Notas sobre a arte da tradução
Traduzir é aproximar mundos que não coincidem por completo. É abraçar o estranho, ouvir o silêncio das palavras, lidar com o que escapa. Alberto Manguel, voz luminosa da reflexão literária contemporânea, nos lembra que “a arte nasce porque a linguagem está condenada ao fracasso”, ideia que revela a tradução como gesto de enfrentamento e acolhimento dessa falha constitutiva.
O avesso da tapeçaria reúne entradas breves, que podem ser lidas como quem percorre um tratado de máximas, um guia de boas práticas ou uma constelação de pequenas joias. Sua força reside nessa tessitura: cada fragmento é uma imagem, uma hipótese, um lampejo. Nada se resolve; tudo se aviva. Essa concisão dá ao livro uma qualidade de fábula: pequenas narrativas que iluminam, por contraste, a vastidão do problema da tradução.
Traduzir, diz Manguel, é “como olhar uma tapeçaria flamenga pelo avesso”, sendo possível “distinguir as figuras”, ainda que “cobertas por fios que as embaçam, sem a nitidez nem a delicadeza da face”. É, portanto, lidar com os fios e não apenas com a imagem: com as tensões, os nós, as hesitações. O lado visível – o texto que o leitor recebe – é sustentado por um avesso laborioso e paciente.
A invisibilidade do tradutor, aliás, é tema recorrente neste livro. O autor lembra que “as palavras que compõem muitos dos livros que consideramos inesquecíveis são deles [dos tradutores] – não do autor que assina a capa”. Assim, contribui para revalorizar o trabalho tradutório e defender sua visibilidade, sobretudo em tempos de inteligência artificial. É uma defesa ética e estética: dar nome ao tradutor é reconhecer que a literatura é obra de muitas mãos.
As traduções literais não apenas empobrecem a língua como também nos afastam do que a literatura pode fazer: surpreender, desestabilizar, emocionar. Em um momento marcado pelas traduções automáticas, o tradutor humano preserva o cuidado com o opaco que resiste à lógica da aceleração contemporânea.
O avesso da tapeçaria vai além da literatura, pois se pergunta sobre o que significa nomear o mundo. Para Manguel, o ser humano é, antes de tudo, leitor do universo: alguém que decifra “o jardim divino” traduzindo-o para sua própria natureza, por meio da razão e do sentimento. Traduzimos o mundo como traduzimos textos: completando o visível com o invisível, o dito com o não dito.
Jamille Pinheiro Dias Tradutora e professora | Universidade de Londres
Não há linguagem sem engano.
[Non c’è linguaggio senza inganno.]
Italo Calvino, As cidades invisíveis
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Notas sobre a arte da tradução
Tradução de Jamille Pinheiro Dias
Título original: The Backside of the Tapestry: Notes on the Art of Translation
© Alberto Manguel, 2026
a/c Schavelzon Graham Agencia Literaria www.schavelzongraham.com
© Edições Sesc São Paulo, 2026
Todos os direitos reservados
Preparação Elba Elisa de Oliveira
Revisão Thaisa Burani, Regina de Sá
Capa, projeto gráfico e diagramação Estúdio Claraboia
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
A447e
Manguel, Alberto.
O avesso da tapeçaria: notas sobre a arte da tradução / Alberto Manguel; tradução de Jamille Pinheiro Dias – São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2026. – 124 p.
