LEIA ESTE LIVRO A PARTIR DO FIM… …desde logo, porque – como diria o Sábio de Hipona – é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa.
João António Pinheiro Teixeira
Se assim entender
Depois, porque é possível que o título o indisponha, o subtítulo o retraia e a maioria dos textos o exaspere. Alegará que o pecado é um arcaísmo e que a confissão não passa
João António Pinheiro Teixeira
E se o
pecado
for uma oportunidade?
retorne do desuso a que foi sentenciada. Nesse caso, reiteramos a proposta para que inicie a leitura pelo apontamento conclusivo, fazendo uma travessia por estas páginas de forma regressiva. Ao acostar no princípio, captará o motivo que nos levou a percorrer este roteiro. Sem doença não há cura; sem desencontro não existe reencontro. A cura só ocorre porque foi contraída uma doença; o reencontro só acontece quando houve um prévio desencontro. Mas, em contrapartida, haverá alegria comparável à de uma doença debelada? Ou felicidade que iguale a de um reencontro longamente aguardado? O estimado leitor também pode desfrutar dessa alegria e deleitar-se com esta felicidade. Aceita experimentar?
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E SE O PECADO FOR UMA OPORTUNIDADE?
de uma obsolescência. Provavelmente, nem acredita que ela
A Confissão como Sacramento do
Reencontro
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Ficha Técnica:
E se o pecado for uma oportunidade A Confissão como Sacramento do Reencontro © 2026 João António Pinheiro Teixeira Copyright desta edição: © 2026 Salesianos Editora Rua Duque de Palmela, 11 4000-373 Porto | Tel: 225 365 750 geral@editora.salesianos.pt www.editora.salesianos.pt Capa e paginação: João Cerqueira 1ª edição: Setembro 2026 ISBN: 978-989-9134-86-7 Depósito Legal.: 978-989-9134-86-7 Impressão e acabamento: Invulgar Reservados todos os direitos. Nos termos do Código do Direito de Autor, é expressamente proibida a reprodução total ou parcial desta obra por qualquer meio, incluindo a fotocópia e o tratamento informático, sem a autorização expressa dos titulares dos direitos.
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«Muitas vezes é necessário, e até positivo, fracassar» – Allan Percy –
«Quanto maiores são as adversidades, tanto maiores são as oportunidades». – Eberhard Jüngel –
«A doença contém a cura, mas tem de ser assumida». – Alain de Botton –
«Onde abundou o pecado, superabundou a graça». – Paulo de Tarso –
«Ó feliz culpa que nos mereceu tão grande Redentor». – Precónio pascal –
«Nunca compreenderemos que Aquele que mais nos amou nos tenha amado tanto». – Leandro Fanlo –
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Antelóquio
Não é sobre o pecado, mas sobre como vencer o pecado Que fique bem claro: este não é um ensaio sobre o pecado, mas sobre como vencer o pecado, ou seja, sobre «a graça do perdão»1. O perdão é o reencontro entre Deus e o homem após o desencontro do homem com Deus. O desencontro do pecado está figurado no filho que abandona a casa do pai (cf. Lc 15, 13) enquanto o reencontro é ilustrado pelo filho que corre para o pai e pelo pai que corre para o filho (cf. Lc 15, 20). O filho não ilude o pecado, confessa-o (cf. Lc 15, 18-19-21) e o pai sinaliza o perdão apertando o filho nos braços e cobrindo-o de beijos (cf. Lc 15, 20). O reencontro que ocorre no Sacramento do Perdão é este abraço do Pai, são estes beijos de Deus: «O que provoca a alegria de Deus é o regresso dos filhos perdidos»2. O perdão tem um efeito infinitamente superior à expetativa: o pecador não é indultado, mas transfigurado. É a diferença entre ser mais um trabalhador (cf. Lc 15, 19) e filho. Os sinais estão na roupa nova, no anel no dedo, no calçado nos pés e no banquete festivo (cf. Lc 15, 22-24). 1
Prefácio VI do Tempo da Quaresma.
