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Não violência: uma breve imersão

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uma breve imersão

NÃO VIOLÊNCIA

andrew fiala


uma breve imersão A coleção Uma breve imersão é dirigida a todas as pessoas que desejam começar a entender ou se aprofundar em temas atuais sobre ciência, filosofia, humanidades e ciências políticas e sociais. São livros que combinam rigor científico com linguagem acessível a diversos tipos de público.


uma breve imersão

NÃO VIOLÊNCIA


SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO Administração Regional no Estado de São Paulo Presidente do Conselho Regional Abram Szajman Diretor Regional Luiz Deoclecio Massaro Galina Conselho Editorial Carla Bertucci Barbieri Jackson Andrade de Matos Marta Raquel Colabone Ricardo Gentil Rosana Paulo da Cunha Edições Sesc São Paulo Gerente Iã Paulo Ribeiro Gerente Adjunto Francis Manzoni Editorial Clívia Ramiro Assistente: Thiago Lins Produção Gráfica Fabio Pinotti Assistente: Thais Franco


uma breve imersão

NÃO VIOLÊNCIA

andrew fiala

tradução ellen maria vasconcellos


Título original: No violencia: Una Inmersión Rápida Publicado mediante acordo com a Tibidabo Publishing, Inc. © Tibidabo Publishing, Inc., 2021 © Edições Sesc São Paulo, 2025 Todos os direitos reservados Preparação Flora Manzione Revisão Elba Elisa de Oliveira, Regina de Sá Projeto gráfico e capa Estúdio Daó (Giovani Castelucci e Guilherme Vieira) Diagramação Camila Catto

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) F439n Fiala, Andrew. Não violência / Andrew Fiala ; tradução de Ellen Vasconcelos – São Paulo: Edições Sesc, 2025. 176 p. (Coleção Uma Breve Imersão) Título original: No violencia: una inmersión rápida ISBN 978-85-9493-365-2 1 Não violência. 2 Movimentos sociais. 3 Resolução de conflitos. 4 Democracia. 5 Direitos civis. 6 Cidadania. I Maria Vasconcellos, Ellen. CDD 303.6 Ana Cláudia Martins – Bibliotecária CRB-8/8246

Edições Sesc São Paulo Rua Serra da Bocaina, 570 – 11º andar 03174-000 – São Paulo SP Brasil Tel.: 55 11 2607-9400 edicoes@sescsp.org.br sescsp.org.br/edicoes /edicoessescsp


nota à edição brasileira A Coleção Uma Breve Imersão é dirigida a todos que desejam começar a entender ou se aprofundar em temas atuais sobre ciência, filosofia, humanidades e ciências políticas e sociais. São livros de pequeno porte, que combinam rigor científico com linguagem acessível a diversos tipos de público. Baseado em estudos recentes, o presente livro busca esclarecer o que é a não violência, seu histórico, como podemos fazer uso dela e o porquê, além de discutir sua relação com a democracia. Explora fontes filosóficas e religiosas da não violência, abordando figuras históricas fundamentais como Liev Tolstói, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Desmond Tutu e Malala Yousafzai, entre outros. Analisa exemplos de protestos sociais, como os movimentos pelos direitos civis e de libertação colonial do século 20, a Primavera Árabe e o Black Lives Matter, sempre enfatizando o poder da não violência. Em um momento infelizmente ainda pontuado por guerras, conflitos internacionais e as mais diversas ameaças à democracia e à paz social, conhecer o conceito de não violência e práticas nela baseadas torna-se crucial. O diálogo, a negociação e a comunicação não violenta estão entre suas principais ferramentas no âmbito pessoal. Além delas, em contexto coletivo, é importante que as pessoas recorram às ruas, às redes sociais e aos tribunais como alternativa não violenta para defenderem seus direitos e suas posições. A prática da não violência e a disseminação desse conceito contribuem de modo capital para a construção de sociedades mais justas e pacíficas, pautadas por valores como respeito, tolerância, solidariedade e equanimidade. Ao editar este Não violência, no contexto da Coleção Uma Breve Imersão, o Sesc reafirma suas diretrizes no que tange à educação não formal, à promoção da cidadania e à reflexão sobre temas atuais por meio de sua programação, suas ações e suas publicações nas áreas de arte, cultura e ciências humanas. Com efeito, a publicação desta obra é um exercício de não violência em prol do respeito aos direitos humanos e da educação para uma cultura de paz e de participação social.