ISBN 978-85-9493-355-3
1 Línguas – tradução. 2 Tradutores. 3 Poliglotismo. I Pinheiro, Jamille. CDD 418.02
Ana Cláudia Martins – Bibliotecária CRB/8-8246
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1. Correção
2. Santidade
3. Calma
4. Natureza
5. Pureza
6. Nome
7. Semente
8. Política
9. Ordem
10. Jurar
11. Histórias
12. Traição
13. Universo
14. Casa
15. Subversão
16. Sucesso
17. Estrela
18. Azul
19. Lei
20. Hospitalidade
21. Duplo
22. Voz
23. Bom tempo
24. Honestidade
25. Renascimento
26. Navegar
27. Mundo
28. Força
29. Cartografia
30. Abundância
31. Fidelidade
32. Despertar
33. Inteligibilidade
34. Acaso
35. Tempo
36. Adão
37. Mito
38. Morte
39. Cópia
40. Arquétipo
41. Cadeia
42. Retrato
43. Sombra
44. Modéstia Nota à
Ao mouro anônimo que, em um mês e meio, na casa de Cervantes, concluiu a tradução do Dom Quixote de Cide Hamete Benengeli e recebeu apenas trinta quilos de uvas-passas e duzentos quilos de trigo por seu trabalho.
INTRODUÇÃO
Até bastante tarde na minha infância, não soube que existia algo chamado tradução. Fui criado por uma babá checa, em inglês e alemão, e aprendi espanhol já com oito ou nove anos. Ao longo da infância, usei minhas primeiras línguas indiscriminadamente, sem privilegiar uma em detrimento da outra, e nunca pensei nelas como domínios isolados, com fronteiras rígidas que eu tivesse de atravessar. Para mim, a linguagem era uma espécie de Babel convivial composta por vários conjuntos de palavras, diferentes em som e peso, mas semelhantes em significado e valor. Sabia que tinha de usar certas palavras quando falava com determinadas pessoas (dirigindo-me, por exemplo, ao cozinheiro de Munique com palavras diferentes das que usava para falar com um visitante norte-americano), mas
nunca senti que, ao fazer isso, estava transportando um pensamento de um domínio linguístico para outro. Na minha infância, não havia passaportes semânticos, não havia identidades nacionais. Só percebi que não era assim para todas as pessoas quando um dia, na escola, sentindo-me inseguro no meu espanhol, falei com a professora argentina em inglês e fui severamente repreendido. Foi assim que aprendi que existiam fronteiras linguísticas e que eu tinha de respeitá-las. Nunca consegui fazer isso.
As crônicas de Vasco Pratolini descobertas nas traduções espanholas de Attilio Dabini; a versão bizarra e truncada de Isabel Florence Hapgood de Almas mortas, de Gogol, publicada em inglês sob o título Home Life in Russia; o romance clássico chinês Sonho da câmara vermelha na versão alemã do dr. Franz Kuhn, todos pertenciam à língua em que as li. A falta de preocupação com a correção acadêmica enriqueceu minha biblioteca particular de livros em inglês e alemão (e, mais tarde, em espanhol).
Ser capaz de falar várias línguas tem suas vantagens: nos permite ter uma perspectiva mais ampla do mundo. Os neurologistas dizem que, quando uma criança aprende uma segunda língua antes dos seis anos, cria-se um espaço ou um caminho em sua mente que facilita o aprendizado de outras línguas. Portanto, na mente da criança, a palavra usada para nomear o animal que ela vê deixa de ser apenas “dog” (se a criança falar inglês) para se tornar uma
de muitas outras palavras que designam aquele animal peludo. Para a criança poliglota, “Hund”, “perro”, “chien”, “cane” são nomes perfeitamente equivalentes daquele animal, todos intercambiáveis, exceto que cada um deles requer um contexto linguístico diferente, como aprendi na escola naquele dia distante, para minha vergonha. Usamos uma palavra específica em uma interação própria e devemos mudar essa palavra se o nosso interlocutor mudar, assim como sabemos trocar de “bom dia” para “boa noite” de acordo com a hora. O sentido das palavras de saudação é o mesmo, o que muda é a luz que as envolve.
Quando percebi que a tradução era possível, comecei a traduzir textos de que gostava, porque queria compartilhá-los com amigos que não falavam as línguas em que eu tinha lido aqueles textos. De certo modo, era um ato de gratificação pessoal, já que, como todos os leitores sabem, quando descobrimos um texto que nos apaixona, sentimos a necessidade de compartilhá-lo com outras pessoas, de sair correndo e agarrar um amigo pelo colarinho e exclamar: “Você tem que ler isso!”. A leitura é uma atividade que começa de forma isolada e que, muitas vezes, se torna uma experiência comunitária.
