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A Palavra do Domingo Ano C

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Álvaro Ginel - Mari Patxi Ayerra

A palavra do Domingo Comentário e oração Ano C

Edições Salesianas


Ficha técnica © 2006 Mari Patxi Ayerra / Álvaro Ginel © 2006 EDITORIAL CCS, Alcalá 166 / 28028 MADRID © 2006 EDIÇÕES SALESIANAS Rua Dr. Alves da Veiga, 124 4022-071 PORTO Tel. 225365750 Fax. 225365800 www.edisal.salesianos.pt edisal@edisal.salesianos.pt Tradução: Antero Ferreira Paginação: rAP Capa: Paulo Santos Impressão: Edições Salesianas Encadernação e acabamentos: Humbertipo ISBN: 972-690-531-8 DL: 246153/06


APRESENTAÇÃO Quem se atreve a fazer um livro destes com a quantidade de material para a pregação que se pode encontrar na internet? Não temos uma resposta clara e imediata. Queríamos fazer isto e fizemo-lo. E pronto. Além disso, o calor de um livro é diferente da frieza de um computador. Mais ainda: lançámo-nos um desafio – de fazer os três ciclos. E cumprimos. Com este volume completamos o trabalho de comentar e rezar a Palavra. E para nós foi uma experiência rica. Nada é igual a nada, mesmo que tudo seja bastante semelhante. Nós lemos e rezámos desta maneira a Palavra dos Domingos e Festas. Fizemo-lo com calma para que tu, que talvez não tenhas calma, possas saborear os matizes que a calma deixa nascer. Aqui apresentamos o que fomos elaborando no silêncio. Sabemos que há comunidades e pessoas que estão “cativadas” por este tipo de abordagem da Palavra de Deus, que a liturgia nos propõe como alimento espiritual no “dia da reunião”, “dia do Senhor”, no Domingo. Em que estávamos a pensar quando o escrevemos? Nos encarre­ gados de proclamar a Palavra aos outros. Têm uma grande responsabilidade. O “metro” que a gente simples usa para “dar nota” ou classificar as celebrações, aplica-se de maneira muito especial à homilia. Se a homilia “não diz nada” a celebração nada diz e é enfadonha, mesmo que não seja longa. Uma celebração chega à vida se a homilia tem a ver com a vida das pessoas que nela participam. Investir na preparação da homilia é um dos maiores investimentos que a comunidade cristã tem de fazer através de quem preside à Eucaristia. Mas também pensámos no número cada vez maior de crentes que compram um livro de comentário da Palavra e o lêem em casa, o meditam e o rezam... Sobretudo se na comunidade onde celebram, a homilia costuma ser daquelas que “não dizem nada”.


É certo que a homilia exige que se conheçam os elementos básicos da técnica de comunicação. Quem escuta as homilias são as mesmas pessoas que ouvem rádio, vêem televisão com técnicos de comunicação. Mas a homilia não é só técnica de comunicação. Nem sequer a técnica é o mais importante. Possivelmente há pregadores dos que “nos tocam” que nunca terão assistido a um curso de comunicação, e o que dizem chega-nos até ao mais fundo. É que a Palavra ouvida e depois rezada tem a força de uma espada de dois gumes. A homilia é a Palavra de Deus exposta com calor e com expressão viva para animar a vida e a fé dos crentes. Isso exige que quem ouve se coloque com fé diante da Palavra, a escute e a deixe falar até que penetre na medula da sua vida. A homilia é “o prato variado” da celebração cristã: a Palavra de Deus, a vida dos homens, a realidade do mundo e da Igreja, a fé, a esperança, as formas de expressão, a oração... Todos estes elementos convergem nesses 5 ou 10 minutos de homilia que em algumas ocasiões são “eternos” e noutras nos fazem dizer “que bom”... “pena que já tenha acabado”. O livro foi escrito desta maneira: • Leitura e meditação do texto do Evangelho e da 1ª leitura, principalmente. • Elaboração do comentário. • Leitura do comentário e avaliação do que ele sugeria. • Leitura dos textos bíblicos. • Elaboração da oração. Algumas vezes o leitor verá que se repetem os temas de maneira diferente: como proposta de reflexão e como redacção oracional. De certo modo era o que se pretendia. Não ficou tudo dito ou tudo rezado com o que aqui propomos; isto é o começo para outras reflexões e outras orações. Ninguém esgota a Palavra. Ninguém diz tudo o que a Palavra leva dentro como gérmen