2
LEANDRO FANLO, Confessar-se porquê? (Parede 1997) 7-8. 5
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Acontece que Deus enviou o Seu único Filho (cf. Jo 3, 16) para depositar aquele abraço e aqueles beijos em quem, reconhecendo-se pecador, se arrepende e empreende a viagem de regresso (cf. Lc 15, 17-20). Isto significa que nas vossas mãos está um ensaio sobre Jesus Cristo, o único que – por meio da Sua Igreja – tem poder para nos perdoar do pecado. Basta conferir esta passagem, onde Ele agrega a enfermidade e a cura: «Os teus pecados [enfermidade] estão perdoados [cura]» (Mc 2, 5; cf. Lc 5, 20; 7, 48). Se não tivesse havido desencontro, haveria reencontro? Se não existisse pecado, teria sentido falar de perdão? Ao perdoar o pecado, Jesus certifica a existência do pecado. Este, porém, não deixa de constituir uma paradoxal oportunidade para se abeirar de Jesus. Foi o que sucedeu àquela mulher que se considerava pecadora (cf. Lc 7, 37). Lançou-se ao encontro d’Ele, prostrando-se a Seus pés, beijando-os, ungindo-os e regando-os com lágrimas (cf. Lc 7, 37-47). Consequência: «Os teus pecados estão perdoados» (Lc 7, 48). Jesus nunca ocultou que veio para os pecadores (cf. Lc 5, 32): não para validar o seu pecado, mas para os curar das suas culpas. E já que veio «para salvar os pecadores» (1Tim 1, 15), aproximava-se deles instando-os ao arrependimento (cf. Lc 5, 32). «Neles descobria uma disponibilidade para a conversão»3. Com eles convivia e com eles comia, sendo até censurado por isso (cf. Lc 15, 2). Por conseguinte, só instrumentalmente este livro incide sobre o pecado. Acontece que, embora instrumental, a referência ao pecado é indispensável para acentuar a relevância do respetivo perdão4. Ocultar a existência do pecado não valoriza o perdão; inutiliza-o. Quem não tem consciência do pecado, que necessidade sentirá de perdão? O pecado não é obviamente a causa de fazermos parte da Igreja, mas é a condição em que chegamos à Igreja e o estado em que nos encontramos frequentemente na Igreja. Como ignorá-lo?
3
ANSELM GRÜN, A Penitência. Celebração da Reconciliação (Lisboa 2004) 55.
PEDRO FERNÁNDEZ RODRÍGUEZ, El Sacramento de la Penitencia. Teología del pecado y del perdón (Salamanca-Madrid 2000) 9. 4
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Tal como a eventualidade de uma doença nos impele a procurar um médico, também o reconhecimento do pecado pode reconduzir-nos à Igreja, novo Corpo de Cristo (cf. 1Cor 12, 12-31). Não o fazer seria, mutatis mutandis, como ter o clínico à nossa disposição e não lhe solicitar terapia. Parece uma provocação apresentar o pecado como uma oportunidade para a Igreja de Cristo. Mas não são as indigências que atraem mais pessoas para a maioria das áreas de atividade? Os ginásios estão repletos de obesos desejando emagrecer; as oficinas estão repletas de viaturas acidentadas à espera de reparação; os hospitais estão sobrecarregados de doentes em busca de saúde. O tratamento começa pela admissão de que se está doente: «A doença contém a cura, mas tem de ser assumida»5. Já São Jeró nimo notava que, «se o enfermo tem vergonha de mostrar a sua ferida ao médico, a medicina não pode curar o que ignora»6. Seria de admirar que as igrejas estivessem cheias de pecadores à procura de perdão? Surpreendente é que muitas delas estejam vazias e até fechadas, como se o comportamento do ser humano fosse irrepreensível e não carecesse de uma alternativa reparadora. A esta luz, se o pecado é um mal, a identificação do pecado pode abrir uma possibilidade, o requisito necessário para o conhecer e não cair nele, ou para o reconhecer e se erguer dele. Nessa medida, trata-se de um atalho para a Igreja realizar a sua missão primordial, assim sumariada por Leão XIV: «Acolher o homem pecador, conduzindo-o a Deus»7. A abordagem do pecado não é – nem jamais poderia ser – um fim em si; mas é o primeiro passo para realçar a absoluta necessidade que temos de Jesus Cristo e do Seu perdão. Eis um paradoxo que se reformula em flamejante prioridade pastoral: quanto mais diligentemente tomarmos consciência do pecado, tanto mais prontamente nos reaproximaremos de Cristo. 5 ALAIN DE BOTTON, Uma viagem terapêutica. Lições da Escola da Vida (Lisboa 2025) 13. 6
In DENZINGER 899.
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/audiences/2026/documents/20260304-udienza-generale.html 7
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Evocando Montaigne, dir-se-ia que, à beira do precipício, só há uma maneira de seguir em frente: dando um passo atrás8; neste caso, tomando consciência de que somos pecadores. Comecemos então por dar esse passo atrás!
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Cf. https://www.pensador.com/frase/MjU5NTEw/
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Ponto de partida
Silenciar o pecado elimina o pecado? O silenciamento do pecado não equivale a uma eliminação do pecado. Sendo um vocábulo praticamente erradicado do nosso vocabulário, o pecado não deixou de ser uma realidade presente na nossa vida. Não continua o pecado a morar à nossa beira (cf. Gén 4, 7)? Não é, por isso, ignorando-o que o evitamos. Só tendo consciência dele estaremos em condições de alcançar vitória sobre ele. Não esqueçamos que – por muito desconcertante que pareça a formulação – foi o pecado que nos trouxe à porta da Igreja. É dentro dela que, pelo Batismo, todo o pecado é vencido: desde o pecado que nos danifica a partir das origens até aos pecados que possamos ter cometido antes do Batismo. Com efeito, enquanto banho de água acompanhado da palavra da vida, ele limpa os homens de toda a mancha de culpa, tanto original como pessoal9. Por conseguinte, todos entrámos na Igreja como pecadores e todos permanecemos na Igreja como pecadores. Não é verdade que, «enquanto um homem vive, cede à tentação»10? É que, não obstante a repercussão do Batismo, continuamos a sucumbir ao cerco do 9
Cf. RITUAL DA CELEBRAÇÃO DO BAPTISMO DAS CRIANÇAS 5.
