Luis Gallo - テ]gel Miranda
Para que tenham vida O projecto de Jesus Cristo
Ediテァテオes Salesianas
Para que tenham vida
© Luis Gallo / Ángel Miranda © 2004. EDITORIAL CCS, Alcalá, 166 /28028 MADRID © 2007 Edições Salesianas Rua Dr. Alves da Veiga, 124 Apartado 5281 4022-001 PORTO www.edisal.salesianos.pt edisal@edisal.salesianos.pt Tel. 225 365 750 Fax. 225 365 800 ISBN: 978-972-690-543-1 DL: 253494/07 Tradução: Alcinda Marinho; Rui Alberto Paginação: rAP Capa: Paulo Santos
Introdução O empenho na evangelização é resposta a uma vocação: a de servir a humanidade no seu crescimento humano e cristão, na senda do Evangelho de Jesus Cristo. Quem assume essa tarefa, fá-lo na consciência de ter sido convocado, através das mais variadas circunstâncias, por Aquele que há dois mil anos desafiou o mundo para um projecto fascinante. Usando a terminologia do tempo, exprimiu-o na fórmula “Reino de Deus”. Hoje, procurando uma fórmula mais compreensível, dizemos “vida abundante para todos”. A esse projecto, Ele dedicou com paixão e tenaci dade todas as suas energias. Para o actuar, reuniu homens e mulheres à sua volta e enfrentou a morte na cruz. Quem hoje assume esse mesmo projecto e quer caminhar na sua peugada deve conhecer as suas linhas principais para poder desen volver uma acção que se situe, de facto, na mesma direcção. “Quem não recolhe comigo, dispersa” (Mt 12, 30) disse Jesus em certa ocasião. São um apelo aos seus seguidores de todos os tempos. É importante recolher com Ele para termos a certeza de recolher para a vida abundante como Ele. Este livro foi escrito com a intenção de ajudar a revisitar essas linhas. Foco as principais, começando pelas mais radicais, aquelas que se referem ao fundamento mais profundo da acção a desenvolver e prosseguindo com aquelas que as clarificam e aprofundam. Apresento a figura de Jesus de Nazaré na perspectiva da sua vocação pessoal a servir o reino de Deus. Por detrás desta vocação estava a fonte última de onde brotava toda a sua actividade e em que Ele fundava toda a sua existência, o Deus a que Ele chamava entusiasmado como “paizinho”; detenho-me também na força impulsionadora que o movia e o sustentava no seu agir, o Espírito de Deus. A estes temas fundamentais seguem-se outros, que com eles têm forte ligação. São temas que interessam de perto a todos aqueles que
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O querem seguir: a convocação de homens e mulheres feita por Ele a levar avante o seu projecto e as opções por Ele realizadas no seu serviço ao reino de Deus. Os últimos temas referem-se à comunidade que recolheu a sua proposta depois da sua morte e ressurreição e que a continua no tempo movida pelo seu Espírito: a Igreja. Tento perceber a sua razão última de existir no mundo, as exigências de vida e organização que do seu fundador derivam. Desejo que tudo quanto aqui ofereço possa ser de verdadeira utilidade a todos os que fazem da sua vida um empenho generoso a favor da vida abundante dos seus irmãos.
1 Jesus de Nazaré, uma vocação ao serviço do Reino de Deus Jesus de Nazaré, que a fé proclama como Cristo, Senhor e Filho de Deus, é, para todos os cristãos, um modelo supremo de vida e de compromisso. O seu papel de modelo inultrapassável, porém, estende-se igualmente à sua resposta ao chamamento divino para que se pusesse ao serviço dos seus irmãos. Neste primeiro capítulo, procuraremos apresentar este modelo, tal como aparece nos textos do Novo Testamento e, particularmente, nos evangelhos. Para isto, concentrar-nos-emos na pessoa de Jesus enquanto Mestre, O qual: •
utiliza a sua vida para uma finalidade concreta: a implantação e desenvolvimento do Reino de Deus;
•
espera a chegada do Reino de Deus, à imagem dos membros do Seu povo;
•
tem do Reino de Deus uma ideia diferente, que procura tornar real através de acções concretas, dirigidas a pessoas espe cíficas e à transformação da sociedade;
•
entende a Sua entrega como um serviço aos outros;
•
permanece fiel até à morte.
A nossa reflexão procurará, como é natural, efectuar uma aproximação, directa ou indirecta, à realidade comunitária em que estamos comprometidos. Por outro lado, não será tarefa difícil fazer uma primeira extrapolação, do simples enunciado dos títulos dos capítulos da obra, para a figura e missão dos cristãos que se esforçam por seguir as pisadas do Mestre.
