Skip to main content

DF2 Ser Amigo de Jesus [Guia do catequista]

Page 1


AMOSTRA

AMOSTRA

AMOSTRA

A Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF), por delegação da Conferência Episcopal Portuguesa, aprova o presente recurso catequético “Ser amigo de Jesus”, correspondente ao percurso 2 do Tempo do Despertar da Fé, do “Itinerário de iniciação à vida cristã das crianças e dos adolescentes com as famílias”.

Lisboa, 13 de maio de 2026

Festa da Virgem Santa Maria do Rosário de Fátima

D. António Augusto de Oliveira Azevedo, Presidente da CEECDF

Elaboração dos materiais

Acessoria Catequética Revisão teológica e pedagógica

Projeto gráfico

Capa Paginação Ilustrações Revisão geral da edição

Impressão e acabamento

ISBN

Depósito Legal

Primeira edicão

AMOSTRA

Rafaela Alves, Raquel Kritinas, Rui Alberto Ir. Isabel Martins, snsf

D. José Alves e D. Manuel Pelino

Salesianos Editora

Paulo Santos

João Cerqueira

Bela e Ir. Leonor Wemans, oic Departamento da Catequese do Secretariado Nacional da Educação Cristã

Gráfica Almondina - Torres Novas

978-989-9271-14-2 xxx

Julho 2026

© Todos os direitos reservados para a Fundação Secretariado Nacional da Educação Cristã e Salesianos Editora

Fundação Secretariado Nacional da Educação Cristã Quinta do Bom Pastor, Estrada da Buraca, 8-12 1549-025 Lisboa | Tel. 218 851 285 snec@snec.pt | www.educris.com

Salesianos Editora

Rua Duque de Palmela, 11 4000-373 Porto | Tel. 225 365 750 geral@editora.salesianos.pt www.editora.salesianos.pt

Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida, armazenada num sistema de recuperação ou transmitida sob qualquer forma ou por qualquer meio, eletrónico, mecânico, fotocópia, gravação ou outro, sem a autorização prévia por escrito dos detentores dos direitos de autor.

Apresentação

Caro(a) amigo(a) catequista,

Iniciamos o tempo do Despertar da Fé 2, inserido no Itinerário de iniciação à vida cristã das crianças e dos adolescentes com as famílias, tempo que constitui uma etapa essencial no crescimento espiritual das crianças, das famílias e da própria comunidade. É uma oportunidade de renovado encontro vivo com Deus, que chama cada pessoa pelo nome e a convida a uma relação de amor, confiança e pertença.

O catequista assume aqui um papel de particular relevância: chamado por Deus e enviado pela comunidade cristã é testemunha da fé da Igreja, que acompanha e semeia. Mais do que transmitir conteúdos, é convocado a despertar o coração para a experiência de Deus, onde Ele se manifesta, ajudando cada criança e cada família a reconhecer os sinais da presença divina na sua vida quotidiana.

Neste tempo do Despertar da Fé, a comunidade paroquial é também chamada a envolver-se de forma ativa, pois a iniciação à vida cristã é sempre um caminho eclesial. A família, em particular, tem um papel insubstituível como primeiro espaço onde a fé pode germinar e crescer. No Jubileu das famílias, em 2025, o Papa Leão XIV afirmava: “A Igreja cresce quando as famílias se tornam pequenas igrejas domésticas, onde Deus é amado e celebrado na simplicidade da vida.” Assim, este guia e o livro da família pretende ser um apoio concreto no acompanhamento das famílias por parte da comunidade cristã para fortalecer a ligação entre catequese e vida familiar.

Este percurso propõe-se a cultivar o espanto, a confiança e a alegria da fé nascente. Através de símbolos, narrativas, gestos e momentos de oração, procura-se abrir caminhos para que cada criança possa descobrir que Deus a ama e caminha consigo.

A ti, caríssimo(a) catequista é confiada a bela missão de acender esta luz, com carinho e esperança, sabendo que é o próprio Deus que faz germinar e crescer a semente nos corações.

Que este tempo seja vivido com entusiasmo e entrega, na certeza de que cada pequeno passo dado com amor e alegria contribui para acolher as famílias e, com elas, iniciar à vida cristã das crianças, para formar discípulos missionários, capazes de viver e testemunhar o Evangelho no mundo.

Agradecemos o teu sim a esta vocação e juntos caminhamos ao encontro de Jesus que nos ama e envia em missão.

AMOSTRA

Lisboa, 13 de maio de 2026

Festa da Virgem Santa Maria do Rosário de Fátima

A Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé

AMOSTRA

Introdução

Um novo itinerário para nos tornarmos cristãos

A Igreja, que caminha em Portugal, escuta o apelo do Senhor Jesus e deseja que todos se encontrem com Ele e experimentem a alegria do seu Evangelho.

Para que as crianças e os adolescentes, com as suas famílias, possam percorrer este caminho de iniciação cristã, os nossos bispos publicaram, em 2022, o documento “Itinerário de Iniciação à Vida Cristã das Crianças e dos Adolescentes com as Famílias” (= IIVC).

Escutando as vozes dos catequistas e das famílias, unidos ao sentir da Igreja universal que, em 2020, nos deu orientações desafiadoras com o Diretório para a Catequese, a Conferência Episcopal Portuguesa convida-nos a uma atitude entusiasmada, acolhedora da mudança e criativa, ao implementar este novo Itinerário.

Para dar forma concreta a este movimento de renovação, surge esta coleção de materiais, a que demos o nome global de Emaús.

Um tempo para despertar a fé

Por dom de Deus, através de tantas mediações, tornámo-nos cristãos, discípulos de Jesus e fazemos uma experiência feliz da fé n’Ele. Gostaríamos que tantas outras pessoas pudessem fazer a mesma experiência. Como é que nos tornamos cristãos, discípulos entusiasmados de Jesus? Ao longo dos séculos, a Igreja foi dando respostas diferentes. Este Itinerário, proposto pelos nossos bispos, recupera muitas das intuições da Igreja antiga e coloca-as em diálogo com a sociedade e a cultura de hoje. Possui uma inspiração catecumenal e oferece quatro tempos, qualitativamente, diferentes: o Despertar da Fé, a Iniciação à Vida Cristã, o Aprofundamento Mistagógico e o Discipulado Missionário.

O primeiro tempo é o Despertar da Fé. Quer ser um primeiro anúncio, em ordem a uma primeira adesão a Jesus Cristo e à conversão inicial (Cf. IIVC 19).

A sociedade em que vivemos não é a de outros tempos, pois não é automático ser-se cristão, celebrar os mistérios da fé, estar-se familiarizado com as orações, os ritos, o estilo de vida dos cristãos.

Sentimos que é necessário um esforço da Igreja para ajudar as crianças e as suas famílias a descobrirem quem é Jesus e como Ele pode dar às suas vidas uma nova alegria.

O nome dado a este primeiro tempo, Despertar da Fé, diz muito: queremos ajudar as famílias e, através delas, as crianças a despertarem para a fé, a familiarizarem-se e entusiasmarem-se com a mensagem de Jesus.

AMOSTRA

Percursos

Este tempo do Despertar da Fé oferece dois percursos.

“O primeiro percurso corresponde a um despertar da fé na família em estreita relação com o nascimento dos filhos, a recordação do seu Batismo e a celebração do sacramento do Matrimónio. Pretende acompanhar as famílias com filhos até aos seis anos, seguindo o ritmo escolar da criança, que corresponde ao ensino pré-escolar. Este percurso decorre na paróquia e pode ser complementado com iniciativas desenvolvidas noutras instituições educativas.” (IIVC 19)

Ao entrar na escola no 1.º ciclo, convidamos crianças e famílias para o segundo percurso do Despertar da Fé. “O segundo percurso ocorre quando a criança entra no 1.º Ciclo do Ensino Básico e os pais pedem a catequese para os seus filhos. Visa acolher as famílias na comunidade cristã, em ordem à iniciação cristã das crianças e ao anúncio da fé aos seus pais. No final deste percurso, a família pede a catequese para os seus filhos. Este percurso decorre na paróquia. Para aqueles que, depois dos sete anos, desejam iniciar a catequese, é proposto um tempo de primeiro anúncio, com modalidades adaptadas a cada situação.” (IIVC 19)

Tradicionalmente, com a ida para a escola, começava a catequese. As últimas décadas têm-nos mostrado que, para grande parte das crianças e suas famílias, não é fácil fazer catequese. A catequese é uma descoberta sistemática, integral e orgânica da fé. Muitas crianças não estavam minimamente familiarizadas com a fé. Por isso, pareceu mais prometedor oferecer a todas as crianças desta idade e às suas famílias a possibilidade de um tempo de primeiro anúncio. Um tempo para despertar na fé e encantar-se com a beleza do Evangelho.

Objetivos do Despertar da Fé

Este tempo tem os seguintes objetivos (Cf. IIVC 20).

ƒ Fazer a experiência de um bom acolhimento na comunidade cristã;

ƒ Escutar e acolher o querigma;

ƒ Descobrir a presença de Deus na vida quotidiana;

ƒ Celebrar os dons da vida, da família e do Batismo;

ƒ Despertar o desejo de se tornar discípulo de Jesus Cristo;

ƒ Ser acompanhado na missão educativa.

A realidade das crianças e das famílias

Aos seis anos de idade, a criança encontra-se numa fase de transição marcante do seu desenvolvimento. Deixa para trás a primeira infância e começa a entrar num período em que o mundo exterior ganha maior relevância. São cada vez mais as crianças que frequentam o pré-escolar, mas a entrada no ensino básico implica mudanças significativas na sua rotina, nas suas responsabilidades e nas suas relações sociais. Esta nova etapa exige da criança uma adaptação a regras mais estruturadas, a horários mais rígidos e a um ambiente onde a aprendizagem formal assume um papel central.

Do ponto de vista emocional, as crianças estão a desenvolver a sua autonomia, mas ainda necessitam de segurança e validação por parte dos adultos de referência (pais, avós, educadores, catequistas…). Começam a construir uma imagem de si próprias baseada nas interações com colegas, professores e familiares. O sucesso ou dificuldade nas primeiras experiências escolares pode ter impacto na sua autoestima e motivação para aprender. É também uma fase em que surgem comparações com os outros, o que pode gerar sentimentos de competência ou frustração.

AMOSTRA

No contexto familiar, as dinâmicas variam bastante, refletindo as transformações sociais. Muitas crianças vivem em famílias nucleares, mas é cada vez mais comum a existência de famílias monoparentais, reconstituídas ou com membros alargados a desempenharem papéis significativos. A conciliação entre trabalho e vida familiar é um desafio constante para os pais, o que pode resultar em menos tempo disponível para acompanharem os filhos com proximidade. Ainda assim, a qualidade do tempo partilhado tende a ser mais valorizada do que a quantidade.

As famílias enfrentam igualmente pressões económicas e sociais que influenciam diretamente o bem-estar das crianças. Famílias com menos posses têm pouco acesso a recursos educativos, culturais ou de lazer, o que pode condicionar oportunidades de desenvolvimento. Por outro lado, em famílias mais abonadas, observa-se uma sobrecarga de atividades estruturadas, deixando pouco espaço para o jogo não supervi-

sionado, essencial nesta fase da vida. O equilíbrio entre estímulo e descanso é fundamental para um crescimento saudável.

A tecnologia ocupa um lugar crescente no quotidiano das crianças de seis anos. Muitas já têm contacto regular com dispositivos digitais, seja para entretenimento ou aprendizagem. Embora estes recursos possam ser úteis, o seu uso excessivo pode interferir no desenvolvimento de competências sociais, na criatividade e na capacidade de concentração. As famílias desempenham, aqui, um papel crucial na definição de limites e na promoção de alternativas equilibradas.

Todas estas indicações genéricas podem ser úteis para os catequistas compreenderem quem têm diante de si. Porém, é importante reconhecer que cada criança é única e se desenvolve ao seu próprio ritmo. Cada uma delas é profundamente influenciada pelo seu contexto familiar, cultural e socioeconómico e, a todas elas, o catequista pode oferecer um acolhimento incondicional.

Conteúdos

Os conteúdos propostos neste segundo percurso do Despertar da Fé situam-se numa prática de primeiro anúncio. Centramo-nos no querigma, a mensagem essencial da fé. E, claro, prestamos atenção às atitudes humanas que favorecem o acolhimento da mensagem evangélica.

Deus Pai

Jesus Cristo

Criador e bom; é luz e mostra-nos o caminho. Ama e conhece cada pessoa.

A criação fala-nos de Deus.

Mistérios da Encarnação e da Redenção: anunciação, nascimento, infância, chamamento dos discípulos, última ceia, paixão, morte e ressurreição.

O nome de Jesus.

Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, cresceu numa família.

Espírito Santo Torna-nos capazes de viver como Jesus viveu. Frutos do Espírito Santo.

Igreja Comunidade dos discípulos de Jesus.

Chamamento, resposta e envio.

Discipulado

Vida moral. Conversão de vida, como resposta ao amor de Jesus.

Ser testemunha da ressurreição.

Maria Vocação a ser mãe de Jesus e companheira dos discípulos de seu Filho.

Santos

Modelos de santidade para as crianças: Santos Francisco e Jacinta Marto. Ser santo é ser luz para os outros, com a luz de Deus no coração.

Sinais, símbolos e gestos religiosos; espaço litúrgico.

Tempos litúrgicos do Advento, Natal, Quaresma e Páscoa.

Oração e Liturgia

Vida quotidiana

Formas de oração: louvor, ação de graças, adoração, petição, perdão, oração da noite (exame de consciência). Orações: Avé Maria e Glória ao Pai.

Linguagens da oração: gesto orante (com gestos e/ou com símbolos).

Celebrações na comunidade.

História do nascimento e do nome da criança.

Presença de Deus nos acontecimentos da vida familiar, na oração em família e noutras ações propostas.

Vocação à maternidade e paternidade.

