Marcelino Paulo Ferreira
VIA
SACRA Orai Assim
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Ficha Técnica © Marcelino Paulo Ferreira © 2016 Edições Salesianas Rua Dr. Alves da Veiga, 124 Apartado 5281 4022-001 Porto Tel: 225 365 750 Fax: 225 365 800 www.edisal.salesianos.pt edisal@edicoes.salesianos.pt Publicado em Janeiro de 2017 Capa: Paulo Santos Paginação: João Cerqueira Impressão e acabamentos: Tadinense AG ISBN: 978-989-8850-28-7 D.L.: 419801/16
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Introdução Simeão abençoou-os e disse a Maria sua mãe: «Este menino é para muitos em Israel motivo de ruína ou salvação. Ele é sinal de divisão entre os homens, para revelar os pensamentos escondidos de muitos. Uma grande dor, como golpe de espada, trespassará a tua alma». (Lucas 2, 34-35) Haverá dúvida sobre a presença de Maria na Via Sacra? Ela que, desde a primeira hora, conservava todos os acontecimentos, meditando-os em seu coração, também o fez nos momentos que antecederam a última hora. Aliás, o evangelista João deixa-nos o essencial: Maria está junto do seu Filho naquela última hora. Esta proposta segue o modelo tradicional das estações da Via Sacra, mas acrescenta uma perspetiva mariana e uma referência à Mensagem de Fátima. A grande dor do Filho é acompanhada pela grande dor da Mãe, como tinha profetizado Simeão, naquele dia, aquando da Apresentação no Templo. Orai assim. A Mensagem de Fátima é um permanente convite à oração. Em sintonia com o que São João Paulo II disse sobre a oração do Rosário, cada estação da Via Sacra é uma oportunidade para contemplar Cristo com Maria: recordar Cristo com Maria; aprender Cristo de Maria; configurar-se a Cristo com Maria; suplicar a Cristo com Maria; anunciar Cristo com Maria.
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Ajuda, ó Mãe, a nossa fé. Abre o nosso ouvido à Palavra, para reconhecermos a voz de Deus e o seu chamamento. Desperta em nós o desejo de seguir os seus passos. Ajuda-nos a deixar-nos tocar pelo seu amor, para podermos tocá-lo com a fé. Ajuda-nos a confiar-nos plenamente a Ele, a crer no seu amor, sobretudo nos momentos de tribulação e cruz, quando a nossa fé é chamada a amadurecer. (Francisco, Carta Encíclica sobre a fé, 60 oração adaptada)
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Primeira Estação
Jesus é condenado à morte P. Nós te adoramos e te bendizemos, ó Jesus. T. Pela tua santa cruz remiste o mundo. Pilatos insistiu: «Mas por quê? Que mal fez ele?». Porém o povo gritava cada vez mais: «Crucifica-o! Crucifica-o!». Pilatos soltou Barrabás porque desejava agradar ao povo. E depois de mandar açoitar Jesus, entregou-o para ser crucificado. (Marcos 15, 14-15) A pergunta de Pilatos reflete o espanto diante do que está a acontecer. Um homem bom, acolhedor, serviçal, pacífico, é trocado por um assassino, para quem é pedida a liberdade. Para Jesus, pedem a condenação à morte. «Mas por quê? Que mal fez ele?». No meio do povo, entre os que antes o tinham aclamado como «Bendito», Maria sente aquela anunciada «espada de dor» trespassar-lhe o coração. Que dor terá sentido o coração da Mãe ao escutar e ver o tratamento que davam ao seu Filho! Eles gritavam com intensidade: «Crucifica-o». É incompreensível? Não, não é… infelizmente, de bendito a maldito, é o que tantas vezes se repete na história! Maria, com e como o Filho, oferece o sofrimento «em ato de reparação pelos pecados».
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«Mas por quê? Que mal fiz eu para merecer tal castigo?». Quantas vezes não terão saído da nossa boca tais afirmações! Deus não nos castiga. Não é necessário fazer de Deus um carrasco para procurarmos um sentido para sofrimento, para nos tornarmos solidários com a dor dos outros. A última palavra de Deus não está no início da Via Sacra. 6
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Deixando de lado o que não é essencial (que só se pode compreender no contexto próprio daquelas crianças), há um conteúdo profundo que se repete hoje, no pedido feito aos Pastorinhos, na primeira aparição em Fátima (13 de maio de 1917): Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores? «Sim, queremos» – disseram os Pastorinhos. E eu, como respondo? Estou disposto a viver com fidelidade em todas as situações, até na dor e no sofrimento?
