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JANEIRO | FEVEREIRO | MARÇO 2025
Iniciamos o ano de 2025 cheios de ideias e desejos de que esse ano seja venturoso e cheio de realizações
Encontramos um grupo de capoeira em Joanesburgo. O instrutor de capoeira, sul-africano, Mark de Gouveia é o entrevistado na coluna deste jornal Perfil
Como no mundo inteiro, a volta às aulas é um acontecimento Crianças, pré-adolescentes e adolescentes festejam a volta aos estudos, mas tem criança que luta para festejar Confiram a matéria Volta às aulas: uma história, duas versões
O colunista deste periódico, Emile Myburgh, escreve sobre o novo governo americano e a sua relação com os países do BRICS Trump, Brasil e África do Sul, leiam!
Na matéria de capa, a colaboradora deste jornal, psicóloga e professora, Débora Duarte escreve sobre a experiência de participar do projeto dedicado à memória do ex-presidente Nelson Mandela
A colunista deste jornal, Angela Paraíso fala sobre o cérebro feminino
A editora desta revista vive no céu “avoense”, de avó, e divide com os leitores o Nirvana de viver entre duendes
A coluna SALOON – Porta de Vai e Vem está de volta E quem está deixando a África do Sul é o diplomata Geórgenes Marçal Leiam!
E como não poderia faltar, o registro do Café Gratidão que aconteceu no Tempero da Conceição, em Joanesburgo
Parabéns, Fernanda Torres, Walter Sales, Selton Melo e toda a equipe do filme: Ainda Estou Aqui! Viva o Brasil, nossa cultura e nossos artistas!
Boa leitura!!
Kinha Costa

KINHA COSTA
Fundadora e Editora Chefe
kinhacosta@hotmail com

Entrevista com Mark de Gouveia, um sul-africano apaixonado por capoeira
V O L T A À S A U L A S Como no mundo inteiro, a volta às aulas é um acontecimento
A experiência de um grupo de expatriados tricotando em homenagem a Nelson Mandela
A colaboradora deste jornal, Angela Paraíso, uma especialista em comportamento humano, escreve sobre o cérebro feminino
A editora deste periódico fala sobre o mundo de ser avó
SALOON- PORTA DE VAI E VEM
Entrevista com o diplomata Geórgenes Marçal que se despede da África do Sul
O primeiro café do ano aconteceu em março, portanto o Café & Farofa registra somente o evento Café Gratidão no Tempero da Conceição, Joanesburgo


COLABORADORES
Ana Terra Skosana
Carlos Duba
Débora Duarte
Emile Myburgh
Angela Paraíso




POR KINHA COSTA

Arquivopessoal-MarkdeGouveia
Mark de Gouveia, o professor batizado na capoeira como Piranha, é um sul-africano apaixonado por capoeira que treina e ministra aulas há mais de 20 anos, no país A capoeira se instalou em sua vida como uma tábua de salvação Foi em um momento de extrema vulnerabilidade, quando perdeu seus pais no tsunami que devastou a ilha de Bali, na Indonésia, em 2004. A capoeira foi a forma que ele encontrou para sobreviver à devastadora tragédia. “A capoeira passou a ser o meu santuário. Foi o espaço onde o movimento, a música e a arte marcial me ajudaram a me reconectar com meu corpo, encontrar paz e iniciar a minha jornada de autoconhecimento. Na capoeira aprendi a enfrentar meus medos, desafios e reconquistei a minha autoconfiança A capoeira não somente me salvou, mas também me deu a possibilidade de ajudar outras pessoas a desenvolverem suas capacidades”
O instrutor Mark ministra aulas de capoeira há 17 anos Seus primeiros passos na arte foram em Joanesburgo, com o grupo Terra Nossa, criado na cidade, mas que hoje tem sede no Brasil e é dirigido pelo mestre Cid, o capoeirista Muzenza
Levado por uma necessidade de se aprofundar e dar continuidade ao trabalho com capoeira, em 2015, Mark criou seu próprio grupo: Valente, nome bastante significativo e que esse ano comemora sua primeira década A sede do Grupo Valente é em Bryanston, Joanesburgo
A origem da capoeira possui elementos da cultura de diversos povos africanos que foram escravizados e mantidos em cativeiros no Brasil dos séculos XVI a até o final do século XIX, sincretizados com elementos de culturas nativas - povos originários - e de origem europeia.
A capoeira sempre foi responsável por proteger, ensinar e libertar escravos, em seus dias mais difíceis, quando o comércio humano era prática desumanamente legal No entanto, nos dias atuais, a capoeira continua a ser um meio de criar oportunidades e promover a mobilidade social Ainda vivemos em um mundo desigual e muita gente no Brasil vive nas favelas, entretanto, nos últimos 30 anos, a capoeira expandiu suas fronteiras e mestres e instrutores ganharam o mundo Se instalaram em todos os continentes, enfrentando chuva, neve e secas no deserto Levando a cultura brasileira, abrindo escolas de capoeira, ministrando workshops e realizando festivais dedicados ao tema
Mas, por acreditarem no potencial do país, o professor Mark e seu mestre Espirrinho têm grandes sonhos e pretendem transformar a capoeira em um polo de lazer e cultura brasileira, na África do Sul.
Fototurmadacapoeira