Todos estes conteúdos estão organizados em cinco ciclos que se articulam entre si, numa lógica de progressividade. Iniciamos com um foco na construção do grupo, em clima de confiança mútua que favorece a abertura à experiência de Deus, e culminamos na Celebração do Sinal da Cruz, que apela a uma primeira adesão pessoal a Cristo e à disponibilidade para se tornar seu discípulo:

ƒ Ciclo abertura ao Mistério

ƒ Ciclo Advento-Natal

ƒ Ciclo Igreja

ƒ Ciclo da Quaresma-Páscoa

ƒ Ciclo do Sinal da Cruz

Ciclo abertura ao Mistério

Prevê o acolhimento das crianças e famílias no grupo, em ambiente de confiança, introduz à contemplação da bondade de Deus, que se revela como luz e vida. Por sua vez, o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, transporta em si o desejo de O conhecer e amar. A luz é o elemento simbólico transversal a este ciclo. Prevê quatro encontros:

1. Deus é a luz da nossa vida

2. Deus é tão bom

3. Com Deus, também somos luz

4. Deus conhece-me pelo nome

Ciclo Advento/Natal

Este ciclo coincide com os tempos litúrgicos de Advento e Natal, tendo como centro a contemplação do Mistério da Encarnação. Introduz a figura de Jesus, o filho de Deus, que encarnou no seio de Maria e viveu numa família. Essa célula, base da existência humana, está presente nos três encontros:

5. Maria e José dizem “sim”

6. Jesus nasce em Belém

7. Jesus cresceu numa família

Ciclo Igreja

Ser Igreja é ser discípulo de Jesus Cristo e acolhê-l’O na Palavra de Deus. É responder ao seu chamamento, seguindo-O em comunidade, e acolher Maria como companheira que sempre nos aponta o seu Filho. Este ciclo apresenta-se como momento-charneira de todo o percurso, pela celebração de entrega da Bíblia às famílias e a visita à igreja paroquial, com a recordação do Batismo (especialmente para aqueles que já o celebraram).

Ao todo, prevê uma celebração e três encontros:

Celebração de entrega da Bíblia às famílias

8. A igreja, casa de Jesus

9. Ficaram com Jesus

10. Fazei o que Jesus vos disser

A calendarização deste ciclo é flexível, em função da data de início da Quaresma. A entrega da Bíblia às famílias e o encontro 8 devem acontecer antes da Quaresma. Se necessário, o encontro 9 e/ou o encontro 10 podem ser feitos após o Ciclo Quaresma-Páscoa e antes do Ciclo Sinal da Cruz.

Ciclo da Quaresma/Páscoa

Este ciclo é introduzido pela proposta de entrar em dinâmica de conversão, como resposta ao amor de Deus. É um ciclo muito importante neste percurso. Aqui aborda-se o núcleo do querigma. Os encontros articu-

lam-se, entre si, como um caminho que introduz as famílias na vivência e celebração do Mistério Pascal do Senhor, com o seu período de preparação (Quaresma), memória dos acontecimentos da Páscoa do Senhor (celebrados no Tríduo Pascal) e celebração dos frutos da Páscoa (Tempo Pascal). Prevê cinco encontros:

11. Escolher o bem

12. A Páscoa de Jesus: a Última Ceia

13. A Páscoa de Jesus: a Paixão

14. A Páscoa de Jesus: Ressuscitou!

15. Jesus envia-nos o Espírito Santo

A calendarização deste ciclo coincide com os tempos litúrgicos de Quaresma e Páscoa.

Ciclo do Sinal da Cruz

O Ciclo do Sinal da Cruz conclui o percurso DF2 – Ser amigo de Jesus. Marca a transição para o tempo 2 do itinerário IVC. Os dois encontros e a celebração do Sinal da Cruz articulam-se entre si como momento de síntese sobre o caminho pessoal percorrido e o colocar-se diante da decisão de querer ser discípulo de Jesus.

Prevê uma celebração e dois encontros de preparação:

16. Obrigado, Senhor!

17. És mesmo meu amigo?

Celebração do Sinal da Cruz

Metodologia

Como ajudar as famílias e as crianças a descobrirem e a acolherem o querigma?

O modelo pedagógico do Primeiro Anúncio

Como fazer o primeiro anúncio com as crianças e as suas famílias? Inspiramo-nos no modo de agir de Jesus. Nos Evangelhos, Jesus aproxima-Se das pessoas, escuta as suas necessidades, dialoga com elas e convida a um caminho de transformação. Com Jesus, aprendemos a privilegiar a relação interpessoal e o testemunho de vida antes da apresentação sistemática dos conteúdos da fé.

Como dizem os nossos bispos,

«A catequese querigmática desenvolve uma pedagogia de primeiro anúncio que procura estar atenta às aberturas à fé numa dinâmica de escuta de Deus e de cada pessoa, sabendo que ser iniciado à vida da fé é uma obra de Deus que move os corações. Ela está ao serviço da criação de condições favoráveis para ajudar as pessoas a deixarem-se iniciar por Deus, que se lhes revela e as chama à comunhão com Ele.» (IIVC 6)

No estilo de Jesus, as propostas do Despertar da Fé querem ir ao encontro da realidade das crianças e das famílias para suscitar o desejo de uma vida com mais luz e qualidade na amizade com Deus.

AMOSTRA

A maneira de evangelizar nesta fase inicial de primeiro anúncio está relacionada com a escolha de conteúdos e objetivos. Procuramos, em primeiro lugar, abrir o coração e a vida à fé, a uma relação feliz com Deus que tanto nos ama. Recordamos algumas intuições do Papa Francisco: “A centralidade do querigma requer certas características do anúncio que hoje são necessárias em toda a parte: que exprima o amor salvífico de Deus como prévio à obrigação moral e religiosa, que não imponha a verdade mas faça apelo à liberdade, que seja pautado pela alegria, o estímulo, a vitalidade e uma integralidade harmoniosa que não reduza a pregação a poucas doutrinas, por vezes mais filosóficas que evangélicas. Isto exige do evangelizador certas atitudes que ajudam a acolher melhor o anúncio: proximidade, abertura ao diálogo, paciência, acolhimento cordial que não condena.” (Evangelii Gaudium, 165)

O Primeiro Anúncio procura tocar primeiro o coração da pessoa. A adesão à fé não resulta de uma tradição social ou familiar ou de uma compreensão racional, mas da experiência de ser amado, acolhido e chamado por Deus.

Para isso, precisamos de um catequista entusiasmado na sua própria fé, que se dispõe a partilhar a sua alegria por ser amigo de Jesus. Ele estabelece uma relação próxima, cordial, dialogante com crianças e familiares. Com a sua postura, ele potencia no grupo um clima de verdade e liberdade, que ajuda a amadurecer decisões profundas em favor da pessoa de Jesus e da mensagem de vida plena que Ele nos oferece. O papel ativo das crianças e famílias é igualmente valorizado. A pessoa não é considerada um sujeito passivo, mas protagonista do seu percurso de fé. Promovemos a liberdade, o discernimento e a resposta pessoal ao convite de Deus. A decisão de acreditar surge como fruto de um processo interior, acompanhado pelo catequista cristão, mas assumido livremente por cada criança e por cada família.

Momentos de intervenção

Os encontros deste percurso acontecem em grupo, orientados por um ou mais catequistas, com uma periodicidade quinzenal. Nestes encontros de grupo, estão presentes as crianças e os familiares que as acompanham.

Os encontros de grupo prolongam-se no quotidiano da família, através das formas de oração já experimentadas no encontro, ações realizadas em família ou pelas crianças e vivência de valores e atitudes cristãs. Por vezes, há alguns pequenos textos complementares para os pais: citações bíblicas, reflexão sobre as crianças ou sugestões educativas e, ainda, textos do Magistério da Igreja para aprofundamento da fé.

Momentos importantes neste caminho de Despertar da Fé são as celebrações ou outras vivências da comunidade cristã, como festas e iniciativas de serviço, para as quais as famílias são convidadas a participar.

Atenção às famílias

Este Itinerário de iniciação à vida cristã presta uma forte atenção às famílias.

“A iniciação cristã dos filhos constitui uma oportunidade para a realização de um percurso de fé que envolve toda a família. Os pais que aceitem participar neste percurso crescem como cristãos, percorrendo, lado a lado, com os seus filhos o caminho da fé.” (IIVC 13)

As famílias são chamadas a estar presentes nos encontros de grupo, participam nas atividades propostas e, com a ajuda do catequista, começam a formar uma pequena comunidade de fé. Em família, realizam as atividades propostas.

Como dizem os nossos bispos, “os pais estão incumbidos de anunciar o querigma aos seus filhos: despertando-os para o amor de Deus e para a dimensão religiosa e sagrada da vida; falando-lhes de Jesus como nosso Salvador e da sua Mãe como exemplo mais alto de vida cristã e intercessora; ensinando-lhes o sinal da cruz e o seu sentido; ajudando-os nos primeiros momentos de oração; educando a sua consciência moral; fazendo surgir neles o desejo de santidade; e ajudando-os a descobrir a riqueza dos afetos e do amor humano como sinal do amor de Deus.” (IIVC 11)

AMOSTRA

Esta intenção de envolver os pais no Despertar da Fé resulta da consciência de que as famílias, na sua pluralidade, são destinatárias privilegiadas do Evangelho. Há famílias onde ambos os pais estão disponíveis para este processo. Há famílias onde apenas um dos pais tem essa disponibilidade. Há famílias mono-parentais. Há famílias reconstituídas. Há famílias onde são os avós ou os tios a estarem mais ativos na iniciação cristã das crianças. Com sabedoria e sentido de fé, os catequistas acolhem a todos e empenham-se em envolvê-los de forma ativa.

Todo o IIVC tem uma forte atenção ao papel das famílias no caminho de iniciação cristã. Esse papel é reforçado quando as crianças são mais novas.

Descobrimos que o testemunho de vida cristã, oferecido pelos pais e outros familiares, dá à mensagem de fé uma coloração de carinho e ternura. As crianças descobrem, com alegria, a proximidade de Deus e a bondade de Jesus a partir do amor que os pais e avós têm por elas.

Uma proposta intergeracional

A catequese intergeracional é uma proposta catequética que permite a pessoas de diferentes idades e gerações percorrerem em conjunto o caminho da fé, numa dinâmica em que cada geração é enriquecida pelo contacto e interação com a outra.

Esta proposta catequética, ao proporcionar a experiência de se abrir a Deus e acolher a Boa Nova em comunidade, potencia uma renovação das comunidades cristãs a partir da sua identidade. O grupo de crianças e adultos são pessoas reunidas por laços humanos e/ou de fé, que caminham na descoberta do que é ser discípulo de Jesus Cristo, escutam a Palavra em conjunto, celebram a fé em Assembleia e vivem-na pelo serviço mútuo no seio do grupo e na comunidade.

A catequese intergeracional:

Constitui um processo catequético que acontece principalmente através de atividades conjuntas;

Por vezes, proporciona atividades paralelas, por gerações, que são posteriormente trabalhadas em comum:

Para as crianças, são momentos que permitem uma partilha a seu nível, a criação de laços entre elas e a preparação de pequenas surpresas para os pais;

Para os adultos, são uma oportunidade de dialogar sobre o crescimento dos filhos e/ou preparar uma surpresa para eles;

Proporciona um mesmo espaço de descoberta a quem dá os primeiros passos na fé, a quem a redescobre ou já a vive de modo existencial;

Permite que crianças e adultos testemunhem mutuamente as suas experiências de fé. Ao serem partilhadas em grupo, convertem-se em aprendizagens da ordem do “vivido-testemunhado”;

Cria um ambiente eclesial e educativo em que todos “catequizam”, cada um a partir do seu lugar no grupo: o catequista, as crianças e os adultos.

Oferece aos adultos as ferramentas para ir transformando a família em Igreja doméstica (experiências lúdicas, de escuta e oração; conteúdos bíblicos e doutrinais; reflexão sobre os valores cristãos e sobre a missão de transmitir a fé).

Em grupo

Como já vimos, quinzenalmente, reunimo-nos em grupo onde estão presentes as crianças e os seus familiares. Ao preparar os encontros de grupo, o catequista deve ser criativo para adaptar as atividades às diversas situações, uma vez que haverá grupos onde todas as crianças ou quase são acompanhadas por um familiar e haverá outros em que a maioria não será acompanhada. A forma como as atividades são propostas tem em conta todas essas possibilidades. Em qualquer dos casos, o catequista empenha-se em fazer com que todas as crianças e famílias se sintam acolhidas.

O catequista tem um papel decisivo na animação do grupo. Diante do seu grupo, estabelece uma relação de proximidade, simplicidade e confiança. Nesta idade, as crianças encontram-se numa fase em que valorizam, profundamente, o vínculo afetivo com o adulto, procurando segurança, atenção e reconhecimento. Quando este consegue ser uma presença acolhedora, capaz de escutar, compreender e responder às necessidades emocionais e espirituais de cada criança, cativa-as e dá credibilidade à mensagem de fé que anuncia.

AMOSTRA

O catequista procura uma comunicação clara, concreta e adaptada ao nível de desenvolvimento das crianças. O uso de histórias, gestos, músicas e atividades lúdicas facilita o acolhimento das mensagens e torna o encontro mais significativo. Mais do que transmitir conteúdos, promove uma relação que desperte o interesse, a curiosidade e o encantamento.

É, também, essencial que o catequista adote uma atitude paciente e encorajadora, valorizando pequenas conquistas e respeitando o ritmo individual de cada criança. A correção, quando necessária, deve ser feita com delicadeza, promovendo sempre o respeito e a autoestima.

O testemunho pessoal do catequista assume um papel fundamental. A forma como vive, age e se relaciona torna-se um modelo para as crianças, contribuindo para a construção de uma experiência de fé positiva, próxima e significativa.

Dentro de cada encontro

O IIVC concebe a catequese intergeracional a partir do percurso da criança, utilizando uma metodologia que envolve os adultos e potencia a interação entre gerações. Há uma intenção explícita de que todos os encontros sejam intergeracionais. Mas a proposta é válida mesmo que algumas famílias não possam ou não desejam participar.

Pode haver ocasiões em que todas as famílias estão presentes, pelo menos com um adulto; outras em só algumas comparecem e outras ainda em que não foi possível a ninguém acompanhar as crianças.