10
AVIAD KLEINBERG, Sete pecados capitais. Uma nova abordagem (Lisboa 2010) 207. 9
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pecado como assumimos no Ato Penitencial da Eucaristia (fórmula A): «Confesso a Deus todo-poderoso e a vós, irmãos, que pequei muitas vezes». Para fazer frente ao pecado e conforme determinação por Jesus expendida (cf. Mt 28, 19; Jo 20, 23), a Igreja hospeda-nos no Sacramento do Batismo e – depois do Batismo – reabilita-nos no Sacramento do Perdão, no âmbito da conversão pós-batismal. Em conformidade, se falar do pecado sem falar do perdão é estilhaçar-se no precipício, falar do perdão sem falar do pecado equivale a mutilar o anúncio. Sem consciência do pecado, é enorme o risco de esvaziar o alcance do dom do perdão. Se não há perceção de que o pecado nos habita, que necessidade haverá de um salvador que nos perdoe? Daqui se depreende que, quanto mais intensa for a consciência do pecado, tanto mais crescerá a procura de Cristo na Igreja para alcançar o perdão. Ao contrário do que insinua Aviad Kleinberg, o Cristianismo não tem a sua base no pecado11, mas n’Aquele que nos liberta do pecado. Do que o Cristianismo não pode padecer é de insensibilidade relativamente à existência e à natureza do pecado. Afinal, é a carência que determina a maioria das nossas decisões e dos nossos comportamentos. É a carência de alimentos que nos leva a uma mercearia, a um hiper, a uma cantina ou a um restaurante. É a carência de transporte que motiva a procura de uma viatura. É a carência de instrução que nos orienta para uma escola. E, maximamente, é a carência de saúde que nos move para uma instituição hospitalar. Por muito intrigante que nos pareça, a carência é também um fator de sobrevivência para um conjunto de entidades, ofícios e profissões. No fundo, sem a carência de todos, não há sobrevivência para ninguém. A esta luz, quem não sente carência de salvação procurará os meios para ser salvo? Quem não se reconhece pecador que carência experimentará de um salvador? Que se espera de um clínico? Que cure. Que se aguarda de um salvador? Que salve. Mas de quê? 11
Cf. ibidem 19. 10
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O Salvador salva do pecado. Jesus, como garante o enviado celeste, «salvará o povo do seu pecado» (Mt 1, 21). Segundo Bento XVI, é este o principal – e praticamente único – objetivo da vinda de Cristo ao mundo: «Destruir o mal, o pecado; o resto, tudo o resto Ele eleva e aperfeiçoa»12. Daí que apresentar Jesus como Salvador e omitir aquilo de que Ele nos salva implique, por inconsequência, truncar a Sua personalidade e menorizar a Sua missão. Acresce que, «nesta época pós-moderna, o ser humano tem ainda mais necessidade de um Salvador, porque a sociedade em que vive tornou-se mais complexa, e mais enganosas se tornaram as ameaças para a sua integridade pessoal e moral. Quem pode defendê-lo senão Aquele que o ama, a ponto de sacrificar na cruz o seu Filho unigênito como Salvador do mundo?13». O pecado só é vencido em Cristo; o pecador só é restabelecido por Cristo. Pelo que a omissão do pecado não engrandece a figura de Cristo. Ao invés, a menção do pecado na descrição da figura de Cristo destaca a Sua singularidade insuperável. Apenas Ele é capaz de «salvar o que estava perdido» (Lc 19, 10), ou seja, cada um de nós. Por conseguinte, a consciência do pecado reforça a relevância de Cristo e, nessa medida, a magnitude do Seu Corpo que é a Igreja. O serviço do perdão foi-lhe por Cristo confiado (cf. Jo 20, 22-23) para que o aplique em vendavais de misericórdia. Aliás e como realçou São João XXIII, é próprio da «Esposa de Cristo usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade»14. Sucede que, para aceder à misericórdia, é mister reconhecer a cedência ao assédio do mal. Fica assim claro que, tal como o silenciamento da doença não cura o doente, também a omissão do pecado não salva o pecador. A Igreja, Corpo de Cristo, será revitalizada se os seus membros, não negligenciando a sua condição pecadora, nela se incorporarem para alcançar a salvação.