Para que tenham vida
1.1 Uma vida dedicada a um fim É frequente encontrar, entre os membros das nossas comunidades, motivações muito diferentes quando se trata de assumir um compromisso com um modelo pastoral: •
a sobrevivência e o emprego,
•
a imagem social que a escola projecta sobre quem com ela se relaciona,
•
as condições oferecidas para o desenvolvimento mais cómodo das tarefas familiares ou profissionais.
Por vezes, os cristãos exibem mudanças de atitude visíveis, de acordo com a evolução da situação do momento. Ao invés, se lermos os evangelhos ficaremos surpreendidos com a determinação com que age Jesus de Nazaré, o seu protagonista principal. Há n’Ele algo que chama a atenção de quem quer que se apro xime, sem preconceitos, da Sua maneira de viver: a focalização da Sua existência em torno de um fim concreto. O Seu existir não decorre à deriva, no meio das vagas de um mar de circunstâncias ou acontecimentos favoráveis ou adversos. Pelo contrário, em Jesus podemos descobrir uma experiência solidamente ancorada num ponto firme, que lhe dá a estabilidade e consistência. Aqueles que nos legaram a Sua memória nos evangelhos, embora A tenham filtrado através da fé que abriu os seus olhos para que, em profundidade, vissem a Sua identidade real, esforçaram-se por conservar a base histórica dos acontecimentos, e foi com veneração que nos relataram as palavras do Mestre, as Suas obras e actos. Entre estes, há alguns que permitem apreender a extrema polarização de Jesus em torno de uma intenção de fundo que conferia sentido a tudo o que fazia.
Jesus de Nazaré, uma vocação ao serviço do Reino de Deus
1.2 O fogo e o tesouro Um dos elementos que exprimem a finalidade última da presença de Jesus entre nós é resumido no Evangelho de São Lucas: “Eu vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já se tivesse ateado!” (Lc 12, 49). Este “Eu vim”, que voltamos a encontrar outras vezes, tanto nos evangelhos sinópticos (Mt 5, 17; 9, 13; 10, 34, etc.), como no de João (Jo 3, 2; 5, 43; 7, 28; etc.), exprime o sentido último da Sua presença no mundo, a razão suprema da Sua existência e da Sua missão. Neste caso, o sentido e a razão são traduzidos em termos de fogo, um fogo que dentro do Seu peito ardia como um vulcão. Um fogo que pretendia contagiar o mundo inteiro. Tratava-se de um fogo impossível de circunscrever, uma energia que O movia a partir de dentro, numa direcção concreta, posta em evidência ao longo dos Seus discursos e dos Seus actos. Outra parábola, desta feita de Mateus (Mt 13, 44), a do tesouro, pode ajudar-nos a compreender a razão última do compromisso de Jesus com o Reino: “O Reino dos Céus é parecido com um tesouro escondido num campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra o campo”. Com esta parábola, Jesus procura salientar a atitude de entrega total que começa a despontar dentro do indivíduo quando recebe o anúncio do Reino de Deus e compreende o seu verdadeiro valor. O Reino é um tesouro que, quando descoberto, provoca uma alegria impossível de conter, como o fogo da passagem anterior de São Lucas, uma alegria tão profunda que leva a “vender tudo o que se possui” para conseguir comprar o campo.
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Naturalmente, embora o facto não seja mencionado, a primeira pessoa a quem esta pequena parábola pode referir-se é o próprio Jesus, que, com o fito de obter o tesouro encontrado, entregou tudo o que tinha e tudo o que era. Por este motivo se fez Mestre de vida no meio da Sua gente, chegando a entregar até, a Sua própria existência.
1.3 Sim, mas... O mesmo aconteceu a outras pessoas que queriam seguir Jesus, como podemos ver na conversa que Ele teve com duas pessoas que chamou a segui-lO: E disse a outro: “Segue-Me”. Mas ele respondeu: “Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar o meu pai.” Jesus disse-lhe: “Deixa que os mortos sepultem os seus mortos. Quanto a ti, vai anunciar o Reino de Deus” (Lc 9, 59-60). Disse-lhe ainda outro: “Eu vou seguir-Te, Senhor, mas primeiro permite que me despeça da minha família”. Jesus respondeu-lhe: “Quem olha para trás, depois de deitar a mão ao arado, não é apto para o Reino de Deus”. (Lc 9, 61-62). Para lá do valor destas afirmações, deparamos aqui (Mt 5, 29; Lc 14, 26; etc.), uma vez mais, com frases paradoxais e características da cultura semítica, que põem em evidência o modo de Jesus viver – com decisão e firmeza nas Suas opções, até ao limite –, e o nível de decisão que o Mestre exige a quem O deseja seguir. Para Jesus, nada pode vir primeiro que a obediência a este chamamento, nem sequer aquilo que as leis normais da convivência humana pareceriam exigir, como as relações filiais ou a deferência para com os mortos. De facto, quando Lucas nos diz que “à medida que se aproxi mavam os dias em que ia ser separado do mundo, dirigiu-Se decidida mente para Jerusalém” (Lc 9, 15), está-nos a mostrar a decisão interior com que Jesus empreende a Sua caminhada, apesar dos perigos que
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esta envolve. Mais uma vez, aparece a personalidade forte de Jesus, que O leva a sacrificar a sua vida em prol de um fim concreto. E, nos momentos mais difíceis, quando tudo parece falhar, Jesus, indo buscar forças ao sofrimento, escolhe levar até às últimas consequências a missão que carrega nas mãos, entendida como vontade do Pai, sem vacilar, nem sequer perante a própria morte. É na fatigante Oração no Horto, a qual, nas palavras de Lucas, O faz suar sangue (Lc 22, 44), que Jesus demonstra, no limite, que acredita que algo ou Alguém o apoiará até ao fim na entrega da Sua própria vida. A narrativa destes acontecimentos permite-nos compreender o compromisso do Mestre como resposta ao chamamento do Outro e, mais concretamente, daquele Deus a quem Jesus chamava “Abbá”, “papá” (Mc 14, 36).