Por isso, os esquemas e atividades dos encontros são exequíveis, com a presença ou ausência de adultos.

Os encontros deste percurso estruturam-se a partir da Palavra de Deus e de atitudes e experiências que favorecem a abertura ao Mistério de Deus: confiança, dom de si, contemplação, sensorialidade, sentido do quotidiano, representação e curiosidade, entre outras. Iniciam na vida cristã: vida de oração e vida moral.

Seguem, na sua metodologia, uma inspiração bíblica. Estruturam-se em cinco momentos, designados como Tempo para…:

Haverá sempre um sexto momento, em que o catequista apresenta as pistas para o “Tempo em família”.

Tempo… … consiste em: Com o objetivo de:

… para parar

…para escutar

… para pensar

Exercício, jogo, cântico, ou dinâmica de concentração.

Contar um texto bíblico com o suporte de ilustrações, que são colocadas, sequencialmente, numa parede ou placard

Diálogo sobre o texto bíblico e a experiência de vida.

… para rezar

Momento de oração.

… para fazer

Atividade lúdica ou plástica ou ação.

AMOSTRA

Pistas para o Tempo em família

Proposta à família, a realizar até ao encontro seguinte.

Se dispor para o encontro e se abrir aos conteúdos que vão ser abordados.

Escutar a Palavra de Deus.

Descobrir a mensagem central do texto bíblico, relacionando-a com a experiência de vida.

Responder à Palavra, através de um modo de oração adequado à mensagem.

Ser introduzido aos símbolos, sinais e espaços litúrgicos.

Se apropriar da mensagem central do texto.

Prolongar as vivências e descobertas do Despertar, no quotidiano da família.

Esta “arrumação” em seis momentos não é rígida. Os catequistas repararão que, em alguns encontros, se omitem alguns desses tempos, em função dos conteúdos concretos de cada encontro.

As celebrações

Este percurso prevê duas celebrações: a entrega da Bíblia às famílias e a celebração do Sinal da Cruz. A entrega da Bíblia às famílias pode ocorrer no 3.º domingo do Tempo Comum, o Domingo da Palavra de Deus. A celebração do Sinal da Cruz conclui o percurso DF2.

Estas celebrações devem ser feitas com a presença, o acompanhamento e a oração de toda a comunidade cristã. Estes passos do caminho de fé das famílias e das crianças interessam a toda a comunidade cristã.

A solenidade que se põe nestas celebrações ajuda as crianças e as suas famílias a sentirem-se cada vez mais parte da comunidade cristã, sendo, simultaneamente, um estímulo de crescimento para a comunidade.

A importância de planificar

Este Guia oferece bastantes indicações para dinamizar o grupo de crianças e famílias neste caminho de despertar da fé. Para o bom desenvolvimento das pedagogias propostas, é fundamental que o catequista dedique tempo suficiente à planificação dos encontros.

Além de preparar com gosto e amor cada encontro, o catequista deve planificar todo o percurso. É fundamental ter bem definidas as datas de cada encontro. Face à proposta de encontros quinzenais, requer-se uma programação anual rigorosa a fim de evitar coincidências com férias, feriados, datas importantes da vida do grupo e eventos da paróquia.

Há uma planificação centrada em cada encontro. Com tempo, o catequista ou o grupo de catequistas lê o Guia e estuda a secção Para o Catequista. Aqui, encontra os objetivos, os conteúdos, a citação bíblica que inspira o encontro e o esquema do mesmo. Encontra, também, um breve texto na “Síntese de conteúdos” que o ajuda a compreender melhor o aspeto do nosso património de fé que trabalharemos com o grupo. O tempo dedicado a estudar e a compreender estas primeiras indicações é tempo bem gasto, que se traduzirá num crescimento interior do próprio catequista e em encontros mais profundos com o grupo.

Seguidamente, o catequista deve ler, com tempo, a descrição do que sucederá em cada encontro no Desenvolvimento e assim, ficará com uma panorâmica global do caminho pedagógico que o grupo fará. Depois, voltamos ao início, tentamos visualizar cada uma das atividades (Tempos para…) e respondemos às seguintes perguntas:

ƒ De que material vamos precisar?

ƒ Quais os espaços que vamos usar? No caso de estar previsto sair da nossa sala habitual, com quem temos de falar?

ƒ Qual dos momentos é para mim mais desafiante? Como me vou preparar?

ƒ Como vão reagir as crianças? E os seus familiares?

Antecipar tudo isto, ajuda a adaptar o que está proposto no Guia, sem perder de vista os objetivos e os conteúdos definidos e as atitudes e experiências que favorecem a abertura ao Mistério.

No final de cada encontro, o grupo de catequistas avalia a forma como decorreu. Este momento de avaliação deve ser um processo construtivo. Trata-se de comparar o planeado com o acontecido. É ocasião para identificar aspetos a melhorar em próximos encontros. É um momento pedagógico importante, mas, também, uma ocasião de comunhão espiritual com Deus.

Eis algumas questões que ajudam a avaliar:

ƒ As crianças e as famílias estiveram envolvidas no encontro? Participaram com gosto?

ƒ A forma como executámos as atividades ajudou-as a descobrir a mensagem proposta?

ƒ Houve encontro pessoal com Deus? Em que momentos?

ƒ Tivemos um clima de festa, de alegria, de participação? Onde é que isso se notou?

ƒ Como foi a interação entre adultos e crianças?

ƒ Como catequista, tinha os materiais preparados a tempo e soube usá-los bem?

ƒ O que é que poderia ter feito melhor ao preparar este encontro?

Na planificação, o catequista deve estar atento ao calendário litúrgico para que os ciclos Advento-Natal e Quaresma-Páscoa coincidam com os respetivos tempos litúrgicos.

Uma atenção extra

Nem todas as crianças e famílias se comprometem com o mesmo entusiasmo. Alguns pais decidem nunca participar nos encontros. Outros só com muita dificuldade implementam as propostas para a família. Há crianças que, por tudo e por nada, faltam aos encontros de grupo.

O catequista lida com todas estas situações com um olhar de fé. Cultiva dentro de si a mesma atitude paciente e compassiva do bom pastor:

ƒ Dá graças a Deus por todas as crianças e famílias que se inscreveram no processo de iniciação cristã, e mesmo aquelas que têm motivações mais frágeis.

ƒ Pede a ajuda do Espírito Santo para ser criativo no diálogo com todos.

ƒ Procura conhecer, com delicadeza, cada família, tentando tornar-se um parceiro credível na educação dos seus filhos.

ƒ Nunca desanima na tarefa de encorajar as crianças e famílias que aderem de forma mais hesitante.

ƒ Com humildade, acolhe as sugestões e críticas dos pais, procurando com a sabedoria e o apoio dos outros catequistas discernir o que lhe é sugerido.

ƒ Reforça a sua pertença ao grupo de catequistas e à comunidade cristã.

Recursos

Para implementar com sucesso este percurso dispomos de vários recursos.

Guia do catequista

O guia do catequista apresenta uma introdução a cada ciclo, explicitando o seu fio condutor e articulação entre os encontros desse ciclo.

É importante que o catequista se familiarize com este recurso. O Guia do catequista não é um livro de leis; é um guião daquilo que o catequista deve propor ao seu grupo para que haja caminho na fé.

Cada encontro está dividido em duas partes: Para o Catequista e Desenvolvimento

Para o Catequista traz as informações gerais sobre cada encontro.

f Apresentação

É um pequeno texto que apresenta o tema do encontro ao catequista e o ajuda a perceber a sua importância.

f Objetivos

No final de cada encontro, o que deve mudar nos participantes?

f Conteúdos

Qual a mensagem central deste encontro?

f Palavra de Deus que inspira o encontro

AMOSTRA

Qual o texto bíblico que está no centro deste encontro?

f Atitudes e experiências que favorecem a abertura ao Mistério

Quais as atitudes e experiências humanas que ajudarão crianças e familiares a acolher a mensagem proposta?

f Esquema

Mostra a sequência das atividades a realizar em cada encontro. Normalmente são cinco momentos, aos quais se segue o lançamento de pistas para o Tempo em família. Para cada um desses momentos, indica-se o tempo previsto de duração e o grau de dificuldade que se antecipa (de 1 a 5).

f Material

AMOSTRA

Quais os materiais que vamos usar durante este encontro? A maioria está na Pasta de Apoio e na Pen multimédia (ver adiante).

f Do Catecismo / Do Magistério

Uma pequena citação tirada do Catecismo da Igreja Católica ou de outro documento do Magistério que ajuda à formação do catequista.

f Síntese de conteúdos

Sugerimos um texto, não muito longo, com as informações bíblicas, teológicas e educativas pertinentes para orientar bem o encontro. São palavras a “mastigar” bem pelo catequista (ou pelo grupo de catequistas).

A parte do Desenvolvimento é a mais substancial. Descreve o que deve suceder durante o encontro com o grupo.

Livro da Família

O Despertar da Fé 2 é um tempo de primeiro anúncio que visa proporcionar, às famílias, um bom acolhimento na comunidade cristã e despertar nas crianças e nos seus pais ou outros educadores que as acompanhem o desejo de se tornarem discípulos de Jesus. O livro que acompanhará este percurso chama-se “Livro da Família”, precisamente porque se destina não só à criança, mas também aos educadores que a acompanharão. Servirá para o registo deste caminho realizado em família.

Ao longo deste percurso, três personagens, com caraterísticas e personalidades distintas, o Marco, a Ana e a Coruja Rute, acompanharão a criança e a família nas descobertas que farão, introduzindo diferentes secções no Livro da família.

f Passatempo

A Ana desafia a criança a uma atividade lúdica e criativa, enquadrada na temática do encontro.

f Frase-chave

O Marco traz uma frase especial, que resume a mensagem do encontro.

f Oração

A Ana e o Marco trazem uma proposta de oração, muitas vezes usada durante o encontro.

f Canção

AMOSTRA

A Ana gosta de cantar e todos os encontros traz uma canção para ensinar.

f À escuta

A Rute viaja no tempo e voa até à terra de Jesus. Apresenta a Palavra que inspira o encontro.

f Carta da Rute

A Rute dirige a sua carta aos familiares ou outros educadores que acompanham a criança. Aborda o tema de cada encontro, colocando o familiar por dentro do percurso, mesmo que nem sempre consiga acompanhar a criança aos encontros. Além disso, procura tocar aspetos educacionais, apoiando o familiar ou educador na tarefa de educar na fé e de compreender melhor o crescimento e descobertas da criança.

f Tempo em Família

Espaço do livro dedicado à família e ao registo das descobertas que fazem no quotidiano, sugeridas no final de cada encontro, como eco das suas vivências.

Procurou-se distinguir as secções destinadas à criança das secções destinadas aos adultos e restante família, através da posição do livro. Assim, este é um livro “giratório”, isto é, nas secções dirigidas à criança, o livro deve ser lido na vertical. Já nas duas secções destinadas aos adultos e à família, o livro gira 90º.

Pasta de apoio

Para este percurso do Itinerário Emaús, há uma pasta de apoio que inclui os materiais impressos em papel previstos neste Guia: cartazes, fotografias, letreiros… Todos estes materiais são reutilizáveis ano após ano. Nunca será necessário escrever neles ou danificá-los. O catequista deve encontrar a melhor maneira de os expor na sala onde se realizam os encontros. Há salas que dispõem de superfícies adequadas para a exposição. Noutras, a exposição terá de ser feita sobre a parede. Neste caso, deve evitar-se o uso de alfinetes ou pioneses, pois danificam a parede (e os próprios materiais). É preferível usar bostik ou outro produto similar, que permita a fixação e remoção de forma fácil.

Pen multimédia

O Guia prevê, ainda, a utilização de conteúdos em suporte digital: canções, música ambiente, vídeos… Todos estes materiais estão disponíveis numa pen multimédia.

O catequista deve prever, antecipadamente, a forma como estes conteúdos serão reproduzidos. Para o material áudio, que está em formato mp3, será necessário um dispositivo de leitura (computador, telemóvel…) e colunas de potência adequada à dimensão do espaço e do grupo. No caso do vídeo, será necessário um projetor de vídeo ou um ecrã de dimensão adequada ao número de participantes. Estes equipamentos de reprodução não são explicitamente referidos nas listas de material pedidas em cada encontro.

Uma palavra especial merecem as canções. A sabedoria popular reconhece o potencial transformador da música: Quem canta, seus males espanta! E, mesmo dentro da fé, sempre se valorizou o canto: Quem canta, reza duas vezes

AMOSTRA

As canções na catequese são um recurso pedagógico e espiritual de grande valor. Cantar permite uma maior penetração espiritual no texto, alimentando a relação pessoal com Deus; é um modo de transmitir conteúdos da fé de forma simples, envolvente e memorável. As letras das canções ajudam a captar mensagens fundamentais como o amor de Deus, a importância da partilha, o perdão e a amizade, tornando a aprendizagem mais natural e duradoura. Além disso, a música cria um ambiente acolhedor e participativo, favorecendo a integração do grupo e despertando o interesse das crianças. Quando acompanhadas de gestos ou pequenas coreografias, as canções tornam-se ainda mais dinâmicas, permitindo que as crianças expressem com o corpo aquilo que cantam. Isto é particularmente importante nas idades mais novas, onde o movimento é essencial para a aprendizagem. As canções também têm um papel importante nos momentos de oração, ajudando a criar um clima de recolhimento e interioridade. Melodias mais calmas favorecem o silêncio e a abertura ao encontro com Deus.

Por fim, quando utilizadas de forma intencional e integrada, as canções contribuem para estruturar o encontro catequético, tornando-o mais organizado, significativo e marcante para as crianças.

O catequista: presença decisiva

Ser catequista nestes grupos de Despertar da Fé é um chamamento e um dom de Deus.