12 https://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/messages/urbi/documents/hf_ben-xvi_ mes_20061225_urbi.html 13
L. cit.
https://www.vatican.va/content/john-xxiii/pt/speeches/1962/documents/hf_j-xxiii_ spe_19621011_opening-council.html 14
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Não é o pecado que esvazia as igrejas. Dir-se-ia mesmo que a falta de consciência do pecado é que as pode tornar dispensáveis. Já em meados do século XX, o Papa Pio XII diagnosticou que «o maior pecado do mundo de hoje é talvez o de os homens terem começado a perder o sentido do pecado»15, sem perceberem que – como alertava Orígenes – «a insensibilidade à culpa faz parte da própria culpa»16. A verdade é que, nestes tempos noturnos, «o pecado tornou-se um assunto de que quase não se fala»17. Depois de um tempo em que se «via o pecado em toda a parte passamos a uma época em que não o vislumbramos em lado nenhum»18. Na consciência comum – e às vezes também na vida da Igreja – «tudo é explicado como fragilidade, ferida, limite ou condicionamento. Quando ainda se fala de pecado, muitas vezes ele é reduzido a um pequeno erro ou a uma fraqueza»19. Mas se o sentido do pecado se perde, que necessidade sentirão os homens de salvação? Considerando alguns que a insistência no discurso do pecado afasta muitos, não podem deixar de admitir que foi a sua supressão que, por irrelevância, conduziu à paulatina dispensa da Igreja. Depreendia-se que a inclusão do pecado no anúncio podia dar-lhe uma coloração deprimente. O problema é que a sua ausência cavou – por irrealismo – uma ilusão. Na verdade, quem de nós está em condições de garantir que nunca pecou (cf. Ecl 8, 7; Jo 8, 7; Rom 3, 23)? Só faltando à verdade é possível fazer soar tal desacerto (cf. 1Jo 1, 10). A nossa experiência mais elementar está constantemente a atestar que fazemos o mal que não desejamos deixando de praticar o bem a que aspiramos (cf. Rom 7, 19). Calando o pecado salvamo15 PIO XII, Radiomensagem na conclusão do Congresso Catequético dos Estados Unidos em Boston (26 de outubro de 1946). 16 In JOÃO ANTÓNIO PINHEIRO TEIXEIRA, A Missa não tem fim. Da celebração sacramental à celebração existencial da Eucaristia (Braga 2006) 67. 17
JOSEPH RATZINGER, No princípio Deus criou o céu e a terra (Cascais 2009) 58.
18
SÃO JOÃO PAULO II, Reconciliatio et paenitentia 18.
In https://noticias.cancaonova.com/igreja/pasolini-alerta-se-nada-e-pecado-a-santidade-torna-se-incompreensivel/ 19
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-nos? Restabelecer o sentido do pecado é, pois, um dos passos para superar a crise eclesial do nosso tempo20. É como pecadores que nos voltamos para Cristo (cf. Lc 18, 13). Se quanto maiores são as adversidades, tanto maiores se tornam as possibilidades21, não estará na reconsciencialização do pecado uma oportunidade decisiva para a Igreja se reencontrar na globalidade da sua missão? A reconsciencialização do pecado ajudar-nos-á a diligenciar no sentido da sua superação. O Sacramento da Confissão ou da Penitência é o meio de recuperarmos o que perdemos no pecado. É o reencontro após o desencontro. Optamos, entretanto, por privilegiar a designação de Sacramento do Perdão. Antes de mais, porque ela sinaliza a prioridade e a centralidade da intervenção de Deus. Após a confissão, o sacerdote profere a absolvição, palavra que significa dissolução, libertação de algo. Ou seja, «o sacerdote declara o penitente livre da sua culpa, concedendo-lhe o perdão de Deus»22. É a experiência mais profunda que alguém pode fazer: «Sentir-se filho de um Pai que, em vez de nos repreender pela fuga, Se enternece por termos voltado»23. Em segundo lugar, porque esta denominação aponta para uma pertinência. Sendo tão difícil perdoar, a melhor via para aprender a perdoar não será acolher o perdão da parte de Deus? Como Ele faz, façamos nós também; «perdoemo-nos mutuamente, como Deus nos perdoou em Cristo» (Ef 4, 32). «O Sacramento do Perdão é uma bem-aventurança produzida pela conversão e pela experiência de uma vida reconciliada»24. 20
Cf. SÃO JOÃO PAULO II, Reconciliatio et paenitentia 18.
21
Cf. EBERHARD JÜNGEL, Dios como misterio del mundo (Salamanca 1984) 20.
ANSELM GRÜN, A Penitência 44. As cinco denominações oficiais são: Sacramento da Conversão, Sacramento da Penitência, Sacramento da Confissão, Sacramento do Perdão e Sacramento da Reconciliação (Cf. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA 1423-1424) Se Sacramento do Perdão prioriza o ato de Deus, as outras denominações indicam os atos humanos indispensáveis para obter o perdão: a confissão dos pecados, o itinerário penitencial devido ao pecado, feito de conversão de toda a existência em ordem à reconciliação com Deus e com os irmãos. 22
23
LEANDRO FANLO, Confessar-se porquê? 4.