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1.4 Para o trabalho de grupo Fogo, tesouro, segue-Me, risco... são palavras extraídas dos evangelhos – muitas outras se poderiam, certamente, citar –, através das quais podemos entender a determinação com que Jesus se manteve fiel ao objectivo da Sua vida, revelado à luz de Deus. A partir da nossa experiência, podemos analisar: 1. Quais os motivos profundos que fundamentam a minha acção pastoral,
como profissional,
como catequista, animador...,
como crente,
como membro de uma equipa.
2. Que significado adquirem, no âmbito do nosso comportamento, os conceitos que Jesus exprime quando fala:
do fogo,
do tesouro escondido,
da hesitação em O seguir,
de levar o chamamento até ao limite.
3. Redige uma “carta-oração” do Mestre a Deus enquanto “Abbá”, expondo os aspectos da tarefa educativo-pastoral que tens em mãos. 4. Podes ampliar a procura, na Bíblia, de outras passagens interpretadas desde o ponto de vista de quem deseja ir ao encontro de um Deus que acompanha e fundamenta a sua acção educativa. 5. E porque não partilhar estas ideias com outros colegas?
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2 Jesus de Nazaré e a espera do Reino de Deus
Israel era uma nação que sempre tinha vivido em estreita ligação com o Deus Iavé, em virtude da sua experiência histórica, pontuada por acontecimentos de enorme importância, que se tornaram decisivos: –
o êxodo do Egipto,
–
a aliança no Sinai,
–
a conquista da Terra Prometida,
–
a monarquia,
–
o exílio da Babilónia,
–
o regresso à Terra Prometida.
Um fio condutor entrelaçava todos estes acontecimentos entre si e com a grande promessa de bênção realizada por Iavé a Abraão: “E todas as famílias da Terra serão em ti abençoadas” (Gen 12, 3).
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2.1 Tempo do “Messias”? Israel aguardava o Reino de Deus com uma ânsia carregada de esperanças messiânicas: •
Deus tornaria visível o Seu Reino através da acção de um homem sobre o qual teria derramado o Seu próprio Espírito (Is 11,1-2; 42,1; 61,1).
•
O “Messias” seria descendente do Rei David, que permanecia na memória histórica de Israel como o modelo do Rei conforme ao coração de Deus.
Foram, sobretudo, os profetas que mantiveram viva a esperança da realização da grande promessa do Messias, anunciando a vinda futura de Deus para estabelecer o Seu Reino entre o Seu povo, bem como em todas as nações do mundo (Is 24, 23; Jer 10, 10; Sof 3, 15; Mal 1, 14; etc.). Com a Sua vinda, tudo mudaria, e a Sua bênção cobriria a Terra. No tempo de Jesus a espera era febril, especialmente entre os diversos grupos que se tinham ido formando dentro da nação de Israel: fariseus, essénios, zelotes, saduceus, seguidores de João Baptista, etc. Cada um deles tinha, a seu modo, organizado a sua existência em torno da espera do Reino de Deus. Também a gente comum, o chamado povo, esperava, à sua maneira, este acontecimento. Gritavam a Deus lamentando-se, como os hebreus haviam feito no Egipto (Ex 2, 3), esperando uma intervenção desse mesmo Deus que viesse introduzir uma mudança radical no estado das coisas. É no quadro desta espera difusa e febril que temos que situar Jesus e a Sua história, de forma a entendermos melhor o Seu genuíno significado. Não será, por isso, excessivo dedicar alguns capítulos à análise de algumas questões que nos permitirão perceber como Jesus de Nazaré considerava a Sua vida como encarnação da figura do Messias.
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Isto ajudar-nos-á a compreender certas diferenças entre a pers pectiva que enformava a esperança messiânica de um Povo de Deus que, no final, não foi capaz de compreender que o “Messias” já tinha chegado, e o Reino de Deus que, segundo Jesus, já estava entre eles.