e vida. Ninguém reza de forma a esgotar a oração. Falta a tua reflexão e a tua oração. Nós podemos escrever a nossa, mas a tua, não. Damos-te um espaço de silêncio para que depois a faças, na continuação do que te propomos. O que aqui fizemos foi para convidar à escuta e à oração sobre a Palavra. Fazemos votos de que o encontro que vais ter com a Palavra e, através dela, com Deus, seja para ti uma experiência de encontro que te faça ver e pensar como Deus é, vê e pensa.

Mari Patxi Ayerra, autora das orações. Álvaro Ginel, autor dos comentários e introduções.


Advento


Primeiro domingo do Advento Jeremias 33, 14-16 1 Tessalonicenses 3, 12-4,2 Lucas 21, 25-28.34-36

Atenção! Não se embote a vossa mente nem o vosso coração!

Ler e compreender No meio de uma situação de medo e consternação, em que tudo se desmorona e não fica pedra sobre pedra... aparecerá o Filho do Homem como alicerce de tudo, pondo as coisas no seu lugar. Deus é Senhor do céu e da terra. Esta cena de hecatombe que Lucas nos descreve não me parece diferente das cenas que eu vivo em homens e mulheres próximos de mim. Há pessoas muito agarradas a “coisas”. As coisas são a sua segurança. Quando chega o imprevisto desmoronam e tudo lhes vem abaixo. “Não imaginas como está abatida tal pessoa. Está destroçada. Não faz mais que chorar”. Esta pessoa (e tantas outras) pôs a confiança no carro novo, nas férias que tinha programado, nos planos que tinha feito, nos amigos que a apoiavam... Tudo se desmoronou! Nem o carro, nem as férias, nem o dinheiro do banco resolvem a doença do filho, nem a quantidade de contratempos que vão surgindo e não estavam previstos. A que me agarro? Onde tenho pé firme? No seu esquema mental não há Alguém, não está o Senhor, que está acima dos reveses da vida... Que levados somos a esquecer o essencial! Somos de uma massa tal que o momento presente basta para nos embotar a mente. E quando queremos despertar estamos amarrados pelo caduco e por coisas que não têm consistência. De novo Advento para despertar do sono. O convite da Palavra de Deus tem duas insistências: Espera e atenção. Estar atento é a atitude própria de quem espera. E a espera põe-nos atentos. Quando esperamos alguém ou alguma coisa, qualquer movimento nos faz assomar à janela, ou supor que é a chegada da pessoa que esperamos, do acontecimento previsto... Basta lembrar as “esperas à 10


porta da sala de operações”, o silêncio que se faz quando se ouvem uns passos ou se abre a porta. Quando esperamos de verdade, nada nos passa despercebido.

Orar a Palavra TU CONHECES OS MEUS PENSAMENTOS Tu, Senhor, sabes por onde anda a minha mente. Tu sabes o que me distrai. Tu estás ao par do que me ocupa e preocupa. Tu lês no meu interior melhor do que eu mesmo. Não permitas, Senhor, que me afaste de Ti. Não deixes que me distraia com prazeres falazes, com ocupações que não constroem reino, preocupações pelo poder, o prestígio ou o dinheiro. Leva-me pela mão, meu Deus, para que saiba caminhar pela vida de forma sã, abrindo-me cada vez mais ao mundo e às pessoas, sendo construtor de outra forma de vida e de relação. Limpa-me de medos, de apegos e de caprichos, livra-me de desejos insaciáveis e de gastos supérfluos, faz-me sensível à dor dos meus irmãos e ajuda-me a trabalhar pela justiça para que todos vivam bem. Quero manter-me direito, levantar a cabeça, dar a mão e esperar com os meus irmãos a Tua libertação que chega. Tranquiliza-nos, acalma-nos por dentro, faz-nos despertar, para que Te esperemos com alegria e gozemos juntos a Tua presença.