sumário 8

apresentação

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Introdução

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O que é a não violência? O “quem” e o “a quem” da não violência. Quem pratica a não violência? E a quem é direcionada? O “como” e o “porquê” da não violência leituras recomendadas sobre o autor


APRESENTAÇÃO


Chegamos agora a temas teológicos, místicos, e a questões relacionadas à realidade fundamental. Poderíamos agregar muito mais, uma vez que é possível que a não violência não seja nem a flor nem a raiz, mas sim o todo. O importante é que a não violência é mais bem compreendida em termos positivos, como o uso criativo e estratégico da força construtiva, e não como abstinência passiva da vida. A não violência compreende um amplo leque de ações e comportamentos. Quando a relacionamos com a abstinência de violência da vida ordinária, é fácil ver que a não violência é muito mais abrangente que a esfera da violência. Mais adiante, veremos como a violência tende a atrair a nossa atenção, de forma desproporcional ao seu poder e alcance reais. Isso ajuda a explicar por que se costuma ignorar ou diminuir seu valor, apesar de sua ubiquidade.

O PACIFISMO E A PAZ Os pacifistas são defensores da não violência. No entanto, nem todos os defensores da não violência são pacifistas e, na verdade, alguns são reticentes quanto a essa identificação. O termo foi cunhado muito recentemente: é encontrado nos trabalhos de Émile Arnaud, que o empregou no início do século 20, no contexto de uma argumentação contrária à guerra. Contudo, Gandhi e Luther King procuraram evitar esse termo, pois um problema do “pacifismo” é que soa como “pasiv-ismo”,

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o qual faz parecer que se trata de algo conformado, que não oferece resistência e se alinha ao status quo. O pacifismo às vezes também se relaciona com um absolutismo religioso extremo; em outras, se entende estritamente como uma rejeição às guerras internacionais. Além disso, como a raiz de pacifismo é “paz”, do latim pax, pode parecer afirmar que a paz é a única coisa que importa, o que é equivocado, já que os pacifistas costumam centrar-se em uma visão ampla da paz, que abrange o senso de justiça e da verdade. Uma situação que combina paz e justiça é o que chamam de “paz positiva”. Já o seu contrário, a “paz negativa”, seria aquela situação na qual não há violência evidente ou direta, mas em que a injustiça está presente. Poucos pacifistas estariam dispostos a trocar a justiça pela paz. A maior parte deles tem em mente algo mais amplo e positivo, e os defensores da não violência podem ter uma ideia de bem-estar semelhante à da paz positiva. No entanto, também é possível entender a não violência como um simples método ou estratégia de ação social e política. Alguns ativistas não violentos rejeitam o rótulo de pacifistas porque acreditam que os Estados têm o direito de se defender com a força militar. A questão importante aqui é se a violência, em suas várias formas, pode ser justificada. Os filósofos fazem distinção, por exemplo, entre o pacifismo absoluto e o pacifismo condicional, e também entre o pacifismo antiguerra, o pacifismo vocacional e o pacifismo pessoal. Esse campo conceitual é complexo e enredado. Alguns pensadores tentaram esclarecê-lo com novos termos, como Robert Holmes, por exemplo, que introduziu a expressão “não violentismo” (nonviolentism) para descrever um compromisso com a não violência que se distingue do pacifismo. Holmes e outros propuseram essa diferenciação

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justamente por conta do “pacifismo” (como compromisso ativo com a paz positiva) e do “pacificismo” (como termo exclusivo para a posição contrária à guerra). Mas essas distinções não tiveram grande aceitação e sucesso entre os ativistas e o público geral. Essa terminologia é uma convenção filosófica. Os rótulos não são uma preocupação importante dos ativistas que participam de ações não violentas, e essas distinções são difíceis de aplicar no mundo real.

