Ao cuidado de CENTRO STUDI “OPERA DEI TABERNACOLI VIVENTI”
Leva-Me Contigo! A Obra dos Sacrários Vivos nos manuscritos originais da Serva de Deus Vera Grita
Apresentação de Ir. François-Marie Léthel, OCD e Roberto Carelli SDB
SALESIANOS EDITORA
Calogero Marino Obispo de Savona - Noli
Si concede il nulla osta per la pubblicazione del libro “Portami con te!”. L’Opera dei Tabernacoli Viventi nei manoscritti originali di Vera Grita. A cura del CENTRO STUDI “OPERA TABERNACOLI VIVENTI” (MILANO) Savona, 25 luglio 2017.
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Sociedad de San Francisco de Sales casa generalizia salesiana
Via della Pisana 1111 - 00163 Roma El Rector Mayor
Prot. 17/0297 Roma, 29 de julho de 2017 Tive ocasião de conhecer a Obra dos Sacrários Vivos, fruto da experiência mística de Vera Grita (1923-1969), Salesiana Cooperadora, e fui informado da nova edição do livro com as Mensagens dirigidas a ela por Jesus. Por este motivo, agradeço de coração ao Senhor pelo dom concedido à Igreja e à Congregação Salesiana para reavivar a fé e o amor na presença eucarística de Jesus que deseja alcançar e transformar a vida dos homens e das mulheres no nosso tempo. Abençoo esta Obra desejando que possa corresponder cada vez melhor ao escopo para que foi inspirada e suscitada. Autorizo e encarrego a nossa Postulação Geral a acompanhar todos os passos necessários para que a Obra, em colaboração com o Centro de estudos Obra dos Sacrários Vivos, continue a ser estudada, promovida na nossa Congregação e reconhecida pela Igreja, em espírito de obediência e de caridade. Que a Imaculada Auxiliadora, primeiro sacrário vivo, e dom Bosco, apóstolo da Eucaristia, intercedam por esta Obra e a amparem para que possamos ser sinais portadores do Amor eucarístico aos homens e mulheres do nosso tempo e em particular aos jovens.
Reitor Maior 5
= ÁNGEL F. CARDENAL ARTIME Reitor Mor Sociedade de São Francisco de Sales
Prot. 24/0384 Roma, 16 de julho de 2024 Memória da Virgem Santa Maria do Monte Carmelo Nestes anos, conheci e apreciei a Obra dos Sacrários Vivos, fruto da experiência mística da Serva de Deus Vera Grita (19231969), Salesiana Cooperadora, e agradeço ao Senhor pelo dom concedido à Igreja e à nossa Congregação Salesiana de reavivar a fé e o amor na presença eucarística de Jesus, que deseja alcançar e transformar a vida dos homens e das mulheres do nosso tempo. Desejando que a Obra dos Sacrários Vivos responda cada vez melhor ao objetivo que a inspirou e suscitou e continue a ser estudada e promovida na nossa Congregação e reconhecida pela Igreja, em espírito de obediência e caridade e em continuidade com o carisma e a missão salesiana expressos no lema de Dom Bosco: “Da mihi animas coetera tolle”, DECRETO a criação do Centro de Estudos Obra dos Sacrários Vivos e ao mesmo tempo agrego-o à Pia Obra do Sagrado Coração de Jesus, aprovando os Estatutos anexos. Maria Imaculada Auxiliadora, Primeiro Sacrário Vivo, e Dom Bosco apóstolo da Eucaristia, intercedam e apoiem, para que a Obra dos Sacrários Vivos possa realizar na nossa Congregação e na Igreja uma valiosa ação de testemunho de vida cristã radicada no Mistério da Eucaristia, para ser sinal e portadora do Amor de Deus aos homens e mulheres do nosso tempo, e em particular aos jovens. Reitor Mor 6
Sede Central Salesiana 00185 Roma - Via Marsala, 42
Prólogo à edição portuguesa
A Serva de Deus, Vera Grita (1923-1969), professora e salesiana cooperadora, foi chamada pelo Senhor a ser na Família Salesiana e na Igreja a “Voz” do Deus vivo, a voz de Jesus Eucaristia que, pelo dom das locuções interiores, lhe ditava “a Obra dos Sacrários Vivos” para a salvação das almas. As mensagens foram estudadas pelo padre Giuseppe Borra, salesiano, que escreveu a primeira biografia de Vera1. Vera escreveu as Mensagens da Obra dos Sacrários Vivos em treze cadernos que após a sua morte foram confiados pela mãe, a senhora Marianna Zacco della Pirrera, à Cúria de Savona onde continuam a permanecer. Por gentil concessão da Cúria, o Centro de estudos Obra dos Sacrários Vivos de Milão fotocopiou os treze cadernos originais e preparou a sua edição no ano de 2017 sob o título “Portami con te!”. Agora, passado o centenário do nascimento da Serva de Deus Vera Grita, 28 de janeiro de 2023, publicam-se pela primeira vez em língua portuguesa, sendo esta edição enriquecida com o ensaio de um autorizado teólogo, o padre carmelita François-Marie Léthel. Em Itália, durante estes anos, formaram-se os grupos “Obra dos Sacrários Vivos”, compostos por pessoas que, a partir da mensagem de que Vera foi inspiradora, e orientados por um sacerdote, decidiram aprofundar o Mistério da Eucaristia e conformar a sua vida espiritual e atividade apostólica de acordo com esse chamamento recebido. Surgiram grupos na Lombardia, Versilia, Liguria, Piemonte, Sardenha, Veneto. Esses grupos envolvem globalmente mais de uma centena de pessoas. Muitas dessas pessoas 1
G. Borra, Grita Vera. Notizie biografiche, Editrice Terzo Millennio, Caserta,
1984. 7
são Ministros Extraordinários da Comunhão. A 11 de fevereiro de 2001, na Inspetoria Salesiana de Milão, os salesianos padre Enrico Mozzanica, padre Ermanno Montagnoli (1928-2014) e Maria Rita Scrimieri, salesiana cooperadora consagrada na Obra dos Sacrários Vivos, deram vida ao Centro de estudos Obra dos Sacrários Vivos, dedicado a Vera Grita e ao padre Gabriello Zucconi, SDB, com o objetivo de estudar a espiritualidade, realizar a mensagem da Obra, promover a formação espiritual dos membros através de dias mensais de estudo e oração e exercícios espirituais anuais, e propor modelos de vida de santos particularmente significativos pelo seu carisma eucarístico. Em dezembro de 2022, o Dicastério das Causas dos Santos, em Roma, declarou a validade do Processo diocesano da Causa da Beatificação e Canonização da Serva de Deus Vera Grita. Em maio de 2023, o Bispo de Savona, D. Calogero Marino, aprovou os Estatutos da Associação dos Sacrários Vivos, com sede na cidade de Savona. No centenário do nascimento da Serva de Deus Vera Grita a iniciativa de publicar uma edição integral da Obra em l íngua portuguesa, quer expressar a nossa gratidão à Santíssima Trindade pelo dom de Vera e da Obra dos Sacrários Vivos, à Congregação Salesiana e à Igreja. Com esta iniciativa desejamos contribuir para o desenvolvimento e a plena realização da Obra na Igreja, para a maior glória de Deus e o bem e a salvação das almas. De facto, o Centro Internacional Salesiano de Espiritualidade, em Balasar, nasceu com a finalidade de estudar e difundir a mensagem das duas figuras de salesianas cooperadoras, particularmente significativas hoje pela missão eucarística e mariana na Família Salesiana e na Igreja, ou seja, a portuguesa Alexandrina Maria da Costa (Balasar, 1904-1955), beatificada em 2004, e a italiana Serva de Deus Vera Grita. É nosso desejo agradecer a todos os Membros da Obra dos Sacrários Vivos e aos amigos que com a sua oração nos têm apoiado neste trabalho. Um agradecimento particular ao Salesiano padre António Gonçalves que traduziu este livro do italiano “Portami 8
con te”, a Pedro Sinde e a P. João de Brito Carvalho (SDB) pela cuidadosa revisão do texto. Maria Rita Scrimieri Centro Internacional Salesiano de Espiritualidade
Balasar, 13 de outubro de 2023 Festa litúrgica da Beata Alexandrina Maria da Costa