2.2 Desde o início... O evangelista Marcos exprime, de forma bastante sintética, o início da actividade de Jesus, já como adulto, nos seguintes termos: Depois de João ter sido preso, Jesus foi para a Galileia, e proclamava o Evangelho de Deus, dizendo: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho» (Mc 1,14-15: cf Mt 4,17). Partindo do processo de formação humana e religiosa vigente entre o povo hebreu, temos bastantes motivos para supor que Jesus tenha chegado gradualmente e, em especial, através da leitura das escrituras, à dupla convicção de que: •
tinha chegado o tempo da realização da profecias, e que
•
Ele mesmo era o Eleito, Aquele que foi chamado por Deus para realizar esta missão e fazê-la conhecer ao povo inteiro.
Não há qualquer dúvida de que Jesus conhecia as escrituras, e não só pelo uso que faz delas durante a Sua vida. À imagem de qualquer outro judeu, Jesus tinha percorrido o trajecto formativo que o Seu povo tinha amadurecido ao longo de uma experiência de séculos, extensa e complexa. Este itinerário educacional pressupunha diferentes etapas e os vários agentes implicados no processo – família, escola e, com maior ou menor intensidade, o meio social – desempenhavam nele um papel importante. Podemos, por isso, afirmar que a humanidade e a religiosidade de Jesus foram tomando forma, sobretudo, no decurso de um itinerário deste género.
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2.3 Eu vim para... Os evangelhos dão testemunho da ideia que as primeiras comunidades cristãs tinham formado a partir das convicções de Jesus. Há dois textos que evidenciam esta realidade. O primeiro é o texto anteriormente citado de Marcos (Mc 1, 4-15); o segundo, um pouco mais prolixo, é o texto paralelo do evangelista Lucas (Lc 4, 16-18): [Jesus] veio a Nazaré, onde tinha sido criado. Segundo o costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-Se para ler. Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito: «O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-Me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor». Em ambas as passagens, como se pode ver, encontra-se substancialmente presente a ideia de que é chegado o tempo em que se cumprirão as promessas de Deus. Neste sentido, torna-se ainda mais incisivo o texto de Marcos, que deixa claro que o trabalho de Jesus revolve em torno da convicção da chegada iminente do Reino de Deus.
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2.4 O que era para Jesus o “Reino de Deus”? Depreende-se, dos evangelhos, que Jesus não concebe o Reino de Deus exactamente como o terão entendido os diversos grupos exis tentes no Seu tempo. Jesus não era fariseu, nem essénio, nem zelote, nem saduceu, nem sequer discípulo de João Baptista, embora tivesse origem na mesma matriz religioso-cultural e, eventualmente, tivesse pontos em comum com todos estes grupos. O Reino que Jesus anuncia com entusiasmo e paixão é muito diferente. É de uma importância vital perceber a diferente abordagem de Jesus, uma vez que este ponto constituiu o ponto central e decisivo da Sua missão e, em última análise, da identidade concreta do Mestre. Cristo nunca se preocupou em esclarecer conceptualmente o que entendia por “Reino de Deus”. Como seria normal em qualquer outro semita, a mentalidade de Jesus encontrava-se mais ligada à acção, sendo através desta que se exprimia o Seu pensamento. Por este motivo, o caminho mais exequível para compreender o que Jesus pensava do Reino de Deus passará por fazer uma análise do seu “exercício do Reino” (E. Schillebeeckx), através da qual poderemos descobrir o que, para o Messias, significava esta expressão. Para tal, atentaremos em: • a acção de Jesus em relação às pessoas individuais: a cura das doenças corporais, os exorcismos e o perdão dos pecados. E em •
a acção social de Jesus, que oferece novas respostas a certos elementos de divisão social, como, por exemplo, as dife renças entre:
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homens justos e injustos,
pobres e ricos e poderosos e
homens e mulheres.
2.5 A cura das doenças Os evangelhos, e em especial os sinópticos, oferecem-nos, em primeiro lugar, numerosas narrativas de cura de maleitas físicas, algumas delas extraordinárias: leprosos purgados da sua doença, cegos a quem foi restituída a visão, surdos que começam a ouvir pela intervenção do Senhor, mudos que recuperam a fala, paralíticos que começam a caminhar quando Jesus assim o ordena, etc. Encontramo-nos perante um conjunto de narrativas que evidenciam o desejo de Jesus de livrar o corpo dos homens e das mulheres com que travava conhecimento de tudo o que os transformava em seres infelizes e sofredores, projectando sobre eles a energia revitalizante que sentia dentro de Si mesmo (Mc 5, 30). Da pessoa de Jesus emanava uma força de vida (Lc 6, 19), que afastava os homens e as mulheres do reino da morte e os devolvia à vida. Por isso, cada cura representava uma “ressurreição parcial”, imagem das ressurreições que Jesus havia operado em diferentes ocasiões: •
a da filha de Jairo (Mc 5, 35-42),
•
a do filho único da viúva de Naim (Lc 7, 11-16) e
•
a de Lázaro, em Betânia (Jo 11, 1-44).