A NÃO VIOLÊNCIA COMO FORÇA CONSTRUTIVA DE AMOR, VERDADE E JUSTIÇA A violência pode se definir como o uso deliberado da força destrutiva. Já uma definição de não violência pode se limitar a negar essa definição. A não violência é aquilo que não é deliberadamente destrutivo, porém, isso não significa que seja equivalente à destruição não deliberada, pois a destruição negligente deve ser remediada e evitada. Afinal, o núcleo da não violência é o oposto de qualquer força destrutiva, principalmente aquela combinada à falta de consentimento, e a essas violações da autonomia chamamos de dano ou lesão. Para os defensores da não violência, a violência é ruim porque é sempre danosa e lesiva. Até aqui, tudo bem. Contudo, ainda temos uma definição negativa da não violência, a de “força não destrutiva”.

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Leituras recomendadas


ACKERMAN, P.; DUVALL, J. A Force More Powerful. Nova York: St.

Martin’s Press, 2000.

BUTLER, J. The Force of Nonviolence. Londres: Verso, 2020. CHENOWETH, E.; STEPHAN, M. J. Why Civil Resistance Works:

the Strategic Logic of Nonviolent Conflict. Nova York: Columbia University Press, 2011. CORTRIGHT, D. Peace: a History of Movements and Ideas. Cambridge: Cambridge University Press, 2008. FIALA, A. (ed). The Routledge Handbook of Pacifism and Nonviolence. Nova York: Routledge, 2018. FIALA, A. Transformative Pacifism. Londres: Bloomsbury, 2018. HOLMES, R. L. The Ethics of Nonviolence: Essays by Robert Holmes. Londres: Bloomsbury, 2013. HOLMES, R. L. Pacifism: a Philosophy of Nonviolence. Londres: Bloomsbury, 2017. KURLANSKY, M. Nonviolence: 25 Lessons from the History of a Dangerous Idea. Nova York: Modern Library, 2006. SHARP, G. How Nonviolent Struggle Works. Boston: The Albert Einstein Institution, 2013. SHARP, G. The Politics of Nonviolent Action. Boston: Porter Sargent, 1973.

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Sobre o autor


Andrew Fiala, Ph.D. da Universidade Vanderbilt, é professor de filosofia e diretor do Centro de Ética da Universidade Estadual da Califórnia, em Fresno. Suas publicações incluem Simplicity, Transformative Pacifism, The Routledge Handbook of Pacifism and Nonviolence, The Peace of Nature and the Nature of Peace, The Bloomsbury Companion to Political Philosophy e Ethics: Theory and Contemporary Issues with Barbara MacKinnon. Fiala foi presidente da Concerned Philosophers for Peace. Ele escreve uma coluna semanal sobre religião, política e ética para o The Fresno Bree.

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Fontes

Lineal da Velvetyne e Elza e Silva da BlackLetra

Papéis

Capa em Supremo Alta Alvura 250 g/m² Miolo em Pólen Natural 80 g/m²

Impressão Maistype Data

Dezembro de 2025


Este livro oferece uma visão da não violência e responde às perguntas sobre o que é, como deve ser usada e quem deve empregá-la. A obra analisa exemplos de protestos sociais bem-sucedidos, desde os movimentos pelos direitos civis e pela libertação colonial do século 20 até a Primavera Árabe e os protestos contemporâneos do Black Lives Matter. Explora, também, fontes filosóficas e religiosas da não violência, discutindo figuras históricas importantes, como Liev Tolstói, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Desmond Tutu, Dalai Lama e Malala Yousafzai. Analisa, ainda, a relação entre não violência e democracia, ambas imprescindíveis para a construção de um futuro mais justo e harmonioso.

ISBN 978-85-9493-365-2


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