As crianças e as suas famílias pedem uma entrega generosa e uma atenção permanente. Mas quem tem experiência de trabalhar com estas idades, sabe como estes esforços são amplamente recompensados. Trabalhar com crianças suscita em nós o gosto de viver, a abertura ao futuro e a simplicidade, o que, às vezes, requer algum esforço. Mas o nosso Deus, através das crianças, devolve-nos “cem vezes mais” tudo o que fazemos por eles. Ao trabalhar com as crianças, descobrimos como é verdadeiro o apelo de Jesus, a sermos como crianças para entrar no Reino de Deus.

A importância da experiência pessoal de fé do catequista de Primeiro Anúncio

No contexto do Primeiro Anúncio, a experiência pessoal de fé do catequista assume uma importância decisiva. Como já vimos, o objetivo principal deste tempo da iniciação cristã não é apenas transmitir conhecimentos sobre Deus ou apresentar conteúdos doutrinais, mas proporcionar às crianças e às famílias a oportunidade de encontrar Jesus Cristo e de se entusiasmar com o seu amor. Por essa razão, o catequista é chamado a ser muito mais do que um simples comunicador de informações religiosas: é uma testemunha viva da fé feliz que anuncia.

A pedagogia do Primeiro Anúncio inspira-se no modo como Jesus se relacionava com as pessoas. Antes de ensinar, Jesus encontrava-se com elas, escutava as suas preocupações, acolhia as suas fragilidades e mostrava-lhes, através da sua própria vida, o rosto misericordioso de Deus. Do mesmo modo, o catequista é convidado a anunciar aquilo que vive e experimenta. A sua credibilidade não depende apenas da formação que possui ou da capacidade de comunicar, mas sobretudo da autenticidade do seu testemunho. Quem escuta, acolhe mais facilmente a verdade da mensagem quando percebe que ela transformou efetivamente a vida de quem a anuncia.

A experiência pessoal de fé permite ao catequista falar de Deus não como uma ideia abstrata, mas como Alguém que conhece e com quem mantém uma relação viva, próxima e terna. Isto é particularmente importante no Primeiro Anúncio, onde o foco está no despertar da fé e não apenas na sua instrução. Quando o catequista partilha a sua experiência de encontro com Cristo transmite esperança, confiança e alegria, ajudando as crianças e os familiares a descobrirem com alegria que a fé é uma experiência geradora de plenitude.

AMOSTRA

Além disso, a experiência de fé que o catequista faz, ajuda-o a desenvolver atitudes fundamentais para a evangelização, como a escuta, a empatia e o acolhimento. Quem reconhece a ação de Deus na própria vida, torna-se mais capaz de compreender os percursos, as dúvidas e os desafios dos outros. Sentindo-se próximo de Jesus, o catequista imita-O: não se coloca numa posição de superioridade, mas acompanha cada pessoa com respeito e proximidade, reconhecendo que todos estão em caminho de crescimento e conversão. Outro aspeto relevante é a coerência entre a mensagem anunciada e a vida vivida. No contexto atual, as pessoas mostram-se mais sensíveis ao testemunho do que aos discursos. As crianças e os adultos observam atentamente a forma como os catequistas vivem os valores cristãos. A oração, a participação na vida da comunidade, a disponibilidade para servir e a capacidade de amar os outros tornam-se sinais concretos da presença de Cristo. Deste modo, a vida do catequista transforma-se numa verdadeira catequese em ação.

A experiência pessoal de fé também sustenta o catequista nos desafios da missão evangelizadora. Anunciar o Evangelho exige perseverança, disponibilidade e confiança em Deus. Quando a fé está enraizada numa relação pessoal com Cristo, o catequista encontra força para enfrentar dificuldades, manter a esperança e continuar a servir com alegria.

Perfil do catequista

Para estar à altura desta vocação, cultivamos algumas atitudes.

Para ser um bom servidor deste percurso de Despertar da fé, queremos ser cristãos...

ƒ Entusiasmados, membros ativos da comunidade;

ƒ Com maturidade e equilíbrio emocional para trabalhar com crianças e famílias;

ƒ Com a formação adequada como catequistas;

ƒ Com vontade de aprender mais e de nos formarmos em cada dia;

ƒ Com capacidade para a comunicação e orientação de grupos;

ƒ Com empatia para com as crianças;

ƒ Com respeito para com as famílias;

ƒ Com uma atitude serena e acolhedora;

ƒ Com uma postura humilde, que procura ganhar a confiança dos outros;

ƒ Com gosto pela oração.

Tarefas concretas

Para dinamizar este percurso do Despertar da Fé, o catequista deve:

AMOSTRA

ƒ Preparar cuidadosamente os encontros, interiorizando a Palavra que vai ser proclamada, o fio condutor e a intencionalidade proposta para cada momento;

ƒ Preparar os materiais e cuidar do ambiente na sala;

ƒ Garantir um clima de acolhimento aos pais ou outros familiares que acompanhem a criança, acolhendo cada família na sua realidade. Relativamente ao grupo de pais, facilitar a criação de relações interpessoais, o espírito de grupo, a interajuda e o acolhimento mútuo dos filhos;

ƒ Assumir um papel de mediador que promove a (re)integração das famílias na comunidade cristã.

AMOSTRA

Conhecer o Despertar da Fé

Encontro

Pais

Para o Catequista

Apresentação

Com sentido de responsabilidade e com muito entusiasmo, começamos este percurso do Despertar da Fé 2 “Ser amigo de Jesus” reunindo os familiares das crianças com quem trabalharemos ao longo do ano.

Objetivos

ƒ Sentir-se acolhido pela comunidade;

ƒ Conhecer e abrir-se à proposta do percurso Despertar da Fé 2 (Ser amigo de Jesus).

Esquema

Apresentação 8’*

Ser amigo de Jesus 15’**

Proposta de Caminho 15’***

Oração 7’***

Material

ƒ Vídeo “Primeiro anúncio e Despertar da Fé 2” (disponível na pen multimédia);

ƒ Gravação Áudio 01 “O nosso caminho” (disponível na pen multimédia);

ƒ Música ambiente “Fundo 01” (disponível na pen multimédia);

ƒ Canção “Obrigado” (disponível na pen multimédia).

ƒ Ficheiro “Obrigado- Letra.pdf ” (disponível na pen multimédia).

Do Magistério

AMOSTRA

A educação cristã é um trabalho conjunto: ninguém educa sozinho. A comunidade educativa é um “nós” onde o professor, o aluno, a família, o pessoal administrativo e de serviço, os pastores e a sociedade civil convergem para gerar vida. (Leão XIV, Desenhar novos mapas de esperança, 3.1).

Síntese de conteúdos

Este é o primeiro encontro com os pais e familiares das crianças que vão participar neste percurso do Ser amigo de Jesus. É essencial criar um ambiente acolhedor, simples e participativo. Nesta idade, as crianças estão a iniciar o seu percurso escolar e catequético, por isso os pais precisam de perceber o papel fundamental que têm como primeiros educadores da fé.

O ambiente deve estar bem preparado, antes dos primeiros familiares chegarem: cadeiras arrumadas, sala bem iluminada. À medida que os familiares chegam, o catequista acolhe cada um. Saúda aqueles que já conhece e toma a iniciativa de se abeirar daqueles que ainda não conhece.

Desenvolvimento

Idealmente, o encontro 0 (encontro inicial) com os adultos que vão acompanhar as crianças no Despertar da Fé deve acontecer antes do encontro 0 com as crianças. Este encontro inicial com os adultos permite uma primeira contextualização do percurso e a entrega do Livro da Família aos familiares. Propiciando o esclarecimento de possíveis questões. É a oportunidade para os familiares ficarem em sintonia com o catequista e o percurso e motivados para o viver com as suas crianças.

Apresentação

Duração: 8 min.

O catequista dá as boas-vindas aos familiares presentes neste encontro 0 (inicial).

Convida os participantes a disporem-se em círculo e a apresentarem-se. Cada participante deve dizer o seu nome e acrescentar um adjetivo que o caracteriza, começando pela mesma letra da inicial do nome, por exemplo: “Eu sou a Ana e sou atenta”. Pode, também, acrescentar o nome da criança que vai frequentar o Despertar da Fé 2.

O jogo continua até todos se terem apresentado, incluindo o catequista.

O percurso “Ser amigo de Jesus”

Duração: 15 min.

f Etapa 1 | Apresentação do vídeo 7 min.

O catequista convida os participantes a visualizarem, com atenção, o vídeo.

Guião do vídeo “Primeiro anúncio e Despertar da Fé 2”

VÍDEO Cada família traz dentro de si um dom precioso: a semente da fé.

Uma fé que nasce do amor, que se alimenta do exemplo e cresce quando é vivida em casa e na comunidade.

É este o caminho: ajudar as famílias a descobrir e a viver o amor de Deus no seu dia a dia.

O primeiro anúncio é o ponto de partida da vida cristã. É o momento em que a pessoa, mesmo pequena, descobre que Deus a ama, que Jesus é seu amigo e que a vida tem um sentido maior.

Como dizia Tertuliano, “não nascemos cristãos, tornamo-nos cristãos”. Por isso, o primeiro anúncio é mais do que ensinar, é despertar.

Despertar o coração para o Mistério, para a beleza de acreditar, para a alegria de viver a fé.

O Despertar da Fé é o tempo deste primeiro anúncio e procura acolher as famílias na comunidade cristã.

Aqui, pais e filhos caminham juntos.

As crianças descobrem que Deus é bom e que está presente em tudo.

Os pais redescobrem a fé como um dom vivo, que ilumina o amor, o perdão e a vida em família.

O Despertar da Fé não é uma obrigação, é um convite.

Um espaço para reencontrar Jesus e aprender a viver com Ele no dia a dia.

O percurso Despertar da Fé 2 destina-se às famílias que começam, agora, o caminho da fé com os filhos.

É uma experiência intergeracional – crianças, pais e catequistas juntos – que ajuda a comunidade a ser verdadeiramente família de famílias.

AMOSTRA

Neste percurso, as famílias não são apenas participantes: são protagonistas. Aprendem a rezar juntas, a conversar sobre Deus e a descobrir a alegria de O encontrar nas pequenas coisas da vida.

Este é o primeiro passo de um grande caminho: o de crescer como discípulos de Jesus, na Igreja e em família.

É um tempo de esperança e de reencontro onde cada gesto, cada oração e cada partilha acendem uma luz nova.

Porque a fé é um estilo de vida, uma relação de confiança, que as crianças aprendem sobretudo pelo exemplo e pelo amor.”

f Etapa 2 | Ecos do vídeo 8 min.

O catequista abre o diálogo às famílias, colocando as seguintes questões:

y Qual a mensagem principal que retiram deste vídeo?

y Há diferenças relativamente ao vosso percurso de catequese? Quais?

O catequista modera a partilha em clima de abertura e confiança. E termina com as seguintes palavras:

“Alguns de vós já têm feito em família estas propostas de Despertar da Fé 1. Para outros é a primeira vez. Ao longo deste percurso [ano], os vossos filhos, em grupo, com o vosso apoio e a orientação do(s) catequista(s) vão familiarizar-se com o essencial da fé cristã. É uma catequese inicial, na qual, por gestos concretos, irão descobrir a bondade de Deus e os aspetos essenciais da pessoa de Jesus e da vida cristã. É um ano para se sentirem acolhidos pela comunidade cristã. No final deste percurso, eles vão celebrar o rito do Sinal da Cruz e iniciar a catequese de forma mais sistemática, que os ajudará a conhecer a beleza do Evangelho. A presença e participação de cada um de vós é decisiva neste processo. Sempre em liberdade, contamos convosco. Penso que, para cada um de vós e para as vossas famílias este processo do Despertar da Fé dos vossos filhos poderá ser uma bênção, uma ocasião de crescimento humano e cristão.”

Proposta de caminho

Duração: 15 min.

f Etapa 1 | Apresentação do caminho 7 min.

O catequista apresenta ao grupo de adultos o Livro da Família, expondo a capa: “Este é o momento de vos apresentar o Livro da Família. É o livro que vai acompanhar o vosso percurso durante o Despertar da Fé 2. Vamos conhecê-lo um pouco melhor.”

Entrega a cada família um exemplar do Livro da Família. Depois, convida a abri-lo na página 5, onde se encontra a apresentação das personagens que os vão acompanhar neste percurso. Com as seguintes palavras introduz este momento:

“Ao longo deste percurso do Despertar da Fé 2, vão ser acompanhados por três personagens com características e personalidades distintas. Elas são o Marco, a Ana e Rute, a coruja.

Em todos os encontros, a coruja Rute vai escrever-vos uma carta. Ela vai ajudar-vos a aprofundar o tema de cada encontro e dar-vos pistas para o viver na relação com as vossas crianças. Hoje, vamos ouvir a primeira carta que a Rute escreveu para vocês.”

AMOSTRA

O catequista convida a abrir o Livro da Família, na página 6, e a acompanhar o áudio que vai pôr a tocar.

Guião do Áudio “O nosso caminho”

(por Rute, a coruja sábia)

AUDIO

Queridos familiares,

Sou eu, a Rute!

Sou uma sábia coruja das neves (modéstia à parte). Do alto do meu ramo, tenho vista privilegiada sobre tudo o que se passa ao meu redor e gosto de observar tudo com atenção.

Vejo que a vossa criança está a crescer, assim como a sua curiosidade e perspicácia. É um tempo bonito, mas também cheio de desafios e sei que isso pode fazer sentir algumas borboletas na barriga. Não fiquem tão inquietos! Vejo que a acompanham sempre que podem e, em muitas situações, talvez até novas para vós.

Este ano, a vossa criança iniciará o segundo percurso do despertar da fé, onde irá aprofundar a sua relação com Deus e com Jesus. Os seus olhos e o seu coração ficarão mais despertos para acolher a fé.