As intervenções de Jesus projectam, assim, uma luz que nos ajuda a entender o significado do Reino de Deus que o Mestre proclama, na medida em que explicam como Deus estabelece a Sua soberania eliminando as doenças corporais, as quais não passam de uma manifestação, ainda que parcial, da morte. Deus triunfava sobre as enfermidades fazendo-as desaparecer.
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2.6 Os Exorcismos Os exorcismos realizados por Jesus encontram-se, também, ampla mente documentados nas narrativas evangélicas. Para compreender o seu significado, é preciso levar em conta que os povos antigos em geral – e Israel não era uma excepção nesta matéria – atribuíam à acção de espíritos malignos determinadas manifestações que podiam produzir sérios desequilíbrios nas pessoas. Para muitos destes indivíduos, certas doenças, em especial aquelas que hoje denominamos como “funcionais”, eram o resultado da presença de espíritos malignos nas pessoas. Isto fazia parte de uma perspectiva mais ampla, segundo a qual o mundo era como um campo de batalha onde se digladiavam, por um lado, Deus, Espírito que dá a vida, e, por outro, os espíritos malignos, também chamados “impuros”, causadores da morte. A intensa actividade desenvolvida por Jesus como exorcista adquire sentido no âmbito deste quadro de referência, na medida em que o Senhor aparece perante os espíritos impuros, inimigos do homem, como “O mais forte”, Aquele que triunfa sobre eles e lhes retira as armas (Lc 11, 22). Também nestes casos a força presente em Jesus age vitoriosamente, devolvendo aos homens e às mulheres a sua integridade, facto que lhes permite entender melhor o significado da soberania de Deus: a expulsão e a recusa de tudo aquilo que não nos deixa viver uma vida normal e saudável, de tudo o que nos impede de sermos felizes.
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2.7 O perdão dos pecados Finalmente, nas narrativas evangélicas existem numerosas passagens em que Jesus aparece perdoando os pecados. Basta atentarmos nos seguintes casos: •
o paralítico que os amigos fazem descer até ao terraço descoberto da casa de Cafarnaúm (Mc 1, 40-42),
•
a mulher que, durante um banquete, lava os pés do Senhor com as suas lágrimas e os enxuga com os seus cabelos (Lc 7, 36-50),
•
a outra mulher surpreendida pelos fariseus em flagrante adultério (Jo 8, 3-11).
Para compreender cabalmente o valor destas intervenções, é necessário levar em consideração que, no tempo de Jesus, entre os diferentes significados do termo “pecado” que aparecem na Bíblia, tinha-se consolidado um, que entendia o pecado como uma dívida que transparece cada vez que uma pessoa se confronta com Deus. Quem pecava transgredindo a lei era visto como um devedor face a Deus, perspectiva claramente reflectida na parábola do servo que não queria perdoar ao companheiro a dívida que este tinha para com ele (Mt 18, 23-35). Para saldar a dívida para com Deus, era necessário praticar diferentes rituais prescritos pela Lei de Moisés (Lv cc. 4-5), coisa que não era muito fácil a inúmeras pessoas do estrato social mais baixo, uma vez que careciam dos meios necessários para a execução destes ritos. Este facto implicava que muitas pessoas, em especial as mais pobres, ficavam com os seus pecados na consciência, com o subsequente sentimento de culpa e outras consequências pessoais e sociais pertinentes. Entretanto, Jesus perdoava-lhes estes pecados em nome de Deus, coisa que provocava escândalo entre os doutores da lei, ao passo que produzia um alívio profundo naqueles que eram perdoados.
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Uma vez mais, mediante o perdão dos pecados, Jesus fazia compreender às pessoa que o Reino de Deus consistia na eliminação dos pecados e das suas consequências mortificantes no coração dos homens e das mulheres com os quais travava conhecimento.
2.8 Síntese Através das curas, dos exorcismos e do perdão dos pecados de cada indivíduo, Jesus exibia sinais que permitiam compreender melhor o significado que dava ao Reino de Deus por Ele anunciado. Era como se dissesse que este era um Reino que irrompia entre as pessoas, pelo menos de forma parcial, quando: •
eram retirados da sua triste condição de doentes, ou quando,
•
no seu interior, eram destruídas as forças negativas que não lhes permitiam serem eles mesmos, ou quando
•
se livrava o seu coração do peso da culpa e da dívida contraída para com Deus.
Tudo consistia em: •
eliminar todas estas formas de morte para
•
dar espaço à vida, e para
•
favorecer a irrupção da soberania de Deus no mundo.
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2.9 Para o trabalho de grupo 1. Podemos fazer uma síntese do significado que tem, para a nossa vida como cristãos, a realidade do REINO DE DEUS.