Traduzir pode ser (e deve ser) a forma mais intensa de leitura e, mais do que na escrita de um texto original, a pessoa que traduz conta com a presença do leitor para quem a tradução é feita. Por causa dessa responsabilidade
transferida, quem traduz não pode (ou não deve) olhar para a obra original uma vez que a tradução esteja pronta: é a pessoa que lê quem deve seguir a partir daí. Para o leitor de uma tradução, o original precisa deixar de existir. Talvez o mito de Orfeu seja, na verdade, um mito sobre tradução: Orfeu, como tradutor da morta Eurídice, perde o seu amor traduzido quando olha para trás para ver se ela realmente o está seguindo. Orfeu sabe que um texto, uma vez terminado pelo autor, fica num estado de animação suspensa até que um leitor o resgate do Reino dos Mortos. O milagre da tradução é um ato de ressurreição. Orfeu deveria ter confiado no poder mágico de seu ofício. Em um de seus romances, Ismail Kadaré sugere que os deuses nunca tiveram a intenção de permitir que Eurídice saísse do Reino dos Mortos, mas prometeram a Orfeu libertá-la depois que ele cantasse para eles, porque sabiam que ele não resistiria à tentação de olhar para trás. Eurídice não desapareceu, nunca seguiu Orfeu, nunca lhe foi permitido segui-lo. Os deuses queriam ouvir o maravilhoso canto de Orfeu e, por isso, armaram esse truque que pressupunha a falta de fé do artista. A tradução de Eurídice foi, portanto, uma traição, uma mentira, assim como toda tradução é, em última análise. O original não pode ser resgatado dos mortos; o máximo que o tradutor pode alcançar é reconceber Eurídice traduzida em outras palavras que lamentarão a sua perda para sempre. Toda tradução é uma elegia.
POLÍTICA Lemos o que queremos ler. A adivinhação e a arte da tradução estão intimamente ligadas, e todo texto pode ser moldado para dizer o que o leitor imagina ou exige. Toda tradução é uma forma de exegese. Toda tradução é um ato político.
Para proteger os clássicos da “contaminação” de Sodoma e Gomorra, tradutores, desde a Idade Média, optaram por lê-los com um olhar corretivo. Segundo o acadêmico John Boswell, Alcibíades, o belo companheiro de Sócrates, ocasionalmente apareceu na literatura medieval como uma mulher. Em um manuscrito de A arte de amar, de Ovídio, a frase que originalmente dizia “O amor de um rapaz atraía-me menos” foi alterada para
“O amor de um rapaz não me atraía de todo”, com o copista insistindo na margem: “Assim se pode ter a certeza de que Ovídio não era um sodomita”.
Os sonetos de amor homoafetivo de Michelangelo foram heterossexualizados por seu sobrinho, que mudou os pronomes amorosos. Os versos persas de Sa’adi passaram pela mesma mudança de gênero, assim como os ghazals de Hafiz, até meados do século 20. A prestigiada coleção
Loeb Classical Library, que publica traduções de textos gregos, até pouco tempo atrás vertia passagens homoeróticas não para o inglês, mas para o latim. E, às vezes, o tradutor inventa para censurar: em sua tradução de Suetônio, Robert Graves incluiu uma cláusula inexistente para sugerir que a lei romana proibia atos homossexuais.
Os mesmos mecanismos foram utilizados em outros contextos para suprimir ou alterar significados indesejados. No Terceiro Reich, os nomes de escritores judeus eram frequentemente apagados ou alterados quando não se podia evitar a publicação de seus livros. “Die Lorelei”, o famoso poema de Heinrich Heine, foi publicado como uma canção popular anônima, para que um clássico da literatura alemã não fosse atribuído a um judeu.
Esses gestos também são a política das traduções.