Uma grande dor, como golpe de espada, trespassará a tua alma. Avé Maria…
Quem é que não choraria, Ao ver a Virgem Maria, Rasgada em seu coração, Sem poder em tal momento, Conter as fúrias do vento E os ódios da multidão!
Para prolongar a oração, usar a música «Na tua vontade» (CD: O amor maior - Edições Salesianas 2010): Afasta de mim este cálice, meu Pai. Seja feita a tua vontade. Sou teu filho.
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Segunda Estação
Jesus carrega com a cruz P. Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T. Pela tua santa cruz remiste o mundo. Eles levaram Jesus. E ele, carregando ele próprio a cruz, saiu em direção a um lugar chamado Caveira, que em língua hebraica se diz Gólgota. (João 19, 16b-17) A cruz é colocada sobre os ombros de Jesus. Carregar com a cruz até ao lugar do suplício exprime uma condenação infame. Uma condenação reservada apenas aos traidores do Império Romano que não fossem cidadãos de pleno direito. Jesus Cristo vive e morre com os que são colocados nas «periferias» da sociedade. Maria, num primeiro momento, talvez tenha baixado o seu olhar, difícil que era contemplar o seu Filho com uma cruz sobre os ombros. Nesse mesmo instante, há de erguer a cabeça, lembrar-se do que Jesus tinha dito: para seguir com ele, ser seu discípulo, era preciso «tomar a cruz», todos os dias. Dá-nos o exemplo. Ele próprio carrega a cruz, a cruz dos nossos pecados. Maria abre o seu coração ao Deus que é amor, amor gratuito, sem limites, capaz por isso de dar-se totalmente, dar a vida.
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Os Pastorinhos, na primeira aparição, em Fátima, responderam «sim» ao pedido da Senhora. Ela acrescentou: Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto. Deus não quer nem envia diretamente dor e sofrimento à nossa vida. Há um mistério que envolve o drama da dor e do sofrimento para o qual não temos resposta. Neste mistério, 8
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Deus não está do lado do «castigador». Essa é a boa notícia: Deus está ao nosso lado, para ser o nosso conforto. Na cruz que carrego, em cada sofrimento que vivo, deixo que a graça de Deus seja o meu conforto? Uma grande dor, como golpe de espada, trespassará a tua alma. Avé Maria… Do vosso olhar vem a luz Que me leva a ver Jesus Na sua imensa agonia.
Para prolongar a oração, usar a música «Para onde eu vou» (CD: Coração pobre - Edições Salesianas 2014): Para onde eu vou tu estarás comigo. Não te deixarei ó meu amor. O meu viver serás tu, só tu. Viverei em ti.
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Índice Introdução................................................................................................... 3 Primeira Estação Jesus é condenado à morte........................................................................... 6 Segunda Estação Jesus carrega com a cruz.............................................................................. 8 Terceira Estação Jesus cai pela primeira vez.......................................................................... 10 Quarta Estação Jesus encontra a sua mãe............................................................................ 12 Quinta Estação O Cireneu ajuda Jesus a levar a cruz.......................................................... 14 Sexta Estação A Verónica limpa o rosto de Jesus.............................................................. 16 Sétima Estação Jesus cai pela segunda vez.......................................................................... 18 Oitava Estação Jesus exorta as mulheres de J erusalém........................................................ 22 Nona Estação Jesus cai pela terceira vez........................................................................... 24 Décima Estação Jesus é despido das suas vestes................................................................... 26 Décima Primeira Estação Jesus é pregado na cruz.............................................................................. 28 Décima Segunda Estação Jesus morre na cruz.................................................................................... 30 Décima Terceira Estação Jesus, deposto da cruz, é colocado nos braços de sua mãe.......................... 32 Décima Quarta Estação Jesus é sepultado........................................................................................ 34 Conclusão.................................................................................................. 37 Oração Jubilar de Consagração.................................................................. 39
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