O Reino que esperamos como crentes.
O Reino que os nossos destinatários esperam.
O Reino que esperam as famílias dos nossos destinatários.
O Reino que a sociedade à nossa volta espera.
2. “Eu vim para...”
É entre todos que devemos procurar definir a “missão” da nossa comunidade, ou seja, a sua razão de ser, os elementos que a distinguem das restantes instituições de ensino... Para que nasceu a nossa comunidade?
3. Comparando a missão da nossa comunidade com as expectativas das pessoas ou dos grupos que dela fazem parte, discutimos as consequências da nossa opção de que a Igreja seja um reflexo ou posto avançado do Reino em relação a:
as “doenças” que deve curar,
os “demónios” que deve expulsar,
os “perdões” que deve conceder.
4. O mais provável é que este debate nos aproxime mais, quer como educadores, quer como pessoas, das atitudes e ideias de Jesus acerca das exigências do Reino que Ele anunciou, e que, de certa forma, colocou nas nossas mãos. 5. Teremos coragem de rezar o “venha a nós o Vosso Reino” do Pai Nosso? Será que colocamos condições a esta vinda? Porquê? Em que casos? Com que pessoas?
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3 O Reino, uma mudança social Jesus de Nazaré, na Sua actividade em prol do Reino anunciado, para além de agir em benefício de indivíduos singulares, também participava activamente na transformação do ambiente social do seu povo. Tinha consciência de que os indivíduos não eram ilhas, mas seres que existiam no seio de uma teia de relações múltiplas que urdem toda a convivência humana. As intervenções do Senhor acerca da chegada do Reino tinham como foco, de modo bastante decisivo, algumas situações sociais concretas, pelo que será interessante analisá-las para conhecer melhor a Sua forma de conceber o Reino de que falava. O objectivo é, aqui, aproximar a nossa análise de algumas inter venções condicionadas, em grande medida, pelos conflitos então existentes e operantes no âmbito da convivência colectiva em Israel, de maneira a entender melhor o comportamento de Jesus face aos mesmos. Conhecer o posicionamento de Jesus perante estas situações permitir-nos-á perceber outros elementos, definidores do modo como o Senhor encarava o sistema social à luz do Seu objectivo de estabelecimento da soberania de Deus. Neste sentido, existem três aspectos que, individualmente e no seu conjunto, nos ajudarão a descobrir as perspectivas que regiam as relações humanas no tempo do Senhor: •
a relação entre justos e pecadores,
•
a relação entre ricos e pobres e
•
a relação entre homens e mulheres.
271
Índice Introdução ������������������������������������������������������������������ 5 1
Jesus de Nazaré, uma vocação ao serviço do Reino de Deus ����������������������������������������������������������������� 7 1.1 Uma vida dedicada a um fim.........................................8 1.2 O fogo e o tesouro........................................................9 1.3 Sim, mas......................................................................10 1.4 Para o trabalho de grupo.............................................12
2
Jesus de Nazaré e a espera do Reino de Deus ������ 13 2.1 Tempo do “Messias”?..................................................14 2.2 Desde o início..............................................................15 2.3 Eu vim para.................................................................16 2.4 O que era para Jesus o “Reino de Deus”?.....................17 2.5 A cura das doenças......................................................18 2.6 Os Exorcismos..............................................................19 2.7 O perdão dos pecados.................................................20 2.8 Síntese.........................................................................21 2.9 Para o trabalho de grupo.............................................22
3
O Reino, uma mudança social ����������������������������� 23 3.1 Os justos e os pecadores..............................................24 3.2 A escolha de Jesus.......................................................25 3.3 Ricos e pobres..............................................................26 3.4 A escolha de Jesus.......................................................27 3.5 Homens e mulheres.....................................................27 3.6 A escolha de Jesus.......................................................28 3.7 O Reino anunciado por Jesus: uma definição.......................29
272
Para que tenham vida 3.8. Algumas características do Reino..................................29 3.9 A dedicação de Jesus enquanto serviço........................31 3.10 Para o trabalho de grupo............................................32
Fiel até à morte ��������������������������������������������������� 33
4
4.1 As relações legalistas com Deus....................................34 4.2 O puro e o impuro.......................................................34 4.3 Outros conflitos institucionais......................................36 4.4 O sistema religioso do Templo......................................36 4.5 Perigoso e em perigo...................................................38 4.6 Para o trabalho de grupo.............................................39 5
O Pai de Jesus, fonte íntima do Seu serviço ao Reino de Deus ����������������������������������������������������� 41 5.1 O Deus de Israel...........................................................42 5.2 O culto e a vida...........................................................43 5.3 A novidade religiosa de Jesus.......................................44 5.4 Justos e pecadores.......................................................46 5.5 Um amor incondicional................................................47 5.6 Um culto em espírito e em verdade..............................48 5.7 De modo mais concreto...............................................49 5.8 Para o trabalho de grupo.............................................50
6
A relação pessoal de Jesus com Deus ������������������ 51 6.1 A oração de Jesus........................................................52 6.2 Um Deus que chama para enviar em missão.................53 6.3 Um povo sacerdotal.....................................................54 6.4 Na vanguarda dos povos..............................................55 6.5 A chamada do Deus de Jesus.......................................56 6.6 Um Deus que precisa de nós........................................57
