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19 2010 SEXTA-FEIRA SUPLEMENTO SEMANAL 22 DE FEVEREIRO AGOSTO DE DE 2008 SEXTA-FEIRA SUPLEMENTO SEMANAL
DC Magazine NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE
DIRECTOR ADRIANO LUCAS
Marina Mota regressa aos grandes palcos com “Isto agora… ou vai ou Marcha!”, um espectáculo assente no teatro de revista que tem esgotado salas um pouco por todo o país Joana Martins DC Magazine O que reúne em palco este novo espectáculo? Marina Mota É um espectáculo cujo conceito deriva do teatro de revista, composto por uma série de rábulas recheadas de humor e com muita crítica social e política. Fala dos nossos direitos e de certa forma é uma chamada de atenção em relação a uma série de coisas que estão erradas em Portugal, como por exemplo situações de violência doméstica, que aqui são retratadas numa rábula. Resumindo, o público pode esperar deste espectáculo muito humor, música e dança. DCM Como tem sido o feedback do público que já assistiu? MM Fantástico! Desde o início que temos vindo a esgotar os vários sítios por onde temos passado com este espectáculo. O público diverte-se muito e é mesmo esse o nosso objectivo, mas também ficam mais atentos nas partes onde é suposto isso acontecer.O “Isto agora… ou vai ou Marcha!” termina com uma fusão entre hip-hop e marchas populares e em todos os lados os espectadores têm batido palmas de pé enquanto cantam em coro connosco.
DCM Acha que o público está mais afastado do teatro hoje em dia? MM Por aquilo que tem sido a minha experiência desde Outubro, quando saímos em digressão com este espectáculo, não diria isso. Em Alverca, por exemplo, tínhamos duas sessões agendadas e tivemos que fazer um espectáculo extra para responder a tamanha solicitação do público. Portanto, dado isso e as casas que temos enchido não sinto qualquer crise por parte do público em relação ao teatro. Por vezes o que acontece é que acho que as pessoas têm receio de gostar daquilo que é nosso. Este é um espectáculo genuinamente português, que retrata aquilo que é Portugal. DCM Acha que se perdeu um pouco a tradição de fazer teatro de revista? MM Não se perdeu a tradição, faltam é teatros disponíveis para levar a cabo os projectos de teatro de revista e faltam também os apoios a este género que é genuinamente português e que nunca recebeu ajudas como o outro teatro. Portanto, actores e público não faltam,apenas não existem apoios. Não podemos esquecer que o teatro de revista comporta uma componente cénica
difícil de transportar. Para fazermos do “Isto agora… ou vai ou Marcha!” um espectáculo itinerante transportamos o cenário em três carrinhas e mesmo assim tivemos a preocupação de ter um cenário que se pudesse adequar a palcos menores, o que nem sempre acontece, e a montagem depois também é complicada. DCM Estreou-se no fado em 1973 e desde então já lançou vários álbuns,o último dos quais em 2006. Vai continuar a apostar na sua carreira musical? MM Não me parece, pelo menos não brevemente. Em 2006 gravei o disco “Estados de Alma”, ao vivo, com 52 músicos, que acho que era algo que, até então, nunca tinha acontecido no nosso país e não é nada comum em Portugal. Ainda assim, à excepção de algumas rádios locais, o meu trabalho não passou nas rádios e um trabalho discográfico não se faz para depois ninguém o ouvir, portanto acho que tão cedo não terei vontade de me dedicar a outro álbum. DCM Já participou em telenovelas e protagonizou programas de humor, como o “Ora Bolas Marina”. Qual destas experiências é mais gratificante?
D.R.
“Gosto muito de sentir o carinho do público ao vivo e a cores” Carlos Cunha e Marina Mota protagonizam o espectáculo que está amanhã e depois em Coimbra
“Isto agora… ou vai ou Marcha!” no Gil Vicente “Isto agora… ou vai ou Marcha!” é o nome do teatro de revista que conta no elenco com as participações de Marina Cunha, Carlos Cunha, Rui de Sá, Sara Brás, Flávio Gil e Marisa Carvalho. Sintetizando, humor, crítica social e política, música e dança, “Isto agora... ou vai ou Marcha!”, aborda os momentos mais importantes da actualidade política e social, como é característica da revista à portuguesa. Em cima do palco estarão ainda um grupo de seis bailarinos (quatro mulheres e dois homens) coreografado por Marco de Camillis. O guardaroupa é de Helena Reis. Da responsabilidade da Marina Mota Produções, a peça estará em cena no Teatro Académico Gil Vicente amanhã às 21h30 e no domingo às 16h30. l
I
MM Programas como o “Ora Bolas Marina” foram um grande privilégio e por vezes também significavam ter de fazer personagens bastante diversificadas, como no teatro de revista. A dificuldade por vezes pode ser o facto de não podermos estender aquela personagem mais de dez minutos e por isso é mais difícil fazê-la credível aos olhos do público. Na novela isso já não acontece e temos muito mais tempo para credibilizar e construir a personagem. Acho que ambas são experiências gratificantes. DCM A televisão é uma paixão maior que o teatro? MM É diferente. A televisão é um veículo mais promocional para o sector artístico, mas eu também gosto muito de sentir o carinho do público ao vivo e a cores. DCM Nunca pensou regressar à televisão? MM Os directores das estações de televisão sabem que eu existo e se não me chamam para fazer televisão é porque não me consideram útil para as suas programações e grelhas. DCM Quem são as suas grandes referências no teatro?
MM Quando me estreei no teatro de revista aos 19 anos não era espectadora assídua daquele género teatral e, assim sendo, nunca tive referências. Considero as minhas referências os colegas com quem trabalho e que admiro e com quem vou também aprendendo todos os dias. Podia aqui salientar a Eduarda Silva, a Manuela Maria, o Eugénio Salvador, o Henrique Santana, a Maria João Abreu e o José Raposo, entre tantos outros. Cada uma das pessoas com quem trabalhei foi importante para a minha carreira e acho que actualmente a mistura de gerações é cada vez menor e falta uma grande dose de humildade a muitas pessoas que agora começam as suas carreiras e que não percebem a efemeridade deste mundo. A mim interessa-me ser um bom ser humano e o lado artístico vem por acréscimo. DCM Que projectos se seguem quando terminar esta digressão? MM Começámos em Outubro, portanto ainda estamos a digerir este espectáculo, mas penso que quando ele terminar eu vou querer descansar e depois se verá o que acontece. l