intelectual africana, rebelando-se contra os esforços de submeter modos africanos de pensar a uma visão de mundo europeia.” The New York Times Edições Sesc São Paulo ISBN 978-85-9493-312-6

9 788594 933126

Zahar ISBN 978-65-5979-180-4

Tradução de César Sobrinho

sobre a “filosofia africana”

Paulin j. Hountondji (1942-2024) nasceu no Benin e foi o primeiro estudante africano de filosofia na Escola Normal Superior de Paris. Lecionou filosofia na Universidade Nacional da República de Benin e foi ministro da Educação do país. Sobre a “filosofia africana”, eleito um dos cem melhores livros africanos do século XX, ganhou o ASA Best Book Prize em 1984.

“A crítica da etnofilosofia […] realça a necessidade de promover em nossos países uma tradição filosófica e científica do mais alto nível, uma investigação plural, contrastante. Não é pelo cassetete que realizaremos a unidade de pensamento entre os nossos povos. Pelo contrário, é reconhecendo a todos e a cada um o direito à palavra, o direito ao erro e à crítica.”

biblioteca africana

sobre a “filosofia africana”

paulin j. hountondji

Nessa procura, Hountondji põe em prática o que entende como a tarefa dos filósofos africanos: dialogar a partir — mas não só — das tradições africanas com o que foi produzido por seus pares na África e na diáspora. Esse seria o verdadeiro ponto de partida para um pensamento radicalmente livre. E é assim que Aimé Césaire, Kwame Nkrumah, Léopold Sédar Senghor e Anton Wilhelm Amo comparecem nesta obra-prima que abriu caminhos para a descolonização da filosofia e para uma reavaliação total dos discursos sobre as culturas negras.

paulin j. hountondji

As aspas no título de Sobre a “filosofia africana”, obra do filósofo beninense Paulin J. Hountondji, não são mero detalhe. Ao contrário, elas demarcam o movimento que anima a tarefa filosófica que o autor empreende: um olhar que coloca sob suspeita e rigoroso escrutínio a ideia de uma filosofia africana num mundo em que a força violenta do colonialismo atingiu povos africanos — cuja base de sustentação ideológica se deu na construção do branco como signo da razão e do negro como signo da emoção. Hountondji desenvolve aqui uma contundente crítica à etnofilosofia, esse nebuloso campo do saber produzido, em grande parte, por filósofos europeus que se apoiam na suposta existência de um pensamento coletivo africano. Com isso, defende a passagem da África-objeto para a África-sujeito, entendendo a filosofia africana simplesmente como “o conjunto de textos escritos por africanos e qualificados como ‘filosóficos’ por seus próprios autores”. Essa definição aparentemente simples é imbuída de uma perspectiva que advoga a necessidade de uma filosofia feita por africanos e para africanos, e que escancara as bases eurocêntricas do pensamento filosófico hegemônico. O que está em jogo no adjetivo “africana” não é, portanto, um sentido essencialista, mas a busca pela afirmação de um protagonismo negro-africano na filosofia em face à negação racista da capacidade intelectual de pessoas negras.

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ZH91804 - Sobre a filosofia africana - 150824.indd 1-5

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