Edições Sesc São Paulo
A N AT U R E Z A CO M O C U LT U R A
Professor emérito da Universidade de
Esta biografia, fruto de décadas de pesquisa e amizade do biógrafo João Meirelles com o artista, revela, com fotos exclusivas e depoimentos inéditos, a trajetória de um homem que fez da arte sua trincheira na luta pela preservação ambiental. O livro apresenta a vida e a obra de Krajcberg, desde sua infância e juventude na Polônia até sua consagração como um dos maiores artistas brasileiros.
FR A NS K RAJ CB ERG
J A C Q UE S M AR C O V IT C H
Em meio à efervescência da arte brasileira contemporânea, um artista polonês encontrou seu lar e sua paixão: Frans Krajcberg, sobrevivente do Holocausto na Segunda Guerra Mundial, redescobriu a vida no Brasil e transformou sua dor em arte como um grito de alerta contra a destruição da natureza.
J OÃ O M E I R E L L E S
Embora seja nitidamente admirador da arte de Krajcberg e demonstre algum fascínio por sua personalidade mutante, Meirelles não passa do ponto. O autor se mantém invariavelmente sóbrio e contenta-se em repartir com os leitores opiniões que colheu durante a pesquisa longeva, cuidadosa e objetiva. A narrativa que acabo de comentar deixa, aqui e ali, pistas sobre a vida também significativa do próprio autor. Quando Rodrigo Mesquita foi eleito vice-presidente da SOS Mata Atlântica, convidou João, seu amigo, a militar voluntariamente naquela organização. Convite aceito e novas descobertas. A esses antecedentes somaram-se palavras ditas por Frans Krajcberg quando respondeu a uma pergunta de Meirelles: “E aos jovens, Frans, o que você tem a dizer a eles?”. Depois de um longo suspiro, o ermitão do sítio Natura respondeu: “Primeiro, que eles prestem mais atenção à natureza brasileira e a vejam com mais vagar e amor. [...] É preciso trabalhar, e muito, não parar um instante, a vida é muito curta, cada pequeno espaço do tempo deve ser preenchido com o enriquecimento e embelezamento da vida”. O ativista, iluminado pelas palavras candentes de Krajcberg, descobriu um projeto de vida que revigora, permanentemente, suas ideias sobre a Amazônia. E, nas pausas de uma faina construtiva e solidária, escreve livros como este, que enriquecem a literatura biográfica do Brasil e do mundo.
JOÃO MEIRELLES
F RA N S A N AT U R E Z A CO M O C U LT U R A
KR A JC B E RG
O ativista socioambiental e escritor João Meirelles conquista o leitor já nas primeiras linhas deste livro, quando explica a decisão de escrevê-lo. Registra dúvidas sobre algumas informações prestadas, em vida, pelo biografado. Aponta, com grande leveza e sem excessos de censura, esse traço na personalidade de Frans Krajcberg. Para Meirelles, intelectual experiente, não deve ter sido grande novidade o comportamento mitômano de um homem que foi escultor, pintor e fotógrafo, e cuja sensibilidade manifestava-se de forma tão criativa que, às vezes, atropelava a verdade. Nesta obra, magnificamente escrita, o tríplice artista age e reage com todos os contornos de um personagem ficcional. Cabe destacar a corajosa honestidade intelectual do biógrafo ao comentar informações que lhe foram dadas pelo biografado e que checagens posteriores não confirmaram. O polonês por vezes parecia um Jay Gatsby da vida real, inventando um passado para si como forma de aplacar aflições antigas e incômodas. Essas ressalvas do biógrafo aparecem numa prosa que, em seu conjunto, engrandece o artista Frans Krajcberg, minimizando todas as dúvidas. Lembro-me agora de que o próprio Meirelles já dissera que a presença de Frans mudou sua vida – o que explica o fato de escolher, como projeto existencial, a defesa da natureza. João Meirelles consegue, neste livro, decifrar Frans Krajcberg e mostrá-lo sem retoques. A fusão do homem e do artista é feita com o distanciamento de um psicólogo ou de outro dedicado estudioso da natureza humana.
São Paulo, da qual foi reitor.
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