A capoeira é um movimento no mundo e os olhos mais atentos irão descobrir mestres de capoeira entre os países nórdicos, em toda a Europa, em muitos países da Ásia, na Oceania, nas Américas e chegando à África Capoeira é arte, é dança, é luta Mas é, antes de tudo, resistência! Apesar de na África do Sul, a capoeira ser ainda um movimento pequeno, a história e afinidades entre os dois países cria espaço para a capoeira crescer e se desenvolver como expressão artística e cultural “Os alunos de capoeira são espíritos livres, que abraçam a liberdade dos movimentos, a música, o ritmo e o canto para construírem corpos e mentes saudáveis Para mim, a capoeira significa liberdade!”
Implantar novas políticas em qualquer área na África do Sul ainda é muito difícil e acontecem lentamente. Na área cultural é talvez mais complicado por ser sempre um setor rotulado como menos importante e facilmente negligenciado.
“A capoeira passou a ser o meu santuário. Foi o espaço onde o movimento, a música e a arte marcial me ajudaram a me reconectar com meu corpo, encontrar paz e iniciar a minha jornada de autoconhecimento.
A capoeira, além de ter salvado o Mark de Gouveia em uma hora de extrema fragilidade, também lhe presenteou com o idioma português - brasileiro Antes de conhecer a capoeira, ele não falava uma palavra no idioma de Fernando Pessoa Alguns anos depois de sua introdução no mundo do Mestre Bimba, fala bem o português, curiosamente, do Brasil Motivo de muito orgulho E ele pretende ensinar o falar brasileiro aos seus filhos, quando os tiver. Que venham!
Contato: +27 60 838 5305

Fototurmadacapoeira


POR KINHA COSTA
Na África do Sul, como em muitos países, o Ministério da Educação optou pelo fardamento escolar. Em todas as escolas, públicas e privadas, os estudantes usam uniforme Existem lojas especializadas para determinadas escolas privadas Os uniformes das escolas públicas podem ser encontrados em lojas populares como Pep e Ackermans. Como nos quatro cantos do mundo, a volta às aulas é um grande acontecimento. Crianças e adolescentes vivem momentos de ansiedade, expectativa, mudanças e medo. Se a criança está na hora de fazer a transição do Preparatório para o Fundamental ou do Fundamental para o Secundário, muitas famílias pesquisam o ano inteiro a escola ideal para a sua cria E preparam as crianças que vão sair do preparatório e irão enfrentar rotinas bem diferentes. Algumas amizades serão interrompidas. Muitos detalhes preocupam os pais nesses momentos de transição. Já pré-adolescentes e adolescentes ficam imaginando as novas turmas, novos amigos e os novos professores Os pais compram material escolar, mochila, bolsas, fardas escolares e organizam o transporte Estamos falando da classe média trabalhadora Das famílias que conseguem se planejar, ter moradia, alimento na mesa, transporte e até diversão