Neste caminho, percorreremos 5 etapas:

1. Ciclo de Abertura ao Mistério: descobrir que Deus é bom, ama e conhece cada pessoa;

2. Ciclo do Advento e Natal: acolher Jesus que vem habitar no meio das famílias;

3. Ciclo da Igreja: descobrir que fazemos parte de uma comunidade de amigos de Jesus;

4. Ciclo da Quaresma e Páscoa: celebrar o amor e a ressurreição de Jesus;

5. Ciclo do Sinal da Cruz: querer ser discípulo de Jesus e continuar a descobri-lo.

Mas sabem? Este caminho não acontece só nos encontros do Despertar da Fé. Há outros lugares onde a fé pode e deve ser vivida:

y Na paróquia, quando escutamos a Palavra e celebramos em comunidade;

y Em casa, quando a fé se transforma em gestos concretos, como uma oração antes de dormir, um abraço de reconciliação ou um “obrigado” dito com o coração.

Por isso, quero encorajá-los a sentirem-se, também, protagonistas nesta viagem. O que se espera de vós é simples, mas precioso. Entre as muitas atividades do vosso dia, encontrem, sempre que possível, tempo para acompanhar a vossa criança aos nossos encontros. Escutem a Palavra de Deus e deixem-na iluminar os vossos dias. O meu desejo é que sintam que estão a caminhar juntos.

Os catequistas serão um grande apoio, pois ajudarão a criança a progredir no seu crescimento humano e espiritual. Contudo, nunca ninguém poderá substituir-vos nesta delicada tarefa educativa.

Gostaria que a família aceitasse viajar junta, cada um ao seu ritmo e à sua maneira, e fosse um lugar de partilha das experiências e descobertas que a criança fará pelo caminho.

Eu estarei sempre por aqui, com asas abertas e uma palavra sábia para cada encontro. Voamos juntos?

Com asas abertas,

A vossa amiga,

Coruja Rute

f Etapa 2 | Dúvidas, questões ou sugestões 8 min.

AMOSTRA

O catequista promove o diálogo, em clima de abertura e confiança, perguntando se existem dúvidas sobre o caminho proposto, questões ou sugestões. Deve estar preparado para algumas das questões que poderão surgir, às quais deve responder de acordo com a sua realidade. Apresentamos, de seguida, a resposta a alguns tópicos que podem aparecer com mais frequência.

y Ritmo semanal vs ritmo quinzenal

Os encontros do Despertar da Fé acontece m na paróquia, com uma periodicidade quinzenal, e prolongam-se no quotidiano da família. No intervalo entre encontros, são convidados a prolongar algumas vivências na vossa família. Propostas muito simples que podem enriquecer o vosso quotidiano.

y Acompanhamento das crianças

O acompanhamento das crianças nos encontros deve ser feito por um adulto: pais, avós, irmãos adultos, ou outros, desde que seja um adulto de referência na sua vida. Apesar de não haver obrigatoriedade da presença dos familiares nestes encontros, é importante que a criança se sinta acompanhada neste percurso do Despertar da Fé. Este acompanhamento ajuda, também, a família a ser o lugar natural de iniciação à vida cristã.

Sempre que possível, o adulto que acompanha a criança deve ser o mesmo, de modo que se constitua um grupo com o catequista e as crianças. No caso desta impossibilidade, o importante é que algum familiar a acompanhe.

Se não houver ninguém disponível para estar presente no encontro, o que é essencial é que ela não deixe de participar.

y Diferenças entre o itinerário catequético que os familiares viveram e o atual

Esta maneira (nova) de organizar a catequese e a iniciação cristã nasce do esforço que a Igreja, que caminha em Portugal, tem feito de procurar novos caminhos para que as crianças e as famílias de hoje possam descobrir mais facilmente a beleza do Evangelho de sempre.

y Obrigatoriedade da presença nos encontros

Este percurso é um caminho com sentido, assim, é importante que as crianças estejam presentes nos encontros.

y Presença na Eucaristia

As famílias são convidadas a participar na Eucaristia, sozinhas ou em conjunto.

No final deste momento de esclarecimento, o catequista desafia os adultos a apresentarem, em casa, o Livro da Família às crianças, num momento de descoberta para toda a família. Refere que, no encontro das crianças, estas devem trazê-lo consigo.

Oração

Duração: 7 min.

O catequista coloca música ambiente (Fundo 01). Após uns breves momentos, diz: “Para ajudarmos os nossos filhos a descobrir Deus, precisamos também de voltar às nossas próprias origens da fé. Quem nos falou de Deus pela primeira vez? Quem nos ensinou a rezar, ou nos mostrou, pelo exemplo, o amor de Deus? Vamos recordar essas pessoas com gratidão porque a fé transmite-se de coração para coração.”

AMOSTRA

O catequista dá uns minutos para esta tarefa e, no final, faz escutar a canção “Obrigado”. Pode projetar a letra a partir do ficheiro “Obrigado - Letra.pdf”.

Canção “Obrigado”

(Autor: Helena Branco)

CANÇÃO

Obrigado, pelo sol e pelo vento, pelo azul do firmamento e pela estrela que há em mim.

Obrigado pelo tempo que passou, pelos passos pelos voos e pela estrela que há em mim.

Obrigado por esse brilho no olhar.

Obrigado por essa chama que me queima. Obrigado pela estrela que há em mim.

Obrigado, pela estrada percorrida, por esse dom, por essa vida.

Obrigado pela estrela que há em mim.

Obrigado, pelo sorriso da criança, pela saudade e a lembrança de alguma estrela que brilhou.

Obrigado pela presença que não passa, pela esperança que me abraça, pelo silêncio que há em Ti.

AMOSTRA

Conhecer o “Ser amigo de

Encontro

Crianças

Para o Catequista

Apresentação

Neste encontro inicial, promovemos um primeiro contacto entre as crianças do grupo e destas com o catequista. Elas vão poder conhecer rostos, nomes e espaços.

Objetivos

AMOSTRA

ƒ Conhecer e sentir-se acolhido pelo grupo e pelo catequista;

ƒ Conhecer o percurso “Ser amigo de Jesus” e as personagens que o vão acompanhar

Esquema

Acolhimento e apresentação 15’**

Conhecer o “Ser amigo de Jesus” 10’**

Cantamos o hino do “Ser amigo de Jesus” 20’ **

Material

ƒ Novelo de lã;

ƒ Música ambiente “Fundo 02” (disponível na pen multimédia);

ƒ Vídeo “Despertar... com Jesus” (disponível na pen multimédia);

ƒ Canção “Eu vou crescer” (disponível na pen multimédia).

Desenvolvimento

Idealmente, o encontro inicial com os adultos que vão acompanhar as crianças no percurso “Ser amigo de Jesus” deve acontecer primeiro que este encontro com as crianças. É importante uma primeira contextualização do percurso e entrega do Livro da Família aos familiares, bem como alguns esclarecimentos de possíveis questões que possam surgir para que, desta forma, os familiares possam estar em sintonia com o catequista e o percurso, e aptos para o viver com as suas crianças.

Acolhimento e apresentação

Duração: 15 min.

Preparação

O catequista prepara previamente a sala, com uma manta e almofadas no chão, para as crianças se sentarem, criando um ambiente acolhedor. Coloca música ambiente adequada (Fundo 02), antes de as crianças chegarem.

O catequista acolhe e dá as boas-vindas a todas as crianças, deixando-as confortáveis. Uma vez que, neste primeiro encontro, os familiares não estarão presentes, o catequista dedica especial atenção às que possam ser mais reservadas ou não conhecer os colegas, garantindo que todas se sentem acolhidas.

O catequista pede-lhes que se sentem na manta, em círculo, de forma que todas se consigam ver e ouvir, e senta-se também no círculo. Mostra ao grupo o novelo de lã e explica:

“Este é o fio da amizade! Quando o novelo passar por cada um de vós, devem dizer o vosso nome e uma coisa de que gostem muito. Começo eu!”

O catequista segura a ponta do novelo, diz:

“Eu sou o/a catequista ___, e gosto muito de ___ (exemplo: cantar, brincar, ler, etc.).”

AMOSTRA

Depois, segura a ponta do fio e atira (levemente) o novelo a uma criança qualquer do círculo. A criança que o recebe repete o que fez o catequista: apresenta-se, diz algo de que goste muito, segura o fio de lã e atira o novelo a outro colega.

Esta sequência repete-se com todos os participantes.

Quando todos tiverem participado, o catequista chama a atenção do grupo para a teia de lã que os une a todos e diz:

“Viram como estamos todos ligados? O fio da amizade está a unir-nos.”

O catequista incentiva, agora, as crianças a desfazerem a teia. Com calma, elas vão passando o fio de volta, na ordem inversa, enquanto se recordam os nomes e os gostos de cada uma.

Terminada a atividade, o catequista agradece o empenho das crianças.

Conhecer o “Ser amigo de Jesus”

Duração: 10 min.

Preparação

O catequista prepara previamente o material necessário para a projeção do Vídeo.

f Etapa 1 | Vídeo “Ser amigo de Jesus” 5 min.

O catequista convida as crianças a fazer silêncio e a assistir ao vídeo que vai projetar.

Guião do vídeo “Ser amigo de Jesus”

VÍDEO Ana e Marco: Olaré!

Ana: Nós somos a Ana e o Marco e esta é a nossa amiga Rute, a coruja.

Marco: Vamos acompanhar-te neste percurso do “Ser amigo de Jesus”. Temos muitas surpresas e histórias para te contar. Estamos muito contentes por te ter a bordo desta aventura connosco. Vai ser incrível! Vem conhecer-nos um pouco melhor!

Ana: Eu gosto muito de cantar. Por isso, para todos os encontros trago uma canção nova para te ensinar. Até rimei!

Sou boa no desporto e adoro jogos. O Marco e a Rute dizem que sou rápida e estratega, mas se quiseres fazer experiências na cozinha, é melhor pedires ajuda ao Marco. Eu não me ajeito muito bem com receitas. Sou melhor nas artes plásticas. É tão divertido dar corda à imaginação e aos lápis de cor, não acham?

Ahhh, já me esquecia. Sou escuteira e adoro uma boa aventura!

Marco: Eu adoro os animais e sinto-me muito bem a passear na natureza. É tão bonita e esconde muitos tesouros. Sou muito curioso. Por isso, estou sempre à procura de coisas novas para descobrir e aprender. Querem investigar comigo?

Também gosto muito de contar anedotas e a Rute acha-lhes muita piada.

Sou acólito. Sabem o que é? Ajudo o Senhor Padre na missa, mas se precisares de ajuda nas cantorias, é melhor contares com a Ana, pois não sou muito afinado.

Também gosto muito de ler. Nunca digo que não a uma bela história.

Uhuu! Rute, acorda. Os nossos amigos querem conhecer-te!

Rute: Uhuuu! Eu sou a Rute e sou uma coruja das neves. Repara nos meus olhos arregalados. Servem para ver tudo com atenção. Do alto do meu ramo, gosto de observar o que acontece à minha volta. Mas não te iludas, também gosto muito de dormir, como já reparaste. Aprecio imenso contar histórias e os meus amigos, a Ana e o Marco, gostam muito de as ouvir.

(a sussurrar, como quem conta um segredo) – Dizem que sou uma boa narradora.

De vez em quando, viajo no tempo e voo até à terra de Jesus onde aprendo muito sobre Ele e a sua vida. Querem voar até lá comigo?

Ao longo dos encontros do Despertar com Jesus, vamos acompanhar-vos nas imensas descobertas sobre Deus e sobre Jesus e também apresentar-vos alguns desafios. Vai ser um caminho incrível e estamos muito ansiosos para vos contar tudo. Venham connosco!

f Etapa 2 | O Livro da família 5 min.

O catequista questiona as crianças: “Gostaram de conhecer a Ana, o Marco e a Rute? O que acharam deles?”

Dá espaço para que as crianças partilhem as suas impressões.

O catequista pergunta às crianças se já exploraram o Livro da Família em casa, com os familiares, e incentiva quem ainda não o fez.

Pode apoiar-se nas seguintes palavras:

“Quem é que já explorou o Livro da Família em casa? O que acharam dele? Este será o vosso Livro da Família, por isso podem estar à vontade para o folhear e conhecer. Chama-se “Ser amigo de Jesus” e estes amigos que acabamos de conhecer vão acompanhar-nos no nosso percurso deste ano. Podem explorar em casa, com a vossa família, os vários desafios que eles têm para vocês em cada encontro.”

Cantamos o hino do “Ser amigo de Jesus”

Duração: 20 min.

O catequista questiona as crianças: “Vocês gostam de música e de cantar? Vamos agora, de pé, ouvir uma canção muito bonita. Podemos tentar cantá-la e acompanhar com gestos. Vamos tentar?”

O catequista coloca a canção “Eu vou crescer!” (Livro da Família, na página 84). Ensina as crianças a fazer os gestos. Pode repetir a canção, para facilitar a memorização por parte das crianças.

Hino do “Ser amigo de Jesus”

Canção “Eu vou crescer”

(Autor: Desconhecido)

CANÇÃO

Eu vou crescer, eu vou crescer crescer, crescer, crescer, crescer com Jesus!

E quando eu estiver deste tamanho assim...

Eu vou levar Jesus sempre junto de mim!

Lá, lá, lá, lá Lá, lá, lá, lá

AMOSTRA

Eu vou crescer, eu vou crescer crescer, crescer, crescer, crescer com Jesus!

E quando eu estiver deste tamanho assim...

Eu vou levar Jesus sempre junto de mim!

Eu vou crescer, eu vou crescer crescer, crescer, crescer, crescer com Jesus!

E quando eu estiver deste tamanho assim...

Eu vou levar Jesus sempre junto de mim!

Quando terminar, o catequista questiona: “Gostaram desta canção? Conseguiram aprendê-la? Vou deixar-vos um desafio. Vão ensinar a canção e os gestos à vossa família. O que acham?”

O catequista deixa que as crianças respondam, explica que esta canção é o hino do “Ser amigo de Jesus” e que, por esse motivo, irão ouvi-la e cantá-la, várias vezes ao longo do ano.

O catequista despede-se das crianças, reforçando que gostou de as receber e que espera por elas para fazerem descobertas maravilhosas juntos.

AMOSTRA

Encontro

AMOSTRA

Para o Catequista

Apresentação

Para as crianças, a luz aparece associada ao calor e à segurança. Ela torna-se um convite à descoberta, um jogo que revela cores e segredos do mundo. E é, também, um elemento simbólico que abre à descoberta de Deus e da sua beleza.

