Diário da Cuesta ANO III
Nº 926
QUARTA-FEIRA, 25 DE OUTUBRO DE 2023
NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
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No Brasil, o Dia da Democracia foi escolhido para ser celebrado no dia 25 de outubro, dia da morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975. Herzog, nascido na Iugoslávia, veio para o Brasil com sua família para fugir da perseguição aos judeus liderada pelos nazistas alemães. Naturalizado brasileiro, no início dos anos 70 ele assumiu a direção do departamento de telejornalismo da TV Cultura, durante o Regime Militar. Vinculou-se ao Partido Comunista Brasileiro e se tornou militante na luta pela Democracia e pela volta ao Estado de Direito.
“Em toda Nação, em toda comunidade politicamente organizada, desde os tempos medievais, há uma força suprema – O Soberano – cujas regras, normas e diretrizes, determinadas direta ou indiretamente, estabelecem a Lei e o Soberano está acima da própria Lei. Em nossos dias é quase a mesma coisa que acontece. Hoje, o fundamento continua o mesmo. O que difere é que no Estado Moderno o Soberano é o Povo. E como o Povo exerce a sua Soberania? O Povo exerce a sua Soberania através do Poder Constituinte. E cabe ao Povo – O Soberano – determinar as condições para a constituição do Poder Constituinte e fixar de modo preciso as suas prioridades.” (AMD)
BOTUCATU E A LUTA PELA ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE
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Diário da Cuesta
"O admirável mundo novo" MARIA DE LOURDES CAMILO SOUZA
O cientista ficou ali olhando as folhas sendo varridas pelo vento que zunia, levantando poeira, quase carregando aquele homem magro embrulhado em seu sobretudo marrom. Tentou segurar o velho chapéu de feltro na cabeça e ordenar os cabelos meio longos que caiam sobre os olhos e o impediam de enxergar direito. Fechou mais dois botões do casaco e arrumou o cachecol em volta do pesçoço cobrindo as orelhas, que teimava em seguir o vento e por pouco não voou para longe. Seu cérebro dando um giro de 180°. Aquela tormenta não o abalava mais que os seus pensamentos naqueles dias sombrios. É muita informação para assimilar. Juntou três ou quatro informações novas que o assombravam e ... o que pareciam fatos isolados se uniram e a sua hipótese da Nova Terra , acalentada por tantos anos, começou e parecer viável! Analisou e releu várias vezes as mesmas informações em vários sites de estudos científicos. Um novo continente surgindo, a Amásia; junção da América do Sul, que cruzando a linha do Equador, se fundira a América do Norte, fechando o mar do Caribe e o Oceano Ártico. Será o sucessor do supercontinente Pangea. O que dizer dos moluscos de água doce da ordem notostraca de três olhos, uma nova forma do Triops Longicadautus, que surgiram ali, no estado desértico do Arizona, num lago recém formado após grandes chuvas? Coçou a barba por fazer, extremamente concentrado em suas suposições, o que seria essa nova bizarra forma de vida? Olhou para o céu cinzento, onde nuvens mudavam rapidamente de formas, e um brilho metálico de um objeto voador arredondado como OVNI, o cegou. Tapou os olhos por instantes e voltou a olhar para uma nesga de céu azul que apareceu e logo se encobriu. Mas o que mais o intrigava era o novo tipo sanguíneo descoberto chamado de ER. Um novo ser humano surgindo? Ficou um pouco mais ali, quase sendo carregado para o mar que bravio lambia as encostas daquele morro escarpado. Viu as espumas brancas que borbulhavam e se desfaziam rapidamente ao serem substituídas por nova onda que seguia. Afundou ainda mais o chapéu na cabeça e começou o caminho de volta sem se atrever a formar conclusões precipitadas. Muito trabalho de pesquisa para formar a sua tese. Arrancou um galho que atrapalhava seu caminho e jogou longe, sendo seguido pelo seu cão negro, Taurus. O cão todo feliz correu disparado e abocanhou o galho no ar, devolvendo-o a seus pés. Sorriu para cão e continuaram a trilha de volta para casa.
EXPEDIENTE
DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes
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CONSTITUINTE: 40 anos depois...