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Segundo domingo do Advento Baruc 5, 1-9 Filipenses 1, 4-6.8-11 Lucas 3, 1-6

João grita: Por onde passa o Messias tudo muda.

Ler e compreender A expressão “uma voz clama no deserto” fez-me recordar cenas dos nossos dias quando vemos anunciados personagens que dão conferências, concertos, conferências de imprensa... Apraz-nos estar perto dos ídolos, e gabamo-nos disso, depois, dizendo: “ Eu conheço, eu assisti... Eu vi-o em tal ocasião”. No fundo intuímos que além da natural curiosidade, das pessoas importantes sempre sai algum raio de luz ines­ perado para a nossa existência, alguma palavra orientadora, algo que nos deixa uma “marca” na vida. Algo de parecido aconteceu com a pregação de João num lugar e num tempo concreto, que Lucas tem o cuidado de precisar. João é um profeta, um homem habitado por Deus, com Palavra de Deus dentro do seu coração. A Palavra de Deus veio a João (não foi ele a procurá-la), e João acolheu-a e prega-a. O itinerário normal da Palavra de Deus é de uns para os outros. S. Paulo dirá que a fé se propaga pelo ouvido (Rom. 10, 17). Deus tem interesse porque qualquer um O acolhe, se deixa habitar e mudar por Ele, O vive como interessante e O comunica a outros. Deus, com uma imagem moderna, dá-se a conhecer mais pela publicidade do “boca a boca”, do que por grandes campanhas publicitárias. De facto o lugar onde se passam estas coisas que Lucas nos apresenta é o deserto, onde não há câmaras, onde o importante não é que “uma coisa seja notícia”, mas que Deus aterre no coração de alguém de maneira simples. Porquê esta actuação de Deus? Porque Deus não vem nem para ser instrumentalizado nem para que o instrumentalizemos. Deus vem para que nos convertamos, para que mudemos por dentro. Deus não é 12


uma coisa mais para comprar ou para vender. Deus é alguém a quem se acolhe porque sim, porque se deseja pacificar o coração e viver “como Deus manda”. Deus é “notícia” e “tem interesse” para aqueles que estejam dispostos ao que é novo, a mudar, a fazer “reformas” na sua vida. O Deus que vem e que João anuncia como próximo não pode conviver com os que não querem mexer na sua vida. Deus entra no coração removendo e mudando tudo porque exige que organizemos tudo pondo-o a Ele como primeiro. Deus vem para aplanar caminhos, para endireitar o que está torto. Deus vem para ser salvação. É possível que muitos oiçam, mas não se interessem em mudar nada. Chegam momentos e situações na vida das pessoas em que tudo se faz para “não mudar de vida”. Deus muda-nos.

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Orar a Palavra PAULO PEDIA PELOS IRMÃOS Como Paulo queremos pedir por todos os nossos irmãos, com alegria esfuziante, com a boca cheia de riso, com o entusiasmo da boa notícia, com a certeza de que fomos eleitos pelo Senhor. Queremos ser profetas e anunciar-Te, mesmo que a nossa voz pareça perdida no deserto, mas não podemos calar a alegria que nos vai dentro, porque sabemos que estamos em Tuas mãos, nosso Deus. Porque conTigo o tempo da dor e o tempo do quotidiano, se convertem em festa e em fecundidade, em algo que nos desperta da mediocridade ou nos convida a amar ainda com mais paixão. Todos temos parte da Tua boa notícia e queremos gritá-la aos quatro ventos neste tempo em que se adoram outros deuses, mas em que Te necessitamos mais que nunca, ó Pai. Queremos ser profetas da alegria que tanta falta faz, temos de ser testemunhas da solidariedade que tanto urge, temos de saber contagiar o compromisso de viver a justiça, necessitamos ser, conTigo, uma oferta melhor de plenitude. Aqui nos tens, Senhor, para que nos envies...