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Do outro lado estão as famílias desestruturadas, mães solos, avós cuidadoras, mães desempregadas Essas famílias lutam para mandarem seus rebentos para a escola. No primeiro dia de aula, na alegria da volta, de rever os amigos, de descobrir os novos professores, a nova turma, na felicidade inocente e saltitante da idade Promess sofreu uma tremenda decepção: foi enviado de volta para casa porque sua mãe solo e desempregada não conseguiu comprar a calça do uniforme para seu filho.
Enviou o garoto para a escola vestido com uma bermuda jeans, tudo que ela conseguiu A Instituição Escolar o mandou de volta para casa, por ele não estar com o uniforme aceitável. Para o uniforme estar completo, ainda faltava o blezer que é bem mais caro Garoto esperto, em vez de voltar chorando para casa, escolheu um bairro de classe média alta, para contar a sua história Promess bateu à minha porta Ele fala isiZulu, seSotho, inglês e africâner e sonha em estudar engenharia mecânica. Está matriculado na Orange Grove Primary, em Joanesburgo, cursa o Grade 7, é como o penúltimo ano do Ensino Fundamental, no Brasil Levei-o a uma loja, compramos a calça, as meias indicadas pela escola, tênis para praticar esportes e, de quebra, umas cuecas O Blezer não encontramos, mas ele arrecadou dinheiro suficiente para comprar o tal E voltou feliz para a escola, dizendo: - Poxa, semana que vem vou estar com o uniforme completo!


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em@emilemyburgh com - Joanesburgo

Escrevo esse artigo no mesmo dia em que a Procuradoria Geral da República do Brasil indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe (entre outras acusações), em que o presidente estaduinense processou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, na Flórida; chamou o presidente da Ucrânia, Volodymir Zelensky, de ditador; e poucos dias depois, o presidente Trump ofereceu asilo para sul-africanos brancos, africânderes por, supostamente, serem vítimas de perseguição
Não é exagero dizer que o Governo Trump causou tumulto no mundo, a partir do dia que ele implementou tarifas em importações até de países amigos, inclusive Brasil. Isso já era de se esperar, mas ninguém previa que incluiria tentativas de interferir diretamente com as políticas de outros países
De acordo com o New York Times, Trump processou o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, porque as sentenças do ministro, pedindo a suspensão de contas na rede social particular do Trump, TRUTH SOCIAL, que teriam atacado a democracia brasileira, teria um impacto na rede social do Trump nos Estados Unidos, acusando-o de censurar e restringir a liberdade de expressão Gente, as sentenças de qualquer tribunal no mundo só têm efeito no território nacional daquele tribunal.
O processo do Trump contra o ministro brasileiro é muito difícil de entender. O ministro Moraes é competente o suficiente para saber que as sentenças dele só têm efeito no Brasil As redes sociais não são obrigadas a bloquear as contas fora do Brasil. Ao mesmo tempo, os advogados do presidente Trump devem ser inteligentes o suficiente para saber que todo mundo está obrigado a seguir as leis de onde estiver. Mas o raciocínio da equipe Trump parece ser que a sentença tem que ser cumprida por funcionários das redes que se encontram nos Estados Unidos E que isso fere a Constituição americana que garante liberdade de expressão - como a do Brasil e a da África do Sul Esse raciocínio abre as portas para qualquer pessoa alegar que não está sujeita às leis de um país onde opera,puramente por não se encontrar naquele país
Ironicamente, ao mesmo tempo em que Trump está deportando brasileiros em condições humilhantes e sem a dignidade que todo país civilizado garante até a condenados por crimes horrendos, ele está abrindo as portas para brancos sul-africanos Isso é um ato de discriminação na base de etnia e origem. E me vem uma pergunta: Será que os meus compatriotas africânderes, que aplaudiram tanto a decisão do Trump, têm noção do que é ser refugiado? Muitos sul-africanos, inclusive africânderes, desdenham refugiados, acusam-os, sem provas, de serem criminosos A grande ironia é que os africânderes querem ser refugiados em um país que está deportando estrangeiros.
Ambos os casos mostram que o Governo Trump não hesita em usar métodos extremos e de embasamento duvidosos. De impor sua visão mundo afora No caso do Brasil e dos demais países latino-americanos lembra muito a antiga Doutrina Monroe. Segundo o ex-presidente James Monroe, “a política estadunidense acredita que tem o direito de intervir nas políticas domésticas de países latino-americanos” Só que desta vez, em uma escala global.
Mas, onde entram a África do Sul, o Brasil, e os demais países membros do grupo BRICS? As relações políticas entre nossos países não podem ser melhores Existe muita cooperação política Economicamente ainda falta muito De acordo com a Embaixada da África do Sul, em Brasília, existem apenas doze empresas brasileiras com filiais na África do Sul Comparar esse número com as 600 empresas alemãs baseadas na África do Sul, de acordo com a Câmara de Comércio Alemã Sul-Africana, é desconhecer a história desses países O fato de que a companhia aérea alemã, Lufthansa, tem 4 rotas para a África do Sul, o mesmo número de rotas que tem para a América do Sul inteira, deve mostrar às empresas brasileiras que a África do Sul tem muito potencial.
A empresa têxtil sul-africana Pep investiu $22 milhões comprando uma participação, controladora, no Grupo Avenida, com sede no Nordeste Enquanto a Naspers (a gigante sul-africana de TI e mídia), liderada pelo renomado empresário brasileiro Fabrício Bloisi, comprou a iFood por $1 5 bilhão Bloisi foi CEO da iFood Essas empresas mostram que a África do Sul deve investir mais no Brasil
Não há alternativa, o mundo inteiro terá que reduzir sua dependência dos Estados Unidos da América Esse país não é mais amigo de ninguém, talvez da Rússia, nesse momento por oportunismo O que deixa o país em uma posição delicada com os BRICS O único jeito para rebater as ameaças do governo americano de punir os países do BRICS com tarifas de 100% se pararmos de usar o dólar para comércio entre nós, usando nossas próprias moedas, é de fato abandonar o dólar e pagar nossas importações com as nossas próprias moedas Não vai ser fácil Não poderemos diminuir a nossa dependência do maior mercado do mundo da noite para o dia. É uma tarefa que vai levar uma ou duas gerações Mas, como os Estados Unidos têm se mostrado um aliado altamente desconfiável, não há alternativa
EMILE Myburgh é um advogado sul-africano e membro da OAB, atua na África do Sul e no Brasil.
P O R D É B O R A D U A R T E

