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Palavras para Walnice

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Walnice é, sem sombra de dúvida, uma intelectual que honra nossa cultura, não só por seu engajamento social constante, como também por sua capacidade crítica e sua escrita vibrante e concisa. Tenho por ela a maior admiração, que vem desde os anos de graduação e só aumentou com o passar do tempo. Este livro-homenagem, com contribuições de diversos nomes ilustres do Brasil e do exterior, traz testemunhos, impressões, lembranças e releituras, celebrando uma história de vida dedicada ao ensino, à pesquisa, à educação e à produção e difusão do conhecimento.

(orgs.)

Apoio cultural: ISBN 978-85-9493-226-6

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para

Alípio Freire Foi jornalista, poeta, artista plástico, cineasta e militante socialista. Vítima de covid-19, faleceu em abril de 2021. Em sua homenagem, publicamos este texto, escrito por ele em julho de 2020, dedicado à amizade com Walnice Nogueira Galvão.

Uma das vozes brasileiras mais potentes na análise e na crítica às artes nacionais e internacionais, a professora emérita Walnice Nogueira Galvão é uma das grandes representantes do profícuo – e ainda pouco reconhecido – legado feminino no desenvolvimento científico do país. Referência quando se trata dos escritores João Guimarães Rosa e Euclides da Cunha e nos estudos de gênero, a intelectual também se sobressai como autora, pesquisadora e figura política que luta por uma sociedade mais justa. Nas palavras de Alfredo Bosi:

Palavras Walnice Antonio Dimas e Ligia Chiappini

Eu veria Walnice poucos dias depois, algumas horas antes de os militares invadirem o prédio da universidade – sim, creio que foi isto: eu passava rápido pelo saguão do prédio quando a vi carregando cadeiras, com o auxílio de outra jovem que, em minha memória, parecia uma nissei. Elas montavam barricadas? É bem possível. Daí, depois da invasão, do AI-5 e de todas as tragédias que se abateram sobre o país, eu só reveria Walnice em uma reunião da comissão editorial da revista Teoria e Debate, do Partido dos Trabalhadores (PT), e, algum tempo depois, no conselho da editora Expressão Popular – ou seja, cerca de 40 anos depois do período vivido no que hoje é o Maria Antonia. Mas o que são 40 ou 50 anos para nossa geração? Tornamo-nos bons amigos. Entre o Maria Antonia dos anos 1960 e hoje, as mesmas rotas trilhadas, os mesmos rumos percorridos. Embora já septuagenários, agora é o momento de buscar socializar as experiências acumuladas com os que vieram depois e, bem unidos a eles, marcharmos.

Palavras

para Walnice

Antonio Dimas e Ligia Chiappini (orgs.)

A primeira notícia que tive sobre Walnice Nogueira Galvão foi em 1968, por meio da revista Aparte. Era um texto sobre música popular brasileira assinado por ela. Esqueço o título, mas não esqueço minha surpresa com a clareza do artigo, a pertinência e a desenvoltura da reflexão. Fiquei impressionado, muito impressionado. Creio que nos créditos do artigo descobri a relação da autora com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP) – que funcionava nas instalações do que é hoje o Centro Universitário Maria Antonia –, de onde, por conta do movimento estudantil, eu possuía diversos contatos e na qual conhecia grande quantidade de alunos e professores – embora eu houvesse concluído meu curso universitário em 1966, na faculdade Casper Líbero, então ligada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Mas o que eu queria mesmo era conhecer a pessoa que escrevera aquele texto, até porque, naquele momento, além do meu emprego fixo em uma editora, eu cobria o período de férias de um repórter do jornal Folha da Tarde, e sempre caía na minha pauta a cobertura de sessões de festivais de música popular. Logo, seria pertinente entrevistar a autora. Dia vai, dia vem, até que um amigo me mostra uma jovem, bonita e cuidada, com um vestido em tom de “verde-queimado”, reto, sem cintura, curto e sem mangas, bem ao gosto da época. Era Walnice, me explicou o companheiro. Sim, ela combinava com o texto: elegância sem frescura. Infelizmente, naquele dia e àquela hora, eu não podia me apresentar a ela. Estava correndo de um lado para o outro e não podia me atrasar.

13/03/23 15:58


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