273 6.7 A experiência de Jesus..................................................59 6.8 Para o trabalho de grupo.............................................60 7
O Espírito de Deus, força impulsionadora de Jesus ao serviço do Reino ��������������������������������������������������������������������61 7.1 Jesus, homem espiritual...............................................62 7.2 O Espírito no Antigo Testamento..................................63 7.3 Uma ideia em evolução: Isaías......................................64 7.4 Jesus, movido pelo Espírito para o cumprimento do Seu serviço.........................................................................65 7.5 A água........................................................................66 7.6 Para o trabalho de grupo.............................................67
8
As manifestações do Espírito em Jesus ���������������� 69 8.1 Espírito filial.................................................................70 8.2 As cartas de Paulo........................................................71 8.3 O Espírito manifesta-se como fraternidade...................72 8.4 Outros casos................................................................73 8.5 Irmão universal............................................................74 8.6 O Espírito, ternura para com os mais pequenos............75 8.7 O Espírito, liberdade absoluta......................................76 8.8 Livre face à Lei.............................................................78 8.9 Livre face ao poder religioso.........................................79 8.10 Livre face ao prestígio..................................................80 8.11 O Espírito, fonte de uma intuição profunda..................... 81 8.12 Um olhar até ao mais íntimo.......................................83 8.13 Profeta........................................................................84 8.14 Capaz de ler a presença de Deus.................................85 8.15 Os sinais dos tempos...................................................86 8.16 Para o trabalho de grupo............................................87
274 9
Para que tenham vida
Um serviço partilhado em função da missão ������� 89 9.1 As respostas ao chamamento.......................................90 9.2 Outros chamamentos..................................................91 9.3 Para além dos doze......................................................92 9.4 Os que não quiseram ou não puderem........................94 9.5 Chamados a dar forma ao Reino de Deus.....................95 9.6 Para o trabalho de grupo.............................................97
10
Os objectivos de Jesus ����������������������������������������� 99 10.1 A relação com Deus no Reino....................................100 10.2 As relações pessoais no Reino....................................101 10.3 Encorajados a viver os valores do Reino.....................102 10.4 A partilha..................................................................103 10.5 A utilização das riquezas...........................................104 10.6 Partilhar é multiplicar................................................105 10.7 A prática dos crentes.................................................106 10.8 O serviço...................................................................107 10.9 O Meu Reino não é deste mundo..............................108 10.10 O exemplo de Jesus.................................................109 10.11 Os primeiros cristãos...............................................110 10.12 A indiferença face ao prestígio e ao estatuto...........111 10.13 Com os publicanos e os pecadores..........................112 10.14 O exemplo de Jesus.................................................113 10.15 O maior do Reino....................................................115 10.16 Os primeiros discípulos............................................115 10.17 A solidariedade aberta.............................................117 10.18 O exemplo de Jesus.................................................118 10.19 Aqueles que Me quiserem seguir.............................119 10.20 Os primeiros discípulos............................................121 10.21 Convidados a servir uma missão..............................122
275 10.22 Os primeiros cristãos...............................................123 10.23 Para o trabalho de grupo........................................124 11
A Igreja, uma resposta à chamada de Jesus na História �������������������������������������������������������������� 125 11.1 11.2 11.3 11.4 11.5 11.6
12
O Concílio Vaticano II, primeiro passo para a mudança ����������������������������������������������������������� 133 12.1 12.2 12.3 12.4 12.5 12.6 12.7 12.8 12.9 12.10 12.11 12.12
13
Um Concílio para a mudança..................................126 O abandono de uma certa concepção da Igreja.......127 Trento e o Vaticano I..............................................128 As relações internas na Igreja..................................129 As relações da Igreja com o mundo.........................130 Para o trabalho de grupo........................................132
Uma igreja de comunhão.......................................134 As relações internas na Igreja.................................135 Igreja Universal - outras Igrejas...............................136 As relações da Igreja com o mundo........................137 A maturidade do processo conciliar........................138 A relação da Igreja com o mundo..........................139 A relação Igreja- Salvação.......................................140 Igreja universal-Igrejas particulares ........................141 O período pós-conciliar..........................................142 A Igreja dos pobres ...............................................143 Salvação = Libertação............................................144 Uma escolha encarnada no tempo.........................145
A comunidade dos discípulos de Jesus ao serviço do Reino de Deus como salvação do mundo ����� 147 13.1 A ideia tradicional de salvação...................................148
276