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Terceiro domingo do Advento Sofonias 3, 14-18 Filipenses 4, 4-7 Lucas 3, 10-18

Ler e compreender

João responde de maneira prática aos que lhe perguntam o que têm que fazer: “Não exijais mais do que o que está permitido”. “Não podeis extorquir nada”. “Não vos aproveiteis da gente simples”. Isto entende-se bem. João acrescenta ainda uma meta que os que começam a fazer coisas justas talvez consigam descobrir: “Vem outro que é maior que ele”. O que se propõe como algo a ser feito não é para se cruzar os braços, nem para se contentar numa mera repetição de actos; é para se abrir a outra presença, a outra realidade, a Outro. Diante do Outro que vem, a pergunta prática terá que dar lugar a esta nova pergunta: Quem é este? Em que tenho que acreditar? A quem tenho de aceitar como água de vida e de plenitude de Deus na minha vida? A conversão ao próximo é o caminho para a conversão a Deus. 15

O começo é: Que temos que fazer? O final: Quem é este?

Que temos que fazer? é uma pergunta prática. É a pergunta que, segundo Lucas, fazem as pessoas a João que prega no deserto. Por estranho que pareça há pessoas que vão ao deserto em busca “de algo diferente”, como há em nossos dias pessoas que buscam “outra coisa”, sem que sai­bam muito bem o que querem; mas espreitam aqui e além para verem onde é que se proclama a “novidade”. São as pessoas que têm muita rotina na vida. A gente simples não está disposta a respostas complicadas. Querem coisas práticas, concretas, para não se perderem em teorias. As teorias deixam-nas para “os que sabem”. João aceita como ponto de partida a pergunta prática. É a primeira etapa de um itinerário muito mais longo.


João, ao pregar, coloca-se no seu lugar. Não ocupa o lugar de Jesus. João anuncia o que “baptizará com o Espírito Santo”. A conversão que Jesus traz não será possível só com as forças humanas. Quem quiser converter-se ao Messias dá-se conta de que precisa da ajuda do Espírito. O povo estava na expectativa, sublinha S. Lucas. E como espera, procura e vai ao deserto e faz perguntas. Quando esperamos alguma coisa com intensidade, mobilizamo-nos; é certo que às vezes temos a tentação de confundir o esperado com o primeiro que nos apareça. Mas na atitude de expectativa, o importante é que nada nos passa despercebido, porque estamos sensibilizados, abertos e receptivos. A missão de João consiste em ajudar a distinguir o verdadeiro do falso. Chama-nos a atenção a delicadeza de João em pedir que não se centrem nele. Quem fala do Messias não é o Messias. Simplesmente orienta para que escutem e acolham o Messias... O profeta diz que o que vem é “a plenitude do que desejamos”: em sua mão traz a “forquilha para limpar o trigo”, para chamar as coisas pelo seu nome, para marcar caminho de verdade e de felicidade. Ter expectativas, viver em expectação é o essencial. Sem um mínimo de expectação, ainda que tenhamos diante de nós o que de melhor podíamos desejar, não o reconheceremos.

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Orar a Palavra QUERO VIVER COMO TU, JESUS Quero saber seguir as Tuas pistas de vida, mas apego-me às minhas túnicas, e até penso que não posso viver sem elas. E procuro a segurança dos meus livros, enceleiro comida, colecciono músicas, tenho mil caprichos... que só Tu conheces.

Quero estar desamarrado, ser livre, não me apegar às coisas, para que não se tornem donas de mim... Mas para isso preciso de estar mais cheio de Ti, mais perto dos Teus filhos necessitados, mais atento à Tua mensagem, mais convencido de que só Tu nos enches, nos acalmas as ansiedades e os desejos. Quero deixar-me ensinar por Ti, a olhar, a gostar, a tocar, a escutar, a contemplar, a admirar, a agradecer, a surpreender-me, a necessitar menos coisas, a provocar encontros, a fazer festa, a celebrar a vida, a Amar como Tu. Quero gozar da Tua presença no silêncio e esvaziar-me, para deixar que Tu me enchas totalmente.

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Quarto domingo do Advento Miqueias 5, 2-5 Hebreus 10, 5-10 Lucas 1, 39-45

Servir o outro como preparação para receber o Messias.