HISTÓRIAS Os historiadores do folclore tentaram encontrar as raízes de determinadas histórias em acontecimentos verídicos (Gilles de Rais como inspiração para o Barba Azul; o Monstro de Gévaudan, para o lobo de Chapeuzinho Vermelho), mas seu território de exploração está longe de ser claro. Ao se debruçar sobre os contos de fadas, a psicologia trabalha num espaço nebuloso: o vocabulário simbólico da nossa psique (e este “nossa” denuncia uma intuição de universalidade) é traduzido de acordo com as convenções da tribo à qual cada indivíduo pertence e, quem sabe, talvez essas diferentes traduções de imagens de medo, amor, família, coragem e confiança derivem de um insondável original comum. Nenhuma
leitura investigativa dos contos de fadas pode fornecer uma explicação única, irrefutável e clara. Nada parece capaz de explicar as paisagens fantásticas dos contos, repletas de aposentos sangrentos e florestas escuras e ameaçadoras. Depois de todos os esforços para dissecar e analisar seu funcionamento, e para fixar a Branca de Neve e o Gato de Botas em categorias perfeitamente rotuladas, os contos de fadas permanecem intocados e prontos a serem recontados, mais como realidades das paisagens do sonho do que como traduções das paisagens da realidade.
Mas por que contamos contos de fadas?
Talvez por abominarmos ver as coisas que amamos decaírem e morrerem, imaginamos lugares de beleza imutável, como Veneza, onde parece haver uma suspensão do tempo; lugares em que o sans souci se torna status quo. Durante muitos séculos, os visitantes entraram em Veneza como se entrassem no sonho de alguém, testemunhas de algo que não parece ter uma existência material, um símbolo do tempo fixo. Talvez tenha sido essa imagem da cidade que inspirou Giambattista Basile, durante sua estada em Veneza em algum momento dos últimos anos do século 16, a escrever uma versão do velho conto popular da Bela Adormecida, que chamou de “Sol, Lua e Tália”. Na história de Basile, a princesa Tália é amaldiçoada por uma fada má a morrer ao espetar o dedo numa farpa de linho, mas, graças ao contrafeitiço de uma fada boa, o
sono da morte se transforma num longo sono tranquilo; em versões posteriores, a princesa pica o dedo num fuso e é acordada pelo beijo do verdadeiro amor.
Do palácio de Capilavastu, que o pai de Buda fortificou para impedir que o filho visse o sofrimento do mundo, ao claustro do príncipe Próspero, onde a Morte Vermelha não deveria entrar, do mosteiro de Shangri-La no cume das montanhas do Tibete ao quarto do castelo do Kaiser Barbarossa, onde o imperador ainda dorme seu sono antigo, sem sonhos nem invasões, os lugares que tentam deter as implacáveis rodas do tempo são traduzidos como histórias em todas as nossas literaturas.
RENASCIMENTO Cada tradução é um renascimento. O texto acabado morre na página assim que o escritor escreve a última palavra; o ponto final é o seu toque de finados, e o texto fica aguardando a ressurreição pelo leitor que virá. O tradutor realiza sobre o texto uma espécie de transmigração das almas: traduzido, o texto revive em outro corpo e sob outro sol, vez após vez. Nem sempre a nova encarnação é feliz. “Valha-te Deus, Bottom! Valha-te Deus! Foste traduzido”, diz o carpinteiro Quince a Bottom, o tecelão, quando a cabeça deste é transformada numa cabeça de burro em Sonho de uma noite de verão. Às vezes, o texto renasce com orelhas de burro.
Felizes ou infelizes nos seus resultados, os tradutores dão ao texto uma aparência, tola ou sábia, que outros, como Quince, são capazes de reconhecer.
Os tradutores da Bíblia do rei Jaime anunciaram esse objetivo na sua “Introdução ao leitor”: “Mas como podem os homens meditar naquilo que não são capazes de compreender? Como poderão eles compreender o que está encerrado numa língua desconhecida?”, perguntaram essas parteiras eruditas. “Assim está escrito: Ora, se eu não conheço o significado de uma língua, serei como um bárbaro para aquele que fala, e aquele que fala também o será para mim.”