Importante o registro, 30 anos depois do lançamento do livro pioneiro “CONSTITUINTE – O QUE TODO BRASILEIRO DEVE SABER SOBRE A ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUITE”, que fizemos no ano de 1981, durante a campanha a favor da instalação de uma CONSTITUINTE que restituiria à Nação o pleno Estado de Direito, com a promulgação de uma Constituição Democrática e a realização de eleições livres e diretas. Na companhia do deputado estadual Fernando Morais, jornalista e escritor, participamos de inúmeras conferências para universitários das principais cidades do interior do Estado sobre a necessidade da convocação de uma Constituinte para restituir, ao Brasil, o regime democrático em toda a sua plenitude. E, em nossa cidade natal, Botucatu, fizemos o lançamento do livro “CONSTITUINTE – O QUE TODO BRASILEIRO DEVE SABER SOBRE A ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUITE”, o primeiro livro sobre o assunto, abordando de forma pioneira e didática tão importante tema, para melhor compreensão da população e da nossa juventude. No ano de 1981, as oposições já estavam preparando os eleitores para as eleições estaduais DIRETAS – as primeiras desde 1964! – para Governador de Estado. E a campanha pela Constituinte e para as eleições diretas em 1982 foram a base para a grande campanha das DIRETAS JÁ!, que teve seu momento culminante em 1984/85. Mesmo sendo derrotada na votação do Congresso Nacional, o movimento conseguiu eleger, ainda pelo regime das eleições indiretas, TANCREDO NEVES para Presidente da República. Importantes personalidades da vida política brasileira deram seu depoimento sobre a importância do livro “CONSTITUINTE”, lançado em 1981, inclusive o Deputado Federal e presidente do PMDB, ULISSES GUIMARÃES, que viria a presidir, em 1988, a Assembléia Nacional Constituinte
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e promulgar a CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1988 – a CONSTITUIÇÃO CIDADÃ!!! Algumas opiniões sobre o livro “Constituinte”: Crítica feita no jornal Folha de São Paulo, de 03/05/81, sob o título “A Constituinte ao Alcance de Todos”, de autoria do jornalista e escritor Ricardo Kotscho:” Constituinte”, de Armando Moraes Delmanto (Edições Populares), mostra a necessidade da convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, livre e soberana, como única forma (pelo menos agora) de sepultar o regime autoritário implantado no Brasil há 17 anos. O principal objetivo do livro é apresentar a questão de forma simples e didática para que todo brasileiro possa discutir «essa tal de constituinte» de que tanto se fala, Delmanto não coloca a Constituinte como a solução para todos os problemas brasileiros, mas dá ênfase à prioridade da sua convocação como instru-
mento para ampliar a liberdade de organização em todos os níveis. Mostra, também, como seria um poder legitimamente constituído. R.K.” “Cumprimentos sua lúcida e erudita obra “Constituinte”. Li atentamente com real proveito. Do admirador reconhecido pelas palavras de estímulo. Deputado Ulisses Guimarães em 29/05/81 (Presidente Nacional do PMDB e, posteriormente, presidente da Assembléia Nacional Constituinte/1988). “Recebi seu excelente e significativo trabalho sobre Constituinte. Louvo obra e agradeço sua amável dedicatória cumprimentando bravo, coerente e consciente estudioso. Abraço. Senador Pedro Simon - PMDB (posteriormente, governador do Rio Grande do Sul).» “Ao prezado amigo e colega Dr. Armando Delmanto, acusando o recebimento de seu trabalho intitulado “Constituinte”, agradeço essa lembrança amável, bem como a gentil dedicatória, felicitando por mais esta publicação, prova incontestável da sua inteligência fértil e capaz. Com um abraço do Manoel Pedro Pimentel - Professor Catedrático da Faculdade de Direito da USP (ex-Secretário da Justiça e da Segurança Pública do Estado)”
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JORNALISMO E DEMOCRACIA SÃO SINÔNIMOS LUIZ ROBERTO SERRANO
Aminha geração de jornalistas, que começou na imprensa no fim dos anos 60 e começo dos 70, acompanhou com entusiasmo o embate entre o Washington Post e a administração de Richard Nixon, no caso Watergate, que resultou na renúncia do presidente norte-americano, em 1974, para evitar seu impeachment. Durante o transcorrer das investigações do Washington Post, secundado por outros jornais como New York Times, vivíamos ainda sob censura e o destemor e a liberdade da imprensa norte-americana nos fascinava. Lembrei do episódio porque ele é emblemático do papel e da importância da imprensa em regimes democráticos e na resistência aos autoritarismos. Eram tempos de predominância da imprensa escrita, do rádio e da TV, que eram os instrumentos preponderantes de comunicação de notícias com a sociedade, cobrindo, em maior ou menor grau, todos os espectros de opiniões políticas, econômicas e culturais da sociedade, embora com predominância de veículos de extração conservadora. Em tempos de “abertura lenta, gradual e segura”, inaugurada pelo governo de Ernesto Geisel, que retirou a censura a partir de 1974, a imprensa tradicional brasileira abriu espaço a debates políticos, contra e a favor do regime, acompanhou e deu