Ler e compreender Encontro no auge: duas futuras mães, Maria e Isabel, estão frente a frente com o fruto do seu ventre. De um se dirá que é o Homem, o Filho de Deus feito homem, o Homem perfeito. De João o mesmo Jesus afirmará: “Nenhum nascido de mulher é maior que ele” (Lc. 7, 28). Termina um tempo, o antigo; começa o novo, a plenitude dos tempos. A Mãe do Redentor visita a mãe do Precursor. A chegada de Maria enche Isabel do Espírito que tinha tornado Maria mãe. Esta cena da Visitação recorda tantas cenas da nossa vida diária, em que somos visitados por aqueles que amamos e nos amam. Visitar é dar importância ao outro, é um acto de serviço. Também nas visitações simples da nossa vida se nos enche a alma de vontade de viver e de elogiar os que nos levantam o moral. Há ocasiões em que dizemos: “Tenho que ir visitar a... Tenho que telefonar a... (outra maneira mo­ derna de visitação), porque sei que está mal, ou que precisa de mim, ou precisa de apoio”. Maria sente que Isabel precisa dela. Isabel, ao ver a prima, entoa a primeira das bem-aventuranças dirigidas a Maria: “Bendita és tu”. Sim, bendita: porque te fizeste serva, és mãe; porque consentiste que Deus realizasse em ti o seu projecto, és agora terra e fruto de Deus; porque te fizeste de Deus, Deus mora no teu seio, é fruto das tuas entranhas. Assim, Maria às portas da Natividade, está a apontar-nos qual é a verdadeira atitude para que Deus nasça no coração dos que querem acolhê-Lo. Não basta esperá-Lo, nem se remedeia tudo desejando a Deus. A expectação ou espera de Deus tem que traduzir-se em deixar 18


que Deus seja Deus, ou, com outras palavras, em dizer como Maria: “Aqui está a serva do Senhor. Sou terra em que Deus pode fazer o que quiser. Deixo que Deus realize em mim a sua obra....” Deus faz-se tanto mais íntimo nosso quanto mais servos nos tornarmos, quanto mais “espaço nosso” lhe dermos. A tradução prática de ser servos é, simplesmente, dispormo-nos a servir quem necessita. Porque Maria permitiu que Deus entrasse no seu ser, na sua vida, no seu plano de vida, pode agora levar Jesus aos demais. Aonde ela vai, vai o Filho que está nela. O profeta que Isabel leva dentro salta e reconhece aquele que ele deverá anunciar... Preparar o caminho do Senhor e esperar n’Ele não se faz fechando‑se em si mesmo. Deus vem entremeado com as acções que realizamos pelos que precisam de nós. Oh! se acreditássemos que quem nos leva ao encontro com Deus são as pessoas a quem damos a mão! Porque “dar a mão” não é só gesto “humanitário”. É, sobretudo, profecia: acção de Deus que nos faz descobrir a necessidade do outro. O Deus em quem acredito é que me lança ao serviço daqueles que necessitam de mim. Aqui está o “modelo mariano” de preparação para acolher e reconhecer o que vem como Messias e Salvador.

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Orar a Palavra SENHOR, DÁ-ME A SIMPLICIDADE DE MARIA Tu que conheces minha pequenez e minhas dúvidas, Tu que sabes da minha fraqueza e incoerência, Tu que controlas as minhas idas e vindas, sabes que quero viver conTigo e para Ti, Senhor. Quero saber dizer-Te um sim como o de Maria, a mulher simples que não necessitou representar de humilde, que Te deixou realizar nela o teu milagre e que reconheceu todas as Tuas maravilhas. Ela, tua mãe, com sua vida falava do Teu Amor, com sua disponibilidade comunicava entrega, deixando-Te agir, ensinou-nos a confiar, reconhecendo as Tuas maravilhas demonstrava simplicidade. Tua mãe, Jesus, que fazendo-se escrava se tornou grande, confiando em Deus nos salvou a todos, deixando-se possuir, iluminou o mundo, enchendo o seu coração de alegria, ensinou-nos a crer. Maria, mãe de Jesus representa todas as mães, as que não o conseguem ser e as que o interrompem, as que vivem com dor a sua maternidade, as que não sabem usufruí-la e as que vêem seus filhos morrer de fome. Cuida das famílias, Maria, mãe e mestra, acompanha homens e mulheres neste caminhar, sara os separados e mal-amados e ajuda-nos a todos a viver melhor.