E continuam:
Tradução é o que abre a janela, para que a luz possa entrar; o que quebra a casca, para que possamos comer a noz; o que aparta a cortina, para que possamos olhar para o lugar santíssimo; o que remove a tampa do poço, para que possamos chegar à água, como Jacó rolou a pedra da boca do poço, de modo que os rebanhos de Labão fossem saciados.
É desses gestos que nasce o sentido.
MORTE A esperança de renascimento já está presente no próprio ato de criar um texto. Esse retorno à vida é um processo contínuo: leitor após leitor abre o livro na primeira página, e todos esses despertares sucessivos passam a fazer parte do próprio texto. A verdade é que nunca lemos o texto “original” – o que lemos é a história viva das suas leituras e releituras. Mas, antes de tudo, o texto precisa morrer.
Jean-Paul Sartre conta que, aos cinco anos, percebeu que a Morte o observava com o nariz encostado na janela. Depois disso, passou a ter um encontro com ela todas as noites, na cama. Era um ritual que ele sentia que precisava cumprir. Tinha que dormir de lado, virado para a parede,
e esperar, tremendo, até que a Morte aparecesse. Quando ela surgia, vinha na forma clássica: um esqueleto com uma foice. Só depois de vê-la é que Sartre sentia que tinha permissão para se virar para o outro lado. Então, a Morte desaparecia, e ele podia finalmente adormecer.
Esse também é o ritual que todo tradutor precisa cumprir. Permitir que a Morte se manifeste no texto –nas letras imóveis, no último suspiro da língua original.
Só depois de reconhecer essa presença é que o tradutor recebe a permissão para virar a última página e começar, de novo, pela primeira.
SOBRE O AUTOR
Escritor, tradutor, editor e crítico, Alberto Manguel é um cidadão argentino-canadense nascido em Buenos Aires em 1948. Publicou vários livros de ficção e não ficção, incluindo Uma história da leitura, Encaixotando minha biblioteca, Dicionário de lugares imaginários e, pelas Edições Sesc, O leitor como metáfora (2017), Notas para uma definição do leitor ideal (2020) e Alberto Manguel: uma vida imaginária (2025). Neste último, relata por meio de entrevistas suas experiências de vida e suas reflexões sobre livros, linguagem, memórias e afetos.
Recebeu diversos prêmios internacionais, entre eles o de Comandante da Ordem das Artes e Letras, da França, e o Prêmio Alfonso Reyes, em 2017, e o Prêmio Gutenberg, em 2018. É doutor honoris causa das universidades de Ottawa e York, no Canadá, e de Liège, na Bélgica, e da Anglia Ruskin em Cambridge, no Reino Unido. Foi diretor da Biblioteca Nacional da Argentina até agosto de 2018. Em setembro de 2020, doou sua biblioteca, composta de 40 mil volumes, para a cidade de Lisboa, onde passou a dirigir o Espaço Atlântida – Centro de Estudos da História da Leitura.
Fonte
Papel Impressão
Data
Alegreya e Alegreya Sans
Supremo Alta Alvura 250 g/m² (capa)
Pólen Bold 90 g/m² (miolo)
Pifferprint
Março de 2026
Neste livro, o escritor e tradutor argentino Alberto Manguel investiga a complexa arte de traduzir. Definida como uma experiência comunitária e, ainda, como a forma mais intensa de leitura, a tradução, assim como a arte, nasce da consciência do fracasso da linguagem em alcançar a perfeição, já que cada palavra carrega em si diversos sentidos. Em 44 breves notas, Manguel apresenta a tradução como um ato político, uma busca incessante pela inteligibilidade, e convida o leitor a contemplar o avesso das línguas, a beleza do erro, a hospitalidade das palavras e a eternidade das vozes que ecoam em cada nova tradução.
ISBN 978-85-9493-355-3