24
In https://formacao.cancaonova.com/diversos/crise-da-confissao-ou-crise-do-perdao/ 13
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Era neste espírito que, nos primeiros tempos, os cristãos concluíam o louvor da manhã e da tarde com a recitação do Pai-Nosso, onde está incluída a petição «Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido» (Mt 6, 12). Ou seja, começava-se e terminava-se cada dia com um pedido de perdão e com uma disposição para perdoar25. É o perdão que nos transfigura, renova e revigora. E, na hora que passa, o perdão é ainda mais imprescindível, mais urgente, mais prioritário. Haverá paz sem perdão? Os acontecimentos depõem de uma forma sumamente esclarecedora. Sem perdão, os conflitos até podem abrandar, mas o rancor está sempre preparado para os reacender. Infelizmente, «a misericórdia não tem cabimento na lógica de uma cultura que se defende construindo prisões em vez de recuperar as pessoas a partir do seu íntimo, livrando-as da escravidão de se sentirem sós ou de nunca terem sido amadas. A única maneira de vencer o mal é afogá-lo no bem»26. Pelo que só o perdão instaura – e restaura – a paz.
25
Cf. ANSELM GRÜN, A Penitência 12.
26
LEANDRO FANLO, Confessar-se porquê? 4. 14
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1 Em radical incoerência Somos pecadores, mas não nos confessamos Em relação ao mal, parece que vogamos em transe, simulando ser quem não somos, condicionados por narrativas que nos anestesiam e distanciam do que ocorre na realidade, pessoal e circundante. Este transe, segundo Andrea Colamedici, é uma consequência da hipnocracia que nos tutela e confunde27. Ela é «o primeiro regime que opera diretamente sobre a consciência; o seu objetivo já não é tanto reprimir as multidões, mas manipular as consciências. Existimos em estado de hipnose permanente, em que a consciência se ofusca»28. Resultado? «A realidade e a simulação convertem-se em sinónimo»29. 27 Andrea Colamedici é um renomado escritor italiano que codificou o conceito de hipnocracia para descrever a ascensão do discurso manipulador como via de acesso a formas de governo e controlo social, baseado na adulteração das perceções coletivas, induzindo as massas a um estado de transe. A hipnocracia adormece o pensamento crítico, mantendo os cidadãos em estado de sono (hipnos). No limite, cria uma realidade ficcional, mas que a população tende a aceitar como verdadeira. Estamos perante um sistema no qual o poder opera preferencialmente através da manipulação direta dos estados coletivos de consciência. Aliás e para nos testar, o referido autor italiano, em conexão com sistemas de inteligência artificial, gerou um filósofo fictício de Hong Kong para publicar o livro onde desenvolve o conceito [JIANWEI XUN, Hipnocracia: Trump, Musk e a nova arquitetura da realidade (Madrid 2025)]. Não estaremos também nós, cristãos, a ceder perante perceções que nos desconectam da realidade do pecado? Não estaremos também a latejar numa hipnosfera, a entrar em transe hipnótico? 28
Ibidem 13.
29
Ibidem 12. 15
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Porquê tanta resistência ao reconhecimento do pecado e à consequente necessidade de o confessar? Só uma inteligência virtual de uma existência artificial é incapaz de captar a extensão do pecado no mundo, descartando a irrenunciável responsabilidade que cada um tem nele. Será que sobrevoamos pela vida em estado hipnótico? Qualquer exercício de autodiagnose permite apurar que nem sempre convivemos harmoniosamente com a virtude, a probidade e a decência. «Quando olho para mim mesmo – reparava o amigo de Séneca –, alguns dos meus vícios vêm à superfície, para que sobre eles possa assentar a minha mão; uns menos visíveis e escondidos nas dobras da minha alma; outros que, sem serem habituais, reaparecem em intervalos regulares»30. A que se deve, então, que a Confissão seja na prática o sacramento mais negligenciado e menos valorizado?31 Além de uma formação catequética deficitária e de uma vivência inconstante da fé que dizemos professar, há fatores ambientais que conflituam quer com a consciência da culpa, quer com a consequente carência de perdão. Não nos confessamos por vergonha Há quem, assumindo-se pecador, alegue constrangimento e v ergonha em confessar os pecados; curiosamente esta vergonha não aparece antes de os cometer. Só que isto já vem dos começos. O tentador prometeu aos primeiros humanos que, cedendo à sua instigação, os olhos se lhes abririam para conhecer tudo, como Deus (cf. Gén 3, 5). Acontece que, quando os olhos se abriram, o que conheceram é que «estavam nus» (Gén 3, 7). Na mentalidade bíblica, estar nu SÉNECA, Sobre a brevidade da vida (Lisboa 2024, segunda edição) 71. O amigo em causa era Aneu Sereno, epicurista que demandava a orientação de Séneca, que era estoico; a relação entre eles era de mentor e discípulo, emoldurada por uma entranhada amizade. 30
31 Cf. PEDRO FERNÁNDEZ RODRÍGUEZ, El Sacramento de la Penitencia 324. S egundo pesquisas avançadas pelo Pew Research Center, apenas um em cada quatro católicos norte-americanos que participam regularmente na Eucaristia se confessa, pelo menos, uma vez por ano. Esta situação revela uma desconexão inquietante entre o Sacramento da Eucaristia e o Sacramento do Perdão. Mas também há indicadores de que, onde há formação e disponibilidade para a Confissão, a procura deste sacramento cresce.