Quando o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, em 1999, passou o governo para o novo presidente Thabo Mbeki e seguiu para o que seria o caminho da aposentadoria, logo nasceram os projetos que daria continuidade a sua obra. Em 2001, a equipe do expresidente criou as instituições Nelson Mandela Foundation e Nelson Mandela Child Foundation, uma para cuidar da memória do estadista e a outra para cuidar das crianças portadoras do vírus HIV no país Após a morte de Nelson Mandela, Zelda La Grange, a magnífica assistente pessoal do presidente sul-africano, desafiou Carolyn Steyn, sua amiga pessoal e esposa de Douw Steyn (empresário e dono do condomínio Steyn City, muito conhecido pela comunidade brasileira) a fazer 67 cobertores para serem doados no ano seguinte, no dia do aniversário do Mandela, 18 de julho Os 67 cobertores representam o número de anos que o presidente lutou pelos direitos humanos e para a derrubada do regime do apartheid, regime de supremacia branca que se instalou na África do Sul em 1948 e somente foi abolido em 1994
Em um dia frio em Joanesburgo, recebi uma mensagem da minha amiga Patrícia Dorner, uma das mães da Escola Americana, perguntando: “Está com tempo hoje? Vamos na loja Kismet comprar lã? É para o projeto do Mandela, explico no caminho”. Sem muitos questionamentos da minha parte, lá fomos nós duas, na companhia de uma crocheteira mais experiente e mais antiga no projeto, entrar no mundo encantado das lãs, agulhas, pontos, tutoriais e dos famosos quadradinhos da vovó, os aqui chamados “granny squares”
Muito rapidamente, montamos um grupo inicial com outras mães da escola, a maioria delas expatriadas E muito mais rápido do que imaginávamos, nosso grupo cresceu. Passou de um bebê mirrado para um toddler expansivo e que dava trabalho. Patrícia, nossa líder romena, mostrou-se uma máquina de motivar as pessoas e de levantar recursos. Eu, mais tímida, comecei nas mídias sociais e ativando os meus inúmeros contatos No íntimo, me sentia como se voltasse ao Brasil, onde tinha minha talentosa vó Magali que costumava dar aulas e minhas tias crocheteiras, verdadeiras artesãs e artistas na Bahia
Mas a essa altura, você, leitor, deve estar a se perguntar que tal projeto é esse? Zelda relata que, como não podia contar com os dotes culinários da amiga Carolyn, pensou em algo que fosse mais simples e fácil de fazer, como os cobertores Esses seriam feitos de crochê ou tricô e doados para os necessitados, como forma de honrar o legado de Mandela e manter viva a sua memória. Foi assim que surgiu a ONG 67 Cobertores, em inglês, o chamado 67 Blankets for Mandela Day
A ONG acabou de completar 11 anos, se espalhou por toda a África do Sul e por mais de 20 países Por três vezes, entraram no Guinness Book com o recorde de maior cobertor confeccionado em grupo