visibilidade, dez anos depois, à campanha das Diretas Já. Nos anos 1990, deu-se a renúncia de Fernando Collor também para evitar o impeachment, numa campanha em que a imprensa não foi a protagonista, mas a espelhou e divulgou com vigor, com intervenções importantes em momentos decisivos, como no episódio do Fiat Elba. Cerrou fileiras a favor do impeachment em função das práticas de corrupção que rondavam a administração Collor, apesar de ser simpática ao seu programa econômico. Já no século XXI, com internet e redes sociais a todo vapor abrindo uma nova era na comunicação, a imprensa tradicional deu ampla cobertura à operação Lava Jato, abrindo seu espaço e competindo furiosamente pelos vazamentos das investigações que se multiplicaram como nunca visto. Simultaneamente, abriu amplo espaço para cobertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff, com cujas diretrizes políticas e econômicas os principais veículos de comunicação não se identificavam. Nos quatro casos que citei a imprensa brasileira não teve o papel protagonista do Washington Post em relação a Nixon, nos EUA, ao liderar as investigações e estimular a entrada em cena das diversas instâncias constitucionais do Estado norte-americano. Mas influiu decisivamente no debate político da sociedade em cada um daqueles momentos, embora, em cada um deles, tenha desagradado ou a gregos ou a troianos. No caso da cobertura do impeachment de Dilma Rousseff, recebeu dos partidários da ex-presidente o epíteto de “imprensa golpista”. Isto posto, é preciso registrar que dos anos 1990 para cá o panorama da imprensa alterou-se amplamente com a entrada em cena da internet e das redes sociais. Desde o fim do século passado, a imprensa, especialmente a escrita, se viu às voltas com a concorrência da internet, que propiciou, num primeiro momento, a criação de sites noticiosos e blogs e, posteriormen-
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te, das redes sociais. Ao mesmo tempo que propiciou a democratização da comunicação no mundo, dando poder de expressão e divulgação aos indivíduos, as redes sociais, em especial, as novas ferramentas puseram em xeque o modelo de negócios da grande imprensa, enfraquecendo sua saúde financeira e econômica. No esforço de recompor-se, os veículos patrocinaram profundas modificações no seu modo de produção e monetização, apostando mais em geração de renda via assinaturas do que por anúncios, seu modelo clássico. E hoje batalham por visibilidade e influência no amplo espaço da internet. Nesse processo em busca de recomposição financeira e econômica da grande mídia, os jornalistas foram seriamente prejudicados, via demissões para redução de custos, substituição, quando há, por profissionais com remuneração menor, precarização das condições de trabalho e longas jornadas na busca e divulgação de notícias. Paralelamente, o status profissional dos jornalistas vem sendo continuamente questionado, com idas e vindas sobre a legislação que regula a profissão, ora exigindo diploma de jornalista para o seu exercício, ora retirando a sua exigência, o que possibilita o exercício da profissão por pessoas inabilitadas do ponto de vista técnico e ético. A internet e as redes sociais, por sua vez, abriram a oportunidade para o exercício e expansão do jornalismo exercido por iniciativa dos profissionais, seja em voos solos, seja em grupos, seja em pequenas empresas, seja via instituições de apoio, o que propicia uma importante democratização da comunicação na sociedade. É um campo aberto para a ampliação do alcance do jornalismo de qualidade, tanto noticioso quanto opinativo – e vem crescendo, ganhando cada vez mais visibilidade e importância como formador de opinião. O desafio dessas iniciativas é obter respaldo financeiro suficiente para o seu bom funcionamento e o sustento dos profissionais que a ele se dedicam, cada vez em maior número. Ressalte-se que essa ocupação de espaço é fundamental e crucial neste momento em que a internet e as redes sociais estão contaminadas, em escala inadmissível, pelas funestas fake news, inclusive por autoproclamados jornalistas, que desinformam, desmoralizam, ofendem a tudo e a todos, sejam pessoas, sejam instituições, seja o processo político democrático, defendendo ideias autoritárias e retrógradas. E que ganham uma indesejada e irresponsável repercussão, de norte a sul, num país em que há mais smartphones, o espaço por excelência da internet, do que habitantes. Enfim, o jornalismo e os jornalistas vivem um momento definidor, estes, em especial, na condição de profissionais com competência técnica e ética para bem informar a sociedade neste momento delicado da vida do País, seja na imprensa tradicional, seja pelo crescente e incontável número de blogs e sites que ocupam a internet e as redes sociais. Este artigo foi publicado originalmente no novo site da Associação Profissão Jornalista – APJOR, cujo papel é colaborar para o debate sobre este momento especial da mídia e apontar os possíveis caminhos para que os jornalistas exerçam cada vez melhor a sua profissão e, por consequência, o jornalismo continue sendo um dos alicerces da democracia no Brasil. Jornalismo e democracia são sinônimos. (JORNAL USP)