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significa estar degradado e em situação de indignidade32. Afinal, «o pecado é sempre falaz e ilusório»33. Já no princípio, os homens tentaram afastar-se de Deus (cf. Gén 3, 8), mas Deus chamou por eles (cf. Gén 3, 9). A Confissão não é para informar Deus pois Ele já conhece o nosso pecado. A Confissão é para reconhecer que somos pecadores e para acolher o Seu perdão. Que a vergonha – possível indiciadora de arrependimento ou, então, de orgulho – não iniba ninguém de pedir perdão Àquele que está sempre disposto a perdoar. Não nos confessamos porque preferimos o psicólogo Na nossa época, a tendência dominante é para não reconhecer sequer a condição pecadora. Avista-se uma espécie de neognose que, embora de forma atemática, está presente em muitas vidas. É o que acontece quando se presume que a salvação não vem de fora, mas de dentro, através do conhecimento (gnose). A conversão é substituída pela iluminação de si mesmo. Trata-se de uma via que leva a psicologizar a religião. A chave da salvação está no eu34, conduzindo à desnecessidade da Confissão. É neste contexto que nem todos advertem, por exemplo, a diferença entre a confissão sacramental e a psicologia, embora aquela tenha efeitos sanantes a todos os níveis. Mas a Confissão não é uma sessão psicanalítica. Enquanto esta remete para os problemas visando a sua remoção, o sacramento incide sobre a precariedade moral do homem aspirando ao perdão de Deus. O psicólogo também escuta o homem, mas na pessoa do confessor o interlocutor é o próprio Deus. A psicologia aponta caminhos, mas quem purifica o homem é Deus. Na Confissão não buscamos apenas a tranquilidade, mas o perdão, que é o mais tranquilizador. Em suma, estamos perante opções complementares, mas diferentes. 32 JUAN LUIS RUIZ DE LA PEÑA, El don de Dios. Antropología teológica especial (Santander 1991) 65. 33
L. cit.
Cf. ISIDRO PEREIRA LAMELAS, Gnosis, o conhecimento que salva. Do gnosticismo antigo à neognose contemporânea (Lisboa 2026) 285-289. 34
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Na Confissão, ao contrário da psicologia, não é o eu que está no centro35. Não nos confessamos porque nos sobrestimamos Para a eclosão deste sitz im leben, não podemos subestimar o clima de ateísmo prático, «o eclipse da consciência de Deus e da necessidade de salvação»36. Nem é possível descartar «a influência de ideologias que prescindem de Deus ou O reduzem à medida do homem, esvaziando, portanto, as realidades do pecado e da graça»37. Recusamos que alguém estabeleça critérios para eu avaliar a minha conduta. No fundo, esta pulsão já vem das origens. A essência de todo o pecado é uma espécie de «declaração de independência de poder pretensamente autónomo; o homem ocupa o lugar central, ou seja, o lugar de Deus; crê poder ser por natureza o que só pode ser por graça»38. Para muitos, o eu tornou-se a matriz incontestada. Hoje, «a humanidade é a medida de todas as coisas. Recebemos poucas lições de modéstia»39. A revolução individualista, que coloca o indivíduo no centro, contende com a aceitação de uma instância exterior para conferir padrões de comportamento. As dificuldades avolumam-se quando essa instância é de natureza transcendente. Há uma inveterada resistência a admitir que «a grandeza do homem se manifesta na capacidade de confiar em Deus e de passar do egodrama ao teodrama»40, da egoparalisia à teodinâmica. O mundo tende a ser considerado não como âmbito de transcendência, mas como mero campo experimental. Em consequência, é o sujeito que decide o que é bom e o que é mal, o correto e o incorreto. Facilmente acostamos na cultura do 35
Cf. PEDRO FERNÁNDEZ RODRÍGUEZ, El Sacramento de la Penitencia 326-329.
36
Ibidem 324.
37
Ibidem 9.
38
JUAN LUIS RUIZ DE LA PEÑA, El don de Dios 65.
39
ALAIN DE BOTTON, Uma viagem terapêutica 81.