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Natal e Epifania

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Natal do Senhor (Missa do Galo) Isaías 9, 2-7 Tito 2, 11-14 Lucas 2, 1-14

Ler e compreender

Nasceu-vos um Salvador: o Messias, o Senhor.

Natal é a afirmação de que apareceu sobre a Terra um Homem fora do comum. Augusto, o imperador de turno, quer recensear a população do seu Império. No momento em que a prepotência civil quer ter os dados dos súbditos, aparece um Homem fora do normal, inclassificável, diante do qual muitos se perguntarão: Quem é Este que fala com autoridade; quem é Este a quem obedecem os elementos da natureza? (Mc 1, 22; 4, 41). Sim, o que chega sai fora do normal; parece mais um e o é na verdade, mas é muito mais. Na sua humanidade abriga também a divindade de Filho de Deus. E esta será a grande dificuldade: quem O quiser acolher terá que aceitar que na aparência de um homem normal se esconde a divindade. É o Filho da promessa. Parece quase inconcebível que Deus possa ser tão “normal”. Deus rasga-nos todos os esquemas. No fundo, os homens quereríamos que Deus fosse menos humano, mais distante, que tivéssemos que O amansar e conquistá-Lo com acções externas. Mas aparece-nos frágil. Com sacrifícios de animais não é possível reconhecê-Lo, mas só com confissão de fé. Esta noite acordamos para celebrar que Deus é um Menino envolto em fraldas e deitado numa manjedoura por não ter melhor sítio! Nada estranho. Que sítio damos a Deus na nossa vida? Porque o não ter lugar físico não é nada mais do que verificar que não tem lugar no coração, de que são os corações que estão ocupados, que fecham (não abrem) as portas... “Não, não há lugar aqui no meu coração!”. “Não, o meu coração já está cheio de deuses. Mais outro? Não, por favor. Para mais, este é especial...Vem com pretensão de arrasar todos os outros... 22


Onde Ele está, não há lugar para os deuzinhos. É demasiado para poder reconhecê-Lo e aceitá-Lo”. E no entanto, poderemos sonhar com uma notícia melhor do que o nascimento deste Menino divino? Ninguém nos fará tão livres como Ele. Nada nos dará tantas asas para voar na plenitude do possível como Ele. Ninguém nos dará tantas provas de amor como Ele. Ninguém nos falará de Deus Pai como Ele. Ninguém nos olhará com tanta profundidade e afecto como Ele. Ninguém nos descobrirá os segredos do nosso coração como Ele.

Orar a Palavra NOITE DE FESTA Bem-vindo, Senhor, a este mundo, a todos os corações dos pobres, às famílias que não Te conhecem, aos que nunca de Ti ouviram falar, aos que andam distraídos com outros deuses, aos que, pela dor, não têm noite de Natal, aos que vivem em saudade, aos doentes que hoje sentem a dor, a todos os que hoje se sentem sós, aos que do dinheiro fizeram o seu deus, aos que têm a família desfeita, aos que hoje não têm ceia, aos atingidos pelo desemprego, aos reformados que se sentem inúteis,

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Ă?ndice Advento.........................................................................9 Primeiro domingo do Advento......................................... 10 Segundo domingo do Advento......................................... 12 Terceiro domingo do Advento......................................... 15 Quarto domingo do Advento........................................... 18 Natal e Epifania..........................................................21 Natal do Senhor (Missa do Galo).................................. 22 Natal do Senhor (Missa do dia)....................................... 25 Sagrada FamĂ­lia............................................................... 28 Santa Maria, MĂŁe de Deus (1 de Janeiro)...................... 31 Segundo domingo depois do Natal.................................. 34 Epifania do Senhor (Domingo depois de 6 de Janeiro) 37 Baptismo de Jesus (Domingo depois da Epifania)........ 40 Quaresma....................................................................43 Quarta-feira de Cinzas..................................................... 44 Primeiro domingo da Quaresma...................................... 47 Segundo domingo da Quaresma...................................... 50 Terceiro domingo da Quaresma....................................... 53 Quarto domingo da Quaresma......................................... 56 270