Para que tenham vida 13.2 Fruto de uma mentalidade helenística.......................149 13.3 Outras influências culturais........................................150 13.4 Um concepção em crise............................................151 13.5 A Salvação na Bíblia..................................................152 13.6 O Êxodo....................................................................153 13.7 A Páscoa...................................................................154 13.8 Nova cultura – Nova compreensão............................155 13.9 Para o trabalho de grupo..........................................157
14
Comunidade ao serviço da vida ������������������������� 159 14.1 Uma perspectiva existencial-individualista da Salvação 160 14.2 O papel de Jesus Salvador nesta forma de ver a realidade .................................................................................161 14.3 Uma perspectiva “histórico-pragmática” da Salvação 162 14.4 Morte-Vida................................................................163 14.5 O papel de Cristo-Salvador segundo este modo de ver as coisas....................................................................164 14.6 Convergências e diferenças........................................165 14.7 Que género de Salvação para a Igreja actual?............166 14.8 Uma parábola: o bom samaritano.............................167 14.9 Para o trabalho de grupo..........................................169
15
Igreja, uma comunidade de fé em redor da Palavra de Deus ������������������������������������������������������������� 171 15.1 O conceito de fé.......................................................171 15.2 Fé e adesão às doutrinas propostas pela Igreja..........172 15.3 Uma recente renovação na concepção de fé................. 174 15.4 A fé nas fontes bíblicas.............................................175 15.5 Os crentes em Jesus Cristo........................................177 15.6 Viver em comunhão de fé........................................179 15.7 Ortodoxia e ortopráxis..............................................181
277 15.8 15.9 15.10 15.11 15.12 16
Os graus no acolhimento da fé...............................182 A fé e os ritmos pessoais........................................183 A dimensão profética da fé....................................184 O serviço profético na actualidade..........................187 Para o trabalho de grupo........................................190
A Igreja, uma comunidade que celebra a salvação �191 16.1 16.2 16.3 16.4 16.5 16.6 16.7
A luta dos profetas pela autenticidade do culto.......191 O culto no Novo Testamento...................................193 O culto segundo o Vaticano II.................................196 O sentido do culto litúrgico.....................................198 O conceito de “celebração”.....................................199 As celebrações eclesiais...........................................201 Para o trabalho de grupo........................................206
17. Os
membros laicos da Igreja, protagonistas do serviço eclesial ��������������������������������������������������� 207 17.1 Uma nova forma de ver as coisas...............................208 17.2 As coisas temporais...................................................209 17.3 Homens e mulheres da Igreja “no coração do mundo”.. ............................................................ 210 17.4 A Gaudium et Spes: realidade e desafios...................212 17.5 O fermento da massa................................................213 17.6 Profeta-Sacerdote-Rei................................................214 17.7 Promotores de Vida...................................................216 17.8 Co-responsáveis, como muitos outros........................217 17.9 Entre os laicos, os jovens...........................................217 17.10 Compromisso jovem na Igreja.................................218 17.11 Para o trabalho de grupo........................................219
278 18
Para que tenham vida
Homens e mulheres do mundo “no coração da Igreja” ��������������������������������������������������������������� 221 18.1 Profetas da Palavra de Deus na História.....................222 18.2 Concelebrantes da fé comum....................................223 18.3 Ao serviço dos próprios irmãos..................................224 18.4 Diversidade na responsabilidade................................225 18.5 As associações e movimentos laicos...........................226 18.6 Critérios de eclesialidade...........................................228 18.7 O lugar da mulher na Igreja.......................................229 18.8 Entre a ambiguidade e o futuro................................230 18.9 Para o trabalho de grupo..........................................231
19
O serviço pastoral na Igreja ������������������������������� 233 19.1 Nas primeiras comunidades......................................233 19.2 O Concílio Vaticano II................................................235 19.3 O serviço da “responsabilidade última”......................236 19.4 Pastores na Igreja local..............................................239 19.5 O serviço do bispo.....................................................241 19.6 O serviço dos presbíteros...........................................242 19.7 O serviço dos diáconos..............................................243 19.8 Dois sublinhados.......................................................244 19.9 Pastores na Igreja universal........................................245 19.10 O serviço do Papa, bispo de Roma, à Igreja..............248 19.11 Pedro nos séculos....................................................253 19.12 O serviço doPapa à Igreja universal..........................254 19.13 Para o trabalho de grupo........................................257
279 20
Os cristãos religiosos e as cristãs religiosas na Igreja ����������������������������������������������������������������� 259 20.1 Alguma referência histórica.......................................259 20.2 O serviço eclesial dos cristãos e cristãs religiosas........261 20.3 O seu serviço próprio e peculiar.................................262 20.4 Uma forma de vida eclesial mais permanente ...........264 20.5 Especialistas do futuro...............................................265 20.6 O seu serviço comum................................................267 20.7 Para o trabalho de grupo..........................................269