Este ano, o tema do cobertor em grupo será felicidade, com um grande emoji de sorriso ao centro Já o nosso grupo de expatriadas irá completar dois anos em novembro deste ano No início, os encontros ocorriam na Escola Americana e, também, em diferentes cafés na região de Fourways, em Joanesburgo Era uma forma de as pessoas se reunirem para aprender uma nova habilidade, trocar técnicas, conhecerem novos lugares e socializar. Logo em seguida, alguns membros do grupo abriram suas casas para fazer os encontros, que acontecem semanalmente, geralmente às sextasfeiras, no período da manhã. Como Patrícia costuma dizer: “Nós somos muito mais parecidas que diferentes” Nosso grupo é diverso, mas a união e a amizade realmente prevalecem em cada encontro e em cada ponto de crochê Algumas participantes: Christiene Leite, carioca, fez 4 cobertores para o projeto e ainda arrumou um tempinho de fazer um para cada filho; Kellen Ribeiro fez um cobertor no ano passado e é frequentadora assídua dos encontros Ela também já contribuiu com vários granny squares e também para o cobertor gigante deste ano. Vanessa Pereira é paulista e muito talentosa.


Alémderápidaparafazercobertores,Vanessaproduz lindasbolsasdecrochêparavender;CamilleArnaldi, usandoumalinhamaisfinaeumaagulhamenor, prestesasemudarparaaAustrália,fezumcobertorde coresdelicadasFicousuperfelizdevisitara exuberanteexposiçãodoscobertoresnoFourways Mall,emabrilde2024,edescobrirquesuaobrafinal nãoestavaentreasmaisfeias!;MelissaFujitani completouumlindocobertorlaranja,verdeebege, semaomenospoderiremumdosencontrosdenosso grupo,afinaltrabalhaperíodointegral,naMTNAngela Barcellos,gaúcha,estáconoscodesdeoinícioefezum cobertorSuasfilhas,AnaeDuda,semprecomparecem aoseventosdocrochêJásuamãeSusanaBarcellos, queconstantementefazvisitasàÁfricadoSul,também entregouumcobertoraoprojeto;CarolinaMoretoea filhaHelenaBocatosãodointeriordeSãoPaulo.Outra duplaformadapelasnossasparticipantescaçulas,que entraramhápoucosmeses:asmineirasKellyRochade MouraeMariaEduardajáestãocompletando,cada uma,umcobertor

Vale mencionar que alguns dos nossos quadrados foram feitos no Brasil e trazidos pra África do Sul Dalva Gomes, Rúbia Tobias, Iara Brito e Diane Duarte fizeram sua contribuição. Foi realmente emocionante ver os quadradinhos brasileiros serem unidos por crocheteiras indianas, sul-coreanas e hondurenhas e serem doados para as crianças sul-africanas. A globalização em uma forma mais prestigiosa!
A entrega dos primeiros cobertores que nosso grupo fez ocorreu em Janeiro de 2024, no aniversário de dez anos do projeto Em outro evento, entregamos mais 14 cobertores As nossas doações finais, 73 cobertores, foram designados para a Creche Gabrielle, em Vlakfountein, onde a própria Carolyn Stein estava presente Os sorrisos das crianças recebendo os cobertores foram deixando o coração de cada voluntária mais quentinho nesse dia Tanto esforço recompensado! Até o fechamento desta matéria, nosso grupo de expatriadas entregou 159 cobertores e nós continuamos animadas e crochetando por aí.


Você tem interesse em ajudar o projeto?
É possível doar lã diretamente pro nosso grupo ou comprar lã na loja Wool Shoppe on-line usando o código QR (veja no fim da matéria) Aponte a câmera do seu celular e clique no link que aparecer Siga as instruções e nosso grupo receberá rapidamente a lã que você doou Junte-se ao nosso grupo na região de Dainfern contatando o número de WhatsApp: 073-496-2565 Não precisa falar inglês, nem saber fazer crochê Somente a vontade de aprender e ajudar já são suficientes! Se você morar longe, podemos ir buscar os quadradinhos ou cobertores que você fizer
Caso você queira participar em outra localidade e tenha o nível básico de inglês, entre na página do Facebook 67 Blankets for Mandela Day e encontre o grupo mais próximo.
Outra forma de ajudar nossas atividades é fazendo doações através desse link ou QRcode https://pay yoco com/the-wool-shoppe