Objetivos

ƒ Conhecer o grupo e sentir-se acolhido por ele;

ƒ Abrir-se a Deus que se revela como luz;

ƒ Sentir-se motivado para realizar o percurso DF2 (Ser amigo de Jesus).

Conteúdos

ƒ Deus é luz, guia-nos e mostra-nos o caminho.

AMOSTRA

Palavra de Deus que inspira o encontro

ƒ 1Jo 1,5: Deus é luz.

Atitudes e experiências que favorecem a abertura ao Mistério

ƒ Contemplação;

ƒ Identidade;

ƒ Pensamento curioso.

Esquema

Tempo para parar

Alternativa A 10’ **

Alternativa B **

Tempo para fazer 15’***

Tempo para pensar 10’*

Tempo para rezar 15’**

Pistas para o Tempo em família 5’*

Material

ƒ Papéis brancos;

ƒ Saco;

ƒ Lápis de cor;

ƒ Obstáculos para o percurso;

ƒ Vendas para os olhos;

ƒ 1 vela grande;

AMOSTRA

ƒ Tintas de variadas cores;

ƒ Toalhitas húmidas;

ƒ Canção “Um girassol”;

ƒ 1 vela pequena por cada criança.

Do Magistério

O apóstolo João escreve na sua Primeira Carta: “Deus é luz e n’Ele não há trevas” (1 Jo 1, 5); e mais adiante acrescenta: “Deus é amor”. (…) É Deus, Uno na substância e Trino nas Pessoas, que atrai a si tudo e todos.» (Bento XVI, Homilia na Solenidade da Epifania, 06.01.2006).

Síntese de conteúdos

Em todos os povos e culturas, a luz é um símbolo importante.

No Antigo Testamento

A luz é um dos atributos de Deus, apresentados na Bíblia: «Deus é luz e nele não há trevas» (1 Jo 1, 5); e torna-se, por isso, o elemento simbólico por excelência para exprimir a fé. No poema da criação, a luz é o primeiro dom a brotar das mãos do Criador: “Deus disse: Faça-se a luz. E a luz foi feita” (Gn 1, 3). Pela luz se manifesta a bondade de um Deus que quer vencer as trevas do caos, da ignorância e do mal.

Ao longo de toda a História da Salvação, a luz é associada à revelação de Deus e à sua orientação. O povo de Israel caminha no deserto guiado por uma coluna de fogo, sinal da presença constante de Deus que ilumina o caminho (Ex 13, 21). Nos Salmos, a luz torna-se oração e confiança: “O Senhor é minha luz e minha salvação: de quem terei medo?” (Sl 27, 1). A luz exprime a segurança de quem se deixa conduzir por Deus e não caminha sozinho.

No Novo Testamento

No Novo Testamento, a plenitude da luz é revelada em Jesus Cristo. Ele próprio afirma: “Eu sou a luz do mundo. Quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12). Em Jesus, a luz de Deus torna-se próxima, humana e transformadora. A sua Palavra ilumina as consciências, os seus gestos revelam o amor, e a sua presença dissipa as sombras do pecado e da morte. A luz de Cristo não é apenas algo a contemplar: é uma força viva que convida à conversão e à missão.

Na vida cristã

Na vida cristã, a luz é também sinónimo de fé e de esperança. Mesmo nos momentos de escuridão, a fé recorda que a luz de Cristo nunca se apaga. Ela brilha no perdão, na solidariedade, na beleza do amor gratuito. Ser cristão é aprender a ver a luz que Deus acende em cada pessoa e ajudar os outros a sair das trevas.

Viver à luz do Evangelho é deixar que a vida se torne transparente, que as palavras sejam verdadeiras e que as obras revelem o rosto belo e luminoso de Deus. A luz que Deus nos dá não é apenas para nós; é um dom a partilhar, uma claridade que transforma o mundo.

AMOSTRA

Desenvolvimento

Tempo para parar

Duração: 10 min.

O catequista dá as boas-vindas às crianças e famílias.

Alternativa A

Entrega um papel a cada criança e convida a abrir o Livro da Família, na página 8, “A minha família”.

O catequista pede às crianças para desenhar a sua família no Livro da Família. Os familiares e o catequista ajudam-nas nessa tarefa. Simultaneamente, no papel entregue à criança, os familiares escrevem o apelido da família. No caso de as crianças não terem familiares presentes, devem os outros adultos ou os catequistas ajudá-las.

No final, cada criança coloca o papel dentro de um saco.

O catequista convida uma criança, à vez, a retirar um papel do saco. O catequista lê o apelido escrito em cada papel. A criança cujo apelido de família foi sorteado, mostra o desenho ao grupo, explicando quem são as pessoas e apresentando, se aplicável, quem está com ela no encontro.

Tal como referido na introdução deste Guia, na página 9, o grupo de familiares presente deve, também, acompanhar as crianças que estão sozinhas, formando um só grupo, de modo que elas se sintam plenamente integradas.

O catequista deve, pelo mesmo motivo, dedicar especial atenção a essas crianças, sobretudo nos momentos em que as famílias intervêm. Por exemplo, deve colocar-se ao lado delas aquando da apresentação, perceber como a criança está a reagir com a ausência dos seus familiares e dar-lhes uma palavra de motivação, se for necessário.

Alternativa B

O catequista dá as boas-vindas a todos os participantes e convida-os a ficar de pé, espalhados pela sala. Com as seguintes palavras, introduz a atividade: “Vamos imaginar que Deus é como o Sol: a grande luz. Cada um de nós é um raio dessa luz.”

O jogo decorre da seguinte forma:

y Quando o catequista disser “LUZ” todos caminham livremente pela sala, como se fossem raios de sol a espalhar-se.

y Quando o catequista disser “ENCONTRAR”, cada participante aproxima-se de quem está mais perto, de preferência alguém que ainda não conhece. Pode ser criança com criança, adulto com criança ou adulto com adulto.

y Cada elemento deste par diz o seu nome e porque é que gosta do Sol.

y Depois continuam a andar e repete-se o procedimento por mais três ou quatro rondas.

No final, o catequista pede que todos se juntem ao centro para formar o Sol. Devem fazer um círculo grande, podendo dar as mãos ou apenas ficar ombro com ombro.

Conclui com as seguintes palavras: “Sozinhos somos apenas um raio, mas juntos formamos um Sol.”

Nota: Caso o catequista opte pela Alternativa B, pode convidar as crianças a fazer o desenho da sua família, no Livro da Família, em casa e com a ajuda dos pais.

AMOSTRA

Tempo para fazer

Duração: 15 min.

Preparação

O catequista prepara um pequeno percurso de obstáculos para as crianças percorrerem. Este percurso pode ser realizado na sala do encontro ou no exterior. Como obstáculos, pode usar cadeiras, livros ou outros objetos.

f Etapa 1 | Percurso de obstáculos 10 min.

O catequista entrega uma venda para os olhos a cada criança. Pede ajuda aos adultos presentes para lhes vendar os olhos e desafia as crianças a completar o percurso de obstáculos. Os adultos auxiliam as crianças, através dos seguintes sinais:

y Toque no ombro esquerdo – virar à esquerda;

y Toque no ombro direito – virar à direita;

y Toque nos dois ombros – parar;

Na ausência de sinais, as crianças seguem em frente.

Elas devem realizar este percurso ao mesmo tempo, com algum espaçamento entre a saída de cada uma.

Quando todos chegarem ao final, o catequista pede que cada um tire a sua venda e percorra o trajeto inverso, desviando-se dos obstáculos.

f Etapa 2 | Explorar a atividade 5 min.

O catequista lança as seguintes questões às crianças e aos adultos, de modo a exprimirem o que sentiram durante a atividade que acabaram de fazer:

y Fizeram o percurso duas vezes: com os olhos vendados e sem venda. Quando foi mais fácil?

y Porquê?

O catequista modera as respostas, equilibrando a participação das crianças e dos adultos. Garante um clima de respeito e segurança, aceitando todas as respostas, mantendo o foco nas perguntas.

Tempo para pensar

Duração: 10 min.

De seguida, convida a abrir o Livro da Família, na página 10, e a observar a ilustração que lá se encontra, por uns momentos.

O catequista pede que as crianças descrevam, brevemente, o que veem na imagem.

AMOSTRA

Depois, desafia-as, com a ajuda dos familiares presentes, a completar as tarefas que se encontram nessa página:

y Escolhe um nome para esta menina.

y Como achas que esta menina se sente? (No Livro da Família há vários emojis relativos a emoções – alegria, tristeza, encanto, sono… – que as crianças podem assinalar para as ajudar a responderem.)

y Na ilustração, rodeia o elemento que achas que a faz sentir assim.

Tal como sucedeu na Alternativa A do Tempo para parar, o grupo de pais e o catequista ajudam-nas, uma vez que ainda se encontram no início do processo de alfabetização.

Quando todas tiverem terminado a tarefa, o catequista questiona:

y O que tem a ver esta imagem com a atividade que fizemos antes?

O catequista orienta o diálogo, de modo que as crianças reconheçam a luz como elemento comum a ambas as atividades. É possível que tenha de recordar a atividade do percurso de obstáculos e a exploração desta atividade, a questão da presença da luz que ajudou na segunda parte do caminho e que anima a menina ao acordar. Todavia, só o deve fazer, se sentir que as crianças não estão a conseguir alcançar o que se pede com a pergunta.

Após este tempo, conclui esta atividade, usando as seguintes palavras, mas também expressões que foram ditas pelas crianças na exploração da atividade do percurso de obstáculos:

“A luz é muito importante porque sem ela não conseguimos ver. A luz guia-nos, anima-nos, mostra-nos o caminho e ajuda-nos para não nos enganarmos.

Deus também é assim. Deus é luz que ilumina a nossa vida.”

Tempo para rezar

Duração: 15 min.

Preparação

O catequista prepara, antecipadamente, as tintas e toalhitas húmidas para o carimbo da impressão digital.

f Etapa 1 | Vela do grupo 10 min.

AMOSTRA

O catequista mostra ao grupo uma vela grande e explica que aquela será a vela do grupo, que o acompanhará na descoberta de Deus, ao longo deste ano.

Convida as crianças e os seus familiares a escolher uma das cores disponíveis para colocar a sua impressão digital na vela, demonstrando como se faz.

Quando todos tiverem deixado a sua impressão digital na vela, o catequista agradece o empenho colocado nesta tarefa.

f Etapa 2 | Rezar a cantar 5 min.

Preparação

O catequista ensaia a música e os gestos com as crianças. Se for necessária ajuda, pode recorrer ao vídeo que se encontra na pen multimédia.

O catequista acende a vela do grupo e coloca-a ao centro da sala. Convida o grupo a virar-se para ela, fazendo, de forma célere e prática, os ajustes necessários à disposição da sala.

De seguida, faz ouvir a música “Um girassol” (Livro da Família, na página 9) e convida os participantes a acompanhar a canção com os gestos que aprenderam, em ambiente de oração.

CANÇÃO

Canção “Um girassol”

(Autor: Frei Fabreti, ofm)

Um girassol florido no jardim (A) buscando a luz do sol sorriu para mim (B) eu também sou um pequeno girassol (C) procuro a luz de Deus e sou feliz assim (D)

Tenho mil sementes de amor p’ra te dar (E)

Tenho mil sementes de ternura… (F)

Tenho mil sementes de carinho… (G)

Coreografia

(A) As crianças começam agachadas (sementes) e vão crescendo devagar com os braços a subir, até ficarem em pé, abrindo as mãos como pétalas.

(B) Colocam a mão na testa como se procurassem o Sol, depois sorriem e abrem os braços para a frente, oferecendo o sorriso.

(C) Colocam as mãos na cintura e balançam suavemente o corpo de um lado para o outro, como um girassol ao vento.

(D) Apontam para cima com as duas mãos, depois colocam as mãos no coração e sorriem.

(E) Mãos no coração e depois “espalhar sementes” para a frente com movimentos das mãos.

(F) Braços abertos e dar um abraço a si próprio.

(G) Fazer gesto de acariciar alguém ao lado (ou acariciar o ar com as mãos abertas).

O catequista dá a indicação de que a música que acabaram de rezar se encontra no Livro da Família, na página 9, caso a queiram cantar e rezar em casa.

Pistas para o Tempo em família

Duração: 5 min.

O catequista entrega a cada criança uma vela semelhante à vela do grupo, mas em tamanho mais pequeno.

Desafia as crianças e familiares a replicar em casa o que fizeram com a vela do grupo: todos os membros da família devem deixar a sua impressão digital na vela.

O catequista recorda às famílias o desafio que foi lançado no encontro inicial: que criassem nas suas casas um cantinho da oração. A vela da família deve ser colocada nesse espaço da casa.

Depois, motiva as crianças e os familiares a realizar este percurso do “Ser amigo de Jesus”. Pode recordar, sucintamente, as informações dadas às famílias no encontro 0 Termina o encontro, agradecendo a presença e empenho de todos.

2.º Encontro Deus é tão bom AMOSTRA

Para o Catequista

Apresentação

Descobrimos a bondade de Deus a partir da beleza das pequenas coisas do dia a dia, fruto da sua Criação amorosa.

Objetivos

ƒ Dispor-se a descobrir Deus, que é bom;

ƒ Reconhecer na natureza a presença de Deus.

Conteúdos

ƒ A criação fala-nos de Deus.

Palavra de Deus que inspira o encontro

ƒ Sl 100, 5: O Senhor é bom!

Atitudes e experiências que favorecem a abertura ao Mistério

ƒ Contemplação;

ƒ Sensorialidade;

ƒ Sentido do quotidiano.