JOSÉ FERNÁNDEZ CASTIELLA, Filhos frágeis de um Deus vulnerável. Um olhar renovado sobre o Sacramento da Reconciliação (Apelação 2026) 82. 40
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Índice Antelóquio
Não é sobre o pecado, mas sobre como vencer o pecado...................................... 5
Ponto de partida
Silenciar o pecado elimina o pecado?................................................................... 9 1 - Em radical incoerência.................................................................................. 15 Somos pecadores, mas não nos confessamos ............................................. 15 Não nos confessamos por vergonha........................................................... 16 Não nos confessamos porque preferimos o psicólogo................................. 17 Não nos confessamos porque nos sobrestimamos...................................... 18 Não nos confessamos porque nos julgamos mais vítimas do que culpados..................................................................... 19 Temos mais consciência do pecado dos outros do que dos nossos pecados......................................................................... 21 Não esqueçamos que a evangelização começa pelo apelo à conversão................................................................... 22 Para ser vencido, o pecado tem de ser assumido......................................... 23 Só Jesus faz luz para ver – e vencer – o pecado........................................... 24 2 - O pecado como desencontro......................................................................... 27 Da harmonia primordial ao desencontro inicial......................................... 27 Todo o pecado está padronizado nas origens.............................................. 28 Capazes de pecar, incapazes de vencer o pecado......................................... 29 Vinculados pela humanidade, implicados na pecaminosidade.................... 30 O pecado não contamina apenas a relação com Deus................................ 31 Só o amor redentor salvará o pecador........................................................ 32 155
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3 - Quanto maior é o pecado, tanto menor é a consciência do pecado............... 33 O crescimento no pecado alimenta a inconsciência do pecado................... 33 É na humildade que reconhecemos a nossa debilidade............................... 34 Nem a santidade é isenta de pecado........................................................... 35 4 - Reconhecer o pecado para reconhecer a necessidade de salvação.................. 39 O pecado é resistente, mas a salvação é muito mais poderosa.................... 39 Uma história de perdição convertida em história de salvação..................... 40 Todos pecam, só um salva.......................................................................... 41 «Feliz» é o pecador por causa de tão grande Salvador................................ 42 5 - Reconhecer a maravilha da salvação para reconhecer a perversidade do pecado.................................................... 45 O anúncio da salvação é a maior denúncia do pecado............................... 45 Um só trouxe o pecado a todos; um só ofereceu a salvação por todos....... 46 À universalidade do pecado corresponde a universalidade da salvação...... 47 6 - Se não houvesse o pecado, Jesus teria vindo ao mundo?............................... 49 «Ele veio para tirar os pecados» (1Jo 3, 5)................................................. 49 Mas, mesmo sem o pecado, Ele teria vindo................................................ 50 A Criação não estaria concluída sem a Encarnação.................................... 51 Deus quis unir toda a humanidade na carne do Filho................................. 52 7 - Como fomos salvos do pecado?.................................................................... 55 O divino assume – integralmente – o humano............................................ 55 «Carregou as nossas faltas» (Is 53, 6) para delas nos libertar..................... 56 Salvos «mediante a morte do Filho de Deus» (Rom 5, 10)......................... 57 8 - O Batismo como primeiro acesso à salvação................................................. 59 Apagão de todo o pecado . ........................................................................ 59 Sacramento da vida nova........................................................................... 60 O Batismo começa, o Perdão restaura e a Eucaristia leva à realização plena.......................................................... 61 «A Igreja nada pode perdoar sem Cristo e Cristo nada quer perdoar sem a Igreja»................................................... 63 O Sacramento do Perdão é um desenvolvimento do Sacramento do Batismo......................................................................... 64
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9 - A Penitência como segunda oportunidade depois do Batismo...................... 67 «Se morremos para o pecado, como continuamos a viver nele?» (Rom 6, 2)............................................. 67 «Deus usa de paciência pois quer que todos se convertam» (2Ped 3, 9).......................................................... 68 «A quem tiver cometido alguma falta corrigi com mansidão» (Gál 6, 1)............................................................... 70 10 - Um só Batismo e uma só Penitência............................................................ 71 Confissão antes da comunhão eucarística................................................... 71 Perdão após a penitência............................................................................ 73 A confissão pública nunca terá sido exigida e até foi combatida..................................................................................... 74 O percurso penitencial............................................................................... 75 A tendência para diferir a penitência.......................................................... 76 11 - Primeira viragem: para pecado múltiplo, penitência múltipla ................... 79 Sem limites para o perdão.......................................................................... 79 Os livros penitenciais e a «penitência tarifada».......................................... 80 Comutações e compensações...................................................................... 81 Dias para começar e para terminar os percursos penitenciais..................... 82 12 - Segunda viragem: o perdão antes da penitência.......................................... 85 Pecado confessado, pecado (logo) perdoado.............................................. 