POR ANGELA PARAÍSO - ESPECIALISTA COMPORTAMENTAL

Fotoarquivopessoal
Nas últimas duas décadas, os avanços na neurociência trouxeram descobertas fascinantes sobre o cérebro feminino Estudos modernos demonstram que as diferenças neurobiológicas entre homens e mulheres vão além da questão hormonal, afetando a cognição, a saúde mental e até mesmo a resposta ao estresse Essas pesquisas são fundamentais para aprimorar a compreensão sobre o funcionamento cerebral feminino, permitindo abordagens mais eficazes para saúde e bem-estar
Pesquisas recentes revelaram que o cérebro feminino apresenta maior conectividade entre os hemisférios, facilitando a comunicação entre emoção e raciocínio Um estudo conduzido por Ragini Verma, da Universidade da Pensilvânia, evidenciou que essa organização neural pode estar relacionada à maior habilidade multitarefa das mulheres e à sua capacidade de interpretar emoções com mais precisão Além disso, a neurocientista Lisa Mosconi, especialista em envelhecimento cerebral feminino, destaca que o cérebro das mulheres é altamente influenciado pelos hormônios, especialmente o estrogênio Esse hormônio não apenas regula funções reprodutivas, mas também impacta a memória e a neuroproteção Com a chegada da menopausa, a queda do estrogênio pode aumentar o risco de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
SAÚDE MENTAL E EMOCIONAL
Outro ponto relevante é a vulnerabilidade feminina a transtornos como depressão e ansiedade Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as mulheres têm o dobro de chances de desenvolver depressão em comparação aos homens Isso se deve, em parte, à influência hormonal, mas também a fatores sociais e psicológicos. Estudos da neurocientista Louann Brizendine, autora de “O Cérebro Feminino”, mostram que a amígdala, estrutura cerebral envolvida nas respostas emocionais, tende a ser mais ativa nas mulheres, contribuindo para uma maior sensibilidade emocional.
DICAS PARA A SAÚDE CEREBRAL FEMININA
Diante dessas descobertas, cuidar do cérebro feminino se torna essencial para garantir qualidade de vida Algumas estratégias recomendadas por especialistas incluem:
1 Alimentação balanceada – A neurocientista Lisa Mosconi enfatiza a importância de uma dieta rica em ômega-3, antioxidantes e alimentos anti-inflamatórios para preservar a saúde cerebral
2 Exercícios físicos regulares – Estudos comprovam que a atividade física melhora a neuroplasticidade e reduz o risco de doenças mentais
3 Sono adequado – Dormir bem é crucial para a regulação hormonal e o funcionamento do hipocampo, estrutura responsável pela memória
4 Gestão do estresse – Técnicas como meditação, mindfulness e terapia ajudam a minimizar os impactos do cortisol no cérebro
5 Estímulos cognitivos – Aprender novas habilidades, ler e manter interações sociais estimulam conexões neurais e fortalecem a reserva cognitiva.
OS DESAFIOS DA VIDA DE EXPATRIADAS E OS IMPACTOS NO CÉREBRO
Para mulheres expatriadas, os desafios neurológicos e emocionais podem ser ainda mais acentuados. A adaptação a uma nova cultura, a distância da família e as mudanças no estilo de vida impactam diretamente o funcionamento cerebral O córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento e tomada de decisões, é altamente exigido nesse contexto, ao mesmo tempo em que a amígdala pode estar mais ativada devido ao estresse da adaptação Além disso, a necessidade de aprendizado constante, seja de um novo idioma ou de diferentes normas sociais, estimula a neuroplasticidade, um aspecto positivo da experiência de viver no exterior No entanto, é essencial que as expatriadas adotem práticas de autocuidado para minimizar os efeitos do estresse crônico e preservar sua saúde mental e cognitiva
CONCLUSÃO
O conhecimento sobre o cérebro feminino avançou significativamente nos últimos 20 anos, trazendo importantes implicações para a saúde e o bem-estar das mulheres A compreensão das particularidades neurais femininas permite intervenções mais eficazes para a promoção da saúde mental, prevenção de doenças e qualidade de vida Para mulheres expatriadas, esses cuidados se tornam ainda mais relevantes, dado o impacto emocional e cognitivo da adaptação cultural.
Como Especialista Comportamental, meu trabalho é auxiliar mulheres e homens a compreenderem melhor seu próprio funcionamento cerebral, promovendo estratégias para um equilíbrio entre saúde mental, emocional e cognitiva A neurociência nos oferece ferramentas valiosas para fortalecer o cérebro feminino e tornar a experiência da vida, seja em seu país de origem ou no exterior, mais leve e gratificante. Afinal, conhecer e cuidar do cérebro é um passo essencial para uma vida plena e satisfatória