Quinto domingo da Quaresma......................................... 59 Domingo de Ramos......................................................... 62 Tríduo Pascal..............................................................65 Quinta-feira Santa (Missa da Ceia do Senhor)................ 66 Sexta-feira Santa.............................................................. 68 Sábado de silêncio........................................................... 71 Vigília Pascal................................................................... 74 Tempo de Páscoa........................................................77 Domingo de Ressurreição (Missa do dia)........................ 78 Segundo domingo da Páscoa........................................... 81 Terceiro domingo da Páscoa............................................ 84 Quarto domingo da Páscoa.............................................. 87 Quinto domingo da Páscoa.............................................. 90 Sexto domingo da Páscoa................................................ 93 Ascensão do Senhor......................................................... 96 Sétimo domingo da Páscoa.............................................. 99 Domingo de Pentecostes (Missa do dia).......................... 102 Tempo Comum.........................................................107 Santíssima Trindade (Domingo depois do Pentecostes).. 108 Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.............................. 111 Segundo domingo Comum.............................................. 114 271


Terceiro domingo Comum............................................... 117 Quarto domingo Comum................................................. 120 Quinto domingo Comum................................................. 123 Sexto domingo Comum................................................... 126 Sétimo domingo Comum................................................. 129 Oitavo domingo Comum................................................. 132 Nono domingo Comum................................................... 135 Décimo domingo Comum................................................ 138 Décimo primeiro domingo Comum................................. 141 Décimo segundo domingo Comum................................. 144 Décimo terceiro domingo Comum.................................. 147 Décimo quarto domingo Comum.................................... 150 Décimo quinto domingo Comum.................................... 153 Décimo sexto domingo Comum...................................... 156 Décimo sétimo domingo Comum.................................... 159 Décimo oitavo domingo Comum..................................... 162 Décimo nono domingo Comum....................................... 165 Vigésimo domingo Comum............................................. 168 Vigésimo primeiro domingo Comum.............................. 171 Vigésimo segundo domingo Comum............................... 174 Vigésimo terceiro domingo Comum................................ 177 Vigésimo quarto domingo Comum.................................. 180 Vigésimo quinto domingo Comum.................................. 183 272


Vigésimo sexto domingo Comum................................... 186 Vigésimo sétimo domingo Comum................................. 189 Vigésimo oitavo domingo Comum.................................. 192 Vigésimo nono domingo Comum.................................... 195 Trigésimo domingo Comum............................................ 198 Trigésimo primeiro domingo Comum............................. 201 Trigésimo segundo domingo Comum.............................. 204 Trigésimo terceiro domingo Comum............................... 207 Trigésimo quarto domingo Comum. Cristo Rei ............. 210 Principais festas do ano...........................................213 25 de Janeiro: Conversão de S. Paulo.............................. 214 2 de Fevereiro: Apresentação do Senhor......................... 217 19 de Março: S. José, esposo da Virgem Maria............... 220 25 de Março: Anunciação do Senhor............................... 223 1 de Maio: S. José Operário............................................. 226 1º Domingo de Maio: Dia da mãe................................... 229 13 de Maio: Nossa Senhora de Fátima............................ 231 30 de Maio: Visitação da Virgem Maria.......................... 235 Sagrado Coração de Jesus................................................ 238 24 de Junho: Nascimento de S. João Baptista................. 241 29 de Junho: S. Pedro e S. Paulo..................................... 244 25 de Julho: S. Tiago Apóstolo........................................ 247 273


6 de Agosto: Transfiguração do Senhor........................... 249 15 de Agosto: Assunção de Nossa Senhora..................... 252 8 de Setembro: Natividade de Nossa Senhora................. 255 14 de Setembro: Exaltação da Santa Cruz....................... 258 15 de Setembro: Nossa Senhora das Dores..................... 261 1 de Novembro: Todos os Santos.................................... 264 8 de Dezembro: Imaculada Conceição de Maria............. 267

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