85 A absolvição não suplica o perdão, mas confere o perdão.......................... 86 Pelo menos, uma vez por ano..................................................................... 87 Incremento da confissão frequente............................................................. 88 13 - O perdão refaz o que o pecado desfaz........................................................ 89 Sacramento que repõe a comunhão com Deus e com a Igreja.................... 89 A Confissão como retorno ao Batismo....................................................... 90 As diferenças entre os dois sacramentos..................................................... 92 Deus não desatende «um coração humilde e contrito» (Sal 51, 17)............ 93 Da confissão por obrigação à confissão de devoção................................... 94 14 - Porque não nos confessamos diretamente a Deus?...................................... 95 Porque Deus confiou à Igreja a missão de perdoar em Seu nome............... 95 As cinco designações oficiais do Sacramento.............................................. 96 Este é o sacramento da «segunda conversão»............................................. 98 O valor (embora não sacramental) da «confissão aos irmãos»................... 99
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15 - Os passos do reencontro no Sacramento do Perdão.................................. 101 Contrição, confissão, satisfação/penitência e absolvição........................... 101 A contrição alcança imediatamente o perdão........................................... 102 A confissão para os pecados graves/mortais e para as faltas veniais......... 103 A satisfação como penitência corretora das sequelas do pecado............... 103 A absolvição é a intervenção de Deus que perdoa através da Igreja ........ 104 16 - Onde e como celebrar o Perdão?............................................................... 107 Em lugares discretos e com horários conhecidos...................................... 107 Preparação e acolhimento........................................................................ 108 A descrição dos pecados com a ajuda da «regra dos cinco C».................. 109 Do ato de contrição ao louvor pelo perdão.............................................. 110 Celebração comunitária com confissão e absolvição individual................ 111 Celebração comunitária com confissão e absolvição geral........................ 112 17 - De quanto em quanto tempo nos devemos confessar?............................... 115 Uma obrigação e uma recomendação....................................................... 115 O limite mínimo é uma vez por ano......................................................... 116 O apelo à confissão frequente.................................................................. 117 Confissão frequente é confissão quinzenal?.............................................. 118 «Deus nunca Se cansa de perdoar».......................................................... 119 18 - Que pecados é necessário confessar e que pecados é recomendável confessar?................................................. 121 Os pecados capitais.................................................................................. 121 O pecado «megacapital».......................................................................... 122 «Acédia» ou preguiça?............................................................................. 123 Pecados graves/mortais e pecados veniais................................................. 124 Como distinguir um pecado grave/mortal de um pecado venial?.............. 125 A responsabilidade pessoal nos pecados sociais........................................ 127 19 - Não bastará a Eucaristia para perdoar todos os pecados?......................... 129 O principal sacramento da Igreja............................................................. 129 Celebra a fonte do perdão, mas não dispensa o Sacramento do Perdão.............................................. 130 O Ato Penitencial na Eucaristia............................................................... 132 Outros momentos penitenciais................................................................. 134 «Alimento para fracos e não prémio para perfeitos»................................ 135
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20 - Para revitalizar e pastoralizar o Sacramento do Perdão........................... 137 Olhar para Cristo, personificação do perdão........................................... 137 Conhecer o projeto divino e reconhecer o quanto distamos dele.............. 138 Humildade para assumir a nossa condição pecadora . ............................. 139 Disponibilidade para um itinerário de conversão, pessoal e comunitária............................................................................... 139 Apresentar a Igreja como central distribuidora do perdão........................ 140 Transição da ocasionalidade para a assiduidade....................................... 142 Superar a dicotomia entre sacramentos e evangelização........................... 142
Ponto de chegada Maior que a alegria por alguém não pecar é a alegria do reencontro com o pecador.......................................................... 145
Apêndice Exame de Consciência à luz da Primeira Epístola de São João......................... 151
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LEIA ESTE LIVRO A PARTIR DO FIM… …desde logo, porque – como diria o Sábio de Hipona – é quando parece que tudo acaba que tudo verdadeiramente começa.
João António Pinheiro Teixeira
Se assim entender
Depois, porque é possível que o título o indisponha, o subtítulo o retraia e a maioria dos textos o exaspere. Alegará que o pecado é um arcaísmo e que a confissão não passa
João António Pinheiro Teixeira
E se o
pecado
for uma oportunidade?
retorne do desuso a que foi sentenciada. Nesse caso, reiteramos a proposta para que inicie a leitura pelo apontamento conclusivo, fazendo uma travessia por estas páginas de forma regressiva. Ao acostar no princípio, captará o motivo que nos levou a percorrer este roteiro. Sem doença não há cura; sem desencontro não existe reencontro. A cura só ocorre porque foi contraída uma doença; o reencontro só acontece quando houve um prévio desencontro. Mas, em contrapartida, haverá alegria comparável à de uma doença debelada? Ou felicidade que iguale a de um reencontro longamente aguardado? O estimado leitor também pode desfrutar dessa alegria e deleitar-se com esta felicidade. Aceita experimentar?
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E SE O PECADO FOR UMA OPORTUNIDADE?
de uma obsolescência. Provavelmente, nem acredita que ela
A Confissão como Sacramento do
Reencontro
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