POR KINHA COSTA
Como ser mãe, não existe ex-filha e nem ex-avó Ser avó é um estado permanente e eterno Ainda estou tentando entender essa novidade E, ao mesmo tempo, descobrindo um amor incomensurável, incontável, incontrolável!
Ser vó é o estado mãe aprimorado Não tem enjoos, vômitos e mijadeiras no meio da noite Não tem o efeito estufa do bucho crescendo Não tem o pavor das possíveis estrias e nem a maratona para perder os quilos acumulados Tão pouco as dores do parto e a buceta se rasgando, explodindo vida pulsante, que é divino, porém doloroso
No Estado Vó não tem o rigor de ensinar como sentar, andar e comer, e também o de mostrar as tais “boas maneiras”, ensinar palavras mágicas, como licença, desculpe, por favor e obrigada ou preparar a criança para identificar abuso sexual,físico, mental e pedofilia A vovó faz tudo isso, mas sem a pressão agendada de ter que fazer
Ser avó é como se a mulher fosse uma jogadora de um time, no entanto, reserva. Só entra em campo se acontecer uma falta perigosa e a titular se machucar. No teatro tem nome inglês, stand in. A stand in, a substituta, só entra em cena em caso de impossibilidade total da dona da posição.
É um amor que mora no peito, mas não pesa e nem aperta o coração. Não dá cabelos brancos e nem rugas na testa. A filha já presenteou tudo isso. É um amor somente responsável pelo milagre de renascer no novo.

É renascer amando sem se dar conta desse amor descomunal. Ser avó é simples. É somente uma avalanche, um terremoto e um tsunami em cadeia e ao mesmo tempo É um amor de se perder Perder os sentidos, o senso e até o juízo