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Introdução A Obra dos Sacrários Vivos, dom e missão para a congregação salesiana e para a Igreja Maria Rita Scrimieri
1. Sacrários Vivos: uma vocação eucarística para a vida do mundo A Obra dos Sacrários Vivos apresenta-se como um novo caminho de evangelização baseada na presença eucarística de Jesus, Caminho, Verdade e Vida, que envolve sacerdotes, irmãs religiosas dedicadas a obras de caridade, leigos e jovens chamados pelo Senhor a serem o seu novo templo, a sua nova morada na sociedade, no meio dos homens, por meio de Maria, primeiro Sacrário Vivo. A graça carismática correspondente ao dom de si neste chamamento é a “Permanência eucarística” de Jesus na alma, através da qual Jesus promete salvar as almas que vivem longe d’Ele infundindo a vida divina através do seu novo Tabernáculo. Encontramos um precedente histórico na vida dos santos do nosso tempo em santa Faustina Kowalska, que em diversos pontos do Diário faz referência à sua experiência a respeito desta graça eucarística: «Hoje compreendi muitos mistérios de Deus. Cheguei a saber que a Sagrada Comunhão permanece em mim até à sagrada Comunhão seguinte. A presença de Deus, viva e sensível permanece na minha alma. O meu coração é um sacrário vivo no qual
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se conserva a Hóstia viva»2. E ainda: «Durante a santa missa vi o Menino Jesus no cálice. Disse-me: “Moro assim no teu coração, como tu Me vês neste cálice”. Depois da sagrada Comunhão senti no meu coração os batimentos do Coração de Jesus. Dado que desde há muito tempo tenho a consciência de que a sagrada Comunhão permanece em mim até à Comunhão sucessiva, hoje, durante todo o dia, adorei Jesus no meu coração e pedi-lhe que com a sua graça proteja as crianças do mal que as ameaça. A presença viva de Deus, percetível também fisicamente, acompanhou-me durante todo o dia sem na verdade me perturbar na execução dos meus deveres».3 Um outro precedente histórico muito significativo encontramo-lo no Fundador dos Claretianos, santo António Maria Claret, (1807-1870), arcebispo de Santiago em Cuba, que na sua autobiografia descreve a Graça eucarística recebida em 26 de agosto de 1861, que ele chamava a grande Graça: «... na Granja, enquanto rezava na igreja do Rosário, recebi do Senhor a excecional graça de conservar no meu peito dia e noite as espécies sacramentais de modo que de dia e de noite tinha em mim o Santíssimo S acramento. Este prodígio impõe-me um constante e íntimo recolhimento, impõe-me, é palavra do Senhor, rezar e enfrentar todos os males da Espanha».4 Quando, um ano depois, em 16 de maio, o santo bispo pensou eliminar do seu diário quanto tinha escrito sobre a grande Graça recebida, a Santíssima Virgem impediu-o e «depois, na Missa, Jesus Cristo disse-me que tinha concedido esta graça de permanecer em mim sacramentalmente». Comentando a altíssima graça os padres Vinas e Bermejo escrevem: «A grande graça, como ele a chama, da conservação das Espécies eucarísticas de uma Comunhão à outra, indica a chegada a um grau particular da sua F. KOWALSKA, Diario di santa Maria Faustina Kowalska. La misericordia divina nella mia anima, Libreria Editrice Vaticana, Città del Vaticano 1992, p. 435. 2 Ivi, p. 597. 2
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Ibid, p. 597.
G. PAPASOGLI, F. STANO, Antonio Claret, l’uomo che sfidò l’impossibile, Libreria Editrice Vaticana, Città del Vaticano 1983, pp. 566-568. 4
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conformidade com Cristo. Convém considerar dois aspetos importantes sobre ela: 1) esta graça orientava-se para o cumprimento da sua missão, o apostolado, agora mais do que nunca, universal e eficaz; 2) esta graça foi-lhe concedida quase com certeza pela intercessão da Virgem Maria. Além disso, o grande milagre aconteceu num momento que coincide com o máximo prestígio humano do Santo, mas também num momento de preparação secreta e decisiva: o santo caminha para os dias da sua dor e do seu colapso terrestre. Terá sempre em si, então, o Senhor, e passará, sacrário vivo, pelas tempestades terrenas».5 Todas as imagens relativas à sua pessoa o retratam com uma Hóstia luminosa no peito. O santo bispo desenvolveu um intenso apostolado m issionário, intervindo para a moralização dos costumes, para a formação do clero, ajudando os pobres. A Obra dos Sacrários Vivos distingue-se também por um outro aspeto que, embora tendo precedentes na história da Igreja, nos escritos de Vera Grita assume uma dimensão nova. De facto, entre os Sacrários Vivos estão aqueles (sacerdotes, irmãs religiosas dedicadas a obras de caridade, leigos preparados) que são chamados a ser também “Portadores de Jesus nas Espécies eucarísticas”, nos lugares de trabalho, nas escolas, nas missões, a fim de que Jesus eucarístico irradie a sua vida divina e o seu amor salvífico sobre quantos encontrar e guardar através do novo Tabernáculo. Encontramos um precedente histórico nesta direção na carta que o Servo de Deus padre Dolindo Ruotolo (1882-1970) escreveu a Pio XI em 23 de dezembro de 1924, na vigília do grande Jubileu de 1925. Nessa carta o sacerdote apresentou ao Santo Padre alguns desejos de Jesus tais como o aumento das santas Missas celebradas durante o dia, a Comunhão dos fiéis em cada Missa participada, chegando ainda a pedir:
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Ibidem. 13
«Poderia conceder – escreve o padre Dolindo – que os Bispos levem Jesus sacramentado numa teca sobre o coração e sejam assim Pastores vivos n’Ele e para Ele. Vossa Santidade deveria ser o primeiro Templo vivo de Jesus Eucaristia. Pio IX levou-o consigo na sua viagem de fuga para Gaeta. Vossa Santidade leve-o consigo, para irradiar a Vida Eucarística no mundo. Com o tempo poderia formar t ambém sacerdotes mais devotos e almas consagradas a Deus, o templo vivo de Jesus. Seja este, Beatíssimo Padre, o jubileu do amor de Jesus [...]».6 Um ano antes desta carta, em 28 de janeiro de 1923, nascera em Roma Vera Grita, aquela que entre os anos 1967 a 1969 seria, por vontade do Senhor, a porta-voz, na Família Salesiana e na Igreja, da Obra dos Sacrários Vivos, através da qual o Senhor estende aos sacerdotes, aos consagrados e aos leigos de modo convenientemente preparados quanto é pedido de forma restrita ao Papa em 1924 pelo Servo de Deus padre Dolindo Ruotolo. Um outro antecedente histórico muito significativo é também o da mística portuguesa Alzira da Conceição Sobrinho (18881982), mais tarde Ir. Maria de São João Evangelista, estando em curso, na Diocese de Bragança-Miranda, o seu processo de Causa de Beatificação e Canonização. Alzira da Conceição Sobrinho foi a “pedra escondida” na fundação da Congregação das Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado (SFRJS), cujo carisma tem muitas ligações com a Obra dos Sacrários Vivos. Tal como aconteceu com Vera, também Alzira, em 1910, quando tinha 22 anos, teve uma experiência mística, ouvindo a voz de Jesus vinda do Sacrário dizendo-lhe que pedisse autorização aos sacerdotes para O levar sempre consigo num relicário, para O adorar e consolar através de uma união contínua com Ele, reparando assim os abandonos, indiferenças e ingratidões que Ele recebe 6 Ao cuidado do APOSTOLATO STAMPA, Fui chiamato Dolindo, che significa dolore, página de autobiografia de sac. Dolindo, Nápoles, terceira edição, 1973 p. 432.