Esquema

Tempo para parar 10’*

Tempo para fazer

Tempo para pensar

20’ ****

20’ ***

Tempo para rezar 5’**

Pistas para o Tempo em família 5’*

Material

ƒ Objetos de diferentes formas, para exploração sensorial, em número igual às crianças esperadas (ver sugestões no “Tempo para parar”);

ƒ Vendas para os olhos (1 por criança);

ƒ Ventoinha;

ƒ Borrifador de água;

ƒ Folha de papel;

AMOSTRA

ƒ Cana;

ƒ Pedra;

ƒ Lanterna;

ƒ Cartaz n.º 01 “Vento” (disponível na pasta de apoio);

ƒ Cartaz n.º 02 “Água” (disponível na pasta de apoio);

ƒ Cartaz n.º 03 “Rocha” (disponível na pasta de apoio);

ƒ Cartaz n.º 04 “Luz” (disponível na pasta de apoio);

ƒ Canção “Deus é bom” (disponível na pen multimédia).

Do Catecismo

41. Todas as criaturas são portadoras duma certa semelhança de Deus, muito especialmente o homem, criado à imagem e semelhança de Deus. As múltiplas perfeições das criaturas (a sua verdade, a sua bondade, a sua beleza) refletem, pois, a perfeição infinita de Deus. Daí que possamos falar de Deus a partir das perfeições das suas criaturas: «porque a grandeza e a beleza das criaturas conduzem, por analogia, à contemplação do seu Autor» (Sb 13, 5).

Síntese de conteúdos

As crianças que participam neste percurso “Ser amigo de Jesus” começam a formar uma visão de Deus muito afetiva, concreta e simbólica. A sua relação com o transcendente passa, sobretudo, pelo encantamento e pela confiança, não tanto pela razão ou pela reflexão abstrata.

Por isso, é através da beleza das coisas que a criança pode começar a acolher a bondade de Deus. A beleza toca o seu coração e desperta nela gratidão e alegria.

A beleza desperta admiração e gratidão

Quando a criança vê algo belo (uma flor, o mar, um arco-íris, um gesto de carinho…) sente um encanto natural. Esse espanto espontâneo abre-lhe o coração: “Que lindo!” Sem se dar conta, a criança experimenta uma forma de louvor infantil.

A beleza desperta nela o sentimento de que o mundo é bom e confiável, e daí nasce a intuição de que “alguém bom” o fez assim.

A beleza é um dom

As crianças percebem as coisas boas (da natureza ou da vida quotidiana) como um dom recebido. Ela limita-se a acolher as coisas boas e a apreciá-las.

Uma frase habitual como “Olha o céu, que bonito!” não é uma análise, é uma resposta de gratidão.

Quando a criança é ajudada a reconhecer que “Deus fez isto para nós”, começa a ver a beleza como expressão da bondade e do amor de Deus: “Se é tão bonito, Deus deve ser muito bom!”

A bondade de Deus reflete-se na bondade que vê e sente

O “belo” e o “bom” estão muito ligados. Com a sua espontaneidade, as crianças avaliam como bom aquilo que é belo: um elemento da natureza, um gesto de partilha, um sorriso, um abraço. A beleza não é apenas o que agrada aos olhos, mas o que as faz sentir amadas.

Por isso, através de “coisas” e experiências boas e belas, a criança experimenta, concretamente, a bondade de Deus.

O belo abre ao Mistério

AMOSTRA

O espanto diante do belo abre a criança para o Mistério, para algo “maior do que ela”. Não entende Deus em palavras teológicas, mas sente que há “alguém” por trás da beleza. O mundo bonito torna-se um sinal da presença de Deus e, assim, ela começa a sentir que Deus é amigo e bom, porque o que Ele faz é bom e belo.

O papel dos adultos: ajudar a ver com o coração

A criança precisa de alguém que a ajude a desenvolver a sua dimensão espiritual, a associar Deus à beleza das “coisas”, sobretudo da natureza e o adulto tem um papel fundamental nesse caminho de abertura. Em contexto de catequese intergeracional, no DF2 “Ser amigo de Jesus”, os adultos fazem esse caminho juntamente com os filhos e (re)conectam-se com a experiência de Deus. Mobilizado interiormente, o adulto envolve-se na sua função de educador na fé, de um modo mais consciente e ativo.

Quando um adulto diz: “Olha que linda esta flor! Deus é bom! Faz coisas tão bonitas!” ou “Esta música é tão bonita! Podemos rezar com ela!”, a criança aprende que a beleza fala de Deus. A simplicidade da experiência de Deus, aliada à beleza e à bondade movem a pessoa para a abertura interior a Deus.

Desenvolvimento

Tempo para parar

Duração: 10 min.

Preparação

Colocar, em cima de uma mesa, os objetos para exploração sensorial, tantos quanto o número de crianças presentes neste encontro. Por exemplo: caneta, livro, chávena, régua, óculos, chave, carrinho de brincar, peça de puzzle, boneca, etc.

O catequista dá as boas-vindas às crianças e famílias.

Depois, pede às crianças que se coloquem em círculo, à volta da mesa e convida, cada uma, a pegar em todos os objetos e a sentir a sua forma.

De seguida, com a ajuda dos familiares presentes, venda os olhos a todas as crianças e entrega-lhes um objeto. As crianças devem senti-lo, tentando adivinhar o que é através da sua forma.

No final, tiram as vendas e confrontam a sua resposta com o objeto que têm na mão.

Tempo para fazer

Duração: 15 min.

Preparação

Preparar, com antecedência, os objetos que serão usados nesta atividade: ventoinha, borrifador de água, folha de papel, cana, pedra, lanterna. Pode usar outros objetos diferentes destes, desde que proporcionem as mesmas experiências às crianças e familiares. Por exemplo, em vez da ventoinha pode usar um leque.

AMOSTRA

O catequista convida as crianças e os familiares presentes a experienciar um conjunto de sensações associadas a diferentes elementos da natureza.

Para isso, coloca em funcionamento a ventoinha e convida cada uma das crianças e familiares a colocar-se à frente dela, apontando-a para o rosto e cabelo. O catequista convida a fazer esta experiência de olhos abertos e fechados e questiona: “É bom sentir o vento na cara? Que sensações vos provoca?”

Depois de todos experienciarem o vento, convida os participantes a fechar os olhos e esticar as mãos abertas. Borrifa um pouco de água nas mãos de cada um e vai perguntando: “O que estão a sentir? Está fresca ou morna? O que vos faz lembrar?”

Posteriormente, de todos terem experienciado a água, passa uma folha de papel e pede que a vão rasgando. Depois, passa uma cana e pede para a partirem. De seguida, passa uma pedra e pede para que façam o mesmo. O catequista questiona o grupo: “Não conseguem partir a pedra? Porquê?”

Quando todos tiverem sentido a dureza da rocha, apaga as luzes da sala e acende a lanterna. Faz uma breve brincadeira de luzes, aproximando e afastando a lanterna das crianças e entusiasmando-as a ver as suas sombras projetadas na parede. Pode convidá-las a fazer sombras com as mãos e pergunta: “Já tinham experimentado brincar com a luz?”

O catequista termina esta atividade com as seguintes palavras: “Gostaram de sentir os elementos da natureza? Qual foi o que mais gostaram?

Tempo para pensar

Duração: 10 min.

O catequista convida agora a observar o cartaz n.º 01 - “Vento”.

Convida as crianças e os familiares presentes ao diálogo, podendo recorrer a estas palavras: “O que está a acontecer nesta imagem?

O que faz o vento? Gostam de o sentir? O vento é bom e sabe bem quando está muito calor, porque nos ajuda a refrescar.

Que cor tem o vento?”

Dá espaço para que as crianças respondam. É expectável que concluam que o vento não tem cor e não se vê. Depois continua:

“Sabiam que Deus é como o vento? Não O conseguimos ver, mas conseguimos senti-l’O. Deus é muito bom porque nos dá o vento, que nos refresca e faz voar as folhas das árvores.”

Em seguida, expõe o cartaz n.º 02 - “Água” e questiona:

“O que estão a fazer estas crianças?

Vocês também gostam de mergulhar e de se refrescarem na água?

E quando estamos com sede? A água fresca sabe muito bem...

Deus é muito bom, porque nos dá água para beber, para nos refrescar, para regar as plantas e elas crescerem bonitas. “

O catequista mostra agora o cartaz n.º 03 - “Rocha” e pergunta às crianças:

“O que está a acontecer nesta imagem?

Como sentimos há pouco, a rocha é muito forte. Por isso, é que a usamos para construir as nossas casas. Deus é como a rocha e com Ele estamos seguros. Deus é muito bom porque nos protege.”

Por fim, expõe o cartaz n.º 04 - “Luz” e questiona o grupo:

“Já alguma vez tropeçaram ao andar no vosso quarto à noite? Já sentiram medo de ficar sozinhos no escuro?”

O catequista deixa espaço para a partilha. Continua com as seguintes palavras:

“Como já dissemos no encontro anterior, Deus é como a luz que nos guia. Deus é bom porque ilumina os nossos passos para não tropeçarmos.”

Termina esta atividade, concluindo:

“Deus é muito bom porque nos deu todas estas coisas e muitas mais. Por isso, vamos agradecer-lhe, cantando.”

AMOSTRA

Tempo para rezar

Duração: 5 min.

O catequista acende a vela do grupo e faz ouvir a canção “Deus é tão bom” que se encontra no Livro da Família , na página 15.

Convida as crianças e os familiares a escutar e tentar acompanhar a canção. Se necessário, pode repeti-la.

Canção “Deus é tão bom”

(Autores: Rafaela Alves; Raquel Kritinas)

CANÇÃO Deus fez o vento para refrescar, brinca nos campos, faz tudo dançar. Fez a água para podermos beber, e no riacho nadar e correr.

Deus é tão bom, criou com amor, céu e floresta, o mar e a flor.

Vamos cantar, vamos agradecer,

Deus é tão bom, faz-nos crescer!

Fez a rocha para nos proteger, firme no chão, para nos esconder.

Criou o sol e fê-lo brilhar, Deus é tão bom, vem nos iluminar.

Pistas para o Tempo em família

Duração: 5 min.

O catequista convida as crianças a abrir o Livro da Família, na página 17. Explica que, até ao próximo encontro, em família, devem contemplar outros elementos da natureza que apreciem. Procurem tomar consciência de como lhes lembram a presença de Deus. Devem registá-los, com palavras ou desenhos, no espaço disponível nessa página.

O catequista conclui o encontro, agradecendo o empenho e entusiasmo das crianças e dos familiares.

AMOSTRA

AMOSTRA

Para o Catequista

Apresentação

Só Deus é santo e quer tornar-nos participantes da sua santidade. Os cristãos são chamados a acolher a bondade e a luz de Deus na sua vida de uma forma tão profunda que se tornam luz para os outros.

A grandeza da pessoa humana fundamenta-se na sua semelhança com Deus a cuja imagem foi criada. Ora quem melhor deixa transparecer esta semelhança são os santos. Os santos Francisco e Jacinta são concretizações da semelhança com Deus muito acessíveis às crianças.

Objetivos

ƒ Conhecer os santos Francisco e Jacinta Marto;

ƒ Identificar-se com a figura de um/a santo/a.

Conteúdos

ƒ Ser santo é ser luz para os outros, com a luz de Deus no coração.

Palavra de Deus que inspira o encontro

ƒ Ef 5, 8: “Agora sois luz, no Senhor. Procedei como filhos da luz.”

Atitudes e experiências que favorecem a abertura ao Mistério

ƒ Invocação;

ƒ Participação;

ƒ Identidade/Identificação.

Esquema

Tempo para parar 10’*

Tempo para escutar 10’**

Tempo para pensar 15’**

Tempo para fazer 10’**

Tempo para rezar 10’**

Pistas para o Tempo em família 5’*

Material

ƒ Vídeo “Francisco e Jacinta” (disponível na pen multimédia);

ƒ Passarinho (em fotografia ou dobragem);

ƒ Saco de merenda;

ƒ Lenço da cabeça;

ƒ Chávena;

ƒ Dois terços;

AMOSTRA

ƒ Cartaz n.º 05 “Jacinta Marto” (disponível na pasta de apoio);

ƒ Cartaz n.º 06 “Francisco Marto” (disponível na pasta de apoio);

ƒ Papéis com as preces (disponíveis no site ou na pen multimédia);

ƒ Canção “Esta luz pequenina” (disponível na pen multimédia).

Do Magistério

A nossa fé crê que a Igreja é santa. Com efeito, Cristo, Filho de Deus, que é com o Pai e o Espírito «ao único Santo», amou a Igreja como esposa, entregou-Se por ela, para a santificar e uniu-a a si como seu corpo, cumulando-a com o dom do Espírito Santo, para glória de Deus. Por isso, todos na Igreja, quer pertençam à hierarquia quer por ela sejam pastoreados, são chamados à santidade, segundo a palavra do Apóstolo: «esta é a vontade de Deus, a vossa santificação» (1 Tess. 4, 3; cfr. Ef. 1, 4). (Vaticano II, Lumen Gentium 39).

Síntese de conteúdos

Os santos, aqueles homens e mulheres que acolheram o dom e a presença de Deus nas suas vidas e viveram a fé como experiência intensa e feliz, são para nós um reflexo da luz de Deus. Entusiasmam-nos a vivermos como luz, como sinais vivos da bondade e do amor que vêm de Deus.

Francisco e Jacinta

Fazer memória dos pequenos (de idade) e grandes (na qualidade da vida cristã) santos Francisco e Jacinta Marto, ajuda-nos a viver o Evangelho com mais entusiasmo. Francisco e Jacinta Marto nasceram em Aljustrel, uma pequena aldeia de Fátima, no concelho de Ourém, Portugal. Francisco nasceu em 1908 e Jacinta em 1910. Eram irmãos, filhos de Manuel Pedro Marto e Olímpia de Jesus. Juntamente com a sua prima Lúcia dos Santos, foram as três crianças a quem Nossa Senhora apareceu em 1917, na Cova da Iria.

Francisco e Jacinta eram crianças simples, alegres e sensíveis. Gostavam de brincar, rezar e cuidar do rebanho. Francisco era mais reservado e contemplativo: gostava do silêncio e de observar a natureza. Jacinta, pelo contrário, era mais viva, espontânea e afetuosa, com um coração profundamente sensível aos sofrimentos dos outros.