É enxergar a esperança na esquina e criar futuro É virar cambalhota, pular como Saci, imitar marreco e cantar o Pato; aprender o código da amizade, brincando ao som de Amigos do Peito e voar no Balão Mágico, cantando Super Fantástico É nadar de novo no mar da Pequena Sereia e lembrar que o Hans Christian escreveu; é revisitar os Irmãos Grimm, suas fadas, bruxas e princesas; é cair novamente no mundo de Alice e, por alguns minutos, acreditar que ele é real É aprender letras de canções como Aquarela, Tarde em Itapoã e Sino da Igrejinha somente porque elas ensinam alguma coisa à querubim. É fazer corrida de cobra, de sapo e de pinguim. Caramba, tô ficando maluca! Cadê o meu juízo que tava aqui agorinha mesmo? Correu? Fugiu? Se perdeu? Ai, volte, por favor! Sou uma senhora sessentona, preciso de você, juizinho querido!
Tô procurando esse danado pingente-pêndulo chamado juízo. Colei cartazes na cidade, anunciei em todas as minhas redes sociais, e nada. Ninguém sabe, ninguém viu. Perdi. Perdi o pouco juízo que tinha. Agora, a netinha me chama de vovó Malukinha. Se o apelido pegar, os netinhos também assim vão me chamar!
POR KINHA COSTA
Geórgenes nasceu em Goiânia, no coração do Brasil, em uma família simples e pequena, com apenas um irmão mais novo A região Centro-Oeste era bem isolada antes da internet encurtar distâncias no mundo inteiro Foi lá que ele passou a infância e a adolescência, até se mudar para São Paulo para cursar Comunicação na Universidade de São Paulo (USP). No ambiente acadêmico, descobriu aptidão para idiomas e mergulhou no estudo de inglês, espanhol, francês, alemão e japonês. No segundo ano da graduação, ganhou uma bolsa para estudar na Universidade de Braga, em Portugal. A experiência internacional despertou nele um desejo ainda maior de explorar o mundo e, ao final do intercâmbio, embarcou em um mochilão pela Europa, encantando-se com diferentes países e culturas. Ao retornar ao Brasil para concluir a faculdade, já estava decidido a seguir a carreira diplomática. Ainda na USP, começou a prestar o concurso do Itamaraty como forma de treinamento No último ano da graduação, foi aprovado e, em 2012, iniciou sua trajetória profissional em uma carreira que, à primeira vista, poderia parecer improvável para alguém com seu perfil: negro, homossexual e com deficiência auditiva Afinal, como alguém com limitações auditivas poderia aprender tantos idiomas? Como diplomata, trabalhou nas áreas consular, de direitos humanos, cultura e desarmamento Recentemente, concluiu um curso de Psicologia pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos Seus pais, que não chegaram ao 3º ano do Ensino Médio, hoje se orgulham imensamente dos filhos: um médico e um diplomata
CARREIRA NA DIPLOMACIA
“Me tornei diplomata em 2012 Trabalhei os primeiros anos no Brasil, e depois embarquei em missões de longa duração em Jacarta, na Indonésia, Viena, na Áustria e Pretória, na África do Sul, de onde agora me despeço Além disso, fiz missões temporárias no Consulado-Geral em Nova York e exerci a função de Encarregado de Negócios em Yaoundé, Camarões; Brazzaville, República do Congo e Kinshasa, República Democrática do Congo. Essa trajetória me proporcionou a oportunidade de conhecer diferentes culturas, desenvolver novas perspectivas e fortalecer minha conexão com o mundo.”
VIVER NA ÁFRICA DO SUL
“Já tinha visitado a África do Sul em 2014, como turista. Mas, em 2022, cheguei aqui para residir em Pretória e, desde então, vivi uma experiência completamente única. Como afrodescendente, foi profundamente significativo estar em um país com uma história de luta tão marcante e uma cultura tão vibrante É emocionante para nós que carregamos essa ascendência no nosso sangue Ao longo desses 2,5 anos aqui, viajei extensivamente pelo continente africano, explorando diversos países, como Namíbia, Botsuana, Zâmbia, Zimbábue, Moçambique, Tanzânia, Angola, Gabão, Guiné Equatorial, Chade, Sudão, Sudão do Sul, Etiópia, Uganda, Ruanda, Burundi, Quênia, Eritreia e Somália Percorrer tantos países africanos fortaleceu não só a minha relação com esse continente, mas também com a minha própria ancestralidade”
DESAFIOS SUL-AFRICANOS
"Apesar das muitas experiências enriquecedoras que eu vivi aqui, acho que não vou sentir falta de algumas dificuldades sistêmicas que tornam o nosso dia a dia mais complexo.

Fotoarquivopessoal

Excesso de burocracia e alguns desafios estruturais, como instabilidade no fornecimento de energia, escassez de água e os índices de criminalidade são questões que também são, de certa forma, comuns no Brasil, mas exigem constante adaptação e afetam bastante a vida de todos nós – não apenas os estrangeiros, aliás, mas também toda a população local "
PRÓXIMOS PASSOS
“A verdade é que ainda não sei exatamente para onde vou. Já sei que minha próxima missão será na Embaixada do Brasil, na Síria, mas, devido à instabilidade política na região, ainda não está definido se minha base será em Damasco ou em Beirute. Estou empacotando os meus móveis ainda sem saber ao certo onde vou desempacotá-los. No final das contas, incertezas e mudanças inesperadas fazem parte da vida diplomática. Apesar desses desafios, a carreira continua sendo, pra mim, extremamente gratificante.”
FORÇA CONDUTORA
“O que sempre me impulsionou a seguir o meu sonho foi a certeza que tinha o direito, como qualquer outra pessoa A diplomacia pertence a nós, aos cidadãos brasileiros E hoje, olhando para trás, vejo que, mesmo não tendo sido fácil, valeu a pena insistir e me esforçar para chegar aonde estou hoje A diplomacia no Brasil ainda tem um longo caminho até se tornar um reflexo mais verossímil da diversidade e da inclusão que é a nossa sociedade, mas cada passo que damos nesse sentido fortalece os que virão depois Aos poucos, as coisas estão mudando”
A F É G R A T I D Ã O
O último encontro de 2024, entre mulheres brasileiras na África do Sul, aconteceu no Tempero da Conceição, novo ponto de encontro dos amantes e saudosos das delícias do Brasil, em Joanesburgo A nova residência da Chef Conceição Silva é espaçosa, rodeada de jardins, flores e temperos É o tempero da Conceição. Um lugar que acolhe e abriga.