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neste Sacramento de amor. Pediu também para fundar uma Ordem de “Vítimas Imoladas e Adoradoras do Santíssimo Sacramento” cujos membros levariam consigo uma Hóstia consagrada, para se transformarem, com Jesus, no Cordeiro imaculado sacrificado pela salvação das almas. Na vida de Alzira, o Senhor corroborou este pedido com muitos sinais extraordinários que estão a ser estudados para a sua Causa de Beatificação e Canonização.
2. Sacrários Vivos: ao serviço da Caridade e da Misericórdia A Obra dos Sacrários Vivos foi confiada em primeiro lugar à Congregação Salesiana e esta, por explícito desejo do Senhor, deve ser promotora para a sua realização e difusão na Igreja (dioceses, paróquias, institutos religiosos). Num segundo momento, também a Família Carmelita vem indicada, nos escritos de Vera, como destinatária das Mensagens para a sua realização. A Obra dos Sacrários Vivos pode constituir um contributo precioso na Igreja para enfrentar os desafios do terceiro milénio em benefício da humanidade: a secularização cada vez mais difundida, a crise das vocações, as forças desagregadoras que atacam a família humana e a sociedade, a paz nas nações e também na própria Igreja, parecem exigir hoje, mais do que nunca, não tanto e não só soluções humanas quanto a força unificante e santificante da vida divina de Jesus Cristo nas nossas almas, a irradiação da vida eucarística no mundo. À luz das mudanças acontecidas na sociedade, torna-se necessário levar a fonte da Vida, Jesus eucarístico e a sua Palavra, ao ambiente em que vivem os homens, no meio deles, na família, nos lugares de trabalho, nas escolas, pelas ruas: Jesus tem sede de se dar às almas, tem sede de dar a Vida, a vida divina, e assim procura almas simples dispostas a entregarem-se a Ele para serem como a Virgem Maria e, em Maria, o seu novo Sacrário. Tem necessidade 15
de renovar o poder do seu Sacerdócio nos sacerdotes, dando-lhes todo o seu ser, no Dom eucarístico pelo qual infundirá força, luz e sobretudo amor que salva. Portanto, por esta finalidade e com a devida autorização do Papa, torna-se necessário dar possibilidade aos sacerdotes, e às almas chamadas a esta missão, de levarem Jesus nas Sagradas E spécies numa teca, no silêncio e ocultamente para estender os frutos do Dom eucarístico a quantos vivem longe do Senhor e da Igreja; com a sua presença eucarística Jesus pode estender a sua ação vivificante e libertadora a todos os que encontrar e sobre os quais pousará o seu olhar misericordioso, tocando os seus corações e atraindo-os a si com a força do seu amor. Por outras palavras, trata-se de permitir que a misericórdia do Senhor alcance as almas que estão distantes d’Ele, por meio desta “nova via eucarística” por meio dos sacerdotes, religiosos e leigos chamados a partilhar mais de perto com Jesus a obra da redenção e a ânsia de salvação das almas. Este aspeto foi a alma de toda a missão de são João Bosco, que ele sintetizou na famosa expressão: “Da mihi animas, coetera tolle”.
3. No carisma de dom Bosco: «da mihi animas, coetera tolle» A Obra dos Sacrários Vivos foi confiada à Congregação Salesiana exatamente pelo carisma do seu fundador: «Os padres salesianos – como se lê na mensagem de 30 de novembro de 1967 – encontrarão o modo como difundir entre as almas esta via de amor e prepará-las para a minha Liga. São eles os primeiros chamados a reviver-Me, pelo meu próprio Sacerdócio e pelo espírito do Fundador de que é permeado o seu apostolado». E além disso: «Para todos os Salesianos, o seu Fundador são João Bosco será, onde está na minha Glória, pai amável, protetor, conforto, amparo. Sim, dom Bosco volta a estar de novo em vós porque Jesus quer renovar a sua vida, o seu amor, o seu Sacerdócio, todo ele próprio, em vós. Eu em vós, e vós em Mim, para dar “frutos” a meu Pai, para salvar 16
as almas, para morrer pelas almas. Eu, Jesus, vossa Vida, vosso Caminho, vossa Verdade: a vós, queridos Sacerdotes; a vós tudo e sempre Eu». Mensagem 4.2.1968. À imitação de Jesus Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas, o Sacrário Vivo é chamado a dar-se por inteiro ao Senhor, para que Ele, vivo e operante na alma, possa fazer desta a sua nova morada no meio dos homens e o seu novo Templo, no qual Ele continuamente se oferece a si mesmo ao Pai para a salvação dos homens: «[...] E Eu, Eu elevarei nas pequenas Hóstias as minhas Mãos ao Céu para clamar ainda, dos Meus Sacrários Vivos: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”». E o Pai, por meio de vós, verá em cada um de vós a Mim mesmo: o seu Filho; ver-Me-á em Mim, tantos Jesus, tantos Filhos; verá um Cordeiro imaculado em todos: a sua Vítima, a Mim! Amo os meus; amo-os agora; amei-os desde que me dei a vós como alimento da alma. Vi cada um, vejo-vos, procuro-vos. Acolhei-Me: sou Jesus Eucaristia, sou o Amor que doa e dá». Mensagem 14.5.1968. Isto corresponde plenamente à caridade pastoral, princípio interior e dinâmico, lembrado nas Constituições Salesianas, que deve animar a vida de cada membro da Família Salesiana: «A c aridade pastoral é aquela virtude com a qual nós imitamos Cristo na doação de si e no seu serviço. Não é somente aquilo que fazemos, mas o dom de nós mesmos, que revela o amor de Cristo pelo seu rebanho. É a disponibilidade incondicional à ação do Espírito que consagra o coração do homem ao projeto de Deus, o dom de si à obra salvífica até dar a própria vida, a busca e a construção da comunhão como dom e compromisso do amor de Cristo Senhor».7 E é também do Coração sacerdotal de Cristo que nasce a Obra dos Sacrários Vivos para levar a sua misericórdia a toda a parte do mundo. As finalidades e o espírito que a permeiam estão bem evidenciados na Mensagem de 11 de junho de 1968, enviada ao Papa Paulo VI. Aqui referimos a passagem na qual foi 7
La famiglia salesiana di don Bosco, Edição extracomercial, Roma 2000, p.
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entregue o mandato aos Salesianos para realizarem a Obra, e o convite a Paulo VI para ser o primeiro Sacrário Vivo, portador de Jesus Eucaristia. «Objetivo: chegar a todas as almas, aproximar-se delas, tocá-las no íntimo do seu coração com o meu amor de Pai. Finalidade: preparar aqui em baixo inúmeros santos Sacrários Vivos que cubram a terra. Eles serão os “Cálices” oferecidos a Deus Pai para a salvação da humanidade. Programa: desejo que aqueles que vierem a ser Sacrários Vivos sejam almas consagradas. Sejam Sacerdotes de amor fervoroso, de grande caridade: de puro amor (...). Que nos padres Salesianos a minha Obra de amor nasça, desenvolva-se e difunda-se, porque a minha Mãe Maria Auxiliadora será para cada alma, para cada Sacrário Vivo, guia e mestra (...). Escolham-se os Sacrários Vivos também entre os jovens e entre os leigos, para que Eu vá às escolas, às famílias, e compartilhe a vida da humanidade (...). E tu, Paulo VI, tu que Me representas na Igreja, sendo meu Vigário, recebe com espírito profundo de fé as minhas palavras (...). Liga a minha Obra de amor à autoridade da Igreja, difunde-a, promulga-a no mundo inteiro. Tu, meu primeiro Sacrário Vivo, que vais comigo visitar as partes mais distantes da Terra, para Me dares, faz que aumentem e cresçam os que Me levam, os que, como tu, sob o teu exemplo secreto, cheguem à terra, aos mares e até aos céus Leva-me contigo: é a minha Voz de Amor. Quero permanecer contigo: é o meu Coração que te pede. Eu em ti e contigo, para que tu em Mim, possas produzir sempre muitos frutos. Eu por meio de ti, meu Vigário, a todos os Sacerdotes, aos Salesianos, às minhas almas, às almas simples: simples e humildes. Eu, por ti, a toda a humanidade. Abençoa e aprova a minha Obra de Amor Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, ao Papa Paulo VI, para Sua Glória e o Advento do Seu Reino de amor nas almas.
A Eucaristia e a Virgem Maria foram os pilares na vida de dom Bosco sacerdote e educador: o coração do seu sistema educativo, cujo fim principal era instaurar e desenvolver nas almas dos jovens dos seus oratórios a vida trinitária, o coração do seu sistema educativo, que se baseava na confissão frequente, na sagrada comunhão e na participação diária na Missa. Contra um s istema educativo 18
baseado na repressão e na falta de respeito pelo outro, ele e ncarnou a bondade do Pai que educa os filhos com “a amabilidade, a razão e a religião”, e no Coração de Cristo Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas, indicou o modelo da vocação pastoral e educativa própria dos seus colaboradores. A Obra dos Sacrários Vivos rege-se pelas mesmas “colunas” de dom Bosco: a Eucaristia e a Auxiliadora. Todos conhecem o sonho das “duas colunas no alto mar”, tido por dom Bosco em maio de 1862, no qual a Eucaristia e a Virgem Imaculada Auxiliadora salvam a Igreja das várias perseguições, quando ela, a Igreja, representada pela barca, se ancora em Jesus e em Maria, as colunas do corpo místico de Cristo. Na Mensagem de 3 de dezembro de 1968, ditada por Jesus a Vera, aparece explícita a referência a uma profecia dada à Família Salesiana; é nossa convicção que se trata mesmo da profecia das “duas colunas” de dom Bosco: «A ti, alma simples, Eu, Jesus, revelei a minha Obra de amor no dom dos Sacrários Vivos. Esta minha Obra é própria, e não se confunde com outras Obras. Ela deve permanecer íntegra e na luz de graça, como Eu a desejei e ditei. A Obra do Amor de Jesus é o fruto do meu amor eucarístico. Jesus na Palavra Graça abre à humanidade inteira a sua misericórdia por meio de Si sobre as suas almas. Esta Obra é, portanto, única e leva o meu nome santo: Jesus. Turim, com Maria Auxiliadora, será o berço da minha Obra de Amor. Roma será a Mãe dela. Os Superiores Salesianos alegrem-se no meu santo Nome, Jesus; exultem porque são grandes as graças do meu Coração sacerdotal reservadas para eles. Quero que desapareçam as dúvidas nos seus corações, e Me vejam a Mim; que se apressem a trabalhar para Mim. Acrescenta, minha filha, esta revelação. Foi-lhes dada a seu tempo uma profecia; agora a profecia é verdade: Sou Eu, é a minha Obra, são os Sacrários Vivos. A minha Palavra é Caminho, Verdade, Vida porque sou Eu: Jesus.»
4. Paulo VI e a Obra dos Sacrários Vivos A Obra dos Sacrários Vivos viu a luz nos anos caraterizados pelas grandes mudanças sociais e pela contestação juvenil que irrompeu na sociedade em várias partes do mundo a partir de 19
1968. Ela acontece historicamente num momento de “crise” na sociedade e na Igreja: crise de valores, crise de fé, crise de disci plina. Aquela contestação foi, de facto, uma hora forte e tormentosa também para a Igreja, que havia pouco, tinha concluído o Concílio Vaticano II. A dura crise saldou-se com um grande declínio de vocações e com o abandono da própria vocação por muitos sacerdotes e pessoas consagradas. Durante as audiências gerais daqueles anos, Paulo VI deu voz às inquietações e às tensões do mundo moderno e da Igreja. Na audiência de 25 de abril de 1968 ele exprimiu-se deste modo: «A hora histórica e espiritual que a Igreja está a atravessar, especialmente em alguns países, não é serena; e isto é, para os Pastores da Igreja e para nós, motivo de viva apreensão e algumas vezes de grande amargura. E isto não só porque todo o mundo moderno se vai afastando do sentido de Deus, estando preso pela riqueza e pelas suas conquistas no campo científico e técnico; não quer dizer que essas conquistas exijam “a morte de Deus” – como disse alguém com infeliz expressão –, isto é, que exijam uma mentalidade ateia e afastada de toda a religião; estes progressos característicos do mundo moderno exigiriam antes um mais elevado, mais penetrante, mais adorante sentido de Deus, uma religião mais pura e mais viva, sobre o auge do saber humano; não ficando só nessa apostasia prática da religião, tão difundida; mas também, em relação à sensibilidade de quem tem responsabilidade na Igreja, pela inquietude que perturba alguns sectores do próprio mundo católico. Não é algo ignorado... Depois do Concílio a Igreja gozou, e está ainda a gozar, de um grande e magnífico despertar, que a nós em primeiro lugar agrada reconhecer e favorecer; mas a Igreja também sofreu e sofre ainda por um turbilhão de ideias e de factos, que não são certamente o bom espírito e não prometem aquele renovamento vital que o Concílio prometeu e promoveu.»8
E na audiência geral de 17 de setembro de 1969 observa: «(...) não poucos sintomas parecem prefigurar doenças graves para a própria Igreja. Nós já assinalámos alguns como uma
8 Paulo VI, Audiência Geral de 25 de abril de 1968, HYPERLINK “http:// www.vatican.va/” \hhttps://www.vatican.va/content/paul-vi/it/audiences/1968/ documents/hf_p-vi_aud_19680807.html
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certa flexão no sentido da ortodoxia doutrinal, em algumas escolas e em alguns estudiosos. E há quem não veja o perigo para a verdade religiosa e para a eficiência da salvação da nossa religião, que consiste em considerar somente o aspeto humano e social, em prejuízo do aspeto primário, sagrado e divino, da fé e da oração. Assim, não se pode observar sem apreensão a facilidade com que se contraria a virtude da obediência eclesial, que é princípio constitutivo no projeto estabelecido por C risto para a estabilidade e para o desenvolvimento do seu corpo místico e visível, que é de facto a Igreja. Talvez se tenha ido além do limite, consentido no esforço, em si louvável, de inserir o sacerdote no ambiente social, secularizando completamente o seu hábito, o seu modo de pensar e de viver, levando-o pelo caminho não só das competições temporais, empobrecendo assim a sua vocação e a sua função de ministro do Evangelho e da Graça; pôs-se muito em livre discussão o seu celibato; e muito se vai enfraquecendo o vigor da ascética cristã e o c aráter irreversível dos compromissos sagrados assumidos diante de Deus e da Igreja Será preciso tempo para concluir o que pode ser bom também nestas preocupantes expressões da vida católica e reassumi-las na sua harmonia própria. Há mesmo quem tenha falado da sua decomposição; nós não somos dessa opinião e confirmamos mais uma vez a nossa confiança na assistência de Cristo e no auxílio dos bons.»9
Paulo VI ocupa um lugar central na Obra dos Sacrários Vivos, não só porque a sua bênção e autorização como Sumo Pontífice era indispensável para a realização da Obra, mas também p orque Paulo VI, como o Papa Pio XI em 1924, foi chamado a ser o primeiro Sacrário Vivo, a primeira “pedra” da Obra, como São Pedro foi a primeira “pedra” da Igreja nascente. Nas quatro mensagens expressamente dirigidas a ele, Jesus convida o Papa a ser o Seu primeiro Sacrário Vivo, isto é, convida-o a levá-l’O consigo, nas Sagradas Espécies, nas viagens apostólicas que o Santo Padre estava para realizar à Colômbia (1968) e, a seguir, ao Uganda (1969). Apresentamos por ordem de datas um resumo das quatro mensagens da Obra dirigidas ao papa Paulo VI.
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Paulo VI, Audiência Geral de 17 de setembro de 1969, https://www.vatican. 21
Na Mensagem de 14 de maio de 1968, Jesus, Eterno Sacerdote, dirige-se ao primeiro Sacerdote da sua Igreja, Paulo VI, Sumo Pontífice, para lhe confiar a Mensagem da Obra, o dom de amor e de misericórdia para a Igreja e para a humanidade atravessada e percorrida pelas tempestades sociais que mesmo em maio de 1968 veem o seu início histórico: Ao Papa Paulo VI, meu queridíssimo pastor.10 «Paulo, meu diletíssimo filho, escolhido pela Santíssima Trindade, Timoneiro da minha Barca nas tempestades da humanidade atacada, coloco em tuas mãos a minha Mensagem de Amor e de Salvação para todas as almas. A minha Obra de Amor dirigida por Mim, Jesus, deve ser difundida em breve e de ti devem surgir aqueles lumes, cuja luz deverá abraçar a humanidade. Eu dou-Me às almas a Mim consagradas, e por elas Eu estarei, Eu irei pelos caminhos do mundo. Eu escolhi novos Templos: Templos Vivos. (...) Eu, Jesus, irei convosco, em vós! Jesus, Uno e Trino, expande-se na imensidão do seu Amor. Vou, sob as Espécies Eucarísticas, procurar o que está em perigo de se perder vou procurar as ovelhas que não querem conhecer o meu Aprisco; vou chamar aqueles que já não Me ouvem. (...) Confirma a minha divina Vontade: entrega-a às almas consagradas, entrega-a ao mundo e confia tudo Àquela que, comigo, tu amas muito. Jesus, Eterno Sacerdote ao primeiro Sacerdote da sua Igreja: Pontífice Paulo VI.»
Um mês depois, em 11 de junho de 1968, o Senhor dita a Vera a segunda mensagem para o Santo Padre. É a Mensagem que apresenta a Obra no seu conjunto, as finalidades, e indica a Congregação Salesiana como iniciadora da Obra, pedindo a Paulo VI, como Sumo Pontífice, a sua bênção e aprovação. Jesus dirige-se ao nosso Sumo Pontífice Paulo VI. «Sou Jesus que vem a ti com o seu grande Amor Eucarístico para te oferecer a Misericórdia do meu Coração de Pai, de Sacerdote, de Amigo, de Irmão. Isto é para a humanidade, para a salvação dos povos, das nações. Flui do meu coração ferido, como uma nascente de água viva, desce dos Céus como nova e última Luz para iluminar as vias obscuras do mundo, banha a terra árida, renova as minhas almas no serviço do apostolado, reúne os 10 «Ao Papa Paulo VI, meu queridíssimo pastor…»: é este o primeiro dos 4 Ditados dirigidos de modo específico a Paulo VI.
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c hamados a mim no exército da salvação. Esta Luz, esta água sou Eu: Jesus! Venho trazer um “caminho” novo de Amor sobre a terra, para as pessoas que Me esperam e Me amam: caminho fundado sobre a Verdade, que é a minha Realidade divina e humana na Presença Eucarística; caminho que levará a vida da Graça a muitas almas afastadas de Mim. O meu Caminho assenta na Verdade e dá a minha Vida. Este Caminho sou Eu: Jesus Eucaristia (...) Desde os meus Sacrários, derramo o meu Espírito de Amor. Agora escolhi novas igrejas, novos Sacrários para Me guardarem; Sacrários Vivos que Me levem pelos caminhos do mundo, que Me conduzam por entre aquela gente que não pensa em Mim, que não Me procura, que não Me ama (...) [A partir dos Sacrários Vivos] Derramarei abundantemente a minha Graça para que os pecadores se tornem sensíveis aos meus apelos. Caminharei, como outrora na terra da Palestina, chegarei até ao extremo da terra e visitarei a todos, a todos oferecerei a minha Graça, a todos oferecerei a Salvação (...) A Obra deve envolver a vida e a atividade salesiana porque a obra de S. João Bosco deve fazer florescer a minha Obra de Amor como “continuação” da primeira (...) Eu por ti, meu Vigário, a todos os Sacerdotes, aos Salesianos, às minhas almas, às almas pequenas, pequenas e humildes (...) Abençoa e autoriza a minha Obra de Amor (...) Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, ao Papa Paulo VI, para a sua glória e o advento do seu Reino de Amor nas almas».
O Santo Padre está na véspera da nova viagem apostólica que o levará à Colômbia de 22 a 25 de agosto de 1968 para participar em Bogotá no Congresso Eucarístico Internacional e a Medellin na Conferência Geral dos Bispos da América Latina. É a primeira visita do Papa à América Latina e, como sabemos, ele ofereceu à Igreja, em 1965 “Misteryum Fidei” sobre a doutrina e o culto da Eucaristia. Jesus tem pressa que a Mensagem chegue ao Santo Padre antes da sua partida, porque deseja partir com ele, nele, nas Sagradas Espécies O padre Gabriello Zucconi, diretor espiritual de Vera, esforçou-se por fazer chegar ao Santo Padre as duas mensagens dirigidas a ele, e por indicação dos Superiores dirigiu-se a Roma nos primeiros dias de agosto de 1968. Ali, através do pároco de Castel Gandolfo, que era um salesiano, entregou duas cartas, uma para o secretário pessoal do Papa, Mons. Bossi, e outra para 23
Paulo VI, e foram entregues pessoalmente pelo pároco. O Vaticano respondeu escrevendo à Cúria de Génova. O padre Raineri, naquele tempo Inspetor da Inspetoria Ligure-Toscana, solicitado para dar informações sobre o padre Zucconi, enviou à Cúria de Génova o que lhe foi pedido.11 Dois meses depois, em 20 de outubro, Jesus dita a terceira Mensagem para Paulo VI. Trata-se de uma mensagem de grande valor espiritual na qual emerge a união mística sacerdotal entre o Coração de Jesus e o coração de Paulo VI, feridos pelo amor e a dor pela humanidade. Desta ferida no Coração da Igreja que é o coração do Papa nascem os Sacrários Vivos abençoados por ele. Jesus ao seu Primeiro Portador o Sumo Pontífice Paulo VI Mensagem de amor ao meu querido Vigário na terra: Paulo! Se os Sacrários Vivos devem ser em breve a expressão do meu terno e profundo amor de Pai, de Irmão, de Amigo, de Esposo, tu, Paulo, és e serás sempre cada vez mais o meu Coração ferido pelo amor e pela dor. O pulsar do teu coração é o meu, e já não são dois corações, mas apenas o meu Coração em ti, ferido pelo amor e pela ofensa, apenas o meu Coração, que sofre, geme e ama no teu. O pulsar do amor eucarístico, pelo qual anuncio a minha morte pelos homens está no teu coração de Pastor de almas. Com este pulsar de amor Tu, Paulo, dar-Me-ás às minhas almas consagradas para que Eu, Jesus Eucaristia, faça viver e aumentar a Graça. Tu dar-Me-ás, assim como Eu Me dei aos meus Apóstolos na Última Ceia, para que as minhas almas se tornem as minhas novas Moradas, os meus novos Templos pelos quais Eu, Jesus, poderei visitar toda a humanidade (...) Eu levei na Terra uma nova Cruz de amor para a dar aos meus “chamados”. Eis que Eu, Jesus, coloco-a agora nas tuas mãos de Pontífice. Abençoa-a, dá-a às minhas almas para que elas, abraçando-a com gratidão, respeito e amor, sejam por esta Cruz de amor e sofrimento transformadas em Mim, Crucificado que vai, que procura as suas almas por todos os caminhos do mundo.
11 M. R. SCRIMIERI, Relazione sull’iter seguito da don Zucconi presso i Superiori ed il Papa Paolo VI per l’Opera dei Tabernacoli Viventi. Centro Studi Opera dei Tabernacoli Viventi (Inédito).
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O novo ano de 1969 começa com o anúncio de que as Mensagens serão as últimas. A última Mensagem para o Santo Padre é dada a Vera a 15 de julho, duas semanas antes de Paulo VI partir para a sua viagem ao Uganda por ocasião da Primeira Conferência Episcopal Pan-Africana (31.7 – 2.8.1969). É a primeira peregrinação de um pontífice em terra africana. O Papa foi ao Uganda por ocasião da consagração do santuário dedicado aos 22 mártires ugandeses, leigos que ele tinha canonizado em 1964. Foi preanunciado a Vera por Jesus: «Escreveremos em breve ao Papa, ao meu amado Vigário Paulo VI, antes da sua viagem ao Uganda. Quero que o meu Tabernáculo o acompanhe» Mensagem 7.7.1969. E, de facto, uma semana mais tarde, Jesus dita a mensagem para o Papa. Nesta mensagem Paulo VI é convidado a multiplicar as suas viagens apostólicas pelo mundo. Agora devem chegar estas minhas santas Palavras ao meu Vigário na terra, Paulo VI: “As tuas viagens têm de multiplicar-se, porque Eu, Jesus Mestre e Redentor, em ti que Me representas, quero também com a minha santa Humanidade visitar todos os povos da terra antes que chegue o dia em que Deus Pai fará justiça. Pede-Me as Graças que Eu, Jesus, prometi na minha Obra de Amor (...) Desejo que aproves e autorizes, para que Eu, Jesus, mantenha quanto prometi. Que os Sacerdotes Salesianos sejam confirmados na minha Mensagem de Amor, e a sua incredulidade seja amanhã motivo de profunda renovação interior para o bem e o amor que deveriam ter para comigo, Jesus. Tu, vai, meu querido Paulo, e Eu estou contigo, na Cruz, na santa Cruz que te dei, na tua cabeça coroada de espinhos por Mim e em Mim; tu, vai e leva-Me, dá-Me e torna-Me conhecido na Santíssima Eucaristia. Eu desejo estar nos meus Sacrários Vivos, e com eles viver com a humanidade, com justos e pecadores. Acolho as minhas pequenas vítimas e em Mim, no meu holocausto perene, ofereço-as a meu Pai a fim de que te seja dada liberdade para autorizar isto, que é palpitação de Amor, isto que é Caminho, Verdade, Vida: Jesus nas Sagradas Espécies na Igreja que vai, que caminha para que avance e encontre e abençoe todos antes desse dia (...) Jesus Eterno Sacerdote, ao seu Vigário na Terra, Paulo VI. Abençoo-te e em ti e contigo abençoo na Santíssima Trindade, na minha gloriosa Mãe Imaculada, nos meus Santos e nos meus Anjos, toda a humanidade 25
sofredora que visitarás comigo. Eu, Jesus Crucificado, estou em ti”.
Paulo VI no ano seguinte dirigiu-se ao Extremo Oriente, à Austrália e à Oceânia (1970).
5. O Processo da Obra dirigido a Paulo VI Ao Sumo Pontífice foram enviadas as quatro mensagens endereçadas a ele, primeiro um resumo das mesmas, e depois a Obra completa. Ocupou-se disso o padre Gabriello Zucconi, s alesiano, diretor espiritual de Vera, o qual, obedecendo ao seu Inspetor, padre Giovanni Raineri e ao Reitor-Mor, padre Luís Ricceri, seguiu os seus conselhos e sugestões para fazer chegar ao Santo Padre a Obra com o pedido da bênção Apostólica e a autorização necessária. Por duas vezes a Santa Sé contactou com a Cúria de Génova pedindo informações sobre o padre Gabriello Zucconi e, pela segunda vez, com a Cúria de Savona pedindo informações sobre Vera Grita e a Obra. O Bispo de Savona, dom Perego, enviou à Santa Sé uma resposta positiva sobre Vera: «Uma pessoa digna de fé»12. O padre Formento, reitor da Catedral de Savona, que conhecia muito bem Vera, garantiu por ela junto do Bispo. Não há, porém, documentos escritos relativos à autorização a respeito dos Sacrários Vivos “Portadores de Jesus Eucaristia”, mas está documentada na agenda pessoal do padre Zucconi a audiência privada de 22 de setembro de 1977, durante a qual Paulo VI abençoou a Obra dos Sacrários Vivos. Fica sublinhado, porém, que no Pontificado de Paulo VI, em 1972 foram instituídos os Minis tros Extraordinários da Comunhão, um primeiro passo para levar e dar Jesus aos doentes e aos idosos.
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Cf. V. GRITA, Carta de 20.3.1969 ao padre Zucconi.
Vera Grita no “Círculo dos Santos” Ir. François-Marie Léthel OCD
Os escritos de Vera Grita (1923-1969) publicados neste livro oferecem-nos uma esplêndida espiritualidade eucarística, de g rande atualidade e força profética para a Igreja do futuro. Eles são a expressão da experiência mística vivida por ela nos dois últimos anos de vida, uma experiência que é testemunho e, em certo sentido, “confirmação” da grande verdade da fé católica sobre a Presença Real de Jesus na Eucaristia. Na Hóstia consagrada, a Igreja reconhece, ama e adora o verdadeiro Corpo do Filho de Deus, nascido da Virgem Maria, crucificado por amor de nós, morto e ressuscitado: Ave verum Corpus natum de Maria Virgine, vere passum, immolatum in Cruce pro homine! Na Eucaristia, Jesus chama o discípulo a ser um Sacrário Vivo, dizendo-lhe: Leva-me contigo! Estas são as expressões mais caraterísticas da espiritualidade de Vera. A forma literária destes escritos é a de mensagens, isto é, da profecia bíblica na qual o próprio Senhor fala em primeira pessoa por meio de uma pessoa escolhida por Ele. Trata-se também de uma modalidade clássica da experiência mística cristã, mas que é preciso interpretar bem e de algum modo “decifrar”. Mais precisamente, trata-se do típico “profetismo feminino”, tão importante na história da Igreja, com as figuras emblemáticas de santa Catarina de Sena, doutora da Igreja, e de santa Brígida da Suécia no final da Idade Média. Através destas mulheres místicas, Jesus fala à Igreja e ao mundo, especialmente ao Papa e aos pastores, e é uma mensagem forte e audaciosa, de amor e consolação, e também de conversão e de chamamento à santidade (especialmente para os sacerdotes). Brígida deixa à Igreja a ampla 27
recolha das suas Revelações, enquanto o principal escrito de Catarina é o Diálogo, no qual a santa escuta a voz de Deus Pai que responde às suas perguntas sobre o Mistério de Cristo e da Igreja. A mesma forma literária do diálogo entre Jesus e o seu discípulo se encontra na Imitação de Cristo, o livro que plasmou a vida espiritual de muitíssimos santos. Depois, existem vários exemplos desse profetismo feminino, com estas modalidades extraordinárias de locuções e visões. Podem citar-se os nomes de Joana d’Arc, Margarida Maria Alacoque, Catarina Labouré, Bernadette Soubirous, Gemma Galgani, Faustina Kowalska, das beatas Dina Bélanger e Alexandrina Maria da Costa (salesiana cooperadora), da venerável Luise-Marguerite Claret de la Touche, etc. É importante interpretar bem estas mensagens, de grande valor quando vêm de pessoas cuja santidade é reconhecida pela Igreja (santas, beatas e veneráveis), que fazem resplandecer no amor, grandes verdades da fé cristã, através da sua experiência mística. Os seus escritos e os testemunhos reunidos neste livro fazem-nos entrar numa alma muito bela, uma alma “santa”13, plena de caridade para com o Senhor e o próximo, muito humilde e obediente, muito marcada pelo sofrimento físico e espiritual, e sempre seguida e apoiada pelos superiores e diretores salesianos. Melhor do que “Revelações Privadas”, estas mensagens são a escuta pessoal de Vera à voz interior de Jesus, que se faz sentir de muitos e diversos modos na oração dos santos, segundo a personalidade de cada um, a sua sensibilidade, a sua cultura. Assim Bento XVI explicava a mensagem dos santos videntes de Fátima14. A este propósito, 13 Assim, o padre Guido Roascio, carmelita descalço, que conheceu Vera no último ano da sua vida, quando ela era hóspede no Deserto de Varazze, não receia afirmar: «Vera era uma santa!». 14 Eis as suas palavras: «No ano 2000, na apresentação, tinha dito que uma aparição, isto é um impulso sobrenatural, que não vem só da imaginação da pessoa, mas na realidade da Virgem Maria, do sobrenatural, que um tal impulso entra num sujeito e se exprime segundo a possibilidade do sujeito. O sujeito é determinado pelas suas condições históricas, pessoais, temperamentais, e portanto, traduz o grande impulso sobrenatural nas suas possibilidades de ver, de imaginar, de exprimir, mas nestas expressões, formadas pelo sujeito, esconde-se um
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devemos acrescentar que as Mensagens publicadas neste volume são a voz de Jesus ouvida por uma mística especial italiana (como Catarina de Sena e Gemma Galgani) embora com muitas palavras e repetições. Ao invés, as místicas francesas são muitas vezes mais sintéticas, com poucas palavras (como Joana d’Arc e Bernadette Soubirous)! Para interpretar bem estes textos, convém antes de mais recordar o contexto histórico da experiência mística de Vera no final da sua vida e também considerá-la à luz de alguns santos mestres da espiritualidade eucarística. Os santos, de facto, iluminam-se entre si. Considerados em conjunto, não se adicionam um ao outro, mas multiplicam-se um pelo outro. Assim, deve-se contemplar Vera neste “círculo dos santos”, pintado pelo beato fra’Angelico, onde os santos e os anjos se dão a mão, e também se dão a mão para se ajudarem a caminhar para a santidade15. Vera está próxima das santas que acabámos de nomear, mas, a sua específica espiritualidade eucarística, está ainda mais próxima santa Teresa de Lisieux, Doutora da Igreja, e do venerável Cardeal François-Xavier Van Thuân, que vêm confirmar plenamente a sua espiritualidade eucarística dos Sacrários Vivos.
conteúdo que vai mais além, mais profundo, e só no decurso da história podemos ver toda a profundidade, que era – digamos – “vestida” nesta visão possível às pessoas concretas» (Bento XVI, entrevista no avião durante a viagem a Fátima, em 11 de maio de 2010). 15 Era o ícone dos exercícios espirituais que tive a graça de pregar no Vaticano para Bento XVI e a Cúria romana em 2011. O próprio Papa Bento fez referência a esta imagem no seu discurso espontâneo dirigido a mim no fim destes exercícios. «Você inseriu-nos na esfera destes Santos e mostrou-nos que mesmo os Santos “pequenos” são os santos “grandes”. Mostrou-nos que a scientia fidei e a scientia amoris andam juntas e completam-se, mais, que a razão grande e o grande amor andam juntos, de modo que o grande amor vê mais do que só a razão». (Discurso de 19 de março de 2011). A scientia fidei é a modalidade intelectual da teologia dos santos (por exemplo em são Tomás), enquanto a scientia amoris é a modalidade mística. Assim João Paulo II declarou Teresa de Lisieux Doutora da Igreja como «especialista da scientia amoris» (Novo Millennio Ineunte, n. 42).
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O testemunho de Vera no contexto dos anos 1967-1969 Vera vive esta experiência nos últimos anos da sua vida (setembro de 1967 – dezembro 1969), que representam também um momento dramático na vida da Igreja. São os anos mais caraterísticos da grande crise da Igreja depois do Concílio, sob o pontificado de Paulo VI, agora Santo, principal destinatário das mensagens de Vera. Para o Papa, trata-se de uma profunda crise de fé no interior da Igreja, e por este motivo quis proclamar um ano da fé que teve início em 29 de junho de 1967 na Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo e encerrou no ano seguinte pela mesma festa. Em maio de 1968 explode a contestação na sociedade e na Igreja e, um mês depois, Paulo VI encerra o ano da fé com o seu grande Credo do Povo de Deus (30 de junho de 1968). É uma apresentação clara e em pormenor das principais verdades da fé, desenvolvendo particularmente as que eram então mais ameaçadas: Jesus na Eucaristia, a Virgem Maria e a Igreja. Já na sua Encíclica Mysterium Fidei sobre a Eucaristia, assinada em 3 de setembro de 1965 (que era então a festa de são Pio X), pouco tempo antes da conclusão do Concílio (8 de dezembro), Paulo VI reafirmava a fé da Igreja, chamando os bispos a promoverem o culto eucarístico, isto é, a espiritualidade Eucarística, insistindo nos aspetos inseparáveis do sacrifício da Missa, do valor da comunhão diária e do seu prolongamento na adoração eucarística. À crise da fé na Eucaristia estava também ligada uma profundíssima crise do sacerdócio, com o abandono de milhares de sacerdotes. Por isso, mesmo em 1967, Paulo VI voltou a propor uma autêntica espiritualidade sacerdotal com a sua Encíclica Sacerdotalis Caelibatus. Depois, com a Marialis Cultus de 1974, o Papa oferecerá à Igreja uma belíssima proposta de espiritualidade mariana. Assim, no magistério de Paulo VI como no seu testemunho pessoal de santidade, de fé e de amor, são inseparáveis: Jesus na Eucaristia, o Sacerdócio, Maria e a Igreja, isto é, Maria no mistério de Cristo e da Igreja (Lumen Gentium, VIII). O Amor de Jesus tem o seu centro na Eucaristia, e é vivido com Maria na Igreja. A autêntica espiri30
tualidade católica testemunhada pelos santos é inseparavelmente eucarística, mariana e eclesial. Leiga consagrada como Salesiana Cooperadora, Vera vive esta espiritualidade na escola de dom Bosco, sob a orientação dos seus diretores salesianos16, e faz também referência ao ensinamento mariano de São Luís Maria Grignion de Montfort (a “escravidão de amor”) e à espiritualidade carmelita (sobretudo no último ano vivido no Deserto de Varazze, lugar onde estava o convento dos monges carmelitas). Para Montfort, como seria mais tarde para dom Bosco, Maria é por excelência o Sacrário Vivo do Verbo Incarnado. É a Mãe que dá sempre o seu Filho, fruto do seu seio, e que ensina aos fiéis a acolhê-lo e guardá-lo com fé e amor na Eucaristia. Assim o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, de Montfort, conclui-se com um final eucarístico: viver plenamente a sagrada comunhão com Maria e em Maria (n. 266273). Ali se encontra o Totus Tuus continuamente respirado por são João Paulo II.17 Nestes anos de crise, encontramos o mesmo testemunho na serva de Deus Chiara Lubich, fundadora da Obra de Maria (Movimento dos Focolares), no amor de Jesus, na Eucaristia q uotidiana, 16 Principalmente o padre Gabriello Zucconi, mas também o padre Giovanni Bocchi e o padre Giuseppe Borra que será o seu primeiro biógrafo (1984). Depois, o mesmo padre Borra será o diretor espiritual de uma outra mística, a estigmatizada Teresa Musco di Caserta (1943-1976) da qual escreverá a vida em 1986, um ano antes de ele morrer. São importantes estas figuras de sacerdotes salesianos espirituais, com o exemplo eminente do venerável Giuseppe Quadrio SDB (19211963), grande místico e grande teólogo. 17 É a fórmula breve da consagração a Jesus por Maria, a Maria para receber Jesus. Bento XVI recordou a importância disto em toda a vida de João Paulo II, na sua homilia de beatificação, em 1 de maio de 2011: «O lema “Totus tuus” corresponde à célebre expressão de são Luís Maria Grignion de Montfort, na qual Karol Wojtyla encontrou um princípio fundamental para a sua vida: “Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio Te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria – Sou todo teu e tudo o que é meu é teu. Tenho-te como todo o meu bem. Dá-me o teu coração, ó Maria» (L.M. GRIGNION DE MONTFORT, Trattato della vera devozione alla santa Vergine, n. 266). Estas palavras em Latim eram continuamente recopiadas por Karol Wojtila sobre as páginas dos seus manuscritos, desde quando era seminarista clandestino.
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de Maria e da Igreja, em plena comunhão com Paulo VI18. Antes do Concílio e da Dei Verbum, Chiara colocava o acento no a limento da Palavra de Deus, “Palavra de Vida”, inseparável do Pão de Vida eucarístico. Com certeza, a Obra dos Sacrários Vivos iniciada por Vera nestes anos é uma realidade humanamente pequena, mas na sua verdade profunda é grande e profética. É como um novo desenvolvimento e uma nova aplicação da fé na Presença Real de Jesus na Eucaristia. Trata-se de guardar em si a presença Eucarística de Jesus recebido na comunhão, para levá-lo aos outros. Este primeiro modo de ser Sacrário Vivo já pode ser vivido por todos na Igreja. Mas há um segundo modo que não é ainda plenamente possível: guardar a Hóstia Consagrada e levá-la consigo ao meio dos homens. Para isto seria necessária a permissão do Papa, e é isto que Vera pedia nas suas mensagens a Paulo VI. Vera era apoiada discretamente pelos superiores salesianos e por alguns teólogos (salesianos, dominicanos e carmelitas) que transmitiram ao Papa as suas mensagens. Paulo VI abençoará a Obra depois da morte de Vera. Ao invés, não há documentos relativos à autorização pedida para levar Jesus Eucaristia, mas, facto positivo, durante o seu pontificado foram instituídos os ministros extraordinários da Eucaristia em 1972: homens e senhoras, leigos e consagrados que têm a missão de levar a Eucaristia aos doentes e aos anciãos. Eles podem já viver em plenitude a palavra de Jesus a Vera: “Leva-me contigo!”
18 Posso ainda acrescentar o meu testemunho pessoal, porque estes dois últimos anos da vida de Vera foram também os meus primeiros anos de vida religiosa. Comove-me o facto de que Vera tenha recebido a sua primeira mensagem no dia 19 de setembro de 1967, quando eu entrei no Carmelo dois dias depois, em 21 de setembro, na festa de são Mateus. Fiz a minha profissão religiosa em 1968, e experimentei pessoalmente esta grande crise da Igreja, ouvindo sempre a voz de Paulo VI. A adoração eucarística era muito combatida, chamada por alguns também “idolatria”! Tive de lutar dois anos para obter a permissão de uma hora de adoração, diante do Santíssimo exposto uma vez por semana, e só opcional, para um pequeno grupo! Não se falava já de tabernáculos, mas de “reserva eucarística” só para levar a comunhão aos doentes, e não como lugar de oração.
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Índice Primeira parte Prólogo à edição portuguesa.............................................................................. 7 Introdução....................................................................................................... 11 Vera Grita no “Círculo dos Santos”................................................................. 27 “Leva-me contigo”! Notas teológico-espirituais sobre a espiritualidade dos Sacrários Vivos............ 49 Perfil biográfico e espiritual de Vera................................................................. 63 Causa de beatificação e canonização de Vera Grita.......................................... 85 Perfil biográfico do diretor espiritual: G. Zucconi SDB..................................... 89
Segunda Parte Cadernos de Vera de Jesus.........................................................97 Caderno I...................................................................................99 Caderno II...............................................................................117 Caderno III..............................................................................135 Caderno IV..............................................................................165 Caderno V...............................................................................189 Caderno VI..............................................................................211 Caderno VII.............................................................................231 Caderno VIII............................................................................249 Caderno IX..............................................................................267 Caderno X...............................................................................283 Caderno XI..............................................................................307 Caderno XII.............................................................................331 Caderno XIII...........................................................................357
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