Entre maio e outubro de 1917, Nossa Senhora apareceu-lhes seis vezes, pedindo-lhes que rezassem o terço todos os dias pela paz no mundo e pela conversão dos pecadores. As aparições transformaram, radicalmente, a vida das crianças. Francisco e Jacinta que, até então, levavam uma vida comum, começaram a viver com um profundo sentido de fé, oração e sacrifício.

Francisco ficou especialmente impressionado com a tristeza de Nossa Senhora e com a visão de Deus “tão triste por causa dos pecados do mundo”. A sua maior preocupação passou a ser consolar o “Jesus escondido”, assim chamava a Jesus presente na Eucaristia. Passava longos momentos em silêncio, rezando, contemplando e oferecendo pequenos sacrifícios. Era um menino amante da paz, de coração puro e olhar sereno.

Jacinta, por sua vez, sentia um forte desejo de salvar os pecadores e de rezar pelos que sofrem. Depois da visão do Inferno, que lhe revelou a possibilidade de o ser humano ficar eternamente separado de Deus, oferecia tudo: dores, jejuns, contrariedades, com um amor generoso e missionário. Embora muito pequena, viveu com uma maturidade espiritual impressionante. Tinha uma ternura especial por Jesus e Nossa Senhora e uma grande compaixão pelos pobres e doentes. Em 1918, ambos foram atingidos pela epidemia de gripe pneumónica que assolou Portugal. Francisco adoeceu primeiro e suportou a doença com serenidade, dizendo: “Vou para o Céu consolar Jesus”. Morreu a 4 de abril de 1919, com apenas 10 anos, depois de receber a comunhão pela última vez. Jacinta sofreu longamente, aceitando com paciência cada sofrimento “para converter os pecadores e em reparação ao Imaculado Coração de Maria”. Morreu a 20 de fevereiro de 1920, com 9 anos, sozinha num hospital em Lisboa, como Nossa Senhora lhe tinha anunciado.

Modelos e exemplo

AMOSTRA

Ambos foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 2000 e canonizados pelo Papa Francisco a 13 de maio de 2017, no centenário das aparições.

Francisco e Jacinta Marto são, hoje, apresentados à Igreja e ao mundo como modelos de pureza, oração e amor reparador. A santidade destes dois irmãos não resulta de terem sido testemunhas das aparições de Fátima, mas do entusiasmo que puseram em viver na luz de Deus. As suas vidas simples e curtas mostram que a santidade é possível também nas crianças. Quando o coração se abre com confiança ao amor de Jesus e de sua mãe, a beleza da fé traduz-se em gestos de amor e entrega.

À semelhança de Francisco e Jacinta, os cristãos são chamados a viver como filhos da luz. São Paulo exorta: “É que outrora éreis trevas, mas agora sois luz, no Senhor. Procedei como filhos da luz” (Ef 5, 8). Ser luz significa refletir, nas ações e nas relações, a claridade e a beleza do Evangelho. É deixar que a verdade, a justiça e a bondade sejam as marcas da nossa vida diária. A luz não existe para se esconder, mas para iluminar. Recordamos o que diz Jesus: “Ninguém acende uma lâmpada para a pôr debaixo do alqueire, mas sobre o candeeiro, e assim ilumina a todos os que estão em casa ” (Mt 5, 15).

Desenvolvimento

Tempo para parar

Duração: 10 min.

O catequista começa por saudar e acolher o grupo.

Recorda o desafio que resultou do encontro anterior: contemplar elementos da natureza que gostassem e como lhes fizeram lembrar a presença de Deus. Deviam, ainda, registá-los, com palavras ou desenhos, no espaço disponível na página 17 do Livro da Família.

Convida as crianças a abrirem os seus Livros da Família nessa mesma página e mostrem os seus registos ao grupo. Antes de partilharem o que registaram, devem reparar se há outras crianças com

desenhos/registos semelhantes ao seu, e juntarem-se a elas. Depois, confrontando as semelhanças e as diferenças, as crianças partilham o que viram, o que mais as espantou e porquê.

Os pais podem completar, brevemente, a partilha das crianças.

Quando todos tiverem terminado as suas partilhas, o catequista agradece o empenho nesta tarefa.

Tempo para escutar

Duração: 10 min.

Preparação

AMOSTRA

O catequista prepara, previamente, o material necessário para a projeção do vídeo, expõe os objetos (passarinho, saco de merenda, lenço de cabeça, chávena e dois terços) e os cartazes n.º5 e n.º6, com a Jacinta e o Francisco.

O catequista convida, agora, o grupo a visualizar o vídeo “Francisco e Jacinta”. Pode fazê-lo recorrendo às seguintes palavras:

“Já ouviram falar dos santos Francisco e Jacinta? Chegou o momento de os ficarmos a conhecer.”

Guião do vídeo “Francisco e Jacinta”

VÍDEO

Esta é a história de um herói muito especial. Não era um cavaleiro, nem um capitão… era um menino simples, de olhos brilhantes e coração gigante!

Chamava-se Francisco e era pastor. Vivia na serra e, lá do alto, gostava muito de ver o Sol a nascer e a pôr-se. Até lhe chamava, com carinho, a candeia de nosso Senhor. Mas não era só do Sol que ele gostava. Francisco tinha um amor muito especial pelos passarinhos.

Sabem o que fazia? Pegava no pão, moía-o em migalhas e colocava-as numa pedra. Depois, escondia-se e esperava que eles viessem comer. Um dia, viu que um menino da aldeia trazia um passarinho preso nas mãos. Com pena do pobre passarinho, disse-lhe: «Se o deixares voar, dou-te duas moedas». O rapazinho aceitou a proposta. Francisco correu a casa, o mais depressa que conseguiu, para ir buscar o dinheiro e deu-lho. Depois, delicadamente, pegou no passarinho e disse-lhe: «Tem cuidado. Não te deixes apanhar outra vez!» e libertou-o. Mas sabes…? Havia uma coisa que o Francisco gostava ainda mais de fazer… Ele gostava de conversar com Deus. Sim! Ficava muito tempo a conversar com Ele, como quem fala com um grande amigo.

Pensava em Deus e em como Ele fica triste quando as pessoas não são amigas umas das outras. Então Francisco decidiu: “Vou fazer tudo para dar alegria a Deus!”.

O Francisco tinhas duas grandes companheiras e andava sempre com elas: a sua irmã Jacinta e a prima Lúcia. Certo dia, no caminho para o campo, encontraram uns meninos pobres, que nada tinham para comer. Com o coração cheio de bondade, combinaram dar toda a merenda que levavam àqueles meninos. O Francisco sabia que, quando chegasse a casa, a mãe teria um jantar muito saboroso à sua espera, mas aqueles meninos não. Por isso, naquele dia, partilharam a sua merenda, dando uma grande alegria aos meninos e a Deus e começaram a fazer assim sempre que os encontravam.

AMOSTRA

O Francisco, com a sua generosidade e coração bom, era como que uma luz para todos. Jacinta era irmã do Francisco e também era pastora. Era uma menina muito alegre: dançava como o vento e sorria como o Sol! Quando o Francisco tocava a sua flauta, a Jacinta e a sua prima Lúcia dançavam, giravam e batiam palmas, alegremente. Nunca se cansavam!

Às vezes, a Jacinta também era um bocadinho caprichosa. Não gostava nada de perder nos jogos. Ficava aborrecida e cruzava os braços. Mas não faz mal, porque todos estamos a aprender a ser melhores, não é?

Quando descobriu o amor de Deus, ficou com o coração transformado! Tornou-se numa menina, ainda mais bondosa para com as pessoas, principalmente com as que estavam tristes e com as crianças que passavam fome e vinham pedir alguma coisa para comer.

Tal como o Francisco, gostava muito, muito, de Deus! Contava-Lhe sobre o seu dia, quando estava triste e também quando estava feliz. Ele era o seu melhor amigo.

Certo dia, a Jacinta ficou doente e estava de cama. A mãe trouxe-lhe uma chávena de leite, mas à Jacinta não lhe apetecia nada bebê-lo. A sua mãe saiu do quarto, muito triste e preocupada. A Jacinta pensou melhor, chamou a sua mãe e pediu-lhe que trouxesse, de novo, a chávena de leite. Bebeu-o até ao fim, sem fazer caretas, oferecendo esse esforço a Deus, como quem oferece um presente cheio de amor.

A Jacinta, tal como o Francisco, também era como uma luz. Com o seu sorriso e coração valente, iluminava a vida de todas as pessoas à sua volta.

Tempo para pensar

Duração: 15 min.

f Etapa 1 | Atividade no livro da família 5 min.

O catequista convida o grupo a abrir o Livro da Família, na página 18. Pede às crianças que completem a atividade que lá se encontra. Os adultos ajudam as crianças na tarefa:

Devem ligar a ilustração de cada um dos santos pastorinhos aos objetos que os caracterizam.

f Etapa 2 | Partilha 10 min.

Depois de todas as crianças terem terminado, o catequista incentiva-as a partilharem as suas respostas. Obedecendo à ordem dos objetos, questiona, um a um, a qual dos pastorinhos foi ligado. Pode recorrer às seguintes palavras, para orientar este momento de diálogo com o grupo: “Vamos, agora, saber a qual dos pastorinhos ligaram cada um destes objetos.”

Lenço e pássaro: “Vamos começar pelo lenço e pelo pássaro. De quem nos falam?”

As crianças partilham as suas respostas e o catequista continua:

“A Jacinta gostava de dançar e o Francisco gostava de proteger os animais. E vocês, do que é que gostam? Também gostam de animais e de dançar, ou têm gostos diferentes?”

AMOSTRA

O catequista deixa que as crianças partilhem os seus gostos e conclui: “Deus gosta de nós tal como somos: diferentes uns dos outros e únicos.”

Terço: “E o terço, a quem o ligaram?”

As crianças respondem e o catequista continua:

“O Francisco e a Jacinta rezavam o terço. Quando rezamos, tornamos a nossa amizade com Deus mais forte. Vocês também conversam com Deus, como a Jacinta e o Francisco?”

Depois de as crianças responderem, o catequista conclui:

“Rezar é muito importante, porque nos lembra que nunca estamos sozinhos e que Deus é luz que ilumina os nossos dias.”

Chávena de leite e merenda: “De quem nos fala a chávena de leite? E a merenda?”

O catequista dá espaço para as respostas do grupo e continua:

“O Francisco dava a sua merenda aos meninos pobres e a Jacinta tentava não fazer birras. Vocês, também, gostam de ajudar os outros?

O catequista deixa o grupo responder e, depois, conclui:

“Deus fica feliz quando tentamos ser bons e ajudar os outros.”

Candeia: “Já só falta a candeia. A quem a ligaram?”

As crianças respondem e o catequista continua:

“Já aprendemos que Deus é luz que ilumina a nossa vida, mas nós também podemos ser luz para os outros. O que podemos fazer no nosso dia a dia para iluminar os outros, como faziam a Jacinta e o Francisco?”

Depois de as crianças partilharem as suas respostas, o catequista conclui:

“Todas as pessoas precisam de luz e cada um de nós pode levar essa luz aos outros, fazendo todas essas coisas que vocês disseram com amor, como a Jacinta e o Francisco faziam.”

Terminada a tarefa, o catequista agradece o empenho do grupo.

Tempo para fazer

Duração: 10 min.

O catequista introduz este momento, recordando o encontro 1, onde cada família foi iluminada pela luz e levou para casa uma vela para colocar no cantinho de oração. Pode usar as seguintes palavras.

“Lembram-se do encontro 1? Todos levaram uma vela para casa, não foi?

Colocaram-na no vosso cantinho de oração para vos iluminar. Hoje, descobrimos que, quando temos a luz de Deus no coração, podemos ser luz para os outros.”

AMOSTRA

Convida a abrir o Livro da Família, na página 19, onde se encontram velas com ações dentro. Com a ajuda dos familiares, as crianças escolhem uma ação para realizar no intervalo dos encontros, de modo a ser luz para alguém. Pintam a vela que escolherem.

y Vou dar um abraço e um sorriso grande a alguém que está triste.

y Vou partilhar o meu lanche com quem se esqueceu.

y Vou pedir desculpa a alguém que magoei.

y Vou dar um presente feito por mim.

y Vou brincar com alguém que não seja meu amigo.

y Vou cumprimentar todos com alegria, quando chegar à escola.

y Vou dizer obrigado ou gosto de ti a alguém que precisa.

No final, o catequista explica que os familiares vão ajudar a escolher a pessoa e a concretizar esta ação e que, juntos, vão ser luz como os santos Francisco e Jacinta Marto.

Tempo para rezar

Duração: 10 min.

O catequista coloca ao lado de cada um dos símbolos que se encontram expostos, uma prece relacionada com o mesmo (Disponível na pen multimédia).

AMOSTRA

Lenço

Querido Deus, eu gostava de ser luz e ser alegre como a Jacinta.

Passarinho

Querido Deus, eu gostava de ser luz e de cuidar da natureza, como o Francisco.

Terço

Querido Deus, eu gostava de ser luz e de abrir o meu coração ao Teu amor.

Caneca

Querido Deus, eu gostava de ser luz e de fazer a mãe e o pai felizes, mesmo que isso me custe.

Saco

Querido Deus, eu gostava de ser luz e de partilhar as minhas coisas com outros meninos.

Candeia ou vela

Querido Deus, eu gostava de ser luz para todas as pessoas.

O catequista convida as crianças a escolher o símbolo que mais gostam, mas não o dizem a ninguém.

De seguida, inicia o momento de oração, pondo a tocar a canção “Esta luz pequenina” que se encontra no Livro da Família, na página 20.

Canção “Esta luz pequenina”

(Autor da versão portuguesa: J. Rocha Monteiro)

CANÇÃO

Esta luz pequenina vou deixá-la brilhar

Esta luz pequenina vou deixá-la brilhar

Esta luz pequenina vou deixá-la brilhar

Vou deixá-la, vou deixá-la brilhar.

Quando a canção terminar, cada criança pega no símbolo que escolheu e, com a ajuda dos adultos, faz a prece correspondente. Pode cantar-se “Esta luz pequenina”, intercaladamente, entre preces.

AMOSTRA

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook